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4.2.25

Diário e reflexões - Luna Zarattini conversa com a militância



Vereadora Luna Zarattini conversa com a militância

Terça-feira, 4 de fevereiro de 2025.


Opinião

Tivemos hoje uma reunião com a nossa companheira e liderança Luna Zarattini, vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em São Paulo e única mulher do partido na bancada paulistana. Luna será a nova líder do PT na Câmara.

A jovem vereadora é uma inspiração a todos nós que construímos a militância do Partido dos Trabalhadores. Sou testemunha do quanto Luna e sua equipe estão sempre presentes nos territórios e comunidades da cidade, principalmente nas áreas periféricas, que mais precisam das políticas municipais.

Luna fez uma fala de abertura trazendo informações para as mais de quarenta pessoas que participaram da reunião virtual e em seguida ouviu toda a militância que se inscreveu para apresentar sugestões, demandas e questionamentos, tratando de todas as questões levantadas por nós.

Dentre alguns destaques, Luna falou sobre a importância da agenda de meio ambiente, direitos humanos, saúde, cultura e educação, e explicou que neste novo mandato vai seguir com as lutas que já liderava e novas pautas estão em alta como os absurdos da Sabesp privatizada e as privatizações do prefeito atual.

Neste ano o Partido dos Trabalhadores realizará seu processo interno de eleições diretas, o PED, oportunidade da militância para trazer novas filiações e fazer grandes debates sobre os rumos do partido, o maior e mais importante partido de esquerda do Brasil.

É isso! Foi uma boa reunião com nossa vereadora Luna Zarattini.

William


22.6.12

Entrevista: Rafael Correa (Equador) fala da luta contra golpes liderados pela Mídia Corporativa


“Estamos diante de uma guerra não convencional”

Rafael Correa, presidente do Equador.

Em uma entrevista especial concedida à Carta Maior e aos jornais Página/12, da Argentina, e La Jornada, do México, o presidente do Equador, Rafael Correa, analisa o que considera ser um dos principais problemas do mundo hoje: o poder das grandes corporações de mídia que agem como um verdadeiro partido político contra governos que não rezam pela sua cartilha. “Essa é a luta, não há luta maior. Estamos diante de uma guerra não convencional, mas guerra, de conspiração, desestabilização e desgaste”.


Carta Maior, La Jornada e Página/12

Rio de Janeiro - Representante de uma nova geração de líderes políticos da esquerda latino-americana, o presidente do Equador, Rafael Correa, foi lançado para a linha de frente do cenário político mundial com o pedido de asilo político feito, em Londres, pelo fundador do Wikileaks, Julian Assange. Há poucas semanas, Assange entrevistou Correa e os dois conversaram, entre outras coisas, sobre um tema de interesse de ambos: as operações de manipulação conduzidas pelas grandes corporações midiáticas. Agora, durante sua passagem pela Rio+20, Rafael Correa voltou com força ao tema.

Em uma entrevista especial concedida à Carta Maior e aos jornais Página/12, da Argentina, e La Jornada, do México, Correa analisa este que considera ser um dos principais problemas do mundo hoje: o poder das grandes corporações de mídia que, na América Latina, agem como um verdadeiro partido político contra governos que não rezam pela cartilha dos interesses desses grupos. “Essa é a luta, não há luta maior. Estamos diante de uma guerra não convencional, mas guerra, de conspiração, desestabilização e desgaste”.

Na entrevista, Correa fala sobre o pedido de asilo de Assange, relata o debate sobre uma nova lei de comunicações no Equador e faz um balanço pessimista sobre os resultados da Rio+20.

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Há um argumento segundo o qual a liberdade de imprensa é propriedade dos meios de comunicação empresariais. Imagino que essa não seja a sua opinião.

Correa: Não nos enganemos. Desde que se inventou a impressora a liberdade de imprensa, entre aspas, responde à vontade, ao capricho e à má-fé do dono da impressora. Devemos lutar para inaugurar a verdadeira liberdade de imprensa que é parte de um conceito maior e um direito de todos os cidadãos, que é a liberdade de expressão, que defendemos radicalmente. No entanto, o poder midiático que faz negócios com o objetivo de ter lucro, até isso quer privatizar. Então, se eles têm tanta vocação para comunicar, como dizem, que o façam sem finalidades lucrativas, porque para mim isso é uma contradição.

Este é um grande problema na América Latina e também em nível planetário. Tenho tomado conhecimento que existem posições semelhantes às nossas, mas houve um tempo em que nos sentíamos muito sozinhos, quando fomos vítimas de um ataque tremendo por não abaixar a cabeça diante de um negócio muitas vezes corrupto e encoberto sob a capa da liberdade de expressão. Essa é a luta, não há luta maior.


Presidente, nestes dias foram divulgados telegramas pelo Wikileaks onde apareceram jornalistas equatorianos que eram considerados informantes pela embaixada dos Estados Unidos. Isso confirma as hipóteses levantadas quando o senhor foi vítima de um golpe de Estado.

Correa: As mentiras deles sempre acabam sendo derrubadas. Entidades que financiam esses empórios midiáticos, certas organizações que, em nome da sociedade civil, nos denunciam ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a SIP, em todos os lados. Agora vemos que esses senhores são identificados via Wikileaks como informantes da embaixada (estadunidense). Wikileaks que nunca é publicado pela maioria da imprensa comercial. Não é só isso. Essa gente é financiada pela USAID, que vocês conhecem. A USAID financiou com 4,5 milhões de dólares a estes supostos defensores da liberdade de expressão, supostamente para fortalecer a democracia e a ação cívica. Na verdade, para fortalecer a oposição aos governos progressistas da América Latina. Os povos da região têm que reagir contra esse tipo de prática.

Independentemente da solicitação do senhor Assange – ele solicitou asilo político -, ele disse que quer vir para o Equador para seguir cumprindo sua missão em defesa da liberdade de expressão sem limites, porque o Equador é um território de paz comprometido com a justiça e a verdade. Isso que o senhor Assange disse é mais próximo da realidade do Equador do que as porcarias que o poder midiático publica todos os dias.


Sabemos que o senhor ainda não tomou uma decisão sobre a situação que está atravessando alguém que revelou informações secretas sobre conspirações dos Estados Unidos e está pagando com a prisão por ter trabalhado pela liberdade de imprensa.

Correa: Se, no Equador, alguém tivesse passado a centésima parte do que passou Assange, nós seríamos chamados de ditadores e repressores, mas como o que Assange divulgou afeta as grandes potências e isso evidencia uma moral dupla e como os Estados nos tratam por meio de suas embaixadas, então é preciso aplicar todo o peso da lei contra Assange. E o chamam de violador.

Eu não quero antecipar minha decisão. Recebemos o pedido de asilo, analisaremos as causas desse pedido e tomaremos uma decisão quando for pertinente. Ele está em nossa embaixada em Londres sob a proteção do Estado equatoriano.

É claro que há aqui uma dupla moral, uma para os poderosos e outra para os débeis, uma para os que querem manter o status quo e para sua imprensa, e outra para os governos que querem mudar esse status quo e para a imprensa alternativa. Todos os dias há julgamentos em países desenvolvidos contra jornais. Neste caso não há problema, porque isso é civilização, mas, processar em nosso país um jornal ou um jornalista é qualificado como barbárie. E não é verdade que nós criminalizamos a opinião, pois em nosso país todos os dias publicam tudo, todos os dias publicam que há falta de liberdade de expressão. Qualquer um pode dizer que o governo é bom ou mau, que é competente ou incompetente. Mas o que não pode se dizer em um meio de comunicação é que o presidente, ou qualquer cidadão, é um criminoso de lesa humanidade e que ele disparou sem aviso prévio contra um hospital, porque isso é calúnia, isso é delito em qualquer país.


O caso Assange pode dar origem a uma tensão diplomática entre Equador e Grã-Bretanha?

Correa: Isso é a última coisa que queremos, mas nós não vamos pedir permissão a nenhum país para tomar decisões soberanas. O Equador não tem mais alma de colônia nem alma de vassalo. Se dar asilo, refúgio ou residência a fugitivos da justiça provocasse deterioração, a relação da América Latina com os Estados Unidos estaria deterioradíssima. Porque, provavelmente, Argentina, Brasil, México e outros países não devem estar de acordo que qualquer fugitivo viole a justiça. Esse não é o caso do senhor Assange, mas sim de corruptos como os banqueiros que quebraram o Equador em 99 e fugiram para os Estados Unidos, onde gozam hoje de uma vida bastante cômoda.


Vocês têm um Murdoch no Equador?

Correa: No Equador, temos seis famílias que representam heranças familiares, não é propriedade democrática, um capitalismo popular onde há 10 mil acionistas em um empório. Os meios de comunicação no Equador são manejados por meia dúzia de famílias, que decidem o que os equatorianos devem saber e conhecer. Vocês se dão conta da vulnerabilidade que temos como sociedade? A informação depende dos interesses e dos caprichos de meia dúzia de famílias. Mas se um governo soberano e digno não as chama para consultar sobre o nome dos ministros ou sobre a indicação de embaixadores, como ocorria antes, vão com tudo para cima desse governo porque ele não se submete aos seus caprichos. É um problema mundial, mas em outros países é atenuado com participação, profissionalismo muito profundo, uma ética muito forte, tudo o que brilha por sua ausência aqui no Equador.


Presidente, um funcionário da Usaid acaba de dizer que eles estão ajudando as oposições a estes governos.

Correa: Franqueza anglo-saxã.


Impunidade?

Correa: Impunidade e arrogância.


Essa ideia nos fala de um tempo da informação como arma de guerra e a América Latina sofre uma verdadeira invasão dessas fundações como a USAID, a NED, o IRI. Isso não torna muito perigosa a nossa situação? A presença das ONGs destas fundações não é perigosa para o Equador?

Correa: Oxalá consigamos despertar os povos latino-americanos para essa situação. As direitas, os grupos de poder, sabem que nas urnas não conseguirão nos derrotar. Daí as campanhas contínuas de desgastes, de propaganda, de difamação, de enfraquecimento e desestabilização. Nós vivemos isso desde os primeiros dias de governo. Desde o primeiro dia de governo. O mesmo ocorre na Venezuela, na Bolívia, na Argentina e em todos os governos progressistas da região. Sofremos as campanhas desses meios que são a vanguarda do capitalismo, do status quo dos partidos tradicionais de direita que se afundaram por seus próprios erros, para difamar, para distorcer a verdade com a cumplicidade de veículos da mídia internacional.

Essa é a contradição de que fala Ignacio Ramonet. Na Europa hoje há desemprego, estagnação, resgate de milionários, resgate de bancos e não de cidadãos, e os jornais dizem que isso é necessário, que é sério, técnico e correto. Que as pessoas morram de fome, precisamos salvar o capital! Enquanto isso, em países como o Equador, que é um dos que mais crescem na América Latina, que reduziu a pobreza, gerou mais emprego, tem a taxa de desemprego mais baixa da região e da história, todos os dias nos dizem que isso é populismo e demagogia, que é preciso mudar de governo.

Estamos ante uma campanha propagandística para defender os poderes fáticos que sempre dominaram nossos países. A direita perdeu as eleições nos Estados Unidos e agora chegam essas organizações para financiar esses grupos na América Latina. Estamos diante de uma guerra não convencional, mas guerra, de conspiração, desestabilização e desgaste.


Por isso pergunto sobre o tema da informação como arma de guerra, como a arma letal antes do primeiro disparo.

Correa: Estou convencido disso. Alguns ainda imaginam a imprensa, sobretudo na América Latina, como o quarto poder nascente, que floresceu quando chegaram as democracias, quando ocorreram avanços técnicos e se multiplicaram as publicações, quando se avançou na alfabetização e as grandes massas passaram a poder ler. Esse poder impediria que o poder político, o poder do Estado, ultrapasse certos limites. Assim chegou a desinformação. Lembremos, por exemplo, do affair Dreyfus na França, quando por racismo e xenofobia se acusou um capitão judeu, como denunciou Emile Zola em seu famoso editorial “Eu acuso”. Essa imprensa limitava os excessos do poder político, mas esse vigoroso e ingênuo cachorrinho, bem-intencionado, que lutava pelos interesses dos cidadãos, converteu-se de repente em um mastim feroz, com um poder ilimitado, raivoso, que não só tenta encurralar o Estado como também os próprios cidadãos.

O poder midiático na América Latina, como ocorre no Equador, é frequentemente superior ao poder político. Precisamos tirar certos estereótipos de cena ou do ambiente de certa burocracia internacional como alma de ONG, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos que fala de pobrezinhos jornalistas e de malvados políticos. Isso não é certo. Os políticos são, muitas vezes, patrióticos. A antipatia que certos jornalistas alimentam, desfiando seus ódios e amarguras, acaba fazendo com que se metam inclusive em questões pessoais, com a família, etc.

Então, vejamos a realidade. Trata-se de tabus e nos ensinaram a ter medo de criticar esses negócios, como se, criticando-os, estivéssemos criticando a liberdade de expressão. Esses são os negócios da má imprensa.


Presidente, viremos a página e passemos à crise

Correa – É que esse tema (da mídia) me apaixona. É um tema acadêmico que me apaixona, ao qual dedicarei meu tempo quando sair da presidência. Pretendo me dedicar a ele, investigar e escrever porque se trata de um problema gravíssimo, porque estamos nas mãos de um poder midiático que superou inclusive o poder financeiro e político, e domina o mundo.


Você resumiu ontem em uma palavra o documento final da Rio+20, classificando-o como “lírico”...

Correa – É assim. Não há compromisso concreto. Podem verificar. Onde há um compromisso em cifras, por exemplo, com o limite de emissões de gases, compensações, acordos, acordos vinculantes como seria uma declaração de direitos da natureza em um tribunal internacional do meio ambiente, como propôs o Equador. Não há nada disso. Fala-se de cuidar melhor do planeta, mas não há um compromisso concreto. O avanço é muito pequeno.


A que atribui a ausência dos Estados Unidos e da Alemanha? Elas podem ter contribuído para essa falta de compromissos concretos?

Correa – Vai mais além. O problema não é técnico. Todo mundo sabe qual é o problema, todo o mundo sabe quais são as respostas. O problema é político. Quem gera os bens ambientais e quem consome esses bens ambientais? Se os países ricos ou os países em desenvolvimento podem consumir gratuitamente um bem que outros geram por que é que vão se comprometer a compensar e cuidar. Não farão isso a não ser que esteja em perigo evidente sua própria existência ou seus próprios interesses.

Então, o problema é político, é a relação de poder. Imagine que a situação fosse a inversa, que a Floresta Amazônica, por exemplo, estivesse nos Estados Unidos e que eles fossem geradores de bens ambientais e que nós dos países em desenvolvimento fôssemos os consumidores. Já teriam nos invadido em nome dos direitos humanos, da justiça, da liberdade, etc., para exigir compensações. Então, esse é um problema de poder. Enquanto não mudarem as relações de poder, muito pouco se irá avançar.


Considera então que o saldo provisório da Rio+20 é um fracasso?

Correa – Sim. Não se conseguiu avançar quase nada. Não há compromisso concreto, nada concreto. Nem sequer dinheiro. Houve uma reunião do G-20 no México e a maioria, 80% dos que estavam lá, regressaram para suas casas. Não vieram para a Rio+20. Não interessa. Apenas alguns poucos vieram para a Cúpula, sobretudo latino-americanos.


Houve também a Cúpula dos Povos, um encontro muito interessante.

Correa – Quisemos participar, mas não foi possível, estava muito longe. Infelizmente foi um problema de logística. Mas vamos ter um evento de direitos da natureza, paralelo à Cúpula, nos mesmos locais da Cúpula, para o qual convidamos 400 dirigentes de organizações sociais alternativas, progressistas de esquerda que buscam a justiça de nossa América e do mundo inteiro. O presidente Evo Morales também participará dessa conferência.


Eu queria perguntar-lhe sobre o que representam estas alianças como a do Pacífico (Colômbia, Chile, Peru e México) e o anúncio feito pelo presidente Felipe Calderón do Transpacífico, que é algo novo. Isso pode ser visto como uma ameaça à integração e à unidade da América Latina?

Correa – Bom, o maior problema em essência sobre o tema do cuidado com o meio ambiente e que também está na base da crise da Europa e dos Estados Unidos é que tudo foi mercantilizado. Eles não querem ver isso porque afeta os interesses dominantes. O mercado é uma realidade econômica que não podemos negar, mas o grande desafio da humanidade é que a sociedade deve conseguir dominar o mercado. O que temos hoje é o mercado dominando a sociedade e as pessoas, mercantilizando tudo. Como o mercado só se interessa pelo que é mercadoria, pelo que tem preços explícitos, não administra adequadamente bens públicos como o meio ambiente. Por isso pode consumir irresponsavelmente bens ambientais, bens públicos globais, depredar a natureza, etc., porque não têm preços explícitos, porque não são mercadoria.

Então, quanto mais se ampliar essa lógica do mercado, mais esses problemas se agravarão e os perigos serão ainda maiores para a conservação do planeta. Eu diria que nós somos muito críticos destes tratados de livre comércio, somos muito críticos da mercantilização da vida e da humanidade em geral. Esse é um dos grandes desafios que enfrentamos. Insisto, o mercado é um fenômeno econômico irrefutável, mas o grande desafio é fazer com que as sociedades dominem o mercado e não o contrário.


Senhor presidente, que medidas os países da América Latina deveriam tomar para não perder o rumo da histórica na direção de uma integração regional soberana e progressista. Como vê os avanços no Mercosul, na Unasul e na Comunidade Andina de Nações (CAN)?

Correa – Avançou-se como nunca antes. Isso não quer dizer que estejamos bem. Teremos que avançar muito mais rápido. Creio que há uma vocação concreta e uma posição integracionista sincera, não uma integração mercantilista como havia antes. O Mercosul nasceu na noite neoliberal dos anos 90. A CAN nasceu a todo vapor e depois diminuiu. A integração mercantilista não quer fazer grandes sociedades de nações, mas sim grandes mercados, não fazer cidadãos de nossa América, mas sim consumidores. A concepção da Unasul é diferente. Nós temos uma concepção integral, onde uma parte é comercial, que sempre é importante, mas não é o mais importante, e as outras partes têm a ver com conectividade, nova arquitetura financeira regional, harmonização de políticas, políticas de defesa. Oxalá consigamos avançar também em políticas trabalhistas para que nunca mais caiamos na América Latina na armadilha de competir para atrair investimentos, deteriorando e precarizando as forças de trabalho. Ao invés de atrair capitais na base do suor e das lágrimas de nossos trabalhadores, pensamos em outro mundo. Como disse, creio que avançamos, mas precisamos ir muito mais rápido.


O senhor tocou de passagem o tema do Conselho de Defesa Sul-americano, que está objetivamente estancado, e seu país sofreu um ataque estrangeiro em 2008. Na sua avaliação, com a chegada do presidente Santos na Colômbia, a hipótese de tensões entre Colômbia e Equador está completamente dissipada?

Correa - As relações bilaterais entre Equador e Colômbia gozam de um extraordinário momento. Há uma grande coordenação com o governo do presidente Santos. A Colômbia sempre foi o vizinho com o qual tivemos a melhor relação em nossa história. Infelizmente, essa história, séculos de irmandade, foi rompida pela traição de um presidente como Uribe. Mas, graças a deus, com o governo do presidente Santos isso foi superado e creio que ele também tem uma vocação integracionista muito profunda e apoia – de fato, tem apoiado – a proposta do Conselho de Defesa.


O Conselho de Defesa teve seus primeiros estremecimentos com o anúncio da radicação de tropas dos Estados Unidos na Colômbia. Essa possível radicação de tropas norte-americanas na Colômbia está definitivamente abortada?

Correa – Não tenho maiores conhecimentos a respeito desse assunto. Até onde sei há uma estreita colaboração norte-americana com o pretexto da luta antidrogas e oxalá que a ajuda se concentre aí. Mas temos que fazer um esforço de bastante ingenuidade para nos convencermos disso porque muitas vezes se fazem outras coisas com essas supostas ajudas, sobretudo com governos que não sigam a linha de Washington.


A pergunta anterior está associada a outras situações graves como a remilitarização com novas bases no Panamá e outros três centros operacionais do comando Sul , uma base nova no Chile e nas Malvinas o grande problema é a base britânica ali instalada. Toda esta expansão dos Estados Unidos não é ameaçadora para a região?

Correa - Nós queremos nos convencer que com Barack Obama, que acreditamos ser uma boa pessoa, a política internacional dos EUA mudou, mas as evidências nos mostram que não é assim, que tudo continua lamentavelmente igual, sobretudo no que diz respeito à América Latina, cujos governos comprometidos com justiça, dignidade e soberania passaram a ser vistos como uma ameaça para seus interesses. Devemos estar muito atentos a essa presença das forças armadas norte-americanas em nossa América e a esse processo de re-armamentismo que está ocorrendo nesta época tão difícil e complexa.


Fonte: Cartamaior.com.br

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Post Scriptum (20/1/16):

Havia postado neste dia 22/6/12 em meu perfil em uma rede social (Facebook) o alerta abaixo. O velório em questão era o de minha amada avozinha Cornélia, lá em Uberlândia:

FORMAÇÃO: Gravidade da situação democrática na América Latina - camaradas, estou morrendo de sono, pois passei a noite em um velório, mas é muito grave a derrubada do governo de Lugo no Paraguai. Enquanto movimento de esquerda, pensem a respeito e distribuam o assunto.


23.1.12

Artigo: Sacolas plásticas abolidas em SP: presente para os capitalistas



Opinião

$acola$ plá$ticas abolida$ em $P: presente para o$ capitali$ta$!

Já que este blog é para eu expressar a minha opinião sobre as coisas, deixo aqui a minha sobre todo o ufanismo feito a SP por haver proibido a "distribuição gratuita" de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais.

Os capitalistas agradecem!

Antes, eles embutiam no preço dos produtos que vendem nos supermercados (e no lucro) o custo gasto com a distribuição das sacolas plásticas para os consumidores levarem os produtos embora.

Por outro lado, os consumidores, em sua grande maioria, sempre utilizaram as mesmas sacolas para acondicionar o lixo diário de casa, economizando em ter que comprar trocentas sacolas plásticas para isso.

A nova onda verde é uma tremenda desculpa para os supermercados deixarem de distribuir gratuitamente e passarem a vender sacolas com nomes de "retornáveis" ou "bio" isso ou aquilo. Os cidadãos terão que comprar $acola$ para levarem as compras para casa e terão que comprar $acola$ para acondicionar o lixo diário.

O capitalismo continuará criando engodos como este, e mais cortinas de fumaça que encobrem os verdadeiros problemas da classe trabalhadora o tempo inteiro.

Enquanto isso...

No entanto, o sistema continua produzindo modelo$ novo$ de celulare$ e bateria$ de celulare$ e tudo quanto é porcaria eletrônica movida a bateria$ e esses bilhõe$ de bateria$ continuarão indo para os lixos (com $acola$ plástica$ comprada$) e tudo bem...

Os preços nos supermercados não diminuirão, assim como não diminuíram quando enganaram os trabalhadores dizendo que a CPMF encarecia os produtos etc etc etc...

Os capitalistas continuarão sonegando e não pagando impostos... os trabalhadores continuarão a pagar impostos e o impostômetro continuará sendo referência para os dois grupos...

Enquanto isso também os governos eleitos pelo e para o sistema capitalista seguirão mantendo a ordem e a lei e manterão a propriedade privada, como é o caso da comunidade Pinheirinho, onde 9 mil pessoas foram violentamente varridas de uma propriedade privada do nada menos "Naji Nahas", especulador que fodeu milhares de pessoas como fraudador. Mas ele é grã-fino, usa talheres chiques e conhece pessoas influentes...

É uma maravilha!

E para terminar, famosos como o nadador Cielo continuarão a enganar a população dizendo para eles economizarem segundos de água em suas casas enquanto a metade da água potável segue ficando pelo caminho nos canos mal-cuidados da Sabesp... e indo pro ralo nas mansões e indústrias por aí...

Eita mundo besta!


William Mendes


Alguns dados:

- Pão de Açúcar diz que já comercializou 4 milhões de sacolas retornáveis...

- a lei diz que os supermercados não podem mais fornecer "gratuitamente" sacolas plásticas...

- os preços das sacolas plásticas de lixo nas cidades que aboliram a distribuição gratuita de sacolas plásticas nos mercados, como Jundiaí, passaram a ser 235% maiores que nas outras cidades, segunda a Plastivida (associação da indústria da área)...


Opiniões a favor e contra:

A favor

Direito às sacolinhas - os supermercadistas de todo o país gastam por ano R$ 500 milhões com a compra das sacolinhas descartáveis. Esse custo está embutido no preço dos produtos e, portanto, os consumidores têm direito às sacolinhas.

Prejuízo ao consumidor - sem a distribuição das sacolinhas, os consumidores serão obrigados a pagar de R$ 0,19 a R$ 0,25 por sacolinha biodegradável e terão de comprar saco de lixo, pois não vão mais usar as descartáveis.

Sacola plástica polui? - a sacola plástica representa 0,2% do resíduo sólido urbano coletado no país. Esse percentual não pode ser considerado um agente poluidor.

A sacola reutilizável é uma alternativa? - também não. As sacolas não são produzidas no Brasil e são importadas do Vietnã, China e Taiwan, onde a mão de obra é de baixo custo para as empresas.

Quais as vantagens da substituição das sacolas? - nenhuma. A indústria de plástico flexível vai perder 30 mil postos de trabalho em todo o país, 6 mil só no Estado de São Paulo.

Sacola biodegradável é a solução? - não. Por três motivos: primeiro porque a matéria-prima para produzir a biodegradável é importada e o que chega ao Brasil não é suficiente para atender à demanda de sacolinhas. Segundo porque a sacola biodegradável só se decompõe em usinas de compostagem, que não existem no Brasil. Terceiro porque o material utilizado não pode ser reciclado.

Contra

Direito às sacolinhas - o consumidor tem e sempre terá alternativas, como optar por sacolas biodegradáveis ou reutilizáveis. O que os supermercados estão fazendo é suprimir uma alternativa agressiva ao meio ambiente.

Prejuízo ao consumidor - repassar ao consumidor o custo da sacola é uma forma de desestimular o consumo desnecessário. A Apas estimula que o consumidor vá às compras munido de sua sacola reutilizável, seja de pano, lona, palha, TNT, plástico ou de outro material reciclável.

Sacola plástica polui? - o país produz anualmente 500 mil toneladas de sacolas plásticas descartáveis. Calcula-se que cerca de 90% desse material, com degradação indefinida, acabe servindo de lixeira ou vire lixo. Esse material ocupa espaço valioso nos aterros sanitários.

A sacola reutilizável é uma alternativa? - inicialmente, as sacolas foram importadas, mas empresas e ONGs já começam a produzir as sacolas reutilizáveis.

Quais as vantagens da substituição das sacolas? - a indústria nacional está se adaptando à necessidade do mercado e já começa a produzir sacolas de fontes renováveis, como PET, TNT e tecido.

Sacola biodegradável é a solução? - o objetivo das iniciativas apoiadas pelo setor supermercadista e outros ramos do varejo não é substituir a sacola plástica descartável por outra de material biodegradável, que também gera resíduos. A intenção é que o consumidor se conscientize de que a cultura do descarte de resíduos sólidos prejudica o meio ambiente e passe a utilizar sacolas reutilizáveis de qualquer material.


Fonte:

Janeiro, 2012

Sacolinhas plásticas: entre o bem e o mal

Diário de São Paulo - São Paulo/SP - Notícias - 21/01/2012 - Regiane Soares Von Atzingen e Rafael Lasci