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22.12.25

Hospital CASSEMS Campo Grande



"Atentos, ao longo dos anos, interiorizamos o atendimento e investimos cada vez mais em programas de promoção à saúde. Temos hoje 76 unidades de atendimento, 24 centros odontológicos, 8 centros médicos, 4 centros de prevenção, 6 centros de diagnósticos e 9 hospitais: Aquidauana, Paranaíba, Três Lagoas, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã, Coxim e, agora, o Hospital Cassems de Campo Grande..." (Ricardo Ayache, 06/10/16, em seu discurso de inauguração do Hospital, p. 167)


Estive na cerimônia de inauguração do Hospital Cassems de Campo Grande, e pude testemunhar o momento de realização de mais um sonho da direção da CASSEMS e dos servidores de Mato Grosso do Sul. 

Ayache informou em seu discurso que o investimento foi de R$ 84 milhões para construir e equipar o hospital, sendo R$ 45 milhões de recursos próprios e R$ 39 milhões provenientes do FCO/BB. O equipamento foi construído em dois anos. 

Como gestor da CASSI à época, me lembro que nossa autogestão pagava só a uma grande rede credenciada mais de R$ 400 milhões por ano.

Eu vinha estudando a questão da verticalização em sistemas de saúde, sejam eles públicos ou privados, e sendo absolutamente contrário à terceirização, tinha certeza do acerto da CASSEMS em sua decisão de investir em estrutura própria de saúde. 

Finalizei a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS (2016). Foi uma volta ao tempo no qual estudei muito gestão e modelos de sistemas de saúde. Ano que vem, a autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul completará 25 anos. Estão de parabéns!

Faz alguns meses decidi não falar mais da atualidade da gestão da CASSI. Apesar de conhecer alguma coisa a respeito, por não ter sido demandado a opinar nos últimos anos, vou falar somente do passado e da história de nossa autogestão em saúde, se for para falar alguma coisa.

Tenho certeza no acerto da aposta na solidariedade em caixas de assistência e previdência. Cooperativismo e associativismo são as melhores decisões para o alcance de direitos por parte da classe trabalhadora. 

Desejo sucesso à CASSEMS, à CASSI e às demais autogestões em saúde. 

E, claro, desejo sucesso e ampliação ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS), a maior conquista social do povo brasileiro. Temos que retomar as estruturas terceirizadas do SUS.

William Mendes 

22/12/25


Post Scriptum: estou às voltas com a sistematização e encadernação de meus blogs. Esse processo já gerou um livro de memórias sindicais e agora um de poesia, em produção. Acho ruim a CASSI não ter seu livro de história. Se tiver ânimo, vou escrever a história da CASSI, que conheci durante meus estudos de gestor da autogestão. 


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSEMS: consensos no custeio e programas de saúde



Após definição de novo custeio, a prevenção virou foco na CASSEMS

"A prevenção é o grande caminho da humanidade. O envelhecimento populacional é uma realidade e uma conquista de todos. Cuidar da saúde antes que a doença apareça é prioridade. A prevenção proporciona equilíbrio para o sistema de saúde e melhor qualidade de vida para as pessoas..." (p. 123)


A reflexão acima foi dita pelo novo presidente da CASSEMS, Ricardo Ayache, em 2010. Uma década depois de criada, a autogestão passaria a focar muito mais em prevenção. Decisão muito acertada.

A CASSEMS tem programas de saúde muito interessantes e equipamentos que poderiam ser implantados por autogestões como a CASSI.

Os ônibus da saúde (p. 128), por exemplo, são excelentes alternativas para cobertura de exames e pequenos procedimentos em regiões desassistidas de estruturas de saúde. Algo muito comum nos interiores. É prevenção na veia!!!

A CASSEMS tem atendimento odontológico em seu sistema, algo que deveria ter na CASSI. 

Em 2010, o Banco do Brasil não cumpriu a questão do plano odontológico como havíamos negociado, um direito dentro da CASSI para os associados. Ao implementar o modelo para funcionários da ativa, excluiu o conjunto dos aposentados e pensionistas. 

O programa CASSEMS ITINERANTE é uma estratégia inteligente e lida com a carência de médicos e redes nas regiões assistidas. 

"Preocupada com essa situação, a direção da CASSEMS organizou equipes formadas por médicos especialistas em procedimentos mais complexos, de várias áreas, para atender a população dos municípios mais carentes de recursos médicos, nos fins de semana. As equipes são formadas com base nas demandas de cada município. Em 2014, por meio do programa, somaram-se 5.200 atendimentos nos seis municípios selecionados para receber esse trabalho." (p. 132)

Enfim, ao ver a história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, criada em 2001 tendo como referência a CASSI dos funcionários do Banco do Brasil (criada em 1944), vejo hoje que se poderia estudar muitas experiências exitosas da CASSEMS. 

William Mendes 

22/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

14.12.25

CASSEMS construindo a rede hospitalar



HISTÓRIA

"Em 2004, a Cassems iniciou a fase de compra, locação ou comodato de hospitais em cidades consideradas estratégicas, uma alternativa importante porque diminui os deslocamentos dos beneficiários para outros centros e aproxima-os da Caixa. A isso se soma, claro, a redução dos custos gerais da empresa. Concretamente, o usuário é atendido em uma estrutura dele, paga mensalmente com sua contribuição descontada em folha de pagamento. Outro fator é a independência técnica e financeira que a empresa ganha, uma vez que suaviza a dependência em relação à rede credenciada que, como qualquer empresa capitalista, se move na busca do lucro máximo." (p. 102)


O capítulo 9 foi central em meus estudos em 2017 sobre verticalização ou não de autogestões em saúde.

Visitei a CASSEMS mais de uma vez, à época, e entendi ser muito acertada a decisão da direção e dos associados, os servidores do Estado, em investir em estruturas próprias de saúde. 

Os problemas que a CASSEMS enfrentava com a rede credenciada capitalista eram os mesmos que a CASSI e seus participantes enfrentavam. 

Segue abaixo a anotação que fiz no capítulo em 2017:

"A construção/aquisição de diversos hospitais foi fundamental para a melhoria do atendimento da população associada à Cassems. Locais com cerca de 8 mil pessoas foram contemplados com hospital próprio. Não deu certo fazer gestão hospitalar com outro sócio (Unimed). Onde monopólio hospitalar prejudicava o associado Cassems, o problema foi resolvido com hospital próprio. É tudo que acontece com a Cassi nos Estados!" (pag. 113)

A CASSI, à época (2017), tinha uma estrutura própria de CliniCassi nos Estados, para Atenção Primária e Estratégia de Saúde da Família (ESF). Os imóveis eram próprios ou alugados. 

Entretanto, mais de 90% de seus recursos iam para a rede credenciada do mercado, todo dinheiro que entrava, saía no uso assistencial terceirizado. É um verdadeiro saco sem fundo, na minha opinião. 

E... mesmo gastando todo recurso na rede privada, a CASSI não tem quem atenda seus associados nos interiores... A CASSEMS resolveu isso!

"O fechamento dessas instituições criou um novo desafio para a direção da Cassems: quem atenderia seus beneficiários? Como forma de resolver essa situação, a Caixa adquiriu alguns hospitais que estavam fechados ou próximos de fechar. Dotar as unidades regionais de pelo menos um hospital da Cassems passou a ser meta da empresa a ser atingida até 2018." (p. 103)

Enfim, a autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul tinha em 2016 hospitais em Dourados, Nova Andradina, Ponta Porã, Aquidauana, Paranaíba, Naviraí, Três Lagoas, Coxim, Corumbá e um excelente centro médico de alta tecnologia em Campo Grande - estive na inauguração.

Na minha opinião, a autogestão dos funcionários do Banco do Brasil e seus associados poderiam refletir e avaliar o exemplo da CASSEMS, criada em 2001 tendo a CASSI como referência.

William Mendes 

14/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

13.12.25

CASSEMS: modelo de estrutura assistencial gerou debates

 


HISTÓRIA

Investir ou não em hospitais e estruturas próprias de assistência à saúde?


"Outro debate, em 2004, objetivava criar uma rede de hospitais própria. Não era consenso, mas o grupo liderado por Davi possuía a hegemonia da proposta. Os que eram favoráveis a ela argumentavam que outros planos de saúde tinham hospitais que possibilitavam baratear os custos de trabalho com saúde; quem era contra alegava que o investimento que as obras demandariam poderia comprometer financeiramente a entidade. Mas a paralisação dos ortopedistas e traumatologistas de Dourados teve um peso importante para que a direção da Cassems aprovasse, nesse mesmo ano, a proposta de compra do hospital Mater Dei, o único que atendia os conveniados à Cassems em Dourados, e estava próximo de fechar suas portas." (p. 76)


Ao estudar a história da CASSEMS em 2017, sendo gestor eleito da CASSI à época, me chamou atenção essa questão da definição do modelo de estrutura assistencial, se seria própria ou toda terceirizada, ou seja, comprando no mercado capitalista os procedimentos e materiais de saúde. 

O livro nos conta, no capítulo 7, a falta de consenso sobre o tema da verticalização na CASSEMS em seus primeiros anos de existência. 

No capítulo seguinte, vimos que a divergência de modelo de gestão de saúde foi um dos motivos por haver duas chapas nas eleições da direção em 2007. Venceu o grupo que defendia investimentos em estruturas próprias de saúde para atender seus beneficiários. 

"Entre 2008 e 2010, a nova diretoria atuou fortemente na consolidação da rede de hospitais e incrementou sua relação com os beneficiários..." (p. 89)


Eu tenho simpatia pela questão da verticalização nos sistemas de saúde da classe trabalhadora - como as autogestões -, e no sistema público, o nosso SUS. 

Óbvio que a questão merece estudos, mas conhecendo o papel do mercado capitalista na área de saúde, sei que a saúde das pessoas não é o objetivo dos médicos capitalistas. A doença dá lucro, leito ocupado e procedimentos dão lucro. 

Prevenção e gente sadia não gera lucro para a "indústria" da saúde, e consequentemente para os donos do "negócio", médicos capitalistas. 

Enfim, a CASSEMS, me parece, segue sendo uma Caixa de Assistência de sucesso em seus quase 25 anos de existência. Entendo que a direção e os servidores têm feito boas escolhas. 

William Mendes 

13/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

12.12.25

CASSEMS enfrenta questão dos custos médicos



HISTÓRIA

Custeio do plano de saúde dos servidores e o custo dos serviços pela Tabela CBHPM


"Na sequência, a palavra foi facultada ao diretor Ricardo Ayache para explicar os impactos da nova tabela dos médicos nas contas da empresa. Ayache informou que a Cassems possuía 1.314 credenciados e vivia um momento de dificuldades em função da ameaça da imposição da CBHPM, que contém preço de todas as atividades médicas do Brasil. Falou que, caso fosse aprovada a tabela, uma cesariana, que custava R$ 179,00, passaria para R$ 384,00." (p. 77)


A leitura do capítulo 7 do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS é muito esclarecedora para pessoas interessadas nas questões da CASSI, autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil. 

A CASSEMS havia sido criada há 3 anos e em 2004 enfrentava desafios muito comuns ao dia a dia da CASSI: falta de credenciados nos interiores, custeio do plano e preço dos serviços médicos do mercado de saúde privado e capitalista. 

Naquela época, a CASSI havia terminado seus estudos internos, iniciados após a reforma estatutária de 1996, sobre o melhor modelo de Atenção Primária (APS) e havia lançado a Estratégia de Saúde da Família (ESF), em 2003, com objetivo de abranger com cuidados preventivos e monitoramento de crônicos o conjunto dos assistidos do Plano de Associados (mais de 400 mil vidas) e mais os crônicos do Cassi Família. 

A direção da CASSEMS precisou vencer longos debates com sindicatos e servidores para equalizar o novo custeio da Caixa de Assistência e fortaleceu no processo a decisão de adquirir rede própria de hospitais inclusive para enfrentar a questão do mercado médico quase cartelizado no país (opinião minha).

Capítulo excepcional da história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul e das autogestões em saúde lidando com um mercado cuja saúde é negócio para enriquecer uma classe de profissionais de determinada área do conhecimento humano. 

William Mendes 

12/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

11.12.25

CASSEMS e a verticalização de sua estrutura assistencial



HISTÓRIA

Quando era gestor eleito da CASSI, autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil, me interessei pela história de sucesso da CASSEMS, criada em 2001 tendo como referência a nossa Caixa de Assistência. 

Um dos temas de meu interesse era a questão da estrutura própria de saúde e administração da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, questão conhecida como verticalização. 

"Como havia críticas pelo fato de a entidade continuar usando alguns imóveis do governo do estado e como a direção da entidade almejava construir sede própria para as unidades regionais, decidiu-se, em 2002, adquirir um imóvel na área central de Campo Grande, no bairro São Francisco, onde passou a funcionar a sua unidade regional. Logo em seguida, adquiriu um amplo terreno próximo ao Parque das Nações Indígenas, onde funciona a sua sede atualmente." (p. 67)


Uma questão chama a atenção: os gestores comentam no livro a importância que o investimento em estruturas próprias teve em relação aos fundos garantidores, exigências frequentes no setor.

"A compra desses imóveis foi possível, inicialmente, porque todas as operadoras de plano de saúde são obrigadas a manter um fundo de reserva, ou seja, um montante em numerário ou imobilizado para garantir, em caso de dificuldade financeira, o andamento e a solidez do negócio. Corretamente, a direção da Cassems percebeu oportunidade na aquisição desses imóveis. Nessa fase, começaram os investimentos, era um indicativo forte de que a entidade estava no caminho certo." (idem)


Na minha opinião, essa experiência da CASSEMS poderia ser estudada por outras autogestões, dentro do modelo de associativismo e cooperativismo, setor que sofre muito pela concorrência desproporcional com o mercado capitalista de saúde. 

William Mendes 

11/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

Desafios iniciais da CASSEMS



HISTÓRIA

IMPASSE COM APOSENTADOS E PENSIONISTAS

"Só que o início da Cassems não foi povoado só de notícias boas. Aposentados e pensionistas foram à justiça para não pagar a contribuição de 3% de seus salários, alegavam que a contribuição era injusta e ilegal porque eles eram isentos dela, no tempo do Previsul..." (p. 61)


A história da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul é uma referência importante quando se estuda modelos de autogestão em saúde, uma forma de associativismo e cooperativismo. 

O capítulo 5 do livro comemorativo da CASSEMS nos conta um pouco das dificuldades que os trabalhadores enfrentaram e venceram ao não optarem por planos de mercado para a questão da saúde suplementar.

Ao mudarem do antigo modelo Previsul (falido) para a autogestão, cerca de 12 mil aposentados e pensionistas discordaram do modelo solidário de todos contribuírem com 3% dos benefícios e o Estado com 3%. 

As lideranças sindicais foram fundamentais no processo de superação dessa questão. As entidades políticas trabalharam muito a questão do pertencimento. 

A CASSEMS É UM INSTRUMENTO DO SERVIDOR 

"(...) os líderes sindicais dos servidores, que haviam desempenhado papel decisivo na criação da Cassems, meses antes, passaram a atuar com muita determinação no trabalho de conscientização dos usuários contra qualquer tipo de anomalia envolvendo a Caixa de Assistência." (p. 62)


Em 2014, quando cheguei eleito com apoio dos sindicatos à direção da CASSI, dos funcionários do Banco do Brasil, precisamos definir estratégias de defesa da Caixa de Assistência e fizemos um trabalho intenso de pertencimento para que os associados não caíssem na lábia da direção do patrocinador (banco) e aceitassem a tese da quebra da solidariedade no modelo de custeio do Plano de Associados. 

Deu certo naquele momento da história da CASSI. Até 2018 o custeio foi mantido como era desde 1996.

Enfim, depois vieram novos desafios aos participantes do plano e às entidades sindicais. A luta de classes continua.

William Mendes 

11/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

10.12.25

Fundação da CASSEMS



HISTÓRIA

A CASSI foi a referência para a criação da CASSEMS em 2001. O PT e os sindicalistas foram importantes na criação da autogestão. 


"Quando as lideranças perceberam que haviam perdido o debate sobre a reforma administrativa, procuraram o governo e propuseram que a previdência e a assistência à saúde ficassem com elas. O governo Zeca se dispôs a fazer o debate, o governador conhecia a experiência da Caixa de Assistência do Banco do Brasil, sabia perfeitamente que os trabalhadores têm competência para gerir suas entidades de defesa mútua e outros organismos." (p. 49)


Duas figuras do PT foram centrais na criação da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, pelo que leio no livro da CASSEMS: Zeca do PT e Gleisi Hoffmann, que à época era secretária de Estado de Reestruturação e Ajuste (p. 50).

O capítulo é fundamental para compreender as polêmicas e contradições da época: as categorias de servidores de maiores salários não queriam a criação da autogestão por uma questão egoísta (opinião minha), porque achavam cara a contribuição de 3% (a proposta era 3% para o Estado e 3% para o servidor, pág. 51).

Esse grupo da elite preferiu planos de mercado, cerca de 5 mil beneficiários (p. 52).

As grandes categorias de servidores seguiram as lideranças sindicais e criaram a CASSEMS em assembleia no dia 16/02/01 (p. 55)

Por causa dos sindicalistas e da esquerda, temos hoje uma das maiores autogestões em saúde do país, a CASSEMS.

William Mendes 

10/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

9.12.25

CASSEMS: uma assistência à saúde como a CASSI do BB



HISTÓRIA

"(...) houve uma CPI que constatou que o Previsul estava falido e não prestava para atender à saúde nem à previdência. Quis o destino ou a sorte que eu virasse governador do estado, e quando assumi o mandato, encontrei um modelo de gestão falido, por isso resolvemos fazer uma reforma administrativa, neste momento, cumpriu um papel importante a Gleisi Hoffmann (...). Certo dia, ela falou que tínhamos de separar a previdência da assistência à saúde, e propôs para a assistência à saúde um modelo parecido com o da Cassi, do Banco do Brasil, que eu conhecia. Eu achei interessante a ideia, pedi que aprofundasse os estudos, o que culminou com a Cassems..." (p. 32)


Essa história é interessante. Zeca do PT assumiu o governo do estado de Mato Grosso do Sul em 1999 e como funcionário do Banco do Brasil conhecia nossa autogestão em saúde, a CASSI. 

Nós havíamos optado por um modelo de gestão fora do RH do Banco, na reforma estatutária de 1996. 

E a CASSI passaria a fazer a gestão da saúde de seus associados através de um modelo de Atenção Integral à Saúde, focado em prevenção e promoção de saúde e Atenção Primária.

Os servidores públicos de Mato Grosso do Sul optaram, em sua maioria, em seguir esse modelo. Uma parte deles optou por planos de saúde de mercado.

A CASSEMS vai completar 25 anos em 2026 e segue sendo uma das melhores autogestões do país. 

Decisão acertada de nossos colegas petistas no final dos anos noventa. Venceu a solidariedade, o associativismo e o cooperativismo. 

William Mendes 

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSI seguiu existindo após IAPs



HISTÓRIA

"Com base na Lei Eloy Chaves, consagrada em 1923, iniciativa muito comemorada pela classe operária nacional, foi instituído o sistema de Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) o sistema era gerido de forma tripartite: governo, empregados e empresas contribuíam. Os trabalhadores, essencialmente, participavam do Conselho Administrativo dessas Caixas." (p. 21)


A Lei Eloy Chaves permitiu que trabalhadores passassem a ter acesso, também, a assistência médica através de Caixas de Assistência. 

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"Em meio ao debate político sobre saúde e previdência da década de 1930, surgiu o decreto que criou os Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs). Estivadores, transportadores de cargas, comerciários, bancários, industriários, entre outros, foram beneficiados. Na virada da década de 1930 para 1940, a maioria das CAPs foi absorvida pelos IAPs, embora algumas tenham sobrevivido, como é o caso da Cassi, do Banco do Brasil, criada em 1944 e que até o tempo presente continua em operação." (p. 22)


Conhecer a história é importante para nós da classe trabalhadora para que tenhamos melhor compreensão da realidade objetiva.

A CASSI da comunidade de funcionários do Banco do Brasil não é um plano de saúde, não é! É uma Caixa de Assistência, baseada em princípios solidários como associativismo e cooperativismo. 

É por isso que a razão de ser da CASSI é o Plano de Associados e não seus planos comerciais para grupos de afinidade até determinado grau de parentesco com associados. 

William Mendes 

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSI e CASSEMS: autogestão e solidariedade de classe



HISTÓRIA

"O objetivo dessas associações era proteger o trabalhador associado do desemprego ou da enfermidade. As entidades custeavam despesas de funeral dos sócios, concediam alguma ajuda financeira quando o trabalhador estava desempregado ou enfermo, e, em alguns casos, também custeava as despesas da viúva e dos filhos do sócio." (p. 17)


O livro "CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível" (2017), de Eronildo Barbosa da Silva, nos conta a história de sucesso do associativismo e cooperativismo dos servidores públicos do estado de Mato Grosso do Sul. 

O primeiro capítulo aborda a questão histórica da solidariedade da classe trabalhadora desde séculos passados.

Como os donos do poder sempre atuaram para impedir a união e solidariedade da classe trabalhadora, até os nomes das associações e sindicatos tinham que disfarçar os objetivos reais para que as entidades de classe pudessem existir.

Eram associações "religiosas", com nomes de santos, de amigos, de ajuda mútua etc.

Conheci a CASSEMS quando era gestor eleito de outra autogestão em saúde, a CASSI, dos funcionários do Banco do Brasil. 

O livro comemorativo dos 15 anos de existência da CASSEMS me trouxe, à época, muita informação relevante sobre o tema e este setor de saúde suplementar. 

Ler é sempre uma atividade diferenciada de nossa espécie. Sigamos lendo e estudando. 

William Mendes

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

28.2.22

Memórias (XIX)


Conversando com associados da Cassi MS (out/2016).

Cassi e Cassems, exemplos de autogestão em saúde


Opinião

Nesta semana que passou conversei com um colega aposentado do Banco do Brasil a respeito de nossa Caixa de Assistência e da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado do Mato Grosso do Sul. Ele está desenvolvendo um trabalho acadêmico que aborda questões sobre essas instituições de trabalhadores e como tive a oportunidade de ser gestor de nossa autogestão o colega avaliou que eu poderia compartilhar com ele algumas impressões e experiências que tive como gestor de saúde. Tivemos uma boa conversa.

Tenho boas lembranças a respeito dessas autogestões. As histórias dessas duas caixas de assistência à saúde são belíssimas, são exemplos de realização coletiva a partir do desejo do bem comum, são instituições que têm em sua raiz o desejo de solidariedade de classe. 

CASSEMS

Da Cassems tenho informações essenciais, públicas, li o livro comemorativo dos 15 anos de existência da autogestão e estive em contato com a instituição durante o mandato eletivo que exerci de diretor de saúde da Cassi (2014/18). Tenho uma leitura geral sobre a Cassems em relação à estratégia que os associados adotaram para a Caixa de Assistência (operadora) se estabelecer no agressivo mercado de saúde privado brasileiro. 

A palavra é essa mesma - "agressivo mercado" - porque ao se conhecer por dentro a forma como opera essa "indústria" fica claro o quanto pesa a questão do lucro e retorno financeiro nos objetivos dos vendedores de serviços de saúde. É uma grande indústria capitalista essa da saúde/doença como mercadoria.

Aliás, para vocês conhecerem a pujança da Cassems eu sugiro que vocês naveguem pelo site da autogestão. É de encher os olhos, lá vocês vão ver informações sobre os 10 (dez) hospitais próprios dos servidores do Estado. Conheço a história da aquisição e funcionamento de cada um deles porque li a respeito no livro comemorativo. 

Os servidores sul-mato-grossenses enfrentam os abusos cometidos pelo mercado privado de saúde (valores abusivos nos preços da rede credenciada) de igual para igual ao terem estruturas próprias de saúde em todos os níveis. 

CASSEMS: GESTÃO DO CUSTO SEM DEIXAR DE TER O SERVIÇO - Outra vantagem dessa estrutura verticalizada da Cassems é a gestão do custo da saúde. Uma coisa é comprar tudo fora como faz a Cassi, outra coisa é conhecer por dentro as operações dessa "indústria" que movimenta bilhões de reais por ano. Tendo estrutura própria, como faz o mercado privado que visa lucro, a Cassems pode direcionar boa parte de sua demanda por saúde para sua própria rede, ficando alguma coisa para ser feita em credenciados dos empresários-médicos do mercado.

Para vocês terem uma ideia, a Cassi chega a pagar mais de 1/2 bilhão de reais ao ano somente para 1 (um) prestador de serviços. Por não gerirmos estruturas de saúde de 2º e 3º graus, estruturas de procedimentos de alto custo, ficamos nas mãos dos médicos-capitalistas, cooperativas médicas por área profissional, médicos-empresários que faturam mais quanto mais procedimentos fazem em nossos participantes do sistema Cassi (fee for service), dentre outras desvantagens que o mercado oferece, como criar desejos que não são necessidades das pessoas e usar materiais que custam várias vezes mais que outros de mesma qualidade. 

CASSI OPTA POR FICAR NA DEPENDÊNCIA DO MERCADO PARA TUDO - A Cassi do Brasil pós-golpe não quer ter estruturas próprias de saúde (por opção da direção porque tem recursos para isso). A direção da Cassi está se desfazendo até da estrutura baratíssima de atenção primária e medicina de família, e assim a forma para "gerir custos" acaba sendo reduzir a rede prestadora e tirar os fornecedores do mercado de saúde que cobram mais caro. Vejam o exemplo da rede do novo plano que a direção atual lançou no "mercado". Um plano chamado Cassi Essencial com menos direitos, coberturas, rede, e com coparticipação e taxa de internação. 

(Cassi Essencial: o usuário acha que vai economizar em relação ao plano Cassi Família II, acha..., e vai perceber na hora que precisar que a coisa não é bem assim...)

A Cassems se estabeleceu de forma sólida em duas décadas de existência e hoje avança promovendo saúde e cuidando de uma população de quase 200 mil beneficiários. Eu continuo com a opinião que o modelo de verticalização da Cassems deveria ser estudado e implantado na autogestão da comunidade Banco do Brasil.

CASSI

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil foi criada em 1944 por colegas do banco e ao longo de décadas de existência foi incluindo novos participantes e avançando em direitos após lutas históricas do movimento sindical e associativo do quadro de trabalhadores desse banco público bicentenário.

Não vou aqui descrever a história da Cassi (fiz isso ao longo de centenas de postagens quando fui gestor eleito). 

O importante é destacar que nas primeiras 5 décadas de existência (de 1944 a 1995) a Caixa de Assistência foi uma mera pagadora de serviços de saúde do mercado empresarial privado. Ela praticamente ressarcia as despesas de seus associados. Modelos assim tendem a ter sérios problemas de déficit porque a inflação médica e as novas tecnologias e demandas de saúde sempre vão impactar no valor da compra de serviços em relação à capacidade do plano de saúde em arrecadar recursos para fazer frente às despesas assistenciais - nem sempre necessárias ou adequadas à saúde dos assistidos.

A reforma estatutária de 1996 mudou a essência da Caixa de Assistência, que passou a fazer - ou deveria - a gestão da saúde de uma determinada população ao longo do tempo e definiu um modelo assistencial para cumprir esse objetivo de Atenção Integral à Saúde. O modelo escolhido foi um dos mais exitosos no mundo quando se avalia modelos assistenciais e sistemas de saúde: um modelo baseado na medicina de família e comunidade (MFC), muito adequado para o perfil da população de associados e familiares que o sistema Cassi continha. 

Entre 1996 e 2001 foram feitos pilotos sobre o melhor modelo assistencial para se atingir o objetivo de Atenção Integral à Saúde, objetivo estatutário do sistema Cassi cuja essência e base é o Plano de Associados (e não planos de mercado x ou y). 

A Cassi e os patrocinadores definiram que a instituição (operadora) passaria a cuidar de sua população assistida através de um modelo de medicina de família, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma das formas de se fazer Atenção Primária em Saúde (APS). A base do modelo definido e aprovado pela Cassi era ter uma estrutura PRÓPRIA de CliniCassi com equipes de família PRÓPRIAS e programas de saúde adequados aos diversos grupos de risco e populacionais identificados e acompanhados pelas CliniCassi, que seriam coordenadas por unidades regionais, em todas as capitais do país.

O que interessa registrar nesta postagem de Memórias é que a experiência de gestão e os estudos dedicados à Cassi e à gestão de modelos de saúde me permitiu ter claro algumas questões a respeito do tema. Uma coisa é o custeio e outra é o modelo assistencial, por exemplo. Uma é como se arrecada os recursos da Caixa de Assistência, outra é como se utiliza os recursos arrecadados. 

Como disse acima, a Caixa de Assistência sempre teve problemas de déficits em suas décadas de história e alguns motivos são claros como, por exemplo, os custos elevados e crescentes dos serviços comprados e a dificuldade de aumentar receitas para fazer frente às despesas assistenciais, em sua imensa maioria de procedimentos curativos e não preventivos.

CASSI COMPROVA EFICIÊNCIA DO MODELO APS/ESF/CLINICASSI - Estudos realizados na diretoria de saúde durante o nosso mandato comprovaram a eficiência do modelo de Estratégia Saúde da Família a partir da estrutura própria de atenção primária e gestão local do modelo, as CliniCassi com equipes de família e as unidades regionais da Cassi nos Estados e DF.

Nossas equipes técnicas desenvolveram metodologia própria inédita no mercado para demonstrar que populações cadastradas e vinculadas por um determinado tempo no sistema ESF/CliniCassi tinham custos assistenciais menores, menos internações, menos idas ao pronto socorro/atendimento, de acordo com determinados graus de complexidade e isso mesmo nas faixas etárias maiores. 

Chegamos a demonstrar estudos onde o crescimento de despesas assistenciais de faixas etárias de 60 e 70 anos de populações cadastradas e vinculadas à ESF era menor que o crescimento de despesas assistenciais de não cadastrados nas primeiras faixas etárias, de 30 e 40 anos. 

Demonstramos que mesmo dentro da curva A, grupo com os participantes de maior custo em um plano de saúde, as despesas assistenciais eram quase 15% menores nos vinculados à ESF em relação a não cadastrados. Estou falando de um grupo cujas despesas assistenciais chegam a um bilhão de reais, conforme o ano avaliado.

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Enfim, essas postagens cansam tanto quem escreve quanto os raros leitores que leem. A Cassi fez uma reforma estatutária para melhorar a questão do custeio em 2019 e teria tudo para avançar no modelo próprio de APS/ESF/CliniCassi e se tornar menos dependente do mercado como faz a Cassems. 

Mas... a direção que passou a comandar a autogestão fez o inverso, passou a apostar todas as fichas no mercado privado, desfazendo algo que havia sido comprovado que era o que de melhor tinha na Cassi, seu modelo assistencial solidário, próprio e autônomo e que nos levaria a sermos menos dependentes do mercado consumidor de recursos dos planos.

Fim dessas Memórias e reflexões sobre autogestões em saúde, instituições associativas de trabalhadores.

William


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12.12.20

Terceirização da Atenção Primária à Saúde é boa?


Opinião

Dias atrás, escrevi um artigo expressando minha opinião preocupada a respeito de um projeto de terceirização da atividade-fim de uma das maiores autogestões em saúde do país, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi. Ler aqui.

A associação lançou um projeto chamado "Bem Cassi" que vai ampliar terceirizando os serviços de Atenção Primária (APS) e Estratégia de Saúde da Família (ESF) numa grande cidade, Curitiba, e pretende expandir a terceirização da atividade-fim para o restante do Sistema Cassi no território nacional.

Como eu disse no artigo, eu respeito a opinião e as decisões das pessoas e forças políticas que estão na direção da autogestão, afinal de contas existem diversas formas de fazer as coisas e as decisões tomadas sobre como fazer são sempre decisões políticas e ideológicas, e não apenas "técnicas". 

A direção e o patrocinador da Cassi representam um momento da vida política do país, e é assim que funciona, isso é normal. Mas as decisões que tomarem terão efeitos duradouros e talvez para sempre na entidade de saúde.

A técnica assessora as decisões políticas dos dirigentes no poder. Aprendi certa vez com um professor de economia que a decisão entre fazer balas de canhão ou manteiga é uma decisão política do governo do momento, depois se vê com quais técnicas e materiais se fazem as bombas ou os alimentos. No movimento sindical aprendi a mesma coisa.

Aliás, para quem conhece de política como nós que vivemos dentro dela por tanto tempo, sabemos que as assessorias de comunicação, jurídicas e econômicas são responsáveis por construir as teses e as defesas a partir das decisões políticas daqueles e daquelas que os trabalhadores escolheram para gerir seus interesses. Do lado do patrão, do capital, é a mesma coisa! 

Pelo menos eu aprendi assim: quem decide é o político e não o técnico, que deve apresentar os leques possíveis de escolhas e as consequências delas. Nas escolhas sempre estarão contidos os riscos calculados. Quem está no poder, governa. Quem não está, acompanha, critica, organiza a luta contra as decisões que entender erradas e prejudiciais para os detentores dos direitos em risco. 

A terceirização da atividade-fim nos sistemas de saúde é boa? A terceirização das estruturas do Sistema Único de Saúde brasileiro é boa? A terceirização das Unidades Básicas de Saúde (UBS) é boa? A terceirização da atividade-fim da Cassi é boa? As perguntas são muitas e as questões precisariam ser debatidas coletivamente e exaustivamente, não é uma decisão que deveria ficar à margem dos questionamentos e análises técnicas e políticas das representações da classe trabalhadora.

A terceirização da essência do modelo assistencial da Cassi é um risco muito grande e pode não trazer os resultados esperados de ampliação do modelo como defendemos. A Cassi não pode perder o foco naquilo que é, ou naquilo que deveria ser, uma Caixa de Assistência em saúde para o conjunto dos funcionários do BB da ativa e aposentados em todo o território nacional, com um custo acessível a todos, e com direitos iguais, tanto em uma capital quanto no interior dos Estados. 

O Plano de Associados é a essência da Cassi. Os trabalhadores do Banco do Brasil são a essência da Cassi. A solidariedade no custeio é a essência da Cassi. A estrutura própria de Atenção Primária, Estratégia de Saúde da Família e as CliniCassi são a essência da Cassi. 

A terceirização da atividade-fim da autogestão vai minar toda a essência da Caixa de Assistência, e depois de desfeita a estrutura e o conhecimento interno construído no cuidado de 700 mil vidas por décadas, não haverá volta.

É minha opinião, é uma preocupação. E posso dizer por experiência que conheço a estrutura da Cassi nas bases dela, conheço 42 CliniCassi (das 66 existentes), conheço a estrutura das 27 Unidades Cassi, conheci o trabalho de quase 150 equipes de família e as gestões das unidades. A terceirização coloca em risco essa conquista histórica da comunidade Banco do Brasil.

William


9.12.20

"Bem Cassi": terceirização da Cassi



"Viver é muito perigoso... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo." (ROSA, 2001, p. 32/33)


OPINIÃO


A Cassi apresenta projeto que claramente visa terceirizar o que a Caixa de Assistência tem de melhor, a Atenção Primária e a Estratégia de Saúde da Família, desenvolvidas através das CliniCassi, essência do modelo assistencial que possibilitou o menor custo assistencial de participantes vinculados à ESF em graus complexos de necessidades mesmo nas maiores faixas etárias. Ao invés de ampliar o modelo próprio, de baixo investimento e de bom custo-benefício, direção opta por terceirizar a atividade-fim da Cassi, uma triste escolha ideológica


Terceirização é uma praga! O capitalismo parece invencível, mesmo sabendo que a vida é a grande derrotada com a vitória do modo de produção capitalista, cujo foco absoluto é o lucro e a mais-valia dos explorados em benefício de pouquíssimos humanos. Com a hegemonia do capitalismo neoliberal tudo na sociedade humana gira em torno desse sistema de acumulação de tudo nas mãos de poucos. A terceirização faz parte dessa lógica.

Sinceramente, eu não sei como começar esse artigo. Perdi o jeito para tratar de assuntos mais técnicos como fiz ao longo de muitos anos ao falar de saúde e de sistemas de saúde como gestor eleito de uma autogestão dos trabalhadores, enfim, enquanto meu lugar de fala foi como diretor de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (jun/2014 a mai/2018) escrevi mais de 600 textos a respeito dos temas de interesse dos trabalhadores na área de saúde. Aliás, eu tinha um público preferencial como leitor: os formadores de opinião, lideranças e representantes dos associados da Cassi, trabalhadores da ativa e aposentados do BB.

RESPEITO A OPINIÃO DE QUEM PENSA DIFERENTE

Em primeiro lugar, quero registrar que minha opinião sobre esse processo de terceirização da atividade fim da Cassi é uma opinião respeitosa, feita no plano das ideias. Eu conheço parte dos colegas que estão na gestão de nossa Caixa de Assistência, e respeito a opinião deles. Sou defensor ardoroso da ampliação da ESF para o conjunto dos participantes Cassi, todos sabem disso. 

A questão de minha divergência é quanto à estratégia adotada de terceirizar a essência da Cassi. Vejo com muita preocupação isso, tanto no presente quanto no futuro. A epígrafe inicial, do personagem Riobaldo Tatarana, traz sabedoria e um alerta aos defensores da APS/ESF na Cassi: "Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar".

NÃO SE ABRE À CONCORRÊNCIA O QUE SE TEM DE MAIS PRECIOSO

Certa vez, ainda jovem, quando participava de estudos sobre autoconhecimento, aprendi que os seres humanos seriam julgados nos finais dos tempos ou no dia do julgamento final - dependendo de como cada um vê essas questões metafísicas - os humanos seriam julgados de acordo com o conhecimento que tinham, de acordo com o que fizeram ou que não fizeram quando poderiam ter feito. Os mestres diziam aos estudantes que quanto mais conhecimentos adquiríamos, maior seria o peso do julgamento de nossos erros porque não poderíamos alegar ignorância ("não-saber", no sentido respeitoso) e desconhecimento das coisas. Nesse sentido, ignorância seria uma benção!

Sinto que tenho que registrar minha opinião sobre o projeto de terceirização da atividade-fim da Cassi, o "Bem Cassi", piloto lançado em Curitiba (PR) nesta conjuntura de "novo normal" do mundo sob pandemia de Covid-19 e sob a fase capitalista atual, que muitos intelectuais chamam de necrocapitalismo. Eu não tenho informações detalhadas e "técnicas" a respeito do projeto "Bem Cassi"; a informação que tenho é a propaganda do lançamento dele, que vi hoje em um vídeo de 4 minutos e que li no hotsite do projeto. A Cassi vai ampliar a APS/ESF através de duas empresas terceirizadas. De novo, cito Riobaldo Tatarana do Grande Sertão: Veredas: "Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa". (ROSA, 2001, p. 31)

MINHA OPINIÃO RESPEITOSA É BASEADA NO CONHECIMENTO ADQUIRIDO POR EXPERIÊNCIA NA GESTÃO DA CASSI

Durante 4 anos, eu tive a oportunidade de conhecer a autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, a Cassi. Estudei sua história de quase oito décadas. Quase não dormi por 4 anos, pois tive que intercalar os percalços da escolha das estratégias que adotamos no planejamento do mandato: estudar as questões técnicas do sistema Cassi, participar dos fóruns deliberativos internos (milhares de súmulas, notas e documentos), estar nas bases formando e informando os participantes. Em síntese, seria:

1. Estudar a Cassi (tudo: história, processos, pontos fracos, pontos fortes, desafios, soluções, essência da associação, modelo assistencial, modelo de custeio, responsabilidades de cada um: os associados, o patrocinador, a própria Cassi e seu corpo de profissionais, os "parceiros" no mercado privado que vendem serviços caríssimos e nem sempre adequados etc). 

2. Manter os direitos dos associados: solidariedade no custeio entre participantes jovens e idosos, sãos e adoecidos, de baixa renda e com remuneração/benefícios maiores, da ativa e aposentados (ex-colaboradores segundo o patrão) e com o patrocinador assumindo a parte dele na proporção estatutária 40/60 no custeio do plano para todos (ativos e aposentados), enfim: solidariedade plena para todos poderem estar no Plano de Associados por toda a vida. 2.1. Manter a democracia na associação: pesos iguais na gestão entre patrocinador BB e associados para tomada de decisões; aumentar a participação dos associados através de envolvimento nos conselhos de usuários, sindicatos, associações, conferências de saúde, parcerias entre unidades do BB nos Estados e Unidades Cassi/CliniCassi (PCMSO, ESF, Convênios, canais de solução locais).

3. Informar e formar a base associada com conceitos básicos sobre a Cassi, o que era a Caixa de Assistência, seu modelo assistencial, os direitos em saúde maiores que os de planos de saúde de mercado, e buscar colocar os intervenientes do sistema Cassi no mesmo objetivo: fortalecer a Cassi perante o mercado privado prestador de serviços e consumidor dos recursos da Caixa. Fizemos mais de 600 matérias a respeito, mais de 40 boletins mensais; 53 conferências de saúde que contaram com milhares de associados, 65 reuniões presenciais com os conselhos de usuários e dezenas de visitas às unidades Cassi e CliniCassi e entidades representativas nos Estados.

DIVERGÊNCIA ENTRE CAPITAL E TRABALHO É NORMAL QUANDO SE TRATA DE DEFINIR AS RECEITAS E AS FORMAS DE RATEIOS DA ASSISTÊNCIA MÉDICA DE UMA COLETIVIDADE

Como representantes dos trabalhadores, tivemos que defender a Cassi e os direitos dos associados diuturnamente, ora porque chegavam propostas "técnicas" (e políticas) que de alguma forma eram desfavoráveis aos associados (principalmente querendo onerar mais os associados e dependentes e/ou reduzir os recursos e custos que o patrocinador tinha obrigações de investir), ora porque as propostas eram prejudiciais à essência do que era a Caixa de Assistência - uma autogestão de trabalhadores, baseada na Atenção Integral à Saúde, cujo modelo assistencial se desenvolvia através de unidades próprias de Atenção Primária em Saúde (APS) e Estratégia de Saúde da Família (ESF), com programas de saúde que se adequavam às estratégias do modelo. Junto a esse modelo de Atenção à Saúde dos associados, tínhamos um convênio exitoso de saúde do trabalhador (PCMSO) que atuava na saúde de 100 mil funcionários do Banco do Brasil. Os dois sistemas convergiam na busca de saúde coletiva da comunidade BB em todo o território nacional.

Para defender a Cassi e seu modelo assistencial, tivemos que desfazer uma quantidade absurda de mal-entendidos, desinformações e ignorâncias (não-saberes), lugares comuns e, às vezes, até mentiras (fake news). O próprio patrocinador, através de alguns de seus representantes à época, contribuía para desinformar os participantes da ativa e aposentados (e suas entidades representativas) quando sugeria que o modelo assistencial da Cassi não era eficiente, que as Unidades Cassi e CliniCassi não atendiam seus objetivos, que a estrutura da Cassi era cara e onerosa etc. Inclusive, o patrocinador atuou fortemente na desconstrução dos direitos estatutários dos associados na gestão da associação, dizendo que a autogestão não tinha mecanismos de decisão adequados. Lógico que aqui estamos falando que a "grita" do banco era quando a Cassi não aprovava as propostas mais favoráveis ao patrão/patrocinador e contrárias aos interesses dos associados.

CONSEGUIMOS UNIR A COMUNIDADE BANCO DO BRASIL NA DEFESA DO MODELO ASSISTENCIAL, DA ESTRUTURA PRÓPRIA DE SAÚDE E DOS PROFISSIONAIS DA CASSI. PROVAMOS QUE A ESF REDUZ O CUSTO DO SISTEMA, MESMO COM POPULAÇÃO MAIS IDOSA

Por 4 anos, mesmo sem recursos financeiros e materiais adequados, fomos grandes incentivadores dos profissionais da Cassi, principalmente das áreas de saúde, para que seguissem atuando naquilo que mais tinham perfil para atuar: desenvolver estratégias para ampliar o modelo de saúde APS/ESF, a promoção de saúde e prevenção de doenças, o acompanhamento dos participantes crônicos, a recuperação dos pacientes adoecidos e agravados etc. Basta ver que ampliamos em mais de 20 mil o número de cadastrados na ESF. A Cassi desenvolveu estudos nunca feitos nos planos de saúde que apresentaram resultados das vantagens do modelo de APS/ESF numa população relativamente estável ao longo do tempo no Plano de Associados e nos crônicos do Cassi Família. Colocamos todos os intervenientes na mesma direção para defender o modelo assistencial da Cassi.

Além disso, também desfizemos os mal-entendidos e as bobagens que se falavam da estrutura de saúde da Cassi, Unidades Cassi, CliniCassi, quadro próprio de profissionais do sistema de Atenção Primária/ESF e PCMSO. O custo administrativo da estrutura Cassi era o menor do setor de saúde brasileiro, em relação às empresas similares de autogestão, das medicinas de grupo e das cooperativas médicas. Uma estrutura absolutamente eficiente ao se comparar o custo-benefício. E isso com a Cassi tendo a maior quantidade de idosos do setor no país! Os recursos do sistema Cassi (mais de 90%) são gastos nos prestadores através das internações, e grandes despesas assistenciais com materiais, exames etc. Os recursos são gastos na estrutura de 2º e 3º graus e de apoio na rede privada.

A estrutura de Atenção Primária da Cassi, com quase 150 equipes de família nas 66 CliniCassi e 27 unidades Cassi, e a estrutura de medicina do trabalho (PCMSO) era e é muito barata e deveria ser ampliada ao longo dos anos para poder reduzir o custo assistencial na compra de serviços de saúde na rede prestadora daquilo que não era possível fazer na estrutura primária da Cassi. A direção e os associados poderiam avaliar diversas formas de verticalização ou parcerias para atendimento das demandas de segundo e terceiro graus e estruturas de apoio à saúde. Isso é normal e faz parte das estratégias de gestão.

A autogestão Cassems dos servidores do Estado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, é um caso exitoso de verticalização própria de hospitais pequenos e médios nos interiores do Estado, e também laboratórios e clínicas, inclusive de Atenção Primária. Nós propusemos ampliar a estrutura própria da Cassi de Atenção Primária e ampliar os serviços nas CliniCassi, inclusive criando estruturas para especialidades, para dar sequência no atendimento primária da ESF. O investimento era baixíssimo, se comparado com o custo assistencial dos participantes na rede privada em serviços similares. A estrutura própria de saúde da Cassi é eficiente e de baixo custo administrativo. Isso é fato.

A TERCEIRIZAÇÃO É GRANDE RESPONSÁVEL PELA CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS A POUCOS E PELA EXCLUSÃO DO ACESSO A DIREITOS POR PARTE DA CLASSE TRABALHADORA 

Tem uma reflexão do historiador Eric Hobsbawm, contida no livro A era dos extremos, que ilustra bem o que estamos vivendo neste momento da história humana em relação à superexploração do trabalho através de terceirização, quarteirização, uberização, privatizações transformando direitos em serviços etc:

"(...) De qualquer modo, o custo do trabalho humano não pode, por nenhum período de tempo, ser reduzido abaixo do custo necessário para manter seres humanos vivos num nível mínimo aceitável como tal em sua sociedade, ou na verdade em qualquer nível. Os seres humanos não foram eficientemente projetados para um sistema capitalista de produção. Quanto mais alta a tecnologia, mais caro o componente humano de produção comparado com o mecânico." (HOBSBAWM, 2006, p. 404)

Já estamos superando até os cabeças de planilha do sistema capitalista, aqueles que planilham tudo para cortar custos diariamente e aumentar os resultados das empresas (tudo é empresa, e tudo visa eficiência operacional "em tese"). Os próprios trabalhadores são destacados para direcionar os clientes/usuários aos novos serviços tecnológicos que irão cortar os postos de trabalho deles mesmos. 

Um exemplo disso no setor de saúde é a panaceia chamada de "telemedicina", que virou uma espécie de "Emplasto Brás Cubas" para curar todos os males da humanidade. Uma coisa seria a telemedicina auxiliar os processos de saúde durante a crise humanitária da pandemia de Covid-19 ou como sequência de um atendimento já com histórico do paciente; outra coisa é substituir o acolhimento presencial das pessoas por "telemedicina" como começa a surgir no mercado dos serviços de saúde.

Nos bancos, os bancários foram obrigados a empurrar os clientes para terminais de autoatendimento, serviços telefônicos e terceirizadas ao lado do banco. Os trabalhadores com direitos trabalhistas coletivos históricos são demitidos e convidados a serem eles mesmos "empresas" e isso deu nos uberizados do mundo. Os donos de tudo ficam mais bilionários e os trabalhadores mais miseráveis e sem nada. Como diz Hobsbawm, os trabalhos dos seres humanos estão ficando mais caros que qualquer processo por máquina e até os centavos gastos com uberizados têm que ser reduzidos... 

A INTENÇÃO PODE SER BOA, MAS TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE-FIM DA CASSI É UMA OPÇÃO RUIM E TALVEZ SEM VOLTA, CASO SE ABRA MÃO DA ESTRUTURA DE SAÚDE DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA

Durante 4 anos de mandato fizemos "loonngos" debates com as representações do patrocinador/patrão contestando e refazendo cálculos de planilhas sobre as Unidades Cassi, as CliniCassi (eram eficientes ou não?), o quadro de profissionais da Cassi (eficientes e preparados ou não?); apresentávamos outro ponto de vista e em muitos casos convencemos os colegas com argumentos consistentes como a eficiência da ESF, como o baixo custo administrativo da Cassi, dentre outros. Discordei de todas as propostas nas quais o Banco poderia deixar de custear os aposentados, ou cobrar mais de quem usasse mais o sistema Cassi, quebras de solidariedade, redução de direitos em saúde etc. 

No entanto, a hegemonia do capital e do mercado é uma praga! É sempre assim! Enquanto se veem com maus olhos qualquer investimento em estrutura própria (ou despesa administrativa), que poderia trazer economias importantes de milhares e milhões de reais em despesa assistencial na compra de serviços caros na rede privada, o foco das discussões acaba sendo repetidamente desviado para o custo administrativo e as supostas vantagens em contratar ou fazer fora o que se poderia fazer na própria autogestão. E daí vem a solução mágica do mercado: TERCEIRIZAÇÃO, com os nomes mais perfumados possíveis.

Por 4 anos, ouvi dos mais diversos setores, dirigentes e profissionais da Cassi que tínhamos razão em quase tudo que discutíamos sobre ampliar a APS/ESF e a estrutura de saúde do modelo assistencial Cassi. A questão era a época errada para aquela discussão: não tínhamos recursos na Caixa por causa dos déficits recorrentes e subfinanciamentos do sistema. E agora? A escolha por terceirizar a atividade-fim do modelo assistencial da Cassi é por falta de recursos? Não me parece.

É isso! Para quem está fora dos debates há mais de dois anos, já fiz o registro respeitoso do que penso sobre esse projeto "Bem Cassi" de terceirização da Cassi naquilo que é a essência da autogestão. A tendência lógica desse "modelo" é vermos depois do piloto as planilhas de "eficiência operacional", depois as comparações com a estrutura interna de saúde da Cassi, depois as dificuldades de investimento próprio, depois a opção em expandir a terceirização e reduzir os "custos" da estrutura da "empresa" etc. 

Eu não culpo as representações dos associados por às vezes apoiarem iniciativas que podem não ser tão ideais para os trabalhadores (TERCEIRIZAÇÃO não é boa para os trabalhadores) porque certas áreas de conhecimento precisariam da assessoria técnica e de dirigentes eleitos com visões de mundo próximas ao mundo do trabalho, dirigentes que dialogassem com os sindicatos, associações e conselhos de usuários e que, se necessário, se colocassem contra os interesses do capital, do patrão. É uma questão de lado, e nesse sentido não tenho visto isso acontecer na Cassi. E repito: respeito os colegas que temos lá, conheço muitos deles. 

Aproveito para reafirmar meu grande apreço pelos trabalhadores da Cassi, que além de serem muito dedicados à autogestão, cumprem suas tarefas com muito profissionalismo.

Esta é minha opinião sobre o "Bem Cassi". Finalizo meu registro com mais uma reflexão do personagem Riobaldo Tatarana, contida no Grande Sertão: Veredas: "pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a parte" (ROSA, 2001, p. 24)

Abraços a tod@s e desejo uma Cassi fortalecida em seu modelo assistencial, sustentável e com uso racional dos recursos, solidária em seu custeio do Plano de Associados, longeva e que seja para o conjunto dos trabalhadores da ativa e aposentados e seus dependentes.

William


Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 19ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.


13.5.18

Prestando Contas - Cassi Mato Grosso do Sul (2014-2018)



Unidade Cassi MS e CliniCassi Campo Grande.

Olá prezad@s associados da Cassi e companheir@s de lutas por direitos dos trabalhadores.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil é uma autogestão em saúde, presente em todas as capitais do país, baseada em um modelo de custeio solidário que permite que todos os trabalhadores associados da ativa e aposentados e seus dependentes possam participar de seu sistema de saúde, baseado em Atenção Primária (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF).

Nosso sistema de saúde suplementar cuida de quase 700 mil vidas, reunidas basicamente em dois planos de saúde, o dos funcionários (Plano de Associados) e o dos familiares até 4º grau como prevê a legislação em vigor (Cassi Família). Cuidamos também dos empregados da Cassi em nosso sistema.

Estou terminando o mandato eletivo à frente da Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, área responsável pelas políticas e programas de saúde, pela gestão das unidades regionais e pelo contato com os Conselhos de Usuários e demais intervenientes nas regiões.

Hoje vamos falar da Unidade Cassi Mato Grosso do Sul e da CliniCassi Campo Grande, unidade que cuida de mais de 8,4 mil participantes, sendo 6 mil do Plano de Associados. A gerência da Cassi MS está sob responsabilidade do Ricardo e toda a equipe está de parabéns pelo excelente trabalho que vem realizando para os associados e pelo fortalecimento da Caixa de Assistência e do modelo assistencial.


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Unidade Cassi Mato Grosso do Sul (informações do site)

Modificado em: 05 Setembro 2017

Endereço: Rua Pedro Celestino, 2670 - São Francisco - Campo Grande (MS) – CEP 79.002-372
Telefone: (67) 3322-2100 - (67) 3322-2101
Fax: (67) 3321-8840 e (67) 3322-2114
Contato: unidade.ms@cassi.com.br
CNPJ: 33.719.485/0011-07
Horário de atendimento: de 2ª a 6ª feira, das 8h às 18h.



Serviços: atendimento multidisciplinar em Saúde da Família (médico de família, técnico de enfermagem, enfermeiro, nutricionista e psicólogo), consultas em clínica médica, saúde mental, saúde do trabalhador, perícias, regulação, atendimentos administrativos aos participantes e prestadores de serviço. Todos os serviços necessitam de agendamento prévio, exceto a livre demanda (consultas em clínica médica) e atendimentos administrativos.

Gerente de Unidade - Ricardo Alexandre Ruz

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Fortalecimento da Atenção Primária e da ESF na Cassi MS

A Unidade do Mato Grosso do Sul conta hoje com 3 equipes de família e assim como as demais unidades da Cassi tem população assistida que necessita bastante dos programas de saúde para a coordenação de cuidados.

Os programas Plena Idade, Gerenciamento de Condições Crônicas e Programa de Assistência Farmacêutica têm número de cadastrados um pouco maior que a média Cassi Brasil. Isso varia de Estado para Estado porque nosso modelo assistencial atua de acordo com o perfil e risco das populações assistidas.

Como já explicamos durante o mandato e nessas matérias que estamos fazendo por unidade Cassi, mesmo com o orçamento contingenciado durante quase todo o período que estivemos à frente da estrutura de saúde, sem poder investir em ampliá-la, as unidades fizeram grande esforço em cuidar de mais pessoas cadastrando elas na Estratégia Saúde da Família.

A Cassi MS é um exemplo desse esforço para fortalecer o modelo assistencial de prevenção e promoção de saúde. Entre 2014 e 2018 o cadastramento da ESF foi ampliado em 16,5% chegando a 3.892 participantes no final de 2017. Foram 552 pessoas a mais cadastradas. Agradecemos muito a dedicação da equipe para superar as dificuldades para cuidar de mais vidas.

O modelo assistencial é tão importante para a sustentabilidade que mesmo com características específicas dos assistidos por Estado, e com praças com dificuldades específicas também, o resultado comparativo entre os vinculados à ESF e os não cadastrados no uso da rede credenciada mostra indicadores melhores nas internações e na busca por pronto socorro.



O Estado do Mato Grosso do Sul tem uma autogestão importante e com experiência exitosa no cuidado dos servidores públicos, a Cassems, que é parceira da Cassi e que visitei ao longo do mandato para a troca de experiência. Eles têm uma estrutura de atendimento verticalizada (própria) com hospitais pequenos e médios no interior e um bom hospital geral na capital. E agora estão com Atenção Primária. Agradeço a parceria com a Cassems.

Deixo a sugestão mais uma vez da Cassi realizar bench marking com a Cassems em relação à organização do sistema de saúde.

Agradecimentos

Mais uma vez, gostaria de agradecer o trabalho conjunto que realizamos nesses 4 anos com os profissionais da Cassi MS. Também agradeço ao apoio e parceria que sempre tivemos com as entidades representativas e lideranças locais, em especial o Sindicato e o Conselho de Usuários. A Cassi também tem feito parcerias importantes com os órgãos do Banco e isso é promissor para o modelo assistencial.

Durante o mandato estive em Campo Grande cumprindo agenda da Diretoria em 3 oportunidades (2015, 2016, 2017) e em todas elas os contatos com as lideranças e entidades foram muito promissores. Obrigado a todos!

Por fim, agradeço pelos votos que recebemos na eleição Cassi 2018. Voltamos a ficar em 1º lugar no Estado. Obrigado pela confiança.

William MendesDiretor de Saúde e Rede de Atendimento
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Post Scriptum:


Resultado das eleições 2018:


Eleitores (Brasil): Ativos = 89.725 / Aposentados = 81.416

Eleitores que votaram: Ativos = 68.887 / Aposentados = 39.936


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Eleitores MS: Ativos = 1.197 / Aposentados = 1.093 (2.290)

Eleitores votaram MS = 898 (75%) / 515 (47,1%)

Total votos MS = 1.413 (61,7%) / válidos: 1.239 (87,7%)


Chapa 1 = 440 / 132 =   572 / 46,2% (1º lugar)

Chapa 2 = 069 / 042 =   111 / 08,9%

Chapa 3 = 063 / 056 =   119 / 09,6%

Chapa 4 = 174 / 263 =   437 / 35,3%

Votos Brancos = 060 / 013 = 073

Votos Nulos     = 092 / 009 = 101

Total Votos MS = 898 / 515 = 1.413



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Resultado das eleições em 2014:



Eleitores (Brasil): Ativos = 102.209 / Aposentados = 68.590

Eleitores que votaram: Ativos = 80.268 / Aposentados = 25.374

Exterior: Ativos = 63 / Aposentados = 0



Eleitores MS: Ativos = 1.425 / Aposentados = 880 (2.305)

Eleitores votaram MS = 1.171 (82,2%) / 355 (40,3%)

Total votos MS = 1.526 / válidos: 1.251 (82,0%)


Chapa 1 Todos pela Cassi =     461 / 095 =   556 / 44,44% (1º lugar)

Chapa 2 Maturidade          =    256 / 072 =    328 / 26,22%

Chapa 3 Uma Nova Cassi  =    138 / 093 =    231 / 18,46%

Chapa 4 Renovação          =     070 / 066 =   136 /  10,88%

Votos Brancos                   =     111 / 015 =   126

Votos Nulos                       =     135 / 014 =   149

Total Votos apurados MS   = 1.171 / 355 = 1.526