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13.9.21

Incentivar demanda espontânea é Atenção Primária?


Valores e cultura do momento 

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COMENTÁRIO DO BLOG:

Os valores e premissas acima não condizem com o modelo de saúde pelo qual lutamos tanto tempo em nossa comunidade de trabalhadores.

E pensar que nosso objetivo após a reforma estatutária de 1996 e as reformas seguintes no estatuto de nossa autogestão em saúde era sair do modelo médico-curativo e implantar um modelo de Atenção Integral à Saúde...

Que tristeza ver todo o desmonte de nossa autogestão após comprovarmos a eficiência da Estratégia Saúde da Família em populações com as mais diversas características e perfis epidemiológicos...

São os valores e a cultura do momento pelo qual passa o Brasil. Perdemos todos com isso.

William


9.9.21

Atenção Primária à Saúde: desafios e perspectivas (II)



Opinião

"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)


DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA APS

Fui convidado pela organização do II Encontro Nacional dos Conselheiros de Usuários da Cassi para falar a respeito dos desafios e perspectivas da Atenção Primária à Saúde (APS). Antes de mais nada, agradeço pelo convite, pela confiança e pela oportunidade de compartilhar a experiência que adquirimos na gestão do modelo assistencial de nossa Caixa de Assistência. 

O evento aconteceria nesta quinta 9/09/21, mas ficou para nova data. Combinei com a coordenação de publicar com antecedência os textos que estou produzindo ao estudar para o evento, assim as pessoas interessadas podem ler e interagir com as informações e argumentos.

Este texto é continuação de um texto anterior. Para lê-lo, clique aqui.

O primeiro desafio é meu, é escolher o que entendo ser o mais relevante na minha apresentação sobre APS em relação à autogestão Cassi, entidade de saúde dos funcionários do BB, que definiram na reforma estatutária de 1996 o desejo de organizar um sistema de saúde baseado na integralidade da atenção visando melhorar a qualidade de vida dos usuários e a estratégia definida para essa missão foi escolher o Modelo de Atenção Integral à Saúde. 

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A apresentação será feita em 15 minutos. Sendo assim, optei por focar a conversa com os participantes do encontro mais na questão política do existir da Cassi e na importância da cultura e dos valores difundidos pelas classes dirigentes e formadoras de opinião.

O modelo assistencial foi central nas formulações da Cassi que temos hoje. Deixar de ser mera "pagadora de serviços para a doença" e ser uma "promotora de saúde para preservar e melhorar a qualidade de vida, através de uma ação integrada (prevenção, assistência e avaliação multidisciplinar sobre o indivíduo e não apenas sobre o sintoma)" foi o objetivo alcançado pela Comissão Negociadora da reforma estatutária de 1996, registra o informativo "O Espelho Nacional " de abril de 1996 (3).
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Por quatro anos estudei diariamente a Cassi e suas relações políticas e sociais com os meios nos quais ela está inserida: sua história, a gestão da associação, seus planos de saúde, documentos internos, percalços vividos, relação com o patrocinador BB, associados e usuários, relação com seu quadro funcional, relação com órgãos externos e prestadores de serviços; por fim, relação da Cassi com a cultura e com os valores da comunidade Banco do Brasil.

Qual a melhor forma de contribuir para os debates dos conselheiros e conselheiras de usuários da Cassi em relação aos desafios e perspectivas da Atenção Primária na autogestão?

Como sei que a outra palestra no II Encontro será de uma pessoa da área da saúde, um profissional de saúde, o que não quer dizer que a fala não será política além de técnica, acho que minha contribuição sobre Atenção Primária seria melhor se eu dedicar os 15 minutos compartilhando minha opinião sob o ponto de vista da política, pois essa seria minha "especialidade" (rsrs), o que não quer dizer que minha fala não seja técnica, e também quero falar sobre a questão da cultura e dos valores em relação ao modelo assistencial da Cassi.

Antes de falar dos desafios da APS/ESF na Cassi, é importante - é essencial - falar do histórico da Cassi, porque a "Caixa de Assistência" é basicamente o Plano de Associados, um plano de custeio mutualista, solidário e intergeracional. 

Outro direito essencial na Cassi sempre foi o direito igualitário ao acolhimento e às coberturas de saúde entre seus associados e familiares, independente da função exercida no banco, de remuneração e status quo. Atendimento igual e isonômico. 

COMENTÁRIO - Seria bom que as pessoas soubessem dos debates da criação do "plano família" na reforma estatutária de 1996 para não se enganarem a respeito de planos de saúde com direitos menores como se isso fosse uma demanda dos associados como diz a direção atual. Não é!

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Histórico (conhecer a história é essencial)

MODELO DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE

Sem querer subverter a chamada do evento que foca APS, gostaria de começar falando do Modelo de Atenção Integral à Saúde, pois ele é o modelo definido pelos patrocinadores do Plano de Associados na reforma estatutária de 1996 para orientar e organizar a Cassi a partir daquele momento da existência da associação - a Caixa de Assistência. Vejamos o que dizem documentos de gestão em 2001/2002:

"O Modelo de Atenção Integral à Saúde é um conceito constituinte do Estatuto da Caixa de Assistência à Saúde - CASSI, que organiza e orienta as atividades da organização desde 1996. Atualmente, contemplado no plano estratégico da Instituição, o novo modelo assistencial da CASSI começa a ganhar forma nas suas gerências regionais: projetos de implantação de serviços próprios, com atendimento primário já foram encaminhados à sede da empresa, e o Comitê de Gerentes da CASSI Sede aprovou a metodologia de análise." (1, p. 6)

Além da citação acima do "Relatório das oficinas de Informação, Educação e Comunicação no contexto de implementação da Estratégia de Saúde da Família da Cassi", outro diagnóstico da época, do "Documento Diretor para Organização de Serviços Próprios" apontava que:

"O modelo de saúde ainda predominante em vários países, no Brasil, e também na CASSI, denominado médico-curativo, centra a atenção na doença, enfatiza a medicina curativa e atua exclusivamente sobre a demanda espontânea. A forma de remuneração aos prestadores - por procedimento realizado - além de ampliar as dificuldades para uma efetiva regulação, é fator de aumento de custos, sem correspondência sobre os indicadores de saúde." (2, p. 4)

Os primeiros sublinhados são do texto original e o sublinhado e itálico é marcação minha: "demanda espontânea". Na minha opinião, as decisões e políticas da atual direção da Cassi fazem exatamente o contrário do que seria recomendado, incentivam a demanda espontânea na Cassi e nas redes de prestadores de serviço de saúde.

Enquanto isso, mesmo com recursos novos nos últimos dois anos e superávit, a ESF e as CliniCassi não foram prioridade e não avançaram, pelo contrário, fecharam CliniCassi em Brasília. Estão desmontando o Modelo de Atenção Integral à Saúde.

POR QUE CRIAR UMA REDE PRÓPRIA DE APS/ESF? 

Ora, a reforma estatutária de 1996, que visava mudar efetivamente a forma como a Cassi atuava, apontava algumas questões centrais que deveriam mudar. 

Uma delas era a Caixa de Assistência parar de enfiar todo o seu orçamento nas mãos dos prestadores de serviços do mercado privado. Era sair da lógica médico-curativa para uma forma racional de uso dos recursos e acompanhamento da saúde integral de seus usuários. Foi para isso que se decidiu implantar uma rede própria de atenção primária e medicina de família em todas as regiões do país, centralizando a coordenação dos cuidados nas unidades regionais!

COMENTÁRIO - Quando chegamos à gestão da Cassi (2014), pouco mais de uma década após o lançamento da ESF (2003), o modelo assistencial de Atenção Integral à Saúde - baseado em APS/ESF/CliniCassi e programas de saúde - estava estagnado e não avançava mais, era questionado pela direção do patrocinador BB e o questionamento dividia os segmentos dirigentes também dos associados e usuários, o modelo estava desacreditado. Era a cultura e os valores daquele momento. Por isso desenvolvemos estudos nunca feitos que comprovaram a eficiência da ESF.

CASSI CONSTITUI REDE PRÓPRIA DE ATENÇÃO PRIMÁRIA E ESF: AS CLINICASSI - Outra necessidade da Cassi para a implantação do novo modelo de Atenção Integral à Saúde era constituir uma estrutura própria de saúde. 

Ainda no início dos anos dois mil, a rede credenciada da Cassi era quase toda de 2º e 3º nível e não primária:

"A rede de serviços da CASSI é composta majoritariamente por prestadores de atenção secundária e terciária e em menor número de atenção primária" (2, p. 14)

Com esse diagnóstico, a Cassi completou sua estrutura de 65 CliniCassi, tendo unidades em todas as capitais e em determinadas regiões nos interiores dos Estados. 

Constituímos mais de uma centena de equipes nucleares e multidisciplinares de família nas unidades, que coordenaram os cuidados de mais de 150 mil participantes. Nossos estudos entre 2014 e 2018 se valeram dessa base de dados para comprovar a eficiência da ESF. 

COMENTÁRIO - Durante o mandato, consegui visitar e conhecer 42 CliniCassi e isso me permitiu discutir profundamente as necessidades das unidades próprias de Atenção Primária com a direção da Cassi e demais intervenientes.

DEIXAR DE SER MERA PAGADORA DE SERVIÇOS E SER UMA CASSI GESTORA DA ATENÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO ASSISTIDA - E a questão de a Cassi ser uma mera pagadora de serviços era algo que não dava mais porque isso é insustentável para uma operadora de saúde, ainda mais uma autogestão, cujos recursos são praticamente fixos ao longo do tempo, pois se baseiam em salário e benefícios dos associados.

EM 2001

"A cobertura assistencial da população beneficiária ainda é prestada, majoritariamente, pela rede credenciada o que pode ser comprovado pela composição das despesas básicas, onde os serviços contratados representam 97% e os serviços próprios apenas 3% do total pago pela empresa" (2, p. 9)

COMENTÁRIO - Agora em 2021, a direção atual se esforça para destruir toda a rede própria constituída por gerações na Cassi, terceirizando tudo. É um verdadeiro absurdo os cortes que a gestão vem fazendo porque as despesas administrativas da Cassi não chegam a 6% com tudo que faz em termos de coordenação e gestão em saúde de centenas de milhares de usuários num país continental. Essa desconstrução não é inteligente! É lesiva ao presente e futuro da Cassi. 

Desafios para avançar a APS/ESF

CULTURA E VALORES DOS GRUPOS DIRIGENTES

O que vemos na Cassi hoje? Quais são os valores transmitidos pela Caixa de Assistência (a "empresa") a seus intervenientes (seus "stakeholders")? Quais são seus objetivos centrais em relação aos seus associados e usuários ("clientes")? Onde se situa o Modelo de Atenção Integral à Saúde nessa "empresa"? Sua estrutura própria de Atenção Primária e Medicina de Família é ainda essencial? O que eram direitos sociais são agora "produtos" para quem puder pagar?

O essencial agora é vender planos (produtos) com menos direitos e mais onerosos como o "Cassi Essencial"?

Por que a questão de custeio foi resolvida com a última reforma estatutária, onerando-se muito mais os associados, e a direção decidiu não ampliar a ESF como deveria? Já poderíamos ter uma estrutura própria com algumas dezenas de milhares de usuários a mais cadastrados na ESF e, no entanto, o foco da direção mudou e a cobertura da ESF ainda é a mesma que deixamos ampliada em 2018 (estava estagnada desde 2013). 

Essa é uma questão de cultura e de valores dos grupos dirigentes, que estamos chamando a atenção na discussão do modelo assistencial da Cassi.

Seguimos em um próximo texto a questão dos desafios e perspectivas da Atenção Primária à Saúde e ESF em nossa Caixa de Assistência.

William Mendes
Ex-diretor de saúde da Cassi


Referências:

1. Informação, Educação e Comunicação no contexto de implementação da Estratégia de Saúde da Família da CASSI - Relatório final, Brasília - DF, 10 de dezembro de 2001 a 22 de fevereiro de 2002. Departamento de Comunicação e Saúde - Centro de Informação Científica e Tecnológica Fundação Oswaldo Cruz. 

2. Documento Diretor para Organização de Serviços Próprios. CASSI - SEDE, DIRETORIA DE SAÚDE. MAIO/2001.

3. "Reforma estatutária avança com a participação do Corpo Social " - O Espelho Nacional de abril de 1996.

5.9.21

Atenção Primária à Saúde: desafios e perspectivas (I)


Opinião

"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)


INTRODUÇÃO

Quando comecei o trabalho de diretor de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito para um mandato de quatro anos, meu conhecimento sobre a Cassi era um pouco maior do que o de meus colegas representados, os bancários da ativa e aposentados do BB.

Por ser um dirigente sindical dos bancários eu tinha noções gerais do mundo do trabalho e das lutas de classes. A condição de representação de nossos pares da classe trabalhadora traz oportunidades de conhecimentos que não são disponibilizados pelos meios de comunicação e cultura cujo domínio é hegemonizado pela classe dominante, aquela que impõe suas ideias e valores para a maioria despossuída dos meios de produção.

Antes de eleito para um mandato de diretor de saúde eu era o coordenador das negociações nacionais entre o Banco do Brasil e as representações sindicais dos bancários e essa condição me obrigava a estudar e conhecer toda a pauta de reivindicações dos trabalhadores. Da Cassi e das questões de saúde, portanto, eu conhecia mais do que a ampla maioria de meus colegas bancários porque eu era destacado por eles para essa função social.

Ao começar o nosso trabalho na Cassi em junho de 2014 e fazer o planejamento estratégico do mandato tivemos que definir os objetivos, as estratégias e as táticas para nortear as ações que iríamos desenvolver ao longo de quatro anos de trabalho (ler aqui um artigo a respeito de planejamento estratégico). Foi durante aquelas primeiras semanas como dirigente eleito da Cassi que compreendi o quanto o modelo assistencial era central na existência e manutenção da Caixa de Assistência, do Plano de Associados e dos direitos em saúde dos funcionários.

E por que eu fiz essa introdução acima? Para situar as leitoras e leitores que no início do mandato eletivo não tínhamos uma noção clara a respeito do modelo assistencial e a importância central dele para a Cassi. Como dirigente de uma entidade de saúde de trabalhadores, foi preciso que eu adquirisse consciência política e conhecimentos técnicos para ter capacidade de ser um disseminador da cultura e dos valores do modelo assistencial da Cassi, um sistema de Atenção Integral à Saúde, baseado na Atenção Primária à Saúde (APS) e desenvolvido através da Estratégia Saúde da Família (ESF) e tudo que envolvia esse sistema na Caixa de Assistência como, por exemplo, as unidades próprias de atenção primária CliniCassi.

ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS)

E quais seriam os desafios e as perspectivas para a Atenção Primária à Saúde em um determinado sistema de saúde como, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS), um sistema público, ou para a Cassi, uma autogestão da comunidade de funcionários da empresa estatal Banco do Brasil, um sistema privado?

Várias são as dimensões que poderiam ser abordadas para se falar dos desafios e as perspectivas de se estabelecer, desenvolver, fortalecer e dar sustentabilidade para um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde. Entendo que o mais correto de minha parte é dar minhas opiniões baseadas na experiência real que adquiri ao gerir por quatro anos uma das maiores entidades de saúde suplementar do segmento de autogestões.

As perspectivas de desenvolvimento e fortalecimento de um sistema de saúde baseado em APS estão diretamente relacionadas ao atingimento ou não dos objetivos estabelecidos num planejamento estratégico que aponte os desafios a serem superados.

No próximo texto, vou refletir um pouco sobre um dos desafios para o desenvolvimento e a implantação de um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde em uma entidade fechada e de autogestão como a Cassi dos funcionários do BB. 

A questão da disseminação da cultura e dos valores do modelo assistencial é central, posso adiantar a vocês. Percebi isso ao estudar a história da Cassi e ao lidar com essa questão durante os quatro anos de gestão da entidade de saúde.

Abraços,

William Mendes

Ex-diretor de saúde da Cassi (eleito)


25.8.21

Quais são os objetivos, as estratégias e as táticas?



Artigo de contribuição aos debates* 


O QUE VOCÊ VAI FAZER HOJE?

Quais são os objetivos, as estratégias e as táticas?

1. Pergunto aos leitores e leitoras: vocês têm respostas para essas perguntas? Aí vocês me perguntam: - mas quais são os objetivos, as estratégias e as táticas em relação a que, a quem? 

2. Perfeito! Essas questões poderiam e deveriam ser o nosso Norte em relação a quase tudo em nossas existências privadas, pessoais, coletivas, como grupos políticos, como empresas capitalistas, como organizações humanas etc.

3. E junto a essas perguntas viriam outras que fazem parte dos planejamentos estratégicos para definir como alcançar objetivos de forma racional e engajada e com espaços para flexibilizações e correções durante a caminhada.

4. Dentro de um planejamento estratégico são definidos prazos de execução, pontos fortes e pontos fracos do grupo, da instituição ou da pessoa, quais ferramentas e com que material humano se conta, o papel que cada pessoa vai desempenhar e mais questões que possam ser necessárias.

5. Amig@s, é difícil chegar a algum lugar se não sabemos sequer para onde queremos ir. Lembram da Alice falando com o coelho no País das Maravilhas?

6. Durante 16 anos fui dirigente sindical, fui representante da classe trabalhadora, fui sindicalista, fui político, fui liderança sindical, fui militante... A forma de se apresentar pode ser também uma estratégia diante de um cenário ou de um contexto específico. Entendem o que quero dizer?

7. Quais são os objetivos da esquerda? Dos trabalhadores brasileiros? Dos bancários? Da central sindical ou confederação? Da federação ou associação? Do sindicato "a" ou "b"? Da diretoria do sindicato? Do coletivo de determinado banco dentro do sindicato de bancários? Do dirigente com mandato naquele sindicato? Do cidadão que é dirigente?

8. No mundo da luta de classes, das disputas ideológicas, da sobrevivência na sociedade humana, pessoas ou grupos organizados e com objetivos, estratégias e táticas para se alcançar os objetivos têm mais chances de alcançar sucesso do que pessoas e grupos que só vão vivendo de acordo com os acasos ou objetivos surgidos a cada amanhecer.

9. Eu percebi a importância dessas perguntas acima muito mais claramente quando me tornei sindicalista ao ser eleito para um mandato no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002, aos 33 anos de idade. Eu já tinha experiência de vida como se vê pela idade e já tinha experiência de trabalho bancário porque havia trabalhado 2 anos no Unibanco e já estava há quase 10 anos no Banco do Brasil. (a palavra "sindicalista" é trabalhada de forma pejorativa e negativa pela imprensa do capital. Conforme o contexto, mais conservador ou não, eu me apresentava como "dirigente sindical" ou "representante dos trabalhadores"; avaliava na hora)

10. Tudo muda o tempo todo, o mundo muda diariamente porque a todo instante os seres humanos estão criando e desenvolvendo novas tecnologias ou porque eventos naturais alteram o mundo material. Mudança é uma constante universal. Mudança é uma das poucas certezas que temos quando se fala do universo e das formas de vida. O mundo do trabalho muda o tempo todo. O pior é que a tendência é sempre piorar para a imensa maioria que vive de vender sua força de trabalho, principalmente no modo de produção capitalista.

11. No entanto, sou da opinião que por mais que as coisas mudem o tempo todo, algumas experiências humanas continuam nos dando suporte para enfrentar as mudanças que ocorrem tanto por causas naturais como por interferência humana. E os planejamentos estratégicos feitos com a participação de todas as pessoas envolvidas em algum momento da definição dos objetivos, das estratégias e táticas a balizarem uma organização qualquer podem ser a diferença entre vencer ou perder, alcançar objetivos ou não alcançar nada e ainda ver tudo ser perdido.

12. Se voltarmos ao que já escrevi acima, no item 7, posso afirmar que aquelas perguntas balizaram meus 16 anos de mandatos eletivos de trabalhadores. Após ser eleito dirigente, tive que refletir e mudar comportamentos pessoais que achava inadequados. Tive que estudar muito para saber quais eram os princípios da esquerda. Estudar as concepções e práticas sindicais da CUT, conhecer a história do movimento ao qual eu agora representava formalmente.

13. E mais. Entendi que havia técnica na organização sindical na qual eu me tornava dirigente. Meus companheiros e companheiras de coletivo de banco contribuíram para que soubesse quais eram nossos objetivos, nossas estratégias e táticas e onde queríamos chegar em determinados momentos. Com a participação de todos, nós definíamos o papel de cada um naquela organização. Havia cobrança e havia solidariedade nas dificuldades enfrentadas por cada dirigente. Conforme o fórum que frequentava, novos conhecimentos, novos objetivos coletivos, novos pertencimentos de classe.

14. Um planejamento estratégico que ajudamos a construir nos permite sentir pertencimento a alguma coisa, e ao olhar para trás é muito claro isso para mim. Durante os 16 anos de mandatos, de militância em organizações da classe trabalhadora, eu acordava todos os dias sabendo o que iria fazer, noções do que estava acontecendo, o que precisava estudar, as pessoas que deveria contatar etc. Eu pertencia a alguma coisa, eu tinha um Norte. Mas quando titubeava, quando estava perdido nas discussões internas, os mais experientes diziam: - vá para a base conversar com os trabalhadores, você vai voltar sabendo o que está fazendo aqui no movimento.

15. Amig@s, foi assim quando fui dirigente que organizava os bancários de todos os bancos na regional Osasco com um roteiro de agências; foi assim quando organizava os bancários do Banco do Brasil em duas regionais do Sindicato - Osasco e Oeste; foi assim quando fui responsável por complexos como o BB da São João. E foi assim em todas as tarefas que desempenhei, fossem elas na Executiva do Sindicato, na Contraf-CUT como secretário de imprensa depois de formação, como coordenador das negociações do BB e foi assim no mandato na diretoria de saúde da Cassi.

16. Os planejamentos estratégicos que participei e ajudei a construir com minhas opiniões ao longo de 16 anos foram a base de meu acordar todas as manhãs para sair para nossas lutas de classes, para alcançar nossos objetivos. Quantos dias eu estive mal, sem forças para levantar-me? Muitos! Mas saber o que eu deveria fazer, que aquilo só dependia de mim, me fez ter energia e gana mesmo dormindo pouco como, por exemplo, por 4 anos na Cassi (tínhamos planejamento estratégico do mandato!), me fez estudar, ir aonde fosse necessário, me fez ser flexível nas táticas, mas nunca nos princípios e objetivos. Me fez humilde, me fez forte. Nunca me esqueci quem representava, de que lado estava nas discussões com a patronal.

17. É isso! Me parece que os desafios e as tormentas foram tantos após o golpe de Estado contra nós que temos muitas frentes de batalha ao mesmo tempo com os ataques a todos os nossos direitos e talvez por isso, até hoje, não tenhamos conseguido organizar nossos planejamentos estratégicos partidários, sindicais, coletivos e até pessoais para nos nortear diariamente e para avaliarmos a cada tempo se avançamos ou se temos que readequar aquilo que não avançamos na luta para retomar nosso país, nossos direitos e nossas vidas da classe trabalhadora. Tod@s estão trabalhando muito! Acredito que é possível derrotarmos essa extrema direita, essa minoria violenta e antidemocrática que ascendeu ao poder após o golpe de 2016 contra o Brasil e o povo brasileiro.

18. E aí, você tem claro quais são as suas tarefas nesse dia de hoje? Quais os objetivos imediatos, de médio e longo prazo nas frentes nas quais você está participando? Qual o objetivo neste semestre de 2021? E para 2022? E até 2025? Há um grupo organizado contigo perseguindo esses objetivos hoje, vocês se reúnem, prestam contas, aferem avanços e avaliam o que deve ser melhorado e corrigido? Sabemos que mesmo durante a pandemia já é possível nos reunirmos pelos aplicativos como fazíamos as reuniões de trabalho presenciais.

19. Nossos inimigos e nossos adversários estão mais organizados hoje do que antes, do que já vi nesses meus 52 anos de vida. Temos que construir planejamentos estratégicos que nos unifiquem, com estratégias e táticas que deem Norte e pertencimento a cada pessoa que se disponha a nos ajudar a mudar essa desgraça toda que destrói nossas vidas e nossos mundos.

Abraços e boas lutas a todas e todos. Desejo que cada militante de nosso movimento de esquerda alcance seus objetivos pessoais e coletivos.

William Mendes

Ex-dirigente sindical bancário e ex-diretor eleito da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil

* publicado originalmente no site Agora é para todos


13.8.21

Cassi e seus planos de saúde, segundo a ANS



Dúvidas sobre a Cassi

Olá, prezad@s colegas da comunidade Banco do Brasil, lideranças dos trabalhadores e associad@s e colegas das entidades representativas!

Ao receber uma mensagem de uma colega do Banco do Brasil me perguntando algumas dúvidas que ela tem em relação à nossa Caixa de Assistência - a Cassi -, e o "Cassi Essencial", pensei por alguns instantes qual seria a melhor forma de responder para ela e fui ao site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para balizar minha resposta.

A colega me disse que ficou com dúvidas após participar de um excelente debate promovido pelo sindicato dos bancários da base dela (suponho eu) sobre o Cassi Essencial, "produto" lançado pela direção atual da nossa Caixa de Assistência.

A dúvida da colega seria a respeito de haver ou não vários CGC (CNPJ) em relação aos planos de saúde da Cassi e qual a relação desses planos com os donos da Caixa de Assistência, os associados.

De forma simples, podemos dizer o seguinte. A nossa associação, nossa autogestão Cassi, é uma operadora de planos de saúde com um único CNPJ 33.719.485/0001-27. A Cassi está registrada na ANS sob o número 346659. Então, não há vários CNPJ - esses dados são públicosDito isso, vamos adiante.

O que temos em relação à Cassi são alguns registros de planos de saúde em operação ou não ("comercialização", segundo a ANS). Segundo a agência reguladora, a Cassi tem alguns planos "liberados" ou "suspensos pela ANS". O nosso, o dos funcionários da ativa e aposentados, é o plano de saúde com o registro nº 001.

Depois desse registro do "Plano de Associados", temos o do 1º plano de saúde lançado em 1997 para os familiares, o "Cassi Família I", registro nº 100. Após mudanças na legislação dos planos de saúde, a Cassi lançou em 1999 o "Cassi Família II", registrado na ANS sob o nº 467554121 (está como "Cassi Família").

SURPRESAS - Para minha surpresa, além de encontrar o registro do novo plano lançado pela direção atual, o "Cassi Essencial", registrado sob o nº 487460209, consta na ANS mais dois planos locais, com nomes "Cassi BH Apartamento" e "Cassi BH Enfermaria". Pois é! 

SUSPENSO - O susto maior foi ver que o Plano de Associados está suspenso pela ANS. Eu não sabia! Vocês sabiam, prezad@s leitores? Por não estar acompanhando o dia a dia de nossa autogestão, pode ser que eu não tenha visto algo a respeito. O site da ANS informa que as informações são do dia da consulta, ou seja, de 13/8/21.

Aí a colega pergunta se somos proprietários dos outros planos também, dos demais planos ou "produtos" como diz a direção atual? 

A CASSI É DOS ASSOCIADOS E A CASSI TEM PLANOS DE SAÚDE

Entendo que a Cassi é essencialmente o nosso Plano de Associados, a autogestão em saúde existe por causa desse plano dos trabalhadores da empresa pública Banco do Brasil.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, através do Plano de Associados, é hoje um sistema de saúde privado, dos trabalhadores da ativa e aposentados, com custeio mutualista, solidário e intergeracional. 

SISTEMA PRÓPRIO DE MEDICINA DE FAMÍLIA (ESF) - Até o momento e se não for desmontado, a Cassi é um sistema de saúde com uma estrutura própria de atenção primária, através da Estratégia Saúde da Família, organizada por unidades de atendimento CliniCassi e quadro próprio de equipes de família.

NOSSA CASSI pode até ter outros planos de saúde para familiares, os tais "produtos", mas sem o fortalecimento e manutenção do Plano de Associados e da estrutura própria CliniCassi e Equipes de Família, a Cassi não existe e não existirá mais. 

Não adianta inventar "produtos" se a caixa mutualista solidária e intergeracional de assistência dos funcionários da ativa e aposentados for inviabilizada pelas direções da empresa BB e dela própria. 

Por isso é tão sério colocarem em risco a existência do nosso plano solidário e a estrutura própria, terceirizando tudo e não atuando para inscrever nossos associados ao longo do tempo.

É o que penso.

William Mendes

8.8.21

Encontro de trabalhadores do BB



Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado

Domingo, 8 de agosto, Dia dos pais

Depois de muitos dias de frio em São Paulo e nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o domingo dos pais foi de calor e sol. Pela janela de casa, vi que o dia convidava para uma caminhada, corrida ou pedalada. Mas não saí de casa. Fiquei sentadinho na frente da tela do computador o dia todo. Assisti à transmissão do encontro anual dos trabalhadores do BB.

Estamos no segundo ano da pandemia mundial de Covid-19. O mundo mudou. Mudou para pior em relação a um período anterior das lutas de classe. Só a pandemia já matou tantos amig@s e pessoas queridas que nossas vidas nunca mais serão as mesmas. 

Pelo segundo ano seguido eu não fui visitar os pais nesta data de confraternização e fazer a romaria de 75 Km em Minas Gerais. Naquilo que é possível, seguimos as recomendações de não aglomerar e expor as pessoas ao vírus. Hoje tudo é virtual. Quase tudo. O mundo mudou muito. (a frase-verso é até um murmúrio, uma lamúria)

Ao longo do dia, fiquei pensando a respeito de algumas questões abordadas pelos palestrantes e participantes do encontro dos colegas do BB. Vivi duas décadas naquele espaço social, em boa parte do tempo como um dos responsáveis pelos trabalhos e por encaminhar as resoluções decididas ali naquele espaço de organização política e luta de classes (ou, muitas vezes, de luta interna dentro da classe...).

Após assistir ao encontro dos bancários e bancárias o dia todo, ainda vi uma excelente entrevista da presidenta Dilma Rousseff ao Canal Resistentes, retransmitida pela TV 247. Ouvir a Dilma é sempre algo impactante! Que mulher! Que guerreira! É muito inspirador o exemplo de figuras como Dilma, Lula, Genoino e outras grandes lideranças imprescindíveis das lutas do povo.

Antes de mais nada, quero registrar aquelas formalidades necessárias, e sinceras. Deixo meus cumprimentos aos companheiros e companheiras da organização do 32º CNFBB, encontro organizado pela Contraf-CUT, federações e sindicatos da categoria. Além de parabenizar a realização de mais esse encontro, parabenizo a temática debatida, a escolha dos palestrantes e a condução dos trabalhos. Desejo que a classe trabalhadora resista e mude a tendência do que vem por aí contra nós.

COMO MUDAR A REALIDADE SEM A PARTICIPAÇÃO DO POVO, SÓ COM IDEIAS DE VANGUARDA?

Ao me atualizar a respeito do Banco do Brasil - através das apresentações dos palestrantes - e ao ouvir algumas questões levantadas pelos palestrantes e participantes, vi um filme em minha memória e também refleti sobre as dificuldades que esta geração que está na organização das lutas deve estar enfrentando. Que dureza! 

Quando cheguei ao movimento organizado da classe trabalhadora, eu tinha pouca noção de política. Isso faz parte da formação do povo trabalhador brasileiro (a desinformação política). Consigo me colocar um pouco no lugar do outro (trabalhador/a) porque aprendi política com o movimento estudantil e sindical. Mas quantas pessoas tiveram acesso à formação política? Imaginem agora, após o golpe, Temer, Bolsonaro e o enfraquecimento dos sindicatos? 

Sem a oportunidade de ser politizado pelo movimento sindical eu poderia ser um bolsonarista, um manipulado dos ideólogos da casa-grande, um branco de origem humilde que acreditasse na "meritocracia" porque passei em concurso público e fiz faculdade pública. As ferramentas do capital são muito foda para manipular o povo com essa ideologia da classe dominante. 

E por que falo isso? Porque temos dificuldade para lidar com colegas, familiares e conhecidos que se tornaram bolsonaristas, que se tornaram pessoas odiosas e apoiadoras de tudo quanto é ideia e pensamento de direita. E como vamos mudar essa realidade hoje e no próximo período? Como? Essa é uma das questões centrais de nossa vida! Para mudar o destino do Banco do Brasil temos que mudar a direção do Brasil, o governo! É difícil entender isso? (O pior é que é)

As leituras de cenários, os objetivos, estratégias e táticas para mudarmos a realidade social, do mundo do trabalho, da luta de classes são discussões antigas. Na minha idade, já vi repetidamente por 3 décadas algumas das questões debatidas no movimento sindical bancário - estatizar o sistema financeiro, o BB ser 100% público, ocupar cargos no banco público só por concurso e ou processos seletivos ou eletivos.

Nesse sentido, gostei das argumentações do Sérgio Rosa e do Vidotto nos debates de hoje. Durante minha aprendizagem no movimento sindical, várias questões como aquelas que citei acima me eram passadas de forma que eu não fizesse somente as proposições, muitas delas "radicais" ou de vanguarda, sem a devida estratégia para tal. Para propor algo, eu tinha que propor a forma de chegar até aquele objetivo. Isso não é algo tão simples.

BB 100% público - Vidotto perguntou como se daria isso? De forma geral, temos duas possibilidades: pelo fato de o BB ser uma empresa pública de economia mista, ele tem ações nas mãos de investidores. Para se atingir o objetivo daquela proposta ou se expropria os investidores ou se adquire o total de ações nas mãos de terceiros: é muita grana! E aí? Qual delas é factível de se realizar no atual cenário?

Esse é um exemplo dos dilemas que a classe trabalhadora e as organizações de classe enfrentam sobre como mudar a realidade objetiva. A gente não consegue ter o povo com a gente!

Não vou me alongar não. Aliás, já me alonguei demais.

Conseguiremos unidade no campo da esquerda? Conseguiremos unidade na suposta oposição ao projeto em andamento no Brasil após o golpe de Estado? Análises políticas avaliam risco real de ruptura democrática maior que a do golpe de 2016. Teremos força para evitar ou reverter isso? 

A missão de organização e condução das lutas da classe trabalhadora está cada dia mais difícil e complexa. Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado.

William

4.8.21

Cassi 2021 - Questões abordadas com bancári@s (MG)



Apresentação:

Tive a oportunidade de conversar com as bancárias e bancários de Minas Gerais no encontro estadual realizado na semana passada, evento preparatório para o 32º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Falamos a respeito de questões relativas à nossa Caixa de Assistência (Cassi).

Fiz um breve histórico de nossas conquistas com a criação da associação em 1944, hoje uma autogestão responsável pela saúde de quase 700 mil pessoas.

Após a síntese da apresentação, que contém opiniões minhas em relação à Cassi, deixei algumas questões e as respostas que dei a elas, afinal de contas num encontro com trabalhadores, a voz e a vez deles é o que mais importa.

Espero que as informações aqui possam incentivar os debates e estudos aos que lerem o resumo abaixo.

William Mendes
Ex-diretor de saúde da Cassi (2014/18)

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Apresentação feita para o Encontro estadual dos bancários e bancárias de Minas Gerais 2021

Cassi 2021 – Breve histórico da luta por direitos em saúde e ameaças existenciais para a autogestão

Temas relevantes para reflexões e debates no movimento d@s trabalhador@s, associad@s e entidades representativas


- A Caixa de Assistência é uma autogestão, é basicamente o Plano de Associados e a Cassi só tem sentido se o foco for a manutenção desse plano e ele só se mantém se for um sistema de custeio solidário, intergeracional e mutualista;

- Foi criada em 1944, muito antes do atual sistema público de saúde (SUS) e órgãos regulatórios como a própria ANS;

- Reforma Estatutária de 1996: alterações importantes foram feitas. Passou a ser autônoma e não mais dentro do RH do BB; definiu-se como objetivo do modelo assistencial a Atenção Integral à Saúde; o debate contou com a expertise de sanitaristas; o foco passou a ser a gestão da saúde da população assistida – cerca de 400 mil pessoas do Plano de Associados –; objetivos do modelo: prevenção de doenças e promoção de saúde, recuperação e reabilitação de pessoas adoecidas;

- Novo custeio na Reforma de 1996: o banco (4,5%) e os associados (3%) sobre a folha de ativos e aposentados; e criação de estrutura própria nas regiões do país para organizar o sistema de cuidados naquelas bases de assistidos - unidades administrativas e de atendimento em saúde (CliniCassi);

- O modelo assistencial seria a essência da mudança no uso dos recursos da Cassi (antes era ressarcir e pagar serviços de saúde do mercado). Os recursos da Caixa sempre foram baseados nos salários e benefícios dos associados. Lembrar que a inflação médica é de 10 a 20% ao ano no mercado (maior que reajustes anuais dos associados). OPINIÃO: Investir em usar mais o mercado de prestadores é um equívoco como tem feito a atual direção 2021. É retroceder no que era a Cassi antes da reforma de 1996;

- Atenção Primária em Saúde (APS): foram testados modelos entre 1996 e 2001 e a Estratégia Saúde da Família (ESF) foi a escolha definida para a Cassi: equipes de família em unidades de atendimentos CliniCassi + programas de saúde. O uso da rede de prestadores seria mais racional e não por incentivo de buscar prestadores à vontade, de acordo com supostas necessidades e desejos dos usuários do sistema (ideia geral do modelo, temos modelos centralizados e descentralizados);

- 1997: ocorre o lançamento do Cassi Família para parentes dos associados. O modelo de plano de saúde não poderia ter menos direitos do que o dos funcionários (imaginem dentro de uma família, direitos diferentes...). OPINIÃO: hoje a direção 2021 fala que os novos planos (tipo Cassi Essencial) com menos direitos e coberturas e menos redes de atendimento é uma "alegria" pois isso seria uma “inclusão”. Isso é no mínimo um exagero! O plano aberto atualmente, o Cassi Família (II), não tem franquia nem coparticipação, os outros terão;

- 1999: lançado o Cassi Família II, com coberturas e regramentos adaptados às regras da ANS para planos de saúde. Foi necessário fechar o CF I para a entrada de novos participantes e abrir esse novo;

- 2001: aprovação das regras do modelo assistencial no âmbito interno da Cassi;

- 2003: lançamento da Estratégia Saúde da Família (ESF) com o objetivo de cobrir toda a população do Plano de Associados e pelo menos os crônicos do Cassi Família (as metas constam nos relatórios anuais seguintes). Já era para toda a população do Plano de Associados estar cadastrada na ESF há muitos muitos anos;

SALTO NA HISTÓRIA PARA 2014, PERÍODO DE NOSSA PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO

- 2014: a ESF tinha 155 mil cadastrados (de todos os planos) no meio do ano quando chegamos e a Cassi tinha 65 unidades de atendimento CliniCassi e a ESF não era o foco da direção do banco, que questionava a eficiência e a serventia do modelo e também a utilidade das CliniCassi. Tínhamos cerca de 150 equipes de família trabalhando nas unidades. Durante o mandato, ampliamos os cadastrados na ESF para 182 mil vidas (fora a rotatividade, ou seja, saldo de cadastrados a mais);

- 2014: Nos debates do orçamento para 2015, a parte patronal na direção da Cassi propôs diversas reduções de direitos em saúde dos associados da ativa e dos aposentados: propuseram aumentar para 4,5% a mensalidade (50% a mais), coparticipações maiores e franquia nas internações de 1.500 reais, reduções nos programas de saúde como o PAF etc. Eleitos rejeitam essas propostas: 2x2 e 4x4 na direção e CD (depois a patronal e a consultoria contratada por ela inventaram uma conversa que a gestão na Cassi era “impossível” porque não se decidia nada, ou seja, ao usar as regras de decisão e rejeitar o que a patronal queria fazer era "não decisão");

- 2015 a 2018: a patronal força o contingenciamento orçamentário e por anos não faz proposta viável e justa aos associados de reequilíbrio do Plano de Associados. Isso leva a Cassi e o Plano de Associados a uma situação mais agravada nos balanços contábeis e no caixa da autogestão (em 2016 houve um acordo provisório acordado entre as partes, um memorando de entendimento);

- 2015: a diretoria de saúde desenvolve com os profissionais da Cassi métodos científicos de aferição de eficiência do modelo assistencial ESF/CliniCassi. Os resultados são impressionantes: durante o mandato, em dezenas de apresentações públicas e internas, provamos o quanto a ESF economizava os recursos da autogestão e beneficiava a saúde dos cadastrados e vinculados ao modelo assistencial. Cadastrados e vinculados tinham de 10 a 30% menos despesas em relação aos não cadastrados ao modelo ESF, fora outros índices melhores;

- 2017 e 2018: o governo Temer (após o golpe de 2016) organiza ataques aos planos de saúde e direitos dos empregados de estatais. Reuniões secretas ocorrem na CGPAR. (as resoluções que fariam na CGPAR-23 seriam muito semelhantes às resoluções da CEE de 1996, da era FHC);

- 2018: os grandes questionamentos em relação à Cassi foram superados junto aos intervenientes do sistema: eficiência da ESF; baixo custo das CliniCassi e custo-benefício delas; o PAF havia completado o seu modelo de cobertura medicamentosa dos crônicos com entrega domiciliar: mais de 50 mil associados receberiam em casa em todas as localidades do país suas receitas médicas. E a direção do banco passou a valorizar e “aceitar” a importância da participação social no dia a dia da Cassi: conselhos de usuários, sindicatos e associações diversas;

- 2019: a Reforma Estatutária traz novos recursos para o orçamento da Cassi a partir de dezembro daquele ano;

- 2020: veio a pandemia Covid-19 a partir de março (no Brasil); um dos efeitos da pandemia naquele ano foi a redução de consultas, exames e procedimentos eletivos. A Cassi também acumulou recursos novos oriundos da Reforma 2019 e cobrando mais dos associados em coparticipações. No entanto, A ESF NÃO AVANÇOU NADA. O PAF teve reduções drásticas, quase o desfazimento do programa em relação ao que era antes para a manutenção da condição de saúde dos crônicos: são milhares de crônicos que não conseguem acessar o direito ou desistiram dele;

- 2020: veio o projeto de TERCEIRIZAÇÃO TOTAL do modelo assistencial de Estratégia Saúde da Família (ESF), com unidades de atendimento CliniCassi e equipes de saúde próprias. Base da terceirização: o piloto "Bem Cassi”, em Curitiba;

- 2020: a ferramenta de telemedicina para atender demandas de Covid-19 foi uma opção interessante para o contexto da pandemia. Depois viria a surpresa: a ferramenta seria usada para se somar à terceirização total e desfazer a estrutura de saúde do modelo de Atenção Integral APS/ESF/CliniCassi;

- 2021: a direção atual anuncia o lançamento de diversos planos de mercado para supostos “milhões” de familiares dos associados (público-alvo, segundo defensores dos planos). Reduções drásticas dos assistidos do Plano de Associados (382 mil até maio). OPINIÃO: os concorrentes do mercado de planos de saúde são infinitamente maiores e com mais poder de conquistar clientes nas áreas onde estão estabelecidos e eles têm estrutura própria em toda a cadeia de atendimento, diferente da Cassi (eles controlam os custos). Será muito difícil o sucesso dos planos de mercado da Cassi.


Enfim, esses tópicos apresentados foram apenas para situar o público para as reflexões e debates sobre a Cassi. São pontos de referência que escolhi para rememorar lutas dos associad@s, bancári@s e entidades sindicais em relação aos direitos em saúde na comunidade Banco do Brasil.

William Mendes

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Algumas perguntas e colocações feitas pelos participantes do encontro:

PERTENCIMENTO

É um tema central. Os associad@s são donos da Caixa de Assistência, além de usuários do sistema de saúde. É fundamental que as pessoas saibam o que é a autogestão Cassi para lutarem por ela e para utilizarem o sistema de forma consciente e solidária.

JUDICIALIZAÇÃO E RECLAMAÇÕES NA ANS

São questões muito importantes. Sabemos que existe uma indústria de judicialização na área da saúde, por diversos motivos, e a Cassi também sofre com essa questão (não entro no mérito de qual lado tem razão, cada caso é um caso). Quanto mais os associad@s compreenderem o papel da Caixa e como ela funciona, mais chances temos de evitar reclamações e judicialização. 

Já em relação aos planos de mercado da Cassi, é muito mais difícil evitar isso porque a relação entre os usuários e o sistema Cassi é outra, é praticamente comercial (sem pertencimento). Quando estive na Cassi, me debrucei sobre isso por quatro anos e vi que a judicialização nos planos de mercado é bem maior. O risco com esse monte de planos que pretendem lançar com menos direitos é evidente, na minha opinião.

CASSI FAMÍLIA PODERIA SER MAIS BARATO (CF I e CF II)?

Na minha opinião, seria possível fortalecer o modelo assistencial ESF e as CliniCassi vinculando a adesão ao modelo a descontos por ter a ESF como porta de entrada. REDUZIRÍAMOS o valor das mensalidades sem criar um monte de planos com menos direitos. Como os cadastrados vinculados à ESF têm despesas menores no uso da rede credenciada como os estudos demonstraram, todos ganhariam e o modelo APS/ESF/CliniCassi seria fortalecido. Observação: já poderíamos ter mais procedimentos nas CliniCassi, mais equipes de família e CliniCassi de especialidades como tínhamos proposto na gestão. E sem TERCEIRIZAR!

MIGRAÇÃO ENTRE OS PLANOS DENTRO DA CASSI

O grande risco é de associad@s migrarem para os planos de mercado por algum motivo, até por falta de orientação adequada, achando que em algum momento poderia ser mais vantajoso. Qualquer pessoa que tenha direito ao Plano de Associados não deveria jamais optar pelos outros planos de mercado. Cada pessoa que não exercer seu direito de aderir ao Plano de Associados estará abrindo mão da contribuição da parte patronal no custeio além dos benefícios e direitos maiores do Plano. E com o passar do tempo as pessoas acabam ficando sem plano, porque o valor das mensalidades nos modelos por tabela de idade expulsa os usuários quando mais precisam do plano.

(é uma síntese das questões. Foram abordados muitos temas interessantes, mas ficaria enorme a postagem para comentar todos eles)

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29.7.21

Estudando a Cassi para conversar com os trabalhadores e associados



(atualizado até às 16h58 de 30/7/21)

Introdução

No que eu estou pensando? Em tanta coisa. Sobre a Covid e sobre a hipocrisia dos políticos. Sobre Bolsonaro e Hitler e sobre apoiadores de animais como esses. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre hipocrisia. Sobre incêndios que ardem consumindo tudo no brazil. Cheguei a pegar o Fahrenheit 451 pra reler. O fogo consome tudo no brazil... Se Bolsonaro e hitler tivessem 1 apoiador, 1 um hum, já seria um problema do mundo...

No que eu estou pensando? No meu compromisso com a companheira dirigente sindical que me convidou para falar um pouco sobre a Cassi. Então, vou ler algumas horas sobre a Cassi, praticamente no meu blog porque para falar de alguns temas da Cassi acumulei ali bastantes informações. Sobre CGPAR 23, sobre os planos de mercado que a direção atual acha que vão melhorar a "empresa", sobre algumas questões mais que eu achar que valha a pena comentar sobre a autogestão neste momento. Vou reler também algumas matérias sindicais que li nestes dias.

No que estou pensando? Nem dá pra falar. Mas acho que as coisas vão piorar muito para o povo brasileiro, os pobres que sabem que são pobres, os remediados que acham que não são pobres, os alienados que acham que não são alienados, os isentões que mentem que são isentões. A coisa vai piorar muito. A história está acontecendo agora, pessoas vão morrer, como sempre. Mas em algumas épocas as pessoas morriam fazendo parte de uma luta coletiva, de um objetivo conjunto, então havia pertencimento, éramos parte de uma causa. Hoje vamos morrer individualmente, sem pertencer a um projeto de mundo. Triste isso.

Vamos ler sobre a Cassi. Sobre isso eu sei alguma coisinha. Apesar que às vezes saber sobre isso traz muitos problemas pros sabedores. Vamos ler... tenho uma gratidão grande por tod@s que nos apoiaram durante nossas lutas de representação dos trabalhadores.

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Matéria de 26/7/17 (para ler postagem, clique aqui)

"Uma prioridade que perseguimos e conseguimos avanços importantes foi em relação a estudar a nossa autogestão e ampliar a cobertura de seu modelo assistencial de Atenção Integral, baseado em Atenção Primária em Saúde (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF), modelo que funciona a partir de unidades de atendimento CliniCassi. Mesmo com o cenário mais adverso da história recente da Cassi, conseguimos ampliar a cobertura de 155 mil para 182 mil vidas e hoje estamos no limite da capacidade instalada. E nossos estudos mostram que as pessoas cuidadas pela ESF têm uso melhor dos recursos da Cassi quando utilizam a rede prestadora de serviços de saúde, o maior problema de gastos dos planos de saúde na atualidade. A economia per capita do grupo vinculado à ESF no comparativo entre cuidados e não cuidados chega a 30%."

CASSI 2021, CADÊ A ESF? O MERCADO COMEU!

Já pensou se a direção atual quisesse ampliar a ESF na Cassi? Sem recursos, ampliamos a Estratégia Saúde da Família como nunca e muitas vidas foram salvas e a Cassi economizou muito com a inclusão de dezenas de milhares de cadastrados na ESF quando focamos essa meta na gestão do modelo assistencial (2014-2018). 

Repito: ESF cresceu sem recursos novos! Passamos 4 anos sem recursos na área de saúde para ampliar a ESF e as unidades CliniCassi. Com o orçamento novo e atual da Cassi 2021 daria pra ter ampliado a ESF em pelo menos umas 50 mil pessoas cadastradas, caso o modelo assistencial fosse o foco. 

A realidade é que só se ouve falar de vendas de planos de mercado para familiares, planos com menos direitos e mais caros ao se usar o plano - tem franquia e coparticipações. A essência da autogestão de trabalhadores Cassi - Plano de Associados e a ESF/CliniCassi - não é mais o foco da direção. A ESF deve ser quase um palavrão dentro da "empresa". 

As palavras de ordem são "Cassi Essencial", "Bem Cassi", "telemedicina", "novos produtos", "rentabilizar", "reduzir custos". Ou seja, o foco é desfazimento e terceirização. ESF, que isso? Estratégia Saúde da Família? Faz uma ligação pra telemedicina e seja feliz. Parece aqueles comprimidos de soma do Admirável Mundo Novo, do Huxley. Tome uma telemedicina e seja feliz!

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Matéria de 09/8/17 (para ler postagem, clique aqui)

"Seguem abaixo informações e posições de representantes dos trabalhadores eleitos para os conselhos de administração do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ao tomarem conhecimento de reuniões em áreas do governo federal que avaliaram medidas que podem prejudicar os planos de saúde de empresas públicas federais e estatais e os direitos de seus trabalhadores associados."

CGPAR FOI ESTRATÉGIA DO GOVERNO GOLPISTA PARA ATACAR CASSI, SAÚDE CAIXA E DEMAIS AUTOGESTÕES

Nesta matéria no blog, lemos as manifestações de Fabiano Felix e Rita Serrano, na época, representantes eleitos pelos trabalhadores nos conselhos de administração do BB e da Caixa Federal.

As lideranças dos trabalhadores traziam informações de que o governo Temer havia mandado gente da direção dos bancos públicos para as reuniões que criaram a resolução de ataques aos planos de autogestão, resoluções CGPAR. 

Tudo ficaria mais claro depois: como o governo não havia consigo retirar direitos, onerar mais os trabalhadores e baratear o investimento na saúde de seus empregados, porque os eleitos nas autogestões não facilitavam a vida dos patrões, a nova tática foi criar resoluções ilegais e abusivas para atacar as autogestões como a Cassi e a Saúde Caixa.

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Matéria de 18/9/17 (para ler a postagem, clique aqui)

"William Mendes de Oliveira, Diretor de Saúde e de Rede de Atendimento da Cassi, fazendo uma alusão ao livro "Guerra dos Mundos", falou que estamos vivendo em uma guerra, pois o cenário é muito parecido com o da publicação. “Temos toda a condição de fazer o enfrentamento e reverter essa situação”, disse William. Para o gestor, é preciso organizar comitês locais, estimular a criação de conselhos de saúde em todas as instituições em risco e organizar um encontro nacional de saúde e previdência, para envolver a classe trabalhadora das estatais."

O GOLPE DE 2016 INICIAVA UMA "GUERRA DOS MUNDOS"

As resoluções CGPAR, tramadas na surdina para prejudicar os trabalhadores e suas autogestões em saúde, eram táticas para forçar os empregados a cederem às chantagens do governo em reduzir direitos e investimentos em saúde. O momento era desfavorável para nós porque vínhamos sofrendo ataques em todas as áreas do mundo do trabalho. Tínhamos muitas dúvidas entre nós de quais eram as melhores estratégias para enfrentar o inimigo naquela "guerra dos mundos" entre os golpistas da ultradireita e nós classe trabalhadora.

E quem estava lá junto conosco? Nossa guerreira e companheira da Caixa Federal, Erika Kokay (PT/DF). Quatro anos depois, nossa deputada conseguiu aprovar dias atrás na Câmara o PDC 956, que susta os efeitos da CGPAR-23. Agora falta a aprovação no Senado (ler notícia aqui).

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Matéria de 20/12/17 (leia a postagem aqui)

"Dados já divulgados nos boletins - Nos vinculados à ESF é menor a demanda em pronto-socorro em 25%. As despesas assistenciais do grupo vinculado, na comparação por grau de complexidade, chegam a ser 30% menores. As internações hospitalares são bem menores no segmento de vinculados à ESF. Os vinculados à APS/ESF dentro da curva A (maiores despesas da operadora) têm custo 14% menor que os não cadastrados.

As pessoas nas faixas etárias acima de 59 anos são mais cuidadas na Cassi que em outras operadoras e isso faz com que o crescimento da despesa assistencial (32%) deste segmento entre 2012/2016 tenha variado menos que a inflação do período (40%)."

ATAQUES ÀS AUTOGESTÕES (VIA CGPAR) TIVERAM APOIO DA MÍDIA COMERCIAL (CLARO!)

Postagem que fiz em dezembro de 2017 falava sobre matérias vinculadas à mídia golpista dando voz aos pilantras que criaram a CGPAR atacando a eficiência das autogestões como Cassi, Saúde Caixa e demais entidades de saúde de estatais. Isso antes da publicação das resoluções...

ESF DA CASSI PROVAVA EFICIÊNCIA DO MODELO ASSISTENCIAL EM RELAÇÃO AO MODELO DO MERCADO PRIVADO

Como se pode ver na citação acima, a Estratégia Saúde da Família, que qualificamos durante nosso mandato, deu um salto de qualidade ao comprovar que nossos pacientes vinculados tinham melhores resultados em saúde, independente da faixa etária, e tinham despesas assistenciais muito menores que faixas etárias e graus de complexidade não cuidados pela ESF.

Ao se abandonar o modelo ESF/CliniCassi terceirizando tudo para o mercado privado, a direção atual corre o risco de ser a responsável pela destruição do modelo de saúde mais eficiente que se tem notícia no mercado privado de saúde brasileiro. 

Como as condições atuais são amplamente favoráveis aos empresários e empresas que lucram com a doença e são condições quase impossíveis para se criarem novas autogestões e planos como o Plano de Associados - custeio coletivo, intergeracional e solidário -, se destruírem nosso modelo e Plano, nunca mais teremos esse acesso qualificado à saúde por toda a vida.

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Matéria de 26/1/18 (ler postagem aqui)

"São quatro as modalidades de planos tratados nas resoluções: autogestão por operadora própria, os geridos pela área de recursos humanos, os que optam por uma operadora de mercado e os que trabalham com o ressarcimento das despesas. Na modalidade autogestão, por exemplo, a resolução estabelece que as empresas deverão fechar seus planos para adesão de empregados admitidos após a entrada em vigor das novas regras; somente estarão autorizadas a oferecer aos novos empregados benefício de assistência à saúde na modalidade de reembolso e os editais de processos seletivos para admissões de empregados das estatais federais não deverão prever o oferecimento de benefícios de assistência à saúde."

"Não temos tempo sequer de comentar ataques pessoais, imorais e vis que estamos sofrendo por defender de forma aguerrida os direitos dos trabalhadores que representamos nos últimos 4 anos. O tempo é de chamar tod@s à luta para nos rebelarmos contra essas porcarias (leis? legislação?) que estão saindo na canetada em executivos ou por uns quatrocentos lesas-pátrias que ainda estão no legislativo nacional. Teremos que enfrentar também algumas pessoas que tomaram os órgãos do judiciário para si (e que espero que sejam a minoria, porque o povo precisa de justiça e segurança, inclusive jurídica)."

TEMER PUBLICA RESOLUÇÕES DA CGPAR, FERRA AUTOGESTÕES E TRABALHADORES DE ESTATAIS E NA CASSI MOVIMENTO SE DIVIDIU EM 3 PARA FACILITAR A VITÓRIA DA DIREITA

Reler a história recente da comunidade BB e bancária é algo doloroso, mas faz parte da história de lutas da classe trabalhadora.

Na postagem de 26/1/18 no blog, vejo a matéria da Contraf-CUT sobre as resoluções CGPAR, feitas para pressionar bancos, direções e autogestões a reduzirem direitos dos trabalhadores e praticamente inviabilizarem os planos de saúde de milhões de empregados da ativa e aposentados das estatais federais. Quando o tempo é de regime totalitário, não adianta torcer para o ditador disfarçado de presidente não agir contra o povo. O sujeito no poder por golpe da elite vai agir contra o povo. Vejam o sujeito no poder desde 2018 por interferências da Lava Jato, dos milhões de fake news, da mídia empresarial e do próprio judiciário. Como vamos sair dessa agora?

Internamente, entre pessoas próximas, eu dizia meses antes das eleições na Cassi que nossos projetos de avanços nos direitos em saúde na Cassi e no modelo assistencial ESF/CliniCassi e solidariedade estavam sob risco mesmo sendo consensuais porque a esquerda no movimento iria se dividir (e fez isso lançando 3 chapas que defendiam o mesmo projeto solidário na Cassi) e eu vinha sendo martirizado e assediado por um processo interno na autogestão - um evidente lawfare com acusações anônimas mentirosas - para que aquelas mentiras fossem usadas nas eleições e para que eu não tivesse tempo de me dedicar à defesa dos direitos dos associados na Cassi. Deu no que deu! Vitória da direita e parabéns para a patronal que passou a dar as cartas na autogestão, não enfrentando mais empates nas votações na gestão.

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Matéria de 29/1/18 (ler postagem aqui)

"Não compartilho da leitura de algumas pessoas que respiram aliviadas sobre eventual "direito adquirido", termo que é utilizado nas resoluções para tentar dividir o conjunto dos participantes dos planos vítimas das medidas, que atacam e golpeiam de morte autogestões de saúde de trabalhadores.

Não adianta ter "direito adquirido" de algo que pode se inviabilizar e acabar. O governo fechou o Plano de Associados da Cassi em uma canetada. De novo é preciso lembrar para as pessoas o que é solidariedade na Cassi, a base do Plano de Associados. Se eu pensar só em mim hoje e não nos colegas que chegam amanhã, não terá plano para ninguém."

CGPAR - SETORES DO MOVIMENTO ACHAVAM QUE NÃO PERDERÍAMOS NADA POR ACREDITAREM EM "DIREITO ADQUIRIDO" EM RELAÇÃO À AUTOGESTÃO CASSI E AO PLANO DE ASSOCIADOS

Quando enfrentamos ataques violentos aos nossos direitos é comum termos diversas opiniões sobre conceitos e diagnósticos, sobre estratégias e táticas de enfrentamento aos problemas. A publicação das resoluções CGPAR foi um caso desses.

Desde o início, achei preocupante a ideia de "direito adquirido" em relação à inviabilização das autogestões e dos planos de saúde que as resoluções visavam. Se a Cassi e ou o Plano de Associados se inviabilizassem ou acabassem, não adiantaria brigar décadas na justiça porque as pessoas precisam do acesso à saúde no dia que a demanda de saúde acontece e não no dia que sair uma solução na justiça. Nós tivemos que enfrentar essa questão por meses a fio nas discussões das estratégias do que fazer.

O fato é que a Cassi vinha sendo estrangulada pela parte patronal que não apresentou proposta viável por mais de dois anos de negociações, os recursos foram acabando porque o Plano de Associados estava deficitário por questões como custeio e custos de serviços no mercado privado e órgãos da burocracia governamental tinham lado, o lado patronal. 

Entre 2018 e 2019 foram ficando mais difíceis a manutenção de direitos na Cassi e os trabalhadores sofreram muito para manter a autogestão que foi ameaçada de todas as formas, sofreu intervenção da agência reguladora, fechou entradas no Plano de Associados e sofreu ameaça de fechamento e ou "venda de carteira" para o mercado. Foi difícil, e todos saíram perdendo no movimento dos trabalhadores, menos a patronal.

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COMENTÁRIO FINAL DESSA RETROSPECTIVA CASSI

Finalizo essa parte dos estudos sobre a CGPAR e o contexto em que as coisas aconteceram na Caixa de Assistência entre 2017 e 2018.

O governo Temer foi tão sacana que lançou um concurso público no BB no dia 8 de março de 2018 para preencher só 30 vagas e sem direito ao Plano de Associados da Cassi só para efetivar as resoluções CGPAR que eram amplamente questionáveis pela quantidade de abusos e ilegalidades.

Neste momento, julho de 2021, vivemos grandes ameaças em relação ao futuro de nosso Plano de Associados/Caixa de Assistência. O nosso plano que chegou a ter 418.335 assistidos chegou a 382.723 vidas nos primeiros meses de 2021.

A Cassi passou por uma reforma estatutária em novembro de 2019, as mudanças ocorridas foram fruto daquela correlação de forças e do contexto que expus acima. 

Houve contestação do resultado da reforma na justiça, o Brasil teve aquelas eleições esquisitas de 2018 e Bolsonaro virou presidente e veio no ano de 2020 a pandemia mundial de coronavírus.

A direção da Cassi aposta numa terceirização total da nossa autogestão, no lançamento de diversos planos de saúde para familiares e acha que vai concorrer com o mercado privado das grandes operadoras. 

Apostar em planos de saúde e terceirização não é algo viável, na minha opinião, é um engano perigoso porque vai interferir na sobrevivência da essência da autogestão: o Plano de Associados e sua estrutura própria de APS/ESF/CliniCassi e equipes de família e programas de saúde.

Enfim, entendo que a luta pelos direitos em saúde da comunidade BB deve seguir porque é o que se deve fazer.

William


22.7.21

Cassi 2021 - Impressões e opiniões (V)

Olá prezad@s colegas da comunidade BB e companheir@s das entidades representativas!

A matéria da Contraf-CUT reproduzida abaixo traz alertas e preocupações relevantes em relação ao presente e futuro de nossa autogestão Cassi, principalmente em relação ao Plano de Associados, a verdadeira essência de nossa associação, pois o Plano é uma Caixa de Assistência, é um fundo mútuo, intergeracional e solidário criado há 77 anos pelos funcionários do Banco do Brasil, sem novas entradas e oxigenação nos perfis dos assistidos, tende a se inviabilizar.

PLANO DE ASSOCIADOS EM RISCO

Desde que passei a conhecer profundamente a nossa Caixa de Assistência, tenho a opinião de que a perenidade da nossa autogestão depende do equilíbrio e sustentabilidade do Plano de Associados - dos trabalhadores da ativa e aposentados e dependentes -, plano que manteve uma média de 400 mil vidas assistidas desde a reforma estatutária de 1996, e que cresceu durante os governos progressistas do PT, chegando a 418.335 vidas em 2014 e que passou a encolher desde o golpe de Estado em 2016, chegando em 2020 a 388.673 associados.

Pior do que os números em si são as perspectivas que se desenham para o futuro do Plano de Associados e, consequentemente, para a existência da autogestão Cassi, que jamais será uma "empresa" de planos de saúde competidora com o mercado privado, jamais! Só para termos uma ideia, o Plano de Associados reduziu mais 6 mil vidas e chegou a 382.723 associados nos primeiros meses de 2021. 

Pergunto: percebem o quanto é preocupante qualquer movimento ou decisão administrativa do patrocinador BB ou da direção da Cassi que possa fazer com que não haja novas entradas no Plano de Associados nos próximos anos?

PLANO CASSI FAMÍLIA II EM RISCO

E o Cassi Família II, o plano de saúde com regras de mercado disponibilizado aos familiares até determinados graus de parentesco com os trabalhadores do BB, de acordo com regras determinadas pela ANS? O CF II é o plano ativo que temos na Cassi desde 1999. Uma parte de nós da comunidade BB tem um ou mais familiares no plano CF II. O recém lançado Plano Essencial e outros que a diretoria promete lançar ameaçam severamente a sustentabilidade do CF II e isso é muito sério! 

Está na cara que os planos de saúde da Cassi estão concorrendo um com o outro e não com os planos de empresas concorrentes! Isso também é muito sério! São 234 mil participantes do Cassi Família II em risco porque o Cassi Essencial pode inviabilizar o custeio e a estabilidade do CF II e muitos de nós NÃO queremos migrar e passar a pagar coparticipação e franquia, isso é uma fria! É muito pior pagar essas taxas extras que um pouco mais na mensalidade do CF II. A não ser que a pessoa tenha plano de saúde com intenção de nunca usar, o que não faz sentido.

Ou alguém acha que a autogestão dos trabalhadores do BB, a Cassi, com o seu tamanho no mercado de saúde, vai concorrer com as grandes do setor: Bradesco, Unimed, Amil, Hapvida? Não temos condições de concorrer com players que dominam nichos e segmentos do mercado que têm patrimônio gigante, têm estrutura própria de serviços de saúde de uma ponta a outra, desde consultórios, clínicas de imagem, fornecimento de insumos e hospitais de todo tipo e têm influência nos espaços políticos que criam as condições de seus sistemas avançarem no mercado de saúde privado. 

Vejam abaixo um exemplo de um concorrente do Cassi Essencial em diversas regiões, estados e cidades do Brasil: 100 bilhões de patrimônio de Hapvida e Notre Dame Intermédica contra uns 5 ou 6 bilhões da nossa querida Cassi...

Carta Capital, nº1165, 14/7/21, p. 43

DECISÃO ARRISCADA E EQUIVOCADA DA DIREÇÃO DA CASSI, NA MINHA OPINIÃO

Eu imagino que nossos colegas que estão nos espaços de decisão e gestão da Cassi e do Banco do Brasil querem o melhor para a nossa Caixa de Assistência. Mas eles estão equivocados em relação a algumas decisões recentes como, por exemplo, lançar planos de saúde do tipo Cassi Essencial. Falo isso com todo o respeito. Esse não deveria ser o foco da nossa associação. A Cassi deveria focar naquilo que já demonstrou excelência ao longo de décadas de experimentação e resultados na gestão de saúde de uma população estável no tempo, perene, passível de acompanhamento, cuidados e uso melhor de recursos limitados.  Esses são os pontos fortes da Cassi.

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O ESSENCIAL NA CASSI É O PLANO DE ASSOCIADOS E O MODELO ASSISTENCIAL DE ATENÇÃO PRIMÁRIA ESF/CLINICASSI/PROGRAMAS DE SAÚDE 

O Plano de Associados pode ser sustentável por décadas se tiver uma população cuidada pelo modelo assistencial Estratégia Saúde da Família (ESF), através das unidades de saúde CliniCassi, com equipes de família próprias e com programas de saúde específicos de acordo com os diversos graus de complexidade que os perfis dos cadastrados nas equipes de família tenham. Nós mostramos os estudos desse sistema entre 2015 e 2018 e os resultados foram surpreendentes para a Cassi e para a saúde dos cadastrados vinculados ao modelo. A Cassi já poderia ter ampliado em dezenas de milhares os cadastrados na ESF se tivesse focado nisso após a entrada de recursos novos. Os números seguem os mesmos que ampliamos e deixamos entre 2014 e 2018. ESSE É O CAMINHO: AMPLIAR A ESF!

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Estamos à disposição para conversar, trocar experiências e refletir sobre essas questões. Não podemos tomar decisões erradas neste momento da história porque hoje não seria possível criar uma nova Caixa de Assistência - a Cassi. Não seria possível porque as regras e lobbys do mercado privado inviabilizam que se criem sistemas solidários como o Plano de Associados da Cassi.

Pensem nisso, colegas.

Abraços a todas e todos.

William


(Reprodução de matéria de 9/7/21 da Contraf-CUT)

Cassi Essencial é Cavalo de Troia e põe em risco toda a Cassi

Adesão de novos funcionários ao Cassi Essencial, como querem os diretores, põe em risco sustentabilidade do maior plano de autogestão do país


Enfraquecimento da Cassi, redução do número de credenciados, falta de transparência e mais atenção aos interesses do banco do que aos interesses dos funcionários do Banco do Brasil. Estes são alguns dos resultados da implantação do novo plano de saúde criado pelos diretores da Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil, chamado de “Cassi Essencial”. O alerta é das entidades sindicais e representativas dos trabalhadores do BB.

O plano foi criado por diretores e conselheiros eleitos e indicados pelo banco na Cassi. Parece que todos se subordinam aos interesses do banco e se esquecem de defender os interesses dos associados.

O Cassi Essencial foi criado sob o argumento de atrair os participantes que cancelaram o Plano Cassi Família e desejam um plano mais barato. Mas não é isso que fica evidente ao analisar o novo produto. O plano foi criado não apenas para atrair ex-funcionários e parentes por consanguinidade e afinidade dos funcionários do Banco do Brasil. Os funcionários do BB e da Cassi, aposentados e pensionistas e funcionários oriundos dos bancos incorporados também poderão aderir ao novo plano.

Canibalização e descumprimento do estatuto

Os sindicatos e entidades que representam os funcionários do banco denunciam que, por se tratar de um plano de mercado, o trabalhador que aderir ao Cassi Essencial não contará com o patrocínio do banco e com as contribuições patronais. Portanto, se mais funcionários forem atraídos para o novo produto, haverá redução do número de participantes nos planos de Associados e Cassi Família, colocando em risco todo o sistema de solidariedade da Cassi.

Em outras palavras, os diretores da Cassi criaram um produto para ajudar o banco e enfraquecer a Cassi. Uma autofagia explícita. O Cassi Essencial ajudará o banco, que poderá forçar funcionários a migrar para este plano e, assim, poderá fugir do patrocínio e reduzirá suas despesas com a saúde dos funcionários. A migração de participantes do Cassi Família para o novo plano poderá inviabilizar o Cassi Família, encarecendo suas mensalidades – pela relação contratual, a Cassi deve manter os planos ativos enquanto houver participantes.

“A adesão de funcionários [ao Cassi Essencial] desconfigura o Plano Associados, que é um plano solidário, onde os entrantes ajudam a custear os mais velhos e o banco é obrigado a custear parte das despesas. Já o Cassi Essencial, na prática, é um plano de mercado”, explica o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

Fukunaga destaca que a direção da Cassi contraria o estatuto da entidade, que estabelece:

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“Art. 6º. São associados da CASSI, nos termos e condições previstas neste Estatuto e no Regulamento do Plano de Associados: I. Os funcionários do Banco do Brasil S.A. de qualquer categoria, inscritos no Plano de Associados.
§ 1º – O ingresso no Plano de Associados da CASSI será feito mediante solicitação do funcionário, a qualquer tempo, a partir da data de início do vínculo empregatício com o Banco do Brasil S.A.”
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“O que os diretores da Cassi estão propondo com o plano Cassi Essencial é irregular, desobedece ao estatuto da entidade. Além disso, configura crime de responsabilidade com o futuro da Cassi, uma vez que deixaria de ter novos entrantes”, pondera Fukunaga.

Menos credenciados, mais coparticipação

A rede de credenciados do Cassi Essencial, principalmente nos grandes centros, é bem menor que a rede dos demais planos, criando dificuldades para o atendimento aos participantes. O valor pago em coparticipação em exames, consultas e procedimentos neste plano também é maior que nos outros, e pode não compensar a redução das contribuições mensais.

Outra questão levantada pelas entidades sindicais é a falta de transparência, isso porque os diretores da Cassi não divulgaram um comparativo de preços entre os planos Cassi Família e Cassi Essencial, comprometendo a possibilidade de qualquer interessado verificar a relação custo x benefício mais vantajosa para ele.

Redação: Lilian Milena/Contraf-CUT