Páginas

Mostrando postagens com marcador Cadernos do blog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cadernos do blog. Mostrar todas as postagens

13.5.26

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2012


 

RETROSPECTIVA 2012

Em janeiro eu estava em férias no movimento sindical. Publiquei um artigo sobre a proibição de uso de sacolas plásticas no Estado de SP, uma hipocrisia porque os supermercados pararam de fornecer as sacolas, mas vendiam sacolas plásticas. A decisão só prejudicava os consumidores e não alterava em nada a questão ambiental.

A nossa confederação, a Contraf-CUT, completou 6 anos de existência, e fizemos uma matéria resgatando o histórico de organização da categoria bancária desde o Departamento Nacional dos Bancários (DNB-CUT), em 1985, passando pela Confederação dos Bancários da CUT (CNB-CUT), criada em 1992, até evoluirmos para a confederação do ramo financeiro.

Fevereiro foi um mês de lutas pessoais deste dirigente sindical paulista: meu pai sofreu um infarto perto de completar 70 anos de idade. Estive com ele vários dias na UTI da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Minha mãe também passou mal e foi internada. Para piorar a situação psicológica, nosso governo do PT privatizou os aeroportos situados em Guarulhos, Campinas e Brasília. Minha decepção foi enorme. Estando ao lado de meu pai internado, fiz um poema para expressar minha decepção com o fato: “O PT privatizou”.

Publiquei alguns artigos no mês, fazendo o debate político no movimento e na categoria: um deles, sobre a questão da “Ficha Limpa”, tema que fui contrário desde 2010 quando a própria esquerda caiu no engodo que serviria só para excluir e prejudicar candidaturas do campo popular. No outro artigo - “1984” é agora! – aproveitei o tema do autoritarismo em uma sociedade distópica e da manipulação de massas que George Orwell tratou em seu romance clássico para comparar o momento que vivíamos no Brasil em relação ao PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Também escrevi bastante em fevereiro, pois fizemos planejamento no Sindicato, preparamos o Congresso da Contraf-CUT e tratei de novos cursos de formação.

Março foi um mês de muita movimentação sindical no Banco do Brasil por parte dos sindicatos. Retomamos mesas de negociação lutando por jornada de 6 horas para os comissionados sem redução de salários. Outro tema importante na pauta foi nosso enfrentamento à direção do BB querendo impor metas individuais para recebimento de PLR como ocorria no Itaú e Santander. Fizemos diversas reuniões com os trabalhadores para colher informações sobre o Sinergia e avisamos a direção que o banco teria problema para assinarmos acordo de PLR se ele insistisse na questão.

Em abril tivemos processos democráticos importantes para nossa categoria bancária: a Contraf-CUT realizou seu 3º congresso, Carlão foi reeleito presidente e eu segui na secretaria de formação. A comunidade do Banco do Brasil elegeu a Chapa 1 – Cuidando da Cassi, liderada pela companheira Mirian Fochi para compor a direção da autogestão em saúde até 2016. Finalizado o processo eleitoral na Cassi, começou a eleição na Previ, nosso fundo de pensão.

Ainda em abril, fiz uma série de artigos de formação no blog relacionados com o trabalho de base nas agências e departamentos do Banco do Brasil. A Contraf-CUT em parceria com o Dieese iniciou a 6ª turma de formação, desta vez para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

O governo do PT usou voto de minerva na direção da Previ para levar adiante disputas políticas internas, fato lamentável. Os indicados pelo banco no CD pediram abertura de inquérito administrativo contra o presidente da Previ, também indicado pelo governo.

Os destaques no mês de maio foram as eleições na Previ, que vencemos com a Chapa 6 Unidade na Previ, liderada pelo companheiro Marcel Barros, eleito Diretor de Seguridade. A eleição foi apertada, vencemos por 655 votos de diferença em relação à 2ª colocada: 24.935 x 24.280.

Os cursos de formação também foram destaques, estava em andamento o curso organizado para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e realizamos o curso de formação sobre saúde dos trabalhadores, curso da grade de formação da Contraf-CUT.

Estávamos preparando o 23º Congresso Nacional dos Funcionários do BB (CNFBB), que seria realizado no mês seguinte e conjuguei muito trabalho de base com reuniões em agências e departamentos do BB com os trabalhos internos de coordenador da comissão de empresa (COE ou CEBB), função que assumi a partir de maio.

O mês de junho foi o período do calendário sindical de realização do 23º CNFBB, realizado em Guarulhos, com mais de 300 delegadas e delegados. Após pressão do movimento sindical, a direção da Cassi aderiu à Resolução 254 da ANS. A parte indicada pelo patrocinador Banco do Brasil postergou a decisão desde o ano anterior.

Na área da formação, finalizamos o 6º curso da grade formativa da Contraf-CUT, PCDA (Programa de Capacitação de Dirigentes e Assessores) aplicado para diretores e assessores do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Julho foi um mês com agendas em regiões diversas em relação ao cronograma da categoria bancária e da classe trabalhadora. Participei do 11º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) e o companheiro bancário Vagner Freitas foi eleito presidente de nossa central.

Realizamos em Curitiba a 14ª Conferência Nacional dos Bancários e depois viajei para o Uruguai, onde a delegação brasileira participou da 8ª Reunião Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais. O encontro se deu na Associação dos Empregados Bancários do Uruguai (AEBU). O BB à época tinha atuação na Argentina e no Paraguai e havia comprado o Banco Patagônia.

Agosto foi o mês das mesas de negociação coletiva com a Fenaban e com os bancos públicos. O Comando Nacional dos Bancários realizou diversas mesas com os banqueiros e com o governo federal apresentando as reivindicações da categoria e dos bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Cortado na foto - Olhando para o passado, tanto tempo depois, posso registrar nesta retrospectiva uma questão que me incomodou muito à época e que nunca soube o motivo. Na Folha Bancária (FB) e site do Sindicato, as duas fotos da primeira mesa de negociação da Fenaban, no dia 8 de agosto, na qual estive como coordenador da Comissão de Empresa do BB (CEBB), foram editadas para que eu não aparecesse, em dois ângulos diferentes. Qualquer pessoa que entenda de edição de fotos percebe o corte. Nunca soube quem mandou fazer isso e por qual motivo me cortaram da imagem. Fica o registro. Foi algo muito desagradável. A política tem dessas coisas feias.

Setembro foi o mês da greve nacional dos bancários, após os banqueiros não apresentarem propostas que dialogassem com as principais reivindicações da categoria.

CAMPANHA VITORIOSA DA CATEGORIA - Após 9 dias de greve geral, bancários aprovaram as propostas da Fenaban, com exceção dos empregados da Caixa, que rejeitaram e seguiram em greve. O índice de 7,5% significou um aumento real de 2% nas verbas salariais. O piso e os tíquetes tiveram reajuste de 8,5% (2,95% de aumento real) e a PLR teve reajuste de 10% sobre o valor fixo.

Com a campanha vitoriosa dos bancários, os aumentos reais em 9 anos foram de 13,22% nos salários e 35,57% nos pisos, pelo INPC, informou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

No Banco do Brasil, negociações assessoradas pela Comissão de Empresa coordenada por mim, avançamos na inclusão dos caixas executivos na Carreira de Mérito no PCR; unificamos os atendentes da CABB, sendo criada uma função com valor maior, uma luta antiga dos funcionários do setor; melhoramos as regras de remoção automática entre as dependências do banco, evitando discriminação e privilégios; aumentamos o piso do bancário escriturário, passando a ser A2 após 90 dias, um avanço no PCS e não permitimos que o banco estabelecesse metas individuais na distribuição de PLR. Mantivemos a regra geral que beneficia o coletivo. Também foi mantida a regra de 3 avaliações consecutivas para se tirar a função comissionada de um funcionário do BB.

Em outubro, após a campanha salarial, iniciamos o 7º curso de formação da parceria entre a Contraf-CUT, Dieese e entidades sindicais afiliadas.

A agenda do mês teve muita luta contra a prática antissindical e de assédio por parte da direção do Banco do Brasil, que estava perseguindo os trabalhadores grevistas. Fomos para cima do banco na defesa de nossos representados.

Ainda sobre as práticas absurdas da direção do banco público, o BB suspendeu a posse de concursados de forma irresponsável e após contatos da Contraf-CUT e outras entidades sindicais, a estatal voltou atrás e chamou os cidadãos aprovados no certame.

Novembro foi agitado. A luta contra as práticas antissindicais no BB por atacar os grevistas nos levou ao MPT e fizemos dia de luta também. Realizamos curso de formação da grade da Contraf-CUT, um curso de saúde dos trabalhadores, foi o segundo módulo. Fiz dois artigos no mês, um sobre as horas de greve, que defendo serem distribuídas a todas as pessoas que recebem os direitos da convenção coletiva e outro sobre a merda falada por Felipão, técnico da seleção da CBF, que falou mal dos funcionários do BB.

Dezembro, o último mês do ano, foi de muito trabalho e luta, pois o movimento sindical seguiu lutando contra as práticas antissindicais da direção do Banco do Brasil, que passou a perseguir grevistas desde o final da greve da categoria, cancelando férias, licenças e ausências já definidas e programadas.

A Contraf-CUT concluiu mais dois cursos de formação, o de saúde dos trabalhadores e o 7º curso “Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro”, ministrado em parceria com o Dieese.

2012 FOI UM ANO DE CONQUISTAS

Fechamos o ano com resultados muito positivos nas lutas dos trabalhadores do ramo financeiro. Contraf-CUT e a CUT realizaram seus congressos, sendo Carlos Cordeiro e Vagner Freitas eleitos, respectivamente, presidentes de nossas entidades sindicais.

A categoria conseguiu avançar nos direitos em mais uma campanha unificada, após uma greve vitoriosa. E a secretaria de formação da Contraf-CUT realizou mais cursos contribuindo para a preparação de dirigentes e assessores qualificados na organização e representação dos trabalhadores do ramo financeiro.

William Mendes

31.12.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2025

 


Retrospectiva 2025

Na primeira postagem do ano, abordo o tema da sindicalização: compartilho com as leitoras e leitores minha história de filiação ao Sindicato e de militante ativo da sindicalização da categoria bancária ao longo de décadas. Avalio naquele momento que poderia ser tratado de forma mais respeitosa pelo nosso Sindicato.

Ainda em janeiro, publiquei dois artigos tratando da questão do não recolhimento e repasse por parte do Banco do Brasil das contribuições patronais e dos associados da Cassi entre os anos de 2010 e 2023 nas reclamatórias trabalhistas. A autogestão em saúde dos funcionários do BB se viu envolvida em um problema com origem nos acordos entre patrão, funcionários e ex-funcionários. A Cassi, de vítima no processo por não receber os valores estatutários devidos à época, passou a sofrer pressão por cobrar o que lhe era devido.

Em fevereiro, o tema tratado pelo blog foi a Previ, a Caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil, nosso fundo de pensão com 120 anos de existência. A Previ teve que lidar com interferências políticas externas por causa de acusações infundadas de “rombo” ou “prejuízo”, coisa sem pé nem cabeça. O TCU determinou auditoria em nossa Caixa de Previdência, que já é fiscalizada e auditada pela Previc e por diversas instâncias previstas na legislação brasileira e nos regulamentos internos do fundo.

No mês de março participei de algumas atividades políticas como, por exemplo, a prestação de contas do mandato de Luna Zarattini (virtual) e o Dia Internacional das Mulheres, na Paulista, e no ato contra anistia para golpistas em 30/03, quando os manifestantes caminharam até a sede do antigo DOI-Codi, centro de torturas da ditadura brasileira. Estive também com o JuntOz na Câmara Municipal de Osasco.

Fiz mais um artigo sobre a Cassi, a respeito do projeto de terceirização das CliniCassi, o “Bem Cassi”. Decidi não mais opinar sobre a nossa Caixa de Assistência na forma de artigos de reflexão. Sobre a Cassi, a partir de agora, só sobre o passado, minha experiência como gestor eleito e a história da autogestão. Não falo mais do presente, nem do futuro.

Publiquei no blog alguns textos de apresentação dos cadernos do blog com a retrospectiva de determinados anos: 2022, 2023, 2020, 2021, 2006 e 2007. Não estão em ordem cronológica porque estou no processo de sistematização do blog inteiro e ainda faltam alguns anos. Nos meses seguintes, terminei os cadernos de outros anos.

Em abril, tivemos mais um capítulo do ataque político que a Previ vinha sofrendo, desta vez, o TCU visitou a direção da Previ, pediu mais de dois mil documentos e no relatório abordou algo que não foi pedido aos gestores... Lembrando que o órgão responsável por fundos de previdência fechada é a Previc.

Fiz um artigo me solidarizando com vítimas de lawfare e cancelamentos: a vítima da vez foi o professor da USP, Alysson Mascaro. Eu enfrentei processo de perseguição com falsas acusações e sei o quanto a vítima sofre com esses linchamentos de sua honra e história. Toda a nossa solidariedade ao professor Mascaro. Ele foi demitido da USP no final de 2025.

No mês dedicado à classe trabalhadora, maio, fiz uma postagem de retrospectiva relembrando os meus “1º de maio” entre 2009 e 2025, período no qual tenho registros nas páginas de meus blogs. Foi bem interessante a viagem na história.

Ainda em maio completei a sistematização de mais dois cadernos do blog, dos anos de 2009 e 2010.

No domingo, 25 de maio, faleceu o nosso querido companheiro Marcos Martins, do Partido dos Trabalhadores e funcionário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Fui ao velório no dia seguinte, prestar minhas homenagens a ele, uma referência de vida na política.

Nos meses de junho e julho, fiz apenas 3 postagens da série “Diário e reflexões”. Nelas, falo um pouco de política e o foco principal é a busca de unidade na esquerda para enfrentar o que vem por aí por parte do capital e da extrema-direita. Destaco em meus textos Lula, Luna Zarattini e o JuntOz, políticos do PT para quem fiz campanha e que são referência para mim no país, em São Paulo e em Osasco.

Em agosto foram 3 postagens com conteúdo denso. Transcrevi para o blog artigo publicado em um livro internacional sobre A autorreforma sindical e a história dos bancários da CUT Brasil (2010-11). Fiz também dois textos interessantes falando sobre o caderno de 2011 do blog e outro sobre minha participação na militância do local onde nasci, o Rio Pequeno, no Butantã.

Setembro: fiz um artigo reflexivo sobre um momento marcante em minha vida, o dia no qual virei bancário do Banco do Brasil. É a reflexão “Identidade”. E postei o texto bem-humorado que circulou pela internet e explicou a crise do subprime, com o exemplo das contas derivativas do boteco do “Seu Biu”.

No mês de outubro, participei de diversas atividades e mobilizações. Estive no ato em defesa da FFLCH-USP, sob ataque dos fascistas da extrema-direita paulista. Depois, estive em um dia de luta dos funcionários do BB. Também estive na reunião mensal da Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno, e fui ao ato na Câmara Municipal de Osasco, convocado pelo JuntOz, sobre a luta pelo fim da escala 6x1.

Fiz ainda um texto comentando a mudança na direção em nossa Caixa de Previdência, a Previ. João Fukunaga assumiu outras tarefas, saindo da presidência, e assumiu em seu lugar, indicado pelo BB, Márcio Chiumento. O banco indicou Adriana Chagastelles para a Diretoria de Participações. Ela é a primeira mulher indicada para a direção da Previ.

Em novembro, segui encontrando muitos amigos e companheiros de longas jornadas de lutas. Minha rotina foi alterada desde o mês anterior, quando passei a presentear pessoas queridas com o meu livro “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. Aos poucos, fui encontrando pessoas em cafés, almoços, bate-papos e reuniões políticas e revendo conhecidos dos tempos de militância sindical.

No mês de dezembro, fiz uma série de pequenas postagens comentando a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS, lançado em 2016. À época, eu era gestor eleito da CASSI e me interessei pelas estratégias de verticalização da estrutura assistencial da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul. A releitura me deu a certeza que a CASSEMS acertou em investir em modelo próprio e depender menos do mercado capitalista da saúde.

Participei de mais alguns fóruns coletivos de política para fechar o ano de 2025. Concluí que preciso mudar alguma coisa em relação à contribuição que posso dar à sociedade humana. Não vejo mais sentido em fazer volume em atos e eventos neste momento de minha vida, com a saúde e a energia menores que antes.

Vou avaliar de que forma poderia contribuir ainda com algo que possa ser raro ou novo nas rodas de cultura e conhecimento do movimento de lutas da classe trabalhadora.


Meu livro Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT, uma coletânea de textos escritos no blog durante a pandemia mundial de Covid-19, foi distribuído para umas oitenta pessoas. Fiz uma edição pequena e algumas unidades ainda vieram com a impressão incorreta.

O blog A Categoria Bancária serviu por mais um ano para escrever o que sei e o que penso sobre alguns assuntos. Se considerar que é uma página de textos, forma menos usual na atualidade, poderia considerar os 200 mil acessos ao longo do ano algo que me faz continuar tendo o cuidado de escrever com honestidade e responsabilidade.

Vamos ver o que faço em 2026 com o blog, um instrumento de InFormação e História de nossa categoria bancária e da luta de classes.

William Mendes

29.12.25

Diário e reflexões - Retrospectiva e perspectivas


Numa noite quente... refletindo 


Retrospectiva e perspectivas

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025.


Estou sistematizando as publicações do ano neste blog sindical e político. Será mais um caderno do blog A Categoria Bancária. 

Ando refletindo sobre o meu papel neste momento da história, refletindo sobre qual contribuição minha teria alguma utilidade coletiva.

Já concluí faz tempo que meu papel de fazer volume em eventos populares não tem mais sentido para que eu continue exaurindo o restante de minha energia vital como se eu estivesse no início da vida militante. Estou cansado, meu corpo está indo.

Outro dia, perto de 22h, andava pelas ruas desertas do Rio Pequeno, ruas com calçadas e cantos repletos de seres humanos despossuídos de tudo, vítimas da sociedade capitalista, e me peguei pensando se estava correto em estar naquele contexto sendo quem sou neste momento de minha existência. 

Estava no mesmo lugar de 4 décadas antes, andando pelas ruas do bairro onde nasci e exposto aos riscos inerentes da violência urbana, por ter participado de uma roda de conversa com umas poucas pessoas de luta. O ato em si é elogioso, mas será que é o melhor que posso fazer para ser útil às causas da classe trabalhadora?

Acho que não. Essa coisa de fazer volume sem contribuir com algo significativo já deu. Não posso continuar assim em 2026.

O William que fui para o movimento sindical bancário, principalmente do segmento dos trabalhadores do Banco do Brasil, tem alguns conhecimentos adquiridos na vivência das lutas sindicais que não servem pra nada fazendo volume numa atividade de rua ou numa reunião de movimentos setoriais nos quais pouco ou nada agrego, além de somar com os abnegados daquele grupo.

Se o acaso me mata numa condição como aquela que citei acima, aos 56 anos hoje, no mesmo local de décadas atrás, quando me expunha ao risco por ser mais um trabalhador que tinha que se expor sobrevivendo diariamente aos subempregos e à miséria, avalio que meu desaparecimento da vida teria sido algo sem sentido, uma morte fútil, desnecessária. 

Vou fazer outra coisa no próximo ano, se tiver condições para isso.

Talvez a coisa mais correta e útil, enquanto puder, seja escrever e compartilhar conhecimento, sempre de forma gratuita. 

William 

(10h09)


24.11.25

Sistematização do blog (3)


Atividade sindical na Verbo Divino (BB). 2012.

24/11/25

Após uma boa sequência de trabalho na sistematização das postagens deste blog, relendo e encadernando vários anos de registros sindicais, entrei numa fase improdutiva, de procrastinação para me sentar e trabalhar os textos.

Um dos motivos da interrupção do trabalho de revisão e encadernação foi a chegada em casa de meu livro de memórias sindicais, textos também oriundos deste blog. A entrega de unidades do livro para lideranças políticas com as quais convivi e que estão na representação diária da classe trabalhadora mudou completamente minha rotina.

A sistematização dos milhares de textos de minha vida sindical e o contato esporádico com lideranças do movimento nessas semanas me fez refletir sobre algumas questões que penso faz um bom tempo. Coisa minha.

Eu preciso terminar essa tarefa da revisão e sistematização de meus mais de 6 mil textos dos blogs. Se eu conseguir finalizar isso, vou pensar em algo para fazer de minha vida dali adiante. Algo como virar a página de uma fase importante de minha existência.

Estou lendo as postagens do ano de 2012, o ano em que virei coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). Aquele personagem do movimento sindical bancário foi um militante dedicado, disciplinado e deu o melhor de si naquelas funções políticas que desempenhou por decisões coletivas.

Rever todo aquele período, encadernar e guardar essa história de um dos milhares de militantes de esquerda de nossas lutas de classe é algo que preciso fazer e encerrar. E falta tanta coisa...

Sigamos, sigamos. Que eu encontre ainda um pouquinho da disciplina que tive por décadas de militância política.

William

11.10.25

Sistematização do blog (2)



11/10/25

Relendo as postagens de abril de 2012, revivo várias lutas empreendidas à época por nós trabalhadores da categoria bancária do campo cutista. 

A nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do BB estava em processo de renovação de parte de sua direção. Eu fazia parte da coordenação política de nossa corrente cutista em relação às questões do Banco do Brasil e apresentamos aos associados a Chapa 1 - Cuidando da Cassi, liderada pela companheira Mirian Fochi. Vencemos a eleição.

Nossa confederação, a Contraf-CUT, realizou seu 3º Congresso e renovou a direção. Eu fui eleito para mais um mandato à frente da secretaria de formação e nossa entidade sindical seguiu sob a liderança do companheiro Carlos Cordeiro.

Em relação às questões organizativas do Banco do Brasil, nosso coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários era o companheiro Eduardo Araújo, de Brasília. Eu era destacado pela Contraf-CUT para dar todo o suporte ao Araújo e fazíamos uma boa dupla de trabalho, unindo as bases de SP e DF. Eu iria em breve assumir a coordenação.

Achei interessante reler uma série de artigos de formação que fiz entre março e abril focados em compartilhar com as centenas de dirigentes de nossos sindicatos o quanto eu acreditava no poder de formação sindical ao fazermos trabalho de base, em conversar com os trabalhadores nos locais de trabalho, o que chamávamos de Organização por Local de Trabalho (OLT).

Ao reler os artigos é fácil perceber que eu debatia de tudo com os bancários que representava, tudo. Tributação, questões de saúde e previdência, os programas de metas do banco - à época era o tal Sinergia BB - e qualquer coisa que a categoria quisesse conversar conosco. O diálogo com a base foi uma formação política fundamental para mim.

Seguimos sistematizando essa história de uma época sindical registrada por um sujeito que a estava vivendo historicamente.

William

7.10.25

Sistematização do blog



07/10/25

Estou sistematizando as postagens que fiz no blog desde 05/10/06, quando criei a página para me comunicar com a categoria bancária e com as lideranças sindicais.

Até hoje, foram 2666 postagens. O blog completou 19 anos anteontem. Já consegui organizar boa parte dos textos, já fiz diversos cadernos do blog e agora preciso finalizar o trabalho: sistematizar ajuda a dar sentido às coisas.

Março de 2012

Revisei as 29 postagens (55 páginas de word) e as lembranças se apresentaram em minha memória como se fossem um filme de nossas vidas, pois aquelas escrevivências não são só minhas (né, Conceição Evaristo?). 

A luta de classes segue sendo a realidade cotidiana de cada bancária e bancário e de suas entidades sindicais e associativas. É muito interessante ver os temas vigentes em março de 2012 e saber por alto que boa parte deles segue sendo pauta em outubro de 2025. Luta de classes...

Os trabalhadores e seus sindicatos estão neste momento lidando com uma reestruturação no Banco do Brasil que trata justamente de jornada de trabalho de comissionados. Em 2012 era uma de nossas pautas a jornada de 6 horas sem redução de salário no BB. Luta de classes...

A luta continua, sempre!

William

18.8.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2011



RETROSPECTIVA 2011

O mês de janeiro teve movimentações importantes para os associados do Plano 1 da Previ: o acordo entre associados, Banco do Brasil e governo foi aprovado no restante das instâncias que faltavam apreciar as mudanças no Estatuto e a forma de uso do superávit do plano.

Postei no blog um excelente artigo do professor Marcos Bagno sobre a denominação “presidenta” que Dilma Rousseff - primeira mulher presidenta do Brasil - escolheu para nominar sua função pública e que a imprensa da casa-grande decidiu desrespeitar desde o primeiro dia do mandato presidencial.

Eu apontei em artigo o desrespeito da direção do BB ao abrir concurso público sem apontar o número de vagas, concurso com zero vagas, ou “quadro de reserva”. Isso é um desrespeito aos cidadãos que estudam para ingressar em empresas públicas. Fiz um artigo também para contestar Bresser-Pereira e a suposta mão de Deus no governo Lula.

As postagens que predominaram no mês de fevereiro versam principalmente sobre a questão da terceirização do trabalho bancário. Matérias sobre as movimentações entre a Febraban e os órgãos governamentais para regulamentar os correspondentes bancários demonstram a forma abusiva do processo que, no fundo, acaba por fazer uma espécie de reforma trabalhista no setor financeiro, pois elimina direitos sociais da categoria conquistados há décadas.

Nas questões relativas ao Banco do Brasil, os funcionários receberam a 2ª parcela da PLR, e o banco bateu recorde de lucro. Nas matérias sobre o lucro do BB, eu comentei a respeito do papel social do banco público, pois ele vinha exercendo sua função de forma idêntica ao setor banqueiro privado. Voltamos às mesas de negociação permanente com o BB no período. Fiz artigo sobre essa estratégia privada do BB.

Março foi um mês com postagens de diversos artigos feitos por mim, que era o secretário de formação da nossa confederação. Fiz um sobre democracia sindical relacionada à estrutura de negociação nacional da categoria bancária – “Democracia representativa não se confunde com ‘assembleísmo’”: no artigo, questiono a ideia do “assembleísmo” de certas correntes sindicais que não se conformam em perder suas proposições durante a construção da estratégia nacional dos bancários. Fiz outro artigo, em parceria com o companheiro Plínio Pavão – “OLT na categoria bancária – o papel do delegado sindical”, sobre o papel do representante sindical de base no BB e Caixa, os chamados delegados sindicais.

Ainda no mês de março, estive no Encontro Baiano de Formação da CUT (Ebafor) e participei das eleições dos bancários de Campo Grande (MS), e nós vencemos com a chapa cutista. A direção do BB apresentou as linhas gerais do novo Plano de Carreira e Remuneração (PCR), conquista da campanha 2010. Participei da gênese do modelo de nova tabela de antiguidade por funções exercidas.

Por fim, registrei no blog a primeira entrevista da presidenta Dilma Rousseff. Ela afirma que não vai descuidar da inflação, anuncia o Pronatec e diz que não vai permitir a retirada de direitos dos trabalhadores brasileiros.

Alguns destaques do mês de abril nas postagens: BB adquire o Eurobank nos Estados Unidos; nossa base sindical retoma as conciliações com o BB, as CCP no SEEB SP; tivemos mesas de negociação sobre o Plano 1 da Previ; várias postagens se referem à questão do correspondente bancário e a ameaça à categoria bancária. No Sindicato, tivemos a formação de nossa Chapa 1 cutista para as eleições.

Entre as questões sindicais a destacar no mês de maio, tivemos negociações com o BB sobre propostas de melhorias no regulamento do Plano 1 da Previ (a direção negou tudo). Realizamos curso de formação da Contraf-CUT e Dieese para os sindicatos da Fetec CUT Centro-Norte. Publiquei diversas matérias sobre a questão da ilegalidade e imoralidade das resoluções do Bacen sobre os correspondentes bancários - até nosso deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) entrou na luta contra as arbitrariedades do Banco Central. E os bancários do Maranhão realizaram plebiscito de desfiliação da CUT, pois a direção de lá era da CSP-Conlutas.

Em junho, ocorreu a eleição do maior sindicato de bancários do país, o nosso. Concorreram duas chapas e a chapa cutista venceu com 83% dos votos válidos. A companheira Juvandia passou a ser a primeira presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Como membro da chapa, representaria os bancários paulistanos por mais três anos.

As postagens de junho também abordaram as questões de privatização dos aeroportos e a aprovação da terceirização total pelo Congresso; na minha agenda sindical, teve trabalho de base e viagem ao Ceará para o encontro da categoria. No blog, disponibilizei a tese da Articulação Sindical para o 22º Congresso Nacional dos Funcionários do BB (CNFBB).

Dos artigos que publiquei, destaco o artigo “Horas de greve em renovação de direitos coletivos – Anistia ou distribuição para todos”, que poderia ser avaliado por sindicatos, juristas do nosso campo e pela classe trabalhadora, pois é justo que aqueles que foram beneficiados pelas conquistas, mesmo furando greve, paguem pelas horas da luta coletiva.

Os destaques no mês de julho são os encontros deliberativos que compõem a estrutura nacional da categoria bancária. Após a realização dos encontros regionais e estaduais de debates e deliberações das reivindicações da categoria, ocorreram o 22º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) e a 13ª Conferência Nacional dos Bancários. Publiquei artigos sobre a Previ e sobre o debate das metas abusivas. Fiz também um artigo confessional, que aborda a militância política. Por fim, está publicada no blog a proposta do Plano de Carreira no BB, na qual tive participação central no ano anterior.

Agosto foi um mês de muito trabalho de base preparando os trabalhadores para as negociações com os banqueiros e provável greve na categoria. Estive no Congresso Nacional junto com outras lideranças para denunciar a interferência do Banco Central na estrutura social dos bancários, via resoluções de correspondentes bancários que terceirizam a categoria e desfazem direitos até da CLT. Fiz dois artigos explicando reivindicações específicas dos funcionários do BB.

O mês de setembro foi marcado pelo processo de negociações com os banqueiros e com o governo nas mesas específicas de Banco do Brasil e Caixa e demais bancos públicos. A intransigência do lado patronal foi abusiva e a categoria deflagrou greve nacional no final do mês.

Outubro foi um mês de demonstração de grande força da unidade dos bancários, que realizaram a maior greve da categoria em duas décadas e após 21 dias conquistaram aumento real pelo 8º ano seguido, pisos maiores nos salários e na PLR e cláusulas sociais, boas conquistas na Fenaban, no BB e Caixa Federal.

Após a greve de renovação da Convenção Coletiva, realizamos a 5ª etapa do curso de formação Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro, da Contraf-CUT e Dieese, para formação de dirigentes e assessores das entidades sindicais afiliadas. O curso ocorreu na Escola Sul da CUT em Florianópolis. Cumprimos o compromisso formativo estabelecido no Congresso da Contraf-CUT que me indicou como secretário da pasta.

O mês de novembro foi de muita luta, acreditem! O movimento sindical, em especial nós da categoria bancária, atuou fortemente na luta contra o projeto de terceirização total e o fim das categorias profissionais, dos sindicatos e dos direitos do trabalho. O Congresso Nacional tentou de todo jeito aprovar uma legislação que acabava até com os direitos básicos previstos na CLT.

Além dessa pauta de luta, realizamos o 2º módulo do curso de formação da Contraf-CUT e Dieese, a 5ª etapa foi realizada na Escola Sul, em Santa Catarina. Como dirigente, fiz 3 artigos no mês, dois sobre o Banco do Brasil e um de avaliação dos 5 cursos que fizemos em todas as regiões do país durante o mandato na secretaria de formação da confederação.

Em dezembro, finalizamos o curso de formação na região Sul do país e ainda fiz mais um artigo sobre as péssimas condições de trabalho no Banco do Brasil, que exigiu nos últimos dias do ano que os bancários fizessem o possível e o impossível para o BB chegar a 1 trilhão de ativos financeiros. Para isso, os gestores poderiam arrepiar pra cima dos trabalhadores, cancelando até férias programadas.

Terminei o ano na base social, conversando com os colegas do Banco do Brasil em reuniões nos locais de trabalho. Enquanto fui representante político da classe trabalhadora estive ao lado de meus pares, foi como aprendi a fazer a luta por melhores condições de vida e por um mundo melhor.

O caderno impresso ficou com 500 páginas, foram 280 textos no ano de 2011. São registros de nossa história de lutas. Os links dos artigos desse período podem ser acessados aqui, página de artigos do autor do blog.

William Mendes