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19.5.25

Diário e reflexões - Call Marx!!!



Osasco, 19 de maio de 2025. Segunda-feira.


Opinião


CULTO À FUTILIDADE

Dó. Acho uma pena tanto conhecimento disponível acumulado pela espécie humana para nada, para chegarmos a 2025 em um mundo hegemonizado pela idiotização das pessoas como moda e objetivo.

Cultura do nada, da futilidade normalizada como o bom, época dos "influenciadores" da imbecilização das massas humanas. Dó.

Se ao menos a gozação, o humor, o passatempo, a descontração levassem a algum tipo de reflexão ou cultura ligada às grandes questões sociais de nosso tempo, tipo o mundo do trabalho e a exploração capitalista, como nos lembra o velho Marx, ou a questão ambiental do planeta, ainda teríamos algum contentamento. Mas até isso está escasseando ultimamente. 

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PRIVILEGIADO POR MINHA COR E GÊNERO

Olhando os conteúdos das pilhas de materiais de formação política - neles os de igualdade de oportunidades -, materiais que acumulei da época sindical, me lembrei de meu percurso de vida como trabalhador pobre branco. Minhas características biológicas influenciaram meu destino no Brasil, um dos países mais racistas do mundo. 

Me lembro do emprego que tive em uma escola de idiomas entre a demissão do Unibanco em 1990 e a entrada no Banco do Brasil em 1992. Quando trabalhava lá, a ordem da dona era nunca contratar mulheres porque elas engravidavam, tinham enxaqueca e faltavam muito... a dona da escola não era uma "mulher", era uma capitalista. Provavelmente, entrei na vaga por ser homem, e sendo o Brasil o que é, talvez tenha tirado a vaga de um rapaz negro...

Foda isso tudo!

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PAPÉIS VELHOS 

Passei o dia olhando mídias de formação e de história da classe trabalhadora. 

Se hoje meu corpo chegasse ao fim ficaria tudo aqui onde está essa papelada toda.

O destino das mídias seriam os sacos pretos e os caminhões de lixo para os lixões. 

As imensas quantidades de revistas, xerox e apostilas universitárias, livros e papéis entulham os espaços do ambiente faz tempo.

É sempre essa indefinição quando manuseio esses papéis velhos. 

William 

10.8.16

Minha solidariedade à médica de família Júlia Rocha


Apresentação da matéria pelo blog

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Reproduzo abaixo matéria da excelente jornalista Conceição Lemes, do site "Vi o Mundo", um portal com reportagens e matérias investigativas de muita qualidade.

Júlia Rocha, preceptora e médica de família da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ao postar em seu perfil na rede social Facebook um texto dizendo que o mais importante é ouvir os pacientes da forma como eles falam, foi agredida em rede social com preconceito, racismo e misoginia. Onde vamos parar com esse ódio todo plantado em nosso país pelos grupos que construíram o Golpe de Estado e o fim da democracia brasileira?

Peço que leiam a entrevista dela ao final da matéria falando do papel do Médico de Família. É muito legal!

A Cassi é uma entidade de saúde de autogestão dos trabalhadores do Banco do Brasil e nosso modelo assistencial é baseado na Estratégia Saúde da Família (ESF). Como gestor da entidade e responsável por essa área, a saúde, passei a conviver com os maravilhosos profissionais médicos de família. Nós temos 142 equipes de família em nossa Caixa de Assistência atuando em todos os Estados do país e acreditamos muito no trabalho de Atenção Integral à Saúde feito pelos médicos de família.


E viva todo tipo de cabelo!!!
Deixo minha solidariedade à médica de família Júlia Rocha e meu respeito e gratidão a todas e todos os cidadãos que escolhem essa área médica para atuarem e dedicarem suas vidas.

Chega de preconceitos, intolerância e ódio em nosso país e no seio de nosso povo. Isso faz mal pra saúde e faz mal para nossa vida e para a sociedade.

Aos que tiverem interesse, a matéria explica o que aconteceu com detalhes.

Abraços,

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi

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(reprodução de matéria do site Vi o Mundo)


Médica defende o direito de o paciente falar do “jeitinho” que sabe, e vira alvo de racismo e misoginia nas redes sociais: ”Foi como levar chute no estômago”

08 de agosto de 2016 às 19h04




Guilherme Capel, Júlia Rocha e Milton Pires.

Por: Conceição Lemes

Há pouco mais de uma semana, dois posts publicados por médicos numa rede social viralizaram. Ambos envolviam a relação médico-paciente, mas com olhares e posturas diametralmente opostas.

O primeiro foi na quarta-feira, 27 de julho. Após atender o mecânico José Mauro de Oliveira Lima, 42 anos, no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP), o clínico-geral Guilherme Capel Pasqua foi para a internet e debochou.

Com o título “Uma imagem fala mais que mil palavras”, publicou uma foto sua, com o receituário na mão e a inscrição: “Não existe peleumonia e nem raôxis”.

Duas colegas do hospital — a enfermeira Renata Rodrigues e a recepcionista Adrielli Conti – aderiram à chacota.



Na família do mecânico e nas redes sociais, muita indignação, especialmente com o médico.

Afinal, ao se formar, ele fez o “Juramento de Hipócrates”, comprometendo-se, entre outras coisas, a usar os seus conhecimentos “para o bem do doente, nunca para causar dano ou mal”.

Em entrevista ao G1, publicada na sexta-feira 29, o enteado do senhor José Mauro, o eletricista Claudemir Thomaz Maciel da Silva, que o acompanhava na consulta, revelou o que aconteceu:

“Quando meu padrasto falou pneumonia e raios X de forma errada, ele [o médico] deu risada. Na hora, não desconfiamos que ele iria debochar depois na internet. O que ele fez foi absurdo. O procurei e escrevi para ele na rede social que, independente dele ser doutor, não existe faculdade para formar caráter. Assim que ele viu minha postagem, apagou a foto. Ele não quis conversar com a gente”, diz Claudemir.

“Meu padrasto não sabe falar direito porque não teve estudo (…). Ele trabalhava como cozinheiro aqui em Serra Negra e depois se tornou mecânico. Lembro que ele estudava, mas precisou abandonar as aulas para cuidar de mim. Tive tuberculose aos dois anos e, nessa época, ou ele estudava ou pagava meus remédios”, lembra.

Na quinta-feira, dia seguinte à postagem, o médico, a recepcionista e a enfermeira foram demitidos pelo hospital, que é administrado pela Santa Casa de Serra Negra.


“EXISTE PELOUMONIA; EU MESMA JÁ VI VÁRIAS”

O segundo post que viralizou foi o da médica de família e cantora-compositora Júlia Rocha.

É preceptora do Programa de Residência Médica de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Toda sexta à noite, vai para Belo Horizonte (MG), onde mora. E, no domingo à noite, volta para o Rio, onde trabalha.

Na sexta retrasada, 29 de julho, ao chegar a BH, várias pessoas haviam lhe mandado o link de uma mesma reportagem: a do clínico-geral de Serra Negra, que caçoou do paciente com “peleumonia”.

Ela leu e resolveu passar o seu olhar e dos seus colegas como médicos de família. Nada mais.



No sábado, 30, ao acordar, a doutora Júlia percebeu que a postagem saíra do seu círculo de amigos e seguidores. Tinha tomado proporções gigantescas.

No domingo à noite, quando se preparava para voltar ao Rio, recebeu de uma amiga os prints de postagem do médico Milton Pires (logo abaixo), de Porto Alegre (RS), bem como a de alguns dos seus seguidores.

Milton revela-se racista e reacionário.

Aposta também na desinformação da sua malta.

Joga desonestamente nas costas da doutora Júlia — que escracha com foto imensa — a responsabilidade pela demissão do “guri da Santa Casa”:



Só que os fatos o desmentem cabalmente.

O “guri” debochou do paciente com “peleumonia” na quarta, na quinta perdeu o emprego.

Júlia só publicou a sua postagem na sexta, às 23h29. O print da mensagem comprova.

Igualmente estarrecedores os comentários dos seguidores do médico gaúcho.



Além do conservadorismo, da agressão e ódio desmedidos, eles revelam machismo, misoginia, inclusive por parte das mulheres.

“Na hora em que vi a postagem do médico gaúcho e os comentários dos seus seguidores, fiquei em choque”, afirma Júlia Rocha, em entrevista exclusiva ao Viomundo. “Foi como levar um chute no estômago. Foi muito triste.”

Ainda no domingo passado à noite, ela postou esta segunda mensagem:



Como todo racista que se preza, Milton Pires não gostou de ser chamado de racista.

Baixou ainda mais o nível em nova postagem (abaixo). Mandou a médica à “puta que pariu”, mostrando que também é mal-educado.

O post, todo em letras maiúsculas, é como se ele estivesse gritando a seguidores surdos. E, de novo, escracha, em tamanho grande, a foto da doutora Júlia.



Na segunda-feira passada, 1° de julho, provavelmente a pedido de Milton Pires, o Facebook eliminou a segunda postagem de Júlia. Já tinha mais de 70 mil curtidas e milhares de compartilhamentos.

Covardemente, Milton também apagou rapidinho a sua página no Facebook.

Júlia tem recebido a solidariedade individual e coletiva de colegas.

A Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares divulgou nota (na íntegra, ao final) de solidariedade: “Repudiamos a prática que tende a utilizar o discurso de ódio para combater divergências políticas e ideológicas, com conteúdo racista para isso”.

Segue a íntegra da entrevista que esta repórter fez por telefone com a doutora Júlia.

Viomundo – Como soube do caso do médico da “peleumonia”?

Júlia Rocha – Na sexta-feira [29 de julho], à noite, quando cheguei de viagem em Belo Horizonte. Algumas pessoas me mandaram o link da reportagem. Li e, antes de dormir, decidi me manifestar. Fiz sem nenhuma pretensão. Nunca imaginei que fosse ter tanta repercussão, principalmente essa reação negativa, tão assustadora, tão virulenta.

Viomundo — O que a levou a fazer a sua primeira postagem?

Júlia Rocha – A minha ideia era apenas passar outro olhar sobre a questão. O meu olhar e os dos meus colegas como médicos de família. Nada mais.

Não tive a intenção de manchar a imagem de ninguém, de forma alguma. Não me cabe julgá-lo. Talvez tenha sido um ato de imaturidade, porque ele é muito novo. Acho que ele vai aprender com esse episódio e provavelmente mudar a sua prática a partir de agora.

Viomundo – O que significa esse outro olhar?

Júlia Rocha – É importante que a gente realmente esteja inteira dentro de uma consulta médica para poder ouvir o que o paciente tem a dizer da forma que ele se apresenta, como ele é.

No nosso meio, é recorrente a ridicularização da fala do excluído, do pobre.

A minha ideia foi justamente mostrar que é legítimo, sim, que o paciente fale dessa forma.

Nós, médicos, somos os técnicos dessa relação médico-paciente. Nós somos formados para isso, para entender. O paciente não tem obrigação de saber o que a gente sabe. E se me foi dada a chance de conhecer sobre as doenças e ler os livros, o que me custa entender ou tentar entender aquilo que o paciente me traz.

Viomundo — Paradoxalmente, é muito comum o médico falar para o umbigo, usando jargão que o paciente não entende. Outro dia vivi isso, levei a minha mãe de 93 anos à ortopedista. A médica disse: “a senhora flete a perna”. Mesmo percebendo que a minha mãe não estava entendendo, ela insistiu no “flete”. Na terceira, eu interferi: “mãe, dobra a perna!”

Júlia Rocha – Isso é comum. No Brasil, a profissão de médico ainda é muito elitizada. Em consequência, usa uma linguagem muitas vezes inacessível para muitos pacientes. Então, a nossa obrigação é se fazer entender de verdade pelo paciente.

Até porque isso pode parecer uma brincadeira, às vezes deboche. Mas pode se tornar algo sério, a partir do momento em que você coloca a vida do paciente em risco por não entendê-lo ou ele não te entender.

Viomundo – O que a senhora sentiu quando viu os prints da postagem do médico gaúcho e de alguns seguidores dele?

Júlia Rocha – A sensação foi de ter levado um chute no estômago. Só quem passa por situação semelhante sabe o quanto é triste. Além de ter usado indevidamente a minha imagem, ele proferiu palavras racistas ali e permitiu que seus seguidores fizessem o mesmo. Eu vi na página dele vários comentários racistas, como “esse cabelo deve ter um mico leão lá dentro”, “para negar que é preta, ela descolore o cabelo”…

Viomundo – A informação que tive inicialmente é que a postagem do médico gaúcho teria sido numa comunidade fechada chamada Movimento Pela Dignidade Médica…

Júlia Rocha – Realmente, eu ouvi dizer que alguns dos que comentaram ali fariam parte dessa comunidade de médicos reacionários, de extrema-direita. Mas não sei. Agora, esse post dele foi publicado no perfil pessoal, que estava público. Eu não precisei entrar em nenhuma comunidade. Houve uma alegação de que eu teria exposto a imagem dele. Mas não. Na verdade, o post estava ali, aberto, para quem quisesse ver.

Viomundo – O Facebook eliminou a sua segunda postagem provavelmente a pedido dele. Sabe por quê?

Júlia Rocha – Ele tem poucos seguidores. Eu tenho mais de 60 mil. Então, na hora que postei no meu Facebook, viralizou. Além de ser cantora-compositora, eu sempre repercuto notícias relacionadas à medicina. Eu posto também alguns casos dos meus atendimentos. Não os relacionados à questão médica, mas à questão humanística. A consulta médica é um momento de encontro de seres humanos. Então, na hora em que eu postei os prints das telas do post dele, elas viralizaram.

Viomundo – A senhora pretende processá-lo?

Júlia Rocha – Há advogados acompanhando o caso. Providências legais já estão sendo tomadas. Estou muito preocupada comigo e com a minha família.



Em tempo: Milton Pires, cujo nome completo é Milton Simon Pires, é reincidente no ataque vil a mulheres.

Em outubro de 2014, ele ironizou a queda de pressão da presidenta Dilma (PT) após um debate eleitoral e a chamou de “filha da puta”.

Concursado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.

Em setembro de 2014, uma colega de trabalho o denunciou por agressão verbal e física, e a direção do Hospital Geral da Conceição (GHC), de Porto Alegre, onde ele é concursado, optou por afastá-lo de suas funções na UTI.

Nota de Solidariedade da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares à médica de família e comunidade Julia Rocha:

“O médico, o trabalhador médico, deve ir então ao centro de seu novo trabalho, que é o homem dentro da massa, o homem dentro da coletividade. (…) Veremos como teremos que ser um pouco pedagogos, às vezes muito pedagogos, como teremos que ser políticos também, como o primeiro que temos que fazer não é ir brindar com a nossa sabedoria, mas sim demonstrar que vamos aprender, com o povo, que vamos realizar essa grande e bela experiência comum” Ernesto Che Guevara

No dia 27 de julho a notícia de que um médico plantonista havia divulgado uma foto com os dizeres “não existe peleumonia e nem raoxis”, após o atendimento de um paciente em um hospital, espalhou rapidamente pelas redes sociais.

Em contrapartida a postura dele, médicas e médicos como Júlia Rocha se pronunciaram a favor de uma medicina centrada na pessoa, ferramenta que reconhece e respeita o que o indivíduo sente e sua forma de expressar o que é o adoecer.

Em meio ao crescente discurso de ódio na sociedade brasileira, Júlia Rocha foi atacada por médicos racistas e reacionários em seu perfil do Facebook, com mensagem de conteúdo racista, desrespeitoso quanto à opção ideológica da médica e quanto a especialidade de medicina de família e comunidade. Nos comentários da postagem, fica explícito o caráter do ataque.

Nós da RNMMP manifestamos o nosso apoio a Júlia Rocha e repudiamos a prática que tende a utilizar o discurso de ódio para combater divergências políticas e ideológicas, com conteúdo racista para isso.

A medicina deve estar a serviço do povo brasileiro, capaz de compreender o processo saúde doença que submete os indivíduos e comunidades ao adoecimento e se propor a transformar. A medicina, não pode ser uma correia de transmissão do pensamento elitizado e preconceituoso contra os mais desfavorecidos e oprimidos da sociedade brasileira.


PS do Viomundo: Após a enorme repercussão negativa da sua conduta, o médico Guilherme Capel pediu desculpas ao senhor José Mauro. Em sua página no Facebook, ele registra em foto a ida à casa do mecânico. Tomara que o arrependimento seja sincero. Ou terá sido apenas marketing para limpar a sua imagem?



Fonte: essa matéria é do site Viomundo

7.7.13

Condenação de PHA - A inversão da ordem!


Comentário do blog: 

deixo aqui a minha indignação com a condenação do jornalista Paulo Henrique Amorim e faço desta declaração de Carta Maior minhas palavras e sentimentos.

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Foto: Brasil 247

*Paulo Henrique Amorim, um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, defensor infatigável do sistema de cotas para negros na universidade, está sendo condenado por preconceito racial. Acusa-o um repórter da Rede Globo, a quem PH destinou uma metáfora, cujo uso CM (Carta Maior) não abona, mas que sabidamente se referia ao caráter do jornalismo praticado. Nunca à pigmentação da pele. A condenação, descabida, guarda coerência inquietante com o momento político. Nos dias que correm, o jornalismo associado a bicheiros e a seus capangas não apenas é tolerado pela justiça, como respaldado por autoridades federais, que sancionam seus métodos, metas e 'maycons', abraçando-se em uma esférica aliança contrária à regulação democrática dos meios de comunicação --outra bandeira incansável do diretor de Conversa Afiada. Não apenas isso. A emissora por trás do processo contra Paulo Henrique, comprovadamente sonegou R$ 615 milhões ao fisco, conforme mostrou outro blogueiro 'inconveniente', Miguel do Rosário. Continua, todavia, a se esponjar em verbas copiosas da publicidade federal. Em Brasília, dá-se a isso o nome de 'mídia técnica', mais ou menos o seguinte: aos que detém a corda, entrega-se o pescoço. E outras partes mais. O argumento 'técnico' é evocado por aqueles, para os quais, o papel de um governo democrático é reiterar o status quo em busca de indulgência, não modificá-lo em benefício da pluralidade e do discernimento crítico. Talvez esteja aí o erro de fundo de Paulo Henrique: a incompatibilidade do seu jornalismo com um status quo ainda iníquo, racista e cínico.

2.5.13

Seminário propõe incluir temática racial na formação dos dirigentes sindicais



Participantes querem fortalecer a luta pela igualdade

Com a definição de um plano de ações para aprofundar a luta por igualdade, a CUT encerrou na tarde de terça-feira (30) o seminário que discutiu os 30 anos de luta cutista por equidade. Pela Contraf-CUT, participaram a secretária de políticas sociais, Andrea Vasconcelos, e a secretária de mulheres, Deise Recoaro.

De acordo com a secretária da Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Nogueira, a prioridade é tirar do papel um projeto de formação que prepare dois mil dirigentes a intervirem sobre a questão racial e ajudem a fazer com que o tema seja incorporado por toda a direção e pelos sindicatos.

A Central também quer discutir com o Ministério da Educação a criação de uma comissão para tratar da efetiva implementação da Lei 10.693/03, responsável por estabelecer a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana e afro-brasileira em todas as escolas até o ensino médio, e debaterá com o Ministério Público a fiscalização do cumprimento da medida.

História de luta

Na mesa da manhã, dirigentes de diversos ramos trataram de experiências e iniciativas de combate ao racismo e apontaram caminhos num cenário ainda de grande discriminação.

Em 2010, de acordo com as Pesquisas de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese, a taxa de desemprego total entre as trabalhadoras negras foi de 16,9%, mais que o dobro da registrada pelos homens não negros (8,1%). O rendimento médio das mulheres negras representava 44,4% dos homens não negros e o dos homens negros 62% dos não negros.

Em sua maioria, os negros ocupam ainda os postos mais precários ou estão na informalidade, em que não há uma remuneração fixa ou qualquer tipo de proteção social.

"A democracia jamais será completa em nosso país enquanto houver racismo. Mas, para combater essa forma de violência, não basta criar uma secretaria, termos uma estrutura física. Precisamos ter políticas e acumular propostas", definiu o secretário de Administração e Finanças da CUT, Quintino Severo.

Chão de fábrica e ausência na gerência

Do ponto de vista de quem vivencia essa realidade na base, o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Daniel Calazans, afirmou que nas empresas da região quase não há negros ocupando os cargos de gerência ou chefia. Normalmente, estão no chão de fábrica executando as tarefas mais pesadas.

"Iremos propor nas próximas negociações coletivas a inclusão de uma cota para que o negro ocupe os espaços de poder, chefias, gerências e diretorias.", afirmou Calazans.

Nas instituições financeiras, há mais de uma década os trabalhadores têm denunciado a existência de discriminação contra a população negra, que ocupa em sua maioria cargos onde não há relação com o público.

"Nossa luta é pela instituição de uma política mínima de igualdade de oportunidades para todos/as no sistema financeiro", exaltou a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Andrea Vasconcelos.

Secretário de Políticas Sociais da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Marco Antonio Soares, afirmou que a entidade tem se empenhado em difundir uma cultura antirracista nas escolas e na sociedade em geral. Ele informou que em seminário realizado no mês de março a CNTE incluiu oficialmente a cultura africana no seu programa de formação.

Além de combater o racismo, denunciar qualquer ato de discriminação racial, estimular ações afirmativas e a luta por igualdade de oportunidades, as entidades cutistas têm promovido uma série de ações de solidariedade e intercâmbio com o movimento sindical de outros países.

Secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos), Christiane Aparecida dos Santos, apresentou em sua fala o projeto de formação e organização de mulheres metalúrgicas em Moçambique e salientou que o projeto de solidariedade internacional organizado pela IndustrialAll, CNM, SITIME (sindicato local) e CAW Union (Canadá) contribuiu para a melhoria das condições de trabalho, da formação e organização das mulheres, além de ter fortalecido o sindicato local.

Ir além do olhar domesticado

Presidente do INSPIR (Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial), o professor Ramatis Jacino, comentou que, ao longo da história, o movimento sindical construiu uma visão da história a partir do olhar dos imigrantes e seus descendentes. Para ele, há um desprezo pelos 350 anos de organização dos escravos, que foram os responsáveis pela primeira greve em 1857 com propostas que buscavam a melhoria das condições de vida e que culminou numa repressão sangrenta.

"O movimento sindical precisa reconhecer essa herança para se fortalecer ainda mais, tendo compreensão do presente e planejando o futuro mais próximo da realidade brasileira, mais negra, mais mulher, mais combativa e integrada à verdadeira realidade do nosso povo, onde o movimento dos escravos deu efetivamente origem às organizações das quais somos herdeiros hoje", salientou.

Ao final, com a presença de Maria Julia Nogueira, do secretário da Juventude, Alfredo Santos Junior, e da diretora Executiva, Rosana Sousa, foi realizada uma homenagem a companheiros e companheiras que colaboraram na construção da CUT e na organização da luta pela equidade racial.

Ex-presidente da CUT e deputado federal, Vicentinho; ex-coordenador da Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial da CUT, Marcos Benedito; a professora Cida Bento, do Centro de Estudo das Relações de Trabalhos e Desigualdades; e o representante da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Flavio Jorge receberam uma placa com os dizeres 'A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a crença. Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança' - Augusto dos Anjos.

Educar contra o preconceito

No período da tarde, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), professora Iêda de Souza, destacou o papel do educador na formação de cidadãos que estejam preparados para combater a desigualdade.

"As crianças muitas vezes trazem uma situação de preconceito e para quebrar isso precisamos ter a família junto, a transformação também deve incluir os pais. Um professor bem preparado é capaz de fazer um trabalho coletivo e colocar a turma para pensar sobre algo que só nos leva ao afastamento e à separação, No caminho inverso, formamos agentes transformadores e empoderados para mudar essa história", explicou.

Dirigente da Confederação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) e do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas, Regina Teodoro, fez um resgate da luta da categoria para conquistar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 66/2012, que garante aos empregados domésticos o mesmo direito dos demais trabalhadores.

"Por 10 anos apresentamos uma pauta de reivindicações ao sindicato patronal, que sequer respondeu. Muita gente desistiu pelo caminho, mas nós acreditamos e foi essa pauta que serviu de base para a OIT (Organização Internacional do Trabalho) recomendar a Convenção 189, em 2001, que o Brasil se comprometeu a ratificar e ainda não fez porque precisava aprovar a PEC", lembrou.

O próximo passo, acredita, é investir na formação das trabalhadores para que entendam a nova legislação e possam cobrar seus direitos.

Criar uma agenda para a Lei 10.693/03 - A Lei 10.693/03 é um grande avanço ao estabelecer a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas, mas é necessário criar uma agenda de mobilização para que seja efetivada. Isso foi o que defendeu o coordenador de Educação e Políticas Públicas do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, Antonio Carlos Malachias, o Billy.

Para ele é preciso também discutir as diretrizes curriculares no âmbito das diversas instituições que compõem a sociedade brasileira.

"Precisamos parar de ver a educação como problema e entender como solução. Não dá para ensinar cultura afro-brasileira e africana apenas sob parâmetros eurocêntricos. Mas isso exige que criemos mobilização em torno da lei, da diversidade e uma agenda de lutas", ressaltou.


Fonte: Luiz Carvalho e William Pedreira - CUT

20.11.12

Trabalho decente para enfrentar o racismo nos bancos


Mês da consciência negra - Contraf-CUT


Andréa Vasconcelos

Secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT


Trabalho decente segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho) significa "trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna". Assim, a promoção do trabalho decente implica modificar as estruturas de desigualdades diretamente vinculadas às discriminações de gênero e raça [1] em nosso país.

Contudo, apesar dos altos índices de lucratividade, os bancos continuam a praticar elevadas taxas de rotatividade, o que tem gerado insegurança no ambiente de trabalho. Seguem estimulando diretamente a terceirização ao empurrar trabalhadores e trabalhadoras para o trabalho precário - correspondentes bancários, por exemplo, cuja remuneração é menor e com direitos diferenciados da categoria bancária e, em muitas situações, têm seus direitos desrespeitados. Desta forma, os bancos se contrapõem cotidianamente aos pressupostos do trabalho decente.

Ademais, quando as instituições financeiras discriminam as mulheres e os negros, intensificam as desigualdades no mercado de trabalho e manifestam a falta de ações afirmativas e de uma política enérgica de igualdade de oportunidades, de tratamento e de direitos eficaz na eliminação da hierarquia desigual entre homens e mulheres, entre brancos e negros, que também é condição basilar para o trabalho decente.

O quadro de exclusão da população negra no setor bancário [2] contribui para a manutenção de um status quo, onde negras e negros enfrentam os maiores obstáculos para superar a pobreza, revelando ainda que o racismo [3] é mais do que o reflexo da estrutura econômica desigual e concentradora, mas manifestação do preconceito [4] enraizado nas instituições. Por consequência, grupos dominantes continuam a perpetuar a subordinação de negras e negros nas relações sociais, condição que não é mero arcaísmo do passado, mas uma forma de manter benefícios materiais e simbólicos dessa situação.

Não restam dúvidas que estudos e pesquisas sobre as relações sociais comprovam a existência da discriminação de grupos negros em todos os âmbitos no trabalho e na vida e que essa situação é um coproduto da exploração capitalista, determinados pelos fatores trabalho, capital e lucro. Portanto, a divisão em brancos e negros é uma atitude política e não simplesmente uma maneira de descrever a realidade. Conceitos como "raça", "negros" e "brancos" ainda atuam como categorias de inclusão e exclusão no setor bancário.

Diante dessa constatação, a Contraf-CUT tem focado de forma sistemática o enfrentamento às desigualdades de raça, gênero, orientação sexual e pessoas com deficiências na categoria, além de alertar que é papel de todo(a) dirigente sindical combater a discriminação. 

Para tanto, a atuação ocorre em duas frentes: ações internas, fazendo o debate junto à categoria e às direções dos sindicatos e federações; e ações externas, como audiências com autoridades e parlamentares, a exemplo da reunião ocorrida em agosto deste ano com a secretária de Políticas de Promoção da Igualdade (SEPPIR), ministra Luíza Bairros, quando foi denunciado o nefasto processo de demissões nos bancos privados, com um alto índice de desligamento de pessoas negras. Essa dura realidade comprova a falta de responsabilidade social dos bancos com a sociedade brasileira.

A Contraf-CUT coordena a mesa temática de igualdade de oportunidades, que tem encaminhado as reivindicações da categoria para as negociações com a Fenaban e os bancos. Com a unidade nacional e a força da mobilização, os bancários já garantiram na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) a trimestralidade das reuniões da mesa de igualdade de oportunidades com a Fenaban, a ampliação da licença maternidade para 180 dias, a igualdade de tratamento para casais homoafetivos e a realização do novo censo da diversidade com planejamento em 2013 e execução em 2014.

Três cartilhas foram lançadas nos últimos anos para combater as discriminações e os preconceitos: assédio sexual no trabalho, relações compartilhadas e igualdade de oportunidades. Mais recentemente, a Contraf-CUT publicou o caderno "Construindo a igualdade de oportunidades", além de jornais e panfletos como forma de aprofundar o debate e incentivar mobilizações. 

O mês da consciência negra é, por isso, não somente um momento importante de reflexão, mas, acima de tudo, é um espaço oportuno de mobilização e de defesa dos direitos humanos e sociais das pessoas negras. Só haverá trabalho decente no Brasil e no mundo com igualdade de oportunidades, que passa necessariamente por enfrentar o racismo nos bancos e garantir igualdade racial no trabalho e na vida.


[1] Discriminação de raça: ação que produz desvantagens e prejuízos para determinados grupos em função da cor da pele e/ou da origem étnica e racial.

[2] Acesse aqui para ler o jornal especial da Contraf-CUT para o mês da consciência negra.

[3] Racismo: doutrina que afirma não só a existência das raças, mas também a superioridade natural e, portanto, hereditária, de umas sobre as outras. A atitude racista, por sua vez, é aquela que atribui qualidades aos indivíduos ou grupos conforme o seu suposto pertencimento biológico a uma dessas diferentes raças e, portanto, conforme as suas qualidades ou defeitos inatos e hereditários. Assim, o racismo não é apenas uma reação ao outro, mas uma forma de subordinação do outro.

[4] Preconceito: qualquer atitude negativa em relação a uma pessoa ou a um grupo social que derive de uma ideia preconcebida sobre tal pessoa ou grupo. É possível então dizer que a atitude preconceituosa está baseada não em uma opinião adquirida com a experiência, mas em generalizações que advêm de estereótipos.



Fonte: Contraf-CUT

28.1.11

Artigo: Negros no BB - O racismo no Brasil é real e muito há que se fazer para resolver esse problema histórico


Lendo uma matéria da revista bb.com.você de 2005, encontrei uma tabela interessante mostrando os números do quadro de funcionários do banco separados por raça/etnia.

POR DENTRO DO BB:

Cargos...................qtde....................cor

Administradores
.................................66....................amarela
............................3.413....................branca
...................................6....................indígena
...............................584....................parda
.................................54....................preta

Altos executivos
...................................2....................amarela
...............................161....................branca
...................................8....................parda
...................................5....................preta

Assessor operacional
...............................605....................amarela
..........................13.515....................branca
.................................80....................indígena
............................2.509....................parda
...............................287....................preta

Assessor tático
...............................110....................amarela
............................2.111....................branca
.................................15....................indígena
...............................303....................parda
.................................36....................preta

Gerência média
...............................557....................amarela
..........................14.573....................branca
.................................59....................indígena
............................2.695....................parda
...............................285....................preta

Não comissinados
............................1.051....................amarela
..........................31.607....................branca
...............................195....................indígena
............................6.808....................parda
...............................908....................preta

Sem classificação..3.683

Total...................86.291

(Fonte dos dados: Dires/Diage - julho/2005)


Fonte:

Revista bb.com.você Ano 5 n. 33 jul/ag 2005