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26.2.26

Diário e reflexões - Conversando com os bancários do BB em Brasília



CONVERSANDO COM OS BANCÁRIOS DO BB EM BRASÍLIA

Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026


ELEIÇÕES SINDICAIS

Os bancários e bancárias de Brasília estão vivendo um grande momento de cidadania e democracia em uma das bases sindicais mais importantes do país: os sindicalizados vão escolher a chapa que comandará o Sindicato entre 2026 e 2030. As eleições ocorrem entre os dias 9 e 13 de março.

Nesta semana, me uni aos apoiadores da campanha da CHAPA 1 - a Chapa das/os Bancárias/os - Responsabilidade e Compromisso com Você, liderada pelo amigo e companheiro Rodrigo Britto, uma liderança jovem e com grande experiência na luta e conquista de direitos para a classe trabalhadora.

Toda a minha formação política é oriunda do movimento sindical cutista e das lutas da categoria bancária brasileira. Além de trabalhar por quase três décadas no Banco do Brasil, trabalhei dois anos no Unibanco, hoje incorporado pelo Itaú. As concepções e práticas sindicais que me formaram como bancário valeram para a vida toda.

A CHAPA 1 DAS/OS BANCÁRIAS/OS É A CHAPA DA UNIDADE NACIONAL

Na eleição dos bancários de Brasília estão em disputa duas concepções de sindicalismo, uma mais sectária e divisionista e outra que defende e fortalece a unidade nacional e a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada pela nossa confederação cutista e os bancos públicos e privados.

As minhas intervenções nesses quatro dias de diálogo com a base de funcionários do Banco do Brasil em Brasília resgatam um pouco de nossas histórias de lutas e conquistas como, por exemplo, a PLR nas estatais federais que só passou a ser paga aos trabalhadores após a campanha unificada. Ou seja, por uma estratégia do movimento cutista.

Como a geração de colegas na ativa é praticamente de funcionários dos anos dois mil para cá, compartilhar com eles a nossa história é uma forma de dar pertencimento aos trabalhadores.

Por fim, foi bom rever nesta semana tantas companheiras e companheiros de luta que conheço há décadas e o tratamento que recebi das lideranças políticas deu a mim o sentimento de pertencimento de fazer parte de uma grande categoria e com história secular de organização e conquistas de direitos.

Vamos ajudar a eleger as lideranças da CHAPA 1 nas eleições sindicais de Brasília porque as propostas e os componentes da chapa têm as melhores estratégias de conquistas para a categoria.

William Mendes

2.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (1)

Osasco, 2 de dezembro de 2024. Segunda-feira.


O blog A Categoria Bancária - InFormação e História está no ar há 18 anos e contém mais de 2,6 mil postagens. Ao longo de sua história, o blog teve 1,25 milhão de acessos, sendo ainda lido por algumas pessoas. No último mês foram 20 mil acessos.

Cada vez que me sento para ler um pouco de seu conteúdo, me vem à mente a preocupação de preservar essa história registrada de uma das principais categorias profissionais do país, a única com convenção coletiva nacional.

Antigamente, os sindicatos tinham seus cedocs, centros de documentação, nos quais as mídias físicas com a história do movimento sindical eram guardadas. As páginas das entidades sindicais também preservavam a história de lutas e conquistas.

Conforme a tecnologia avançou, e tudo se tornou digital, e caro, as entidades sindicais passaram a descuidar um pouco de sua história, até por uma questão de custos, priorizando os recursos para o dia a dia e não para a manutenção da história.

Eu não teria hoje como editar em livros toda a história da categoria bancária contida neste blog, e garanto a vocês que aqui tem muita informação e história do que vivemos nas últimas duas décadas de lutas e conquistas, e derrotas também.

Quando fiz uma série de textos de memórias durante a pandemia mundial de Covid-19 não imaginava que os capítulos teriam tantos acessos quanto tiveram. Foi uma boa surpresa. Ao todo, os 39 capítulos tiveram somados quase 100 mil acessos. 

Agora estou editando um livro com os 39 capítulos de memórias. E não imaginava que saísse tão caro produzir um livro. Mas será interessante distribuir 100 unidades para alguns amigos e interessados. O livro se chamará "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT".

Em relação ao blog e seu conteúdo histórico, se eu tiver condições, vou revisar todo ele, desde o início, vou organizá-lo no formato que cheguei a fazer algumas vezes, em cadernos, e depois verei o que fazer com o conteúdo histórico.

Hoje li a metade do conteúdo do primeiro ano do blog, 2006, e como disse no início, é muito conteúdo histórico contido ali. Tem a reeleição do presidente Lula, tem a assinatura do BB à convenção da categoria, e tem algo que me encanta: meu diário de trabalho de base e nas funções que eram de minha responsabilidade. Naquele ano, inovei em prestar contas de mandatos eletivos.

Enfim, não sei que capacidade tenho de levar adiante tal projeto de revisão desse conteúdo histórico, mas se der, vou fazendo. É evidente que a maior parte da história contida no blog tem relação direta com o movimento sindical do Banco do Brasil, a comunidade na qual passei a maior parte de minha vida.

William Mendes


8.3.22

Memórias (XX)



Osasco, 8 de março de 2022. Dia dedicado às lutas das mulheres. Todo apoio às justas causas das mulheres do mundo.


Memórias de dezembro de 2013: fortalecendo o sindicalismo nacional, com formação, e internacional, com apoio brasileiro aos trabalhadores norte-americanos

Na postagem de hoje, trago algumas lembranças das agendas sindicais nas quais estive envolvido no final do ano de militância de 2013. Foram dias intensos como tenho relatado aqui nestas Memórias no blog. Para ver as 10 postagens daquele mês é só clicar aqui.

Naquele período eu era diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região, era o secretário de formação de nossa confederação, a Contraf-CUT, e estava como coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, COE-BB ou CEBB.

Havíamos fechado uma boa campanha salarial da categoria em 2013. Na mesa específica do BB, que coordenei, tivemos avanços importantes (ver propostas aprovadas aqui).

Na área sob minha responsabilidade na Contraf, a formação, estávamos coordenando a 8ª turma do curso de formação PCDA - Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro -, um curso em 3 módulos de imersão, organizado e patrocinado pelas próprias entidades do movimento, a Contraf, federações e sindicatos e com o apoio do Dieese e suas equipes técnicas.

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Turma do 2º módulo do 8º curso PCDA.

FORMAÇÃO

Ao organizar minhas pilhas de papéis e documentos, me deparei com a pasta que continha os materiais do 2º módulo do curso que estávamos realizando com a 8ª turma de dirigentes e assessores sindicais bancários.

O material é de uma riqueza imensa em termos de conhecimentos técnicos e políticos que compartilhamos com as companheiras e companheiros que participaram do curso. 

Durante 3 módulos foram 32 pessoas de diversas bases sindicais envolvidas com a construção de conhecimento coletivo para a luta da classe trabalhadora - 26 alun@s e 6 pessoas permanentes da equipe da Contraf e Dieese, fora os palestrantes que passaram pelo curso. 

É uma pena ter que me desfazer de tantos papéis acumulados em anos de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Na postagem sobre o curso, pelo menos anotei a programação do 2º módulo ocorrido em dezembro de 2013 (ver aqui).

A nota triste foi lembrar que 3 pessoas que estiveram conosco faleceram de lá para cá. Deixo aqui uma lembrança saudosa dos amigos e companheiros Valtinho, da Contraf, Paquetá, do Sindicato do Rio, e Carlos, do Sul Fluminense. Companheiros: presente!

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ESTADOS UNIDOS: CONTRIBUINDO COM A LUTA DOS BANCÁRI@S

Na primeira semana daquele mês de dezembro, estivemos em Nova York, nós sindicalistas brasileiros e sindicalistas norte-americanos, para nos reunirmos com o Banco do Brasil.

Nós havíamos avançado aqui no Brasil no Acordo Marco entre o BB, a Contraf-CUT e a UNI Américas e o banco público brasileiro havia se comprometido a respeitar as legislações locais e os termos do acordo no que tange à organização sindical onde o banco tinha operações e instalações.

Nós brasileiros, após décadas de avanços na organização sindical bancária e na conquista de direitos para os trabalhadores, contratados em Convenção Coletiva e Acordos Coletivos, estávamos numa parceria com o sindicalismo norte-americano (no caso, a CWA) e de todas as Américas para organizar sindicatos e direitos de trabalhadores de instituições financeiras. 

Para vocês terem uma ideia, categorias organizadas em sindicatos têm muito mais direitos que categorias sem sindicalização nos Estados Unidos. Os bancários não tinham sindicato lá em 2013 e tinham poucos direitos. 

Questões básicas como férias, licença-maternidade, 13º salário, vales refeição e alimentação não existiam ou eram bem menores para as bancárias e bancários do BB em Nova York e Miami. Não era uma questão só do BB, era de todos os bancários norte-americanos em relação aos bancários brasileiros.

As parcerias sindicais foram no intuito de organizar os trabalhadores do ramo financeiro de lá. Estive por duas vezes nas equipes brasileiras que foram contribuir com essa luta, por ser coordenador da CEBB da Contraf-CUT e pelo fato de o BB ter conosco o Acordo Marco. Clique aqui e veja a postagem sobre a reunião nos EUA.

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É isso! Boas lembranças de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira e de outros países.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

William


Clique aqui para ler o texto anterior, Memórias (XIX).

Para ler o texto seguinte (XXI), clique aqui.


18.2.22

Memórias (XVIII)


Eu e Miguel no FSM, Belém do Pará, 2009.
Foto de Paulo de Tarso.

Fórum Social Mundial, Cursos de Formação da Contraf-CUT em parcerias com o Dieese e entidades sindicais e curso de formação na Organização Internacional do Trabalho (OIT) foram algumas das agendas sindicais nas quais me envolvi em 2009


Ao revisitar uma agenda do ano de 2009 pude relembrar alguns momentos sindicais que compuseram minha formação política daquele ano e minhas contribuições para a organização dos trabalhadores na luta de classes.

Para complementar minhas memórias, aproveitei para dar uma repassada nas 211 postagens de meu blog sindical A Categoria Bancária (ver aqui), pois naquele momento eu já estava acrescentando à agenda de papel uma espécie de agenda sindical pública, uma prestação de contas de minha representação dos trabalhadores e entidades sindicais.

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#FSM2009 - No mês de janeiro fui um dos representantes da Contraf-CUT e de nossas entidades sindicais bancárias paulistas a participar da edição do Fórum Social Mundial, ocorrida em Belém do Pará. Eu e o companheiro Miguel Pereira tivemos uma oficina sobre questões do ramo financeiro (foto que abre a postagem, feita por Paulo de Tarso).

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OLT - As visitas e reuniões nos locais de trabalho foram intensas nos meses de janeiro (aqui) e fevereiro (aqui). Na agenda sindical constam reuniões em diversas agências e departamentos do Banco do Brasil. Também tivemos reuniões com delegad@s sindicais. Eu sempre pautei todo tipo de assunto para os bancários que representava, assim o líder sindical politizava a categoria que representava. Um sindicato cidadão politiza todas as questões do mundo do trabalho e da cidadania das pessoas.

Terminei o ano da forma que comecei: estando na base e discutindo questões sensíveis aos trabalhadores do BB relativas à ascensão profissional. Foi no dia 30/12/09, ver registro aqui.

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Eu e o companheiro Genésio no ato contra a FSP.

ATO CONTRA FOLHA DE SÃO PAULO "DITABRANDA" - No mês de março de 2009 participei de uma atividade na porta do jornal Folha de São Paulo, que havia dito que no Brasil a ditadura teria sido "branda" (ver postagem aqui). Durante o mandato na Contraf-CUT como secretário de imprensa eu me envolvi muito com a temática de comunicação. Foi uma lição para toda a vida.

O mês de março foi bem agitado. Estive em várias bases sindicais a trabalho. Fui ao Paraná e ao Rio de Janeiro para participar de questões relativas ao Banco do Brasil. A Contraf-CUT estava organizando seu congresso e com isso tivemos muitas agendas e grupos temáticos. Ver aqui postagens do mês.

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30 ANOS DE RETOMADA DO SINDICATO (1979-2009) - Ainda em março, tivemos um evento comemorativo da histórica retomada do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região da mão dos pelegos que serviam à ditadura daquela época. Gushiken foi o grande homenageado, junto a outros companheiros que contribuíram para a formação do Novo Sindicalismo brasileiro. Ler postagem aqui.

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2º CONGRESSO DA CONTRAF-CUT - Em abril, a delegação do congresso de nossa confederação elege a nova diretoria para o triênio 2009/12. O companheiro Vagner Freitas deixa a presidência e assume o comando da entidade o companheiro Carlos Cordeiro. Fui eleito secretário de formação e o companheiro Ademir assumiu a secretaria de imprensa. Novos desafios e nova aprendizagem começavam ali para todos nós. Ver postagem aqui.

Ainda no mês de abril nós tivemos os congressos de BB (20º) e Caixa Federal em Brasília. Fiz artigo no mês falando sobre "Melhorar renda, condições de trabalho e a vida da classe trabalhadora" (ler aqui). Também fiz um artigo sobre "Formação e informação". Gostei do conteúdo ao reler o texto (aqui). Segue bem atual a questão pautada nele.

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ENCONTROS ORGANIZATIVOS - Os meses seguintes foram meses de preparação para diversos encontros e congressos da estrutura sindical brasileira. Tivemos eventos da corrente política Articulação Sindical, tivemos CECUT e CONCUT, seminários e fóruns preparatórios e organizativos da campanha dos bancários, dentre outros eventos políticos. Na Contraf-CUT realizamos nosso planejamento de gestão.

E mesmo com agenda intensa da estrutura sindical, lá está o registro de minhas visitas às bases sindicais, conversando com os trabalhadores que representava (OLT).

Em relação à secretaria de formação, organizamos um encontro nacional com as entidades afiliadas à Contraf-CUT e do Comando Nacional. Ler aqui. (como já comentei diversas vezes, os links de nossas entidades sindicais normalmente dão a mensagem "error", ou seja, não temos mais o conteúdo virtual: história apagada, deletada)

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Participação em curso na OIT, Turim, Itália.

PARTICIPAÇÃO EM CURSO DA OIT, REPRESENTANDO A CUT

No mês de setembro, estive por 3 semanas em um curso de formação na Organização Internacional do Trabalho (OIT), com sede em Turim, Itália. A pauta principal do encontro era a crise mundial causada pela crise do subprime e as consequências para a classe trabalhadora. Foram representantes sindicais de diversos países sul-americanos e da América Central e Caribe.

As duas primeiras semanas foram na sede da OIT na Itália e a última semana do curso foi em Madri, Espanha, na sede das CCOO. Fui indicado na vaga da CUT pela nossa confederação e ramo financeiro.

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GREVE DE 15 DIAS - Em outubro, tivemos a campanha nacional dos bancários e como era prática dos banqueiros não apresentarem proposta razoável em mesa de negociação, a categoria foi à luta e a campanha teve uma boa greve para arrancar uma proposta melhor dos banqueiros na mesa única da campanha geral e propostas nas mesas específicas dos bancos públicos. Ver aqui.

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Na foto: Miguel Huertas, Regina, Carlindo,
eu, Magaly e Cardoso. Não tenho o nome
do autor da foto.

1º CURSO DE FORMAÇÃO DA CONTRAF-CUT/DIEESE - SINDICATO, SOCIEDADE E SISTEMA FINANCEIRO

Entre os dias 26 e 30 de outubro, realizamos em Minas Gerais o 1º módulo do 1º curso de uma longa série de cursos de formação numa parceria da Confederação, Dieese e entidades sindicais, que patrocinaram a formação de seus dirigentes e assessores. Ver uma postagem sobre o módulo do curso aqui.

Tivemos o privilégio de estar à frente de um curso muito exitoso, com a participação de centenas de pessoas ao longo de 6 anos na secretaria de formação. Praticamente tod@s completaram os 3 módulos do curso de PCDA. As lideranças que não concluíram tiveram agendas complicadas em suas bases de representação.

A convivência com os amig@s e companheir@s do Dieese e convidad@s palestrantes foi uma escola de vida para mim e para as pessoas que passaram pelos cursos. E aprendemos muito uns com os outros, cada pessoa passava o conhecimento que tinha. Sem dúvida, os anos de formação sindical foram alguns dos melhores anos de minha lembrança na vida sindical.

O 2º módulo ocorreu no Rio de Janeiro (ver aqui) e o 3º módulo fechou o curso da 1ª turma (aqui).

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FALECIMENTO NA FAMÍLIA - No mês de novembro de 2009 sofremos uma grande perda em família, faleceu a nossa querida tia Alice, lá em Minas Gerais, em decorrência de um câncer. Tia Alice era funcionária da Prefeitura de Uberlândia, cuidava de uma praça onde cresci - bairro Marta Helena - e sempre foi muito amada por todos nós. Saudades imensas de tia Alice! Eu sempre tive orgulho de ser um dirigente sindical porque pensava em melhorar a vida do povo simples brasileiro como era a tia Alice.

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Enfim, termino aqui mais um momento de Memórias. Foram horas trabalhosas de pesquisa e leitura, mas valeu a pena para deixar registrado momentos singelos de lutas da classe trabalhadora. 

Os momentos que vivi não são só meus, são nossos. Somos indivíduos, mas somos legião. Se estivermos organizados e com projetos claros e bem estruturados para nos engajarmos, temos chances de boas lutas contra os capitalistas, mas isolados e com cada um cuidando de seus interesses, só temos derrotas e sofrimentos acumulados.

É isso!

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XVII) clique aqui.

E clique aqui para ler o texto seguinte, o XIX.


10.2.22

Memórias (XVI)



Associativismo e cooperativismo são essenciais para a classe trabalhadora. A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil é um belo exemplo da história de uma comunidade que se organiza há séculos


Osasco, 10 de fevereiro de 2022.

Ao olhar papéis, revistas e documentos antigos e diversas postagens em meu blog sindical me vêm à memória as imagens e as lembranças de muitos anos de participação na organização das lutas por direitos dos trabalhadores da comunidade Banco do Brasil, uma comunidade com mais de dois séculos de existência na sociedade brasileira.

Entre ontem e hoje reli no blog algumas matérias publicadas entre 2006 e 2010, marcadas com a categoria "Previ", relativas às nossas lutas por melhorias de direitos e benefícios em nosso fundo de pensão, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Ao ler a matéria sobre o acordo e distribuição do superávit do Plano 1 na Revista Previ nº 157, de fevereiro de 2011, me dei conta do quanto o associativismo e o cooperativismo são essenciais na vida da classe trabalhadora. A começar pela constituição dos sindicatos e associações de classe e incluindo as caixas e fundos financeiros para darem suporte aos trabalhadores e seus familiares nos momentos difíceis e pós-laborais.

Eu tive a oportunidade de ser dirigente eleito dos bancários e representante dos colegas da comunidade Banco do Brasil ao longo de quase duas décadas. Durante o período de representação eu estudava muito as questões técnicas de nossas duas caixas, a de previdência e a de assistência à saúde (Cassi). E uma característica que marcou meus mandatos foi a presença nas bases conversando com os trabalhadores sobre essas questões. Os registros no blog mostram isso.

Como representante de dezenas de milhares de bancárias e bancários do BB e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e da CNB/CUT e depois Contraf-CUT participei de diversas negociações relativas ao nosso fundo de pensão. Me lembro, por exemplo, de ter contribuído para as negociações nacionais sobre o uso do Fundo Paridade e a redução do valor da Parcela Previ e sobre os superávits do Plano 1 da primeira década dos anos dois mil.

A Revista Previ que cito nesta postagem traz o resultado final das negociações relativas ao superávit que gerou o Benefício Especial Temporário (BET), que melhorou os benefícios dos associados durante um determinado tempo*, e outras melhorias contínuas nos benefícios dos aposentados e pensionistas e futuros aposentados do Plano 1.

Estou olhando e avaliando um grande volume de papéis e documentos acumulados ao longo de uma vida de dirigente sindical. Não dá mais para guardar toda essa papelada. Alguma coisa vou acabar guardando porque é difícil se desfazer de coisas que nos lembram o que fomos e o que fizemos ao longo de nossa existência.

Os rascunhos de estudos, anotações que geraram processos negociais e organizativos e muitos documentos que valeram para a época não têm como serem guardados, mas alguma revista, algum jornal ou documento a gente acaba separando. 

As novas gerações apostam todas as fichas na internet e nos materiais virtuais. Acho isso um equívoco imenso! Opinião minha. 

Os próprios sites de nossas instituições da comunidade Banco do Brasil, tanto as caixas de previdência e assistência à saúde quanto as páginas das associações e sindicatos não conservam quase nada de história, tudo que fica é coisa recente, se alguém quiser coisa antiga (uma década é "antigo", imaginem décadas) vai ficar sem a informação. Quando tem o link a resposta é "error" ou não existe.

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CASSI - Quando vejo a destruição que vem ocorrendo em nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, conhecida como Cassi, vejo o quanto chegamos longe no desconhecimento da essência do que deveria ser uma caixa de assistência para uma comunidade de trabalhadores e familiares. 

As pessoas que estão na gestão neste momento estão desfazendo toda a essência solidária da autogestão e o modelo assistencial próprio de Estratégia de Saúde da Família (ESF), apostando no mercado privado e reforçando o que o capitalismo tem como essência: a saúde como mercadoria para quem pode pagar e não como um direito. 

É triste! Mas são os tempos. Eles acham que o mercado vende prevenção e saúde... fala sério! O mercado vendo intervenção cirúrgica, remédios, próteses, fetiches etc. E a conta é cara!

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Vou guardar essa Revista Previ nº 157. Quando eu morrer, a pilha de coisas guardadas da história de lutas da categoria profissional e comunidade às quais me fiz cidadão trabalhador ficará para o expurgo feito por outra pessoa.

William

*Post Scriptum: os fundos específicos desses benefícios especiais temporários duraram até o final do exercício de 2013. A direção da Previ informou aos associados no início de 2014 que a Previ precisaria cumprir o artigo 18 da Resolução CGPC 26/2008, recompondo a Reserva de Contingência do Plano 1. Com isso os associados voltaram a contribuir mensalmente e cessaram os recursos extraordinários do BET. 

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Para ler o texto anterior, o Memórias (XV), clique aqui.

Se quiser ler o seguinte, o XVII, clique aqui.


23.12.21

Memórias (XIV)

Momento de descanso do sindicalista
admirador de Che Guevara.

A importância do sentimento de pertencimento a determinadas comunidades e causas sociais


INTRODUÇÃO

Hoje é véspera da véspera de Natal do ano de 2021. O cidadão que escreve suas memórias aqui no blog A Categoria Bancária está retirado das lutas do movimento sindical bancário. Sou beneficiário de nossas caixas de previdência e de assistência à saúde, associações criadas por nós do Banco do Brasil lá no século passado. Pertencer a instituições criadas pela classe trabalhadora nos dá algum sentido de pertencimento num mundo onde impera o capitalismo e o individualismo.

Pertenço a uma certa comunidade humana. O custo disso é pesado, mas acho importante pertencer a alguma coisa. Sou participante de um fundo de pensão, de uma caixa de assistência, sou sindicalizado, sou associado a algumas associações da comunidade Banco do Brasil.

Estou revisitando minhas postagens do ano de 2007 neste blog sindical. 

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REESTRUTURAÇÃO NO BB, PLR COM PRÁTICA ANTISSINDICAL, REFORMA ESTATUTÁRIA DA CASSI E REMUNERAÇÃO VARIÁVEL QUE DISCORDEI

Aquele ano foi um ano de muitas lutas. Tivemos a reforma estatutária da Cassi, tivemos uma reestruturação ruim e danosa para os funcionários do BB feita pela direção do banco, tivemos uma proposta de remuneração variável pensada pelo movimento sindical para debater com os banqueiros que eu não concordei com ela e pedi licença à corrente política Articulação Sindical, a qual pertencia, para não votar a favor dela.

Tivemos em março de 2007 uma proposta de PLR sacana e antissindical por parte da direção do Banco do Brasil (acordo para pagar a 2ª parcela de 2006), feita para tirar alguns reais dos grevistas da campanha salarial e feita para criar um clima de punição aos lutadores e para quebrar a solidariedade no movimento de lutas. Falei sobre a questão aqui.

Os caras que bolaram a sacanagem eram naquele momento gestores do BB do governo Lula. Queriam interromper o ímpeto grevista da militância que vinha num crescendo desde a greve de 2003, primeiro ano de governo democrático e popular. Eles plantaram uma semente do individualismo e contribuíram para diminuir o espírito de solidariedade na categoria e no BB. Parabéns para eles!

No acordo coletivo de PLR da campanha salarial de 2007/08 (fechada em outubro de 2007) nós exigimos que o acordo de PLR fosse anual e não mais semestral, para evitar sacanagens como aquela que ocorreu em março para pagar a 2ª parcela do ano anterior. Ler aqui.

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CONQUISTA DA 13ª CESTA-ALIMENTAÇÃO

Um dos objetivos alcançados na campanha daquele ano de 2007 foi incorporar a 13ª cesta-alimentação à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Ler aqui.

HISTÓRIA - Nós (a Executiva Nacional dos Bancários) havíamos conseguido negociar com os banqueiros esse direito na campanha de 2004 e a 13ª cesta-alimentação seria incorporada à convenção. A proposta final dos banqueiros foi rejeitada pelas assembleias. A campanha teve um desenvolvimento complexo, uma longa greve de 30 dias e julgamentos no TST. Isso fez com que o direito não fosse mantido ao final da campanha de 2004. Só em 2007 implantamos esse direito.

Outra questão que avançamos na organização do movimento após a campanha de 2004 foi ampliar a Executiva Nacional para o Comando Nacional dos Bancários nos anos seguintes.

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2007 FOI UM ANO DE MUITA SINDICALIZAÇÃO, TRABALHO DE BASE E POLITIZAÇÃO DOS TRABALHADORES

Ao revisitar as 227 postagens que fiz no blog A Categoria Bancária naquele ano de lutas e representação sindical, avalio que a minha formação política teve como base a organização nos locais de trabalho (OLT), que se mostrou constante durante minha vida de bancário do Unibanco (1988-90) e do Banco do Brasil (1992-2019) - falei sobre isso aqui -, mesclada com o dia a dia da formação política que tinha na convivência com as companheiras e companheiros do movimento sindical.

Estamos na véspera de Natal e Ano Novo. Me lembrei que em todos os anos de minha representação sindical passava esses dias nos locais de trabalho do Banco do Brasil.

Em 2007, nos dias 26 e 27 de dezembro, lá estava eu conversando com meus colegas do BB nas agências e departamentos na região central de São Paulo, distribuindo materiais do Sindicato e da Contraf-CUT: agendas, Folha Bancária, revista O Espelho etc. (ver aqui)

O movimento sindical brigava com o governo e com a direção do banco o tempo todo para contratar mais funcionários. No banco público a contratação se dá por concurso. Felizmente, passei o ano todo de 2007 indo às posses de novos bancários e bancárias em São Paulo, às segundas-feiras. 

SINDICALIZAÇÃO - Além de apresentar o Sindicato e a história de lutas da categoria bancária e da classe trabalhadora, sindicalizei dezenas e dezenas de colegas em seus primeiros dias de trabalho no Banco do Brasil. Coisa boa de se lembrar!

Como disse no início desta postagem de memórias, pertencer a alguma coisa, um lugar, uma comunidade, é importante para dar sentidos à nossa natureza social. Não é fácil nos mantermos pertencentes às nossas associações hoje em dia, juro que não é. Mas é importante sermos sindicalizados e associados a nossas entidades de classe.

É isso. Fim de mais uma postagem de memórias sindicais e de lutas. Terminei a revisita a 2007. Agora vou revisitar o ano de 2008 em meu blog.

William


Clique aqui para ler a postagem seguinte, Memórias (XV).

Para ler o texto anterior, o Memórias (XIII), clique aqui.


6.12.21

Memórias (XII)



Histórias sobre a PLR no Banco do Brasil: onde há remuneração variável, há disputa de classes, ou seja, o patrão vai jogar trabalhador(a) contra trabalhador(a)


Estou escrevendo um pouco a respeito das lutas do movimento sindical bancário, mais especificamente do período no qual fiz parte dele como dirigente e representante d@s trabalhadores: de 2002 a 2018. 

A minha fonte principal de consultas e fio condutor das memórias são as minhas postagens no blog A Categoria Bancária - e sites sindicais subsidiariamente - porque o blog se tornou uma ferramenta de trabalho na comunicação com a categoria e com as entidades e lideranças sindicais e vejo no blog uma fonte interessante de registros de uma época.

INTRODUÇÃO

Dia desses escrevi memórias sobre o mês de março de 2007 (ler aqui) e o tema mais destacado naquele mês foi o embate entre nós do movimento sindical e a direção do Banco do Brasil. Alguns caras da direção decidiram prejudicar os bancários e bancárias que participaram da greve da campanha nacional da categoria em 2006, momento em que definimos os acordos coletivos e a convenção da categoria.

São muitas as formas dos representantes do capital para prejudicarem a classe trabalhadora. Não falta imaginação na hora de pensar sacanagens para vender caro direitos conquistados na luta organizada. A cada campanha salarial, a cada data-base e greve dos anos dois mil, alguns dos negociadores da parte do BB, que representavam o governo do PT, tiravam da cartola uma proposta marota, que tinha algum tipo de casca de banana para atingir algum segmento do movimento.

ATENÇÃO: durante os governos Lula e Dilma, tivemos muita gente boa nas áreas de gestão de pessoas e negociações com entidades representativas. Os avanços nos direitos contaram com a contribuição de muita gente dentro dessas áreas. Mas, às vezes, tinha uns caras difíceis como, por exemplo, quando fui coordenador da Comissão de Empresa: tivemos dois diretores do banco que ficaram marcados por quererem ser mais realistas que o rei. O movimento sindical da época com certeza sabe quem são esses caras. Faz parte...

Digo isso por conhecimento prático e isso não quer dizer que eu não tenha noção clara de que é muito melhor negociar com governos progressistas e democráticos como foram os governos de Lula e Dilma, que apesar de terem sido governos de composição com forças conservadoras (a tal governabilidade), foram governos melhores para a classe trabalhadora que todos os outros na história do país, na minha opinião. 

Vai tentar negociar com o PSDB ou com esses governos de ultradireita e fascistas como os dois após o golpe de 2016 - Temer e Bolsonaro. Tenta negociar com essa gente!

Enfim, o tema agora é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no Banco do Brasil.

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PLR NOS BANCOS FEDERAIS, CONQUISTA DA UNIDADE

Como no blog tem muitos textos sobre a história da conquista da PLR no BB e bancos federais, não vou me alongar em detalhes (o essencial já será textão). Para ler alguns textos a respeito basta clicar aqui e ver as postagens do embate entre nós e o BB na 1ª quinzena de março de 2007. Em linhas gerais, é o seguinte a história da PLR:

CUT E FENABAN ACORDAM PLR EM 1995 - Os bancários brasileiros de bancos signatários da Convenção Coletiva negociada e assinada entre a Fenaban e a CNB/CUT conquistaram em 1995 a PLR com regras que garantiam a remuneração para todos os bancári@s, independente de qualquer questão pessoal como alguma ausência no semestre de referência, resultado na dependência de trabalho, não cumprimento de meta etc. O banco deu lucro, todos recebiam PLR baseada em valores mínimos estabelecidos no Acordo Coletivo de PLR. Recebiam essa remuneração variável trabalhadores de bancos privados e de bancos estaduais e regionais que assinavam com a CUT o acordo.

BANCOS FEDERAIS NÃO PAGARAM A PLR DA CATEGORIA ENTRE 1995 E 2002 - Os trabalhadores de bancos públicos federais não recebiam PLR acordada entre a CUT e a Fenaban porque o governo de plantão se aproveitava de diversos subterfúgios para não pagar a remuneração aos bancários. Ficaram sem PLR assinada com a CUT entre 1995 e 2002 bancári@s do BB, Caixa Federal, BNB, BASA, BNDES. Durante o governo FHC, o BB criou um programa provisório monstrengo para pagar uma grana para certos segmentos preferenciais definidos pela direção do banco. A base da pirâmide recebia alguns reais, uns trocados, e o topo da pirâmide recebia valores dezenas de vezes maiores. Por 9 semestres os bancários da base da pirâmide recebiam uns 200 reais ou pouco mais e a direção do banco recebia dezenas de milhares de reais. Milhares de funcionários da base não recebiam nada por motivos estapafúrdios: uma ausência, a agência foi assaltada e não teve resultado positivo etc.

SOMOS BANCÁRIOS, QUEREMOS OS DIREITOS DOS BANCÁRIOS - Já no final dos anos noventa, os congressos de trabalhadores dos bancos públicos federais debatiam a importância da unidade geral da categoria bancária. Com o início do governo Lula, vimos uma oportunidade de realizar esse objetivo antigo da categoria, uma mesa única e uma convenção coletiva que abrangesse trabalhadores de bancos públicos e privados. Deu trabalho, mas conseguimos a unidade.

Em 2003, BB e Caixa Federal são forçados a negociar com os trabalhadores alguma forma de PLR porque as greves daquele ano foram fortes e a saída exigiu o atendimento de questões específicas, além do cumprimento das conquistas da categoria assinadas com a Fenaban. No BB, foi a nossa 1ª PLR com regras gerais, sem excluir nenhum(a) bancário(a) por motivos esdrúxulos. 

(ALIÁS, o movimento sindical e o governo Lula CORRIGIRAM a injustiça feita aos bancários que não receberam aqueles valores de "PLR" provisória da era tucana. Negociamos com o governo Lula o pagamento retroativo para todos que não receberam a remuneração naqueles 9 semestres.)

PLR NO BB AVANÇA COM PAGTO LINEAR DE PARTE DO VALOR - Depois da conquista da PLR com regras gerais em 2003, veio a conquista do módulo de distribuição linear de parte do lucro, 4% no BB. Regra que a categoria vinha discutindo em seus fóruns para ampliar o valor da distribuição de lucros e resultados. 

Como se sabe, negociação pressupõe conciliar interesses de ambas as partes (com ou sem "pegadinhas" ou sacanagens). No BB, a direção queria contratar algum tipo de remuneração por resultados locais, para estimular o cumprimento de metas, óbvio, e premiar as funções do topo da pirâmide funcional. Em 2005, já contratávamos com o BB regras gerais de distribuição de PLR, definidas por nós no ACT, sem excluir ninguém, e o banco se utilizava dos benefícios da lei de PLR para o seu módulo bônus, com valores determinados por ele. Mesmo assim, nós negociávamos as linhas gerais, valores mínimos etc. Nosso foco sempre foi contratar benefícios para os trabalhadores em geral.

Antes, ainda em 2003, para o BB acordar conosco as regras gerais semelhantes à do Acordo Coletivo CNB/CUT e FENABAN (adaptadas ao BB) foi preciso autorização de órgãos do governo para que o BB distribuísse aos funcionários mais que 6,25% do resultado porque as regras gerais da PLR da categoria faziam com que os bancos federais gastassem mais que os grandes bancos privados (porque tinham mais funcionários, porque o lucro era diferente etc).

Amig@s leitores, essa descrição acima é um resumão feito de memória, pois vivi intensamente cada negociação de PLR entre 2003 e 2013, como uma das lideranças dos funcionários do BB. São tantas, mas tantas histórias a cada ano que iríamos longe aqui.

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A PLR DE 2006/2007 E A PRÁTICA ANTISSINDICAL POR PARTE DA DIREÇÃO DO BB: QUEBRA DA SOLIDARIEDADE E VITÓRIA DO INDIVIDUALISMO

As negociações sobre distribuição de lucros e resultados entre nós representantes dos trabalhadores e a direção do Banco do Brasil e dos banqueiros em geral sempre foram balizadas por algumas lógicas ou princípios gerais. 

Os representantes do capital querem puxar a sardinha pro lado de seus "capatazes", ideólogos do patronato e líderes na gestão dos modelos de remuneração e nós queremos regras sempre mais gerais, que beneficiem todos que produziram aqueles resultados astronômicos dos bancos, e se tiver que escolher segmentos da pirâmide por causa do valor que os bancos apartaram para distribuir (cobertor curto), vamos priorizar a base da pirâmide, porque ao longo do ano cada pessoa já recebeu uma remuneração de acordo com a função desempenhada na empresa. Isso em linhas gerais, logicamente.

Nos congressos de trabalhadores, via de regra, definimos propostas de PLR que simplifiquem a distribuição para todos como, por exemplo, "n" salários + valores em reais, sem definir tetos gastos pelos bancos. As regras contratadas no final das negociações são as possíveis, num movimento estica e puxa entre nós e os banqueiros. Quanto maiores os valores fixos em reais, melhor para a base da pirâmide. Se não estipular alguma regra em relação à quantidade de salários, o montante do programa pode favorecer o topo da pirâmide em relação à base.

A PLR do BB vinha sendo uma referência para a categoria desde que inovamos em mesclar uma parte linear (4%) + um valor fixo em reais + uma porcentagem da remuneração da função (45% do Valor de Referência, VR, sendo a ref. E6 para escriturários e caixas). Essas eram as regras gerais, que não excluíam nenhuma pessoa, como conquistamos em 2003, as bases da PLR da categoria. Ainda negociávamos um módulo baseado em resultados, o módulo bônus, mas todos estavam garantidos na regra geral.

SUBSTITUIÇÃO DE FUNÇÃO - Uma das práticas mais comuns no dia a dia dos 100 mil funcionários do BB era a substituição de função nos locais de trabalho. A prática era importante tanto para a empresa quanto para os trabalhadores. Ausências por férias, aposentadorias, licenças diversas, cursos de formação eram comuns nas dependências e as substituições de funções por outros trabalhadores tanto supriam as necessidades da empresa quanto eram oportunidades de treinamento para os bancári@s e uma remuneração maior no final do mês. 

O fato concreto é que boa parte dos funcionários substituíam, às vezes, o semestre inteiro em algumas funções como, por exemplo, caixas, assistentes, analistas, gerências médias e até gerências gerais. 

PRÁTICA ANTISSINDICAL - A direção do BB, para acordar o pagamento da 2ª parcela da PLR, relativa ao 2º semestre de 2006, decidiu usar o programa para tentar refrear o impulso de luta do funcionalismo que vinha num crescendo desde 2003 e nas negociações para fechar a parcela a ser paga em março de 2007 decidiu agir de forma antissindical e com assédio moral institucional. 

A direção do BB propôs pagar o valor da PLR SEM CONSIDERAR A SUBSTITUIÇÃO NO SEMESTRE INTEIRO por causa de alguns dias de greve da data-base da categoria, dias de greve que aliás eram compensados até data definida em acordo coletivo. Ou seja, nenhuma justificativa para prejudicar os substitutos.

Durante duas semanas de negociações com as entidades sindicais, os "colegas" da direção do BB, funcionários de carreira da empresa, não abriram mão de penalizar os substitutos que fizeram greve e apostaram que as maiorias aprovariam isso nas assembleias, pensando em si mesmas. A Contraf-CUT e as lideranças sindicais indicaram a rejeição da proposta para que pudéssemos reverter essa sacanagem por parte da direção do BB, mas a proposta foi aprovada.

Como disse acima, ao ler os registros no blog no mês de março, ler em ordem cronológica é melhor, é possível ver o embate que fizemos com a direção do banco e nossa postura nas assembleias defendendo a solidariedade entre os colegas e dizendo "não" ao individualismo.

Ao longo dos anos, foram várias as artimanhas da direção do BB para nos dividir, como se o BB fosse um banco privado, gerido pela banca. São as contradições do mundo capitalista.

O texto foi longo, deu trabalho para fazer, mas entendo que é importante resgatar a história de luta dessa categoria tão aguerrida e que tanto contribuiu para as conquistas da classe trabalhadora brasileira.

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Tenho outras histórias para contar e relembrar sobre PLR como, por exemplo, a PLR dos colegas do Banco do Brasil cedidos para trabalhar na nossa Caixa de Assistência, a CASSI. Quando cheguei lá na autogestão como diretor de saúde eleito pelos trabalhadores (2014), o programa de PLR dos bancários do BB era bancado pela associação em saúde e não pelo banco e fiz uma luta pesada para corrigir isso. A insistência me custou muito caro (dezenas de milhares de reais... rsrs), mas fiz o que tinha que ser feito por um princípio ideológico: nunca recebi um centavo de PLR da Cassi. A luta que empreendi gerou (e gera) uma economia de milhões de reais para a Cassi. Muita gente que estava lá na gestão sabe disso. Qualquer hora eu conto essa história pra vocês.

William


Para ler o texto seguinte, o Memórias (XIII), clique aqui.

E aqui para ler o texto anterior.


4.12.21

Memórias (XI)


Eu, Cacaio e Marcel. que era coordenador da Comissão de Empresa
dos Funcionários do BB; eu representava a Fetec CUT SP.

Agosto de 2007 foi um mês de muito contato com os trabalhadores que representávamos, mês de sindicalização para fortalecer o Sindicato e a luta coletiva


INTRODUÇÃO

Tenho dedicado algumas horas do dia para relembrar a minha participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Fui dirigente sindical da categoria bancária por 16 anos, exercendo 4 mandatos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e 3 mandatos na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT.

Na metade da 1ª década dos anos dois mil, a internet e as redes sociais começavam a ganhar escala e os sites e blogs se tornaram uma forma de comunicação que permitiam a nós militantes de esquerda furar a bolha dos meios de comunicação hegemônicos das corporações de famílias bilionárias - casa-grande e capitalistas -, empresas de comunicação detentoras de todos os meios midiáticos e manipuladoras da opinião pública, grandes iniciadoras daquilo que hoje chamamos fake news, mentiras a respeito de boa parte das informações que veiculavam com "cara" de verdade. Quando não eram mentiras, eram omissões e invisibilizações da pauta da classe trabalhadora. A pós-verdade nasceu com o PIG - Partido da Imprensa Golpista.

Foi nesse contexto que criei o primeiro blog como dirigente sindical. Ele não existe mais porque o provedor desapareceu com ele e com as informações que produzi nele. Durou uns dois anos, entre 2005 e 2006. No final de 2006, criei novamente um blog em outro provedor, o blog A Categoria Bancária. A partir daí, passei a interagir com a categoria bancária e com as entidades sindicais e representativas através de minhas postagens. Foi uma experiência muito rica e que durou até o último mandato que exerci em nome da classe trabalhadora, na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, onde fui diretor de saúde até maio de 2018.

AGOSTO, MÊS DE CONVERSAS COM A BASE

Ao olhar minha agenda sindical (ver aqui), as 23 postagens mostram que fiz muito contato com os trabalhadores, seja nas posses de novos funcionários do Banco do Brasil - momento de apresentar o movimento sindical e de sindicalização -, seja nos locais de trabalho ou ainda em reuniões de delegados sindicais. 

O mês de agosto marcava o início das negociações da data-base da categoria bancária (setembro) com as minutas de reivindicações entregues: geral na Fenaban e específicas por bancos. Nós estávamos na construção da campanha unificada dos bancários e os avanços vinham ocorrendo. Já havíamos conseguido que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal assinassem a Convenção geral - a CCT entre a Contraf-CUT e a Fenaban -, ficando as questões específicas em Acordos Coletivos aditivos à CCT.

O 18º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) havia ocorrido na sequência da 9ª Conferência Nacional e com as entregas das minutas de reivindicações, começavam as mobilizações para fortalecerem as mesas com banqueiros e governo. Veja aqui uma postagem sobre o 18º CNFBB. O nosso coordenador da Comissão de Empresa (COE-BB ou CEBB) era o companheiro Marcel Barros.

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SINDICALIZAÇÃO - Fui a 4 posses de bancárias e bancários novos do Banco do Brasil, nos dias 6, 13, 20 e 27 de agosto. Os concursados tomavam posse dos cargos de escriturário e ficavam duas semanas em treinamento em um ambiente do banco. Em geral, nós sindicalizávamos várias pessoas no 1º dia de trabalho delas. Passei anos encontrando bancári@s que diziam ter sido sindicalizados por mim lá no início de suas vidas de colegas do BB. Muito legal isso!

REUNIÃO DE DELEGAD@S SINDICAIS - No dia 21 de agosto o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região realizou uma reunião organizativa com a militância do Banco do Brasil. Era comum fazermos reuniões com a militância, tanto nas agências e locais de trabalho, como fiz nos dias 15 (ag. Vila Iara - Osasco) e 17 (ag. São Bento), como nas regionais do Sindicato.

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REFORMA ESTATUTÁRIA DA CASSI - Os associados da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil iriam voltar a se manifestar em relação às negociações ocorridas entre a direção do banco, da Cassi e as entidades representativas do funcionalismo entre os dias 8 e 21 de agosto.

"Cassi - Para a Cassi, o Congresso do BB decidiu por uma campanha pela aprovação do novo estatuto, que será votado pelos associados entre os dias 8 a 21 de agosto." (Matéria sobre o Congresso aqui)

O tema foi debatido no 18º CNFBB e os participantes, em decisão majoritária, decidiram apoiar as mudanças que traziam entre outras coisas, mais recursos para a Cassi e compromissos por parte da direção do Banco e da Cassi em ampliar o modelo assistencial de Estratégia Saúde da Família, baseado em unidades próprias CliniCassi e programas de saúde. 

A proposta foi aprovada anteriormente, mas com o quórum abaixo do necessário como define o estatuto da associação.

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Os anos como dirigente da classe trabalhadora foram anos de muito aprendizado, muito companheirismo e de muita luta em defesa daquilo que acreditamos, um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas.

William


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3.12.21

Memórias (X)



Memórias de lutas sindicais e democracia no Brasil: relembro a construção da estrutura organizativa da categoria bancária

Nas memórias de hoje, vou relembrar as agendas de lutas do mês de julho de 2007. Fiz 23 postagens no blog A Categoria Bancária. O mês foi intenso porque foi mês de finalizar a primeira parte da campanha da categoria: tivemos assembleias de base e depois a 9ª Conferência Nacional e os congressos de bancos em seguida.

Este dirigente que revisita as memórias era o secretário de imprensa da Contraf-CUT, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e representante da Fetec-CUT SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, uma comissão que assessorava a confederação e o Comando Nacional na organização e negociação de questões específicas por bancos (COE-BB ou CEBB).

A VIDA TODA JUNTO ÀS BASES - Ao ver as postagens do mês (ver aqui), fico feliz em relembrar que não deixei de fazer contatos com a base de trabalhadores do Banco do Brasil nem em meses tão cheios de agendas internas ao movimento como esse de organizar e finalizar as estratégias, as reivindicações e as bandeiras de lutas da campanha nacional dos trabalhadores do ramo financeiro. 

SINDICALIZAÇÃO - Achei espaço na agenda para ir conversar com bancários e bancárias do BB na posse e sindicalizá-los no 1º dia de trabalho deles no banco público. Aliás, as mulheres só tiveram direito de prestar concurso e trabalhar no BB depois de mais de um século de existência do banco. Agendas dos dias 16 e 23 de julho.

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Na 1ª semana de julho tínhamos agendas de reuniões diversas, na secretaria de imprensa da Contraf-CUT, porque estávamos confeccionando a revista nacional O Espelho, definindo propostas para a mídia da campanha nacional 2007 e trabalhando para dar visibilidade à luta da categoria na imprensa empresarial, a dos capitalistas e da casa-grande.

Eram frequentes reuniões de diretoria, tanto gerais como de corrente política. Eu tinha ainda horas e horas de dedicação à confecção da tese política da Articulação Sindical da CUT, feita em conjunto com outras companheiras e companheiros. 

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REMUNERAÇÃO VARIÁVEL - Como já disse nas outras postagens de memórias sindicais, desde cedo no movimento passei a escrever e contribuir com teses, propostas e opiniões a respeito da organização e luta da classe trabalhadora. Nesse ano de 2007, tive que fazer longos e cansativos debates internos na Articulação Sindical a respeito de propostas feitas para regular a remuneração variável na categoria. 

Tínhamos a intenção correta de regular e negociar com o patronato toda a remuneração dos trabalhadores porque os banqueiros estavam criando formas de remuneração variável com diversos programas de participação em resultados, formas de acelerar as metas abusivas e a sobrecarga de trabalho, gerando grande estresse e adoecimento, inclusive com assédio moral.

Eu não concordava com algumas propostas a respeito de contratação da remuneração variável e fiz o debate democrático dentro da corrente. Estudei, escrevi, fiz debates com diversas lideranças etc. Foi um momento rico na democracia interna do movimento e da corrente política. Valeu bastante. 

Ao final do processo, como não tinha concordância em votar a favor da proposta final de contratar remuneração variável na forma de parte do que os bancários produziam com tarifas e taxas de serviços nas agências (entendo isso como um contrassenso para a luta contra as metas abusivas), recebi por parte da Articulação Sindical autorização para me abster nos fóruns de decisão. Inclusive, no fórum final, fiz declaração de voto esclarecendo ao conjunto dos delegados e delegadas da 9ª Conferência Nacional os motivos por que não votei a favor daquela proposta.

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DURANTE GOVERNOS DO PT, AS AGENDAS DA CLASSE TRABALHADORA ERAM POR MAIS E MELHORES DIREITOS SOCIAIS

Ao ler uma matéria sobre a abertura da 9ª Conferência Nacional (ler aqui) vemos o quanto a classe trabalhadora brasileira estava com uma agenda propositiva e em ascensão social, pois queríamos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, aumentos mais significativos no salário mínimo do país, desenvolvimento econômico sustentável e com distribuição de renda para o povo brasileiro que efetivamente produz a riqueza do país. 

Os períodos dos governos do Partido dos Trabalhadores - governos de esquerda ou centro-esquerda, até sociais-democratas podemos dizer - são tempos de mais oportunidades para a base da pirâmide social e de mais felicidade para o povo. E sabemos que as contradições sempre vão existir, sempre. Elas fazem parte das lutas de classes.

ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO

A criação da Contraf-CUT em 2006 foi uma nova etapa da organização da categoria bancária dentro da Central Única dos Trabalhadores, a nossa CUT.

Quando se estuda a história dos trabalhadores dentro do setor financeiro brasileiro, vemos que nossas lutas começaram ao mesmo tempo em que a família real veio para o Brasil, em fuga de Portugal por medo de Napoleão Bonaparte. Eles chegaram aqui tomando casas e propriedades das pessoas e criando instituições da sociedade moderna como bancos, comércios etc.

Tínhamos trabalhadores bancários atuando no século XIX, tanto nos bancos públicos ou de governo como nos bancos privados. Banco do Brasil e Caixa Federal foram criados naquele período. O século XX foi de grande envolvimento dos bancários nas lutas de trabalhadores por direitos trabalhistas e sociais. Muitos sindicatos nasceram como associações no início do século e ainda hoje são dos mais organizados do país.

A categoria bancária teve papel preponderante na criação da CUT e nós fomos vanguarda na ideia de organizar os bancários em departamento, mesclando a lógica de estrutura vertical com a da Central, mais horizontal e de classe. Em 1985/86, dois anos após a criação da CUT, organizamos o Departamento Nacional dos Bancários (DNB). A estratégia foi muito exitosa e rapidamente estávamos organizados no país todo, fazendo grandes greves nacionais entre 1985 e 1989.

Nos anos noventa, avançamos para uma Confederação e passamos a contratar direitos em acordos e convenções coletivas. A CNB/CUT contribuiu enormemente para o fortalecimento da Central e da classe trabalhadora brasileira.

Ao mesmo tempo em que nós nos organizávamos, os banqueiros e patronato da casa-grande se organizavam também, é lógico. Reestruturações e avanços tecnológicos marcam essa história de embate entre bancários e banqueiros. A Contraf-CUT surge num momento em que mais de meio milhão de trabalhadores estão gerando lucros para as corporações dos banqueiros e não têm os direitos da categoria, reunidos na Convenção Coletiva dos Bancários, a CCT/CUT.

Bom, já me alonguei nessa postagem de memórias sindicais. O fato é que nós tínhamos uma missão ao criar a Contraf-CUT, missão difícil, mas muito bem-intencionada por parte das organizações sindicais dos bancários. Veja aqui a postagem que fala das estratégias definidas naquele ano de 2007, na 9ª Conferência Nacional, para organizar diversas categorias dentro do ramo financeiro e enfrentar a casa-grande e os banqueiros.

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FOCO NA UNIDADE DO LADO DOS TRABALHADORES, AUMENTO DE DIREITOS E CONTRATAÇÃO DA REMUNERAÇÃO TOTAL

A 9ª Conferência definiu suas reinvindicações, estratégias e agendas de campanha a serem aperfeiçoadas e adaptadas dia a dia pelo Comando Nacional dos Bancários, que foi ampliado naquele ano. Ver a matéria aqui.

Abaixo, deixo um trecho da questão que debati intensamente com a companheirada da Articulação Sindical e demais forças políticas e participantes dos fóruns decisórios da categoria. A vida seguiu, eu discordando das propostas e todos lutando juntos contra os banqueiros.

"Além do reajuste salarial, os bancários também querem uma remuneração complementar de 10% do total das vendas de produtos feitas em cada unidade, distribuído de forma linear para todos os empregados da unidade, creditados mensalmente como verba salarial, incidindo sobre FGTS, 13º, férias e descontos previdenciários.

Na mesma linha, outro item que consta na minuta é a remuneração complementar sobre receita de prestação de serviços para todos os bancários. O benefício reivindicado é de 5% da arrecadação com prestação de serviços distribuídos trimestralmente de forma linear a todos os bancários de cada instituição, inclusive aos afastados por licença-saúde. " (Matéria da Contraf-CUT)

Ao ver as propostas acima, sigo pensando do mesmo jeito que pensei 14 anos antes. Acho que elas não eram as propostas ideais para contratar a remuneração variável da categoria. Mas a vida seguiu e tudo mudou para pior após o golpe de Estado em 2016. 

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A HISTÓRIA SERVE DE REFERÊNCIA, ELA NÃO SE REPETE. A HISTÓRIA NOS MOSTRA QUE PODEMOS MUDAR A REALIDADE TERRÍVEL NA QUAL NOS ENCONTRAMOS EM 2021

É isso! Mais um momento de memórias de lutas da classe trabalhadora. Todas as pessoas podem e devem se envolver nas questões inerentes à nossa vida em sociedade.

Hoje vivemos sob pandemia de Covid-19, num país tomado pelo crime organizado dentro do poder do Estado e sem democracia desde abril de 2016.

Mudar a realidade sempre é possível. Depende de cada um de nós, duzentos milhões de brasileiras e brasileiros.

William


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E aqui para ler o texto anterior.


30.11.21

Memórias (IX)



Memórias de lutas sindicais: planejamento e trabalho de base são essenciais

O passado não se repete nunca, pois os contextos e as épocas nunca são os mesmos. No entanto, o passado nos serve de referência para pensar o presente e o futuro. Ao ver os registros de minha vida de dirigente sindical - a forma como o movimento fazia a organização e as lutas -, vejo ali boas referências para lutar e derrotar nossos inimigos de classe. 

As novas gerações têm que desenvolver novas estratégias e táticas de acordo com o contexto e o momento atual. Assim como as experiências que vivemos ainda têm sua validade: contato permanente com os trabalhadores que representamos, organização nos locais de trabalho, planejamentos estratégicos de ações para enfrentar o patronato e os inimigos da classe, enfim...

Como manter e ampliar direitos no contexto atual? Não temos respostas assertivas e prontas, temos alguns princípios, concepções e práticas sindicais que sempre nos auxiliaram. Também é importante olhar as experiências do passado porque a luta de classes não para nunca, enquanto houver classes.


Olhando meus registros no blog A Categoria Bancária no mês de junho de 2007, 22 postagens, vejo que sempre mesclamos organização de base (OLT) e organização das entidades sindicais na estrutura. Ver aqui postagens na ordem cronológica inversa, do fim do mês para o início.

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Na 1ª semana daquele mês, do dia 1 ao dia 7, eu fiz reunião de base em agências do BB, fizemos reunião da diretoria do Sindicato para planejar a campanha nacional dos bancários, fiz artigo de opinião sobre estratégias e questões sobre a campanha da categoria, finalizei a produção da revista dos funcionários do Banco do Brasil - O Espelho - que era impressa e com 16 páginas e fizemos reunião do Coletivo BB para avaliar o trabalho e a luta no 1º semestre e desenhar as estratégias e dividir as tarefas e ações políticas de cada militante do coletivo de diretores. Isso não é pouca coisa!

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Na 2ª semana não foi diferente. Realizamos reunião nacional na Confederação para a campanha de data-base dos bancários, reunião no Sindicato e eu fiz reunião na secretaria de imprensa da Contraf-CUT. Eu era o diretor responsável pela comunicação nacional da categoria.

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REESTRUTURAÇÃO DO BB - Na 3ª semana do mês, conversei à noite com um bancário para buscar informações sobre a reestruturação que a direção do Banco estava realizando. O movimento sindical sempre desenvolveu estratégias de contatos nos locais de trabalho para estar antenado com as informações internas sobre o que o patrão faz. Isso é essencial para as lideranças sindicais. Além da informação de qualidade, os contatos nos dão representatividade e pertencimento coletivo - trabalhadores e sindicatos.

REVISTA DO BRASIL - Tivemos reunião sobre a Revista do Brasil. A revista foi um dos projetos mais bonitos que já vi sobre comunicação voltada para os trabalhadores e não para manipular o povo como as revistas dos empresários da casa-grande, as porcarias do Partido da Imprensa Golpista (P.I.G.). A revista era parte do projeto do portal Rede Brasil Atual, no ar até hoje. Eu tenho praticamente todas as revistas impressas publicadas e distribuídas para dezenas de milhares de trabalhadores de diversas categorias profissionais que faziam parte do projeto.

AGENDAS EM BRASÍLIA (CCP e CASSI) - Estive em Brasília nos dias 20 e 21 de junho para tratar das questões relativas à reforma estatutária da Cassi (2ª votação não atingiu quórum novamente, ver logo abaixo*) e também para participar de reunião da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (COE BB ou CEBB) a respeito do Acordo de Conciliação Prévia e Voluntária entre o Banco e os trabalhadores sobre demandas trabalhistas (CCP).

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Na última semana do mês, tivemos assembleia da Anapar para tratar de questões do Economus, dos funcionários do banco Nossa Caixa. Também tivemos assembleia do Sindicato sobre prestação de contas para a categoria. As reuniões organizativas seguiram: tivemos reunião nacional para definir as mídias da campanha nacional dos bancários.

Enfim, o mês de junho de 2007 deste ex-dirigente da categoria bancária foi bem intenso!

Fizemos muita coisa boa durante nossa participação nas lutas e conquistas da categoria e da classe trabalhadora brasileira.

William

*Post Scriptum: reprodução de comunicado O Espelho Fax nº 296, da Comissão de Empresa, sobre o resultado da votação da reforma estatutária de 2007 em 2º turno.

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O Espelho Fax


DTX0 - Informativo da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil – nº 296/junho/07


CASSI

Mais uma vítima do pacote do BB


Pacote de maldades do banco causa incertezas no funcionalismo
e votação da proposta de novo estatuto não atinge quórum


Pela segunda vez, a consulta sobre o novo estatuto da Cassi terminou sem o quórum necessário para aprovar as mudanças. No segundo turno da votação, encerrado na sexta-feira, dia 1º, 66.256 associados votaram pela aprovação das propostas negociadas com o banco. O número, entretanto, não atingiu os dois terços necessários para garantir o resultado. Faltaram702 votos no “sim”.

“Por uma questão estatutária, o resultado das eleições não foi consolidado por falta de quórum. A insegurança do funcionalismo na votação se deve, em grande parte, ao pacote de reestruturação do banco. O BB precisa assumir sua responsabilidade no resultado. O pacote pretende economizar R$ 280 milhões, sendo que R$ 21 milhões seriam retirados da Cassi. O funcionalismo ficou preocupado já que a diretoria do banco imitou a truculência de 1996, quando os tucanos quebraram o nosso PCS e liquidaram o equilíbrio atuarial da Cassi”, afirmou Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Marcel destaca que outra parcela da responsabilidade pelo não atingimento do quórum se deve ao pessoal que fez campanha pela não aprovação das mudanças, incluindo diretores do banco e um pequeno segmento do movimento sindical que coloca questões partidárias acima das necessidades dos funcionários.

“A rigidez do estatuto estabeleceu uma situação em que a minoria se sobrepôs à maioria. É lamentável, mas acontece em um estado de direito e vamos respeitar o resultado. Além da irresponsabilidade da atual direção do banco ao lançar este pacote de maldades que lembra os piores ataques do governo FHC, muita gente apostou na divisão do funcionalismo para favorecer projetos políticos escusos. Os bancários ficaram em segundo plano, o que é lamentável, porque as propostas de mudanças na Cassi eram importantíssimas e salvariam a nossa Caixa de Assistência do déficit financeiro que há anos compromete o futuro da entidade”, destacou Vagner Freitas, presidente da Contraf-CUT.

A Contraf-CUT vai continuar pressionando o banco para retomar as negociações sobre a Cassi.

Confira abaixo os números finais da votação.

 

 

Escolha

Nº de votos

percentual

Sim

66.256 

65,97%

Não

25.042 

24,93%

Branco/nulo   

9.138

9,09%

Total

100.436

100%

 


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O texto anterior pode ser lido aqui.