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23.3.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2006


William, Cacaio e Marcel no
Congresso da Fetec CUT SP.

RETROSPECTIVA 2006

O ano foi marcado sobretudo pela reeleição de nosso presidente Lula, em outubro. O blog A Categoria Bancária recém iniciava sua trajetória de comunicação direta com os bancários, os trabalhadores em geral e com a militância sindical. Eu havia criado o primeiro blog em 2005, mas o provedor (UOL) encerrou minha página sem consulta e sem minha autorização. Perdi diversos textos guardados somente naquela “nuvem”. Entendam isso!

Após o primeiro mandato como representante sindical de meus colegas bancários no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região (2002-2005), no qual eu estava na Secretaria de Organização e Suporte Administrativo (SOSA), eu era membro da Diretoria Executiva, decidimos em coletivo político – o Coletivo BB – que eu seria o representante paulista na Comissão de Empresa do BB (CEBB), coletivo que assessora a Fetec CUT SP e a Confederação nas negociações com patrão e governo e na organização dos funcionários do BB em nível nacional.

Também decidimos em coletivo político no Sindicato que eu faria parte da chapa eleita na Contraf-CUT em seu primeiro congresso em abril. Minha função prioritária passou a ser a secretaria de imprensa da Confederação e a representação na CEBB. Estaria à disposição das direções do Sindicato e da Fetec a qualquer tempo.

Uma tarefa que executamos na secretaria de imprensa da Contraf-CUT, um desafio e tanto, foi substituir em poucos meses a marca “CNB-CUT”, uma marca conhecida e histórica. Contamos com o apoio da direção e da equipe que trabalhou conosco na imprensa para termos sucesso no desafio.


Já na campanha salarial daquele ano de 2006, no segundo semestre, a Contraf-CUT era reconhecida na mídia comercial, pelo patronato e pela categoria bancária. Nossa logo é um abraço da categoria mais organizada, os bancários, aos setores menos organizados que trabalhavam para os banqueiros, era a ideia de formalizar o Ramo Financeiro.

Destacaria ainda sobre o ano de 2006, a 3ª Marcha do salário mínimo, fundamental para ampliar a distribuição de renda através do trabalho formal. Fomos bem-sucedidos na estratégia que adotamos desde a 1ª Marcha em 2004. Fui em todas elas.

Realizamos o Congresso de nossa Federação dos Bancários da CUT, a Fetec CUT SP. Estive presente nesse fórum importante em nosso Estado.

E aprovamos a Comissão de Conciliação Prévia (ou CCP/CCV). Foram anos de negociação entre nós cutistas e a direção do BB e governo para corrigirmos distorções que aconteciam nas comissões da outra confederação, a Contec.

As negociações sobre a Cassi estavam emperradas, a direção do banco não vinha facilitando as coisas e ainda seriam vários meses de negociações até aprovarmos a reforma estatutária em 2007.

Mais um caderno do blog organizado. É nossa história.

William 

6.12.21

Memórias (XII)



Histórias sobre a PLR no Banco do Brasil: onde há remuneração variável, há disputa de classes, ou seja, o patrão vai jogar trabalhador(a) contra trabalhador(a)


Estou escrevendo um pouco a respeito das lutas do movimento sindical bancário, mais especificamente do período no qual fiz parte dele como dirigente e representante d@s trabalhadores: de 2002 a 2018. 

A minha fonte principal de consultas e fio condutor das memórias são as minhas postagens no blog A Categoria Bancária - e sites sindicais subsidiariamente - porque o blog se tornou uma ferramenta de trabalho na comunicação com a categoria e com as entidades e lideranças sindicais e vejo no blog uma fonte interessante de registros de uma época.

INTRODUÇÃO

Dia desses escrevi memórias sobre o mês de março de 2007 (ler aqui) e o tema mais destacado naquele mês foi o embate entre nós do movimento sindical e a direção do Banco do Brasil. Alguns caras da direção decidiram prejudicar os bancários e bancárias que participaram da greve da campanha nacional da categoria em 2006, momento em que definimos os acordos coletivos e a convenção da categoria.

São muitas as formas dos representantes do capital para prejudicarem a classe trabalhadora. Não falta imaginação na hora de pensar sacanagens para vender caro direitos conquistados na luta organizada. A cada campanha salarial, a cada data-base e greve dos anos dois mil, alguns dos negociadores da parte do BB, que representavam o governo do PT, tiravam da cartola uma proposta marota, que tinha algum tipo de casca de banana para atingir algum segmento do movimento.

ATENÇÃO: durante os governos Lula e Dilma, tivemos muita gente boa nas áreas de gestão de pessoas e negociações com entidades representativas. Os avanços nos direitos contaram com a contribuição de muita gente dentro dessas áreas. Mas, às vezes, tinha uns caras difíceis como, por exemplo, quando fui coordenador da Comissão de Empresa: tivemos dois diretores do banco que ficaram marcados por quererem ser mais realistas que o rei. O movimento sindical da época com certeza sabe quem são esses caras. Faz parte...

Digo isso por conhecimento prático e isso não quer dizer que eu não tenha noção clara de que é muito melhor negociar com governos progressistas e democráticos como foram os governos de Lula e Dilma, que apesar de terem sido governos de composição com forças conservadoras (a tal governabilidade), foram governos melhores para a classe trabalhadora que todos os outros na história do país, na minha opinião. 

Vai tentar negociar com o PSDB ou com esses governos de ultradireita e fascistas como os dois após o golpe de 2016 - Temer e Bolsonaro. Tenta negociar com essa gente!

Enfim, o tema agora é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no Banco do Brasil.

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PLR NOS BANCOS FEDERAIS, CONQUISTA DA UNIDADE

Como no blog tem muitos textos sobre a história da conquista da PLR no BB e bancos federais, não vou me alongar em detalhes (o essencial já será textão). Para ler alguns textos a respeito basta clicar aqui e ver as postagens do embate entre nós e o BB na 1ª quinzena de março de 2007. Em linhas gerais, é o seguinte a história da PLR:

CUT E FENABAN ACORDAM PLR EM 1995 - Os bancários brasileiros de bancos signatários da Convenção Coletiva negociada e assinada entre a Fenaban e a CNB/CUT conquistaram em 1995 a PLR com regras que garantiam a remuneração para todos os bancári@s, independente de qualquer questão pessoal como alguma ausência no semestre de referência, resultado na dependência de trabalho, não cumprimento de meta etc. O banco deu lucro, todos recebiam PLR baseada em valores mínimos estabelecidos no Acordo Coletivo de PLR. Recebiam essa remuneração variável trabalhadores de bancos privados e de bancos estaduais e regionais que assinavam com a CUT o acordo.

BANCOS FEDERAIS NÃO PAGARAM A PLR DA CATEGORIA ENTRE 1995 E 2002 - Os trabalhadores de bancos públicos federais não recebiam PLR acordada entre a CUT e a Fenaban porque o governo de plantão se aproveitava de diversos subterfúgios para não pagar a remuneração aos bancários. Ficaram sem PLR assinada com a CUT entre 1995 e 2002 bancári@s do BB, Caixa Federal, BNB, BASA, BNDES. Durante o governo FHC, o BB criou um programa provisório monstrengo para pagar uma grana para certos segmentos preferenciais definidos pela direção do banco. A base da pirâmide recebia alguns reais, uns trocados, e o topo da pirâmide recebia valores dezenas de vezes maiores. Por 9 semestres os bancários da base da pirâmide recebiam uns 200 reais ou pouco mais e a direção do banco recebia dezenas de milhares de reais. Milhares de funcionários da base não recebiam nada por motivos estapafúrdios: uma ausência, a agência foi assaltada e não teve resultado positivo etc.

SOMOS BANCÁRIOS, QUEREMOS OS DIREITOS DOS BANCÁRIOS - Já no final dos anos noventa, os congressos de trabalhadores dos bancos públicos federais debatiam a importância da unidade geral da categoria bancária. Com o início do governo Lula, vimos uma oportunidade de realizar esse objetivo antigo da categoria, uma mesa única e uma convenção coletiva que abrangesse trabalhadores de bancos públicos e privados. Deu trabalho, mas conseguimos a unidade.

Em 2003, BB e Caixa Federal são forçados a negociar com os trabalhadores alguma forma de PLR porque as greves daquele ano foram fortes e a saída exigiu o atendimento de questões específicas, além do cumprimento das conquistas da categoria assinadas com a Fenaban. No BB, foi a nossa 1ª PLR com regras gerais, sem excluir nenhum(a) bancário(a) por motivos esdrúxulos. 

(ALIÁS, o movimento sindical e o governo Lula CORRIGIRAM a injustiça feita aos bancários que não receberam aqueles valores de "PLR" provisória da era tucana. Negociamos com o governo Lula o pagamento retroativo para todos que não receberam a remuneração naqueles 9 semestres.)

PLR NO BB AVANÇA COM PAGTO LINEAR DE PARTE DO VALOR - Depois da conquista da PLR com regras gerais em 2003, veio a conquista do módulo de distribuição linear de parte do lucro, 4% no BB. Regra que a categoria vinha discutindo em seus fóruns para ampliar o valor da distribuição de lucros e resultados. 

Como se sabe, negociação pressupõe conciliar interesses de ambas as partes (com ou sem "pegadinhas" ou sacanagens). No BB, a direção queria contratar algum tipo de remuneração por resultados locais, para estimular o cumprimento de metas, óbvio, e premiar as funções do topo da pirâmide funcional. Em 2005, já contratávamos com o BB regras gerais de distribuição de PLR, definidas por nós no ACT, sem excluir ninguém, e o banco se utilizava dos benefícios da lei de PLR para o seu módulo bônus, com valores determinados por ele. Mesmo assim, nós negociávamos as linhas gerais, valores mínimos etc. Nosso foco sempre foi contratar benefícios para os trabalhadores em geral.

Antes, ainda em 2003, para o BB acordar conosco as regras gerais semelhantes à do Acordo Coletivo CNB/CUT e FENABAN (adaptadas ao BB) foi preciso autorização de órgãos do governo para que o BB distribuísse aos funcionários mais que 6,25% do resultado porque as regras gerais da PLR da categoria faziam com que os bancos federais gastassem mais que os grandes bancos privados (porque tinham mais funcionários, porque o lucro era diferente etc).

Amig@s leitores, essa descrição acima é um resumão feito de memória, pois vivi intensamente cada negociação de PLR entre 2003 e 2013, como uma das lideranças dos funcionários do BB. São tantas, mas tantas histórias a cada ano que iríamos longe aqui.

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A PLR DE 2006/2007 E A PRÁTICA ANTISSINDICAL POR PARTE DA DIREÇÃO DO BB: QUEBRA DA SOLIDARIEDADE E VITÓRIA DO INDIVIDUALISMO

As negociações sobre distribuição de lucros e resultados entre nós representantes dos trabalhadores e a direção do Banco do Brasil e dos banqueiros em geral sempre foram balizadas por algumas lógicas ou princípios gerais. 

Os representantes do capital querem puxar a sardinha pro lado de seus "capatazes", ideólogos do patronato e líderes na gestão dos modelos de remuneração e nós queremos regras sempre mais gerais, que beneficiem todos que produziram aqueles resultados astronômicos dos bancos, e se tiver que escolher segmentos da pirâmide por causa do valor que os bancos apartaram para distribuir (cobertor curto), vamos priorizar a base da pirâmide, porque ao longo do ano cada pessoa já recebeu uma remuneração de acordo com a função desempenhada na empresa. Isso em linhas gerais, logicamente.

Nos congressos de trabalhadores, via de regra, definimos propostas de PLR que simplifiquem a distribuição para todos como, por exemplo, "n" salários + valores em reais, sem definir tetos gastos pelos bancos. As regras contratadas no final das negociações são as possíveis, num movimento estica e puxa entre nós e os banqueiros. Quanto maiores os valores fixos em reais, melhor para a base da pirâmide. Se não estipular alguma regra em relação à quantidade de salários, o montante do programa pode favorecer o topo da pirâmide em relação à base.

A PLR do BB vinha sendo uma referência para a categoria desde que inovamos em mesclar uma parte linear (4%) + um valor fixo em reais + uma porcentagem da remuneração da função (45% do Valor de Referência, VR, sendo a ref. E6 para escriturários e caixas). Essas eram as regras gerais, que não excluíam nenhuma pessoa, como conquistamos em 2003, as bases da PLR da categoria. Ainda negociávamos um módulo baseado em resultados, o módulo bônus, mas todos estavam garantidos na regra geral.

SUBSTITUIÇÃO DE FUNÇÃO - Uma das práticas mais comuns no dia a dia dos 100 mil funcionários do BB era a substituição de função nos locais de trabalho. A prática era importante tanto para a empresa quanto para os trabalhadores. Ausências por férias, aposentadorias, licenças diversas, cursos de formação eram comuns nas dependências e as substituições de funções por outros trabalhadores tanto supriam as necessidades da empresa quanto eram oportunidades de treinamento para os bancári@s e uma remuneração maior no final do mês. 

O fato concreto é que boa parte dos funcionários substituíam, às vezes, o semestre inteiro em algumas funções como, por exemplo, caixas, assistentes, analistas, gerências médias e até gerências gerais. 

PRÁTICA ANTISSINDICAL - A direção do BB, para acordar o pagamento da 2ª parcela da PLR, relativa ao 2º semestre de 2006, decidiu usar o programa para tentar refrear o impulso de luta do funcionalismo que vinha num crescendo desde 2003 e nas negociações para fechar a parcela a ser paga em março de 2007 decidiu agir de forma antissindical e com assédio moral institucional. 

A direção do BB propôs pagar o valor da PLR SEM CONSIDERAR A SUBSTITUIÇÃO NO SEMESTRE INTEIRO por causa de alguns dias de greve da data-base da categoria, dias de greve que aliás eram compensados até data definida em acordo coletivo. Ou seja, nenhuma justificativa para prejudicar os substitutos.

Durante duas semanas de negociações com as entidades sindicais, os "colegas" da direção do BB, funcionários de carreira da empresa, não abriram mão de penalizar os substitutos que fizeram greve e apostaram que as maiorias aprovariam isso nas assembleias, pensando em si mesmas. A Contraf-CUT e as lideranças sindicais indicaram a rejeição da proposta para que pudéssemos reverter essa sacanagem por parte da direção do BB, mas a proposta foi aprovada.

Como disse acima, ao ler os registros no blog no mês de março, ler em ordem cronológica é melhor, é possível ver o embate que fizemos com a direção do banco e nossa postura nas assembleias defendendo a solidariedade entre os colegas e dizendo "não" ao individualismo.

Ao longo dos anos, foram várias as artimanhas da direção do BB para nos dividir, como se o BB fosse um banco privado, gerido pela banca. São as contradições do mundo capitalista.

O texto foi longo, deu trabalho para fazer, mas entendo que é importante resgatar a história de luta dessa categoria tão aguerrida e que tanto contribuiu para as conquistas da classe trabalhadora brasileira.

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Tenho outras histórias para contar e relembrar sobre PLR como, por exemplo, a PLR dos colegas do Banco do Brasil cedidos para trabalhar na nossa Caixa de Assistência, a CASSI. Quando cheguei lá na autogestão como diretor de saúde eleito pelos trabalhadores (2014), o programa de PLR dos bancários do BB era bancado pela associação em saúde e não pelo banco e fiz uma luta pesada para corrigir isso. A insistência me custou muito caro (dezenas de milhares de reais... rsrs), mas fiz o que tinha que ser feito por um princípio ideológico: nunca recebi um centavo de PLR da Cassi. A luta que empreendi gerou (e gera) uma economia de milhões de reais para a Cassi. Muita gente que estava lá na gestão sabe disso. Qualquer hora eu conto essa história pra vocês.

William


Para ler o texto seguinte, o Memórias (XIII), clique aqui.

E aqui para ler o texto anterior.


6.11.21

Memórias (I)


Com Daniel Reis e Rosane Bertotti, da CUT nacional.

Memórias das lutas dos bancários em 2006

Criei este blog no dia 5/10/2006. Na época, eu era dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT.

Dia 5 de outubro de 2006 foi também o 1º dia da greve nacional dos bancários, greve aprovada pela categoria em assembleias país afora após diversas rodadas de negociação com os banqueiros e governo federal não lograrem êxito em obter uma proposta digna de apreciação pelos bancários em assembleias.

A postagem no blog traz informações sobre a boa adesão da categoria à greve. Ler a postagem aqui.

(Na atualidade: nov/2021) Mauro Iasi, no canal Café Bolchevique da TV Boitempo, nos fala sobre temporalidade, separando a temporalidade do indivíduo da temporalidade de classe. 

Em linhas gerais, e resumindo a ideia com minhas palavras, sofremos uma certa ansiedade e angústia ao vislumbrarmos que não veremos no tempo de nossa vida as mudanças e os resultados de nossas lutas coletivas (pensando os nossos objetivos históricos, uma sociedade socialista ou cooperativa e solidária). É verdade. Por isso precisamos ter algum tipo de pertencimento às lutas coletivas, para sabermos que pertencemos a algum lugar histórico.

Ao ver os registros que fiz por mais de uma década de nossas lutas de classe, vejo que fiz parte de uma luta coletiva, de um processo histórico e que não terminou quando eu deixei de fazer parte dele como dirigente sindical. Eu fui um tijolinho nesta construção coletiva. Isso é importante tanto para mim quanto para o processo em si. Há um sentimento de pertencimento nessa relação minha e do movimento de lutas da classe trabalhadora.

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Outra postagem do mês de outubro de 2006, traz registros a respeito das eleições no Brasil e tributação, é uma postagem que ainda hoje aponta as questões centrais da péssima carga tributária brasileira. A maior parte da arrecadação tributária do país se dá com impostos indiretos, sobrecarregando o povo, o setor produtivo e o consumo, ao invés de taxar os bens, patrimônio e renda da burguesia, a classe abastada. Antigo o problema, viu! Ler aqui. 

A matéria traz ainda o resultado da campanha nacional dos bancários em 2006 após o encerramento da greve daquele ano. Os bancários tiveram reajuste de 3,5% (aumento real de 0,63%).

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A postagem do dia 26/10/06 fala sobre as eleições gerais, eu me manifesto e explico por que voto em Lula. Ler aqui.

É assinado o Acordo Coletivo de Trabalho do BB e Contraf-CUT. Tivemos mais um ano de avanços nos direitos da categoria e classe trabalhadora brasileira sob o governo do Partido dos Trabalhadores.

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As outras duas postagens do mês de outubro de 2006 trazem o resultado da eleição presidencial, Lula é reeleito (ler aqui), e vemos a minha agenda sindical, eu tinha uma agenda intensa tanto como dirigente do sindicato, quanto como secretário de imprensa da confederação. Ler aqui.

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Boas lembranças! Somos seres coletivos e vivemos inseridos em processos históricos. É bom termos consciência disso para lidarmos com as angústias da temporalidade individual, com a noção clara de nossa finitude. Nossa missão enquanto seres humanos é livrar o mundo do modo de produção e exploração capitalista e a criação de um mundo melhor para todas as pessoas e para as demais espécies viventes no planeta.

William


Clique aqui para ler o texto de Memórias (II).


20.8.20

História da PLR no BB - Notícias da Contraf (set/2006)


Comentário e apresentação do texto:

Os bancários brasileiros estão em campanha salarial neste ano dramático de pandemia e bolsonarismo. Estamos há 5 anos vivendo sob regime de exceção, desde o golpe de Estado de 2016.

Nas mesas de negociação entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários os principais bancos estão propondo reduções diversas de direitos históricos da categoria. Querem reduzir drasticamente a PLR dos trabalhadores, apesar de ser praticamente um dos únicos setores cujo lucro segue absurdo mesmo em tempos de crise econômica pela pandemia mundial.

Reproduzo abaixo um texto de minha autoria, publicado na Confederação no ano de 2006. Fui dirigente nacional dos bancários entre 2002 e 2015 e tive a oportunidade de conhecer bastante diversas questões de nossa categoria, uma categoria de lutas e conquistas históricas.

William Mendes

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(reprodução de matéria da Contraf-CUT)



ARTIGO: Para entender a PLR do BB

22 de setembro de 2006 - 15:37 - Banco do Brasil


Por William Mendes*

Nestes tempos de negociações entre nós bancários e eles banqueiros, é recorrente os correios eletrônicos dos trabalhadores com dúvidas acerca da PLR conquistada por nós desde 1995 e que, ano a ano, procuramos melhorá-la para aqueles que, efetivamente, geram os lucros recordes seguidos dos bancos: seus funcionários.

A Contraf-CUT publicou um artigo de Vagner Freitas, seu presidente, “Bancos podem e devem pagar PLR maior, mas só greve irá convencê-los”, chamando aos bancários para a mobilização para que todos tenham uma PLR melhor.
Como negociador da Contraf-CUT junto ao Banco do Brasil, sempre tiro dúvidas dos colegas acerca desta conquista recente para os bancários deste banco, pois antes da greve histórica de 2003, não tínhamos PLR.

HISTÓRICO NO BB

Desde o final da década de 90, os funcionários do BB trabalhavam no intuito de serem reconhecidos como bancários e terem os direitos que a CCT (Convenção Coletiva Nacional) proporcionava aos trabalhadores em todo o país. Era o debate da unidade da categoria. Naquele período, os funcionários dos bancos públicos sofriam um ataque violento da política neoliberal dos tucanos.

Foram anos de PDV (plano de demissão voluntária), demissões e perseguições que eliminaram 50 mil postos de trabalho; julgamentos no TST impetrados pela famigerada Contec, que levaram os colegas do BB ao congelamento de salários (os juízes concordavam com a tese neoliberal do “custo vegetativo” das folhas de pagamento dos bancos públicos – diziam pôr em risco o “plano real”). Julgamentos que também levaram à perda do PCS que tínhamos até 1996 e do anuênio em 1999.

Até 2002, o banco havia feito um “monstrengo” de programa de distribuição de lucros unilateral, sem acordo com a CNB/CUT e, por 9 semestres, pagou valores que variavam de alguns reais para o povão e 100 vezes mais para os executivos (de R$ 180 para escriturários a R$ 20.000 para os executivos). É importante lembrar também que milhares de colegas não recebiam nada por diversos motivos: fazer greve, ficar doente e faltar, não cumprir as famigeradas metas na dependência, etc.

GREVE DE 2003: BANCÁRIOS DO BB CONQUISTAM PARÂMETROS DA CCT

A partir da unidade com a categoria, deixamos de sofrer sozinhos os ataques de qualquer governo de plantão.

Em 2003, conquistamos os tíquetes, vale-alimentação e auxílio-creche da categoria (que eram menores no BB). Passamos a ter reajuste sobre todas as verbas como os bancários em geral, ou seja, acabou o congelamento e a correção somente no VP (vencimento-padrão), que levava ao reajuste zero para todos os comissionados. E conquistamos a sonhada PLR nos moldes da Fenaban, que garantia o pagamento a todos os bancários sem discriminar quem faltasse, não cumprisse metas ou qualquer outro motivo.

A PLR NO BB E NOS BANCOS PRIVADOS

Alguns colegas não entenderam porque o presidente da Contraf-CUT diz em seu artigo que, em 2005, o valor de distribuição para os escriturários do BB chegou a 3,5 vezes o salário.

O que ocorre é que muitos colegas não têm clara a diferença que existe na forma de pagamento da PLR para o BB e para os bancos privados.

Vamos a ela:

Nos bancos privados, a primeira parcela é adiantada no fechamento da campanha salarial, ou seja, pegando o exemplo dos valores de 2005 de R$ 800 mais 80% do salário, em meados de outubro os bancários receberam cerca de R$ 400 fixos (metade do valor anual) mais 40% do salário (R$ 400 para quem ganha R$ 1000) totalizando R$ 800 na primeira parcela (adiantada).

Quando chega em meados de fevereiro, os bancos apresentam seus resultados do exercício findo (no exemplo, 2005). Os bancos devem pagar para os bancários a segunda parcela. Nesse momento, após apurar o lucro altíssimo, a Contraf-CUT exige que os bancos utilizem a segunda regra da PLR que diz que eles devem gastar no mínimo 5% do lucro líquido. Então, eles têm que aumentar a distribuição até chegar a 2 salários ou no mínimo de 5% de distribuição, com os tetos em reais que existem.

No Banco do Brasil, exigimos, desde 2003, os parâmetros da Fenaban, ou seja, tem que pagar PLR para todos, sem exceção, sem atrelamento a metas, ou GDC ou faltas, e com regramento: valor fixo mais porcentagem do salário. E NÃO IMPORTA o limite estabelecido pela Dest, que proíbe distribuição acima de 6,25% do lucro líquido (a partir de 2003, o montante passou a cerca de 12%).

Em 2005, avançamos mais ainda, pois o BB foi o primeiro banco que cedeu ao novo formado proposto pela categoria que pede distribuição de uma porcentagem LINEAR DE 5% (no BB conseguimos 4%), além do valor fixo mais a porcentagem do salário.

Desta forma um escriturário E1 (primeiro nível) recebeu em 2005, respectivamente, R$ 1780,25 referente ao primeiro semestre e R$ 1887,07 no segundo, totalizando R$ 3667,32 no ano.

VAMOS À LUTA

A mensagem é bem clara a todos. Os bancários devem lutar para arrancar da Fenaban a reivindicação de uma PLR melhor, pois esses banqueiros deveriam ter vergonha na cara e fazer uma proposta que contemple aos bancários com aumento real e uma distribuição mais justa como estamos propondo. AO CONTRÁRIO de ficar levando juízes para passear e pedindo liminar contra nossos materiais de campanha que denunciam a irresponsabilidade social dos banqueiros.


* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf-CUT e integrante da Comissão de Empresa dos funcionários do BB pela Fetec CUT SP

Fonte: site da Contraf-CUT

8.8.20

História da Cassi - Notícia da Contraf-CUT (22/maio/06)


Cassi: BB quer passar a conta para os associados

22 de maio de 2006 - 19:26 - Banco do Brasil


(São Paulo) Depois de três anos de negociações, o Banco do Brasil finalmente apresentou sua proposta para a Cassi. E causou profunda irritação nos representantes dos funcionários, com um projeto irresponsável e que cobra dos associados sua dívida de anos e anos de descumprimento do Estatuto.

“A proposta é um tapa na cara dos associados. O banco, além de não assumir sua responsabilidade, ainda quer passar a conta para aqueles a quem prejudicou. Depois de três anos e de ter falado que 2005 era o ano da Cassi, o banco vem com esta proposta lamentável”, comentou Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Pela proposta, o banco continua descumprindo o Estatuto que define a contribuição patronal em 4,5% dos salários. Desde os tempos de FHC, o BB só paga 3% para os novos funcionários contratados após 1998. “Em vez de corrigir essa irregularidade, o BB ainda quer onerar o associado”, explicou Eduardo Araújo, representante de Brasília na Comissão de Empresa. O banco quer aumentar a participação dos associados pós-98 de 3% para 3,75% dos salários e também quer estabelecer sua participação em 3,75%. Ou seja, em vez de pagar 1,5 por 1, como prevê o Estatuto, quer equiparar suas contribuições às do funcionário.

O Banco do Brasil também prejudica o associado da Cassi em sua proposta de criar a participação compulsória do associado em exames e eventos. “A Comissão de Empresa não concorda com uma proposta que tem como fundamento aumentar a taxação dos trabalhadores. Foi o banco que levou a Cassi a sua situação atual e agora deveria assumir as consequências”, afirmou William Mendes, da Comissão de Empresa.

A proposta apresentada pelo banco também ignora o Plano Odontológico, reivindicação antiga do funcionalismo.

Os únicos pontos positivos da proposta ficaram por conta da assunção, por parte do banco, do custeio dos dependentes indiretos e de um aporte financeiro de R$ 120 milhões que se compromete a repassar em quatro anos, a título de investimento em serviços próprios da Cassi.

Fonte: Contraf-CUT


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COMENTÁRIO DO BLOG (08/08/20):

A história das lutas dos movimentos populares e dos trabalhadores está sendo apagada. Primeiro porque vivemos um período trágico de revisionismo por parte dos grupos conservadores que chegaram ao poder por golpe. Segundo porque a história das lutas sindicais está em boa parte em meio virtual, que deixa de existir assim que os sites originais fazem mudanças em seus servidores.

Um povo que não conhece sua história, não valoriza as conquistas que foram obtidas com muita luta de classe. Eu percebi isso quando fui eleito diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência, com mandato entre junho/2014 e maio/2018. 

Basta olhar a matéria reproduzida acima, de maio de 2006, para entender por que durante o período que representei os associados não permitimos que o banco "passasse a conta para o associado" sem assumir a responsabilidade dele nos déficits do sistema de saúde Cassi. Também fomos firmes em não permitir a quebra da solidariedade no Plano de Associados.

É isso! Imprimam e guardem a nossa história, pois já vivemos os tempos sombrios em que as fake news e a pós-verdade têm ludibriado a classe trabalhadora.

8.3.07

30.11.06

Quinta, 30 de novembro (Jornada de 6h e assembleia sobre CCP)


Dia de trabalho na Contraf-CUT em São Paulo.

Estamos organizando atividades conjuntas entre alguns sindicatos cujas bases tenham impacto direto do não cumprimento da CCT pelo BB, no que diz respeito à gratificação de função de 55% (como SP e PR).

E hoje à noite tem assembleia do BB para instalação de CCP (Comissão de Conciliação Prévia) na base do Sind. Bancários de São Paulo, Osasco e região. Ela é fruto de 3 anos de negociação entre nós e Banco para tentar resolver de forma negociada e voluntária passivos trabalhistas.

23.11.06

Quinta, 23 de novembro (Destaque: Jornada 6h)


Nosso dia de luta começou de madrugada.

Os diretores e funcionários do Sindicato estiveram em atividade no Complexo Verbo Divino, na região sul de São Paulo, e também no Paraná, exigindo que o BB cumpra a cláusula de gratificação de função da CCT (comissão deve ser pelo menos de 55% do piso do escriturário)

Debates com os bancários ao longo do dia foram muito bons.

Esclarecemos dúvidas sobre diversos temas.

22.11.06

Cassi: avanços só com pressão


COMENTÁRIO DO BLOG:

Esta postagem foi atualizada em 07/09/15, ao pesquisar a Cassi no site da Contraf-CUT. Eu também utilizo meu blog para guardar textos importantes ou históricos. Neste momento de novos debates sobre a Caixa de Assistência, toda informação é relevante.


Após a matéria da Contraf sobre a Cassi, está a postagem original com a agenda e observações da época.

William Mendes
Diretor eleito de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/18)



(Matéria Contraf-CUT de 22/11/2006)




Cassi: avanços só com pressão


(São Paulo) A Campanha Nacional deste ano terminou, mas os bancários do BB precisam continuar mobilizados para que o Banco resolva os problemas da Cassi e da Previ, entre outros pontos. As negociações permanentes seguem em curso, mas sem pressão a diretoria do Bando do Brasil vai continuar empurrando a solução para as reivindicações dos trabalhadores.

“Faz mais de um ano que o BB se comprometeu a apresentar um projeto de reestruturação da Cassi. O Banco atrasou por meses e só nos apresentou sua proposta no final do semestre passado. Ela tem muitos problemas e até agora não conseguimos desatar os nós para avançarmos e fecharmos um projeto em consenso”, afirma Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

De acordo com o secretário de Imprensa da Contraf-CUT e membro da Comissão de Empresa, William Mendes, houve um momento, após a terceira rodada de negociações, em que a discussão sobre a Cassi travou. “Aceitamos debater vários pontos do projeto do Banco, numa demonstração de boa-fé da Contraf-CUT e interesse em resolver os problemas da Cassi. Mas, numa postura incompreensível, o BB quer impor vários itens e volta a emperrar o processo negocial. Não nos resta alternativa que não seja mobilizar todo o funcionalismo e protestar para pressionar o Banco”, disse William.

“A Cassi é um patrimônio muito importante para os funcionários do Banco e sua situação financeira preocupa a todos nós. Precisamos de soluções urgentes e por isso os sindicatos devem organizar atividades e ampliar as mobilizações”, afirmou Milton Rezende, vice-presidente da Contraf-CUT.


Previ

Outro ponto importante na pauta de reivindicações dos funcionários do BB é a melhora de benefícios para os associados da Previ. Os bancários querem que o Banco utilize a reserva especial de revisão de plano, composta por parte do superávit, para aumentar os benefícios dos participantes.

“A Comissão de Empresa já reivindicou ao BB a abertura das negociações sobre esta melhoria de benefícios. Os bancários precisam ficar atentos e acompanhar de perto o desenrolar dos debates. Afinal, é o nosso futuro que está em jogo”, finalizou José Paulo Staub, representante do Paraná na Comissão de Empresa.


Fonte: Contraf-CUT


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AGENDA SINDICAL (em 22/11/06)

Dia começa com movimentação.

Contatos com companheiros dos sindicatos de São Paulo e Paraná, para exigir do Banco do Brasil o cumprimento de promessa de negociação.

Primeiro, Banco diz que cumpre a cláusula de gratificação de função da Fenaban de 55%. Agora diz que só vai aplicá-la para quem trabalha em jornada de 8 horas, deixando de fora os comissionados de 6 horas, como os colegas da CABB de São Paulo e Paraná.

A resposta da Contraf-CUT, dos sindicatos e dos bancários deve ser imediata. É o que faremos.

William Mendes
Membro da Comissão de Empresa pela Fetec CUT SP

14.11.06

Terça, 14 de novembro


Dia de trabalho na secretaria de imprensa da Contraf-CUT.

Na reunião nacional de ontem, definimos que seguiremos com agenda de luta por banco durante todo o primeiro semestre de 2007.

10.11.06

Sexta, 10 de novembro (BB assina CCT dos bancários da CUT)


Assinamos o Aditivo do BB à CCT (Convenção Coletiva de Trabalho).

É um momento histórico para os bancários do BB, por mais que alguns ainda não tenham a compreensão desta conquista.

A responsabilidade de explicar e trazer a significação histórica destes avanços na linha do tempo para aqueles que estão chegando ao BB é nossa.

Deve ser nossa tarefa no cotidiano, onde todo dia é dia de luta.

William Mendes

Representante da Fetec CUT SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil


Post Scriptum:

Esse sempre foi um dos objetivos da organização dos bancários, unificar todos numa única Convenção Coletiva de Trabalho, desde que passamos a nos organizar na Central Única dos Trabalhadores como Departamento Nacional dos Bancários (CNB) em 1985. 

É importante registrar também que além das lutas e da estratégia vitoriosa da categoria e suas lideranças e entidades sindicais, devemos reconhecer o papel facilitador a partir da eleição do Presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, pois se por um lado ele não deu de mão beijada nenhum direito novo aos trabalhadores, por outro, aceitou negociar, e isso já faz diferença quando comparamos um governo democrático-popular com um governo que trata a questão social como caso de polícia.

9.11.06

Cassi - Negociação entre Contraf-CUT e BB


Terminou há pouco as negociações com o Banco sobre a Cassi, e outras questões específicas. A Comissão de Empresa se reunirá para avaliação e confecção do informe.

Veja a matéria:


BB diz que Cassi preocupa, mas não melhora proposta


(São Paulo) Terminou em impasse a primeira rodada de negociações com o Banco do Brasil após a Campanha Nacional. Em reunião realizada nesta quinta-feira, dia 9, não houve qualquer avanço nas discussões sobre a Cassi. 

A Contraf-CUT também cobrou respostas sobre as reivindicações da Previ, mas o BB também não trouxe nenhuma novidade. “Saímos das negociações da mesma forma que entramos, sem nada de novo. O Banco do Brasil disse que o equilíbrio financeiro da Cassi é importante e preocupa a direção. Mas na prática não faz nada para avançarmos nessa questão. Só o fato de o BB não aceitar o cumprimento do Estatuto mostra o seu descompromisso com a Caixa de Assistência e com a saúde do trabalhador”, comentou Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários. 

A Contraf-CUT apresentou ao BB um documento no qual concorda em debater o Fator Moderador, mas exige do Banco o cumprimento do Estatuto da Cassi, o aporte de recursos para recompor as reservas e a implantação do plano odontológico, entre outros pontos.

Os debates destas questões estão condicionados entre si. “Apesar da nossa disposição em negociar, o BB não quis avançar e se manteve intransigente. Não assumiu nem o compromisso de cumprir o estatuto e manteve a sua proposta anterior, que previa o investimento de R$ 200 milhões em serviços próprios, muito menos do que o Banco deve à Cassi”, detalhou Olivan Faustino, representante da Feeb Bahia e Sergipe na Comissão de Empresa. 

O Banco também propôs incluir o Plano Odontológico no Estatuto, sem implementá-lo, e não concordou em assumir as despesas referentes às doenças do trabalho, causadas pela própria empresa. 

Em relação ao fator moderador, o BB insiste que haja uma coparticipação de 15% em exames e 10% nos casos de doenças crônicas. "Primeiro, o Banco diz que a coparticipação é fator moderador, e não receita, e que só voltaria à mesa de Cassi se debatêssemos o tema. Aceitamos discutir e, é lógico, apresentamos as exceções que devem ser feitas para não prejudicar sobremaneira aos associados. Hoje a postura do Banco mudou. Já não aceita as exceções e nem diz que cumpre o estatuto. É muita incoerência para quem quer resolver os problemas da Cassi. Diante do impasse, encerramos as negociações sem avanços. Nova data deve ser marcada em breve”, afirmou William Mendes, secretário de imprensa da Contraf-CUT e membro da Comissão de Empresa. 

Previ 

A Comissão de Empresa também cobrou respostas para as propostas apresentadas pelos dirigentes eleitos da Previ no final de 2005, como aumento do teto de benefício para 90% do salário, aumento das pensões de 60% para 80%, revisão do critério de proporcionalidade dos benefícios, revisão do teto de benefício para quem contribuiu por mais de 30 anos, melhora do benefício mínimo e aposentadoria antecipada para mulheres aos 45 anos. 

“Passado quase um ano do início dos debates, o BB até agora não nos deu respostas. Não queremos repetir a negociação da Parcela Previ, que se arrastou por mais de dois anos. Temos pressa e queremos discutir o superávit construído na Previ para que ele seja revertido em benefícios para os funcionários”, finalizou José Paulo Staub, do Sindicato dos Bancários de Curitiba. 

Fonte: Contraf-CUT

8.11.06

Quarta, 8 de novembro 2006 (Destaque: entrevista sobre saúde da família)


Estou em Brasília - DF.

Trabalhando na Contraf-CUT.


Providenciando um Espelho Fax (informativo eletrônico para os funcionários do BB) para os sindicatos e bancários de todo o país receberem informações sobre as negociações entre nós e o Banco no dia de amanhã, quinta 9 de novembro.


Queremos debater Cassi e Previ.


Também estamos revisando o aditivo do BB que assinaremos com o Banco na sexta-feira, 10 de novembro.



Post Scriptum:


Eu era dirigente do Sindicato e secretário de imprensa da Contraf-CUT. Neste dia, nós publicamos no site do Sindicato uma entrevista que fizemos com o sr. Aluísio Gomes para a revista Espelho Nacional outubro/2006, que nós produzíamos na Confederação cutista. 


Aluísio Gomes estava na ANS e havia trabalhado na Cassi anteriormente. Ele nos fala da Estratégia Saúde da Família (ESF) e que atuar preventivamente é a melhor forma de lidar com a saúde. 


Vejam a entrevista que completa (dez) anos! Passado todo esse tempo, os planos de saúde do mercado estão mal das pernas por causa da crise no setor e até eles pensam hoje em adotar médico de família e atenção primária.


A Cassi, no entanto, não fez o dever de casa, e praticamente parou de avançar no modelo desde essa época da entrevista. Não completou a extensão da cobertura da ESF para o conjunto da população assistida pela Caixa de Assistência e não implantou também os outros fatores fundamentais como Rede Referenciada e contrarreferência. Nós ainda não temos sequer os 415 mil participantes do Plano de Associados cadastrados, mapeados e acompanhados pela ESF em todo o país. 


Mas estamos trabalhando para isso desde que chegamos eleitos à Diretoria de Saúde da Cassi em junho de 2014, porque mais que nunca, a promoção de saúde e prevenção de doenças, monitorando quem já tem problemas de saúde, é a melhor forma de manter populações cuidadas e com controle melhor no uso dos recursos dos associados.





BB: Contraf-CUT espera avanços para a Cassi nas negociações


Veja abaixo entrevista com o secretário-geral da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)


São Paulo - Nesta quinta-feira, dia 9, a Contraf-CUT e o Banco do Brasil retomam o processo de negociações permanentes para debater, entre outros assuntos, os problemas da Cassi. Depois de três anos de negociações, os trabalhadores e o Banco ainda não chegaram a um acordo.

“A Cassi é muito importante para os funcionários do BB e seus familiares. Por isso precisamos construir uma proposta que atenda às necessidades da Caixa de Assistência para que ela saia desta situação problemática em que se encontra. A Contraf-CUT já apresentou uma proposta para o BB, que, por sua vez, também nos apresentou uma, mas que não atende nossas reivindicações. Precisamos urgentemente chegar a um consenso e sair deste impasse”, afirmou William Mendes, secretário de Imprensa da Contraf-CUT e membro da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Estratégia Saúde da Família 

Para subsidiar os debates, O Espelho Nacional de outubro trouxe uma entrevista com Aluísio Gomes, secretário-geral da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e que já trabalhou na Cassi. Ele falou da estratégia de saúde da família e de outros desafios da Caixa de Assistência. Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Saúde é atuar preventivamente 

Aluísio Gomes da Silva Júnior, secretário-geral da Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, trabalhou na implantação do serviço de saúde da família no município de Niterói (RJ) e na Cassi. Nesta entrevista, ele fala das diferenças de concepção entre os planos de saúde tradicionais e a Cassi e da importância da implantação do serviço próprio.

O Espelho – Queria que o senhor conceituasse a saúde da família, explicando a diferença dela para a medicina tradicional. 

Aluísio Gomes da Silva Jr. – É uma estratégia de organização dos serviços de saúde em que os focos são as famílias em seus contextos e suas coletividades, o que é diferente do que se faz geralmente, em que o foco são os indivíduos isolados dos seus contextos. Ela é melhor sob alguns aspectos: primeiro do ponto de vista de entender o fenômeno de adoecimento e sofrimentos dos seres humanos como uma interação com o meio ambiente, em que existe uma questão social, uma questão conjuntural. O enfoque tradicional aborda só os aspectos biológicos, isolando os seres humanos. A saúde da família possibilita ver o ser humano mais amplo, como pessoa e dentro da sua família, da sua comunidade, da sua sociedade, com todos os reflexos que isso tem. A segunda questão é a possibilidade de você atuar preventivamente, acompanhando a saúde das pessoas, investindo em saúde em vez de intervir só em caso de doença. Ou seja, pressupõe que a equipe tenha um vínculo com as famílias que permita acompanhar a evolução de saúde dessas pessoas, a atuar em prevenção, intervindo na promoção de saúde, agindo precocemente em caso de aparecimento de doenças.

O Espelho – Um dos grandes problemas dos planos de saúde hoje é que existem muitas rotinas complexas ou exames pedidos até desnecessariamente, por isso muitos planos cobram muito ou têm problemas de déficit... 

Silva Jr – Na realidade os planos de saúde hoje são muito focados em cima de doenças e procedimentos, não em cima de pessoas que podem não adoecer. Então, na maioria das vezes, você pega situações que vão se agravando e que exigem muitos investimentos de cura, isso é, de diagnóstico, de intervenção, o que torna o custo insuportável. No momento em que você adota uma estratégia de acompanhamento, investimento em prevenção e promoção consegue desviar um pouco esse foco, além de possibilitar o investimento na saúde das pessoas e um possível controle melhor dos custos, uma certa previsibilidade. Por exemplo, um diabético não acompanhado pode ser surpreendido por um coma, uma situação grave que fique hospitalizado, perca um pé, fique cego. Ou seja, uma complicação não só econômica, mas principalmente social. Com a atuação você pode diagnosticar precocemente e acompanhar esse paciente, investir na saúde dele para que a diabete possa ser uma doença de convívio, não de flagelo.

O Espelho – Pois é uma doença de fácil controle... 

Silva Jr – Exato e que pode se tornar muito séria quando isso não é feito. Há também a discussão das questões emocionais. Hoje quase 70% do que se procura nos serviços médicos são queixas indefinidas, que têm muito a ver com o estresse urbano, com as preocupações das pessoas, certa angústia urbana. Os praticantes profissionais que atuam na abordagem da saúde da família têm a possibilidade de discutir esse contexto, entender esse contexto, traçar projetos de intervenção que levem em conta o estresse do trabalho, da vida da família, de todas as coisas, não só curar determinadas doenças estabelecidas.

O Espelho – Gostaria que o senhor contasse um pouco da experiência de quando trabalhou na Cassi e também na Prefeitura de Niterói. 

Silva Jr – Em Niterói, a construção do SUS vem de muito tempo, da década de 70 e com uma série de iniciativas inovadoras no campo da política pública.

Foi um dos primeiros municípios do Brasil a unificar serviços, a municipalizar determinados procedimentos e implantar uma lógica de vigilância em saúde, não de sair correndo atrás de doença. Distritalizou para conhecer melhor a cidade e, num contínuo, a estratégia de saúde da família, que foi de alguma forma dialogado com Cuba, incorporando novos procedimentos, um modo de agir da equipe diferenciado, que aumentou a cobertura das equipes e a interface com a comunidade, aumentando a possibilidade de intervenção na saúde das pessoas. Um resultado muito interessante, e isso foi implantado em 1992 e, hoje, quase 40% da população de Niterói é coberta por médicos de família com bastante sucesso, uma satisfação muito grande. A Cassi estava antenada com os movimentos que estavam acontecendo não só em Niterói, mas no mundo inteiro, com a implantação da estratégia da saúde da família.

Desde a década de 1970 trabalha-se com essa lógica na Inglaterra, no Canadá, em Cuba, ou seja, em alguns países que tiveram um salto de qualidade. Consolidada no mundo, quando a Cassi traz para dentro da sua política de saúde ela está com duas preocupações: a primeira de tentar promover saúde, de não ficar correndo atrás da doença. A segunda, a possibilidade de conhecer melhor sua clientela e oferecer serviços mais adequados, intervir mais preventivamente e, em última análise, controlar custos, tornar o sistema mais efetivo e mais eficiente.

O Espelho – Esses objetivos em relação à política de saúde da família foram atingidos? 

Silva Jr – Eu acho que vêm sendo. Estou afastado da Cassi nos últimos dois anos e meio, depois que entrei na Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, mas, pelo que tenho acompanhado, a Cassi tem sido usada como exemplo para as outras operadoras. Algumas que estão se formando agora praticamente se inspiraram na Cassi, com todas as suas políticas, lembrando que a estratégia da saúde da família não é isolada, é articulada com uma série de outras estratégias para garantir um sistema de saúde que atenda a integralidade dos problemas.

O Espelho – Uma discussão que vem dos tempos que o senhor estava lá é a necessidade ou não de rede própria para poder implantar o modelo. Há necessidade de instalá-la? 

Silva Jr – É estratégico, porque a rede própria no modelo da Cassi tem um papel muito interessante. Quando instala uma unidade dela, a Cassi passa a ter também controle sobre os prestadores, o que é um divisor de águas em situação de conflito e negociação. Por outro lado, existem poucos serviços no Brasil voltados para esse tipo de procedimento, ou seja, o sistema de saúde privado brasileiro é muito voltado para a venda de procedimentos, não é tão fácil assim encontrar equipes no setor privado disponíveis para desenvolver a estratégia da saúde da família. Isso é uma característica muito mais do sistema público que do privado. Ao tomar a atitude de montar serviços próprios, a Cassi não só garante um diferencial em relação aos concorrentes nos lugares que atua, mas também garante a assistência diferenciada para sua clientela, como criou um exemplo para o próprio mercado, que começa a correr atrás.

Contraf-CUT - 08/11/2006

3.11.06

Sexta, 3 de novembro (Trabalho de base)


Dia de visita à base.

Após fazer artigo sobre lutarmos contra a terceirização no BB, fui com Leonardo - diretor da Regional Osasco e colega do BB - às agências Osasco e Empresarial Osasco.

Distribuímos a Folha Bancária e o Espelho Fax alertando aos bancários para que denunciem ao Sindicato qualquer pressão ou "escala de compensação da greve" que os gestores venham a impor. O colega poderá compensar eventualmente horas de greve caso tenha disponibilidade. Não haverá desconto nem perda para as horas não compensadas.

Fizemos bons debates sobre a Cassi e problemas que dizem respeito ao PCS (Plano de Cargos e Salários). Os colegas não conseguem fazer os cursos necessários para concorrer a determinados cargos porque o próprio sistema rejeita. Levaremos os problemas para discussão com o Banco.

William Mendes

1.11.06

Quarta, 1º de novembro (Trabalho de base)


Fizemos diversos contatos com delegados sindicais do BB para colhermos dados sobre a pressão ilegal de gestores para que os bancários compensem as horas da greve de 2006.

Usei o próprio argumento do BB (no LIC) para dizer que a hora-extra é eventual e bancário faz se quiser e puder.

Publicamos um Espelho Fax da Contraf-CUT com as orientações para os colegas não aceitarem pressão para compensar.

26.10.06

Artigo: Eleições 2006 - Por que voto em Lula? (e informes da assinatura da CCT)




Já li mensagens emocionantes de pessoas dizendo por que votam em Lula. Também já li algumas escabrosas dizendo por que não votam nele.

Para mim é uma questão bastante clara: voto em Lula porque tenho lado.


Esta eleição, principalmente o 2º turno, trouxe à tona algo que andava meio disfarçado: a sociedade está em disputa. Não existe uma suposta harmonia de classes.


Voto em Lula, pois:


Ao invés do privado, sou o público;

Ao invés do neoliberal, sou o progressista;
Ao invés da elite, sou o povo;
Ao invés do desemprego, sou o emprego formal;
Ao invés de criminalizar os movimentos sociais, sou o diálogo;

Em vez da "competência" em esconder a corrupção (e a midiaelite nem ligar);

Sou mais a competência de enfrentar o desafio da inclusão social, mesmo com a má vontade dos conservadores.

Enfim, chega dessa hipocrisia de se dizer imparcial, isento, neutro, apolítico etc.


Tudo e todos têm lado. O meu lado é o do trabalhador e do povo brasileiro.

William Mendes (bancário do BB, sindicalista, Secretário de Imprensa da Contraf-CUT e estudante de Letras)


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Post Scriptum:


Dias antes, em 18 de outubro, era assinado o ACT do BB, aditivo à CCT dos bancários. Eu era dirigente tanto do Seeb SP, quanto da Contraf-CUT. Veja matéria abaixo do site do Seeb SP.



BB assina a Convenção Coletiva e PLR

PLR será paga nesta sexta, dia 20. Dias parados na greve não serão descontados


São Paulo – Os representantes dos bancários assinaram nesta quarta-feira, dia 18, o acordo coletivo e de PLR com a direção do Banco do Brasil. O Banco vai cumprir todas as cláusulas acordadas com a Fenaban, que garantem, entre outros pontos, melhoras no auxílio-creche ou babá, a ajuda de deslocamento noturno, desconto do vale-transporte, gratificação de função, gratificação de compensador de cheques e ausências legais.

Os bancários do BB receberão em até 48 horas, PLR semestral de 95% do salário, parte fixa de R$ 412, mais R$ 1.819,49 (equivalente a 4% do lucro líquido linear dividido por todos os funcionários), além do módulo-bônus que varia de acordo com a referência salarial da função. O valor total do módulo será pago para as agências que atingirem os 400 pontos do ATB e proporcional para as agências que garantirem no mínimo 325,5 pontos.

“A PLR deste ano teve um avanço no Banco do Brasil e pode servir de parâmetro para os trabalhadores de outras instituições. Agora, no BB, temos pela frente mais desafios nas negociações específicas, como o PCS, a Cassi e a questão de isonomia”, disse o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.

Greve – “Os bancários do BB de São Paulo, Osasco e Região, tiveram a garantia de que não haveria desconto dos dias parados nas assembleias realizadas na campanha salarial”, destaca o funcionário do BB e diretor do Sindicato William Mendes.

“Também temos garantido o acordo da Fenaban na compensação dos dias de greve, cujo prazo termina em 31/12/2006. Até que as negociações sobre o tema se encerrem, os funcionários devem aguardar, pois é nossa intenção melhorar o acordo”, acrescentou o diretor.

Para os bancários de outras praças que estenderam a greve além do dia 11, foi necessária a intervenção da Contraf-CUT para evitar que o Banco descontasse os dias parados. Além disso, a entidade garantiu para todos os funcionários um crédito extra-folha no próximo dia 20, para anular o débito dos dias parados de setembro, que será cobrado na folha de pagamento de outubro.

Fonte: Redação do Seeb SP - 18/10/2006

19.10.06

Artigo: Comentário sobre a carta do "tal" trabalhador ao presidente



Eu já conhecia este texto do tal trabalhador que propõe ficar com 27,5% do salário dele e o governo ficar com os 72,5% restante, que confesso ser interessante, mas queria fazer alguns comentários. Um dos maiores problemas tributários do país tem a ver com o tipo de tributação que predomina em nossa legislação.

Do total da arrecadação tributária brasileira, ou seja, 37,37% do PIB em 2005 (PIB é toda a riqueza produzida pelo país), cerca de 60% correspondem a impostos indiretos, que incidem sobre o comércio de bens e serviços e que, portanto, quem paga a conta é o consumidor, pobre ou rico.


O governo Lula bem que tentou no início do mandato fazer uma reforma tributária, porém, com o congresso que tivemos (e que teremos novamente) é muito difícil, pois nenhum Estado ou grupamento ali representado quer ceder suas receitas e nem ser tributado.


Vale lembrar que quando nós sugerimos para as pessoas votarem em candidatos de esquerda ou partidos de esquerda para os parlamentos federal, estadual e municipal é para que haja correlação de forças nas votações dos projetos que beneficiam o povo versus os projetos que beneficiam os ricos, os empresários etc. Em 2007 teremos novamente uma Câmara e um Senado onde a grande maioria dos eleitos representa a elite.


O governo Lula tentou votar o imposto sobre grandes fortunas (citado na Constituição desde 1988) e não foi possível.


Agora convenhamos: o tal cidadão que ganha acima de R$ 2.512,08 (faixa de tributação da tabela do IR para 27,5% com redutor de R$ 502,58) está fazendo um belo exercício de retórica.


Pergunte se ele topa inverter a tributação brasileira? Pergunte se aceita diminuir a tributação sobre o consumo e aumentar a tributação sobre a renda e os bens de capital? Porque do jeito que está o Brasil hoje, cidadãos que ganham na faixa acima de 10 salários mínimos, normalmente têm plano de saúde pago pela empresa (ou subsidiado por ela), seus filhos estão nas poucas vagas das universidades públicas e ainda conseguem fazer um belo malabarismo na declaração anual do IR onde fazem a mágica de pagar alguns reais mesmo tendo vários imóveis, carros importados, aplicações financeiras etc.


Aqui é importante lembrar que a imensa maioria do povo brasileiro – cerca de 80% - tem renda inferior aos R$ 2.512,08 tributado a 27,5% pelo imposto de renda.


Para finalizar o comentário, penso ser importante lembrar que o aumento da carga tributária brasileira tem o seguinte histórico recente:


2 governos FHC: aumentou de cerca de 23% para 35,5%

1 governo LULA: aumentou de 35,5 para 37,37%

Ou seja: a carga tributária subiu 54,3% no (des)governo do PSDB/PFL, enquanto no governo LULA (PT/PCdoB) aumentou 5,26%.


A grande diferença entre os governos foi com relação ao bom uso da arrecadação pública, pois no governo atual a pobreza caiu em quase 20%, as empresas públicas que sobraram do desmonte do Estado feito pela tucanagem são rentáveis e o lucro é reinvestido no Brasil e mesmo priorizando as políticas sociais, as empresas brasileiras públicas e privadas tiveram os melhores resultados dos últimos 20 anos, ou seja, o governo LULA foi bom tanto para o povo, quanto para a chamada classe média alta (apesar do preconceito desta para com o metalúrgico-presidente).


É isto,


Abraços a todo(a)s,


William Mendes (bancário, aluno de letras da USP, sindicalista)



Post Scriptum:


Quando fiz essa postagem, havia acabado poucos dias antes a greve nacional dos bancários (no dia 11 de outubro), com as assembleias do BB e da Caixa. Vejam abaixo, matéria do Seeb SP.


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Bancários do BB e da CEF aceitam propostas e encerram greve


Trabalhadores de instituições privadas já haviam aceitado a proposta da Fenaban


São Paulo – Os bancários dos bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Federal, decidiram aprovar as propostas apresentadas pelas direções das instituições e, em assembleias específicas nesta quarta-feira, dia 11, encerrar a greve em São Paulo, Osasco e Região. Os trabalhadores de bancos privados aceitaram a proposta da Fenaban na terça-feira.


Cerca de 80% dos 1.485 trabalhadores da CEF que compareceram à Quadra dos Bancários votaram pelo fim da paralisação e pela reapresentação da proposta que havia sido rejeitada na assembleia desta terça-feira. Como o banco não havia retirado a proposta, ela foi levada novamente a plenário e aprovada.

O mesmo aconteceu no Banco do Brasil: 80% dos 1.290 trabalhadores presentes à assembleia que aconteceu no Clube Trasmontano votaram pelo fim da greve e pela reapresentação da proposta que, nesta quarta-feira, foi aprovada.

Na avaliação do presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, os bancários que compareceram à assembleia não tinham tomado conhecimento da proposta em sua totalidade e por isso não estiveram na assembleia da terça-feira. “As propostas têm importantes avanços, que foram reconhecidos pela maioria dos trabalhadores. A minoria que não queria a aprovação saiu descontente, mas a assembleia é democrática e soberana e sua decisão deve ser sempre respeitada”, diz Marcolino.

Greve desta quarta - Em levantamento realizado pelo Sindicato, havia no sétimo dia de greve 243 locais de trabalho parados – 56 do BB e 187 da CEF entre agências, concentrações e departamentos –, e em torno de 10 mil bancários em greve.

Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco há 106 mil bancários – 16 mil em bancos públicos – e cerca de 3 mil locais de trabalho – 218 do BB e 469 da CEF, contando agências, concentrações e departamentos.

As propostas - No BB, além das questões específicas, a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é, semestralmente, de 95% do salário, mais um valor fixo de R$ 412, mais R$ 1.814 a título de distribuição linear de 4% do lucro líquido do banco apurado neste semestre, além do módulo bônus, que varia de acordo com a referência salarial da função e com o desempenho da dependência em que o funcionário trabalha.

Na CEF, além de uma série de alterações em questões específicas, a PLR prevê o pagamento de 80% do salário mais parcela de R$ 3.167.

Os trabalhadores dos bancos federais, CEF e Banco do Brasil também terão reajustes nos salários e demais verbas de 3,5% (aumento real de 0,63%).

Os funcionários de bancos privados e da Nossa Caixa voltaram ao trabalho nesta quarta-feira. Eles aceitaram, em assembleia realizada na noite desta terça, proposta de 3,5% de reajuste para todas as verbas salariais e participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 828 com adicional variável entre R$ 1.000 e R$ 1.500 de acordo com o lucro do banco.

Os trabalhadores de bancos privados e da Nossa Caixa representam 80% dos 106 mil bancários de São Paulo, Osasco e dos 15 municípios da região de Osasco.


Fonte: Seeb SP - Ricardo Negrão - 11/10/2006


5.10.06

Por que um blog para falar da categoria bancária?


Começo aqui a refletir acerca da categoria bancária. Refletir sobre os 16 anos que já vivi nela. Fazer um panorama das mudanças que presenciei tanto como bancário do Unibanco (de 1988 a 1990) como do Banco do Brasil (de 1992 até hoje).

Aqui será possível escrever um pouco mais sobre o que penso e que não necessariamente equivale ao resultado final das deliberações dos fóruns aos quais pertenço como um ser social.

William Mendes


Post Scriptum:


(Matéria do Seeb SP, de 5/10/06, onde eu era diretor eleito pelos bancários)




Cerca de 40% participam da greve no primeiro dia


Cerca de 39 mil bancários aderiram. Em assembleia no fim de tarde, os bancários decidiram manter a greve por tempo indeterminado


São Paulo – Os bancários fizeram nesta quinta-feira, dia 5, o primeiro dia de greve por tempo indeterminado. E cerca de 40% dos bancários de São Paulo, Osasco e Região aderiram ao movimento.

No quarto balanço feito pelo Sindicato, às 16h30, foi apurado que mais de 39 mil bancários permaneceram parados em 517 locais de trabalho entre agências e centros administrativos. Foram 91 locais parados no Centro, 45 na região da Paulista, 145 na Zona Leste, 74 na Zona Oeste, 43 na Zona Sul, 50 na Zona Norte e 69 na região de Osasco. 

No final da tarde, os trabalhadores saíram em passeata pelas ruas do Centro. Antes, na avenida São João, os bancários votaram a favor da continuidade da greve. Nesta sexta-feira, dia 6, eles fazem nova assembleia, às 17h, desta vez na Quadra dos Bancários.

A greve foi aprovada por unanimidade por mais de 1.300 trabalhadores que foram à Quadra nesta quarta-feira, dia 4.

Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco que estão na base territorial do Sindicato, há cerca de 3 mil locais de trabalho e 106 mil bancários. As cenas de violência, que infelizmente já se tornaram tradição durante a greve dos bancários, já começam a acontecer. 

No Centro, em frente ao ABN Real da rua 15 de Novembro e no Unibanco da Praça do Patriarca a Polícia Militar ameaça os manifestantes. O Sindicato já manteve contato com o Comando da PM solicitando que os policiais se limitem a garantir a segurança dos cidadãos.

E de acordo com a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), cerca de 190 mil aderiram à greve em todo o país. A entidade representa 108 sindicatos em 24 Estados e no Distrito Federal e, juntos, representam mais de 95% dos bancários.

Vaias - Em vários locais, os bancários mostraram seu descontentamento, vaiando os banqueiros. O gesto se repetiu no Centro, e nas concentrações do Bradesco, em Alphaville, e do Unibanco, no CAU.

Apoios - Os bancários de todas as instituições também ajudaram no primeiro dia de greve por tempo indeterminado. Trabalhadores da Nossa Caixa, Caixa Federal, Banco do Brasil e bancos privados se deslocaram para outras agências a fim de convencer outros bancários a aderirem ao movimento. Vários exemplos similares foram registrados pela reportagem do Sindicato. A greve também recebeu apoio da CUT-SP.

Proposta - Os trabalhadores rejeitaram a proposta da Fenaban de 2,85% de reajuste salarial (e sobre as demais verbas) e a PLR de 80% do salário, mais R$ 823 de parte fixa, além de um adicional de R$ 750 para os bancários de instituições que tiverem crescimento de 20% do lucro líquido, ou mais, em relação ao ano passado.

"A parcela adicional da PLR é muita baixa e como seu pagamento está condicionado ao crescimento do lucro é discriminatório, pois muitos bancários deixarão de receber", acrescenta Marcolino.

Reunião - O Comando de Greve, composto por todos os diretores do Sindicato, Contraf-CUT, Fetec-CUT/SP (da base de São Paulo, Osasco e região) e delegados sindicais do Banco do Brasil e da Caixa se reuniram nesta quinta, e repetem o encontro nesta sexta-feira, dia 6, na sede do Sindicato.

Fonte: Seeb SP