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17.12.23

História dos bancários: um olhar (XII)



Sindicato é sindicato, partido é partido, governo é governo...

O ano em questão era o de 2008, o Banco do Brasil comemorava os seus 200 anos de história e o Brasil era governado pelo Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula estava em seu segundo mandato. A ampla maioria das lideranças do movimento sindical cutista e de outras forças políticas definiu em nossos congressos de trabalhadores apoiar a reeleição em 2006. 

No entanto, as condições de trabalho no BB estavam muito ruins, a direção do banco vinha numa sequência de decisões monocráticas que prejudicavam o conjunto dos funcionários, além de estar reestruturando o banco através de terceirizações. As metas e o assédio moral eram institucionalizados da mesma forma que ocorria nos outros bancos, tínhamos até mesa com a Fenaban para tentar frear o abuso na forma de cobrança de metas.

Foi nesse cenário que fiz um artigo de opinião dizendo que o movimento sindical deveria endurecer as relações com a direção do Banco do Brasil. Posso até ter sido duro com o governo ao falar dos seis anos, mas o dirigente sindical está no calor dos problemas e com seus representados sofrendo, é natural que eu carregasse no tom.

CENÁRIO INTERNACIONAL - Além da direção do BB estar atuando pessimamente com o corpo de funcionários e no papel de banco público, vivíamos a maior crise do capitalismo desde 1929, com a crise do subprime e a quebra da economia mundial. 

Meses depois do artigo que fiz criticando a direção do banco - e muita gente sindicalista e de esquerda não gostou de minha crítica ao nosso governo -, ficou claro que o governo Lula cobrava dos bancos públicos uma liderança na redução das taxas de juros e do maior spread do mundo. 

Os bancos públicos tinham a obrigação de liderar o sistema financeiro na queda dos juros e o presidente do BB era o que mais dava entrevistas ao mercado dizendo que não iria seguir as instruções do governo, que iria seguir o mercado blá blá blá... foi demitido!

Como diz o ditado popular, o tempo é o senhor da razão! (isso serve para mim também, pois em relação ao comentário que fiz sobre a China, eu pensaria duas vezes para fazer a mesma observação hoje rsrs)

Enfim, segue abaixo o texto que fiz, se não me engano, em agosto de 2008, estávamos no início da campanha nacional da categoria bancária. Lima Neto foi demitido em abril do ano seguinte. 

William Mendes

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Artigo de opinião


EM RELAÇÃO AO BB, O MOVIMENTO SINDICAL CUTISTA DEVE ROMPER COM O GOVERNO LULA

São 6 anos de governo do Sr. Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. É inegável que o Brasil mudou para melhor. Não é preciso destrinchar dados para mostrar melhor distribuição de renda, diminuição da miséria, melhor inserção brasileira no contexto internacional, fortalecimento das instituições públicas (com exceção do Banco do Brasil), entre tantos outros pilares econômicos e sociais.

São 6 anos de governo Lula e também são 6 anos de desmonte do papel do BB enquanto banco público. São 6 anos de assédio moral e condições de trabalho idênticas ou piores do que os piores momentos dos governos anteriores.

Ao mesmo tempo, é revoltante ver que não há sequer condições idênticas de tratamento por parte das empresas cujo comandante é o mesmo governo, pois se no BB tudo vai de mal a pior, na Caixa Federal percebemos nesses 6 anos que ocorreram avanços, com muita luta é verdade, mas as diferenças são substanciais.

Para ficarmos em alguns exemplos, basta lembrarmos que a Caixa executa programas sociais e é agente do governo no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Além disso, teve negociações do PCS que puderam ser apreciadas pelo corpo social e contratada em acordo. Vem reduzindo a terceirização ano após ano, por força de acordos com o ministério público. Tinha uma força de trabalho de mais de 100 mil trabalhadores em 2002, onde metade era de terceirizados, e hoje os bancários concursados chegam a 75 mil. É evidente que estão sobrecarregados ainda, pois são necessários cerca de 120 mil trabalhadores para as demandas atuais.

O BB, ao contrário, vem lançando pacotes de DESestruturação todos os anos. Enxuga aqui, terceiriza ali, centraliza e descomissiona acolá. Só para lembrar alguns casos: centralização das Eqesps, que viraram Nucacs, que foram incorporadas pelas Geries, que viraram Gerel, que viraram SCO e SCL. Todas elas com movimentações compulsórias de trabalhadores e suas famílias.

Além disso, vieram as centralizações das Corporates e das Empresariais. Também centralizaram-se as Gecex. Agora está centralizando, terceirizando, enxugando e dispensando de novo as pessoas da mesma Gecex. Demissões em massa de advogados das Ajures. Reestrutação de URRs e por aí afora.

Em 2003, chegamos a exigir a nomeação de mais de 5 mil caixas executivos. Achávamos que era uma vitória perene. Mal sabíamos que o banco logo mais viria a não querer mais atender à população, e acabar de vez com os caixas, inclusive terceirizando o processamento dos envelopes de autoatendimento, para a Cobra, que quarteirizou, e hoje existe regime de quase escravidão para o tal setor. Aos caixas sobreviventes, sobra a opção de ser caixa volante: um dia aqui, outro ali, onde precisar... (e o banco sabe que nós sempre fomos contra part-time e contratações sazonais!)

Para não passar em branco, não vamos esquecer que o BB faz concurso extorquindo a população, pois não chega a chamar mais que 10 ou 20% dos aprovados, ludibriando as pessoas com concursos que não prometem vagas e sim “quadro de reservas”. E olha que só em 2007 dispensou mais de 7 mil bancários no auge de suas carreiras para ficarem recebendo em casa por até 10 anos, além da bolada que pagou a eles para aliviar passivo trabalhista. Custo este que ficou na casa de ½ bilhão só no primeiro ano.

É bom saber que o plano foi feito para um conjunto de altos executivos (feito por eles mesmos). Mas, para darem uma capa de transparência, tiveram que estendê-lo a outros funcionários, o que acabou retirando do corpo funcional 5 mil pessoas a mais do que o planejado pela diretoria.

Dessa vez o BB chutou o pau-da-barraca: o LIC que trata da reestrutuação da Gecex (“LIC PAQ GECEX”) é idêntico às instruções que nós enfrentamos na época do PDV/PAQ entre 1995/97. O que é pior, ele diz que não reconhece direitos dos bancários, cipeiros, delegados sindicais (então o banco quer dizer que o contrato com a Contraf-CUT não existe?!).

Penso que o movimento sindical CUTista deve romper com o governo federal em relação ao Banco do Brasil e não deve mais haver negociações com essa diretoria que aí está. Essa diretoria, a começar pelo seu presidente Sr. Lima Neto e incluindo toda a sua cúpula, está envergonhando a todos nós que queríamos mudanças no banco, tanto de diretrizes quanto de tratamento ao corpo funcional.

De que adianta mostrarmos boa vontade em negociar com o banco, sendo que coisas básicas como respeito às leis trabalhistas, condições de trabalho, dignidade humana e não terceirização dos serviços bancários o banco prefere dizer que não negocia e que busquemos a justiça?

Nesse período de (des)comemoração de 200 anos do BB, devemos exigir do Governo Federal a troca desses senhores que, além de não mudarem os rumos da empresa Banco do Brasil a partir de 2003, fizeram foi piorar as condições internas e externas da empresa que, hoje, pouco tem de coisa pública.

O BB está para público, assim como a China está para comunista; ambos gigantes por natureza, antidemocráticos, com alguns mais iguais que os outros, e em função de interesses privados e, às vezes, escusos.

William Mendes

Secretário de imprensa da Contraf-CUT

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Post Scriptum - O texto anterior desta série pode ser lido aqui.


18.10.23

História dos bancários: um olhar (IX)



A história do Banco do Brasil - Afonso Arinos

18 de outubro de 2023


O Banco do Brasil completou nesta semana 215 anos de existência, considerando suas falências e refundações a partir de 12 de outubro de 1808. É uma longa existência, uma longa história de serviços prestados ao Brasil e aos brasileiros e brasileiras!

Tive o privilégio de fazer parte de seu quadro de funcionários entre 9 de setembro de 1992 e 3 de abril de 2019. Agora, sigo pertencendo à comunidade Banco do Brasil, porque sou beneficiário de nossa Caixa de Previdência, a Previ, e sou associado de nossa Caixa de Assistência, a Cassi, entidades cooperativas e solidárias criadas pelos funcionários da empresa pública bicentenária.

Os bancos públicos têm uma importância central no apoio ao desenvolvimento de um país. Sem financiamento com taxas e tempo justos, um país não terá desenvolvimento econômico. Bancos públicos são fundamentais para o financiamento da agricultura, indústria e comércio. Para habitação, grandes obras públicas, ciências e tecnologias etc.

Quando cheguei ao quadro de funcionários do Banco tive outra sorte grande ao me aproximar de nossas entidades representativas, principalmente o sindicato que organizava a base social onde trabalhava na grande São Paulo. Militar no movimento sindical me formou como pessoa e como cidadão.

Acabei sendo eleito dirigente sindical em 2002 e por 16 anos exerci mandatos eletivos nos mais diversos espaços de organização social e lutas por direitos coletivos. Foi um grande aprendizado de vida! Acredito que tenha deixado a minha contribuição à bonita história de luta de nossa categoria profissional pertencente à classe trabalhadora.

Ao longo da vida de trabalhador bancário, uma das categorias mais organizadas do país, acabei estudando nossa história e a história das lutas da classe trabalhadora para poder representar bem meus colegas de trabalho. Além de representante de base e diretor do Sindicato, fui secretário nacional de imprensa e de formação de nossa confederação, depois fui coordenador das negociações nacionais com a direção do Banco e por fim fui diretor eleito de saúde de nossa Cassi.

Nesta série "História dos bancários: um olhar" pretendo registrar um pouco de nossas lutas e conquistas ao longo do tempo, tendo como referência as diversas mídias que acumulei ao longo de minha representação da categoria. Tenho muito material guardado e após dar uma organizada e colocá-lo em ordem cronológica, avalio que dá para ir contando um pouco da caminhada dessa categoria aguerrida e de vanguarda. A intenção é fazer uma publicação por semana.

É isso. Nesta postagem, terminei a releitura de um material feito no final dos anos oitenta para marcar os 180 anos de História do Banco do Brasil. A edição que tenho, foi adquirida através da doação de um gerente que trabalhou na agência Rua Clélia nos anos noventa, o Geraldo.

A postagem anterior desta série pode ser vista aqui.


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Capítulo XI

Nesse capítulo, Arinos faz um retrospecto da história brasileira a partir de meados dos anos quarenta, período final da 2ª Guerra Mundial. No Brasil, Getúlio Vargas estava no poder (1930-1945). Com a queda de Vargas, houve eleições e o Marechal Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente, apoiado pelos partidos Social Democrático e Trabalhista Brasileiro, segundo Arinos (p. 45)

Getúlio Vargas volta à presidência pelo voto popular (1951-1954). Alguns fatos desse período valem a citação pela importância econômica e social para o Brasil: a criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE) em 1952, que trinta anos depois seria o BNDES, sendo o "S" de Social; a criação em 1954 do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e a criação da Petrobras em 1953:

"Para disciplinar as diversas atividades relacionadas com essa importante fonte de energia havia sido criado o Conselho Nacional do Petróleo. Uma forte campanha política mobilizou a opinião pública e teve como resultado a criação da PETROBRAS, por lei de 3 de outubro de 1953, do Congresso Nacional. A essa empresa estatal caberia, entre outros privilégios, o monopólio da prospecção do precioso combustível em território nacional, monopólio este também estabelecido por iniciativa do Congresso." (p. 47)

Antes, em 1946, havia sido inaugurada a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A industrialização brasileira teve forte impulso no período posterior à 2ª GM.

BANCO DO BRASIL COMEMORA OS 100 ANOS... EM 1954

Pois é, apesar do nosso banco público BB ter comemorado os 215 anos dias atrás, em 12 de outubro de 2023, em 1954 o BB teve festa para comemorar seu centenário. Afonso Arinos nos explica isso, que já lemos nos capítulos anteriores.

"O Banco do Brasil - remodelado em 1893 e em 1905 - tivera suas operações reiniciadas em 10 de abril de 1854, tendo deixado de funcionar desde o ano de 1829, e reaparecera em virtude da fusão do Banco Comercial do Rio de Janeiro (de 1838) com o Banco do Brasil, fundado em 1851 por Irineu Evangelista de Souza, mais tarde barão e visconde de Mauá. As negociações entre os dois estabelecimentos haviam tido o patrocínio de Joaquim José Rodrigues Torres, visconde de Itaboraí, de relevante atuação na política e na administração do Império durante o Segundo Reinado." (p. 47)

O presidente do BB naquele período do governo Getúlio Vargas era o Dr. Marcos de Souza Dantas. E Arinos informa que uma comemoração não invalidava a outra efeméride de 1808.

"O fato não invalidava a comemoração de outra efeméride do Banco - a da assinatura do 'Alvará com força de Lei, pelo qual Vossa Alteza Real há por bem criar um Banco Nacional nesta Capital, para animar o comércio, promovendo os interesses Reais e Públicos, na forma que nele se declara.

     Para Vossa Alteza Real ver.

     Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1808'." 


Enfim, sempre achei que essa questão de datas de aniversário é algo bastante arbitrário, inclusive o nosso calendário, já que tivemos ao longo da história diversas definições de qual calendário se deveria seguir de acordo com algum poderoso da vez, como o calendário gregoriano que substituiu o calendário juliano na idade média, calendário mais utilizado no mundo ocidental na atualidade.

Arinos fecha o capítulo falando do suicídio de Getúlio Vargas sem falar absolutamente nada sobre o contexto. Eu não esperava outra coisa dele.

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Capítulo XII

O destaque no capítulo é o "desenvolvimentismo" do governo de Juscelino Kubitschek. De forma bastante parcial, Arinos termina esse período enaltecendo a "revolução", nome que ele dá ao golpe de Estado civil-militar que depôs o Presidente da República João Goulart, que assumiu o governo após a renúncia de Jânio Quadros.

"(...) Já então alguns governadores, entre os quais os de Minas Gerais, de São Paulo e da Guanabara haviam decidido, contando com a colaboração decisiva de grande parte das Forças Armadas, promover a deposição do presidente. Iniciou-se a 31 de março de 1964 em Minas Gerais - Juiz de Fora - o deslocamento de contingentes do Exército em direção à cidade do Rio de Janeiro onde se encontrava o presidente. No dia seguinte a revolução triunfava sem que fosse oferecida qualquer resistência da parte dos que sustentavam o governo." (p. 49)

COMENTÁRIO: Amig@s leitores, que nojo sinto ao ler uma descrição dessas do "Prof." Afonso Arinos! UMA VERGONHA! O cara faz uma narrativa asséptica do golpe como se os golpistas tivessem escolhido o terno que usariam à noite, diz que eles decidiram "promover a deposição do presidente...". Observem que o presidente de esquerda "promovido" a deposição está com o "p" minúsculo, enquanto os outros ele escreve com "P" maiúsculo... Que nojo!

O tema central do estudo, o Banco do Brasil, não é citado no capítulo.

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Capítulo XIII (Os governos militares)

"Em cumprimento ao disposto no art. 2º do Ato Institucional do dia 9 do mês de abril de 1964, foi eleito indiretamente para exercer a Presidência da República o General Humberto de Alencar Castelo Branco, transferido, na mesma ocasião, para a Reserva do Exército no posto de marechal." (p. 50)

Não poderia ser mais ridículo um texto desses... o autor tenta dar um verniz de legalidade à merda do golpe de Estado! Vergonha!


BACEN - Neste capítulo, Arinos fala sobre a Reforma Bancária de 1964, que criou o Banco Central do Brasil e definiu diversas funções do Banco do Brasil como agente financeiro do Tesouro Nacional, sendo o BB o recebedor da arrecadação de tributos e rendas federais.

BASA - Após a criação em 1967 da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o antigo Banco de Crédito da Borracha passa a se chamar Banco da Amazônia.

INCRA - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária foi criado em 1970 "com a finalidade de acelerar a execução de vários projetos de redistribuição de terras não-produtivas e cooperar para a fixação do trabalhador rural no campo." (p. 52)

Arinos não economiza no texto elogioso aos ditadores do período. Ele vai enumerando instituições criadas durante os governos militares. Como o país vinha buscando formas de desenvolvimento econômico, usinas hidrelétricas foram inauguradas, a produção da Petrobras passou de meio milhão de barris por dia etc.

Ao final do capítulo, os militares "gente boa" entregam o governo para José Sarney, que sucedeu a Tancredo Neves, eleito presidente de forma indireta pelo colégio eleitoral e falecido antes da posse em 1985.

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Capítulo XIV

O último capítulo da cartilha comemorativa dos 180 anos da fundação do Banco do Brasil traz números expressivos do maior banco público do país em 1988.

"De um primeiro departamento, no Rio de Janeiro, com 22 funcionários, em 1816, passou o Banco a contar, em dezembro de 1987, com 128.528, dos quais mais de 1.500 nas agências e escritórios do exterior. As antigas três filiais, existentes em 1817, na Bahia, São Paulo e Recife, deram origem em 1987 a uma rede com 3.641 unidades, das quais 41 no exterior, compreendendo no total 2.284 agências, 393 postos avançados de crédito rural e 964 outras dependências de menor porte."

Desses números expressivos do banco público, ainda temos a informação de que 90% das agências no país estavam localizadas em cidades do interior, o que demonstrava a importância do BB na vida local das comunidades brasileiras.

Com a saída da Conta-movimento em 1986, quando usava recursos do Tesouro Nacional, o Banco teve que se adaptar a uma nova realidade para seu funcionamento enquanto banco público no mercado bancário. O BB passou a dispor de diversos serviços bancários e produtos que antes não eram o seu foco.

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Termina aqui a leitura desta cartilha História do Banco do Brasil, escrita pelo professor Afonso Arinos de Melo Franco, com a colaboração do professor Herculano Gomes Mathias.

A cartilha foi produzida pela diretoria do Banco do Brasil em 1988.

William

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Post Scriptum: o texto seguinte desta série pode ser lido aqui.


3.10.23

História dos bancários: um olhar (VIII)


 

A história do Banco do Brasil - Afonso Arinos

03 de outubro de 2023.


"Em 1905, o Presidente Rodrigues Alves, sob pretexto de reformar o inviável Banco da República, fundou o que deve ser considerado como o Banco do Brasil atual. Os estatutos do Banco da República foram alterados por iniciativa do governo e com aprovação dos acionistas. O novo Instituto, que retomou o nome tradicional de Banco do Brasil, devia 'exercer as funções de um banco central, dispondo de capital abundante para redescontos de papel dos outros bancos, para adiantar aos outros bancos e ampará-los nos momentos de crise'. O governo enviou mensagem ao Congresso regulando a matéria e a lei foi aprovada ainda em 1905, com os primeiros estatutos do atual Banco do Brasil." (p. 36)


No momento em que retomo a leitura desta cartilha sobre "A história do Banco do Brasil", nosso BB está sob um risco menor de existência como banco público porque Lula (PT) venceu as eleições presidenciais contra Jair Bolsonaro em outubro de 2022 e Guedes não pode mais "vender essa merda" como ele chamou nossa estatal quando era o ministro daquele governo fascista e lesa-pátria da família de milicianos.

O BB, os demais bancos públicos e estatais brasileiras seguem enfrentando cenários adversos por causa do contexto mundial de crise econômica e política em relação aos sistemas financeiros do mundo. As instituições multilaterais do período pós 2a Guerra Mundial já não funcionam mais como ocorreu nas últimas décadas (funcionavam de forma imperialista, mas evitavam conflitos generalizados e ininterruptos). Hoje, nem a ONU apita mais nada no chamado "concerto das nações".

O mundo do trabalho está o caos, se desfazendo, principalmente quando pensamos em direitos trabalhistas e sociais. Nós da categoria bancária estamos sob sério risco de desaparecimento. Infelizmente! Eu não acho isso algo irreversível, não acho. Se um governo trabalhista e progressista tiver vontade, correlação de forças e estratégias corretas, acredito que seja possível salvar os empregos com direitos sociais como os da categoria bancária. 

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O 3º E DEFINITIVO BB

Enfim, retomando a leitura da história do BB, vemos o quanto o banco público foi fundamental para o país nas primeiras décadas do século 20. O BB ajudou a República no financiamento de estradas de ferro e demais setores estratégicos da economia nacional, criou a carteira agrícola, fez papel de banco dos bancos etc.

No capítulo 8, temos a informação sobre a criação definitiva do Banco do Brasil, empresa pública que vigora até hoje, que conseguiu sobreviver pela luta de seus trabalhadores e da sociedade civil a governos privatistas como os de Collor, FHC e Bolsonaro/Guedes.

Em 1892, sob o governo de Floriano Peixoto, o Banco do Brasil, que havia sido refundado, se uniu a outro banco do governo para formar o Banco da República do Brasil:

"Decidido a concentrar a atividade bancária para conter a inflação, o Presidente Floriano Peixoto assinou, em 11 de dezembro de 1892, um decreto que autorizava a fusão do Banco do Brasil com o da República dos Estados Unidos do Brasil, sob a denominação de Banco da República do Brasil..." (p. 36)

O Banco do Brasil definitivo seria o que o governo criou em 1905, citado na abertura do texto.

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O capítulo 9 da cartilha ou livro de Afonso Arinos nos relata o período da 1a Guerra Mundial e os anos 20, terminando com a crise de 1929 e a "Revolução de Outubro de 1930", com Vargas assumindo o poder.

CREAI, criada por Getúlio Vargas: "A história da agricultura brasileira pode ser contada em duas fases: antes e depois do surgimento da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil. " (p. 41)

O BB passaria a ser reconhecido nas décadas seguintes como o banco do financiamento da agricultura brasileira. Em bons momentos, ou seja, em governos bons, o BB teve papel importante na agricultura familiar, o setor que realmente alimenta o povo brasileiro.

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O capítulo 10 nos traz um resumo dos anos 30, nos lembrando sempre do papel do BB nos grandes momentos do país e do mundo. A criação da Carteira de Crédito Agrícola do BB (CREAI) é um bom exemplo. 

O apoio ao crédito rural contribuiu a partir dos anos 30 para a expansão da rede de agências do BB país afora.

"A atuação do Banco, através da CREAI, foi decisiva para que zonas improdutivas e despovoadas do vasto território nacional se transformassem aos poucos em verdadeiros celeiros, como aconteceu com o oeste paranaense, Mato Grosso e, mais recentemente, Rondônia, Bahia, a Amazônia e algumas regiões do Nordeste. " (p. 41)

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Comentário: neste trecho acima podemos ver na prática a crítica que a jornalista e escritora Eliane Brum nos explica em seu livro "Banzeiro òkòtó (2021)" sobre conceitos equivocados de "progresso" e "desenvolvimento" ligados à destruição da Amazônia e demais biomas nacionais. Reparem que esta obra comemorativa é do final dos anos oitenta e o conceito de destruir os biomas para colocar pasto e plantações ainda vigorava...

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O capítulo 10 termina falando da participação do Brasil na 2a Guerra Mundial, através da FEB. Colegas do BB foram para a Itália, junto à Força Expedicionária Brasileira. 

"(...) Com o segundo escalão da FEB partiram funcionários do Banco para a Itália, a 22 de setembro de 1944. Outros funcionários seguiram com o quarto escalão, a 23 de novembro. Iam organizar, com a eficiência de sempre, os serviços bancários e financeiros junto às tropas combatentes e ajudar, assim, aos lutadores pela liberdade mundial." (p. 44)

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BANCÁRIOS BRASILEIROS: UMA CATEGORIA DE LUTAS

Ao longo de minha vida de representação da classe trabalhadora, a partir de minha condição de trabalhador do ramo financeiro, sempre expliquei em palestras e debates o quanto a categoria bancária foi vanguarda na organização de trabalhadores e da sociedade civil na luta por direitos sociais, civis e políticos.

Grandes foram as lutas e conquistas para a coletividade com bancários à frente de mobilizações da sociedade civil. Os anos oitenta foram bem característicos dessas lutas como, por exemplo, nas mobilizações pelas "Diretas Já" e pela volta da democracia no país. Já escrevi que os bancários se posicionaram nas primeiras eleições para a presidência depois de décadas de ditadura (ler aqui).

Os tempos seguem sendo desafiadores neste início do 3º governo Lula. Avalio que o mundo corre o risco de grandes conflitos políticos e guerras e o Brasil não é uma ilha isolada na disputa de hegemonia que vivemos neste momento.

A fala do presidente Lula na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas foi de nos deixar orgulhosos por voltarmos ao cenário global, foi uma fala ativa e altiva e Lula falou de paz, falou de distribuição de renda, falou sobre a emergência climática, cobrou instituições multilaterais com capacidade operativa etc. Foi uma fala histórica de nosso governo.

Os bancários brasileiros seguem com mais desafios que nunca porque a própria existência está ameaçada com as novas tecnologias e com a precarização massiva do mundo do trabalho.

As memórias e as histórias dos bancários continuam...

William


Bibliografia:

História do Banco do Brasil - Texto do Prof. Afonso Arinos de Melo Franco. Colaboração do Prof. Herculano Gomes Mathias. Edição de junho de 1988, produzida pela diretoria do Banco do Brasil.


Para ler o texto anterior, clique aqui. O texto seguinte dessa série pode ser lido aqui.


2.10.23

História dos bancários: um olhar (VII)



Somos parte da história porque somos seres humanos

Posso não ser escritor substantivo, mas posso ser verbo: leio, penso e escrevo sobre algumas coisas


Vou voltar a escrever esta categoria de textos aqui no blog, textos de memórias e lembranças das lutas da categoria bancária brasileira, categoria na qual passei três décadas de minha vida como trabalhador e dirigente sindical entre o final dos anos oitenta, nos governos de Sarney e Collor, e o início do governo de destruição de Jair Bolsonaro, em 2019, quando saí do BB em abril daquele ano.

A história dos bancários é muito rica, tem muita luta e é uma referência para as demais categorias e ramos da classe trabalhadora brasileira. O primeiro banco instalado no Brasil foi justamente o banco público ao qual dediquei a minha vida, o Banco do Brasil. Sua história se iniciou em 1808, com a vinda da Corte portuguesa para o Brasil.

Entrei na categoria bancária em abril de 1988, trabalhando no antigo Unibanco, depois saí do banco em maio de 1990. Pouco depois, já seria estagiário no Banco do Brasil em 1992 e funcionário de carreira ao passar no concurso e tomar posse do cargo em setembro de 1992. Saí do BB em abril de 2019. Foram três décadas trabalhando como bancário. Fui representante dos colegas eleito em diversas funções entre o ano 1999 e 2018, quase 20 anos de representação. 

Ou seja, nessa rica história de lutas e conquistas da categoria bancária, deixei o melhor de mim também, deixei minhas contribuições para a coletividade do mundo do trabalho.

Pelos papéis que desempenhei como dirigente eleito, tive a oportunidade de influir em algumas questões importantes na vida de milhares de pessoas. Um privilégio poder representar e participar de construções coletivas que beneficiaram a classe trabalhadora.

Posso citar alguns exemplos de momentos importantes aos quais participei com opinião firme pela função que exercia: 

1. A distribuição de participação nos lucros e resultados dos colegas do Banco do Brasil, a PLR, teve ao longo do tempo decisões que repartiram mais recursos para os trabalhadores da base da pirâmide salarial da empresa. Tive participação direta nisso. 

2. Incluir o patrão no rateio de despesas de saúde em nossa Caixa de Assistência, a Cassi, porque queriam livrar o BB do ônus quando cheguei eleito na direção da autogestão. Minha participação na construção de uma luta nacional por mesa de negociação a partir de 2014 foi fundamental, não é exagero dizer isso.

3. Contribuir para que o nosso Sindicato não cometesse o equívoco de começar uma campanha salarial nacional sem assembleia de base no ano de 2005. O contexto trazia algumas motivações para o receio de meus companheiros e companheiras para que isso ocorresse, mas minha discordância interna fez com que pensássemos mais a respeito e no final correu tudo bem, fizemos assembleia e tivemos uma campanha salarial vitoriosa.

Enfim, vou retomar a leitura, as reflexões e a partir desses estudos e consultas a mídias que tenho, vou escrever semanalmente sobre a história dos bancários com o meu olhar, o meu ponto de vista.

Se uma pessoa ler, já terei cumprido o meu papel de alguém que escreve para as pessoas. Felizmente, tenho tido centenas de acessos aos textos que produzo de contribuições às reflexões das pessoas.

Abraços,

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre essa categoria de texto pode ser lido aqui. O texto seguinte pode ser lido aqui.


15.11.22

Memórias (XXXIV)



Ainda é possível debater, argumentar, divergir e unir as pessoas em torno de objetivos comuns construídos de forma coletiva e plural? Podemos esperar do governo Lula uma mudança de diretrizes nos bancos e empresas públicas para deixarem de atuar como o setor privado atua?

Opinião


Osasco, 15 de novembro de 2022. Terça-feira.


As últimas semanas foram para mim um período de contatos com muitas pessoas, conhecidas e desconhecidas. As eleições brasileiras me fizeram sair de casa e me arriscar ao contato com os desconhecidos para buscar os indecisos e conquistar votos que pudessem tirar o país das mãos criminosas da milícia ocupando o poder central do Brasil. Relembrei um pouco do que vivi por quase duas décadas de representação política. A experiência me fez bem, me senti parte de uma luta e de uma conquista coletiva.

Os seres humanos de hoje estão muito diferentes dos seres humanos das décadas nas quais contatava pessoas para debater problemas comuns do mundo do trabalho e da cidadania para construir através de organização e mobilização direitos coletivos e um mundo diferente do qual criticávamos. Tive a oportunidade de lidar com seres humanos antes da criação das redes sociais que mudaram para pior o comportamento dos homo sapiens. Estamos virando bichos diferentes do que fomos nos últimos milhares de anos de evolução da espécie.

Apesar de começar essas memórias criticando o caminho pelo qual a nossa espécie vai, quero registrar momentos de esperança nas lutas coletivas, haja vista termos conseguido um grande feito ao derrotarmos a maior máquina de fraudes eleitorais de nossa história brasileira. A eleição de Lula contra tudo que enfrentamos demonstra que há chances de mudarmos as coisas para melhor, por mais difícil que seja a nossa realidade de classe trabalhadora. A eleição de Lula significa que se uma parte da humanidade quiser podemos nos unir pra salvar a natureza e a vida.

MILITÂNCIA POPULAR ESTÁ SE ORGANIZANDO

Neste sábado 12 participei de uma reunião de avaliação política da militância do Partido dos Trabalhadores da região do Butantã, zona Oeste de São Paulo. Que reunião boa tivemos! Mais de 80 pessoas presentes. Apesar de morar em Osasco, tenho uma relação de carinho e afeto com a região do Butantã porque nasci no bairro Rio Pequeno, cresci brincando nas ruas do bairro e me alfabetizei na Escola Estadual Prof. Adolfino Arruda Castanho.

O diretório do Partido na região é presidido por um companheiro bancário, um militante muito dedicado às lutas e um exemplo para tod@s nós. Ver a militância fazendo campanha me fez sair de casa e me unir a ela para conversar com as pessoas e lutar para mudar a trágica realidade brasileira que vínhamos enfrentando sob um governo genocida e criminoso.

Na reunião, ouvimos dezenas de pessoas, lideranças comunitárias, e ao final tivemos uma análise de conjuntura feita pelo querido companheiro José Genoino, um dos militantes mais antigos do diretório do Partido dos Trabalhadores da região do Butantã. Genoino é uma referência para mim e para tod@s nós que sonhamos e lutamos com um mundo mais justo e solidário.

Depois de duas décadas envolvido até os ossos com as lutas políticas da categoria bancária e da classe trabalhadora brasileira eu estava um pouco isolado do dia a dia das lutas coletivas. Participar de reuniões como essa de sábado me trouxe muitas memórias positivas do quanto é importante ouvir as pessoas, debater propostas e buscar soluções coletivas para melhorar a vida das pessoas.

Uma preocupação: estava observando as discussões da militância em uma rede social na qual me incluíram e em poucas horas vi duas pessoas começarem a divergir em uma questão, depois serem ríspidas uma com a outra, depois passarem a se ofender e ainda no mesmo dia terminaram com agressões e ofensas terríveis... gente, assim fica difícil construir um mundo melhor se não há tolerância e paciência para o básico da relação humana: divergir nas ideias... o desafio é grande!

BANCOS PÚBLICOS PRECISAM MUDAR AS DIRETRIZES A PARTIR DO GOVERNO LULA

Outra atividade social que tenho tido a oportunidade de participar de vez em quando é o contato com colegas bancários do Banco do Brasil, colegas da ativa e aposentados, momento no qual podemos compartilhar experiências atuais dos colegas nos locais de trabalho e às vezes comparar situações com algumas experiências que vivemos juntos quando estávamos no dia a dia da atividade bancária.

Na sexta-feira 11 conversando com colegas do banco sobre as funções sociais que o BB e os bancos privados priorizam e as que eles não querem fazer, pude ouvir a opinião sincera dos colegas ao se sentirem putos com a folga dos bancos privados em não receberem sequer os títulos deles mesmos, fazendo com que as pessoas queiram pagar no BB títulos dos bancos privados. Ouvi as justificativas dos colegas e eles têm razão de estarem na bronca. Mas também falei um pouco do que penso a respeito do papel dos bancos em geral e dos bancos públicos em particular.

Para que serve um banco, seja ele público ou privado? O que justificaria na atualidade a existência de um banco se as novas tecnologias e as novas formas de movimentação de meios de pagamentos mudaram radicalmente nas últimas décadas? Hoje, uma pessoa cria um banco digital, sem um funcionário sequer e começa a captar dinheiro das pessoas e fazer com o recurso o que bem entende... Para que serve um banco público ou estatal ainda hoje? 

Não vou num espaço deste de memórias refletir sobre as questões acima. Aliás, tem gente mais competente e mais atualizada nos temas para fazer isso. Mas não esqueço as noções que tinha desde quando entrei na categoria bancária e me politizei nela, trabalhando desde os anos oitenta até recentemente.

Eu entendo que um banco, principalmente um banco público ou estatal, deve ser um parceiro da população do local onde atua. Um banco deve fornecer crédito de forma facilitada e com taxas justas, deve financiar pessoas físicas e jurídicas - setores da agricultura, indústria e comércio -, deve guardar de forma segura os recursos das pessoas e empresas, e também as contas oficiais dos governos e órgãos públicos. Um banco deve executar políticas públicas e ser o agente dos governos no apoio ao desenvolvimento econômico e social.

Um banco público deve atuar de forma a balizar o sistema bancário e financeiro inclusive quando os bancos privados não fazem o papel que deveriam fazer em benefício da coletividade. O exemplo mais claro disso foi o caso brasileiro durante a crise mundial do subprime a partir de 2008, quando o governo Lula e depois Dilma utilizaram os bancos públicos e oficiais para atuarem de forma anticíclica na política de crédito e apoio à economia do país. 

Não à toa, tomamos dezenas de milhões de clientes dos bancos privados no período posterior à crise econômica mundial após o subprime, foi nos bancos públicos que a sociedade brasileira encontrou o apoio necessário aos seus negócios, e os bancos privados ficaram putos com o governo do PT e há suspeitas de que os banqueiros tiveram papel relevante na desestabilização do governo e apoio ao golpe de Estado em 2016.

Enfim, se o governo Lula quiser mudar alguma coisa em relação aos bancos públicos, é fundamental que comece mudando as diretrizes e metas estabelecidas a partir dos ministérios e conselhos de administração porque se as metas e o foco forem idênticos ao que perseguem a banca privada, fica impossível esperar outra coisa dos bancos públicos que não sejam metas abusivas, assédio moral ao corpo funcional, extorsão aos clientes e ao povo e a insatisfação de todo mundo, trabalhadores, clientes e usuários.

Imaginem, então, se o governo Lula não mudar as diretrizes e o foco dos bancos públicos, com atuação privada atualmente, bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BASA, BNB, BNDES e outras empresas estatais e públicas, como serão complicadas as relações internas e com a própria sociedade brasileira... imaginem! 

Estou na torcida para que o novo governo tenha uma atuação diferente em relação ao governo de destruição que está terminando e em relação ao governo golpista que iniciou a destruição do patrimônio público e dos direitos coletivos e sociais do povo brasileiro.

É isso. Paro as reflexões e memórias por hoje.

William Mendes


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19.9.22

História dos bancários: um olhar (VI)



Nosso Banco do Brasil tem mais de dois séculos de existência, mas não é bem assim...

Seguindo nas leituras de meus papéis velhos sobre a história dos bancários e das lutas de nossa categoria, lendo o livro comemorativo dos 180 anos de história do BB, vemos que na verdade o banco criado em 1808 por D. João VI (ler comentários aqui) seria encerrado em 1829, por lei do período regencial.

"As finanças do país iam de mal a pior. Em 1829 contraíramos novo empréstimo externo, ainda em Londres, destinado ao pagamento dos juros dos dois empréstimos anteriores. Em setembro de 1829 decidira-se por lei, a extinção do Banco do Brasil, que tantos serviços prestara." (p. 18)

A extinção do Banco do Brasil se mostrou um erro para o país à época. A economia daria sinais de melhoria com a crescimento da produção de café como produto de exportação e o país vivia um problema grande com a questão de crédito e emissão de moeda.

"Com a liquidação do Banco do Brasil, em 1829, deixaram de existir estabelecimentos bancários no país. isso indica o erro que foi a extinção do Banco, às vésperas da recuperação econômica trazida pelo café." (p. 19)

Hoje li mais três capítulos do texto de Afonso Arinos. Décadas depois da criação e encerramento do 1º Banco do Brasil, outro banco estatal ou público ou ligado ao governo iria surgir nos anos cinquenta do século 19, sendo ele fruto da fusão de dois bancos privados, um mais antigo do Rio de Janeiro e outro criado pelo Barão de Mauá.

O banco criado por Mauá também se chamou Banco do Brasil, apesar de ser privado.

"Em agosto de 1851, fundava o futuro visconde de Mauá um estabelecimento de crédito a que deu a denominação de Banco do Brasil. Vinha ele concorrer com o Comercial do Rio de Janeiro, único até então na capital do país." (p. 23)

A FUSÃO DE BANCOS QUE CRIOU O BANCO DO BRASIL EM 1853

O novo Banco do Brasil, segundo o texto de Afonso Arinos, foi criado em 1853 da fusão do banco de Mauá e o Comercial do Rio de Janeiro e da subscrição de capital de acionistas em geral.

"Em 1853, graças à iniciativa já referida do visconde de Itaboraí, ocorreu a fusão dos dois bancos do Rio de Janeiro num só estabelecimento com faculdade emissora, que conservou o nome do Banco do Brasil, desta vez, porém, com todas as características oficiais. Nessa fusão, Mauá entrara com 50.000 ações e o Banco Comercial com 30.000. As restantes ações, completadas até atingir o total de 150.000, foram lançadas na praça sendo rapidamente subscritas. Ainda em 1853 aprovaram-se os estatutos e o novo Banco do Brasil - para cuja diretoria Mauá fora eleito, recusando a homenagem - abriu suas portas em abril do ano seguinte." (p. 28)

Enfim, Mauá não quis participar da diretoria por divergências em relação ao papel do Banco do Brasil à época (1854) como, por exemplo, ser emissor de moeda, e criou seu próprio banco - Casa Bancária Mauá Mac Gregor & Cia.

Por fim, li um capítulo dedicado à questão da abolição da escravatura e ao final do capítulo, Arinos fala um pouco do papel do Banco do Brasil na estabilização da economia entre o fim do Império e o início da República e termina o texto do capítulo VII com uma lamentável expressão sobre a guerra de Canudos e seus combatentes:

"A recuperação financeira só teria, porém, condições favoráveis, depois de consolidada a República e exterminados os fanáticos de Canudos (1897)."

Puta que pariu! Essa é a visão elitista dos intelectuais de nossa "elite" da eterna casa-grande.

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GOSTO PELA HISTÓRIA

Eu ganhei a revista comemorativa de um gerente da agência onde trabalhei até o ano de 1998 - Rua Clélia -, época que sofri uma transferência compulsória (PAQ) para outra agência por ser o cara próximo ao Sindicato e que enfrentava com os colegas os desmandos dos gerentes da nossa agência. Acabei indo parar na agência Barra Funda e lá fiquei por dois anos, antes de pedir transferência para a agência Vila Iara em Osasco, no ano 2000.

Sempre gostei de história, de todas as linhas de textos de história, sejam textos da história antiga, sejam textos da história do Brasil. Depois que comecei a ser militante das lutas sindicais passei a me interessar também pela história dos movimentos sindicais e dos trabalhadores. Aos poucos fui acumulando muito material que pegava para ler e aprender alguma coisa sobre a categoria na qual trabalhava.

Se for possível, vou reler boa parte dos materiais que acumulei e comentar alguma coisa aqui no blog onde sempre postei questões relativas ao mundo do trabalho e da política. 

Tenho grande preocupação com o desaparecimento da história de nossas lutas sindicais. Tudo que escrevo aqui, depois acabo organizando e imprimindo em forma de cadernos ou brochuras. Ficam mais uns papéis em casa até que eu morra e alguém decida o que fazer com aquilo.

ELEIÇÕES 2022

Dia 2 de outubro teremos eleições no Brasil. O povo brasileiro vai eleger presidente da república, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.

Como sabemos, a história das empresas públicas, estatais e de economia mista está diretamente ligada às opções que fazemos enquanto cidadãos que participam das decisões políticas do país.

Raras vezes, uma eleição foi tão decisiva para os destinos de todos nós e das empresas públicas. E a decisão em 1º turno se tornou mais importante ainda por causa das ameaças de golpe por parte do grupo criminoso que se apossou do Estado nacional.

Sendo assim, voto e peço o voto de cada colega da comunidade Banco do Brasil e da categoria bancária para o presidente Lula e para candidaturas aliadas ao presidente Lula nos Estados e DF, principalmente nos legislativos, deputados federais e estaduais.

#Lula13NoPrimeiroTurno

William Mendes


Bibliografia:

História do Banco do Brasil - Texto do Prof. Afonso Arinos de Melo Franco. Colaboração do Prof. Herculano Gomes Mathias. Edição de junho de 1988, produzida pela diretoria do Banco do Brasil.


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7.9.22

História dos bancários: um olhar (IV)



A independência do Brasil

"Ao deixar o Brasil, em abril de 1821, o rei D. João VI, que confiara a Regência de nosso País a seu filho D. Pedro, não alimentava dúvidas sobre a nossa Independência. Tornou-se famosa a frase em que recomendava ao herdeiro que, no caso da separação, pusesse a coroa na cabeça não permitindo que ninguém lhe tomasse a dianteira.

Na realidade, expressara-se da seguinte forma: 'Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para alguns desses aventureiros'." (p. 13)


Hoje é 7 de setembro de 2022. Há 200 anos o Brasil se tornava politicamente independente de Portugal. Em situações normais, hoje seria um dia de grandes comemorações por parte de tod@s os brasileiros. Como vivemos num Estado tomado pelo crime organizado desde o golpe de Estado em 2016, a data nacional foi capturada pelo regime de exceção para ser utilizada como evento político de manipulação de parte do povo para que se mantenha os criminosos no poder central.

Como a história é feita diariamente pelos seres humanos, vamos seguir adiante, fazendo história e recuperando a independência verdadeira do Brasil e do povo brasileiro, lutando para que haja eleições diretas e democráticas em outubro de 2022, e lutando para nos libertarmos dessa máfia que assumiu o poder por fraudes diversas e golpes em 2018. Vamos eleger Lula presidente do Brasil, governadores progressistas e parlamentares do campo popular, de esquerda e apoiadores do projeto de Brasil soberano liderado por Lula.

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A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL DE FATO OCORREU E TEMOS QUE REFLETIR SOBRE O 7 DE SETEMBRO DE 1822 E OUTROS 7 DE SETEMBRO

Hoje pela manhã, li o ponto de vista de alguns intelectuais que respeito e ponderei a respeito da opinião deles sobre críticas exageradas que se fazem sobre o 7 de setembro.

Opiniões que li no site do Brasil247:

- O economista Paulo Nogueira diz que é um erro dizer que o Brasil se tornou uma colônia da Inglaterra após a independência em 7 de setembro de 1822. Ele afirma que havia divergências políticas entre as elites luso-brasileiras e os ingleses. Eu já disse isso que ele afirma, quando comentei capítulos do livro Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado. Posso ter exagerado, reconheço isso sem problemas. Segundo Paulo Nogueira, a integridade territorial brasileira foi fruto do acerto entre D. João VI e D. Pedro I, veja o acerto na citação acima na abertura da postagem.

Também li opiniões do sociólogo Jessé Souza, do ex-ministro Aldo Rebelo, do presidente do PCO Rui Costa Pimenta e do professor e filósofo Alysson Mascaro e todos eles enaltecem a data do 7 de setembro. A dependência que seguimos tendo até hoje é uma dependência muito atrelada ao imperialismo e ao capitalismo em relação aos países do Norte. E nossa luta pela independência segue firme nesse sentido, a busca de soberania popular em todas as dimensões sociais.

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HISTÓRIA DO BRASIL E DO BANCO DO BRASIL

Voltando à história dos bancários e ao texto de Afonso Arinos em comemoração aos 180 anos de criação do Banco do Brasil, ao reler o capítulo III sobre a independência do Brasil, tive um olhar menos crítico do que a primeira vez que reli dias atrás. 

Afonso Arinos nos lembra do risco que o BB correu logo no início de sua existência ao ficar sem recursos financeiros assim que a Corte retornou a Portugal em 1821.

"(...) Com a partida de D. João, em abril do ano anterior, entrara o meio comercial em pânico. O Banco do Brasil, fora posto em risco pelas retiradas de dinheiro. As dívidas dos que tinham ido para Lisboa ficavam por receber, inclusive a da rainha Carlota Joaquina..." (p. 14)

O Banco do Brasil estava quase falindo já naquela ocasião.

O capítulo III tem subdivisões que nos atualizam bastante sobre o período: A independência; As guerras da independência; A consolidação do império e as dificuldades econômicas do período; O empréstimo de Londres; A Assembleia Constituinte de 1823; A Constituição de 1824.

É por causa desses acontecimentos e dos empréstimos seguidos que o Brasil tomou dos Ingleses, tanto para acertar sua independência em relação a Portugal quanto para se manter internamente, que muitos de nós já fala logo que a independência foi um faz de conta. 

O Brasil se tornou independente de forma política, mas se manteve dependente de forma econômica não só da Inglaterra naquele momento, mas dos imperialismos por causa da hegemonia do modo de produção capitalista no mundo. 

É isso. Seguiremos escrevendo alguns comentários sobre o Brasil e o nosso querido Banco do Brasil e a categoria bancária conforme eu vá relendo materiais que me ajudaram a ser mais politizado.

William


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O texto seguinte desta série (o nº V) pode ser lido aqui.


1.9.22

História dos bancários: um olhar (III)



História do Banco do Brasil - Afonso Arinos

O texto do professor Afonso Arinos de Melo Franco, com colaboração do professor Herculano Gomes Mathias é um dos materiais antigos que tenho em minha biblioteca de estudos sindicais, meu centro de documentação da história da categoria bancária (Cedoc do William rsrs).

O texto veio a público em 1988, encomendado pela diretoria do Banco do Brasil em comemoração aos 180 anos da história de nosso banco público mais antigo. Eu ganhei a edição de um dos gerentes com os quais trabalhei nos anos noventa, quando estava na agência Rua Clélia, dependência fechada após o golpe de 2016, neste duro momento de esvaziamento do papel do BB.

Apesar do formato de revista desse texto, ele é praticamente um livro contendo 14 capítulos. Estou lendo o material e o conteúdo tem muita coisa que me desagrada por ser muito baseado naquela história oficial que nos passaram a vida toda. Basta ver as imagens que ilustram os textos para se ter uma ideia dos lugares-comuns. Mas vamos nos lembrar que o material é de 1988 e o mundo daquele momento era um e o de hoje é outro.

As histórias do Brasil e dos povos e do mundo passaram a ter olhares mais diversos nas últimas décadas e isso foi muito importante para refletirmos sobre o caminhar da humanidade ao longo do tempo. As versões oficiais dos donos do poder passaram a conviver com outros olhares e outras interpretações da história. Imaginem no nosso caso como isso foi impactante...

Enfim, já li 4 capítulos e alguns dados são interessantes porque os autores se basearam em documentos de época e a versão de Afonso Arinos e daquela diretoria sobre a história do Banco do Brasil tem seu valor, assim como outras histórias do banco e dos trabalhadores também têm os seus valores.

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CRIAÇÃO DO BANCO DO BRASIL EM 1808

No capítulo I vemos no texto aquelas versões clássicas de história do Brasil: A expansão territorial; Fundação do Rio de Janeiro; Os bandeirantes; Os tratados de Madri e Santo Ildefonso; Os ciclos econômicos - o Pau-Brasil e o açúcar; o ouro e os diamantes; As limitações impostas por Lisboa.

No capítulo II veremos a parte que conta sobre a criação do BB assim que a corte portuguesa chegou ao Brasil e precisou de uma instituição pública para lidar com as questões financeiras do Estado, no caso a Corte.

Os subtítulos do capítulo: A Corte no Brasil; A abertura dos portos; Importação e Exportação; Fundação do primeiro Banco do Brasil; Primeiros passos da econômica brasileira como nação quase independente; D. Pedro assume a regência do Brasil.

"A desordem na administração financeira era completa, quando a Corte se estabeleceu no Rio de Janeiro.

(...) Naquele tempo as pessoas de recursos recusavam os bilhetes do Real Erário, pois sabiam que o mesmo estava falido. Essa situação perigosa, que já durava desde antes da vinda da Corte, é que levou alguns administradores e estudiosos a pensar na fundação de um Banco de Estado, que viesse atenuar as dificuldades financeiras com as quais se debatia o governo português, tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro. O banco cogitado era mais um instrumento de auxílio das finanças públicas do que uma instituição destinada ao progresso da economia particular, quer dizer, da economia do País como um todo e não do governo, como um grupo." (p. 9)

E o autor Afonso Arinos segue em 1988 falando do papel do banco público desde sua criação em 12/10/1808 como um instrumento de Estado.

"Desde os primeiros planos, sempre houve a intenção de fazer do Banco do Brasil um instrumento auxiliar da administração pública, missão que ele, com o progresso do País e as novas normas da administração financeira, continuou sempre realizando e que tem sido a vida dos seus 180 anos.

É datado de 12 de outubro de 1808 o alvará (lei) que criou o Banco do Brasil. Esse documento começa reconhecendo que o Real Erário não tinha condições para realizar os fundos de que depende a manutenção da monarquia. Por isso criava-se, no Rio de Janeiro, um banco público que 'facilite os meios e os recursos de que as rendas reais e as públicas necessitarem para ocorrer às despesas do Estado'." (p. 10)

Fecho as citações dessa parte com uma que tem muita relação com o momento que vivemos no Brasil após o golpe de Estado em 2016, que diz que o BB vai bem ou mal de acordo com o momento político e econômico do país.

"Então, como hoje, como sempre, o Banco do Brasil destinava-se a atender às necessidades do planejamento financeiro do governo e, também, realizar transações com particulares, firmas ou pessoas. As grandes dificuldades que o Banco do Brasil atravessou na sua vida refletiram, sempre, crises internas da nacionalidade. Seus sucessos e fracassos foram o espelho dos momentos de progresso ou recesso nacional..." (p. 10)

BANCO DO BRASIL VIVEU GRANDE MOMENTO NOS GOVERNOS DO PT

Durante os 3 governos do Partido dos Trabalhadores (2003-2014), o BB e demais bancos públicos tiveram papel central de apoio às políticas públicas de Estado para o desenvolvimento do país e de seu povo. Basta citar o papel anticíclico dos bancos públicos na crise mundial de 2008/09 - crise do subprime. BB, Caixa Federal e BNDES financiaram a economia e os setores produtivos do país e o Brasil lidou bem com a crise mundial. Basta ver que o desemprego em 2014 era menos de 5% mesmo com a crise mundial e o desemprego altíssimo no restante dos países centrais e periféricos.

É isso.

À medida que for lendo esse material, vou comentando alguma coisa por aqui. Em 1829, o primeiro BB seria encerrado por lei também... mas essa parte fica para depois.

William Mendes


Post Scriptum: o texto seguinte pode ser lido clicando aqui. Para ler o texto anterior, clique aqui.


29.8.22

História dos bancários: um olhar (II)



Eleições presidenciais de 1989

A categoria bancária brasileira sempre esteve na vanguarda das lutas sociais e ao longo de sua história contou com lideranças políticas concatenadas com as demandas imediatas e também históricas da classe trabalhadora e do povo brasileiro à frente das entidades sindicais. Nas eleições presidenciais de 1989 não foi diferente. Membros da Executiva nacional do BB e outras lideranças sindicais declararam apoio à Frente Brasil Popular e à candidatura de Lula/Bisol, pelo Partido dos Trabalhadores.

Mais de três décadas depois, vivemos em 2022 momentos decisivos da história do país e do povo brasileiro. E essa categoria de lutas e conquistas novamente se coloca na vanguarda tanto ao enfrentar os banqueiros em mais uma dura campanha salarial na qual os bancos estão intransigentes nas mesas de negociação e ameaçam direitos coletivos importantes, quanto é vanguarda ao vermos a imensa maioria das lideranças bancárias apoiando a candidatura de Lula para que o país possa retomar a esperança e as oportunidades para o povo como um todo.

Segue abaixo a reprodução de trechos do material que tenho em meus arquivos pessoais relativo às eleições que ocorreriam no dia 15 de novembro de 1989 para a presidência do Brasil (aos 100 anos de "República"). Eram as primeiras eleições diretas para presidente desde o início dos anos sessenta e após mais de duas décadas de regimes ditatoriais e o povo escolheria entre mais de duas dezenas de candidatos. A eleição se deu após a Constituinte iniciada em 1986 e após a promulgação da nova Constituição Federal, a Constituição Cidadã de 1988.

Materiais como este me ensinaram muito - como liderança nos locais de trabalho e depois como dirigente eleito pelos colegas - e aprendi que era importante nos posicionarmos sobre todas as questões relativas à vida da classe trabalhadora que representávamos.

William Mendes

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FRENTE DO JORNAL

LULA VESTE A CAMISA DO BANCO DO BRASIL POR QUE VESTE A CAMISA DO BRASIL

O funcionalismo do BB já sabe: o futuro do Banco (e do Brasil) está em jogo nessa eleição

Os últimos cinco anos foram muito ricos para o aprendizado político dos bancários do BB. A retomada das greves, a luta pelo salário e pelas condições de trabalho, a defesa perante o ataque permanente ao banco, seu papel social e ao conjunto das estatais criaram e desenvolveram uma consciência da necessidade de lutar permanentemente contra projetos políticos que visavam enfraquecer os bancos estatais e consolidar o sistema financeiro como instrumento de concentração de renda, via especulação financeira.

Nesse período, o movimento sindical cresceu e ampliou-se dentro do BB; a conquista dos sindicatos mais importantes do país por direções combativas e sérias criou as condições para a recomposição salarial no BB e a melhoria de nosso acordo coletivo, com novas cláusulas sociais e sindicais, ampliadas a cada ano.

Ao mesmo tempo em que a luta do funcionalismo torna-se uma referência no movimento sindical, o governo Sarney, sempre pronto a atender as orientações dos banqueiros e do FMI, implementa o plano de esvaziamento do BB, através da redução do papel social do banco, das restrições à admissão de pessoal, da total falta de transparência na administração de seus recursos.

A luta do funcionalismo ajuda a barrar uma parte significativa dos ataques, mas aponta para os trabalhadores do BB a necessidade de uma luta bem mais ampla que passa pelo engajamento na luta político-partidária, na discussão dos diferentes projetos, para o sistema financeiro e para a democratização da sociedade como um todo, a começar pelos locais de trabalho e pela administração nas empresas estatais.

DEFENDER O BB É DEFENDER O BRASIL

Nesse processo, o discurso neoliberal tenta localizar no Estado a origem de todos os males. Tenta debitar aos servidores públicos e de estatais a prática clientelista e corrupta das elites; tenta caracterizar as conquistas dos trabalhadores de algumas estatais como odiosos privilégios. Tudo isso para abrir caminho para o tão sonhado leilão de ações de estatais lucrativas, que converteria em capital sem risco o dinheiro multiplicado pela ciranda financeira, que corre risco cada vez maior de se tornar apenas papel, diante da inviável dívida interna, multiplicada pela irresponsável política de Maílson.

Nesse cenário, é fundamental (para eles) destruir o BB, até mesmo como símbolo nacional de estatal eficiente, como atesta a pesquisa do Datafolha. No caminho, o ataque permanente ao funcionalismo serve como cortina de fumaça para as negociatas de Maílson e Berard. O anúncio de prejuízo é seguido pela queda das ações na bolsa e uma súbita compra pela corretora de Roberto Marinho. Roubo!!?

O QUE QUEREMOS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

Nessas eleições presidenciais, estão em jogo projetos que podem levar o país para diferentes caminhos. Um deles se apresenta ao eleitor com toda a clareza, sem um discurso mitificador e sem demagogia de palanque. É um projeto que aponta na participação e na democratização as saídas para um país rico, com a pior distribuição de renda de toda a América Latina; aponta para o fim da especulação financeira, canalizando os recursos do sistema para o crédito produtivo; aponta para a defesa das estatais, com o controle de seus funcionários e da sociedade. É um projeto que está à frente da defesa do BB e que tem investido na organização da classe trabalhadora como forma de sustentar politicamente as principais mudanças estruturais que serão feitas para garantir que o Brasil seja o país do presente, não o país de um incerto futuro, apontado pelas elites como o pote de ouro do final do arco-íris.

Este projeto tem seu vetor apontado para a eleição do dia 15 de novembro. Está representado pela Frente Brasil Popular, pela candidatura LULA, pelos compromissos assumidos junto aos setores que vêm lutando contra a miséria, e exploração, a dilapidação do patrimônio público. No dia 15, você tem um compromisso: defender o BB, defender o Brasil, conosco.

A CANDIDATURA LULA CRESCE EM TODO PAÍS

(...) A candidatura Lula só é possível porque se apoia inteiramente no trabalho consciente de milhões de pessoas que lutam por seus salários, por democracia, por moradia, por terra, em defesa da ecologia e pelos direitos humanos. É esta a força da candidatura Lula: a luta do povo por uma vida melhor.

(...) Nesta eleição, quem representa o novo é LULA.

Por que o novo, num país onde as elites estão há tanto tempo no poder, significa respeito ao povo e democracia em todos os níveis

(Frente Brasil Popular - PT, PSB, PCdoB)


VERSO DO JORNAL

PROPOSTAS DA FRENTE BRASIL POPULAR PARA O BANCO DO BRASIL

1 - Exclusividade como agente do Tesouro: todos os fundos públicos devem estar centralizados no BB. Arrecadação de impostos, pagamentos do governo, contas de todas as estatais, etc. A administração desses recursos deve priorizar a aplicação em projetos de interesse da população, garantindo o financiamento, com juros e prazos favoráveis, do crescimento da produção e do consumo.

2 - Financiamento para agricultura de consumo interno: as linhas de financiamento à agricultura devem priorizar as culturas para consumo interno, e não para exportação. Prazos e juros devem ser extremamente diferenciados de acordo com o tamanho e tipo de propriedade rural. Em caso de programas incentivados com juros negativos o tesouro deve remunerar o banco, pagando o eventual spread negativo.

3 - Financiamento da pesquisa e implementação de tecnologia de ponta: criação de linhas especiais de crédito para pesquisa, através de aplicações de prazo mais dilatado e fatias dos depósitos à vista de pessoas jurídicas.

4 - Reativar e desenvolver o MIPEM: o financiamento e acompanhamento das pequenas e médias empresas contribui para a distribuição de renda e para a ampliação da capacidade de produção e geração de empregos na indústria e no comércio.

5 - Valorizar e profissionalizar o funcionalismo: profissionalizar o funcionalismo, enquanto bancários, dando formação e oportunidade de desenvolvimento na empresa, ampliando seu conhecimento do processo de produção, retirando o caráter de máquina que o BB e outros bancos têm e humanizando o trabalho bancário.

6 - Democratizar o BB, a partir dos locais de trabalho: criar condições democráticas dentro do banco, descentralizando as decisões, ampliando ao máximo a democracia interna, envolvendo o funcionalismo num projeto de banco social, motivando a participação e garantindo transparência nos rumos da instituição a partir de cada agência, através da participação do funcionalismo e da comunidade na definição de prioridades para aplicação de recursos. Realizar, em curto prazo, concurso público para preenchimento das vagas e garantir a abertura das mais de 400 agências prontas, sem inaugurar. Reformular o Plano de Cargos e Salários e Plano de Cargos Comissionados, para eliminar as distorções e facilitar o desenvolvimento profissional, dentro de critérios democráticos de avaliação.

7 - Democratização da Cassi e Previ: as duas caixas, cujos benefícios devem estar voltados aos funcionários, devem ser administradas por funcionários eleitos, com a direção do banco limitando-se ao papel de fiscalização e acompanhamento. Realizar auditoria nessas caixas para verificar a existência de malversação ou corrupção nas administrações passadas.

8 - Auditoria do BB: realizar auditoria nas contas do banco nos últimos vinte anos para apurar denúncias de utilização política dos recursos do BB, durante os últimos governos.

9 - Exclusividade na regulamentação e fiscalização do Comércio Exterior: é fundamental manter o controle do Comércio Exterior pela CACEX, a fim de manter um total acompanhamento do processo de exportação/importação.

10 - Levantamento e cobrança dos grandes inadimplentes históricos: regularização de todos os débitos, com a devida atualização monetária, e responsabilização das direções anteriores por prejuízos causados.

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Estes companheiros lutam em defesa do Banco do Brasil

E POR ISSO APOIAM LULA E BISOL

Membros da Executiva Nacional do BB que apoiam Lula:

Maia (POA); Ivan (Florianópolis); Rui e Tadeu (Curitiba); Lúcio Prieto, Deli e Paulo Assunção (SP); Amaral, Imaculada, Joel e Fernanda (RJ); Eder e Angela (BH); Lessivan (Salvador); Zé Roberto (Alagoas); Enaide e Fernando Duarte (Recife); Pimentel e Sofia (Fortaleza); Sérgio Taboada (Acre).

Outros apoios no BB:

Ricardo Berzoini (Seeb SP e presidente do DNB); Samuel Lima (presidente Seeb Florianópolis); José Luís (ex-diretor Seeb Porto Alegre e diretor eleito da CASSI); Zé Reis (Seeb Porto Alegre); Ana Júlia (Oposição Sindical do Pará); Magela e Jaques (Alternativa Bancária de Brasília); Regina Souza (Seeb Piauí); Jorge Streit (presidente Seeb Rondônia); Luisinho (Seeb SP); Simon (Oposição sindical de Goiás); Nelson (presidente do Seeb Ceará); Jandira (Seeb PB); Zeca (ex-diretor Seeb MS); Paulo Pinto (presidente Seeb ES) e muitos outros companheiros, dirigentes sindicais e funcionários em todo o país.

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12.1.21

Ataque ao BB (II) - Redução de agências e trabalhadores


Opinião

Como informamos aqui no blog, o Banco do Brasil publicou ontem, 11 de janeiro, Fato Relevante anunciando mais uma de suas reestruturações. Na nossa opinião, e pelo que as lideranças dos trabalhadores argumentam nas matérias nos sites das entidades sindicais, se trata de um forte ataque ao banco e aos funcionários, reduzindo mais ainda a capacidade de operação do maior e mais antigo banco público do país, eliminando milhares de postos de trabalho, deixando os colegas do banco numa situação pior do que a que vivem no momento trabalhando em meio à pandemia mundial de Covid-19 e com sobrecarga de trabalho absurda porque a direção do BB já eliminou cerca de 15 mil posto de trabalho depois do golpe de Estado em 2016.

A reestruturação parece ter o clara intenção de piorar a imagem do banco público perante a sociedade ao reduzir sua capacidade de atuação e piorar o atendimento porque fechar agências e reduzir mais ainda o quadro de funcionários fará com que fique mais difícil que o Banco do Brasil desempenhe seu papel de agente financeiro do país, com capacidade para contribuir para reerguer a economia do Brasil em todos os setores da sociedade. Os lesas-pátrias que assumiram o controle do país não escondem o desejo de privatizar todas as empresas de patrimônio do povo brasileiro em favor dos interesses estrangeiros e do mercado.

Os colegas devem ficar atentos às questões relativas à saúde e previdência complementar como nos casos dos associados da Cassi e da Previ quando forem tomar suas decisões a respeito de aderir ou não a eventuais planos de desligamento apresentados pela direção do banco. No caso da Previ, os colegas têm dúvidas em relação aos cálculos de seus complementos de aposentadoria. No site da Previ é possível tirar várias dúvidas sobre os cálculos dos planos. No caso da Cassi, é importante ficarem atentos para não perderem o direito ao Plano de Associados porque ao sair do banco é preciso ser beneficiário dos planos da Previ para terem direito a permanecer na Cassi.

A Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB), órgão organizativo da Contraf-CUT, já se reuniu virtualmente com a direção do banco nesta segunda 11 e os sindicatos e federações são importantes para os trabalhadores neste momento de ataque ao Banco do Brasil por parte desse governo que tem como objetivo destruir tudo que a classe trabalhadora construiu no país ao longo de séculos de lutas sociais.

Não deixem de acompanhar as informações publicadas pelas entidades sindicais dos bancários.

160 ANOS DE CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Aproveito a data de hoje para parabenizar a Caixa Econômica Federal que completa 160 anos de serviços prestados à sociedade brasileira e devemos apoiar os empregados e empregadas em suas lutas pelo fortalecimento do banco. O povo brasileiro viu mais uma vez a importância da Caixa neste momento de crise mundial pela pandemia de Covid-19. Viva a Caixa! Não podemos deixar que os lesas-pátrias no poder destruam ou enfraqueçam esse patrimônio do povo! 

Abraços,

William

(reprodução de matéria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região)


BB surpreende funcionários com restruturação e com ameaça de 5 mil dispensas

Além do PDV, plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

Publicado em 11/01/21 - 18h34

A direção do Banco do Brasil fez uma "surpresa" para os funcionários e as entidades sindicais ao anunciar, nesta segunda-feira (11) pela manhã, um plano de restruturação que prevê o fechamento de agências e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntárias (PDV) que tem por meta dispensar 5 mil trabalhadores do banco, entre outras medidas consideradas muito ruins.

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização e 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver.

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado em não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e a repassarem essas informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

Fonte: Redação do Seeb SP