"(...) Em 1944, a Direção do Banco do Brasil decidiu criar a Caixa de Assistência..." (Agradecimento, Relatório Anual 2008 da CASSI, p. 5)
Contar as memórias da CASSI é uma tarefa trabalhosa por diversos motivos. Um deles é porque a nossa Caixa de Assistência é uma associação de pessoas, no primeiro momento, de pessoas físicas, e com o passar do tempo, uma associação entre pessoas físicas e jurídica, o BB. E pessoas pensam diferente e falam de algum lugar, têm leituras de mundo, representam interesses. E tudo bem, a sociedade humana é assim.
A autogestão em saúde CASSI fala de si através de seus documentos formais, mas não só, na minha leitura de associado e participante, e também de alguém que foi gestor formalmente como todas as pessoas que passaram pela gestão ao longo de seus 81 anos de existência, completados em 2025.
A CASSI fala de si através de sua história, de sua relação com seus associados, pessoas físicas que a criaram por assembleia em 27/01/1944 e pertenceram ou pertencem à instituição de assistência social, como citei no primeiro texto dessas memórias (Art. 1° do Estatuto de 1996/7). Fala de si através da história das pessoas que de alguma forma tiveram suas vidas marcadas pela CASSI.
A CASSI fala de si através de nossas memórias, das memórias de cada participante de seu sistema de cuidados e apoio a pessoas da comunidade de funcionários e ex-funcionários do Banco e da CASSI, aposentados, pensionistas, participantes externos e todas as pessoas listadas no capítulo dos beneficiários da instituição em seus estatutos ao longo da história.
Quando comecei a estudar a CASSI, por ter me tornado um de seus dirigentes em determinado instante de sua história, fui me encantando com essa instituição extraordinária da comunidade de funcionários do Banco do Brasil, sendo a CASSI, para mim, um dos maiores patrimônios da comunidade, junto com a Previ, nossa Caixa de Previdência.
Por ser uma pessoa com formação política e sindical, formação oriunda das lutas por direitos da classe trabalhadora, fui me adaptando e compreendendo na representação dos associados como a informação e a história são definidoras da percepção que as pessoas têm de qualquer coisa na sociedade humana. Faltam noções básicas aos trabalhadores por estarem na luta pela sobrevivência. Faltava na comunidade BB noções básicas sobre as questões da CASSI.
E tive a certeza de que um de meus papéis como diretor eleito de saúde da nossa Caixa de Assistência era apresentar a CASSI aos seus grupos de interesse, principalmente ao Corpo Social que representava. Tendo sido eleito com apoio da ampla maioria das entidades sindicais e representativas do funcionalismo do BB, era meu papel dar informações e subsídios técnicos e políticos para os representantes dos trabalhadores.
Para finalizar o capítulo, uma afirmação como essa que citei na abertura do texto, constante de um documento da CASSI em determinado momento de sua história, avalio que poderia ter sido escrita de outra forma, porque a CASSI foi criada pelos funcionários do Banco e não por sua direção. Pelo contexto da frase, uma homenagem a um colega do passado, o texto até poderia ter dito que a direção do Banco apoiou a criação, mas não que criou a CASSI.
Enfim, só de reunir em minha mesa de trabalho uma quantidade enorme de relatórios anuais da CASSI, que imprimi e organizei para estudar à época que fui gestor, percebe-se quanta história existe nas memórias da CASSI.
Eu tenho as minhas memórias da CASSI. E sou uma das pessoas que teve a vida marcada pela CASSI como disse antes. Entendo que preciso registrar minhas memórias da CASSI também.
Sigamos com as lembranças e histórias.
William Mendes






