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8.3.26

Dia Internacional das Mulheres



8 DE MARÇO NA PAULISTA

Hoje foi mais um dia de lutas pelas causas que nós defendemos enquanto coletivo de pessoas do campo da esquerda. As chuvas torrenciais não nos impediram de ocupar os espaços públicos. 

A esquerda luta por igualdade, por liberdade, por justiça social, por direitos humanos, por uma forma mais sustentável de vida no planeta Terra. 

A esquerda defende a cultura em todas as suas dimensões, a educação pública e de qualidade, saúde para todos, o acesso à alimentação plena. A esquerda defende o livre ir e vir com segurança. Defende moradia segura a todos.

Parem de matar as mulheres!

A esquerda luta pelo direito à vida! Vida plena, diversa. Para a esquerda todas as vidas importam.

O dia 8 de março e o mês de março são períodos do calendário destacados para refletirmos e aprofundarmos todas as questões relativas às lutas das mulheres.

Essas datas no calendário de lutas da esquerda existem porque as mulheres estão e sempre estiveram à frente dessas causas históricas por emancipação e igualdade plena de direitos. 

Com Luna Zarattini, vereadora do PT em São Paulo.
Grande lutadora e defensora dos direitos do povo

São as mulheres que ao longo do tempo vêm lutando para ocupar espaços historicamente e culturalmente reservados aos homens. São as mulheres que criam inclusive o vocabulário e a linguagem apropriada para essas lutas emancipatórias.

O lugar das mulheres é onde elas quiserem estar!

Todos os dias são dias de luta por direitos. Direitos não são naturais, não são fenômenos da natureza. Direitos são criações humanas. Sendo criações e não fenômeno natural, devemos lutar todos os dias para manter e avançar nos direitos.

Com queridos companheiros e companheiras de lutas sindicais

Foi isso que nós fizemos hoje, homens e mulheres, lutamos mais um dia pela emancipação e pelos direitos plenos das mulheres. 

Lutamos pela vida porque há uma epidemia de violência e assassinatos de mulheres no Brasil. 

Lutamos pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 porque homens e mulheres do povo merecem viver dignamente e ter cidadania plena, o que inclui salários maiores e menos tempo de trabalho.


A luta segue amanhã, e depois de amanhã, e na próxima semana, e nos próximos meses e anos.

Convidamos a todas, todos e todes a somarem conosco na luta pela emancipação das mulheres e homens da classe trabalhadora. 

A vida em sociedade pode ser melhor e nossa participação nas lutas é o que nos permitirá mudar o que está ruim para a ampla maioria.

William Mendes

08/03/26

2.10.25

Diário e reflexões - Ato em defesa da FFLCH-USP



A UNIVERSIDADE PÚBLICA É DO POVO - ATO EM DEFESA DA FFLCH-USP

02/10/25

O evento de hoje em nossa querida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo foi emocionante, com falas potentes e solidárias em defesa da educação pública, dos direitos dos povos e também denunciando o genocídio do povo palestino. 

Os motivos principais do ato de hoje no vão livre da História e Geografia da FFLCH e também das manifestações da comunidade acadêmica e do movimento estudantil, além de diversas entidades e lideranças da sociedade civil paulista são os ataques realizados pelos fascistas da extrema-direita nos últimos meses. 


Após ataques de grupos liderados até por parlamentares de extrema-direita da Câmara de Vereadores de São Paulo, a comunidade acadêmica da USP vem se organizando e enfrentando com firmeza essas turbas fascistas. 

Repito: foi um ato emocionante! Saí do ato de alma lavada e com a esperança renovada ao respirar o ar daquela juventude de luta!

Ouvimos falas potentes e experientes de professores como a querida Marilena Chauí, André Singer e demais acadêmicos. 

Vereadora Luna Zarattini (PT-SP)

Ouvimos lideranças de diversos movimentos populares, sindicais e de lutas históricas da juventude. 

Ouvimos parlamentares do campo popular como a querida companheira Luna Zarattini (PT), Luana Alves (Psol), Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bomfim (Psol) e demais políticos que estão sempre do lado certo da história de lutas da classe trabalhadora brasileira. 

Deputada Federal Juliana Cardoso (PT-SP)

Tenho orgulho de ter sido aluno de Letras da FFLCH-USP e de ver o quanto a educação, a cultura e a ciência são importantes para a sociedade humana. 

Sem democracia e sem igualdade de oportunidades não se constrói uma sociedade justa, fraterna e igualitária. 

Fora, fascistas! Defender a educação pública é defender a esperança em um mundo melhor para todos os seres viventes. 

O ato também foi firme na defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza.

William 

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Post Scriptum: em relação à luta contra o genocídio do povo palestino, uma das reivindicações do ato, o rompimento das relações institucionais da FFLCH-USP e das faculdades da USP com o Estado de Israel, foi concretizada em 23/10/25. Em votação histórica, a Congregação da FFLCH votou e aprovou por 46 a 4 a renúncia do convênio com a Universidade de Haifa (Israel). Orgulho de nossa FFLCH-USP!!!

26.4.25

Diário e reflexões - Minha solidariedade às vítimas de lawfare e cancelamentos



MINHA SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DE LAWFARE E CANCELAMENTOS

Sábado, 26 de abril de 2025.


Opinião

Ao ver a longa entrevista do professor Alysson Mascaro ao jornalista Leonardo Attuch, do Brasil247, voltaram em minhas lembranças aqueles meses que sobrevivi ao processo de lawfare que inventaram contra mim nos últimos meses de mandato eletivo como diretor de saúde de uma autogestão dos trabalhadores. 

Os processos de lawfare, assassinatos de reputação e cancelamentos de pessoas se tornaram ferramentas implacáveis de guerra política na atualidade. As vítimas, se sobreviverem, nunca mais serão as mesmas. As sequelas marcam a vida para sempre. 

Mascaro comparou essa indústria do lawfare e cancelamentos como os processos de inquisição da idade média. Concordo com ele. 

A vítima, em geral, não tem a menor chance de se defender, pela forma vil na qual os agentes orquestram as acusações e o assassinato moral e ou físico do alvo a ser destruído. 

Não por coincidência, na minha opinião, lideranças da esquerda e da classe trabalhadora, pessoas que combatem a ordem capitalista neoliberal e seus operadores, são as principais vítimas, na maioria das vezes. Os donos do poder têm os meios necessários para massacrarem alvos a serem cancelados e eliminados da vida pública. 

Nunca escrevi publicamente a respeito do processo vil que inventaram contra mim para me destruir e me tirar da linha de frente da defesa de direitos dos trabalhadores. A simples lembrança das injustiças já afeta o estado da vítima. 

Mas uma hora ou outra, eu terei que escrever sobre isso, até porque a vítima segue sendo vítima após o término do processo de lawfare. Mesmo tendo sobrevivido, fui cancelado por algumas pessoas e instituições que deveriam estar do meu lado.

Enfim, expresso minha solidariedade a todas as pessoas que estão sofrendo um processo de lawfare e cancelamento ou que já passaram por isso.

William Mendes 


30.3.25

Diário e reflexões: Sem anistia pra golpistas!



ATO EM SÃO PAULO CONTRA ANISTIA DE GOLPISTAS E FASCISTAS


30/03/25

Opinião

Fiquei com o sentimento de dever cumprido ao participar da manifestação de hoje contra a tentativa de anistia dos canalhas golpistas e fascistas do bolsonarismo, essa doença mental que se instalou no Brasil após o golpe de Estado que impediu o mandato da presidenta Dilma Rousseff em 2016. O golpe foi realizado pela casa-grande centenária em parceria com o império do norte.


Ao ver tantos idosos, pessoas com deficiência e ou alguma dificuldade de mobilidade e jovens - muitos jovens - na manifestação, senti uma energia que só sente quem participa de manifestações de massa. Cada rosto, cada movimento, cada grupo reunido, primeiro no ato na Praça Oswaldo Cruz, e depois na passeata até a sede do DOI-Codi, na Tutóia, senti um pouco de esperança, não na prisão do canalha inominável, mas esperança naquelas pessoas ali. 

Com as companheiras Deise, Dulce e Elisete.

Aquela multidão reunida também é humanidade, humanidade que vale a pena.

Em minha cabeça e na minha memória estão registradas imagens do dia de hoje. Acho que basta. Estou cheio de sentimentos diversos, tristezas e consciências sobre as coisas. Contente pelo dia potente de hoje!

Com o companheiro Robinho.

Encontrei várias companheiras e companheiros de uma longa jornada de lutas em defesa de causas da classe trabalhadora. Cada um de nós é um tijolinho na construção de um mundo melhor.

Foi um dia de acúmulo nas lutas do campo progressista. Fiz parte desse dia! (Ver mais fotos aqui)

William


4.2.25

Diário e reflexões - Luna Zarattini conversa com a militância



Vereadora Luna Zarattini conversa com a militância

Terça-feira, 4 de fevereiro de 2025.


Opinião

Tivemos hoje uma reunião com a nossa companheira e liderança Luna Zarattini, vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em São Paulo e única mulher do partido na bancada paulistana. Luna será a nova líder do PT na Câmara.

A jovem vereadora é uma inspiração a todos nós que construímos a militância do Partido dos Trabalhadores. Sou testemunha do quanto Luna e sua equipe estão sempre presentes nos territórios e comunidades da cidade, principalmente nas áreas periféricas, que mais precisam das políticas municipais.

Luna fez uma fala de abertura trazendo informações para as mais de quarenta pessoas que participaram da reunião virtual e em seguida ouviu toda a militância que se inscreveu para apresentar sugestões, demandas e questionamentos, tratando de todas as questões levantadas por nós.

Dentre alguns destaques, Luna falou sobre a importância da agenda de meio ambiente, direitos humanos, saúde, cultura e educação, e explicou que neste novo mandato vai seguir com as lutas que já liderava e novas pautas estão em alta como os absurdos da Sabesp privatizada e as privatizações do prefeito atual.

Neste ano o Partido dos Trabalhadores realizará seu processo interno de eleições diretas, o PED, oportunidade da militância para trazer novas filiações e fazer grandes debates sobre os rumos do partido, o maior e mais importante partido de esquerda do Brasil.

É isso! Foi uma boa reunião com nossa vereadora Luna Zarattini.

William


26.8.24

Diário e reflexões

 


Diplomação da Resistência

Segunda-feira, 26 de agosto de 2024.


Opinião (7)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Estive hoje em nossa Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), para uma reparação histórica, a Diplomação da Resistência a 15 jovens estudantes que foram vítimas da ditadura brasileira, a diplomação é um projeto de iniciativa do mandato da vereadora Luna Zarattini (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, em parceria com a USP, em especial com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e o IGc-USP).

Foi uma data histórica e necessária a Diplomação das jovens mulheres e homens que lutaram pela liberdade de todos nós e não puderam concluir suas graduações por causa da violência da ditadura civil-militar que se instalou no Brasil a partir de 1964. A iniciativa é um resgate da trajetória desses estudantes e contribui para a manutenção da memória coletiva de todos nós.

Linhas de Sampa, sempre presente!

O evento foi muito emotivo! Como um cidadão paulistano formado pela FFLCH-USP e militante do movimento estudantil e sindical senti fortes emoções durante a cerimônia de reparação histórica e diplomação das guerreiras e guerreiros que lutaram por todos nós. A reparação e o resgate histórico demoraram décadas, mas foi uma homenagem importante aos familiares e amig@s das e dos estudantes.

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Conforme informação do site da Universidade (publicação de 12/8/24):

"A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo, a Diplomação da Resistência, que busca homenagear ao todo 31 estudantes da USP e é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), Pró-Reitoria de Graduação (PRG), Gabinete da vereadora e ex-aluna da USP Luna Zarattini e o coletivo de estudantes Vermelhecer. 'Essa homenagem concedida aos ex-estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que foi substituída pela atual FFLCH, tem uma importância simbólica imensa', destaca Paulo Martins, professor e diretor da FFLCH."

Diplomação

Alexandre Vannucchi Leme, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)
Ronaldo Queiroz, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)

e hoje:

Antonio Benetazzo, Filosofia
Carlos Eduardo Pires Fleury, Filosofia
Catarina Helena Abi-Eçab, Filosofia
Fernando Borges de Paula Ferreira, Ciências Sociais
Francisco José de Oliveira, Ciências Sociais
Helenira Resende de Souza Nazareth, Letras
Ísis Dias de Oliveira, Ciências Sociais
Jane Vanini, Ciências Sociais
João Antônio Santos Abi-Eçab, Filosofia
Luiz Eduardo da Rocha Merlino, História
Maria Regina Marcondes Pinto, Ciências Sociais
Ruy Carlos Vieira Berbert, Letras
Sérgio Roberto Corrêa, Ciências Sociais
Suely Yumiko Kanayama, Letras
Tito de Alencar Lima, Ciências Sociais
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Como aluno da FFLCH e militante das causas populares, deixo aqui a minha gratidão a cada pessoa que participou dessa luta histórica. Deixo meu agradecimento especial para a companheira Luna Zarattini, que honra a memória de seu avô e todas as lideranças que lutaram pela nossa democracia e liberdade.

William Mendes


Fonte das informações: site da USP e página do mandato de Luna Zarattini

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Post Scriptum: o texto anterior dessa série sobre democracia e eleições municipais pode ser lido aqui. O texto seguinte pode ser lido aqui.

1.11.17

Cassi e o Novembro Azul - Foco na saúde dos homens


Peço às lideranças dos associados e do Banco do Brasil
que compartilhem o significado do Novembro Azul na Cassi
e acessem o site da nossa entidade. Serão disponibilizadas
nas páginas dos Estados/DF atividades de saúde dos homens.

Novembro Azul na Cassi foca a saúde dos homens de forma ampliada, pois os homens são resistentes em aderir à promoção da saúde e prevenção de doenças

O Novembro Azul surgiu em 2003, na Austrália, em comemoração ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, celebrado no dia 17 de novembro. Hoje em dia é uma campanha realizada por diversas entidades para conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Nesse contexto, há ênfase no direcionamento para o rastreamento do câncer de próstata em toda a população masculina com mais de 50 anos, ou seja, a realização de testes em homens considerados saudáveis, sem queixas, nem sinais ou sintomas, sem averiguar histórico ou outras informações.

A Cassi, alinhada com o Ministério da Saúde (MS), o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e diversas entidades de respaldo internacional, como também em conformidade com a melhor evidência científica atualmente disponível, se posiciona contra o rastreamento universal com o teste de PSA ou toque retal para diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Desta forma, a Cassi aproveitou o Novembro Azul para divulgar e promover o cuidado da saúde do homem de forma ampliada. Esta estratégia foi desenvolvida no intuito de despertar no homem o cuidado com sua saúde, evitando valorizar o foco na doença.

Muitos estudos comprovam que os homens são mais vulneráveis às doenças do que as mulheres, especialmente às enfermidades graves e crônicas. Ainda, homens morrem mais cedo que as mulheres. A despeito disso, os homens não buscam, como as mulheres, os serviços de saúde. A grande maioria é inserida no sistema de saúde por meio de atenção especializada, quando em situação de doença mais avançada.

Outro fator preocupante é que o homem, julgando-se invulnerável, se cuida menos e se expõe a mais situações de risco. Eles entendem a doença como um sinal de fragilidade não inerente ao homem. Na Cassi, atualmente, aproximadamente 54% dos cadastrados na Estratégia Saúde da Família (ESF), modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) desenvolvida pela Cassi em seus serviços próprios, são mulheres.

É por estes aspectos que a campanha da Cassi foi aberta, com o hotsite Novembro Azul (clique AQUI), evidenciando a importância do cuidado da saúde do homem, onde o papel da família é essencial, principalmente da mulher, que, culturalmente, tem a tendência de se cuidar mais e melhor, sendo elas fortes aliadas no incentivo ao cuidado da saúde do homem.

Além disso, o dia 17 de novembro foi definido pela Cassi como o dia “D”. As CliniCassi realizarão atividades voltadas aos participantes, cadastrados e não cadastrados na ESF, no intuito de reforçar a importância do cuidado com a saúde do homem.

Independentemente da programação do Novembro Azul, as CliniCassi realizam continuamente diversas ações, dentre elas atendimentos individuais com profissional da equipe multidisciplinar, bem como atividades coletivas com foco na educação em saúde dos participantes.

No desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde, por meio da ESF, a Cassi entende ser essencial o fortalecimento dos serviços próprios, com vistas à garantir ações efetivas de promoção da saúde, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação aos participantes Cassi.

As CliniCassi, trabalham mobilizando homens e mulheres a serem protagonistas do seu cuidado. Busquem orientações dos profissionais da ESF em uma das 65 CliniCassi espalhadas por todo o Brasil.

Abraços a tod@s e vamos mudar a cultura predominante de não-cuidado para uma cultura de autocuidado e orientações em saúde a partir das CliniCassi e das informações em saúde produzidas pela nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.


William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/18)

Referências:

1. Canadian Task Force on Preventive Health Care. Recommendations on screening for prostate cancer with the prostate-specific antigen test. CMAJ, November 4, 2014, 186 (16).

2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Rastreamento / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

3. U.S. Preventive Service Task Force. Prostate Cancer: Screening. May, 2012.

4. DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 - . Record No. 113802, Prostate cancer screeningInstituto Nacional do Câncer. Câncer de Próstata.

5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas – Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

7.4.17

Depressão é tema de campanha da OMS para Dia Mundial da Saúde, 07 de Abril


As unidades CliniCassi estão à disposição
dos participantes para avaliação e adequada
indicação de tratamento para a depressão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu início a uma campanha sobre depressão. Com o lema “Let’s talk” (“Vamos conversar”, em português), a iniciativa reforça que existem formas de prevenir a depressão e também de tratá-la, considerando que ela pode levar a consequências graves.

Segundo a OMS, a depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma muito importante para a carga global de doenças.

A tristeza por si só não caracteriza um quadro de depressão. A tristeza é um sentimento que pode acontecer com qualquer pessoa saudável sem significar doença. 


A depressão tem caráter mais duradouro (pelo menos duas semanas), compromete a vida do indivíduo, varia pouco ao longo dos dias e está associada a outros sintomas como redução da energia, fatigabilidade, humor deprimido, perda de interesse em atividades antes prazerosas, diminuição da capacidade de concentração, redução da libido, alterações do sono e do apetite, redução da autoestima, pensamentos de culpa e desesperança, podendo apresentar ideação suicida.

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o que representa mais de 11,5 milhões de casos. A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo recebe ajuda médica.

A depressão é uma das principais causas do suicídio. Em torno de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano no mundo. A doença atinge pessoas de diferentes faixas etárias, etnia, religião, níveis socioeconômico e educacional e continua sendo um dos grandes desafios deste início de século.

Existem vários tratamentos eficazes para a doença. O diagnóstico precoce evita agravamento e casos crônicos da doença. Com cuidados adequados, assistência psicossocial e medicação, dezenas de milhões de pessoas com transtornos mentais, incluindo a depressão, poderiam começar a levar uma vida normal.

Na Cassi, os participantes podem contar com as ações desenvolvidas pelo Programa de Saúde Mental. As equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) estão preparadas para atender a população prestando atenção integral com atendimentos para prevenção, diagnóstico precoce e orientação para os tratamentos adequados.

Em 2016, o programa de Saúde Mental beneficiou mais de 6 mil pessoas e mais de 40.000 atendimentos foram proporcionados à população em sofrimento psíquico pelos profissionais da rede credenciada.

Qualquer pessoa pode ser acometida pela depressão, independente de gênero, faixa etária, raça e classe social.

A data de hoje fez parte do Calendário de Saúde da Cassi 2017. É importante que os participantes com sintomas característicos da doença procurem ajuda na CliniCassi mais próxima, para avaliação e adequada indicação de tratamento.

Nossos profissionais podem ajudá-los e orientá-los na condução da melhor forma de cuidado.

Abraços a tod@s,

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/18)


Post Scriptum: este texto de opinião contou com subsídios de nossas equipes técnicas na área de saúde

9.1.17

Cenário da Saúde pública e privada é de dificuldades


Apresentação do blog


Olá prezad@s associad@s da Cassi, amig@s bancári@s e companheir@s de lutas sociais,

Neste mês de janeiro estamos em férias. Isso quer dizer que estou acompanhando o dia a dia de nossa autogestão de forma não presencial na Sede (DF). Além de acompanhar as pautas e deliberações das reuniões da Diretoria Executiva, fico à disposição de nossa equipe de gestores.

Apresento abaixo um artigo que já havia lido no final do ano e que traz informações relevantes para as nossas lideranças e formadores de opinião na área da saúde, que acompanham a Cassi com dedicação militante, o pessoal dos Conselhos de Usuários e lideranças das entidades representativas. Qualquer cenário que afete o SUS, afeta a saúde privada também, os planos de saúde e os prestadores de serviços de saúde, alterando custos do setor e a sustentabilidade.

Os tempos que correm serão de definição em nossas vidas cidadãs e na vida de nossas entidades associativas, em relação aos direitos que temos. Ouso conclamar unidade a tod@s os segmentos com os quais nos relacionamos, porque qualquer chance de manutenção de direitos em saúde só se realiza se tivermos pessoas informadas e mobilizadas com unidade.

Abraços, 

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/2018)


José Gomes Temporão, ex Ministro da Saúde.

Temporão: Tempos sombrios para a saúde pública


por Jose Gomes Temporão* — publicado em Carta Capital em 24/12/2016 - 01h23


Em artigo exclusivo para CartaCapital, o ex-ministro avalia o turvo futuro do Sistema Único de Saúde com o congelamento dos gastos sociais

A emenda constitucional que impõe limites rígidos nos gastos públicos para os próximos 20 anos pode ser analisada de múltiplas perspectivas: econômica, política, de seu impacto nas políticas sociais e nas condições de vida da maioria da população, entre outros. Na realidade, ela expressa uma série de valores e de visões de mundo que se contrapõe radicalmente ao que Sérgio Arouca, utilizando um conceito de Norbert Elias, denominava de Processo Civilizatório, quando o Brasil abraçou nos anos 1980 o desafio de construir um sistema de saúde universal nos trópicos.

As propostas defendidas pelo governo federal apontam para um modelo de desenvolvimento econômico e humano perverso que afetará a segurança de milhões de brasileiros principalmente dos mais vulneráveis. O governo Temer propõe, como medida de longo prazo, estabelecer um "Novo Regime Fiscal", que cria por 20 anos um teto para o crescimento das despesas públicas limitado à inflação.

Enquanto a população e o PIB crescem, os gastos públicos ficam congelados. Enquanto o quadro epidemiológico se torna mais complexo, enquanto a população envelhece velozmente, enquanto a pressão da sociedade pela incorporação de novas tecnologias se agudiza, o governo acena com um futuro de graves restrições do ponto de vista econômico para a saúde.

De acordo com uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), assinada pelos pesquisadores Fabiola Sulpino Vieira e Rodrigo Pucci de Sá e Benevides, a proposta apoia-se em argumentos falsos de que nações desenvolvidas usam regras semelhantes. “Na maioria desses países já existe uma estrutura consolidada de prestação de serviços públicos, diferentemente do Brasil onde há enormes carências sociais e precariedades na infraestrutura”, diz o texto.

O argumento central do governo é que não haverá prejuízo para o orçamento da saúde e que este seria o único caminho para recuperarmos o crescimento da economia. Evidentemente, não há consenso em torno destas afirmativas. O economista João Sicsú, em artigo publicado por CartaCapital, observa que o pagamento de juros da dívida pública deveria estar no centro do debate: “A quase totalidade dos credores é composta de milionários e bilionários. É a elite financeira, formada inclusive por empresários do setor produtivo. São os ricos do Brasil. Somente no ano de 2015, eles receberam mais de 500 bilhões de reais dos cofres públicos”.

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"No Brasil, apenas 48% dos gastos em saúde são públicos. É uma distorção que seria ainda mais agravada com a recente proposta de expansão do segmento de planos anunciada pelo ministro da Saúde"
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A proposta do governo Temer também pode ser compreendida em um contexto mais amplo do fortalecimento crescente de uma visão conservadora sobre os direitos sociais. Alguns exemplos didáticos: Existem hoje na Câmara dos Deputados, por iniciativa de parlamentares que representam os interesses do agronegócio, da bancada evangélica e dos que defendem a revogação do estatuto do desarmamento, 55 projetos de lei de destruição de direitos conquistados nas últimas décadas.

Esses projetos tratam, entre outros, dos seguintes assuntos: restrições ao direito ao aborto, redução da maioridade penal, revogação do estatuto do desarmamento, revogação do projeto que criminaliza a homofobia e do que autoriza o uso do nome social por transexuais, aprovação do projeto “escola sem partido”, que proíbe conteúdos críticos, formadores do cidadão, considerados “partidários” ou “esquerdizantes”. Enfim, uma agenda de direita ou de extrema direita.

Para o atual governo, os direitos sociais não cabem no orçamento. Na verdade, as decisões de macro política escondem um processo real que é a luta pela apropriação dos fundos públicos entre políticas e setores econômicos, inclusive no campo da saúde. Nessa luta, é evidente que os atores mais poderosos como o Judiciário, o Legislativo, o conjunto de tribunais de contas e o sistema financeiro, terão nítida vantagem em prejuízo das universidades, do ensino, da saúde e da pesquisa. E comprometem o futuro do País.

Isso fica bem evidente quando se analisa a estrutura do gasto em saúde no Brasil. Do gasto total em saúde, cerca de 52% dos gastos são privados, incluindo os gastos das empresas e o desembolso direto das famílias. Apenas 48% dos gastos são públicos. É uma distorção essencial que seria ainda mais agravada com a recente proposta de expansão do segmento de planos e seguros anunciada pelo Ministro da Saúde, o que ampliaria a política de subsídios e renúncia fiscal visando a ampliação do mercado privado, política essa que atravessou todos os governos nas últimas décadas inclusive os do PT.

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"Enquanto o quadro epidemiológico se torna mais complexo, enquanto a população envelhece velozmente, o governo acena com um futuro de graves restrições"
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A maioria dos especialistas em saúde pública considera que com a PEC 241/55 passaremos de uma situação de subfinanciamento crônico da saúde que nos acompanha desde o início do Sistema Único de Saúde, para uma de perda real de recursos ao longo dos próximos anos.

Outro aspecto importante que faz parte de todo esse contexto é a visão hegemônica no Governo e no Parlamento de que a saúde é um gasto e de que no momento as questões de eficiência do gasto e de macrogestão devem ter prioridade sobre outras dimensões. Na verdade, sabemos que saúde é investimento e que sua dimensão econômica inclusive pode fazer parte da solução para a crise.

Para compreender melhor o significado real do impacto da PEC 241/55 sobre a saúde pública é preciso considerar um conjunto de fenômenos que afetam de modo diferenciado os países em desenvolvimento do ponto de vista macroestrutural. Vamos tomar como exemplo apenas dois deles: a sustentabilidade tecnológica e a mudança do perfil epidemiológico.

Em relação à sustentabilidade tecnológica, a medicina do futuro aponta para um cenário fascinante: biodrogas, robótica, nano dispositivos, vacinas terapêuticas, tratamentos mais individualizados. Mas a realidade é bem mais dramática. Hoje já temos um mundo dividido em castas de cidadãos que acessam ou não as modernas tecnologias.

As poucas novidades lançadas no mercado protegidas por patentes alcançam um custo insuportável para os sistemas de saúde em todo o mundo. Em uma conjuntura de grave restrição de recursos a sustentabilidade tecnológica da saúde e o acesso da população às tecnologias essenciais será seriamente afetada.

No caso das mudanças na estrutura epidemiológica, trago números assustadores em relação à violência e seu impacto sobre crianças e adolescentes. Em 1980, 0,7% dos homicídios foram nessa faixa etária. Em 2013, esse porcentual alcançou 13,9%. O Brasil teve 10.520 crianças e adolescentes assassinados em 2013. Foram 28 por dia!

Como enfrentar esse gravíssimo problema com o modelo de desenvolvimento que o governo nos apresenta? Para enfrentar desafios desse porte será necessário construir políticas públicas inovadoras e conceber um modelo de desenvolvimento que tenha o ser humano no centro do processo.

Infelizmente em todo esse debate sobre o impacto negativo das políticas de ajuste sobre a saúde predomina a análise focada na assistência médica. Na realidade, o maior impacto recairá sobre o que denomino de “cuidado essencial”. O termo ‘cuidado’, foi apropriado pela área de saúde como algo restrito a procedimentos técnicos, sinônimo de boa assistência.

Em verdade, quando nos referimos ao cuidado como inerente à vida, trata-se de afirmar uma nova mentalidade, que vincula os humanos, indicando que não é possível a sobrevivência humana sem que o novo ser que chega ao mundo seja recebido amorosamente por um outro ser e por ele cuidado, até que possa cuidar de si. Um longo processo, que supõe um modo específico de viver em coletividade. Aqui, o cuidado é entendido desde sua dimensão ontológica como ‘cuidado essencial’ até seu sentido mais comum como atitude, ato de cuidar.


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"O Brasil teve 10.520 crianças e adolescentes assassinados em 2013. Foram 28 por dia! Como enfrentar esse problema com o modelo que o governo nos apresenta?"
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Este cuidado é o que de fato determina a sustentabilidade das relações intrínsecas à vida em sociedade. Portanto, tecer um ‘ambiente facilitador à vida’ centrado no referencial de ‘cuidado essencial’ como o orientador prévio de toda a ação pública ou privada deve ser o grande eixo em torno do qual se produz saúde: cuidado não burocrático, desejante, que garante a qualidade da vida. É esta concepção de desenvolvimento que perde com as políticas cruéis defendidas pelo governo brasileiro.

Para sustentar essa política, o governo lança mão de várias ferramentas principalmente no campo da comunicação. Explora o senso comum com mensagens do tipo: “temos que fazer o dever de casa” ou “o governo é como uma família, não se pode gastar mais do que se ganha”. Isso me faz lembrar do livro Mitologias, do filósofo francês Roland Barthes, no qual ele se mostra preocupado ao analisar os mitos em circulação na sociedade contemporânea, as representações falsas e crenças errôneas.

Barthes nos alerta: “O mito é uma fala despolitizada... O mito não nega as coisas, sua função é pelo contrário falar delas; simplesmente purifica-as, inocenta-as, fundamenta-as em natureza e eternidade, dá-lhes uma clareza não de explicação, mas de constatação: se constato sem explicar, pouco falta para que a ache normal, decorrente da natureza das coisas, fico tranquilo (...) suprime toda e qualquer dialética (...) O mito organiza um mundo sem contradições, porque sem profundeza”.

É essa “realidade fictícia” que o governo nos apresenta. Caberá à sociedade, por meio de intensa mobilização e luta política, reverter esse quadro em favor do povo brasileiro.


* José Gomes Temporão é médico sanitarista e ex-ministro da Saúde.

Fonte: Carta Capital

10.10.16

PEC 241 é condenação de morte para milhares de brasileiros


Apresentação e comentário do blog

Olá companheir@s e leitores. Recomendo a leitura desta entrevista com o ex ministro da saúde José Gomes Temporão. É muito grave o que os golpistas que tomaram o país de assalto estão para fazer congelando as verbas da saúde. Isso vai custar a vida de milhares de pessoas por destruição da estrutura de saúde pública brasileira, que já é subfinanciada desde a Constituição Federal de 1988.

O que isso tem a ver conosco que estamos assistidos hoje por um plano de saúde privado, de autogestão e auto-financiado por nós mesmos e pela empresa em que trabalhamos - o Banco do Brasil? Tem tudo a ver, porque a destruição do SUS vai mudar a característica do modelo de saúde brasileiro. A tendência é prevalecer um modelo semelhante ao que vigora nos Estados Unidos, que tem uma medicina de ponta caríssima para quem pode pagar e que exclui dezenas de milhões de trabalhadores de qualquer tipo de atenção à saúde, seja preventiva, seja curativa.

Boas reflexões aos líderes de nosso segmento que lerem a matéria. 

Precisarei reforçar todos os dias um convite a vocês: colaborem conosco em criar uma Cultura de Saúde partilhando com seus grupos de afinidade as informações que lhes fornecemos para mobilizar nossos pares para a grande batalha, a do direito em saúde, porque sem saúde nem daremos saída às lutas que teremos pela frente.

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi (mandato 2014/18)

(matéria da Carta Capital)


Temporão - foto: Adriana Loreti.

Entrevista – José Gomes Temporão

“PEC 241 é condenação de morte para milhares de brasileiros”

por Rodrigo Martins — publicado 10/10/2016 03h53

Em vez de sacrificar a saúde e a educação no ajuste fiscal, o ex-ministro propõe o enfrentamento à injusta estrutura tributária do País


Subfinanciado desde a sua criação, o Sistema Único de Saúde já tinha a sua sustentabilidade ameaçada pelas transformações que o País passa: um acelerado envelhecimento da população, acompanhado do aumento da prevalência de doenças crônicas, a demandar tratamentos prolongados e dispendiosos. A PEC 241, que congela os gastos públicos por 20 anos, apenas agrava o problema, com a perspectiva de perda real de recursos, avalia o médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde do governo Lula.

Aprovada por uma comissão especial da Câmara, a proposta deve ir a votação no plenário nesta semana. Para diminuir resistências parlamentares à aprovação, o relator Darcísio Perondi (PMDB-RS) combinou com o governo uma mudança no projeto. O congelamento dos recursos de saúde e educação começaria não em 2017, como previa a proposta original do governo, mas em 2018. Além disso, o novo relatório estabelece que a base de cálculo do piso da saúde em 2017 será de 15% da receita líquida, e não de 13,7%, como previsto inicialmente.

Mesmo com o alívio no primeiro ano, é prevista uma perda acumulada de centenas de bilhões de reais ao longo dos 20 anos de vigência. “Essa decisão do Congresso é uma condenação de morte para milhares de brasileiros que terão a saúde impactada por essa medida irresponsável”, diz Temporão, em entrevista a CartaCapital. “Estamos falando de fechamento de leitos hospitalares, de encerramento de serviços de saúde, de demissões de profissionais, de redução do acesso, de aumento da demora no atendimento.”

Para o ex-ministro, o País renuncia ao seu futuro ao sacrificar a saúde e a educação no ajuste fiscal. “Se existe um problema macroeconômico a ser enfrentado, do ponto de vista dos gastos públicos, há outros caminhos. Mas este governo não parece disposto a enfrentar a questão da reforma tributária”, afirma. “Temos uma estrutura tributária regressiva no Brasil, que penaliza os trabalhadores assalariados e a classe média, enquanto os ricos permanecem com os seus privilégios intocados”.




CartaCapital: O que representa a PEC 241 para a saúde pública?
José Gomes Temporão (JGT): Todos nós, especialistas em saúde pública que militam pela reforma sanitária há décadas, estamos estarrecidos com essa proposta. De um lado, ela denota a ignorância do governo sobre a dinâmica do setor de saúde. Bastaria fazer uma consulta ao portal Saúde Amanhã, da Fiocruz, que abriga uma série de estudos prospectivos dos impactos das transformações econômicas, políticas e sociais no campo da saúde para as próximas décadas, para que a PEC 241 fosse repensada.

Estamos vivendo um período de aceleradas transformações no Brasil do ponto de vista demográfico, epidemiológico, tecnológico e organizacional. Essas mudanças vão pressionar substancialmente o Sistema Único de Saúde, ameaçando, inclusive, a sua sustentabilidade econômica.


CC: Um desses fatores de pressão é o envelhecimento da população brasileira, pois os idosos demandam maior atenção médica.

JGT: Sim, esse é um dos aspectos: a transição demográfica. O Brasil está passando por um processo de envelhecimento populacional muito rápido, praticamente na metade do tempo que a França levou para concluir essa mesma transição. Também há uma mudança no padrão das enfermidades.

As doenças infectocontagiosas estão perdendo espaço relativo, enquanto avançam as doenças crônicas, que representam um custo mais alto, não apenas no diagnóstico, mas em virtude do tratamento prolongado, que pode se estender por toda a vida. A Organização Mundial da Saúde projeta que, em 2030, as principais causas de mortalidade no mundo não serão mais as doenças cardiovasculares ou cerebrovasculares, e sim o câncer, que tem um custo de tratamento altíssimo.


CC: Ou seja, os gastos com saúde só tendem a aumentar.

JGT: Na verdade, acho equivocado tratar saúde como gasto. Do conjunto de políticas sociais, ela tem uma dinâmica própria que pode, inclusive, fazer parte da solução macroeconômica para sair da crise. Ao contrário de outras áreas, nas quais a tecnologia costuma substituir o trabalho humano, na saúde ocorre justamente o contrário. Quanto mais tecnologia você incorpora, maior será a demanda de mão-de-obra qualificada.

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Gostaria, porém, de destacar uma profunda injustiça do ponto de vista político: os que estão patrocinando a PEC 241, esse crime contra a saúde pública, estarão protegidos por seus planos e seguros-saúde, inclusive subsidiados pelos contribuintes. Os funcionários públicos dos três poderes têm planos financiados, em parte, pelos impostos pagos por todos os brasileiros. Os legisladores fazem parte dos 20% da população que dispõem de planos de saúde, mas essa decisão afetará profundamente os 80% que só podem contar com o sistema público.

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CC: O governo argumenta que não está retirando dinheiro da saúde.
JGT: Isso é retórica. Eles também dizem que, para 2017, colocaram recursos a mais. No entanto, a partir de 2018 a saúde estará submetida à mesma regra, de ter o orçamento reajustado pela inflação acumulada no ano anterior. Ora, isso é desconhecer completamente que a inflação e a dinâmica da saúde seguem uma trajetória absolutamente distinta. Todos sabem disso, há toneladas de estudos que comprovam esse descompasso. Uma medida como essa, que vigorará por 20 anos, levará a um profundo desfinanciamento da saúde, que a partir do terceiro ou quarto ano terá uma perda real de recursos, enquanto a demanda só aumenta.

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Se existe um problema macroeconômico a ser enfrentado, do ponto de vista dos gastos públicos, há outros caminhos. Mas este governo não parece disposto a enfrentar a questão da reforma tributária. Por que não taxar melhor os 71 mil brasileiros mais ricos? Eles ganharam, em média, 4,1 milhões de reais no ano de 2013 e estão submetidos a uma carga tributária efetiva inferior a 7% (Confira um artigo a respeito, publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

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Temos uma estrutura tributária regressiva no Brasil, que penaliza os trabalhadores assalariados e a classe média, enquanto os ricos permanecem com os seus privilégios intocados. Deveriam ficar de fora do ajuste fiscal as áreas de saúde, educação, ciência e tecnologia, pois delas dependem o futuro do País, o nosso projeto de desenvolvimento.


CC: Mas quem vai enfrentar os patos da Fiesp? Aquilo parecia ser um recado claro de que os ricos não estão dispostos a pagar mais impostos.
JGT: É verdade. Existe uma casta de brasileiros que detém uma fatia muito grande da renda nacional e pagam, proporcionalmente, muito pouco. O Brasil é um dos raros países do mundo que isentam empresários de pagar impostos sobre lucros e dividendos (dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, apenas México, Eslováquia e Estônia seguem essa tendência). Ou seja, a empresa paga o seu imposto, mas a pessoa física, quando declara essa renda, não é tributada.

Poderíamos fazer uma profunda discussão sobre essas disparidades, mas isso não entra na agenda política, até porque esse governo expressa justamente os interesses dessa casta de privilegiados.


CC: A bem da verdade, nenhum governo enfrentou com seriedade a questão da regressividade da estrutura tributária no Brasil...
JGT: Sim. Infelizmente, isso permaneceu intocado mesmo nos governos petistas, de Lula e Dilma Rousseff. Até hoje estamos nessa encruzilhada, com a necessidade de uma reforma política, de uma reforma tributária, com a saúde e a educação como grandes desafios.


CC: Qual é a estimativa de perda de recursos para a saúde pública?
JGT: O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada fez uma projeção, antes dessa última mexida no texto da PEC 241, que demonstra um impacto brutal, de centenas de bilhões de reais (em um cenário de crescimento do PIB de 2% ao ano, a perda acumulada em 20 anos seria de 654 bilhões de reais, segundo uma nota técnica divulgada pelo Ipea no fim de setembro. De acordo com uma projeção feita por uma Consultoria da Câmara, somente no ano de 2025, a perda seria de 63 bilhões de reais – no acumulado de dez anos, chega a 331 bilhões).

Na verdade, não se trata de números. Estamos falando de mortes. Essa decisão do Congresso é uma condenação de morte para milhares de brasileiros que terão a saúde impactada por essa medida irresponsável. Estamos falando de fechamento de leitos hospitalares, de encerramento de serviços de saúde, de demissões de profissionais, de redução do acesso, de aumento da demora no atendimento.


CC: E os dados da OMS revelam que investimento público em saúde no Brasil é inferior à média mundial, quando se analisa o gasto per capita.
JGT: É verdade, e a estrutura de gastos do setor é absolutamente distorcida. Apenas 48% das despesas totais com saúde no Brasil são públicas, o restante, 52%, são gastos privados, das famílias e das empresas. Os mais pobres também investem recursos próprios, toda vez que precisam comprar um medicamento ou ter acesso a algum serviço que não encontram na rede pública. No Brasil, o governo gasta pouco e o ônus do financiamento recai sobre as famílias.

A PEC 241 só agrava essa situação. Para ter um parâmetro de comparação, na Inglaterra, que também tem um sistema de saúde universal, 85% do gasto total é público. Essa é a grande diferença. Desde que nasceu, no final dos anos 1980, o SUS está subfinanciado. E, agora, corre o risco de passar por um processo de desfinanciamento, de retirada de recursos.


CC: O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, falecido em 2014, costumava fazer comparações com a situação anterior ao SUS, quando apenas os trabalhadores formais, com carteira assinada, tinham acesso aos hospitais mantidos pelo extinto Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps). Os demais dependiam da filantropia. O SUS incluiu milhões de brasileiros, mas jamais teve os recursos necessários para contemplar o aumento da demanda.


JGT: O que está se defendendo aqui? Que não retornemos à situação pré-SUS, quando havia três categorias de brasileiros: os ricos e muito ricos, que pagavam diretamente pela atenção à sua saúde, a massa de trabalhadores formalmente inserida no mercado de trabalho, que eram garantidos pelo Inamps (e agora beneficiam-se de planos de saúde das empresas), e os demais, que dependiam da caridade.

A PEC 241 ameaça uma cláusula pétrea da Constituição de 1988, que é o direito à saúde. E a responsabilidade intransferível do que vier a acontecer é deste governo e dos congressistas que aprovarem este disparate.

Fonte da matéria: CartaCapital (com adaptações do blog)

2.7.16

Para entender: a destruição do SUS e os efeitos para a Cassi - o que vem por aí?


(Atualizado às 9:45h de domingo, 3/7/16)

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Eu juro que queria descansar um pouco no fim de semana porque estou no limite do esgotamento físico e mental por excesso de trabalho e preocupações pela função que exerço de representante eleito pelos associados na maior autogestão do país, a Cassi. Mas a gente não dá conta de não ser engajado no que (nós) fazemos...

Vou apresentar uma matéria para leitura a vocês explicando um pouco da destruição do SUS em processo acelerado pelos golpistas que tomaram o país de assalto. A questão que coloco a vocês é sobre o que isso tem a ver conosco, os donos da Cassi. Vou ser sucinto porque explico faz dois anos o que é a Cassi, como ela funciona, o que deveria ser, o que falta fazer, porque temos problemas de rede credenciada etc.

A Cassi é a maior autogestão em saúde do país. Ela cuida de mais de 700 mil vidas. Faz parte do segmento que não visa lucro dentro do setor de saúde suplementar, que contêm mais de 5 milhões de vidas (segmento de autogestões). Ela é dos funcionários do Banco do Brasil. É uma empresa privada, apesar de ter dois patrocinadores, sendo um deles uma empresa pública, o Banco.

Como ex-dirigente sindical (por 13 anos) eleito por entidades da maior central do país, a CUT, eu passei os últimos dois anos explicando em todas as bases sociais do Brasil, que a Cassi é uma Caixa de Assistência em saúde, que ela não concorre com o SUS, o qual somos defensores desde criancinha, e como autogestão a Cassi não onera o Sistema Único de Saúde porque quem mantém a entidade são seus dois patrocinadores - o BB e os funcionários da ativa, aposentados, pensionistas (Plano de Associados) e os familiares que estão no plano Cassi Família, além de termos os próprios funcionários da Cassi.

A matéria abaixo, do médico sanitarista Hêider Pinto, explica a tragédia que vem por aí com as medidas dos golpistas que assaltaram o país e que estão atuando para destruir nossos direitos de classe trabalhadora. (que merda, e olha que o Golpe foi com o apoio de um monte de conhecidos nossos... de amarelinho da CBF nas ruas...)

Enfim, teremos que fortalecer mais ainda a nossa Cassi porque haverá uma piora no SUS para os 200 milhões de brasileiros e brasileiras, ouviremos choros e ranger de dentes. Haverá piora na rede credenciada de qualquer plano, mesmo os privados que visam lucro com a doença. Milhões de pessoas serão expurgadas da iniciativa privada, por causa do custo. Por causa da idade etc...

Mais que nunca, será necessário que a nossa Cassi mantenha o modelo de custeio solidário intergeracional, e insisto, somente com a ampliação do Modelo de Atenção Integral à Saúde, Atenção Primária e prevenção de doenças, além do cuidado dos agravados, poderemos dar conta do que vem por aí.

Leiam a matéria abaixo e se juntem a nós para entrar no debate da sustentabilidade da Cassi, fortalecê-la e termos melhores perspectivas para cuidar de nossas 700 mil vidas, mesmo durante o caos que haverá na saúde pública e privada brasileira nos próximos anos.

Reafirmo o que tenho dito: no debate sobre o déficit, custeio e sustentabilidade da Cassi, eu direi exatamente o que eu entendo ser o melhor para os associados e para a Caixa de Assistência, e o melhor para os associados é fortalecermos a Cassi. Patrocinador BB e Corpo Social devem contribuir para reequilibrar o plano de saúde dos funcionários. É mais barato para ambos e "Bom Pra Todos", inclusive para o sistema público de saúde, porque as autogestões tiram 5 milhões de pessoas das filas do SUS.

Abraços aos meus pares da classe trabalhadora e bom final de semana!

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (eleito 2014/18)




Medida do Governo Provisório acabará com a saúde pública

por Hêider Pinto, especial para o Viomundo

29/6/16

O governo provisório não perde oportunidade de demonstrar que o objetivo de afastar a Presidenta Dilma sem crime de responsabilidade é impor ao país uma agenda de redução de direitos sociais que tem sido rejeitada nas urnas desde 2002. Na saúde, isso significa retroceder ao período antes da Constituição de 1988 quando saúde era privilégio de quem podia pagar por ela e não direito de cidadania.

O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 241/2016 instaurará a maior crise do SUS desde sua criação.

Convido-os a nos acompanhar em cinco apontamentos que demonstrarão isso e denunciarão que acabar com a saúde pública é péssimo para quase 200 milhões de brasileiros, mas muito interessante e lucrativo para os poucos milhares que lucram com a doença.

O primeiro apontamento se refere ao fato de que o Brasil tem um financiamento insuficiente para a saúde pública. Isso é problema desde a criação do SUS e, embora nos últimos 13 anos o financiamento federal tenha crescido quase o dobro da inflação, segue sendo insuficiente.

Comparando só na América, vale destacar que o gasto por pessoa no Brasil em 2013 (Fonte OCDE) foi apenas 13% do gasto no Canadá e 53%, no vizinho Uruguai.

É preciso melhorar a gestão? Claro. Mas a quantidade de recursos públicos que o Brasil realmente investe na saúde é absolutamente insuficiente.

O segundo está relacionado ao déficit preocupante que a saúde já apresenta no ano de 2016 devido a dois principais motivos: a redução da receita por causa da recessão e a aprovação pelo Congresso Nacional das emendas impositivas que passaram a ser descontadas do orçamento da saúde.

As contas variam de 10 a 15 bilhões de reais de déficit. A situação é grave a ponto de se o orçamento não for complementado faltará recursos para custear o funcionamento dos serviços, os salários dos trabalhadores e os medicamentos nos últimos dois meses. O ano teria que terminar no mês das eleições municipais.

O terceiro apontamento é que o governo provisório vai na contramão da necessidade da população e do acordo que já havia entre Congresso Nacional e Governo legítimo para tentar corrigir minimamente o déficit de recursos da saúde.

A PEC 01/2015 já havia sido aprovada em 1º turno na Câmara e, se aprovada em definitivo nas duas casas, concederia um aumento de 35 bilhões (aumento real de 35%) para a saúde escalonado em 5 anos quando o compromisso federal seria de 18,7% da receita corrente líquida.

Mas a PEC 241/2016 desfaz e inverte isso: proíbe o aumento dos recursos da saúde acima da inflação. Ou seja, o valor deficitário que já provoca crise em 2016 ficaria congelado, sem aumento real, pelos próximos 20 anos. Se com a PEC 01/2015 o SUS teria 14 bilhões de reais a mais em 2017, com a PEC 241/2016 ele terá 4 bilhões a menos.

O quarto apontamento é que esse congelamento agrava a crise no curtíssimo prazo e mata o SUS no médio prazo. É sabido que o recurso da saúde precisa aumentar acima da inflação por diversos motivos. Destacarei quatro.

Em primeiro lugar, a população cresce. Em segundo, os serviços ainda não garantem acesso a todos. A estratégia de saúde da família, por exemplo, cobre aproximadamente 66% das pessoas e seria necessário atingir no mínimo 80%. Também precisam ser expandidas a saúde bucal, as urgências, o SAMU, as UTIS etc.

Em quarto lugar, os custos dos serviços, equipamentos e medicamentos da saúde no mundo inteiro crescem acima da inflação. Em quinto, a experiência internacional mostra que o envelhecimento da população exige um gasto maior de saúde.

Por tudo isso, congelar os recursos da saúde implica em crise no presente e agravamento da crise ano a ano.

Será impossível manter em 2016 a quantidade de profissionais, de unidades de saúde, de leitos e de medicamentos que foram oferecidos no SUS em 2015. E 2017 terá ainda menos que 2016. Por isso os Secretários de Saúde dos Municípios e Estados, em nota conjunta, disseram que o resultado da PEC 241 será a piora das condições de saúde dos brasileiros, mais doença e mais mortes.

Por fim, o quinto apontamento: se todas essas questões colocadas acima são óbvias e demonstráveis, por que ainda assim o Governo Provisório nega recursos ao SUS quando concede aumentos de gastos de quase 50 bilhões, seja para o reajuste do judiciário, seja para o perdão das dívidas aos Estados?

Porque o objetivo do Governo Provisório é “enforcar” o SUS para privatizar a saúde.

SUS com menos recursos, serviços e trabalhadores será um SUS com pior qualidade e mais filas.

Mais gente não conseguirá ser atendida e, expulsa do sistema público, será obrigada a “pagar para não ficar mais doente” com recursos do próprio bolso diretamente ou por meio de um plano de saúde.

Quem quiser conferir as intenções do Governo Provisório é só ler o documento “Ponte para o Futuro” e ver que a intenção é ter saúde privada para 50% ou mais da população. É de perder o sono tanto para quem usa os serviços assistenciais do SUS quanto para quem já enfrenta filas e mal atendimento nos planos de saúde que hoje são responsáveis por apenas 20% da população (mesmo assim, metade destes usa serviços de atendimento no SUS).

A influência dos interesses privados está escancarada não só na ideologia do governo provisório como também personificada no mesmo.

Para ficar em dois exemplos, vale lembrar que o ministro da Saúde interino teve sua campanha financiada pelos planos de saúde e o interino da Fazenda representa o interesse de grandes bancos, que são sócios acionistas da saúde suplementar no Brasil.

Sim, inevitável dizer que as raposas deram o golpe para tomar conta do galinheiro e uma das primeiras vítimas, além da democracia de nosso país, é a saúde de nossa população.

Cada gestor público, trabalhador e estudante de saúde, cidadão, usuário ou não do SUS, deve denunciar e lutar contra a aprovação da PEC 241.

O que levou mais de 25 anos para ser construído pode ser destruído em uma votação conduzida por um governo provisório, que não se submeteu às urnas. Além disso, toma medidas a toque de caixa frontalmente contra o que a população expressou nas últimas quatro eleições nacionais.


Hêider Pinto é médico sanitarista. Secretário do Ministério da Saúde no governo Dilma.

25.5.16

Opinião: 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde



A palestra do Dr. Jaime Breilh, sobre "O desafio de promover
saúde em um sistema social degradado e sua civilização
da solidão" mexeu muito com a plateia. Foi uma exposição
politizada sobre o efeito das corporações que dominaram
países e pessoas e estão destruindo as sociedades e
as possibilidades de existência.
 

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Estivemos em Curitiba, onde participamos da 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde, com o tema "Promovendo saúde e equidade". Foi a primeira vez que este evento aconteceu no Brasil. Participamos de alguns simpósios e workshops e vimos palestras internacionais muito interessantes nestes dias.

Teço alguns comentários breves a respeito de impressões que tive sobre as apresentações e debates que pude acompanhar na Conferência.

Pesou no clima da Conferência o Golpe de Estado que sequestrou a democracia brasileira, perpetrado por um conluio de corporações e seus asseclas que ocuparam espaços públicos (asseclas marcados por suspeitas de corrupção). Esse consórcio de golpistas afastou a presidenta da República Dilma Rousseff, que não tem nenhum crime de responsabilidade. Neste momento, o Brasil já sabe de gravações que revelam bastidores dias antes do golpe, onde um dos ministros provisórios, Jucá, (que já caiu) denuncia todo mundo no acordão para tirar a presidenta.

O Golpe e as medidas de destruição já anunciadas pelo governo provisório nos últimos dias, feitas na canetada, afetam todas as conquistas sociais de décadas de lutas como, por exemplo, o Sistema Único de Saúde. Vi manifestações contra o golpe, contra os ataques ao SUS e aos direitos e políticas sociais, tanto por parte de palestrantes nacionais e internacionais, quanto pelos participantes ao longo dos dias.

Algumas das mesas e debates abordaram temas na área da saúde integral, da promoção de saúde, da necessidade de transversalidade do tema saúde em todos os espaços sociais, na questão da saúde pública como direito universal, da saúde como pauta para a formação desde as primeiras etapas da vida escolar até a formação de nível superior, dentre outras abordagens muito interessantes.


Participação na 22ª Conferência Mundial de
Promoção da Saúde. Curitiba - Paraná.

SAÚDE EM TODAS AS POLÍTICAS

Ao ver o debate da "Saúde em todas as políticas" (Health in all policies - HIAP), refleti o quanto estamos ameaçados pelos retrocessos que o golpe está gerando no Brasil, país que construiu avanços em benefício da saúde pública para o conjunto da população desde a Constituição Federal de 1988.

É fato que o tema abordou bastante a questão da saúde de forma integral, em todas as suas dimensões, e baseado no conceito da OMS (1946) de que Saúde é: "Estado de completo bem estar físico, mental e social e não somente a ausência de enfermidade". Porém, foi possível fazermos diversas relações com o trabalho que a Cassi desenvolve, principalmente após a mudança ocorrida em 1996 quando passou a ter a missão de promover saúde e prevenir doenças. 

Sob a ótica de nosso foco e escopo de trabalho - a Cassi e a comunidade Banco do Brasil -, reforçou em mim a necessidade premente de continuar o trabalho que comecei nesta etapa de nosso mandato em 2016 de buscar parcerias em todos os Estados e Distrito Federal com os gestores do BB para levar para dentro do Banco e para o dia a dia dos 100 mil trabalhadores da ativa, as possibilidades de atuação da Cassi em relação ao Modelo de Atenção Integral à Saúde e Estratégia Saúde da Família (ESF). 

A promoção de saúde é uma necessidade nacional e internacional e se mostra mais importante ainda dentro do BB, pois a categoria bancária tem uma natureza de trabalho estressante e o estresse catalisa as principais doenças crônicas da modernidade e mudanças nas condições de saúde - diabetes, hipertensão arterial, alteração nos níveis de colesterol e obesidade -, fatores que aumentam riscos cardiovasculares, AVC, problemas graves em órgãos vitais como rins, fígado, dentre outros.




HABILIDADES PARA A VIDA

Outra temática que me chamou muito a atenção foi abordada num simpósio hoje: "Habilidades para a vida: empoderamento pessoal e social para um desenvolvimento humano e sustentável"

Especialistas de diversos países apresentaram trabalhos em diversas áreas, focos em saúde e educação, trazendo a importância de um conjunto de habilidades a serem desenvolvidas para que as pessoas lidem melhor com as grandes questões do mundo atual.

Uma das conclusões após os debates me chamou a atenção: é necessário humanizar os profissionais das áreas de saúde e de educação. Experiências relatadas mostraram que com o trabalho para internalizar essas habilidades de forma pessoal por esses profissionais que lidam com pessoas, o nível de satisfação deles e das pessoas que eles atendem e com quem atuam, melhorou.

A CASSI ACERTOU AO DEFINIR O MODELO DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE, BASTA ADEQUAR AS PREMISSAS ENTRE RECEITAS E DESPESAS E AMPLIAR A COBERTURA PARA O CONJUNTO DOS ASSOCIADOS

Enfim, foram temáticas muito interessantes aquelas em que estivemos. A participação na Conferência reforçou muito nossa convicção de como a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil acertou nas escolhas que fez sobre o Modelo de Atenção Integral à Saúde, que se desenvolve na Cassi através da Estratégia Saúde da Família (ESF), operando nos níveis de Atenção Primária e Secundária, além do acompanhamento de doentes crônicos em conjunto com a recuperação e reabilitação de nossos participantes para uma vida melhor. As premissas de nosso modelo assistencial é o que há de mais moderno e atual no mundo! 

As dificuldades internas que enfrentamos na atualidade tem alguns fatores que influenciaram bastante como, por exemplo, receitas operacionais menores que despesas assistenciais no plano de saúde dos funcionários, mas muitos dos problemas que afetaram a sustentabilidade da Cassi são oriundos da grave crise no setor de saúde e que traz consequências para nossa Caixa de Assistência porque atuamos no setor e precisamos dos hospitais, clinicas, empresas de diagnose e medicamentos e, principalmente, dos profissionais que vendem seus serviços de saúde.

Como Diretor de Saúde eleito pelos associados da Cassi, espero que os dois patrocinadores - Banco do Brasil e Corpo Social - retomem as mesas de negociação e definam uma solução para o déficit do Plano de Associados para voltarmos ao equilíbrio entre as receitas e despesas, para podermos focar nossa energia e nossos trabalhos no avanço da cobertura do modelo assistencial para o conjunto dos participantes e poder investir nas melhorias necessárias.

Promover saúde integral é muito melhor tanto para as pessoas quanto para os recursos da Caixa de Assistência. Consequentemente é melhor também para o patrocinador Banco do Brasil.

Abraços,

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (eleito)