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13.4.15

'É preciso ir além do possível', diz Carlos Cordeiro ao fazer balanço da Contraf



Comentário do Blog:

"nenhuma luta é em vão" - com essa frase da entrevista do Carlão, nosso grande companheiro de lutas, sintetizo o quanto aprendi na convivência por 9 anos com essa figura humana e combativa em meus 3 mandatos na Contraf-CUT que se encerram nesta terça 14/4/15.

Foram 9 anos de grandes conquistas e avanços para os trabalhadores do Ramo Financeiro, hegemonizado pela categoria bancária. Posso dizer que minha vida ficou marcada para sempre com tudo o que aprendi nessa caminhada como representante dos bancários e como secretário de imprensa, depois de formação e como coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil.

Por fim, outra frase que marca a trajetória nossa nas lutas é a de ir além do possível, não perdermos a Utopia. E aí, cito aqui, com muita tristeza pela perda, uma frase que marca muito o grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, falecido hoje: 

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." 

Valeu Carlão, valeu tod@s companheir@s da Contraf e das entidades sindicais, obrigado pela convivência nessa escola de lutas.

William Mendes




Presidente da Contraf-CUT (2009/15), Carlos Cordeiro.

A atual diretoria da Contraf-CUT encerra o seu mandato de três anos na próxima terça-feira (14). Carlos Cordeiro, funcionário do Itaú, deixará a presidência após duas gestões à frente da Confederação. No dia seguinte, assumirá a direção eleita no 4º Congresso, realizado de 20 a 22 de março em São Paulo, que será comandada pelo também bancário do Itaú e atual secretário de finanças da entidade, Roberto Von Der Osten. 

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (10) à imprensa da Contraf-CUT, Cordeiro fez um pequeno balanço do período de seis anos como presidente e apontou os principais desafios dos bancários e da classe trabalhadora para o novo mandato que se inicia. "É preciso ir além do possível", destaca. Ele permanecerá na diretoria executiva da entidade.


Confira a entrevista:

Que balanço você faz da gestão que está se encerrando?

Acho que obtivemos avanços importantes em várias dimensões. Junto com as federações e sindicatos, inclusive filiadas a outras centrais, consolidamos a estratégia de campanha nacional unificada em bancos públicos e privados. Quando assumi o primeiro mandato, em 2009, ainda havia resistências a essa estratégia por conta de uma avaliação equivocada de que seria possível obter acordos melhores com os bancos públicos do que com a mesa única na Fenaban. Hoje nem as forças que estão fora do Comando Nacional apostam mais nessa tese.

Conseguimos também aprofundar a unidade nacional da categoria, possibilitada por uma ampliação e democratização dos fóruns nacionais de discussão e deliberação da categoria, estimulando as crescentes mobilizações e greves nacionais, que permitiram à categoria bancária as importantes conquistas econômicas, sociais e políticas da última década. Foram aumentos reais de salários nos últimos 11 anos seguidos, melhorias contínuas da PLR e avanços significativos no combate ao assédio moral, na preservação da saúde do trabalhador, na igualdade de oportunidades e na segurança bancária.

Construímos um modelo de Contraf descentralizada, democrática, participativa e protagonista, e apostamos na comunicação e no processo de formação sindical, que contribuiu para a especialização de muitos dirigentes e assessores e o surgimento de novas lideranças em várias áreas. 

Ampliamos ainda mais a nossa atuação nas Américas e no mundo, lado a lado com a UNI Global Union, fortalecendo parcerias, lutas conjuntas, solidariedade e as redes sindicais dos bancos internacionais. E assinamos os primeiros acordos marco globais com o Banco do Brasil e o Itaú.

Tudo isso é resultado da ousadia, da unidade e da capacidade de mobilização dos bancários, a única categoria que conquistou uma Convenção Coletiva de Trabalho nacional no país e por isso continua sendo uma referência para o conjunto da classe trabalhadora brasileira.

Dentro dessas lutas e conquistas, qual ou quais você considera as mais marcantes? 

Sem dúvida nenhuma, a batalha para derrotar o PL 4330 da terceirização pra mim o maior ataque do capital aos trabalhadores, evidenciando a luta de classes. Não tenho dúvida de que a mobilização da Contraf, junto com as federações, os sindicatos e as centrais sindicais em 2013, foi fundamental para que hoje pudéssemos estar resistindo pra impedir qualquer tipo de retrocesso às grandes conquistas que a classe trabalhadora obteve ao longo de muitas décadas, inclusive passando pela ditadura. Tivemos a clareza de que, naquele momento, como dirigentes sindicais assumimos a nossa responsabilidade em um momento crucial da história.

Mas essa luta não pode ter sido em vão, já que o PL 4330 corre agora de novo um sério risco de ser aprovado?

Nenhuma luta é em vão. Temos orgulho da batalha contra o PL 4330 que fizemos há dois anos e graças a ela temos hoje a esperança de aumentar a mobilização e identificar os parlamentares favoráveis ao projeto e denunciá-los à sociedade, pressionando-os em suas bases eleitorais, aproveitando esse momento em que a sociedade está mobilizada, para impedir atrocidades contra os direitos dos trabalhadores. Não tenho dúvidas de que, com a nossa ousadia e capacidade de mobilização, sairemos mais uma vez vitoriosos dessa batalha.

Mas essa batalha não está sendo travada em um momento muito desfavorável aos trabalhadores, diante dessa grande ofensiva das forças conservadoras no país?

Escolhemos ser dirigentes sindicais, não escolhemos a conjuntura. Temos que assumir nossa responsabilidade e mobilizar os trabalhadores. Como dirigentes, não podemos terceirizar nossa responsabilidade. É nosso papel organizar e mobilizar os trabalhadores e ir além do possível, convencendo cada trabalhador e trabalhadora a ir às ruas conosco defender nossos direitos, para mais uma vez sairmos vitoriosos dos ataques patronais, dos bancos e da grande mídia. 

A sociedade exige que a gente seja representante de fato e de direito, o que significa não abrir mão de nossos valores e nossos princípios em defesa da classe trabalhadora, da solidariedade de classe, e que a nossa prática seja diretamente vinculada com esses nossos valores, em especial a defesa da democracia. E só pode defender a democracia para o país e na sociedade quem a defende e a pratica também dentro de casa.

Como foi feita essa caminhada na Contraf?

Quero agradecer a todos os que fizeram parte dessa caminhada, a todos os assessores e funcionários da Contraf, das federações e dos sindicatos, e a todos os nossos dirigentes sindicais comprometidos com o nosso projeto em defesa dos trabalhadores, especialmente aos bancários e às bancárias que estiveram todo esse período lutando conosco pela ampliação de direitos e por uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna.

E que mensagem você deixaria para a categoria?

Que os trabalhadores e as trabalhadoras não se deixem pautar por todo esse ódio que está hoje disseminado em muitos setores da sociedade, ódio que divide e fragiliza a classe trabalhadora. Queremos que os bancários e as bancárias continuem na teimosia da luta, pela busca de um mundo diferente e solidário. Não existirá vitória sem unidade da classe trabalhadora. 


Fonte: Contraf-CUT

30.9.14

Os bancos, a campanha nacional dos bancários e a eleição de outubro


Apresentação do blog:

Companheir@s, leiam abaixo o excelente artigo do presidente da Contraf-CUT, o amigo Carlos Cordeiro. Eu sei que poucas pessoas hoje leem mais que 3 ou 4 parágrafos. Mas EU INSISTO QUE LEIAM. O texto vai dar argumentos para a militância ao longo da greve de porquê o movimento é justo. Também fala da importância em votar no programa da Dilma Rousseff no domingo.

Depois de tantos anos à frente das campanhas dos bancários, é a primeira vez que estou em outra tarefa, a mim designada pelo movimento. Dá uma dorzinha não estar com vocês no front legítimo de batalha por propostas melhores dos banqueiros. Desejo que minha categoria e meus companheir@s saiam mais uma vez vitoriosos nesta campanha e na greve.

Abraços, William Mendes
Diretor Eleito de Saúde da Cassi


ARTIGO DE CARLOS CORDEIRO


Nunca foram tão claras as imbricações entre a Campanha Nacional dos Bancários, a atuação dos bancos e as eleições de outubro. Como se diz na gíria, tá tudo junto e misturado. E em todas essas interfaces aparece nítida a mesma disputa entre os patrões e os trabalhadores do sistema financeiro: mais emprego, melhores salários e distribuição de renda.

Na mesa de negociação da Fenaban, esse é o confronto direto. Se apesar dos avanços na última década o Brasil continua sendo um dos 12 países mais desiguais do planeta, a concentração de renda no sistema financeiro é ainda maior. 

Enquanto no Brasil os 10% mais ricos, segundo estudo do Dieese com base no Censo de 2010, têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres, no Itaú cada membro do Conselho de Administração recebeu em média 318,5 vezes (R$ 15,5 milhões) o que ganhou o caixa. No Santander, a relação foi de 158,2 vezes e no Bradesco 270 vezes.

Nessas condições, para ganhar a remuneração mensal de um desses executivos, o caixa do Itaú tem que trabalhar 26,5 anos, o caixa do Santander 13 anos e o do Bradesco 22,5 anos. 

Para reduzir esse abismo, são fundamentais para os bancários, além do aumento real do salário, valorizar o piso salarial, criar novos postos de trabalho e acabar com a rotatividade, com as metas abusivas, com o assédio moral e com as terceirizações - mecanismos perversos que os bancos incorporaram na gestão para ampliar os lucros e reduzir salários, alimentando dessa forma o círculo vicioso da concentração da riqueza. 

Esse mesmo confronto entre capital e trabalho acontece na eleição presidencial de outubro, agora em escala muito maior, envolvendo toda a sociedade brasileira e conceitos políticos, econômicos e ideológicos aparentemente mais complexos. Muitas vezes esse conflito de classes fica abaixo da superfície em eleições nacionais, escamoteado por programas de governo ambíguos ou não explicitados. 

Mas ele nunca foi tão nítido como na atual disputa eleitoral. Por exemplo, Marina Silva, que recebeu o apoio público do presidente do Itaú Roberto Setubal e tem a acionista do banco Maria Alice Setubal como uma das coordenadoras de sua campanha, explicita em seu programa bandeiras neoliberais históricas dos bancos privados, como a independência do Banco Central, elevação do superávit primário, redução dos gastos públicos, enxugamento do papel das instituições financeiras públicas, fim do crédito direcionado e legalização da terceirização de forma ampla e irrestrita.

Outro candidato pró-mercado, Aécio Neves, anunciou em encontros reservados com empresários que adotará "medidas impopulares", caso se eleja, e nomeará ministro da Fazenda o banqueiro Armínio Fraga, que por sua vez defendeu em entrevistas à imprensa aumento do desemprego e redução dos salários, para combater a inflação. 

Essas medidas, se implementadas, trariam imensas perdas para os bancários e para os trabalhadores. E representariam um sério retrocesso na atual política econômica, que, apesar de equívocos que sempre combatemos, aponta para a inclusão social e a distribuição de renda, permitindo por exemplo que os trabalhadores conquistassem com mobilização aumentos reais de salário e mais de 40 milhões de brasileiros saíssem da miséria.

A independência do Banco Central, como prega Marina Silva, seria entregar a condução da política macroeconômica aos bancos privados, que se tornariam assim o quarto poder e governariam de fato o país, com o mínimo de emprego e o máximo de juros, roubando a atribuição constitucional dos governos democraticamente eleitos pela população. 

O enfraquecimento dos bancos públicos significaria a perda de um poderoso instrumento de fomento de políticas públicas. Foi com a contribuição decisiva das instituições financeiras públicas que o Brasil passou longe da crise de 2008. Enquanto os bancos privados fecharam as torneiras e encareceram o crédito, BB, Caixa, BNDES, BNB e Banco da Amazônia ampliaram a oferta de crédito, mantendo o mercado de consumo aquecido e gerando empregos.

A redução do papel dos bancos públicos, combinada com o fim do crédito direcionado, significaria a extinção dos financiamentos a juros mais baixos da agricultura familiar, dos programas de moradia como Minha Casa Minha Vida, do microcrédito e das obras necessárias de infra-estrutura de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, geração de energia etc..

E legalizar as terceirizações, além de impor pesadas perdas de direitos econômicos e sociais aos trabalhadores, colocaria em risco de extinção categorias inteiras, como a dos bancários. Com a possibilidade de terceirização das atividades-fim, nada impediria que os bancos contratassem empresas, por exemplo, fornecedoras de caixas e gerentes.

Não foi à toa que os bancos coordenaram a ofensiva patronal no Congresso Nacional, em 2013, pela aprovação do PL 4330 da terceirização, bloqueada provisoriamente graças à mobilização dos trabalhadores, principalmente dos bancários. A proposta está agora no programa de governo de Marina Silva.

Por tudo isso, nessa reta final da campanha eleitoral e no momento em que a categoria bancária se prepara para iniciar mais uma greve nacional, é imprescindível fazermos esse debate com os bancários e com a população sobre os riscos que os trabalhadores e o país correm se essas propostas defendidas pelos bancos forem implementadas. 

Tanto na campanha da categoria como na eleição presidencial, essas propostas dos bancos apontam para o oposto do que defendemos. Eles querem crescimento econômico com concentração de renda, aumento do superávit primário e redução das políticas públicas, aumento do desemprego e independência do Banco Central. Nós queremos desenvolvimento econômico com distribuição de renda, o que implica fortalecimento do emprego e dos salários, bem como ampliação das políticas públicas com participação direta do Estado, especialmente dos bancos públicos.

Queremos não apenas fazer uma campanha nacional dos bancários vitoriosa, com aumento real de salário, valorização dos pisos, mais empregos, combate ao assédio moral e às metas abusivas, mais segurança e igualdade de oportunidades. Queremos também ser vitoriosos elegendo candidatos que defendam os interesses dos trabalhadores e não os dos banqueiros.


Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT

2.1.14

Agenda 2014: Leiam entrevista e preparem as lutas





Comentário de início de ano:

Companheirada de lutas, colegas bancários e amig@s,

Estarei neste mês de janeiro em férias (em tese, devo trabalhar uns 4 ou 5 dias). Vou tentar me desligar um pouco das obrigações sindicais. Desejo a vocês da nova geração Facebook e mídias atuais que leiam um pouco mais que alguns toques, algumas linhas e curtidas. Esses sistemas estão emburrecendo as pessoas. Acreditem no que estou dizendo. Os seres humanos estão virando coisas que não pensam mais.

Bom, leiam a entrevista do nosso grande companheiro Carlão (Presidente da Contraf-CUT) sobre o ano de lutas que passou e os desafios de 2014 pra nós classe trabalhadora. Leiam ao menos 1 (um) artigo por dia com nossas visões de classe neste ano de 2014.

Beijos e abraços fraternos e vamos lutar com unidade pra transformar o mundo num lugar mais gentil e melhor pra se viver.


William Mendes
Funcionário do Banco do Brasil
Diretor do Sindicato dos Bancários de S.Paulo, Osasco e região
Secretário de Formação da Contraf-CUT
Coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB



ENTREVISTA DE CARLOS CORDEIRO

"Acreditamos que é possível ir além do possível", aponta Carlos Cordeiro

Na já tradicional entrevista de fim de ano, o Presidente da Contraf-CUT e da UNI Américas Finanças, Carlos Cordeiro, o Carlão, fez um balanço positivo das principais lutas e conquistas de 2013, salientando as vitórias na Campanha Nacional e o adiamento da votação do PL 4330. "Ousamos acreditar que é possível ir além do possível porque acreditamos no poder da mobilização e porque sabemos que uma das nossas maiores forças é o nosso altíssimo grau de unidade", destacou.

O calendário de 2014 aponta eleições em grandes sindicatos, na Cassi, na Previ, na Fenae, na Funcef, além das eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. "Acredito que continuaremos trabalhando muito e venceremos todos esses processos eleitorais, em especial a presidência da República, pois sabemos que precisamos continuar avançando, com mais e melhores empregos, com mais inclusão social e precisamos urgente começar a mexer na estrutura de distribuição de renda do Brasil", salientou Cordeiro, que é também o coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

O dirigente sindical ressaltou que, apesar dos avanços, as condições de trabalho são cada vez mais precárias nos bancos. "Os desafios são enormes", apontou. "Sabemos que os bancários estão sofrendo muito porque os bancos privados e também os públicos, seus acionistas, presidentes e executivos, se preocupam apenas com a gestão do lucro, enxergam os clientes como máquinas de fazer dinheiro e os trabalhadores como números, custos que se contrapõem a lucro".

"Enquanto houver demissões, com corte de postos de trabalho e rotatividade, mortes, adoecimentos e baixos salários, estaremos desafiados a acabar com essas violências. O maior desafio é sermos esperança para esses trabalhadores e convencê-los que lutando juntos somos fortes", enfatizou Cordeiro.


Leia a íntegra da entrevista:

- Em 2013, os bancários tiveram duas vitórias importantes, na campanha nacional da categoria e na campanha contra o PL 4330. Como você avalia o êxito nessas duas frentes de batalha?
Essas duas batalhas foram essenciais na luta para vencermos a guerra por emprego decente, sem precarização. Nós acreditamos que era possível ir além do possível, barrar o PL da terceirização e avançarmos na nossa convenção coletiva com melhores salários e condições de trabalho.

Nós acreditamos nas pessoas, principalmente nos dirigentes sindicais bancários de todos os sindicatos. Esses dirigentes não mediram esforços, fizeram greve de 23 e 26 dias, foram a Brasília, muitos de ônibus, quase todas as semanas, para enfrentarmos parlamentares, a truculência das policias e o gás de pimenta.

Tudo isso porque ousamos acreditar que é possível ir além do possível, porque acreditamos no poder da mobilização e porque sabemos que uma das nossas maiores forças é o nosso altíssimo grau de unidade. A solidariedade, o companheirismo e a combatividade são características dos sindicatos e, quem de fato quiser ampliar conquistas, deverá fortalecer ainda mais esses princípios.


- 2014 terá uma agenda gigantesca, com eleições em grandes sindicatos, na Cassi, na Previ, na Fenae, na Funcef, além das eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. Como você encara esses desafios?

O ano de 2014 será um ano de várias eleições que irão interferir diretamente nas vidas dos trabalhadores e de seus familiares, como bancários e outras categorias. Temos trabalhado muito à frente de várias entidades de representação dos bancários, mobilizando e colocando as pessoas em primeiro lugar.

Os parlamentares, ligados ao movimento sindical, têm nos dado muito apoio. Portanto, acredito que continuaremos trabalhando muito e venceremos todos esses processos eleitorais, em especial a presidência da República, pois sabemos que precisamos continuar avançando, com mais e melhores empregos, com mais inclusão social e precisamos urgente começar a mexer na estrutura de distribuição de renda do Brasil.


- Na entrevista do final do ano passado, você disse que os trabalhadores precisavam fazer a disputa com os conservadores. Cumpriram essa tarefa? 

Prefiro chamar de desafio e esse desafio não é pequeno, nem de curto prazo. Estamos na direção certa, mas acredito que temos que acelerar e mobilizar muito mais gente. Os conservadores e neoliberais, representados pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), estão se juntando desesperadamente.

Fazer essa disputa junto à sociedade exige de nós uma pauta mínima e um grande esforço para sermos referência dos trabalhadores e não os empresários e a grande imprensa. Sou otimista e acredito que estamos conseguindo debater e fazer chegar aos trabalhadores pautas como as reformas política e tributaria e um novo marco regulatório para a mídia.


- Além dessas eleições sindicais e eleitorais, continuam na ordem do dia as campanhas pelas reformas política e tributária, pela democratização da mídia e pela regulamentação do sistema financeiro. Como os bancários devem se engajar nessas disputas? 

Temos mais de 100 sindicatos de bancários com mais de 3 mil dirigentes filiados à Contraf e à CUT. Cada dirigente precisa ter na ponta da língua o nosso projeto. Nossa militância sempre fez a diferença por ter propostas e argumentos fortes.

Imagina os nossos mais de 100 sindicatos abrindo as portas para a sociedade e propondo debates com especialistas em cada um destes temas centrais, reproduzindo materiais específicos e entregando nas mãos de cada um dos trabalhadores. Não tenho dúvida de que fazemos muito mais do que imaginamos, mas podemos e devemos fazer muito mais.


- E quais são os desafios no campo sindical?

Os desafios são enormes, sabemos que temos avançado, mas também sabemos que os bancários estão sofrendo muito porque os bancos privados e também os públicos, seus acionistas, presidentes e executivos, se preocupam apenas com a gestão do lucro, enxergam os clientes como máquinas de fazer dinheiro e os trabalhadores como números, custos que se contrapõem a lucro.

Portanto, enquanto houver demissões, com corte de postos de trabalho e rotatividade, mortes, adoecimentos e baixos salários, estaremos desafiados a acabar com essas violências. O maior desafio é sermos esperança para esses trabalhadores e convencê-los que lutando juntos somos fortes.

Acredito que somos os 99% e, como diria Che Guevara, "os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados", e, como diria Leonardo Boff, "somos águias e não galinhas", pois o nosso coração pulsa forte para voarmos cada vez mais alto.


- Por fim, qual é a sua mensagem de ano novo para bancários e bancárias de todo Brasil?

Primeiro, a nossa mensagem é de agradecimento para todos e todas que contribuíram e ajudaram a escrever dia a dia esta rica história de lutas e conquistas. A nossa mensagem a todos e todas que querem a paz é que estejamos preparados para a guerra, com muita ousadia, unidade, mobilização e solidariedade.

Desejo um feliz ano novo repleto de muitas alegrias e realizações para a categoria e a classe trabalhadora.


Fonte: Contraf-CUT

12.7.13

Contraf-CUT critica aumento da Selic e condena chantagem dos bancos


A Contraf-CUT criticou duramente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que efetuou nesta quarta-feira (10) um novo aumento de 0,5 ponto percentual elevando a taxa básica de juros, a Selic, para 8,5% ao ano.


"Mais uma vez, o Banco Central cedeu à chantagem insaciável dos rentistas e especuladores do mercado financeiro, os únicos que ganham, e muito, com o aumento dos juros, o que vai travar ainda mais o ritmo de crescimento econômico e os esforços do governo para ampliar os investimentos do país", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Para ele, "a elevação da Selic pela terceira vez consecutiva neste ano é totalmente descabida, uma vez que não há qualquer ameaça de descontrole inflacionário no horizonte". Cordeiro avalia que "essa medida é prejudicial para a economia, pois vai frear a expansão do crédito, o fortalecimento da produção e do consumo e a geração de empregos, no momento em que a economia brasileira precisa de estímulos para aumentar o PIB", aponta o presidente da Contraf-CUT. 

"Apesar da campanha terrorista do mercado financeiro, a inflação não está fora de controle. Desde 2004 as taxas inflacionárias vêm se mantendo dentro do sistema de metas, não havendo agora nenhum excesso de demanda. Algumas elevações de preços foram sazonais por conta de condições climáticas, sendo que as perspectivas futuras são de retração desses preços. Além disso, todos os indicadores apontam para a redução do consumo das famílias", destaca Cordeiro.

"Se não há excesso de demanda, aumentar os juros não resolve o problema da inflação. Pelo contrário, só vai fazer com que o Brasil siga crescendo pouco, gerando menos empregos, engordando os lucros dos rentistas e aprofundando a concentração de renda no país, que já é um dos 12 mais desiguais do planeta, apesar de ser a sexta maior economia mundial. O Brasil precisa, isto sim, de juros menores para transformar crescimento em desenvolvimento econômico", salienta Cordeiro. 

Para a Contraf-CUT, além das metas de inflação, o Banco Central precisa definir também metas sociais como a geração de emprego e renda e a redução das desigualdades sociais. "Ademais, queremos que o governo organize uma conferência nacional do sistema financeiro, a fim de que a sociedade possa discutir o papel dos bancos e do crédito. O Brasil não pode ficar refém da ganância dos rentistas e especuladores", conclui o dirigente sindical.

Fonte: Contraf-CUT


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COMENTÁRIO DO BLOG

É uma vergonha a pusilanimidade do Governo Federal, eleito por dezenas de milhões de pessoas, permitir uma desfaçatez dessa de transferir a cada 0,5 ponto na selic mais 3 bilhões aos rentistas e chupins da renda nacional vinda da produção do trabalho. Em 2012 o Governo Federal (o povo brasileiro) economizou 38 bilhões de reais ao reduzir a relação dívida pública/PIB com a redução histórica da taxa selic. Neste ano, aquela economia já foi pro saco! (dos banqueiros)

Não dá para ser feliz vendo os corruptores (financiadores) da política tradicional esculhambando a "Política" verdadeira, através da composição de centenas de picaretas no Congresso Nacional fazendo uma lambança atrás da outra para facilitar a vida de seus veículos de comunicação de massa convencendo jovens e trabalhadores que a política é coisa ruim e lixo.

A Política é o que modifica a condição de vida do povo sem ser através da guerra. E hoje, o que vemos é esses mesmos rentistas corruptores mandando nos órgãos do executivo, do legislativo e do judiciário e nos meios de comunicação.

Acho que a alienação do povo não mata esse mesmo povo que vai ao sabor das ideologias da classe dominante. A alienação do povo mata a gente, dia a dia, de desgosto!

19.4.13

Contraf-CUT solicita que bb cancele norma que pune gerentes de contas

Chega de truque bb!
A Contraf-CUT enviou ofício à direção do Banco do Brasil solicitando a "revisão urgente" de novo normativo baixado nesta quarta-feira 17 pela empresa que põe em risco os gerentes de relacionamento de pessoas jurídicas. A norma adverte que considerará "falha em serviço" passível de punição se esses clientes não estiverem com o BB Token instalados a partir de 1º de julho. A Contraf-CUT também pediu reunião com a direção do banco para discutir esse e outros normativos do bb.

No ofício endereçado à Diretoria de Relações com Funcionários e Entidades Participadas, a Contraf-CUT pede o cancelamento do item 5.3.24.4 da Instrução Normativa 418 porque, entre outras razões, a norma "penaliza os funcionários sem que o banco lhes dê condição adequada de trabalho", uma vez que a meta fixada para instalação da ferramenta para os clientes PJ do bb não pode ser atingida por falta de equipamentos de BB Token em quantidade suficiente.

"Os bancários não podem receber qualquer tipo de penalização pelos riscos de negócio que são do próprio banco e não do funcionário em particular", acrescenta o ofício da Contraf-CUT ao criticar a outra IN (383) implantada neste ano que penaliza pecuniariamente os bancários, lembrando que os trabalhadores "não podem obrigar os clientes a instalarem os BB Token", mesmo que houvesse os equipamentos em quantidade suficiente para todos.

"Solicitamos a imediata reversão desta alteração da referida IN 418, em seu item 5.3.24.4 que transfere para os bancários de forma indevida a responsabilidade do Banco (não ter como disponibilizar BB Token suficientes a todos) e/ou do cliente (após receber o BB Token, implantá-lo em sua empresa)", conclui o ofício da Contraf-CUT, solicitando reunião para discutir esse e outros normativos que penalizam os trabalhadores.


'Bancários não podem ser penalizados'

Leia abaixo a íntegra do ofício, endereçada ao diretor de Relações com Funcionários e Entidades Participadas, Carlos Eduardo Leal Neri:

"Ao cumprimentarmos vossa senhoria, vimos por meio deste ofício solicitar a revisão urgente da alteração feita hoje na IN 418 em seu item 5.3 que trata do tema BB Token pelos motivos abaixo assinalados:

1 - Os gerentes de relacionamento das carteiras de pessoa jurídica receberam hoje pela manhã a informação de que a IN em referência foi alterada, incluindo um item dizendo que será considerada "falha em serviço" se os clientes priorizados não estiverem com os referidos BB Token instalados: "5.3.24.4. Fraudes ocorridas a partir de 1º de julho de 2013, envolvendo clientes do público priorizado e que não tenham sido habilitados na solução BB Token, serão tratadas como falha em serviço."

2 - A mudança de hoje na IN 418 penaliza os funcionários sem que o Banco lhes dê condição adequada de trabalho. O Banco do Brasil não tem os BB Token em número suficiente para que os gestores das carteiras de PJ cumpram sequer a meta estabelecida no Sinergia 1/13 (que contém relação de empresas priorizadas para habilitação do BB Token), que não pode ser atingida por falta de fornecimento de equipamentos por falta do Banco, comprovando as críticas que as entidades sindicais vêm fazendo sobre metas abusivas e impraticáveis.

3 - Além da impossibilidade de instalar os equipamentos e cumprir as metas estabelecidas e cobradas com ameaças pelos superiores hierárquicos, os bancários não podem receber qualquer tipo de penalização pelos riscos de negócio que são do próprio Banco e não do funcionário em particular, que atua diligentemente para cumprir as tarefas designadas pela empresa.

4 - Os bancários não podem obrigar os clientes a instalarem os BB Token, mesmo quando e se o Banco disponibilizar o equipamento em quantidade suficiente. Os gerentes de contas e outros funcionários reclamam que muitos clientes PJ pedem o equipamento BB Token, que em tese mitiga riscos de fraudes eletrônicas, mas o Banco não tem a ferramenta em número suficiente.

5 - A Contraf-CUT já solicitou a instalação de mesa de entendimento com o Banco para discutir a IN 383 (Controle Disciplinar), que traz alterações importantes e preocupantes para os trabalhadores como, por exemplo, responsabilização pecuniária sobre eventuais "falhas em serviço". Até agora o Banco não atendeu o pleito do movimento sindical.

Solicitamos a imediata reversão desta alteração da referida IN, em seu item 5.3.24.4 que transfere para os bancários de forma indevida a responsabilidade do Banco (não ter como disponibilizar BB Token suficientes a todos) e/ou do cliente (após receber o BB Token, implantá-lo em sua empresa).

Também aproveitamos o ofício para reivindicar novamente que o Banco do Brasil agende reunião com a Contraf-CUT para tratar da referida IN 383 que trouxe alterações relevantes na vida dos trabalhadores representados pelas nossas entidades sindicais.

Atenciosamente,

Carlos Cordeiro
Presidente da Contraf-CUT

William Mendes
Coordenador CEBB
 

Fonte: Contraf-CUT

21.2.13

Contraf questiona Previ por eventual indicação de Abílio Diniz para Brasil Foods

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou ofício nesta quarta-feira 20 ao presidente da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Dan Conrado, em que manifesta preocupação com os rumores de que o fundo estaria apoiando a indicação do empresário Abílio Diniz, um dos principais acionistas do Grupo Pão de Açúcar, para a presidência do Conselho de Administração da Brasil Foods. 

A Contraf-CUT vê conflito de interesses na indicação, uma vez que o Grupo Pão de Açúcar é o maior comprador e revendedor dos produtos da Brasil Foods. 

"A possibilidade de concretizar a indicação nos obriga a questionar: a melhor maneira de defender os interesses dos associados da Previ, um dos maiores acionistas da Brasil Foods, é indicar para a gestão da empresa um relevante acionista do maior comprador de seus produtos?", indaga o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, no ofício ao presidente da Previ.

Leia a íntegra do ofício da Contraf-CUT à Previ. 

"Em eventuais disputas comerciais, que sempre acontecem no mundo empresarial, do lado de quem se posicionará o referido conselheiro: a favor da empresa onde detém grande parte do capital ou a favor da empresa onde a Previ investe os recursos de seus quase duzentos mil participantes?", questiona Cordeiro.

Para a Contraf-CUT, "indicar para gerir a Brasil Foods um empresário que, diante de um conflito de interesses, pode se posicionar a favor da parte contrária não é, definitivamente, a melhor maneira de preservar o patrimônio construído com o suor e as contribuições mensais de milhares de trabalhadores do Banco do Brasil".

"Queremos deixar registrada nossa preocupação e solicitar que a decisão sobre este tema seja tomada com a máxima responsabilidade, pautada unicamente pela defesa dos interesses dos associado", conclui o ofício da Contraf-CUT ao presidente da Previ. 

Fonte: Contraf-CUT

28.12.12

Entrevista: Trabalhadores precisam fazer disputa com conservadores, diz Contraf-CUT



Apesar de ter provocado a crise econômica, que desde 2008 fechou mais de 30 milhões de postos de trabalho em todo o mundo, e na Europa estar destruindo o Estado de bem-estar social construído em quase um século de lutas dos trabalhadores, o neoliberalismo perdeu o pudor e volta a dominar todos os espaços na grande mídia nacional.


Em nome do deus mercado, os neoliberais, cujo quartel-general se esconde nas entranhas no sistema financeiro, combatem a política de queda de juros e spread do governo federal, rebelam-se contra a redução das tarifas de eletricidade e contra as intervenções do Estado para regular áreas estratégicas da economia. Demonizam as políticas sociais e amplificam a campanha visando criminalizar a ação política dos que os combatem, especialmente dirigentes políticos do Partido dos Trabalhadores. 

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, que acaba de ser reconduzido à presidência da UNI Américas Finanças, defende que é desafio do movimento sindical sair do corporativismo e fazer esse enfrentamento com os neoliberais e com os conservadores, que têm hoje a hegemonia nos grandes veículos de comunicação.

Nesta entrevista exclusiva, concedida às vésperas do ano novo, Carlos Cordeiro faz também um balanço da campanha nacional dos bancários de 2012 e aponta os desafios para o futuro.

Que balanço você faz do ano de 2012?

Carlos Cordeiro - Foi bastante positivo. O êxito na verdade teve início em 2011, quando sofremos uma pressão muito grande dos banqueiros, da mídia e do governo para não ter aumento real de salário, porque traria inflação. Fizemos o enfrentamento, junto com outras categorias, e conquistamos ganho real de salário pelo oitavo ano seguido. E em 2012 não tivemos um aumento de inflação, como eles ameaçavam, e tivemos novo ganho real.

Nos últimos nove anos, conquistamos 16% de aumento real em todos os salários e 36% de ganho real no piso. Podemos dizer que é uma política permanente e constante de aumento real de salário e valorização do piso. E isso ocorre no momento em que comemoramos os 20 anos da nossa Convenção Coletiva de Trabalho, que é hoje uma referência para todos os trabalhadores brasileiros.

Não tem maior inclusão social do que distribuição de renda via aumento de salário. Embora ainda em uma velocidade lenta, é uma mudança, porque antigamente tínhamos perdas e neste último período conseguimos reverter, o que é fundamental para reduzir a desigualdade no país. O aumento real deste ano vem coroar esta política correta, que começa lá atrás com a Convenção Coletiva.

Os avanços na parte econômica foram o ganho mais importante?

Carlos Cordeiro - Não. Tão ou mais importante que as conquistas econômicas são os avanços sociais no último período. Em 2012, por exemplo, tivemos grande avanço no tema da segurança bancária. No ano passado tivemos 49 mortes em assaltos envolvendo bancos e no primeiro semestre de 2012 foram 27 homicídios, o que nos obriga a buscar uma solução. Conseguimos manter uma dinâmica de negociação sobre segurança com a Fenaban que aponta para um projeto-piloto, embora ainda com algumas fragilidades, que contempla antigas reivindicações como porta giratória com detector de metal e biombos em frente aos caixas. Abrimos um canal de negociação onde vamos poder testar essa política de segurança, fazer uma avaliação do que funcionou ou não funcionou, com o objetivo de implantar um projeto nacional.

O que mais você destacaria da campanha nacional de 2012?

Carlos Cordeiro - Na questão do emprego, tivemos avanços na Caixa, com a contratação de mais de 5 mil bancários em 2012 e com a conquista de uma cláusula no acordo coletivo que garante mais 7 mil contratações em 2013. Isso é importante na disputa que estamos travando com os bancos privados, particularmente Santander e Itaú. 

O banco espanhol, que obtém aqui 26% do lucro mundial, demitiu 1.280 trabalhadores na véspera do Natal, desrespeitando o Brasil e os brasileiros. Já o Itaú, apesar do maior lucro do sistema financeiro nacional, cortou mais de 7 mil postos de trabalho nos primeiros nove meses do ano, mostrando que não está gerando empregos para contribuir com o desenvolvimento do país. Além disso, eles abusaram da rotatividade, essa jabuticaba para reduzir custos e turbinar lucros, além de pagarem bônus milionários para os altos executivos.

Conquistamos ainda novas cláusulas sobre saúde do trabalhador e no tema igualdade de oportunidades também teve avanço. Conseguimos arrancar da Fenaban a realização de um novo censo, que vai permitir fazer uma reflexão aberta, pública em relação às políticas que os bancos vêm adotando a partir do Mapa da Diversidade, e saber se surtiram efeito ou não. Hoje temos clareza que não surtiram efeito, mas o novo censo, embora não seja instrumento que acabe a discriminação, é um meio importante para discutirmos em cima de fatos concretos com a Fenaban sobre políticas para acabar com as discriminações. Isso é uma luta, é um processo e o censo é mais um passo nessa direção.

Você destacaria algo no campo da organização da categoria?

Carlos Cordeiro - A grande conquista que temos é a unidade dos bancários de todo o país. Não só na campanha deste ano, mas do último período, evidenciando que, quanto maior a unidade dos bancários, maior são as conquistas. E isso aponta para o futuro. Se de fato queremos enfrentar os bancos e melhorar as condições de trabalho e remuneração dos bancários, vai depender no nosso grau de unidade. Não só unidade entre trabalhadores dos bancos públicos e privados, mas também unidade interna do movimento sindical bancário.

E quais os desafios que você enxerga para 2013?

Carlos Cordeiro - O projeto político eleito pelo povo brasileiro vem sendo atacado constantemente pela direita organizada neste país, comandada pelos grandes meios de comunicação. E isso nos leva a uma disputa que está colocada na sociedade hoje. Nós do movimento sindical, que somos a referência dos trabalhadores, precisamos entrar nesta disputa mais fortalecidos ainda, organizados e articulados. 

É importante também pautar a discussão dos temas que interessam aos trabalhadores e à sociedade. A reforma tributária é um deles. Que reforma tributária os trabalhadores querem? E dentro dela qual o papel do Estado, quem vai financiar o Estado, quais as políticas públicas, as políticas sociais?

O 3º Congresso da Contraf-CUT, em abril de 2012, apontou mais temas prioritários para os trabalhadores na discussão com a sociedade?

Carlos Cordeiro - Sim. Outro tema importante é a reforma política, que há décadas está na ordem do dia, mas cuja discussão não avança porque é travada pelas forças conservadoras. Qual a reforma política que queremos? Como devem ser o Congresso Nacional, as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores para que de fato representem os trabalhadores e não o poder econômico, como hoje, que coloca lá seus representantes com campanhas milionárias? Precisamos discutir o financiamento público das campanhas políticas. 

E sobre o sistema financeiro?

Carlos Cordeiro - A reforma do sistema financeiro é absolutamente prioritária. Por isso, nós precisamos cada vez mais de uma conferência nacional sobre o sistema financeiro. Como o governo ignorou as várias solicitações que fizemos para realizá-la, cabe aos trabalhadores e outros representantes da sociedade concretizá-la. É muito importante discutir não apenas o papel dos bancos e do crédito, mas acima de tudo o que a sociedade quer de um sistema financeiro, para onde estará direcionado, quem vai ser atendido, a questão da universalização dos serviços bancários, a redução dos juros e das tarifas e, acima de tudo, com fiscalização eficiente e punição exemplar quando houver falcatruas. 

Há outros temas que ganham relevância cada vez maior, como por exemplo o do marco regulatório da mídia.

Carlos Cordeiro - Acho que precisamos discutir urgentemente uma regulamentação da mídia. O marco regulatório das comunicações no Brasil é de 1962, de uma época que não havia sequer televisão a cores, quanto mais TV a cabo e internet. A Argentina está fazendo essa discussão, com um projeto que tem recebido elogios das Nações Unidas. A Inglaterra está punindo os excessos e crimes cometidos pelos jornais do Rupert Murdoch. Na Europa e nos Estados Unidos há limite para que um mesmo grupo empresarial acumule propriedades cruzadas de meios de comunicação, de forma a impedir o oligopólio e incentivar a diversidade de propriedade de meios de comunicação e, em última instância, a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.

As reformas tributária e política, a regulamentação do sistema financeiro e o marco regulatório das comunicações são temas que a sociedade, e especialmente os trabalhadores, precisam ficar a par deles. E para isso o movimento sindical precisa estar preparado, conhecer esses temas e se especializar neles para promover a discussão, fazer o debate e dialogar com os trabalhadores. Temos que ter posição a respeito desses temas e, mais do que isso, fazer a disputa na sociedade, sendo a referência dos trabalhadores, porque hoje os empresários acabam sendo a grande referência.

E quais são os desafios no campo sindical?

Carlos Cordeiro - Do ponto de vista corporativo, o grande desafio hoje colocado é o emprego. Temos de criar condições para grandes mobilizações em defesa do emprego, porque banco e governo é como feijão: só com pressão. É importante negociar, estabelecer as mesas de negociação, mas negociação sem mobilização é frágil. E isso passa por ampliar nosso diálogo com os trabalhadores, para estarem mais presentes nesses processos de negociação, participando das mobilizações. 

É possível dar um salto de qualidade no debate do emprego. Não podemos ficar atrás do debate que há em outros países, que têm empregos estáveis, sem rotatividade. Esse é, sem dúvida, hoje o maior desafio que a categoria bancária tem. É preciso acabar com a demissão imotivada, com a terceirização, com a precarização, com o trabalho indecente, com os projetos de correspondentes bancários.

Os outros dois desafios corporativos são o da remuneração e das condições de trabalho. É preciso inverter essa lógica de remuneração variável x remuneração fixa. Temos que lutar por uma remuneração decente, fixa, e que tenha impacto em toda a vida laboral, especialmente na aposentadoria do trabalhador. Essa é uma mudança que vai depender de muito debate com os trabalhadores e muito enfrentamento com os bancos e com o governo. E, claro, da nossa unidade e mobilização.

Por fim, qual é a sua mensagem de ano novo para bancários e bancárias de todo Brasil?

Carlos Cordeiro - Quero desejar um maravilhoso ano novo para toda a categoria e seus amigos e familiares, repleto de muitos sonhos, esperanças, lutas, conquistas e realizações. Que as luzes do Natal nos acompanhem e iluminem os nossos caminhos ao longo de 2013. E que tenhamos muita paz, que só existe com emprego, melhores salários e condições de trabalho, respeito, valorização, justiça social e dignidade.


Fonte: Contraf-CUT

19.12.12

Contraf-CUT cobra agilidade do BB no cumprimento do Acordo Coletivo



A Contraf-CUT enviou nesta terça-feira (18) ao Banco do Brasil ofício cobrando que o banco cumpra o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) assinado com as entidades sindicais no dia 4 de outubro, com vigência retroativa a partir de 1º de setembro.

Um dos pontos cobrados pela Confederação se refere à Cláusula 46ª que faz referência aos trabalhadores da CABB e diz respeito à redução de 2 anos para 1 ano na trava de tempo para concorrência e comissionamento. "O não cumprimento deste direito prejudica diariamente cada bancário que tenha intenção de concorrer a comissões em outras dependências. Exigimos a imediata implantação desta conquista, pois o acordo está em vigência há quase quatro meses e nada justifica o não cumprimento do mesmo", afirma o documento.

A Contraf-CUT vem reivindicando desde outubro agilidade no acerto de direitos novos incluídos no ACT. O banco solicitou um prazo para fazer adaptações e mudanças internas nos sistemas, alegando que os bancários não seriam prejudicados porque os acertos retroagiriam à data-base.

"Acontece que alguns direitos novos não são especificamente remuneratórios e cada dia de atraso em suas implantações prejudica diretamente os funcionários beneficiados por eles, como o caso de mudanças de prazos nas travas de remoções e concorrências", destaca o ofício.

"Mais uma vez, a Contraf-CUT contata o BB em respeito às relações de trabalho e negociações coletivas para cobrar que o banco faça o que não tem feito, ou seja, cumprir o acordo contratado. O banco passou dois meses focado na perseguição dos trabalhadores que conquistaram direitos para todos, ao invés de cuidar de suas obrigações em implantar as conquistas da campanha nacional", afirma William Mendes, secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Adiantamento para CABB no dia 20

Outro ponto que o BB vinha descumprindo, e que a Contraf-CUT cobrou, diz respeito também à nova função de atendente de CABB com salário de referência de R$ 2.554,20. "A cláusula 45ª prevê acerto até dezembro e os bancários não receberam o valor correto no pagamento deste mês, dia 20, e também não receberam os atrasados de setembro a novembro", defende a Contraf-CUT no documento.

O banco já informou à Contraf-CUT que fará adiantamento para CABB no dia 20 de dezembro.
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Leia o documento na íntegra:

São Paulo, 18 de dezembro de 2012.

Ao
Banco do Brasil S.A.
Diretoria de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas
Att. do Sr. Carlos Eduardo Leal Neri
Brasília - DF

Ref.: Cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho do Banco do Brasil, aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho - Contraf-CUT e Fenaban.

Ao cumprimentarmos vossa senhoria, vimos por meio deste ofício exigir que o Banco do Brasil cumpra o acordo coletivo de trabalho assinado com os trabalhadores e suas entidades sindicais desde o dia 4 de outubro com vigência a partir 1º de setembro de 2012.

Esta confederação já reivindicou por mais de uma vez celeridade no acerto de direitos novos incluídos no ACT 2012/13. Na oportunidade das cobranças, o banco solicitou um prazo para fazer adaptações e mudanças internas nos sistemas, alegando que os bancários não seriam prejudicados porque os acertos retroagiriam à data-base.

No intuito da boa-fé nas negociações, a Contraf-CUT enviou a explicação do banco aos bancários e suas entidades sindicais. O banco inclusive explicou que os acertos diversos seriam feitos no máximo até a folha de pagamento de dezembro, e que todos os acertos remuneratórios seriam retroativos a 1º de setembro com pagamento dos atrasados.

Acontece que alguns direitos novos não são especificamente remuneratórios, e cada dia de atraso em suas implantações prejudica diretamente os funcionários beneficiados por eles, como o caso de mudanças de prazos nas travas de remoções e concorrências.

Sendo assim, cobramos o imediato acerto dos seguintes direitos:

1- Nova função de Atendente de CABB com salário de referência de R$ 2.554,20. A cláusula 45ª previa acerto até dezembro e os bancários não receberam o valor correto no pagamento deste mês (dia 20) e também não receberam os atrasados de setembro a novembro. Exigimos que o banco faça o adiantamento na conta corrente dos trabalhadores nesta quinta-feira 20/12 e que a regularização seja transitada no máximo na Fopag de janeiro.

2- A cláusula 46ª também faz referência aos trabalhadores da CABB e diz respeito à redução de 2 anos para 1 ano na trava de tempo para concorrência e comissionamento. O não cumprimento deste direito prejudica diariamente cada bancário que tenha intenção de concorrer a comissões em outras dependências. Exigimos a imediata implantação deste direito, pois o acordo está em vigência há quase quatro meses e nada justifica o não cumprimento do mesmo.

3- A cláusula 47ª incluiu os caixas executivos na Carreira de Mérito. O fato é que o banco nos pediu um prazo para a regularização e quando fez os acertos em novembro último, seguiu deixando trabalhadores sem receber o direito e os acertos. Os caixas executivos que estão liberados para exercerem o seu mandato sindical continuam aguardando o devido cumprimento do ACT 2012/13. É estranho que o banco não tenha feito a regularização, pois o tratamento que deve ser dado aos dirigentes é exatamente o mesmo que a qualquer outro bancário. Aliás, se assim não fosse, o banco não teria aplicado corretamente em 2011 a Carreira de Mérito aos demais dirigentes que foram eleitos durante o exercício de diversas funções comissionadas quando se encontravam nas suas dependências de origem.

A Contraf-CUT e suas entidades sindicais seguem na defesa do respeito às negociações coletivas de trabalho e no cumprimento dos direitos contratados entre trabalhadores e patrões.

Atenciosamente e no aguardo da imediata regularização dos itens acima apresentados,

Carlos Cordeiro - Presidente da Contraf-CUT

William Mendes - Coordenador da CEBB

Fonte: Contraf-CUT

29.11.12

Contraf-CUT repudia declaração de Felipão sobre trabalho no Banco do Brasil


Artigo de opinião

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) repudia a declaração do técnico Luis Felipe Scolari sobre o trabalho dos bancários do Banco do Brasil, feita na entrevista coletiva desta quinta-feira 29, no Rio de Janeiro, ao reassumir o posto de treinador da Seleção Brasileira.

Ao afirmar que, "se não tiver pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada", Felipão não apenas desrespeita os trabalhadores bancários, como demonstra total desconhecimento sobre a realidade do trabalho no sistema financeiro nacional.

Cerca de 1.200 bancários são afastados do trabalho mensalmente, por razões de saúde, vítimas do assédio moral e da pressão violenta para que cumpram as metas abusivas de produção e vendas impostas pelas instituições financeiras, inclusive o Banco do Brasil. 

Luis Felipe Scolari começou mal como novo técnico da Seleção Brasileira. Esperamos que ele não esteja tão desatualizado sobre futebol quanto está sobre as relações de trabalho nos bancos.

Carlos Cordeiro
Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) 

Fonte: Contraf-CUT