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23.5.17

1º Fórum de Saúde dos Bancários traz reflexões sobre os rumos do SUS


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores,

Estive nesta segunda 22 à noite e nesta terça 23, após a reunião da Diretoria Executiva da Cassi, no excelente Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários, promovido pelo Sindicato dos Bancários de Brasília. As apresentações temáticas nos painéis foram muito esclarecedoras e o evento compartilhou muito conhecimento.

Tive o privilégio de mediar a 3ª mesa do dia. O evento terminou por volta de 21h.

Nesta quarta 24 é o dia de nossa Conferência de Saúde da Cassi e Conselho de Usuários DF.

Abraços, William


(reprodução de matéria)

Uma das excelentes mesas do evento. Foto: Guina.

A manhã desta terça-feira (23) foi marcada por reflexões e inquietações provocadas por especialistas em saúde pública que participaram do segundo dia do 1º Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários realizado pelo Sindicato, em sua sede, numa parceria com a CUT Brasília, Fenae e Anabb.

“O objetivo deste Fórum não é só fazer a discussão, mas agir com a consciência do que queremos, quais caminhos trilhar e como dialogar com os outros para promover a saúde com mais propriedade”, afirmou o Presidente do Sindicato, Eduardo Araújo. Nesse sentido, ele destacou que será publicada uma cartilha com as discussões realizadas no evento e também será editado um vídeo com as falas para ser exibido na TV Comunitária, Canal 12 da NET, na próxima sexta-feira (26).

Também participando da mesa que abriu o primeiro painel, “Descaminhos da Saúde no Brasil - cenários e perspectivas”, a secretária de Formação do Sindicato, Teresa Cristina, destacou a necessidade de fortalecer a luta na defesa do SUS. “É muito importante que a categoria bancária enxergue o que esse sistema representa para o país. Queremos e precisamos participar juntos da luta de reconstrução não só do SUS, mas do Brasil. É um dever moral”, orientou.

Menos diferenças sociais

Com origem no movimento sindical, o radialista Arnaldo Marcolino falou com propriedade sobre a importância de se discutir e entender as diferenças existentes em uma sociedade, a fim de unir os diversos atores sociais em prol de um objetivo comum. Levantou, ainda, várias questões sobre as dimensões política, econômica e de proteção social da saúde no Brasil.

Sobre os bancários, penosidade foi o termo usado por Marcolino para caracterizar os problemas relacionados às condições de trabalho que afligem a categoria. “É penosa a situação do trabalhador que acaba levando as metas para casa, envolvendo todos os familiares. Isso destrói e adoece toda a família”, explicou. “Em contrapartida, qual a política de saúde mental que os bancos ou o governo promove para aliviar essa condição?”, questionou.

Sobre as questões que envolvem a política macro no Brasil, o radialista disse que a história pode ser recontada a partir do movimento dos trabalhadores. “Nós, trabalhadores, temos que ter uma grande ambição. Não de tomar o governo, mas de sê-lo. De ser governo a partir da educação, da cultura e de todas as travessuras, alegrias e tristezas que uma sociedade pode ter. Tem que ir além da máquina e recontar a história a partir da nossa própria história.”

Greve, uma ferramenta de luta

O professor Eduardo Azeredo Costa, membro da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, enfatizou a gravidade do momento atual por que passa a vida brasileira e que extrapola a matéria do seminário. “A saúde, na verdade, reflete as condições de vida e do trabalho das pessoas que, claramente, está em alto risco devido às medidas que esse governo espúrio, fruto de um golpe parlamentar, está tentando impor, apesar de sua total ilegitimidade”, apontou.

Segundo Azeredo, a greve é a única ferramenta capaz de impedir a aprovação das propostas de reformas trabalhista e previdenciária empurradas pelo governo. “Apesar de ter sido mal divulgado pela imprensa, o movimento grevista de um dia causou um grande impacto. Temos que pensar nisto. Os trabalhadores, na verdade, têm grande responsabilidade nas transformações e na conquista de uma democracia mais justa, capaz de trazer mais saúde para todos e conquistar uma democracia mais justa. Mais uma vez, a solução está depositada nas mãos dos trabalhadores”.

Para ele, o direito à saúde, mesmo previsto na Constituição, é uma quimera. “A gente luta pelo SUS, mas esse sistema ainda não é a solução definitiva devido a sua composição e gestão. Além disso, diferentemente do que fizeram outros países, o sistema não prioriza a atenção básica e a atenção aos mais doentes”, enfatizou.

Participação de todos

Para a médica sanitarista Ana Maria Costa, professora de Saúde Coletiva e diretora do Centro Brasileiro de Estudo da Saúde, a luta pelo direito à saúde exige a participação de todos e faz parte da concepção de um novo Estado que garanta mais proteção, bem-estar social e a primazia dos cidadãos sobre os valores do capitalismo.

“Os interesses do sistema financeiro, de fato, não são as pessoas. É o lucro, o rendimento e uma acumulação que, cada vez mais, aumenta as desigualdades. Esse sistema, que opera no capital não produtivo, não só acirra os mecanismos de produção de desigualdade como também prescinde da força de trabalho”, afirmou a médica.

Em função disso, segundo a especialista, a luta pela saúde deve se articular com a luta pelo fortalecimento das instituições democráticas e se vincular, especialmente, à instalação de um projeto político efetivo de democracia social. “A democracia econômica, que visa à distribuição da riqueza, é insuficiente. Temos que apostar nos nossos mecanismos de luta, na greve, na mobilização permanente para restabelecer a democracia e um projeto político para o País. O que está posto agora é destruidor, perverso, e não se importa com o ser humano. A luta pela saúde é a luta por um Brasil, de fato, melhor”, ressaltou.

A programação do Fórum seguiu durante a tarde.

Rosane Alves
Do Seeb Brasília

27.2.15

Agenda de luta e gestão do Diretor de Saúde da Cassi (Uberlândia - MG)



Filho, perdoe-me a ausência por meu trabalho, mas conte comigo.

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Estamos encerrando mais uma semana de trabalho. Foi uma semana com jornada extensa.

Tivemos agenda intensa na Caixa de Assistência com reunião mensal do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal. No CD foram longas horas de busca de consensos e acordos possíveis entre as representações do Banco do Brasil e do Corpo Social. Apesar da dureza dos debates, agradeço a unidade dos eleitos nos fóruns de governança da Cassi.

Estivemos também no evento do Sindicato dos Bancários de Brasília na quinta à noite sobre as Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT). A palestra do médico Márcio Moreira Salles abordou a importância da prevenção.


CliniCassi Uberlândia - MG.
Nesta sexta-feira, visitei e conheci a nossa unidade da CliniCassi Uberlândia. Passei a tarde com a nossa equipe e fizemos uma boa reunião sobre as grandes questões que estão na ordem do dia na Cassi. Agradeço a recepção dos funcionários e parabenizo o excelente trabalho que vem sendo realizado na unidade.

Estou com tanto trabalho a fazer em relação a textos, relatórios e estudos de pilhas de documentos que, se eu fosse uma máquina, teria que seguir ininterruptamente por dias. Mas sou humano e estou cansado.

A missão que assumi a pedido das entidades representativas do funcionalismo do BB é árdua, mas fazemos de coração e com todo o empenho do mundo. Acreditamos no projeto de saúde que defendemos.

Mas os problemas pessoais que minhas tarefas estão acarretando à minha família são complicados.

Abraços e beijos para minha esposa e meu filho.

William Mendes


Post Scriptum: toda a minha agenda de trabalho e visitas foi custeada por mim mesmo.

LER/DORT: "Prevenção é o melhor remédio", recomenda médico do trabalho (SEEB DF)



Mesa de abertura de evento sobre LER/DORT 
no Sindicato dos bancários DF.

“Prevenção não faz parte da cultura do brasileiro. Ele se preocupa apenas com procedimentos curativos”. Esse foi o foco da palestra ‘LER/Dort: Prevenir é a melhor solução’, realizada pelo médico Márcio Moreira Salles, especializado em Medicina do Trabalho pela Fundacentro e mestre em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de Brasília (UnB), nesta quinta-feira (26), na sede do Sindicato. O evento teve como objetivo lembrar o Dia Internacional de Combate às LER/Dort (Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), celebrado em 28 de fevereiro.

Segundo Salles, para que o quadro crescente de lesionados diminua, é necessário que empresas e sindicatos orientem os novos trabalhadores sobre como se prevenir contra os distúrbios do trabalho e sobre quais são seus direitos. 
“Esse trabalho deve ser iniciado logo que o bancário entra na empresa”, destacou.

“Nossa legislação é riquíssima. Discute detalhes sobre o uso dos equipamentos de trabalho, mas existe um abismo assustador entre o direito e a justiça”, completou.

Mas se não houve prevenção, o jeito é procurar um tratamento adequado que, segundo o médico, irá determinar a causa dos sintomas para que se escolha o tratamento mais adequado. Salles ressalta que na fase aguda o tratamento é feito por meio de anti-inflamatórios e repouso das regiões comprometidas. Na fase crônica, o tratamento a ser indicado vai depender de cada caso. Por isso, a necessidade de se procurar um médico especialista no assunto.

Sobre as recomendações para evitar adquirir as lesões, o médico orienta mudar os hábitos posturais. Entre as dicas, estão: procurar manter as costas eretas, apoiadas num encosto confortável; a cada hora, fazer pausas e alongamentos e zelar pela qualidade do sono, para que ele seja tranquilo e reparador. Além dos cuidados individuais, é necessário manter um ambiente de qualidade, primando pela luminosidade adequada, temperatura moderada, e ausência de ruídos.


O presidente do Sindicato, Eduardo Araújo, disse que a entidade vai procurar usar as informações trazidas na palestra para orientar a categoria a se prevenir melhor. “Temos vários colegas bancários que sofrem bastante com esse distúrbio, mas não procuram ajuda. O nosso desafio está lançado: fazer um trabalho de abordagem sistemática e contundente para sensibilizar as pessoas que elas não estão imunes a este processo no futuro”, afirmou Araújo. Uma das ações é lançar uma cartilha e criar um canal de comunicação para responder as dúvidas dos bancários com relação à prevenção e reabilitação.

“Aprendi muito com esta palestra, que foi muito didática e explicativa. Uma pena que esse auditório não esteja lotado de bancários, pois esse problema atinge os colegas há tempos”, destacou a secretária-geral do Sindicato, Cida Sousa. Ela disse que, devido à seriedade do tema, irá levar o assunto para as mesas de negociação do BRB. “Vamos nos empenhar para incluir o tema nas discussões do Acordo Coletivo da categoria e combater esse absurdo”, acrescentou.

Já o secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Wadson Boaventura, afirmou que a Assessoria de Saúde vai se empenhar no trabalho de convencimento dos bancários com relação às ações preventivas no combate às LER/Dort. “Temos que massificar as informações de prevenção junto à categoria que tem adoecido por conta da intensificação do trabalho e da redução do quadro no seguimento bancário”.

Para o Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, William Mendes, que é secretário de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), há uma subnotificação dos dados relativos à saúde do bancário. “Muitos comissionados, pelo medo de perder parte do salário, não expõem claramente os problemas de saúde. Nosso desejo é que as pessoas usem o Exame Periódico de Saúde para relatar seus casos. Isso nos ajudará a identificar o trabalhador adoecido e realizar um trabalho melhor de recuperação desse trabalhador”.



Mais sobre LER/DORT

As LER/Dort não são propriamente uma doença, mas uma síndrome constituída por um grupo de doenças, entre outras: tendinite, tenossinovite, miosite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, síndrome cervicobraquial, síndrome do desfiladeiro torácico. Em outros países tem outras denominações: CTD (Cumulative Trauma Disorders) e RSI (Repetitive Strain Injury).

O distúrbio afeta músculos, nervos e tendões, provocando dor e inflamação e sobrecarrega do sistema musculoesquelético. São quatro os fatores que ocasionam os processos inflamatórios: movimentos repetitivos continuadamente, posturas inadequadas, estresse e a ausência de pausas no tempo excessivo de trabalho.

Entre os profissionais expostos ao risco, estão os que trabalham com computadores, em linhas de montagem e de produção. Pela constituição física e pela jornada de trabalho dupla ou tripla, as mulheres são mais lesionadas que os homens, por isso a necessidade do descanso obrigatório para elas.

Fonte:
Rosane Alves
Do Seeb Brasília

14.8.13

Bancos negam reivindicações de saúde, condições de trabalho e segurança


Primeira rodada de negociação entre Comando e Fenaban frustrou bancários

Os bancos negaram todas as reivindicações sobre saúde, condições de trabalho e segurança bancária apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, na manhã desta sexta-feira (9), na conclusão da primeira rodada de negociações da Campanha 2013, em São Paulo. 

"As negociações começaram muito mal. Os banqueiros só estão preocupados com a gestão dos lucros e não com a gestão das pessoas e a proteção da vida", critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

"Mais uma vez deixamos claro aos bancos que as más condições de trabalho, responsáveis pela epidemia de adoecimentos que atinge a categoria, e a proteção à vida são prioritárias e precisam ser resolvidas nesta Campanha Nacional. A postura intransigente dos bancos na mesa de negociação não deixa outra alternativa do que o crescimento da mobilização dos bancários em todo o país", alerta Carlos Cordeiro.

Em 2012, segundo dados do INSS, 21.144 bancários foram afastados do trabalho por adoecimento, dos quais 25,7% com estresse, depressão, síndrome de pânico, transtornos mentais relacionados diretamente ao trabalho. Outros 27% se afastaram em razão de lesões por esforços repetitivos (LER/Dort).

Somente nos primeiros três meses deste ano, 4.387 bancários já haviam se afastado por adoecimento, sendo 25,8% por transtornos mentais e 25,4% por LER/Dort.

Na recente consulta para a Campanha Nacional, 18% dos que responderam declararam ter se afastado do trabalho por motivos de doença nos 12 meses anteriores e 19% disseram usar medicação controlada.

E em relação aos problemas de saúde, 66,4% dos bancários responderam na mesma consulta que as metas abusivas são o mais grave problema enfrentado hoje pela categoria. Outros 58,2% pedem o combate ao assédio moral, enquanto 27,4% assinalaram a falta de segurança contra assaltos e sequestros.

Assédio moral/violência organizacional

O Comando Nacional cobrou mais empenho dos bancos para coibir a prática da violência organizacional nos locais de trabalho e defendeu a necessidade de aprimorar o instrumento de combate ao assédio moral, conquistado na Campanha Nacional 2011, que depende da adesão de sindicatos e bancos. Um dos problemas é que o prazo de apuração das denúncias encaminhadas aos bancos é hoje de até 60 dias. Foi proposta uma redução para até 30 dias. 

Os dirigentes sindicais também reivindicaram que as empresas possibilitem que os sindicatos realizem palestras e reuniões nas agências e departamentos sobre prevenção ao assédio moral. E defenderam a garantia de estabilidade no emprego ao bancário ou bancária assediada durante o período de investigação da denúncia.

Os negociadores não deram resposta para as demandas e sugeriram que essas questões sejam remetidas para aprofundamento na mesa temática de saúde e condições de trabalho.

Retorno ao trabalho após licença-saúde

O Comando Nacional denunciou que alguns bancos estão descumprindo a cláusula 43ª da convenção coletiva, pois estão chamando de volta para o trabalho bancários que estão afastados por licença-médica com benefício no INSS. 

"É importante que o banco tenha um programa de retorno ao trabalho, a partir da alta do INSS, buscando reinserir o funcionário no trabalho, com apoio de equipe multidisciplinar", destacou Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.

Além disso, os dirigentes sindicais apontaram a necessidade da prevenção. "Não concordamos que o trabalhador deve ser adaptado ao ambiente que o adoeceu. Queremos discutir a prevenção, de modo que o bancário retorne ao trabalho, seja acolhido e não volte a adoecer", destacou Carlos Cordeiro. 

Foi proposto pelo Comando que seja realizado um estudo conjunto sobre o porquê do adoecimento no trabalho, a fim de discutir as causas do problema e buscar soluções eficazes para garantir um emprego saudável para todos. A Fenaban respondeu dizendo que não é possível assumir um compromisso de fazer esse estudo.

"Também foi defendido pelo Comando que seja garantida a manutenção do pagamento integral do salário e demais vantagens, sem perda da função e sem descomissionamento, para todo bancário que retorna ao trabalho após afastamento por motivo de saúde", salienta Walcir. 

E foi ainda reivindicado o pagamento do salário até o retorno ao trabalho para o bancário que recebe alta do INSS, mas é considerado inapto pelo banco. Hoje o prazo vai até 120 dias. Os bancos não aceitaram as propostas.

Trabalhadores com deficiência

O Comando Nacional propôs que os bancários com deficiência tenham direito ao abono das faltas em todas as ocasiões em que houver necessidade de conserto, reparo ou aquisição de prótese. Os bancos não aceitaram, alegando que o pleito já vem sendo atendido em cada empresa.

Outras demandas de saúde

O Comando Nacional discutiu ainda problemas envolvendo a realização de exames médicos. "Há práticas inadequadas dos bancos, como preenchimento antecipado do ASO", disse Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Foi denunciada a realização de exames demissionais no local de trabalho no ato da dispensa, o que é um absurdo. A Fenaban disse que essas questões também devem ser discutidas na mesa temática de saúde.

Os dirigentes sindicais ressaltaram também a necessidade de manutenção do plano de saúde para o bancário na aposentadoria nas mesmas condições vigentes quando estava na ativa.

Abono-assiduidade

O Comando reivindicou novamente a concessão de um abono-assiduidade de cinco dias de ausências justificadas por ano, já praticado pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Segundo Eduardo Araújo, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, "esse abono trata dos cinco dias do ano que os trabalhadores não recebem para trabalhar". No HSBC, o dia do aniversário do bancário já é abonado.

A resposta da Fenaban, no entanto, foi outro "não", deixando indignados os dirigentes sindicais. Os bancos aumentam os lucros, mas não há contrapartidas sociais para os trabalhadores, responsáveis pelos resultados astronômicos das instituições. Pode?

Segurança Bancária

O Comando Nacional reafirmou a necessidade de proteger a vida das pessoas e cobrou prevenção contra assaltos e sequestros, bem como a melhoria da assistência às vítimas. Os bancos, no entanto, negaram o atendimento das reivindicações por mais segurança, mostrando que a gestão do lucro está acima da preservação da vida.

Foi ressaltada a necessidade de prevenção contra sequestros. O número de ocorrências vem crescendo assustadoramente. Nos últimos sete dias, segundo levantamento do Comando, dez bancários foram vítimas nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Pará, atingindo gerentes e tesoureiros, os que levam as chaves do banco para casa. Os bancos recusaram a proposta do fim da guarda das chaves pelos bancários, alegando que não é a causa dos sequestros. 

"Defendemos a abertura das agências e postos de atendimento por empresas de segurança, como já vem sendo feito por vários bancos, como a Caixa Econômica Federal. Também é possível utilizar novas tecnologias, como o controle remoto, mas infelizmente o foco dos bancos tem sido a gestão do lucro e não a proteção da vida", criticou Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.

Além da prevenção, o Comando defendeu estabilidade no emprego e maior assistência para vítimas de assaltos, sequestros e extorsões. Foi proposta a emissão da CAT, a liberação dos funcionários do trabalho e o fechamento das agências e postos no dia da ocorrência, o custeio de remédios e segurança individual no reconhecimento de suspeitos na delegacia de polícia, dentre outras demandas. 

Mas nada foi aceito pelos bancos. A Fenaban ainda sugeriu que os trabalhadores busquem a via judicial para discutir os problemas enfrentados em decorrência de assaltos e sequestros.

Os dirigentes sindicais denunciaram o descumprimento da cláusula 30ª da Convenção Coletiva, que determina a adoção de providências pela Fenaban, juntamente com os bancos, para coibir o transporte de valores feito por bancários. 

"Na última reunião da CCASP na Polícia Federal, uma mesma agência do Bradesco em Rio Branco foi multada em 41 processos por ter mandado uma gerente transportar numerário, em vez de contratar um carro-forte", denuncia Ademir. "Outra agência do Bradesco, no Pará, utilizou este ano um bancário para levar dinheiro a um posto de atendimento e foi autuada pela Polícia Federal", completa.

Foi também abordado o projeto-piloto de segurança bancária em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. A lista das agências, onde serão instalados os equipamentos previstos, está sendo concluída e, depois, serão definidos os nomes do grupo de acompanhamento e agendada a primeira reunião de trabalho. "Trata-se de um importante avanço, fruto da Campanha Nacional 2012, e esperamos que os equipamentos de prevenção contra assaltos, ali previstos, sejam depois estendidos para todo o Brasil", salienta Ademir.

Só a mobilização garante avanços

"Deixamos claro nesta primeira rodada de negociação que as condições de trabalho são prioritárias na campanha deste ano e que não será possível acordo se não houver avanços e uma solução para o problema das metas abusivas", reforça Carlos Cordeiro. "Esperamos uma resposta dos bancos já próxima rodada", ressalta.

A segunda rodada de negociação foi marcada para quinta e sexta-feira, dias 15 e 16, quando será tratado o tema do emprego.

Mas para avançar a negociação, é preciso ter ousadia, unidade e mobilização. Por isso, além da pressão contra o PL 4330 da terceirização na próxima terça e quarta-feira, dias 13 e 14, em Brasília, onde é essencial a presença de dirigentes sindicais de todo Brasil, é necessário organizar desde já o dia nacional de luta, a ser realizado no dia 22, com passeatas em todo o país. 

Vem pra luta, bancário e bancária!

Calendário de mobilização

13 e 14 - Mobilização em Brasília contra PL 4330
14 - Primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Banco do Brasil
15 e 16 - Segunda rodada de negociação com a Fenaban sobre o tema Emprego
19 - Primeira rodada de negociação entre o Comando e o Banco da Amazônia
22 - Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
22 - Dia Nacional de Luta dos empregados da Caixa
28 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 - Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Fonte: Contraf-CUT

8.8.13

Negociações começam pelas metas abusivas. E bancários exigem solução


Comando discute condições de trabalho na primeira rodada da Campanha 2013

O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, deixou claro aos bancos, na primeira rodada de negociação da Campanha 2013, realizada nesta quinta-feira 8, em São Paulo, para discutir o tema saúde e condições de trabalho, que não será possível haver acordo este ano sem solucionar o problema das metas abusivas - apontadas por dois terços dos bancários como o principal problema existente hoje nos bancos, segundo a consulta nacional realizada pela Contraf-CUT, federações e sindicatos entre maio e julho.

"Os bancos falam muito em gestão de pessoas, mas o que se vê é apenas a gestão do lucro, o que é muito diferente. As metas abusivas, que incentivam o assédio moral, são as principais responsáveis pela epidemia de adoecimentos que existe hoje na categoria, pelo uso crescente de remédios tarja preta, pelo sofrimento e até pelas mortes que já começam a ocorrer", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. 

Os dirigentes sindicais, que usaram fitas pretas na mesa de negociação em sinal de respeito aos mortos, mostraram os números que revelam a tragédia enfrentada pela categoria em função das más condições de trabalho. 

Em 2012, segundo dados do INSS, 21.144 bancários foram afastados do trabalho por adoecimento, dos quais 25,7% com estresse, depressão, síndrome de pânico, transtornos mentais relacionados diretamente ao trabalho. Outros 27% se afastaram em razão de lesões por esforços repetitivos (LER/Dort).

E somente nos primeiros três meses deste ano, 4.387 bancários já haviam se afastado por adoecimento, sendo 25,8% por transtornos mentais e 25,4% por LER/Dort.

Na recente consulta nacional, 18% dos que responderam declararam ter se afastado do trabalho por motivos de doença nos 12 meses anteriores e 19% disseram usar medicação controlada.

E em relação aos problemas de saúde, 66,4% dos bancários responderam na mesma consulta que as metas abusivas são o mais grave problema enfrentado hoje pela categoria. Outros 58,2% pedem o combate ao assédio moral, enquanto 27,4% assinalaram a falta de segurança contra assaltos e sequestros.

Fim das metas abusivas

A proposta sobre metas abusivas apresentada pelo Comando Nacional estabelece que os bancos devem garantir a participação de todos os seus trabalhadores na estipulação de metas e respectivos mecanismos de aferição, sendo obrigatoriamente de caráter coletivo (e não individual) e definidas por departamentos e agências. Deve-se ainda levar em consideração o porte da unidade, a região de localização, o número de bancários, a carteira de clientes, o perfil econômico local, a abordagem e o tempo de execução das tarefas.

Os bancários reivindicam ainda o fim da cobrança diária das metas e que elas deixem de ser mensais e passem a ser semestrais. "O problema não é a meta em si, mas a gestão das metas, o que envolve a organização do trabalho. É preciso que haja um olhar mais coletivo do processo de trabalho. A gestão atual das metas virou fator de risco para os trabalhadores", aponta Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. 

Os negociadores da Fenaban, no entanto, alegaram que as metas seguem orientações técnicas universais para que sejam eficientes e que não é possível os sindicatos discutirem o modelo de gestão, pois é estratégico para cada banco.

O Comando ainda denunciou que a cláusula 35ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que proíbe a exposição do ranking individual dos funcionários, está sendo descumprida pelos bancos. A Fenaban se comprometeu a verificar a situação, a fim de que os rankings não sejam mais tornados públicos. 

A vida acima do lucro

O Comando também abriu os debates sobre segurança bancária, focando o conceito da proteção da vida das pessoas e apresentando as principais preocupações da categoria. "Verificamos um aumento dos assaltos, sequestros e arrombamentos nos últimos anos, bem como dos casos de 'saidinha de banco', mostrando a fragilidade da segurança dos estabelecimentos", destacou Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.

No primeiro semestre deste ano, 30 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos, conforme pesquisa nacional da Contraf-CUT e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio do Dieese. "Um gerente do Banco do Brasil foi assassinado no Piauí", salientou o dirigente sindical.

O número de sequestros também cresceu assustadoramente. Nos últimos sete dias, segundo levantamento do Comando, dez bancários foram vítimas nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Pará, atingindo gerentes e tesoureiros, os que levam as chaves do banco para casa. "Precisamos acabar com a guarda das chaves pelos bancários. A abertura das agências e postos deve ser feita por empresas de segurança ou por controle remoto", disse Ademir.

"Além da prevenção contra assaltos e sequestros, precisamos garantir assistência médica, psicológica e medicamentosa, bem como estabilidade ao empregado que foi vítima dessa violência", ressaltou o diretor da Contraf-CUT. "A vida deve ser colocada acima do lucro", enfatizou.

Foi também discutido o andamento do projeto-piloto de segurança bancária em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. A lista das agências, onde serão instalados os equipamentos previstos, está sendo concluída e, depois, serão definidos os nomes do grupo de acompanhamento e agendada a primeira reunião de trabalho. 

Só a mobilização garante avanços

"Deixamos claro que a saúde do trabalhador e as condições de trabalho são prioritárias na campanha deste ano e que não será possível acordo se não houver uma solução para a questão das metas abusivas", adverte Carlos Cordeiro. "O Comando espera um retorno sobre essa reivindicação na próxima rodada de negociação"

As negociações sobre saúde, condições de trabalho e segurança bancária continuam nesta sexta-feira 9, às 9h30.

A segunda rodada de negociação foi marcada para os dias 15 e 16, quando será tratado o tema do emprego.

Mas para avançar a negociação, a ousadia, a unidade e a mobilização são fundamentais. Além da pressão contra o PL 4330 da terceirização nos próximos dias 13 e 14 em Brasília, onde é essencial a presença de dirigentes sindicais de todo Brasil, é necessário organizar desde já o dia nacional de luta, a ser realizado no dia 22, com passeatas em todo o país. 

Vem pra luta, bancário e bancária!

Calendário de mobilização

9 - Continuidade da primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Fenaban
9 - Primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Caixa Econômica Federal
13 e 14 - Mobilização em Brasília contra PL 4330
14 - Primeira rodada de negociação entre Comando Nacional e Banco do Brasil
15 e 16 - Segunda rodada de negociação com a Fenaban sobre o tema Emprego.
22 - Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
22 - Dia Nacional de Luta dos empregados da Caixa
28 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 - Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Fonte: Contraf-CUT

16.1.12

Por onde ando: férias em janeiro (Nota de falecimento do Sr. Maia)


Fui...

Informo aos valiosos leitores que em janeiro estarei postando em:


Blog Refeitório Cultural

(republico aqui necrológio de nossa confederação sobre o falecimento do Sr. Maia, com sentimentos de muito respeito a ele e família. O mundo perde um grande defensor das causas dos trabalhadores. É triste. Senti a tristeza da morte de pessoas conhecidas por cinco vezes nos últimos quatro meses.)
  
14/01/2012

Falece o advogado Luiz Castagna Maia, ex-assessor jurídico da Contraf-CUT

Faleceu neste sábado (14), aos 47 anos, em Brasília, o advogado Luiz Antonio Castagna Maia. É mais uma vítima de câncer, doença que vinha combatendo desde outubro de 2009. Foi assessor jurídico da Contraf-CUT no processo de fundação da entidade.

Clique aqui para ler a biografia de Maia.


A Contraf-CUT manifesta os sentimentos de dor e solidariedade aos seus familiares e amigos nesta hora difícil, como a filha Carol com quem aparece caminhando na foto ao lado em novembro de 2010.

"Trata-se de uma perda irreparável para os trabalhadores, pois foi um advogado brilhante que muito se dedicou e defendeu os direitos e a dignidade dos bancários e da classe trabalhadora", afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. "Somos muito gratos porque ele foi fundamental para a consolidação jurídica da confederação que representa mais de 90% dos bancários de todo Brasil", destaca.



Advogado renomado

Maia nasceu em 16 de dezembro de 1964, na cidade de Gaurama, no interior do Rio Grande do Sul. Era o timoneiro do Castagna Maia Advogados Associados, um dos mais respeitados escritórios de advocacia de Brasília, com mais de dez anos de experiência nas áreas de seguros, previdência complementar, direito público, direito do trabalho e acompanhamento de ações em tribunais superiores.

Foi o assessor jurídico do processo de fundação da Contraf-CUT, em 2006. Ele defendeu a entidade nas ações movidas contra a sua legalização. A Contec havia ingressado com mandado de segurança contra a concessão do registro sindical à Contraf-CUT.

A atuação do advogado foi decisiva e, em agosto de 2009, a 7ª Turma do TST entendeu que as confederações representam exclusivamente suas federações filiadas, e que as federações representam apenas seus sindicatos filiados. "Com base nisso, por entender o TST que a criação da Contraf não agride a unicidade sindical, foi indeferida a cautelar", afirmou Maia na época.

Ele moveu várias ações judiciais em defesa dos participantes de fundos de pensão. Foi Maia quem propôs reclamatória que tramita na 8ª Vara da Justiça do Trabalho de Belém, postulando, dentre outros itens relevantes, a isonomia de tratamento concedida pelo patrocinador Banco da Amazônia para assegurar direitos aos assistidos pela Capaf.

Em 2 de março de 2011, o advogado foi um dos palestrantes do Seminário Nacional "O contexto do trabalho e suas implicações no acometimento da LER/Dort", realizado pelo Sindicato dos Bancários de Brasília e pela CUT-DF.


Dirigente sindical em Porto Alegre

Antes de atuar como advogado, Maia foi funcionário do Banco do Brasil, tendo trabalhado no antigo Cesec. Foi secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (1987-90), na gestão do presidente Luiz Felipe Nogueira. Também foi diretor da Executiva da CUT-RS (1989-91).

"Maia foi um grande lutador da categoria, organizando e liderando importantes lutas dos bancários e dos trabalhadores, em especial as mobilizações dos funcionários do BB, contribuindo também para o fortalecimento das lutas dos participantes de fundos de pensão", aponta o diretor financeiro do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Paulo Stekel.


Batalhador dos participantes de fundos de pensão

Para o vice-presidente da Anapar e diretor de Seguridade da Previ, José Ricardo Sasseron, "Gaúcho, mais que advogado, Maia foi um advogado militante e batalhador pelas causas dos participantes de fundos de pensão".

"Firmou e construiu, ao longo de sua militância profissional, teses e conceitos para defender nos tribunais os direitos dos trabalhadores e o respeito aos contratos previdenciários."

"Nunca abriu mão de representar sindicatos, associações de aposentados e participantes. Nunca advogou para empresas e patrocinadoras por opção política, pessoal e profissional."

"Argumentador perspicaz e radical defensor das próprias teses, Maia nos deixou como um dos mais brilhantes advogados previdenciários que já atuaram no Brasil."


Blogueiro inovador

Era também editor do Castagna Maia Blog, o primeiro blog de escritório de Advocacia no Brasil. Em outubro de 2009, ele revelou na postagem Licença para uma questão pessoal que estava com câncer.

"Há algumas semanas vinha sentindo aquela dor. Comecei a ter dificuldade para engolir. Finalmente, fui ao médico e foi solicitada endoscopia. Estou com um tumor de 1,5 cm no finalzinho do esôfago e começo do estômago. Daí vinha a dor ao engolir e que vinha se tornando cada vez pior, ao ponto da perda de peso. Foi ocasionado pelo ácido clorídrico do estômago que, por alguma falha, invadia e irritava o esôfago, fazendo lesões constantes que levaram ao surgimento do tumor", escreveu Castagna.


Última mensagem

A última postagem ocorreu no final de dezembro do ano passado, sob o título de "O inexorável feliz ano novo", onde fez um balanço de 2011 e olha com otimismo e esperança para o ano que estava nascendo.


Clique aqui para acessar o blog de Maia.

"O texto termina com uma mensagem, a última para todos os que como eu tiveram a alegria de conhecê-lo e participar das mesmas lutas e sonhos por uma sociedade mais justa e solidária", destaca o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.

"2012 será um ano melhor. Muito melhor. Não porque os fatores externos se modifiquem - e seguramente vão se modificar, mas porque o que conseguiram fazer até agora foi forjar nossa esperança até o inquebrantável".

"2012 será, sem dúvida, muito melhor. Acredite nisso, construa isso a partir do aprendizado que já tivemos".

Perde-se um lutador, mas não morre a esperança.


Fonte: Contraf-CUT com blogs