Páginas

Mostrando postagens com marcador Condição da mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Condição da mulher. Mostrar todas as postagens

27.4.26

Fim da violência contra as mulheres



AUDIÊNCIA PÚBLICA

IMPORTÂNCIA DA DELEGACIA DA MULHER 24H E O COMBATE À VIOLÊNCIA DE GÊNERO

CÂMARA MUNICIPAL DE OSASCO

A CONVITE DO COLETIVO JUNTOZ

27/04/26 - 18h

Participei nesta segunda-feira da audiência pública na Câmara Municipal de Osasco, a convite dos companheiros Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz, vereadores pelo Partido dos Trabalhadores.

A audiência pública teve como objetivo a instalação de uma Delegacia da Mulher 24h na cidade de Osasco. 

O poder executivo, representado pelo prefeito Gerson Pessoa (Podemos), mais uma vez, não compareceu à audiência para ouvir os cidadãos ou demonstrar apoio a uma causa tão urgente. 


Os vereadores do JuntOz informaram aos participantes que o executivo raramente comparece a audiências destinadas a ouvir munícipes e suas entidades representativas.

Ouvimos diversas apresentações de dados e falas potentes sobre o tema. Várias proposições foram feitas e os vereadores informaram todos os encaminhamentos possíveis ao legislativo, haja vista que boa parte das soluções precisam partir do poder executivo municipal. 

Foi uma audiência muito importante realizada na Câmara Municipal de Osasco a partir do mandato popular e combatido de nossos vereadores Heber, Gabi e Matheus. 

William 

27/04/26

8.3.26

Dia Internacional das Mulheres



8 DE MARÇO NA PAULISTA

Hoje foi mais um dia de lutas pelas causas que nós defendemos enquanto coletivo de pessoas do campo da esquerda. As chuvas torrenciais não nos impediram de ocupar os espaços públicos. 

A esquerda luta por igualdade, por liberdade, por justiça social, por direitos humanos, por uma forma mais sustentável de vida no planeta Terra. 

A esquerda defende a cultura em todas as suas dimensões, a educação pública e de qualidade, saúde para todos, o acesso à alimentação plena. A esquerda defende o livre ir e vir com segurança. Defende moradia segura a todos.

Parem de matar as mulheres!

A esquerda luta pelo direito à vida! Vida plena, diversa. Para a esquerda todas as vidas importam.

O dia 8 de março e o mês de março são períodos do calendário destacados para refletirmos e aprofundarmos todas as questões relativas às lutas das mulheres.

Essas datas no calendário de lutas da esquerda existem porque as mulheres estão e sempre estiveram à frente dessas causas históricas por emancipação e igualdade plena de direitos. 

Com Luna Zarattini, vereadora do PT em São Paulo.
Grande lutadora e defensora dos direitos do povo

São as mulheres que ao longo do tempo vêm lutando para ocupar espaços historicamente e culturalmente reservados aos homens. São as mulheres que criam inclusive o vocabulário e a linguagem apropriada para essas lutas emancipatórias.

O lugar das mulheres é onde elas quiserem estar!

Todos os dias são dias de luta por direitos. Direitos não são naturais, não são fenômenos da natureza. Direitos são criações humanas. Sendo criações e não fenômeno natural, devemos lutar todos os dias para manter e avançar nos direitos.

Com queridos companheiros e companheiras de lutas sindicais

Foi isso que nós fizemos hoje, homens e mulheres, lutamos mais um dia pela emancipação e pelos direitos plenos das mulheres. 

Lutamos pela vida porque há uma epidemia de violência e assassinatos de mulheres no Brasil. 

Lutamos pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 porque homens e mulheres do povo merecem viver dignamente e ter cidadania plena, o que inclui salários maiores e menos tempo de trabalho.


A luta segue amanhã, e depois de amanhã, e na próxima semana, e nos próximos meses e anos.

Convidamos a todas, todos e todes a somarem conosco na luta pela emancipação das mulheres e homens da classe trabalhadora. 

A vida em sociedade pode ser melhor e nossa participação nas lutas é o que nos permitirá mudar o que está ruim para a ampla maioria.

William Mendes

08/03/26

7.12.25

Diário e reflexões - Epidemia de violência contra as mulheres



EPIDEMIA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Somei hoje com a militância paulista no ato de luta contra a epidemia de violência contra as mulheres. É desesperador e revoltante o quanto vem aumentando as diversas formas de violência de gênero no Estado de São Paulo e no Brasil. Os atos ocorreram em diversas cidades do país.


Cada manifestação no carro de som denunciou casos recentes de feminicídio, estupros, ameaças à integridade física e psicológica de mulheres e pessoas trans e cobrou soluções das autoridades públicas e investimento em redes de apoio social.


Essa causa é uma causa de homens e mulheres, é de toda a sociedade. Aos homens, não basta apoiar a causa, temos que lutar junto com as companheiras.


Eu não tenho dúvidas do quanto avançou a violência de gênero e as estatísticas à medida que avançaram as agendas e pautas da extrema-direita no país e no mundo.

O avanço do extremismo de direita encontrou terreno fértil no Brasil, um dos países que mais matam pessoas LGBT e mulheres no mundo.


Também opino que é urgente que se regulamente o funcionamento das redes sociais e das big techs no Brasil, pois a internet virou ferramenta de violência e práticas criminosas. 

E a tecnologia poderia ser melhor utilizada em benefício da sociedade humana como um todo e não em benefício de alguns e prejuízo das maiorias.


Durante o ato, encontrei nosso mestre e companheiro de longas jornadas formativas, Carlindo Oliveira, economista, professor e intelectual que dedicou sua vida ao Dieese, o Departamento Intersindical está completando 70 anos nessa semana.

Temos que nos unir por um país e mundo mais justos, igualitários e solidários; temos que salvar a humanidade e o planeta Terra e todas as formas de vida do modo de produção capitalista e dos capitalistas.

Sigamos nas lutas, não vamos desistir da vida e do mundo por causa de uns poucos fdp egoístas que estão destruindo tudo.

#NemUmaAMenos

#MulheresVivas

#FimDaViolênciaDeGênero

William Mendes

07/12/25

19.5.25

Diário e reflexões - Call Marx!!!



Osasco, 19 de maio de 2025. Segunda-feira.


Opinião


CULTO À FUTILIDADE

Dó. Acho uma pena tanto conhecimento disponível acumulado pela espécie humana para nada, para chegarmos a 2025 em um mundo hegemonizado pela idiotização das pessoas como moda e objetivo.

Cultura do nada, da futilidade normalizada como o bom, época dos "influenciadores" da imbecilização das massas humanas. Dó.

Se ao menos a gozação, o humor, o passatempo, a descontração levassem a algum tipo de reflexão ou cultura ligada às grandes questões sociais de nosso tempo, tipo o mundo do trabalho e a exploração capitalista, como nos lembra o velho Marx, ou a questão ambiental do planeta, ainda teríamos algum contentamento. Mas até isso está escasseando ultimamente. 

---

PRIVILEGIADO POR MINHA COR E GÊNERO

Olhando os conteúdos das pilhas de materiais de formação política - neles os de igualdade de oportunidades -, materiais que acumulei da época sindical, me lembrei de meu percurso de vida como trabalhador pobre branco. Minhas características biológicas influenciaram meu destino no Brasil, um dos países mais racistas do mundo. 

Me lembro do emprego que tive em uma escola de idiomas entre a demissão do Unibanco em 1990 e a entrada no Banco do Brasil em 1992. Quando trabalhava lá, a ordem da dona era nunca contratar mulheres porque elas engravidavam, tinham enxaqueca e faltavam muito... a dona da escola não era uma "mulher", era uma capitalista. Provavelmente, entrei na vaga por ser homem, e sendo o Brasil o que é, talvez tenha tirado a vaga de um rapaz negro...

Foda isso tudo!

---

PAPÉIS VELHOS 

Passei o dia olhando mídias de formação e de história da classe trabalhadora. 

Se hoje meu corpo chegasse ao fim ficaria tudo aqui onde está essa papelada toda.

O destino das mídias seriam os sacos pretos e os caminhões de lixo para os lixões. 

As imensas quantidades de revistas, xerox e apostilas universitárias, livros e papéis entulham os espaços do ambiente faz tempo.

É sempre essa indefinição quando manuseio esses papéis velhos. 

William 

29.3.25

Diário e reflexões: o PT é estratégico nas lutas populares!

 


PARTIDO DOS TRABALHADORES 13 FAZ ANIVERSÁRIO!

O PT é estratégico nas lutas populares!


"PARABÉNS, PT!


Para melhorar a vida do povo,

A consciência política da militância

Radicalizou na democracia partidária.

Assim surgiu o PT há 45 anos.

Bens e direitos sociais vieram, então.

Estratégico nas conquistas populares,

Nossa causa e razão de ser 

Segue sendo o Brasil dos brasileiros!


Partido dos

Trabalhadores!


William 

10/02/25"


Opinião

Estive hoje no evento de comemoração dos 45 anos do PT em Osasco, realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. O ato reuniu diversas gerações de lutadores e lutadoras que compõem a militância do partido. Foi um encontro muito bonito e que nos encheu de energia.

O partido voltou à Câmara Municipal de Osasco nesta legislatura após a bela campanha e eleição do JuntOz, o coletivo composto pelos jovens Heber, Gabi e Matheus. A militância da cidade se envolveu e nossas candidaturas petistas somaram votos para voltarmos à Câmara.

O PT segue firme no papel de partido das massas, de instrumento de luta do povo. As filiações tiveram avanços nos últimos meses, foram mais de 600 em Osasco e mais de 22 mil filiações novas no Estado de São Paulo

---


100 DIAS DO JUNTOZ

Nossos representantes na Câmara Municipal prestaram contas do início do mandato popular e o trabalho dos três se mostra incansável.

O JuntOz está atuando em diversas frentes de lutas e busca atender demandas da população de todas as regiões da cidade de Osasco.

Só nesses primeiros meses foram mais de 150 solicitações à Prefeitura relativas a questões da cidadania vindas dos bairros.

A viabilidade do Instituto Federal em Osasco contou com a postura firme do JuntOz e os cursinhos populares são prioridade para que a juventude osasquense possa estudar de forma gratuita e com qualidade de ensino em nossa cidade.

A questão ambiental também é pauta central de nossos representantes no parlamento de Osasco.

Estive no gabinete do JuntOz dias atrás, o mandato é aberto ao povo, e pude comprovar que trabalho de qualidade a nossa representação está fazendo.

---


MARCOS MARTINS: UMA REFERÊNCIA!

É sempre uma alegria imensa estar com uma de nossas maiores lideranças da cidade de Osasco, o companheiro Marcos Martins.

Como um cidadão politizado pelos bancários da CUT e do PT ao longo de mais de três décadas, tenho em Marcos Martins uma referência que me inspirou a forma de atuar quando fui dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. 

Minha referência em Marcos Martins vem desde que trabalhei no Unibanco da Raposo Tavares, o CAU, nos anos oitenta. Lá estava ele organizando e politizando a categoria como funcionário do Sindicato.

Quando fui eleito diretor do Sindicato, procurei estar presente nas bases e nos locais de trabalho como vi Marcos Martins fazer a vida toda. Ele e Deise Lessa, companheira do Banco do Brasil, foram minhas referências de um bom trabalho de base!

---


EMIDIO, ALUISIO E AS LIDERANÇAS DE OSASCO

Não poderia deixar de registrar as falas importantes que tivemos de nossa direção partidária local, dos sindicalistas e movimentos sociais, a potência das falas de nossas companheiras petistas e o resgate histórico que Emidio de Souza e Aluisio Pinheiro fizeram ao final do ato.

A companheira Flávia fez um resgate importante das lutas das mulheres para além do mês de março. O mês tem a data de 8 de março como referência, mas a jornada de luta das mulheres é o ano todo.

---


Foi um dia de comemoração e também de organização das lutas e dos próximos passos para avançar com nossos projetos de sociedade.

Toda a militância está convocada para o ato de amanhã, domingo 30, na Avenida Paulista, com pautas de interesse da classe trabalhadora como impedir a tentativa de anistia dos golpistas bolsonaristas, a pauta do fim da jornada 6x1, a pauta da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e outras agendas centrais.

É isso. Viva o PT e viva a classe trabalhadora!

William Mendes


8.3.25

Diário e reflexões - Dia Internacional das Mulheres



Dia Internacional das Mulheres

São Paulo, 8 de março de 2025. Sábado.


Opinião

Estive hoje na Avenida Paulista para participar dos atos do Dia Internacional das Mulheres, o 8M, ou 8 de Março. Cheguei pontualmente no horário chamado para o início do evento, 14 horas.

O fechamento do vão livre do MASP foi uma sacanagem que deu certo por parte dos poderes da casa-grande. Simplesmente não temos mais como nos concentrarmos em frente ao lugar mais tradicional de São Paulo porque a medida tirou o ambiente de concentração das massas. Não há inocência na política. A medida foi higienista e para nos tirar de lá.

À medida que os grupos de manifestantes foram chegando, e começou a ficar perigoso para as pessoas por risco de atropelamento pelo fluxo constante de carros na avenida, nós fomos obrigados a nos concentrarmos do outro lado do MASP, na praça em frente. As centenas de policiais do governo do Estado não ajudam em nada, na minha opinião.

Felizmente o ato foi encorpando e assim que as mulheres e as organizações se avolumaram, começaram as intervenções das lideranças a partir do caminhão de som principal. Ouvimos falas potentes de diversas mulheres representando os movimentos de lutas.

Tenho procurado observar os movimentos, as pessoas, os gestos, as expressões, e a cada atividade de ocupação das ruas que participo, mais me convenço que nós não deveríamos abandonar as ruas por qualquer que seja o motivo, não deveríamos! A vida real está lá fora, nas ruas.

---


Enquanto eu me deslocava de casa para o local da manifestação do 8 de Março, refletia sobre a questão atual do mundo dominado pelas plataformas das big techs e a inevitável manipulação dos seres humanos nessas redes de arrasto que pescam as multidões humanas como sardinhas para serem enlatadas e devoradas como mercadoria.

Cada dia que passa e que não se altera o poder de manipulação dessa meia dúzia de homens bilionários donos das plataformas que alteram o comportamento de seus usuários em benefício do lucro (desses fdp) e em prejuízo de milhões de pessoas, nós estamos perdendo a humanidade, estamos perdendo a chance de seguir adiante enquanto sociedade humana. Temos que mudar a forma como as big techs capturaram o mundo inteiro.

Faz anos escrevi um artigo no qual defendi que todos os governos e estados nacionais deveriam criar suas plataformas e redes sociais de preferência públicas e com regras claras sobre o funcionamento dos algoritmos e felizmente agora muita gente de nosso campo também defende o conceito e a ideia de nos livrarmos da dependência e captura dessas big techs para salvarmos a soberania e a nossa comunidade.

Fica registrado aqui o meu respeito e a minha esperança em cada mulher e cada homem que esteve hoje na Avenida Paulista. Cada pessoa que escolheu não ficar em casa, não ir para bloquinhos de carnaval, não passear ou descansar, que decidiu ocupar as ruas em um ato político, enalteço e aplaudo! Temos que ocupar as ruas enquanto ainda há espaço público e enquanto ainda não nos proibiram de nos manifestarmos.

William Mendes


16.8.24

Diário e reflexões



Eleições em São Paulo

Sexta-feira, 16 de agosto de 2024.


Opinião (4)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Começa nesta sexta-feira 16 a campanha para a eleição de prefeitas e prefeitos das cidades brasileiras e para as câmaras legislativas. Vamos dialogar com nossas leitoras e leitores durante esse período de exercício da democracia.

Eu sempre me lembro das conversas que tenho com lideranças da nossa categoria bancária quando penso em política. 

Uma de minhas referências desde que comecei na militância política, um companheiro do Banco do Brasil, costuma dizer algo mais ou menos assim quando compartilho com ele meus receios sobre o futuro: ele diz que as mudanças vão ser feitas pelos jovens e a nós, com mais idade e experiência, cabe apoiar os jovens e dar alguma contribuição na medida do possível.

Essa questão de apostar nos jovens para assumirem as funções políticas que definem a nossa vida em sociedade é algo a se pensar com zelo e sabedoria. A quem vamos confiar nosso presente e futuro na política?

Eu tenho visto o trabalho militante e engajado da jovem vereadora de São Paulo, Luna Zarattini, a única mulher na bancada de vereadores do Partido dos Trabalhadores na atual legislatura. Que mandato combativo! Que trabalho incansável!

Luna trabalha de segunda a segunda, a qualquer hora do dia, desde que assumiu seu mandato na Câmara de Vereadores de São Paulo. Está sempre presente nas reuniões nas comunidades nas regiões mais carentes da cidade. Ela é um exemplo de representação popular!

Quando vejo a energia e a dedicação de Luna Zarattini, me lembro das melhores sindicalistas que conheci ao longo de décadas de luta e representação sindical. Luna está sempre nas bases, em contato com as pessoas.

Quem viu meu trabalho de representação sindical por duas décadas, sabe que estar na base, ouvir as pessoas, organizar as reivindicações e fazer boas campanhas para conseguir direitos sempre foi uma das características de nossos mandatos, desde o início. 

Luna é assim, que mulher trabalhadora e com a sensibilidade de ouvir e encaminhar as demandas das pessoas que mais precisam do apoio das instituições públicas da cidade para melhorar suas vidas.

É por experiência no dia a dia e por acreditar na juventude e na energia de uma mulher que atua incansavelmente pela população paulistana que eu vou apoiar a eleição de Luna Zarattini 13131 para vereadora de São Paulo, para que ela e as bancadas progressistas possam lutar ao lado de Guilherme Boulos e Marta Suplicy para mudar e melhorar a maior cidade das Américas.

Vamos conversando! 

William Mendes

Ex-dirigente da categoria bancária


Post Scriptum: clique aqui para ler o texto anterior sobre essa série: eleições municipais 2024. O texto seguinte sobre o tema eleições pode ser lido aqui.



8.9.22

História dos bancários: um olhar (V)



Opinião

200 anos de mandiocas, brochas e idiotas

"Elaborou-se o anteprojeto constitucional, a cargo de uma comissão cuja presidência coube ao deputado Antônio Carlos, irmão de José Bonifácio. Em setembro de 1823 era apresentado à Assembleia, com 272 artigos. Tendo fixado, como condição básica para a qualificação dos eleitores, divididos em 4 categorias, o critério de uma renda anual correspondente ao valor de 150, 250, 500 ou 1.000 alqueires de farinha de mandioca, o projeto foi humoristicamente apelidado pelo povo de 'Constituição da Mandioca'." (p. 15)


Ontem foi o dia 7 de setembro de 2022. No Brasil se comemorou os 200 anos de independência política da colônia brasileira de exploração em relação à metrópole imperialista Portugal. Uma data importante porque o início do século XIX foi marcado por diversos processos de independência de regiões das Américas invadidas e massacradas pelos ibéricos e demais povos do Norte.

Pois é...

Nosso 7 de setembro de bicentenário da independência foi um dia de vergonha nacional e internacional!

Fica registrado na história da pátria o discurso da autoridade máxima da nação: "- (sou) imbrochável!".

Tivemos aqui uma nova imagem construída para a data em questão. Apesar de ser uma narrativa questionável, ainda soava bem melhor a mitológica cena do grito às margens do Ipiranga "Independência ou morte!" do que a cena patética do grito de "- imbrochável!", após o sujeito inominável lascar um beijo na sua senhora no palanque do 7 de setembro.

O atual presidente da república em campanha para a sua reeleição sequestrou a data do 7 de setembro para transformar uma data importante de nossa história num palanque eleitoral, com o beneplácito das instituições públicas e autoridades brasileiras. Ele pode tudo, ele é inimputável, nada que ele pratica de irregular é irregular, pois ele continuou e continua lá desde o dia 1º de janeiro de 2019...

Pensando na história da alcunha de "Constituição da Mandioca" ao texto construído pelos constituintes em 1823, me parece que ontem o presidente em campanha quis levar ao pé da letra uma brincadeira do período da independência do Brasil, 200 anos antes, e num certo momento de seu discurso oficial de 1º mandatário (será que lembrou da mandioca?) lascou um beijo na primeira-dama e conclamou ao seu séquito de aloprados que gritassem "- imbrochável!", "- imbrochável!", "- imbrochável!"... (que vergonha...)

(brincadeira minha, ele é um ignorante que engana idiotas e ignorantes, ele não deve saber da questão de história sobre a Constituição da Mandioca, na constituinte frustrada de 1823...)

O Brasil não é para amadores...

Fica registrado o fato nos anais da história. (aff... lá vamos nós com expressões esquisitas)

Sinceramente, brochei ao saber desse discurso que marcou os 200 anos de nossa independência. Aqui é realmente uma terra estranha... e com gente esquisita (ao pensar naquela multidão de verde e amarelo gritando "- imbrochável!").

Dia 2 de outubro de 2022 é dia de apertar #Lula13Presidente e marcarmos uma nova independência do Brasil.

William


Bibliografia:

História do Banco do Brasil - Texto do Prof. Afonso Arinos de Melo Franco. Colaboração do Prof. Herculano Gomes Mathias. Edição de junho de 1988, produzida pela diretoria do Banco do Brasil.


Clique aqui para ler o texto seguinte. Para ler o texto anterior, clique aqui.



22.7.20

Como anda a saúde da classe trabalhadora?



Reflexão

Falar sobre saúde não é uma coisa simples, principalmente para aqueles que não têm formação ou atuação e experiência na área. A pergunta deste artigo não é uma pergunta neutra. Nem poderia ser, pois quem fala, sempre fala de algum lugar, mesmo aqueles denominados ou autodeclarados "técnicos" e "especialistas". Todos somos humanos e não somos neutros, mesmo quando temos que atuar de forma imparcial por profissão ou representação social como, por exemplo, devem ser os juízes nos órgãos de Justiça.

Como será que anda a saúde da classe trabalhadora? Se especifico "classe trabalhadora" é porque vejo duas condições dadas para as pessoas que vivem em nossa sociedade, dois segmentos em relação ao acesso à saúde: o segmento das pessoas que vendem ou venderam sua força de trabalho para sobreviver e vivem de seu salário ou dos bicos que fazem, do benefício de aposentadoria, ou algum tipo de assistência fornecida pelo Estado ou por alguém (talvez o segmento social que abranja mais de 95% do nosso povo); o outro segmento é o daquelas pessoas que vivem do capital, de renda, de herança, de aluguéis e arrendamentos, da exploração dos outros, da mais-valia retirada daquelas pessoas que vendem sua força de trabalho.

Falar sobre saúde não é uma coisa simples, mas é uma coisa necessária. É possível falar de saúde sendo um técnico ou especialista na área, bem como sendo uma pessoa que acumulou conhecimento e experiência na área. Aliás, a área "saúde" é imensa, e é bem provável que um técnico ou especialista em saúde saiba muito de sua especialidade e não saiba quase nada de outra área da saúde. Exemplo: um médico especialista em coração, em sistema circulatório, pode ainda ser um generalista em saúde integral, por ter tido contato de forma panorâmica com todas as áreas ou feito especialização em Saúde da Família e Comunidade. Mas será que ele, especialista em coração e sistema circulatório, tem conhecimento para falar de gestão de sistemas de saúde? Pode ser que sim e pode ser que não.

Durante nossa vida de representação sindical, aprendemos as noções básicas de diversas áreas de interesse da classe trabalhadora e do mundo do trabalho, até porque negociamos sobre os temas em mesas com patrões e seus especialistas nas áreas negociadas. A categoria bancária se organizou ao longo da história para fazer debates de alto nível com os bancos e governos. Nas negociações temáticas e por banco, se acumula grande experiência e conhecimento. Ser dirigente sindical é uma oportunidade ímpar para se aprender além do que se aprende nas grades curriculares da educação formal. Aprende-se muito como representante de classe.

A jornada de lutas e representação dos bancários me proporcionou um novo saber, após ganhar conhecimento do mundo do trabalho bancário: a oportunidade de ser um gestor de saúde eleito pelos trabalhadores da ativa e aposentados do BB. Foi uma experiência incrível sob diversos pontos de vista. Aprendi bastante sobre sistemas de saúde, sobre direitos em saúde; aprendi sobre a história de lutas por saúde na categoria bancária e na comunidade do Banco do Brasil. E também conhecemos um pouco sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Tive contato direto por quatro anos com os mapas de saúde dos colegas do banco na ativa. Conheci a condição de saúde dos colegas aposentados por gerir o sistema Cassi.

Em linhas gerais, pelo que pude acompanhar durante 4 anos lidando com gestão de saúde, os mapas de saúde do povo brasileiro pedem atenção. Temos um nível alto de doenças crônicas em nossa população. Doenças evitáveis e que mesmo após serem realidade na vida das pessoas, são doenças que poderiam ser tratadas e acompanhadas permitindo boa qualidade de vida aos crônicos. A questão central é que para as pessoas terem melhores condições de saúde é necessário um conjunto de fatores multidimensionais que envolvem, por exemplo, condições de trabalho, de remuneração, de educação e cultura, de moradia, saneamento básico, alimentação, segurança, controle de estresse e pressões no dia a dia etc. As pessoas deveriam ser acompanhadas por sistemas de Atenção Primária e Estratégia de Saúde da Família e Comunidade.

Através de estudos que fizemos no sistema de saúde dos bancários do BB, pudemos comprovar o quanto a condição de saúde é favorecida quando as pessoas têm acompanhamento por um sistema de prevenção e monitoramento como é o caso da APS/ESF e programas de saúde ao longo do tempo. As despesas assistenciais em grupos cuidados são bem menores que as despesas assistenciais em grupos não cuidados de forma permanente. 

Nível de estresse e sofrimento após a pandemia de Covid-19 pode piorar as condições de saúde e as doenças crônicas dos colegas da ativa e aposentados

Por conhecer um pouco da condição de saúde do povo brasileiro e conhecer um pouco mais da condição de saúde das pessoas na comunidade Banco do Brasil, fico me perguntando como deve estar a condição de saúde dos colegas após o advento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) neste momento de nossas vidas. É provável que todo ser humano esteja passando por algum nível de estresse emocional neste momento, independente de suas visões de mundo. E é provável que os níveis de estresse vão aumentando e se tornando causadores de maiores sofrimentos à medida que o colega esteja na ativa e tenha que se arriscar a estar nos locais de trabalho, e se deslocar para o trabalho, e voltar para casa com risco de contaminação de sua família etc.

O mesmo nível de estresse e sofrimento pode estar ocorrendo com os colegas dos grupos de risco, com mais idade, com comorbidades, que tenham que se manter em isolamento por tantos meses como já vivenciamos neste semestre de pandemia. E as colegas bancárias que criam sozinhas seus filhos? E os colegas bancários que estão sem plano de saúde, então? E os colegas bancários que não estão mais conseguindo pagar a mensalidade do plano de saúde (que ainda pagam coparticipações abusivas) e já excluíram dependentes do plano? E os trabalhadores desempregados? E os milhões de pessoas sem condição alguma de cidadania? Enfim, são tempos de grande estresse emocional e níveis de sofrimento.

Por ter espírito de pertencimento à classe trabalhadora e à categoria bancária, a gente se solidariza com todo esse sofrimento coletivo e com o sofrimento de cada pessoa, porque cada pessoa é única e cada vida importa. É provável que a gente escreva mais sobre esse tema saúde porque tudo pode ser diferente, tudo pode mudar e a vida das pessoas pode ser melhor e mais saudável. Nós já experimentamos tempos melhores e mais felizes para a classe trabalhadora brasileira. As oportunidades traziam realizações pessoais e coletivas. Os tempos estão difíceis, mas com unidade, consciência e mais envolvimento das pessoas, podemos resgatar a felicidade e os direitos da cidadania.

Abraços a todas e todos da classe trabalhadora.

William Mendes


Post Scriptum:

Hoje pela manhã, fiquei muito triste ao saber do falecimento do companheiro Fábio França, companheiro de trabalho e lutas em prol da classe trabalhadora. Pelo que pude apurar através das mensagens, Fábio teve um AVC e não resistiu. Estivemos juntos ano passado, quando gravamos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região um vídeo falando sobre os 30 anos dos congressos dos funcionários do Banco do Brasil. Fábio era jovem, atuava na área da educação, e deixará saudades a tod@s que conviviam com ele. Meus sinceros sentimentos à família e amig@s. Fábio, presente!

14.7.20

Teletrabalho ou home office é bom pra quem?




A condição de pandemia é uma exceção, uma excepcionalidade. Vai passar uma hora. Mas, e depois? Os capitalistas decidiram apostar neste modelo de organização do trabalho que tem menos custo fixo e isola o trabalhador em sua bolha caseira (de sofrimento?). E aí? Isso é bom pra quem?


Olá, colegas bancárias e bancários!

A pandemia mundial do novo coronavírus chegou de forma abrupta em nossas vidas mudando tudo, mudando a nossa realidade, o nosso cotidiano no trabalho, na família, nos espaços de formação, no lazer, nas mais diversas dimensões de nossas vidas.

Todos os eventos diários (que viram "notícia") nos levam a nos concentrarmos em alguns assuntos e temas e nos levam a deixar de lado outros assuntos e temas. Essa é uma questão de pauta, de quem define a pauta, a agenda de interesses em nossas vidas. De acordo com a realidade objetiva, a maioria de nós somos pessoas que vivem do seu trabalho atual ou do fruto do seu trabalho ao longo da vida.

As mulheres estão inseridas no mundo do trabalho assim como os homens. Mulheres e homens compõem os 90% ou mais de pessoas que não vivem de renda ou riqueza ou herança (aquela pequena porcentagem de donos do mundo). Na categoria bancária, as mulheres representam praticamente a metade da categoria, sendo pouco mais de 50% conforme o banco observado.

FAMÍLIAS FORMADAS POR MÃES SOLO

Li uma pesquisa recente que aponta que 11,6 milhões de famílias brasileiras são formadas por mães solo. É muita coisa! Sempre que lemos alguma pesquisa sobre desigualdade de gênero, vemos que as mulheres são mais escolarizadas e que, mesmo assim, as mulheres ganham menos que os homens. Que ocupam menos postos de trabalho nos níveis hierárquicos maiores. Que as mulheres negras têm remuneração menor ainda que as mulheres brancas. E além de tudo isso, cuidam sozinhas de seus filhos.

A campanha nacional dos bancários está em seu início e um dos temas que devem e precisam ser debatidos, entendidos e negociados com os bancos de lucros bilionários é o estabelecimento de direitos para essa realidade imposta de forma abrupta para a classe trabalhadora. E o patronato está se movimentando rapidamente para aumentar seus lucros e sua exploração em cima dos trabalhadores.

Os meios de comunicação que constroem a pauta, aquilo que falei no início do artigo e que faz a gente se concentrar em algumas coisas e não ver ou esquecer outras, estão vendendo a ideia que trabalhar em casa é tudo de bom! Num passado recente (últimas 3 décadas), esses meios de comunicação disseram que era ótimo não ter mais salário, quando os capitalistas inventaram a remuneração variável para diminuir custos fixos com mão de obra (se não vende, não recebe nada). 

-----------------------------
Para acabar com nossos direitos foi "ótimo" não pagarem mais salário. Agora parece "ótimo" trabalhar em casa, tudo por sua conta e risco.
-----------------------------

Temos que pensar a respeito! A cesta alimentação dos bancários é de R$ 609,88 ao mês, temos inclusive a 13ª cesta alimentação; o vale refeição é de R$ 35,18 ao dia (R$ 773,96), o auxílio creche/babá é de 468,42 ao mês. Essas conquistas arrancadas com organização sindical e greves são as cláusulas 14, 15, 16 e 17 da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários (CCT/Contraf-CUT 2018/2020). 

-----------------------------
Vocês acham que banqueiro gosta de pagar direitos a bancários? E se os bancários estiverem sozinhos em bolhas caseiras sem organização?
-----------------------------

Os bancos já decidiram se desfazerem de prédios inteiros onde trabalhavam milhares e milhares de bancários. Vão lucrar milhões e milhões com isso. Enquanto isso, as bancárias e os bancários, muitas delas pertencentes às famílias de mães solo, estão tentando trabalhar e cumprir metas absurdas cuidando dos filhos e das diversas jornadas que as mulheres já enfrentam.

Pensem nisso! Os bancos e os capitalistas não brincam em serviço. As mídias deles (praticamente todas as mídias comerciais pertencem a banqueiros e capitalistas) já estão atuando para dizer que é "ótimo" trabalhar em casa e se estão vendendo essa ideia é porque alguma coisa deve ser bem ruim para a classe trabalhadora e a máquina de construção de pauta e agendas já está em funcionamento.

Como os trabalhadores vão se organizar sozinhos em suas bolhas caseiras de sofrimento? Como vamos fortalecer nossos sindicatos dessa forma? Vocês são sindicalizad@s? Pensem a respeito e conversem com seus representantes sindicais.

Abraços a todas e todos,

William Mendes


Fonte de informações:

- Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários (CCT/Contraf-CUT)
- Artigo: https://falauniversidades.com.br/abandono-afetivo-paterno-alem-das-estatisticas/

8.3.18

8 de Março - Emprego precário no BB sem Cassi é Ruim Pra Todos!




Opinião

É com tristeza que vemos neste 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, data que nos chama a atenção para as lutas das mulheres por igualdade de oportunidades e direitos, o edital de concurso para escrituári@s do maior banco público do país, o Banco do Brasil.

É possível que essa data marque negativamente a história de nosso banco público bicentenário. 

Será o "8 de Março" do emprego precário no Banco do Brasil, que passou a oferecer emprego sem plano de saúde e odontologia, sem igualdade de direitos a mulheres e homens que passarão a trabalhar ao lado de colegas oriundos do próprio quadro do Banco com direito ao Plano de Associados da Cassi (enquanto ele durar, pois fechado para entrada de novos, acabará por se tornar inviável e impagável ao longo do tempo).

É lamentável ver isso acontecer! Fiquei pensando a condição de trabalho de uma mulher que seja convocada para uma das 30 vagas (Interessante o número de vagas: 30 vagas! E o Banco segue reestruturando e enxugando o quadro nacional com quase 100 mil trabalhadores). 

O Banco do Brasil lança o certame cumprindo as "regras" da Resolução 23 da CGPAR, editadas pelo governo federal no mês de janeiro, proibindo as estatais federais de oferecerem planos de saúde. 

Tenho lido e concordo com as críticas que o movimento sindical, que representa as trabalhadoras e trabalhadores, tem feito ao BB por fechar agências, extinguir funções, descomissionar funcionários, reduzir quadro, salários e folha de pagamento (e a Cassi sofre com isso!), perder papel de relevância no sistema bancário num dos momentos em que o país mais precisaria do papel de bancos públicos impulsionando a economia brasileira. 

CENÁRIO DE PRECARIZAÇÃO DO EMPREGO NO BB

A nova colega sem direito à Cassi chega para seu primeiro ano de trabalho e passa a cumprir as metas cada vez mais "desafiadoras" como os bancos gostam de dizer, ao lado de colegas que têm direito à Cassi e que cumprem as mesmas metas "desafiadoras" (talvez alguns bancári@s já estejam tomando remédios controlados por causa do estresse que vivem no trabalho e já sejam acompanhados por médicos das CliniCassi ou credenciados).

Imaginem o sentimento ruim da nova colega sem Cassi ao ver ao longo de seu primeiro ano de trabalho uma ou outra colega curtindo a felicidade de uma gravidez com os acompanhamentos adequados, e a futura mamãe comentando que faz parte do Plano de Associados da Cassi, e que o plano é essencial em sua vida e que o valor que ela paga é 3% de seu salário.

Imaginem ainda a colega nova sem o mesmo direito e acesso ao Plano de Associados, ao custo de 3% de seu salário, vendo tod@s ao seu redor tendo algo tão essencial em suas vidas. Essa colega não pode sequer adoecer, porque não tem plano de saúde. E ficar grávida então? Sequer ser acompanhada pela Atenção Primária (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF), modelo reconhecido pelo setor de saúde suplementar e pela própria ANS como referência em promoção e prevenção em saúde.

A nova bancária vai ganhar R$ 2.718,73 por mês, sem direito a adoecer, sem recursos para ter uma gravidez acompanhada e o Banco do Brasil vai economizar R$ 122,34 (4,5% do salário dela) ao não permitir que ela entre no Plano de Associados da Caixa de Assistência dos Funcionários (Cassi) contribuindo com os seus 3% (R$ 81,56) para o custeio mutualista do sistema Cassi, fruto de décadas de lutas e conquistas do funcionalismo ao criar a Caixa de Assistência. 

------------------------------------------------------------
Essa falta de isonomia e de solidariedade terá um preço caro para todos: o Plano de Associados se tornará inviável. Sou gestor eleito da Cassi, é meu dever de ofício opinar a respeito do que equivale a não entrada de novos participantes no Plano de Associados.
------------------------------------------------------------

Como bancário do Banco do Brasil há 25 anos, como cidadão que passou mais da metade de sua vida laboral representando os bancários e lutando pelos direitos da categoria, me sinto mal com esse cenário futuro sendo desenhado pelo banco público ao qual sempre nos dedicamos para ser um banco de referência para o sistema financeiro e para o povo brasileiro.

Fechar o Plano de Associados para entrada de novos funcionários é ruim para o custeio mutualista intergeracional solidário porque o Plano terá sinistralidade cada vez maior a um custo cada vez mais insustentável para os que nele estão. Falo com sinceridade isso. O Banco do Brasil sabe disso porque está na gestão da Cassi e acompanha os cálculos atuariais dos planos.

Aliás, a famigerada Resolução 23 da CGPAR orienta que as estatais federais passem a contribuir com menos para os planos de autogestão e que onere mais os trabalhadores. A ordem é não custear mais que 50%. Cumpra-se em 48 meses!

No caso da Cassi, cujo custeio do Plano de Associados foi firmado, acordado, contratado, consensado por livre e espontânea vontade da empresa Banco do Brasil S.A. e seus funcionários na relação de 60% para o patrocinador e 40% para os associados (1,5 x 1,0), reduzir a parte do BB e cobrar ela dos associados vai prejudicar mais ainda a condição de permanência dos associados que teriam "direito adquirido" como a Resolução canta 3 vezes para ver se engana aposentados e aposentáveis que já estariam no plano atacado.

Enfim, não conseguiria deixar de expressar neste dia 8 de Março a minha indignação ao ver algo que é ruim para a Cassi, é ruim para as mulheres e homens da ativa e aposentados do Banco do Brasil e é ruim para o Banco do Brasil em diversos sentidos, inclusive sob a ótica da responsabilidade social.

Me coloco a disposição do movimento sindical e da comunidade BB para lutar para mudar isso, para incluir as novas bancárias e bancáios na Cassi, inclusive os incorporados de outros bancos, pois sempre achamos um absurdo não dar acesso à Cassi para colegas que estão no mesmo regulamento, com as mesmas metas e que estão expostos aos mesmos riscos ocupacionais e assistenciais. Os incorporados poderiam estar na Estratégia Saúde da Família.

--------------------------------------------------------------
Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, inicia-se uma nova bandeira de luta por isonomia e igualdade de oportunidades no Banco do Brasil.
--------------------------------------------------------------

Emprego precário no BB sem Cassi é Ruim Pra Todos!

William Mendes
Bancário do Banco do Brasil desde 1992




--------------------------------------------------------------

(reprodução de matéria da Contraf-CUT)


Edital do BB não prevê plano de saúde para novos funcionários


​Contraf-CUT já enviou edital para Banco solicitando reunião para discutir o assunto


O Banco do Brasil (BB) publicou nesta quarta-feira (7) um edital para contratação de 30 escriturários para trabalharem em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Seguindo determinações da Resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), o edital não prevê o plano de saúde, nem odontológico entre as “vantagens” dos aprovados no concurso que forem contratados.

“Esse é mais um dos ataques que o governo Temer está colocando em prática contra a classe trabalhadora. Querem aumentar a rentabilidade das empresas às custas da exploração dos funcionários”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Wagner Nascimento.

Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), desde 2009, quando os funcionários passaram a ter direito à assistência odontológica, este é o primeiro edital de contratação de funcionários que não inclui a concessão destes direitos. A Contraf-CUT já enviou um ofício ao BB solicitando reunião para discutir o assunto.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e as federações e sindicatos a ela filiados vêm denunciando as armadilhas da Resolução 23 da CGPAR desde sua publicação. “Continuaremos nessa luta com ações políticas e jurídicas para derrubar essa e outras resoluções da CGPAR que prejudicam os trabalhadores”, afirmou o coordenador da CEBB

Sustentabilidade da Cassi

Para o coordenador da CEBB, ao não constar no Edital a concessão do plano de saúde, o BB e o governo não apenas retiram direitos conquistados dos trabalhadores, mas põem em risco a sustentabilidade da Cassi. “Pairam dúvidas se as pessoas contratadas entrarão na Cassi. O não acesso vai inviabilizar o plano”, observou o dirigente sindical.

Fonte: Contraf-CUT

23.5.17

1º Fórum de Saúde dos Bancários traz reflexões sobre os rumos do SUS


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores,

Estive nesta segunda 22 à noite e nesta terça 23, após a reunião da Diretoria Executiva da Cassi, no excelente Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários, promovido pelo Sindicato dos Bancários de Brasília. As apresentações temáticas nos painéis foram muito esclarecedoras e o evento compartilhou muito conhecimento.

Tive o privilégio de mediar a 3ª mesa do dia. O evento terminou por volta de 21h.

Nesta quarta 24 é o dia de nossa Conferência de Saúde da Cassi e Conselho de Usuários DF.

Abraços, William


(reprodução de matéria)

Uma das excelentes mesas do evento. Foto: Guina.

A manhã desta terça-feira (23) foi marcada por reflexões e inquietações provocadas por especialistas em saúde pública que participaram do segundo dia do 1º Fórum de Saúde dos Trabalhadores Bancários realizado pelo Sindicato, em sua sede, numa parceria com a CUT Brasília, Fenae e Anabb.

“O objetivo deste Fórum não é só fazer a discussão, mas agir com a consciência do que queremos, quais caminhos trilhar e como dialogar com os outros para promover a saúde com mais propriedade”, afirmou o Presidente do Sindicato, Eduardo Araújo. Nesse sentido, ele destacou que será publicada uma cartilha com as discussões realizadas no evento e também será editado um vídeo com as falas para ser exibido na TV Comunitária, Canal 12 da NET, na próxima sexta-feira (26).

Também participando da mesa que abriu o primeiro painel, “Descaminhos da Saúde no Brasil - cenários e perspectivas”, a secretária de Formação do Sindicato, Teresa Cristina, destacou a necessidade de fortalecer a luta na defesa do SUS. “É muito importante que a categoria bancária enxergue o que esse sistema representa para o país. Queremos e precisamos participar juntos da luta de reconstrução não só do SUS, mas do Brasil. É um dever moral”, orientou.

Menos diferenças sociais

Com origem no movimento sindical, o radialista Arnaldo Marcolino falou com propriedade sobre a importância de se discutir e entender as diferenças existentes em uma sociedade, a fim de unir os diversos atores sociais em prol de um objetivo comum. Levantou, ainda, várias questões sobre as dimensões política, econômica e de proteção social da saúde no Brasil.

Sobre os bancários, penosidade foi o termo usado por Marcolino para caracterizar os problemas relacionados às condições de trabalho que afligem a categoria. “É penosa a situação do trabalhador que acaba levando as metas para casa, envolvendo todos os familiares. Isso destrói e adoece toda a família”, explicou. “Em contrapartida, qual a política de saúde mental que os bancos ou o governo promove para aliviar essa condição?”, questionou.

Sobre as questões que envolvem a política macro no Brasil, o radialista disse que a história pode ser recontada a partir do movimento dos trabalhadores. “Nós, trabalhadores, temos que ter uma grande ambição. Não de tomar o governo, mas de sê-lo. De ser governo a partir da educação, da cultura e de todas as travessuras, alegrias e tristezas que uma sociedade pode ter. Tem que ir além da máquina e recontar a história a partir da nossa própria história.”

Greve, uma ferramenta de luta

O professor Eduardo Azeredo Costa, membro da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, enfatizou a gravidade do momento atual por que passa a vida brasileira e que extrapola a matéria do seminário. “A saúde, na verdade, reflete as condições de vida e do trabalho das pessoas que, claramente, está em alto risco devido às medidas que esse governo espúrio, fruto de um golpe parlamentar, está tentando impor, apesar de sua total ilegitimidade”, apontou.

Segundo Azeredo, a greve é a única ferramenta capaz de impedir a aprovação das propostas de reformas trabalhista e previdenciária empurradas pelo governo. “Apesar de ter sido mal divulgado pela imprensa, o movimento grevista de um dia causou um grande impacto. Temos que pensar nisto. Os trabalhadores, na verdade, têm grande responsabilidade nas transformações e na conquista de uma democracia mais justa, capaz de trazer mais saúde para todos e conquistar uma democracia mais justa. Mais uma vez, a solução está depositada nas mãos dos trabalhadores”.

Para ele, o direito à saúde, mesmo previsto na Constituição, é uma quimera. “A gente luta pelo SUS, mas esse sistema ainda não é a solução definitiva devido a sua composição e gestão. Além disso, diferentemente do que fizeram outros países, o sistema não prioriza a atenção básica e a atenção aos mais doentes”, enfatizou.

Participação de todos

Para a médica sanitarista Ana Maria Costa, professora de Saúde Coletiva e diretora do Centro Brasileiro de Estudo da Saúde, a luta pelo direito à saúde exige a participação de todos e faz parte da concepção de um novo Estado que garanta mais proteção, bem-estar social e a primazia dos cidadãos sobre os valores do capitalismo.

“Os interesses do sistema financeiro, de fato, não são as pessoas. É o lucro, o rendimento e uma acumulação que, cada vez mais, aumenta as desigualdades. Esse sistema, que opera no capital não produtivo, não só acirra os mecanismos de produção de desigualdade como também prescinde da força de trabalho”, afirmou a médica.

Em função disso, segundo a especialista, a luta pela saúde deve se articular com a luta pelo fortalecimento das instituições democráticas e se vincular, especialmente, à instalação de um projeto político efetivo de democracia social. “A democracia econômica, que visa à distribuição da riqueza, é insuficiente. Temos que apostar nos nossos mecanismos de luta, na greve, na mobilização permanente para restabelecer a democracia e um projeto político para o País. O que está posto agora é destruidor, perverso, e não se importa com o ser humano. A luta pela saúde é a luta por um Brasil, de fato, melhor”, ressaltou.

A programação do Fórum seguiu durante a tarde.

Rosane Alves
Do Seeb Brasília

10.8.16

Minha solidariedade à médica de família Júlia Rocha


Apresentação da matéria pelo blog

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Reproduzo abaixo matéria da excelente jornalista Conceição Lemes, do site "Vi o Mundo", um portal com reportagens e matérias investigativas de muita qualidade.

Júlia Rocha, preceptora e médica de família da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ao postar em seu perfil na rede social Facebook um texto dizendo que o mais importante é ouvir os pacientes da forma como eles falam, foi agredida em rede social com preconceito, racismo e misoginia. Onde vamos parar com esse ódio todo plantado em nosso país pelos grupos que construíram o Golpe de Estado e o fim da democracia brasileira?

Peço que leiam a entrevista dela ao final da matéria falando do papel do Médico de Família. É muito legal!

A Cassi é uma entidade de saúde de autogestão dos trabalhadores do Banco do Brasil e nosso modelo assistencial é baseado na Estratégia Saúde da Família (ESF). Como gestor da entidade e responsável por essa área, a saúde, passei a conviver com os maravilhosos profissionais médicos de família. Nós temos 142 equipes de família em nossa Caixa de Assistência atuando em todos os Estados do país e acreditamos muito no trabalho de Atenção Integral à Saúde feito pelos médicos de família.


E viva todo tipo de cabelo!!!
Deixo minha solidariedade à médica de família Júlia Rocha e meu respeito e gratidão a todas e todos os cidadãos que escolhem essa área médica para atuarem e dedicarem suas vidas.

Chega de preconceitos, intolerância e ódio em nosso país e no seio de nosso povo. Isso faz mal pra saúde e faz mal para nossa vida e para a sociedade.

Aos que tiverem interesse, a matéria explica o que aconteceu com detalhes.

Abraços,

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi

-----------------------------------------------------
(reprodução de matéria do site Vi o Mundo)


Médica defende o direito de o paciente falar do “jeitinho” que sabe, e vira alvo de racismo e misoginia nas redes sociais: ”Foi como levar chute no estômago”

08 de agosto de 2016 às 19h04




Guilherme Capel, Júlia Rocha e Milton Pires.

Por: Conceição Lemes

Há pouco mais de uma semana, dois posts publicados por médicos numa rede social viralizaram. Ambos envolviam a relação médico-paciente, mas com olhares e posturas diametralmente opostas.

O primeiro foi na quarta-feira, 27 de julho. Após atender o mecânico José Mauro de Oliveira Lima, 42 anos, no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP), o clínico-geral Guilherme Capel Pasqua foi para a internet e debochou.

Com o título “Uma imagem fala mais que mil palavras”, publicou uma foto sua, com o receituário na mão e a inscrição: “Não existe peleumonia e nem raôxis”.

Duas colegas do hospital — a enfermeira Renata Rodrigues e a recepcionista Adrielli Conti – aderiram à chacota.



Na família do mecânico e nas redes sociais, muita indignação, especialmente com o médico.

Afinal, ao se formar, ele fez o “Juramento de Hipócrates”, comprometendo-se, entre outras coisas, a usar os seus conhecimentos “para o bem do doente, nunca para causar dano ou mal”.

Em entrevista ao G1, publicada na sexta-feira 29, o enteado do senhor José Mauro, o eletricista Claudemir Thomaz Maciel da Silva, que o acompanhava na consulta, revelou o que aconteceu:

“Quando meu padrasto falou pneumonia e raios X de forma errada, ele [o médico] deu risada. Na hora, não desconfiamos que ele iria debochar depois na internet. O que ele fez foi absurdo. O procurei e escrevi para ele na rede social que, independente dele ser doutor, não existe faculdade para formar caráter. Assim que ele viu minha postagem, apagou a foto. Ele não quis conversar com a gente”, diz Claudemir.

“Meu padrasto não sabe falar direito porque não teve estudo (…). Ele trabalhava como cozinheiro aqui em Serra Negra e depois se tornou mecânico. Lembro que ele estudava, mas precisou abandonar as aulas para cuidar de mim. Tive tuberculose aos dois anos e, nessa época, ou ele estudava ou pagava meus remédios”, lembra.

Na quinta-feira, dia seguinte à postagem, o médico, a recepcionista e a enfermeira foram demitidos pelo hospital, que é administrado pela Santa Casa de Serra Negra.


“EXISTE PELOUMONIA; EU MESMA JÁ VI VÁRIAS”

O segundo post que viralizou foi o da médica de família e cantora-compositora Júlia Rocha.

É preceptora do Programa de Residência Médica de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Toda sexta à noite, vai para Belo Horizonte (MG), onde mora. E, no domingo à noite, volta para o Rio, onde trabalha.

Na sexta retrasada, 29 de julho, ao chegar a BH, várias pessoas haviam lhe mandado o link de uma mesma reportagem: a do clínico-geral de Serra Negra, que caçoou do paciente com “peleumonia”.

Ela leu e resolveu passar o seu olhar e dos seus colegas como médicos de família. Nada mais.



No sábado, 30, ao acordar, a doutora Júlia percebeu que a postagem saíra do seu círculo de amigos e seguidores. Tinha tomado proporções gigantescas.

No domingo à noite, quando se preparava para voltar ao Rio, recebeu de uma amiga os prints de postagem do médico Milton Pires (logo abaixo), de Porto Alegre (RS), bem como a de alguns dos seus seguidores.

Milton revela-se racista e reacionário.

Aposta também na desinformação da sua malta.

Joga desonestamente nas costas da doutora Júlia — que escracha com foto imensa — a responsabilidade pela demissão do “guri da Santa Casa”:



Só que os fatos o desmentem cabalmente.

O “guri” debochou do paciente com “peleumonia” na quarta, na quinta perdeu o emprego.

Júlia só publicou a sua postagem na sexta, às 23h29. O print da mensagem comprova.

Igualmente estarrecedores os comentários dos seguidores do médico gaúcho.



Além do conservadorismo, da agressão e ódio desmedidos, eles revelam machismo, misoginia, inclusive por parte das mulheres.

“Na hora em que vi a postagem do médico gaúcho e os comentários dos seus seguidores, fiquei em choque”, afirma Júlia Rocha, em entrevista exclusiva ao Viomundo. “Foi como levar um chute no estômago. Foi muito triste.”

Ainda no domingo passado à noite, ela postou esta segunda mensagem:



Como todo racista que se preza, Milton Pires não gostou de ser chamado de racista.

Baixou ainda mais o nível em nova postagem (abaixo). Mandou a médica à “puta que pariu”, mostrando que também é mal-educado.

O post, todo em letras maiúsculas, é como se ele estivesse gritando a seguidores surdos. E, de novo, escracha, em tamanho grande, a foto da doutora Júlia.



Na segunda-feira passada, 1° de julho, provavelmente a pedido de Milton Pires, o Facebook eliminou a segunda postagem de Júlia. Já tinha mais de 70 mil curtidas e milhares de compartilhamentos.

Covardemente, Milton também apagou rapidinho a sua página no Facebook.

Júlia tem recebido a solidariedade individual e coletiva de colegas.

A Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares divulgou nota (na íntegra, ao final) de solidariedade: “Repudiamos a prática que tende a utilizar o discurso de ódio para combater divergências políticas e ideológicas, com conteúdo racista para isso”.

Segue a íntegra da entrevista que esta repórter fez por telefone com a doutora Júlia.

Viomundo – Como soube do caso do médico da “peleumonia”?

Júlia Rocha – Na sexta-feira [29 de julho], à noite, quando cheguei de viagem em Belo Horizonte. Algumas pessoas me mandaram o link da reportagem. Li e, antes de dormir, decidi me manifestar. Fiz sem nenhuma pretensão. Nunca imaginei que fosse ter tanta repercussão, principalmente essa reação negativa, tão assustadora, tão virulenta.

Viomundo — O que a levou a fazer a sua primeira postagem?

Júlia Rocha – A minha ideia era apenas passar outro olhar sobre a questão. O meu olhar e os dos meus colegas como médicos de família. Nada mais.

Não tive a intenção de manchar a imagem de ninguém, de forma alguma. Não me cabe julgá-lo. Talvez tenha sido um ato de imaturidade, porque ele é muito novo. Acho que ele vai aprender com esse episódio e provavelmente mudar a sua prática a partir de agora.

Viomundo – O que significa esse outro olhar?

Júlia Rocha – É importante que a gente realmente esteja inteira dentro de uma consulta médica para poder ouvir o que o paciente tem a dizer da forma que ele se apresenta, como ele é.

No nosso meio, é recorrente a ridicularização da fala do excluído, do pobre.

A minha ideia foi justamente mostrar que é legítimo, sim, que o paciente fale dessa forma.

Nós, médicos, somos os técnicos dessa relação médico-paciente. Nós somos formados para isso, para entender. O paciente não tem obrigação de saber o que a gente sabe. E se me foi dada a chance de conhecer sobre as doenças e ler os livros, o que me custa entender ou tentar entender aquilo que o paciente me traz.

Viomundo — Paradoxalmente, é muito comum o médico falar para o umbigo, usando jargão que o paciente não entende. Outro dia vivi isso, levei a minha mãe de 93 anos à ortopedista. A médica disse: “a senhora flete a perna”. Mesmo percebendo que a minha mãe não estava entendendo, ela insistiu no “flete”. Na terceira, eu interferi: “mãe, dobra a perna!”

Júlia Rocha – Isso é comum. No Brasil, a profissão de médico ainda é muito elitizada. Em consequência, usa uma linguagem muitas vezes inacessível para muitos pacientes. Então, a nossa obrigação é se fazer entender de verdade pelo paciente.

Até porque isso pode parecer uma brincadeira, às vezes deboche. Mas pode se tornar algo sério, a partir do momento em que você coloca a vida do paciente em risco por não entendê-lo ou ele não te entender.

Viomundo – O que a senhora sentiu quando viu os prints da postagem do médico gaúcho e de alguns seguidores dele?

Júlia Rocha – A sensação foi de ter levado um chute no estômago. Só quem passa por situação semelhante sabe o quanto é triste. Além de ter usado indevidamente a minha imagem, ele proferiu palavras racistas ali e permitiu que seus seguidores fizessem o mesmo. Eu vi na página dele vários comentários racistas, como “esse cabelo deve ter um mico leão lá dentro”, “para negar que é preta, ela descolore o cabelo”…

Viomundo – A informação que tive inicialmente é que a postagem do médico gaúcho teria sido numa comunidade fechada chamada Movimento Pela Dignidade Médica…

Júlia Rocha – Realmente, eu ouvi dizer que alguns dos que comentaram ali fariam parte dessa comunidade de médicos reacionários, de extrema-direita. Mas não sei. Agora, esse post dele foi publicado no perfil pessoal, que estava público. Eu não precisei entrar em nenhuma comunidade. Houve uma alegação de que eu teria exposto a imagem dele. Mas não. Na verdade, o post estava ali, aberto, para quem quisesse ver.

Viomundo – O Facebook eliminou a sua segunda postagem provavelmente a pedido dele. Sabe por quê?

Júlia Rocha – Ele tem poucos seguidores. Eu tenho mais de 60 mil. Então, na hora que postei no meu Facebook, viralizou. Além de ser cantora-compositora, eu sempre repercuto notícias relacionadas à medicina. Eu posto também alguns casos dos meus atendimentos. Não os relacionados à questão médica, mas à questão humanística. A consulta médica é um momento de encontro de seres humanos. Então, na hora em que eu postei os prints das telas do post dele, elas viralizaram.

Viomundo – A senhora pretende processá-lo?

Júlia Rocha – Há advogados acompanhando o caso. Providências legais já estão sendo tomadas. Estou muito preocupada comigo e com a minha família.



Em tempo: Milton Pires, cujo nome completo é Milton Simon Pires, é reincidente no ataque vil a mulheres.

Em outubro de 2014, ele ironizou a queda de pressão da presidenta Dilma (PT) após um debate eleitoral e a chamou de “filha da puta”.

Concursado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.

Em setembro de 2014, uma colega de trabalho o denunciou por agressão verbal e física, e a direção do Hospital Geral da Conceição (GHC), de Porto Alegre, onde ele é concursado, optou por afastá-lo de suas funções na UTI.

Nota de Solidariedade da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares à médica de família e comunidade Julia Rocha:

“O médico, o trabalhador médico, deve ir então ao centro de seu novo trabalho, que é o homem dentro da massa, o homem dentro da coletividade. (…) Veremos como teremos que ser um pouco pedagogos, às vezes muito pedagogos, como teremos que ser políticos também, como o primeiro que temos que fazer não é ir brindar com a nossa sabedoria, mas sim demonstrar que vamos aprender, com o povo, que vamos realizar essa grande e bela experiência comum” Ernesto Che Guevara

No dia 27 de julho a notícia de que um médico plantonista havia divulgado uma foto com os dizeres “não existe peleumonia e nem raoxis”, após o atendimento de um paciente em um hospital, espalhou rapidamente pelas redes sociais.

Em contrapartida a postura dele, médicas e médicos como Júlia Rocha se pronunciaram a favor de uma medicina centrada na pessoa, ferramenta que reconhece e respeita o que o indivíduo sente e sua forma de expressar o que é o adoecer.

Em meio ao crescente discurso de ódio na sociedade brasileira, Júlia Rocha foi atacada por médicos racistas e reacionários em seu perfil do Facebook, com mensagem de conteúdo racista, desrespeitoso quanto à opção ideológica da médica e quanto a especialidade de medicina de família e comunidade. Nos comentários da postagem, fica explícito o caráter do ataque.

Nós da RNMMP manifestamos o nosso apoio a Júlia Rocha e repudiamos a prática que tende a utilizar o discurso de ódio para combater divergências políticas e ideológicas, com conteúdo racista para isso.

A medicina deve estar a serviço do povo brasileiro, capaz de compreender o processo saúde doença que submete os indivíduos e comunidades ao adoecimento e se propor a transformar. A medicina, não pode ser uma correia de transmissão do pensamento elitizado e preconceituoso contra os mais desfavorecidos e oprimidos da sociedade brasileira.


PS do Viomundo: Após a enorme repercussão negativa da sua conduta, o médico Guilherme Capel pediu desculpas ao senhor José Mauro. Em sua página no Facebook, ele registra em foto a ida à casa do mecânico. Tomara que o arrependimento seja sincero. Ou terá sido apenas marketing para limpar a sua imagem?



Fonte: essa matéria é do site Viomundo