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17.4.22

Memórias (XXIV)



Eleições e democracia


Osasco, 17 de abril de 2022. Domingo.

Neste registro de memórias, vou dissertar um pouco sobre eleições e democracia. Eu entendo que as sociedades humanas estão vivendo um momento de transição daquilo que conhecemos como democracia para alguma outra coisa que não sei como será definida mais adiante. 

Além de se retirar eleitos do poder por golpes civil-militares e jurídico-parlamentares e processos de lawfare com os donos do poder por trás dos processos antidemocráticos, temos agora ferramentas tecnológicas que alteram o comportamento humano em massa e interferem no resultado de eleições que vão acontecer ainda.

As novas tecnologias desenvolvidas pelos seres humanos nas últimas décadas acabaram por inviabilizar as formas tradicionais de representação popular nos espaços de poder. Com o advento das redes sociais e os sistemas de algoritmos, associados aos disparos em massa de fake news e desinformação de forma pessoal (só no aparelho do manipulado) e para milhões de pessoas (ao custo de muito dinheiro), não se pode mais definir alguns resultados eleitorais como democráticos.

Avalio que é esse o cenário de fim das democracias que estamos vivendo desde o início da década passada no mundo (o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 é um exemplo) e no Brasil, com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016, impeachment sem crime de responsabilidade e depois a prisão do candidato que venceria as eleições em 2018 - Lula da Silva -, permitindo com isso a chegada ao poder da extrema-direita, de forma irregular e antidemocrática, devido às inúmeras interferências no processo em desfavor de um candidato e em favor do outro.

ELEIÇÕES CORPORATIVAS EM ENTIDADES DE TRABALHADORES

É nesse cenário atual de risco às democracias que estamos vivendo nessas semanas as eleições na Cassi e na Previ, caixas de assistência e previdência dos funcionários do Banco do Brasil. 

No mês passado, tivemos as eleições na Cassi e felizmente a chapa liderada pelo companheiro Fernando Amaral, apoiada pelas entidades sindicais, venceu com ampla margem de diferença em relação à segunda colocada, a chapa considerada como chapa da direita, a chapa dos empresários, a chapa apoiada pelos grupos patronais. Fiquei muito feliz de ter visto a massa de associados trabalhadores e aposentados votarem na chapa composta pelos colegas que tinham o apoio dos legítimos representantes dos interesses do mundo do trabalho.

Nesta segunda-feira 18 começam as eleições na Previ e novamente temos um cenário parecido com o das eleições na Cassi, uma chapa apoiada pelas entidades sindicais, a Chapa 3 liderada pelos companheiros Márcio de Souza e Paula Goto, e outras chapas de grupos de direita, empresariais, cujos interesses não são os da classe trabalhadora, não são mesmo. 

Mais uma vez, espero que a massa dos associados trabalhadores e aposentados vote massivamente na Chapa 3, que representa os interesses do mundo do trabalho e dos trabalhadores bancários. Não podemos nos enganar pela imensidão de fake news e desinformações que circularam pelas redes sociais e e-mails nos últimos dias.

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Quando olho para trás em relação a crer ou não crer na efetividade da democracia, avalio que o período no qual mais acreditei nas mudanças sociais em favor do povo e da classe trabalhadora através da democracia representativa foi até 2016, até que um bando de homens corruptos efetivou o golpe de Estado que tirou da presidência Dilma Rousseff em 2016. A direita tirou da presidência a candidata que eu e mais 54,5 milhões de eleitores votamos em 2014, e impediram o mandato presidencial sem nenhuma justificativa formal, só porque a casa-grande cansou de tentar voltar ao poder via voto.

De lá para cá, eu fui avaliando a situação da democracia com o avanço das manipulações possíveis aos processos eleitorais através dos sistemas que dominaram o mundo atual, as redes sociais e os algoritmos que alteram o comportamento de milhões de pessoas. Fora os processos antidemocráticos que já conhecíamos como lawfare e golpes tradicionais, mas com alcances menores que esses resultantes das novas tecnologias.

Me lembro de meu primeiro voto em 1988, eu tinha acabado de tirar meu título de eleitor e pude votar pela primeira vez na candidata que efetivamente representava os interesses do mundo do trabalho e da classe trabalhadora, Luiza Erundina, candidata a prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores. 

Nunca me esqueço de um dos efeitos em minha vida de trabalhador após as mudanças efetuadas por Erundina. Eu era trabalhador braçal, descarregava caminhões com caixas de palmito e depois passava o dia entregando o produto em restaurantes paulistanos. Para chegar ao depósito onde trabalhava, eu nunca conseguia entrar nos ônibus lotados e a solução era ir pendurado nas portas e janelas dos ônibus. Muita gente caía e ou morria por causa disso. Após Erundina virar nossa prefeita, as mudanças nos transportes públicos me permitiram tomar ônibus como gente, entrar, pagar e às vezes até me sentar durante a viagem. Nunca esqueci essa mudança na minha vida de trabalhador.

A partir desse meu primeiro voto, passei a vida toda de eleitor trabalhador votando no Partido dos Trabalhadores. Não era politizado, mas tinha claro que trabalhador votava em trabalhador. E a maioria dos candidatos e dos partidos era de representações das elites e da casa-grande. Esse monte de partidos de direita, conservadores, liberais blá-blá-blá nunca representou os nossos interesses, de trabalhadores braçais, de bancários, de professores, metalúrgicos, motoristas de ônibus, comerciários, empregadas domésticas etc. Trabalhador(a) vota em trabalhador(a). Passei a vida adulta tendo isso claro.

Depois me politizei virando bancário sindicalizado e até dirigente sindical e representante dos colegas de minha categoria profissional. A eleição de Lula em 2002, após perder várias eleições - 1989, 1994 e 1998 - nos permitiu ver as maiores mudanças em favor da classe trabalhadora e do povo brasileiro que o Brasil já experimentara em seus 5 séculos como colônia, império e república, ou melhor, república nada... uma colônia disfarçada do século 19 adiante, pois a casa-grande brasileira odeia o Brasil e o povo brasileiro e nunca considerou o país de forma soberana, a não ser como colônia de exploração. 

Enfim, vou parar por aqui esta memória. Já dissertei um pouco sobre o que penso atualmente a respeito de eleições e democracia no estágio atual do mundo.

De novo, desejo que meus colegas da ativa e aposentados do Banco do Brasil tenham juízo e votem na Chapa 3 nas eleições da Previ, a chapa que representa nossos interesses do mundo do trabalho.

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XXIII), clique aqui. O texto seguinte pode ser lido aqui.

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Post Scriptum:

PREVI

As eleições na Previ terminaram ontem, sexta-feira 29, e a Chapa 3 Previ para os Associados venceu a eleição com larga vantagem em relação às demais chapas de direita e grupos que representam os interesses do capital, do "mercado" (o 1% de rentistas) e dos corruptos de colarinho branco. Fico feliz pela decisão massiva de mais da metade dos associad@s da Previ. Segue abaixo a notícia do resultado, com adaptações na matéria da Previ:

Chapa 3 vence as Eleições Previ 2022

29/04/2022

A votação para definir quem são os dirigentes eleitos nos próximos quatro anos terminou nesta sexta-feira, 29/4, às 18h. A vencedora foi a Chapa 3 – PREVI PARA OS ASSOCIADOS. Foram computados ainda 86.446 abstenções, 3.508 votos em branco e 5.554 nulos. O número total de eleitores votantes foi de 108.221 (cento e oito mil, duzentos e vinte e um votos). Confira o Resultado Final consolidado por estado (tirei o link, veja no site da Previ)

Veja abaixo o total de votos recebidos pelas quatro chapas concorrentes:

Chapa                                                               Votos         %

Chapa 3: Previ para os Associados                 54.423    50,29
Chapa 4: Mais União na Previ                         20.344    18,80
Chapa 1: Previ Plural Apartidária                   17.728    16,38
Chapa 2: Pense – O Futuro é Agora                  6.664      6,16

Entre os dias 18 e 29 de abril os associados puderam votar para definir os representantes para as diretorias de Administração e de Planejamento, além de um membro titular e um suplente para os Conselhos Deliberativo e Fiscal, e dois membros titulares e dois suplentes para os Conselhos Consultivos do Plano 1 e do Previ Futuro. Os mandatos são de quatro anos e vão de 1/6/2022 até 31/5/2026.

O resultado das Eleições Previ 2022 será homologado pela Comissão Eleitoral após a conclusão das verificações que são realizadas pela auditoria externa e pela auditoria da Previ.

Confira os membros da chapa vencedora:

Nome                                      Cargo  

Márcio de Souza                    Diretor de Administração
Paula Regina Goto                 Diretora de Planejamento
Antonio Sergio Riede            Conselheiro Deliberativo Titular
Luciana A. B. Bagno              Conselheira Deliberativa Suplente
Getulio Mendes Maciel          Conselheiro Fiscal Titular
Wagner F. L. Bernardes        Conselheiro Fiscal Suplente
Carlos Guilherme Haeser      Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Eleucipio Vera Barreto          Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
José Carlos Vasconcelos       Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Francisco dos Santos Filho   Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
André Luiz Alves                   Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Elisa de Figueiredo Ferreira Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente
Carlos Eduardo B. Marques  Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Cleiton dos Santos Silva       Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente

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Post Scriptum II:

CASSI

Aproveito o registro para incluir o resultado final das eleições na Cassi deste ano, ocorridas em março, que também tiveram como chapas vencedoras as chapas construídas e apoiadas pelo movimento sindical. A Cassi estava com uma direção 100% favorável ao patrão antes dessas eleições. Agora teremos ao menos uma minoria para denunciar a destruição em andamento em nossa Caixa de Assistência, que vem sofrendo perdas irreparáveis como o desfazimento do modelo assistencial (ESF), sua estrutura própria de CliniCassi e de seu quadro de profissionais. 

A matéria do site da Cassi é esta abaixo. A Cassi está tão esquisita que fui procurar o resultado das eleições por chapa e o tal hotsite que criaram diz que não está mais disponível o resultado final... acreditem se quiserem! Custei encontrar os votos das outras chapas. Fui encontrar os dados em uma matéria da Contraf-CUT.


Chapas 6 e 77 vencem as Eleições CASSI 2022

Publicado na Cassi em: 28/03/2022

Com 39.923 votos, a Chapa 6 foi a vencedora das Eleições CASSI 2022 para a Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento e os membros dos Conselhos Deliberativo. A Chapa 77 ganhou a eleição para o Conselho Fiscal com 39.090 votos registrados. A apuração foi realizada após as 18h desta segunda-feira, dia 28/3/2022.

Foram registrados 8.149 votos em branco e 12.681 votos nulos na soma das duas votações.

Com o resultado, foram eleitos os seguintes candidatos:


Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento
Fernando Amaral Baptista Filho


Conselho Deliberativo
Titular: Cristiana Silva Rocha Garbinatto
Suplente: Cláudio Alberto Fernandes do Nascimento
Titular: Alberto Alves Júnior
Suplente: Gilmar José dos Santos

Conselho Fiscal
Titular: Fernanda Lopes de Oliveira
Suplente: Diusa Alves de Almeida

Todos os eleitos tomam posse no dia 1º de junho e têm à frente um mandato de quatro anos de duração.

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Publicação da Contraf-CUT em 28/3/22:

Chapas 6 e 77 vencem eleição da Cassi

28 de março de 2022 - 18:56

Eleitos assumem cargos em junho e seguem até maio de 2026

As chapas 6 e 77, Unidos por uma Cassi Solidária, que tiveram o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações, sindicatos e da maioria das entidades associativas do país, foram as mais votadas nas eleições da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e vão assumir a diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento, além dos conselhos Deliberativo e Fiscal a partir de junho de 2022 até maio de 2026.

Do total de votantes, 56,38% votaram na Diretoria e Conselho Deliberativo e 53,24% votaram no Conselho Fiscal.

Veja abaixo os dados da votação:

Diretoria e Conselho Deliberativo:

Unidos por uma CASSI Solidária             39.923 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                20.048 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 16.112 votos
CASSI Independente                                  3.187 votos


Conselho Fiscal:

Unidos por uma CASSI Solidária             30.090 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                19.035 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 13.200 votos
CASSI Independente                                  3.200 votos

Obs.: Esses são os dados prévios, assim que sair a totalização oficial, alteramos aqui com a votação exata!

Mais informações em nosso site e redes sociais.


16.4.22

Memórias (XXIII)



Aniversário de 99 anos do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região. Uma entidade dos trabalhadores com muita história de lutas e conquistas. Uma entidade que nos traz muitas memórias. Parabéns às bancárias e bancários e a toda militância da ativa e aposentados! Vida longa ao nosso Sindicato!


Osasco, 16 de abril de 2022. Sábado.

Hoje é aniversário de 99 anos de nosso sindicato, que nasceu como uma associação de trabalhadores em 1923. De lá para cá foram muitas muitas histórias de lutas e conquistas. Vale lembrar também que muitas derrotas da classe trabalhadora fizeram parte dessa história, pois luta de classes é assim mesmo, se ganha e se perde. Quando se perde, a gente acumula forças e experiências para as batalhas seguintes.

Durante meu processo de formação política através do sindicato, aprendi com a militância mais antiga que na história das lutas de classes a gente que é da classe trabalhadora perde a maioria das batalhas empreendidas contra os donos do poder - capitalistas, banqueiros, coronéis, a casa-grande brasileira. Mas quando a gente ganha uma batalha é uma alegria imensa! É bom demais quando a gente, por exemplo, sai de uma campanha salarial com alguma conquista para os trabalhadores!

Minhas memórias em relação ao nosso sindicato são as mais diversas possíveis. São quase 35 anos de convivência entre o cidadão e a sua entidade sindical. Se fosse uma relação entre duas pessoas poderia ser dito que flertamos, ficamos, brigamos, lutamos juntos, namoramos, nos casamos, nos separamos, depois nos juntamos de novo e por aí vai. Três décadas não é qualquer coisa, é bastante tempo na vida humana e suas relações sociais, apesar de ser quase nada na história humana e das coisas do mundo.

Fiquei pensando em como escrever uma homenagem ao aniversário de nosso sindicato. Uma das formas que mais achei sentido foi aquela empreendida por Margo Glantz em seu livro de memórias Yo también me acuerdo (2014), que é um livro de memórias através de fragmentos de memória. Quando conheci o livro achei a técnica muito legal. Nessa estratégia de registros de lembranças de uma vida ou de uma época ou de alguma coisa, o fragmento basta em si mesmo. Sem ordem cronológica e ao sabor do que lhe vem à mente.

Antes de enumerar alguns fragmentos de memória em relação ao nosso sindicato, deixo registrado que o sindicato mudou a minha vida como pessoa ao longo de nossa relação como bancário sindicalizado e militante, tanto nos dois anos em que trabalhei no Unibanco quanto nos quase 27 anos em que trabalhei no Banco do Brasil. Me formei politicamente na convivência com o sindicato. Fui dirigente da entidade por 4 mandatos (2002-2014) e avalio que deixei minha contribuição ao fortalecimento da entidade ao longo de sua história de 99 anos.

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ME LEMBRO que havia definido uma estratégia de visitar as agências do BB nas quais quase ninguém havia aderido à greve e que eram agências importantes para puxar o movimento grevista se elas aderissem à paralisação. Era a campanha salarial de 2010, se não me engano. Nas reivindicações entregues à direção do banco, tínhamos questões específicas dos comissionados como a carreira de mérito e o não descomissionamento sem motivos definidos de forma clara. Cheguei à agência Osasco e pedi aos funcionários que nos reuníssemos no 2º andar para fazermos uma reunião. Minha relação com os colegas ali era muito boa e respeitosa. Durante a reunião, pedi que os colegas fossem francos comigo nas motivações para não aderirem à greve. Uma colega pediu a palavra e falou que tinha medo. Outros disseram o mesmo. Eu expliquei a ela, a todos, que o medo era uma coisa natural no ser humano. E também expliquei que a greve era justa, que o sindicato passou semanas reunido com os bancos para um acordo e os banqueiros não contribuíram para que a renovação da Convenção Coletiva na data-base ocorresse sem greve. E mais, que a greve era justa e era uma coisa pública. Então o medo era algo natural, legítimo, mas a nossa luta coletiva também era natural e legítima. A colega chorou. Outros colegas choraram. Eu comecei a chorar. Após essa emoção toda, os colegas fecharam o ponto e saímos todos da agência. Foi um momento muito marcante em minha vida, nas nossas vidas. A greve foi forte entre os comissionados do BB naquele ano e conquistamos questões específicas importantes.

ME LEMBRO que o pessoal só falava mal do sindicato. Estávamos reunidos na AABB e as pessoas se alternavam criticando isso ou aquilo. Eu era novo no Banco do Brasil e havia recebido um convite numa reunião sindical para participar de uma conversa sobre questões relativas ao BB. Estávamos nos anos noventa, ataques ao funcionalismo por parte do governo FHC a todo vapor. Ninguém falava mal do desgraçado do presidente nem de outros políticos do governo. Era só crítica ao sindicato, aos dirigentes do sindicato, o sindicato isso, o sindicato aquilo... eu comecei a me sentir constrangido com aquela situação. Tentei argumentar alguma coisa. Fui interrompido ao tentar defender o sindicato. Acabei me despedindo do pessoal e fui logo embora. Tempos depois é que fui compreender que aquele era um grupo de oposição à diretoria do sindicato e que o foco deles sempre me pareceu mais atacar o sindicato do que os patrões ou o governo. Acho que isso nunca mudou.

ME LEMBRO de um dia que entrei na sede do sindicato no edifício Martinelli e tudo me marcou naquele momento. Não sei por que esse dia marcou tanto, já que havia estado lá várias vezes. O que me lembro é que eu olhava as imagens e fotos nas paredes, nos corredores, nas mesas das pessoas, imagens do MST, da CUT, de sindicalistas como Lula, bandeiras do movimento social, sindical, estudantil, havia uma aura naquele dia e eu nunca mais esqueci. Talvez porque eu tenha entrado em áreas que nunca havia estado, áreas internas do sindicato. Se não me engano, acho que foi na primeira vez que entrei na sede do sindicato depois de eleito como diretor da entidade após as eleições de abril de 2002. Eu só fui liberado do dia a dia do banco para atividades sindicais em agosto daquele ano. Aquele encantamento que senti ao entrar no sindicato naquele dia marcante teve muita relação com o sindicalista que fui a partir daquele ano. Eu senti o peso do mundo em minhas mãos, em meus ombros, senti uma responsabilidade do tamanho do universo por ter me tornado diretor de nosso sindicato, de uma entidade tão histórica como aquela, por onde já havia passado tantas lideranças históricas, um dos maiores e mais importantes sindicatos da história de lutas dos bancários e da classe trabalhadora brasileira. Sabia que o mínimo que teria que fazer desde aquele momento era pôr toda a minha energia e minha vontade de lutar e minha inteligência a serviço dos trabalhadores e do sindicato e das lutas coletivas.

ME LEMBRO do Ferreira. O colega sempre me dizia que não gostava do sindicato, não gostava da gente, não gostava da esquerda, de sindicalista, do movimento. Era aquele típico trabalhador que não queria saber de conversa conosco. Na época, eu atuava na regional Oeste do sindicato. O pessoal da regional às vezes me achava meio xiita, exagerado demais. Eu saía com a Folha Bancária ou algum material específico do BB logo cedo, umas 9 horas da manhã, e ficava na base até umas 17 ou 18 horas. Começava com uma reunião antes da agência abrir e ficava em outra agência após o horário do fechamento do banco. O Ferreira não gostava sequer de pegar o jornal. Fui insistindo com ele durante o tempo de nossa convivência na regional. Ele me explicou os motivos dele. Eu pedi a ele uma chance pro sindicato. De pouquinho, fui quebrando o gelo dele. Passou a pegar a Folha, a revista O Espelho, passou a perguntar questões políticas etc. Sindicalizar nem pensar, ele dizia. Me disse que se um dia achasse que o sindicato estivesse atuando de uma forma satisfatória na visão dele, ele poderia repensar a recusa de se filiar à nossa entidade. Eu acabei indo atuar em outra regional, e depois o Ferreira também mudou de agência. Um tempo depois, encontro o Ferreira em uma dependência da regional Osasco. Foi um reencontro muito legal. Nos abraçamos, conversamos. E o colega me pediu a ficha de sindicalização e disse que estava convencido sobre a seriedade de nosso trabalho. É uma lembrança de encher os olhos d'água... Toda a nossa vida sindical teve momentos como esse... aliás, eu fui um bom sindicalizador desde quando era bancário do Unibanco. Cheguei a ganhar brindes do sindicato por fazer muita sindicalização.

ME LEMBRO que as conversas e debates com a companheirada dos sindicatos do Nordeste não eram simples, eram fraternas, mas era necessário desenvolver argumentos muito sólidos para convencer meus pares que a tese da unidade tinha sentido e que seria benéfica para todos nós, de bancos públicos e privados, do Sudeste e Sul e também do Norte, Nordeste e Centro Oeste. A história da campanha unificada dos bancários, da Convenção Coletiva nacional e da unidade da categoria é uma história muito bonita, muito debatida e exitosa a cada avanço que teve ao longo do tempo. Os receios e as opiniões diferentes na construção da campanha unificada eram mais que naturais. O Sudeste tinha uma maioria de bancários de bancos privados, e a maior parte do país tinha uma maioria de bancários de bancos públicos. No início da década dos anos dois mil, após os anos terríveis dos governos neoliberais dos anos noventa, os bancos públicos estavam sem reajuste há muitos anos, até sem acordos coletivos assinados, pois os governos não negociavam. Já na mesa de negociações entre os grandes bancos privados e sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) havíamos conseguido assinar a 1ª e única convenção coletiva com abrangência para diversos bancos e regiões do país, a CCT da CNB/CUT. Algo muito inovador desde 1992. Muitos sindicalistas entendiam que ao termos Lula na presidência, aquele era o momento dos bancos públicos recuperarem o atraso e seguirem lutando sozinhos em mesas separadas. Outros, como eu, achavam que lutar isolados nos exporia a ataques liberais e desinformações como já ocorria no passado. O debate foi longo e legítimo. Eu tinha plena convicção que a melhor estratégia para nós do BB e dos demais bancos públicos era a unidade na mesa única da categoria, ficando para acordos aditivos o que fosse específico do banco. Quando eu fazia os longos debates com nossos companheiros do Nordeste, pois sempre tive muita afinidade com a companheirada de lá, o pessoal brincava que eu representava o "império" por causa do tamanho da representação de São Paulo. Nesse debate respeitoso nós fomos avançando até chegarmos à campanha unificada e até o BB e demais bancos federais assinarem a Convenção Coletiva da CUT a partir de 2006. Boas lembranças!

ME LEMBRO daquela assembleia decisiva do Banco do Brasil em 2003. Era uma quinta-feira. Era a primeira campanha salarial sob o governo do PT. Era minha primeira campanha salarial como dirigente sindical liberado e com atuação na base. Não vou me alongar na descrição da memória. O governo e a Comissão de Empresa dos Funcionários chegaram a uma proposta durante o final de semana e teríamos assembleia dos funcionários do BB na quadra dos bancários na segunda-feira. A proposta foi rejeitada e nós começamos a greve na terça. Entre terça, quarta e quinta, os colegas do BB viveram uma espécie de catarse, um adeus anos FHC. Na campanha daquele ano, nossa prioridade nos públicos era que o governo respeitasse ao menos as conquistas e direitos acordados na mesa entre a CNB/CUT e a Fenaban. Coisa básica! Era a nossa tese da campanha unificada já em semente plantada. Não teve acordo com a direção do banco. Com o crescimento exponencial da greve naqueles 3 dias, o preço para sair da greve era muito maior àquela altura. Eu era muito basista, conhecia as lideranças da base em São Paulo, Osasco e região. O pessoal queria a revolução naquele momento de greve forte. A recompensa pela boa mobilização veio. A nova proposta, além de cumprir o índice acordado na mesa geral da categoria, trazia questões específicas muito importantes para os funcionários do BB. Teríamos a 1ª PLR com base nas regras da PLR da categoria, que era de 1995 e nós nunca havíamos recebido. Foi necessário obter autorização especial dos órgãos do governo porque como S.A. o BB não poderia gastar mais que 6,25% do Lucro Líquido e aplicar a regra da categoria num banco com a quantidade de bancários que tínhamos dava mais de 10% do Lucro Líquido; a proposta ainda tinha direitos novos importantes como 5 dias de abonos para os pós-1998 e a volta ao direito de eleger delegados sindicais com estabilidade. Os vales refeição e alimentação também foram igualados aos da CCT da categoria (eram menores no BB). Enfim, uma boa proposta para aquela boa greve. Na assembleia na quinta à noite na quadra dos bancários, o pessoal estava dividido, uma parte estava superfeliz pela proposta e queria o fim da greve, outra parte achava a proposta ruim e queria mais, muito mais. Os companheiros mais experientes me disseram que aquele era o momento de me tornar um dirigente sindical, pois a gente tem que saber entrar e sair de uma greve e uma greve não pode tudo. Havia o risco real de perdermos as conquistas caso a proposta fosse rejeitada e a greve continuasse. Fui um dos defensores da proposta perante a massa de trabalhadores. Me lembro que tive que ser muito firme nas minhas palavras e explicações sobre a importância de aceitarmos aquela proposta arrancada na luta. Alguns militantes próximos gritavam e estavam muito bravos com a minha defesa... Final das defesas... regime de votação... proposta aceita e fim da greve. Terminada a assembleia, encostei na parede atrás do palco da quadra, agachei, me sentei, e chorei... foi um grande dia na minha formação de dirigente sindical.

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Eu poderia ficar horas relembrando fragmentos de uma vida relacionada a momentos vividos na história de nosso sindicato. Mas por hoje está bom.

Mais uma vez, parabéns aos bancários e bancárias de nossa base, associados e ainda não associados, da ativa e aposentados. Parabéns ao nosso sindicato, à direção e aos funcionários e apoiadores que constroem diariamente a nossa história de lutas.

William

Associado 351524, desde 08/02/93. 

(antes, fui associado pelo Unibanco entre 1988 e 1990)


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14.4.22

Memórias (XXII)


Greve dos bancários 2013. Foto: M. Moraes.

O ano de 2013 foi um ano no qual participei de muitas coisas importantes para a categoria bancária e para a classe trabalhadora 


Revi 49 postagens de meu blog sindical A Categoria Bancária, postagens dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013. Avalio que aquele ano foi um dos anos em que mais contribuí para a classe trabalhadora enquanto dirigente maduro e formado nas bases dos bancários brasileiros. Foi praticamente meu último ano na coordenação nacional das mesas do Banco do Brasil. No ano seguinte eu iria participar das eleições da Cassi a partir de março.

Nas postagens do mês de outubro, revivi aqueles dias da longa greve da categoria bancária, foi uma queda de braço memorável entre nós e os banqueiros, 22 dias de greve. Os caras haviam decidido que não atenderiam mais nossas justas reivindicações de aumento real, novos direitos e melhorias nos direitos acordados na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Foi a maior greve dos bancários em 20 anos.

No final, nós arrancamos um reajuste de 8% nas verbas salariais com aumento real de 1,82%, reajuste de 8,5% e aumento real nos pisos de 2,29%, aumento no valor da PLR, um direito novo na CCT - um abono assiduidade por ano -, vale-cultura, cláusulas de questões contra assédio moral e metas abusivas etc (ler aqui). Foi uma campanha muito vitoriosa para a categoria bancária. Os banqueiros ficaram muito putos e o troco da casa-grande viria mais tarde, com o golpe de Estado e as perdas de direitos do povo brasileiro. 

No BB, foram diversas questões novas. Estávamos num processo de negociações permanentes desde anos anteriores e finalizamos a campanha 2013 efetivando diversas conquistas; entre 2012 e 2013, mesas negociais que coordenei, foram mais de 30 questões que avançaram no BB (ler resumo aqui).

Algumas conquistas foram muito caras para mim como negociador, pois me dediquei muito a elas entre os anos de 2012 e 2013. Um exemplo é a questão da bolsa dos estagiários do Banco do Brasil. Quando eu soube o quanto abaixo dos outros bancos estava a bolsa estágio no BB, fiquei indignado e prometi a mim mesmo que daria atenção a essa injustiça com cerca de 10 mil estagiários do banco.

Nas negociações em 2012, surpreendi os negociadores do BB em mesa com a questão e foi um constrangimento geral. Mostrei o valor dos outros bancos e o do BB. Não foi possível resolver naquela campanha. Em 2013 deu certo. Nós conseguimos um aumento de 71% na bolsa estágio no Banco do Brasil e a conquista favoreceu 10 mil pessoas, jovens estudantes. Fiquei muito feliz por isso. Eu fui estagiário do BB em 1992 e sei o quanto é dura a vida de estagiário. 

Veja aqui uma avaliação que fiz sobre as conquistas da campanha 2013.

Uma das maiores pelejas entre nós e os banqueiros foi a questão da compensação das horas da greve da categoria. Foram horas de impasse na negociação final. Os banqueiros queriam 180 dias de compensação integral das horas. Nós não aceitamos, a culpa daquela greve longa foi exclusivamente dos banqueiros! No fim, só permitimos compensar até 1 hora por dia e até o dia 15 de dezembro. Boa parte da categoria não iria compensar boa parte das horas da greve. Vitória da persistência nossa.

Depois de assinados os acordos - o geral e os aditivos - a direção do Banco do Brasil começou o assédio moral e a prática antissindical em relação aos colegas que participaram da greve e construíram a campanha vitoriosa. Nós fomos pra cima dos assediadores do banco. Já de cara, paralisamos em São Paulo as maiores concentrações de bancários. Orientamos os sindicatos a radicalizarem onde houvesse perseguição a um colega grevista. Deu trabalho o pós-greve, mas fizemos o que tinha que ser feito.

Lembranças! Eu olho para os meus papéis e documentos relativos àquelas semanas de negociações em 2013 e fico com dó de jogar fora. Cheguei a pensar em escrever um livro sobre aqueles onze anos de campanhas salariais (2003-2013) nas quais tive participação na condução delas, inclusive com defesas das propostas nas assembleias na quadra dos bancários em São Paulo... campanhas e estratégias que trouxeram novos paradigmas para a classe trabalhadora. Acho que fiz meu melhor nessa missão de vida.

Campanhas unificadas entre bancos públicos e privados, fortalecimento da única convenção coletiva com a abrangência da nossa assinada em 1992 e renovada desde então, direitos novos e conquistas por uma década inteira. Fizemos boas campanhas. Enfim, pensei em escrever um livro de memórias das campanhas dos bancários do período posterior a 2002 porque já tínhamos dois livros de resgates históricos, um do Sindicato de São Paulo, resgatando a história até 1992, e tínhamos o da CNB/CUT, resgatando nossa história até 2002. 

Vieram novas funções de representação a partir de 2014 e acabei dedicando minha vida e minhas energias nos anos seguintes à gestão de uma Caixa de Assistência em saúde, a dos funcionários do Banco do Brasil (Cassi), e as pilhas de documentos e as anotações e papeladas a respeito da construção de muitas histórias dos bancários perderam o sentido para mim e acredito que para todo mundo. Os tempos não são mais de resgatar a história de lutas da classe trabalhadora.

É isso. Para hoje tá bom. Memórias de lutas vividas. Em 2013, nós bancários brasileiros fomos bons combatentes na defesa dos direitos, inclusive fomos preponderantes na luta ferrenha contra a aprovação no Congresso do PL 4330, da terceirização total. Tenho orgulho de ter feito parte dessas lutas. Seguramos mais um tempo os direitos dos trabalhadores. Depois do golpe "com o Supremo com tudo" não teve mais jeito... mas essa é outra história.

William


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10.4.22

Memórias (XXI)



O papel de educação em saúde que a Cassi tinha através do modelo de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e das CliniCassi


Uma reflexão a partir do que aprendi com os profissionais de saúde da Cassi me fez abrir nesta manhã de domingo uma nova caixa de comprimidos para controle de pressão alta e tomar o comprimido que não tomei nos últimos dois dias. O modelo assistencial da Caixa de Assistência (a ESF) atuava para que o próprio participante do sistema fosse protagonista de seu destino no que diz respeito à saúde e à vida. Esse é um dos focos da medicina de família e comunidade, modelo exitoso onde é implantado: educação em saúde e participação ativa do usuário.

Ao terminar a caixa de remédio anterior, pensei em esperar para voltar a tomar os comprimidos de controle de pressão alta somente quando pudesse agendar uma consulta à Cassi, isso se daria após fazer os exames de rotina que pedi para fazer depois de dois anos sem controle algum por causa da pandemia mundial de Covid-19. Estou falando de exames básicos de sangue, urina etc. Como quase todos nós somos relapsos quando se trata da própria saúde, já faz um certo tempo que estou enrolando para fazer os exames de rotina. Vai saber quando é que vou efetivamente passar com a equipe de família com os exames realizados.

Milhões de pessoas no Brasil e no mundo morrem ou sofrem sequelas de infartos e AVC em consequência de não controlarem as principais doenças crônicas que acometem uma quantidade enorme de gente nas mais diversas idades. As doenças crônicas são silenciosas e a grande maioria das pessoas não sabe que é doente crônica. Uma questão básica de atenção primária na medicina de família e comunidade é acompanhar e monitorar casos de pressão alta, diabetes e níveis de colesterol de pessoas cadastradas em equipes de família.

Eu pertenço a um sistema de saúde privado - a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde - que desenvolveu um modelo assistencial desde o final dos anos noventa baseado na Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma das formas de Atenção Primária em sistemas de saúde. Como participante cadastrado na ESF, tive a oportunidade de ser orientado sobre saúde após 2014. 

Enfim, não vou começar o blá blá blá sobre o modelo assistencial da Cassi na atualidade e sobre a destruição dele a partir de 2018 com a eleição de pessoas de um tal grupo de liberais autodenominado Grupo Mais. Esse não é o foco desta postagem de memórias. Aqueles colegas eleitos em 2018 e 2020 se uniram a outros indicados pelo patrocinador para desfazer o modelo próprio de saúde (ESF/CliniCassi) e terceirizar o cuidado de nossas vidas para os capitalistas do mercado de saúde. 

Retomando minha reflexão sobre voltar a tomar o comprimido de controle de pressão alta nesta manhã de domingo, ela se deu por causa dos ensinamentos que adquiri a partir de 2014 ao ser um participante cadastrado em uma equipe de família no modelo ESF da Cassi, e ter tido as orientações preventivas basilares sobre causas e consequências em relação às doenças crônicas e seus agravamentos caso as cronicidades não sejam controladas e monitoradas. 

Não é preciso ser da área da saúde para ser orientado como ser humano que alterações na pressão arterial, colesterol alterado ou diabetes podem ocasionar sérios riscos a órgãos internos como cérebro, rins, fígado, olhos, veias e artérias, coração, pulmão etc. Sistemas circulatório, respiratório, endócrino e nervoso podem sofrer danos irreparáveis sem o controle da pressão e dos níveis de colesterol. 

Nos primeiros dois dias sem tomar o remédio minha pressão arterial seguiu boa: 12x8. No entanto, nesta manhã vi que ela já havia se alterado para 13,5x10. Refleti então que não tomar o comprimido e me expor a um ataque cardíaco ou a um AVC seria uma coisa estúpida, burra. Eu não tenho medo de morrer, mas não gostaria de ser um sequelado de um infarto ou AVC se isso puder ser evitado. Além disso, como ser social seria estupidez me expor a um risco desnecessário sendo que quase todos nós temos pessoas em nossas relações que sofreriam com nossa ausência, tanto de forma psicológica quanto financeira.

Acho que paro essas memórias por aqui. Ter sido gestor do modelo de saúde da Cassi entre 2014 e 2018 me deu conhecimentos que me impedem de ser tão irresponsável com minha saúde como era antes. É lógico que sigo sendo um cidadão que vive inserido numa cultura inversa ao modelo que a Cassi perseguia, preventivo e que monitorava a população cadastrada ao longo de toda a vida. Ou seja, sem um trabalho ativo das equipes de saúde da ESF, minha tendência é a da maioria, só procurar o sistema quando estiver com algum problema de saúde, por dor, por incômodo, por "necessidade".

O modelo do mercado, ao qual a direção da Cassi optou por seguir, tem essa lógica de gerar procedimentos médicos e necessidades de eventos (ocupar leitos e vender serviços): se sentir alguma dor, se estiver doente, se quiser fazer algo que viu nas propagandas, faça uma teleconsulta, procure um profissional de saúde, um hospital ou clínica blá blá blá. Isso é uma tragédia para as pessoas e para os sistemas de saúde, por mais que elas não entendam isso! Quando os usuários fizerem suas demandas, a saúde deles já era...

O mercado, a indústria de procedimentos médicos, materiais e medicamentos agradecem aos gestores que optam pelo modelo curativo e não o preventivo. O lucro do mercado de saúde é com as nossas doenças agravadas, com o nosso "salvamento" ou assistência talvez longa até nossa morte. 

E o lucro do mercado de saúde também é com as nossas demandas por causas externas como a violência pregada pelo regime fascista no poder e os acidentes diversos que demandam leitos e atendimentos caríssimos. A Cassi optou por desfazer suas estruturas próprias e baratas de equipes de família, unidades de atenção primária CliniCassi e optou por apostar nos capitalistas do mercado de saúde.

Que os deuses diversos e a sorte nos protejam. 

William


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8.3.22

Memórias (XX)



Osasco, 8 de março de 2022. Dia dedicado às lutas das mulheres. Todo apoio às justas causas das mulheres do mundo.


Memórias de dezembro de 2013: fortalecendo o sindicalismo nacional, com formação, e internacional, com apoio brasileiro aos trabalhadores norte-americanos

Na postagem de hoje, trago algumas lembranças das agendas sindicais nas quais estive envolvido no final do ano de militância de 2013. Foram dias intensos como tenho relatado aqui nestas Memórias no blog. Para ver as 10 postagens daquele mês é só clicar aqui.

Naquele período eu era diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região, era o secretário de formação de nossa confederação, a Contraf-CUT, e estava como coordenador nacional da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, COE-BB ou CEBB.

Havíamos fechado uma boa campanha salarial da categoria em 2013. Na mesa específica do BB, que coordenei, tivemos avanços importantes (ver propostas aprovadas aqui).

Na área sob minha responsabilidade na Contraf, a formação, estávamos coordenando a 8ª turma do curso de formação PCDA - Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro -, um curso em 3 módulos de imersão, organizado e patrocinado pelas próprias entidades do movimento, a Contraf, federações e sindicatos e com o apoio do Dieese e suas equipes técnicas.

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Turma do 2º módulo do 8º curso PCDA.

FORMAÇÃO

Ao organizar minhas pilhas de papéis e documentos, me deparei com a pasta que continha os materiais do 2º módulo do curso que estávamos realizando com a 8ª turma de dirigentes e assessores sindicais bancários.

O material é de uma riqueza imensa em termos de conhecimentos técnicos e políticos que compartilhamos com as companheiras e companheiros que participaram do curso. 

Durante 3 módulos foram 32 pessoas de diversas bases sindicais envolvidas com a construção de conhecimento coletivo para a luta da classe trabalhadora - 26 alun@s e 6 pessoas permanentes da equipe da Contraf e Dieese, fora os palestrantes que passaram pelo curso. 

É uma pena ter que me desfazer de tantos papéis acumulados em anos de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira. Na postagem sobre o curso, pelo menos anotei a programação do 2º módulo ocorrido em dezembro de 2013 (ver aqui).

A nota triste foi lembrar que 3 pessoas que estiveram conosco faleceram de lá para cá. Deixo aqui uma lembrança saudosa dos amigos e companheiros Valtinho, da Contraf, Paquetá, do Sindicato do Rio, e Carlos, do Sul Fluminense. Companheiros: presente!

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ESTADOS UNIDOS: CONTRIBUINDO COM A LUTA DOS BANCÁRI@S

Na primeira semana daquele mês de dezembro, estivemos em Nova York, nós sindicalistas brasileiros e sindicalistas norte-americanos, para nos reunirmos com o Banco do Brasil.

Nós havíamos avançado aqui no Brasil no Acordo Marco entre o BB, a Contraf-CUT e a UNI Américas e o banco público brasileiro havia se comprometido a respeitar as legislações locais e os termos do acordo no que tange à organização sindical onde o banco tinha operações e instalações.

Nós brasileiros, após décadas de avanços na organização sindical bancária e na conquista de direitos para os trabalhadores, contratados em Convenção Coletiva e Acordos Coletivos, estávamos numa parceria com o sindicalismo norte-americano (no caso, a CWA) e de todas as Américas para organizar sindicatos e direitos de trabalhadores de instituições financeiras. 

Para vocês terem uma ideia, categorias organizadas em sindicatos têm muito mais direitos que categorias sem sindicalização nos Estados Unidos. Os bancários não tinham sindicato lá em 2013 e tinham poucos direitos. 

Questões básicas como férias, licença-maternidade, 13º salário, vales refeição e alimentação não existiam ou eram bem menores para as bancárias e bancários do BB em Nova York e Miami. Não era uma questão só do BB, era de todos os bancários norte-americanos em relação aos bancários brasileiros.

As parcerias sindicais foram no intuito de organizar os trabalhadores do ramo financeiro de lá. Estive por duas vezes nas equipes brasileiras que foram contribuir com essa luta, por ser coordenador da CEBB da Contraf-CUT e pelo fato de o BB ter conosco o Acordo Marco. Clique aqui e veja a postagem sobre a reunião nos EUA.

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É isso! Boas lembranças de participação nas lutas da classe trabalhadora brasileira e de outros países.

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

William


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28.2.22

Memórias (XIX)


Conversando com associados da Cassi MS (out/2016).

Cassi e Cassems, exemplos de autogestão em saúde


Opinião

Nesta semana que passou conversei com um colega aposentado do Banco do Brasil a respeito de nossa Caixa de Assistência e da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado do Mato Grosso do Sul. Ele está desenvolvendo um trabalho acadêmico que aborda questões sobre essas instituições de trabalhadores e como tive a oportunidade de ser gestor de nossa autogestão o colega avaliou que eu poderia compartilhar com ele algumas impressões e experiências que tive como gestor de saúde. Tivemos uma boa conversa.

Tenho boas lembranças a respeito dessas autogestões. As histórias dessas duas caixas de assistência à saúde são belíssimas, são exemplos de realização coletiva a partir do desejo do bem comum, são instituições que têm em sua raiz o desejo de solidariedade de classe. 

CASSEMS

Da Cassems tenho informações essenciais, públicas, li o livro comemorativo dos 15 anos de existência da autogestão e estive em contato com a instituição durante o mandato eletivo que exerci de diretor de saúde da Cassi (2014/18). Tenho uma leitura geral sobre a Cassems em relação à estratégia que os associados adotaram para a Caixa de Assistência (operadora) se estabelecer no agressivo mercado de saúde privado brasileiro. 

A palavra é essa mesma - "agressivo mercado" - porque ao se conhecer por dentro a forma como opera essa "indústria" fica claro o quanto pesa a questão do lucro e retorno financeiro nos objetivos dos vendedores de serviços de saúde. É uma grande indústria capitalista essa da saúde/doença como mercadoria.

Aliás, para vocês conhecerem a pujança da Cassems eu sugiro que vocês naveguem pelo site da autogestão. É de encher os olhos, lá vocês vão ver informações sobre os 10 (dez) hospitais próprios dos servidores do Estado. Conheço a história da aquisição e funcionamento de cada um deles porque li a respeito no livro comemorativo. 

Os servidores sul-mato-grossenses enfrentam os abusos cometidos pelo mercado privado de saúde (valores abusivos nos preços da rede credenciada) de igual para igual ao terem estruturas próprias de saúde em todos os níveis. 

CASSEMS: GESTÃO DO CUSTO SEM DEIXAR DE TER O SERVIÇO - Outra vantagem dessa estrutura verticalizada da Cassems é a gestão do custo da saúde. Uma coisa é comprar tudo fora como faz a Cassi, outra coisa é conhecer por dentro as operações dessa "indústria" que movimenta bilhões de reais por ano. Tendo estrutura própria, como faz o mercado privado que visa lucro, a Cassems pode direcionar boa parte de sua demanda por saúde para sua própria rede, ficando alguma coisa para ser feita em credenciados dos empresários-médicos do mercado.

Para vocês terem uma ideia, a Cassi chega a pagar mais de 1/2 bilhão de reais ao ano somente para 1 (um) prestador de serviços. Por não gerirmos estruturas de saúde de 2º e 3º graus, estruturas de procedimentos de alto custo, ficamos nas mãos dos médicos-capitalistas, cooperativas médicas por área profissional, médicos-empresários que faturam mais quanto mais procedimentos fazem em nossos participantes do sistema Cassi (fee for service), dentre outras desvantagens que o mercado oferece, como criar desejos que não são necessidades das pessoas e usar materiais que custam várias vezes mais que outros de mesma qualidade. 

CASSI OPTA POR FICAR NA DEPENDÊNCIA DO MERCADO PARA TUDO - A Cassi do Brasil pós-golpe não quer ter estruturas próprias de saúde (por opção da direção porque tem recursos para isso). A direção da Cassi está se desfazendo até da estrutura baratíssima de atenção primária e medicina de família, e assim a forma para "gerir custos" acaba sendo reduzir a rede prestadora e tirar os fornecedores do mercado de saúde que cobram mais caro. Vejam o exemplo da rede do novo plano que a direção atual lançou no "mercado". Um plano chamado Cassi Essencial com menos direitos, coberturas, rede, e com coparticipação e taxa de internação. 

(Cassi Essencial: o usuário acha que vai economizar em relação ao plano Cassi Família II, acha..., e vai perceber na hora que precisar que a coisa não é bem assim...)

A Cassems se estabeleceu de forma sólida em duas décadas de existência e hoje avança promovendo saúde e cuidando de uma população de quase 200 mil beneficiários. Eu continuo com a opinião que o modelo de verticalização da Cassems deveria ser estudado e implantado na autogestão da comunidade Banco do Brasil.

CASSI

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil foi criada em 1944 por colegas do banco e ao longo de décadas de existência foi incluindo novos participantes e avançando em direitos após lutas históricas do movimento sindical e associativo do quadro de trabalhadores desse banco público bicentenário.

Não vou aqui descrever a história da Cassi (fiz isso ao longo de centenas de postagens quando fui gestor eleito). 

O importante é destacar que nas primeiras 5 décadas de existência (de 1944 a 1995) a Caixa de Assistência foi uma mera pagadora de serviços de saúde do mercado empresarial privado. Ela praticamente ressarcia as despesas de seus associados. Modelos assim tendem a ter sérios problemas de déficit porque a inflação médica e as novas tecnologias e demandas de saúde sempre vão impactar no valor da compra de serviços em relação à capacidade do plano de saúde em arrecadar recursos para fazer frente às despesas assistenciais - nem sempre necessárias ou adequadas à saúde dos assistidos.

A reforma estatutária de 1996 mudou a essência da Caixa de Assistência, que passou a fazer - ou deveria - a gestão da saúde de uma determinada população ao longo do tempo e definiu um modelo assistencial para cumprir esse objetivo de Atenção Integral à Saúde. O modelo escolhido foi um dos mais exitosos no mundo quando se avalia modelos assistenciais e sistemas de saúde: um modelo baseado na medicina de família e comunidade (MFC), muito adequado para o perfil da população de associados e familiares que o sistema Cassi continha. 

Entre 1996 e 2001 foram feitos pilotos sobre o melhor modelo assistencial para se atingir o objetivo de Atenção Integral à Saúde, objetivo estatutário do sistema Cassi cuja essência e base é o Plano de Associados (e não planos de mercado x ou y). 

A Cassi e os patrocinadores definiram que a instituição (operadora) passaria a cuidar de sua população assistida através de um modelo de medicina de família, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), uma das formas de se fazer Atenção Primária em Saúde (APS). A base do modelo definido e aprovado pela Cassi era ter uma estrutura PRÓPRIA de CliniCassi com equipes de família PRÓPRIAS e programas de saúde adequados aos diversos grupos de risco e populacionais identificados e acompanhados pelas CliniCassi, que seriam coordenadas por unidades regionais, em todas as capitais do país.

O que interessa registrar nesta postagem de Memórias é que a experiência de gestão e os estudos dedicados à Cassi e à gestão de modelos de saúde me permitiu ter claro algumas questões a respeito do tema. Uma coisa é o custeio e outra é o modelo assistencial, por exemplo. Uma é como se arrecada os recursos da Caixa de Assistência, outra é como se utiliza os recursos arrecadados. 

Como disse acima, a Caixa de Assistência sempre teve problemas de déficits em suas décadas de história e alguns motivos são claros como, por exemplo, os custos elevados e crescentes dos serviços comprados e a dificuldade de aumentar receitas para fazer frente às despesas assistenciais, em sua imensa maioria de procedimentos curativos e não preventivos.

CASSI COMPROVA EFICIÊNCIA DO MODELO APS/ESF/CLINICASSI - Estudos realizados na diretoria de saúde durante o nosso mandato comprovaram a eficiência do modelo de Estratégia Saúde da Família a partir da estrutura própria de atenção primária e gestão local do modelo, as CliniCassi com equipes de família e as unidades regionais da Cassi nos Estados e DF.

Nossas equipes técnicas desenvolveram metodologia própria inédita no mercado para demonstrar que populações cadastradas e vinculadas por um determinado tempo no sistema ESF/CliniCassi tinham custos assistenciais menores, menos internações, menos idas ao pronto socorro/atendimento, de acordo com determinados graus de complexidade e isso mesmo nas faixas etárias maiores. 

Chegamos a demonstrar estudos onde o crescimento de despesas assistenciais de faixas etárias de 60 e 70 anos de populações cadastradas e vinculadas à ESF era menor que o crescimento de despesas assistenciais de não cadastrados nas primeiras faixas etárias, de 30 e 40 anos. 

Demonstramos que mesmo dentro da curva A, grupo com os participantes de maior custo em um plano de saúde, as despesas assistenciais eram quase 15% menores nos vinculados à ESF em relação a não cadastrados. Estou falando de um grupo cujas despesas assistenciais chegam a um bilhão de reais, conforme o ano avaliado.

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Enfim, essas postagens cansam tanto quem escreve quanto os raros leitores que leem. A Cassi fez uma reforma estatutária para melhorar a questão do custeio em 2019 e teria tudo para avançar no modelo próprio de APS/ESF/CliniCassi e se tornar menos dependente do mercado como faz a Cassems. 

Mas... a direção que passou a comandar a autogestão fez o inverso, passou a apostar todas as fichas no mercado privado, desfazendo algo que havia sido comprovado que era o que de melhor tinha na Cassi, seu modelo assistencial solidário, próprio e autônomo e que nos levaria a sermos menos dependentes do mercado consumidor de recursos dos planos.

Fim dessas Memórias e reflexões sobre autogestões em saúde, instituições associativas de trabalhadores.

William


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18.2.22

Memórias (XVIII)


Eu e Miguel no FSM, Belém do Pará, 2009.
Foto de Paulo de Tarso.

Fórum Social Mundial, Cursos de Formação da Contraf-CUT em parcerias com o Dieese e entidades sindicais e curso de formação na Organização Internacional do Trabalho (OIT) foram algumas das agendas sindicais nas quais me envolvi em 2009


Ao revisitar uma agenda do ano de 2009 pude relembrar alguns momentos sindicais que compuseram minha formação política daquele ano e minhas contribuições para a organização dos trabalhadores na luta de classes.

Para complementar minhas memórias, aproveitei para dar uma repassada nas 211 postagens de meu blog sindical A Categoria Bancária (ver aqui), pois naquele momento eu já estava acrescentando à agenda de papel uma espécie de agenda sindical pública, uma prestação de contas de minha representação dos trabalhadores e entidades sindicais.

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#FSM2009 - No mês de janeiro fui um dos representantes da Contraf-CUT e de nossas entidades sindicais bancárias paulistas a participar da edição do Fórum Social Mundial, ocorrida em Belém do Pará. Eu e o companheiro Miguel Pereira tivemos uma oficina sobre questões do ramo financeiro (foto que abre a postagem, feita por Paulo de Tarso).

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OLT - As visitas e reuniões nos locais de trabalho foram intensas nos meses de janeiro (aqui) e fevereiro (aqui). Na agenda sindical constam reuniões em diversas agências e departamentos do Banco do Brasil. Também tivemos reuniões com delegad@s sindicais. Eu sempre pautei todo tipo de assunto para os bancários que representava, assim o líder sindical politizava a categoria que representava. Um sindicato cidadão politiza todas as questões do mundo do trabalho e da cidadania das pessoas.

Terminei o ano da forma que comecei: estando na base e discutindo questões sensíveis aos trabalhadores do BB relativas à ascensão profissional. Foi no dia 30/12/09, ver registro aqui.

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Eu e o companheiro Genésio no ato contra a FSP.

ATO CONTRA FOLHA DE SÃO PAULO "DITABRANDA" - No mês de março de 2009 participei de uma atividade na porta do jornal Folha de São Paulo, que havia dito que no Brasil a ditadura teria sido "branda" (ver postagem aqui). Durante o mandato na Contraf-CUT como secretário de imprensa eu me envolvi muito com a temática de comunicação. Foi uma lição para toda a vida.

O mês de março foi bem agitado. Estive em várias bases sindicais a trabalho. Fui ao Paraná e ao Rio de Janeiro para participar de questões relativas ao Banco do Brasil. A Contraf-CUT estava organizando seu congresso e com isso tivemos muitas agendas e grupos temáticos. Ver aqui postagens do mês.

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30 ANOS DE RETOMADA DO SINDICATO (1979-2009) - Ainda em março, tivemos um evento comemorativo da histórica retomada do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e região da mão dos pelegos que serviam à ditadura daquela época. Gushiken foi o grande homenageado, junto a outros companheiros que contribuíram para a formação do Novo Sindicalismo brasileiro. Ler postagem aqui.

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2º CONGRESSO DA CONTRAF-CUT - Em abril, a delegação do congresso de nossa confederação elege a nova diretoria para o triênio 2009/12. O companheiro Vagner Freitas deixa a presidência e assume o comando da entidade o companheiro Carlos Cordeiro. Fui eleito secretário de formação e o companheiro Ademir assumiu a secretaria de imprensa. Novos desafios e nova aprendizagem começavam ali para todos nós. Ver postagem aqui.

Ainda no mês de abril nós tivemos os congressos de BB (20º) e Caixa Federal em Brasília. Fiz artigo no mês falando sobre "Melhorar renda, condições de trabalho e a vida da classe trabalhadora" (ler aqui). Também fiz um artigo sobre "Formação e informação". Gostei do conteúdo ao reler o texto (aqui). Segue bem atual a questão pautada nele.

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ENCONTROS ORGANIZATIVOS - Os meses seguintes foram meses de preparação para diversos encontros e congressos da estrutura sindical brasileira. Tivemos eventos da corrente política Articulação Sindical, tivemos CECUT e CONCUT, seminários e fóruns preparatórios e organizativos da campanha dos bancários, dentre outros eventos políticos. Na Contraf-CUT realizamos nosso planejamento de gestão.

E mesmo com agenda intensa da estrutura sindical, lá está o registro de minhas visitas às bases sindicais, conversando com os trabalhadores que representava (OLT).

Em relação à secretaria de formação, organizamos um encontro nacional com as entidades afiliadas à Contraf-CUT e do Comando Nacional. Ler aqui. (como já comentei diversas vezes, os links de nossas entidades sindicais normalmente dão a mensagem "error", ou seja, não temos mais o conteúdo virtual: história apagada, deletada)

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Participação em curso na OIT, Turim, Itália.

PARTICIPAÇÃO EM CURSO DA OIT, REPRESENTANDO A CUT

No mês de setembro, estive por 3 semanas em um curso de formação na Organização Internacional do Trabalho (OIT), com sede em Turim, Itália. A pauta principal do encontro era a crise mundial causada pela crise do subprime e as consequências para a classe trabalhadora. Foram representantes sindicais de diversos países sul-americanos e da América Central e Caribe.

As duas primeiras semanas foram na sede da OIT na Itália e a última semana do curso foi em Madri, Espanha, na sede das CCOO. Fui indicado na vaga da CUT pela nossa confederação e ramo financeiro.

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GREVE DE 15 DIAS - Em outubro, tivemos a campanha nacional dos bancários e como era prática dos banqueiros não apresentarem proposta razoável em mesa de negociação, a categoria foi à luta e a campanha teve uma boa greve para arrancar uma proposta melhor dos banqueiros na mesa única da campanha geral e propostas nas mesas específicas dos bancos públicos. Ver aqui.

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Na foto: Miguel Huertas, Regina, Carlindo,
eu, Magaly e Cardoso. Não tenho o nome
do autor da foto.

1º CURSO DE FORMAÇÃO DA CONTRAF-CUT/DIEESE - SINDICATO, SOCIEDADE E SISTEMA FINANCEIRO

Entre os dias 26 e 30 de outubro, realizamos em Minas Gerais o 1º módulo do 1º curso de uma longa série de cursos de formação numa parceria da Confederação, Dieese e entidades sindicais, que patrocinaram a formação de seus dirigentes e assessores. Ver uma postagem sobre o módulo do curso aqui.

Tivemos o privilégio de estar à frente de um curso muito exitoso, com a participação de centenas de pessoas ao longo de 6 anos na secretaria de formação. Praticamente tod@s completaram os 3 módulos do curso de PCDA. As lideranças que não concluíram tiveram agendas complicadas em suas bases de representação.

A convivência com os amig@s e companheir@s do Dieese e convidad@s palestrantes foi uma escola de vida para mim e para as pessoas que passaram pelos cursos. E aprendemos muito uns com os outros, cada pessoa passava o conhecimento que tinha. Sem dúvida, os anos de formação sindical foram alguns dos melhores anos de minha lembrança na vida sindical.

O 2º módulo ocorreu no Rio de Janeiro (ver aqui) e o 3º módulo fechou o curso da 1ª turma (aqui).

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FALECIMENTO NA FAMÍLIA - No mês de novembro de 2009 sofremos uma grande perda em família, faleceu a nossa querida tia Alice, lá em Minas Gerais, em decorrência de um câncer. Tia Alice era funcionária da Prefeitura de Uberlândia, cuidava de uma praça onde cresci - bairro Marta Helena - e sempre foi muito amada por todos nós. Saudades imensas de tia Alice! Eu sempre tive orgulho de ser um dirigente sindical porque pensava em melhorar a vida do povo simples brasileiro como era a tia Alice.

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Enfim, termino aqui mais um momento de Memórias. Foram horas trabalhosas de pesquisa e leitura, mas valeu a pena para deixar registrado momentos singelos de lutas da classe trabalhadora. 

Os momentos que vivi não são só meus, são nossos. Somos indivíduos, mas somos legião. Se estivermos organizados e com projetos claros e bem estruturados para nos engajarmos, temos chances de boas lutas contra os capitalistas, mas isolados e com cada um cuidando de seus interesses, só temos derrotas e sofrimentos acumulados.

É isso!

William


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11.2.22

Memórias (XVII)



Revendo anotações de um velho caderno do ano de 2005

A vez do escrutínio de papéis velhos foi a do velho caderno de anotações com a bela capa colorida de nossa antiga gráfica do Sindicato. Deu pra reduzir bastante o volume de páginas de anotações episódicas. O que ficou é muito interessante. As anotações do processo de formação de chapa do Sindicato para as eleições de 2005. 

Amig@s, montar uma chapa eleitoral como a de nosso Sindicato é um processo bastante complexo. Emociona relembrar aqueles meses de reuniões com a militância, com os dirigentes e rever os dilemas que enfrentamos para definir alguns nomes em meio a tanta gente boa disposta a contribuir com a luta. Sem dúvida, a política é a melhor forma de resolver as coisas na sociedade humana. 

Pelas anotações, me lembrei do quanto eu tinha contatos e militância em meu trabalho do dia a dia de OLT (Organização por Local de Trabalho). Contei perto de 40 militantes de minha lista de contatos. Muitos deles, amigas e amigos até hoje.

CONTEXTO - Eu era da Executiva do Sindicato, era secretário de organização, uma pasta que compunha o que chamávamos de Comitê Administrativo: Presidência, Secretaria Geral, Sosa e Finanças. 

Eu estava terminando meu primeiro mandato no Sindicato. Como já disse em outras postagens, a minha formação política neste mandato foi exponencial, foi acelerada. Ao final daquela formação de chapa, nosso Coletivo BB definiu que eu fosse para a representação de São Paulo na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB e outro companheiro assumiu a nossa vaga na Executiva do Sindicato.

ANOS DE FORMAÇÃO POLÍTICA

Tivemos a campanha salarial de 2003 com rejeição em assembleia das propostas feitas pelas direções de BB e Caixa Federal após aprovação da proposta geral da Fenaban, era o 1º ano de Governo Lula. Tivemos uma greve fulminante no BB em 3 dias (se não me engano, na Caixa foram 8 dias) e tiramos grandes conquistas após a greve. 

CONQUISTAS - O BB cumpriu o reajuste da categoria (Fenaban), conquistamos o direito à PLR nos moldes da PLR da categoria, sem excluir ninguém (autorização do Dest por gastar mais de 6,25% do LL), passamos a ter um valor maior de cesta-alimentação (isonomia com CCT), 5 dias de abonos para os pós-1998 (isonomia com os mais antigos) e o direito de eleger delegados sindicais com estabilidade. 

Em 2004 tivemos uma campanha salarial duríssima, com uma boa proposta construída em mesa de negociação com a Fenaban e bancos públicos (aumento real, boa PLR e um direito novo: a 13ª cesta-alimentação) e rejeição da proposta em assembleia com uma greve de 30 dias e julgamento no TST, que reduziu direitos conquistados em mesa negocial e ordem de compensar dias de greve, coisa que não havia acontecido em 2003. A 13ª cesta-alimentação só viria como direito na CCT em 2007.

E tivemos ainda uma tentativa de divisão de base em nosso Sindicato, em uma de nossas regionais, a de Osasco e região. Os novatos da chapa eleita em 2002 tiveram que aprender política rapidamente naquele mandato que se encerrava em 2005. 

Eu era o responsável político do Coletivo BB por questões específicas do banco em duas regionais do Sindicato, a da Oeste e a de Osasco. Tínhamos poucos dirigentes na diretoria. Me envolvi diretamente na peleja de manutenção da base sindical porque eu pertencia a ela, eu era da agência Vila Iara - Osasco. 

Enfim, era muito trabalho político para administrar na base do Banco do Brasil. Após um período nas duas regionais, acabei sendo o responsável político pelas questões BB na regional Centro e pelo complexo do BB no Edifício da São João, eram 22 dependências no prédio. Eu não quis deixar de fazer base ao virar membro da Executiva e seria mais fácil realizar OLT no prédio ao lado do Martinelli.

Posso afirmar que aprendi muito em 3 anos. Ainda tivemos a reforma da sede do Martinelli, eu era do Comitê Administrativo e tivemos muito trabalho naquela bela reforma que foi feita.

William


Post Scriptum: minhas memórias sindicais e políticas não têm intenções de ficar expondo nem a militância nem as nossas instituições organizativas das lutas de classes. Sempre que possível, registro alguma memória sem citar nomes de pessoas, o que vale é a lembrança e o aprendizado político, nas vitórias e nas derrotas do dia a dia da organização sindical.

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