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28.8.25

Artigo: A autorreforma sindical e a história dos bancários da CUT Brasil



Apresentação:

Publico em homenagem ao Dia dos Bancários e Bancárias e ao aniversário da Central Única dos Trabalhadores este artigo produzido por mim em 2010 para o livro "Procesos de Autoreforma Sindical en Las Américas - Avances del Grupo de Trabajo sobre Autoreforma Sindical (GTAS) en 2010-2011".

À época, era secretário de formação de nossa Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, e havia participado em 2009 de um curso de formação na Organização Internacional do Trabalho (OIT) representando a nossa confederação e a nossa Central Única dos Trabalhadores (CUT).

William

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I. INTRODUÇÃO

No final dos anos setenta e início dos oitenta, o Brasil vivia sob a égide da ditadura militar, regime que calou a democracia e massacrou os trabalhadores e os movimentos sociais brasileiros, privilegiando alguns grupos empresariais e políticos de direita, e trazendo um crescimento econômico à custa da exploração dos trabalhadores e com a ajuda de sindicatos "oficiais" pelegos, vindos de uma estrutura sindical criada por lei.

Os trabalhadores de grandes setores da economia começaram a se organizar por conta própria, sem o apoio dos sindicatos pelegos, e passaram a exigir melhores salários, condições de trabalho e a volta da democracia no país, através de grandes greves.

Os trabalhadores criaram no início dos anos oitenta a CUT, com a intenção de organizar todos os trabalhadores do campo e da cidade, de todos os setores da economia, do segmento público e privado e tendo como premissa a ideia de uma estrutura sindical mais horizontal e direta na relação entre os trabalhadores e seus sindicatos e a Central.

Essa estrutura mais horizontal entre CUT e sindicatos afiliados tinha como objetivo se contrapor a estrutura oficial, formatada em lei, que mantinha com impostos e tutela do Estado uma estrutura verticalizada de sindicatos, federações e confederações, todas separadas por categorias profissionais e tendo diversos limites e travas na lei para coibir a luta contra os patrões. Também eram proibidas greves gerais que unissem várias categorias profissionais, dificultando até por lei a ideia de unidade e luta da classe trabalhadora.

Os grandes setores da classe trabalhadora brasileira se organizaram nos anos oitenta, à margem da lei e dos sindicatos oficiais, e iniciaram um histórico processo de organização original da classe trabalhadora dentro da CUT - que ficou conhecido como "Novo Sindicalismo" - e essa organização até hoje rende frutos e faz o enfrentamento às constantes reestruturações produtivas do capital.

Neste trabalho, apresentamos de forma sucinta, a história de organização da categoria bancária brasileira, que nesses trinta anos do "Novo Sindicalismo" organizado na CUT, conseguiu enfrentar vários governos e conjunturas econômicas e sociais, como o neoliberalismo, e mantém uma Convenção Coletiva Nacional que abrange bancos públicos e privados, nacionais e estrangeiros, e que enfrenta atualmente grandes desafios como buscar novos acordos marco - a Convenção Coletiva é um acordo marco -, interromper o processo de terceirização e avançar na busca de mais direitos contratados e que valham para todos os trabalhadores dentro do ramo financeiro, dominado por poucas empresas globais e conglomerados nacionais.

II. BREVE HISTÓRICO DA CATEGORIA NOS ANOS 80

A criação da CUT foi um grande passo na organização da classe trabalhadora brasileira: começaram as grandes greves e a luta por melhores salários, condições de trabalho e democracia.

Quando os bancários começaram a se organizar nos anos oitenta, havia várias datas-base por bancos e por regiões do país. Isso dificultava qualquer possibilidade de lutas organizadas em nível nacional.

Em 1982 os bancários realizaram encontros e começaram a unir a categoria em nível nacional.

Em 1983 os trabalhadores brasileiros criaram a Central Única dos Trabalhadores com participação importante do setor bancário.

A criação da CUT trouxe para os trabalhadores brasileiros a pluralidade e a democracia na organização da classe trabalhadora, pois a Central reunia diversas categorias profissionais, diversas linhas de pensamento político e ideológico, setores tanto do campo como da cidade e do setor público e privado, com o intuito de fazer um sindicalismo classista, de massa, com sustentação financeira própria, autônomo e independente de governos e partidos políticos e baseado nos locais de trabalho.

Em 1984 os bancários participaram ativamente na luta pelas "Diretas Já", movimento popular exigindo o fim da ditadura militar e a volta da democracia brasileira.

Em 1985 os bancários organizaram uma greve histórica que paralisou mais de 60% da categoria, ou seja, mais de meio milhão de trabalhadores. Criaram um comando nacional e começaram a realizar a unidade nacional da categoria.

Depois de várias dificuldades enfrentadas pelos grevistas, como violência da polícia e tribunais do trabalho - órgãos do aparato de Estado e favoráveis aos banqueiros -, algumas vitórias foram conquistadas, como reajustes salariais e direitos sociais contratados para vários bancos e regiões do país.

Em 1986 os bancários criaram o Departamento Nacional dos Bancários da CUT - DNB/CUT - para melhorar a organização do setor bancário em nível nacional. O DNB impulsionou rapidamente a criação de novos sindicatos e a conquista de sindicatos oficiais pelegos e se mostrou uma decisão acertada dos bancários da CUT.

Ainda nesta década histórica de luta bancária, os empregados da Caixa Econômica Federal - importante banco público do país - conquistaram o direito de serem considerados bancários e terem a jornada de trabalho da categoria de 6 horas e a filiação em sindicatos de bancários, pois antes eram tratados como economiários.

III. ANOS 90 - BANCÁRIOS ENFRENTARAM COM UNIDADE ATAQUES DO NEOLIBERALISMO

Foi nos anos 90 com o governo Fernando Collor de Mello que começaram as políticas neoliberais de privatizações e caça aos sindicatos e aos direitos trabalhistas.

Os bancários brasileiros, que já estavam organizados nacionalmente no DNB/CUT desde 1986, resistiram melhor aos ataques neoliberais e até conquistaram novos direitos.

Em 1992 os sindicatos de bancários transformaram o Departamento Nacional dos Bancários DNB/CUT - que era somente uma organização interna do setor bancário dentro da Central - em Confederação Nacional dos Bancários - CNB/CUT.

Em 1992 os bancários conquistaram a primeira Convenção Coletiva Nacional de uma categoria - CCT - assinada entre a CNB/CUT e a Fenaban - a federação dos banqueiros -, uniformizando direitos básicos como o piso salarial e direitos sociais em bancos privados e públicos estaduais, para todas as regiões do país. Conquistaram também vale-refeição diário, auxílio-creche e babá, reajustes uniformes para todas as verbas de natureza salarial etc.

Em 1994 os bancários conquistaram para a Convenção Coletiva o direito à cesta-alimentação mensal.

Em 1995 a categoria foi pautada pelas transformações na remuneração e demais exigências do capital e negociaram e contrataram o direito à Participação nos Lucros e Resultados - PLR -, assinada com a CNB/CUT e com regras definidas de valor e porcentagem para todos os trabalhadores dos bancos signatários, sem discriminação ou vínculo a metas individuais, como queriam os bancos.

Nessa década, os bancos públicos federais estavam isolados em suas lutas contra os governos e quando conseguiam negociação, assinavam Acordos Coletivos de Trabalho - ACT. Até o ano de 2003 os públicos federais ficaram sem acordos de PLR assinados com a CNB/CUT, acordos que contêm regras claras de distribuição a todos os trabalhadores.

Após o ano de 1995, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, os ataques neoliberais foram fortemente acelerados e grandes setores da economia foram privatizados. Para os bancários, a história não foi diferente. Quase todos os bancos públicos estaduais e regionais foram privatizados e houve forte ataque aos públicos federais.

Nos bancos públicos federais começaram os congelamentos salariais e a perda de direitos coletivos e planos de demissão "voluntária" - PDV - com demissões em massa. Só no Banco do Brasil foram eliminados mais de 50 mil postos de trabalho ao final do processo de enxugamento para posterior privatização, com o suicídio de dezenas de trabalhadores.

Nos bancos privados, e nos estaduais que resistiram à privatização, e que já seguiam a Convenção Coletiva da categoria, seguiu a luta unitária e manutenção de reajustes e principais direitos coletivos.

IV. ANOS 2000 - A CATEGORIA BANCÁRIA CONQUISTA A UNIDADE ENTRE BANCOS PÚBLICOS E PRIVADOS

A Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários passou a ser assinada pelos bancos públicos federais e foi criada a Contraf-CUT, para organizar todos os trabalhadores do ramo financeiro.

No final dos anos noventa, os bancários de bancos públicos federais passaram a discutir em seus congressos anuais o fim do isolamento e a busca da unidade com a categoria. Após a mudança de governo em 2002, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, um maior diálogo entre trabalhadores e governo permitiu alguns avanços, como a luta para unir os direitos coletivos dos bancários na mesma Convenção Coletiva de Trabalho.

Alguns passos estratégicos foram importantes para a categoria e a ação sindical foi fundamental para isso com as mobilizações e as greves gerais. Os bancários fizeram grandes greves em toda esta década.

Em 2003 os bancários dos bancos públicos federais fizeram greve exigindo do governo federal o cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho da CNB/CUT. Ao final, conseguiram vários direitos, mas estes direitos ainda foram mantidos em acordos específicos - ACT.

Em 2004 a CNB/CUT exige em acordo prévio com o governo federal que ele cumpra o que os bancários conquistassem na campanha nacional da categoria, tanto direitos sociais como índices econômicos. Os bancários vão para uma greve de 30 dias e ao final ocorre julgamento do TST - Tribunal Superior do Trabalho - diminuindo proposta integral negociada em mesa geral com a Fenaban. Mas as conquistas foram melhores que as dos anos anteriores, quando públicos federais e privados estavam separados.

Em 2005, na Conferência Nacional dos Bancários - encontro que finaliza uma série de encontros locais e regionais da categoria -, é criado um Comando Nacional de negociação entre os trabalhadores e os banqueiros e governo. Ao final da campanha nacional, o Banco do Brasil passou a assinar a CCT da CNB/CUT. A Caixa Econômica Federal assinaria a mesma Convenção no ano seguinte.

Em 2006 os bancários criaram a Contraf-CUT - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT - pela necessidade de organizar a totalidade dos trabalhadores que estão inseridos no processo produtivo do sistema financeiro, pois os banqueiros foram se reestruturando em conglomerados e holdings e retirando direitos conquistados na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária.

A luta atual da CUT é para voltar a representar cerca de um milhão de trabalhadores no ramo financeiro, pois somente a metade está com os direitos contratados em convenções e acordos coletivos.

Como síntese da organização da categoria nos anos 2000, destacamos que os bancários conseguiram a unidade nacional e por 7 anos seguidos fizeram grandes greves nacionais, ora gerais ora por bancos.

Os bancos públicos passaram a ter reajustes em todas as verbas salariais - antes da unidade com a categoria na mesa da Fenaban, ou era reajuste zero ou era só no piso e nada nas comissões e funções e também passaram a ter direitos econômicos e sociais que eram maiores na CCT da Contraf-CUT.

V. ESTRUTURA DE NEGOCIAÇÃO E CONTRATAÇÃO COLETIVA DOS BANCÁRIOS BRASILEIROS

Os trabalhadores brasileiros vêm acumulando experiências importantes em termos de organização sindical desde a criação da nossa Central Única dos Trabalhadores - CUT - nos anos oitenta.

Os desafios para enfrentar o setor patronal sempre foram grandes, como também foram grandes as estratégias e táticas adotadas pelos segmentos de trabalhadores dentro da Central para avaliar a melhor forma de organizar cada categoria profissional de acordo com as suas respectivas necessidades e reestruturações produtivas constantes, como é inerente ao sistema capitalista.

A estrutura de organização e negociação coletiva atual dos bancários passou por várias adaptações nestas três décadas de organização cutista. Percebemos a necessidade de nos organizarmos por ramo financeiro nos anos 2000 e buscar a organização internacional por parte dos trabalhadores do setor financeiro porque o lado patronal já se organiza assim também.

Os bancários brasileiros têm uma estrutura organizacional em nível nacional, que conta com um comando político chamado Comando Nacional, que é coordenado pela Contraf-CUT, e que representa cerca de 90% dos bancários do País em sua Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e aditivos, tanto por bancos quanto por regiões.

* Comando Nacional dos Bancários

* Contraf-CUT, que coordena o Comando Nacional, contém 8 federações filiadas e cerca de 110 sindicatos representados + 2 federações e sindicatos de outras centrais

* Federações de bancários, que representam os sindicatos filiados e têm suas representações no Comando Nacional, nas COEs (Comissões de Empregados por bancos) da Contraf-CUT e nos grupos/mesas temáticas

* Sindicatos de bancários em todo o país, que se organizam nas regiões através das federações, e decidem as questões da categoria junto aos bancários em assembleias, encontros e plenárias

* OLT - Organização nos Locais de Trabalho - Os delegados sindicais, militantes e cipeiros organizam os locais de trabalho junto com os sindicatos locais para levar demandas, informações e criar a correlação de forças para as negociações coletivas nacionais, seja por banco seja por temas

VI. O PROCESSO DEMOCRÁTICO DA CONSTRUÇÃO DAS REIVINDICAÇÕES DOS BANCÁRIOS

Um dos fatores mais importantes da unidade da categoria bancária é a democracia em seus processos tanto para a construção da pauta de reivindicações como nos momentos decisivos de se deliberar pela mobilização e greve ou pela aceitação das propostas e contratação coletiva.

Todos os anos as negociações nacionais entre banqueiros e governo e os trabalhadores bancários começam com assembleias de base em mais de uma centena de sindicatos, reunidos em dez federações.

Após as propostas serem debatidas e votadas nas assembleias, ocorrem encontros e conferências estaduais ou regionais - por federações.

Finalizadas essas etapas locais, os bancários brasileiros participam de uma conferência nacional da categoria que define a pauta final de reivindicações a ser entregue aos banqueiros e governo.

Além de todo esse processo democrático, também temos os congressos dos bancos públicos que definem da mesma forma - desde assembleias de base até o congresso nacional - as questões específicas a cada banco público.

Nos últimos anos, os bancários negociam de forma concomitante tanto as questões gerais da Convenção Coletiva de Trabalho - CCT -, comum a todos, como as pautas específicas a cada banco público.

Quando não há propostas ou quando elas são insuficientes os bancários de todos os segmentos decidem em assembleias se aceitam o que foi oferecido ou se entram em greve.

Ao final do processo de mobilização e greve, os bancários contratam os novos direitos que renovam a CCT e os aditivos por banco.

Se as reivindicações específicas dos bancos públicos não forem atendidas ao final da greve geral, pode ocorrer de a categoria como um todo aceitar a renovação da Convenção Coletiva e um ou mais banco seguir na greve em busca de suas reivindicações específicas.

Além desse processo de construção das pautas de negociação, também temos na Contraf-CUT as COEs - Comissões de Empregados dos principais bancos -, bancários indicados pelas próprias federações para aprofundar questões como segurança, terceirização, saúde, igualdade e outras mais.

Temos instaladas mesas de negociação com os banqueiros em 2010 que tratam das questões de Igualdade, de Terceirização, de Segurança Bancária e de Saúde e Condições de Trabalho.

VII. A CONTRAF-CUT E A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO DO RAMO FINANCEIRO

A questão de organizar os trabalhadores que estão inseridos no processo produtivo do sistema financeiro é hoje um dos maiores desafios dos trabalhadores brasileiros e do mundo.

Temos alguns bancos - grandes conglomerados criados através de reestruturações societárias - que atuam em sistema de cartel e monopolizam o mercado bancário. Esses poucos bancos conseguiram nos últimos anos, através de muita influência nos parlamentos e nos órgãos reguladores como o Banco Central, desorganizar todo a categoria bancária em termos de direitos coletivos e legislação trabalhista.

Temos mais de um milhão de trabalhadores fazendo operações de intermediação financeira no Brasil e menos da metade está coberta com os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários - CCT - assinada entre a Contraf-CUT e a Fenaban.

A outra parte dos trabalhadores do sistema financeiro está distribuída em regimes precarizados de trabalho, em diversas modalidades de terceirização de serviços bancários, a maior parte delas é pura interposição fraudulenta de mão de obra.

Direitos fundamentais da categoria como piso e jornada de trabalho de 6 horas e semana de trabalho de segunda a sexta-feira não são respeitados dentro da cadeia produtiva terceirizada e precarizada dos conglomerados financeiros.

Serviços de atividades auxiliares no dia a dia dos bancos como processamento de envelopes de depósitos bancários, pagamentos e recebimentos, abertura de contas e empréstimos, aplicações e cartões de crédito, bem como produtos financeiros do mesmo conglomerado como seguros, capitalização, previdência, planos de saúde, consórcios etc, todos esses serviços e fontes de receita dos bancos continuam sendo feitos como no passado, mas sem os trabalhadores receberem os direitos dos bancários.

Algumas figuras jurídicas criadas pelo Banco Central brasileiro, como os Correspondentes Bancários, põem em risco a própria existência de nossa categoria, pois é melhor um banco terceirizar completamente os serviços e os custos do que manter em folha de pagamento um bancário com seus direitos coletivos nacionais.

O desafio da Contraf-CUT e de suas federações e sindicatos de bancários atualmente é reorganizar esses trabalhadores terceirizados, mobilizá-los, fazer greves como sempre fizemos e passar a representá-los primeiro de fato, liderando as greves e buscando negociações, e depois representá-los também de direito, mudando a lei e a legislação. A CUT já fez isso desde a sua origem e estamos fazendo novamente, lutando contra essas reestruturações produtivas que prejudicam a classe trabalhadora.

A Contraf-CUT foi criada para buscar reorganizar e representar de fato e de direito mais de 500 mil trabalhadores que continuam trabalhando para os conglomerados financeiros, só que sem os direitos da categoria bancária.

São setores inteiros como telemarketing; empresas dos próprios bancos de produtos financeiros de capitalização; previdência e seguros; empresas de processamentos de Back Office; tecnologia da informação (TI); correspondentes bancários como a empresa Correios e Telégrafos (parceria com Bradesco) e lotéricas (parceria com a Caixa Econômica Federal); cooperativas de crédito; e agora, supermercados e demais lojas do comércio substituindo o trabalho bancário. Sem contar toda a automação bancária que já acompanha o setor desde os anos oitenta.

Nos últimos anos, nossos sindicatos têm organizado os terceirizados que processam os envelopes de depósitos bancários para alguns bancos como, por exemplo, a empresa Fidelit que atende o Bradesco e o Santander (empresa pertence aos bancos), e através de greves nessas empresas, organizadas por nossos sindicatos, já conquistamos direitos coletivos que esses trabalhadores não tinham como o vale-refeição e a cesta-alimentação.

Também estamos lutando juridicamente e nos parlamentos para que a legislação dê mais garantias formais aos trabalhadores do sistema financeiro. Há projeto de lei no parlamento para regulamentar e disciplinar que tipo de terceirização pode ocorrer em setores como o financeiro e outros. Mas a lei ainda precisa ser votada e um dos problemas é a correlação de forças dos representantes dos trabalhadores no parlamento nacional.

A luta pela unidade e por mais direitos contratados segue, para os bancários do Brasil e do mundo.

William Mendes

Secretário de formação da Contraf-CUT (2009-2012)


Bibliografia:

Procesos de Autoreforma Sindical en Las Américas - Avances del Grupo de Trabajo sobre Autoreforma Sindical (GTAS) en 2010-2011. Proyeto FSAL-AS/ACTRAV/OIT

20.1.25

Diário e reflexões - Sindicalização



Osasco, 20 de janeiro de 2025. Segunda-feira.


SINDICALIZAÇÃO

Me associei ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região quando trabalhava no Unibanco da Raposo Tavares, no CAU. O pessoal do sindicato me contatou como fazia com qualquer bancário ou bancária e na conversa do dia a dia eles me convenceram a me sindicalizar. Depois passei a sindicalizar todo mundo que conhecia lá dentro. Trabalhei lá entre abril de 1988 e maio de 1990, quando fui demitido.

Voltei a ser bancário dois anos depois, passei no concurso do Banco do Brasil e tomei posse da vaga de escriturário em setembro de 1992. Uns meses depois, assim que entrei em contato com o pessoal do sindicato novamente, me sindicalizei em fevereiro de 1993. Mais uma vez, virei um grande defensor da sindicalização e vivia ganhando prêmios do sindicato por sindicalizar um monte de bancários.

Uma década depois de entrar no Banco do Brasil, o pessoal me convenceu a ceder meu nome para compor a chapa da CUT que concorreu e ganhou a eleição sindical em abril de 2002 contra a chapa da oposição. Representar os colegas bancários mudou minha vida em tudo, eu mudei completamente em relação à pessoa que era antes de virar dirigente sindical.

Não vou abordar neste texto de sindicalização minha contribuição à corrente política para a qual dediquei a maior parte de minha vida adulta, a Articulação Sindical da CUT. Minha contribuição política faz parte da história e se a história ainda vale alguma coisa ou não, não sei, mas a campanha nacional unificada entre bancos públicos e privados foi alcançada com a minha participação efetiva nos primeiros anos do governo Lula. E também a política de aumento real de salário em substituição da antiga reivindicação de "perdas".

LAWFARE ANTECIPA MEU DESLIGAMENTO DO BB

Por motivos políticos acabei saindo do Banco do Brasil um pouco mais cedo do que talvez gostaria. Como um dirigente nacional da categoria exercendo um mandato eletivo numa entidade dos funcionários do banco, vinha sofrendo um processo de lawfare (desses com carta anônima e acusações falsas), que havia se tornado comum contra lideranças de esquerda. Como era tudo mentira para tirar minha atenção e tempo nos embates que enfrentava e para que eu não me reelegesse, após o uso político, o processo foi arquivado por falta de provas.

Aderi à aposentadoria antecipada de meu plano de previdência da Previ no dia em que completei a regra do estatuto para aderir. Estávamos no primeiro ano do governo Bolsonaro, e antes já vivíamos sob o jugo do governo golpista de Temer. Infelizmente, encerrei minha vida de dedicação ao Banco do Brasil sem um bolinho e abraços dos colegas.

Por sugestão de nossos advogados, durante minha defesa contra aquelas mentiras, era melhor que eu me silenciasse um tempo dos embates políticos que fazia através de meus textos em blog em nome da categoria que representava. Acatei a sugestão e me silenciei por mais de um ano na comunicação e prestação de contas que fazia através de meus textos. Muita gente que conhecia meu trabalho de representação e minha história ficou sem saber de mim por um bom tempo.

Veio a pandemia no ano seguinte. Aí que aumentou meu isolamento como aconteceu com praticamente todo mundo.

Mas e a questão da sindicalização? O texto é sobre sindicalização.

Como se tornaram raras as oportunidades de participar de assembleias do nosso sindicato, e como eu havia me desligado do banco em um dia e no dia seguinte passei a ser beneficiário do nosso fundo de pensão da Previ, entendi que tinha virado sócio remido do sindicato, como acontece com muitos bancários. 

Um dia, em algum evento virtual que não consegui participar, descobrimos que eu estava com a matrícula irregular no sindicato, o pessoal do sindicato e eu percebemos que minha filiação não estava em dia. Pesquisa vai, pesquisa vem, sou informado que estava inadimplente desde que me desliguei do banco e me tornei beneficiário da Previ.

R$ 5.311,14

A solução não foi eu voltar a pagar a mensalidade. A regularização seria eu pagar um montante inimaginável para voltar a ser sindicalizado como sempre fui desde minha entrada na categoria lá no Unibanco nos anos oitenta. Balancei em pagar o valor apresentado a mim...

A tomada de decisão em usar um recurso de minha família para voltar a ser sindicalizado foi dificílima. Pensei em tantas coisas que vocês não fazem ideia! 

Em primeiro lugar, eu tinha uma história no sindicato. Como bancário, como sindicalizador, como dirigente sindical. Como poderia não ser sindicalizado na entidade na qual participei no mínimo de três décadas de sua história?

Tomei a decisão e no dia 23 de dezembro de 2021 paguei os 5.311,14 ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região para regularizar minha situação de sindicalizado há décadas, já que eu não era sócio remido ainda porque faltava me aposentar pela previdência pública, aquela que a cada reforma aumenta o prazo para os trabalhadores poderem se aposentar.

A QUEM DEVERIA INTERESSAR A SINDICALIZAÇÃO, FILIAÇÃO, ASSOCIAÇÃO?

Nos últimos 3 anos de pagamento em dia das mensalidades de nosso sindicato (paguei no mês de dezembro R$ 211,68), fiquei refletindo sobre um monte de coisas relativas ao movimento sindical que ajudei a construir, principalmente o da categoria bancária.

A quem deveria interessar a sindicalização? Como se dá o processo de sindicalização de um trabalhador ao seu sindicato? O que leva um trabalhador a querer ou aceitar ser sindicalizado ao seu sindicato de base? Amigos leitores, juro para vocês que tenho experiência nesse tema e poderia discorrer aqui sobre cada uma dessas questões. 

O fato concreto é que no meu caso de sindicalizado, se eu não fosse quem sou, se eu não fosse politizado, uma pessoa com ideologia e, principalmente, com história em nosso sindicato, eu não teria insistido todos esses anos em me manter sindicalizado. Se o tratamento que recebo do sindicato for a média do tratamento que os bancários recebem, eu imagino que o trabalhador deve estar pensando se permanece ou não associado.

Nesses 3 anos após a regularização que me custou 5.311,14, quem correu atrás dos boletos para pagar as mensalidades fui eu. A cada tempo, tenho que fazer email, pedir boletos etc. Eu não tenho boleto ainda para pagar a mensalidade de hoje, 20 de janeiro. 

Mesmo sendo sindicalizado como qualquer bancário sindicalizado, o coletivo de diretores do banco ao qual fui dirigente não me chamou para absolutamente nenhuma agenda de debates no sindicato nos últimos 3 anos. Imagino que teria contribuições a fazer em algumas questões como outros associados da entidade.

E, por fim, o sindicato ao qual eu participei de décadas de sua história não se dignou a me convidar para fazer uma fala sequer sobre os 100 anos da instituição!

E olha que em um evento de rua, dirigentes da executiva da entidade se disseram surpresos ao saber que eu ainda não havia sido convidado para um depoimento... me disseram que entrariam em contato comigo... (houve veto ou coisa do tipo?)

Essa é a relação do sindicato com um de seus sindicalizados com esse histórico que descrevi acima.

Será que chegou a hora de parar de pagar a mensalidade que vence hoje e que preciso pedir o boleto ao sindicato? Acho que cansei de verdade desse tratamento e dessa relação indigna com a qual sou tratado pelo sindicato ao qual dediquei minha vida.

Cara, acho que para mim chega!

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SINDICALIZEM-SE! É IMPORTANTE! O SINDICATO É OU DEVERIA SER A CASA DOS TRABALHADORES

Colegas bancárias e bancários e trabalhadores que me leem, por favor, não levem em consideração meu caso pessoal com a direção de nosso sindicato e se sindicalizem! É muito importante fortalecer nossas entidades representativas e de organização das lutas da classe trabalhadora.


William Mendes

Associado 351524. Se mandarem os boletos, seguirei associado.


29.8.22

História dos bancários: um olhar (II)



Eleições presidenciais de 1989

A categoria bancária brasileira sempre esteve na vanguarda das lutas sociais e ao longo de sua história contou com lideranças políticas concatenadas com as demandas imediatas e também históricas da classe trabalhadora e do povo brasileiro à frente das entidades sindicais. Nas eleições presidenciais de 1989 não foi diferente. Membros da Executiva nacional do BB e outras lideranças sindicais declararam apoio à Frente Brasil Popular e à candidatura de Lula/Bisol, pelo Partido dos Trabalhadores.

Mais de três décadas depois, vivemos em 2022 momentos decisivos da história do país e do povo brasileiro. E essa categoria de lutas e conquistas novamente se coloca na vanguarda tanto ao enfrentar os banqueiros em mais uma dura campanha salarial na qual os bancos estão intransigentes nas mesas de negociação e ameaçam direitos coletivos importantes, quanto é vanguarda ao vermos a imensa maioria das lideranças bancárias apoiando a candidatura de Lula para que o país possa retomar a esperança e as oportunidades para o povo como um todo.

Segue abaixo a reprodução de trechos do material que tenho em meus arquivos pessoais relativo às eleições que ocorreriam no dia 15 de novembro de 1989 para a presidência do Brasil (aos 100 anos de "República"). Eram as primeiras eleições diretas para presidente desde o início dos anos sessenta e após mais de duas décadas de regimes ditatoriais e o povo escolheria entre mais de duas dezenas de candidatos. A eleição se deu após a Constituinte iniciada em 1986 e após a promulgação da nova Constituição Federal, a Constituição Cidadã de 1988.

Materiais como este me ensinaram muito - como liderança nos locais de trabalho e depois como dirigente eleito pelos colegas - e aprendi que era importante nos posicionarmos sobre todas as questões relativas à vida da classe trabalhadora que representávamos.

William Mendes

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FRENTE DO JORNAL

LULA VESTE A CAMISA DO BANCO DO BRASIL POR QUE VESTE A CAMISA DO BRASIL

O funcionalismo do BB já sabe: o futuro do Banco (e do Brasil) está em jogo nessa eleição

Os últimos cinco anos foram muito ricos para o aprendizado político dos bancários do BB. A retomada das greves, a luta pelo salário e pelas condições de trabalho, a defesa perante o ataque permanente ao banco, seu papel social e ao conjunto das estatais criaram e desenvolveram uma consciência da necessidade de lutar permanentemente contra projetos políticos que visavam enfraquecer os bancos estatais e consolidar o sistema financeiro como instrumento de concentração de renda, via especulação financeira.

Nesse período, o movimento sindical cresceu e ampliou-se dentro do BB; a conquista dos sindicatos mais importantes do país por direções combativas e sérias criou as condições para a recomposição salarial no BB e a melhoria de nosso acordo coletivo, com novas cláusulas sociais e sindicais, ampliadas a cada ano.

Ao mesmo tempo em que a luta do funcionalismo torna-se uma referência no movimento sindical, o governo Sarney, sempre pronto a atender as orientações dos banqueiros e do FMI, implementa o plano de esvaziamento do BB, através da redução do papel social do banco, das restrições à admissão de pessoal, da total falta de transparência na administração de seus recursos.

A luta do funcionalismo ajuda a barrar uma parte significativa dos ataques, mas aponta para os trabalhadores do BB a necessidade de uma luta bem mais ampla que passa pelo engajamento na luta político-partidária, na discussão dos diferentes projetos, para o sistema financeiro e para a democratização da sociedade como um todo, a começar pelos locais de trabalho e pela administração nas empresas estatais.

DEFENDER O BB É DEFENDER O BRASIL

Nesse processo, o discurso neoliberal tenta localizar no Estado a origem de todos os males. Tenta debitar aos servidores públicos e de estatais a prática clientelista e corrupta das elites; tenta caracterizar as conquistas dos trabalhadores de algumas estatais como odiosos privilégios. Tudo isso para abrir caminho para o tão sonhado leilão de ações de estatais lucrativas, que converteria em capital sem risco o dinheiro multiplicado pela ciranda financeira, que corre risco cada vez maior de se tornar apenas papel, diante da inviável dívida interna, multiplicada pela irresponsável política de Maílson.

Nesse cenário, é fundamental (para eles) destruir o BB, até mesmo como símbolo nacional de estatal eficiente, como atesta a pesquisa do Datafolha. No caminho, o ataque permanente ao funcionalismo serve como cortina de fumaça para as negociatas de Maílson e Berard. O anúncio de prejuízo é seguido pela queda das ações na bolsa e uma súbita compra pela corretora de Roberto Marinho. Roubo!!?

O QUE QUEREMOS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

Nessas eleições presidenciais, estão em jogo projetos que podem levar o país para diferentes caminhos. Um deles se apresenta ao eleitor com toda a clareza, sem um discurso mitificador e sem demagogia de palanque. É um projeto que aponta na participação e na democratização as saídas para um país rico, com a pior distribuição de renda de toda a América Latina; aponta para o fim da especulação financeira, canalizando os recursos do sistema para o crédito produtivo; aponta para a defesa das estatais, com o controle de seus funcionários e da sociedade. É um projeto que está à frente da defesa do BB e que tem investido na organização da classe trabalhadora como forma de sustentar politicamente as principais mudanças estruturais que serão feitas para garantir que o Brasil seja o país do presente, não o país de um incerto futuro, apontado pelas elites como o pote de ouro do final do arco-íris.

Este projeto tem seu vetor apontado para a eleição do dia 15 de novembro. Está representado pela Frente Brasil Popular, pela candidatura LULA, pelos compromissos assumidos junto aos setores que vêm lutando contra a miséria, e exploração, a dilapidação do patrimônio público. No dia 15, você tem um compromisso: defender o BB, defender o Brasil, conosco.

A CANDIDATURA LULA CRESCE EM TODO PAÍS

(...) A candidatura Lula só é possível porque se apoia inteiramente no trabalho consciente de milhões de pessoas que lutam por seus salários, por democracia, por moradia, por terra, em defesa da ecologia e pelos direitos humanos. É esta a força da candidatura Lula: a luta do povo por uma vida melhor.

(...) Nesta eleição, quem representa o novo é LULA.

Por que o novo, num país onde as elites estão há tanto tempo no poder, significa respeito ao povo e democracia em todos os níveis

(Frente Brasil Popular - PT, PSB, PCdoB)


VERSO DO JORNAL

PROPOSTAS DA FRENTE BRASIL POPULAR PARA O BANCO DO BRASIL

1 - Exclusividade como agente do Tesouro: todos os fundos públicos devem estar centralizados no BB. Arrecadação de impostos, pagamentos do governo, contas de todas as estatais, etc. A administração desses recursos deve priorizar a aplicação em projetos de interesse da população, garantindo o financiamento, com juros e prazos favoráveis, do crescimento da produção e do consumo.

2 - Financiamento para agricultura de consumo interno: as linhas de financiamento à agricultura devem priorizar as culturas para consumo interno, e não para exportação. Prazos e juros devem ser extremamente diferenciados de acordo com o tamanho e tipo de propriedade rural. Em caso de programas incentivados com juros negativos o tesouro deve remunerar o banco, pagando o eventual spread negativo.

3 - Financiamento da pesquisa e implementação de tecnologia de ponta: criação de linhas especiais de crédito para pesquisa, através de aplicações de prazo mais dilatado e fatias dos depósitos à vista de pessoas jurídicas.

4 - Reativar e desenvolver o MIPEM: o financiamento e acompanhamento das pequenas e médias empresas contribui para a distribuição de renda e para a ampliação da capacidade de produção e geração de empregos na indústria e no comércio.

5 - Valorizar e profissionalizar o funcionalismo: profissionalizar o funcionalismo, enquanto bancários, dando formação e oportunidade de desenvolvimento na empresa, ampliando seu conhecimento do processo de produção, retirando o caráter de máquina que o BB e outros bancos têm e humanizando o trabalho bancário.

6 - Democratizar o BB, a partir dos locais de trabalho: criar condições democráticas dentro do banco, descentralizando as decisões, ampliando ao máximo a democracia interna, envolvendo o funcionalismo num projeto de banco social, motivando a participação e garantindo transparência nos rumos da instituição a partir de cada agência, através da participação do funcionalismo e da comunidade na definição de prioridades para aplicação de recursos. Realizar, em curto prazo, concurso público para preenchimento das vagas e garantir a abertura das mais de 400 agências prontas, sem inaugurar. Reformular o Plano de Cargos e Salários e Plano de Cargos Comissionados, para eliminar as distorções e facilitar o desenvolvimento profissional, dentro de critérios democráticos de avaliação.

7 - Democratização da Cassi e Previ: as duas caixas, cujos benefícios devem estar voltados aos funcionários, devem ser administradas por funcionários eleitos, com a direção do banco limitando-se ao papel de fiscalização e acompanhamento. Realizar auditoria nessas caixas para verificar a existência de malversação ou corrupção nas administrações passadas.

8 - Auditoria do BB: realizar auditoria nas contas do banco nos últimos vinte anos para apurar denúncias de utilização política dos recursos do BB, durante os últimos governos.

9 - Exclusividade na regulamentação e fiscalização do Comércio Exterior: é fundamental manter o controle do Comércio Exterior pela CACEX, a fim de manter um total acompanhamento do processo de exportação/importação.

10 - Levantamento e cobrança dos grandes inadimplentes históricos: regularização de todos os débitos, com a devida atualização monetária, e responsabilização das direções anteriores por prejuízos causados.

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Estes companheiros lutam em defesa do Banco do Brasil

E POR ISSO APOIAM LULA E BISOL

Membros da Executiva Nacional do BB que apoiam Lula:

Maia (POA); Ivan (Florianópolis); Rui e Tadeu (Curitiba); Lúcio Prieto, Deli e Paulo Assunção (SP); Amaral, Imaculada, Joel e Fernanda (RJ); Eder e Angela (BH); Lessivan (Salvador); Zé Roberto (Alagoas); Enaide e Fernando Duarte (Recife); Pimentel e Sofia (Fortaleza); Sérgio Taboada (Acre).

Outros apoios no BB:

Ricardo Berzoini (Seeb SP e presidente do DNB); Samuel Lima (presidente Seeb Florianópolis); José Luís (ex-diretor Seeb Porto Alegre e diretor eleito da CASSI); Zé Reis (Seeb Porto Alegre); Ana Júlia (Oposição Sindical do Pará); Magela e Jaques (Alternativa Bancária de Brasília); Regina Souza (Seeb Piauí); Jorge Streit (presidente Seeb Rondônia); Luisinho (Seeb SP); Simon (Oposição sindical de Goiás); Nelson (presidente do Seeb Ceará); Jandira (Seeb PB); Zeca (ex-diretor Seeb MS); Paulo Pinto (presidente Seeb ES) e muitos outros companheiros, dirigentes sindicais e funcionários em todo o país.

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3.12.21

Memórias (X)



Memórias de lutas sindicais e democracia no Brasil: relembro a construção da estrutura organizativa da categoria bancária

Nas memórias de hoje, vou relembrar as agendas de lutas do mês de julho de 2007. Fiz 23 postagens no blog A Categoria Bancária. O mês foi intenso porque foi mês de finalizar a primeira parte da campanha da categoria: tivemos assembleias de base e depois a 9ª Conferência Nacional e os congressos de bancos em seguida.

Este dirigente que revisita as memórias era o secretário de imprensa da Contraf-CUT, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e representante da Fetec-CUT SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, uma comissão que assessorava a confederação e o Comando Nacional na organização e negociação de questões específicas por bancos (COE-BB ou CEBB).

A VIDA TODA JUNTO ÀS BASES - Ao ver as postagens do mês (ver aqui), fico feliz em relembrar que não deixei de fazer contatos com a base de trabalhadores do Banco do Brasil nem em meses tão cheios de agendas internas ao movimento como esse de organizar e finalizar as estratégias, as reivindicações e as bandeiras de lutas da campanha nacional dos trabalhadores do ramo financeiro. 

SINDICALIZAÇÃO - Achei espaço na agenda para ir conversar com bancários e bancárias do BB na posse e sindicalizá-los no 1º dia de trabalho deles no banco público. Aliás, as mulheres só tiveram direito de prestar concurso e trabalhar no BB depois de mais de um século de existência do banco. Agendas dos dias 16 e 23 de julho.

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Na 1ª semana de julho tínhamos agendas de reuniões diversas, na secretaria de imprensa da Contraf-CUT, porque estávamos confeccionando a revista nacional O Espelho, definindo propostas para a mídia da campanha nacional 2007 e trabalhando para dar visibilidade à luta da categoria na imprensa empresarial, a dos capitalistas e da casa-grande.

Eram frequentes reuniões de diretoria, tanto gerais como de corrente política. Eu tinha ainda horas e horas de dedicação à confecção da tese política da Articulação Sindical da CUT, feita em conjunto com outras companheiras e companheiros. 

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REMUNERAÇÃO VARIÁVEL - Como já disse nas outras postagens de memórias sindicais, desde cedo no movimento passei a escrever e contribuir com teses, propostas e opiniões a respeito da organização e luta da classe trabalhadora. Nesse ano de 2007, tive que fazer longos e cansativos debates internos na Articulação Sindical a respeito de propostas feitas para regular a remuneração variável na categoria. 

Tínhamos a intenção correta de regular e negociar com o patronato toda a remuneração dos trabalhadores porque os banqueiros estavam criando formas de remuneração variável com diversos programas de participação em resultados, formas de acelerar as metas abusivas e a sobrecarga de trabalho, gerando grande estresse e adoecimento, inclusive com assédio moral.

Eu não concordava com algumas propostas a respeito de contratação da remuneração variável e fiz o debate democrático dentro da corrente. Estudei, escrevi, fiz debates com diversas lideranças etc. Foi um momento rico na democracia interna do movimento e da corrente política. Valeu bastante. 

Ao final do processo, como não tinha concordância em votar a favor da proposta final de contratar remuneração variável na forma de parte do que os bancários produziam com tarifas e taxas de serviços nas agências (entendo isso como um contrassenso para a luta contra as metas abusivas), recebi por parte da Articulação Sindical autorização para me abster nos fóruns de decisão. Inclusive, no fórum final, fiz declaração de voto esclarecendo ao conjunto dos delegados e delegadas da 9ª Conferência Nacional os motivos por que não votei a favor daquela proposta.

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DURANTE GOVERNOS DO PT, AS AGENDAS DA CLASSE TRABALHADORA ERAM POR MAIS E MELHORES DIREITOS SOCIAIS

Ao ler uma matéria sobre a abertura da 9ª Conferência Nacional (ler aqui) vemos o quanto a classe trabalhadora brasileira estava com uma agenda propositiva e em ascensão social, pois queríamos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, aumentos mais significativos no salário mínimo do país, desenvolvimento econômico sustentável e com distribuição de renda para o povo brasileiro que efetivamente produz a riqueza do país. 

Os períodos dos governos do Partido dos Trabalhadores - governos de esquerda ou centro-esquerda, até sociais-democratas podemos dizer - são tempos de mais oportunidades para a base da pirâmide social e de mais felicidade para o povo. E sabemos que as contradições sempre vão existir, sempre. Elas fazem parte das lutas de classes.

ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DO RAMO FINANCEIRO

A criação da Contraf-CUT em 2006 foi uma nova etapa da organização da categoria bancária dentro da Central Única dos Trabalhadores, a nossa CUT.

Quando se estuda a história dos trabalhadores dentro do setor financeiro brasileiro, vemos que nossas lutas começaram ao mesmo tempo em que a família real veio para o Brasil, em fuga de Portugal por medo de Napoleão Bonaparte. Eles chegaram aqui tomando casas e propriedades das pessoas e criando instituições da sociedade moderna como bancos, comércios etc.

Tínhamos trabalhadores bancários atuando no século XIX, tanto nos bancos públicos ou de governo como nos bancos privados. Banco do Brasil e Caixa Federal foram criados naquele período. O século XX foi de grande envolvimento dos bancários nas lutas de trabalhadores por direitos trabalhistas e sociais. Muitos sindicatos nasceram como associações no início do século e ainda hoje são dos mais organizados do país.

A categoria bancária teve papel preponderante na criação da CUT e nós fomos vanguarda na ideia de organizar os bancários em departamento, mesclando a lógica de estrutura vertical com a da Central, mais horizontal e de classe. Em 1985/86, dois anos após a criação da CUT, organizamos o Departamento Nacional dos Bancários (DNB). A estratégia foi muito exitosa e rapidamente estávamos organizados no país todo, fazendo grandes greves nacionais entre 1985 e 1989.

Nos anos noventa, avançamos para uma Confederação e passamos a contratar direitos em acordos e convenções coletivas. A CNB/CUT contribuiu enormemente para o fortalecimento da Central e da classe trabalhadora brasileira.

Ao mesmo tempo em que nós nos organizávamos, os banqueiros e patronato da casa-grande se organizavam também, é lógico. Reestruturações e avanços tecnológicos marcam essa história de embate entre bancários e banqueiros. A Contraf-CUT surge num momento em que mais de meio milhão de trabalhadores estão gerando lucros para as corporações dos banqueiros e não têm os direitos da categoria, reunidos na Convenção Coletiva dos Bancários, a CCT/CUT.

Bom, já me alonguei nessa postagem de memórias sindicais. O fato é que nós tínhamos uma missão ao criar a Contraf-CUT, missão difícil, mas muito bem-intencionada por parte das organizações sindicais dos bancários. Veja aqui a postagem que fala das estratégias definidas naquele ano de 2007, na 9ª Conferência Nacional, para organizar diversas categorias dentro do ramo financeiro e enfrentar a casa-grande e os banqueiros.

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FOCO NA UNIDADE DO LADO DOS TRABALHADORES, AUMENTO DE DIREITOS E CONTRATAÇÃO DA REMUNERAÇÃO TOTAL

A 9ª Conferência definiu suas reinvindicações, estratégias e agendas de campanha a serem aperfeiçoadas e adaptadas dia a dia pelo Comando Nacional dos Bancários, que foi ampliado naquele ano. Ver a matéria aqui.

Abaixo, deixo um trecho da questão que debati intensamente com a companheirada da Articulação Sindical e demais forças políticas e participantes dos fóruns decisórios da categoria. A vida seguiu, eu discordando das propostas e todos lutando juntos contra os banqueiros.

"Além do reajuste salarial, os bancários também querem uma remuneração complementar de 10% do total das vendas de produtos feitas em cada unidade, distribuído de forma linear para todos os empregados da unidade, creditados mensalmente como verba salarial, incidindo sobre FGTS, 13º, férias e descontos previdenciários.

Na mesma linha, outro item que consta na minuta é a remuneração complementar sobre receita de prestação de serviços para todos os bancários. O benefício reivindicado é de 5% da arrecadação com prestação de serviços distribuídos trimestralmente de forma linear a todos os bancários de cada instituição, inclusive aos afastados por licença-saúde. " (Matéria da Contraf-CUT)

Ao ver as propostas acima, sigo pensando do mesmo jeito que pensei 14 anos antes. Acho que elas não eram as propostas ideais para contratar a remuneração variável da categoria. Mas a vida seguiu e tudo mudou para pior após o golpe de Estado em 2016. 

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A HISTÓRIA SERVE DE REFERÊNCIA, ELA NÃO SE REPETE. A HISTÓRIA NOS MOSTRA QUE PODEMOS MUDAR A REALIDADE TERRÍVEL NA QUAL NOS ENCONTRAMOS EM 2021

É isso! Mais um momento de memórias de lutas da classe trabalhadora. Todas as pessoas podem e devem se envolver nas questões inerentes à nossa vida em sociedade.

Hoje vivemos sob pandemia de Covid-19, num país tomado pelo crime organizado dentro do poder do Estado e sem democracia desde abril de 2016.

Mudar a realidade sempre é possível. Depende de cada um de nós, duzentos milhões de brasileiras e brasileiros.

William


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E aqui para ler o texto anterior.


8.11.21

Memórias (III)



Memórias das lutas dos bancários em 2006 (III)

Ao rever as postagens do blog sindical A Categoria Bancária do mês de dezembro de 2006 fica a recordação do quanto nossa agenda era toda voltada para as lutas da classe trabalhadora. 

Mesmo sendo dezembro um mês no qual as agendas sindicais são menos intensas que os meses de preparação de campanhas nacionais de data-base ou específicas por temas ou bancos, ou mesmo as lutas gerais da classe trabalhadora, tivemos agendas importantes. Ver aqui as postagens de dezembro.

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MARCHA DO SALÁRIO MÍNIMO

Já no início daquele mês organizamos a 3ª Marcha do salário mínimo, luta que começamos em 2004. Essa pauta foi tão, mas tão importante!, que a renda do trabalhador brasileiro aumentou durante os governos do Partido dos Trabalhadores por causa dessa pauta que construímos e conquistamos. Tenho orgulho de ter participado de todas as marchas a Brasília. 

Aliás, foi tão importante!, mesmo sem o reconhecimento devido por parte de trabalhadores aposentados, que os aumentos reais do salário mínimo aumentaram os benefícios dos aposentados durante todos os governos do PT. Antes, durante os governos neoliberais dos fernandos, principalmente o FHC, foram anos de congelamento e os aposentados eram chamados pelo sociólogo de "vagabundos".

Nesta de 2006, saímos de ônibus de São Paulo no dia 5 e eu fiquei na capital federal para participar de negociações com o Banco do Brasil. (ler aqui)

Além da pauta do salário mínimo também lutávamos pela correção da tabela do Imposto de Renda.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA CONTRAF-CUT

O ano de 2006 foi o ano da criação de nossa confederação do ramo financeiro. A estratégia era tentar reaglutinar sob o guarda-chuva de direitos dos bancários todos os trabalhadores que estavam produzindo para os conglomerados dos bancos. Os banqueiros foram se reestruturando para desorganizar a nossa luta e reduzir os direitos dos bancários. Calculávamos que havia meio milhão de pessoas que estava fora da Convenção Coletiva dos Bancários, mas trabalhando pros caras.

Tive a oportunidade de fazer parte dessa história de organização dos bancários, que se organizaram como departamento dentro da Central Única dos Trabalhadores (DNB/CUT) nos anos oitenta, depois evoluímos como uma confederação em 1992 (CNB/CUT) e finalmente a Contraf-CUT em 2006. Minha primeira missão foi organizar a secretaria de imprensa, incluindo a criação do site e a tarefa de dar conhecimento à marca Contraf-CUT. Foi um desafio muito legal, e contamos com toda a equipe da secretaria e da direção e o apoio dos sindicatos e federações filiados.

O nosso primeiro planejamento ocorreu entre os dias 12 e 15 e foram 4 dias de muita construção coletiva, pactos e alinhamento de objetivos, estratégias e táticas para 3 anos de lutas. Posso dizer que participar de planejamentos estratégicos como participei foi definidor do dirigente sindical que fui por muitos anos. Apliquei o aprendizado até na gestão da diretoria de saúde da Cassi, muitos anos depois.

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PLANEJAMENTO DO COLETIVO BB

Assim como fazíamos planejamento estratégico na Confederação, fazíamos em nosso coletivo de diretores do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, minha principal escola de formação política.

No sábado 16 de dezembro passamos o dia todo organizando nossas lutas para o ano de 2007. Tudo que tinha relação com nosso trabalho sindical era definido coletivamente, o que cada um iria fazer, tarefas, formas de organizar a base, ampliar direitos, fortalecer o movimento, enfrentar os ataques dos banqueiros e governo, formação política dos trabalhadores, sindicalização e fortalecimento do Sindicato etc.

Aprendi muito também com as reuniões e debates políticos semanais no Coletivo BB. Como já disse em textos aqui no blog, definitivamente, por fazer planejamento estratégico, eu sabia o que tinha que fazer todos os dias do ano como representante da classe trabalhadora, eu pertencia a um grupamento político que organizava as lutas sindicais.

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O ano de 2006 foi um bom ano de lutas. Reelegemos o presidente Lula, a classe trabalhadora seguiu tendo como base um salário mínimo que crescia acima da inflação todos os anos. As categorias profissionais conquistavam aumentos reais e novos direitos ano a ano após a eleição de um governo com um olhar para o povo e a classe trabalhadora.

Eu estava completando 5 anos de mandatos como dirigente sindical e estava com diversas tarefas a desempenhar em nome dos trabalhadores e trabalhadoras e dos sindicatos e corrente política que representava, a Articulação Sindical.

É isso. Demos nossa contribuição como sujeitos históricos em lutas de classe que seguem vivas, mesmo nos momentos mais difíceis como esse que o povo brasileiro está vivendo sob um regime do mal, de crime organizado e de desfazimento do país. Nós vamos superar isso, como sujeitos coletivos. (Me referi aqui ao governo Bolsonaro)

William


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7.6.15

Artigo: 30 anos de organização dos bancários na CUT





Por: Jacy Afonso (6/06/15)


"Nesse momento de comemoração, há que se perguntar: o sindicalismo fundante das representações das trabalhadoras e dos trabalhadores bancários permanece nas instituições?"


O movimento sindical bancário sempre se caracterizou pelo protagonismo de sua atuação. Os desafios que assumiu no decorrer de sua história apontaram para formas de organização novas, possibilitando estabelecer reivindicações importantes e, em consequência, conquistas fundamentais não somente para a categoria, mas também para toda a classe trabalhadora.

O golpe militar de 1964 estilhaçou a independência sindical e as entidades passaram a ser coordenadas por interventores, asseclas da ditadura e verdadeiros pelegos da burocracia sindical.

Com os sindicatos de bancários não foi diferente. Aqueles que deveriam ser representantes dos trabalhadores esqueceram seus compromissos. Porém, mesmo com o cerceamento da organização e a perseguição aos sindicalistas, algumas lideranças como Olívio Dutra, bancário do Rio Grande do Sul, e Lula, metalúrgico do ABC, compreenderam que os sindicatos oficiais não deveriam ser encarados apenas como espaços de peleguismo. Eles poderiam ser transformados e servir à luta dos trabalhadores.

Com essa perspectiva, houve a reorganização sindical e a retomada dos movimentos de trabalhadores. E assim como na implantação da ditadura militar, novamente em 1979 Lula e Olívio Dutra viveram um processo intervencionista nos sindicatos e tiveram seus mandatos cassados.

Mas, resistir era preciso. E, especialmente a partir de 1978, o movimento dos bancários deu início à organização de oposições para tomarem democraticamente os sindicatos e os transformarem em instrumento da luta por melhores condições de trabalho e de vida, e pela democratização do país. E assim se iniciou uma luta épica para recuperar parte do muito que havia sido subtraído pela ditadura militar.

O chamado Novo Sindicalismo busca a unidade e a retomada da organização da categoria bancária que queria mais do que uma estrutura corporativista.

A partir de 1979, novas lideranças bancárias assumiram entidades sindicais importantes. Citamos Natividade, no Ceará, Horácio Paiva, no Rio Grande do Norte, Milton Montini, no Rio Grande do Sul, Ivan Pinheiro, no Rio de Janeiro, Augusto Campos, em São Paulo, Augusto Carvalho, em Brasília, Osvaldo Laranjeira, na Bahia. Estes líderes participaram da primeira CONCLAT, em agosto de 1981, e parcela deles fizeram parte da Comissão Nacional Pró-CUT, que tinha a determinação de criar uma nova forma de estrutura sindical, independente, democrática e classista. A única confederação que participou desse fato histórico foi a Contag.

As divergências de estratégias de ação das representações sindicais provocaram a ruptura em 1983 e nasceu, então, a CUT.

A fundação de nossa Central contou com o apoio integral das diretorias de dois sindicatos de bancários: o de Porto Alegre e o de São Paulo. Nesse momento, a Unidade Sindical, corrente dos sindicalistas filiados ao PCB, se alia com as confederações oficiais e funda a CGT. Entre elas está a Contec, que praticamente só assinava os acordos negociados pelas entidades que efetivamente organizavam a categoria e cuja direção era escolhida por um colegiado composto por presidentes de 9 federações.

O final da ditadura militar possibilitou a reorganização sindical e, com ela, a ascensão do movimento. A participação na Campanha pelas Diretas Já fortalece a CUT, contrária ao colégio eleitoral e fazendo oposição à Nova República - Governo Tancredo/Sarney.

Os dirigentes sindicais, unidos em torno de causas comuns, se sentem robustecidos e encorajados. A fundação do Sindicato dos Bancários de Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, um importante polo sindical no Brasil, foi significativa. Assim como o processo de tomada dos sindicatos pelegos, que se inicia com a eleição de uma diretoria CUTista para o Sindicato de Londrina – PR. Em abril de 1985, um mês após a posse do Sarney, um êxito eleitoral, no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, contra Ivan Pinheiro, o principal dirigente da Unidade Sindical, propiciou uma espécie de efeito dominó pelo Brasil.

Para consolidar melhor a organização bancária nacional, em 6 de junho de 1985, feriado de Corpus Christi, foi fundado o Departamento Nacional dos Bancários -DNB/CUT, inaugurando 30 anos de atuação bancária no interior da Central Única dos Trabalhadores. Participaram deste momento os Sindicatos de Bancários de São Paulo, Rio de Janeiro, Londrina, Ipatinga e Porto Alegre. Atualmente são mais de 100 sindicatos de Bancários na CUT, representando mais de 80% da categoria no país.

O DNB/CUT nasceu em defesa da liberdade e autonomia sindicais e da participação das bases das entidades. A partir desse momento, sob a liderança de Luiz Gushiken, então presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, e Gilmar Carneiro, da Executiva Nacional da CUT, as representações dos trabalhadores bancários passaram a articular ações estruturantes da Central Única dos Trabalhadores e construíram uma forte unidade contra os banqueiros. Essa atuação resultou na estruturação da Campanha Salarial Nacional dos bancários em 1985, que culminou na primeira greve nacional após o golpe militar, retomando os históricos movimentos paredistas realizados antes dos anos de chumbo. O momento também foi importante porque sem abrir mão da unidade de ação com a Contec/CGT, tivemos a capacidade de manter a marca classista do DNB/CUT.

O primeiro Contrato Coletivo Nacional da categoria bancária foi assinado com a Fenaban, representante dos bancos privados, em 1992. Este foi o ano de fundação da Confederação Nacional dos Bancários – CNB/CUT. E somente em 2004, após a eleição de Lula para a Presidência da República foi possível a assinatura de um Contrato Coletivo Nacional com os bancos públicos.

Em 2006, para representar todos os trabalhadores do ramo financeiro, foi criada a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT – Contraf/CUT, que incluiu as diversas categorias envolvidas em atividades do sistema financeiro, como securitários, funcionários de bolsas de valores, de cooperativas de crédito, financeiras, lotéricas, e que ficam à margem da Convenção Coletiva Nacional dos Bancários.

Nesses anos de história importantes características marcaram profundamente a organização sindical bancária: a compreensão de classe superando a visão de categoria, o entendimento da nacionalidade em detrimento do estreito conceito bairrista e corporativista e a perspectiva do coletivo sobrepondo interesses individuais. No momento de comemoração dos 30 anos em que passamos há que se perguntar: O sindicalismo fundante das representações das trabalhadoras e dos trabalhadores bancários permanece nas nossas instituições?

Há dúvidas. A rigidez de princípios pela qual nos pautamos tem sido desprezada. Pelo conforto propiciado pelas estruturas sindicais se abriu mão do compromisso e da responsabilidade de olhar adiante e construir estratégias sincronizadas com um passado de luta e conquista e um futuro que exige mais luta para mais conquistas.

Esta é uma oportunidade de reflexão sobre os princípios e a motivação que nos levaram a criar uma organização da categoria bancária. Com o pé na história e os olhos dirigidos para o futuro, a análise necessária é a dos nossos fundamentos e como eles se concretizam em nossas representações institucionais. Elas atendem aos profundos e legítimos interesses da categoria bancária e da classe trabalhadora? Continuam comprometidas com a construção de um país democrático, respeitoso dos direitos e que oferece condições de vida digna para todas e todos? Sabemos do caminho andado? Ele nos baliza com os princípios éticos já construídos?

Ver adiante faz sentido em retrospectiva. Retomar e recriar, revisitar e projetar o futuro são objetos imprescindíveis para seguirmos adiante e fazer acontecer. O fortalecimento e o avanço necessários para a organização sindical bancária exigem pés fincados na base, no piso das instituições financeiras, nas reivindicações e nos direitos das trabalhadoras e trabalhadores bancários. Assumimos esses desafios ou seremos deixados para trás.


Fonte: Brasil 247

Do DNB à Contraf-CUT, trinta anos de construção da unidade nacional





Neste sábado (6), os bancários comemoraram trinta anos de organização nacional, um processo longo de construção, que significou aumento da capacidade de negociação, resultou em muitos avanços para a categoria e culminou com criação da Contraf-CUT, em janeiro de 2006.

Foi no dia 6 de junho de 1985, às vésperas da primeira grande greve nacional dos bancários, diante da necessidade de articular a organização da categoria em todo o país, que representantes de sindicatos e oposições de 16 estados fundam em reunião no Rio de Janeiro o Departamento Nacional dos Bancários da CUT (DNB/CUT). É eleita uma comissão provisória integrada por dirigentes dos sindicatos de São Paulo, Rio, Porto Alegre e Londrina.

"Nosso mandato coincide com os 30 anos da criação do Departamento Nacional dos Bancários (DNB-CUT), a origem da construção da organização e da unidade nacional da categoria. Nosso compromisso é dar continuidade a essa fantástica história de lutas e de mobilizações, em defesa dos direitos dos bancários, da classe trabalhadora e de um país mais justo e solidário." afirma Roberto Von Der Osten, presidente da Contraf.

Veja, abaixo, outros momentos importantes na construção e organização nacional dos bancários:

1986 - Encontro Nacional de Bancários aprova em São Paulo o estatuto do DNB-CUT e elege nova coordenação, integrada pelos sindicatos de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Londrina, Ipatinga, Alagoas e Sergipe.

1987 - Pela primeira vez o DNB, representando a CUT, entrega pauta de reivindicações à Fenaban.

1989 - 1º Congresso do DNB-CUT, realizado em junho, elege a primeira diretoria, encabeçada por Ricardo Berzoini.

1990 - No 2º Congresso, em agosto, começa o debate para transformar o Departamento em Confederação (CNB-CUT).

1991 - O DNB-CUT avança rumo à unidade nacional e pela primeira vez apresenta à Fenaban a Minuta Mínima Unificada, com as reivindicações dos bancários de todos os bancos.

1992 - 3º Congresso transforma o DNB em CNB-CUT e aprova filiação à Fiet, federação internacional de trabalhadores em serviços. Berzoini é (re)eleito presidente.

A CNB-CUT assina a primeira Convenção Nacional dos Bancários com a Fenaban.

1994 - 1º Congresso da CNB/CUT, realizado em junho em São Paulo, elege Sérgio Rosa presidente.


- Bancários conquistam a cesta-alimentação.

1995 - Bancários são a primeira categoria a conquistar a PLR.

1997 - O 2º Congresso da CNB, realizado no Rio de Janeiro, reelege Sérgio Rosa.


- Categoria conquista complementação salarial por doença ou acidente de trabalho, além da verba de requalificação profissional na demissão. Criada a comissão permanente de saúde e a comissão de raça, gênero e orientação sexual.

1998 - Conquista do Programa de Prevenção, Tratamento e Readaptação de LER/Dort.

1999 - A CNB-CUT participa, em março, da criação da Union Network Internacional (UNI), em Congresso Mundial realizado em Sidney, a partir da fusão da Fiet, da CI (Comunication International) e da FGI (Federação Internacional dos Gráficos). Gilmar Carneiro é eleito para o Comitê Executivo Mundial da UNI.

Realizada em julho, no Rio, a 1ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro.

A CNB-CUT é eleita para a direção da Coordenadora das Centrais Sindicais no Cone Sul (CCSCS).

2000 - 3º Congresso da CNB/CUT, realizado em São Paulo, elege Fernanda Carisio presidente.

2002 - Realizada em agosto 1ª Conferência Mundial do Setor de Finanças da UNI, no Rio de Janeiro, seguida da 1ª Conferência da UNI Américas. 

Inclusão na CCT de cláusula sobre Igualdade de Oportunidades.

2003 - O 4º Congresso da CNB-CUT elege Vagner Freitas presidente.


- Primeira campanha nacional unificada. Com greve, bancários dos bancos públicos conquistam a mesma PLR dos bancos privados.

2004 - Com greve vitoriosa, bancários conquistam aumento real de salário, o que se repetiria nos dez anos seguintes.


- CNB/CUT assume a presidência da UNI Américas Finanças.

2005 - Assinada a primeira Convenção Nacional dos Bancários com participação do Banco do Brasil e da Caixa Federal.

2006 - Criada a Contraf-CUT, em assembleia realizada em Curitiba em janeiro. Luiz Cláudio Marcolino é eleito presidente.


- Conquista do valor adicional da PLR e implementação do grupo de trabalho para debater assédio moral com a Fenaban.

1º Congresso da Contraf-CUT, realizado em Nazaré Paulista em abril, elege Vagner Freitas presidente.

2007 - Conquista da 13ª cesta-alimentação.


2008 - A Contraf-CUT obtém o reconhecimento legal do Ministério do Trabalho. Conquista do primeiro Censo da Diversidade.

2009 - 2º Congresso da Contraf-CUT, em São Paulo, elege Carlos Cordeiro presidente.


- Conquista da licença-maternidade de 180 dias.
- Mudança no modelo de cálculo e melhorias da PLR adicional.
- Inclusão dos parceiros de mesmo sexo nos planos de saúde.

2010 - Inclusão na CCT de cláusula com mecanismo de combate ao assédio moral.

2011 - Fim de divulgação de rankings individuais de produtividade, ampliação do aviso prévio proporcional, 5 mil novas contratações na Caixa, proibição de transporte de numerário por bancários e avanço na igualdade de oportunidades.

2012 - Conquista do II Censo da Diversidade, do projeto piloto sobre segurança bancária e avanços na saúde e condições de trabalho


- Realizado em Guarulhos o 3º Congresso da Contraf, com reeleição de Carlos Cordeiro.

2013 - Com grande participação dos bancários, mobilização impede votação do PL 4330 da terceirização no CCJ da Câmara dos Deputados. 


- Conquista da proibição de cobrança de metas via SMS, da mesa para apurar causas dos adoecimentos e do vale-cultura.

2014 - Com mais uma grande greve, bancários conquistam aumento real de salário pelo 11º ano consecutivo, acumulando ganho de 20,7% acima da inflação nos salários e de 42,1% no piso. Também conquistam avanços no combate às metas abusivas e ao assédio moral, na igualdade de oportunidades e na segurança bancária.

2015 - 4º Congresso, em São Paulo, elege Roberto Von Der Osten presidente da Contraf-CUT.


Fonte: Contraf-CUT