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23.5.17

1º Fórum de Saúde dos Bancários traz reflexões sobre os rumos do SUS


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores,

Estive nesta segunda 22 à noite e nesta terça 23, após a reunião da Diretoria Executiva da Cassi, no excelente Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários, promovido pelo Sindicato dos Bancários de Brasília. As apresentações temáticas nos painéis foram muito esclarecedoras e o evento compartilhou muito conhecimento.

Tive o privilégio de mediar a 3ª mesa do dia. O evento terminou por volta de 21h.

Nesta quarta 24 é o dia de nossa Conferência de Saúde da Cassi e Conselho de Usuários DF.

Abraços, William


(reprodução de matéria)

Uma das excelentes mesas do evento. Foto: Guina.

A manhã desta terça-feira (23) foi marcada por reflexões e inquietações provocadas por especialistas em saúde pública que participaram do segundo dia do 1º Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários realizado pelo Sindicato, em sua sede, numa parceria com a CUT Brasília, Fenae e Anabb.

“O objetivo deste Fórum não é só fazer a discussão, mas agir com a consciência do que queremos, quais caminhos trilhar e como dialogar com os outros para promover a saúde com mais propriedade”, afirmou o Presidente do Sindicato, Eduardo Araújo. Nesse sentido, ele destacou que será publicada uma cartilha com as discussões realizadas no evento e também será editado um vídeo com as falas para ser exibido na TV Comunitária, Canal 12 da NET, na próxima sexta-feira (26).

Também participando da mesa que abriu o primeiro painel, “Descaminhos da Saúde no Brasil - cenários e perspectivas”, a secretária de Formação do Sindicato, Teresa Cristina, destacou a necessidade de fortalecer a luta na defesa do SUS. “É muito importante que a categoria bancária enxergue o que esse sistema representa para o país. Queremos e precisamos participar juntos da luta de reconstrução não só do SUS, mas do Brasil. É um dever moral”, orientou.

Menos diferenças sociais

Com origem no movimento sindical, o radialista Arnaldo Marcolino falou com propriedade sobre a importância de se discutir e entender as diferenças existentes em uma sociedade, a fim de unir os diversos atores sociais em prol de um objetivo comum. Levantou, ainda, várias questões sobre as dimensões política, econômica e de proteção social da saúde no Brasil.

Sobre os bancários, penosidade foi o termo usado por Marcolino para caracterizar os problemas relacionados às condições de trabalho que afligem a categoria. “É penosa a situação do trabalhador que acaba levando as metas para casa, envolvendo todos os familiares. Isso destrói e adoece toda a família”, explicou. “Em contrapartida, qual a política de saúde mental que os bancos ou o governo promove para aliviar essa condição?”, questionou.

Sobre as questões que envolvem a política macro no Brasil, o radialista disse que a história pode ser recontada a partir do movimento dos trabalhadores. “Nós, trabalhadores, temos que ter uma grande ambição. Não de tomar o governo, mas de sê-lo. De ser governo a partir da educação, da cultura e de todas as travessuras, alegrias e tristezas que uma sociedade pode ter. Tem que ir além da máquina e recontar a história a partir da nossa própria história.”

Greve, uma ferramenta de luta

O professor Eduardo Azeredo Costa, membro da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, enfatizou a gravidade do momento atual por que passa a vida brasileira e que extrapola a matéria do seminário. “A saúde, na verdade, reflete as condições de vida e do trabalho das pessoas que, claramente, está em alto risco devido às medidas que esse governo espúrio, fruto de um golpe parlamentar, está tentando impor, apesar de sua total ilegitimidade”, apontou.

Segundo Azeredo, a greve é a única ferramenta capaz de impedir a aprovação das propostas de reformas trabalhista e previdenciária empurradas pelo governo. “Apesar de ter sido mal divulgado pela imprensa, o movimento grevista de um dia causou um grande impacto. Temos que pensar nisto. Os trabalhadores, na verdade, têm grande responsabilidade nas transformações e na conquista de uma democracia mais justa, capaz de trazer mais saúde para todos e conquistar uma democracia mais justa. Mais uma vez, a solução está depositada nas mãos dos trabalhadores”.

Para ele, o direito à saúde, mesmo previsto na Constituição, é uma quimera. “A gente luta pelo SUS, mas esse sistema ainda não é a solução definitiva devido a sua composição e gestão. Além disso, diferentemente do que fizeram outros países, o sistema não prioriza a atenção básica e a atenção aos mais doentes”, enfatizou.

Participação de todos

Para a médica sanitarista Ana Maria Costa, professora de Saúde Coletiva e diretora do Centro Brasileiro de Estudo da Saúde, a luta pelo direito à saúde exige a participação de todos e faz parte da concepção de um novo Estado que garanta mais proteção, bem-estar social e a primazia dos cidadãos sobre os valores do capitalismo.

“Os interesses do sistema financeiro, de fato, não são as pessoas. É o lucro, o rendimento e uma acumulação que, cada vez mais, aumenta as desigualdades. Esse sistema, que opera no capital não produtivo, não só acirra os mecanismos de produção de desigualdade como também prescinde da força de trabalho”, afirmou a médica.

Em função disso, segundo a especialista, a luta pela saúde deve se articular com a luta pelo fortalecimento das instituições democráticas e se vincular, especialmente, à instalação de um projeto político efetivo de democracia social. “A democracia econômica, que visa à distribuição da riqueza, é insuficiente. Temos que apostar nos nossos mecanismos de luta, na greve, na mobilização permanente para restabelecer a democracia e um projeto político para o País. O que está posto agora é destruidor, perverso, e não se importa com o ser humano. A luta pela saúde é a luta por um Brasil, de fato, melhor”, ressaltou.

A programação do Fórum seguiu durante a tarde.

Rosane Alves
Do Seeb Brasília

8.3.16

O Dia da Mulher e o trabalho bancário que adoece


Comentário do Blog

Neste Dia Internacional da Mulher, deixo o meu mais profundo respeito à luta secular que as mulheres empreendem em todas as partes deste nosso mundo, mundo, vasto mundo. Estamos muito longe de conquistar a igualdade de direitos, mas ao menos sabemos que a luta das mulheres tem avançado, ainda que lentamente.

Apresento o artigo abaixo de uma grande companheira de lutas, Deise Recoaro, com a qual convivi por longos anos no movimento sindical e com quem aprendi tantos conceitos que me mudaram como pessoa. A melhor forma de agradecer pelo conhecimento aprendido é aplicando ele em meu comportamento diário como cidadão, pai, filho, marido, e como representante da classe trabalhadora, atualmente na entidade de saúde que administro em nome dos funcionários do Banco do Brasil.

O artigo é provocativo porque o tema é duro. Deise aborda o cotidiano das bancárias que fazem parte de uma categoria que a cada dia sofre mais com as condições de trabalho e com a natureza do trabalho bancário, que se transformou numa eterna oferta de produtos financeiros com metas impossíveis de serem alcançadas, muitas vezes sob forte pressão e assédio. 

Ao final desse processo de trabalho, temos as bancárias adoecidas e na base de remédios para cumprirem suas jornadas de trabalho.

Temos que lutar para mudar essa realidade. Temos que cuidar da saúde de nossos bancários e bancárias e trabalhar para que o trabalho tenha a importância necessária na dimensão humana, mas sem destruir os humanos.

Leiam o artigo e bom dia de luta a todas as mulheres!

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi





Artigo de Deise Recoaro
Dirigente da Contraf-CUT e
Militante da AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras

(publicado em 26/2/16 no BRASIL247)

Qual o problema, eu tomo três tarjas pretas...


Estamos nos aproximando do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e quando olho para a categoria que represento, no caso as bancárias, tem uma expressão que não me sai da mente. Ao levantar a preocupação sobre o aumento do uso de antidepressivos entre os bancários, tipo “tarja preta”, com a gerente geral de uma agência, ela me responde: “Qual o problema? Eu tomo três”...

Não sei o que mais me deixa indignada, se é a quantidade de drogas usadas para suportar o ritmo e as cobranças de metas no processo de trabalho ou se é a indiferença ou a naturalização de um problema que tem levado muitas e muitos trabalhadores à loucura, quando não à morte.

Não é exagero da minha parte. Diversos estudos acadêmicos e as estatísticas oficiais confirmam as denúncias que o movimento sindical vem fazendo em todo país. Em 2013, do total de afastamento por auxílio-doença, 52% correspondem a doenças causadas por transtornos mentais e sistema nervoso.

Voltando à figura emblemática desta trabalhadora, me vêm à mente outras questões ainda: a da tão exaltada “competitividade” e do tal do “poder de resiliência” propagados pelos bancos e especialistas do mundo dos negócios como qualidades para o sucesso profissional.

O investimento na formação e qualificação profissional, em tese, funciona como diferencial numa promoção ou vaga de emprego. Não é à toa que as mulheres em diversas categorias são as mais escolarizadas para poder competir. Porém, pasmem! Na categoria bancária, uma mulher com doutorado recebe em média 56% menos que um homem com o mesmo título nos bancos (segundo pesquisa de Emprego – Desemprego no setor bancário do DIEESE). E eu mais uma vez me pergunto: até quando vamos repetir esse triste dado? Até quando vamos ficar nos perguntando: qual o problema?

Tem problema, sim! A origem está na “construção social de gênero”, que ao longo da história vem estabelecendo papéis e hierarquizando funções – isso é de menino... aquilo é de menina... esse trabalho é de homem... aquele é de mulher... esse vale mais... aquele vale menos... Que beneficia os interesses muito restrito de uma elite, pois essas diferenças só servem para engordar ainda mais o capital de quem detém o poder econômico, poder este que tem cor e sexo. Ou seja, é homem e branco. Então qualquer coisa diferente disso cai na vala comum da discriminação: mulheres, população negra, gays e lésbicas, transexuais...

Agora me vem o conservadorismo religioso querendo fazer caça às bruxas com a nossa emancipação dos “quadradinhos” e “rótulos” que sempre nos limitaram e oprimiram, chamando de “ideologia de gênero” um conceito científico (o conceito de gênero) que desnaturaliza a opressão. Mas essa é uma outra faceta da dominação que não será possível tratar aqui.

Ainda por trás daquela bancária tem outros dramas e dilemas de sobrevivência no mercado competitivo e totalmente desigual: ser ou não ser mãe, abortar ou não, ficar em casa ou não para cuidar dos filhos... Isso sem falar da violência moral e sexual sofrida quase que diariamente pelas bancárias como, insinuações de uso de roupas provocativas para venda de produtos e abordagens sexuais indesejadas em troca de uma promoção ou manutenção do emprego.

Quanto ao tal do “poder de resiliência”, que segundo o Wikipédia quer dizer “capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse etc. - sem entrar em surto psicológico”. Os bancos se apropriaram desse termo na maior cara de pau do mundo, para “convencer” seus profissionais que por mais hostil, rude, desumano, violento que seja seu ambiente de trabalho, só os “bons” conseguem sobreviver e renascer das cinzas para continuar produzindo e gerando riqueza.

Gente, isso não é natural! Não é assim porque Deus quis! É preciso desconstruir essas relações sociais de gênero marcadas pela desigualdade, pela submissão e exploração, para reconstruir novas relações, pautadas na igualdade, no compartilhamento, na distribuição de renda e por ambiente saudável de trabalho.

Reforma da Previdência

Como se não bastassem os obstáculos específicos das bancárias, estão querendo empurrar para nós mulheres trabalhadoras os custos de uma crise que não nos pertence, prevalecendo a lógica de retirada de direitos ao invés de redistribuir a riqueza altamente concentrada. Estamos muito longe de resolver a divisão do trabalho doméstico e de cuidados de filhos e idosos.

Ainda recai sobre a mulher a dupla ou tripla jornada de trabalho, ocupamos os piores postos e recebemos os piores salários e ainda querem igualar a idade mínima para aposentadoria. Isso é inadmissível! Vamos resolver essas pendências históricas para então falarmos em equiparação.

Para finalizar, eu não poderia deixar de parafrasear aqui o velho e bom Marx: “A emancipação da mulher trabalhadora será obra da própria mulher trabalhadora”. Com certeza não será com essa esquizofrenia chamada de Partido da Mulher Brasileira, composto por 21 deputados federais, 19 deles homens, e um senador acusado de pedofilia em 2010. Os movimentos de mulheres e feministas deram uma brilhante lição de mobilização e luta contra o conservadorismo. Não podemos permitir nenhum retrocesso e penalização para que sejamos todas livres... inclusive das tarjas pretas.

Deise Recoaro

4.9.15

Comando cobra mais saúde e segurança, mas bancos não avançam



A próxima rodada de negociação será
sobre Igualdade de Oportunidades.

Crédito: Jaílton Garcia - Contraf-CUT

Foram dois dias de debates intensos. O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, apresentou à Fenaban vários dados e situações enfrentadas pelos bancários que comprovam a necessidade de melhorias nas condições de trabalho, mais segurança e respeito à saúde dos trabalhadores. Mas os bancos trataram as reivindicações sem o empenho que elas merecem e a segunda rodada de negociação da Campanha 2015, nesta quarta (2) e quinta-feira (3), em São Paulo, terminou sem propostas concretas para resolver os graves problemas.

Saúde


O Comando Nacional mostrou pesquisas do Dieese, com base nos dados do INSS, as quais evidenciam a relação da rotina estressante de trabalho com os adoecimentos. Os casos de transtornos mentais e comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/DORT. Entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

O INSS ainda não divulgou os dados do ano todo de 2014 sobre o setor, mas em 2009 foram 2.957 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Já em 2013, os números saltaram para 5.042. Um crescimento de 70,5%. No mesmo período, nas outras categorias, o aumento foi de 19,4%.

"A saúde do trabalhador não pode ser negociada como um mero elemento da produção e nem podemos admitir que o trabalho adoeça as pessoas, como temos visto nos dados sobre afastamentos", disse o presidente da Contraf-CUT, Roberto Von der Osten, durante a negociação. "Saúde é um direito fundamental e os bancos precisam assegurar este direito no local de trabalho", reforçou.

Metas abusivas e assédio moral


O fim das metas abusivas e combate ao assédio moral estão entre as principais reivindicações da categoria. Os bancos reconheceram que pode haver excessos no modo de cobrança por parte de alguns gestores, mas não concordaram com a reivindicação do Comando para que as metas sejam estabelecidas com a participação dos trabalhadores, com critérios para a estipulação, levando em conta o porte da unidade, a região de localização, número de empregados e carteira de clientes.

"Os bancos continuam dizendo que as metas são expectativa de resultados e fazem parte da gestão. Mas o que vemos é uma relação direta com a avaliação de desempenho. Os bancários são pressionados para conseguir resultados, se esforçam além dos seus limites e adoecem neste ambiente de trabalho extremamente competitivo", criticou Roberto Von der Osten. 

Pressionada, a Fenaban resolveu atender algumas das reivindicações de combate ao assédio moral. Assumiu o compromisso de avaliar a possibilidade do empregado pedir transferência para outra unidade, quando for comprovadamente assediado. Assim como informar as soluções dadas aos casos de assédio moral apurados também pelos canais internos dos bancos. Os trabalhadores cobraram mais rapidez. Atualmente, os bancos têm 45 dias para este retorno, mas a Fenaban não aceitou reduzir o prazo.

"Durante este período assediador e assediado convivem no mesmo local de trabalho. Isso intensifica o quadro de depressão e de outras doenças pelo assédio. O tempo de apuração da denúncia tem que ser o menor possível", reforçou o presidente da Contraf-CUT.

Outro "não" dos bancos foi quando à reivindicação de que garantam aos empregados a participação nos exames e procedimentos previstos no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), cumprindo na integralidade as disposições da Convenção 161 da OIT, que assegura a participação dos trabalhadores nas questões que tratam da saúde laboral.

Isonomia de direitos e reabilitação


Mais um problema enfrentado pela categoria é a manutenção de direitos para os bancários afastados por acidente de trabalho e motivo de saúde. A reivindicação é que diferença entre benefício recebido do INSS e o salário seja paga pelos bancos.

Os banqueiros responderam que já há várias cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que tratam de ressarcimento de diferenças e que não querem nada de novo relativo ao tema. 

O Comando Nacional também fez duras críticas aos programas de reabilitação profissional desenvolvidos pelos bancos, cuja elaboração também não conta com a participação dos trabalhadores. São constantes as reclamações recebidas pelos sindicatos revelando que os funcionários são mal atendidos pelo gestor, ou mesmo pelo banco, no retorno ao trabalho.

"Eles consideram ingerência, mas insistimos que os sindicatos precisam acompanhar de perto esse retorno, quem são, para onde estão indo, de forma que a reinserção na rotina seja feita com respeito aos limites desse empregado adoecido, assim como achar saídas para evitar tantos adoecimentos", afirmou a vice- presidenta da Contraf-CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira.

"A reivindicação dos bancários é a alteração da redação da cláusula do programa de "reabilitação" do trabalho, para "retorno" ao trabalho, já que reabilitação é uma atribuição do Estado e não pode ser executada pelas empresas, como os bancos têm feito", defendeu o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir Previtale.

Mais um agravante para o movimento sindical é a revalidação que os bancos estão fazendo dos atestados médicos dos trabalhadores, colocando em xeque a idoneidade do bancário.

Diante dos problemas, a Fenaban concordou em marcar novas reuniões com os dirigentes sindicais para debater o tema de saúde, antes do encerramento da Campanha Nacional 2015.

"A data deve ser definida em breve. Nós não vamos sair desta negociação sem avanços na nossa pauta," ressaltou o presidente da Contraf-CUT. 

Segurança


Além da pressão por resultados, metas abusivas e assédio moral, os bancários também convivem com a insegurança nos locais de trabalho. Levantamento realizado pela Contraf-CUT e pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio técnico do Dieese, aponta que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês. Os ataques a agências e caixas eletrônicos também viraram manchetes diárias nos jornais pelo País. Foram 3.150 ocorrências no ano passado, com uma média assustadora de 8,63 por dia.

O Comando Nacional cobra melhores condições de segurança para bancários, clientes e assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsão, com atendimento médico e psicológico não só ao empregado, mas também à família do funcionário.

Os bancários querem que os bancos sejam obrigados a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) sobre todos os casos de tentativa ou de assalto consumado, assim como o Boletim de Ocorrência (BO).

"O objetivo do crime é o banco, mas as vítimas são os bancários, portanto registro do BO é obrigação dos bancos. É o patrimônio do banco que o bandido quer lesar, mas é a vida das pessoas que corre risco," afirmou Gustavo Tabatinga, secretário de Políticas Sindicais da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária. Mas os bancos continuaram relutantes em acatar as reivindicações.

Como medida de prevenção aos assaltos, o Comando Nacional solicita o fim da guarda das chaves por funcionários e que empresas de segurança privada sejam contratadas para o trabalho. A Fenaban também não aceitou, alegando que qualquer pessoa pode ser vítima da violência. 

O presidente da Contraf-CUT rebateu a negativa. Explicou que os bancários são escolhidos a dedo pelo crime organizado. Geralmente, estão entre os trabalhadores que possuem as chaves das agências e as senhas dos cofres e defendeu a estabilidade de emprego, mínima, de 36 meses, ao funcionário vítima de assalto, sequestro ou extorsão. 

"Nem sempre as sequelas aparecem na hora, pode incorrer numa baixa de produção ocasionada por uma depressão, por uma síndrome do pânico. Os empregados podem acabar sendo demitidos por uma ocorrência de violência bancária de muitos meses atrás," alertou Roberto von der Osten. 

Projeto-piloto


Para reduzir a violência, os bancários querem a implantação, em todo o País, dos equipamentos e medidas que fizeram do projeto-piloto de segurança. O projeto é uma conquista da Campanha 2012. Foi implantado durante um ano, entre agosto de 2013 e agosto de 2014, em Recife, Olinda e Jaboatão de Guararapes e testou a eficácia de itens que o movimento sindical julga serem necessários para garantir segurança. 

Houve a instalação, nas agências, de porta giratória com detector de metais, câmeras internas e externas, biombos em frente aos caixas, guarda-volumes e vigilantes armados e com coletes balísticos, além de cofre com dispositivo de retardo. 

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o número de roubo a bancos caiu pela metade (de 16 para 8) nas cidades do projeto. entre janeiro e junho de 2014, em comparação com o mesmo período de 2013. O número de arrombamentos teve uma queda de 41,8%, caindo de 110 em 2013 para 64 em 2014. Em relação à "saidinha de banco", o número de registros em Olinda caiu 46,4%. 

Mas os bancos se recusaram, novamente, a replicar estes equipamentos para todo Brasil, preferindo continuar com os projetos-pilotos. Concordaram, apenas, em testar as medidas em outras duas regiões. 

"Os bancos avaliam como importante o conteúdo, mas insistem em continuar apenas como projeto-piloto em mais duas regiões para ter uma amostragem mais eficiente, segundo eles. Nós queremos que as medidas já sejam aplicadas em todo o País. Consideramos que a eficácia já está mais do que comprovada", concluiu Roberto von der Osten. 


Calendário de negociações

Fenaban


09/9 - Igualdade de Oportunidades
16/9 - Remuneração

Caixa


4/9 - Saúde, Funcef e aposentados
11/9 - Carreira, isonomia e organização do movimento
18/9 - Contratação, condição das agências e jornada

Banco do Brasil


11/9 - Cláusulas sociais e previdência complementar
18/9 - Remuneração e plano de carreira

(Matéria atualizada em 4/9) 

Fonte: Contraf-CUT

24.8.15

Negociações específicas com o BB começam na segunda dia 24



CAMPANHA 2015 - MESAS COM BB COMEÇAM HOJE

O Banco tem totais condições de investir na saúde de seus funcionários. Mais que um compromisso básico que o próprio Banco sempre fala e escreve em seus relatórios e balanços sociais, investir na saúde de seus trabalhadores É BARATO, É ECONÔMICO! A Cassi necessita neste momento de aportes extraordinários por parte do BB para avançar nos projetos de promoção de saúde (não finalizados até hoje, mesmo com o BB na gestão) e encontrar a sustentabilidade em suas operações, sem perda de direitos históricos negociados e conquistados ao longo das últimas décadas de lutas do funcionalismo.


Como Diretor de Saúde eleito, me coloco à disposição das mesas de negociação e dos sindicatos e lideranças dos trabalhadores, como fiz na Campanha 2014.

William Mendes




As negociações das reivindicações específicas dos funcionários do Banco do Brasil começam na tarde desta segunda-feira (24), com continuidade na terça (25), pela manhã, na nova sede do Banco, em Brasília. Serão debatidos os temas: emprego, contratações, condições de trabalho e saúde. 

Os bancários cobram do BB mais contratações e convocação de concursados, tanto para reposição das vagas do PAI - Plano de Aposentadoria Incentivada, como para melhorar o atendimento das agências, que tem sofrido bastante com a falta de funcionários.

Nas questões envolvendo a saúde, serão abordados os problemas referentes à assistência médica da Cassi e dos funcionários de bancos incorporados, as licenças, acidente de trabalho, exames periódicos, melhoria do plano odontológico e os assuntos relativos ao adoecimento dos trabalhadores. 

Também serão debatidas nesta rodada dupla as condições de trabalho dos funcionários, com as reivindicações sobre melhoria dos locais de trabalho, a questão das metas abusivas e a sua relação com o assédio e os descomissionamentos.

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, estas duas reuniões serão importantes para se ter ideia da disposição do Banco em ter uma negociação produtiva: "Entendemos que mesmo com orçamentos reduzidos em vários setores do governo, o lucro que o Banco apresentou foi grande o suficiente para atender nossas reivindicações", afirma. 


Fonte: Contraf-CUT

6.5.15

Artigo: Corri pensando no Milton e na Direção do BB


Às vezes, sofremos os ônus por nossa origem e compromissos.

Mais um dia de trabalho como representante do Corpo Social na entidade de saúde dos funcionários do Banco do Brasil. Fui eleito Diretor de Saúde em 2014 e meu mandato vai até 2018.

Saí para correr minha meia hora ou 5 km na noite brasiliense depois de mais um dia duro de trabalho. Voltei a correr para cuidar da minha saúde e tentar minimamente compensar o estresse que minha tarefa atual acarreta.

Ao chegar em casa, minha esposa me disse que um colega do Banco escreveu um comentário jocoso em meu perfil do Facebook por eu comentar meu cansaço. Ele disse que eu reclamo muito e que deveria pensar nisso porque sou muito bem remunerado.

E não é que não consegui curtir minha corrida! Fiquei pensando nos dois desaforos do dia a corrida inteira. Sofri hoje mais um ataque da Direção do Banco e esse comentário do colega representado.


O COMENTÁRIO DA BASE EU ABSORVO BEM, O DIFÍCIL SÃO OS ASSÉDIOS QUE O BB ME FAZ POR CAUSA DO QUE REPRESENTO

Vou falar num linguajar popular.

Eu sou escriturário concursado do Banco do Brasil. Esse é o meu cargo. Estou dirigente da Cassi em primeiro lugar porque o movimento sindical me demandou por meses para que eu disponibilizasse meu nome, meu histórico, minha experiência e minha gana em fazer as coisas bem-feitas, não importa qual seja a missão. Eu aceitei a tarefa e me coloquei à disposição.

Depois, e esse é o principal motivo após aceitar participar do processo eleitoral, estou diretor da Cassi porque o Corpo Social em sua maioria votou na chapa capitaneada por mim e pelas propostas que apresentamos para a Caixa de Assistência.

Ou seja, estou Diretor da Cassi por isso. Estou fazendo o meu melhor. E assim será até o dia 31 de maio de 2018.

Agora uma coisa é clara para quem me conhece ou já ouviu dizer a meu respeito: eu não ligo para dinheiro, tô cagando pra essa porcaria que faz com que os seres humanos não tenham princípios e caráter, se vendam por qualquer coisa, prefiram bens materiais a pessoas e porcarias do gênero em relação ao dinheiro.

Eu tenho firmeza nos princípios e humildade na aceitação da divergência e das críticas no papel de representante eleito dos trabalhadores.

Então Milton, pensando a respeito do que você comentou, talvez eu deva reclamar menos de meu cansaço físico e mental porque estou bem remunerado na função momentânea que exerço na Cassi.



VOU RECLAMAR MENOS E INFORMAR/COBRAR MAIS DO MOVIMENTO

Pois é, a segunda parte deste texto é mais para informar o que um representante dos trabalhadores pode enfrentar quando mantém a firmeza ideológica aprendida nas lides do movimento sindical ao enfrentar diariamente um ente poderoso por sua natureza, o Banco e os banqueiros que lá estão. Sozinho no embate empatado com o Banco e seus representados, pouco posso fazer. Só com mobilização por trás de meu mandato é possível avançar nos direitos em saúde.

Como negociador, nunca fui bem quisto pela direção do BB por razões óbvias. Eu incomodo!

A Direção do Banco não esperou um dia sequer para começar o embate comigo assim que cheguei à Cassi. No dia da posse, 2 de junho, começaram as provocações internas da Direção. Eu não me importo e levo isso numa boa. Cada um com seus papeis e lados.

Eu vou registrar tudo o que aconteceu ao longo do meu mandato. Já estou fazendo isso através dos boletins dos eleitos (aliás, quando foi que alguém fez isso com a regularidade que fazemos?). Mas ainda vou documentar tudo que o Banco já fez comigo nesse mandato.

Por falar em "ser bem remunerado", eu já gastei milhares de reais para mostrar a cara ao Corpo Social, coisa que duvido que seja comum algum representante fazer. Em geral, o pessoal briga é para conseguir cargo e dinheiro e não o inverso.

O ataque da Direção do Banco de hoje é só mais um que venho sofrendo ao longo desses onze meses que represento os interesses do Corpo Social na Cassi.


ORÇAMENTO CONTINGENCIADO E TRATAMENTO DESIGUAL AOS ELEITOS ATUAIS

Hoje a Direção do Banco me negou adquirir 1(uma) passagem aérea e uma pernoite em hotel para trabalhar um dia na unidade Cassi no Paraná. Função básica do Diretor de Rede. Por causa do orçamento contingenciado, despesas administrativas corriqueiras têm que ter aprovação dos indicados do BB no Conselho Deliberativo o tempo todo. Eles negaram.

Engraçado, pois há menos de uma semana, o comportamento dos eleitos para que o Presidente e o Diretor Financeiro fosse a SP foi o correto. Os eleitos não impuseram nenhuma restrição e aprovaram a despesa com passagens aéreas e hospedagem dos indicados do Banco.

Não tem problema. Eu poderia contar a vocês, Corpo Social que represento, uma lista infindável de atitudes pequenas, torpes como essa, por parte da Direção do BB e seus representados. Vocês se lembram recentemente, quando eu tive negado os recursos para as Conferências de Saúde e os Conselhos de Usuários. Decidi fazer os eventos assim mesmo! (Mas na outra ocasião que teve orçamento contingenciado - 2006 - os eleitos que lá estavam não tiveram nenhum problema com isso. Documentos públicos provam isso, é só ler no Relatório Anual 2006. Talvez eu não agrade aos banqueiros do BB).

Vou a Curitiba por minha conta na próxima semana realizar o meu trabalho de fortalecer a participação social na Cassi e seguir com o nosso trabalho lá dos Agentes Facilitadores, porque o trabalho deles é voluntário e visa melhorar a rede credenciada da Cassi no Estado do Paraná e a vida dos associados. PAGO DO MEU BOLSO. Já fiz isso várias vezes nesses dez meses de mandato.

Na boa, quem deveria estar defendendo o meu mandato são as entidades que me propuseram estar na Cassi. Sigo à disposição de tod@s do Corpo Social e suas entidades representativas.

Milton, obrigado pelo puxão de orelha (mas você atrapalhou minha corrida).

William Mendes


Post Scriptum:

Minha agenda no Paraná nos dois dias que lá estarei está sendo custeada pelas entidades sindicais e por mim (Voo $540 + hotel $198).

13.10.14

Contraf assina convenção coletiva e acordos com BB, Caixa, BNB e HSBC


Solenidade de assinatura da CCT com a Fenaban foi
realizada em SP. Crédito: Jailton Garcia - Contraf-CUT

A Contraf-CUT, federações e sindicatos assinaram com a Fenaban na tarde desta segunda-feira 13, em São Paulo, a 23ª Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conquistada com a greve na Campanha Nacional 2014, que garante aumento real de salário pelo 11º ano consecutivo, além de avanços nas condições de trabalho, como os mecanismos de combate às metas abusivas e ao assédio moral. A solenidade foi realizada no hotel Macksoud Plaza, em São Paulo. 

Além da CCT, as entidades sindicais assinaram também no mesmo local os acordos aditivos específicos com o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste do Brasil (BNB), além do acordo de Participação nos Resultados (PR) com o HSBC.

A CCT e o acordo de PLR já estão disponíveis na seção de Convenções e Acordos no site da Contraf-CUT.

"Essa foi mais uma campanha com a força da unidade e da mobilização da categoria, que conseguiu, em um período mais curto de tempo que nos anos anteriores, após intensas negociações, conquistar aumento real de salário e valorização do piso, contribuindo para avançar na distribuição da renda no Brasil, que tem a sexta maior economia mas ainda é um dos 12 países mais desiguais do planeta", avalia o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro.

Cordeiro destaca também outros avanços importantes. "Essa campanha não teve apenas vitórias econômicas. Tivemos importantes avanços na questão da saúde e condições de trabalho, combatendo o adoecimento e o afastamento de bancários. A proibição de cobrança de metas passa a abranger não somente SMS, mas qualquer outro meio eletrônico. Além disso, os bancos assumiram o compromisso para que o 'monitoramento de resultados ocorra com equilíbrio, respeito e de forma positiva para prevenir conflitos nas relações de trabalho' ". 

"A partir de agora, o bancário que se sentir pressionado por cumprimento de metas, colocando em risco sua saúde física e mental, terá mais um canal de denúncias, que é o sindicato, e os bancos terão prazo para dar uma resposta sobre o caso", enfatiza o dirigente sindical.

"Os bancários merecem os parabéns. Desde 2004, já acumulamos aumento real de 20,7% nos salários e de 42,1% nos pisos. Além disso, os bancários conquistaram avanços nas negociações específicas com os bancos públicos e uma conquista no HSBC", salienta.

Cordeiro também aponta a importância da continuidade da discussão dos resultados do II Censo da Diversidade para, a partir dos resultados, serem tomadas medidas para acabar com a exclusão e a discriminação dentro dos bancos. Ela ainda frisou a necessidade de fortalecer o processo de negociação permanente, através das mesas temáticas, buscando aprofundar os debates e construir novas conquistas para a categoria. 


As principais conquistas da Convenção Coletiva

Reajuste - 8,5% (2,02% de aumento real).

Piso portaria após 90 dias - 1.252,38 (9% ou 2,49% de aumento real).

Piso escritório após 90 dias - R$ 1.796,45 (9% ou 2,49% acima da inflação).

Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.426,76 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando reajuste de 8,87% e 2,37% de aumento real).

PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.837,99, limitado a R$ 9.859,93. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.691,82.

PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.675,98.

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Antecipação da PLR

Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015. 

Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.102,79, limitado a R$ 5.915,95 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.

Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.837,99.


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Outras verbas

Auxílio-refeição - R$ 26,00 (R$ 572,00 ao mês), reajuste de 12,2%, ou 5,5% de aumento real.

Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 431,16. (Somados, os auxílios refeição e cesta-alimentação resultam em R$ 1.003,13 por mês, o que representa reajuste de 10,76%).

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 358,82.

Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 306,96.

Gratificação de compensador de cheques - R$ 139,44.

Requalificação profissional - R$ 1.227,00.

Auxílio-funeral - R$ 823,30.

Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 122.770,20.

Ajuda deslocamento noturno - R$ 85,94.


AS CONQUISTAS SOCIAIS

Combate às metas abusivas - Bancos incluirão na Convenção Coletiva o compromisso de que "o monitoramento de resultados ocorra com equilíbrio, respeito e de forma positiva para prevenir conflitos nas relações de trabalho". Trata-se de mais um passo no combate às metas abusivas, que tem provocado adoecimento e afastamento de bancários. Além disso, a cobrança de metas passará a ser proibida não somente por SMS, mas também por qualquer outro tipo de aparelho ou plataforma digital.

Dias parados - A compensação dos dias parados durante a greve será de uma hora por dia no período de 15 de outubro a 31 de outubro, para quem trabalha seis horas, e uma hora por dia no período entre 15 de outubro e 7 de novembro, para quem trabalha oito horas.

Certificação CPA 10 e CPA 20 - Quando exigido pelos bancos, os trabalhadores terão reembolso do custo da prova em caso de aprovação.

Adiantamento de 13º salário para os afastados - Quando o bancário estiver recebendo complementação salarial, terá também direito ao adiantamento do 13º salário, a exemplo dos demais empregados.

Reabilitação profissional - Cada banco fará a discussão sobre o programa de retorno ao trabalho com o movimento sindical. 

Gestantes - As bancárias demitidas que comprovarem estar grávidas no período do aviso prévio serão readmitidas automaticamente. 

Casais homoafetivos - Os bancos divulgarão a cláusula de extensão dos direitos aos casais homoafetivos, informando que a opção deve ser feita diretamente com a área de RH de cada banco, e não mais com o gestor imediato, para evitar constrangimentos e discriminações.

Novas tecnologias - Realização de seminários periódicos para discutir sobre tendências de novas tecnologias.

Campanha sobre assédio sexual - Os bancos assumiram o compromisso de realizar uma campanha junto com os bancários para combater o assédio sexual no trabalho.


Fonte: Contraf-CUT

4.10.14

BB melhora proposta específica e Comando orienta pela aprovação


COMENTÁRIO BREVE


A proposta que a categoria vai avaliar na segunda-feira traz avanços importantes conforme avaliação do Comando e das lideranças. Não tenho dúvida de que os 16 itens da proposta específica são fruto da forte mobilização dos funcionários do BB nesta campanha e do contexto político em que ela se dá.

Saúde e Cassi - Avaliando como Diretor Eleito de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, eu lamento não haver nenhum item sobre esse eixo de reivindicação. Mas fazer o que? Aprendi com uma grande liderança, o amigo Carlão, que não dá para ficar chorando e terceirizando a responsabilidade daquilo que é nossa tarefa na luta. No fundo, se não tem nenhuma proposta para as questões de saúde e para a Cassi é porque outras demandas tiveram maior prioridade. (eu lidei com isso nos anos em que fui da área da formação na Contraf-CUT. Na teoria e no discurso, todo mundo defende "formação" mas na hora de fazê-la, era um desespero para obter recursos. E mesmo assim, com energia, amor e gana de muita gente e de muitas entidades sindicais, formamos mais de 350 dirigentes)

Não muda nada no trabalho que estamos tentando fazer para fortalecer a nossa Caixa de Assistência. Prometo mais empenho ainda em resolver os problemas que lá identificamos e lutar muito mais para implantar nosso programa eleito de melhorias na Cassi. Trabalho duro e intenso até o limite físico e psicológico, já estamos fazendo mesmo. 

Mas é lógico que não podemos fazer mágica nem milagre. A questão da Saúde do Trabalhador também envolve CONTRATAR DIREITOS E RECURSOS. Vamos precisar de muita luta e unidade do corpo funcional do BB - da ativa, aposentados e colegas de bancos incorporados - para avançar na Saúde e na Cassi.

Condições de trabalho - outra questão que vai continuar afetando a saúde de nossos funcionários é o problema da falta de trabalhadores. Mas essa luta tem sido muito difícil mesmo. Ano passado, conseguimos acordar em contratar 3 mil concursados. Mesmo assim, o número de claros (dotação não preenchida nas unidades) aumentou para mais de 5 mil. Estão péssimas as condições de trabalho. Se o banco vai contratar só mais 2 mil até o final de 2015, é sinal que as coisas vão piorar nos locais de trabalho, porque as saídas têm sido maiores que as contratações e o quadro seguirá diminuindo. O problema tem afetado inclusiva um direito que conquistamos nas campanhas anteriores - a remoção automática como escriturário (SACR) impedindo discriminação. Com o número absurdo de claros nas unidades, o sistema praticamente não funciona mais porque há trava no sistema que impede o funcionamento da remoção quando há ausência de funcis. Muito ruim isso.

Dúvida sobre proposta que havia para os delegados sindicais:

Na primeira proposta do BB feita em 24/9 havia uma proposta que corrigia o absurdo de tirar a pontuação de mérito dos delegados sindicais no dia em que eles estavam liberados para atividades sindicais. Eu não a vi na proposta final. Pergunto: ela está mantida ou foi retirada? (veja abaixo a proposta anterior no site de negociação coletiva do BB)

- As ausências dos delegados sindicais para o exercício de atividade sindical - código 476 - não vão interromper a contagem da pontuação por mérito.

Bom, parabéns aos bancários pela forte e rápida mobilização desta campanha, pois em quatro dias de greve a categoria paralisou 10.355 unidades de trabalho (em outros anos, foram necessários mais dias para alcançar esse número expressivo). E boa avaliação das propostas nesta segunda-feira. 

Assim como o Comando Nacional avaliou, também acho que a proposta traz avanços muito bons e eu a defenderia nas assembleias se estivesse à frente das negociações como estive nos últimos anos. É a minha modesta opinião.

Só lembrando aos funcionários do BB que a regra dos dias parados segue o que está na proposta geral da Fenaban. Vejam abaixo.

Dias parados

A Fenaban propõe a compensação dos dias parados durante a greve, na forma de uma hora por dia no período de 15 de outubro a 31 de outubro, para quem trabalha seis horas, e uma hora por dia no período entre 15 de outubro e 7 de novembro, para quem trabalha oito horas.


Abraços,

William Mendes
Diretor Eleito de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi


(Atualizada às 14:59h, após ter visto proposta original entregue pelo BB às entidades sindicais)



Banco do Brasil apresentou proposta no quarto dia
da greve nacional. Crédito: Jailton/Contraf-CUT

Após a nona rodada de negociação com a Fenaban, o Banco do Brasil apresentou ao Comando Nacional dos Bancários nesta sexta-feira 3 à noite, em São Paulo, sua proposta para as reivindicações específicas do funcionalismo, que inclui reajuste maior no piso refletindo na tabela de antiguidade do PCR e também na carreira de mérito, e avanços nas substituições. O Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT e assessorado pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, considerou as propostas positivas e indica a sua aprovação nas assembleias da segunda-feira 6.

"Queremos parabenizar a forte greve do funcionalismo do BB em todo o país, que arrancou a nova proposta do banco, com destaque para o aumento real no piso e o fim do banco de horas", avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

"O conjunto de propostas do Banco do Brasil, juntamente com a proposta global da mesa da Fenaban, traz avanços significativos em relação às nossas reivindicações, depois de um longo período de negociações. O reajuste maior no piso dialoga com todos os segmentos do funcionalismo e terá impacto imediato para mais de 40 mil funcionários. Poderemos levar para nossas assembleias, defendendo a sua aprovação", afirma Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa do BB. 

"Consideramos também um grande avanço a volta da substituição dos gerentes de módulo nas PSO e nas agências que têm somente uma gerência média. É uma forma de acabar com desvio de função dos caixas e, ainda, melhorar a pontuação e a qualificação para processos seletivos dos funcionários", acrescenta Wagner.

Para o grupamento de comissionados, algumas propostas contemplam reivindicações antigas, como o bloqueio das estações de trabalho dentro da jornada e, ainda, em relação à gerência média, uma cláusula que trata da forma de cobrança nas unidades, vinculada ao protocolo de resolução de conflitos, que trata principalmente das metas abusivas e suas consequências nas condições de trabalho dos funcionários.

Os cursos sobre assédio moral e sexual, clima organizacional e mediação são também avanços, que futuramente avaliaremos os seus resultados, mas a mesa temática sobre Gestão de Disciplina e Penas (Gedip) será muito importante para discutirmos e alterarmos a responsabilidade pecuniária dos funcionários em várias situações de risco de negócio que estejam sendo feitas indevidamente.


As propostas específicas apresentadas pelo BB são as seguintes:


1 - Ratificação do índice de 8,5% (2,02% de aumento real) nos salários e benefícios apresentado pela Fenaban.

1a - Reajuste de 9% (2,49% acima da inflação) do piso em toda a carreira do PCR.

2 - Substituição de Gerente de Módulo nas PSO - Módulo Suporte Operacional (SOP) por caixas, conforme instruções internas.

3 - Substituição de funções gerenciais nas Unidades de Negócios com somente uma Gerência Média, conforme instruções internas.

4 - O BB contratará dois mil funcionários, sendo mil até 31 de dezembro de 2014 e mil até 31/12/2015.

5 - O banco retroagirá a 1º de setembro de 2005 a pontuação de mérito dos caixas. Os efeitos financeiros e o pagamento serão retroativos a 1º de setembro deste ano. 

6 - Elevação do valor da Unidade de Saúde de R$0,36 para R$0,55 (52%).

7 - O BB pagará Vantagem em Caráter Pessoal (VCP) por 120 dias para 
descomissionamentos de funcionários que tenham mais de 5 anos na comissão; excluídos os descomissionamentos por sanção disciplinar e por desempenho (3 ciclos avaliatórios).

8 - Instalação de mesa temática sobre Gestão de Disciplina e Perdas (Gedip).

9 - Pagamento em dinheiro de todas as horas extras prestadas (fim do banco de horas).

10 - O banco se compromete a bloquear, até dezembro de 2014, o acesso às estações de trabalho para todos os funcionários que estiverem com a jornada de trabalho encerrada no ponto eletrônico. 

11 - O BB disponibilizará aos funcionários o pagamento do vale-transporte em dinheiro, observadas as regras do programa.

12 - O novo curso "Conciliação: Mediação para Gestores" passará a ser pontuado nas oportunidades do sistema TAO para concorrências às funções de Gerente Geral em Unidades de Negócios.

13 - O banco desenvolverá curso sobre Assédio Moral e Sexual, incentivando a participação de todos os funcionários, com pontuação para as concorrências a funções gerenciais.

14 - O BB disponibilizará no mínimo 30 turmas da Oficina Gestão do Clima Organizacional, a fim de capacitar gestores a aprimorar o clima de suas unidades.

15 - O banco permitirá, de outubro a dezembro de 2014, a realização de jornada extraordinária, vinculada ao Plano de Funções, na forma das instruções normativas que tratam do assunto. 


16 - Na questão da igualdade de oportunidades, assim como apresentou uma correção em relação à pontuação de mérito dos delegados sindicais, o banco também apresentou a proposta de corrigir a PLR dos dirigentes sindicais que recebem menos que seus pares com o mesmo cargo. São contemplados os dirigentes cedidos para as entidades que detinham cargo comissionado à época da cessão e a fórmula segue a regra do acordo dos demais funcionários. O BB era o único banco que pagava PLR menor para os dirigentes sindicais.


Fonte: Contraf-CUT