Páginas

Mostrando postagens com marcador Ideologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ideologia. Mostrar todas as postagens

29.12.25

Diário e reflexões - Retrospectiva e perspectivas


Numa noite quente... refletindo 


Retrospectiva e perspectivas

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025.


Estou sistematizando as publicações do ano neste blog sindical e político. Será mais um caderno do blog A Categoria Bancária. 

Ando refletindo sobre o meu papel neste momento da história, refletindo sobre qual contribuição minha teria alguma utilidade coletiva.

Já concluí faz tempo que meu papel de fazer volume em eventos populares não tem mais sentido para que eu continue exaurindo o restante de minha energia vital como se eu estivesse no início da vida militante. Estou cansado, meu corpo está indo.

Outro dia, perto de 22h, andava pelas ruas desertas do Rio Pequeno, ruas com calçadas e cantos repletos de seres humanos despossuídos de tudo, vítimas da sociedade capitalista, e me peguei pensando se estava correto em estar naquele contexto sendo quem sou neste momento de minha existência. 

Estava no mesmo lugar de 4 décadas antes, andando pelas ruas do bairro onde nasci e exposto aos riscos inerentes da violência urbana, por ter participado de uma roda de conversa com umas poucas pessoas de luta. O ato em si é elogioso, mas será que é o melhor que posso fazer para ser útil às causas da classe trabalhadora?

Acho que não. Essa coisa de fazer volume sem contribuir com algo significativo já deu. Não posso continuar assim em 2026.

O William que fui para o movimento sindical bancário, principalmente do segmento dos trabalhadores do Banco do Brasil, tem alguns conhecimentos adquiridos na vivência das lutas sindicais que não servem pra nada fazendo volume numa atividade de rua ou numa reunião de movimentos setoriais nos quais pouco ou nada agrego, além de somar com os abnegados daquele grupo.

Se o acaso me mata numa condição como aquela que citei acima, aos 56 anos hoje, no mesmo local de décadas atrás, quando me expunha ao risco por ser mais um trabalhador que tinha que se expor sobrevivendo diariamente aos subempregos e à miséria, avalio que meu desaparecimento da vida teria sido algo sem sentido, uma morte fútil, desnecessária. 

Vou fazer outra coisa no próximo ano, se tiver condições para isso.

Talvez a coisa mais correta e útil, enquanto puder, seja escrever e compartilhar conhecimento, sempre de forma gratuita. 

William 

(10h09)


20.12.25

Diário e reflexões - Participação política e cidadania


Tin, Lejeune e Genoino. Roda de conversa.

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E CIDADANIA

O ano de 2025 vai se encerrando e as postagens em meu blog sindical e político também se encaminham para o fechamento do ano.

---


AFABB SP

Nesta semana, em 18/12, estive em uma excelente palestra do professor Lejeune Mirhan em nossa associação de aposentados, a AFABB SP. O evento contou com a participação do companheiro José Genoino (PT SP) e a palestra foi mediada pelo nosso querido Tin Urbinatti, diretor de teatro, ator e militante histórico da cultura e aposentado do BB.

O tema da palestra do professor Lejeune, sociólogo e cientista político, foi "Roda de conversa sobre a atual conjuntura e as perspectivas para 2026". O professor Lejeune e Tin estiveram no Irã e partilharam conosco as experiências que vivenciaram lá. O companheiro Genoino também fez uma breve análise de conjuntura e partilhou suas opiniões sobre as questões da política nacional.

---


COZINHA POPULAR DONA NEGA

Um dia antes, 17/12, participei de mais uma roda de conversa na Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, no Rio Pequeno, Butantã. O encontro dessa vez foi com o companheiro Lester e o tema de sua palestra foi "Controle social, princípio essencial no SUS: sem autonomia dos conselhos gestores não é possível lutar contra a privatização da saúde".


Lester compartilhou conosco muita história e informação sobre o sistema de saúde brasileiro, a criação do SUS, as estruturas de saúde na cidade de São Paulo e região, o funcionamento das UBS, AMA, UPA, nos explicou sobre o Hospital Universitário da USP e muito mais. Foi um bate-papo muito esclarecedor e educativo.

---


REUNIÃO DA MILITÂNCIA DO BB

Na segunda, 15/12, estive com a companheirada da comunidade Banco do Brasil, da Articulação Sindical da CUT, fórum de minha formação política ao longo de décadas de militância sindical.

A militância abordou as lutas da atualidade, as mobilizações que estão em andamento e os cenários das agendas do ano de 2026.

O encontro foi realizado em nossa Confederação e pude rever muitos amig@s e companheir@s de longas jornadas de lutas políticas.

---


MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DA UPA RIO PEQUENO

Na semana anterior, em 11/12, participei de uma manifestação importante de nossa Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste (FSL/ZO) em defesa da UPA Rio Pequeno e da saúde pública, de nosso SUS.

A UPA Rio Pequeno e a população que utiliza esse equipamento de saúde precisam de mais contratações e investimentos, pois o número de atendimentos é quase o dobro da capacidade instalada na atualidade. São mais de 20 mil atendimentos por mês e é necessário a contratação de dezenas de profissionais de saúde.

Após a nossa manifestação e a mobilização constante da população local e das lideranças locais, foi anunciada a contratação de 34 pessoas para somar com as equipes que atuam na UPA. Vitória da mobilização popular.

---

2025, UM ANO DE LUTAS

Enfim, sempre que possível, tentei participar neste mês e neste ano de atividades convocadas por nossos partidos de esquerda e sindicatos, e por nossas coordenações dos movimentos populares.

Quando não estive em alguma atividade nas ruas foi por algum motivo pessoal como, por exemplo, para acompanhar minha companheira em uma cirurgia no último fim de semana, 13 e 14/12, quando o Brasil foi às ruas contra as pilantragens dos picaretas do Congresso Nacional, votando para livrar a cara dos golpistas como os caras do clã Bolsonaro et caterva.

Tenho que refletir sobre minha vida pessoal e avaliar como será minha participação na vida política do país no ano de 2026. Sinto a necessidade de avanços na defesa do planeta e da sociedade humana, como imagino que muita gente deve estar pensando nisso também.

William Mendes

20/12/25

23.10.25

Diário e reflexões - A importância dos comitês populares na luta por um Brasil mais justo



A IMPORTÂNCIA DOS COMITÊS POPULARES NA LUTA POR UM BRASIL MAIS JUSTO

23/10/25

Hoje participei de um excelente bate-papo com a militância do Jardim Ivana, na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno, Butantã.

A comunidade tem se organizado através do comitê popular e da Cozinha Dona Nega e todos os meses acontece uma roda de conversa para debater questões importantes para a população local e para a classe trabalhadora brasileira. São momentos de trocas de experiência, reflexões e formação política.

Neste mês o convidado foi o companheiro Simão Pedro, liderança histórica do Partido dos Trabalhadores, que já atuou como deputado estadual em diversas legislaturas (2003-2014 e 2023-2025) e trabalhou nas gestões da prefeita Luiza Erundina e do prefeito Fernando Haddad, além de uma extensa pauta popular tratada por ele ao longo da vida de dedicação ao povo trabalhador.


EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS

No bate-papo Simão Pedro abordou temas como economia solidária, rodas de cultura e os comitês populares, centrais para se organizar as demandas da cidadania a partir das necessidades da comunidade.

A roda de conversa é muito rica, com pessoas de uma militância cativante e que enche de energia todos os participantes.

A sugestão está feita: organizem comitês populares em seus bairros e comunidades!


UM MILITANTE DE ESQUERDA NÃO PODE ESQUECER SUAS ORIGENS

O Rio Pequeno faz parte da minha vida. Ali nasci e dali saí aos dez anos de idade para voltar aos dezessete anos. Iniciei meus estudos e alfabetização no Adolfino Arruda Castanho e fiz o 3º ano no Daniel Verano Pontes.

Compartilhei com a militância presente minha lembrança agradecida de nossa ex-prefeita Luiza Erundina, meu primeiro voto. Ela mudou minha vida como trabalhador aos dezoito anos.

Eu me pendurava nos ônibus lotados que vinham na Av. Rio Pequeno quando saía para trabalhar. Era comum trabalhador morrer ao cair dos ônibus. Quando Erundina virou prefeita, minha vida mudou porque o transporte público melhorou. Nunca me esqueci disso! 

Votar no PT e na esquerda muda a nossa vida de povo trabalhador.


MEMÓRIAS DE UM TRABALHADOR POLITIZADO PELOS BANCÁRIOS DA CUT

É isso! Ao final da roda de conversa, presenteei meus amigos e companheiros Daniel Kenzo e Sérgio do MST com minhas memórias sindicais. E também presenteei o companheiro Simão Pedro, grande figura humana e militante das causas sociais e populares.

Sigamos nas lutas por uma vida melhor para o povo brasileiro. É possível mudar o mundo porque somos seres humanos, somos inteligentes e somos seres históricos.

William Mendes

2.10.25

Diário e reflexões - Ato em defesa da FFLCH-USP



A UNIVERSIDADE PÚBLICA É DO POVO - ATO EM DEFESA DA FFLCH-USP

02/10/25

O evento de hoje em nossa querida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo foi emocionante, com falas potentes e solidárias em defesa da educação pública, dos direitos dos povos e também denunciando o genocídio do povo palestino. 

Os motivos principais do ato de hoje no vão livre da História e Geografia da FFLCH e também das manifestações da comunidade acadêmica e do movimento estudantil, além de diversas entidades e lideranças da sociedade civil paulista são os ataques realizados pelos fascistas da extrema-direita nos últimos meses. 


Após ataques de grupos liderados até por parlamentares de extrema-direita da Câmara de Vereadores de São Paulo, a comunidade acadêmica da USP vem se organizando e enfrentando com firmeza essas turbas fascistas. 

Repito: foi um ato emocionante! Saí do ato de alma lavada e com a esperança renovada ao respirar o ar daquela juventude de luta!

Ouvimos falas potentes e experientes de professores como a querida Marilena Chauí, André Singer e demais acadêmicos. 

Vereadora Luna Zarattini (PT-SP)

Ouvimos lideranças de diversos movimentos populares, sindicais e de lutas históricas da juventude. 

Ouvimos parlamentares do campo popular como a querida companheira Luna Zarattini (PT), Luana Alves (Psol), Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bomfim (Psol) e demais políticos que estão sempre do lado certo da história de lutas da classe trabalhadora brasileira. 

Deputada Federal Juliana Cardoso (PT-SP)

Tenho orgulho de ter sido aluno de Letras da FFLCH-USP e de ver o quanto a educação, a cultura e a ciência são importantes para a sociedade humana. 

Sem democracia e sem igualdade de oportunidades não se constrói uma sociedade justa, fraterna e igualitária. 

Fora, fascistas! Defender a educação pública é defender a esperança em um mundo melhor para todos os seres viventes. 

O ato também foi firme na defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza.

William 

---

Post Scriptum: em relação à luta contra o genocídio do povo palestino, uma das reivindicações do ato, o rompimento das relações institucionais da FFLCH-USP e das faculdades da USP com o Estado de Israel, foi concretizada em 23/10/25. Em votação histórica, a Congregação da FFLCH votou e aprovou por 46 a 4 a renúncia do convênio com a Universidade de Haifa (Israel). Orgulho de nossa FFLCH-USP!!!

9.9.25

Diário e reflexões - Identidade



Osasco, 9 de setembro de 2025. Terça-feira. 


IDENTIDADE

Tenho 56 anos de idade. Sou brasileiro, nascido na cidade de São Paulo, onde vivi até os 10 anos. A passagem para a adolescência, fase intensa dos seres humanos, foi em Uberlândia, Minas Gerais. Ao voltar para São Paulo, aos 17 anos, acabei vivendo a maior parte da vida em Osasco. Por 4 anos, ainda tive a oportunidade de morar em Brasília, a capital do Brasil. 

A data de hoje, 9 de setembro, é uma data aniversário, um dia marcante no percurso da minha existência única. Há 33 anos, eu me apresentava pela manhã à agência Rua Clélia, do Banco do Brasil, para começar a trabalhar de escriturário no maior banco público do país. 

Para tomar posse do cargo, como dizíamos, precisei passar no concurso público duas vezes, porque após comemorar a primeira aprovação, o certame foi cancelado por fraudes. Tive que passar de novo para ser bancário do BB. 

A identidade de uma pessoa vai se moldando no percurso do viver, é como entendo a vida humana. Certos momentos ou acontecimentos ficam marcados em nossa existência, são divisores de água, determinam como seremos dali adiante. Entrar no BB há 33 anos, foi um acontecimento desses em minha vida.

Se no domingo passado (7/09) estive nas manifestações populares ao lado dos pobres, das pessoas que sobrevivem nas ruas e praças, sem terem sequer o que comer, ou água para se lavarem, se estive no 31° Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, e depois na manifestação da Praça da República, somando com milhares de pessoas em defesa de nossa soberania e lutando pelos direitos da classe trabalhadora, é porque existiu em minha vida o dia 9 de setembro de 1992, dia no qual me tornei um membro da comunidade de funcionários do Banco do Brasil, comunidade com mais de dois séculos de história. 

Nossa identidade vai se moldando no viver de acordo com as veredas que percorremos e principalmente em função das oportunidades que a comunidade na qual vivemos nos dá. Se as pessoas - crianças, jovens e adultos - têm oportunidades para escolher um presente e um provável futuro - uma perspectiva de futuro -, nossa identidade pode conter algumas características - diria características positivas -; se não houver oportunidades no ambiente do viver, nossa identidade pode ser completamente diferente do que gostaríamos que ela fosse.

O 9 de setembro de 1992 foi uma oportunidade em minha vida. O garoto que lavava carro em Uberlândia; que era entregador de uma farmácia, cortando a cidade o dia todo de bicicleta; que trabalhou em construção civil, quebrando concreto com talhadeira e ponteiro, mexendo em esgoto; que juntava metais como cobre e alumínio pra vender no ferro velho; que foi chapa de caminhão e ajudante geral de um monte de serviços por uma década antes de trabalhar como bancário, teve sua vida transformada ao passar no concurso mais disputado à época no país, e virar trabalhador da categoria bancária.

Outras datas tiveram importância central na minha identidade também, a partir da condição de bancário. O dia 5 de agosto de 2002 foi um divisor de águas na vida deste trabalhador, naquele dia fui liberado do trabalho no caixa da agência Vila Yara, do Banco do Brasil, para aprender a ser dirigente sindical e representar meus colegas que continuavam cumprindo a jornada nos locais de trabalho, atendendo ao público e às vezes sofrendo assédio e enfrentando péssimas condições de trabalho. Pensar nos colegas, os meus pares, definiu minha identidade enquanto os representei por 16 anos. Ainda penso nos colegas da ativa e nos aposentados, é a minha identidade, é o que sou. 

Refletindo sobre o dia 9 de setembro de 1992, e outros dias definidores de minha identidade, o 5 de agosto de 2002, o 2 de junho de 2014, o 3 de abril de 2019... fico aliviado pelas veredas que escolhi trilhar (ou que se apresentaram no meu caminho) e me sinto grato à existência, pois posso me considerar uma pessoa de sorte. Posso sim. Tive a felicidade de participar de momentos importantes da vida coletiva de nossa categoria e de nossa classe, a classe trabalhadora. 

E tenho consciência política suficiente para pesar e separar as partes que compõem a minha identidade. O que sou é uma mescla de oportunidades, casualidades e muito esforço e disciplina. Como ensina o professor Antonio Candido, essa parte da minha identidade também contém a parte com as vivências ruins que enfrentei ou que fui partícipe, a vida é tudo isso que nos deu identidade, somado com a personalidade que cada um de nós tem.

O jovem que saiu de Uberlândia para São Paulo, aos 17 anos, cheio de ódio e raiva do mundo, que vivia indignado com as injustiças diárias enfrentadas pelo povo brasileiro, um país ainda hoje violento e miserável, que maltrata e humilha as pessoas como nós, a imensa maioria do povo, queria ser mau... para lidar melhor com o mundo-cão, e, por sorte, acabou sendo moldado como um cidadão do lado certo da história, que não esteve na manifestação da Paulista no 7 de setembro de 2025 (e sabemos o quanto de gente com origem humilde encorpa essas manifestações que manipulam os ignorantes que não sabem qual é a sua classe); por sorte aquele jovem dos anos oitenta hoje escolhe o Grito dos excluídos e excluídas. 

O jovem que entrou no BB em 9 de setembro de 1992 ouviu seu coração, sua filiação, e depois ouviu os colegas e o sindicato, e os educadores que passaram por sua vida... e sua identidade está aí, naquilo que faz e vive diariamente. 

Sigo com desejo de mudanças no mundo e com vontade de aprender coisas novas todos os dias. Não tenho ódio em meu coração, apesar de me sentir indignado com as coisas. Acredito na educação e na transformação das pessoas. Por isso estudo e compartilho o pouco que sei em meus blogs. 

O Brasil e o mundo estão doentes, as pessoas foram capturadas e parte delas precisaria de tratamento médico para sair da neurose e mundo paralelo no qual foram inseridas. O mundo está muito doente.

Sigamos firmes estudando e nos organizando para salvar a vida no mundo e os seres humanos, essa espécie fantástica nas suas possibilidades, mas capturada e feita de massa de manobra de uns poucos espertalhões que odeiam o mundo e a vida no Planeta.

William Mendes 

14.8.25

Diário e reflexões - Volta às origens


17/04/16, o dia que deixei de acreditar na "democracia"

Reflexões

Quinta-feira, 14 de agosto de 2025.


Tive o privilégio de participar, nesta noite fria de quinta-feira, de uma excelente roda de conversa na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno. O encontro foi no espaço "Cozinha Popular Dona Nega", importante espaço criado pelo Movimento Brasil Popular em parceria com o MST e lideranças locais para combater o flagelo da fome e insegurança alimentar no Estado e na cidade mais ricos do país, São Paulo.

Voltar ao Jardim Ivana/Rio Pequeno é voltar ao início de minha jornada de vida, à origem de minha caminhada pela Terra. Nasci ali, na rua em frente à padaria da Cinco Quinas, saí dali aos dez anos e aos dezessete voltei, morei ali em fases diferentes de minha vida. Ali me alfabetizei, ali terminei o ensino básico antes da graduação superior. Ali peguei ônibus lotado, vivi enchentes: o Rio Pequeno. 

Ouvir o companheiro José Genoino contando um pouco de suas vivências e suas opiniões sobre as questões mais destacadas no grave cenário político do país e do mundo é uma oportunidade que nenhum militante das causas sociais poderia perder quando é convidado para uma agenda dessa natureza. O bate-papo foi excelente!


Além de ouvirmos Genoino, ouvimos lideranças inspiradoras da Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste (FSL/ZO), que militam em diversas frentes de lutas na região do Butantã. A gente sai da reunião com uma humildade incrível ao ouvir pessoas tão envolvidas com as causas sociais centrais para o povo e a classe trabalhadora.

Revi companheiros de longa data como o amigo Daniel Kenzo, Jurandir, amigo desde o movimento estudantil na USP, Ernesto e Sérgio e demais militantes queridos do movimento na região Oeste.

---

Fui para a roda de conversa com diversas questões em meus pensamentos. Meu momento é de mais compreensão das coisas da vida do que antes. Ter a percepção que sinto ter não me dá conforto algum, me dá uma permanente agonia. Tudo bem, foi para isso que estudei e tentei evoluir mentalmente nas últimas décadas de vida.

O assassinato de Laudemir, trabalhador da limpeza urbana de Belo Horizonte, um gari, por um desgraçado que é o modelo de "cidadão" exaltado pela sociedade humana do capital, me encheu de ódio e raiva, sentimento que voltei a sentir desde o dia 17 de abril de 2016, desde aquela sessão no Congresso Nacional na qual um sujeito escroto enalteceu um torturador ao votar pelo impeachment sem crime da presidenta Dilma Rousseff. 

Em agosto daquele ano de 2016, o mesmo Congresso efetivou a perda do mandato presidencial da primeira mulher eleita no Brasil, eleita por 54,5 milhões de votos do povo brasileiro. 

Desde aquele ano, eu deixei de acreditar na democracia que conhecia como modelo político, entendi que as democracias que existiam na vida real eram farsas e arranjos para a manutenção do poder pelos donos do capital no mundo contemporâneo.

Uma das mulheres mais queridas de minha vida, a nossa tia Alice, irmã de minha mãe, era gari na cidade de Uberlândia, e ver um ser escroto como esse tal Renê "cidadão de bem" andar por aí mexeu com meus sentimentos mais antigos de ódio dessa gente que se acha melhor que os outros, essa gente da burguesia que odiei desde que tinha meus doze ou treze anos, quando me humilhavam como criança trabalhadora.

Quando entrei no movimento sindical, já tendo mais de trinta anos de idade, fui mudando diariamente pela convivência com pessoas maravilhosas, humanistas, pessoas boas como a tia Alice e outras pessoas humildes que eu conhecia. Mudei radicalmente ao longo da vida de representação da classe trabalhadora. Quando afirmo que fui politizado pelos bancários da CUT (nome do meu livro de memórias), é a mais pura verdade. A convivência com a companheirada me tornou uma pessoa melhor.

Com o golpe de Estado contra nós em 2016, a deposição da presidenta Dilma Rousseff, a operação lesa-pátria Lava Jato e a prisão do presidente Lula e outras prisões como a dos companheiros do PT, Genoino, José Dirceu, Vaccari e outras lideranças de nossa história de luta, com a ascensão dos desgraçados que os golpistas colocaram no poder entre 2016 e 2022, e a não convivência diária com tanta gente boa como aquela com quem me reuni hoje à noite, acabei por deixar aflorar em mim o ódio que senti boa parte da minha vida.

Com os exemplos diários de injustiça, violência e impunidade de gente como esse assassino do Laudemir, gari como minha tia Alice, eu voltei a considerar a pena de morte como um instituto legítimo de punição para crimes no Brasil. Um desgraçado como esse tal Renê e tantos outros "cidadãos de bem, patriotas, blá blá blá" não merecem viver sobre a Terra.

Esse pensamento é um retrocesso em mim, de verdade. Quando virei dirigente sindical, gastei um tempão estudando o tema da pena de morte para passar a ser contrário a esse tipo de pena. Retrocedi como pessoa...

---

Felizmente, a roda de conversa com gente boa de verdade, me fez amenizar um pouco tudo que eu ainda estava pensando, além de voltar a considerar a pena de morte, de preferência pena capital no estilo revolucionário para traidores, para esses desgraçados fascistas que se acham acima das leis e melhores que as outras pessoas.

William

31.7.25

Diário e reflexões - Lula, Luna e JuntOz na luta (PT)


Presidente Lula fala
ao povo brasileiro

A luta por um país soberano e por cidades melhores para se viver segue firme e contamos com nossas lideranças populares para os avanços

Quinta-feira, 31 de julho de 2025.


Opinião

O mês termina com muitas incertezas para o Brasil e o mundo por causa da guerra global imposta pelos Estados Unidos a todos os países, principalmente para aqueles que não são vassalos do império decadente dos norte-americanos. O BRICS e os avanços chineses em todas as áreas são os motivos dos ataques ao país, e o clã de vira-latas do RJ é a desculpa que veio a calhar ao senhor MAGA. Se esses bolsonaros fossem de outro país, já estariam presos ou pior.

Trump liquidou as regras internacionais construídas após a 2ª Guerra Mundial. Agora as sanções econômicas e políticas são como as bombas que os EUA jogam sobre os países e povos que não se submetem a eles. Com o fim da diplomacia, a lei do mais forte e que tem poder de matar é a única regra no mundo. Imaginem o que é sofrer sanções que bloqueiam a vida de um país como Cuba enfrenta há 63 anos...

O Brasil governado pelo Partido dos Trabalhadores tenta resistir ao ataque covarde e fora da lei perpetrado pelos Estados Unidos. A luta é desigual porque dificilmente algum país importante como o nosso tenha uma quantidade tão grande de traidores da pátria, de gente quinta-coluna, como o clã Bolsonaro e seus seguidores lunáticos.

Se eu estivesse na política, estaria fazendo o que fiz por mais de duas décadas, estaria estudando os cenários e as possibilidades, pensando objetivos de curto, médio e longo prazo e estratégias e táticas para chegar aos objetivos. Mas isso é passado. Seguirei me esforçando por não dizer o que penso sobre o nosso governo, o partido, o movimento sindical e o que vejo ao meu redor no campo da esquerda.

O que sei é que o presidente Lula está fazendo o possível e o impossível para defender o Brasil e o povo brasileiro dos ataques covardes dos Estados Unidos e da extrema-direita lixo do nosso país. Lógico que Lula está fazendo do jeito dele, como conhecemos há seis décadas. Lula não é e nunca foi um revolucionário, sempre foi um conciliador. Estudei isso por duas décadas como sindicalista cutista e compreendo o presidente e o PT, por mais que discorde de algumas coisas.

Obrigado por tanta dedicação e esforço por nós, presidente Lula!

---

Heber fala em audiência sobre
o IFSP, unidade Osasco

LUNA ZARATTINI E O COLETIVO JUNTOZ: INSPIRAÇÃO E ESPERANÇA

O que tenho acompanhado minimamente na política partidária é a atuação das juventudes do Partido dos Trabalhadores que estão dando o melhor de si para renovar e revigorar a forma de fazer política do partido junto às bases sociais.

Em Osasco, Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz, estão atuando de forma extraordinária nesses 7 meses de trabalho no mandato parlamentar na Câmara Municipal de Osasco. Dá um orgulho danado ver a inteligência deles, o preparo e a atitude diária na busca de avanços para o povo da cidade.

Temos 1 (uma) cadeira em 21 cadeiras da Câmara, mas o trabalho deles em benefício do povo é como se eles fossem muitos mandatos, eles são muito bons. 

Ontem estive na 2ª audiência pública na Câmara para tratar do Instituto Federal em Osasco (IFSP). Todos os avanços nessa questão têm participação decisiva do Coletivo JuntOz.

Luna informa paulistanos
sobre medidas de Trump

E a nossa querida Luna Zarattini, vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em São Paulo e no país, segue incansável nas diversas frentes de luta para as quais o partido destacou a companheira para liderar.

Luna, Heber, Gabi e Matheus, assim como outras lideranças do partido que admiro e respeito, são inspiração e esperança na política como meio de transformar a vida das pessoas que mais precisam, o povo pobre e trabalhador.

William Mendes

(21h)

19.5.25

Diário e reflexões - Call Marx!!!



Osasco, 19 de maio de 2025. Segunda-feira.


Opinião


CULTO À FUTILIDADE

Dó. Acho uma pena tanto conhecimento disponível acumulado pela espécie humana para nada, para chegarmos a 2025 em um mundo hegemonizado pela idiotização das pessoas como moda e objetivo.

Cultura do nada, da futilidade normalizada como o bom, época dos "influenciadores" da imbecilização das massas humanas. Dó.

Se ao menos a gozação, o humor, o passatempo, a descontração levassem a algum tipo de reflexão ou cultura ligada às grandes questões sociais de nosso tempo, tipo o mundo do trabalho e a exploração capitalista, como nos lembra o velho Marx, ou a questão ambiental do planeta, ainda teríamos algum contentamento. Mas até isso está escasseando ultimamente. 

---

PRIVILEGIADO POR MINHA COR E GÊNERO

Olhando os conteúdos das pilhas de materiais de formação política - neles os de igualdade de oportunidades -, materiais que acumulei da época sindical, me lembrei de meu percurso de vida como trabalhador pobre branco. Minhas características biológicas influenciaram meu destino no Brasil, um dos países mais racistas do mundo. 

Me lembro do emprego que tive em uma escola de idiomas entre a demissão do Unibanco em 1990 e a entrada no Banco do Brasil em 1992. Quando trabalhava lá, a ordem da dona era nunca contratar mulheres porque elas engravidavam, tinham enxaqueca e faltavam muito... a dona da escola não era uma "mulher", era uma capitalista. Provavelmente, entrei na vaga por ser homem, e sendo o Brasil o que é, talvez tenha tirado a vaga de um rapaz negro...

Foda isso tudo!

---

PAPÉIS VELHOS 

Passei o dia olhando mídias de formação e de história da classe trabalhadora. 

Se hoje meu corpo chegasse ao fim ficaria tudo aqui onde está essa papelada toda.

O destino das mídias seriam os sacos pretos e os caminhões de lixo para os lixões. 

As imensas quantidades de revistas, xerox e apostilas universitárias, livros e papéis entulham os espaços do ambiente faz tempo.

É sempre essa indefinição quando manuseio esses papéis velhos. 

William 

29.3.25

Diário e reflexões: o PT é estratégico nas lutas populares!

 


PARTIDO DOS TRABALHADORES 13 FAZ ANIVERSÁRIO!

O PT é estratégico nas lutas populares!


"PARABÉNS, PT!


Para melhorar a vida do povo,

A consciência política da militância

Radicalizou na democracia partidária.

Assim surgiu o PT há 45 anos.

Bens e direitos sociais vieram, então.

Estratégico nas conquistas populares,

Nossa causa e razão de ser 

Segue sendo o Brasil dos brasileiros!


Partido dos

Trabalhadores!


William 

10/02/25"


Opinião

Estive hoje no evento de comemoração dos 45 anos do PT em Osasco, realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. O ato reuniu diversas gerações de lutadores e lutadoras que compõem a militância do partido. Foi um encontro muito bonito e que nos encheu de energia.

O partido voltou à Câmara Municipal de Osasco nesta legislatura após a bela campanha e eleição do JuntOz, o coletivo composto pelos jovens Heber, Gabi e Matheus. A militância da cidade se envolveu e nossas candidaturas petistas somaram votos para voltarmos à Câmara.

O PT segue firme no papel de partido das massas, de instrumento de luta do povo. As filiações tiveram avanços nos últimos meses, foram mais de 600 em Osasco e mais de 22 mil filiações novas no Estado de São Paulo

---


100 DIAS DO JUNTOZ

Nossos representantes na Câmara Municipal prestaram contas do início do mandato popular e o trabalho dos três se mostra incansável.

O JuntOz está atuando em diversas frentes de lutas e busca atender demandas da população de todas as regiões da cidade de Osasco.

Só nesses primeiros meses foram mais de 150 solicitações à Prefeitura relativas a questões da cidadania vindas dos bairros.

A viabilidade do Instituto Federal em Osasco contou com a postura firme do JuntOz e os cursinhos populares são prioridade para que a juventude osasquense possa estudar de forma gratuita e com qualidade de ensino em nossa cidade.

A questão ambiental também é pauta central de nossos representantes no parlamento de Osasco.

Estive no gabinete do JuntOz dias atrás, o mandato é aberto ao povo, e pude comprovar que trabalho de qualidade a nossa representação está fazendo.

---


MARCOS MARTINS: UMA REFERÊNCIA!

É sempre uma alegria imensa estar com uma de nossas maiores lideranças da cidade de Osasco, o companheiro Marcos Martins.

Como um cidadão politizado pelos bancários da CUT e do PT ao longo de mais de três décadas, tenho em Marcos Martins uma referência que me inspirou a forma de atuar quando fui dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. 

Minha referência em Marcos Martins vem desde que trabalhei no Unibanco da Raposo Tavares, o CAU, nos anos oitenta. Lá estava ele organizando e politizando a categoria como funcionário do Sindicato.

Quando fui eleito diretor do Sindicato, procurei estar presente nas bases e nos locais de trabalho como vi Marcos Martins fazer a vida toda. Ele e Deise Lessa, companheira do Banco do Brasil, foram minhas referências de um bom trabalho de base!

---


EMIDIO, ALUISIO E AS LIDERANÇAS DE OSASCO

Não poderia deixar de registrar as falas importantes que tivemos de nossa direção partidária local, dos sindicalistas e movimentos sociais, a potência das falas de nossas companheiras petistas e o resgate histórico que Emidio de Souza e Aluisio Pinheiro fizeram ao final do ato.

A companheira Flávia fez um resgate importante das lutas das mulheres para além do mês de março. O mês tem a data de 8 de março como referência, mas a jornada de luta das mulheres é o ano todo.

---


Foi um dia de comemoração e também de organização das lutas e dos próximos passos para avançar com nossos projetos de sociedade.

Toda a militância está convocada para o ato de amanhã, domingo 30, na Avenida Paulista, com pautas de interesse da classe trabalhadora como impedir a tentativa de anistia dos golpistas bolsonaristas, a pauta do fim da jornada 6x1, a pauta da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e outras agendas centrais.

É isso. Viva o PT e viva a classe trabalhadora!

William Mendes


1.3.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2022


Militância reunida após as lutas em 2022.


RETROSPECTIVA 2022


Os 26 textos do blog A Categoria Bancária no ano de 2022 foram textos basicamente de memórias, a exceção foi uma nova série que iniciei sobre a história dos bancários, reflexões feitas a partir do manuseio dos materiais que acumulei ao longo das últimas décadas de movimento sindical.

Pensando bem, tanto as memórias quanto os textos de história trabalham com o mesmo material: as lutas de nossa classe trabalhadora em geral, e as lutas da categoria bancária, principalmente a partir do olhar de um militante que participou do movimento entre o final do século passado e as primeiras décadas do novo milênio.

O ano de 2022 também foi decisivo para o futuro do Brasil porque no segundo semestre ocorreram as eleições presidenciais e o povo brasileiro escolheu em segundo turno se queria como presidente Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo eleitoral foi muito difícil, as condições de disputa foram absurdamente desiguais, e nunca se abusou tanto da máquina pública e do poder econômico para tentar manter um político no poder como fizeram naquele ano. Vencemos a eleição, contra tudo e todos.

Ainda antes de terminarmos com a longa noite de terror que durou do Golpe de Estado contra Dilma em 2016 até a vitória de Lula de forma democrática em 2022, a casa-grande e toda a canalha agregada a ela já iniciou a tentativa de novo golpe antes da diplomação do presidente eleito, em novembro daquele ano.

No ano seguinte, 2023, o Brasil veria no dia 8 de janeiro cenas nunca vistas de ataques às instituições da República. As investigações apontaram recentemente que planejaram matar o presidente Lula. Mais uma vez, evitamos o golpe, mas foi por pouco.

Os textos de memórias foram escritos ao longo do ano, no calor dos acontecimentos, sofrendo tudo o que as pessoas conscientes e politizadas sofriam ao ver a destruição de anos de bolsonarismo e golpismo e ataques aos direitos sociais, políticos, civis e humanos do povo brasileiro.

Ao reler os textos, para preservá-los em forma de livro de memórias, e para encadernar a produção textual de uma vida política e sindical, achei textos e abordagens bem atuais e que poderiam suscitar reflexões sobre os temas tratados ainda hoje.

É meu desejo desde o início da produção textual, contribuir com o que aprendi ao longo da vida de estudos, de lutas e representações.

Pronto mais um caderno dos blogs.

É isso.

William Mendes


Post Scriptum: estou sistematizando toda a minha produção textual nos blogs. Neste sindical e de política e história, estou encadernando os textos por ano de produção. 

A síntese do caderno do ano de 2023 pode ser lida aqui. Já em relação ao caderno do ano de 2024, a síntese pode ser lida aqui.

20.1.25

Diário e reflexões - Sindicalização



Osasco, 20 de janeiro de 2025. Segunda-feira.


SINDICALIZAÇÃO

Me associei ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região quando trabalhava no Unibanco da Raposo Tavares, no CAU. O pessoal do sindicato me contatou como fazia com qualquer bancário ou bancária e na conversa do dia a dia eles me convenceram a me sindicalizar. Depois passei a sindicalizar todo mundo que conhecia lá dentro. Trabalhei lá entre abril de 1988 e maio de 1990, quando fui demitido.

Voltei a ser bancário dois anos depois, passei no concurso do Banco do Brasil e tomei posse da vaga de escriturário em setembro de 1992. Uns meses depois, assim que entrei em contato com o pessoal do sindicato novamente, me sindicalizei em fevereiro de 1993. Mais uma vez, virei um grande defensor da sindicalização e vivia ganhando prêmios do sindicato por sindicalizar um monte de bancários.

Uma década depois de entrar no Banco do Brasil, o pessoal me convenceu a ceder meu nome para compor a chapa da CUT que concorreu e ganhou a eleição sindical em abril de 2002 contra a chapa da oposição. Representar os colegas bancários mudou minha vida em tudo, eu mudei completamente em relação à pessoa que era antes de virar dirigente sindical.

Não vou abordar neste texto de sindicalização minha contribuição à corrente política para a qual dediquei a maior parte de minha vida adulta, a Articulação Sindical da CUT. Minha contribuição política faz parte da história e se a história ainda vale alguma coisa ou não, não sei, mas a campanha nacional unificada entre bancos públicos e privados foi alcançada com a minha participação efetiva nos primeiros anos do governo Lula. E também a política de aumento real de salário em substituição da antiga reivindicação de "perdas".

LAWFARE ANTECIPA MEU DESLIGAMENTO DO BB

Por motivos políticos acabei saindo do Banco do Brasil um pouco mais cedo do que talvez gostaria. Como um dirigente nacional da categoria exercendo um mandato eletivo numa entidade dos funcionários do banco, vinha sofrendo um processo de lawfare (desses com carta anônima e acusações falsas), que havia se tornado comum contra lideranças de esquerda. Como era tudo mentira para tirar minha atenção e tempo nos embates que enfrentava e para que eu não me reelegesse, após o uso político, o processo foi arquivado por falta de provas.

Aderi à aposentadoria antecipada de meu plano de previdência da Previ no dia em que completei a regra do estatuto para aderir. Estávamos no primeiro ano do governo Bolsonaro, e antes já vivíamos sob o jugo do governo golpista de Temer. Infelizmente, encerrei minha vida de dedicação ao Banco do Brasil sem um bolinho e abraços dos colegas.

Por sugestão de nossos advogados, durante minha defesa contra aquelas mentiras, era melhor que eu me silenciasse um tempo dos embates políticos que fazia através de meus textos em blog em nome da categoria que representava. Acatei a sugestão e me silenciei por mais de um ano na comunicação e prestação de contas que fazia através de meus textos. Muita gente que conhecia meu trabalho de representação e minha história ficou sem saber de mim por um bom tempo.

Veio a pandemia no ano seguinte. Aí que aumentou meu isolamento como aconteceu com praticamente todo mundo.

Mas e a questão da sindicalização? O texto é sobre sindicalização.

Como se tornaram raras as oportunidades de participar de assembleias do nosso sindicato, e como eu havia me desligado do banco em um dia e no dia seguinte passei a ser beneficiário do nosso fundo de pensão da Previ, entendi que tinha virado sócio remido do sindicato, como acontece com muitos bancários. 

Um dia, em algum evento virtual que não consegui participar, descobrimos que eu estava com a matrícula irregular no sindicato, o pessoal do sindicato e eu percebemos que minha filiação não estava em dia. Pesquisa vai, pesquisa vem, sou informado que estava inadimplente desde que me desliguei do banco e me tornei beneficiário da Previ.

R$ 5.311,14

A solução não foi eu voltar a pagar a mensalidade. A regularização seria eu pagar um montante inimaginável para voltar a ser sindicalizado como sempre fui desde minha entrada na categoria lá no Unibanco nos anos oitenta. Balancei em pagar o valor apresentado a mim...

A tomada de decisão em usar um recurso de minha família para voltar a ser sindicalizado foi dificílima. Pensei em tantas coisas que vocês não fazem ideia! 

Em primeiro lugar, eu tinha uma história no sindicato. Como bancário, como sindicalizador, como dirigente sindical. Como poderia não ser sindicalizado na entidade na qual participei no mínimo de três décadas de sua história?

Tomei a decisão e no dia 23 de dezembro de 2021 paguei os 5.311,14 ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região para regularizar minha situação de sindicalizado há décadas, já que eu não era sócio remido ainda porque faltava me aposentar pela previdência pública, aquela que a cada reforma aumenta o prazo para os trabalhadores poderem se aposentar.

A QUEM DEVERIA INTERESSAR A SINDICALIZAÇÃO, FILIAÇÃO, ASSOCIAÇÃO?

Nos últimos 3 anos de pagamento em dia das mensalidades de nosso sindicato (paguei no mês de dezembro R$ 211,68), fiquei refletindo sobre um monte de coisas relativas ao movimento sindical que ajudei a construir, principalmente o da categoria bancária.

A quem deveria interessar a sindicalização? Como se dá o processo de sindicalização de um trabalhador ao seu sindicato? O que leva um trabalhador a querer ou aceitar ser sindicalizado ao seu sindicato de base? Amigos leitores, juro para vocês que tenho experiência nesse tema e poderia discorrer aqui sobre cada uma dessas questões. 

O fato concreto é que no meu caso de sindicalizado, se eu não fosse quem sou, se eu não fosse politizado, uma pessoa com ideologia e, principalmente, com história em nosso sindicato, eu não teria insistido todos esses anos em me manter sindicalizado. Se o tratamento que recebo do sindicato for a média do tratamento que os bancários recebem, eu imagino que o trabalhador deve estar pensando se permanece ou não associado.

Nesses 3 anos após a regularização que me custou 5.311,14, quem correu atrás dos boletos para pagar as mensalidades fui eu. A cada tempo, tenho que fazer email, pedir boletos etc. Eu não tenho boleto ainda para pagar a mensalidade de hoje, 20 de janeiro. 

Mesmo sendo sindicalizado como qualquer bancário sindicalizado, o coletivo de diretores do banco ao qual fui dirigente não me chamou para absolutamente nenhuma agenda de debates no sindicato nos últimos 3 anos. Imagino que teria contribuições a fazer em algumas questões como outros associados da entidade.

E, por fim, o sindicato ao qual eu participei de décadas de sua história não se dignou a me convidar para fazer uma fala sequer sobre os 100 anos da instituição!

E olha que em um evento de rua, dirigentes da executiva da entidade se disseram surpresos ao saber que eu ainda não havia sido convidado para um depoimento... me disseram que entrariam em contato comigo... (houve veto ou coisa do tipo?)

Essa é a relação do sindicato com um de seus sindicalizados com esse histórico que descrevi acima.

Será que chegou a hora de parar de pagar a mensalidade que vence hoje e que preciso pedir o boleto ao sindicato? Acho que cansei de verdade desse tratamento e dessa relação indigna com a qual sou tratado pelo sindicato ao qual dediquei minha vida.

Cara, acho que para mim chega!

---

SINDICALIZEM-SE! É IMPORTANTE! O SINDICATO É OU DEVERIA SER A CASA DOS TRABALHADORES

Colegas bancárias e bancários e trabalhadores que me leem, por favor, não levem em consideração meu caso pessoal com a direção de nosso sindicato e se sindicalizem! É muito importante fortalecer nossas entidades representativas e de organização das lutas da classe trabalhadora.


William Mendes

Associado 351524. Se mandarem os boletos, seguirei associado.


31.12.24

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2024



(Atualizado e finalizado em 24/02/25)


RETROSPECTIVA 2024

O ano que termina foi um ano de muita militância política de minha parte, sendo eu um cidadão brasileiro que não tem mandato de representação como tive durante duas décadas. Minha participação política foi por ideologia e por princípios éticos.

Estive nas ruas o ano todo, sempre que os movimentos populares chamaram a militância para as manifestações em defesa de alguma causa sensível à classe trabalhadora e em defesa de um mundo mais justo e solidário.

Como fiz nos últimos anos, estive à disposição dos movimentos organizados dos trabalhadores para contribuir com a experiência que acumulei nas áreas de luta sindical e gestão de saúde em autogestões. Em março, participei do planejamento de uma importante autogestão em saúde: a Unafisco Saúde.

Mais uma vez, não fui demandado pelo sindicato ao qual sou filiado e para o qual contribuí por mais de três décadas de sua existência, pertencendo ao seu quadro dirigente em um período importante de sua história. Todo o conhecimento que acumulei no tema gestão em saúde, tendo sido diretor eleito da Cassi, não valeu para a direção do sindicato para uma participação sequer nos debates internos.

Ao longo do ano, militei no diretório do Partido dos Trabalhadores da região do Butantã e na Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste. No segundo semestre me envolvi nas eleições municipais e fiz campanha para a reeleição da vereadora Luna Zarattini, eleita com mais de 100 mil votos. Também conheci os jovens do JuntOz em Osasco - Heber, Gabi e Matheus - e fiz campanha para eles: foi a única candidatura do PT eleita na cidade, com mais de 4 mil votos.

Fiz 34 publicações no blog, todas elas voltadas à contribuição aos leitores e leitoras sobre temas que conheço como, por exemplo, gestão em saúde e a Cassi dos funcionários do Banco do Brasil, história da categoria bancária, eleições e organização política etc.

Me sinto honrado com a grande quantidade de acessos que o blog teve neste ano, mesmo estando fora da representação política com mandatos eletivos. Foram 148 mil acessos aos textos do blog.

-

Janeiro

Não fiz textos neste mês.

-

Fevereiro

Fiz dois textos temáticos sobre gestão de sistemas de saúde. Os textos fazem parte de uma série que nominei "História dos bancários: um olhar".

No primeiro deles (ler aqui), desenvolvi o tema "A questão da saúde dos trabalhadores e as autogestões em saúde". No segundo (ler aqui), a 2ª parte do texto anterior, trago dados da saúde brasileira e aprofundo a temática enfatizando a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e seus modelos de saúde ao longo do tempo.

-

Março

A partir deste mês, decidi criar a categoria de textos "Diário e reflexões" também no blog A Categoria Bancária, gênero que já faço no Refeitório Cultural desde o início do blog de cultura. 

O primeiro texto dessa categoria no mês foi sobre unidade e divisões no campo da esquerda e os cancelamentos de pessoas e instituições que ousam divergir e ter visões diferentes. Gostei de reler o texto. Ler aqui.

Depois fiz um texto sobre autogestões, já estudando para uma palestra que daria em um planejamento da Unafisco Saúde. Ainda no mês, fiz uma reflexão profunda sobre cancelamentos no campo da esquerda (ler aqui) e finalizei o mês com mais um texto de história do movimento, dessa vez sobre nossos cursos de formação na Contraf-CUT (aqui).

-

Abril 

Não fiz postagens.

-

Maio e junho

Fiz uma postagem reflexiva sobre os dilemas que tenho vivido em minha existência após ter saído do dia a dia do Banco do Brasil e estar militando através das manifestações nas ruas e na região onde vivo (ler aqui).

Depois fiz 3 artigos sobre a nossa Caixa de Assistência - Cassi, após analisar o balanço da autogestão e os atos de gestão dos últimos anos. Falei em especial sobre os planos que a operadora de saúde vem lançando no mercado (ler aqui) e que não estão dando o resultado esperado, na minha opinião. 

Também comentei uma nova estratégia da Cassi de terceirização de serviços, oferecendo serviços de empresa privada de consultas por telemedicina com psicólogos e psiquiatras para o conjunto dos participantes do sistema, quase 600 mil pessoas (ler aqui). Questiono que a conta a ser paga pode ser imensa, já que não é uma demanda orientada pelos profissionais das equipes de família da Cassi.

-

Julho

Não fiz postagens.

-

Agosto

As campanhas eleitorais para a escolha de prefeitas e prefeitos e vereadores começaram no mês de agosto. Como forma de contribuir com o debate democrático, decidi fazer textos no blog durante o processo eleitoral.

No mês, fiz 7 postagens falando sobre as cidades, os direitos dos munícipes e as candidaturas que representaram os segmentos populares e os trabalhadores. Em São Paulo, fiz campanha para a companheira Luna Zarattini, jovem lutadora do Partido dos Trabalhadores, e para Guilherme Boulos.

Também reproduzi no blog um manifesto dos eleitos de nossa Caixa de Previdência, a Previ, alertando os associados sobre fake news produzidas por parte da imprensa golpista e das forças reacionárias que apoiam nossos inimigos de classe (ler aqui).

-

Setembro e outubro

Foram meses intensos de campanha eleitoral. Estive nas ruas, feiras, metrôs e calçadões panfletando e conversando com a população paulistana e de Osasco como não fazia desde que era sindicalista. Foi uma experiência muito legal.

Acredito que os textos que fiz no blog também contribuíram com o processo democrático das eleições. Tivemos milhares de acessos no período eleitoral. Todos os textos sobre eleições tiveram mais de mil acessos cada um entre os meses de agosto e outubro.

Elegemos Luna Zarattini com mais de 100 mil votos em São Paulo e os jovens do JuntOz com mais de 4 mil votos em Osasco: o PT volta à Câmara da cidade após oito anos sem representação. Fiz parte dessas lutas.

Avaliação das eleições - O texto mais significativo desse período eleitoral é o que fiz de avaliação em 31 de outubro. Falo sobre a questão de ser ou não ser de esquerda ou direita. As pessoas são práticas na hora do voto e não é isso que define o voto, na minha opinião: ler aqui.

-

Novembro e dezembro

Após as eleições municipais, fiz ainda alguns textos no blog. 

Dos cinco textos do período, o que mais apreciei na releitura foi o artigo político que fiz em novembro (ler aqui) para politizar o debate sobre o trabalho de representação política.

Aproveitei a experiência pessoal de ter sido representante político de milhares de trabalhadores do Brasil inteiro e argumentei sobre uma questão da época levantada por um importante youtuber influenciador criticando políticos por só "trabalharem" 3 dias da semana. Não é por aí.

Fiz um histórico sobre o que e como se dá a representação política numa democracia representativa, explicando que políticos não representam seus eleitores só quando estão no local sede do mandato que exercem.

---

COMENTÁRIO FINAL

Enfim, ao rever os 34 textos do ano no blog, posso dizer que eles atingiram seus objetivos centrais de politizar nossos leitores e leitoras, compartilhar conhecimentos e opiniões e contribuir de forma honesta e democrática para a boa política.

Os textos do blog contam um pouco da nossa história no ano que se encerrou. Foi um ano de muita luta, de conquistas e derrotas de nossa classe, mas acumulamos forças para seguir lutando para mudar o mundo.

William Mendes