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6.1.26

Memórias da CASSI (6)



"(...) Em 1944, a Direção do Banco do Brasil decidiu criar a Caixa de Assistência..." (Agradecimento, Relatório Anual 2008 da CASSI, p. 5)


Contar as memórias da CASSI é uma tarefa trabalhosa por diversos motivos. Um deles é porque a nossa Caixa de Assistência é uma associação de pessoas, no primeiro momento, de pessoas físicas, e com o passar do tempo, uma associação entre pessoas físicas e jurídica, o BB. E pessoas pensam diferente e falam de algum lugar, têm leituras de mundo, representam interesses. E tudo bem, a sociedade humana é assim. 

A autogestão em saúde CASSI fala de si através de seus documentos formais, mas não só, na minha leitura de associado e participante, e também de alguém que foi gestor formalmente como todas as pessoas que passaram pela gestão ao longo de seus 81 anos de existência, completados em 2025.

A CASSI fala de si através de sua história, de sua relação com seus associados, pessoas físicas que a criaram por assembleia em 27/01/1944 e pertenceram ou pertencem à instituição de assistência social, como citei no primeiro texto dessas memórias (Art. 1° do Estatuto de 1996/7). Fala de si através da história das pessoas que de alguma forma tiveram suas vidas marcadas pela CASSI. 

A CASSI fala de si através de nossas memórias, das memórias de cada participante de seu sistema de cuidados e apoio a pessoas da comunidade de funcionários e ex-funcionários do Banco e da CASSI, aposentados, pensionistas, participantes externos e todas as pessoas listadas no capítulo dos beneficiários da instituição em seus estatutos ao longo da história. 

Quando comecei a estudar a CASSI, por ter me tornado um de seus dirigentes em determinado instante de sua história, fui me encantando com essa instituição extraordinária da comunidade de funcionários do Banco do Brasil, sendo a CASSI, para mim, um dos maiores patrimônios da comunidade, junto com a Previ, nossa Caixa de Previdência. 

Por ser uma pessoa com formação política e sindical, formação oriunda das lutas por direitos da classe trabalhadora, fui me adaptando e compreendendo na representação dos associados como a informação e a história são definidoras da percepção que as pessoas têm de qualquer coisa na sociedade humana. Faltam noções básicas aos trabalhadores por estarem na luta pela sobrevivência. Faltava na comunidade BB noções básicas sobre as questões da CASSI.

E tive a certeza de que um de meus papéis como diretor eleito de saúde da nossa Caixa de Assistência era apresentar a CASSI aos seus grupos de interesse, principalmente ao Corpo Social que representava. Tendo sido eleito com apoio da ampla maioria das entidades sindicais e representativas do funcionalismo do BB, era meu papel dar informações e subsídios técnicos e políticos para os representantes dos trabalhadores.

Para finalizar o capítulo, uma afirmação como essa que citei na abertura do texto, constante de um documento da CASSI em determinado momento de sua história, avalio que poderia ter sido escrita de outra forma, porque a CASSI foi criada pelos funcionários do Banco e não por sua direção. Pelo contexto da frase, uma homenagem a um colega do passado, o texto até poderia ter dito que a direção do Banco apoiou a criação, mas não que criou a CASSI.

Enfim, só de reunir em minha mesa de trabalho uma quantidade enorme de relatórios anuais da CASSI, que imprimi e organizei para estudar à época que fui gestor, percebe-se quanta história existe nas memórias da CASSI.

Eu tenho as minhas memórias da CASSI. E sou uma das pessoas que teve a vida marcada pela CASSI como disse antes. Entendo que preciso registrar minhas memórias da CASSI também. 

Sigamos com as lembranças e histórias.

William Mendes 

5.1.26

Memórias da CASSI (5)



"Para 2014, os desafios são maiores. Além de aperfeiçoar ainda mais o gerenciamento das despesas, a CASSI deverá buscar alternativas que ajudem a minimizar o impacto pelo fim do recebimento, a partir deste ano, do volume de contribuições sobre o BET - Benefício Especial Temporário." (Mensagem da Diretoria, Relatório Anual 2013 da CASSI)


As memórias da CASSI registram muita história de nossa Caixa de Assistência ao longo das décadas de sua existência. Há que se ler e ouvir essas histórias e registros.

Para conhecer e compreender a instituição de assistência social - sem fins lucrativos - que a comunidade de funcionários do Banco do Brasil tem desde 1944 é necessário estudar sua história. Foi o que tentei fazer quando cheguei à gestão em junho de 2014.

Uma das brincadeiras mais comuns que faziam comigo nas conversas descontraídas de corredor era dizerem que eu havia ganhado um presente de grego: um déficit recorrente no Plano de Associados que não teria mais receitas extraordinárias para fecharem as contas da autogestão a partir daquele ano que me integrei à direção da CASSI.

Como aponta a Mensagem da Direção no Relatório Anual do ano anterior, uma das principais receitas extraordinárias do Plano de Associados de nossa Caixa de Assistência não se repetiria a partir do ano de 2014.

Antes de ser eleito para a direção da CASSI, eu era o coordenador das mesas de negociação de questões do funcionalismo do Banco do Brasil com o movimento sindical cutista, a Contraf-CUT, e por esse motivo conhecia relativamente bem todas as questões de direitos afetas aos funcionários do BB, inclusive as relativas à Caixa de Assistência.

Logo de cara, após os primeiros estudos que fiz nos relatórios anuais da CASSI, percebi que o Plano de Associados recebeu receitas novas e ou extraordinárias desde o exercício de 2007 e não só a partir do BET, conquista do funcionalismo de melhorias nos benefícios da PREVI, nossa Caixa de Previdência, após superávits, se não me falha a memória, melhorias usufruídas pelos beneficiários a partir de 2011, gerando recolhimentos à CASSI

Em poucas semanas de gestão e estudos, entendi o tamanho do desafio que teria pela frente, inclusive para construir o ponto de vista de um representante do Corpo Social que defendia os interesses dos associados e para isso teria que me contrapor às posições do patrocinador BB, pois já se ouvia o recado de que o banco não colocaria mais dinheiro na CASSI e que aquela conta deveria ser paga somente pelos associados, o funcionalismo do banco. 

É uma longa história, mas ela tem que ser contada, pois são memórias da CASSI. 

William Mendes 

4.1.26

Memórias da CASSI (4)



Primeiros dias de trabalho: desejo de conhecer e compreender

Através da leitura de minhas postagens no blog (diário), no mês de junho de 2014, com o país em clima de Copa do Mundo, já prestando contas de nossa atuação como diretor de saúde eleito pelo corpo social da CASSI, se vê claramente a intenção de exercer um mandato muito participativo e transparente.

Já nos primeiros dias (11/6/14), participei de reunião do Conselho de Usuários do DF, uma espécie de conselho de saúde com papel definido pela autogestão, não deliberativo e sim consultivo e voluntário, e muito importante, na minha opinião, para as estratégias que adoraríamos, ou seja, que teríamos de informar e formar lideranças locais para aproximar a CASSI do conjunto de participantes e usuários do sistema em todo o país de tamanho continental.

No primeiro mês de gestão da CASSI, participei do 25º Congresso Nacional dos Funcionários do BB, o principal fórum organizativo e deliberativo dos bancários do Banco do Brasil nas principais demandas relativas a saúde, previdência, remuneração, condições de trabalho e papel do banco público, que no caso de nossa autogestão, é patrocinador e indica a metade da direção da Caixa de Assistência.

Ou seja, além de ler dezenas de súmulas e notas nas reuniões ordinárias da Diretoria Executiva da CASSI, de estudar por conta própria diversos documentos e materiais relativos à história da nossa autogestão em saúde, eu também iniciei a minha tarefa de fazer a ponte entre a Caixa de Assistência e os associados e suas representações, e demais grupos de interesse. 

Segue abaixo um primeiro balanço que fiz após o nosso trabalho em junho de 2014.

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Dias longos de trabalho na Caixa de Assistência

Olá companheirada, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Estou nas primeiras semanas de trabalho em nosso mandato como Diretor de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB - Cassi.

Todo início de trabalho em uma entidade tão importante e tão complexa como a nossa Cassi requer muita disposição, desejo de conhecer e compreender as complexidades do funcionamento da Caixa de Assistência, e pensar propostas de solução para os problemas existentes, além de definir as melhores estratégias para implantar as propostas que os associados votaram conosco.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do BB é um dos maiores patrimônios do funcionalismo, foi uma conquista de décadas de lutas e solidariedade de classe e é uma entidade construída e mantida pelos trabalhadores desde janeiro de 1944.

Após estas primeiras semanas de estudos e percepções, já começo a pensar em conjunto com pessoas sérias e dedicadas que lá encontramos e que chegaram conosco, proposições para buscar a perenidade de nossa Caixa de Assistência, soluções para que o conjunto dos associados da ativa e aposentados possa sempre contar com a Cassi para manter e cuidar de sua saúde.

Desafios diversos e vamos achar soluções construídas com a participação social

Nós temos desafios internos, que passam por melhorias nos processos (e isto vem ocorrendo), temos desafios em construir consensos para implantar direitos novos para os associados, temos desafios de incluir mais participantes como, por exemplo, os mais de 10 mil bancári@s oriundos de bancos incorporados e que estão hoje sem o direito à Cassi, e temos desafios de proteger a Caixa de Assistência e demais planos de autogestão de medidas equivocadas da ANS que acabam por prejudicar planos de saúde que não visam lucro.

Um desafio gostoso de enfrentar é o de fortalecer a cultura do pertencimento dos associados à Caixa de Assistência. E, por fim, melhorar o nível de informações importantes para os participantes e suas entidades representativas. Para isso estamos já preparando o primeiro boletim dos eleitos.

A Caixa de Assistência tem que focar a Saúde das pessoas e não ser a maior no "mercado" nisso ou naquilo

Queremos fortalecer a Cassi naquilo que é a sua razão de ser, ou seja, focar na Atenção Integral à Saúde dos funcionários do BB da ativa, aposentados e familiares.

A cada novo conhecimento dos problemas da Caixa de Assistência, do contexto em que ela está inserida - uma autogestão em saúde d@s trabalhadores num mercado agressivo que lucra com a doença das pessoas - mais me convenço que o fortalecimento da entidade e sua perenidade no tempo passa por conseguir maior participação do corpo social no dia a dia da Cassi, bem como no fortalecimento das ações preventivas e de promoção de saúde e na construção de um maior espírito de pertencimento de seus participantes.

Muito trabalho a fazer e os associados merecem nossa dedicação

Nestas semanas iniciais encontramos muito pouco tempo para acessar redes sociais porque acabamos por passar longas horas na gestão da entidade, o dia todo, todos os dias, estejamos fisicamente na sede em Brasília ou em outra base.

Mas vamos buscar formas e ferramentas de comunicação para informar com mais eficácia nossos participantes e as entidades do funcionalismo sobre aquilo que estamos fazendo e dos desafios que temos.

Eleitos e associados visam melhorias de direitos em saúde e sustentabilidade da Caixa de Assistência

Uma coisa é certa: os eleitos pelo corpo social têm como objetivo defender medidas que aumentem direitos e que melhorem o atendimento, e que esses direitos dos associados sejam sempre usufruídos de forma racional e que atinjam os objetivos em saúde dos participantes, mantendo a sustentabilidade de nossa Caixa de Assistência.

É isso!

Abraços,

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento

27/06/14

3.1.26

Memórias da CASSI (3)



"A formação política e sindical é estratégica para a classe trabalhadora. É a partir da formação que podemos disputar corações e mentes na luta pela hegemonia da sociedade e de todas as suas estruturas. É preciso um grande esforço na Cassi e da Cassi em informar e formar as novas gerações de trabalhadores do Banco do Brasil para a compreensão de que a Cassi não é um plano de saúde como os que estão aí no mercado, que visam lucro. A Cassi não trata as pessoas como clientes, a Cassi não é o Bradesco Saúde nem a Unimed. A Cassi é dos trabalhadores, em gestão compartilhada com o nosso patrocinador Banco do Brasil, e cada associado deve viver e participar do cuidado da nossa Cassi. É necessário fortalecer os conselhos de usuários, é preciso que os sindicatos e demais entidades do funcionalismo estejam no dia a dia da Cassi, sendo um ponto de contato e de organização dos associados nos mais diversos pontos do país." (William Mendes, discurso de posse como diretor de saúde, em 02/06/14, em Brasília - DF)


Esse recorte da mensagem passada pelo diretor de saúde da CASSI aos participantes do evento do início de gestão de junho de 2014 a maio de 2018 está em sintonia com o primeiro artigo do Estatuto da CASSI, que citei no capítulo anterior dessas memórias. 

A autogestão em saúde CASSI é uma sociedade civil e pessoa jurídica de direito privado, é uma instituição de assistência social e sem fins lucrativos. Esse foi o desejo e o legado de nossos colegas do Banco do Brasil quando criaram a Caixa de Assistência em 1944.

Por isso a nossa autogestão não é o Bradesco Saúde nem a Unimed, por isso podemos dizer "nossa" quando falamos da CASSI. Por isso é necessário dar informação e formação para o conjunto dos grupos de interesse do sistema CASSI, os chamados stakeholders. 

É por ser Caixa de Assistência e não plano de saúde de mercado que a informação correta sobre direitos e deveres de cada associado e associada deve ser conhecida, sobre a melhor forma de se acessar o direito em saúde e de se resolver as demandas de cada participante. 

Foi com base na compreensão do que era a CASSI que definimos o planejamento estratégico para a Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento e seu diretor.

Caberia a mim essa relação direta com os diversos grupos de interesse em torno da CASSI, principalmente aqueles que representavam os associados e participantes do sistema de saúde da Caixa de Assistência. 

William Mendes 

2.1.26

Memórias da CASSI (2)



"A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI), sociedade civil e pessoa jurídica de direito privado, é uma instituição de assistência social, sem fins lucrativos, constituída em Assembleia Geral de 27 de janeiro de 1944, com sede e foro na cidade de Brasília (DF)." (Art. 1° do Estatuto de 1996/97)


Uma instituição de assistência social e sem fins lucrativos. Percebe-se que a CASSI dos funcionários do Banco do Brasil não é um "plano de saúde", como esses que hegemonizam o mercado de saúde brasileiro. 

Aliás, a CASSI não é plano como esses planos de saúde que definem o imaginário da classe trabalhadora brasileira. Ter um "convênio médico" privado seria um diferencial em relação às pessoas que só teriam algum acesso a atendimento de demandas de saúde através de um sistema público ou beneficente. 

O Brasil tem o SUS, Sistema Único de Saúde, algo inexistente na maioria dos países do mundo. Por não termos uma boa educação, as pessoas têm pouca noção geral das coisas. 

Mesmo aquelas pessoas que fazem pouco caso do SUS, são salvas por ele e depois ainda falam mal do sistema. Explico: quando ocorre um acidente de trânsito ou uma explosão residencial e há vítimas, quem salva a vida até dos "conveniados" da CASSI ou de um plano de saúde de mercado é o SAMU e um hospital público, do sistema SUS.

Em 2014, quando cheguei à gestão de nossa Caixa de Assistência, para somar com as demais pessoas que compunham nossa chapa eleita e nos unirmos às pessoas que já estavam na direção - parte indicada pelo patrocinador BB e parte já eleita pelo Corpo Social dois anos antes -, tratei logo de definir um método de trabalho: estudar muito e ouvir as pessoas, pessoas que pertencem a segmentos que poderíamos chamar "grupos de interesse" (stakeholders*).

* Indivíduos, grupos ou organizações que têm interesse, influência ou são afetados pelas ações e decisões de uma empresa ou projeto. (descrição comum na internet)

Logo nos primeiros meses como gestor da CASSI, responsável pela Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, organizamos um planejamento estratégico democrático, no qual ouvimos pessoas de diversas áreas da autogestão em saúde, inclusive de diversos Estados, e, a partir daquele momento, eu passei a fazer tudo que definimos como meu papel de diretor de saúde da CASSI. 

Evidente que um planejamento é um norte, uma direção, mas saber quais eram minhas tarefas e objetivos em 4 anos foi algo essencial para superar todas as dificuldades que se apresentariam naquela caminhada como, por exemplo, o déficit do custeio do Plano de Associados, algo que não era minha responsabilidade específica, mas que alterou toda a dinâmica de funcionamento da autogestão. 

A CASSI teria que ser apresentada aos seus associados - funcionários da ativa e aposentados e suas entidades representativas -, aos gestores do patrocinador BB - não só da direção geral, mas de todos os Estados e DF -, aos conselheiros dos conselhos de usuários - que fortalecemos durante o mandato -, e aos próprios trabalhadores da Caixa de Assistência. Essa seria uma de minhas funções como diretor eleito. 

Dar noções gerais sobre o que era a CASSI, seu modelo assistencial, como operava o mercado privado das redes credenciadas e por que a CASSI tinha desequilíbrios econômicos e financeiros e os principais motivos dos déficits eram, em linhas gerais, as minhas tarefas como gestor eleito da Caixa de Assistência na relação com os representados e os demais grupos de interesse. 

Foi isso que fiz ao longo de 4 anos. Ou tentei fazer. E, óbvio, defender os direitos em saúde dos associados da CASSI e gerir a área de saúde, e nessa questão conquistamos avanços importantes.

William Mendes 

1.1.26

Memórias da CASSI (1)



"Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI." (Cartilha do Estatuto da CASSI, junho de 1997)


Segue abaixo o Prefácio da cartilha da CASSI. É a própria instituição falando de si para nós, usuários e ou associados, num determinado instante de sua história - ou nossa, seus beneficiários -, aos 53 anos de idade, em 1997. 

As memórias de qualquer pessoa física ou jurídica são assim. Elas vêm de algum lugar, de determinado tempo e espaço, definidas sob as condições da época, e são determinadas sempre por quem as registra.

"Quem fala, fala de algum lugar". Essa foi uma das lições que aprendi com o pessoal da formação do Sindicato, logo nos primeiros anos de convívio como bancário sindicalizado e depois como militante político. 

Vamos começar as Memórias da CASSI.

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PREFÁCIO

CASSI ATRAVÉS DO TEMPO 

Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI. Durante 53 anos de existência, a Caixa fez reformas nos estatutos, sofreu transformações e ajustes para garantir sua missão. 

Na década de 40, os serviços de saúde dos bancários, até então realizados pelo Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários (IAPB), concentravam-se nas capitais. Insatisfeitos com a falta de atendimento no interior, um grupo de funcionários do BB funda, em 27 de janeiro de 1944, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Administrada pelos associados da ativa, nos primeiros anos, a principal função da entidade era ressarcir despesas médicas dos associados e seus dependentes. A CASSI tinha, então, 3,5 mil associados de um total de 7,2 mil funcionários do Banco. Em 1962, a Caixa cria regulamento próprio e admite a entrada de aposentados e pensionistas. 

A primeira grande transformação da CASSI ocorre em 1967 com a extinção de todos os Institutos de categorias profissionais pelo governo militar. Com isso, os hospitais e clínicas administrados pelos trabalhadores são transferidos para o sistema público. A mudança deteriora os serviços médico-hospitalares dos bancários, gerando uma corrida à assistência médica da CASSI pelos funcionários do Banco do Brasil. 

O crescimento da demanda de serviços de saúde resulta numa reestruturação da Caixa. Em 1970, a CASSI torna-se uma entidade mantenedora de assistência à saúde, substituindo o sistema de livre-escolha pelo regime de credenciamento/convênio. Os recursos até então destinados à CASSI não são suficientes para fazer face à nova demanda, sendo necessário aporte do Banco do Brasil. 

Três anos depois, a filiação à Caixa passa a ser obrigatória e registrada em contrato de trabalho dos funcionários do BB. A contribuição pessoal do associado é fixada em 1% de seus proventos gerais, enquanto o Banco contribui com o dobro, assumindo também a direção da entidade. 

Em 1990, a CASSI inicia um processo de modernização administrativa. Os associados passam a eleger um diretor executivo e as mulheres conseguem inscrever seus maridos ou companheiros como beneficiários do Plano de Associados. 

Em 1995, os sucessivos descasamentos entre receitas e despesas levam a CASSI a solicitar novamente aporte do BB. Mas dessa vez, tanto o Banco como os associados ajudam no rateio do déficit operacional, por um período de seis meses, até a definição de nova forma de custeio. 

A partir de 1996, tem início o processo de autonomia da CASSI em relação ao Banco do Brasil. A gestão torna-se compartilhada entre os dois patrocinadores - BB e Corpo Social. Instala-se o Conselho Deliberativo, com dois membros indicados pelo Banco e dois eleitos pelos associados, e cria-se a Diretoria Executiva, com dois de seus integrantes indicados pelo Banco e outros dois eleitos pelos associados. 

Para garantir equilíbrio econômico-financeiro da empresa, a contribuição dos associados aumenta de 1% para 3% e a do Banco sobe de 2% para 3%. Além desses 3%, o BB contribui temporariamente com mais 1,5%, para que a CASSI assuma suas despesas administrativas. As receitas geradas para a Caixa, pela prestação de serviços, serão utilizadas para redução desta contribuição adicional do Banco. 

No início de 1997, a Caixa estende a prestação dos serviços de saúde para os familiares dos funcionários e ex-funcionários do Banco, com a criação do Saúde Família. Com apenas dois meses de criação, o Plano já havia conquistado 52 mil participantes. 

Nesse mesmo período, a Caixa dá início ao processo de implantação do novo modelo de atenção integral à saúde. Essa nova forma de administrar saúde pretende dar destaque às ações da rede básica. Pela estratégia da CASSI, o usuário é atendido preferencialmente por profissionais generalistas (clínicos gerais, pediatras, ginecologistas/obstetras e cirurgiões gerais), que indicarão um especialista, quando necessário. 

A primeira ação do novo modelo foi a criação da Central de Atendimento e Orientação - Central CASSI 0800 78 0080 -, no início do ano. Seu objetivo é prestar informações e orientações sobre saúde 24h por dia, pelo telefone, servindo de elo entre os usuários, prestadores de serviços e as unidades estaduais. 

Brasília (DF), junho de 1997.

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CONHECER PARA COMPREENDER 

Ao chegar eleito à direção da CASSI e me sentar na cadeira do diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência, em 02/06/14, senti uma necessidade imensa de entender qual seria o meu papel naquela função e naquele tempo e lugar. 

Comecei pelo começo, por princípio e método, lendo o Estatuto da CASSI, que passaria a ser uma referência de trabalho a partir daquele dia. O estatuto em vigor não era este que cito aqui, era o de 2007.

Conhecer com atenção o Estatuto, e a partir dele, começar a estudar a história da CASSI e das lutas por direitos da comunidade de pessoas que criou a CASSI, os funcionários do Banco do Brasil, foi fundamental para exercer como exerci a representação dos associados como diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência. 

A partir daquele momento, eu definiria coletivamente o que faríamos nos próximos 4 anos.


Quando terminamos o trabalho, fazendo coletivamente as avaliações e registrando os objetivos alcançados, percebemos que fizemos o que foi possível naquele contexto, tempo e espaço. 

Tem muita memória e registro sobre essa parte da história da CASSI. Temos que sistematizar isso. 

Conhecer a história possibilita compreender melhor os processos e buscar soluções para impasses existentes nessa nossa caminhada humana. 

William Mendes 

31.12.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2025

 


Retrospectiva 2025

Na primeira postagem do ano, abordo o tema da sindicalização: compartilho com as leitoras e leitores minha história de filiação ao Sindicato e de militante ativo da sindicalização da categoria bancária ao longo de décadas. Avalio naquele momento que poderia ser tratado de forma mais respeitosa pelo nosso Sindicato.

Ainda em janeiro, publiquei dois artigos tratando da questão do não recolhimento e repasse por parte do Banco do Brasil das contribuições patronais e dos associados da Cassi entre os anos de 2010 e 2023 nas reclamatórias trabalhistas. A autogestão em saúde dos funcionários do BB se viu envolvida em um problema com origem nos acordos entre patrão, funcionários e ex-funcionários. A Cassi, de vítima no processo por não receber os valores estatutários devidos à época, passou a sofrer pressão por cobrar o que lhe era devido.

Em fevereiro, o tema tratado pelo blog foi a Previ, a Caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil, nosso fundo de pensão com 120 anos de existência. A Previ teve que lidar com interferências políticas externas por causa de acusações infundadas de “rombo” ou “prejuízo”, coisa sem pé nem cabeça. O TCU determinou auditoria em nossa Caixa de Previdência, que já é fiscalizada e auditada pela Previc e por diversas instâncias previstas na legislação brasileira e nos regulamentos internos do fundo.

No mês de março participei de algumas atividades políticas como, por exemplo, a prestação de contas do mandato de Luna Zarattini (virtual) e o Dia Internacional das Mulheres, na Paulista, e no ato contra anistia para golpistas em 30/03, quando os manifestantes caminharam até a sede do antigo DOI-Codi, centro de torturas da ditadura brasileira. Estive também com o JuntOz na Câmara Municipal de Osasco.

Fiz mais um artigo sobre a Cassi, a respeito do projeto de terceirização das CliniCassi, o “Bem Cassi”. Decidi não mais opinar sobre a nossa Caixa de Assistência na forma de artigos de reflexão. Sobre a Cassi, a partir de agora, só sobre o passado, minha experiência como gestor eleito e a história da autogestão. Não falo mais do presente, nem do futuro.

Publiquei no blog alguns textos de apresentação dos cadernos do blog com a retrospectiva de determinados anos: 2022, 2023, 2020, 2021, 2006 e 2007. Não estão em ordem cronológica porque estou no processo de sistematização do blog inteiro e ainda faltam alguns anos. Nos meses seguintes, terminei os cadernos de outros anos.

Em abril, tivemos mais um capítulo do ataque político que a Previ vinha sofrendo, desta vez, o TCU visitou a direção da Previ, pediu mais de dois mil documentos e no relatório abordou algo que não foi pedido aos gestores... Lembrando que o órgão responsável por fundos de previdência fechada é a Previc.

Fiz um artigo me solidarizando com vítimas de lawfare e cancelamentos: a vítima da vez foi o professor da USP, Alysson Mascaro. Eu enfrentei processo de perseguição com falsas acusações e sei o quanto a vítima sofre com esses linchamentos de sua honra e história. Toda a nossa solidariedade ao professor Mascaro. Ele foi demitido da USP no final de 2025.

No mês dedicado à classe trabalhadora, maio, fiz uma postagem de retrospectiva relembrando os meus “1º de maio” entre 2009 e 2025, período no qual tenho registros nas páginas de meus blogs. Foi bem interessante a viagem na história.

Ainda em maio completei a sistematização de mais dois cadernos do blog, dos anos de 2009 e 2010.

No domingo, 25 de maio, faleceu o nosso querido companheiro Marcos Martins, do Partido dos Trabalhadores e funcionário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Fui ao velório no dia seguinte, prestar minhas homenagens a ele, uma referência de vida na política.

Nos meses de junho e julho, fiz apenas 3 postagens da série “Diário e reflexões”. Nelas, falo um pouco de política e o foco principal é a busca de unidade na esquerda para enfrentar o que vem por aí por parte do capital e da extrema-direita. Destaco em meus textos Lula, Luna Zarattini e o JuntOz, políticos do PT para quem fiz campanha e que são referência para mim no país, em São Paulo e em Osasco.

Em agosto foram 3 postagens com conteúdo denso. Transcrevi para o blog artigo publicado em um livro internacional sobre A autorreforma sindical e a história dos bancários da CUT Brasil (2010-11). Fiz também dois textos interessantes falando sobre o caderno de 2011 do blog e outro sobre minha participação na militância do local onde nasci, o Rio Pequeno, no Butantã.

Setembro: fiz um artigo reflexivo sobre um momento marcante em minha vida, o dia no qual virei bancário do Banco do Brasil. É a reflexão “Identidade”. E postei o texto bem-humorado que circulou pela internet e explicou a crise do subprime, com o exemplo das contas derivativas do boteco do “Seu Biu”.

No mês de outubro, participei de diversas atividades e mobilizações. Estive no ato em defesa da FFLCH-USP, sob ataque dos fascistas da extrema-direita paulista. Depois, estive em um dia de luta dos funcionários do BB. Também estive na reunião mensal da Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno, e fui ao ato na Câmara Municipal de Osasco, convocado pelo JuntOz, sobre a luta pelo fim da escala 6x1.

Fiz ainda um texto comentando a mudança na direção em nossa Caixa de Previdência, a Previ. João Fukunaga assumiu outras tarefas, saindo da presidência, e assumiu em seu lugar, indicado pelo BB, Márcio Chiumento. O banco indicou Adriana Chagastelles para a Diretoria de Participações. Ela é a primeira mulher indicada para a direção da Previ.

Em novembro, segui encontrando muitos amigos e companheiros de longas jornadas de lutas. Minha rotina foi alterada desde o mês anterior, quando passei a presentear pessoas queridas com o meu livro “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. Aos poucos, fui encontrando pessoas em cafés, almoços, bate-papos e reuniões políticas e revendo conhecidos dos tempos de militância sindical.

No mês de dezembro, fiz uma série de pequenas postagens comentando a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS, lançado em 2016. À época, eu era gestor eleito da CASSI e me interessei pelas estratégias de verticalização da estrutura assistencial da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul. A releitura me deu a certeza que a CASSEMS acertou em investir em modelo próprio e depender menos do mercado capitalista da saúde.

Participei de mais alguns fóruns coletivos de política para fechar o ano de 2025. Concluí que preciso mudar alguma coisa em relação à contribuição que posso dar à sociedade humana. Não vejo mais sentido em fazer volume em atos e eventos neste momento de minha vida, com a saúde e a energia menores que antes.

Vou avaliar de que forma poderia contribuir ainda com algo que possa ser raro ou novo nas rodas de cultura e conhecimento do movimento de lutas da classe trabalhadora.


Meu livro Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT, uma coletânea de textos escritos no blog durante a pandemia mundial de Covid-19, foi distribuído para umas oitenta pessoas. Fiz uma edição pequena e algumas unidades ainda vieram com a impressão incorreta.

O blog A Categoria Bancária serviu por mais um ano para escrever o que sei e o que penso sobre alguns assuntos. Se considerar que é uma página de textos, forma menos usual na atualidade, poderia considerar os 200 mil acessos ao longo do ano algo que me faz continuar tendo o cuidado de escrever com honestidade e responsabilidade.

Vamos ver o que faço em 2026 com o blog, um instrumento de InFormação e História de nossa categoria bancária e da luta de classes.

William Mendes

Previ supera expectativas em 2025


Comentário do blog:

Amigas e amigos leitores, ao longo do ano de 2025 vimos as dificuldades e desafios que se apresentaram para a nossa Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Tivemos alguns eventos desagradáveis no campo da política, quando a Previ foi vítima de calúnias e ataques externos por parte de setores da direita brasileira. Foram momentos desafiadores.

Fechando o ano, as associadas e associados do maior fundo de pensão da América Latina, nossa Previ, comprovam aquilo que sempre soubemos: que nossa Caixa de Previdência é muito bem gerida e tem um dos estatutos mais avançados do segmento de fundos de pensão.

A Previ tem um diferencial que poucas empresas do mesmo segmento têm no mundo: um modelo de gestão compartilhada entre o patrocinador e os associados, que elegem a metade da direção. 

Felizmente, os maiores e melhores resultados da história da Previ sempre tiveram dirigentes oriundos do movimento sindical à frente, eleitos e ou indicados pelo patrocinador.

Segue abaixo, uma matéria de nossos representantes eleitos pelo corpo social, em sua página na internet.

Desejo que as associadas e associados continuem sendo sábios na hora de votarem naquelas e naqueles que realmente defendem seus direitos sociais como suas caixas de previdência e saúde.

William Mendes

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Comemorando um 2025 vitorioso, eleitos da Previ desejam um Feliz 2026, com novas conquistas para todos os associados e associadas

29 DE DEZEMBRO DE 2025

Chegamos ao final de mais um ano, de muito trabalho e perseverança. Mesmo em uma conjuntura mundial de turbulências políticas e econômicas, as associadas e os associados da Previ têm muitos motivos para comemorar e entrar no Ano Novo com segurança, tranquilidade e otimismo.

O Plano 1 fechou novembro de 2025 com grande rentabilidade (14,75% frente ao atuarial de 8,19%) e um superávit acumulado de quase R$ 10 bilhões. No Previ Futuro, todos os perfis de investimentos apresentaram desempenho superior ao CDI e a todos os planos equivalentes do sistema de previdência complementar.

Em 2025, os associados da Previ tiveram ainda outras conquistas importantes graças à atuação dos diretores e conselheiros eleitos, em parceria com as entidades representativas do funcionalismo do Banco do Brasil.

Uma delas foi a entrada em vigor da nova Tabela PIP, que permitiu o aumento da poupança de mais de 60 mil associados do Previ Futuro, com a contrapartida do Banco do Brasil. Na reforma tributária, conseguimos a isenção dos fundos de pensão da tributação de IBS e CBS.

Foram vitórias que na prática aumentam os benefícios dos associados e associadas e fortalecem tanto a Previ como todo o sistema de previdência complementar.

As perspectivas para 2026 são positivas para a comunidade Previ, apesar da conjuntura mundial continuar desafiadora e de eventuais turbulências em um ano de disputas eleitorais que devem mais uma vez serem acirradas no Brasil. O Plano 1 está bem protegido das volatilidades por uma carteira de renda fixa sólida em títulos públicos. O Previ Futuro está investido em ótimos papéis nas rendas fixa e variável para seguir capturando excelentes ganhos de rentabilidade.

A segurança e o equilíbrio de longo prazo da Previ são o resultado de um modelo de governança em que os associados têm o poder de decisão e fiscalização, e de uma política de investimentos sólida e competente, porque é definida e acompanhada pelos próprios participantes.

Com a certeza de que juntos seremos capazes de manter a Previ no rumo certo, cumprindo a missão de garantir a solidariedade e uma aposentadoria digna aos trabalhadores do Banco do Brasil, os diretores e conselheiros eleitos desejam um Feliz Ano Novo a todos os associados e associadas, os verdadeiros donos da Previ.

Fonte: Associados Previ

29.12.25

Diário e reflexões - Retrospectiva e perspectivas


Numa noite quente... refletindo 


Retrospectiva e perspectivas

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025.


Estou sistematizando as publicações do ano neste blog sindical e político. Será mais um caderno do blog A Categoria Bancária

Ando refletindo sobre o meu papel neste momento da história, refletindo sobre qual contribuição minha teria alguma utilidade coletiva.

Já concluí faz tempo que meu papel de fazer volume em eventos populares não tem mais sentido para que eu continue exaurindo o restante de minha energia vital como se eu estivesse no início da vida militante. Estou cansado, meu corpo está indo.

Outro dia, perto de 22h, andava pelas ruas desertas do Rio Pequeno, ruas com calçadas e cantos repletos de seres humanos despossuídos de tudo, vítimas da sociedade capitalista, e me peguei pensando se estava correto em estar naquele contexto sendo quem sou neste momento de minha existência. 

Estava no mesmo lugar de 4 décadas antes, andando pelas ruas do bairro onde nasci e exposto aos riscos inerentes da violência urbana, por ter participado de uma roda de conversa com umas poucas pessoas de luta. O ato em si é elogioso, mas será que é o melhor que posso fazer para ser útil às causas da classe trabalhadora?

Acho que não. Essa coisa de fazer volume sem contribuir com algo significativo já deu. Não posso continuar assim em 2026.

O William que fui para o movimento sindical bancário, principalmente do segmento dos trabalhadores do Banco do Brasil, tem alguns conhecimentos adquiridos na vivência das lutas sindicais que não servem pra nada fazendo volume numa atividade de rua ou numa reunião de movimentos setoriais nos quais pouco ou nada agrego, além de somar com os abnegados daquele grupo.

Se o acaso me mata numa condição como aquela que citei acima, aos 56 anos hoje, no mesmo local de décadas atrás, quando me expunha ao risco por ser mais um trabalhador que tinha que se expor sobrevivendo diariamente aos subempregos e à miséria, avalio que meu desaparecimento da vida teria sido algo sem sentido, uma morte fútil, desnecessária. 

Vou fazer outra coisa no próximo ano, se tiver condições para isso.

Talvez a coisa mais correta e útil, enquanto puder, seja escrever e compartilhar conhecimento, sempre de forma gratuita. 

William 

(10h09)


22.12.25

Hospital CASSEMS Campo Grande



"Atentos, ao longo dos anos, interiorizamos o atendimento e investimos cada vez mais em programas de promoção à saúde. Temos hoje 76 unidades de atendimento, 24 centros odontológicos, 8 centros médicos, 4 centros de prevenção, 6 centros de diagnósticos e 9 hospitais: Aquidauana, Paranaíba, Três Lagoas, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã, Coxim e, agora, o Hospital Cassems de Campo Grande..." (Ricardo Ayache, 06/10/16, em seu discurso de inauguração do Hospital, p. 167)


Estive na cerimônia de inauguração do Hospital Cassems de Campo Grande, e pude testemunhar o momento de realização de mais um sonho da direção da CASSEMS e dos servidores de Mato Grosso do Sul. 

Ayache informou em seu discurso que o investimento foi de R$ 84 milhões para construir e equipar o hospital, sendo R$ 45 milhões de recursos próprios e R$ 39 milhões provenientes do FCO/BB. O equipamento foi construído em dois anos. 

Como gestor da CASSI à época, me lembro que nossa autogestão pagava só a uma grande rede credenciada mais de R$ 400 milhões por ano.

Eu vinha estudando a questão da verticalização em sistemas de saúde, sejam eles públicos ou privados, e sendo absolutamente contrário à terceirização, tinha certeza do acerto da CASSEMS em sua decisão de investir em estrutura própria de saúde. 

Finalizei a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS (2016). Foi uma volta ao tempo no qual estudei muito gestão e modelos de sistemas de saúde. Ano que vem, a autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul completará 25 anos. Estão de parabéns!

Faz alguns meses decidi não falar mais da atualidade da gestão da CASSI. Apesar de conhecer alguma coisa a respeito, por não ter sido demandado a opinar nos últimos anos, vou falar somente do passado e da história de nossa autogestão em saúde, se for para falar alguma coisa.

Tenho certeza no acerto da aposta na solidariedade em caixas de assistência e previdência. Cooperativismo e associativismo são as melhores decisões para o alcance de direitos por parte da classe trabalhadora. 

Desejo sucesso à CASSEMS, à CASSI e às demais autogestões em saúde. 

E, claro, desejo sucesso e ampliação ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS), a maior conquista social do povo brasileiro. Temos que retomar as estruturas terceirizadas do SUS.

William Mendes 

22/12/25


Post Scriptum: estou às voltas com a sistematização e encadernação de meus blogs. Esse processo já gerou um livro de memórias sindicais e agora um de poesia, em produção. Acho ruim a CASSI não ter seu livro de história. Se tiver ânimo, vou escrever a história da CASSI, que conheci durante meus estudos de gestor da autogestão. 


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.