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30.1.26

História da PLR no Banco do Brasil



O foco dos sindicatos sempre foi evitar metas individuais na Participação nos Lucros e Resultados


História

Ao sistematizar centenas de textos em meu blog A Categoria Bancária, me deparei com um a respeito das negociações salariais da campanha da categoria do ano de 2012 que contém uma boa síntese da história da conquista do direito a receber Participação nos Lucros e Resultados no Banco do Brasil. Estive envolvido em boa parte dessas lutas, e sempre escrevi muito sobre a PLR do BB e da categoria.

Em resumo de um parágrafo, para apresentar o texto que reproduzo abaixo, só conquistamos a PLR no BB após a estratégia da campanha unificada entre bancos públicos e privados, na greve de 2003 no BB, que exigiu que o governo Lula cumprisse a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT da CUT) da categoria bancária, assinada com a Fenaban. Em 2012, quando fizemos a matéria abaixo, eu era o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, que assessorava o Comando Nacional nas negociações com os bancos.

Para produzir uma matéria como essa, a Comissão de Empresa e os sindicatos precisavam estudar muito a PLR e conversar muito com os trabalhadores e gestores das agências. Eu mesmo fiz dezenas de reuniões e conversas com colegas porque fazer trabalho de base era central para mim na representação política e sindical.

A luta continua sempre e os sindicatos seguem organizando os trabalhadores para manter e conquistar direitos em conjunturas e contextos sempre desafiadores como o atual neste ano de 2026.

Segue um pouco de história da categoria bancária, especialmente dos funcionários do Banco do Brasil.

William Mendes

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Fonte: Matéria publicada na Contraf-CUT e reproduzida no blog A Categoria Bancária em 23/08/12.


Funcionários do Banco do Brasil aguardam boa proposta de PLR

As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban estão em andamento. Os bancários aguardam propostas sobre todas as reivindicações apresentadas tanto na mesa geral da Fenaban quanto nas mesas específicas dos bancos públicos, inclusive sobre a regra geral de PLR.

Assim como ocorre desde a conquista desse direito pelos funcionários do Banco do Brasil na greve histórica de 2003, haverá provavelmente alguma proposta adicional à regra geral de PLR da categoria. A negociação visa ampliar o direito.

É importante esclarecer que nenhuma proposta na mesa da Fenaban reduz a PLR. Pelo contrário, ela pode aumentá-la. Foi assim quando a porcentagem do salário aumentou de 80% para 90% do paradigma ao ano.

Pelos resultados apresentados pelos maiores bancos do sistema financeiro, a proposta precisa ser boa porque, mesmo com abusivas provisões para devedores duvidosos (PDD), eles lucraram mais de R$ 25 bilhões no primeiro semestre deste ano.

E olha que o BB lucrou R$ 5,7 bilhões e provisionou R$ 6,93 bilhões para PDD. A provisão sofreu um acréscimo de 26,58% e a variação da inadimplência do banco foi de 0,1% (comparação com primeiro semestre de 2011), segundo cálculo do Dieese.

Os resultados estão aí e foram produzidos pelos bancários que merecem receber a sua parte.

PLR no BB: importante conquista da unidade da categoria

Quando se fala em conquistas oriundas da luta unitária de uma categoria profissional sempre é bom apresentar o histórico da distribuição da Participação nos Lucros e Resultados no Banco do Brasil. O banco só passou a ter PLR a partir da greve de 2003.

Histórico na categoria

A PLR foi conquistada pela categoria bancária no ano de 1995. O acordo foi assinado entre a então Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) e a Fenaban e valia para dezenas de bancos do país.

A conquista foi fruto da luta dos bancários e o modelo garantia uma distribuição de uma porcentagem do salário do trabalhador mais um valor fixo distribuído para todos sem vínculo com metas individuais.

Uma das principais características da regra geral da PLR da categoria sempre foi garantir que ninguém seja excluído do direito à participação.

Bancos públicos federais sem PLR até 2002

Antes da campanha unificada nos anos 2000, os bancos públicos federais não assinavam a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários e, com isso, os trabalhadores desses bancos não tinham alguns direitos da categoria como a PLR.

A greve de 2003 no BB e na Caixa foi histórica, pois a reivindicação dos bancários era pelo cumprimento da CCT da categoria e pela isonomia de direitos como reajustes salariais, Vale-Alimentação, Vale-Refeição, Auxílio-Creche/Babá (todos com valores menores que a CCT da época) e PLR assinada com os sindicatos, federações e CNB/CUT.

O BB, antes dessa conquista da campanha unificada, tinha um programa de resultados (PR) entre 1998 e 2002, que discriminava milhares de bancários, pois pagava valores irrisórios para as principais funções nas agências e até 54 vezes mais para os executivos do banco. Pelas regras do Dest - departamento que controla as empresas estatais -, o banco não pode distribuir mais que 6,25% do lucro entre os bancários.

Unidade com a categoria traz PLR ao BB

Com a greve de 2003, o governo federal foi obrigado a implantar a PLR no BB assinada com os sindicatos, federações e CNB/CUT na mesa da Fenaban. A conquista fez o banco passar a distribuir mais que 6,25% do resultado para atender às regras da convenção da categoria, que prevê uma porcentagem do salário mais um valor fixo distribuído a todos.

Os bancários perceberam a conquista já no primeiro pagamento da PLR em 2003, uma vez que, ao invés de receber uns R$ 400 e milhares de bancários não ganharem nada, todos receberam valores muito maiores.

O banco gasta, em geral, entre 10% e 12% na distribuição do lucro justamente para cumprir a regra conquistada na luta, com base no modelo da Fenaban. Os bancários não aceitam que o banco apague essa referência.

Avanços a partir de 2005

A partir de 2005, os funcionários do BB conquistaram na campanha unificada daquele ano um aditivo de 4% linear, além da regra geral da categoria, e as entidades sindicais passaram a negociar um acréscimo de módulo bônus atrelado ao resultado coletivo das dependências (ATB).

É importante deixar claro que os funcionários do BB não abrem mão da referência na regra da categoria na mesa da Fenaban, pois foi da luta da campanha unificada que garantiram o direito. E o modelo da Fenaban mais a distribuição linear de 4% não têm nenhuma vinculação com metas.

O módulo bônus, que foi negociado entre 2005 e 2011, sempre teve como referência o resultado coletivo das unidades e é importante salientar que, em geral, 95% das dependências cumpriam os 400 pontos do ATB.

Antigo Sinergia não impedia adicional de módulo bônus

O programa Sinergia foi criado em outubro de 2005, com a participação dos superintendentes, gerentes regionais, gerentes de mercado, administradores e aprovado pelo Conselho Diretor em dezembro de 2005. Uma das "premissas" era estabelecer objetivos de acordo com o ORC/ATB (Acordo de Trabalho), além de estimular o atingimento de resultados de todas as dependências do banco.

Um dos problemas do programa sempre foi a falta de um acordo efetivo de trabalho que verificasse a realidade de mercado de cada dependência, ou seja, tudo sempre foi imposto sem um acordo real e efetivo.

Foram traçados objetivos no programa, porém alguns deles nunca foram mensurados adequadamente, dentre eles, o de assegurar a adoção das melhores práticas bancárias e o de utilizar racionalmente os recursos disponíveis. Os únicos objetivos que foram perseguidos pela direção do BB foram os de alinhamento estratégico da "força de vendas" e o de melhorar os resultados para o banco. Na verdade, a obsessão do BB era ser o primeiro, manter a liderança e incrementar lucro. Sempre a qualquer custo.

Foram criadas quatro etapas: inicial, bronze, prata e ouro. E o Sinergia era igual ao ATB. A pontuação era dividida em Negócios (400 pontos) e Gestão (50 pontos), além dos bônus e dos indutores com pontuação móvel (no tempo do cumprimento e na quantidade de pontos) ao sabor de interesses pouco claros da diretoria do banco.

O que deveria ser "excepcional" para ajustar, incluir ou excluir indicadores, adequando o programa em função da dinâmica do mercado, possíveis alterações do cenário econômico e/ou outras necessidades detectadas, os diretores da DIRED, DIREV, DIMPE, DIREO e DIRCO, em decisão colegiada, passaram a usar como regra diária.

O aditivo da PLR não foi prejudicado em função do Sinergia porque todos os gestores e funcionários tinham uma noção de por onde caminhar mesmo com as metas impostas e abusivas. Os bônus e os indutores serviam para maquiar o resultado final do programa.

Com a manipulação das metas do ATB ao final de cada semestre, em torno de 95% das dependências recebiam a PLR integral e o restante das dependências poderiam fazer recursos ou recebiam uma proporcionalidade.

Novo Sinergia BB destrói regra de parcela adicional

A Contraf-CUT, fundada em 2006, ocupando o lugar da extinga CNB-CUT, as entidades filiadas e os funcionários do BB foram surpreendidos em 2012 com a mudança na gestão de metas do banco, que eliminou o ATB na rede de agências com a criação do Novo Sinergia BB.

Sob o comando do presidente do BB, Aldemir Bendine, e dos superintendentes nomeados pela diretoria, o programa foi piorado e rebatizado, estabelecendo metas individuais por carteira e enterrando de vez a solidariedade nos locais de trabalho.

As novas "premissas" englobam o foco na gestão das carteiras e nos grupos negociais, cuja importância foi ampliada, considerando atribuição de 70% do peso total para a formação da nota das agências. Além disso, o sistema de avaliação semestral tem intenção de fazer premiações periódicas e individualizadas.

Nada disso foi capaz de melhorar o desempenho porque as metas continuaram abusivas. Conforme sondagem das entidades sindicais, no primeiro semestre de avaliação de 2012 verificou-se que 50% das agências nem saiu da etapa inicial e menos de 20% atingiu a etapa ouro, demonstrando a distorção do modelo, e 90% das superintendências ficaram na etapa prata.

O movimento sindical chegou a alertar o banco em negociação nos primeiros meses do ano de que os funcionários estavam revoltados com o Novo Sinergia BB, que tem como foco metas individuais e ainda dificulta a gestão do resultado da agência pelos administradores.

O programa do banco alterou o parâmetro negociado desde 2005 com as entidades sindicais para a parcela adicional de módulo bônus e os representantes dos bancários tinham informado da dificuldade de qualquer negociação de metas individuais na regra de PLR dos funcionários do BB.

Compete agora ao BB fazer uma proposta que contemple as demandas dos bancários e corrija o problema que ele mesmo criou.


Fonte: Contraf-CUT com sindicatos e federações


24.3.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2007



RETROSPECTIVA 2007

O ano de 2007 foi o primeiro ano efetivo do blog sindical que criei em outubro de 2006 e ao longo dos meses fui desenvolvendo formas de prestar contas dos mandatos que exercia em nome de nossos colegas bancários, do nosso sindicato de base e da corrente política Articulação Sindical. A internet e as páginas pessoais eram uma novidade e as pessoas que queriam se comunicar estavam criando seus blogs.

Eu estava no segundo mandato sindical no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região (2005-08), havia pedido para deixar a função na Executiva do sindicato e com isso o nosso coletivo político, o Coletivo BB, me designou como representante paulista na Comissão de Empresa (CEBB) e fui destacado para ser o secretário de imprensa da nossa confederação criada em 2006, a Contraf-CUT.

Exerci as funções que me designaram da melhor forma possível e não abri mão de fazer trabalho de base. Isso fica evidente ao ler minha agenda pública do ano: falei com trabalhadores em praticamente todos os meses, de janeiro a dezembro.

O movimento sindical cutista estava numa luta grande para contratar mais trabalhadores nos bancos públicos e privados. Nossa pressão surtiu efeito nos governos do Partido dos Trabalhadores e após a década de desmonte dos bancos públicos por parte dos governos neoliberais tucanos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal e os demais bancos públicos federais contrataram novos concursados no lugar de terceirizados.

As contradições que o movimento sindical e o mundo do trabalho enfrentam num governo de esquerda são naturais. Vivenciamos isso. Ao mesmo tempo em que ampliamos em dezenas de milhares de trabalhadores concursados o saldo do número de funcionários do BB e empregados da Caixa, enfrentamos reestruturações nesses bancos para desligar trabalhadores mais antigos, terceirizar setores dos bancos etc.

As postagens demonstram que fui à posse dos novos bancários do BB o ano todo, para apresentar o movimento sindical e sindicalizar o(a) trabalhador(a) já no primeiro dia no BB. Tive a felicidade de sindicalizar centenas de colegas novos. Isso foi marcante em minha vida de dirigente. Enquanto fui representante sindical encontrei bancárias e bancários nos mais diversos locais do país que me diziam que foram sindicalizados por mim no primeiro dia de trabalho.

O ano de 2007 foi de muita luta e negociação com o patrão Banco do Brasil para resolver questões da nossa Caixa de Assistência à saúde, a Cassi. Nossa autogestão sofria constantemente com déficits característicos deste setor de saúde suplementar e o patrocinador BB era o principal responsável pelos déficits, além das questões de mercado, porque não cumpria o estatuto da Cassi e porque alterou as bases das receitas do Plano de Associados, a folha de pagamento dos funcionários congelada por anos. Ao alterar a perna de receita e não pagar o que devia, a Cassi passou a ter déficits cada vez maiores. Negociamos entre o final de 2005 e 2007 a reforma estatutária aprovada no segundo semestre do ano.

Os temas nos quais me envolvi no primeiro semestre foram Cassi, PLR do Banco do Brasil, Comissão de Conciliação Voluntário (CCP/CCV), e as reuniões executivas de nosso sindicato, da Fetec CUT SP e do secretariado da Contraf-CUT. Além, é claro, da secretaria de imprensa.

No segundo semestre, participei ativamente da organização da campanha salarial da categoria, inclusive me envolvi em debates internos durante a confecção da minuta dos bancários porque tinha divergências em relação às propostas de contratação da remuneração variável e fiz o debate fraterno dentro da corrente.

Em linhas gerais, ao reler e sistematizar as 226 postagens do blog, percebo claramente a intenção de estabelecer uma prestação de contas do que fazia, como atuava em nome dos trabalhadores e o que defendia como dirigente sindical. A prática foi melhorando a cada ano e de fato as publicações na internet sobre o exercício da representação política tiveram uma importância central em minha vida até o último mandato eletivo no qual representei milhares de pessoas.

Ao longo da história do blog A Categoria Bancária, utilizei a página até para salvar matérias de páginas de sindicatos e outras instituições de classe por saber que aquelas matérias iriam desaparecer assim que os sites das entidades fossem atualizados ou refeitos. O mais comum no mundo virtual é a mensagem “error” ao clicar em um link de uma matéria antiga. Nossa história vem sendo sistematicamente apagada! Uma tragédia isso.

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“Quem controla o passado, controla o futuro;

quem controla o presente, controla o passado.”

(George Orwell, em “1984”)

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Nós todos temos que salvar nossas histórias de lutas, pessoais e coletivas, do mundo do trabalho e da cultura em geral, de forma impressa e em mídias nossas. As big techs são nossas inimigas de classe e estão em uma guerra mundial de disputa de hegemonia. É muito sério o que George Orwell nos alerta no clássico distópico “1984”, de 1949, que virou realidade no século XXI.

William Mendes


6.3.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2020




RETROSPECTIVA 2020

O segundo ano trágico de governo Bolsonaro começou com a paralisação do mundo perante a maior pandemia mundial em mais de um século. A Covid-19 chegou ao Brasil nos primeiros meses do ano e o povo brasileiro sofreu as consequências de forma exponencial por causa de termos no país um governo negacionista em relação às medidas protetivas sugeridas pelos cientistas e especialistas no mundo todo.

O uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social eram medidas básicas para se evitar ou reduzir a contaminação das pessoas e o grande afluxo aos sistemas de saúde em todas as cidades do país. Apoio econômico e financeiro ao povo e às empresas também era uma necessidade básica para a manutenção das condições básicas de vida e cidadania. E, claro, vacinação em massa, pois a ciência já estudava a confecção de vacinas. O tirano era contrário a tudo isso.

O governo Bolsonaro era inimigo do povo e da classe trabalhadora e só tinha olhos e atenção para o empresariado, os militares e a elite do país, grupos que o mantinham no poder. As primeiras matérias do blog demonstram isso. Após uma quarentena que fiz depois do mandato eletivo na Cassi (jun/2014 a maio/2018), voltei a escrever no blog A Categoria Bancária em julho. Não fiz postagens em 2019.

O presidente da república Jair Bolsonaro vetou (ler aqui) uma conquista do movimento sindical e associativo dos trabalhadores negociada no Congresso Nacional: a ultratividade, ou seja, a manutenção de direitos em acordos e convenções coletivas enquanto patrões e empregados não concluíam as negociações salariais e de direitos. A categoria bancária, por exemplo, tem direitos conquistados há décadas, que poderiam ser perdidos caso não renovados até 31 de agosto, data-base da categoria.

As primeiras matérias no blog, postadas em julho, informam ainda outros esforços de nossas entidades de classe para garantir direitos aos trabalhadores e aposentados. Uma delas é a manutenção do convênio entre a Previ e o INSS para que nossos colegas seguissem recebendo a aposentadoria pública pela Previ. O governo Bolsonaro havia encerrado os convênios. Outra luta em desenvolvimento era a defesa da Caixa Federal, na mira da privatização do governo.

LUTA DE CLASSE

As outras postagens do mês de julho abordam as discussões da campanha salarial da categoria bancária, a vitória da Chapa 1 – Previ para o associado nas eleições do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e tem um artigo meu sobre a saúde dos trabalhadores (ver aqui).

No mês de agosto (de 2020), postei matérias antigas da confederação sobre as negociações com o banco público BB no ano de 2006 para registrar as contradições que existem nas lutas sindicais entre capital x trabalho, trabalhadores x governos. Existem pontos positivos e pontos negativos mesmo em governos simpáticos ao povo pobre e humilde como os do Partido dos Trabalhadores (Lula e Dilma). Claro que é pior negociar com governos de direita e ultradireita, mas é sempre duro defender direitos dos trabalhadores.

Vejam a questão da ultratividade, por exemplo, enquanto o direitista de merda Bolsonaro vetou (em 2020) a manutenção dos direitos de acordos coletivos após a data-base, os governos do PT renovaram a ultratividade em todos os anos cuja medida foi necessária.

CASSI

Por outro lado, qual o sentido de executivos do governo Lula fazerem o que os do Banco do Brasil fizeram conosco nas negociações sobre a Cassi em 2006? As propostas da direção do banco eram péssimas, eram mais que liberais e de direita, os caras no papel de negociadores queriam literalmente “economizar” para o banco às custas de milhares de trabalhadores, colegas deles.

A empresa não cumpria o Estatuto da Cassi desde 1998 e os caras ficaram o primeiro mandato do governo Lula fazendo cara de paisagem ao invés de regularizar o que estava errado. Só em 2005 a direção do BB aceitou negociar a Cassi por força de Acordo Coletivo em campanha salarial e foram 3 anos de insistência nas negociações para se regularizar a questão em 2007. Uma sacanagem!

O que estou afirmando é público, é história. No blog tem dezenas de matérias sobre esse período, matérias da confederação e dos sindicatos. Um exemplo de publicações da época pode ser lido aqui.

E mais, em 2014 e 2015, já estando na gestão da Cassi, os executivos do BB do governo do PT fizeram o mesmo que antes. Os colegas do banco defendiam teses contra os trabalhadores do BB por ideologia liberal, prejudicando os associados da Cassi às vezes igual ou pior do que fizeram os tucanos.

Um exemplo na Cassi: a forma de rateio do custeio por parte dos associados do Plano de Associados só competia a nós definir o modelo e não ao patrocinador. Ele tinha que pagar corretamente seu compromisso estatutário e só (4,5% sobre ativos pré e pós-1998 e aposentados). No entanto, aquela direção tinha uma fixação por quebrar a solidariedade do Plano e fez de tudo para conseguir seu objetivo. Liberais!

PLR NO BANCO DO BRASIL

Ainda em agosto, recuperei um artigo que fiz em 2006 contando a história da conquista da Participação nos Lucros e Resultados no Banco do Brasil e demais bancos públicos (ler aqui), conquista de 2003, enquanto na categoria a PLR é paga desde 1995. Em 2020 os banqueiros quiseram se aproveitar do regime bolsonarista para reduzir o direito.

CAMPANHAS SALARIAIS NO BB FORAM MELHORES COM LULA

Após a campanha salarial da categoria bancária em 2020, postei no blog um pequeno livro a respeito das campanhas da categoria bancária após a eleição de Lula em 2002. Estudei e compilei em março de 2009 as campanhas dos bancários, sobretudo no Banco do Brasil, entre os anos de 2003 e 2008. (ler aqui)

TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE-FIM DA CASSI

Fechei o ano de 2020 em dezembro com 4 textos sobre gestão em saúde. Além de abordar a questão do modelo de atenção primária baseado na medicina de família e comunidade, fiz artigos de opinião sobre a terceirização da atividade-fim de nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, a Cassi, que lançou naquele ano parcerias no mercado para fazer o que deveria ser feito por unidades próprias de atendimento em saúde, as nossas CliniCassi. Os 4 artigos podem ser lidos aqui.

É isso. Mais um caderno do blog concluído para meu centro de documentação (cedoc).

William Mendes

23.12.21

Memórias (XIV)

Momento de descanso do sindicalista
admirador de Che Guevara.

A importância do sentimento de pertencimento a determinadas comunidades e causas sociais


INTRODUÇÃO

Hoje é véspera da véspera de Natal do ano de 2021. O cidadão que escreve suas memórias aqui no blog A Categoria Bancária está retirado das lutas do movimento sindical bancário. Sou beneficiário de nossas caixas de previdência e de assistência à saúde, associações criadas por nós do Banco do Brasil lá no século passado. Pertencer a instituições criadas pela classe trabalhadora nos dá algum sentido de pertencimento num mundo onde impera o capitalismo e o individualismo.

Pertenço a uma certa comunidade humana. O custo disso é pesado, mas acho importante pertencer a alguma coisa. Sou participante de um fundo de pensão, de uma caixa de assistência, sou sindicalizado, sou associado a algumas associações da comunidade Banco do Brasil.

Estou revisitando minhas postagens do ano de 2007 neste blog sindical. 

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REESTRUTURAÇÃO NO BB, PLR COM PRÁTICA ANTISSINDICAL, REFORMA ESTATUTÁRIA DA CASSI E REMUNERAÇÃO VARIÁVEL QUE DISCORDEI

Aquele ano foi um ano de muitas lutas. Tivemos a reforma estatutária da Cassi, tivemos uma reestruturação ruim e danosa para os funcionários do BB feita pela direção do banco, tivemos uma proposta de remuneração variável pensada pelo movimento sindical para debater com os banqueiros que eu não concordei com ela e pedi licença à corrente política Articulação Sindical, a qual pertencia, para não votar a favor dela.

Tivemos em março de 2007 uma proposta de PLR sacana e antissindical por parte da direção do Banco do Brasil (acordo para pagar a 2ª parcela de 2006), feita para tirar alguns reais dos grevistas da campanha salarial e feita para criar um clima de punição aos lutadores e para quebrar a solidariedade no movimento de lutas. Falei sobre a questão aqui.

Os caras que bolaram a sacanagem eram naquele momento gestores do BB do governo Lula. Queriam interromper o ímpeto grevista da militância que vinha num crescendo desde a greve de 2003, primeiro ano de governo democrático e popular. Eles plantaram uma semente do individualismo e contribuíram para diminuir o espírito de solidariedade na categoria e no BB. Parabéns para eles!

No acordo coletivo de PLR da campanha salarial de 2007/08 (fechada em outubro de 2007) nós exigimos que o acordo de PLR fosse anual e não mais semestral, para evitar sacanagens como aquela que ocorreu em março para pagar a 2ª parcela do ano anterior. Ler aqui.

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CONQUISTA DA 13ª CESTA-ALIMENTAÇÃO

Um dos objetivos alcançados na campanha daquele ano de 2007 foi incorporar a 13ª cesta-alimentação à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Ler aqui.

HISTÓRIA - Nós (a Executiva Nacional dos Bancários) havíamos conseguido negociar com os banqueiros esse direito na campanha de 2004 e a 13ª cesta-alimentação seria incorporada à convenção. A proposta final dos banqueiros foi rejeitada pelas assembleias. A campanha teve um desenvolvimento complexo, uma longa greve de 30 dias e julgamentos no TST. Isso fez com que o direito não fosse mantido ao final da campanha de 2004. Só em 2007 implantamos esse direito.

Outra questão que avançamos na organização do movimento após a campanha de 2004 foi ampliar a Executiva Nacional para o Comando Nacional dos Bancários nos anos seguintes.

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2007 FOI UM ANO DE MUITA SINDICALIZAÇÃO, TRABALHO DE BASE E POLITIZAÇÃO DOS TRABALHADORES

Ao revisitar as 227 postagens que fiz no blog A Categoria Bancária naquele ano de lutas e representação sindical, avalio que a minha formação política teve como base a organização nos locais de trabalho (OLT), que se mostrou constante durante minha vida de bancário do Unibanco (1988-90) e do Banco do Brasil (1992-2019) - falei sobre isso aqui -, mesclada com o dia a dia da formação política que tinha na convivência com as companheiras e companheiros do movimento sindical.

Estamos na véspera de Natal e Ano Novo. Me lembrei que em todos os anos de minha representação sindical passava esses dias nos locais de trabalho do Banco do Brasil.

Em 2007, nos dias 26 e 27 de dezembro, lá estava eu conversando com meus colegas do BB nas agências e departamentos na região central de São Paulo, distribuindo materiais do Sindicato e da Contraf-CUT: agendas, Folha Bancária, revista O Espelho etc. (ver aqui)

O movimento sindical brigava com o governo e com a direção do banco o tempo todo para contratar mais funcionários. No banco público a contratação se dá por concurso. Felizmente, passei o ano todo de 2007 indo às posses de novos bancários e bancárias em São Paulo, às segundas-feiras. 

SINDICALIZAÇÃO - Além de apresentar o Sindicato e a história de lutas da categoria bancária e da classe trabalhadora, sindicalizei dezenas e dezenas de colegas em seus primeiros dias de trabalho no Banco do Brasil. Coisa boa de se lembrar!

Como disse no início desta postagem de memórias, pertencer a alguma coisa, um lugar, uma comunidade, é importante para dar sentidos à nossa natureza social. Não é fácil nos mantermos pertencentes às nossas associações hoje em dia, juro que não é. Mas é importante sermos sindicalizados e associados a nossas entidades de classe.

É isso. Fim de mais uma postagem de memórias sindicais e de lutas. Terminei a revisita a 2007. Agora vou revisitar o ano de 2008 em meu blog.

William


Clique aqui para ler a postagem seguinte, Memórias (XV).

Para ler o texto anterior, o Memórias (XIII), clique aqui.


6.12.21

Memórias (XII)



Histórias sobre a PLR no Banco do Brasil: onde há remuneração variável, há disputa de classes, ou seja, o patrão vai jogar trabalhador(a) contra trabalhador(a)


Estou escrevendo um pouco a respeito das lutas do movimento sindical bancário, mais especificamente do período no qual fiz parte dele como dirigente e representante d@s trabalhadores: de 2002 a 2018. 

A minha fonte principal de consultas e fio condutor das memórias são as minhas postagens no blog A Categoria Bancária - e sites sindicais subsidiariamente - porque o blog se tornou uma ferramenta de trabalho na comunicação com a categoria e com as entidades e lideranças sindicais e vejo no blog uma fonte interessante de registros de uma época.

INTRODUÇÃO

Dia desses escrevi memórias sobre o mês de março de 2007 (ler aqui) e o tema mais destacado naquele mês foi o embate entre nós do movimento sindical e a direção do Banco do Brasil. Alguns caras da direção decidiram prejudicar os bancários e bancárias que participaram da greve da campanha nacional da categoria em 2006, momento em que definimos os acordos coletivos e a convenção da categoria.

São muitas as formas dos representantes do capital para prejudicarem a classe trabalhadora. Não falta imaginação na hora de pensar sacanagens para vender caro direitos conquistados na luta organizada. A cada campanha salarial, a cada data-base e greve dos anos dois mil, alguns dos negociadores da parte do BB, que representavam o governo do PT, tiravam da cartola uma proposta marota, que tinha algum tipo de casca de banana para atingir algum segmento do movimento.

ATENÇÃO: durante os governos Lula e Dilma, tivemos muita gente boa nas áreas de gestão de pessoas e negociações com entidades representativas. Os avanços nos direitos contaram com a contribuição de muita gente dentro dessas áreas. Mas, às vezes, tinha uns caras difíceis como, por exemplo, quando fui coordenador da Comissão de Empresa: tivemos dois diretores do banco que ficaram marcados por quererem ser mais realistas que o rei. O movimento sindical da época com certeza sabe quem são esses caras. Faz parte...

Digo isso por conhecimento prático e isso não quer dizer que eu não tenha noção clara de que é muito melhor negociar com governos progressistas e democráticos como foram os governos de Lula e Dilma, que apesar de terem sido governos de composição com forças conservadoras (a tal governabilidade), foram governos melhores para a classe trabalhadora que todos os outros na história do país, na minha opinião. 

Vai tentar negociar com o PSDB ou com esses governos de ultradireita e fascistas como os dois após o golpe de 2016 - Temer e Bolsonaro. Tenta negociar com essa gente!

Enfim, o tema agora é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no Banco do Brasil.

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PLR NOS BANCOS FEDERAIS, CONQUISTA DA UNIDADE

Como no blog tem muitos textos sobre a história da conquista da PLR no BB e bancos federais, não vou me alongar em detalhes (o essencial já será textão). Para ler alguns textos a respeito basta clicar aqui e ver as postagens do embate entre nós e o BB na 1ª quinzena de março de 2007. Em linhas gerais, é o seguinte a história da PLR:

CUT E FENABAN ACORDAM PLR EM 1995 - Os bancários brasileiros de bancos signatários da Convenção Coletiva negociada e assinada entre a Fenaban e a CNB/CUT conquistaram em 1995 a PLR com regras que garantiam a remuneração para todos os bancári@s, independente de qualquer questão pessoal como alguma ausência no semestre de referência, resultado na dependência de trabalho, não cumprimento de meta etc. O banco deu lucro, todos recebiam PLR baseada em valores mínimos estabelecidos no Acordo Coletivo de PLR. Recebiam essa remuneração variável trabalhadores de bancos privados e de bancos estaduais e regionais que assinavam com a CUT o acordo.

BANCOS FEDERAIS NÃO PAGARAM A PLR DA CATEGORIA ENTRE 1995 E 2002 - Os trabalhadores de bancos públicos federais não recebiam PLR acordada entre a CUT e a Fenaban porque o governo de plantão se aproveitava de diversos subterfúgios para não pagar a remuneração aos bancários. Ficaram sem PLR assinada com a CUT entre 1995 e 2002 bancári@s do BB, Caixa Federal, BNB, BASA, BNDES. Durante o governo FHC, o BB criou um programa provisório monstrengo para pagar uma grana para certos segmentos preferenciais definidos pela direção do banco. A base da pirâmide recebia alguns reais, uns trocados, e o topo da pirâmide recebia valores dezenas de vezes maiores. Por 9 semestres os bancários da base da pirâmide recebiam uns 200 reais ou pouco mais e a direção do banco recebia dezenas de milhares de reais. Milhares de funcionários da base não recebiam nada por motivos estapafúrdios: uma ausência, a agência foi assaltada e não teve resultado positivo etc.

SOMOS BANCÁRIOS, QUEREMOS OS DIREITOS DOS BANCÁRIOS - Já no final dos anos noventa, os congressos de trabalhadores dos bancos públicos federais debatiam a importância da unidade geral da categoria bancária. Com o início do governo Lula, vimos uma oportunidade de realizar esse objetivo antigo da categoria, uma mesa única e uma convenção coletiva que abrangesse trabalhadores de bancos públicos e privados. Deu trabalho, mas conseguimos a unidade.

Em 2003, BB e Caixa Federal são forçados a negociar com os trabalhadores alguma forma de PLR porque as greves daquele ano foram fortes e a saída exigiu o atendimento de questões específicas, além do cumprimento das conquistas da categoria assinadas com a Fenaban. No BB, foi a nossa 1ª PLR com regras gerais, sem excluir nenhum(a) bancário(a) por motivos esdrúxulos. 

(ALIÁS, o movimento sindical e o governo Lula CORRIGIRAM a injustiça feita aos bancários que não receberam aqueles valores de "PLR" provisória da era tucana. Negociamos com o governo Lula o pagamento retroativo para todos que não receberam a remuneração naqueles 9 semestres.)

PLR NO BB AVANÇA COM PAGTO LINEAR DE PARTE DO VALOR - Depois da conquista da PLR com regras gerais em 2003, veio a conquista do módulo de distribuição linear de parte do lucro, 4% no BB. Regra que a categoria vinha discutindo em seus fóruns para ampliar o valor da distribuição de lucros e resultados. 

Como se sabe, negociação pressupõe conciliar interesses de ambas as partes (com ou sem "pegadinhas" ou sacanagens). No BB, a direção queria contratar algum tipo de remuneração por resultados locais, para estimular o cumprimento de metas, óbvio, e premiar as funções do topo da pirâmide funcional. Em 2005, já contratávamos com o BB regras gerais de distribuição de PLR, definidas por nós no ACT, sem excluir ninguém, e o banco se utilizava dos benefícios da lei de PLR para o seu módulo bônus, com valores determinados por ele. Mesmo assim, nós negociávamos as linhas gerais, valores mínimos etc. Nosso foco sempre foi contratar benefícios para os trabalhadores em geral.

Antes, ainda em 2003, para o BB acordar conosco as regras gerais semelhantes à do Acordo Coletivo CNB/CUT e FENABAN (adaptadas ao BB) foi preciso autorização de órgãos do governo para que o BB distribuísse aos funcionários mais que 6,25% do resultado porque as regras gerais da PLR da categoria faziam com que os bancos federais gastassem mais que os grandes bancos privados (porque tinham mais funcionários, porque o lucro era diferente etc).

Amig@s leitores, essa descrição acima é um resumão feito de memória, pois vivi intensamente cada negociação de PLR entre 2003 e 2013, como uma das lideranças dos funcionários do BB. São tantas, mas tantas histórias a cada ano que iríamos longe aqui.

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A PLR DE 2006/2007 E A PRÁTICA ANTISSINDICAL POR PARTE DA DIREÇÃO DO BB: QUEBRA DA SOLIDARIEDADE E VITÓRIA DO INDIVIDUALISMO

As negociações sobre distribuição de lucros e resultados entre nós representantes dos trabalhadores e a direção do Banco do Brasil e dos banqueiros em geral sempre foram balizadas por algumas lógicas ou princípios gerais. 

Os representantes do capital querem puxar a sardinha pro lado de seus "capatazes", ideólogos do patronato e líderes na gestão dos modelos de remuneração e nós queremos regras sempre mais gerais, que beneficiem todos que produziram aqueles resultados astronômicos dos bancos, e se tiver que escolher segmentos da pirâmide por causa do valor que os bancos apartaram para distribuir (cobertor curto), vamos priorizar a base da pirâmide, porque ao longo do ano cada pessoa já recebeu uma remuneração de acordo com a função desempenhada na empresa. Isso em linhas gerais, logicamente.

Nos congressos de trabalhadores, via de regra, definimos propostas de PLR que simplifiquem a distribuição para todos como, por exemplo, "n" salários + valores em reais, sem definir tetos gastos pelos bancos. As regras contratadas no final das negociações são as possíveis, num movimento estica e puxa entre nós e os banqueiros. Quanto maiores os valores fixos em reais, melhor para a base da pirâmide. Se não estipular alguma regra em relação à quantidade de salários, o montante do programa pode favorecer o topo da pirâmide em relação à base.

A PLR do BB vinha sendo uma referência para a categoria desde que inovamos em mesclar uma parte linear (4%) + um valor fixo em reais + uma porcentagem da remuneração da função (45% do Valor de Referência, VR, sendo a ref. E6 para escriturários e caixas). Essas eram as regras gerais, que não excluíam nenhuma pessoa, como conquistamos em 2003, as bases da PLR da categoria. Ainda negociávamos um módulo baseado em resultados, o módulo bônus, mas todos estavam garantidos na regra geral.

SUBSTITUIÇÃO DE FUNÇÃO - Uma das práticas mais comuns no dia a dia dos 100 mil funcionários do BB era a substituição de função nos locais de trabalho. A prática era importante tanto para a empresa quanto para os trabalhadores. Ausências por férias, aposentadorias, licenças diversas, cursos de formação eram comuns nas dependências e as substituições de funções por outros trabalhadores tanto supriam as necessidades da empresa quanto eram oportunidades de treinamento para os bancári@s e uma remuneração maior no final do mês. 

O fato concreto é que boa parte dos funcionários substituíam, às vezes, o semestre inteiro em algumas funções como, por exemplo, caixas, assistentes, analistas, gerências médias e até gerências gerais. 

PRÁTICA ANTISSINDICAL - A direção do BB, para acordar o pagamento da 2ª parcela da PLR, relativa ao 2º semestre de 2006, decidiu usar o programa para tentar refrear o impulso de luta do funcionalismo que vinha num crescendo desde 2003 e nas negociações para fechar a parcela a ser paga em março de 2007 decidiu agir de forma antissindical e com assédio moral institucional. 

A direção do BB propôs pagar o valor da PLR SEM CONSIDERAR A SUBSTITUIÇÃO NO SEMESTRE INTEIRO por causa de alguns dias de greve da data-base da categoria, dias de greve que aliás eram compensados até data definida em acordo coletivo. Ou seja, nenhuma justificativa para prejudicar os substitutos.

Durante duas semanas de negociações com as entidades sindicais, os "colegas" da direção do BB, funcionários de carreira da empresa, não abriram mão de penalizar os substitutos que fizeram greve e apostaram que as maiorias aprovariam isso nas assembleias, pensando em si mesmas. A Contraf-CUT e as lideranças sindicais indicaram a rejeição da proposta para que pudéssemos reverter essa sacanagem por parte da direção do BB, mas a proposta foi aprovada.

Como disse acima, ao ler os registros no blog no mês de março, ler em ordem cronológica é melhor, é possível ver o embate que fizemos com a direção do banco e nossa postura nas assembleias defendendo a solidariedade entre os colegas e dizendo "não" ao individualismo.

Ao longo dos anos, foram várias as artimanhas da direção do BB para nos dividir, como se o BB fosse um banco privado, gerido pela banca. São as contradições do mundo capitalista.

O texto foi longo, deu trabalho para fazer, mas entendo que é importante resgatar a história de luta dessa categoria tão aguerrida e que tanto contribuiu para as conquistas da classe trabalhadora brasileira.

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Tenho outras histórias para contar e relembrar sobre PLR como, por exemplo, a PLR dos colegas do Banco do Brasil cedidos para trabalhar na nossa Caixa de Assistência, a CASSI. Quando cheguei lá na autogestão como diretor de saúde eleito pelos trabalhadores (2014), o programa de PLR dos bancários do BB era bancado pela associação em saúde e não pelo banco e fiz uma luta pesada para corrigir isso. A insistência me custou muito caro (dezenas de milhares de reais... rsrs), mas fiz o que tinha que ser feito por um princípio ideológico: nunca recebi um centavo de PLR da Cassi. A luta que empreendi gerou (e gera) uma economia de milhões de reais para a Cassi. Muita gente que estava lá na gestão sabe disso. Qualquer hora eu conto essa história pra vocês.

William


Para ler o texto seguinte, o Memórias (XIII), clique aqui.

E aqui para ler o texto anterior.


14.11.21

Memórias (VI)



Memórias das lutas sindicais em março de 2007

Olhar as postagens do blog sindical A Categoria Bancária é olhar os registros que fiz como dirigente nacional dos trabalhadores do ramo financeiro. Ao criar o blog eu tinha a intenção de me aproximar tanto das entidades sindicais e seus dirigentes quanto das pessoas que representávamos com mandatos eletivos. 

Em março daquele ano fiz 22 postagens e nelas é possível ver que o movimento sindical bancário ao qual fiz parte era relativamente bem-organizado. Percebe-se que nós nos organizávamos e tínhamos algum tipo de planejamento e estratégias definidas. 

Eu me reunia periodicamente com o coletivo de diretores do BB no Sindicato (Coletivo BB); nos reuníamos também no secretariado da Contraf-CUT para organizar o dia a dia da confederação. Tivemos reunião da comissão de empregados do BB, que antecedeu negociação sobre a PLR dos bancários. E eu fazia reuniões com bancários na base. Fiz isso enquanto fui dirigente. E também fiz reunião de sindicalização com novos funcionários do BB.

Vejam aqui as postagens do mês de março de 2007 no blog. Elas estão em ordem cronológica inversa, do último dia do mês para o primeiro.

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PLR 2007 - DIREÇÃO DO BB TENTA PERSEGUIR GREVISTAS

HISTÓRIA DA PLR NOS FEDERAIS - A história da conquista da Participação nos Lucros e Resultados no BB e demais bancos públicos federais é uma história de luta muito bonita e não pode ser esquecida pelos trabalhadores e seus dirigentes sindicais.

Os bancários do setor privado e dos bancos públicos estaduais e regionais que assinavam e cumpriam a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada entre a federação dos bancos (Fenaban) e os sindicatos e federações da CUT (CNB) desde 1992, conquistaram o direito a receber a PLR com regras gerais desde a campanha salarial de 1995. Foi uma grande conquista dos anos noventa.

Os bancários dos bancos públicos federais não recebiam PLR por alguns motivos. Os governos de plantão se aproveitavam do fato de a campanha de data-base dos bancários não ser unificada entre públicos e privados e com isso os trabalhadores se enfraqueciam em suas lutas. Além disso, havia uma legislação que só permitia a distribuição de 6,25% do resultado em empresas S/A como o BB.

Banco do Brasil, Caixa Federal, BNB, BASA, BNDES quando conseguiam algum acordo negociado com os governos assinavam ACT (acordos por banco), e nem sempre isso ocorria porque o governo se utilizava dos tribunais de justiça do trabalho para impor acordos rebaixados ou a Contec, mesmo em bases cutistas. Os tais "dissídios coletivos no TST". Os bancários de bancos federais ficaram sem PLR entre 1995 e 2002.

Só após a eleição de Lula em 2002 e posse em 2003 é que se abriu uma possibilidade de campanha unificada dos bancários em geral. Mas a unidade era uma decisão dos trabalhadores em seus congressos e encontros. Após unificar a categoria, a luta foi para o governo aceitar uma mesa de bancos públicos e privados. Eu tive a honra e o privilégio de ajudar a construir toda essa história.

GREVE 2003 - A PLR NO BB só veio após uma greve de 3 dias na campanha salarial de 2003. O governo Lula não quis cumprir as conquistas dos bancários da data-base de setembro, negociadas entre a CNB/CUT e a Fenaban. O mesmo se deu em relação à Caixa Federal. Resultado: os bancários do BB e da Caixa fizeram uma greve muito forte e para sair da greve os sindicatos conseguiram diversos direitos em nova mesa de negociação para fechar a campanha de 2003.

Os sindicatos haviam defendido a proposta negociada com a direção do BB (um erro de leitura das direções sindicais) e os bancários democraticamente disseram não a ela e só após a greve é que nova proposta incluiu diversos direitos, entre eles uma PLR nos moldes do modelo Fenaban, sem discriminar ninguém.

Depois disso, nós fomos melhorando a PLR nos bancos públicos, ano a ano. Veio no BB a parcela linear de 4%. Depois veio o modelo específico na Caixa. Enfim, foi a nossa PLR melhorada em 2006 que a direção do BB tentou piorar em 2007.

Faço esse histórico porque tenho ele de memória. É isso. Ver aqui um informativo que fizemos na Contraf-CUT sobre a negociação da PLR no começo de 2007. Era uma questão ideológica que estava em discussão. A direção do banco queria penalizar os grevistas diminuindo o valor que eles receberiam em relação aos colegas.

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PROPOSTA DA CASSI EM 2007

Em uma postagem do dia 23 de março de 2007, reproduzi no blog um artigo de uma das lideranças que participou das negociações sobre a Cassi. Eu não consegui a informação sobre o autor do artigo, sei que ele foi publicado na AAFBB e traz um resumo bem interessante do que foram as negociações entre nós e o banco/governo por quase dois anos.

Vale a pena ler o artigo porque ele segue atual em relação às bases das discussões sobre a Cassi, o Plano de Associados, os direitos dos associados e a questão dos déficits recorrentes ao longo do tempo, bem como o novo modelo assistencial pós estatuto de 1996, que previu implantar um sistema preventivo e de cuidados dos participantes com uma estrutura própria de Atenção Primária e Estratégia de Saúde da Família (ESF), através das CliniCassi.

É isso. Ver o artigo e a postagem aqui.

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Encerro as memórias de hoje. 

Muitas foram as lutas, as conquistas e os embates com o patronato, independente do governo. Evidente que governos mais identificados com a classe trabalhadora como os governos do Partido dos Trabalhadores facilitam os caminhos a serem trilhados por nós, a classe trabalhadora.

Aqui neste blog há muita história, isso eu posso dizer a vocês.

William


Post Scriptum: após fazer essa postagem relembrando o embate entre a direção do BB e nós a respeito da PLR daquele período, o 2º semestre de 2006, fui reler diversas matérias da época e inclusive coloquei várias delas nas postagens de março como "post scriptum", porque são história pura de luta de classes. 

Vou fazer outra postagem de memórias a respeito dessa luta sobre a PLR no BB. A direção do banco saiu vitoriosa em sua prática de assédio moral e prática antissindical e manteve até o fim sua sacanagem de discriminar os grevistas. Apostou em dividir os trabalhadores e ganhou, venceu o individualismo e perdeu a solidariedade. Mesmo a Contraf-CUT e sindicatos indicando rejeição nas assembleias, os bancári@s aprovaram a proposta.

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Para ler a postagem seguinte, Memórias (VII), clique aqui.

E para ler a anterior, a V, clique aqui.


4.9.20

Campanha dos Bancários 2020 - Acordos assinados



Registro no blog que a Campanha Nacional dos Bancários foi finalizada nesta sexta-feira 4 com a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários e os Acordos Coletivos aditivos por banco e ou por temas.

O cenário em que se deu essa campanha de renovação dos direitos coletivos da categoria foi bastante complexo. Além do país estar vivendo um período de exceção desde o golpe de Estado em 2016, e com isso as instituições do Estado não funcionam mais e a cidadania está largada à sua própria sorte (ou azar), tivemos neste ano por causa da pandemia mundial de Covid-19 a exacerbação da crise política, econômica e social que já vivíamos da era Temer e Bolsonaro .

No início da campanha de renovação da data-base da categoria, expliquei em postagem que havia uma ameaça aos direitos históricos dos trabalhadores do setor financeiro porque sem a ultratividade (manutenção dos direitos da CCT até renovação de novo acordo), perdida com a reforma trabalhista realizada pelo congresso golpista e o governo de exceção, os bancários poderiam perder vários direitos conquistados há décadas.

A campanha começou com os banqueiros e governo propondo a redução de diversos direitos coletivos como a 13ª cesta-alimentação, a redução substancial do valor de PLR a ser distribuído, e reduções de direitos nos acordos dos bancos públicos também. Ao final, os direitos foram praticamente mantidos, havendo uma redução de direito na questão do abono de 5 dias dos bancários do BB, que não poderão mais ser cumulativos nem convertidos em espécie como antes. Não sei os detalhes do acordo dos colegas da Caixa Federal. 

Os banqueiros, gente que não vou nem nominar o que penso a respeito desses sujeitos, não deram sequer a reposição da inflação oficial da data-base dos bancários. Depois de lucrarem quase 30 bilhões no primeiro semestre, enquanto a sociedade brasileira quebrou, eles conseguiram impor sua estratégia de dar abono salarial. Deram 2 mil de abono e reajuste de 1,5% para uma inflação estimada de 2,74% (INPC). Para o ano seguinte, os bancários tiveram garantida a inflação e mais 0,5% de aumento real.

A correlação de forças no embate entre capital e trabalho está favorável aos banqueiros, um dos segmentos que patrocinou o golpe de Estado, e aos representantes da casa-grande e demais lixos da extrema-direita. 

Contudo, avalio que renovar os direitos coletivos por 2 anos é algo importante para a categoria. O cenário do país é de destruição total de tudo. Os trabalhadores e os pobres estão pagando por se deixarem enganar e se aliarem aos seus algozes. Voto e burrice têm consequência e preço, e apoiarem o golpe e todo lixo de direita custou caro para o país e o povão, que precisa do suporte do Estado para o exercício de sua cidadania!

Segue abaixo partes de uma matéria da Contraf-CUT que resume os principais pontos da campanha neste ano, principalmente no que diz respeito ao BB, banco ao qual dediquei a maior parte de minha vida profissional.

William Mendes

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(reprodução de parte de matéria da Contraf-CUT)



Resumo das negociações com o Banco do Brasil

Reajuste: conforme negociado na mesa única da Fenaban


Proposta inicial: reajuste ZERO.

Proposta final: 2020: Reajuste de 1,5% para salários + abono de R$ 2 mil para todos. Garante em 12 meses valores acima do que seria obtido apenas com a aplicação do INPC para salários até R$ 11.202,80, o que representa 79,1% do total de bancários (isso já considerando o pagamento de 13°, férias e FGTS). INPC sobre VR, VA, valores fixos e tetos da PLR.

2021: Reposição da inflação + 0,5% de aumento real para salários e demais verbas, como VA, VR e auxílio-creche.

Todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e do Acordo Coletivo de Trabalho foram mantidos.

PLR


Proposta inicial: Redução da distribuição do lucro líquido (parcela linear) para 2%.


Após negociação: Mantida PLR como está no acordo atual (4% lucro líquido mais 45% do salário, mais módulo variável determinado pelo Banco do Brasil por semestre).

GDP

Proposta inicial: 1 ciclo avaliatório para descomissionamento.


Após negociação: Mantidas as três avaliações negativas para descomissionamento por desempenho (3 GDPs).

Intervalo intrajornada


Proposta inicial: 15 a 30 minutos com registro para todos os funcionários de seis horas.


Após negociação: Até uma hora com registro apenas para quem fizer opção.

Faltas abonadas


Proposta inicial: 2020 e 2021 – cinco faltas não conversíveis e não acumuláveis.

Após negociação: Regra de transição, com conversão em pecúnia do saldo de abonos adquiridos até primeiro de setembro de 2020. Os adquiridos a partir de primeiro de setembro de 2021 terão que ser usufruídos até agosto de 2022, inclusive nas férias, mas sem conversão em pecúnia ou acumulação. Os abonos já adquiridos e acumulados permanecem com as regras anteriores.

Folga Justiça Eleitoral


Proposta inicial: 60 dias para gozar a folga.

Após negociação: 180 dias para gozar a folga.

Prazo para realização de perícia psicológica


Proposta inicial: 12 meses.


Após negociação: Manutenção de 18 meses.

Horário de repouso


Proposta inicial: Apenas para atividades repetitivas.


Após negociação: Manutenção de atendentes de Sala de Autoatendimento.

Outros pontos negociados


Mesa sobre bancos incorporados a ser conduzida e iniciada a partir de outubro, com apresentação de pautas em setembro/2020


Mesa permanente sobre Teletrabalho e Escritórios Digitais

Mesa permanente sobre Saúde e Segurança

Fonte: Contraf-CUT

28.8.20

Campanha Nacional dos Bancários (V)




Estamos no ano de 2020 e a categoria bancária mais uma vez está em luta pela renovação de seus direitos coletivos. Este blog registrou a história dessa categoria ao longo de muitos anos, pois fui dirigente nacional dos bancários, eleito pelos trabalhadores para 4 mandatos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e 3 mandatos na Contraf-CUT.

A história de luta dos bancários brasileiros é belíssima e uma das mais importantes desta categoria profissional no mundo capitalista porque em nosso país o segmento sempre teve grande quantidade de empregados e conquistou direitos sociais que foram estendidos para outras categoriais profissionais.

O maior banco público do país, o Banco do Brasil, foi criado em 1808 e resistiu aos ataques de diversos governos ao longo da história do Brasil. Tive o privilégio de passar a maior parte de minha vida trabalhando para o povo brasileiro no Banco do Brasil. Na ativa, vivi sob a direção dos governos de Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma e Temer. Hoje, o país vive um de seus piores cenários da história, sob um governo inominável.

Enfim, as negociações entre bancários e banqueiros se dá num cenário bastante complicado, porque além da destruição econômica, política e social que o país já vivia após o golpe de Estado em 2016, sob o governo Temer, que impôs reformas trágicas para a classe trabalhadora, o país viria a ser capturado em 2018, por fraudes diversas nas eleições, por hordas de canalhas e todo tipo de criminoso que se possa imaginar.

Os bancários brasileiros sofrem ameaças sérias de redução de emprego, direitos, privatização dos bancos públicos e, para piorar o cenário, ainda viria a pandemia mundial do novo coronavírus em 2020, com a mudança radical na vida das pessoas mundo afora.

Os banqueiros seguiram na boa. O lucro dos poucos bancos brasileiros é tão grande que nada na economia se compara ao setor. O país está quebrado, mas os donos dos bancos e os próprios bancos estão em outro plano existencial. Em 2019, só os 4 maiores bancos tiveram lucro de mais de 80 bilhões e neste primeiro semestre tiveram lucro de quase 30 bilhões.

E mesmo assim, os caras não querem atender às reivindicações dos bancários, que estão na linha de frente, atendendo a população e os clientes, se expondo ao risco de morte por coronavírus e adoecidos por metas fora da realidade.

Nas primeiras rodadas, os banqueiros propuseram diversas reduções de direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), redução na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e redução em direitos como 13ª cesta-alimentação, folgas e abonos, redução nos salários, já que não querem sequer repor a inflação do período. O que se poderia dizer desses caras donos de bancos?

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As negociações seguem no dia de hoje. Os banqueiros voltaram atrás em algumas cretinices, e neste momento em que escrevo esta postagem, 16h25 desta sexta-feira, os sindicatos informam que os banqueiros propuseram reajuste salarial de 1,5% mais abono de 2 mil reais. Propuseram o índice cheio da inflação estimada (2,74%) para as demais verbas como, por exemplo, cesta-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche. Decidiram manter as regras da PLR de anos anteriores. Ainda estão em negociação as mesas com BB e Caixa Federal.
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Hoje é Dia dos Bancários, 28 de agosto, e afirmo a vocês: essa categoria tem história de lutas, muita história de lutas. Eu mesmo vivi e participei das campanhas salariais da categoria por três décadas. Também é o dia de criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ajudei a construir a história dessa entidade por muito tempo, como dirigente dos bancários brasileiros.

Parabéns aos bancários! Desejo que tudo corra da melhor forma possível nesta campanha salarial em andamento.

William Mendes

20.8.20

História da PLR no BB - Notícias da Contraf (set/2006)


Comentário e apresentação do texto:

Os bancários brasileiros estão em campanha salarial neste ano dramático de pandemia e bolsonarismo. Estamos há 5 anos vivendo sob regime de exceção, desde o golpe de Estado de 2016.

Nas mesas de negociação entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários os principais bancos estão propondo reduções diversas de direitos históricos da categoria. Querem reduzir drasticamente a PLR dos trabalhadores, apesar de ser praticamente um dos únicos setores cujo lucro segue absurdo mesmo em tempos de crise econômica pela pandemia mundial.

Reproduzo abaixo um texto de minha autoria, publicado na Confederação no ano de 2006. Fui dirigente nacional dos bancários entre 2002 e 2015 e tive a oportunidade de conhecer bastante diversas questões de nossa categoria, uma categoria de lutas e conquistas históricas.

William Mendes

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(reprodução de matéria da Contraf-CUT)



ARTIGO: Para entender a PLR do BB

22 de setembro de 2006 - 15:37 - Banco do Brasil


Por William Mendes*

Nestes tempos de negociações entre nós bancários e eles banqueiros, é recorrente os correios eletrônicos dos trabalhadores com dúvidas acerca da PLR conquistada por nós desde 1995 e que, ano a ano, procuramos melhorá-la para aqueles que, efetivamente, geram os lucros recordes seguidos dos bancos: seus funcionários.

A Contraf-CUT publicou um artigo de Vagner Freitas, seu presidente, “Bancos podem e devem pagar PLR maior, mas só greve irá convencê-los”, chamando aos bancários para a mobilização para que todos tenham uma PLR melhor.
Como negociador da Contraf-CUT junto ao Banco do Brasil, sempre tiro dúvidas dos colegas acerca desta conquista recente para os bancários deste banco, pois antes da greve histórica de 2003, não tínhamos PLR.

HISTÓRICO NO BB

Desde o final da década de 90, os funcionários do BB trabalhavam no intuito de serem reconhecidos como bancários e terem os direitos que a CCT (Convenção Coletiva Nacional) proporcionava aos trabalhadores em todo o país. Era o debate da unidade da categoria. Naquele período, os funcionários dos bancos públicos sofriam um ataque violento da política neoliberal dos tucanos.

Foram anos de PDV (plano de demissão voluntária), demissões e perseguições que eliminaram 50 mil postos de trabalho; julgamentos no TST impetrados pela famigerada Contec, que levaram os colegas do BB ao congelamento de salários (os juízes concordavam com a tese neoliberal do “custo vegetativo” das folhas de pagamento dos bancos públicos – diziam pôr em risco o “plano real”). Julgamentos que também levaram à perda do PCS que tínhamos até 1996 e do anuênio em 1999.

Até 2002, o banco havia feito um “monstrengo” de programa de distribuição de lucros unilateral, sem acordo com a CNB/CUT e, por 9 semestres, pagou valores que variavam de alguns reais para o povão e 100 vezes mais para os executivos (de R$ 180 para escriturários a R$ 20.000 para os executivos). É importante lembrar também que milhares de colegas não recebiam nada por diversos motivos: fazer greve, ficar doente e faltar, não cumprir as famigeradas metas na dependência, etc.

GREVE DE 2003: BANCÁRIOS DO BB CONQUISTAM PARÂMETROS DA CCT

A partir da unidade com a categoria, deixamos de sofrer sozinhos os ataques de qualquer governo de plantão.

Em 2003, conquistamos os tíquetes, vale-alimentação e auxílio-creche da categoria (que eram menores no BB). Passamos a ter reajuste sobre todas as verbas como os bancários em geral, ou seja, acabou o congelamento e a correção somente no VP (vencimento-padrão), que levava ao reajuste zero para todos os comissionados. E conquistamos a sonhada PLR nos moldes da Fenaban, que garantia o pagamento a todos os bancários sem discriminar quem faltasse, não cumprisse metas ou qualquer outro motivo.

A PLR NO BB E NOS BANCOS PRIVADOS

Alguns colegas não entenderam porque o presidente da Contraf-CUT diz em seu artigo que, em 2005, o valor de distribuição para os escriturários do BB chegou a 3,5 vezes o salário.

O que ocorre é que muitos colegas não têm clara a diferença que existe na forma de pagamento da PLR para o BB e para os bancos privados.

Vamos a ela:

Nos bancos privados, a primeira parcela é adiantada no fechamento da campanha salarial, ou seja, pegando o exemplo dos valores de 2005 de R$ 800 mais 80% do salário, em meados de outubro os bancários receberam cerca de R$ 400 fixos (metade do valor anual) mais 40% do salário (R$ 400 para quem ganha R$ 1000) totalizando R$ 800 na primeira parcela (adiantada).

Quando chega em meados de fevereiro, os bancos apresentam seus resultados do exercício findo (no exemplo, 2005). Os bancos devem pagar para os bancários a segunda parcela. Nesse momento, após apurar o lucro altíssimo, a Contraf-CUT exige que os bancos utilizem a segunda regra da PLR que diz que eles devem gastar no mínimo 5% do lucro líquido. Então, eles têm que aumentar a distribuição até chegar a 2 salários ou no mínimo de 5% de distribuição, com os tetos em reais que existem.

No Banco do Brasil, exigimos, desde 2003, os parâmetros da Fenaban, ou seja, tem que pagar PLR para todos, sem exceção, sem atrelamento a metas, ou GDC ou faltas, e com regramento: valor fixo mais porcentagem do salário. E NÃO IMPORTA o limite estabelecido pela Dest, que proíbe distribuição acima de 6,25% do lucro líquido (a partir de 2003, o montante passou a cerca de 12%).

Em 2005, avançamos mais ainda, pois o BB foi o primeiro banco que cedeu ao novo formado proposto pela categoria que pede distribuição de uma porcentagem LINEAR DE 5% (no BB conseguimos 4%), além do valor fixo mais a porcentagem do salário.

Desta forma um escriturário E1 (primeiro nível) recebeu em 2005, respectivamente, R$ 1780,25 referente ao primeiro semestre e R$ 1887,07 no segundo, totalizando R$ 3667,32 no ano.

VAMOS À LUTA

A mensagem é bem clara a todos. Os bancários devem lutar para arrancar da Fenaban a reivindicação de uma PLR melhor, pois esses banqueiros deveriam ter vergonha na cara e fazer uma proposta que contemple aos bancários com aumento real e uma distribuição mais justa como estamos propondo. AO CONTRÁRIO de ficar levando juízes para passear e pedindo liminar contra nossos materiais de campanha que denunciam a irresponsabilidade social dos banqueiros.


* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf-CUT e integrante da Comissão de Empresa dos funcionários do BB pela Fetec CUT SP

Fonte: site da Contraf-CUT

26.10.15

21º dia de greve - Bancários do BB avaliarão em assembleias proposta específica




COMENTÁRIOS DO BLOG:

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Após 3 semanas de greve (21 dias), os colegas vão apreciar nas assembleias desta segunda-feira 26 as propostas da Fenaban (mesa geral CCT) e as propostas específicas da direção do BB (ACT).

Vejo na proposta específica, questões importantes para a cesta de direitos dos funcionários. 

Eu só lamento que a direção do BB e o Governo não tenham incluído para avaliação dos bancários propostas para a questão do déficit do Plano de Associados (sustentabilidade da Cassi). O plano de saúde dos funcionários da ativa e aposentados apresentou em 2014 déficit de 177 milhões e tem previsão de fechar o ano de 2015 com mais de 200 milhões de déficit, consumindo as reservas livres do Plano. Para 2016, a previsão de déficit é maior ainda, podendo chegar a 300 milhões. Sem aportes por parte do patrocinador BB, as partes envolvidas - associados, entidades representativas, eleitos na Cassi e Banco - terão que negociar medidas nos próximos dias.

Sei que os sindicatos cobraram e sei que a direção do BB e Governo não se sensibilizaram para um problema que eles têm responsabilidade na gestão da Cassi, porque estão lá com seus indicados na Direção e nos Conselhos, de forma paritária, e não encaminharam as obrigações definidas por todos em 2007 - associados e Banco -, inclusive com aporte específico de 300 milhões à época, para aprofundar o modelo assistencial de Atenção Integral à Saúde com CliniCassi e Estratégia Saúde da Família (ESF) para o conjunto dos participantes, que traria melhores perspectivas no uso dos recursos fixos do plano de saúde dos funcionários.

De minha parte, como representante eleito pelos associados na Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento (justamente a diretoria responsável pelas CliniCassi e pela ESF), estarei no instante seguinte ao final da campanha dos bancários 2015, trabalhando da mesma forma que já estamos fazendo para seguir nos objetivos de avançar no Modelo Assistencial, definido por TODOS desde 1996 e ainda não estendido para o conjunto dos mais de 700 mil participantes dos planos de saúde da Cassi.

Boa assembleia a tod@s e a luta continua SEMPRE! Sigo à disposição dos associados e de suas entidades representativas.

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (eleito)


(Matéria da Contraf-CUT de 24/10/15, sábado)


Proposta foi apresentada neste sábado (24), em São Paulo.

Funcionários do Banco do Brasil conquistam reivindicações específicas

O Comando Nacional orienta aprovação da proposta nas assembleias que serão realizadas em todo o Brasil



A proposta específica apresentada pelo Banco do Brasil ao Comando Nacional dos Bancários, assessorado pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (COE BB), neste sábado (24), traz respostas para vários segmentos dentro Banco. A orientação do Comando Nacional é que seja analisada em seu conjunto como avanço dentro do funcionalismo.

Segurança nas portas giratórias, o compromisso de o BB pagar a PLR dos cedidos na Cassi, que traz economia para nossa Caixa de Assistência, itens de isonomia para oriundos de bancos incorporados e inclusão de caixas, escriturários e atendentes de SAC e CABB podendo conquistar bolsa de graduação são alguns dos destaques da proposta.

Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, destacou que os temas dos grupos de trabalho com prazo de início e fim e com relatório de conclusão serão de extrema importância para a categoria. “Nós trataremos de ascensão profissional, prevenção de conflitos e saúde do trabalhador. Estes grupos de trabalho são uma conquista, pois além dos temas base, em um deles debateremos o fim dos códigos de greve para evitar a pressão sobre os funcionários diante do direito de reivindicar”, explicou.

“A greve no BB foi fundamental para conseguirmos romper a intransigência dos bancos e conseguirmos aumento sem perda, além de romper uma lógica de desconto dos dias parados. Este ponto foi tratado com grande cuidado pelo Comando, pois entendemos o grande esforço dos grevistas que sustentaram a nossa pressão nas mesas de negociação”, completou Wagner Nascimento.

As horas negativas que poderão ser convertidas em abono não se referem a horas de greve. Estas terão sistema de compensação específico.

Por todo o conjunto de propostas apresentadas pelo Banco, a manutenção do modelo de PLR e ainda a proposta de reajuste conquistada na luta pelas bancárias e pelos bancários de todo o Brasil, o Comando Nacional orienta a aprovação da proposta.


Proposta PLR – Principais exemplos

Cargo............................... Quantidade de salários

Primeiros gestores........................... 1,86

Demais gestores............................... 1,59

Primeiro nível assessoramento UE.... 1,59

Gerência média................................. 1,56

Demais analistas e assessores.......... 1,56

Comissionados, FG e FC (plenos)...... 1,48


Valores Fixos

Escriturário.................................. 4.952,94

Caixa executivo............................ 5.420,74


Proposta completa das reivindicações (propostas) específicas Banco do Brasil

Clausuladas:

- Será permitido o provimento transitório das funções de Gerente de Relacionamento e Gerente de Serviços em Unidades de Negócios nos casos de ausência por licença-saúde a partir do 61º dia de afastamento consecutivo.

- Aumentar em 20% o valor do auxílio-creche-dependentes com deficiência a partir da constatação da deficiência.

- Serão estendidos aos funcionários egressos de Bancos incorporados optantes pelo regulamento de pessoal do Banco os seguintes benefícios:

- Perícia Odontológica (PAS)

- Deslocamento para tratamento de saúde no País (PAS)

- Doação ou recepção de órgãos e tecidos – transplante (PAS)

- Remoção táxi aérea (PAS)

- Licença para acompanhar pessoa enferma da família (Lapef)

- Será concedida aos funcionários que exercem a função atendentes no SAC a prerrogativa do prazo de carência de 1 ano para a concorrência à remoção e nomeação via TAO.

- O saldo de horas não trabalhadas correspondente ou superior a uma jornada de trabalho poderá ser compensado com a utilização de folgas e abonos.

- A ausência autorizada de um dia útil por ano para acompanhamento em internação hospitalar de cônjuge, companheiro(a), inscritos no Banco ou no INSS, filho e pais, poderá ser utilizada em horas, observada a jornada de trabalho praticada na data da assinatura do ACT.

- As ausências autorizadas de dois dias úteis por ano para acompanhar filho ou dependente, menores de 14 anos a consulta/tratamento médico-odontológico, poderão ser utilizadas em horas, observada a jornada de trabalho praticada na data da assinatura do ACT.

- As ausências autorizadas de dois dias úteis por ano para acompanhar o filho ou dependente com deficiência em consulta/tratamento médico-odontológico, poderão ser utilizadas em horas, observada a jornada de trabalho praticada na data da assinatura do ACT.

- O Banco facultará a ausência de funcionários eleitos, que não sejam representantes sindicais de base ou dirigentes sindicais, limitado a 60 funcionários por ano, para a participação do Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil e da Contraf-CUT.

- Será permitida a utilização das ausências do representante sindical de base eleito para participação no evento da posse.

- Serão instituídas mesas temáticas sobre ascensão profissional, prevenção de conflitos, resultados do PCMSO, e saúde no trabalho com o prazo de 120 dias para a conclusão a partir da data de instalação.

- Oferta de 4 mil bolsas de estudo para cursos de graduação, destinadas aos funcionários não graduados, mediante processo seletivo a ser lançado em 2016, observados critérios e procedimentos a serem publicados nas Instruções Normativas Corporativas.

- As novas agências do Banco do Brasil, aquelas que forem relocalizadas e as que passarem por reformas de grande vulto serão dotadas de equipamento de detecção de metais, exceto quando forem consideradas de baixo risco pela área competente do Banco.

- Não será exigida a trava de relacionamento (365 dias) para nomeações até o final de 2015.

- Os funcionários cedidos à Cassi serão incluídos no ACT-PLR.

- Ressarcimento dos custos com inscrição para a prova de Certificação legal CPA para os escriturários, caixas executivos e atendentes (SAC e CABB). O ressarcimento se dará a partir de janeiros de 2016, mediante o atendimento das seguintes condições, cumulativamente:

- Não ter certificação legal vigente CPA-10 e CPA-20

- Ter concluído com aprovação o curso de capacitação para a CPA-10 disponibilizado no Portal UniBB (código Educa 2983), previamente à aprovação na Certificação legal, mediante registro no cadastro de formação profissional

- Apresentar o requerimento de ressarcimento em até 45 dias após a aprovação na certificação legal, conforme definição em normativo específico.


- Benefício – Gestação Alto Risco: abonar horas para a realização de até 4 consultas e exames por mês e autorizar adição como escriturária no interesse da funcionária, mediante indicação médica.

- Oportunidades para funcionários de PSO: implementar ações de integração entre PSO e agências que abrangem oportunidades de capacitação, adição cruzada entre escriturários, revisão de parâmetros TAO e estágios.


Fonte: Contraf-CUT



Post Scriptum (27/10/15):

Os bancários e bancárias do BB em assembleias pelo país, aprovaram a proposta específica da direção do Banco e encerraram a greve e a Campanha Nacional dos Bancários de 2015.