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13.5.26

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2012


 

RETROSPECTIVA 2012

Em janeiro eu estava em férias no movimento sindical. Publiquei um artigo sobre a proibição de uso de sacolas plásticas no Estado de SP, uma hipocrisia porque os supermercados pararam de fornecer as sacolas, mas vendiam sacolas plásticas. A decisão só prejudicava os consumidores e não alterava em nada a questão ambiental.

A nossa confederação, a Contraf-CUT, completou 6 anos de existência, e fizemos uma matéria resgatando o histórico de organização da categoria bancária desde o Departamento Nacional dos Bancários (DNB-CUT), em 1985, passando pela Confederação dos Bancários da CUT (CNB-CUT), criada em 1992, até evoluirmos para a confederação do ramo financeiro.

Fevereiro foi um mês de lutas pessoais deste dirigente sindical paulista: meu pai sofreu um infarto perto de completar 70 anos de idade. Estive com ele vários dias na UTI da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Minha mãe também passou mal e foi internada. Para piorar a situação psicológica, nosso governo do PT privatizou os aeroportos situados em Guarulhos, Campinas e Brasília. Minha decepção foi enorme. Estando ao lado de meu pai internado, fiz um poema para expressar minha decepção com o fato: “O PT privatizou”.

Publiquei alguns artigos no mês, fazendo o debate político no movimento e na categoria: um deles, sobre a questão da “Ficha Limpa”, tema que fui contrário desde 2010 quando a própria esquerda caiu no engodo que serviria só para excluir e prejudicar candidaturas do campo popular. No outro artigo - “1984” é agora! – aproveitei o tema do autoritarismo em uma sociedade distópica e da manipulação de massas que George Orwell tratou em seu romance clássico para comparar o momento que vivíamos no Brasil em relação ao PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Também escrevi bastante em fevereiro, pois fizemos planejamento no Sindicato, preparamos o Congresso da Contraf-CUT e tratei de novos cursos de formação.

Março foi um mês de muita movimentação sindical no Banco do Brasil por parte dos sindicatos. Retomamos mesas de negociação lutando por jornada de 6 horas para os comissionados sem redução de salários. Outro tema importante na pauta foi nosso enfrentamento à direção do BB querendo impor metas individuais para recebimento de PLR como ocorria no Itaú e Santander. Fizemos diversas reuniões com os trabalhadores para colher informações sobre o Sinergia e avisamos a direção que o banco teria problema para assinarmos acordo de PLR se ele insistisse na questão.

Em abril tivemos processos democráticos importantes para nossa categoria bancária: a Contraf-CUT realizou seu 3º congresso, Carlão foi reeleito presidente e eu segui na secretaria de formação. A comunidade do Banco do Brasil elegeu a Chapa 1 – Cuidando da Cassi, liderada pela companheira Mirian Fochi para compor a direção da autogestão em saúde até 2016. Finalizado o processo eleitoral na Cassi, começou a eleição na Previ, nosso fundo de pensão.

Ainda em abril, fiz uma série de artigos de formação no blog relacionados com o trabalho de base nas agências e departamentos do Banco do Brasil. A Contraf-CUT em parceria com o Dieese iniciou a 6ª turma de formação, desta vez para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

O governo do PT usou voto de minerva na direção da Previ para levar adiante disputas políticas internas, fato lamentável. Os indicados pelo banco no CD pediram abertura de inquérito administrativo contra o presidente da Previ, também indicado pelo governo.

Os destaques no mês de maio foram as eleições na Previ, que vencemos com a Chapa 6 Unidade na Previ, liderada pelo companheiro Marcel Barros, eleito Diretor de Seguridade. A eleição foi apertada, vencemos por 655 votos de diferença em relação à 2ª colocada: 24.935 x 24.280.

Os cursos de formação também foram destaques, estava em andamento o curso organizado para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e realizamos o curso de formação sobre saúde dos trabalhadores, curso da grade de formação da Contraf-CUT.

Estávamos preparando o 23º Congresso Nacional dos Funcionários do BB (CNFBB), que seria realizado no mês seguinte e conjuguei muito trabalho de base com reuniões em agências e departamentos do BB com os trabalhos internos de coordenador da comissão de empresa (COE ou CEBB), função que assumi a partir de maio.

O mês de junho foi o período do calendário sindical de realização do 23º CNFBB, realizado em Guarulhos, com mais de 300 delegadas e delegados. Após pressão do movimento sindical, a direção da Cassi aderiu à Resolução 254 da ANS. A parte indicada pelo patrocinador Banco do Brasil postergou a decisão desde o ano anterior.

Na área da formação, finalizamos o 6º curso da grade formativa da Contraf-CUT, PCDA (Programa de Capacitação de Dirigentes e Assessores) aplicado para diretores e assessores do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Julho foi um mês com agendas em regiões diversas em relação ao cronograma da categoria bancária e da classe trabalhadora. Participei do 11º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) e o companheiro bancário Vagner Freitas foi eleito presidente de nossa central.

Realizamos em Curitiba a 14ª Conferência Nacional dos Bancários e depois viajei para o Uruguai, onde a delegação brasileira participou da 8ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais. O encontro se deu na Associação dos Empregados Bancários do Uruguai (AEBU). O BB à época tinha atuação na Argentina e no Paraguai e havia comprado o Banco Patagônia.

Agosto foi o mês das mesas de negociação coletiva com a Fenaban e com os bancos públicos. O Comando Nacional dos Bancários realizou diversas mesas com os banqueiros e com o governo federal apresentando as reivindicações da categoria e dos bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Cortado na foto - Olhando para o passado, tanto tempo depois, posso registrar nesta retrospectiva uma questão que me incomodou muito à época e que nunca soube o motivo. Na Folha Bancária (FB) e site do Sindicato, as duas fotos da primeira mesa de negociação da Fenaban, no dia 8 de agosto, na qual estive como coordenador da Comissão de Empresa do BB (CEBB), foram editadas para que eu não aparecesse, em dois ângulos diferentes. Qualquer pessoa que entenda de edição de fotos percebe o corte. Nunca soube quem mandou fazer isso e por qual motivo me cortaram da imagem. Fica o registro. Foi algo muito desagradável. A política tem dessas coisas feias.

Setembro foi o mês da greve nacional dos bancários, após os banqueiros não apresentarem propostas que dialogassem com as principais reivindicações da categoria.

CAMPANHA VITORIOSA DA CATEGORIA - Após 9 dias de greve geral, bancários aprovaram as propostas da Fenaban, com exceção dos empregados da Caixa, que rejeitaram e seguiram em greve. O índice de 7,5% significou um aumento real de 2% nas verbas salariais. O piso e os tíquetes tiveram reajuste de 8,5% (2,95% de aumento real) e a PLR teve reajuste de 10% sobre o valor fixo.

Com a campanha vitoriosa dos bancários, os aumentos reais em 9 anos foram de 13,22% nos salários e 35,57% nos pisos, pelo INPC, informou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

No Banco do Brasil, negociações assessoradas pela Comissão de Empresa coordenada por mim, avançamos na inclusão dos caixas executivos na Carreira de Mérito no PCR; unificamos os atendentes da CABB, sendo criada uma função com valor maior, uma luta antiga dos funcionários do setor; melhoramos as regras de remoção automática entre as dependências do banco, evitando discriminação e privilégios; aumentamos o piso do bancário escriturário, passando a ser A2 após 90 dias, um avanço no PCS e não permitimos que o banco estabelecesse metas individuais na distribuição de PLR. Mantivemos a regra geral que beneficia o coletivo. Também foi mantida a regra de 3 avaliações consecutivas para se tirar a função comissionada de um funcionário do BB.

Em outubro, após a campanha salarial, iniciamos o 7º curso de formação da parceria entre a Contraf-CUT, Dieese e entidades sindicais afiliadas.

A agenda do mês teve muita luta contra a prática antissindical e de assédio por parte da direção do Banco do Brasil, que estava perseguindo os trabalhadores grevistas. Fomos para cima do banco na defesa de nossos representados.

Ainda sobre as práticas absurdas da direção do banco público, o BB suspendeu a posse de concursados de forma irresponsável e após contatos da Contraf-CUT e outras entidades sindicais, a estatal voltou atrás e chamou os cidadãos aprovados no certame.

Novembro foi agitado. A luta contra as práticas antissindicais no BB por atacar os grevistas nos levou ao MPT e fizemos dia de luta também. Realizamos curso de formação da grade da Contraf-CUT, um curso de saúde dos trabalhadores, foi o segundo módulo. Fiz dois artigos no mês, um sobre as horas de greve, que defendo serem distribuídas a todas as pessoas que recebem os direitos da convenção coletiva e outro sobre a merda falada por Felipão, técnico da seleção da CBF, que falou mal dos funcionários do BB.

Dezembro, o último mês do ano, foi de muito trabalho e luta, pois o movimento sindical seguiu lutando contra as práticas antissindicais da direção do Banco do Brasil, que passou a perseguir grevistas desde o final da greve da categoria, cancelando férias, licenças e ausências já definidas e programadas.

A Contraf-CUT concluiu mais dois cursos de formação, o de saúde dos trabalhadores e o 7º curso “Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro”, ministrado em parceria com o Dieese.

2012 FOI UM ANO DE CONQUISTAS

Fechamos o ano com resultados muito positivos nas lutas dos trabalhadores do ramo financeiro. Contraf-CUT e a CUT realizaram seus congressos, sendo Carlos Cordeiro e Vagner Freitas eleitos, respectivamente, presidentes de nossas entidades sindicais.

A categoria conseguiu avançar nos direitos em mais uma campanha unificada, após uma greve vitoriosa. E a secretaria de formação da Contraf-CUT realizou mais cursos contribuindo para a preparação de dirigentes e assessores qualificados na organização e representação dos trabalhadores do ramo financeiro.

William Mendes

5.2.13

MPT abre investigação para apurar práticas antissindicais do BB



O Ministério Público do Trabalho (MPT) vai abrir processo investigatório contra o Banco do Brasil para apurar possível prática antissindical do banco. A decisão foi tomada durante audiência no MPT na sexta-feira (1), em Brasília, depois de contínuas tentativas do órgão para que o banco reavaliasse a prática de alterar unilateralmente férias, abonos e licenças programadas dos grevistas da última Campanha Nacional.

A mediação do MPT ocorreu no sentido de que o banco alterasse a Instrução Normativa 361, especificamente no item em que dá margem para tal alteração unilateral de afastamentos abonados (férias, abonos e licenças prêmio) ou que o BB emitisse um informe esclarecendo que a prática estaria proibida pelos gestores das unidades.

"Durante a audiência, o banco informou que nenhuma providência foi tomada no sentido de colocar em prática a recomendação do MPT, feita na última reunião, no dia 3 de dezembro", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. "O banco manteve uma posição intransigente e, após várias tentativas da procuradora (Paula de Avila e Silva Porto Nunes), não houve mediação".

De acordo com William, um fator importante e decisivo para o prosseguimento da investigação foi a Contraf-CUT ter agregado ao processo de intermediação do Ministério um boletim do BB, emitido após a última audiência no MPT, que desvirtuava a orientação da procuradora e chancelava a prática antissindical do banco. "Isso mostra a falta de ética e desrespeito dos administradores do BB", avalia William.

Orientação

A Contraf-CUT orienta que os bancários que tiveram férias, abono ou licença alterados no período de 4 de outubro a 15 de dezembro encaminhem documentos que comprovem tal prática à Confederação. "Vamos entregar ao MPT estas provas para que sejam agregadas à investigação. Pedimos que esta mobilização para compilação das provas seja feita o quanto antes possível", afirma William.

"Pedimos ainda que os sindicatos que fizeram homologação de demissões com a ressalva de que horas da greve foram descontadas encaminhem estes documentos à Contraf-CUT, de modo a denunciar que o banco desrespeitou a Convenção Coletiva", ressalta William.

Acordo

Uma das condições para que os bancários assinassem o acordo coletivo 2012/2013 com o BB foi a de não haver o desconto dos dias de greve ou mesmo qualquer outra medida contra os trabalhadores que exerceram esse direito assegurado pela Constituição.

"Mas o banco extrapolou o que está previsto na cláusula 56ª da Convenção Coletiva de Trabalho ao soltar uma instrução normativa mandando seus administradores alterarem férias e demais licenças dos grevistas que já estavam pré-agendadas", denuncia William.

Mais denúncia

As entidades sindicais também denunciaram o banco ao assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopes Feijóo, durante reunião ocorrida no dia 14 de novembro, em Brasília. Três documentos foram entregues para ele com denúncias de problemas graves de gestão no BB, entre elas as perseguições aos bancários grevistas.

Fonte: Contraf-CUT

23.1.13

BB só mostra esboço de plano de funções comissionadas e irrita bancários




Rodada de negociação foi realizada nesta terça-feira 22 em Brasília

Na reunião realizada nesta terça-feira 22 em Brasília com a Contraf-CUT, as federações e os sindicatos para discutir o novo plano de funções comissionadas de 6 horas, o Banco do Brasil apresentou apenas as premissas do projeto que vai implantar a partir da próxima semana. Alegando que de última hora precisou prestar novos esclarecimentos aos órgãos governamentais, o BB negou-se a mostrar o projeto completo, demonstrando mais uma vez desrespeito para com os bancários.

"O banco reforçou novamente sua estratégia de não negociar com as entidades sindicais questões fundamentais da vida de seus trabalhadores sob o falso argumento que não discute gestão", critica William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. 

"Aliás, desde o início do processo de luta pela jornada correta de bancários para todos os comissionados, foi somente a luta e a mobilização dos trabalhadores e suas entidades sindicais, através de priorização do tema nas últimas campanhas nacionais e com ações na justiça, que levou o banco a mudar de estratégia de 'gestão' e implantar algumas funções comissionadas de 6 horas", acrescenta William.

As premissas do plano

O banco informou que as premissas do plano de funções comissionadas de 6 horas serão as seguintes:

> Assegura que os bancários não terão prejuízo.

> Haverá regras sobre o que é o trabalho do comissionado de 6 e 8 horas.

> Manterá funções com a jornada de 8 horas.

> A adesão será voluntária para o público-alvo das funções de 6 horas.

> A adesão não será voluntária onde o BB entende ter fidúcia (ou seja, todas as demais funções que ele deixar fora da jornada de 6 horas).

> As funções do plano antigo que viraram funções de 6 horas serão extintas.

> Em relação ao passado, passivo trabalhista, a questão poderá ser tratada de forma extrajudicial nas bases onde houver Comissão de Conciliação Voluntária (CCV).

> O BB afirma que não irá alterar as dotações porque haverá mais "eficiência operacional".

> O plano terá um período de acompanhamento para ver a necessidade de ajustes.

> Haverá uma central de atendimento interna para esclarecer dúvidas nos casos particulares dos funcionários.

> O BB está mudando todo o quadro de funções, inclusive naquelas que entende ser de 8 horas. Todas as funções terão descrição específica sobre elas. O banco migrará automaticamente os comissionados de 8 horas para as novas nomenclaturas, que terão seis dias para dar o 'de acordo'. Aqueles que não quiserem migrar, serão descomissionados.

> Sobre a Ditec, o banco informou que também haverá reestruturação. A Ditec terá um incremento de 230 cargos, sendo 150 de níveis gerenciais, trazendo oportunidades de encarreiramento.

> O banco reafirmou que não vai negociar a jornada de trabalho do plano e as funções.

'Postura do banco causará grande tumulto'

A Contraf-CUT e as entidades sindicais fizeram fortes críticas aos métodos e à postura do banco durante todo o processo de negociação.

"O que o banco fez hoje foi usar a estratégia de não informar as entidades e os funcionários com o tempo mínimo necessário para a tomada de decisão. Simplesmente decidiu migrar todos os funcionários que não estiverem no público-alvo das funções de 6 horas automaticamente na manhã de segunda, dia 28, e pressioná-los para assinar um termo de concordância em seis dias, sob ameaça de descomissionamento", condena William Mendes. "A postura é absurda e causará um grande tumulto a milhares de trabalhadores em funções comissionadas."

Entidades sindicais defenderão bancários em todas as frentes

A Contraf-CUT e as entidades sindicais orientam que os bancários tenham calma na segunda-feira e não tenham pressa em assinar nada. Haverá reunião entre o banco e Comissão de Empresa no mesmo dia.

"Em relação às funções de 6 horas e o público-alvo, os trabalhadores terão o tempo que acharem necessário para migrar ou não, de acordo com a avaliação de cada um. A migração para novas funções ficará em aberto", esclarece o coordenador da Comissão de Empresa.

Apesar da postura intransigente do banco, as entidades sindicais continuarão organizando os bancários para defender a jornada de 6 horas de todas as funções comissionadas. A Contraf-CUT e os sindicatos seguirão à disposição dos bancários durante todo o período de implantação do novo plano de funções do banco, tanto para defendê-los com ações judiciais como também para buscar acordos individuais e extrajudiciais nas CCV. 

Fonte: Contraf-CUT

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Post Scriptum: na luta, apesar de estar meio-que de férias

28.12.12

Entrevista: Trabalhadores precisam fazer disputa com conservadores, diz Contraf-CUT



Apesar de ter provocado a crise econômica, que desde 2008 fechou mais de 30 milhões de postos de trabalho em todo o mundo, e na Europa estar destruindo o Estado de bem-estar social construído em quase um século de lutas dos trabalhadores, o neoliberalismo perdeu o pudor e volta a dominar todos os espaços na grande mídia nacional.


Em nome do deus mercado, os neoliberais, cujo quartel-general se esconde nas entranhas no sistema financeiro, combatem a política de queda de juros e spread do governo federal, rebelam-se contra a redução das tarifas de eletricidade e contra as intervenções do Estado para regular áreas estratégicas da economia. Demonizam as políticas sociais e amplificam a campanha visando criminalizar a ação política dos que os combatem, especialmente dirigentes políticos do Partido dos Trabalhadores. 

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, que acaba de ser reconduzido à presidência da UNI Américas Finanças, defende que é desafio do movimento sindical sair do corporativismo e fazer esse enfrentamento com os neoliberais e com os conservadores, que têm hoje a hegemonia nos grandes veículos de comunicação.

Nesta entrevista exclusiva, concedida às vésperas do ano novo, Carlos Cordeiro faz também um balanço da campanha nacional dos bancários de 2012 e aponta os desafios para o futuro.

Que balanço você faz do ano de 2012?

Carlos Cordeiro - Foi bastante positivo. O êxito na verdade teve início em 2011, quando sofremos uma pressão muito grande dos banqueiros, da mídia e do governo para não ter aumento real de salário, porque traria inflação. Fizemos o enfrentamento, junto com outras categorias, e conquistamos ganho real de salário pelo oitavo ano seguido. E em 2012 não tivemos um aumento de inflação, como eles ameaçavam, e tivemos novo ganho real.

Nos últimos nove anos, conquistamos 16% de aumento real em todos os salários e 36% de ganho real no piso. Podemos dizer que é uma política permanente e constante de aumento real de salário e valorização do piso. E isso ocorre no momento em que comemoramos os 20 anos da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, que é hoje uma referência para todos os trabalhadores brasileiros.

Não tem maior inclusão social do que distribuição de renda via aumento de salário. Embora ainda em uma velocidade lenta, é uma mudança, porque antigamente tínhamos perdas e neste último período conseguimos reverter, o que é fundamental para reduzir a desigualdade no país. O aumento real deste ano vem coroar esta política correta, que começa lá atrás com a Convenção Coletiva.

Os avanços na parte econômica foram o ganho mais importante?

Carlos Cordeiro - Não. Tão ou mais importante que as conquistas econômicas são os avanços sociais no último período. Em 2012, por exemplo, tivemos grande avanço no tema da segurança bancária. No ano passado tivemos 49 mortes em assaltos envolvendo bancos e no primeiro semestre de 2012 foram 27 homicídios, o que nos obriga a buscar uma solução. Conseguimos manter uma dinâmica de negociação sobre segurança com a Fenaban que aponta para um projeto-piloto, embora ainda com algumas fragilidades, que contempla antigas reivindicações como porta giratória com detector de metal e biombos em frente aos caixas. Abrimos um canal de negociação onde vamos poder testar essa política de segurança, fazer uma avaliação do que funcionou ou não funcionou, com o objetivo de implantar um projeto nacional.

O que mais você destacaria da campanha nacional de 2012?

Carlos Cordeiro - Na questão do emprego, tivemos avanços na Caixa, com a contratação de mais de 5 mil bancários em 2012 e com a conquista de uma cláusula no acordo coletivo que garante mais 7 mil contratações em 2013. Isso é importante na disputa que estamos travando com os bancos privados, particularmente Santander e Itaú. 

O banco espanhol, que obtém aqui 26% do lucro mundial, demitiu 1.280 trabalhadores na véspera do Natal, desrespeitando o Brasil e os brasileiros. Já o Itaú, apesar do maior lucro do sistema financeiro nacional, cortou mais de 7 mil postos de trabalho nos primeiros nove meses do ano, mostrando que não está gerando empregos para contribuir com o desenvolvimento do país. Além disso, eles abusaram da rotatividade, essa jabuticaba para reduzir custos e turbinar lucros, além de pagarem bônus milionários para os altos executivos.

Conquistamos ainda novas cláusulas sobre saúde do trabalhador e no tema igualdade de oportunidades também teve avanço. Conseguimos arrancar da Fenaban a realização de um novo censo, que vai permitir fazer uma reflexão aberta, pública em relação às políticas que os bancos vêm adotando a partir do Mapa da Diversidade, e saber se surtiram efeito ou não. Hoje temos clareza que não surtiram efeito, mas o novo censo, embora não seja instrumento que acabe a discriminação, é um meio importante para discutirmos em cima de fatos concretos com a Fenaban sobre políticas para acabar com as discriminações. Isso é uma luta, é um processo e o censo é mais um passo nessa direção.

Você destacaria algo no campo da organização da categoria?

Carlos Cordeiro - A grande conquista que temos é a unidade dos bancários de todo o país. Não só na campanha deste ano, mas do último período, evidenciando que, quanto maior a unidade dos bancários, maior são as conquistas. E isso aponta para o futuro. Se de fato queremos enfrentar os bancos e melhorar as condições de trabalho e remuneração dos bancários, vai depender no nosso grau de unidade. Não só unidade entre trabalhadores dos bancos públicos e privados, mas também unidade interna do movimento sindical bancário.

E quais os desafios que você enxerga para 2013?

Carlos Cordeiro - O projeto político eleito pelo povo brasileiro vem sendo atacado constantemente pela direita organizada neste país, comandada pelos grandes meios de comunicação. E isso nos leva a uma disputa que está colocada na sociedade hoje. Nós do movimento sindical, que somos a referência dos trabalhadores, precisamos entrar nesta disputa mais fortalecidos ainda, organizados e articulados. 

É importante também pautar a discussão dos temas que interessam aos trabalhadores e à sociedade. A reforma tributária é um deles. Que reforma tributária os trabalhadores querem? E dentro dela qual o papel do Estado, quem vai financiar o Estado, quais as políticas públicas, as políticas sociais?

O 3º Congresso da Contraf-CUT, em abril de 2012, apontou mais temas prioritários para os trabalhadores na discussão com a sociedade?

Carlos Cordeiro - Sim. Outro tema importante é a reforma política, que há décadas está na ordem do dia, mas cuja discussão não avança porque é travada pelas forças conservadoras. Qual a reforma política que queremos? Como devem ser o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores para que de fato representem os trabalhadores e não o poder econômico, como hoje, que coloca lá seus representantes com campanhas milionárias? Precisamos discutir o financiamento público das campanhas políticas. 

E sobre o sistema financeiro?

Carlos Cordeiro - A reforma do sistema financeiro é absolutamente prioritária. Por isso, nós precisamos cada vez mais de uma conferência nacional sobre o sistema financeiro. Como o governo ignorou as várias solicitações que fizemos para realizá-la, cabe aos trabalhadores e outros representantes da sociedade concretizá-la. É muito importante discutir não apenas o papel dos bancos e do crédito, mas acima de tudo o que a sociedade quer de um sistema financeiro, para onde estará direcionado, quem vai ser atendido, a questão da universalização dos serviços bancários, a redução dos juros e das tarifas e, acima de tudo, com fiscalização eficiente e punição exemplar quando houver falcatruas. 

Há outros temas que ganham relevância cada vez maior, como por exemplo o do marco regulatório da mídia.

Carlos Cordeiro - Acho que precisamos discutir urgentemente uma regulamentação da mídia. O marco regulatório das comunicações no Brasil é de 1962, de uma época que não havia sequer televisão a cores, quanto mais TV a cabo e internet. A Argentina está fazendo essa discussão, com um projeto que tem recebido elogios das Nações Unidas. A Inglaterra está punindo os excessos e crimes cometidos pelos jornais do Rupert Murdoch. Na Europa e nos Estados Unidos há limite para que um mesmo grupo empresarial acumule propriedades cruzadas de meios de comunicação, de forma a impedir o oligopólio e incentivar a diversidade de propriedade de meios de comunicação e, em última instância, a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.

As reformas tributária e política, a regulamentação do sistema financeiro e o marco regulatório das comunicações são temas que a sociedade, e especialmente os trabalhadores, precisam ficar a par deles. E para isso o movimento sindical precisa estar preparado, conhecer esses temas e se especializar neles para promover a discussão, fazer o debate e dialogar com os trabalhadores. Temos que ter posição a respeito desses temas e, mais do que isso, fazer a disputa na sociedade, sendo a referência dos trabalhadores, porque hoje os empresários acabam sendo a grande referência.

E quais são os desafios no campo sindical?

Carlos Cordeiro - Do ponto de vista corporativo, o grande desafio hoje colocado é o emprego. Temos de criar condições para grandes mobilizações em defesa do emprego, porque banco e governo é como feijão: só com pressão. É importante negociar, estabelecer as mesas de negociação, mas negociação sem mobilização é frágil. E isso passa por ampliar nosso diálogo com os trabalhadores, para estarem mais presentes nesses processos de negociação, participando das mobilizações. 

É possível dar um salto de qualidade no debate do emprego. Não podemos ficar atrás do debate que há em outros países, que têm empregos estáveis, sem rotatividade. Esse é, sem dúvida, hoje o maior desafio que a categoria bancária tem. É preciso acabar com a demissão imotivada, com a terceirização, com a precarização, com o trabalho indecente, com os projetos de correspondentes bancários.

Os outros dois desafios corporativos são o da remuneração e das condições de trabalho. É preciso inverter essa lógica de remuneração variável x remuneração fixa. Temos que lutar por uma remuneração decente, fixa, e que tenha impacto em toda a vida laboral, especialmente na aposentadoria do trabalhador. Essa é uma mudança que vai depender de muito debate com os trabalhadores e muito enfrentamento com os bancos e com o governo. E, claro, da nossa unidade e mobilização.

Por fim, qual é a sua mensagem de ano novo para bancários e bancárias de todo Brasil?

Carlos Cordeiro - Quero desejar um maravilhoso ano novo para toda a categoria e seus amigos e familiares, repleto de muitos sonhos, esperanças, lutas, conquistas e realizações. Que as luzes do Natal nos acompanhem e iluminem os nossos caminhos ao longo de 2013. E que tenhamos muita paz, que só existe com emprego, melhores salários e condições de trabalho, respeito, valorização, justiça social e dignidade.


Fonte: Contraf-CUT

19.12.12

Contraf-CUT cobra agilidade do BB no cumprimento do Acordo Coletivo



A Contraf-CUT enviou nesta terça-feira (18) ao Banco do Brasil ofício cobrando que o banco cumpra o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) assinado com as entidades sindicais no dia 4 de outubro, com vigência retroativa a partir de 1º de setembro.

Um dos pontos cobrados pela Confederação se refere à Cláusula 46ª que faz referência aos trabalhadores da CABB e diz respeito à redução de 2 anos para 1 ano na trava de tempo para concorrência e comissionamento. "O não cumprimento deste direito prejudica diariamente cada bancário que tenha intenção de concorrer a comissões em outras dependências. Exigimos a imediata implantação desta conquista, pois o acordo está em vigência há quase quatro meses e nada justifica o não cumprimento do mesmo", afirma o documento.

A Contraf-CUT vem reivindicando desde outubro agilidade no acerto de direitos novos incluídos no ACT. O banco solicitou um prazo para fazer adaptações e mudanças internas nos sistemas, alegando que os bancários não seriam prejudicados porque os acertos retroagiriam à data-base.

"Acontece que alguns direitos novos não são especificamente remuneratórios e cada dia de atraso em suas implantações prejudica diretamente os funcionários beneficiados por eles, como o caso de mudanças de prazos nas travas de remoções e concorrências", destaca o ofício.

"Mais uma vez, a Contraf-CUT contata o BB em respeito às relações de trabalho e negociações coletivas para cobrar que o banco faça o que não tem feito, ou seja, cumprir o acordo contratado. O banco passou dois meses focado na perseguição dos trabalhadores que conquistaram direitos para todos, ao invés de cuidar de suas obrigações em implantar as conquistas da campanha nacional", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Adiantamento para CABB no dia 20

Outro ponto que o BB vinha descumprindo, e que a Contraf-CUT cobrou, diz respeito também à nova função de atendente de CABB com salário de referência de R$ 2.554,20. "A cláusula 45ª prevê acerto até dezembro e os bancários não receberam o valor correto no pagamento deste mês, dia 20, e também não receberam os atrasados de setembro a novembro", defende a Contraf-CUT no documento.

O banco já informou à Contraf-CUT que fará adiantamento para CABB no dia 20 de dezembro.
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Leia o documento na íntegra:

São Paulo, 18 de dezembro de 2012.

Ao
Banco do Brasil S.A.
Diretoria de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas
Att. do Sr. Carlos Eduardo Leal Neri
Brasília - DF

Ref.: Cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho do Banco do Brasil, aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho - Contraf-CUT e Fenaban.

Ao cumprimentarmos vossa senhoria, vimos por meio deste ofício exigir que o Banco do Brasil cumpra o acordo coletivo de trabalho assinado com os trabalhadores e suas entidades sindicais desde o dia 4 de outubro com vigência a partir 1º de setembro de 2012.

Esta confederação já reivindicou por mais de uma vez celeridade no acerto de direitos novos incluídos no ACT 2012/13. Na oportunidade das cobranças, o banco solicitou um prazo para fazer adaptações e mudanças internas nos sistemas, alegando que os bancários não seriam prejudicados porque os acertos retroagiriam à data-base.

No intuito da boa-fé nas negociações, a Contraf-CUT enviou a explicação do banco aos bancários e suas entidades sindicais. O banco inclusive explicou que os acertos diversos seriam feitos no máximo até a folha de pagamento de dezembro, e que todos os acertos remuneratórios seriam retroativos a 1º de setembro com pagamento dos atrasados.

Acontece que alguns direitos novos não são especificamente remuneratórios, e cada dia de atraso em suas implantações prejudica diretamente os funcionários beneficiados por eles, como o caso de mudanças de prazos nas travas de remoções e concorrências.

Sendo assim, cobramos o imediato acerto dos seguintes direitos:

1- Nova função de Atendente de CABB com salário de referência de R$ 2.554,20. A cláusula 45ª previa acerto até dezembro e os bancários não receberam o valor correto no pagamento deste mês (dia 20) e também não receberam os atrasados de setembro a novembro. Exigimos que o banco faça o adiantamento na conta corrente dos trabalhadores nesta quinta-feira 20/12 e que a regularização seja transitada no máximo na Fopag de janeiro.

2- A cláusula 46ª também faz referência aos trabalhadores da CABB e diz respeito à redução de 2 anos para 1 ano na trava de tempo para concorrência e comissionamento. O não cumprimento deste direito prejudica diariamente cada bancário que tenha intenção de concorrer a comissões em outras dependências. Exigimos a imediata implantação deste direito, pois o acordo está em vigência há quase quatro meses e nada justifica o não cumprimento do mesmo.

3- A cláusula 47ª incluiu os caixas executivos na Carreira de Mérito. O fato é que o banco nos pediu um prazo para a regularização e quando fez os acertos em novembro último, seguiu deixando trabalhadores sem receber o direito e os acertos. Os caixas executivos que estão liberados para exercerem o seu mandato sindical continuam aguardando o devido cumprimento do ACT 2012/13. É estranho que o banco não tenha feito a regularização, pois o tratamento que deve ser dado aos dirigentes é exatamente o mesmo que a qualquer outro bancário. Aliás, se assim não fosse, o banco não teria aplicado corretamente em 2011 a Carreira de Mérito aos demais dirigentes que foram eleitos durante o exercício de diversas funções comissionadas quando se encontravam nas suas dependências de origem.

A Contraf-CUT e suas entidades sindicais seguem na defesa do respeito às negociações coletivas de trabalho e no cumprimento dos direitos contratados entre trabalhadores e patrões.

Atenciosamente e no aguardo da imediata regularização dos itens acima apresentados,

Carlos Cordeiro - Presidente da Contraf-CUT

William Mendes - Coordenador da CEBB

Fonte: Contraf-CUT

11.12.12

BB nega mediação no Ministério do Trabalho e mostra que é antissindical




A Contraf-CUT em conjunto com o Sindicato dos Bancários de Brasília, participou nesta segunda-feira (10), de audiência com o Banco do Brasil, no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília, para tratar de ilegalidade na jornada de trabalho, passivo trabalhista e descomissionamentos por "ato de gestão", bem como sobre as práticas antissindicais que o banco vem tomando e as perseguições que funcionários vêm sofrendo.

A reunião aconteceu duas semanas após o Sindicato denunciar os abusos do BB e solicitar a atuação do ministro Brizola Neto. Os bancários também já procuraram a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Uma das práticas questionadas pelo movimento sindical é o fato de o banco descomissionar o trabalhador após este garantir na Justiça o direito de receber a 7ª e 8ª hora como horas extras. "Logo após o trabalhador ganhar na Justiça, o banco desvirtua a ordem judicial descomissionando o bancário, fazendo com que ele perca o seu direito", explica Eduardo Araujo, diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, representante da entidade na audiência. "Mas, assim como já havia feito no MPT no último dia 3, o banco não se mostrou disposto à mediação", afirma o dirigente sindical.

Outro ponto que o banco insiste em não negociar é em relação às novas funções comissionadas de seis horas, que devem ser implantadas até 31 de janeiro de 2013. O BB anunciou ao secretário de Relações do Trabalho do MTE, Manoel Messias Nascimento Melo, que irá implantar as novas funções até janeiro de 2013, mas sem estabelecer nenhum diálogo e negociação com o movimento sindical.

"O que queremos é discutir como tal processo será feito. O próprio MTE sugeriu ao banco que seria interessante uma negociação com a representação sindical sobre as novas funções, como ocorreu em outras empresas públicas, mas o BB novamente desconsiderou a proposta e a mediação do Ministério do Trabalho também não avançou", afirma William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Ao que parece, a direção de gestão de pessoas do BB não tem a mínima vontade de negociar e só atua através de ação judicial e de pressão sindical. "A Contraf-CUT e as entidades sindicais continuam buscando espaços e locais que possam ajudar na intermediação com o BB, mas o banco tem mostrado uma postura antissindical e avessa a mediações de órgãos como o Ministério do Trabalho e o MPT", critica William.

Perseguições aos grevistas

Em relação às denúncias encaminhadas pelos representantes dos trabalhadores sobre a perseguição para a compensação das horas aos trabalhadores que exerceram neste ano o seu legítimo direito de greve, suspendendo férias, abonos e licenças, tanto o BB quanto o movimento sindical decidiram não tratar sobre esse tema no MTE, deixando essa discussão no âmbito do MPT, como já vem ocorrendo.

Em audiência realizada pelo MPT, na última segunda-feira (3), o banco se manteve intransigente e recusou a proposta da procuradora de voltar atrás na decisão de cancelar unilateralmente férias, abonos e licenças já programados dos trabalhadores que participaram da greve.

"O MPT havia sugerido ao BB que alterasse o item 4.5.4 da IN 361 que dá margem ao banco para prejudicar férias, licenças e abonos dos bancários grevistas. A ousadia do BB é tanta que, antes do prazo dado pelo MPT (10) para que o BB apresentasse uma solução, o banco, além de não atender à procuradora, soltou na sexta-feira (7) boletim insistindo e incentivando a prática de pressão e assédio, mostrando total desrespeito aos bancários, às entidades sindicais e aos órgãos públicos", aponta William.

Na última sexta-feira, a Contraf-CUT protocolou no MPT o boletim que o banco fez e pediu para que o órgão abra procedimento investigatório contra o BB em razão da prática de improbidade administrativa da "Direção Executiva" do banco que assinou esse material. Também instou o MPT que promova ação civil pública para a preservação dos direitos individuais e homogêneos e dos direitos coletivos dos funcionários.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Brasília

8.12.12

Eduardo Araujo analisa descaminhos da gestão do bb



Carta aos colegas do Banco do Brasil

Colegas,

Gostaria, em primeiro lugar, de dizer a todos que os diretores do Banco do Brasil são ex-colegas, e não representam nenhum bancário e sim os acionistas do banco (governos e capitalistas privados), além, é claro, de seus interesses pessoais.

Em audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho, na segunda-feira, dia 3 de dezembro, os representantes do BB utilizaram levianamente uma das minhas correspondências aos colegas para alegar que os sindicatos pregavam a não compensação de horas. A leitura correta do acordo não se resume ao escrito. Essa leitura deve contextualizar o que foi historicamente negociado de fato, sem considerar os valores individuais dos que assumiram a direção da empresa e/ou determinam os seus limites da negociação coletiva deste ano.

“Exigir o cumprimento integral da cláusula 56ª da CCT, que prevê a compensação dos dias de greve” é posição exclusiva da atual diretoria do banco, a mesma que autoimplantou um sistema de bonificação que estabelece uma gestão de processos e não de pessoas, que transfere para uma confraria de superintendentes o "poder supremo", que contrata um seguro pessoal para, na minha opinião, fazer qualquer “barbaridade” sem responder por seus atos “de gestão”. Atos estes que geram mais passivo trabalhista para o BB, além dos R$ 2,63 bilhões contabilizados no 3º trimestre de 2012. Enquanto os bancários produzem resultados, em muitos casos sacrificando sua saúde e família, esses diretores geram prejuízos de toda ordem, sem demonstrar a menor preocupação com o clima organizacional ou relacionamento interpessoal que restará após implantadas suas decisões em cada unidade.

A direção do BB ameaçou, por meio de Boletim de Pessoal assinado pelos diretores Carlos Netto e Carlos Neri, abrir processo disciplinar contra grevistas e não considera isso atitude antissindical. Considero que, pelo conteúdo reiteradamente veiculado no folhetim retromencionado, este deveria ter seu nome alterado para Boletim da Direção, pois nele não se veicula, por exemplo, abertura de processos seletivos para comissionamentos nem outros temas de interesse dos bancários. Ainda é preciso explicar para eles a diferença profunda que existe entre “poderão” e “deverão”.

Medir o nível de conscientização e profissionalismo do corpo funcional nessa situação é um absurdo gerencial. Antes de “cobrar respeito” ao acordado no ACT dos bancários, o banco deveria cumprir a sua parte, como, por exemplo, em relação ao ranqueamento de funcionários, ao compromisso do pagamento do BET dos pré-67 na Previ, à implantação (?) do plano odontológico após estourados todos os prazos e, especialmente, ao combate ao assédio moral com o funcionamento dos Comitês de Ética, entre outros.

Dizer que temos Vice-Presidência e Diretoria de Gestão de Pessoas também não parece razoável, uma vez que a Diretoria que determina o plano de comissões está vinculada ao Presidente, e o gerente que determina que 16 mil postos de trabalho serão extintos é o da unidade de Relações com Investidores do BB.

Para nós, bancários, antes de tudo, deve-se respeitar o ser humano! Encerro parafraseando a diretoria: “Respeitar o pactuado é fundamental para a manutenção do bom relacionamento entre as partes”. Mas, antes de tudo, em todo acordo não cabem interpretações unilaterais.

Eduardo Araujo de Souza
Presidente em exercício do Sindicato dos Bancários de Brasília

5.12.12

BB decepciona e nega proposta do MPT para rever práticas antissindicais




BB não recuou na decisão de alterar férias e licenças já marcadas dos grevistas

A Contraf-CUT compareceu nesta segunda-feira (3) na audiência do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Brasília, para ser ouvida sobre a representação protocolada no dia 5 de novembro contra o Banco do Brasil por práticas antissindicais e discriminação pós-campanha nacional em relação aos funcionários que exerceram o seu legítimo direito de greve. Apesar do esforço do MPT em tentar mediar a situação, o BB não voltou atrás na sua decisão de alterar unilateralmente férias e licenças já programadas dos grevistas.

A mediação do MPT ocorreu no sentido de que o banco alterasse a Instrução Normativa 361, especificamente no item em que dá margem para tal alteração unilateral de afastamentos abonados (férias, abonos e licenças-prêmio) ou que o BB emitisse um informe esclarecendo que a prática está proibida.

"O banco, no entanto, manteve uma posição intransigente e, após várias tentativas da procuradora, não houve mediação", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

O MPT deu prazo ao banco até a próxima segunda-feira (10) para analisar a situação e apresentar uma proposta que não prejudique os bancários grevistas nesses afastamentos abonados. "A Contraf-CUT continuará defendendo os trabalhadores que exerceram seu direito de greve, seja por meio de ações sindicais ou pela Justiça, como já vem fazendo e obtendo bons resultados", salienta William.

Acordo

Uma das condições para que os bancários assinassem o acordo coletivo 2012/2013 com o BB foi a de não haver o desconto dos dias de greve ou mesmo qualquer outra medida contra os trabalhadores que exerceram esse direito assegurado pela Constituição.

"Mas o banco extrapolou o que está previsto na cláusula 56ª da Convenção Coletiva de Trabalho ao soltar uma instrução normativa mandando seus administradores alterarem férias e demais licenças dos grevistas que já estavam pré-agendadas", denuncia William.

As entidades sindicais também denunciaram o banco ao assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopes Feijóo, durante reunião ocorrida no dia 14 de novembro, em Brasília. Três documentos foram entregues para ele com denúncias de problemas graves de gestão no BB, entre elas as perseguições aos bancários grevistas.

Fonte: Contraf-CUT

29.11.12

Bancários protestam contra práticas antissindicais e discriminações do BB




Os sindicatos promoveram nesta quarta-feira (28) um Dia Nacional de Luta contra as práticas antissindicais e a discriminação pós-campanha nacional promovidas pelo Banco do Brasil em relação aos bancários que exerceram o seu legítimo direito de greve. 

Houve protestos, manifestações e paralisações em várias capitais e cidades do país, com distribuição da carta aberta aos trabalhadores do banco e aos clientes elaborada pela Contraf-CUT, assessorada pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Clique aqui para ler a carta aberta.

"Mostramos um pouco da enorme indignação com as perseguições do BB contra os trabalhadores que fizeram a greve", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. "Vamos continuar lutando para combater e eliminar essas práticas ilegais que atentam contra a imagem de um banco público", destaca. 

O Sindicato dos Bancários de Brasília também entregou nesta quarta-feira uma carta à presidente Dilma Roussef, expressando preocupação com as mudanças promovidas pelo BB nas relações de trabalho com seus funcionários. 

Clique aqui para ler a carta para Dilma.

"Frustra-nos dizer que essa gestão, formada em sua maioria absoluta por funcionários de carreira, rapidamente se encarregou de desconstruir não só as conquistas da campanha salarial de 2012, mas, principalmente, de reeditar práticas da administração pública neoliberal de governos anteriores", afirma o presidente em exercício do Sindicato, Eduardo Araújo de Souza, que assina a carta.

Próximos passos

A Contraf-CUT entrou no último dia 5 com uma representação contra o BB no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Brasília. Uma audiência foi agendada para a próxima segunda-feira, dia 3 de dezembro. 

Além disso, a Contraf-CUT junto com outras entidades denunciou o BB em reunião realizada no dia 14 com o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopes Feijóo, em Brasília. Houve entrega de três documentos com denúncias de problemas graves de gestão no BB, entre elas as perseguições aos bancários grevistas.

Banco viola acordo

Uma das condições para que os bancários assinassem o acordo coletivo 2012/2013 foi a de não haver desconto dos dias de greve ou mesmo qualquer outra medida contra os trabalhadores que exerceram esse direito assegurado pela Constituição.

"Mas o banco vem extrapolando o que está previsto na cláusula 56ª da Convenção Coletiva e soltou instrução normativa mandando seus administradores alterarem férias e demais licenças dos bancários que já estavam pré-agendadas", denuncia William.

Fonte: Contraf-CUT

27.11.12

Renovado acordo de combate ao assédio moral e BB assina pela primeira vez



A Contraf-CUT renovou nesta terça-feira (27) com nove bancos o acordo de combate ao assédio moral, conquistado na Campanha Nacional dos Bancários de 2010. A novidade foi assinatura pela primeira vez do Banco do Brasil. Os demais bancos que firmaram novamente o documento foram: Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, HSBC, Safra, BIC, Votorantim e Citibank. O ato de assinatura ocorreu na sede da Fenaban, em São Paulo.

O acordo coletivo de trabalho aditivo - adesão ao Protocolo para Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho - também foi assinado por vários sindicatos e federações que decidiram aderir ao instrumento, previsto na cláusula 55ª da convenção coletiva, que define um canal específico para apurar as denúncias de assédio moral dos funcionários, que poderão ser encaminhadas aos bancos sem identificação do autor. Os bancos terão prazo de até 60 dias para responder aos sindicatos.

A íntegra dos acordos assinados pode ser conferida na seção Convenções e Acordos no site da Contraf-CUT.

Avaliação

"O acordo é pioneiro e positivo para os bancários", afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. O primeiro acordo foi assinado em janeiro de 2011. "Mas ele ainda tem que avançar", apontou ao alertar que o assédio moral tem sido apontado um dos três principais problemas da categoria.

O dirigente salientou que pela primeira vez os seis maiores bancos do país estão assinando o acordo. "Com isso, os 115 mil funcionários do BB poderão utilizar esse instrumento para denunciar o assédio moral aos sindicatos que aderiram", salientou.

"Acreditamos no acordo e por isso estamos renovando", disse Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. "Mas queremos aprimorá-lo e melhorar as condições de trabalho", acentuou.

Desde a criação do instrumento, o Sindicato recebeu 860 denúncias. Desse total, 602 foram resolvidas com ação sindical (reunião no local de trabalho, protestos). Outras 224 foram enviadas ao banco pelo instrumento de combate ao assédio moral e 181 foram resolvidas. Somente 34 foram recusadas sob alegação de falta de elementos. Além disso, há vários casos de bancários demitidos e que foram reintegrados devido ao programa.

"O acordo também é importante como forma de prevenção", apontou Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. Ele registrou igualmente a importância da adesão do BB. "O conteúdo pode ainda melhorar", frisou.

"Esse instrumento permite que bancários e bancárias saiam de uma situação de passividade diante das práticas de assédio moral e passem para uma situação de agentes de mudanças no ambiente de trabalho, pois, além da denúncia partir por iniciativa do próprio trabalhador, ele vai acompanhar todos os desdobramentos do caso denunciado, inclusive as providências tomadas pelos bancos", ressaltou Walcir.

O que diz o acordo

Os bancos se comprometem a declarar explicitamente condenação a qualquer ato de assédio e reconhecem que o objetivo é alcançar a valorização de todos os empregados, promovendo o respeito à diversidade, à cooperação e ao trabalho em equipe, em um ambiente saudável. A Fenaban realiza uma avaliação semestral do programa, com a apresentação de dados estatísticos setoriais.

Os bancários podem fazer denúncias nos sindicatos acordantes. O denunciante deve se identificar para que a entidade possa dar o devido retorno ao trabalhador. O sigilo será mantido junto ao banco e o sindicato terá prazo de dez dias úteis para formalizar a denúncia ao banco. Após receber a denúncia, o banco terá 60 dias corridos para apurar o caso e prestar esclarecimentos ao sindicato.

As denúncias apresentadas ao sindicato de forma anônima continuarão sendo apuradas pelas entidades, mas fora das regras desse programa.

Fonte: Contraf-CUT

23.11.12

MPT adia para o dia 3 audiência sobre perseguição do BB a grevistas




A Contraf-CUT recebeu ofício do Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta sexta-feira 23 à tarde comunicando o adiamento para 3 de dezembro da audiência solicitada pela Confederação para tratar da representação contra o Banco do Brasil por práticas antissindicais e discriminação pós-campanha nacional em relação aos bancários que exerceram o seu legítimo direito de greve. A reunião estava marcada para esta segunda-feira 26.

O MPT explicou no ofício que a reunião foi remarcada para a segunda-feira seguinte, dia 3, porque a procuradora do trabalho designada para acompanhar o caso foi convocada pela Corregedoria Geral do Ministério para outra missão de emergência.

Uma das condições para que os bancários assinassem o acordo coletivo 2012/2013 foi a de não haver desconto dos dias de greve ou mesmo qualquer outra medida contra os trabalhadores que exerceram esse direito assegurado pela Constituição.

"Mas o banco vem extrapolando o que está previsto na cláusula 56ª da Convenção Coletiva e soltou instrução normativa mandando seus administradores alterarem férias e demais licenças dos bancários que já estavam pré-agendadas", denuncia William Mendes, diretor de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. 

Em razão disso, a Contraf-CUT entrou com a representação contra o BB no MPT no dia 5 de novembro. 

Além disso, as entidades sindicais também denunciaram o banco em reunião realizada no dia 14 de novembro com o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopes Feijóo, em Brasília. As entidades entregaram três documentos com denúncias de problemas graves de gestão no BB, entre elas as perseguições aos bancários grevistas.

Dia Nacional de Luta

A Contraf-CUT está orientando as federações e sindicatos a realizarem no dia 28 um dia nacional de luta contra as práticas antissindicais e a perseguição por parte do BB aos trabalhadores que fizeram a greve que trouxe conquistas para todos.

"É importante que todos os sindicatos façam atividades nos locais onde há perseguições e denunciem essas práticas à sociedade", sugere William. Na segunda-feira a Contraf-CUT disponibilizará material no site para os sindicatos trabalharem no dia nacional de luta.

BB é recordista de reclamações

O Banco do Brasil é o campeão da lista de reclamações do Banco Central, principalmente por débitos não autorizados e cobrança irregular de tarifas e serviços. Os sindicatos já estão denunciando há tempos a pressão do banco para vendas casadas de produtos.

Veja o ranking das reclamações no site do Banco Central 


www3.bcb.gov.br/ranking/idxdg.do

Fonte: Contraf-CUT