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23.4.15

Saiba o que os bancários vão perder caso o PL 4330 seja implementado



Manifestação contra terceirização 
em frente à Câmara dos Deputados.
Crédito: CUT.

A aprovação dos destaques ao PL 4330/2004 da terceirização nesta quarta-feira 22, se não for rejeitado pelo Senado, trará consequências desastrosas para a vida dos trabalhadores. 

A guerra contra esse nefasto projeto ainda não terminou (além de passar pelo Senado, pode ser vetado pela presidenta Dilma Rousseff), mas é importante conhecer como essa nova lei, caso venha a ser implementada, pode interferir do dia a dia de quem trabalha no sistema financeiro. 

Substituição de bancários por trabalhadores terceirizados

O PL 4330 amplia a terceirização para todas as atividades das empresas. Atualmente, por força do Enunciado 331 do TST, somente as atividades chamadas "meio", ou seja, aquelas acessórias e não relacionadas à atividade principal da empresa, podem ser terceirizadas, tais como limpeza e vigilância. 

De acordo com o projeto de lei, qualquer atividade agora poderia ser repassada para terceiros. E como a terceirização no Brasil é utilizada para reduzir custos de mão de obra, imaginem o que ocorreria com os cerca de 37 milhões de trabalhadores contratados diretamente e por prazo indeterminado hoje. Gradativamente seriam substituídos por trabalhadores prestadores de serviços.

Atualmente, o banco não pode contratar pessoal que não seja bancário para trabalhar em sua rede de atendimento nas agências. Se esse projeto for aprovado também no Senado, a instituição financeira poderá substituir total ou parcialmente esses bancários por prestadores de serviços, que inclusive poderão trabalhar alguns dias do mês, ou algumas horas do dia, sem ter relação nenhuma de trabalho com o banco. 

O mesmo pode ocorrer com um gerente de relacionamento, que poderá ser substituído por uma empresa especializada em corretagem, por exemplo. Poderemos ter bancos sem bancários, a depender da estratégia de negócios de cada empresa.

Degradação das relações de trabalho

Para a empresa que contrata, de acordo com o PL, não existirão problemas de falta por adoecimento do trabalhador, atrasos e dificuldades para cumprimento do contrato. A relação dessa empresa é com outra empresa, responsável pela prestação integral desses serviços, faça chuva ou faça sol. É por isso que geralmente as relações de trabalho para os terceirizados tendem a ser muito mais cruéis e impessoais.

Fim dos concursos públicos e contratação de cabos eleitorais

Conforme o PL 4330 aprovado na Câmara, a terceirização poderá atingir os trabalhadores rurais e urbanos, do setor privado e de empresas públicas, sociedades de economia mista, subsidiárias e coligadas. 

Desta forma, para essas empresas sob o controle do Estado, adeus concurso público. O BB, a Caixa, o Banco do Nordeste, o BNDES, o Banco da Amazônia e os bancos estaduais poderão se tornar verdadeiros cabides de emprego e unidades de lotação de militantes políticos e cabos eleitorais, através da realização de contratos de prestação de serviços. A remuneração, como será diferenciada, em alguns casos, poderá ser inclusive maior que a praticada na categoria, para contemplar novos apadrinhados. Poderá ser o fim dos quadros de carreira.

Esfacelamento da organização sindical e achatamento salarial 

Somente quando a terceirização for entre empresas da mesma categoria econômica é que seria assegurada a mesma representação sindical, desde que sejam do mesmo setor econômico. Mas raramente isso acontece. Na grande maioria dos casos, a empresa contratada para a prestação de serviços é de outro setor econômico. 

Mesmo assim, nos casos em que ficar garantida a mesma representação sindical, o texto-base do PL 4330 estabelece que os acordos e as convenções coletivas serão específicos. Ou seja, nem nesses casos ficam garantidos os mesmos salários, benefícios e direitos com os trabalhadores terceirizados, que geralmente são bem menores.

Com isso haverá, em curto espaço tempo, achatamento salarial e perda de direitos para uma enormidade de trabalhadores, que passarão à condição de terceirizados.

Terceirizados continuarão sem garantias 

O PL 4330 não resolve nenhum dos problemas atuais dos cerca de 12 milhões de terceirizados, particularmente o calote, porque as cautelas e cauções criadas de garantia correspondentes a 4% do valor do contrato, mas tendo o teto de 50% do valor equivalente a um mês de faturamento, poderá ser insuficiente para honrar os compromissos e verbas em débito junto aos trabalhadores. 

Além disso, a responsabilidade entre as empresas continua sendo definida apenas como subsidiária e não solidária. Até mesmo a alimentação só é concedida nas mesmas condições se for oferecida em refeitórios. No caso do fornecimento de tíquetes refeição, essa obrigação não existe.

Estímulo à pejotização

O projeto legaliza e amplia a figura dos PJ´s, que são as empresas de uma pessoa só. Essa modalidade de relação será muitíssimo estimulada, porque os ônus ficarão apenas para esse trabalhador, que perderá essa condição e se tornará uma empresa, um PJ, que não terá direito a adoecer, tirar férias, faltar ao trabalho etc.

Quarteirização e quinteirização 

Mesmo tendo a especialização como escopo, o PL 4330 autoriza a subcontratação pela empresa contratada de parcela específica objeto do contrato, ou seja, prevê a autorização para quarteirizar e quinteirizar, infinitamente.

O fato do texto do PL 4330 vedar a intermediação de mão de obra não traz nada de novo, porque a CLT assim já o veda e, mesmo assim, o que mais ocorre e é comprovado pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Justiça do Trabalho é a figura da intermediação ilegal de mão de obra.

Legalização da existência de correspondentes bancários 

O PL 4330 excepcionaliza e legaliza a figura dos correspondentes bancários e Banco Postal explicita e descaradamente, contrariando o princípio do projeto que seria o da especialização. Esse fato, mais a autorização da subcontratação infinita, joga por terra o argumento da especialização.

Piores condições de trabalho para terceirizados

Quando alegam que o PL 4330 garantirá os direitos dos trabalhadores terceirizados, leia-se aqueles previstos na CLT e na Constituição Federal. Ou seja, serão os mínimos previstos. Mas essa previsão legal já existe. O que hoje ocorre comumente são calotes e muita informalidade nesse setor, que infelizmente não acabarão por conta da proposta apresentada. 

Na verdade, é da natureza do processo de terceirização toda essa fraude e prejuízos aos trabalhadores. Mesmo assim, ao substituir os atuais trabalhadores pertencentes às categorias organizadas atualmente, apesar de continuarem a ter direitos a férias, 13º salário e licença maternidade, os valores efetivamente pagos serão menores, na medida em que forem perdendo ou alterando o seu enquadramento sindical.

Consequências desastrosas

Caso esse malfadado projeto de lei venha a ser aprovado também no Senado, certamente teremos como consequências desastrosas no Brasil:

1. Aumento da precarização do trabalho, dos salários e dos direitos: os terceirizados ganham em média 24% menos e têm jornadas pelo menos 3 horas semanais a menos. Geralmente não recebem PLR e valores ínfimos referentes a tíquetes refeição e raramente o recebem a título de auxílio-alimentação (cestão).

No caso dos bancários, essas diferenças são muito maiores porque os terceirizados recebem algo em torno do salário mínimo, ou até menos, como no caso da Contax, porque essa empresa paga proporcional ao número de horas trabalhadas. 

Ao invés de 6h por dia, trabalham 8h, incluindo sábados e também domingos. E isso poderá atingir um contingente cada vez maior de trabalhadores, caso o enquadramento sindical mude para os atuais bancários.

2. Aumento dos acidentes, adoecimentos e mortes: como consequência da terceirização como medida de redução de seus custos, as empresas gastam menos com treinamentos, formação e equipamentos de segurança, além de aplicarem maior intensidade no trabalho, com jornadas muito mais extenuantes, o que faz com que atualmente as estatísticas oficiais apontem que para cada 10 acidentes com vítimas fatais no trabalho no Brasil 8 são trabalhadores terceirizados.

3. Queda no valor dos salários e benefícios, com as alterações constantes do enquadramento sindical e maior rotatividade no emprego, comum a esse tipo de atividade terceirizada, com repercussão negativa na participação dos salários na renda nacional.

4. Queda na arrecadação dos impostos e de encargos sociais, comprometendo o pagamento de aposentadorias, pensões e licenças saúde, mas com aumentos nos gastos com seguro-desemprego e afastamentos do trabalho.

5. Dificuldades nas negociações coletivas para renovação de acordos e convenções, dada à alta pulverização nas categorias profissionais, com diversas datas base. E obter novas conquistas será praticamente impossível, via a fragilização dos movimentos grevistas, porque cada vez mais as negociações serão mais específicas, em torno de um número cada vez menor de representados, que se apresentarão de forma cada vez mais isoladas.

6. Aumento das possibilidades de fraudes e corrupção nos contratos, entre fornecedores, contratadas e empresas contratantes.

7. Queda na qualidade de produtos e serviços.

8. Casos análogos ao trabalho escravo tendem a aumentar, pois, se na ausência de legislação que preveja esse tipo de prestação de serviços, quando e se a lei possibilitar essa forma de relação de trabalho, a tendência é que também aumente. De 2010 a 2014, 90% dos trabalhadores resgatados desse tipo de situação eram terceirizados.


Fonte: Contraf-CUT

17.8.13

Negociação com bancos não avança e Comando reforça mobilização dia 22


Bancos rejeitam todas as reivindicações na segunda rodada de negociações

A segunda rodada de negociações da Campanha 2013, que tratou de saúde e condições de trabalho, emprego e igualdade de oportunidades, terminou nesta sexta-feira 16 como começou na quinta: com os bancos rejeitando todas as reivindicações dos bancários apresentadas pelo Comando Nacional. 

"Como acontece todos os anos, os banqueiros só agem sob pressão. Na próxima semana não haverá negociação. Por isso é importante que todas as nossas entidades intensifiquem a preparação do Dia Nacional de Luta no dia 22, com passeatas em todo o país, e da greve geral do dia 30 convocada pelas centrais sindicais", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Veja aqui como foi o primeiro dia da segunda rodada de negociações sobre emprego.

Os bancos, que na quinta-feira já haviam rejeitado as reivindicações sobre o fim das demissões imotivadas e da rotatividade e sobre o respeito à jornada de 6 horas, nesta sexta-feira recusaram também as demandas relativas às terceirizações, aos correspondentes bancários, à criação de comissão para acompanhar mudanças tecnológicas e ao projeto dos bancários sobre ampliação do horário de atendimento ao público, além da implementação de medidas práticas para coibir discriminações e promover a igualdade de oportunidades.

Basta de terceirização

A reivindicação dos bancários é que os bancos suspendam a implantação de quaisquer projetos de terceirização e recontratem como bancários os terceirizados dos setores de recursos humanos, compensação, tesouraria, caixa rápido, home banking, autoatendimento, teleatendimento, cobrança, cartão de crédito, retaguarda, concessão de crédito e atendimento direto ao cliente com produtos e serviços bancários.

Os bancos rejeitaram a proposta. A Fenaban, ao contrário, quer terceirizar todo o serviço bancário. São os bancos que estão coordenando a bancada empresarial na mesa quadripartite (que inclui ainda trabalhadores, governo e parlamentares) que está discutindo o PL 4330 que regulamenta a terceirização e precariza o trabalho. Se o PL for aprovado, o sistema financeiro estará livre para terceirizar os caixas e gerentes.

Veja aqui como está a tramitação do PL 4330 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados.

Correspondentes bancários

Os representantes patronais também recusaram a demanda para que os bancos universalizem o atendimento bancário para todos os municípios do país, dentro de um processo de inclusão bancária, assegurando indistintamente a prestação de todos os serviços, que devem ser prestados por bancários em agências e PABs, visando garantir qualidade de atendimento, segurança e proteger o sigilo bancário.

Comissão sobre mudanças tecnológicas

Com o objetivo de impedir demissões, os bancários querem criar comissão bipartite sobre mudanças tecnológicas para debater, acompanhar e apresentar propostas diante de projetos de mudança tecnológica e organizacional das empresas, reestruturação administrativa e introdução de novos equipamentos. 

Os negociadores dos bancos recusaram a criação da comissão, alegando que cada instituição tem sua própria política tecnológica, e propuseram a realização de um seminário sobre o tema.

Horário de atendimento ao público e controle de filas

Os bancos recusaram tanto a reivindicação para a criação de dois turnos de trabalho, a fim de viabilizar o cumprimento do horário de atendimento ao público das 9h às 17h - com proibição de abertura das agências aos sábados, domingos, feriados e período noturno - quanto a demanda para que tomem medidas para diminuir o tempo de espera dos clientes e usuários nas filas, inclusive com contratação de pessoal, evitando que o tempo de espera ultrapasse a 15 minutos.

Promoção da igualdade de oportunidades 

A reivindicação dos bancários é que os bancos tomem medidas concretas para democratizar o acesso e as promoções nas empresas, garantindo que mulheres, negras, indígenas, homoafetivos e deficientes tenham igualdade de condições de contratação, independente de idade e condições socioeconômica. A ascensão profissional deve ser a partir de critérios objetivos, transparentes e democráticos.

As empresas, além disso, precisam incorporar o respeito à igualdade de tratamento entre mulheres e homens como um valor organizacional, devendo, para tanto, adotar medidas preventivas e planos de ação para a eliminação de quaisquer práticas discriminatórias nos locais de trabalho. 

E pela primeira vez, os bancários incluíram na pauta cláusula reivindicando que seja assegurado no quadro de empregados de cada banco o percentual mínimo de 20% de negros e negras.

Os negociadores da Fenaban concordam em geral com os diagnósticos sobre a necessidade de promoção da igualdade de oportunidades, mas argumentam que isso deve acontecer naturalmente e se recusam a adotar medidas objetivas e concretas.

Calendário de luta

Agosto

19 - Segunda rodada de negociação entre Comando e Caixa
19 e 20 - Primeira rodada de negociação entre Comando e Banco da Amazônia 
22 - Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
23 - Segunda rodada das negociações específicas do Banco do Brasil
26 e 27 - Terceira rodada de negociações entre Comando e Fenaban
28 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
29 - Terceira rodada de negociação específica entre Comando e BB
30 - Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Setembro

3 - Previsão de votação do PL 4330 da terceirização na CCJC da Câmara


Fonte: Contraf-CUT

16.8.13

Banqueiros rejeitam reivindicações e Comando reforça mobilização dia 22


Bancos recusam propostas sobre condições de trabalho e emprego

Na abertura da segunda rodada de negociação da Campanha 2013, realizada nesta quinta-feira 15 em São Paulo, antes de entrar na discussão do tema emprego, o Comando Nacional dos Bancários cobrou respostas para as reivindicações sobre saúde e condições de trabalho apresentadas na primeira rodada, mas a Fenaban rejeitou as demandas da categoria sobre o fim das metas abusivas e avanços no combate ao assédio moral e à insegurança. Em relação ao emprego, os bancos recusaram o fim das demissões imotivadas e da rotatividade e o respeito à jornada de 6 horas. As negociações continuam nesta sexta-feira 16, às 9h30, incluindo as demandas sobre igualdade de oportunidades.

"Só a mobilização dos bancários vai fazer os bancos abandonarem sua postura de intransigência. Por isso é importante que todas as entidades intensifiquem as atividades de preparação do Dia Nacional de Luta na próxima quinta-feira, dia 22, com realização de passeatas à noite, bem como da greve geral das centrais sindicais no dia 30", convoca Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Houve apenas um avanço na segunda rodada de negociação, diante da proposta do Comando de fazer uma pesquisa sobre o adoecimento crescente da categoria. Os bancos propuseram criar, ao final da campanha deste ano, um grupo de trabalho bipartite com a participação de especialistas para discutir o afastamento dos bancários por razões de saúde. 

O Comando propôs que o GT seja criado já, com a realização da primeira reunião durante a campanha para começar a discussão e com prazo fixado para concluir os trabalhos, buscando soluções para acabar com o adoecimento. Os representantes dos bancos ficaram de dar resposta na terceira rodada de negociações, a ser marcada na sexta-feira.

Saúde e condições de trabalho

O Comando Nacional insistiu nas reivindicações sobre saúde, condições de trabalho e segurança para reiterar aos bancos que não fechará a campanha deste ano se não houver solução para essas importantes demandas da categoria.

"As metas abusivas e o assédio moral estão provocando uma epidemia de adoecimento na categoria. São os problemas mais graves que os bancários enfrentam hoje, que precisam ser equacionados, assim como o da falta de medidas de segurança", explica Carlos Cordeiro.

Por isso, antes de entrar no tema emprego, que estava agendado para a segunda rodada de negociações, os representantes dos bancários exigiram dos bancos respostas para as reivindicações apresentadas na primeira rodada, destacando:

- proibição de torpedos e e-mails enviados pelos gestores aos bancários para cobrança de metas.

-  reduzir de 60 para 30 dias o prazo para os bancos responderem às denúncias de assédio moral encaminhadas pelos sindicatos.

- medidas de prevenção contra sequestros.

- melhoria da assistência às vítimas de assaltos e sequestros.

- manutenção do plano de saúde e odontológico para aposentados.

- folga de cinco dias por ano (abono assiduidade). 

- acabar com o prazo de 120 dias para adiantamento de salário aos bancários com alta do INSS, mas considerados inaptos pelos bancos.

Os representantes dos banqueiros não apresentaram respostas, dizendo que essas reivindicações não estão "no radar" dos bancos.

O Comando também denunciou o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em relação às cláusulas sobre proibição de transporte de valores pelos bancários, não exposição do ranking individual dos funcionários e não reabilitação de trabalhadores afastados por motivos de saúde. A Fenaban ficou de atuar junto aos bancos para que a CCT seja cumprida.

Segurança bancária

Após cobrança do Comando Nacional, a Fenaban agendou uma reunião da mesa temática de segurança bancária para a próxima terça-feira, dia 20, em São Paulo, para apresentação da estatística de assaltos a bancos do primeiro semestre de 2013, conforme estabelece a CCT.

Fim das demissões e da rotatividade

O Comando denunciou a estratégia principalmente dos bancos privados de melhorarem o "índice de eficiência" reduzindo postos de trabalho e cortando custos com a prática da rotatividade.

"Os dados do Caged apontam uma redução de 4.890 empregos no 1º semestre. Nos últimos 12 meses, entre os meses de junho de 2012 e 2013, houve corte de 10 mil empregos no sistema financeiro", disse Carlos Cordeiro.

Nos bancos múltiplos, houve 15 mil admissões e 20 mil desligamentos no primeiro semestre deste ano. "A redução da média salarial entre os admitidos e os desligados foi de 36%, o que mostra a perversidade da rotatividade", acrescentou o presidente da Contraf-CUT. Na economia como um todo, a diferença entre o salário médio dos admitidos e dos desligados é de 7%.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, "a redução dos empregos está agravando as condições de trabalho, porque os que ficam têm que fazer o serviço dos demitidos. Os bancários estão sem tempo até para almoçar. O corte de empregos é ruim para os bancários e para a sociedade".

Depois de mostrar os números, o Comando cobrou o atendimento das reivindicações, como garantia de emprego, proibição das demissões imotivadas conforme estabelece a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), fim da rotatividade, respeito à jornada de 6 horas para todos e manutenção da remuneração em caso de descomissionamento ou perda de gratificação. Os bancos, no entanto, rejeitaram todas essas demandas.

A segunda rodada de negociações continuou nesta sexta-feira com a discussão das demais reivindicações sobre emprego. Também foram debatidas as demandas sobre igualdade de oportunidades, como a criação de uma cota de no mínimo 20% de negros e negras nos bancos.

Calendário de luta

Agosto

16 - Continuidade da segunda rodada de negociação entre Comando e Fenaban
19 - Segunda rodada de negociação entre Comando e Caixa
19 e 20 - Primeira rodada de negociação entre Comando e Banco da Amazônia 
22 - Dia Nacional de Luta, com passeatas dos bancários
23 - Segunda rodada de negociação entre Comando e BB
28 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização
30 - Paralisação nacional das centrais sindicais pela pauta da classe trabalhadora

Setembro

3 - Previsão de votação do PL 4330 da terceirização na CCJC da Câmara

Fonte: Contraf-CUT

2.7.13

Em vez de chamar concursados, BB quer ampliar Banco Postal nos Correios


A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) pretende estender, a partir de 2014, o Banco Postal à sua rede de agências franqueadas. Apenas lojas próprias da estatal dispõem atualmente do serviço, que é operado pelo Banco do Brasil. O plano desperta apreensão entre donos de franquias e interessados em abrir novas unidades, que temem o aumento dos custos operacionais.


A abertura do Banco Postal na rede franqueada faz parte das regras da licitação que os Correios querem fazer no segundo semestre, para ampliar o número de lojas. Essa licitação vai abranger "em torno de 500 agências", conforme revelou a vice-presidente de clientes e operações, Glória Guimarães, em reportagem publicada na edição desta terça-feira (2) do jornal Valor Econômico. 

Na contramão

"Esse plano é mais um que está totalmente na contramão da história. O BB tem que chamar os concursados e melhorar o atendimento nas agências e postos de atendimento, em vez de estender o Banco Postal para a rede franqueada dos Correios, onde não tem bancários nem vigilantes", protesta William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. 

"Esse modelo de precarização e insegurança não é bom para todos, contrariando a propaganda milionária do banco", destaca. "O banco público que queremos e defendemos não pode se pautar pela lógica do lucro fácil, obtido na base da redução dos custos, mas sim na garantia de um atendimento de qualidade e seguro para todos os clientes do banco e a população", salienta William.

Licitações

Conforme a notícia, o reforço das lojas se daria em estados como Rio de Janeiro, Bahia e Paraíba, que tiveram grande concentração de licitações "desertas" ou "fracassadas". No total, 288 unidades não despertaram interesse do mercado ou os concorrentes não conseguiram preencher as exigências dos Correios. Agora, a estatal pretende licitar boa parte das franquias que "micaram" da última vez, além de ampliar o número de lojas. Atualmente existem cerca de 1,1 mil agências franqueadas no país, que equivalem a 31% do faturamento global da ECT.

Na última licitação, cujos contratos foram assinados no ano passado, já havia a perspectiva de abertura do Banco Postal nas franquias. Só que isso jamais foi colocado em prática, deixando de fazer parte da lista de preocupações imediatas dos operadores. Por enquanto, o serviço financeiro funciona em 6.167 das 6,3 mil lojas próprias da estatal.

O assunto voltou à tona com essa nova licitação. A minuta do edital, que está em audiência pública, vai ganhar sua versão definitiva até outubro. Glória se mostra otimista com o sucesso da nova concorrência e destaca seus pontos atrativos, como maior liberdade na oferta de serviços e flexibilização das exigências, incluindo o tamanho dos imóveis necessários para instalar as agências e até mesmo os documentos para comprovar sua titularidade.

Nos últimos contratos da rede franqueada, a possibilidade de abertura do Banco Postal não foi efetivada porque, segundo Glória, vivia-se um momento de transição. O BB pagou R$ 2,3 bilhões, só como valor básico, para substituir o Bradesco como parceiro dos Correios no negócio a partir de janeiro de 2012. Agora, conforme avalia a executiva, já se pode considerar esse processo de transição bem encaminhado.

"O nosso objetivo agora é padronizar a rede", afirma Glória, referindo-se aos serviços oferecidos pelas agências próprias e pelas franqueadas. Isso motivou a decisão de liberar, de vez, o funcionamento Banco Postal também nas franquias. "A perspectiva é que, no início de 2014, possamos ter pelo menos um projeto-piloto", diz a vice-presidente.

Ela ressalta que a decisão de onde e quando implantar o serviço financeiro nas lojas franqueadas será tomada "em conjunto" com o BB. Já o BB, procurado pelo jornal, afirma que a implantação do projeto-piloto e do serviço em outras unidades "depende de conversas com os franqueados".

Enquadramento dos trabalhadores

Ainda conforme a reportagem, há temor entre os donos de lojas e interessados na nova licitação. O presidente da Associação Brasileira das Franquias Postais (Abrapost), Chamoun Joukeh, cobra mais detalhes sobre a abertura do Banco Postal nas lojas. Ele diz que até a categoria profissional à qual vão pertencer os funcionários responsáveis pelo futuro atendimento da área financeira das agências causa apreensão.

Ninguém sabe se serão carteiros, comerciários ou bancários, por exemplo. "Temos muitas dúvidas. Podem ser questões aparentemente pequenas, mas que se traduzem em custos muito importantes no dia a dia das operações."

A Associação Nacional das Entidades Regionais de Agências de Franquias Postais (Apost), que representa outros 479 franqueados em todo o país, também demonstra inquietação. O presidente da Apost, José Jorge de Moraes Filho, coloca até questões tributárias entre suas preocupações. "Hoje, 80% da rede franqueada está no Simples. Será que poderemos continuar recebendo esse tipo de tratamento com o serviço de banco?", questiona.

Insegurança

Moraes Filho diz que, além de aspectos trabalhistas, como o piso salarial de quem faz o atendimento financeiro, a abertura do Banco Postal nas lojas traz outras perguntas. Haverá necessidade de instalar portas giratórias nas agências? Quem cobrirá o seguro contra assaltos? Será preciso ter segurança armada nas agências?

"Gera insegurança participar de uma licitação sem essas definições", diz Moraes Filho. Para o empresário, dono de uma franquia na região de Ribeirão Preto (SP), a melhor saída é deixar a implantação do Banco Postal como uma "escolha" do franqueado, não como exigência da matriz.

Em shopping centers bem abastecidos com serviços bancários, segundo ele, pode simplesmente não ser vantajoso. Já em lojas de cidades pequenas do interior, acredita o presidente da Apost, o serviço pode se tornar uma possibilidade de incrementar receitas.

Negociação

Essa nova estratégia de atendimento será levada ao debate na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, visando pautá-la em futura negociação com o banco. "Vamos avaliar esse conjunto de informações e intensificar a pressão sobre a direção do banco para que ela mude essa gestão privada que não leva em conta o atendimento de qualidade para os clientes e a sociedade brasileira", conclui William.

Fonte: Contraf-CUT com Valor Econômico

12.6.13

Curso da Contraf-CUT e Dieese reforça luta contra PL da terceirização




Formação sindical foi realizada de 3 a 7 de junho, em Nazaré Paulista (SP)

Difundir informação e promover capacitação e especialização. É por meio dessas iniciativas que a Contraf-CUT, em parceria com o Dieese, prepara os dirigentes sindicais do ramo financeiro para o enfrentamento da precarização oriunda da terceirização.

Com o curso "Terceirização: desafios à ação sindical", realizado de 3 a 7 de junho, 28 dirigentes e assessores de 17 sindicatos e federações de todo o país concluíram importante formação sindical, no Hotel Atibainha, em Nazaré Paulista (SP).

Em clima de total comprometimento com as atividades do curso, os participantes cumpriram cronograma de trabalhos em grupo, leituras e debates sobre terceirização.

Em momento conjuntural marcado pela tramitação do Projeto de Lei (PL) 4330, do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) e substitutivo do deputado Arthur Maia (PMDB-BA), que, em total afronta à legislação trabalhista e à Constituição Federal, determina o regime de terceirização total e legaliza a precarização das relações de trabalho no Brasil, a Contraf-CUT se mobilizou para formar especialistas e multiplicadores preparados para coordenarem as ações de enfrentamento junto às suas entidades sindicais e aos poderes legislativo, executivo e judiciário, bem como para analisar e elaborar propostas que se contraponham ao PL 4330 e seu substitutivo em questão.

"A Contraf-CUT está focada em formar especialistas e multiplicadores em temas centrais na luta de classes como este, com a visão de contribuir em todos os espaços de formulação, debates, representação pública e, principalmente, de ações práticas, locais, regionais e nacionais para enfrentar a terceirização e a precarização do trabalho", salienta William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT.

Durante o curso, com duração de 40 horas, os participantes estudaram:

- Terceirização: conceitos e contexto socioeconômico.
- Perfil dos terceirizados nos bancos.
- A visão empresarial sobre a terceirização.
- Marco legal sobre terceirização: a Súmula 331 do TST.
- Projetos sobre terceirização em disputa no Congresso Nacional: substitutivo ao PL 4330 e o PL 1.621 do deputado federal Vicentinho (PT-SP), que impede a terceirização de atividade fim e prevê que a empresa contratante de serviços se responsabilize e garanta os direitos previstos nos acordos firmados pelo sindicato da categoria.
- A visão empresarial sobre o substitutivo ao PL 4330.
- A proposta de Projeto de Lei apresentada pelas centrais sindicais ao Governo Federal em 2009.
- Construção de propostas alternativas ao substitutivo ao PL 4330
- Impactos da terceirização nos bancos, aos bancários e ação sindical.
- Correspondentes bancários e meios de pagamento móveis: novas formas de terceirização no setor financeiro

Estratégias sindicais de enfrentamento à terceirização

Segundo William, o foco na formação sindical e política dos dirigentes sindicais na estrutura da Contraf-CUT abrange hoje, tanto o viés classista quanto o corporativo. "O conceito é o de formação permanente, seguindo a Política Nacional de Formação da CUT, e busca aliar um percurso formativo que congrega os cursos classistas da Rede Nacional de Formação da CUT com os cursos oferecidos pela própria Confederação, estes mais focados nos desafios enfrentados na organização e representação do ramo financeiro".

Para o diretor da Contraf-CUT, entre os principais desafios está o nocivo PL 4330. "O PL 4330, caso seja aprovado, eliminará todo o estoque de direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros e suas entidades sindicais em um século de muitas lutas", aponta William.

Mobilização adia votação na CCJC da Câmara

Na tarde desta terça-feira (11), graças à mobilização das entidades sindicais, na qual a Contraf-CUT exerceu papel importante, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados adiou a votação do projeto para o dia 9 de julho. Ele estava na pauta para ser votado, mas a pressão dos trabalhadores fez a diferença.

Pela manhã, houve também uma reunião entre a CUT e as demais centrais sindicais com o governo federal, na Mesa de Negociação Permanente, onde ficou definido que o Executivo irá dialogar com parlamentares e empresários para construir uma mesa quadripartite de negociação capaz de definir uma proposta consensual ao PL.

"É fundamental que a CUT e suas entidades sindicais busquem formar e especializar dirigentes, a fim de reforçar a mobilização da sociedade contra essa proposta de regulamentação da precarização do trabalho, que é nociva e prejudicial à classe trabalhadora", salienta William.

No Brasil, mais de 10 milhões de trabalhadores cumprem jornada de trabalho sob a condição de terceirizado. Para o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, "a classe trabalhadora não pode sofrer esse verdadeiro golpe, justamente no momento em que o Brasil começa a trilhar o caminho do crescimento econômico e iniciar um resgate histórico de sua imensa dívida social que o país ainda tem com sua classe trabalhadora".


Fonte: Contraf-CUT

18.5.13

Na abertura do Congresso, funcionalismo discute como conter ataques do BB


Presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro,
fala na abertura do 24º Congresso do BB

A relação da direção do Banco do Brasil com os funcionários é a pior dos últimos dez anos, marcada por conduta autoritária, prática antissindical e ataques constantes aos direitos dos trabalhadores, perseguição a grevistas, descomissionamentos e demissões por atos de gestão. Para fazer frente a isso, os bancários precisam fortalecer sua organização e unidade nacional e intensificar a mobilização em todo o país.

Essa foi a síntese da abertura do 24º Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil, na noite desta sexta-feira 17 no Hotel Holiday Inn, em São Paulo. Organizado pela Contraf-CUT, o encontro termina domingo com a aprovação da pauta específica de reivindicações dos bancários do BB.

"Precisamos intensificar a mobilização e a unidade nacional para fazer frente às agressões do banco e denunciar o projeto da atual direção do BB de dar ao banco uma gestão de banco privado", disse Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT na sessão de abertura.

Cordeiro advertiu que, além dos ataques da direção, os funcionários do BB "têm que dar uma resposta classista e organizada" a outros desafios presentes na conjuntura atual, como o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional legalizando a terceirização, desde que praticada por empresas especializadas, a proliferação dos correspondentes bancários e a parceria que está sendo articulada entre o BB e a Oi para precarizar as relações de trabalho e o atendimento à população.

O presidente da Contraf-CUT exortou os trabalhadores do BB "a resgatarem a solidariedade, terem a ousadia de ir além do corporativismo, se transformarem em porta-vozes da esperança e estreitarem a unidade nacional para se contrapor às agressões do banco e lutar pelos interesses da classe trabalhadora que estão ameaçados".

A sessão de abertura começou com a apresentação de um vídeo do astrônomo Carl Sagan sobre a Terra, nosso lar solitário no Universo.
"O vídeo é para lembrar que estamos na mesma luta, que podemos discutir e divergir, mas fraternalmente", pediu William Mendes, diretor de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, fazendo um apelo à unidade.

Ir além do corporativismo

Anfitriã do 24º Congresso, a presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e região, Juvandia Moreira, defendeu a necessidade de o movimento sindical bancário "dialogar com o sentimento dos funcionários que estão nos locais de trabalho sofrendo os ataques do BB".

Juvandia, que também falou em nome da Fetec SP, lembrou que o Sindicato de São Paulo escolheu como lema para comemorar o seu aniversário "90 anos fortalecendo a democracia" porque os bancários "sempre construímos nossa luta indo além dos interesses corporativos e pensando nos interesses da classe trabalhadora. Essa é uma marca da categoria".

Para a presidenta do Sindicato, "a democracia que queremos envolve as lutas gerais da sociedade, o que passa pelo estabelecimento de um novo marco regulatório da comunicação, dominada hoje por seis famílias, e pela reforma política, para retirar do capital o poder que ele tem de eleger a maioria do Parlamento".

Medo e sedução

Presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas (SP) e secretário-geral da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb-SP/MS), Jeferson Boava ressaltou que a direção do BB adotou um modelo de ataque e de desrespeito a tudo que foi construído pelo funcionalismo. "Não podemos ficar parados diante dessas demissões, do novo plano de cargos e dos descomissionamentos sumários. O ataque é a melhor defesa. Também temos que atacar", propôs ele, convocando todos à luta.

Ao fazer uma breve análise da crescente prática antidemocrática e antissindical da diretoria do BB, Eduardo Araujo, diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Oeste e Norte (Fetec/CN-CUT), disse que o funcionalismo irá fazer frente a todos os ataques. "Com passivo trabalhista de mais de R$ 3 bilhões, cifra que coloca a instituição financeira entre as maiores empresas devedoras do país na Justiça trabalhista, o BB está massacrando seu maior patrimônio: os bancários. Tudo para aumentar seu superávit e gerar caixa", afirmou, lembrando que o banco utiliza o medo e a sedução para enfraquecer a luta coletiva.

Congresso será resposta aos atos da direção do BB

Em nome da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe (Feeb) Olivan Faustino, que é secretário-geral do Sindicato dos Bancários da Bahia, saudou os participantes conclamando os bancários e bancárias do BB a reagiram contra todos os ataques da atual diretoria da instituição.

"Precisamos tomar uma atitude contra esse desrespeito que há muito tempo não víamos. Os bancos públicos estão a serviço do povo. Nós podemos escolher o nosso destino. Ou nos unimos ou não vamos a lugar nenhum", frisou. "Precisamos transformar esse congresso numa resposta à altura aos atos praticados pela direção do BB", acrescentou.

Representando a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS), Julio César Pereira destacou que todas as dificuldades enfrentadas pelo funcionalismo do BB não podem ser empecilhos para a luta dos trabalhadores. "Não basta a gente derrubar a atual ou a próxima diretoria do banco. Precisamos derrotar este modelo de gestão e fazer com que o banco respeite o trabalhador e a população, e deixe de discriminar. Por isso, precisamos construir a unidade para fortalecer a luta. Até a vitória sempre".

Já para Simara Pereira, representante da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito em Santa Catarina (Fetec-SC), é o momento dos bancários do BB intensificarem a mobilização para combater a postura intransigente da diretoria da instituição. "Espero todo empenho das delegações para construir uma pauta que represente os bancários do BB".

Diretora eleita de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes da Cassi, Mirian Fochi também participou da abertura do 24º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil.

Também participaram da abertura do 24º Congresso dos Funcionários do BB Wagner Nascimento, representante da Fetraf Minas; Carlos Eduardo Bezerra Marques, presidente da Fetrafi Nordeste; Carlos Souza, pela Feeb Rio de Janeiro/Espírito Santo; Ana Smolka, representando a Fetec Paraná; e Dirceu Travesso, da CSP/Conlutas.

Ainda fizeram parte da abertura do Congresso Ann Luck, dirigente da CWA, o sindicato que representa 700 mil trabalhadores de comunicações dos Estados Unidos e Canadá, e Roberto Menezes, diretor da La Bancaria, sindicato da categoria na Argentina.

O 24º Congresso do BB continua neste sábado, com discussão sobre conjuntura a partir de palestra do economista Clemente Gans Lúcio, diretor-técnico do Dieese, seguida de reuniões de grupos para discutir remuneração e condições de trabalho, saúde e previdência, BB e sistema financeiro e organização do movimento.

(José Luiz Frare, da Contraf-CUT, e Rodrigo Couto, do Sindicato de Brasília)

29.9.12

Correspondentes bancários: Bacen (sindicato dos banqueiros!) favorece bancos DE NOVO!


Com um BC desse, que banqueiro precisa da proteção da
Fenaban???

CMN ADIA DE NOVO RETIRADA DOS CORRESPONDENTES DE DENTRO DAS AGÊNCIAS

As instituições financeiras ganharam mais quatro meses para retirar os correspondentes bancários que atuam nas dependências das agências ou de postos de atendimento. O Conselho Monetário Nacional (CMN) prorrogou de 1º de novembro de 2012 para 1º de março de 2013 o início da proibição. 

Essa foi a terceira vez que a proibição foi revogada. Em fevereiro de 2011, o conselho já havia vedado que correspondentes bancários prestassem serviços nas instalações da instituição financeira contratante. Isso porque vários bancos contratam prestadores de serviços para vender, dentro das agências e postos de atendimento, operações de crédito consignado, dentre outras.

Segundo o chefe do Departamento de Normas do Banco Central, Sérgio Odilon dos Anjos, a prorrogação foi feita a pedido dos bancos para se adequarem à regulamentação. "Demos condições para que bancos e correspondentes possam se adequar em prazo mais razoável, um mês era muito curto para se adequar ao modelo".

Odilon ressaltou que a atuação dos correspondentes bancários dentro das agências ou dos postos de atendimentos "descaracteriza" o exercício da atividade. "A medida combate distorção do modelo de pulverizar o sistema bancário, em vez de institucionalizá-lo dentro da própria agência. Está sendo proibido que ele fique dentro da agência, não está sendo proibido que trabalhe para o banco", disse.

A nova prorrogação foi duramente criticada pelo presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro. "Mais uma vez, o BC agiu como autêntico sindicato dos bancos, em vez de defender os interesses dos trabalhadores e da sociedade brasileira", afirma.

"Somos contrários à presença de correspondentes não somente dentro das agências e postos, mas também em frente, ao lado e nas proximidades das unidades bancárias. Queremos a universalização do atendimento bancário para todos os brasileiros, através da abertura de novas agências e postos, com bancários e vigilantes, visando oferecer serviços de qualidade, segurança e proteção ao sigilo bancário", destaca o dirigente sindical.

Os correspondentes oferecem atualmente serviços bancários (como saque, depósito e pagamentos) em locais como lojas, lotéricas e agências dos Correios. O atendimento é muito precário, feito por trabalhadores desprovidos dos direitos e conquistas dos bancários, sem condições de segurança e sem proteção ao sigilo dos clientes.

"Nós defendemos a inclusão bancária para todos os brasileiros, sem terceirização, sem discriminações e sem precarização do atendimento", conclui Cordeiro.


Fonte: Contraf-CUT com Agência Brasil

19.8.12

Banco não pode impedir acesso de cliente ao caixa


Vejam resolução abaixo e depois uma matéria a respeito do tema.

RESOLUÇÃO 3.694

Dispõe sobre a prevenção de riscos
na contratação de operações e na
prestação de serviços por parte de
instituições financeiras e demais
instituições autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do
Brasil.

O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 26 de março de 2009, com base no art. 4º, inciso VIII, da referida lei,

R E S O L V E U:

Art. 1º As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem contemplar, em seus sistemas de controles internos e de prevenção de riscos previstos na regulamentação vigente, a adoção e a verificação de procedimentos, na contratação de operações e na prestação de serviços, que assegurem:

I - a prestação das informações necessárias à livre escolha e à tomada de decisões por parte de seus clientes e usuários, explicitando, inclusive, as cláusulas contratuais ou práticas que impliquem deveres, responsabilidades e penalidades e fornecendo tempestivamente cópia de contratos, recibos, extratos, comprovantes e outros documentos relativos a operações e a serviços prestados;

II - a utilização em contratos e documentos de redação clara, objetiva e adequada à natureza e à complexidade da operação ou do serviço prestado, de forma a permitir o entendimento do conteúdo e a identificação de prazos, valores, encargos, multas, datas, locais e demais condições.

Art. 2º As instituições referidas no art. 1º devem divulgar, em suas dependências e nas dependências dos estabelecimentos onde seus produtos são ofertados, em local visível e em formato legível, informações relativas a situações que impliquem recusa à realização de pagamentos ou à recepção de cheques, fichas de compensação, documentos, inclusive de cobrança, contas e outros.

Art. 3º É vedado às instituições referidas no art. 1º recusar ou dificultar, aos clientes e usuários de seus produtos e serviços, o acesso aos canais de atendimento convencionais, inclusive guichês de caixa, mesmo na hipótese de oferecer atendimento alternativo ou eletrônico.

§ 1º O disposto no caput não se aplica às dependências exclusivamente eletrônicas nem à prestação de serviços de cobrança e de recebimento decorrentes de contratos ou convênios que prevejam canais de atendimento específicos.

§ 2º A opção pela prestação de serviços por meios alternativos aos convencionais é admitida desde que adotadas as medidas necessárias para preservar a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas, assim como a legitimidade dos serviços prestados, em face dos direitos dos clientes e dos usuários, devendo as instituições informá-los dos riscos existentes.

Art. 4º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Ficam revogadas as Resoluções ns. 2.878, de 26 de

julho de 2001, e 2.892, de 27 de setembro de 2001.

Brasília, 26 de março de 2009.

Henrique de Campos Meirelles
Presidente

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Banco não pode impedir acesso de cliente ao caixa

Diário do Grande ABC - Santo André/SP - ECONOMIA - 19/08/2012 - 07:00:00

Todos os meses o aposentado andreense Trajano José das Neves, como muitos outros em condição parecida, vai até uma agência do Bradesco no Centro de Santo André para resgatar seu benefício. Ele sempre aproveita para pagar algumas contas de consumo e serviços. Mas na semana passada teve uma surpresa. Os funcionários da instituição financeira não deixaram que ele liquidasse suas dívidas no guichê e indicaram o caixa eletrônico, do lado de fora das portas giratórias, para que ele efetuasse a operação.

Neves assumiu seu desconhecimento sobre tecnologia. Para ele, o caixa eletrônico nunca foi, ou será, um meio de pagamento confiável. Além da falta de familiaridade com a máquina, ele afirmou se sentir inseguro para realizar suas operações no autoatendimento. "Eles (funcionários) falaram que contas abaixo de R$ 1.000 só poderiam ser pagas nos caixas eletrônicos. Fiz um escândalo no banco", contou o aposentado.

O Bradesco, localizado na Rua Bernardino de Campos, poderia afirmar que a conta de Neves estava incluída em um contrato ou convênio da instituição com outra empresa para prestar serviço de cobrança ou recebimento, situação em que pode haver exclusividade de canal de atendimento. Mas alegar que a conta do aposentado não tinha valor suficiente para ser liquidada no guichê vai contra as regras do BC (Banco Central). A própria Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entidade que representa essas empresas, diz que o cliente não pode ser barrado em um canal de atendimento por causa do valor da conta.

Segundo a Resolução 3.694 do BC, a regra geral é que os bancos não podem recusar ou dificultar aos clientes o acesso a canais de atendimento convencionais, principalmente o guichê. E em caso de convênios, a instituição precisa garantir a segurança e integridade do cliente, sensações que Neves não sentiu no local.

Ele ficou sem pagar a conta no banco. Mas foi ao Procon de Santo André e registrou reclamação. O órgão contatou o banco, que ligou ao aposentado pedindo desculpas pelo ocorrido. "Não estou satisfeito. Muitos como eu querem pagar as contas no caixa, se sentem inseguros e isso não pode acontecer. Uma desculpa não muda nada", criticou Neves.

A equipe do Diário foi até a agência e recebeu informações de funcionários de que quando o local está cheio há direcionamento para que os clientes realizem suas operações nos caixas eletrônicos, tudo acompanhado por atendentes treinados.

Essa foi a mesma resposta que a agência deu para o questionamento do Procon. Segundo o relatório de atendimento do órgão copiado para Neves, o gerente da agência afirmou que "realmente os clientes estão sendo orientados a utilizar os caixas eletrônicos, ou correspondente bancário, devido ao grande volume de clientes nesta agência, porém não há proibição caso o consumidor deseje enfrentar a fila do idoso, ou outra fila, ficando a critério do cliente".

Em nota, o Bradesco destacou que "esta não é uma prática do banco. Os canais de autoatendimento são mais uma opção aos clientes, que podem realizar diferentes operações bancárias". E afirmou que vai "avaliar o ocorrido para adotar as medidas necessárias, a fim de corrigir eventuais falhas e melhorar cada vez mais a qualidade do atendimento".

BATALHA - O Sindicato dos Bancários do Grande ABC afirmou lutar contra posições dos bancos como a tomada pelo Bradesco no caso do aposentado. "O intuito do banco é tirar cada vez mais funcionários de dentro das agências", disse um dos diretores da entidade, Elson Siraque, destacando que as instituições estão reduzindo muito seus quadros de funcionários. "O lucro dele (banco) é pouco sobre os pagamentos de contas. Eles querem atender os negócios deles, como empréstimos."