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18.6.22

Memórias (XXVIII)


 

Por que os preços da gasolina e dos serviços públicos estão tão caros? Como eu fazia para explicar isso aos colegas bancários que representava como dirigente sindical eleito por eles? Era preciso muito estudo para tentar simplificar coisas complexas de forma correta. Era preciso politizar a classe trabalhadora e dar a ela noções gerais das coisas


Opinião

Um dos primeiros livros que li quando me tornei um dirigente sindical da categoria bancária no início dos anos dois mil foi o livro O Brasil privatizado - Um balanço do desmonte do Estado (1999), de Aloysio Biondi. As lições do jornalista foram centrais para eu começar a entender por onde se passavam as sacanagens do capitalismo, do liberalismo e do neoliberalismo. 

O Estado investe pesado e por anos a fio para construir as estruturas necessárias à economia do país para melhorar a vida do povo e depois vêm uns liberais de merda e repassam tudo que foi feito para uns sujeitos ganharem dinheiro por décadas às custas do povo.

Eu me politizei através do convívio com o movimento sindical. O processo de politização de um trabalhador não é simples. No meu caso, não bastou ser um bancário sindicalizado desde que virei bancário do Unibanco aos 19 anos. Nossos corações e mentes são disputados ininterruptamente pelos donos do poder desde que nascemos. Estou falando de ideologia, ideologia da classe dominante. 

Enquanto alguém do sindicato fala comigo de vez em quando, a mídia da casa-grande invade meu dia 24 horas. É foda! Difícil pros sindicalistas disputarem minha consciência numa disputa desproporcional com todos os meios midiáticos dos capitalistas. Mesmo que você jure que não sofre os efeitos da lavagem cerebral, você tem pouca capacidade para evitar isso. Os meios ideológicos dos capitalistas dominam a pauta - a agenda - do que você vai saber e falar e invisibilizam o que você não deve saber nem falar, ou falar sob a ótica deles.

Olhando para trás, avalio que não me politizei através do núcleo familiar, felizmente. A ampla maioria de meus familiares é despolitizada e parte da família compartilha ideais da extrema-direita e apoia a tragédia que vivemos no Brasil. São pessoas que vieram todas da mesma origem humilde, da pobreza, e hoje se acham da "elite" ou "classe média", são liberais ou conservadores... uns são bolsonaristas declarados, outros enrustidos... fazem parte desse 1/3 de gente que temos que derrotar nas urnas para retomarmos um Brasil da esperança e das oportunidades para todos.

Evidentemente não me politizei também durante a primeira década de trabalhos braçais que fiz desde uns onze anos de idade. Imaginem vocês que esse trabalho semiescravo uberizado dos entregadores de tudo - de moto e bicicleta - não é coisa dos anos dois mil. Aos 14 anos de idade eu trabalhava de entregador de remédios numa rede de drogarias em Uberlândia e me lembro como se fosse hoje do quanto sofríamos, os entregadores uberizados da época, quando as entregas eram nas regiões mais distantes da cidade naquelas bicicletas pesadas, sem marchas, com chuva... tudo que eu queria era que o dia terminasse, queria me deitar e dormir, mas não podia porque depois tinha que ir pra aula. A diferença hoje é a ausência total de direitos trabalhistas, presente do golpe de 2016, Temer, Moro e Bolsonaro... "com Supremo com tudo".

Meus familiares viveram tudo isso que vivi com os trabalhos e subempregos, mas eles são quase todos de direita e conservadores (uns se dizem "liberais")... a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante. Quem se desviou da regra familiar fui eu porque no meu caminho apareceu um emprego numa categoria organizada e com sindicato forte e atuante, os bancários. Em outro texto de memórias (o de número XXVI) já falei um pouco sobre isso. Ler aqui.

E mesmo sendo bancário sindicalizado, já no Banco do Brasil em 1997, fiz texto universitário criticando o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), texto daquele tipo que concorda que os sem-terra são uns invasores, uns baderneiros. Na época, usei como referência uma matéria do jornal O Estado de São Paulo (lógico...), que "denunciava" uma invasão no interior do Estado. Como disse acima, o Sindicato tinha contato esporádico comigo, já a mídia dos empresários e coronéis paulistas... 24 horas por dia.

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Texto de memórias tem a mania de ser um texto meio anárquico, sento-me pra escrever sobre o preço caro dos serviços públicos e essenciais para o povo e quando vejo estou falando a esmo sobre o passado vivido. Mas a intenção dessa memória é dar uma noção geral de por que a gasolina está tão cara após o golpe de 2016, após Lava Jato, Temer e Bolsonaro. Minha companheira me perguntou sobre o preço da gasolina ontem e como ando sem paciência disse que depois falava a respeito.

Já no final dos anos noventa, Aloysio Biondi explicava como foram as sacanagens das privatizações dos tucanos, do período FHC. O Estado brasileiro tinha investido bilhões de dinheiros nas estruturas modernizantes das principais empresas públicas do país como as da área de energia elétrica e telecomunicações e aí os desgraçados "liberais" entregaram as empresas de mão beijada, a preço de banana, para uns parças deles ganharem bilhões de dinheiros para si mesmos cobrando altos preços das tarifas de serviços essenciais.

Como noção geral é importante lembrar que privatizar é tornar algo privado, é privar o acesso e o direito que antes eram de todos para aqueles que podem pagar por aquilo. É trocar o interesse público e coletivo pelo interesse de uns caras acionistas doidos pra receber lucros nas veias. A ideologia dominante, dos capitalistas, consegue convencer a gente da minha classe que tirar os nossos direitos é algo bom pra nós. Nos dias que correm, os paulistanos estão se f... com os trens da CPTM privatizados pelos tucanos recentemente e a forma como a mídia empresarial apresenta o problema manipula a realidade de forma impressionante. Os jornais mostram o caos, ficam cobrando melhoria do que piorou e falando em multas, enquanto os acionistas querem saber é do lucro a distribuir. E o povo ó...

GASOLINA, DIESEL E GÁS DE COZINHA - Por que os combustíveis estão com os preços mais altos de nossa história brasileira? Para encher de dinheiro o rabo dos acionistas. É por isso! Durante os governos do Partido dos Trabalhadores - Lula e Dilma - os preços do petróleo no mundo variaram de algumas dezenas de dólares o barril para quase 150 dólares e o preço desse produto essencial na vida do povo brasileiro era de dois a três reais e o gás de cozinha teve o mesmo preço por mais de uma década. O foco da empresa pública Petrobras era servir ao povo brasileiro e à economia do país. São os preços das tarifas públicas que deveriam ser controladas pelo Estado pelo interesse geral da nação.

Uma das primeiras medidas dos golpistas após o golpe de 2016 foi mudar a regra de preço dos combustíveis da Petrobras - uma canetada dentro da empresa que tem os administradores indicados pelo governo (hoje, o Bolsonaro) - regra agora baseada no preço lá fora em dólar, para encher o rabo de dinheiro dos acionistas, mesmo o Brasil tendo capacidade de manter os preços como eram na época do PT (temos produção pra isso). A Petrobras não é mais uma empresa com o objetivo de servir ao povo brasileiro. Não é preciso viajar muito nas ideias pra entender isso. BASTA TER NOÇÕES GERAIS DAS COISAS! A Petrobras deu lucro durante todo o período dos governos do PT, e mesmo assim a empresa contribuiu com a economia e com o povo brasileiro.

O mesmo se dá com todas as privatizações dos serviços e produtos essenciais na vida do país, privar o povo do acesso às coisas para encher as burras de uns caras bilionários é o objetivo central das privatizações, dos capitalistas. É o predomínio do interesse privado sobre o interesse público.

É nauseante e revoltante ver o enganador na presidência e a mídia golpista manipulando parte dos brasileiros, aqueles idiotizados por décadas, com essa questão do preço dos combustíveis no Brasil de Temer, Moro e Bolsonaro (e os Marinho, claro!). Para enganar o povo vale até os caras no Congresso Nacional ferrarem os Estados brasileiros para seguirem com a manipulação tirando a principal fonte de receita dos entes federados... É revoltante!

É isso. 

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XXVII), clique aqui.


7.6.22

Memórias (XXVII)


É a luta e a participação social que garantem direitos,
não órgãos de Justiça. Foto: C. Ribas, 25º CNFBB.

Decisão da Justiça não se discute, se cumpre? O c... Aprendi durante minha formação política que não se deve confiar cegamente na Justiça e muito menos substituir a luta e mobilização política por ações na Justiça, que é sempre de natureza conservadora e próxima às burguesias e aos donos do poder político


Pois é, lá vamos nós registrar mais um momento de memórias neste blog de militância política de um cidadão oriundo das lutas da categoria bancária. Vejamos alguns exemplos abaixo:

- Congresso bolsonarista aprova lei que autoriza bancos a tomarem imóvel único das famílias por dívida...

- Procuradores e juízes da operação Lava Jato prenderam pessoas sem condenação, sem o devido processo legal e em desrespeito à Constituição e a presunção de inocência, visando benefícios pessoais e políticos...

- É comum vermos notícias de juízes que mantêm presos mães e pais de família que roubaram algum tipo de comida em algum supermercado...

- A propriedade de seres humanos já foi lei no Brasil...

- A Justiça permitiu em dissídios coletivos que o Banco do Brasil retirasse direitos coletivos durante os governos FHC/PSDB prejudicando dezenas de milhares de trabalhadores e suas famílias...


Entrei na categoria bancária em 1988 como escriturário do Unibanco e lá onde trabalhava, no Centro Administrativo da Raposo Tavares (CAU), conheci o pessoal do movimento sindical. Uma de minhas referências à época era o funcionário político do nosso sindicato, o Marcos Martins, que depois viria a ser um grande político de Osasco - 5 vezes vereador e 3 vezes deputado estadual pelo PT. Passei dois anos na categoria, fiz greve e ajudei a organizar meus colegas no local de trabalho e saí em 1990.

Em 1992, eu era estagiário na agência do Ceagesp do Banco do Brasil, pois havia começado a fazer faculdade de Ciências Contábeis no ano anterior. Quando passei no concurso do BB em 1991 eu não era estagiário ainda, mas o concurso foi cancelado por fraude e na segunda vez que fiz as provas eu já estagiava no banco. Tive que passar duas vezes no concurso para virar bancário do maior banco público do país. Me despedi dos colegas do Ceagesp como estagiário no dia 8/9 e tomei posse na ag. Rua Clélia no BB no dia 9/9/92.

Minha formação política teve muita influência das lideranças do movimento sindical e dos colegas do Banco do Brasil. Ou seja, me formei politicamente no ambiente de trabalho, onde se dão as disputas entre capital e trabalho, entre o patrão e seus capatazes versus nós da base da pirâmide, o "chão de fábrica" ou das agências e dependências do banco. O ambiente de trabalho no BB era muito politizado, de verdade, as pessoas tinham um engajamento impressionante e política era o ar que respirávamos na época.

Entre 1988 e 1990, no Unibanco, já entendia que, em geral, a Justiça do Trabalho e as outras instâncias da Justiça só existiam pra ferrar com a gente, dizer que nossas greves eram ilegais e fazer julgamentos de dissídio coletivo favorecendo os banqueiros. Depois que entrei no Banco do Brasil então, puta merda!, aí é que ficou claro como a Justiça é patronal e só prejudica as categorias profissionais organizadas e que fazem luta de verdade como no caso dos bancários, metalúrgicos, professores e outras categorias. Claro que há exceções na Justiça, existem pessoas progressistas, mas elas são exceção no sistema!

Quando era estagiário do BB em 1992, só ouvia dizer do quanto a Justiça prejudicou os funcionários na greve de 1991, derrotando a categoria e favorecendo o Banco e o governo. Foi nessa época que comecei a ouvir falar de uma confederação pelega que mesmo sem ter base social importante - os maiores sindicatos - e sem organizar as lutas nos bancos era a entidade que era ouvida nos litígios de campanha salarial dos bancos federais... era um horror! Os bancários declaravam greve, iam pra luta e a tal confederação se unia ao patronato e melavam as lutas na justiça.

Aí veio a eleição de FHC (PSDB/DEM) em 1994 e a tragédia começou para nós bancários de bancos públicos. Os tucanos acabaram com a maioria dos bancos públicos estaduais e regionais e os federais passaram por processos terríveis de desmonte com o fim de serem privatizados. Congelamentos salariais, eliminação de direitos coletivos históricos, redução de postos de trabalho e programas de demissão etc. Foram tempos difíceis. Nunca me esquecerei das dezenas de suicídios de colegas bancários. Nunca!

E a Justiça, que papel teve nesse período terrível na história da categoria bancária e dos trabalhadores de empresas públicas? Meu aprendizado foi na prática, vendo a atuação da Justiça nos julgamentos de dissídio coletivo sempre a favor do governo e dos bancos e contra dezenas de milhares de trabalhadores. Até direitos que eram considerados direitos adquiridos foram eliminados nos anos noventa.

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TRABALHADORES NÃO DEVEM DELEGAR SEUS DESTINOS À JUSTIÇA BURGUESA

Tive dois momentos como trabalhador bancário ao longo da vida laboral: entre 1988 e meados de 2002 fui um bancário sindicalizado da base social do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Depois, na mesma base, tive a oportunidade que mudou a minha vida e minha visão política das coisas: me tornei dirigente sindical, eleito pelos colegas em 2002, e exerci mandatos de representação até maio de 2018. E o que aprendi em relação às lutas de classe? Aprendi que os trabalhadores devem se organizar e construir mobilização para lutar por seus direitos e nunca devem delegar o resultado de suas lutas a instância alguma da Justiça, nunca!

Além de aprender na prática como atua a Justiça contra as grandes categorias organizadas e mobilizadas, estudei a história de nossas lutas no Brasil, e também a criação da CUT e seus objetivos, a questão da CLT e a estrutura sindical brasileira, a estrutura da Justiça do trabalho, o imposto sindical etc. Depois criamos a nossa Confederação, a Contraf-CUT (em 2006), para interromper as sacanagens que a confederação pelega fazia conosco ao longo da história (principalmente após a ditadura militar de 1964 em diante). É uma longa história e seria difícil discorrer um pouco em uma só postagem.

Por que estou abordando a questão da Justiça, confiar ou não na Justiça, jogar todas as fichas em decisões judiciais etc? Por causa do momento político que estamos vivendo no Brasil pós golpe de Estado em 2016. Tudo ficou muito louco, sem sentido e ficamos sem chão, passamos a ver coisas inimagináveis após a ruptura democrática, golpe que nos trouxe ao inferno que vivemos no Brasil atual (golpe "com o Supremo com tudo" como disse um senador à época).

Enfim, acho que vou parar por aqui este texto de memórias, pode ser que eu faça outro texto falando um pouco dos aprendizados e os motivos pelos quais não devemos confiar na Justiça. Ilustrei no início a questão com alguns exemplos recentes de decisões com força de lei contrárias à maioria do povo e em benefício de castas: a Lava Jato e a lei pra bancos tomarem imóveis de famílias são dois exemplos claros. 

Durante os 16 anos de atuação como dirigente sindical, e com a formação que tive no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, sempre tive os dois pés atrás em relação a entrar com ações coletivas ou ações judiciais das mais variadas formas para defender direitos de nossa categoria. Todos que conviviam comigo sabiam disso.

Talvez em um próximo texto de memórias eu cite alguns casos prejudiciais para nós bancários que tiveram decisões judiciais favoráveis aos banqueiros e ao governo de plantão. Na categoria bancária aprendi que o movimento sindical sempre foi contrário à interferência da Justiça do Trabalho nas negociações coletivas, por entendermos que a negociação e contratação de direitos sempre foi a melhor solução para os conflitos entre capital e trabalho.

Tem um ditado popular que diz: "a gente nunca sabe o que vai sair da cabeça de um juiz e do cu de uma galinha".

Essa frase vale para a reflexão. Não se deve delegar nossa capacidade de nos organizarmos, definir objetivos e lutar por eles e ao final dos processos negociais contratar direitos e definir regras comuns de convivência: enfim, coisas da democracia.

Resumindo: decisões da Justiça ou da cabeça de algum juiz podem desagradar a uma das partes ou a ambas. O melhor é negociar e conciliar direitos e deveres em um ambiente democrático. Foi isso que aprendi em três décadas de convívio com uma das categorias mais organizadas do país, os bancários.

Não me lembro na história da luta de classes de nenhum direito - social, civil e político - que tenha vindo de uma canetada de algum sujeito das ditas castas "superiores" nas organizações sociais e aglomerações humanas. Entendo que as leis e os costumes existem em função de determinados contextos sociais no tempo e no espaço e o que define as leis e os direitos são as correlações de força estabelecidas nas disputas de grupos sociais.

É isso por enquanto.

William


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26.5.22

Memórias (XXVI)


Eu e sobrinho numa palestra de filosofia na USP.

A importância dos sindicatos combativos na conscientização e politização da classe trabalhadora

Dias atrás estava numa conversa com meu sobrinho sobre a vida e as coisas da vida - as crises de família, a crise política do país e as demais crises que vivemos (ixi, acho que sugeri que a vida é uma sequência de crises) - e naquele momento fazia uma reflexão sobre os porquês de eu ser uma exceção entre dezenas de pessoas de nossa família e ser um cidadão de esquerda, de ser politizado e ter consciência de classe. Imagino que tenham mais alguns "progressistas" na família, mas são exceções ao quadro geral. E lembro aqui que estou me referindo a uma família com origem nas classes C, D e E de consumo. Gente pobre, sem posses, sem propriedades.

Se eu considerar somente o tronco familiar de meus pais, a começar pela ascendência deles, minhas avós Deolinda e Cornélia (meus avôs morreram bem antes da morte delas), seriam doze tios e tias (na verdade, seriam somente duas tias e um monte de tios) e mais umas dezenas de primos e primas, cônjuges ("conges", como diz o ídolo de alguns familiares) e os filhos e filhas dos primos e respectivos cônjuges. Põe aí umas 70 pessoas, mais ou menos, a considerar as gerações que são adultas hoje. Que eu saiba, esse povo todo não nasceu em berço de ouro, pelo contrário, nasceu em berço de madeira comum, mobília tipo Casas Bahia. É gente com origem nas classes subalternas do Brasil.

Quantas pessoas seriam de esquerda e progressistas, ou pelo menos contrárias às concepções de direita e extrema-direita, conservadoras e reacionárias neste núcleo familiar de pobres e remediados do povo brasileiro? Umas 5 ou 6 talvez? Talvez. 

Na conversa com meu sobrinho, eu refletia sobre a importância que teve em minha vida o contato com os dirigentes, assessores políticos e a militância do sindicato da categoria profissional à qual passei a maior parte de minha vida laboral: a categoria bancária. Aos 20 anos tive o primeiro contato com o pessoal do sindicato ao trabalhar no Unibanco e depois com vinte e tantos anos ao ser funcionário do Banco do Brasil. Mesmo assim, ao olhar para trás, ao ver escritos meus, percebo que só após os 30 anos de idade foi que comecei a me politizar e me tornar uma pessoa com a consciência de classe e a defender as ideias das correntes políticas de esquerda, que lutam pela classe trabalhadora, e não as ideias de direita, que defendem os ideais dos donos do poder, da casa-grande, dos bilionários, latifundiários, coronéis, banqueiros, rentistas e grandes capitalistas. 

Ao olhar para trás em minha vida e no meio ambiente onde nasci, cresci e vivi por quase três décadas de minha vida, fica claro como a água limpa que eu só fui salvo de ser um pobre ou remediado de direita, conservador ou reacionário, ou então um "liberal" - um conceito aperfeiçoado pelos donos do capital para manipular gente pobre e gente estúpida ao serem facilmente convencidas que poderiam virar um grande capitalista e dono das riquezas produzidas pela classe trabalhadora explorada, enfim, fui salvo pela convivência com o movimento sindical. Aliás, essa "classe média" que se acha rica só vai ver a merda que é nos momentos de crises do capitalismo, esses idiotas que acham que estão do lado de lá da classe, a dos capitalistas, são expurgados da festa dos salões de dinheiro e ficam na miséria como a maioria, os 99%. Mesmo assim, tem ideologia da casa-grande pra dizer que a culpa da miséria dos ex-remediados é deles mesmos.

Por um misto de sorte e efeito da ação humana me sindicalizei, me interessei por política e não fui convencido pelos donos do poder que eu seria um "vencedor" na vida por mérito próprio, um humano de origem humilde que ascendeu na vida por efeito da meritocracia. Meritocracia o caralho! Desde muito cedo, provavelmente a cor da minha pele foi me favorecendo mesmo nos subempregos que tive a partir dos onze ou doze anos de idade. O ambiente continental onde nasci tem um vício de origem, uma cultura de opressão de cinco séculos, um racismo estrutural e a gente desse continente é moldada a achar toda barbaridade como algo normal, natural, coisa da natureza.

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Neste momento em que escrevo, as notícias normalizadas da imprensa capitalista, dos donos brancos do poder, registram a morte do senhor Genivaldo de Jesus Santos, um homem negro de 38 anos com algum grau de deficiência, no dia de ontem. Ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal de Sergipe, e mesmo estando sob os olhares das pessoas ao redor, foi assassinado numa "câmara de gás" improvisada dentro do camburão. A cena é chocante, só quem já foi vítima do gás de pimenta desses capitães do mato da casa-grande sabe o quanto é forte aquilo... as notícias normalizadas dão informes também da enésima chacina em comunidades do Rio de Janeiro, mais de 25 humanos pretos ou pardos mortos. E antes temos o humano congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte em público nos calçadões do Rio...

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Comecei este texto de memórias com a intenção de falar um pouco da compreensão que tenho hoje do efeito em minha vida de ter tido contato com o pessoal do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Ao imaginar minhas primeiras discussões no dia a dia com o pessoal do sindicato, não é difícil concluir que minhas ideias eram as ideias do meio ao qual eu pertencia, meio influenciado pela ideologia das classes dominantes e seus ideólogos, os meios midiáticos da época e os grupos escolarizados que executam funções a soldo e manipuladoras, muitas vezes, em favor das elites e donos do capital. Depois que me politizei na convivência organizada do mundo do trabalho foi que me dei conta de como funciona a vida de nós todos, que vendemos nossa força de trabalho para sobreviver no capitalismo. 

As notícias diárias cada dia piores têm feito com que pessoas como eu percam o ânimo até para escrever ou falar ou gritar contra as injustiças e o estado de barbárie em que nos encontramos após o golpe de 2016, sim, escrevemos milhares de vezes que o golpe contra a democracia brasileira daria neste estado de barbárie no qual estamos.

Eu iria discorrer um pouco sobre o que o marxismo nos ensinou, a questão do materialismo histórico. Eu falava sobre isso com meu sobrinho naquele dia. As ideias vêm da vida material concreta e não o contrário. Não adianta ficarmos indignados perguntando por que as pessoas não se revoltam e reagem a tudo isso que estamos vendo diariamente. Porque existe um sistema que faz com que as pessoas não tenham sequer a consciência do que está acontecendo. É preciso uma organização e uma politização das pessoas do mundo do trabalho para que elas possam enfrentar os capitalistas e suas ideologias dominantes.

Eu não sou como meus familiares, eu tenho ideias diferentes das ideias deles porque no meu caminho do viver se deu a experiência de contatar e conviver com movimentos organizados que lutam contra esse estado bárbaro das coisas neste continente colonizado e escravocrata. Um continente com um histórico de capitalismo mais torto que o capitalismo das matrizes europeias - um lugar com "As ideias fora do lugar", como ensina Roberto Schwarz.

Não estou afirmando que a única forma de se politizar e se conscientizar é através de um caminho semelhante ao meu, o contato com um sindicato combativo que me deu a oportunidade de conhecer o outro lado da história. Estou afirmando que assim se deu na minha vida. A educação é outra fonte de libertação e conscientização. O envolvimento com movimentos que atuam em favor do socialismo, da solidariedade de classe, da igualdade e tolerância às diversidades, a participação em associativismos e cooperativismos também são oportunidades de formação política e ideológica.

Enfim, estou mal como muita gente está ao ver o tempo todo as barbaridades cometidas nesta terra na qual nascemos, crescemos e vivemos. Esse ódio, essa necropolítica não é natural, é coisa de segmentos humanos. Não podemos e não devemos pactuar com essa maldade toda. Temos que lutar contra esse bolsonarismo, essas práticas nazifascistas que tomaram conta de nosso dia a dia. 

O amor, a amizade, a tolerância, a solidariedade, a alegria e a cooperação são sentimentos e ações muito melhores do que isso que estamos vivendo no Brasil. Neste momento e nestas condições, apoiar a frente ampla liderada por Lula é uma das alternativas para interromper a barbárie (eu diria a única alternativa por processos políticos e sem guerra, em contexto de "paz"). Organizar comitês locais em todo o país e fortalecer a educação e a politização das pessoas é mais uma forma de nos organizarmos contra a barbárie. E a tolerância ao diferente de nós é mais uma forma de tentar lidar com esse ódio e violência estimulados pelo nazifascismo bolsonarista.

E os sindicatos têm um papel fundamental nessa luta. Por isso o golpe fez de tudo para enfraquecer e exterminar os sindicatos da vida da classe trabalhadora.

Tinha muito mais coisas na memória sobre esse tema, mas estou triste demais para seguir escrevendo neste momento. Estou triste, mas não desisto do viver e nem de fazer algo para mudar essa realidade.

Desejo unidade e tolerância ao menos por parte das lideranças de nosso lado da classe, a classe trabalhadora.

William


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11.5.22

Memórias (XXV)



A questão do cancelamento de pessoas, ontem e hoje


Osasco, 11 de maio de 2022. Quarta-feira.

Neste momento no qual registro uma nova postagem de Memórias, uma das pessoas do campo da esquerda que mais admiro pelo trabalho que realiza em favor da educação e da conscientização das pessoas (politização), a drag Rita Von Hunty, está passando por um daqueles processos de banimento, apagamento, esquecimento, vaporização, assédio, intolerância e outras definições ao sabor da época, atualmente chamado de "cancelamento" porque disse que não vai votar na chapa Lula e Alckmin no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, ela disse mais ou menos que prefere usar o primeiro turno para radicalizar o voto em candidaturas que expressam aquilo que acredita na política e na visão de mundo dela, a eleitora e cidadã Rita Von Hunty, ou Guilherme Terreri, provavelmente o nome no título de eleitor. 

Esse mundo humano é uma coisa fadada a não dar certo, não vejo a espécie humana como uma espécie animal que vá permanecer na terra como algumas espécies que estão por aqui há centenas de milhares ou milhões de anos como, por exemplo, as baratas. Não vou entrar na discussão se parte de nós humanos temos ou não sangue de barata por aceitarmos votar no Alckmin depois de tudo que o Alckmin e a turma dele fez contra nós humanos da classe trabalhadora viventes no Brasil. Se entrar nessa discussão, só vou aumentar a intolerância contra a Rita Von Hunty.

Eu nunca gostei ou concordei ou achei que as formas de eleições com primeiro e segundo turno fossem as mais adequadas para se viver através da democracia representativa. Nunca.

Aliás, ao me politizar e estudar a história do movimento sindical e popular, já passado dos trinta anos de idade, quando fui eleito pelos bancários para um mandato eletivo no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, foi que aprendi e compreendi um monte de contradições da política sindical e partidária que me dava muita bronca dos partidos, dos sindicatos e dos sindicalistas e políticos em geral. Sério! Só passei a compreender as contradições da política porque tive a oportunidade de conviver com o movimento e saber por que os caras faziam o que faziam, coisas que dão uma raiva da porra na gente que está lá na base ou de fora da política.

Aliás, de novo, quero deixar claro que compreender certas contradições e coisas feitas pelos seres humanos não quer dizer aceitar ou concordar com essas coisas feitas pelas pessoas (físicas ou jurídicas). Quem diz isso na abertura de um livro é o historiador marxista Eric Hobsbawn (A era dos extremos), ao falar sobre a importância de estudar a história e disse que compreender não é aceitar ou concordar justamente quando estava se referindo a Hitler e ao nazismo.

Então, falando sobre modelos de processos eleitorais, que eu me lembre, ontem e hoje, um dos caras que mais defendem a questão de eleições em primeiro e segundo turno é justamente um dos maiores líderes populares da história do Brasil e do mundo: Luiz Inácio Lula da Silva, o nosso presidente Lula. 

Amig@s, não preciso perder tempo procurando documentos ou textos no Partido dos Trabalhadores para afirmar o que ouvi nos últimos vinte e tantos anos de militância sindical e de esquerda. Sempre que vejo Lula falando sobre eleições, lá está ele dizendo que é democrático e é o que ele entende ser o mais adequado para eleições, que as pessoas escolham os candidatos e partidos que quiserem e que tiverem mais identificação ideológica e programática no primeiro turno. No segundo turno, as lideranças partidárias devem ter a grandeza de se reunirem e organizarem as estratégias e táticas para vencerem as eleições no segundo turno.

Caraca! É o Lula que fala isso há décadas! Eu não concordo, não gosto do modelo e acho muito ruim a questão de eleições em primeiro e segundo turno. Eu, um cidadão qualquer. E fui transformando minha impressão sobre o tema numa certeza mais embasada em duas décadas de representação da classe trabalhadora, como político, como dirigente sindical que fui, eleito para diversos tipos de mandatos ao longo de dezesseis anos. 

Acho esse negócio de primeiro e segundo turno muito ruim para o nosso lado da classe, o lado do povo e dos trabalhadores. Até porque o segundo turno é uma etapa de "negócios" ou negociatas ferozes mesmo! E sou contra haver segundo turno muito mais agora com as ferramentas tecnológicas de manipulação e alteração de comportamentos humanos que foram criadas por nós humanos nas últimas duas décadas (algoritmos, fake news etc). 

Por tudo isso, tendo a concordar muito com a lógica do voto útil na chapa Lula/Alckmin para tentar vencer as eleições no primeiro turno dessa disputa entre a civilidade versus a barbárie em 2022. Mas vamos deixar claro que quem defende as regras de primeiro e segundo turno é o Lula e o Partido dos Trabalhadores. Ponto.

A militância sair assediando, massacrando, cancelando Rita Von Hunty é algo que compreendo... mas não posso de forma alguma concordar. Eu sei o que é ser cancelado dentro do movimento sindical e partidário por ter meu sagrado direito de expressar a minha opinião política e técnica sobre os mais diversos assuntos. Muitos de nós no movimento sabemos o que é ser cancelado, vaporizado, esquecido, posto na geladeira por expressarmos nossas visões de mundo e de temas. Tudo isso é uma merda!

A minha opinião atomizada, de quem está fora dos movimentos, é que o próprio Lula deveria se sensibilizar com essa intolerância da militância de sua candidatura e falar a respeito do equívoco de se cancelar Rita Von Hunty e quaisquer outros companheiros e companheiras do campo democrático e popular, da esquerda, centro-esquerda etc, que estejam azedos com essa frente ampla, com essa ligação Lula e Alckmin "socialista", e estejam manifestando suas legítimas opiniões a respeito de primeiro e segundo turno ou de qualquer outra coisa como, por exemplo, o Lula e o PT não terem deixado claro para a militância e o povo brasileiro se vão ou não rever e mexer em temas por demais caros à esquerda brasileira e mundial.

É isso! Vamos todos e todas lutar para elegermos Lula e Alckmin no primeiro turno e uma grande bancada parlamentar de esquerda ou ao menos que tenha se comprometido a apoiar uma eventual presidência de Lula.

William


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17.4.22

Memórias (XXIV)



Eleições e democracia


Osasco, 17 de abril de 2022. Domingo.

Neste registro de memórias, vou dissertar um pouco sobre eleições e democracia. Eu entendo que as sociedades humanas estão vivendo um momento de transição daquilo que conhecemos como democracia para alguma outra coisa que não sei como será definida mais adiante. 

Além de se retirar eleitos do poder por golpes civil-militares e jurídico-parlamentares e processos de lawfare com os donos do poder por trás dos processos antidemocráticos, temos agora ferramentas tecnológicas que alteram o comportamento humano em massa e interferem no resultado de eleições que vão acontecer ainda.

As novas tecnologias desenvolvidas pelos seres humanos nas últimas décadas acabaram por inviabilizar as formas tradicionais de representação popular nos espaços de poder. Com o advento das redes sociais e os sistemas de algoritmos, associados aos disparos em massa de fake news e desinformação de forma pessoal (só no aparelho do manipulado) e para milhões de pessoas (ao custo de muito dinheiro), não se pode mais definir alguns resultados eleitorais como democráticos.

Avalio que é esse o cenário de fim das democracias que estamos vivendo desde o início da década passada no mundo (o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 é um exemplo) e no Brasil, com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016, impeachment sem crime de responsabilidade e depois a prisão do candidato que venceria as eleições em 2018 - Lula da Silva -, permitindo com isso a chegada ao poder da extrema direita, de forma irregular e antidemocrática, devido às inúmeras interferências no processo em desfavor de um candidato e em favor do outro.

ELEIÇÕES CORPORATIVAS EM ENTIDADES DE TRABALHADORES

É nesse cenário atual de risco às democracias que estamos vivendo nessas semanas as eleições na Cassi e na Previ, caixas de assistência e previdência dos funcionários do Banco do Brasil. 

No mês passado, tivemos as eleições na Cassi e felizmente a chapa liderada pelo companheiro Fernando Amaral, apoiada pelas entidades sindicais, venceu com ampla margem de diferença em relação à segunda colocada, a chapa considerada como chapa da direita, a chapa dos empresários, a chapa apoiada pelos grupos patronais. Fiquei muito feliz de ter visto a massa de associados trabalhadores e aposentados votarem na chapa composta pelos colegas que tinham o apoio dos legítimos representantes dos interesses do mundo do trabalho.

Nesta segunda-feira 18 começam as eleições na Previ e novamente temos um cenário parecido com o das eleições na Cassi, uma chapa apoiada pelas entidades sindicais, a Chapa 3 liderada pelos companheiros Márcio de Souza e Paula Goto, e outras chapas de grupos de direita, empresariais, cujos interesses não são os da classe trabalhadora, não são mesmo. 

Mais uma vez, espero que a massa dos associados trabalhadores e aposentados vote massivamente na Chapa 3, que representa os interesses do mundo do trabalho e dos trabalhadores bancários. Não podemos nos enganar pela imensidão de fake news e desinformações que circularam pelas redes sociais e e-mails nos últimos dias.

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Quando olho para trás em relação a crer ou não crer na efetividade da democracia, avalio que o período no qual mais acreditei nas mudanças sociais em favor do povo e da classe trabalhadora através da democracia representativa foi até 2016, até que um bando de homens corruptos efetivou o golpe de Estado que tirou da presidência Dilma Rousseff em 2016. A direita tirou da presidência a candidata que eu e mais 54,5 milhões de eleitores votamos em 2014, e impediram o mandato presidencial sem nenhuma justificativa formal, só porque a casa-grande cansou de tentar voltar ao poder via voto.

De lá para cá, eu fui avaliando a situação da democracia com o avanço das manipulações possíveis aos processos eleitorais através dos sistemas que dominaram o mundo atual, as redes sociais e os algoritmos que alteram o comportamento de milhões de pessoas. Fora os processos antidemocráticos que já conhecíamos como os lawfares e golpes tradicionais, mas com alcances menores que esses resultantes das novas tecnologias.

Me lembro de meu primeiro voto em 1988, eu tinha acabado de tirar meu título de eleitor e pude votar pela primeira vez na candidata que efetivamente representava os interesses do mundo do trabalho e da classe trabalhadora, Luiza Erundina, candidata a prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores. 

Nunca me esqueço de um dos efeitos em minha vida de trabalhador após as mudanças efetuadas por Erundina. Eu era trabalhador braçal, descarregava caminhões com caixas de palmito e depois passava o dia entregando o produto em restaurantes paulistanos. Para chegar ao depósito onde trabalhava, eu nunca conseguia entrar nos ônibus lotados e a solução era ir pendurado nas portas e janelas dos ônibus. Muita gente caía e ou morria por causa disso. Após Erundina virar nossa prefeita, as mudanças nos transportes públicos me permitiram tomar ônibus como gente, entrar, pagar e às vezes até me sentar durante a viagem. Nunca esqueci essa mudança na minha vida de trabalhador.

A partir desse meu primeiro voto, passei a vida toda de eleitor trabalhador votando no Partido dos Trabalhadores. Não era politizado, mas tinha claro que trabalhador votava em trabalhador. E a maioria dos candidatos e dos partidos era de representações das elites e da casa-grande. Esse monte de partidos de direita, conservadores, liberais blá blá blá nunca representou os nossos interesses, de trabalhadores braçais, de bancários, de professores, metalúrgicos, motoristas de ônibus, comerciários, empregadas domésticas etc. Trabalhador(a) vota em trabalhador(a). Passei a vida adulta tendo isso claro.

Depois me politizei virando bancário sindicalizado e até dirigente sindical e representante dos colegas de minha categoria profissional. A eleição de Lula em 2002, após perder várias eleições - 1989, 1994 e 1998 - nos permitiu ver as maiores mudanças em favor da classe trabalhadora e do povo brasileiro que o Brasil já experimentara em seus 5 séculos como colônia, império e república, ou melhor, república nada... uma colônia disfarçada do século 19 adiante, pois a casa-grande brasileira odeia o Brasil e o povo brasileiro e nunca considerou o país de forma soberana, a não ser como colônia de exploração. 

Enfim, vou parar por aqui esta memória. Já dissertei um pouco sobre o que penso atualmente a respeito de eleições e democracia no estágio atual do mundo.

De novo, desejo que meus colegas da ativa e aposentados do Banco do Brasil tenham juízo e votem na Chapa 3 nas eleições da Previ, a chapa que representa nossos interesses do mundo do trabalho.

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XXIII), clique aqui.

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Post Scriptum:

PREVI

As eleições na Previ terminaram ontem, sexta-feira 29, e a Chapa 3 Previ para os Associados venceu a eleição com larga vantagem em relação às demais chapas de direita e grupos que representam os interesses do capital, do "mercado" (o 1% de rentistas) e dos corruptos de colarinho branco. Fico feliz pela decisão massiva de mais da metade dos associad@s da Previ. Segue abaixo a notícia do resultado, com adaptações na matéria da Previ:

Chapa 3 vence as Eleições Previ 2022

29/04/2022

A votação para definir quem são os dirigentes eleitos nos próximos quatro anos terminou nesta sexta-feira, 29/4, às 18h. A vencedora foi a Chapa 3 – PREVI PARA OS ASSOCIADOS. Foram computados ainda 86.446 abstenções, 3.508 votos em branco e 5.554 nulos. O número total de eleitores votantes foi de 108.221 (cento e oito mil, duzentos e vinte e um votos). Confira o Resultado Final consolidado por estado (tirei o link, veja no site da Previ)

Veja abaixo o total de votos recebidos pelas quatro chapas concorrentes:

Chapa                                                               Votos         %

Chapa 3: Previ para os Associados                 54.423    50,29
Chapa 4: Mais União na Previ                         20.344    18,80
Chapa 1: Previ Plural Apartidária                   17.728    16,38
Chapa 2: Pense – O Futuro é Agora                  6.664      6,16

Entre os dias 18 e 29 de abril os associados puderam votar para definir os representantes para as diretorias de Administração e de Planejamento, além de um membro titular e um suplente para os Conselhos Deliberativo e Fiscal, e dois membros titulares e dois suplentes para os Conselhos Consultivos do Plano 1 e do Previ Futuro. Os mandatos são de quatro anos e vão de 1/6/2022 até 31/5/2026.

O resultado das Eleições Previ 2022 será homologado pela Comissão Eleitoral após a conclusão das verificações que são realizadas pela auditoria externa e pela auditoria da Previ.

Confira os membros da chapa vencedora:

Nome                                      Cargo  

Márcio de Souza                    Diretor de Administração
Paula Regina Goto                 Diretora de Planejamento
Antonio Sergio Riede            Conselheiro Deliberativo Titular
Luciana A. B. Bagno              Conselheira Deliberativa Suplente
Getulio Mendes Maciel          Conselheiro Fiscal Titular
Wagner F. L. Bernardes        Conselheiro Fiscal Suplente
Carlos Guilherme Haeser      Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Eleucipio Vera Barreto          Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
José Carlos Vasconcelos       Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Francisco dos Santos Filho   Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
André Luiz Alves                   Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Elisa de Figueiredo Ferreira Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente
Carlos Eduardo B. Marques  Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Cleiton dos Santos Silva       Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente

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Post Scriptum II:

CASSI

Aproveito o registro para incluir o resultado final das eleições na Cassi deste ano, ocorridas em março, que também tiveram como chapas vencedoras as chapas construídas e apoiadas pelo movimento sindical. A Cassi estava com uma direção 100% favorável ao patrão antes dessas eleições. Agora teremos ao menos uma minoria para denunciar a destruição em andamento em nossa Caixa de Assistência, que vem sofrendo perdas irreparáveis como o desfazimento do modelo assistencial (ESF), sua estrutura própria de CliniCassi e de seu quadro de profissionais. 

A matéria do site da Cassi é esta abaixo. A Cassi está tão esquisita que fui procurar o resultado das eleições por chapa e o tal hotsite que criaram diz que não está mais disponível o resultado final... acreditem se quiserem! Custei encontrar os votos das outras chapas. Fui encontrar os dados em uma matéria da Contraf-CUT.


Chapas 6 e 77 vencem as Eleições CASSI 2022

Publicado na Cassi em: 28/03/2022

Com 39.923 votos, a Chapa 6 foi a vencedora das Eleições CASSI 2022 para a Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento e os membros dos Conselhos Deliberativo. A Chapa 77 ganhou a eleição para o Conselho Fiscal com 39.090 votos registrados. A apuração foi realizada após as 18h desta segunda-feira, dia 28/3/2022.

Foram registrados 8.149 votos em branco e 12.681 votos nulos na soma das duas votações.

Com o resultado, foram eleitos os seguintes candidatos:


Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento
Fernando Amaral Baptista Filho


Conselho Deliberativo
Titular: Cristiana Silva Rocha Garbinatto
Suplente: Cláudio Alberto Fernandes do Nascimento
Titular: Alberto Alves Júnior
Suplente: Gilmar José dos Santos

Conselho Fiscal
Titular: Fernanda Lopes de Oliveira
Suplente: Diusa Alves de Almeida

Todos os eleitos tomam posse no dia 1º de junho e têm à frente um mandato de quatro anos de duração.


Publicação da Contraf-CUT em 28/3/22:

Chapas 6 e 77 vencem eleição da Cassi

28 de março de 2022 - 18:56

Eleitos assumem cargos em junho e seguem até maio de 2026

As chapas 6 e 77, Unidos por uma Cassi Solidária, que tiveram o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações, sindicatos e da maioria das entidades associativas do país, foram as mais votadas nas eleições da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e vão assumir as diretorias de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento, além dos conselhos Deliberativo e Fiscal a partir de junho de 2022 até maio de 2026.

Do total de votantes, 56,38% votaram na Diretoria e Conselho Deliberativo e 53,24% votaram no Conselho Fiscal.

Veja abaixo os dados da votação:

Diretoria e Conselho Deliberativo:

Unidos por uma CASSI Solidária             39.923 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                20.048 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 16.112 votos
CASSI Independente                                  3.187 votos


Conselho Fiscal:

Unidos por uma CASSI Solidária             30.090 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                19.035 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 13.200 votos
CASSI Independente                                  3.200 votos

Obs.: Esses são os dados prévios, assim que sair a totalização oficial, alteramos aqui com a votação exata!

Mais informações em nosso site e redes sociais.


16.4.22

Memórias (XXIII)



Aniversário de 99 anos do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região. Uma entidade dos trabalhadores com muita história de lutas e conquistas. Uma entidade que nos traz muitas memórias. Parabéns às bancárias e bancários e a toda militância da ativa e aposentados! Vida longa ao nosso Sindicato!


Osasco, 16 de abril de 2022. Sábado.

Hoje é aniversário de 99 anos de nosso sindicato, que nasceu como uma associação de trabalhadores em 1923. De lá para cá foram muitas muitas histórias de lutas e conquistas. Vale lembrar também que muitas derrotas da classe trabalhadora fizeram parte dessa história, pois luta de classes é assim mesmo, se ganha e se perde. Quando se perde, a gente acumula forças e experiências para as batalhas seguintes.

Durante meu processo de formação política através do sindicato, aprendi com a militância mais antiga que na história das lutas de classes a gente que é da classe trabalhadora perde a maioria das batalhas empreendidas contra os donos do poder - capitalistas, banqueiros, coronéis, a casa-grande brasileira. Mas quando a gente ganha uma batalha é uma alegria imensa! É bom demais quando a gente, por exemplo, sai de uma campanha salarial com alguma conquista para os trabalhadores!

Minhas memórias em relação ao nosso sindicato são as mais diversas possíveis. São quase 35 anos de convivência entre o cidadão e a sua entidade sindical. Se fosse uma relação entre duas pessoas poderia ser dito que flertamos, ficamos, brigamos, lutamos juntos, namoramos, nos casamos, nos separamos, depois nos juntamos de novo e por aí vai. Três décadas não é qualquer coisa, é bastante tempo na vida humana e suas relações sociais, apesar de ser quase nada na história humana e das coisas do mundo.

Fiquei pensando em como escrever uma homenagem ao aniversário de nosso sindicato. Uma das formas que mais achei sentido foi aquela empreendida por Margo Glantz em seu livro de memórias Yo también me acuerdo (2014), que é um livro de memórias através de fragmentos de memória. Quando conheci o livro achei a técnica muito legal. Nessa estratégia de registros de lembranças de uma vida ou de uma época ou de alguma coisa, o fragmento basta em si mesmo. Sem ordem cronológica e ao sabor do que lhe vem à mente.

Antes de enumerar alguns fragmentos de memória em relação ao nosso sindicato, deixo registrado que o sindicato mudou a minha vida como pessoa ao longo de nossa relação como bancário sindicalizado e militante, tanto nos dois anos em que trabalhei no Unibanco quanto nos quase 27 anos em que trabalhei no Banco do Brasil. Me formei politicamente na convivência com o sindicato. Fui dirigente da entidade por 4 mandatos (2002-2014) e avalio que deixei minha contribuição ao fortalecimento da entidade ao longo de sua história de 99 anos.

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ME LEMBRO que havia definido uma estratégia de visitar as agências do BB nas quais quase ninguém havia aderido à greve e que eram agências importantes para puxar o movimento grevista se elas aderissem à paralisação. Era a campanha salarial de 2010, se não me engano. Nas reivindicações entregues à direção do banco, tínhamos questões específicas dos comissionados como a carreira de mérito e o não descomissionamento sem motivos definidos de forma clara. Cheguei à agência Osasco e pedi aos funcionários que nos reuníssemos no 2º andar para fazermos uma reunião. Minha relação com os colegas ali era muito boa e respeitosa. Durante a reunião, pedi que os colegas fossem francos comigo nas motivações para não aderirem à greve. Uma colega pediu a palavra e falou que tinha medo. Outros disseram o mesmo. Eu expliquei a ela, a todos, que o medo era uma coisa natural no ser humano. E também expliquei que a greve era justa, que o sindicato passou semanas reunido com os bancos para um acordo e os banqueiros não contribuíram para que a renovação da Convenção Coletiva na data-base ocorresse sem greve. E mais, que a greve era justa e era uma coisa pública. Então o medo era algo natural, legítimo, mas a nossa luta coletiva também era natural e legítima. A colega chorou. Outros colegas choraram. Eu comecei a chorar. Após essa emoção toda, os colegas fecharam o ponto e saímos todos da agência. Foi um momento muito marcante em minha vida, nas nossas vidas. A greve foi forte entre os comissionados do BB naquele ano e conquistamos questões específicas importantes.

ME LEMBRO que o pessoal só falava mal do sindicato. Estávamos reunidos na AABB e as pessoas se alternavam criticando isso ou aquilo. Eu era novo no Banco do Brasil e havia recebido um convite numa reunião sindical para participar de uma conversa sobre questões relativas ao BB. Estávamos nos anos noventa, ataques ao funcionalismo por parte do governo FHC a todo vapor. Ninguém falava mal do desgraçado do presidente nem de outros políticos do governo. Era só crítica ao sindicato, aos dirigentes do sindicato, o sindicato isso, o sindicato aquilo... eu comecei a me sentir constrangido com aquela situação. Tentei argumentar alguma coisa. Fui interrompido ao tentar defender o sindicato. Acabei me despedindo do pessoal e fui logo embora. Tempos depois é que fui compreender que aquele era um grupo de oposição à diretoria do sindicato e que o foco deles sempre me pareceu mais atacar o sindicato do que os patrões ou o governo. Acho que isso nunca mudou.

ME LEMBRO de um dia que entrei na sede do sindicato no edifício Martinelli e tudo me marcou naquele momento. Não sei por que esse dia marcou tanto, já que havia estado lá várias vezes. O que me lembro é que eu olhava as imagens e fotos nas paredes, nos corredores, nas mesas das pessoas, imagens do MST, da CUT, de sindicalistas como Lula, bandeiras do movimento social, sindical, estudantil, havia uma aura naquele dia e eu nunca mais esqueci. Talvez porque eu tenha entrado em áreas que nunca havia estado, áreas internas do sindicato. Se não me engano, acho que foi na primeira vez que entrei na sede do sindicato depois de eleito como diretor da entidade após as eleições de abril de 2002. Eu só fui liberado do dia a dia do banco para atividades sindicais em agosto daquele ano. Aquele encantamento que senti ao entrar no sindicato naquele dia marcante teve muita relação com o sindicalista que fui a partir daquele ano. Eu senti o peso do mundo em minhas mãos, em meus ombros, senti uma responsabilidade do tamanho do universo por ter me tornado diretor de nosso sindicato, de uma entidade tão histórica como aquela, por onde já havia passado tantas lideranças históricas, um dos maiores e mais importantes sindicatos da história de lutas dos bancários e da classe trabalhadora brasileira. Sabia que o mínimo que teria que fazer desde aquele momento era pôr toda a minha energia e minha vontade de lutar e minha inteligência a serviço dos trabalhadores e do sindicato e das lutas coletivas.

ME LEMBRO do Ferreira. O colega sempre me dizia que não gostava do sindicato, não gostava da gente, não gostava da esquerda, de sindicalista, do movimento. Era aquele típico trabalhador que não queria saber de conversa conosco. Na época, eu atuava na regional Oeste do sindicato. O pessoal da regional às vezes me achava meio xiita, exagerado demais. Eu saía com a Folha Bancária ou algum material específico do BB logo cedo, umas 9 horas da manhã, e ficava na base até umas 17 ou 18 horas. Começava com uma reunião antes da agência abrir e ficava em outra agência após o horário do fechamento do banco. O Ferreira não gostava sequer de pegar o jornal. Fui insistindo com ele durante o tempo de nossa convivência na regional. Ele me explicou os motivos dele. Eu pedi a ele uma chance pro sindicato. De pouquinho, fui quebrando o gelo dele. Passou a pegar a Folha, a revista O Espelho, passou a perguntar questões políticas etc. Sindicalizar nem pensar, ele dizia. Me disse que se um dia achasse que o sindicato estivesse atuando de uma forma satisfatória na visão dele, ele poderia repensar a recusa de se filiar à nossa entidade. Eu acabei indo atuar em outra regional, e depois o Ferreira também mudou de agência. Um tempo depois, encontro o Ferreira em uma dependência da regional Osasco. Foi um reencontro muito legal. Nos abraçamos, conversamos. E o colega me pediu a ficha de sindicalização e disse que estava convencido sobre a seriedade de nosso trabalho. É uma lembrança de encher os olhos d'água... Toda a nossa vida sindical teve momentos como esse... aliás, eu fui um bom sindicalizador desde quando era bancário do Unibanco. Cheguei a ganhar brindes do sindicato por fazer muita sindicalização.

ME LEMBRO que as conversas e debates com a companheirada dos sindicatos do Nordeste não eram simples, eram fraternas mas era necessário desenvolver argumentos muito sólidos para convencer meus pares que a tese da unidade tinha sentido e que seria benéfica para todos nós, de bancos públicos e privados, do Sudeste e Sul e também do Norte, Nordeste e Centro Oeste. A história da campanha unificada dos bancários, da Convenção Coletiva nacional e da unidade da categoria é uma história muito bonita, muito debatida e exitosa a cada avanço que teve ao longo do tempo. Os receios e as opiniões diferentes na construção da campanha unificada eram mais que naturais. O Sudeste tinha uma maioria de bancários de bancos privados, e a maior parte do país tinha uma maioria de bancários de bancos públicos. No início da década dos anos dois mil, após os anos terríveis dos governos neoliberais dos anos noventa, os bancos públicos estavam sem reajuste há muitos anos, até sem acordos coletivos assinados, pois os governos não negociavam. Já na mesa de negociações entre os grandes bancos privados e sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) havíamos conseguido assinar a 1ª e única convenção coletiva com abrangência para diversos bancos e regiões do país, a CCT da CNB/CUT. Algo muito inovador desde 1992. Muitos sindicalistas entendiam que ao termos Lula na presidência, aquele era o momento dos bancos públicos recuperarem o atraso e seguirem lutando sozinhos em mesas separadas. Outros, como eu, achavam que lutar isolados nos exporia a ataques liberais e desinformações como já ocorria no passado. O debate foi longo e legítimo. Eu tinha plena convicção que a melhor estratégia para nós do BB e dos demais bancos públicos era a unidade na mesa única da categoria, ficando para acordos aditivos o que fosse específico do banco. Quando eu fazia os longos debates com nossos companheiros do Nordeste, pois sempre tive muita afinidade com a companheirada de lá, o pessoal brincava que eu representava o "império" por causa do tamanho da representação de São Paulo. Nesse debate respeitoso nós fomos avançando até chegarmos à campanha unificada e até o BB e demais bancos federais assinarem a Convenção Coletiva da CUT a partir de 2006. Boas lembranças!

ME LEMBRO daquela assembleia decisiva do Banco do Brasil em 2003. Era uma quinta-feira. Era a primeira campanha salarial sob o governo do PT. Era minha primeira campanha salarial como dirigente sindical liberado e com atuação na base. Não vou me alongar na descrição da memória. O governo e a Comissão de Empresa dos Funcionários chegaram a uma proposta durante o final de semana e teríamos assembleia dos funcionários do BB na quadra dos bancários na segunda-feira. A proposta foi rejeitada e nós começamos a greve na terça. Entre terça, quarta e quinta, os colegas do BB viveram uma espécie de catarse, um adeus anos FHC. Na campanha daquele ano, nossa prioridade nos públicos era que o governo respeitasse ao menos as conquistas e direitos acordados na mesa entre a CNB/CUT e a Fenaban. Coisa básica! Era a nossa tese da campanha unificada já em semente plantada. Não teve acordo com a direção do banco. Com o crescimento exponencial da greve naqueles 3 dias, o preço para sair da greve era muito maior àquela altura. Eu era muito basista, conhecia as lideranças da base em São Paulo, Osasco e região. O pessoal queria a revolução naquele momento de greve forte. A recompensa pela boa mobilização veio. A nova proposta, além de cumprir o índice acordado na mesa geral da categoria, trazia questões específicas muito importantes para os funcionários do BB. Teríamos a 1ª PLR com base nas regras da PLR da categoria, que era de 1995 e nós nunca havíamos recebido. Foi necessário obter autorização especial dos órgãos do governo porque como S.A. o BB não poderia gastar mais que 6,25% do Lucro Líquido e aplicar a regra da categoria num banco com a quantidade de bancários que tínhamos dava mais de 10% do Lucro Líquido; a proposta ainda tinha direitos novos importantes como 5 dias de abonos para os pós-1998 e a volta ao direito de eleger delegados sindicais com estabilidade. Os vales refeição e alimentação também foram igualados aos da CCT da categoria (eram menores no BB). Enfim, uma boa proposta para aquela boa greve. Na assembleia na quinta à noite na quadra dos bancários, o pessoal estava dividido, uma parte estava super feliz pela proposta e queria o fim da greve, outra parte achava a proposta ruim e queria mais, muito mais. Os companheiros mais experientes me disseram que aquele era o momento de me tornar um dirigente sindical, pois a gente tem que saber entrar e sair de uma greve e uma greve não pode tudo. Havia o risco real de perdermos as conquistas caso a proposta fosse rejeitada e a greve continuasse. Fui um dos defensores da proposta perante a massa de trabalhadores. Me lembro que tive que ser muito firme nas minhas palavras e explicações sobre a importância de aceitarmos aquela proposta arrancada na luta. Alguns militantes próximos gritavam e estavam muito bravos com a minha defesa... Final das defesas... regime de votação... proposta aceita e fim da greve. Terminada a assembleia, encostei na parede atrás do palco da quadra, agachei, me sentei, e chorei... foi um grande dia na minha formação de dirigente sindical.

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Eu poderia ficar horas relembrando fragmentos de uma vida relacionada a momentos vividos na história de nosso sindicato. Mas por hoje está bom.

Mais uma vez, parabéns aos bancários e bancárias de nossa base, associados e ainda não associados, da ativa e aposentados. Parabéns ao nosso sindicato, à direção e aos funcionários e apoiadores que constroem diariamente a nossa história de lutas.

William

Associado 351524, desde 08/02/93. 

(antes, fui associado pelo Unibanco entre 1988 e 1990)


Para ler o texto de Memórias (XXII), clique aqui.

Clique aqui para ler o texto seguinte, Memórias (XXIV).


14.4.22

Memórias (XXII)


Greve dos bancários 2013. Foto: M. Moraes.

O ano de 2013 foi um ano no qual participei de muitas coisas importantes para a categoria bancária e para a classe trabalhadora 


Revi 49 postagens de meu blog sindical A Categoria Bancária, postagens dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013. Avalio que aquele ano foi um dos anos em que mais contribuí para a classe trabalhadora enquanto dirigente maduro e formado nas bases dos bancários brasileiros. Foi praticamente meu último ano na coordenação nacional das mesas do Banco do Brasil. No ano seguinte eu iria participar das eleições da Cassi a partir de março.

Nas postagens do mês de outubro, revivi aqueles dias da longa greve da categoria bancária, foi uma queda de braço memorável entre nós e os banqueiros, 22 dias de greve. Os caras haviam decidido que não atenderiam mais nossas justas reivindicações de aumento real, novos direitos e melhorias nos direitos acordados na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Foi a maior greve dos bancários em 20 anos.

No final, nós arrancamos um reajuste de 8% nas verbas salariais com aumento real de 1,82%, reajuste de 8,5% e aumento real nos pisos de 2,29%, aumento no valor da PLR, um direito novo na CCT - um abono assiduidade por ano -, vale-cultura, cláusulas de questões contra assédio moral e metas abusivas etc (ler aqui). Foi uma campanha muito vitoriosa para a categoria bancária. Os banqueiros ficaram muito putos e o troco da casa-grande viria mais tarde, com o golpe de Estado e as perdas de direitos do povo brasileiro. 

No BB, foram diversas questões novas. Estávamos num processo de negociações permanentes desde anos anteriores e finalizamos a campanha 2013 efetivando diversas conquistas; entre 2012 e 2013, mesas negociais que coordenei, foram mais de 30 questões que avançaram no BB (ler resumo aqui).

Algumas conquistas foram muito caras para mim como negociador, pois me dediquei muito a elas entre os anos de 2012 e 2013. Um exemplo é a questão da bolsa dos estagiários do Banco do Brasil. Quando eu soube o quanto abaixo dos outros bancos estava a bolsa estágio no BB, fiquei indignado e prometi a mim mesmo que daria atenção a essa injustiça com cerca de 10 mil estagiários do banco.

Nas negociações em 2012, surpreendi os negociadores do BB em mesa com a questão e foi um constrangimento geral. Mostrei o valor dos outros bancos e o do BB. Não foi possível resolver naquela campanha. Em 2013 deu certo. Nós conseguimos um aumento de 71% na bolsa estágio no Banco do Brasil e a conquista favoreceu 10 mil pessoas, jovens estudantes. Fiquei muito feliz por isso. Eu fui estagiário do BB em 1992 e sei o quanto é dura a vida de estagiário. 

Veja aqui uma avaliação que fiz sobre as conquistas da campanha 2013.

Uma das maiores pelejas entre nós e os banqueiros foi a questão da compensação das horas da greve da categoria. Foram horas de impasse na negociação final. Os banqueiros queriam 180 dias de compensação integral das horas. Nós não aceitamos, a culpa daquela greve longa foi exclusivamente dos banqueiros! No fim, só permitimos compensar até 1 hora por dia e até o dia 15 de dezembro. Boa parte da categoria não iria compensar boa parte das horas da greve. Vitória da persistência nossa.

Depois de assinados os acordos - o geral e os aditivos - a direção do Banco do Brasil começou o assédio moral e a prática antissindical em relação aos colegas que participaram da greve e construíram a campanha vitoriosa. Nós fomos pra cima dos assediadores do banco. Já de cara, paralisamos em São Paulo as maiores concentrações de bancários. Orientamos os sindicatos a radicalizarem onde houvesse perseguição a um colega grevista. Deu trabalho o pós-greve, mas fizemos o que tinha que ser feito.

Lembranças! Eu olho para os meus papéis e documentos relativos àquelas semanas de negociações em 2013 e fico com dó de jogar fora. Cheguei a pensar em escrever um livro sobre aqueles onze anos de campanhas salariais (2003-2013) nas quais tive participação na condução delas, inclusive com defesas das propostas nas assembleias na quadra dos bancários em São Paulo... campanhas e estratégias que trouxeram novos paradigmas para a classe trabalhadora. Acho que fiz meu melhor nessa missão de vida.

Campanhas unificadas entre bancos públicos e privados, fortalecimento da única convenção coletiva com a abrangência da nossa assinada em 1992 e renovada desde então, direitos novos e conquistas por uma década inteira. Fizemos boas campanhas. Enfim, pensei em escrever um livro de memórias das campanhas dos bancários do período posterior a 2002 porque já tínhamos dois livros de resgates históricos, um do Sindicato de São Paulo, resgatando a história até 1992, e tínhamos o da CNB/CUT, resgatando nossa história até 2002. 

Vieram novas funções de representação a partir de 2014 e acabei dedicando minha vida e minhas energias nos anos seguintes à gestão de uma Caixa de Assistência em saúde, a dos funcionários do Banco do Brasil (Cassi), e as pilhas de documentos e as anotações e papeladas a respeito da construção de muitas histórias dos bancários perderam o sentido para mim e acredito que para todo mundo. Os tempos não são mais de resgatar a história de lutas da classe trabalhadora.

É isso. Para hoje tá bom. Memórias de lutas vividas. Em 2013, nós bancários brasileiros fomos bons combatentes na defesa dos direitos, inclusive fomos preponderantes na luta ferrenha contra a aprovação no Congresso do PL 4330, da terceirização total. Tenho orgulho de ter feito parte dessas lutas. Seguramos mais um tempo os direitos dos trabalhadores. Depois do golpe "com o Supremo com tudo" não teve mais jeito... mas essa é outra história.

William


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10.4.22

Memórias (XXI)



O papel de educação em saúde que a Cassi tinha através do modelo de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e das CliniCassi


Uma reflexão a partir do que aprendi com os profissionais de saúde da Cassi me fez abrir nesta manhã de domingo uma nova caixa de comprimidos para controle de pressão alta e tomar o comprimido que não tomei nos últimos dois dias. O modelo assistencial da Caixa de Assistência (a ESF) atuava para que o próprio participante do sistema fosse protagonista de seu destino no que diz respeito à saúde e à vida. Esse é um dos focos da medicina de família e comunidade, modelo exitoso onde é implantado: educação em saúde e participação ativa do usuário.

Ao terminar a caixa de remédio anterior, pensei em esperar para voltar a tomar os comprimidos de controle de pressão alta somente quando pudesse agendar uma consulta à Cassi, isso se daria após fazer os exames de rotina que pedi para fazer depois de dois anos sem controle algum por causa da pandemia mundial de Covid-19. Estou falando de exames básicos de sangue, urina etc. Como quase todos nós somos relapsos quando se trata da própria saúde, já faz um certo tempo que estou enrolando para fazer os exames de rotina. Vai saber quando é que vou efetivamente passar com a equipe de família com os exames realizados.

Milhões de pessoas no Brasil e no mundo morrem ou sofrem sequelas de infartos e AVC em consequência de não controlarem as principais doenças crônicas que acometem uma quantidade enorme de gente nas mais diversas idades. As doenças crônicas são silenciosas e a grande maioria das pessoas não sabe que é doente crônica. Uma questão básica de atenção primária na medicina de família e comunidade é acompanhar e monitorar casos de pressão alta, diabetes e níveis de colesterol de pessoas cadastradas em equipes de família.

Eu pertenço a um sistema de saúde privado - a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde - que desenvolveu um modelo assistencial desde o final dos anos noventa baseado na Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma das formas de Atenção Primária em sistemas de saúde. Como participante cadastrado na ESF, tive a oportunidade de ser orientado sobre saúde após 2014. 

Enfim, não vou começar o blá blá blá sobre o modelo assistencial da Cassi na atualidade e sobre a destruição dele a partir de 2018 com a eleição de pessoas de um tal grupo de liberais autodenominado Grupo Mais. Esse não é o foco desta postagem de memórias. Aqueles colegas eleitos em 2018 e 2020 se uniram a outros indicados pelo patrocinador para desfazer o modelo próprio de saúde (ESF/CliniCassi) e terceirizar o cuidado de nossas vidas para os capitalistas do mercado de saúde. 

Retomando minha reflexão sobre voltar a tomar o comprimido de controle de pressão alta nesta manhã de domingo, ela se deu por causa dos ensinamentos que adquiri a partir de 2014 ao ser um participante cadastrado em uma equipe de família no modelo ESF da Cassi, e ter tido as orientações preventivas basilares sobre causas e consequências em relação às doenças crônicas e seus agravamentos caso as cronicidades não sejam controladas e monitoradas. 

Não é preciso ser da área da saúde para ser orientado como ser humano que alterações na pressão arterial, colesterol alterado ou diabetes podem ocasionar sérios riscos a órgãos internos como cérebro, rins, fígado, olhos, veias e artérias, coração, pulmão etc. Sistemas circulatório, respiratório, endócrino e nervoso podem sofrer danos irreparáveis sem o controle da pressão e dos níveis de colesterol. 

Nos primeiros dois dias sem tomar o remédio minha pressão arterial seguiu boa: 12x8. No entanto, nesta manhã vi que ela já havia se alterado para 13,5x10. Refleti então que não tomar o comprimido e me expor a um ataque cardíaco ou a um AVC seria uma coisa estúpida, burra. Eu não tenho medo de morrer, mas não gostaria de ser um sequelado de um infarto ou AVC se isso puder ser evitado. Além disso, como ser social seria estupidez me expor a um risco desnecessário sendo que quase todos nós temos pessoas em nossas relações que sofreriam com nossa ausência, tanto de forma psicológica quanto financeira.

Acho que paro essas memórias por aqui. Ter sido gestor do modelo de saúde da Cassi entre 2014 e 2018 me deu conhecimentos que me impedem de ser tão irresponsável com minha saúde como era antes. É lógico que sigo sendo um cidadão que vive inserido numa cultura inversa ao modelo que a Cassi perseguia, preventivo e que monitorava a população cadastrada ao longo de toda a vida. Ou seja, sem um trabalho ativo das equipes de saúde da ESF, minha tendência é a da maioria, só procurar o sistema quando estiver com algum problema de saúde, por dor, por incômodo, por "necessidade".

O modelo do mercado, ao qual a direção da Cassi optou por seguir, tem essa lógica de gerar procedimentos médicos e necessidades de eventos (ocupar leitos e vender serviços): se sentir alguma dor, se estiver doente, se quiser fazer algo que viu nas propagandas, faça uma teleconsulta, procure um profissional de saúde, um hospital ou clínica blá blá blá. Isso é uma tragédia para as pessoas e para os sistemas de saúde, por mais que elas não entendam isso! Quando os usuários fizerem suas demandas, a saúde deles já era...

O mercado, a indústria de procedimentos médicos, materiais e medicamentos agradecem aos gestores que optam pelo modelo curativo e não o preventivo. O lucro do mercado de saúde é com as nossas doenças agravadas, com o nosso "salvamento" ou assistência talvez longa até nossa morte. 

E o lucro do mercado de saúde também é com as nossas demandas por causas externas como a violência pregada pelo regime fascista no poder e os acidentes diversos que demandam leitos e atendimentos caríssimos. A Cassi optou por desfazer suas estruturas próprias e baratas de equipes de família, unidades de atenção primária CliniCassi e optou por apostar nos capitalistas do mercado de saúde.

Que os deuses diversos e a sorte nos protejam. 

William


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8.3.22

Memórias (XX)



Osasco, 8 de março de 2022. Dia dedicado às lutas das mulheres. Todo apoio às justas causas das mulheres do mundo.


Memórias de dezembro de 2013

Na postagem de hoje, trago algumas lembranças das agendas sindicais nas quais estive envolvido no final do ano de militância de 2013. Foram dias intensos como tenho relatado aqui nestas Memórias no blog. Para ver as 10 postagens daquele mês é só clicar aqui.

Naquele período eu era diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região, era o secretário de formação de nossa confederação, a Contraf-CUT, e estava como coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, COE-BB ou CEBB.

Havíamos fechado uma boa campanha salarial da categoria em 2013. Na mesa específica do BB, que coordenei, tivemos avanços importantes (ver propostas aprovadas aqui).

Na área sob minha responsabilidade na Contraf, a formação, estávamos coordenando a 8ª turma do curso de formação PCDA - Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro -, um curso em 3 módulos de imersão, organizado e patrocinado pelas próprias entidades do movimento, a Contraf, federações e sindicatos e com o apoio do Dieese e suas equipes técnicas.

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Turma do 2º módulo do 8º curso PCDA.

FORMAÇÃO

Ao organizar minhas pilhas de papéis e documentos, me deparei com a pasta que continha os materiais do 2º módulo do curso que estávamos realizando com a 8ª turma de dirigentes e assessores sindicais bancários.

O material é de uma riqueza imensa em termos de conhecimentos técnicos e políticos que compartilhamos com as companheiras e companheiros que participaram do curso. 

Durante 3 módulos foram 32 pessoas de diversas bases sindicais envolvidas com a construção de conhecimento coletivo para a luta da classe trabalhadora - 26 alun@s e 6 pessoas permanentes da equipe da Contraf e Dieese, fora os palestrantes que passaram pelo curso. 

É uma pena ter que me desfazer de tantos papéis acumulados em anos de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Na postagem sobre o curso, pelo menos anotei a programação do 2º módulo ocorrido em dezembro de 2013 (ver aqui).

A nota triste foi lembrar que 3 pessoas que estiveram conosco faleceram de lá para cá. Deixo aqui uma lembrança saudosa dos amigos e companheiros Valtinho, da Contraf, Paquetá, do Sindicato do Rio, e Carlos, do Sul Fluminense. Companheiros: presente!

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ESTADOS UNIDOS: CONTRIBUINDO COM A LUTA DOS BANCÁRI@S

Na primeira semana daquele mês de dezembro, estivemos em Nova York, nós sindicalistas brasileiros e sindicalistas norte-americanos, para nos reunirmos com o Banco do Brasil.

Nós havíamos avançado aqui no Brasil no Acordo Marco entre o BB, a Contraf-CUT e a UNI Américas e o banco público brasileiro havia se comprometido a respeitar as legislações locais e os termos do acordo no que tange à organização sindical onde o banco tinha operações e instalações.

Nós brasileiros, após décadas de avanços na organização sindical bancária e na conquista de direitos para os trabalhadores, contratados em Convenção Coletiva e Acordos Coletivos, estávamos numa parceria com o sindicalismo norte-americano (no caso, a CWA) e de todas as Américas para organizar sindicatos e direitos de trabalhadores de instituições financeiras. 

Para vocês terem uma ideia, categorias organizadas em sindicatos têm muito mais direitos que categorias sem sindicalização nos Estados Unidos. Os bancários não tinham sindicato lá em 2013 e tinham poucos direitos. 

Questões básicas como férias, licença-maternidade, 13º salário, vales refeição e alimentação não existiam ou eram bem menores para as bancárias e bancários do BB em Nova York e Miami. Não era uma questão só do BB, era de todos os bancários norte-americanos em relação aos bancários brasileiros.

As parcerias sindicais foram no intuito de organizar os trabalhadores do ramo financeiro de lá. Estive por duas vezes nas equipes brasileiras que foram contribuir com essa luta, por ser coordenador da CEBB da Contraf-CUT e pelo fato de o BB ter conosco o Acordo Marco. Clique aqui e veja a postagem sobre a reunião nos EUA.

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É isso! Boas lembranças de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira e de outros países.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

William


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