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20.3.21

PAF da Cassi - Os crônicos estão medicados em 2021?


Rel. Anual Cassi 2016. À época, 55 mil crônicos
eram beneficiados pelo PAF da Cassi.

Opinião:

Pergunto aos meus botões e também aos participantes do Plano de Associados da Cassi e aos seus representantes das entidades de trabalhadores da ativa e aposentados do Banco do Brasil: será que as dezenas de milhares de pacientes crônicos da Cassi estão medicados neste momento e estabilizados em suas condições de saúde? Será mesmo que os crônicos das mais de 4 mil cidades onde eles residem estão conseguindo obter seus medicamentos de uso contínuo? Tenho sérias dúvidas sobre isso!


Ao ver as notícias nos meios de comunicação em relação às dificuldades dos pacientes crônicos conseguirem adquirir materiais e medicamentos básicos para estabilizar suas condições de crônicos e com isso levarem uma vida normal e com saúde (evitando agravamento e necessidade de recorrer a hospitais e internações), é impossível não lamentar o desmonte que ocorreu após 2018 no Programa de Assistência Farmacêutica (PAF) da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a autogestão Cassi.

Fui dar uma rápida olhada na rede mundial e vi uma matéria do dia 15 de dezembro de 2020 sobre a falta de medicamentos crônicos e a dificuldade de acesso a eles por parte dos doentes crônicos. Vejam um trecho abaixo:

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"Cenário do desabastecimento de medicamentos no SUS é revelado por pesquisa da Biored Brasil 

O cenário do desabastecimento de medicamentos de alto custo, no último semestre de 2020, é relevado pelo resultado da pesquisa realizada com 3.600 pacientes voluntários que conviviam com as seguintes doenças: dermatologia (68) , doenças raras (218), doenças reumáticas (2308), doença inflamatória intestinal (828), doenças neurológicas (177)  e oncologia (126).

Os dados apurados indicam que 39 medicamentos de uso contínuo tiveram irregularidades no fornecimento, 88% dos pacientes chegaram a ficar sem nenhuma dose do medicamento, 32% ficaram sem medicamento por mais de 2 meses, 28% esperaram mais de 30 dias pela regularização no fornecimento. Na avaliação geral, 78% dos pacientes declaram que a pandemia, teve impacto negativa sobre a manutenção do tratamento de sua doença crônica não transmissíveis." (fonte: Bioredbrasil.com.br, texto aqui)

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Durante 4 anos (jun/2014 a mai/2018) demos a nossa contribuição na gestão do modelo assistencial da Cassi como diretor de saúde eleito pelos associados e nós percorremos o país explicando como funcionava o PAF, porque era um dos principais programas dentro do gerenciamento de pacientes em condições crônicas e porque era um programa solidário ao distribuir os medicamentos na casa dos participantes de Norte a Sul, de Leste a Oeste, do Oiapoque ao Chuí, a um custo acessível mesmo para aqueles que tinham dificuldades de acesso aos materiais e medicamentos.

Ao final de nosso mandato, a Cassi publicou em março de 2018 matéria que informava que a autogestão (que acolhe participantes em todo o território nacional) havia conseguido atingir um de nossos objetivos à época para o PAF, que era garantir o acesso aos medicamentos na casa dos pacientes crônicos em todo o território nacional. Sempre explicamos que uma coisa é a facilidade para quem está em uma grande cidade ir até as farmácias comprar medicamentos, outra é o crônico conseguir seu remédio em mais de 3 mil municípios com pouca ou nenhuma rede farmacêutica. 

Imaginem como seria importante a distribuição naquele modelo do PAF neste cenário com o risco de morte ao sair de casa em meio à pandemia de Covid-19 para procurar medicamentos em farmácias? Ou alguém acha que nos interiores do país existem as mesmas facilidades que existem nas capitais como São Paulo, Rio de janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília dentre outras cidades gigantes? Mas os associados estão em TODOS os lugares do país.

Se já era difícil para os pacientes crônicos conseguirem os medicamentos de uso contínuo antes da pandemia, imaginem agora com o caos instalado no país e nos sistemas de saúde e medicamentos. Que dirá depois que o PAF foi todo desfigurado com as reduções drásticas de princípios ativos, medicamentos, materiais e fim da distribuição a domicílio, fazendo com que muita gente desista de tomar o remédio ou até de pedir reembolso, pelas dificuldades evidentes no processo?

Durante o tempo em que estivemos na direção da autogestão, representando os trabalhadores da ativa e aposentados, passamos os 4 anos explicando com toda a paciência do mundo o que era o PAF, como funcionava, porque era daquela forma, as melhorias que estávamos fazendo, o quanto o custo benefício do programa era central para o modelo assistencial da Cassi - Atenção Primária (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF) - e o quanto cuidar de crônicos reduzia as despesas assistenciais mesmo dos pacientes mais idosos e mais adoecidos. E claro, através de centralização nas CliniCassi, que conheciam os pacientes crônicos.

Eu sofro só de pensar em quantos colegas da ativa e aposentados estão neste momento sem tomar os seus medicamentos de uso contínuo e podem estar agravando suas condições de saúde crônicas. A assistência farmacêutica que tínhamos era fundamental para a saúde dos participantes do Plano de Associados da Cassi. Era um investimento e não uma despesa desnecessária para a Cassi. O foco era a saúde de seus associados.

Para quem tiver interesse em ver uma publicação onde explicávamos os avanços do PAF em março de 2018 e como funcionava o programa é só clicar aqui, é uma postagem do blog, da prestação de contas do mandato naquela época. O texto do boletim que fazíamos está reproduzido na postagem e traz um pouco mais de informações sobre o programa, só não tem mais o link do PDF (o link da Contraf não existe mais, o que é uma pena!), mas o conteúdo da postagem é autoexplicativo.

Sabemos que o equilíbrio do Plano de Associados é importante, mas sempre discutimos com os trabalhadores uma questão central na Cassi: a Caixa de Assistência deveria ser solidária e estar em função do conjunto dos associados e não somente de parte deles, caso contrário ficaria sem sentido uma autogestão em saúde que não fosse de acesso a todos e todas da comunidade BB.

Abraços a tod@s e boa sorte aos participantes com doenças crônicas de nossa comunidade Banco do Brasil. 

William Mendes

18.3.21

Cassi - Desmonte do modelo assistencial é bom?



Opinião:

Deixo abaixo do registro da minha opinião uma nota da Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (seção Paraná) denunciando o desmonte do modelo de Atenção Básica em Curitiba. A nota foi divulgada pelo site Vi o Mundo no dia 15 de março. O desmonte da estrutura de atenção primária e medicina de família em Curitiba é um exemplo do que pode ocorrer com a Cassi dos funcionários do Banco do Brasil. Por sinal, a direção da Cassi está com piloto de terceirização do modelo assistencial justamente em Curitiba (o "Bem Cassi").

Registro mais uma vez a minha preocupação e posição contrária aos projetos de terceirização total do modelo de Atenção Integral à Saúde da Cassi, modelo definido desde a reforma estatutária de 1996 após experiências que definiram que a Caixa de Assistência teria uma estrutura própria de Atenção Primária à Saúde (APS), através da Estratégia Saúde da Família (ESF) e das CliniCassi. Quando terminamos a gestão na diretoria de saúde (em maio de 2018) a Cassi tinha cerca de 150 equipes de família, 182 mil cadastrados no modelo e 66 unidades de atendimento em saúde CliniCassi.

QUAL SERÁ O PERFIL DOS USUÁRIOS DE SISTEMAS DE SAÚDE NO PRÓXIMO PERÍODO?

Não é preciso ter bola de cristal nem fazer exercício de futurologia para perceber as tendências das condições de saúde do povo brasileiro e dos participantes do sistema Cassi do Banco do Brasil neste momento de crises diversas, sanitária, política, econômica, social, humanitária. Teremos uma multidão de gente com problemas psicológicos e doenças crônicas das mais variadas.

Por conhecer o perfil dos participantes do sistema Cassi, os 700 mil assistidos à época em que estivemos na gestão do modelo de saúde (2014-2018), e por ver minimamente o que está acontecendo no Brasil após o golpe de Estado em 2016 e sob os governos Temer e Bolsonaro, não é difícil fazer inferências sobre o que vem por aí.

As pessoas terão mais problemas de saúde crônicos do que já tinham. A população Cassi já era mais específica que a população que tem algum tipo de plano de saúde do mercado, que filtra a entrada e expulsa pessoas para ter lucro nas operações. Já tinha população com faixas etárias maiores, tinha um grande contingente de crônicos, tinha uma população considerável de pessoas com algum tipo de deficiência etc. Agora teremos os sequelados da Covid-19 para acolher e cuidar nas próximas décadas.

Vocês acham que a terceirização do modelo próprio da Cassi vai ser boa para a população de assistidos da Caixa de Assistência? Me desculpem, mas fico impressionado com a pessoa minimamente consciente e informada sobre esses sistemas que achar que desfazer a estrutura própria da Cassi vai ser bom para nós, participantes do modelo.

CASSI PRECISA AMPLIAR A ESTRUTURA PRÓPRIA APS/ESF/CLINICASSI 

Quem tem algum tipo de conhecimento não pode deixar de externar opinião a respeito dele e é por isso que preciso me posicionar sobre o andamento das coisas na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde, com quase oito décadas de existência e cujos objetivos não são compatíveis com modelo algum do mercado privado de saúde. É impossível ter como base o mercado porque essa "indústria" visa lucro com a doença das pessoas e isso é antagônico com os objetivos da Caixa de Assistência que criamos, uma associação de trabalhadores da empresa pública Banco do Brasil, autogestão em saúde com espírito cooperativista e solidário.

A autogestão Cassi investiu duas décadas na construção de um sistema de saúde próprio (ESTRUTURA PRÓPRIA, BARATA E EFICIENTE) de atenção primária e medicina de família que foi responsável por cuidar de uma população assistida com características muito peculiares e totalmente diferentes dos interesses capitalistas dos planos e empresas de saúde do mercado. A população da Cassi é mais idosa que a média do mercado, é crônica como o povo brasileiro, e vive mais que a média dos planos de mercado. Por isso, o mercado filtra todos os segmentos que não quer atender - exclui idosos, crônicos e pobres -, "clientes" que dão prejuízo. A Cassi passou duas décadas aperfeiçoando um sistema que dá resultados mesmo atendendo a perfis que não interessam ao mercado - FIZEMOS ESTUDOS E PROVAMOS ISSO NA GESTÃO 2014-2018 - e agora querem terceirizar e desfazer esse sistema.

Volto a repetir: após ampliarem a terceirização da Atenção Primária (APS) e a ESF, a Cassi vai desfazer sua estrutura de saúde construída por nós durante longo tempo e perderemos o acesso à saúde com um custo solidário na comunidade Banco do Brasil. Os aposentados, pensionistas, as pessoas com comorbidades, a grande maioria que ganha menos no sistema Cassi (uns 70% de ativos e aposentados) não conseguirão ficar no Plano de Associados e já nem teremos o SUS - Sistema Único de Saúde - para nos socorrer como acontecia no passado e como acontece nas diversas regiões do interior dos estados onde não há rede privada de saúde. A CASSI HOJE TEM RECURSOS E DEVERIA AMPLIAR SUA ESTRUTURA PRÓPRIA DE APS/ESF/CLINICASSI.

Fico impressionado ao ver o silêncio das entidades representativas em relação a isso. Mas sigo registrando minha preocupação com o desmonte do modelo de saúde exitoso que construímos na Cassi.

Repito o que já disse também. A pandemia mundial de Covid-19 pode até ser uma desculpa para que não se faça nada a respeito do tema - projetos de terceirização do modelo assistencial da Cassi -, o desmonte das empresas públicas como o BB também pode ser outra desculpa, mas as lideranças da comunidade Banco do Brasil poderiam também aproveitar toda a crise e chamar reuniões, debates, envolver dezenas de entidades representativas em temas como saúde e previdência porque são temas que poderiam agregar diferentes segmentos políticos e ideológicos. Mas não vendo ilusões, não seria do dia para a noite o engajamento nos temas, é necessário criar pertencimento e isso não existe no momento, na minha opinião.

Feito mais um registro sobre o risco de desmonte da Cassi. Volto a dizer que não tenho nada contra as pessoas que estão na gestão desse processo, não é pessoal, é uma questão de visão de mundo, de ideologia, o que está acontecendo é ruim para o conjunto das pessoas que dependeriam da Cassi nas próximas décadas de vida. Não acho que a Cassi deve ser uma empresa para os poucos que poderão pagar, acho que A CASSI DEVERIA SER PARA TODOS E TODAS.

William Mendes

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ABMMD – Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia -PR

Nota contra o fim da Atenção Básica de Curitiba

O município de Curitiba já foi modelo de atenção básica para o Brasil, com suas unidades de saúde, acesso ampliado, agentes comunitários indo de casa em casa de cada cidadão, desenvolvendo ações de promoção e prevenção.

O município também tem importância por influenciar modelos de gestão de cidades da região metropolitana e de todo Paraná.

Por isto, fazemos este alerta, a fim de informar a setores da sociedade sobre os graves fatos em curso no Sistema de Saúde da cidade.

Já não é de agora que a gestão atual executa fechamento de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) [1], redução do número de equipes de saúde que atuam na atenção básica e mudanças nos processos de trabalho de várias equipes que deixaram de atuar no formato da Saúde da Família antes mesmo da pandemia.

De acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde [2 e 3], o município tinha em março de 2016, 227 equipes de saúde da família e 919 agentes comunitários de saúde (ACS), para em março de 2020 (mês do início da epidemia no Estado) termos 182 equipes e 388 ACS, uma redução de 20% e 58% respectivamente.

Trilhando o mesmo caminho e ao mesmo tempo paradoxalmente, a gestão atual enfraquece ainda mais a Atenção Básica da cidade com o fechamento recente de tantas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Fechamento a princípio anunciado como transitório, por poucas semanas, o que já seria grave, mas preocupa ainda mais dado o andamento da pandemia e o ocorrido em 2020, quando dezenas de UBS permaneceram fechadas por muitos meses.

Além disso, transformou várias unidades em “postinhos de vacinação”, o que nos faz retroceder aos anos 70, e descaracterizou o funcionamento de todas as demais.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde [4], das 111 unidades de saúde que existem, 53 estão completamente fechadas, restando hoje apenas 42 a realizar atendimentos simples do tipo queixa-conduta, 10 que realizam somente vacinação e atendimentos básicos às gestantes e crianças, e ainda 6 que estão atuando somente como postos de vacinação contra Covid-19.

É estarrecedor que este desastre sem precedentes do SUS curitibano seja anunciado pelas equipes de marketing como grande feito da administração municipal.

Na prática, o acesso à saúde para a população caiu em mais da metade em 5 anos.

E quem consegue acessar uma UBS deixou de conseguir, na maioria das vezes, ser atendido pelos profissionais das equipes com quem já tinha vínculo de confiança construído ao longo do tempo, justo quem teria melhor condições de lhe amparar com cuidados adequados em momento de crise.

As mudanças impostas à Atenção Básica impactarão de maneira profundamente negativa na saúde da população, uma vez que a paralisação dos atendimentos das condições crônicas e de diversas outras linhas de cuidado se manifestará de forma desastrosa, resultando em agravamento destes problemas e gerando ainda mais mortes evitáveis [5].

Neste momento de pandemia, onde as pessoas mais precisam de acesso, vemos tantas portas se fecharem, vemos os serviços de saúde reduzirem sua capilaridade e proximidade da população o que agrava ainda mais o efeito desproporcional da pandemia sobre os grupos socialmente mais vulneráveis [6].

Ação que vai na contramão do que muitos outros municípios brasileiros vêm fazendo, optando por fortalecer a atenção básica, o teleatendimento por parte de profissionais e equipes já vinculados e dedicados para cada comunidade, a testagem e a identificação precoce de casos, além de educação em saúde culturalmente adequadas e em contato direto com as lideranças e organizações do território de cada Unidade Básica de Saúde [7].

Nessa perspectiva, a Associação Brasileira de Médicos e Médicas para Democracia – Núcleo Paraná, reafirmando seus compromissos éticos com o SUS, vem conclamar os representantes legislativos e conselheiros municipais a pressionar a Prefeitura Municipal de Curitiba a realizar contratações emergenciais para saúde de maneira mais abrangente e contundente do que tem sido feito até agora.

De modo que seja possível garantir a reabertura de todas as Unidades de Saúde tão necessárias à nossa população e que foram fechadas neste período.

Referências

[1] RPC Curitiba. UPA que ficava no Hospital de Clínicas de Curitiba é fechada. 02/05/2017. [https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/upa-que-ficava-no-hospital-de-clinicas-
-de-curitiba-e-fechada.ghtml]. Acesso em 13/03/2021.

[2] Brasil, Ministério da Saúde. E-Gestor AB. Cobertura da Atenção Básica. [https://eges- torab.saude.gov.br/paginas/acessoPublico/relatorios/relHistoricoCoberturaAB.xhtml]. Acesso em 13/03/2021.

[3] Brasil, Ministério da Saúde. E-Gestor AB. Cobertura de ACS. [https://egestorab.sau- de.gov.br/paginas/acessoPublico/relatorios/relHistoricoCoberturaACS.xhtml]. Acesso em 13/03/2021.

[4] Curitiba, Prefeitura Municipal. [https://www.facebook.com/515514761825666/post- s/4055783744465399/?app=fbl]. Acesso em 13/03/2021.

[5] Mendes, E.V. O Lado Oculto de uma Pandemia: A Terceira Onda da Covid-19 ou o Paciente Invisível.

[6] SARTI, Thiago Dias et al. Qual o papel da Atenção Primária à Saúde diante da pandemia provocada pela COVID-19?. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 29, n. 2, e2020166, 2020
[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-96222020000200903]. Acesso em 13/03/2021.

[7] COVID-19 e Atenção Primária: as experiências nos territórios (Rede PROFSAÚDE) / organizado por Carla Pacheco Teixeira [et al.]. -Rio de Janeiro: ANAIS/SESSÕES TEMÁTICAS / PROFSAÚDE, 2020.

16.2.21

Como está o controle social da Cassi?



Opinião:

Os participantes da comunidade BB têm mais de uma centena de entidades sindicais, dezenas de entidades associativas da ativa e aposentados e a Cassi tem 27 conselhos de usuários. 

Perguntas que deixo para as lideranças da comunidade BB e para os interessados e interessadas:

A comunidade Banco do Brasil, com dois séculos de existência, está atenta e acompanhando o que vem ocorrendo em suas instituições? Os fóruns coletivos estão acompanhando e debatendo as mudanças que vêm ocorrendo na Caixa de Assistência? Foram feitos debates sobre a terceirização na Cassi? A implantação da telemedicina foi discutida com os associados? Qual a extensão da telemedicina? Qual a última vez que se cobrou a ampliação e manutenção do modelo assistencial APS/ESF/CliniCassi? Será que desfigurar programas de saúde como o PAF é aceitável para o modelo assistencial?

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, era até 2017 uma das experiências de sistemas de saúde mais exitosas no país e ouso dizer no mundo por causa da amplitude da população envolvida à época (695 mil participantes diretos) em relação ao seu modelo assistencial de Atenção Primária à Saúde (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF) com estrutura própria - 66 unidades de atendimento em saúde (CliniCassi) e 150 equipes de família à disposição dos participantes nas 27 capitais e diversas regiões nos interiores do país. 

O sistema de Atenção Integral à Saúde da Cassi - baseado em prevenção de doenças, promoção de saúde e acompanhamento de crônicos - já havia se desenvolvido por duas décadas (1996-2017) e durante nossa gestão à frente da diretoria de saúde conseguimos aferir por mecanismos técnicos a eficiência do modelo em relação ao mercado e em relação aos participantes não vinculados ao modelo assistencial. Os avanços na área da saúde foram em função da competência e dedicação do quadro de funcionários da Cassi.

MODELOS DE SAÚDE - O mercado privado de saúde brasileiro tem um modelo descentralizado e de livre acesso por ofertas de serviços e com custos praticamente impagáveis ao longo do tempo, inverso ao modelo idealizado pela Cassi, planejado para monitorar e acompanhar sua população assistida em todo o território nacional, uma população estável e com longa permanência no tempo (décadas). 

Esse modelo mais centralizado possibilita um sistema mais eficiente no tempo, com monitoramento periódico dos participantes de acordo com os diversos graus de complexidade e com resultados melhores em saúde e no custo da compra de serviços nos prestadores do mercado: a rede credenciada e seus diversos níveis de ofertas de serviços.

Os estudos técnicos que fizemos sobre a eficiência do modelo APS/ESF/CliniCassi foram surpreendentes e foram possíveis justamente por termos uma população longeva no sistema e parte dela já estar fidelizada no modelo assistencial em funcionamento há anos nas 66 CliniCassi e 150 equipes de família (ESF). 

O que foi possível fazer com as informações que tínhamos à época? (e baseado nos direitos dos associados à época, que foram drasticamente reduzidos após 2018)

Nós conseguimos comparar o comportamento das despesas per capita entre um grupo de participantes vinculados por pelo menos 3 anos ao modelo ESF (51.821 pessoas) com um grupo não cadastrado ao modelo ESF (401.693 pessoas) por níveis de complexidade (ano base do estudo: 2015). 

Os estudos comprovaram que mesmo as faixas etárias mais idosas tinham uma despesa assistencial na rede prestadora muito menor do que as mesmas faixas etárias que não estavam inseridas ainda no modelo assistencial (de 10 a 40% menor). E as despesas assistenciais dos mais idosos eras menores que as das faixas etárias mais jovens sem vínculo ao modelo!

AMPLIAÇÃO DO MODELO ASSISTENCIAL MESMO EM TEMPOS DE CRISE ECONÔMICO-FINANCEIRA - A Estratégia Saúde da Família (ESF) da Caixa de Assistência saltou de pouco mais de 157 mil cadastrados no início de nossa gestão na saúde (jun/2014) para 182 mil cadastrados ao final do mandato (mai/2018). Só em nossa gestão, incluímos quase 25 mil vidas ao modelo, mesmo a Cassi enfrentando uma grave crise de custeio, outra base importante de um sistema de saúde, debate que, na Cassi, excedia em muito a responsabilidade da diretoria de saúde e rede de atendimento.

Por que fiz este breve histórico da Cassi dos trabalhadores da comunidade Banco do Brasil?

Porque tenho a impressão que o modelo assistencial da nossa autogestão - baseado em prevenção de doenças, promoção de saúde, recuperação e acompanhamento dos participantes - foi severamente afetado pelas mudanças ocorridas após 2018. Vejamos algumas mudanças preocupantes no período:

- a reforma estatutária de novembro de 2019 que encareceu a mensalidade dos participantes;

- a direção atual que aumentou abusivamente as coparticipações em consultas e exames, afetando a essência do modelo: prevenção e acompanhamento dos doentes crônicos através de APS/ESF (o modelo faz mais consultas e exames e economiza exponencialmente em MAT/MED e em internações hospitalares);

- a redução drástica do programa de apoio medicamentoso aos crônicos, o PAF, que foi todo desfigurado com a redução de centenas de medicamentos e com o fim da distribuição em casa, que visava isonomia de acesso à população crônica, principalmente nos interiores e locais com pouca rede de venda de medicamentos. Segundo matéria na Contraf-CUT (10/9/20) a LIMACA reduziu de 365 para 92 os princípios ativos, de 2985 para 1167 medicamentos e de 143 para 31 materiais abonáveis;

- a pandemia de Covid-19 que afetou profundamente a relação dos participantes com as CliniCassi e com a rede prestadora, inclusive os vinculados à ESF, em boa parte pessoas dos grupos de risco, com algumas comorbidades e acompanhamento das equipes multidisciplinares;

- e, por fim, a implantação de um modelo de telemedicina que o mercado vem adotando em substituição ao atendimento presencial e que precisaria ser avaliado criticamente pelas representações dos associados da Cassi porque me parece que essa ferramenta tende a ser usada na Caixa de Assistência para substituir o modelo presencial na relação dos profissionais de saúde das equipes ESF com os participantes da autogestão. Uma coisa é a ferramenta ser utilizada durante a crise da pandemia e outra é ser adotada como modelo para tudo.

Por causa da pandemia de Covid-19, e também por causa de outros fatores anteriores à pandemia como, por exemplo, maior custo para os participantes após 2018, avalio que o sistema que funcionava relativamente bem de APS/ESF/CliniCassi deve ter sofrido prejuízos e ou retrocessos importantes nesse período. Mas reafirmo que isso é uma impressão pelo que conheço do sistema Cassi. Não tenho dados sobre isso e entendo que as entidades dos participantes deveriam ter esses dados formalmente, já que representam os associados.

Para piorar, a direção da Cassi pretende terceirizar a essência do modelo assistencial (piloto "Bem Cassi" no Paraná) e isso pode ferir mortalmente o modelo porque se a direção desfizer a estrutura própria construída há décadas dificilmente haverá retorno. Essa terceirização para o mercado da atividade fim da Cassi é extremamente arriscada porque mercado é mercado. Já vimos grupos empresariais fecharem leitos de maternidade para abrirem leitos para tratamento de câncer porque dão mais lucro para os donos e profissionais das empresas de saúde. (escrevi 3 artigos a respeito do "Bem Cassi": ler aqui um deles com link para os outros)

Além do que descrevi em relação às mudanças na Cassi, temos uma tragédia em andamento no mundo do trabalho relacionado à Cassi - o Banco do Brasil - que passa por um desmonte violento desde o golpe de Estado de 2016. Só neste mês saíram 5.533 trabalhadores do banco, sendo que mais de mil pessoas saíram da comunidade BB. 

As entidades sindicais relatam diariamente o caos que está trabalhar no BB por causa da pandemia, do desmonte, do assédio moral, descomissionamentos e reduções salariais, metas impossíveis e péssimas condições de trabalho. Já saíram mais de 17 mil pessoas no período Temer e Bolsonaro. 

Enfim, os fatos e os acontecimentos indicam que provavelmente temos uma multidão de pessoas adoecidas ou em vias de adoecer na comunidade Banco do Brasil. Isso é muito preocupante.

Deixo minha solidariedade aos colegas que estão na ativa enfrentando essa situação difícil nos locais de trabalho e minha solidariedade às lutas em defesa dos direitos da comunidade BB, sejam direitos em saúde, previdência e direitos sociais como os do trabalho.

Abraços a tod@s,

William Mendes


11.2.21

Defender o BB: organização de base é fundamental



Opinião

"Organizei uma série de reuniões entre líderes do CNA e dos CIAS, tanto banidos como ainda não banidos, para discutir os parâmetros do plano. Trabalhei nele por vários meses e criei um sistema que era amplo o suficiente para adaptar-se às condições locais e ao mesmo tempo não restringisse a iniciativa individual, mas detalhado o suficiente para facilitar a ordem. A menor unidade era a célula, que em assentamentos urbanos consistia em cerca de dez casas em uma rua. Um administrador de célula seria responsável por cada uma dessas unidades. Se uma rua contivesse mais de dez casas, um administrador de rua se encarregaria dela, e os administradores de células se reportariam a ele..." (MANDELA, Longa caminhada até a liberdade, 3ª edição, 2012, p. 179)


O momento descrito acima é do início da década de 1950 na África do Sul. Nelson Mandela e os demais líderes do Congresso Nacional Africano (CNA) suspeitam que o regime de minoria branca vai colocar o CNA na clandestinidade. Para se antecipar a isso, Mandela planeja uma forma de Organização de Base para que o movimento de resistência e defesa dos direitos dos negros não perca a capacidade de luta. A história da luta dos sul-africanos negros contra o apartheid é linda e uma referência para nós da classe trabalhadora oprimida no mundo organizado atualmente através do modo de produção e exploração capitalista.

Eu entrei no Banco do Brasil em setembro de 1992, após quase um ano como estagiário do banco e após passar duas vezes no concurso público para escriturário do maior banco público do país (em 1991 o concurso foi cancelado por fraude e os aprovados tiveram que passar de novo).

Já no final de 1993 eu havia feito o curso de caixa executivo e iniciava o atendimento aos clientes na bateria de caixa da agência Rua Clélia, na região da Lapa, em São Paulo. Foi uma oportunidade ímpar porque a fila para ir para a função de caixa era demorada, em geral se esperava muitos anos pela promoção. Como os colegas veteranos estavam negociando suas férias de fim de ano com a gerência, eu me coloquei à disposição para trabalhar no caixa nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Valeu a pena o esforço, pois virei caixa do Banco do Brasil com praticamente um ano de banco. 

Atuei no atendimento aos clientes do BB como caixa por praticamente uma década, até o dia 5 de agosto de 2002, dia que fui liberado do local de trabalho, a agência Vila Iara, em Osasco, para cumprir o mandato de diretor eleito do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Tanto durante a década no atendimento aos clientes e nas lutas ao lado dos colegas do caixa, quanto no período em que fui dirigente, sempre lutei pela valorização dos caixas executivos do BB e tenho muitas histórias para contar. Durante toda a minha vida de militância sindical, sempre tive um carinho enorme e muita consideração pelos colegas que atuam na linha de frente no atendimento aos clientes, seja atuando nos caixas, nas mesas de atendimento e pelas formas telefônicas e virtuais. 

O regime neofascista que assumiu o poder após o golpe de Estado de 2016 está atuando com rapidez para enfraquecer e privatizar as empresas públicas brasileiras. O Banco do Brasil é um dos alvos do desmonte. Uma reestruturação em andamento vai fechar agências e unidades, reduzir postos de trabalho e piorar o atendimento ao povo brasileiro (5533 colegas vão sair) e reduz salários e direitos de todo mundo. É O CAOS! O governo vai reduzir salários e oportunidades, e uma das sacanagens é acabar com a efetivação da comissão de caixa executivo. Só a luta com participação dos trabalhadores, movimento de dentro para fora, pode criar dificuldades a essa destruição de nosso banco público e da vida das pessoas.

Por que citei aquela passagem da luta dos negros sul-africanos contra o apartheid e por direitos plenos em seu próprio país? Porque a organização de base, ou Organização por Local de Trabalho (OLT) foi uma das primeiras coisas que aprendi como trabalhador da categoria bancária, uma categoria com forte organização sindical. O mundo pode ter mudado, a tecnologia e as novas formas de trabalho podem ter mudado, quase tudo pode ter mudado, mas a exploração do trabalhador não mudou porque continuamos caminhando para a destruição do mundo e da vida das pessoas pelo modo de produção capitalista.

O ano é 2021. O governo é um regime lesa-pátria, composto pelo pior tipo de gente da face da terra, e o momento é de ataques e destruição do patrimônio público e dos direitos sociais da classe trabalhadora. E a única forma de enfrentar os ataques e resistir é através de organização de base. Se posso sugerir alguma coisa para os colegas do Banco do Brasil e as entidades sindicais é que reorganizem o trabalho de base. Me parece que as pessoas colocam dificuldades em tudo e as desculpas são as mais diferentes, todas elas têm suas razões. Mas isso não impede que os trabalhadores organizem a base de luta contra todo o desmonte que está acontecendo no Banco do Brasil e demais empresas públicas.

Se uma base sindical tem 100 unidades do banco e 1200 trabalhadores e o sindicato local tem 25 diretores e mais alguns funcionários é só sentar e definir a organização de base como o Mandela explica acima. Não importa se o contato é presencial ou virtual, se estamos ou não em pandemia, se o ataque aos trabalhadores segue implacável. Uma pessoa pode ser a responsável por organizar uma pequena rede de contatos com 10 pessoas e 10 unidades. Pode conhecer essas pessoas, pode levar informações e trazer informações relevantes para a organização de luta e defesa do banco, do emprego, da vida e dos direitos das pessoas. 

É possível organizar a base, fizemos isso a vida toda. Quando eu era responsável por algumas dezenas de locais de trabalho no sindicato, eu tinha um contato por local, conhecia o nome das pessoas, tinha alguma forma de contato de emergência etc. Até em mandato nacional, na Cassi, fiz trabalho de base e contribuí para fortalecer redes de lutas e defesa da Cassi. Amig@s, afirmo que ainda é possível organizar as bases de trabalhadores.

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre isso, mas não é o caso. Sei que os sindicatos e os trabalhadores estão na luta da maneira que o momento de pandemia e crise permitem. Como farão plenárias nas bases sindicais hoje, quinta-feira 11, deixo a sugestão de pensarem formas de organização por células locais. Isso é mais antigo que andar para a frente, como dizem por aí, mas é necessário definir essa questão de organização em redes e fazer.

Organização de Base! Solidariedade de classe. Cooperativismo. Associativismo. Socialismo.

É o que acredito, realmente!

William


9.2.21

Artigo: BB, Caixa e BNDES sob ataque


Apresentação do blog:

Segue abaixo artigo de opinião escrito por João Fukunaga e José Ricardo Sasseron sobre os ataques que vêm sofrendo os maiores bancos públicos do país.

(reprodução do site do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região)

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Governo quer destruir BB, Caixa e BNDES e acabar com financiamento à economia

João Fukunaga, diretor do Sindicato dos Bancários de SP, e José Ricardo Sasseron, ex-diretor de Seguridade da Previ e do Sindicato dos Bancários SP, analisam os ataques aos bancos públicos

Publicado em 08/02/2021


O atual governo, atendendo aos apelos do mercado financeiro, leva adiante seu plano de esvaziar os bancos públicos, vender suas subsidiárias e preparar a sua privatização. Ataca diariamente as instituições e seus funcionários, demitindo e desmotivando aqueles que dedicam toda a sua vida de trabalho para atender à população e fornecer crédito para a produção e geração de emprego e renda. O Governo age como verdadeiro inimigo de quem produz alimentos, produtos e serviços.

Os bancos públicos são eficientes, geram lucro e pagam dividendos ao governo, seu maior acionista. No ano de 2019, os três maiores bancos públicos (BB, Caixa e BNDES) lucraram R$ 57 bilhões e pagaram, ao governo, R$ 18,2 bilhões em dividendos. Dinheiro suficiente para cobrir o valor gasto com o programa Bolsa Família para 8,3 milhões de famílias, abrangendo cerca de 25 milhões de pessoas.

O Banco do Brasil é responsável por quase 60% de todo o crédito agrícola. Financia os pequenos agricultores da agricultura familiar, responsável pela produção de 70% de todos os alimentos consumidos pelos brasileiros. Financia também o agronegócio, responsável por 43% das exportações brasileiras em 2019. O Brasil se tornou um dos dois maiores produtores de alimentos do mundo, graças ao apoio que o BB dá a este segmento desde a sua fundação.

Caixa e BB respondem por quase 80% de todo o crédito imobiliário às famílias brasileiras, para realizarem o sonho da casa própria. Juntos, os dois bancos públicos concedem quase 100% de todo o financiamento imobiliário nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Os bancos privados concentram-se no Sudeste, principalmente em São Paulo. Sem BB e Caixa, haveria uma explosão de favelas nas grandes cidades brasileiras.

BNDES, BB e Caixa emprestam a longo prazo e foram os grandes responsáveis por financiar obras de infraestrutura, como hidrelétricas, geração de energia eólica, metrôs, corredores de ônibus, aeroportos, portos, modernização de estradas. Sem estes bancos, apagões como o de 2001 e o do Amapá em 2020 seriam uma constante. Os bancos privados emprestam a juros altíssimos e no curto prazo, em busca de lucro imediato.

Os bancos públicos são responsáveis por mais de 80% de todo o crédito concedido nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. Os bancos privados concentram suas atividades principalmente em São Paulo, aprofundando desigualdades regionais.

Governo ataca funcionários para destruir os bancos

O último ataque perpetrado pelo governo, pela mídia dominante e por jornalistas de aluguel é contra os funcionários, espalhando informações falsas e deturpadas. O salário inicial do BB e da Caixa, na faixa dos R$ 3.000, é equivalente ao salário pago aos bancários de bancos privados. O salário médio nos bancos públicos é 20% maior que o de bancos privados. Se os bancários de bancos privados ganham menos é devido principalmente à alta rotatividade de mão-de-obra, pois os banqueiros demitem quem ganha mais para contratar outros com salários mais baixos.

Os bancários dos bancos públicos seguem o padrão de remuneração do mercado, mas BB e Caixa prestam serviços muito mais relevantes à população brasileira que seus concorrentes.

Destruir bancos públicos compromete futuro do Brasil

Se acabar com os bancos públicos, o Estado perderá um instrumento poderoso de incentivo à economia. Para vencer a crise mundial de 2008, o Governo de então orientou o BB, a Caixa e o BNDES a financiar a retomada da produção e a economia brasileira entrou numa fase de crescimento que levou ao mais baixo índice de desemprego de toda a história brasileira. Os bancos privados, ao contrário, secaram suas operações de crédito, aprofundando a crise.

Ao tentar destruir os bancos públicos, o atual governo pode comprometer a capacidade de recuperação da economia pós-pandemia, dificultar a geração de empregos e, por consequência, condenar milhões de brasileiros à miséria.


¹João Fukunaga é diretor do Sindicato dos Bancários de SP

²José Ricardo Sasseron foi diretor de Seguridade da Previ e do Sindicato dos Bancários SP

Fonte: Seeb SP.

22.1.21

Ataques ao BB e aos direitos de sua comunidade



Opinião

O Banco do Brasil está sob ataque mais uma vez. Os privatistas no poder atuam para desmontar e acabar com o nosso maior banco público. Ao longo de sua história bicentenária o BB já foi quebrado por alguns governantes e seus administradores de plantão. Já correu o risco de ser privatizado diversas vezes. 

Em todos os períodos de ameaças o banco público foi salvo pela capacidade de organização e luta de seus funcionários e entidades representativas e pela parcela do povo brasileiro que sabe reconhecer a importância da instituição no financiamento dos setores produtivos da sociedade.

O cenário desta vez é bastante complexo, talvez o mais difícil de sua história. Provavelmente os cenários anteriores também fossem julgados em suas épocas como os mais difíceis da história do BB. A novidade neste momento de ameaças e ataques ao maior banco público do país é estarmos sob o governo do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros de Estado, sobretudo de um deles, Paulo Guedes. 

Não vou tecer comentários depreciativos a respeito dessa gente responsável pelo desfazimento do Brasil e de suas instituições centenárias. O Brasil está o caos! O caos!

Nos anos noventa, o BB foi preparado para a privatização com a eliminação de 50 mil postos de trabalho entre 1995 e 1998. O banco não acabou durante a gestão tucana porque não deu tempo, saíram em 2002 deixando o país sem a maior parte de suas empresas e patrimônios públicos.

O BB cresceu em todos os sentidos com a eleição de Lula, do Partido dos Trabalhadores. Durante os mandatos petistas (2003/2015), o Banco do Brasil empregou bancários concursados com direitos coletivos, chegou a 120 mil funcionários e salvou o país na crise mundial do subprime (iniciada em 2008 e agravada nos anos seguintes). Contou com o apoio dos demais bancos públicos e com a Petrobras. 

Sob governos petistas, o BB, a Caixa, o BNDES e demais bancos públicos deram os maiores resultados de suas histórias. Expandiram o crédito, a bancarização, contribuíram com os programas sociais do governo federal e dos governos locais. Foram agentes de apoio a todos os setores produtivos do país. Contrataram trabalhadores concursados com direitos coletivos. Ajudaram o país, o povo brasileiro e ainda beneficiaram o governo e os acionistas.

Então veio o golpe de Estado em 2016 e a destruição de tudo nunca foi tão acelerada no país: destruição do emprego formal e das cadeias produtivas, destruição dos direitos civis, sociais e políticos. Estamos sob governos de destruição. E com a destruição de tudo, veio a morte do povo. Mortes severinas, morte morrida, morte matada, morte por falta de direitos básicos de cidadania. Estamos sob governos de morte. Governos de exceção desde o golpe de Estado.

SEM PERTENCIMENTO E PARTICIPAÇÃO, ADEUS DIREITOS, BB, PREVI, CASSI, ENTIDADES REPRESENTATIVAS...

O BB está sendo desmontado desde o golpe de 2016. Eliminação de 17 mil postos de trabalho; fechamento generalizado de agências e terceirizações absurdas; redução de salários através de mudanças nos planos de cargos e salários e na remuneração por funções; esvaziamento do papel do banco no apoio à sociedade brasileira. O nosso banco é chamado de "porra" pelo ministro de Estado do governo atual.

PREVI - Nossa Caixa de Previdência secular tem um dos maiores patrimônios acumulados da América Latina, é responsável pelo presente e futuro de quase 200 mil associados. Ainda é administrada de forma paritária pelos trabalhadores associados e pelo governo - apesar do voto de minerva no CD. Há anos as forças políticas do capital (mercado e órgãos do governo) tentam mudar as regras para tirarem dos funcionários o direito de gerirem seu próprio fundo de pensão, suas poupanças previdenciárias. Nosso poder e nosso patrimônio podem ser retirados de nós a qualquer momento, isso é uma questão de correlação de forças, de unidade dos 200 mil associados.

CASSI - Nossa Caixa de Assistência é um patrimônio inestimável da comunidade Banco do Brasil porque não se avalia a importância da Cassi em cifras de moedas e números frios de balanços patrimoniais episódicos. Se olharmos seus resultados econômico-financeiros nas dezenas de anos de assistência aos funcionários da ativa e aposentados e seus familiares (e eu estudei isso), veremos que a Caixa sempre teve dificuldades de recursos por algumas questões óbvias: 

- as despesas assistenciais dos sistemas de saúde, públicos e privados, tendem a ser maiores que os valores arrecadados; 

- os modelos de sistema de saúde escolhidos são centrais na definição do uso dos recursos disponíveis; 

- os perfis dos beneficiários que se quer incluir no sistema de saúde também são definidores da relação receitas/despesas; 

- e o principal: não existe sistema de saúde que se sustente sem solidariedade na arrecadação e no uso dos recursos.

Na minha opinião, a Cassi segue sob forte ameaça de existência e de manutenção naquilo que é sua essência: ser a Caixa de Assistência do todos os trabalhadores da ativa, aposentados e dependentes, de ontem, de hoje e de amanhã do banco público BB. Estou falando do Plano de Associados, a razão de ser da Cassi. Estou falando do modelo de Atenção Integral à Saúde, através da Estratégia Saúde da Família (ESF), da Atenção Primária à Saúde (APS) e através de estrutura própria (CliniCassi) e equipes de família e programas de saúde próprios. Estou falando dos programas de saúde dos trabalhadores através do (PCMSO) com o Banco do Brasil.

Muito me preocupam diversas questões do momento em relação ao presente e ao futuro da Cassi:

- a telemedicina na forma como o mercado está lidando com ela; 

- a terceirização da ESF/APS como a direção atual está experimentando (piloto no Paraná); 

- a ideia de criar diversos planos locais de Cassi Família (é modelo de mercado, que visa lucro e pode dar prejuízo); 

- a redução da solidariedade no custeio no sistema Cassi (Plano de Associados); 

- o alto custo para mais da metade dos funcionários da ativa e aposentados se manterem no Plano de Associados por causa das mensalidades com cobrança por dependentes e coparticipações muito altas; 

- a redução drástica de direitos relacionados a programas de saúde;

- o enfraquecimento da participação social tanto na gestão da Cassi quanto nos espaços regionais de controle social.

- a redução de salários e do quadro de funcionários do banco etc. 

Entendo que as entidades representativas, principalmente as sindicais, deveriam se envolver nestes temas que citei acima fazendo amplos debates porque há uma tendência de se naturalizar decisões administrativas do atual momento como se fossem "técnicas" ou "modernas" ou ainda "inexoráveis" sem a devida discussão política que se deve ter nas questões de saúde de interesse da classe trabalhadora. Um exemplo claro disso é o silêncio das entidades representativas em relação à terceirização da atividade fim da Cassi no piloto que a direção está fazendo ("Bem Cassi").

Enfim, sem espírito de pertencimento em relação às nossas entidades de saúde e previdência privada e ao nosso banco público por parte de dezenas de milhares de aposentados do Banco do Brasil e de seus quase 90 mil trabalhadores da ativa, fica bem reduzida a capacidade de organização da luta unitária em defesa dos direitos dessa comunidade bicentenária, inclusive na manutenção de sua existência enquanto um coletivo de trabalhadores brasileiros.

DIA NACIONAL DE LUTAS - As atividades sindicais feitas nesta quinta 21 em todo o país foram muito importantes para envolver os funcionários e a sociedade sobre o desmonte do Banco do Brasil por parte do governo federal. Centenas de agências e dependências serão fechadas e milhares de funcionários estão sendo pressionados para saírem em planos de adequação e desligamento por perderem suas funções e seus salários.

Sem o envolvimento e participação dos 200 mil cidadãos da ativa e aposentados, dificilmente manteremos o BB público, nosso patrimônio da Previ e nosso Plano de Associados da Cassi. De nada valeria comemorar hoje o reajuste dos benefícios da Previ e amanhã sofrermos intervenções e/ou ataques ao patrimônio da Previ. De nada valeria comemorar eventual equilíbrio nas contas da Cassi se milhares de associados estiverem saindo por não conseguirem pagar as mensalidades e coparticipações.

Abraços!

William Mendes


12.1.21

Ataque ao BB (II) - Redução de agências e trabalhadores


Opinião

Como informamos aqui no blog, o Banco do Brasil publicou ontem, 11 de janeiro, Fato Relevante anunciando mais uma de suas reestruturações. Na nossa opinião, e pelo que as lideranças dos trabalhadores argumentam nas matérias nos sites das entidades sindicais, se trata de um forte ataque ao banco e aos funcionários, reduzindo mais ainda a capacidade de operação do maior e mais antigo banco público do país, eliminando milhares de postos de trabalho, deixando os colegas do banco numa situação pior do que a que vivem no momento trabalhando em meio à pandemia mundial de Covid-19 e com sobrecarga de trabalho absurda porque a direção do BB já eliminou cerca de 15 mil posto de trabalho depois do golpe de Estado em 2016.

A reestruturação parece ter o clara intenção de piorar a imagem do banco público perante a sociedade ao reduzir sua capacidade de atuação e piorar o atendimento porque fechar agências e reduzir mais ainda o quadro de funcionários fará com que fique mais difícil que o Banco do Brasil desempenhe seu papel de agente financeiro do país, com capacidade para contribuir para reerguer a economia do Brasil em todos os setores da sociedade. Os lesas-pátrias que assumiram o controle do país não escondem o desejo de privatizar todas as empresas de patrimônio do povo brasileiro em favor dos interesses estrangeiros e do mercado.

Os colegas devem ficar atentos às questões relativas à saúde e previdência complementar como nos casos dos associados da Cassi e da Previ quando forem tomar suas decisões a respeito de aderir ou não a eventuais planos de desligamento apresentados pela direção do banco. No caso da Previ, os colegas têm dúvidas em relação aos cálculos de seus complementos de aposentadoria. No site da Previ é possível tirar várias dúvidas sobre os cálculos dos planos. No caso da Cassi, é importante ficarem atentos para não perderem o direito ao Plano de Associados porque ao sair do banco é preciso ser beneficiário dos planos da Previ para terem direito a permanecer na Cassi.

A Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB), órgão organizativo da Contraf-CUT, já se reuniu virtualmente com a direção do banco nesta segunda 11 e os sindicatos e federações são importantes para os trabalhadores neste momento de ataque ao Banco do Brasil por parte desse governo que tem como objetivo destruir tudo que a classe trabalhadora construiu no país ao longo de séculos de lutas sociais.

Não deixem de acompanhar as informações publicadas pelas entidades sindicais dos bancários.

160 ANOS DE CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Aproveito a data de hoje para parabenizar a Caixa Econômica Federal que completa 160 anos de serviços prestados à sociedade brasileira e devemos apoiar os empregados e empregadas em suas lutas pelo fortalecimento do banco. O povo brasileiro viu mais uma vez a importância da Caixa neste momento de crise mundial pela pandemia de Covid-19. Viva a Caixa! Não podemos deixar que os lesas-pátrias no poder destruam ou enfraqueçam esse patrimônio do povo! 

Abraços,

William

(reprodução de matéria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região)


BB surpreende funcionários com restruturação e com ameaça de 5 mil dispensas

Além do PDV, plano prevê fechamento de agências, perdas de gratificação e redução do papel do banco público

Publicado em 11/01/21 - 18h34

A direção do Banco do Brasil fez uma "surpresa" para os funcionários e as entidades sindicais ao anunciar, nesta segunda-feira (11) pela manhã, um plano de restruturação que prevê o fechamento de agências e outras unidades, além de um Plano de Demissões Voluntários (PDV) que tem por meta dispensar 5 mil trabalhadores do banco, entre outras medidas consideradas muito ruins.

O plano prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Também estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas BB, além da relocalização e 85 unidades de negócios e a criação de 28 unidades de negócios. O PDV prevê duas modalidades de desligamento: o Programa de Adequação de Quadros (PAQ), para o que a direção do banco considera excessos nas unidades; e o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE), para todos os funcionários do BB que atenderem aos pré-requisitos.

O banco também quer fazer mudanças no atual modelo e remuneração dos caixas executivos, que deixariam de ter a gratificação permanente a passariam a ter uma gratificação proporcional apenas aos dias de atuação, se houver.

“Fomos informados pelos funcionários, que receberam o comunicado do banco às 9h. Foi um desrespeito com os funcionários e com as entidades sindicais. Somos contrários a esse plano, que retira do BB o papel de banco público. Também prejudica os caixas executivos, que terão perdas. Na reunião de hoje, as informações foram poucas”, afirmou João Fukunaga, coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB).

Na reunião com a CEBB, os representantes do BB admitiram que não tinham todas as informações por ser o dia do anúncio do plano de restruturação. “Estudamos medidas judiciais e orientamos os bancários que procurem seus sindicatos para mais informações. O anúncio do plano provocou muita preocupação entre os funcionários. Agora, quem está em home office vai querer voltar a trabalhar presencialmente porque está preocupado de não deixar de ser notado em um momento de redução de pessoal. Tudo isso acontece em meio à pandemia”, criticou Fukunaga.

Participaram da reunião desta segunda-feira vários representantes de federações de bancários de todo o Brasil. O plano de restruturação foi considerado um ataque à categoria e pode causar, na prática, a redução do papel do Banco do Brasil como banco público, com o fechamento de agências em diversas cidades do país. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a CEBB orientam os sindicatos a fazerem reunião para saber o impacto do plano nas suas bases e a repassarem essas informações para as federações. A CEBB vai realizar nova reunião na quarta-feira (13) para discutir um calendário de lutas e de mobilização dos funcionários.

Fonte: Redação do Seeb SP

11.1.21

Ataque ao BB - Governo fecha agências e desliga 5 mil trabalhadores



Opinião

Há menos de uma semana escrevi um artigo a respeito das ameaças e riscos aos quais o Banco do Brasil e sua comunidade de trabalhadores da ativa e aposentados estão expostos sob esse regime fascista e de destruição de tudo no país. (leia artigo aqui)

"Essa comunidade e segmento de trabalhadores bancários precisa ser fortalecida por cada um de nós. As nossas entidades representativas e associativas - incluindo nossos sindicatos, Cassi e Previ - estão todas sob risco e sob ameaça de desfazimento, de intervenções externas, de enfraquecimento e consequentemente de dificuldades para cumprir com seus objetivos em face do momento atual de crise política, social e econômica do Brasil."

Apesar de parecer, não foi uma premonição o que escrevi: foi mais ou menos uma leitura de cenário esses ataques ao banco e aos trabalhadores neste início de ano. 

Nesta segunda, 11 de janeiro, foi anunciado pelo regime no poder - o "governo" lesa-pátria - uma reestruturação no BB que pretende esvaziar ainda mais o papel do banco público e a sua capacidade de financiar a reconstrução do Brasil, que vive a maior crise de sua história após o golpe de Estado em 2016.

Ao mesmo tempo, o anúncio de redução do papel do BB é mais um ataque violento aos trabalhadores que já estão em seus limites físicos e psicológicos devido ao trabalho sob condições absurdamente adversas como tem sido trabalhar durante a pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19).

A depender desses celerados no poder, o Brasil, um dos maiores países do mundo, vai se tornar um pasto continental e uma lavoura de commodities para vender grãos, carnes e minérios aos povos de outros países do mundo. Não teremos empresas públicas que financiam agricultura familiar e nossas empresas, não teremos funcionalismo público com direitos, não teremos valor agregado em nossas produções internas (hoje a Ford anunciou fechamento de todas as fábricas aqui) e não teremos consumo interno, só miséria, fome, uberização de tudo e de todos.

Vamos acompanhar nos próximos dias as notícias que o movimento sindical vai nos trazer e divulgar para tod@s as pessoas da Comunidade BB da ativa e aposentados as informações sobre esse processo de esvaziamento do banco e risco cada dia maior para todos nós. Lembro a vocês que os riscos são os mesmos para ativos e aposentados, para BB, Cassi e Previ. Reflitam e compartilhem com seus pares e contatos.

Abraços,

William Mendes

(Reprodução de matéria do Sindicato dos Bancários de Brasília)

Governo Bolsonaro ataca sociedade e funcionalismo com nova reestruturação do BB

11 de janeiro de 2021

O pacote prevê desativação de 361 unidades e estima desligamento de 5 mil trabalhadores

O Sindicato tomou conhecimento, na manhã desta segunda-feira (11), de comunicado ao mercado feito pelo Banco do Brasil, que anuncia uma profunda reestruturação com impactos em todas as unidades da instituição, como fechamento de várias agências, certamente gerando ainda mais transtornos ao atendimento a clientes e usuários, impactando a prestação de serviços nos municípios e, por consequência, a retomada econômica de que o Brasil tanto precisa.

“O funcionalismo do BB, já atônito e aflito no meio de uma pandemia, após uma atuação aguerrida lidando com tantas superações, porque determinado a vencer esse estado de coisas, não aguardaria – por óbvio – como resposta um ataque direcionado na forma de demissões, política de descenso, diminuição de dotação, extinção de cargos e funções, fechamento de unidades, rebaixamentos, 'redistribuição' de cargos”, afirma Kleytton Morais, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília.

O dirigente ainda pontua que essa postura da direção do banco, alinhavada com os preceitos do Palácio do Planalto e do Ministério da Economia, é “inaceitável”.

Sindicato reforça que as funcionárias e os funcionários do BB merecem RESPEITO!

O Sindicato tem acompanhado a situação dramática e em muitos casos caótica nas agências do BB (na matéria original há um vídeo de superlotação em uma agência do Guará). As diligências realizadas e as tentativas junto ao banco para emergencialmente solucionar esses problemas não resultam sustentáveis, porque a necessidade de novas contratações é fato, por isso vê e percebe que é ineficaz a política isolada de “otimizar a distribuição da força de trabalho, equacionando as situações de vagas e excessos nas unidades do banco”, conforme expressa o comunicado do BB.

O Fato Relevante informa que a implementação plena das medidas deverá ocorrer durante o primeiro semestre de 2021 e entre outras questões impactará 870 pontos de atendimento do país. O pacote prevê desativação de 361 unidades e estima o desligamento de 5 mil trabalhadores.

“A estimativa do BB pelo desligamento de 5 mil funcionários, a partir da adesão (será voluntária de fato?) aos dois programas de PDV, sem a previsão imediata de realização de concurso público, contratações e sem uma lógica expressa de retenção dos conhecimentos estratégicos acumulados por esses trabalhadores ao longo de décadas, é questão que precisa ser considerada e trazida pelo banco e que preocupa o Sindicato”, explica Kleytton.

Para o presidente do Sindicato, “é imperiosa a transparência da gestão, assegurado o respeito à participação ativa dos funcionários e funcionárias para opinar e influir nas soluções e redesenho da atuação que impactem na organização do trabalho e na persecução da continuidade e do fortalecimento da atuação do Banco do Brasil enquanto instituição pública e para o povo”.

“O desmantelamento do Banco do Brasil tem um objetivo claro, que é o de atender aos interesses do mercado, em particular dos bancos privados, que visam somente o lucro. Isso é uma tragédia em diversos níveis, porque, além de contribuir com o aumento do já grave quadro de desemprego que assola o país em plena pandemia, na prática significa retirar do povo um importante instrumento de crédito para a agricultura, a indústria, o comércio e as pessoas físicas”, avalia Marianna Coelho, representante da Fetec-CUT/CN na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e secretária de Assuntos Jurídicos do Sindicato.

O Sindicato destaca que esta é uma nota informativa preliminar. Ao longo dos dias, a entidade buscará reunir mais informações, inclusive junto ao banco, a fim de orientar a categoria e mobilizá-la à luta e a resistir contra ameaças, ataques e tentativas de supressão de direitos.

Fonte: Da Redação do Sindicato

5.1.21

Bancários unidos podem superar desafios de 2021



Opinião

A comunidade dos trabalhadores do maior e mais antigo banco público do país, o Banco do Brasil, está dispersa, desunida, e até dividida em minigrupos de interesse, microgrupos. Não é só ela, é verdade! O golpe de Estado, as reformas e retiradas de direitos sociais feitas pelos golpistas e a pandemia mundial de Covid-19 isolaram a todos nós.

Comunidades históricas de trabalhadores estão desarticuladas por diversos motivos, e estão frágeis, e fragilizadas estão sob risco de desaparecer e sob ameaça permanente de perder os direitos que ainda não lhes foram retirados - direitos do mundo do trabalho, da dimensão saúde e do período posterior ao trabalho bancário. Estou falando de mim e de você que lê este artigo.

A comunidade Banco do Brasil pertence à comunidade dos trabalhadores da categoria bancária e somados bancos públicos e privados somos quase 400 mil trabalhadores da ativa e talvez um milhão com os aposentados e pensionistas.

Bancários da ativa e aposentados pertencem a um dos segmentos profissionais que mais se organizaram no Brasil e conquistaram direitos ao longo de dezenas de anos de lutas. Não à toa, os bancários são uma das categorias de trabalhadores que mais resistiu aos ataques dos patrões década após década ao longo do século passado e deste início de século 21.

PERTENCIMENTO

Pertencer à comunidade dos trabalhadores bancários, primeiro do antigo Unibanco e depois do Banco do Brasil, me permitiu ser um cidadão mais consciente de meus direitos e deveres. Me encontrei como ser humano ao lutar junto aos colegas por direitos trabalhistas, de saúde e previdenciários, e aprendi política e história diariamente com meus pares e nos locais de trabalho que visitava.

Foi graças à organização da categoria bancária em sindicatos, associações políticas e recreativas, cooperativas e grupos de afinidades que eu tive a oportunidade de ser uma pessoa com consciência política e isso não é pouca coisa, pelo contrário, isso definiu a minha vida e a vida das pessoas de meu convívio. 

Podem acreditar: os patrões não gostam disso, de nos unirmos e nos organizarmos! E é por isso que eles se organizam para nos enfraquecer e nos derrotar, destruir nossas entidades e nossos direitos coletivos.

Foi a partir do local de trabalho que eu passei a compreender que o mundo não estava organizado para me servir, que eu não era o centro do universo. Meu egocentrismo e meu egoísmo foram amenizados no convívio coletivo.

Foi nos locais de trabalho, nos sindicatos e nas associações coletivas que aprendi as questões mais essenciais da convivência com os outros, e da necessidade de sermos solidários, prestativos, e desse convívio diário surge em nós o espírito de pertencimento a algo, a um grupo, a algum lugar.

Ao mesmo tempo, graças ao mundo do trabalho, dos locais de trabalho, e de nossas entidades, a gente aprende que deve buscar sempre aprender coisas novas, estudar nossa história, pensar em nossos futuros, os riscos e oportunidades que existem e as melhores formas de alcançar as melhorias pessoais e coletivas.

Eu sou muito grato à vida por ter tido a oportunidade de conhecer as lideranças do movimento sindical e as lideranças nos locais de trabalho e nas associações e clubes dos bancários, do Banco do Brasil e das organizações sindicais.

BANCO DO BRASIL

Em 2018, aos 50 anos de idade, eu migrei da condição de bancário da ativa do Banco do Brasil para a condição de beneficiário das nossas Caixas de Previdência e Assistência (Previ e Cassi). Essa condição e esse direito só são possíveis a mim e aos meus colegas por causa da história coletiva de milhares e milhares de trabalhadores ao longo de dois séculos de existência do banco público BB.

É por isso que eu sinto que pertenço a algum lugar, a alguma coisa. Eu não sou só o pai, o filho, o companheiro e familiar das pessoas de meu convívio. Não sou só torcedor de um time de futebol, estudante de tal universidade e cidadão paulista e brasileiro. Eu sou um trabalhador da comunidade Banco do Brasil. Somos do Banco do Brasil!

Essa comunidade e segmento de trabalhadores bancários precisa ser fortalecida por cada um de nós. As nossas entidades representativas e associativas - incluindo nossos sindicatos, Cassi e Previ - estão todas sob risco e sob ameaça de desfazimento, de intervenções externas, de enfraquecimento e consequentemente de dificuldades para cumprir com seus objetivos em face do momento atual de crise política, social e econômica do Brasil.

Nós temos que nos organizar como sempre fizemos. Nós que estamos distantes do dia a dia, temos que nos aproximar. Temos que nos unir. Temos que definir objetivos comuns que nos congreguem para defendermos a manutenção das conquistas históricas da comunidade bancária, da comunidade BB, incluindo a defesa dos bancos públicos e demais empresas estratégicas do Estado brasileiro. 

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Eu sei que deveria falar de cara em "classe trabalhadora", mas se não começarmos de baixo pra cima, das bases, ninguém terá pertencimento a nada. Como bancário, fui virando liderança e representante no banco onde atuava, na agência, na região (OLT). Como liderança no banco ao qual pertencia, ajudei a organizar federações, confederações, central sindical. Depois atuei em comunicação, formação, saúde coletiva. Mas se não começarmos de baixo, da base, não vamos a lugar algum.

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A pandemia é uma realidade que nos impede de circular. Mas podemos nos organizar para o momento que pudermos nos abraçar e conversar presencialmente. Devemos nos unir pelo que nos unifica e caminharmos juntos. A convivência nos movimentos sociais me deu tolerância, paciência e conhecimento, me deu amor e amizades. Me ensinou solidariedade. Nosso projeto é amor, não ódio!

Meu desejo é viajar o país assim que a condição de circulação permitir. Fiz isso durante muitos anos de lutas e de representação. Estou com saudades das pessoas, das nossas entidades associativas, da comunidade à qual pertenço. Sei que não verei alguns amig@s e companheir@s porque infelizmente el@s nos deixaram, mas sei que poderei abraçar e rever muita gente que a gente gosta e quer construir juntos um mundo melhor.

Querid@s amig@s e companheir@s, por favor, se vocês puderem seguir as recomendações de isolamento social, façam isso. Estamos sob risco sério de adoecimento e morte por causa do vírus (além das doenças crônicas que nos afetam até por causa dessa crise toda). Vamos vencer essa etapa dura da história e nos organizarmos para mantermos nossos direitos coletivos e individuais.

Abraços fraternos e sigamos juntos! Assim que pudermos, nosso desejo é rever os amig@s!

William Mendes


18.12.20

Terceirizar a Cassi é decisão de alto risco



Opinião:

Tempos incertos, amanhãs indefinidos. Apesar da pandemia que alterou o cotidiano do mundo, realidade causada por um vírus - o novo coronavírus -, volto a registrar minhas preocupações em relação a algo anterior à pandemia: a crise do capitalismo e a sempre presente necessidade de lucro de seus agentes, a crise permanente do mercado de saúde que visa lucro com a doença e a decisão dos atuais gestores da Cassi e do patrocinador Banco do Brasil de terceirizar a atividade fim da autogestão Cassi, cuja essência do seu sistema é um modelo assistencial próprio de Atenção Primária e Medicina de Família e programas de saúde com monitoramento populacional, sistema organizado a partir de unidades próprias de saúde, as CliniCassi.

Inicio o artigo repetindo o que já disse nos outros textos de opinião e preocupação com os destinos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil: respeito a opinião dos responsáveis pelo projeto "Bem Cassi" - dirigentes e funcionários -, mas vejo essa terceirização da essência da associação como uma decisão de alto risco para o futuro da autogestão e da atenção à saúde do conjunto dos trabalhadores que dela dependem. A Cassi é ainda uma das maiores e mais antigas autogestões em saúde do país, criada pelos trabalhadores do banco público em 1944 e ela é anterior a tudo quanto é modismo, tendência e referência do "mercado" de saúde brasileiro, anterior ao Sistema Único de Saúde e às leis e legislação existentes hoje e que favorecem claramente o mercado ao invés dos sistemas cooperativados de saúde que não visam lucro e seus beneficiários.

Quando chegamos eleitos à gestão da Cassi, em junho de 2014, passamos rapidamente a estudar e conhecer o que era o sistema de saúde brasileiro e mundial, os modelos e formas de organização do atendimento à saúde de grupos populacionais, públicos e privados, estruturas e agentes dentro dos sistemas, legislações, modelos preventivos e modelos curativos, estruturas primárias, secundárias, terciárias etc. Acreditem: conhecer o mercado de saúde exige estômago forte e firmeza de propósito porque tem muita coisa errada no "mercado". Nós fizemos os estudos e desenvolvemos nossas estratégias de defesa da Cassi e dos associados com o nosso olhar do mundo do trabalho, o nosso olhar nas decisões tinha o lado dos trabalhadores, no curto, médio e longo prazos.

MERCADO ATUA ONDE DÁ MAIS LUCRO

Logo que chegamos, uma notícia de grande relevância no mercado de saúde paulista se destacava naqueles primeiros meses de trabalho nosso como gestores da Cassi. Um grande e tradicional hospital na capital paulistana anunciava nos jornais que estava fechando sua maternidade após 35 anos de existência. As justificativas eram aquelas que a gente conhece do sistema capitalista no setor: taxa de ocupação dos leitos inferior ao esperado, retorno baixo dos investimentos, blá blá blá. O impressionante nas matérias que li é que não havia constrangimento algum em dizer que a maternidade iria dar lugar a uma área que estava dando muito retorno (lucro): câncer! O hospital iria investir em tratamento de câncer! 

Pois é! Mercado é mercado. Mercado segue tendências. Tendências mudam de uma hora para outra. Business, negócios. Stakeholders, parceiros, agentes do mercado. A linguagem da indústria da saúde é imensa, não vou me alongar. Só lembro aos meus colegas que têm representação dos trabalhadores, as entidades associativas, sindicatos e conselhos de usuários, que essa coisa de seguir ou se balizar pelo mercado para definir os rumos da autogestão Cassi é uma escolha de alto risco e de difícil retorno. 

No momento, e por causa da crise anterior, a Atenção Primária/Medicina de Família é uma tendência interessante para o mercado. Por isso que estão surgindo empresas, parceiros, pessoas interessadas em prestar serviços de APS/MFC (Medicina de Família e Comunidade). Dura quanto tempo essa tendência? Nos últimos anos, vimos até médic@s de família da Cassi saírem da associação para abrirem seus próprios consultórios e oferecerem o mesmo serviço para os usuários e empresas locais. De novo: tendência de mercado é tendência de mercado. Quanto dura? A Cassi é para durar décadas. Não é uma empresa episódica, de momento. como são inclusive os planos de saúde privados.

Ao longo do período de trabalho à frente da diretoria de saúde da Cassi vimos muitas coisas acontecerem no mercado, no sistema público, na legislação do setor, vimos diversas reorganizações dos vendedores de serviços de saúde (médicos, "cooperativas" e empresas), vimos as guerras jurídicas, vimos a quebradeira de grandes do setor como a Unimed Paulistana e hospitais. Vimos governos serem derrubados por golpe, o SUS sendo atacado e os direitos trabalhistas sendo perdidos e vimos os governos golpistas atuando para favorecer o mercado privado e dificultando a vida das autogestões e de seus participantes, que tiveram que dobrar, triplicar seus gastos com saúde enquanto o patronato diminuiu suas obrigações.

Também aproveitamos o período para apostar no modelo assistencial da Caixa de Assistência, modelo organizado de forma inversa ao do mercado à época. A base e a riqueza da Cassi são suas estruturas próprias de saúde primária, as CliniCassi e as Unidades Cassi nos Estados. Ampliar essa estrutura é essencial, e é barato! Esclarecemos as dúvidas e até as posturas de má-fé que se tinham em relação à importância e eficiência das unidades próprias de atendimento a saúde da Cassi. Provamos que o custo administrativo das unidades era muito baixo perto do efeito de cuidar da população local, sendo parte dela crônica. Uma equipe de família é um investimento muito pequeno em comparação à despesa assistencial evitada na rede privada local, tanto para atendimentos mais simples quanto para questões mais complexas.

A Cassi desenvolveu estudos que mostraram a eficiência da ESF/CliniCassi com estrutura própria (estudos feitos entre 2015/2018). Enquanto isso, os agentes do mercado de saúde afundavam, se reorganizavam porque os custos estavam quebrando o setor, tanto dos hospitais quanto dos planos de saúde, porque o modelo irracional de serviços por procura, emergencial e curativo, é impagável. Modelos próprios como o da Caixa de Assistência mostraram que fazer prevenção, promoção, acompanhar pacientes crônicos ao longo do tempo por equipes multidisciplinares e programas de saúde eram a melhor estratégia e os custos com saúde eram menores inclusive para as faixas etárias maiores, que o mercado não quer nem ouvir falar.

Eu volto a perguntar aos meus colegas dos sindicatos, das associações e dos conselhos de usuários se eles realmente acham que a terceirização da atividade fim da Cassi, através do piloto do "Bem Cassi" em Curitiba e depois no Brasil inteiro parece ser a melhor forma de investir os novos recursos que os associados confiaram ao Plano de Associados da autogestão? Quando foram feitos os estudos e os debates profundos a respeito dessa decisão administrativa daqueles que estão no poder no momento? A escolha é uma das opções disponíveis e não compete a mim questionar a direção, ela tem sua ideologia.

Eu acharia prudente que as representações dos trabalhadores da ativa e aposentados da comunidade Banco do Brasil, uma comunidade com um grupo populacional que tem 400 mil vidas abrigadas no Plano de Associados, refletissem a respeito dessa terceirização da essência da Caixa de Assistência neste momento da história da autogestão. 

É isso! Preocupações... Se cuidem porque a pandemia vai longe no país dos governantes aliados ao vírus mortal.

William


Post Scriptum

Se tiverem interesse, leiam aqui o artigo anterior. Dentro dele tem o link para o primeiro a respeito da questão.