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26.5.23

Previ sob ataque - Nota de repúdio da Contraf-CUT



Comentário e opinião:

Previ sob ataque: trabalhadores e associad@s devem se unir e repudiar interferências na governança


Começo meu comentário citando a filósofa Marilena Chaui ao dissertar sobre a diferença entre a justiça distributiva e a justiça participativa, que se refere ao exercício do poder e à igualdade:

"A justiça participativa se refere ao que só pode ser participado, ou seja, ao poder político, que pertence a todos os cidadãos igualmente. Uma política é injusta, neste caso, no sentido exatamente inverso ao da justiça distributiva, isto é, quando trata desigualmente os iguais, excluindo uma parte dos cidadãos do exercício do poder. A prática democrática pertence a essa justiça." (CHAUI, Leituras da crise. p. 19) 

Não é de hoje que as forças políticas de direita, conservadoras e ou reacionárias, que falsamente se dizem "liberais" (mentira!), notadamente representativas da casa-grande brasileira e dos donos do capital de forma geral, vêm desenvolvendo estratégias para excluir do poder o nosso lado da classe, a classe trabalhadora. Toda sorte de exigências inventadas através de certificados e currículos e outros que tais é para impedir lideranças dos trabalhadores de chegarem ao poder.

Ao longo de minha vida de representação sindical e política (desde 1999 e até 2018), vi surgirem várias dessas estratégias direitistas nos espaços de poder político da sociedade e no mundo do trabalho. Vou comentar algumas delas e finalizar me solidarizando com a vítima da vez, a Previ e o presidente João Fukunaga, indicado pelo Banco do Brasil dentro das regras atuais para a função, os que tais: certificados e currículos.

Vale registrar que em várias das situações que vou citar abaixo, muitas vezes tivemos uma divisão em nosso lado, pois parte da classe trabalhadora acaba sendo convencida pela ideologia de nossos inimigos de classe de que a técnica - às vezes chamada até de "meritocracia" - deve prevalecer sobre a política. É um equívoco isso!

Quer um exemplo: a tal "ficha limpa". Em 2010 fui contra e escrevi sobre isso, o apoio da esquerda para se instituir essa coisa que evidentemente seria usada contra o nosso lado da classe para nos tirar dos espaços de poder político.

Ouçam Marilena Chaui! Igualdade na democracia só é possível quando há justiça participativa, não se pode excluir ninguém do exercício do poder político. Meus colegas de classe precisam entender isso. Caso contrário, jamais teremos igualdade na representação nos espaços de poder social.

Já nos anos noventa, quando os governos dos fernandos (Collor e FHC) começaram a destruir as estatais e empresas públicas, privatizando boa parte delas e sucateando aquelas que não foram privatizadas, atacando fortemente os direitos dos trabalhadores, algumas teses "liberais" ou do patronato foram implantadas. 

Os salários foram substituídos por remuneração variável, antiguidade e experiência no serviço foram demonizadas e vários direitos foram perdidos ou via acordos coletivos rebaixados pela correlação de forças ruim ou através da "justiça", que nunca é favorável à classe trabalhadora, nunca mesmo, quando há vitórias do nosso lado ou são individuais ou se ganha uma a cada cem perdidas. Ou se ganha, mas não se leva...

No BB, após os processos de reestruturação dos fernandos, começaram a criar barreiras para impedir os funcionários mais antigos de concorrerem às funções com maior remuneração e chamadas cargos de confiança. Exigências de diplomas disso e daquilo, certificados e outras regras foram excluindo excelentes profissionais e lideranças, com experiências e resultados comprovados naquilo que faziam.

Depois foram forçando a exigência de diversos documentos e títulos e diplomas e certificados para que um(a) trabalhador(a) do Banco do Brasil pudesse inclusive concorrer para funções eletivas. É aquilo que Chaui chama de poder político, que não se pode restringir a participação de todas e todos. É para isso que existem os corpos técnicos e de carreira, para exercerem a governança nas empresas, tipo Cassi e Previ. 

Foi-se perdendo a razoabilidade nas exigências que a burocracia do poder impôs às empresas e espaços de poder público (sim, porque no privado o filho do dono da empresa pode ser o que quiser nela) e as compliances da vida foram estabelecendo regras cada vez mais impossíveis de se cumprirem para se exercer o poder político. Quem hoje pode ser candidato a uma vaga na governança da Cassi e da Previ ou associações de trabalhadores do tipo?

Não vou me alongar no texto, só quero trazer a reflexão sobre essa questão. O poder político não pode ser limitado por essas burocracias impostas pelos donos do poder real: burgueses e capitalistas e seus lacaios na máquina estatal dos três poderes. ISSO NÃO É JUSTO NEM DEMOCRÁTICO.

Ao fim e ao cabo, basta ver que as regras limitantes da participação do poder político só valem para o nosso lado da classe ou são desconsideradas quando os alvos são apaniguados e protegidos da casa-grande e do capital. 

Só nestes dias, tiraram o juiz Eduardo Appio da 13ª Vara de Curitiba, a da Lava Jato, de forma absolutamente irregular e inconstitucional segundo o jurista e professor Pedro Serrano, que disse hoje que será advogado de Appio no processo. Nunca impediram o ex-juiz Moro de fazer as irregularidades absurdas que fez e contrárias às leis. 

Tentaram impedir Jorge Viana de tomar posse na presidência da Apex através de invenções não razoáveis (inglês fluente), sendo a função uma indicação do poder político. Ao ser indicado pelo governo, ele cumpriu todas as regras estabelecidas, os que tais. Um juiz e um fulano acharam que não era suficiente.

E agora, mesmo com todas as regras cumpridas, atacam a nossa Caixa de Previdência e o presidente João Fukunaga, legitimamente indicado pelo Banco do Brasil e certificado pelo órgão responsável por isso. 

E o pior é que tem algumas pessoas que se dizem representantes nossas, do corpo de funcionários da ativa e aposentados, que apoiam essa aberração de interferência em nossa Previ. Essas pessoas NÃO nos representam!

Espero que essa interferência indevida do poder judiciário seja revista o mais rápido possível e que nossa Previ e seu corpo diretivo possam seguir trabalhando para cumprir o que nossos estatutos e regras definem para a governança da Caixa de Previdência.

William Mendes
Ex-diretor eleito da Cassi

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Contraf-CUT repudia ataques contra fundo de pensão do Banco do Brasil

26/05/23 - 11:02

Movimento sindical repudia decisão de juiz pelo afastamento do presidente da Previ: de viés político, sem base e que desrespeita processos de elegibilidade do BB e da própria Previ, aprovados por órgão regulador

Nota de repúdio aos ataques à Previ

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) repudia decisão do juiz substituto da 1ª Vara Cível do Distrito Federal, Marcelo Gentil Monteiro, que atendeu a pedido de um deputado para afastar o presidente da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), João Fukunaga, do cargo. Uma decisão que fere instâncias democraticamente instituídas como o Conselho Deliberativo do Banco do Brasil e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), entidade pública responsável por gerenciar as operadoras de previdência privada no país, que habilitaram João Fukunaga para exercer o cargo.

Todos os ritos de governança foram respeitados, desde a indicação até a posse de João Fukunaga, que atendeu às exigências previstas nos processos de elegibilidade tanto do Banco do Brasil, patrocinador do fundo de pensão, quanto da própria Previ.

A decisão também é mais um ataque contra o movimento sindical, uma vez que Fukunaga, além de funcionário de carreira do Banco do Brasil e associado do plano Previ Futuro, tem histórico na luta pelos direitos dos trabalhadores bancários nas entidades representativas.

A determinação pelo afastamento do dirigente, portanto, é absolutamente política, sem base técnica alguma. Além disso, coloca em risco o equilíbrio das instituições, desrespeitando órgãos reguladores, necessários para manutenção do sistema de freios e contrapesos, sem os quais não há Estado Democrático de Direito.

Continuamos acreditando no Poder Judiciário e aguardamos pela revogação da liminar, dada a fragilidade jurídica da decisão que se configura como mais um ataque à Previ e ao futuro previdenciário de seus participantes.

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

Fonte: Contraf-CUT

6.12.21

Memórias (XII)



Histórias sobre a PLR no Banco do Brasil: onde há remuneração variável, há disputa de classes, ou seja, o patrão vai jogar trabalhador(a) contra trabalhador(a)


Estou escrevendo um pouco a respeito das lutas do movimento sindical bancário, mais especificamente do período no qual fiz parte dele como dirigente e representante d@s trabalhadores: de 2002 a 2018. 

A minha fonte principal de consultas e fio condutor das memórias são as minhas postagens no blog A Categoria Bancária - e sites sindicais subsidiariamente - porque o blog se tornou uma ferramenta de trabalho na comunicação com a categoria e com as entidades e lideranças sindicais e vejo no blog uma fonte interessante de registros de uma época.

INTRODUÇÃO

Dia desses escrevi memórias sobre o mês de março de 2007 (ler aqui) e o tema mais destacado naquele mês foi o embate entre nós do movimento sindical e a direção do Banco do Brasil. Alguns caras da direção decidiram prejudicar os bancários e bancárias que participaram da greve da campanha nacional da categoria em 2006, momento em que definimos os acordos coletivos e a convenção da categoria.

São muitas as formas dos representantes do capital para prejudicarem a classe trabalhadora. Não falta imaginação na hora de pensar sacanagens para vender caro direitos conquistados na luta organizada. A cada campanha salarial, a cada data-base e greve dos anos dois mil, alguns dos negociadores da parte do BB, que representavam o governo do PT, tiravam da cartola uma proposta marota, que tinha algum tipo de casca de banana para atingir algum segmento do movimento.

ATENÇÃO: durante os governos Lula e Dilma, tivemos muita gente boa nas áreas de gestão de pessoas e negociações com entidades representativas. Os avanços nos direitos contaram com a contribuição de muita gente dentro dessas áreas. Mas, às vezes, tinha uns caras difíceis como, por exemplo, quando fui coordenador da Comissão de Empresa: tivemos dois diretores do banco que ficaram marcados por quererem ser mais realistas que o rei. O movimento sindical da época com certeza sabe quem são esses caras. Faz parte...

Digo isso por conhecimento prático e isso não quer dizer que eu não tenha noção clara de que é muito melhor negociar com governos progressistas e democráticos como foram os governos de Lula e Dilma, que apesar de terem sido governos de composição com forças conservadoras (a tal governabilidade), foram governos melhores para a classe trabalhadora que todos os outros na história do país, na minha opinião. 

Vai tentar negociar com o PSDB ou com esses governos de ultradireita e fascistas como os dois após o golpe de 2016 - Temer e Bolsonaro. Tenta negociar com essa gente!

Enfim, o tema agora é a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no Banco do Brasil.

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PLR NOS BANCOS FEDERAIS, CONQUISTA DA UNIDADE

Como no blog tem muitos textos sobre a história da conquista da PLR no BB e bancos federais, não vou me alongar em detalhes (o essencial já será textão). Para ler alguns textos a respeito basta clicar aqui e ver as postagens do embate entre nós e o BB na 1ª quinzena de março de 2007. Em linhas gerais, é o seguinte a história da PLR:

CUT E FENABAN ACORDAM PLR EM 1995 - Os bancários brasileiros de bancos signatários da Convenção Coletiva negociada e assinada entre a Fenaban e a CNB/CUT conquistaram em 1995 a PLR com regras que garantiam a remuneração para todos os bancári@s, independente de qualquer questão pessoal como alguma ausência no semestre de referência, resultado na dependência de trabalho, não cumprimento de meta etc. O banco deu lucro, todos recebiam PLR baseada em valores mínimos estabelecidos no Acordo Coletivo de PLR. Recebiam essa remuneração variável trabalhadores de bancos privados e de bancos estaduais e regionais que assinavam com a CUT o acordo.

BANCOS FEDERAIS NÃO PAGARAM A PLR DA CATEGORIA ENTRE 1995 E 2002 - Os trabalhadores de bancos públicos federais não recebiam PLR acordada entre a CUT e a Fenaban porque o governo de plantão se aproveitava de diversos subterfúgios para não pagar a remuneração aos bancários. Ficaram sem PLR assinada com a CUT entre 1995 e 2002 bancári@s do BB, Caixa Federal, BNB, BASA, BNDES. Durante o governo FHC, o BB criou um programa provisório monstrengo para pagar uma grana para certos segmentos preferenciais definidos pela direção do banco. A base da pirâmide recebia alguns reais, uns trocados, e o topo da pirâmide recebia valores dezenas de vezes maiores. Por 9 semestres os bancários da base da pirâmide recebiam uns 200 reais ou pouco mais e a direção do banco recebia dezenas de milhares de reais. Milhares de funcionários da base não recebiam nada por motivos estapafúrdios: uma ausência, a agência foi assaltada e não teve resultado positivo etc.

SOMOS BANCÁRIOS, QUEREMOS OS DIREITOS DOS BANCÁRIOS - Já no final dos anos noventa, os congressos de trabalhadores dos bancos públicos federais debatiam a importância da unidade geral da categoria bancária. Com o início do governo Lula, vimos uma oportunidade de realizar esse objetivo antigo da categoria, uma mesa única e uma convenção coletiva que abrangesse trabalhadores de bancos públicos e privados. Deu trabalho, mas conseguimos a unidade.

Em 2003, BB e Caixa Federal são forçados a negociar com os trabalhadores alguma forma de PLR porque as greves daquele ano foram fortes e a saída exigiu o atendimento de questões específicas, além do cumprimento das conquistas da categoria assinadas com a Fenaban. No BB, foi a nossa 1ª PLR com regras gerais, sem excluir nenhum(a) bancário(a) por motivos esdrúxulos. 

(ALIÁS, o movimento sindical e o governo Lula CORRIGIRAM a injustiça feita aos bancários que não receberam aqueles valores de "PLR" provisória da era tucana. Negociamos com o governo Lula o pagamento retroativo para todos que não receberam a remuneração naqueles 9 semestres.)

PLR NO BB AVANÇA COM PAGTO LINEAR DE PARTE DO VALOR - Depois da conquista da PLR com regras gerais em 2003, veio a conquista do módulo de distribuição linear de parte do lucro, 4% no BB. Regra que a categoria vinha discutindo em seus fóruns para ampliar o valor da distribuição de lucros e resultados. 

Como se sabe, negociação pressupõe conciliar interesses de ambas as partes (com ou sem "pegadinhas" ou sacanagens). No BB, a direção queria contratar algum tipo de remuneração por resultados locais, para estimular o cumprimento de metas, óbvio, e premiar as funções do topo da pirâmide funcional. Em 2005, já contratávamos com o BB regras gerais de distribuição de PLR, definidas por nós no ACT, sem excluir ninguém, e o banco se utilizava dos benefícios da lei de PLR para o seu módulo bônus, com valores determinados por ele. Mesmo assim, nós negociávamos as linhas gerais, valores mínimos etc. Nosso foco sempre foi contratar benefícios para os trabalhadores em geral.

Antes, ainda em 2003, para o BB acordar conosco as regras gerais semelhantes à do Acordo Coletivo CNB/CUT e FENABAN (adaptadas ao BB) foi preciso autorização de órgãos do governo para que o BB distribuísse aos funcionários mais que 6,25% do resultado porque as regras gerais da PLR da categoria faziam com que os bancos federais gastassem mais que os grandes bancos privados (porque tinham mais funcionários, porque o lucro era diferente etc).

Amig@s leitores, essa descrição acima é um resumão feito de memória, pois vivi intensamente cada negociação de PLR entre 2003 e 2013, como uma das lideranças dos funcionários do BB. São tantas, mas tantas histórias a cada ano que iríamos longe aqui.

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A PLR DE 2006/2007 E A PRÁTICA ANTISSINDICAL POR PARTE DA DIREÇÃO DO BB: QUEBRA DA SOLIDARIEDADE E VITÓRIA DO INDIVIDUALISMO

As negociações sobre distribuição de lucros e resultados entre nós representantes dos trabalhadores e a direção do Banco do Brasil e dos banqueiros em geral sempre foram balizadas por algumas lógicas ou princípios gerais. 

Os representantes do capital querem puxar a sardinha pro lado de seus "capatazes", ideólogos do patronato e líderes na gestão dos modelos de remuneração e nós queremos regras sempre mais gerais, que beneficiem todos que produziram aqueles resultados astronômicos dos bancos, e se tiver que escolher segmentos da pirâmide por causa do valor que os bancos apartaram para distribuir (cobertor curto), vamos priorizar a base da pirâmide, porque ao longo do ano cada pessoa já recebeu uma remuneração de acordo com a função desempenhada na empresa. Isso em linhas gerais, logicamente.

Nos congressos de trabalhadores, via de regra, definimos propostas de PLR que simplifiquem a distribuição para todos como, por exemplo, "n" salários + valores em reais, sem definir tetos gastos pelos bancos. As regras contratadas no final das negociações são as possíveis, num movimento estica e puxa entre nós e os banqueiros. Quanto maiores os valores fixos em reais, melhor para a base da pirâmide. Se não estipular alguma regra em relação à quantidade de salários, o montante do programa pode favorecer o topo da pirâmide em relação à base.

A PLR do BB vinha sendo uma referência para a categoria desde que inovamos em mesclar uma parte linear (4%) + um valor fixo em reais + uma porcentagem da remuneração da função (45% do Valor de Referência, VR, sendo a ref. E6 para escriturários e caixas). Essas eram as regras gerais, que não excluíam nenhuma pessoa, como conquistamos em 2003, as bases da PLR da categoria. Ainda negociávamos um módulo baseado em resultados, o módulo bônus, mas todos estavam garantidos na regra geral.

SUBSTITUIÇÃO DE FUNÇÃO - Uma das práticas mais comuns no dia a dia dos 100 mil funcionários do BB era a substituição de função nos locais de trabalho. A prática era importante tanto para a empresa quanto para os trabalhadores. Ausências por férias, aposentadorias, licenças diversas, cursos de formação eram comuns nas dependências e as substituições de funções por outros trabalhadores tanto supriam as necessidades da empresa quanto eram oportunidades de treinamento para os bancári@s e uma remuneração maior no final do mês. 

O fato concreto é que boa parte dos funcionários substituíam, às vezes, o semestre inteiro em algumas funções como, por exemplo, caixas, assistentes, analistas, gerências médias e até gerências gerais. 

PRÁTICA ANTISSINDICAL - A direção do BB, para acordar o pagamento da 2ª parcela da PLR, relativa ao 2º semestre de 2006, decidiu usar o programa para tentar refrear o impulso de luta do funcionalismo que vinha num crescendo desde 2003 e nas negociações para fechar a parcela a ser paga em março de 2007 decidiu agir de forma antissindical e com assédio moral institucional. 

A direção do BB propôs pagar o valor da PLR SEM CONSIDERAR A SUBSTITUIÇÃO NO SEMESTRE INTEIRO por causa de alguns dias de greve da data-base da categoria, dias de greve que aliás eram compensados até data definida em acordo coletivo. Ou seja, nenhuma justificativa para prejudicar os substitutos.

Durante duas semanas de negociações com as entidades sindicais, os "colegas" da direção do BB, funcionários de carreira da empresa, não abriram mão de penalizar os substitutos que fizeram greve e apostaram que as maiorias aprovariam isso nas assembleias, pensando em si mesmas. A Contraf-CUT e as lideranças sindicais indicaram a rejeição da proposta para que pudéssemos reverter essa sacanagem por parte da direção do BB, mas a proposta foi aprovada.

Como disse acima, ao ler os registros no blog no mês de março, ler em ordem cronológica é melhor, é possível ver o embate que fizemos com a direção do banco e nossa postura nas assembleias defendendo a solidariedade entre os colegas e dizendo "não" ao individualismo.

Ao longo dos anos, foram várias as artimanhas da direção do BB para nos dividir, como se o BB fosse um banco privado, gerido pela banca. São as contradições do mundo capitalista.

O texto foi longo, deu trabalho para fazer, mas entendo que é importante resgatar a história de luta dessa categoria tão aguerrida e que tanto contribuiu para as conquistas da classe trabalhadora brasileira.

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Tenho outras histórias para contar e relembrar sobre PLR como, por exemplo, a PLR dos colegas do Banco do Brasil cedidos para trabalhar na nossa Caixa de Assistência, a CASSI. Quando cheguei lá na autogestão como diretor de saúde eleito pelos trabalhadores (2014), o programa de PLR dos bancários do BB era bancado pela associação em saúde e não pelo banco e fiz uma luta pesada para corrigir isso. A insistência me custou muito caro (dezenas de milhares de reais... rsrs), mas fiz o que tinha que ser feito por um princípio ideológico: nunca recebi um centavo de PLR da Cassi. A luta que empreendi gerou (e gera) uma economia de milhões de reais para a Cassi. Muita gente que estava lá na gestão sabe disso. Qualquer hora eu conto essa história pra vocês.

William


Para ler o texto seguinte, o Memórias (XIII), clique aqui.

E aqui para ler o texto anterior.


1.11.13

Sindicatos atuam fortemente contra assédio aos grevistas do BB


Paralisação na Superintendência do BB,
na Avenida Paulista. 
Foto: Maurício Ferraz.


A Contraf-CUT reuniu a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil nesta quinta-feira (31), em Brasília, para avaliar os efeitos e as ações políticas e sindicais realizadas pelos sindicatos no período imediato após as assinaturas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com o BB, no dia 18 de outubro.

O encontro foi necessário para verificar se os problemas foram todos resolvidos, já que a direção do BB havia iniciado um forte ataque aos grevistas desde o dia seguinte à assinatura dos instrumentos coletivos. Naquela oportunidade, as entidades sindicais já haviam alertado os representantes do Banco de que não aceitariam uma repetição do processo de práticas antissindicais e assédios aos grevistas como ocorreu no ano passado, quando as partes foram parar inclusive no Ministério Público do Trabalho (MPT), que instaurou processo investigatório contra o BB.

No entanto, a direção do Banco e parte de seus administradores começaram com a prática de cancelar férias dos grevistas, fazer anotações nos pontos eletrônicos e na GDP, alegando falsamente que os bancários não estavam cumprindo a convenção coletiva quando compensavam alguns minutos a menos que uma hora, quando na verdade o que a CCT diz é "prestação suplementar de trabalho, limitada a 1 (uma) hora diária". Além disso, administradores passaram a inventar termos pessoais, exigindo que bancários os assinassem com compromissos de cumprir tabelas de compensação, fazendo inclusive intervalo de uma hora de almoço.

"Dentro do espírito de boa-fé que move a Contraf-CUT e as entidades sindicais filiadas, procuramos contatar a direção do BB quase que diariamente nestas duas semanas para resolver os problemas de excessos que os administradores do Banco cometeram, motivados, inclusive, por ordens da direção da empresa, como aquela nota do Conselho Diretor e a IN 361 que incentiva os gestores a perseguirem e cometerem arbitrariedades contra os bancários que lutaram e fizeram a greve que conquistou avanços para todos", afirma William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

Mobilização

Apesar do esforço nos contatos diários com a direção do Banco na primeira semana, não foram resolvidos todos os problemas que prejudicaram os bancários e foram necessárias manifestações sindicais em locais onde o assédio estava se espalhando rapidamente como, por exemplo, nas áreas que pertencem à Dinop - CSO, CSL, Compe, PSO etc.

"Em São Paulo, foram necessárias duas paralisações importantes nos principais complexos do BB envolvendo mais de 3,5 mil bancários porque havia dezenas de casos de cancelamento de férias, abonos e ameaças aos grevistas nos Complexo São João, Cenop Imobiliário e na Super Paulista, local onde se concentra a Disap e parte da cúpula paulista do Banco. Os funcionários desses prédios mostraram uma solidariedade exemplar ao participarem das atividades e dizerem que não aceitam perseguição aos colegas de trabalho", salienta William, que também é diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

A Contraf-CUT e os sindicatos buscaram o diálogo com as administrações, primeiro alertando que caso não fossem revistas as práticas antissindicais haveria atividades sindicais. Pelo que pôde ser apurado pelas representações da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, após a forte pressão exercida pelo movimento sindical nessas duas semanas, os problemas agora estão mais pontuais.

"Os sindicatos estarão vigilantes até o final do período de compensação previsto na CCT e também após o fim do prazo, para o caso de haver algum problema contra os bancários. O que nós queremos é que a situação volte à normalidade nos locais de trabalho. Ser bancário já é uma ocupação difícil devido às metas abusivas, assédio moral e más condições de trabalho. Os bancários são profissionais competentes e querem poder trabalhar em paz. Será que é tão difícil para as direções de bancos perceberem isso?", questiona o coordenador das negociações com o BB.

Por fim, a Contraf-CUT alerta aos bancários que denunciem aos seus sindicatos qualquer excesso cometido por algum administrador. "Estamos sugerindo ao sindicato local que vá e peça ao administrador que se reposicione porque os bancários não estão se negando a cumprir a convenção coletiva e estão realizando jornada suplementar limitada a uma hora por dia", ressalta o dirigente sindical.

"Não aceitaremos nada além do previsto na CCT, como anotação no ponto, cancelar férias e abonos já programados na escala da unidade e assinar qualquer termo individual, além do gerado pelo sistema quando há jornada extra. Se o sindicato alertar o administrador e ele insistir no assédio, vamos pra atividade sindical", finaliza William, informando que o pessoal da Diref, responsável pela relação institucional com a Contraf-CUT e as entidades sindicais, tem buscado intervir junto às diversas áreas do banco para solucionar os problemas que foram sendo levados pelas entidades sindicais.

Fonte: Contraf-CUT

28.10.13

Bancários de São Paulo param Super do BB contra pressões após greve


Paralisação Super SP. 
Foto: M. Morais
Agenda de luta contra práticas antissindicais e assédio no bb

Fizemos mais uma atividade importante hoje no bb contra as ordens da direção do Banco que instigam maus administradores a perseguirem os bancários grevistas.

Como coordenador nacional das negociações com o Banco, busquei contatos com a direção mais uma vez - como fiz na semana passada - com o intuito de resolvermos os problemas que estão ocorrendo contra nossos bancários lutadores.

Como disse em uma postagem anterior, ainda bem que a ampla maioria dos gestores do bb não está causando problemas com nossos bancários e entidades sindicais. É uma minoria que quer ser mais realista que o rei e resolveu fazer o inferno na vida de nossos colegas.

Espero que consigamos resolver o mais rápido possível essas perseguições e práticas antissindicais pós greve no bb. 

"Direção do Banco do Brasil, deixe nossos bancários em paz!!!"

William Mendes
Coordenador da CEBB / Contraf-CUT


Atividade contra prática antissindical e de assédio moral.
Foto: M. dias.
Protesto em São Paulo paralisou áreas estratégicas do BB

A luta dos bancários contra as represálias aos grevistas no Banco do Brasil continua. Na manhã de segunda 28, a mobilização deu mais uma demonstração de força. Das 6h às 12h, o prédio da Superintendência, na Avenida Paulista, ficou totalmente paralisado.

No local estão lotados cerca de 400 trabalhadores de áreas estratégicas, como a diretoria de distribuição, que coordena todas as agências de varejo da capital e as diretorias comercial e internacional, além de duas agências. Também ficam lotados lá aproximadamente 400 terceirizados.

Os funcionários do BB que fizeram greve têm registrado denúncias de pressão e assédio moral para que cancelem as férias programadas até 15 de dezembro - data limite para a compensação dos dias parados. Há denúncias de bancários que tiveram as férias e folgas abonadas canceladas de forma unilateral.

"Quando paramos aqui, Brasília já fica sabendo imediatamente. E é isso que queremos: chamar a atenção da diretoria do Banco, principalmente do conselho diretor, que soltou uma nota exigindo que os grevistas cumpram o ressarcimento das horas da greve. E passaram a cobrar cancelamento de férias e de faltas abonadas. Há muita pressão dos diretores sobre aqueles que fizeram a greve para melhorar o salário de todos, inclusive desses que agora promovem retaliações. Nós vamos cumprir o acordo de reposição dos dias parados, mas não do jeito que o Banco quer, com essas arbitrariedades", afirma Claudio Luis de Souza, diretor do Sindicato.

Para William Mendes de Oliveira, Secretário de Formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos funcionários do BB, para que acabem os conflitos é preciso partir da direção do Banco ordens para os administradores mudarem de atitude: "Os funcionários do BB querem voltar à vida cotidiana após a campanha, porém a ordem da direção vai no sentido contrário. Continuamos tendo problemas por causa de orientações de cancelamentos de férias, assédio moral e excessos no pedido da compensação das horas da greve" afirma.

Esse foi o segundo ato em menos de uma semana. Na quinta-feira 24, os bancários paralisaram o Complexo São João e o Cenop Imobiliário, na Rua 15 de novembro, durante toda a manhã.


Fonte: Contraf-CUT e SEEB SP

25.10.13

Agenda de luta - Semana combatendo assédio do bb contra grevistas


Atividade de paralisação em São Paulo Capital contra
 perseguição do bb a grevistas. Foto: M. Morais

Camaradas, estamos encerrando uma semana de muito trabalho, muita dor de cabeça e muita paciência pra lidar com urbanidade mínima e institucionalidade com o banco do brasil, que tem uma direção com algumas pessoas sádicas, que gostam de infernizar a vida dos cidadãos que trabalham, que vendem sua força de trabalho para a empresa.

Eu quero deixar claro que felizmente os sádicos parecem ser a minoria dentro da empresa em que eu e mais de 100 mil pessoas trabalhamos. A ampla maioria de nossos colegas que estão em cargos de chefia são pessoas que respeitam os funcionários, a empresa e a sociedade (lembro que todo mundo no bb é escriturário da carreira administrativa e "está" em alguma função).

Se considerarmos o tamanho do banco e do nosso país, veremos que nesta semana pós assinatura dos acordos coletivos uma ampla maioria de funcionários que hoje está em postos de comando na empresa foram bons gestores e trabalharam para que o dia a dia na empresa voltasse à normalidade após a greve causada pelos bancos na campanha nacional dos bancários em 2013.

No entanto, os problemas de perseguição, discriminação, prática antissindical e assédio aos grevistas partiu tanto de administradores em unidades de trabalho, quanto do próprio Conselho Diretor do bb, que assinou uma nota no dia 23/10 dizendo que:

"a conduta do funcionário que 'recusar-se em cumprir obrigação pactuada em acordo ou convenção coletiva de trabalho' (IN 383-1 Seção 2.1.2.3.15) poderá ser analisada sob o aspecto disciplinar".

É interessante!

O texto em si é uma ameaça desnecessária, mas ele leva milhares de pessoas nas funções de comando a interpretarem de forma equivocada o que está na Convenção.

A direção do banco tem uma forma de incentivar a violência organizacional de cima para baixo como poucas por aí no mercado de trabalho.

Tem um diretor do banco que atua no braço da área de "pessoas" que faz interpretação pessoal do ACT e da CCT da categoria e a partir de sua interpretação, manda estrutura abaixo os milhares de administradores do banco usarem sua imaginação para perseguir e assediar os bancários que participaram da greve.

As cartas, termos de convocação pessoal, ordens dos superiores nas unidades de trabalho passam a arrepiar com os grevistas, mandando os mesmos assinarem termos não previstos, fazerem "1 hora" por dia e respeitar os "intervalos legais", sempre usando como referência a CCT...

Nessa linha de dizer sempre "como manda a CCT", a Dipes calibra a IN 361 mandando renegociar férias dos grevistas (no item 4.4.4.). Os gestores começam a fazer anotações no ponto dos bancários que fizeram algum minuto menos que 1 hora... é o samba do branquelo doido!

SERÁ QUE A DIREÇÃO DO bb NÃO SABE LER?

Nossos bancários que fizeram a greve e conquistaram os direitos para todos os 117 mil funcionários não estão se negando a compensar horas de greve como previsto na CCT, nem devem se negar a cumprir a Convenção. No entanto, nós não admitimos o bb e seus administradores assediarem nossos bancários com leituras enviesadas do que prevê a NOSSA Convenção Coletiva.

Quero que algum iluminado da direção do bb mostre onde está escrito na cláusula 57 da CCT a ordem para a prestação de 1 hora (60 minutos) por dia e nem um minuto a menos. ONDE?

A CCT diz "prestação suplementar de trabalho, limitada a 1 (uma) hora diária..."

Tem administrador fazendo anotação no ponto de bancário que naquele dia fez 42 minutos dizendo que o funcionário "se negou a cumprir a CCT".

Das duas, uma: ou o intérprete que está mandando fazer diferente disso (a CCT) é analfabeto funcional ou é assediador descarado e com má-fé.

Nossas entidades sindicais vão defender os bancários dessas arbitrariedades até o último dia previsto na CCT para compensação, com ações sindicais, além das medidas legais.


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Post Scriptum:

Comentário que coloquei ao compartilhar no Facebook a matéria:

"Noss@s bancári@s são de luta, são pessoas sérias e gostariam de voltar a trabalhar em boas condições de trabalho após a greve, MAS a direção do bb NÃO CONCORDA COM A PAZ nos locais de trabalho...

Nós que representamos os trabalhadores, queremos a paz, mas vamos pra guerra se é o que a direção do bb quer! Bom fim de semana às pessoas de boa fé e que a semana que vem seja de muita luta contra o assédio moral e a prática antissindical da direção do bb."

24.10.13

Bancários de São Paulo protestam contra retaliação do BB a grevistas


Atividade no bb.
Foto: M. Morais.
NÃO ÀS PRÁTICAS ANTISSINDICAIS DO bb: camaradas de nossos sindicatos, tentei nesta semana convencer a direção do Banco a rever aquela ordem de mandar cancelar férias de grevistas. Não tem jeito! Alguns gestores do bb não gostam de tempos de paz. Preferem a guerra. Nós paralisamos hoje dois prédios com 3 mil bancários aqui em SP. 

Nossos sindicatos irão defender nossos bancários contra essa ordem *&¨%$#@!

Como nossas entidades sindicais trabalham com a boa fé e com ética, esperamos que a direção do Banco reveja a ordem da IN 361 item 4.4.4...

"Os afastamentos abonados previstos até 15.12.2013 (abonos, férias, licença-prêmio) deverão ser renegociados, na medida do possível, de forma a ser praticável a compensação diária de uma hora"

NÃO EXISTE NENHUMA PREVISÃO NEM NA CCT NEM NA LEGISLAÇÃO PARA MANDAR CANCELAR AS FÉRIAS DAS PESSOAS.

Vamos atuar diariamente paralisando o bb (b minúsculo de dirigente que pensa minúsculo). Sinceramente, não é possível que não tenha pessoas sensatas na direção do Banco pra serem contrárias às ordens para que continuem os conflitos por meses com os trabalhadores e com suas entidades sindicais. ISSO É BURRICE E FALTA DE INTELIGÊNCIA DE QUEM DIRIGE UMA EMPRESA!!!

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Paralisação no BB São João. Foto: Sindicato de SP.

Paralisação dos complexos São João e Cenop Imobiliário do BB

Os funcionários de duas das principais concentrações do Banco do Brasil, os complexos São João e Cenop Imobiliário, paralisaram suas atividades até as 12h desta quinta-feira 24. A manifestação organizada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo é uma resposta à retaliação da direção da instituição financeira contra os empregados que aderiram à greve da categoria.

Entre as medidas do Banco, está a imposição de que os bancários assinem termos pessoais sobre compensação dos dias da greve, o que não está previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Por esse acordo, a compensação deve ser "limitada a uma hora diária", de segunda a sexta, até 15 de dezembro.

"O Banco está nos obrigando a fazer uma hora a mais por dia. Porém, o que foi acordado é que faremos até uma hora e não obrigatoriamente uma hora cheia. Eles têm cobrado a compensação mesmo antes de termos assinado o acordo aditivo. Quem não faz essa uma hora de compensação, tem o nome inserido em uma observação no ponto eletrônico", afirma um funcionário.

Muitos que fizeram a greve tiveram férias reprogramadas, de forma arbitrária. Há relatos de bancários que perderam até R$ 3 mil em passagens já compradas. "Fui comunicado que minhas férias, que teriam início no final deste mês, foram reagendadas para o início do ano que vem. Disseram que era uma orientação geral e não deram mais explicações", diz outro trabalhador.

O Sindicato exige que a direção do BB retire essa determinação e respeite os direitos dos bancários. A entidade orienta ainda que os funcionários não assinem o termo de compensação.

Protesto 

Em frente ao Complexo São João, cerca de 2 mil funcionários se reuniram em um ato às 10h. Os dirigentes sindicais fizeram intervenções sobre a arbitrariedade do Banco e foram aplaudidos pelos que estavam no local.

A secretária-geral do Sindicato, Raquel Kacelnikas, ressaltou o caráter solidário da mobilização. "O espírito que está presente aqui hoje é o da solidariedade. A participação de todos aqui em nada tem a ver com questões salariais, financeiras. Tem a ver com respeito. Na nossa convenção coletiva não está previsto que temos que apanhar da diretoria do Banco", pontuou.

O secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, William Mendes, reforçou que o movimento sindical lutará até que essas retaliações sejam revistas. "Esse é o primeiro de uma série de atos que vamos promover. Até 15 de dezembro estaremos lutando para derrubar essas medidas punitivas promovidas pela direção do Banco. A greve acabou, mas os dirigentes do Banco insistem no conflito", concluiu.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

21.10.13

BB: grevistas não devem aceitar pressões nem assinar termos de compensação


No evento de assinatura do acordo coletivo do Banco do Brasil (ACT), aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, ocorrido na sexta-feira 18, a Contraf-CUT e as entidades filiadas cobraram da direção do Banco uma postura diferente daquela adotada em 2012, quando a direção passou cerca de dois meses assediando violentamente os bancários que participaram da luta e fizeram a greve que conquistou os direitos novos.

Naquele ano, após cancelamentos de férias de bancários e outros tipos de práticas antissindicais, BB foi levado pela Contraf-CUT ao Ministério Público do Trabalho, que, após duas audiências resolveu abrir processo investigatório contra o Banco por provável prática antissindical. O processo está em curso até o momento.

Após a cobrança de uma nova postura na assinatura do acordo coletivo em 2013, sindicatos receberam denúncias nesta segunda-feira (21) de gestores do Banco mandando bancários adiarem e cancelarem férias, além de exigirem que os grevistas assinem termos pessoais com compromissos de compensação.

A Contraf-CUT orienta os sindicatos e os bancários de suas bases que não assinem termo pessoal algum sobre compensação de horas de greve. Os acordos coletivos, CCT e ACT, já foram assinados e não há mais nenhum documento para regular o tema.

Segundo William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, os gestores do Banco tentam expor e coagir os funcionários que participaram do processo da greve. "É uma maneira a não encerrar o conflito da campanha nacional para esses bancários lutadores. Não vamos aceitar isso e os sindicatos estarão atentos a essas práticas antissindicais. Se o desejo do BB é não terminar o conflito da greve iniciado por parte deles (bancos), não tem problema, vamos para o embate", ressalta.

Para o dirigente sindical, isso é muito ruim e mostra uma falta de seriedade por parte da direção do Banco ou de alguns administradores. "Não sabemos ainda de onde partiu a ordem de assediar os grevistas", afirma.

A Contraf-CUT entrou em contato com a direção do Banco nesta segunda e espera resolver o problema ainda nesta terça-feira 22.

"Esperamos que a direção do Banco tenha a grandeza de virar a página da campanha 2013 e permitir que a vida dos bancários volte à normalidade. Será 'Bom Pra Todos' isso. Os bancários não estão se negando a cumprir a Convenção Coletiva, que prevê a compensação de até 1 hora por dia até 15 de dezembro, mas não aceitaremos a direção do Banco criar regras que não estão previstas na CCT nem cometer abusos contra os bancários. Se for preciso, os sindicatos farão a defesa dos bancários com ações sindicais já nesta semana", alerta o diretor da Contraf-CUT.

Além de não assinar nenhum termo de compensação, os bancários devem avisar imediatamente aos seus sindicatos qualquer caso de cancelamento de férias.


Fonte: Contraf-CUT

17.10.13

Agenda sindical... Vem aí curso de formação da Contraf



Nesta quinta (17) estarei trabalhando em Brasília DF. Estamos preparando as redações dos acordos coletivos oriundos da campanha nacional dos bancários em 2013.

Na quarta (16) também estivemos cuidando de questões inerentes às assinaturas dos acordos Fenaban, bb e Caixa e também resolvemos demandas relativas ao bb.

Na terça (15) tivemos que fazer ações políticas e sindicais para reverter práticas antissindicais e perseguições pós-greve a bancários em um complexo do bb em nossa base no Seeb SP. Felizmente, conseguimos reverter o problema e os bancários voltaram à situação de normalidade no local de trabalho.

Na segunda (14) estive trabalhando na regional Osasco e visitando agências do bb e conversando com os bancários.

CURSO DE FORMAÇÃO EM BREVE

Estamos preparando o curso de formação da Contraf-CUT - Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro - um curso ministrado por nós em parceria com o Dieese, em 3 módulos de 5 dias. O curso será para dirigentes sindicais das entidades filiadas à nós e será para 30 pessoas entre os meses de novembro, dezembro e o último módulo em fevereiro.

O curso estava programado para começar neste mês, mas devido à greve prolongada da categoria precisei fazer todo um remanejamento.

Mas dará tudo certo e faremos o curso para formar dirigentes de nossas entidades. O curso lida com a história do movimento sindical e da luta de classes no primeiro módulo, trata do sistema financeiro, moeda e a instituições inerentes ao sistema e no terceiro módulo aborda os desafios da atualidade para os trabalhadores do sistema financeiro e suas entidades sindicais.

É isso.

SEGUIMOS NA LUTA! SEMPRE!

14.10.13

Agenda sindical - Na base conversando com bancári@s


Nesta segunda-feira (14) saí logo cedo de casa para visitar algumas agências e conversar com os bancári@s de minha região (Osasco). Juntamente com o companheiro Rubens Neves, diretor do Sindicato pelo Bradesco, fomos às agências do BB República do Líbano, Empresarial Osasco e Osasco Centro.

Tiramos várias dúvidas sobre as propostas e conquistas aprovadas pela categoria.

Ao voltar para a regional do Sindicato atendi a uma colega do BB com problemas no local de trabalho. O Sindicato vai acompanhar o caso dela com o nosso departamento jurídico.

Depois tivemos outro problema pra resolver. A greve mal acabou e já tive que lidar com problemas de assédio e prática antissindical do bb com trabalhadores que participaram da greve e contribuíram para as conquistas em um importante departamento aqui em SP.

Amanhã, vamos tentar resolver por bem. Caso alguns maus gestores não se reposicionem, vamos resolver do nosso jeito.

LUTO E PESAR

É de uma tristeza tão grande perder companheir@s que lutam ao nosso lado contra o capital e seus lacaios, mesmo quando não lhes conhecemos pessoalmente. Estou muito triste com o acidente ocorrido no Amapá, onde algumas vítimas são militantes e dirigentes sindicais. A vida segue amanhã e sempre pra nós que estamos na luta, mas fica a minha solidariedade para cada família das vítimas.

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Presidenta da CUT AP está entre desaparecidos do naufrágio em procissão

A Central Única dos Trabalhadores está de luto. Perdemos companheiros, companheiras e seus familiares que estavam no barco que naufragou no sábado (12) em Macapá, capital do Amapá.

A embarcação participava da procissão do Círio Fluvial, romaria que antecede as comemorações do Círio de Nazaré, e levava diversos sindicalistas do Sindsep - Sindicato dos Servidores Federais e da CUT Amapá, quando naufragou na orla de Macapá, próximo ao Farol da Praticagem.

Os dirigentes da CUT Nacional Rogério Pantoja (diretor executivo) e Carmen Foro (vice-presidente) continuam no local apurando informações e prestando solidariedade às vítimas e aos seus familiares.

Até o momento foram confirmadas 14 mortes, dentre elas a de Elizabeth Mourão Moraes, da Executiva da CUT-AP e do Sindsep-AP. Seu corpo está sendo transferido para o Maranhão, estado local da dirigente.

Vitor Gregório de Passos Nunes, de 9 anos, filho do companheiro Nunes, esposo de Odete Gomes, também está entre as vítimas fatais. O corpo do secretário de Administração do Sindsep-AP, Raimundo dos Santos Cardoso, foi encontrado nesta manhã.

Ainda estão desaparecidas quatro pessoas, incluindo a presidente da CUT no estado, Odete Gomes, e familiares de funcionários do próprio Sindicato.

As buscas prosseguem. Oito equipes do Corpo de Bombeiros estão rodando o rio numa margem de 10 quilômetros. Pela manhã uma aeronave chegou ao local para dar o suporte aéreo.

Vale destacar que a embarcação foi vistoriada pela Capitania dos Portos do Amapá, ligada à Marinha, antes de partir para o evento, quando se constatou a regularidade da documentação, dos itens de segurança e de navegação dentro do limite de sua capacidade. A Capitania também informou que as causas do acidente serão apuradas.

Todo nosso apoio e solidariedade aos/as companheiros/as CUTistas do Amapá.

O site da CUT Nacional estará acompanhando e atualizando as informações ao longo do dia.

Fonte: CUT

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Post Scriptum:

No dia anterior, havia escrito no Facebook:

FORMAÇÃO POLÍTICA: terminada a nossa batalha pela renovação dos direitos coletivos dos bancários, é importante retomarmos a discussão e formação política de nossos trabalhadores nos locais de trabalho. O mundo passa por grave crise de valores e eu acredito na formação sindical em cada local de trabalho para conscientizar a classe trabalhadora contra o avanço dos fascismos e das posições de extrema direita no Brasil e no mundo.

10.10.13

Negociação continua travada neste 22º dia de greve por causa do impasse sobre dias parados

Comentário do blog:

A negociação entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, iniciada na manhã desta quinta-feira 10, continua travada por causa do impasse sobre os dias parados na greve. A Fenaban propõe compensar os dias de greve em 180 dias. O Comando não aceita e a negociação segue emperrada.

A negociação, retomada no 22º dia da greve, está sendo realizada no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo.

Estamos aqui há mais de 10 horas em negociação e não aceitaremos a piora da redação da compensação das horas de greve. Queremos melhoria na redação e não piora.

William Mendes (20:23h)

Segue abaixo os dados da greve até ontem, quarta-feira. Nesta quinta, ainda não temos os dados nacionais da greve.

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Greve nacional dos bancários cresce e fecha 12.136 agências no 21º dia

Agência do Itaú fechada no Centro Velho de São Paulo (foto), no 21º dia da greve

Como vem acontecendo dia após dia desde a deflagração do movimento, em 19 de setembro, a greve nacional dos bancários cresceu novamente nesta quarta-feira 9 em que a categoria arrancou da Fenaban uma nova rodada de negociação com o Comando Nacional, amanhã, às 10h, em São Paulo.

No 21º dia da greve, foram fechadas 12.136 agências, centros administrativos e call centers de bancos privados e públicos, nos 26 estados e no Distrito Federal. É um crescimento de 97,5% em relação ao índice de paralisação do primeiro dia, quando 6.145 unidades foram fechadas.

"Foi essa extraordinária capacidade de mobilização dos bancários, que estão fazendo a maior greve dos últimos 20 anos, que levou a Fenaban a marcar uma nova rodada de negociação nesta quinta-feira, dia 10. Esperamos que desta vez os bancos apresentem uma proposta que contemple as reivindicações econômicas e sociais da categoria", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

A retomada das negociações acontece às 10h, no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. Ao meio-dia, no mesmo local, o Comando Nacional também volta a negociar as reivindicações específicas com os representantes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. E às 13h haverá nova rodada com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), também na capital paulista.

O que os bancários querem

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)

> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.

> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).

> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.

> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

Fonte: Contraf-CUT

9.10.13

No 21º dia, greve arranca nova negociação com Fenaban nesta quinta


Reunião será às 10h, em São Paulo. Ao meio-dia será retomada negociação das questões específicas com BB e Caixa. É o resultado da mobilização da categoria

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Mobilização dos bancários (foto) por uma nova proposta dos bancos

Atualizada às 10h45

A força da greve nacional dos bancários, que completa 21 dias nesta quarta-feira (9), arrancou uma nova negociação entre o Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban para ocorrer nesta quinta (10), às 10 horas, em São Paulo.

Na sequência, ao meio-dia, haverá negociação das reivindicações específicas com o Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal.

A nova rodada foi marcada após a rejeição pelas assembleias dos sindicatos da proposta de reajuste salarial de 7,1% e aumento do piso em 7,5%, apresentada pelos bancos na última sexta-feira (4), que foi considerada insuficiente pela categoria.

A Contraf-CUT enviou ontem um ofício do Comando Nacional à Fenaban, comunicando a decisão das assembleias e reiterando que "permanece à disposição para continuar as negociações para a apresentação de uma proposta satisfatória dos bancos, que atenda de fato às reivindicações econômicas e sociais da categoria".

"A continuidade das negociações é fruto da intensa mobilização dos bancários, que estão vencendo o cansaço, mostrando uma extraordinária disposição de enfrentamento, combatendo as práticas antissindicais dos bancos e fazendo a maior greve da categoria dos últimos 20 anos", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

"A expectativa dos bancários é que os bancos apresentem uma nova proposta que atenda as reivindicações de aumento real, valorização do piso, PLR melhor, proteção ao emprego, melhores condições de trabalho, mais segurança e igualdade de oportunidades", destaca. "Com os lucros de R$ 59,7 bilhões entre os meses de junho de 2012 e 2013, sobram recursos para compensar o trabalho e a dignidade dos bancários", sustenta Carlos Cordeiro

Durante todo o processo de negociações da Campanha 2013, iniciado no mês de agosto, os bancos apresentaram somente duas propostas. A primeira, feita no dia 5 de setembro, foi o reajuste de 6,1% que só repõe a inflação pelo INPC no período e ignorou as demais reivindicações da categoria, tendo sido rejeitada em todo país e motivando a deflagração da greve a partir do dia 19 de setembro. A segunda proposta foi a da última sexta-feira.

Ontem, no 20º dia de greve, os bancários paralisaram 11.748 agências, centros administrativos e call centers em todos os 26 estados e no Distrito Federal, um crescimento de 91,1% em relação ao primeiro dia da paralisação, quando 6.145 dependências foram fechadas. "Não é à toa que a força do movimento afetou as vendas do comércio e a concessão de financiamentos, o que comprova a importância do trabalho da categoria para o atendimento da população e a geração dos resultados dos bancos", destaca Carlos Cordeiro.

O Comando Nacional representa 143 sindicatos e 10 federações de todo país, totalizando mais de 95% dos bancários de todo Brasil. Além das entidades integrantes, participam como convidados os coordenadores das comissões de empresas dos trabalhadores dos bancos públicos federais.

As principais reivindicações dos bancários

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)

> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.

> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).

> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.

> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

Fonte: Contraf-CUT

7.10.13

Assembleias rejeitam proposta e mantêm greve, que já reduz crédito


Em todo país, como no Ceará (foto), bancários recusaram proposta da Fenaban

Seguindo orientação do Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, as assembleias da categoria realizadas nesta segunda-feira 7, que tiveram participação massiva de trabalhadores, rejeitaram a proposta apresentada pela Fenaban na sexta-feira e decidiram continuar a greve em todo o país, que nesta terça completa 20 dias. A paralisação, que continua crescendo e segundo a Serasa Experian já afeta a captação de crédito no país, fechou nesta segunda 11.717 agências e centros administrativos.

"Os bancários deixaram claro mais uma vez aos banqueiros que não aceitam uma proposta rebaixada, absolutamente incompatível com a rentabilidade do sistema financeiro, com o aumento da produtividade dos trabalhadores do setor e com o lucro astronômico dos bancos, que ultrapassou R$ 60 bilhões nos últimos 12 meses", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

A proposta dos bancos, de elevar de 6,1% para 7,1% (ganho real de 0,97%), foi apresentada na sexta-feira 4, depois de um mês de silêncio. No mesmo dia foi rejeitada pelo Comando Nacional, que enviou ofício à Fenaban reafirmando "a necessidade de os bancos apresentarem uma nova proposta que de fato atenda às reivindicações econômicas e sociais dos bancários".

"Apesar das práticas antissindicais dos bancos, como os interditos proibitórios, ameaças a grevistas e contingenciamentos, a greve vem crescendo dia após dia", acrescenta Carlos Cordeiro.

No 19º dia da paralisação, os bancários mantiveram fechadas 11.717 agências e centros administrativos de bancos privados e públicos em todos os 26 estados e no Distrito Federal - o que representa um crescimento do movimento de 90,6% em relação ao primeiro dia, quando 6.145 estabelecimentos financeiros foram parados.

Segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, o número de pessoas em busca de crédito diminuiu 9,8%, em setembro, comparado a agosto, em razão da greve dos bancários. Na sexta-feira 4, a CNDL (confederação dos lojistas) havia estimado perda nas vendas de até 30% em regiões como a Nordeste, onde o uso do dinheiro no varejo é maior, por conta da paralisação da categoria.

A nova proposta dos bancos rejeitada pelos bancários

Reajuste: 7,1% (0,97% de aumento real).

Pisos: Reajuste de 7,5% (ganho real de 1,34%).
- Piso de portaria após 90 dias: R$ 1.138,38.
- Piso de escriturário após 90 dias: R$ 1.632,93.
- Piso de caixa após 90 dias: R$ 2.209,01 (que inclui R$ 391,13 de gratificação de caixa e R$ 184,95 de outras verbas).

PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.694,00 (reajuste de 10%), limitado a R$ 9.011,76.

PLR parcela adicional: 2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$ 3.388,00 (10% de reajuste).

Auxílio-refeição: de R$ 21,46 para R$ 22,98 por dia.

Cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 394,04.

13ª cesta-alimentação: de R$ 367,92 para R$ 394,04.

Auxílio-creche/babá: de R$ 306,21 para R$ 327,95 (para filhos até 71 meses). E de R$ 261,95 para R$ 280,55 (para filhos até 83 meses)

Adiantamento emergencial - Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho - Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

Adoecimento de bancários - Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.

Inovações tecnológicas - Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.


As principais reivindicações dos bancários

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real além da inflação)

> PLR: três salários mais R$ 5.553,15.

> Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).

> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.

> Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que precariza as condições de trabalho, além da aplicação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

> Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.

Fonte: Contraf-CUT

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Post Scriptum:

Comentei no Facebook:

"Greve: bancári@s, sigamos firmes na luta porque nossas reivindicações são justas e esses banqueiros chupins da sociedade precisam melhorar a proposta apresentada, bem como é fundamental que os bancos públicos façam suas propostas que atendam às principais questões específicas colocadas nas mesas.

Vem, vem pra luta bancári@s!! Queremos novas propostas pra serem apreciadas!!!"

27.9.13

BB afronta decisão do STF e faz ameaças a funcionários em greve


Crédito: Seeb São Paulo
Seeb São PauloEm mais uma atitude assediadora para com seus trabalhadores, o Banco do Brasil soltou na véspera da greve nacional uma nota em sua página sobre negociação coletiva na internet fazendo uma estapafúrdia interpretação de recente acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Contraf-CUT interpreta como uma ameaça velada da empresa de que demitirá funcionários que participam da greve nacional dos bancários. 

O acórdão RE 589998 do STF, publicado no dia 12 de setembro, consolida o entendimento de que empresas públicas e sociedades de economia mista, como é o caso do Banco do Brasil, não podem fazer demissões por ato de gestão, havendo sim a "necessidade de motivação da dispensa". 

"A motivação do ato de dispensa, assim, visa resguardar o empregado de uma possível quebra do postulado da impessoalidade por parte do agente estatal investido do poder de demitir", diz a ementa do acórdão.

O Banco do Brasil, portanto, mente quando diz em sua página na internet que a empresa, "apesar de ser um agente de políticas públicas, explora atividade econômica, estando sujeito a outro regime jurídico, conforme prevê a Constituição Federal, no artigo 173, parágrafo 1º, inciso II. Assim, os atos de gestão praticados pelo banco estão respaldados pela legalidade constitucional".

"A decisão do STF, como expressamente explicitado no acórdão, atinge a todas as empresas públicas e sociedades de economia mista nas esferas federal, estadual e municipal. Portanto, é inconstitucional qualquer demissão por ato de gestão da empresa. Ou seja, qualquer demissão no Banco do Brasil e outras empresas e sociedades de economia mista exige motivação", afirma Martius Sávio Lobato, consultor jurídico da Contraf-CUT. 

"Em razão disso, a Contraf-CUT adotará todas as medidas judiciais cabíveis, por improbidade administrativa, contra os gestores que descumprirem essa decisão do Supremo Tribunal Federal", adverte Carlos Cordeiro, presidente da confederação.


Fonte: Contraf-CUT



Post Scriptum I:

Comentei no Facebook:

"bb MENTE dizendo que acórdão do STF permite a ele demitir por ato de gestão... coisa feia!!! Só pra ameaçar os grevistas!!! Vamos aumentar a greve companheirada!!!"


Post Scriptum II (No Facebook também):

"bb Pinóquio... mentindo sobre acórdão do STF. Bancos públicos e demais empresas públicas devem respeitar súmula do Supremo sobre necessidade de motivação da dispensa."

24.9.13

Justiça nega interdito proibitório e desmonta ameaça da direção do BB


Crédito: Seeb Curitiba
Seeb CuritibaO juiz Bráulio Gabriel Gusmão, da 4ª Vara do Trabalho de Curitiba, negou o pedido de interdito proibitório feito pelo Banco do Brasil. Em despacho emitido na última sexta-feira, dia 20, o magistrado observou que não vislumbrava ameaça à posse alegada pelo BB e que "qualquer transgressão para uso dos passeios (calçadas) e vias públicas deve ser analisada pelo órgão de fiscalização do trânsito ou de policiamento". O banco afirmara que os grevistas estariam impedindo o acesso de empregados, clientes e usuários às suas dependências.

"Ora, não é o banco quem vai trabalhar ou acessar serviços, mas são as pessoas! A posse não está e nunca esteve ameaçada", destacou Gusmão. Ele ainda reafirmou o direito de greve dos bancários ao dizer que "entender de modo diverso é provocar a destruição ou esvaziamento do conteúdo do próprio direito fundamental ao exercício de greve que possui, como corolário, o efeito de causar prejuízo ao empregador e, por consequência, afetar sua atividade econômica", enfatizou o juiz. 

Clique aqui para ler a íntegra da decisão do juiz.

A decisão judicial desmonta um dos argumentos do banco, que vem ameaçando os funcionários desde o início da greve. No boletim publicado no site de negociação coletiva do BB, no dia 19, primeiro dia da greve nacional dos bancários, o diretor de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas do BB, Carlos Eduardo Neri, afirmou que "o interdito proibitório é o instrumento legal que, nessa hipótese, visa garantir o direito de acesso à Empresa para aqueles funcionários que, legitimamente, não concordem com uma paralisação". 

Para a Contraf-CUT, o posicionamento do juiz comprova o quanto o BB está errado em persistir com práticas antissindicais e em recorrer a essa manobra jurídica, que vem sendo cada vez mais recusada pela Justiça do Trabalho.

"O BB faz coro com os banqueiros ao intimidar os funcionários em relação ao exercício do seu legítimo direito de greve, em vez de negociar seriamente a pauta de reivindicações específicas, que busca melhorar as condições de trabalho e garantir respeito e valorização profissional", ressalta William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB. 


Fonte: Contraf-CUT com Seeb Curitiba



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"Justiça no paraná nega interdito proibitório ao bb... a direção de um banco público do governo de Dilma Rousseff deveria dar o exemplo em relação a respeitar os trabalhadores e não fazer o inverso: ameaçar, assediar e ainda vir dizer em boletim que usa mesmo a porcaria do interdito!!! Um instrumento ilegítimo de posse de propriedade que não tem nada a ver com o legítimo direito sindical e trabalhista de convencer pessoas a respeitar assembleias e a democracia com piquetes nas unidades de trabalho... vem vem pra greve bancári@s!! (porque os banqueiros estão mangando de cada um de nós!!)"