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8.3.26

Dia Internacional das Mulheres



8 DE MARÇO NA PAULISTA

Hoje foi mais um dia de lutas pelas causas que nós defendemos enquanto coletivo de pessoas do campo da esquerda. As chuvas torrenciais não nos impediram de ocupar os espaços públicos. 

A esquerda luta por igualdade, por liberdade, por justiça social, por direitos humanos, por uma forma mais sustentável de vida no planeta Terra. 

A esquerda defende a cultura em todas as suas dimensões, a educação pública e de qualidade, saúde para todos, o acesso à alimentação plena. A esquerda defende o livre ir e vir com segurança. Defende moradia segura a todos.

Parem de matar as mulheres!

A esquerda luta pelo direito à vida! Vida plena, diversa. Para a esquerda todas as vidas importam.

O dia 8 de março e o mês de março são períodos do calendário destacados para refletirmos e aprofundarmos todas as questões relativas às lutas das mulheres.

Essas datas no calendário de lutas da esquerda existem porque as mulheres estão e sempre estiveram à frente dessas causas históricas por emancipação e igualdade plena de direitos. 

Com Luna Zarattini, vereadora do PT em São Paulo.
Grande lutadora e defensora dos direitos do povo

São as mulheres que ao longo do tempo vêm lutando para ocupar espaços historicamente e culturalmente reservados aos homens. São as mulheres que criam inclusive o vocabulário e a linguagem apropriada para essas lutas emancipatórias.

O lugar das mulheres é onde elas quiserem estar!

Todos os dias são dias de luta por direitos. Direitos não são naturais, não são fenômenos da natureza. Direitos são criações humanas. Sendo criações e não fenômeno natural, devemos lutar todos os dias para manter e avançar nos direitos.

Com queridos companheiros e companheiras de lutas sindicais

Foi isso que nós fizemos hoje, homens e mulheres, lutamos mais um dia pela emancipação e pelos direitos plenos das mulheres. 

Lutamos pela vida porque há uma epidemia de violência e assassinatos de mulheres no Brasil. 

Lutamos pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 porque homens e mulheres do povo merecem viver dignamente e ter cidadania plena, o que inclui salários maiores e menos tempo de trabalho.


A luta segue amanhã, e depois de amanhã, e na próxima semana, e nos próximos meses e anos.

Convidamos a todas, todos e todes a somarem conosco na luta pela emancipação das mulheres e homens da classe trabalhadora. 

A vida em sociedade pode ser melhor e nossa participação nas lutas é o que nos permitirá mudar o que está ruim para a ampla maioria.

William Mendes

08/03/26

20.12.25

Diário e reflexões - Participação política e cidadania


Tin, Lejeune e Genoino. Roda de conversa.

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E CIDADANIA

O ano de 2025 vai se encerrando e as postagens em meu blog sindical e político também se encaminham para o fechamento do ano.

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AFABB SP

Nesta semana, em 18/12, estive em uma excelente palestra do professor Lejeune Mirhan em nossa associação de aposentados, a AFABB SP. O evento contou com a participação do companheiro José Genoino (PT SP) e a palestra foi mediada pelo nosso querido Tin Urbinatti, diretor de teatro, ator e militante histórico da cultura e aposentado do BB.

O tema da palestra do professor Lejeune, sociólogo e cientista político, foi "Roda de conversa sobre a atual conjuntura e as perspectivas para 2026". O professor Lejeune e Tin estiveram no Irã e partilharam conosco as experiências que vivenciaram lá. O companheiro Genoino também fez uma breve análise de conjuntura e partilhou suas opiniões sobre as questões da política nacional.

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COZINHA POPULAR DONA NEGA

Um dia antes, 17/12, participei de mais uma roda de conversa na Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, no Rio Pequeno, Butantã. O encontro dessa vez foi com o companheiro Lester e o tema de sua palestra foi "Controle social, princípio essencial no SUS: sem autonomia dos conselhos gestores não é possível lutar contra a privatização da saúde".


Lester compartilhou conosco muita história e informação sobre o sistema de saúde brasileiro, a criação do SUS, as estruturas de saúde na cidade de São Paulo e região, o funcionamento das UBS, AMA, UPA, nos explicou sobre o Hospital Universitário da USP e muito mais. Foi um bate-papo muito esclarecedor e educativo.

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REUNIÃO DA MILITÂNCIA DO BB

Na segunda, 15/12, estive com a companheirada da comunidade Banco do Brasil, da Articulação Sindical da CUT, fórum de minha formação política ao longo de décadas de militância sindical.

A militância abordou as lutas da atualidade, as mobilizações que estão em andamento e os cenários das agendas do ano de 2026.

O encontro foi realizado em nossa Confederação e pude rever muitos amig@s e companheir@s de longas jornadas de lutas políticas.

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MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DA UPA RIO PEQUENO

Na semana anterior, em 11/12, participei de uma manifestação importante de nossa Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste (FSL/ZO) em defesa da UPA Rio Pequeno e da saúde pública, de nosso SUS.

A UPA Rio Pequeno e a população que utiliza esse equipamento de saúde precisam de mais contratações e investimentos, pois o número de atendimentos é quase o dobro da capacidade instalada na atualidade. São mais de 20 mil atendimentos por mês e é necessário a contratação de dezenas de profissionais de saúde.

Após a nossa manifestação e a mobilização constante da população local e das lideranças locais, foi anunciada a contratação de 34 pessoas para somar com as equipes que atuam na UPA. Vitória da mobilização popular.

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2025, UM ANO DE LUTAS

Enfim, sempre que possível, tentei participar neste mês e neste ano de atividades convocadas por nossos partidos de esquerda e sindicatos, e por nossas coordenações dos movimentos populares.

Quando não estive em alguma atividade nas ruas foi por algum motivo pessoal como, por exemplo, para acompanhar minha companheira em uma cirurgia no último fim de semana, 13 e 14/12, quando o Brasil foi às ruas contra as pilantragens dos picaretas do Congresso Nacional, votando para livrar a cara dos golpistas como os caras do clã Bolsonaro et caterva.

Tenho que refletir sobre minha vida pessoal e avaliar como será minha participação na vida política do país no ano de 2026. Sinto a necessidade de avanços na defesa do planeta e da sociedade humana, como imagino que muita gente deve estar pensando nisso também.

William Mendes

20/12/25

23.10.25

Diário e reflexões - A importância dos comitês populares na luta por um Brasil mais justo



A IMPORTÂNCIA DOS COMITÊS POPULARES NA LUTA POR UM BRASIL MAIS JUSTO

23/10/25

Hoje participei de um excelente bate-papo com a militância do Jardim Ivana, na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno, Butantã.

A comunidade tem se organizado através do comitê popular e da Cozinha Dona Nega e todos os meses acontece uma roda de conversa para debater questões importantes para a população local e para a classe trabalhadora brasileira. São momentos de trocas de experiência, reflexões e formação política.

Neste mês o convidado foi o companheiro Simão Pedro, liderança histórica do Partido dos Trabalhadores, que já atuou como deputado estadual em diversas legislaturas (2003-2014 e 2023-2025) e trabalhou nas gestões da prefeita Luiza Erundina e do prefeito Fernando Haddad, além de uma extensa pauta popular tratada por ele ao longo da vida de dedicação ao povo trabalhador.


EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS

No bate-papo Simão Pedro abordou temas como economia solidária, rodas de cultura e os comitês populares, centrais para se organizar as demandas da cidadania a partir das necessidades da comunidade.

A roda de conversa é muito rica, com pessoas de uma militância cativante e que enche de energia todos os participantes.

A sugestão está feita: organizem comitês populares em seus bairros e comunidades!


UM MILITANTE DE ESQUERDA NÃO PODE ESQUECER SUAS ORIGENS

O Rio Pequeno faz parte da minha vida. Ali nasci e dali saí aos dez anos de idade para voltar aos dezessete anos. Iniciei meus estudos e alfabetização no Adolfino Arruda Castanho e fiz o 3º ano no Daniel Verano Pontes.

Compartilhei com a militância presente minha lembrança agradecida de nossa ex-prefeita Luiza Erundina, meu primeiro voto. Ela mudou minha vida como trabalhador aos dezoito anos.

Eu me pendurava nos ônibus lotados que vinham na Av. Rio Pequeno quando saía para trabalhar. Era comum trabalhador morrer ao cair dos ônibus. Quando Erundina virou prefeita, minha vida mudou porque o transporte público melhorou. Nunca me esqueci disso! 

Votar no PT e na esquerda muda a nossa vida de povo trabalhador.


MEMÓRIAS DE UM TRABALHADOR POLITIZADO PELOS BANCÁRIOS DA CUT

É isso! Ao final da roda de conversa, presenteei meus amigos e companheiros Daniel Kenzo e Sérgio do MST com minhas memórias sindicais. E também presenteei o companheiro Simão Pedro, grande figura humana e militante das causas sociais e populares.

Sigamos nas lutas por uma vida melhor para o povo brasileiro. É possível mudar o mundo porque somos seres humanos, somos inteligentes e somos seres históricos.

William Mendes

31.7.25

Diário e reflexões - Lula, Luna e JuntOz na luta (PT)


Presidente Lula fala
ao povo brasileiro

A luta por um país soberano e por cidades melhores para se viver segue firme e contamos com nossas lideranças populares para os avanços

Quinta-feira, 31 de julho de 2025.


Opinião

O mês termina com muitas incertezas para o Brasil e o mundo por causa da guerra global imposta pelos Estados Unidos a todos os países, principalmente para aqueles que não são vassalos do império decadente dos norte-americanos. O BRICS e os avanços chineses em todas as áreas são os motivos dos ataques ao país, e o clã de vira-latas do RJ é a desculpa que veio a calhar ao senhor MAGA. Se esses bolsonaros fossem de outro país, já estariam presos ou pior.

Trump liquidou as regras internacionais construídas após a 2ª Guerra Mundial. Agora as sanções econômicas e políticas são como as bombas que os EUA jogam sobre os países e povos que não se submetem a eles. Com o fim da diplomacia, a lei do mais forte e que tem poder de matar é a única regra no mundo. Imaginem o que é sofrer sanções que bloqueiam a vida de um país como Cuba enfrenta há 63 anos...

O Brasil governado pelo Partido dos Trabalhadores tenta resistir ao ataque covarde e fora da lei perpetrado pelos Estados Unidos. A luta é desigual porque dificilmente algum país importante como o nosso tenha uma quantidade tão grande de traidores da pátria, de gente quinta-coluna, como o clã Bolsonaro e seus seguidores lunáticos.

Se eu estivesse na política, estaria fazendo o que fiz por mais de duas décadas, estaria estudando os cenários e as possibilidades, pensando objetivos de curto, médio e longo prazo e estratégias e táticas para chegar aos objetivos. Mas isso é passado. Seguirei me esforçando por não dizer o que penso sobre o nosso governo, o partido, o movimento sindical e o que vejo ao meu redor no campo da esquerda.

O que sei é que o presidente Lula está fazendo o possível e o impossível para defender o Brasil e o povo brasileiro dos ataques covardes dos Estados Unidos e da extrema-direita lixo do nosso país. Lógico que Lula está fazendo do jeito dele, como conhecemos há seis décadas. Lula não é e nunca foi um revolucionário, sempre foi um conciliador. Estudei isso por duas décadas como sindicalista cutista e compreendo o presidente e o PT, por mais que discorde de algumas coisas.

Obrigado por tanta dedicação e esforço por nós, presidente Lula!

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Heber fala em audiência sobre
o IFSP, unidade Osasco

LUNA ZARATTINI E O COLETIVO JUNTOZ: INSPIRAÇÃO E ESPERANÇA

O que tenho acompanhado minimamente na política partidária é a atuação das juventudes do Partido dos Trabalhadores que estão dando o melhor de si para renovar e revigorar a forma de fazer política do partido junto às bases sociais.

Em Osasco, Heber, Gabi e Matheus, do Coletivo JuntOz, estão atuando de forma extraordinária nesses 7 meses de trabalho no mandato parlamentar na Câmara Municipal de Osasco. Dá um orgulho danado ver a inteligência deles, o preparo e a atitude diária na busca de avanços para o povo da cidade.

Temos 1 (uma) cadeira em 21 cadeiras da Câmara, mas o trabalho deles em benefício do povo é como se eles fossem muitos mandatos, eles são muito bons. 

Ontem estive na 2ª audiência pública na Câmara para tratar do Instituto Federal em Osasco (IFSP). Todos os avanços nessa questão têm participação decisiva do Coletivo JuntOz.

Luna informa paulistanos
sobre medidas de Trump

E a nossa querida Luna Zarattini, vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em São Paulo e no país, segue incansável nas diversas frentes de luta para as quais o partido destacou a companheira para liderar.

Luna, Heber, Gabi e Matheus, assim como outras lideranças do partido que admiro e respeito, são inspiração e esperança na política como meio de transformar a vida das pessoas que mais precisam, o povo pobre e trabalhador.

William Mendes

(21h)

16.6.25

Diário e reflexões - A necessária unidade contra a extrema-direita


Opinião

Sem unidade dos segmentos não extremistas de direita, o mundo que conhecemos chegará ao fim

Osasco, 16 de junho de 2025. Segunda-feira.


A sociedade humana e a Natureza onde a vida se desenvolve enfrentarão momentos decisivos nos próximos anos. Não é força de expressão dizer que podemos caminhar para o fim do mundo, algo ameaçador e distópico. 

Conforme o rumo que a espécie animal homo sapiens tomar, o planeta onde a vida se desenvolve (o "mundo") se tornará inviável à vida, senão a todas as formas de vida, pelo menos à vida humana e de outras espécies comuns nos biomas terrestres.

Ao longo da história do planeta diversas espécies e formas de vida existiram e deixaram de existir. A nossa espécie se destacou nos últimos milênios por sermos animais dotados de cérebros altamente desenvolvidos ao longo de nosso percurso na Terra.

No entanto, o mesmo cérebro que nos trouxe até aqui, neste momento da Natureza, pode ser o responsável por inviabilizar a vida de nossa espécie no planeta. Somos animais altamente influenciáveis por abstrações criadas por nós mesmos. Inventamos deuses, tecnologias para alterar o meio ambiente no qual vivemos e temos poder de destruir o mundo.

Estamos no limiar de diversas guerras simultâneas no planeta, tanto guerras tradicionais, com bombas e mortandade de seres humanos e tudo que era vivo ao redor dos fronts, quanto guerras não convencionais, guerras cognitivas que farão nossa espécie perder a noção da vida como nós a conhecíamos ao longo de milênios.

Nos fizemos humanos através de acertos e erros individuais e coletivos, seres sociais cooperativos que construíram comunidades inteiras baseadas nas soluções dos problemas e carências por meio de nossa criatividade, pelo intercâmbio mútuo e pelo convívio com os diferentes, mesmo tendo feito muita guerra nessa jornada humana.

No momento, segmentos da nossa espécie, que chamamos de extrema-direita ou grupos com ideários fascistas, organizados internacionalmente, avançam em seu projeto de tornar a humanidade uma espécie baseada no ódio, que se move no mundo através do ódio, e disposta a destruir o mundo para estabelecer uma sociedade humana do ódio.

Se os segmentos fragmentados em zilhões de bolhas sociais e grupelhos com ideários opostos, mais coletivos e com mais responsabilidade em relação ao planeta e às mais diversas formas de vida, que poderíamos chamar de progressistas, humanistas e gente do espectro mais à esquerda na política, enfim, se a parte humana que não se identifica com o ideário da extrema-direita fascista não se unir e agir, o mundo que conhecíamos pode caminhar rumo ao fim.

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Temos que registrar a história e divulgar os feitos humanistas que já fomos capazes de construir

Em minhas reflexões diárias, tenho pensado muito na questão da história e das nossas realizações enquanto coletivos humanos que lutam por um mundo mais justo e melhor para todas as pessoas e para as diversas formas de vida no planeta.

Dias atrás, em um filme de Wim Wenders - Asas do desejo (1987) -, me chamou a atenção um personagem sobrevivente da 2ª Guerra Mundial - Homer (Homero), um senhor que sonha com uma "epopeia de paz" - que refletia o tempo todo sobre a necessidade e importância de registrar e contar para as gerações futuras o que foi aquilo e o que aconteceu no mundo durante aquele período da guerra total. 

Entendo que cada um de nós tem a responsabilidade e o dever de registrar e contar a história, a nossa história, a história da sociedade humana e do mundo, a partir do ponto de vista no qual nos encontramos nessa sociedade e nesse mundo.

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Livro de memórias

Meu livro em fase final de edição é um pouco esse registro e essa narrativa de nossas histórias: Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT

Contei nos capítulos momentos da vida sindical e política do autor e do país, desde o mundo no qual pertencia enquanto trabalhador, e a linha geral das memórias foi feita com a consciência de que fui mudando como pessoa a partir do meu encontro com o sindicato de minha categoria, os bancários da CUT.

Terminei ontem a seleção de fotos para incluir no livro. Agora é finalizar a edição e imprimir algumas unidades para presentear alguns amigos e pessoas interessadas nessas histórias. Não tenho a pretensão de lançar e vender essas narrativas.

Ainda como registro histórico e narrativas cotidianas de uma categoria importante da classe trabalhadora brasileira, os bancários, sigo trabalhando nos milhares de textos deste blog, encadernando uma história vitoriosa de uma categoria que enfrenta há décadas os donos do poder, os banqueiros.

É meu dever e minha responsabilidade preservar toda a história que registrei no blog em quase duas décadas de luta sindical e política de nossa gente trabalhadora e do campo da esquerda.

As "nuvens" vão se dissipar - Tenho alertado faz tempo as pessoas que me leem que nós viveremos um apagão nunca visto de nossos registros das últimas décadas, tudo que está nas "nuvens" e no mundo digital será perdido pela sociedade humana. Tudo. E em breve, até porque entraremos em novas fases dessa guerra em andamento, guerra cognitiva e apagamento da história e das verdades reais em troca de pós-verdade, de mentiras divulgadas como manipulação das massas humanas.

Salvem o que produziram de cultura humana nas últimas décadas. As nuvens das big techs não são o lugar para se preservar nossa história humana.

William Mendes

16/06/25 (14h28)

29.3.25

Diário e reflexões: o PT é estratégico nas lutas populares!

 


PARTIDO DOS TRABALHADORES 13 FAZ ANIVERSÁRIO!

O PT é estratégico nas lutas populares!


"PARABÉNS, PT!


Para melhorar a vida do povo,

A consciência política da militância

Radicalizou na democracia partidária.

Assim surgiu o PT há 45 anos.

Bens e direitos sociais vieram, então.

Estratégico nas conquistas populares,

Nossa causa e razão de ser 

Segue sendo o Brasil dos brasileiros!


Partido dos

Trabalhadores!


William 

10/02/25"


Opinião

Estive hoje no evento de comemoração dos 45 anos do PT em Osasco, realizado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos. O ato reuniu diversas gerações de lutadores e lutadoras que compõem a militância do partido. Foi um encontro muito bonito e que nos encheu de energia.

O partido voltou à Câmara Municipal de Osasco nesta legislatura após a bela campanha e eleição do JuntOz, o coletivo composto pelos jovens Heber, Gabi e Matheus. A militância da cidade se envolveu e nossas candidaturas petistas somaram votos para voltarmos à Câmara.

O PT segue firme no papel de partido das massas, de instrumento de luta do povo. As filiações tiveram avanços nos últimos meses, foram mais de 600 em Osasco e mais de 22 mil filiações novas no Estado de São Paulo

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100 DIAS DO JUNTOZ

Nossos representantes na Câmara Municipal prestaram contas do início do mandato popular e o trabalho dos três se mostra incansável.

O JuntOz está atuando em diversas frentes de lutas e busca atender demandas da população de todas as regiões da cidade de Osasco.

Só nesses primeiros meses foram mais de 150 solicitações à Prefeitura relativas a questões da cidadania vindas dos bairros.

A viabilidade do Instituto Federal em Osasco contou com a postura firme do JuntOz e os cursinhos populares são prioridade para que a juventude osasquense possa estudar de forma gratuita e com qualidade de ensino em nossa cidade.

A questão ambiental também é pauta central de nossos representantes no parlamento de Osasco.

Estive no gabinete do JuntOz dias atrás, o mandato é aberto ao povo, e pude comprovar que trabalho de qualidade a nossa representação está fazendo.

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MARCOS MARTINS: UMA REFERÊNCIA!

É sempre uma alegria imensa estar com uma de nossas maiores lideranças da cidade de Osasco, o companheiro Marcos Martins.

Como um cidadão politizado pelos bancários da CUT e do PT ao longo de mais de três décadas, tenho em Marcos Martins uma referência que me inspirou a forma de atuar quando fui dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. 

Minha referência em Marcos Martins vem desde que trabalhei no Unibanco da Raposo Tavares, o CAU, nos anos oitenta. Lá estava ele organizando e politizando a categoria como funcionário do Sindicato.

Quando fui eleito diretor do Sindicato, procurei estar presente nas bases e nos locais de trabalho como vi Marcos Martins fazer a vida toda. Ele e Deise Lessa, companheira do Banco do Brasil, foram minhas referências de um bom trabalho de base!

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EMIDIO, ALUISIO E AS LIDERANÇAS DE OSASCO

Não poderia deixar de registrar as falas importantes que tivemos de nossa direção partidária local, dos sindicalistas e movimentos sociais, a potência das falas de nossas companheiras petistas e o resgate histórico que Emidio de Souza e Aluisio Pinheiro fizeram ao final do ato.

A companheira Flávia fez um resgate importante das lutas das mulheres para além do mês de março. O mês tem a data de 8 de março como referência, mas a jornada de luta das mulheres é o ano todo.

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Foi um dia de comemoração e também de organização das lutas e dos próximos passos para avançar com nossos projetos de sociedade.

Toda a militância está convocada para o ato de amanhã, domingo 30, na Avenida Paulista, com pautas de interesse da classe trabalhadora como impedir a tentativa de anistia dos golpistas bolsonaristas, a pauta do fim da jornada 6x1, a pauta da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e outras agendas centrais.

É isso. Viva o PT e viva a classe trabalhadora!

William Mendes


8.3.25

Diário e reflexões - Dia Internacional das Mulheres



Dia Internacional das Mulheres

São Paulo, 8 de março de 2025. Sábado.


Opinião

Estive hoje na Avenida Paulista para participar dos atos do Dia Internacional das Mulheres, o 8M, ou 8 de Março. Cheguei pontualmente no horário chamado para o início do evento, 14 horas.

O fechamento do vão livre do MASP foi uma sacanagem que deu certo por parte dos poderes da casa-grande. Simplesmente não temos mais como nos concentrarmos em frente ao lugar mais tradicional de São Paulo porque a medida tirou o ambiente de concentração das massas. Não há inocência na política. A medida foi higienista e para nos tirar de lá.

À medida que os grupos de manifestantes foram chegando, e começou a ficar perigoso para as pessoas por risco de atropelamento pelo fluxo constante de carros na avenida, nós fomos obrigados a nos concentrarmos do outro lado do MASP, na praça em frente. As centenas de policiais do governo do Estado não ajudam em nada, na minha opinião.

Felizmente o ato foi encorpando e assim que as mulheres e as organizações se avolumaram, começaram as intervenções das lideranças a partir do caminhão de som principal. Ouvimos falas potentes de diversas mulheres representando os movimentos de lutas.

Tenho procurado observar os movimentos, as pessoas, os gestos, as expressões, e a cada atividade de ocupação das ruas que participo, mais me convenço que nós não deveríamos abandonar as ruas por qualquer que seja o motivo, não deveríamos! A vida real está lá fora, nas ruas.

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Enquanto eu me deslocava de casa para o local da manifestação do 8 de Março, refletia sobre a questão atual do mundo dominado pelas plataformas das big techs e a inevitável manipulação dos seres humanos nessas redes de arrasto que pescam as multidões humanas como sardinhas para serem enlatadas e devoradas como mercadoria.

Cada dia que passa e que não se altera o poder de manipulação dessa meia dúzia de homens bilionários donos das plataformas que alteram o comportamento de seus usuários em benefício do lucro (desses fdp) e em prejuízo de milhões de pessoas, nós estamos perdendo a humanidade, estamos perdendo a chance de seguir adiante enquanto sociedade humana. Temos que mudar a forma como as big techs capturaram o mundo inteiro.

Faz anos escrevi um artigo no qual defendi que todos os governos e estados nacionais deveriam criar suas plataformas e redes sociais de preferência públicas e com regras claras sobre o funcionamento dos algoritmos e felizmente agora muita gente de nosso campo também defende o conceito e a ideia de nos livrarmos da dependência e captura dessas big techs para salvarmos a soberania e a nossa comunidade.

Fica registrado aqui o meu respeito e a minha esperança em cada mulher e cada homem que esteve hoje na Avenida Paulista. Cada pessoa que escolheu não ficar em casa, não ir para bloquinhos de carnaval, não passear ou descansar, que decidiu ocupar as ruas em um ato político, enalteço e aplaudo! Temos que ocupar as ruas enquanto ainda há espaço público e enquanto ainda não nos proibiram de nos manifestarmos.

William Mendes


1.3.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2022


Militância reunida após as lutas em 2022.


RETROSPECTIVA 2022


Os 26 textos do blog A Categoria Bancária no ano de 2022 foram textos basicamente de memórias, a exceção foi uma nova série que iniciei sobre a história dos bancários, reflexões feitas a partir do manuseio dos materiais que acumulei ao longo das últimas décadas de movimento sindical.

Pensando bem, tanto as memórias quanto os textos de história trabalham com o mesmo material: as lutas de nossa classe trabalhadora em geral, e as lutas da categoria bancária, principalmente a partir do olhar de um militante que participou do movimento entre o final do século passado e as primeiras décadas do novo milênio.

O ano de 2022 também foi decisivo para o futuro do Brasil porque no segundo semestre ocorreram as eleições presidenciais e o povo brasileiro escolheu em segundo turno se queria como presidente Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo eleitoral foi muito difícil, as condições de disputa foram absurdamente desiguais, e nunca se abusou tanto da máquina pública e do poder econômico para tentar manter um político no poder como fizeram naquele ano. Vencemos a eleição, contra tudo e todos.

Ainda antes de terminarmos com a longa noite de terror que durou do Golpe de Estado contra Dilma em 2016 até a vitória de Lula de forma democrática em 2022, a casa-grande e toda a canalha agregada a ela já iniciou a tentativa de novo golpe antes da diplomação do presidente eleito, em novembro daquele ano.

No ano seguinte, 2023, o Brasil veria no dia 8 de janeiro cenas nunca vistas de ataques às instituições da República. As investigações apontaram recentemente que planejaram matar o presidente Lula. Mais uma vez, evitamos o golpe, mas foi por pouco.

Os textos de memórias foram escritos ao longo do ano, no calor dos acontecimentos, sofrendo tudo o que as pessoas conscientes e politizadas sofriam ao ver a destruição de anos de bolsonarismo e golpismo e ataques aos direitos sociais, políticos, civis e humanos do povo brasileiro.

Ao reler os textos, para preservá-los em forma de livro de memórias, e para encadernar a produção textual de uma vida política e sindical, achei textos e abordagens bem atuais e que poderiam suscitar reflexões sobre os temas tratados ainda hoje.

É meu desejo desde o início da produção textual, contribuir com o que aprendi ao longo da vida de estudos, de lutas e representações.

Pronto mais um caderno dos blogs.

É isso.

William Mendes


Post Scriptum: estou sistematizando toda a minha produção textual nos blogs. Neste sindical e de política e história, estou encadernando os textos por ano de produção. 

A síntese do caderno do ano de 2023 pode ser lida aqui. Já em relação ao caderno do ano de 2024, a síntese pode ser lida aqui.

4.2.25

Diário e reflexões - Luna Zarattini conversa com a militância



Vereadora Luna Zarattini conversa com a militância

Terça-feira, 4 de fevereiro de 2025.


Opinião

Tivemos hoje uma reunião com a nossa companheira e liderança Luna Zarattini, vereadora mais votada do Partido dos Trabalhadores em São Paulo e única mulher do partido na bancada paulistana. Luna será a nova líder do PT na Câmara.

A jovem vereadora é uma inspiração a todos nós que construímos a militância do Partido dos Trabalhadores. Sou testemunha do quanto Luna e sua equipe estão sempre presentes nos territórios e comunidades da cidade, principalmente nas áreas periféricas, que mais precisam das políticas municipais.

Luna fez uma fala de abertura trazendo informações para as mais de quarenta pessoas que participaram da reunião virtual e em seguida ouviu toda a militância que se inscreveu para apresentar sugestões, demandas e questionamentos, tratando de todas as questões levantadas por nós.

Dentre alguns destaques, Luna falou sobre a importância da agenda de meio ambiente, direitos humanos, saúde, cultura e educação, e explicou que neste novo mandato vai seguir com as lutas que já liderava e novas pautas estão em alta como os absurdos da Sabesp privatizada e as privatizações do prefeito atual.

Neste ano o Partido dos Trabalhadores realizará seu processo interno de eleições diretas, o PED, oportunidade da militância para trazer novas filiações e fazer grandes debates sobre os rumos do partido, o maior e mais importante partido de esquerda do Brasil.

É isso! Foi uma boa reunião com nossa vereadora Luna Zarattini.

William


21.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (3)

Osasco, 21 de dezembro de 2024. Sábado.


Opinião 


LULA, O PT E O NOVO SINDICALISMO QUE CRIOU A CUT

Tirei algum tempo deste sábado, véspera de Natal, para mexer nos papéis velhos de um ex-sindicalista dos bancários da CUT.

Li uma revista no formato HQ muito legal, contando a história de Lula. A revista é anterior à vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

Neste mês, Lula está completando a metade do terceiro mandato presidencial. As avaliações do nosso lado da classe são as mais diversas possíveis. 

O debate franco é proibido no PT e na CUT. Quem tiver avaliação divergente dos chefes e das chefas não é convidado a falar nos espaços oficiais, e se for é sob risco severo de ser desconsiderado e cancelado. 

Eu afirmo a vocês que compreendo essa realidade, compreendo. Lembrando aqui o ensinamento de Eric Hobsbawm, que compreender não é concordar nem aceitar, é entender o processo histórico daquele fato, daquela situação. 

Eu já estava exercendo mandatos de representação da classe trabalhadora a partir de 2002 quando fui estudando nossa história diariamente, pois tinha muita necessidade de entender quem eu era sendo um membro da maior corrente política da CUT, a Articulação Sindical.

Só tomei plena consciência sobre quem éramos, de onde tínhamos vindo, quais eram nossas concepções e práticas sindicais e políticas quando estudei a história do Lula, a origem da CUT e do PT. 

Passei a entender melhor o fato de nunca termos sido revolucionários e sim conciliadores. 

Isso me ajuda a entender até hoje o que acontece na política dentro e fora do governo Lula, do PT e da CUT. 

Não poderia tendo o conhecimento que acumulei em décadas de luta e representação esperar mais do que está na natureza dessas instituições da classe trabalhadora brasileira que citei aqui.

É isso!

William Mendes 


31.10.24

Diário e reflexões

 

Atividade no BB em 2012. Foto: Lazarri.


Osasco, 31 de outubro de 2024. Quinta-feira.


Opinião (18)


O povo não é nem de direita nem de esquerda

Há um processo de politização do povo pela direita, mas podemos politizar as pessoas também se lutarmos contra o sistema de dominação atual


1. INTRODUÇÃO

Escrevo esta reflexão no momento seguinte ao resultado das eleições municipais do Brasil. O articulista é pessoa com experiência na política: fui dirigente sindical e representei com mandatos eletivos a classe trabalhadora por quase duas décadas. Já fui também líder estudantil, síndico de condomínio, membro de conselhos e gestor eleito de autogestão em saúde.

Ao longo de minha vida alternei visões de mundo diametralmente opostas. Sendo hoje uma pessoa materialista e sem nenhum tipo de fé em explicações místicas da vida humana, já fui católico praticante, uma pessoa movida pela fé cristã. Também frequentei e estudei o espiritismo e o candomblé. Já fiz curso completo de gnose, uma escola de autoconhecimento. Diria que sou, hoje, humanista e anticapitalista.

Já tive os preconceitos comuns da cultura brasileira, preconceitos que perduram há séculos nesta ex-colônia sul-americana. O principal preconceito que tive pela minha ambientação dos anos oitenta adiante, quando me tornei jovem adulto no Brasil, foi o preconceito relativo às diversas formas de amor, orientação sexual e relacionamentos humanos, ignorância que só superei ao ser politizado e educado pelo movimento sindical brasileiro.

Já senti ódio, muito ódio em minha vida, e desde pequeno. Já enfrentei um lawfare, um processo administrativo inventado pelos meus adversários políticos para destruir minha história e minha vida. Acreditem: muitas pessoas podem sucumbir aos processos de destruição e assédio. Ninguém merece ser acusado injustamente de algo que não fez. O lawfare teve seu uso político pretendido e depois do objetivo alcançado foi arquivado por falta de provas e materialidade. Acho que minha saúde nunca mais foi a mesma.

Fiz essa introdução em minha reflexão para situar as leitoras e leitores do texto que não tenham o hábito de ler meus artigos no blog, que talvez não me conheçam há mais tempo. Minha experiência de vida e militância exigem de mim um esforço para compreender as questões das diversas formas de fé das pessoas, os ritos e vícios da política sindical e partidária e as causas e efeitos das ferramentas ideológicas do preconceito, que incluem as novas ferramentas tecnológicas das big techs.

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2. A IMPORTÂNCIA DA SOLIDARIEDADE DE CLASSE

Antes de escrever alguma coisa a respeito do resultado dos processos eleitorais que se encerraram nesta semana - com a prevalência expressiva das candidaturas de direita nas cidades do país -, quero registrar algum comentário a respeito da absolvição pelo Supremo Tribunal Federal do companheiro José Dirceu: fiquei feliz com a absolvição. Que bom que lutadoras e lutadores de nosso lado da classe receberam nossa solidariedade nos momentos mais difíceis de suas vidas! Nossos inimigos de classe não têm solidariedade alguma conosco.

Eu não teria como enumerar as diversas lideranças de nosso lado da classe trabalhadora que foram vítimas de novos métodos de assédio, tortura e eliminação da vida política e, inclusive, da vida biológica por parte dos detentores do poder econômico e político instalado no Brasil há cinco séculos: a casa-grande, para resumir os opressores do povo brasileiro.

Pelos papéis que tiveram nas lutas de libertação do povo brasileiro nas últimas décadas, cito as seguintes lideranças de esquerda que sofreram perseguição política e uso da máquina estatal contra suas vidas e suas liberdades: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto, com quem militei no Sindicato dos Bancários. Todos foram vítimas de processos de lawfare para destruir suas vidas e de seus familiares e atingir o Partido dos Trabalhadores e, consequentemente, toda a esquerda brasileira.

O presidente Lula foi vítima de mentiras contra si desde os anos setenta, quando se tornou líder sindical. As mentiras foram escalando até que ele fosse preso sem crime e sem provas por 580 dias para que não disputasse as eleições de 2018. A presidenta Dilma Rousseff foi presa e torturada na juventude por lutar contra a ditadura no país. Após ser eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, sofreu um impeachment sem crime e sem provas. Sofri muito durante esses processos que acompanhei como dirigente dos bancários! A dor era de adoecer por ver fazerem o que fizeram com nossas lideranças!

O mesmo sofrimento e impotência contra a injustiça sentimos quando a casa-grande condenou e ou prendeu sem crime e sem provas José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto. Genoino e Dirceu, lutadores da mesma geração de Dilma e Lula. Gushiken e Vaccari, líderes da categoria bancária do Novo Sindicalismo brasileiro. Acusar lideranças da classe trabalhadora, destruir suas histórias e expô-las à execração pública a partir dos anos dois mil passou a ser a nova ferramenta de tortura e eliminação de lideranças das lutas populares.

Até hoje, temos visto serem inocentadas lideranças populares vítimas de processos de lawfare, como nos casos famosos "Operação Lava Jato" e "Ação Penal 470" (conhecida como "Mensalão" para achincalhar as vítimas). Gushiken foi absolvido por falta de provas pouco antes de falecer em 2013 e a notícia saiu nos rodapés dos jornalões e revistas que o execraram por anos. O mesmo se deu com Vaccari, preso por condenações revistas por falta de provas. Me lembro de ter me posicionado em defesa de Vaccari no auge dos massacres midiáticos que sofríamos em 2015 (ler artigo aqui).

Fico feliz e aliviado pela notícia da absolvição do companheiro José Dirceu neste momento da história brasileira. Sempre suspeitamos das práticas criminosas daquela gente da tal "República de Curitiba". O tempo foi o senhor da razão. Lendo o livro de memórias de Dirceu, temos orgulho das pessoas que ao longo da vida estiveram do lado certo da história, do lado do povo.

Essas revisões tardias de processos criminais inventados contra pessoas que representam a resistência ao avanço das políticas liberais, privatistas e contrárias aos interesses da classe trabalhadora reforçam uma questão central entre nós de esquerda: a necessidade da solidariedade entre nós nos momentos em que estamos sob ataques de nossos inimigos de classe.

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3. NEM DE DIREITA NEM DE ESQUERDA

Tive a oportunidade de participar de reuniões políticas em bases comunitárias nos últimos dois anos. Naqueles espaços de reflexões populares me lembrei muito dos tempos de representação sindical nos bancários e também dos ambientes familiares de muita pobreza e simplicidade.

Sempre que começam as reuniões nas comunidades, as pessoas que se atrevem a se inscrever para falar vão logo marcando suas posições dizendo que não gostam de política, nem dessa coisa de partido A ou B. Aí sim falam da questão do ônibus, do posto de saúde, das carências em casa, da falta de vaga na escola, segurança no bairro etc.

A questão de se classificar alguém como sendo de esquerda ou de direita e outras classificações comuns na boca da militância orgânica dos movimentos sociais ou de acadêmicos e intelectuais passa longe do dia a dia da ampla maioria das pessoas. O povo em geral não gosta de gente de esquerda "cagando" regras para ele.

Se voltar ao tempo em que fazia a base do sindicato, visitando locais de trabalho da categoria bancária ou participando de reuniões, plenárias e assembleias, poderia dizer a mesma coisa em relação a classificações de trabalhadores como de direita ou de esquerda.

Buscando na memória lembranças dos ambientes onde nasci e cresci, a parentada toda e os amigos e conhecidos na adolescência e na primeira fase de adulto jovem é a mesma coisa. Ninguém que conheci tinha esses papos de ser de direita ou de esquerda. 

É evidente que identificar fenômenos sociológicos e definir as coisas do mundo humano é importante para nós que nos interessamos em compreender e mudar a realidade social não natural. 

A desigualdade social, a injustiça contra as pessoas, o privilégio de poucos em contraposição à miséria da maioria, tudo isso são fenômenos não naturais. E podemos mudar a realidade porque somos seres históricos e fazemos a história diariamente.

As ciências humanas que se debruçam sobre os fenômenos sociológicos são necessárias, repito. O mestre Paulo Freire diz que só se educa gente. Ou seja, é possível educar e politizar as pessoas.

3.1. ALGUMAS LEITURAS INTERESSANTES

Eu, particularmente, gosto dos estudos e das conclusões do professor e sociólogo Jessé Souza a respeito do comportamento das classes dominantes e das classes subalternas. Concordo que as elites são corruptas e manipuladoras do povo. Entendo os motivos para ele definir um segmento do povo como "o pobre de direita".

Por outro lado, também apreciei as definições que ouvi dias atrás do professor e historiador marxista Valério Arcary, em entrevista ao Mauro Lopes, ao dizer que não concorda em se chamar um segmento do povo como "pobres de direita". 

Ele alegou na entrevista que importantes camadas da população estão em condições tão precárias de subsistência diária que elas não podem se dar ao luxo de recusar uma cesta básica, um telhado novo, alguma ajuda de políticos que lhes pedem o voto em troca de algo essencial.

Aí, penso na análise do professor Alysson Mascaro, jurista e filósofo do direito marxista, que em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, após o primeiro turno das eleições, disse que a direita e a extrema-direita politizaram o povo, que agora teria uma consciência de direita. Já a esquerda fica defendendo o sistema capitalista, a ordem estabelecida e fazendo coraçãozinho. 

Por fim, cito a tese "Os sentidos do lulismo" do professor e cientista político André Singer como um estudo que fez muito sentido para mim. De maneira geral, gostei das reflexões dele sobre as características do povo brasileiro e o comportamento dos diversos estamentos sociais ao longo das eleições para presidente entre 1989 e 2010. Fiz uma leitura do livro com postagens comentadas. (ler aqui)

Entendi que o que menos pesou no voto das pessoas foram questões como "esquerda" ou "direita" em relação aos candidatos Collor e Lula, FHC e Lula, Lula e Serra, Lula e Alckmin, Dilma e Serra. Os eleitores decidiram de forma muito prática seus votos em relação ao que era melhor para eles e da forma como viam o mundo, incluindo crenças, medos, cultura, preconceitos etc.

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4. QUAL A MINHA OPINIÃO SOBRE O CENÁRIO E SOBRE O FUTURO?

Vivemos um momento histórico com ferramentas tecnológicas que não existiam em outras fases da história humana. O ser humano é um animal movido a paixões e sentimentos, uma espécie que organizou o mundo a partir das abstrações criadas pela mente humana. 

O livro "O verdadeiro criador de tudo", do professor neurocientista Miguel Nicolelis, nos explica isso. A comunicação virtual e as redes sociais dominadas por algumas corporações, as big techs, sincronizam milhões de seres humanos em frações de segundos. 

Num mundo plataformizado e baseado na economia da atenção, viramos commodities e não mais seres livres. O professor e sociólogo Sérgio Amadeu, da UFABC, fala bem sobre o tema.

Quando as ideias que nos movem são inoculadas em nossa mente de forma sistêmica e intencional para ditar nosso comportamento como se dá hoje, questiono se ainda temos "livre-arbítrio".

O sistema capitalista está por trás da organização e movimentação da sociedade humana global. Não vou discorrer sobre isso. Seria exaustivo neste artigo que precisa terminar. Conto com o conhecimento que as leitoras e leitores desta reflexão já possuem.

Como identificação de fenômeno social, concordo com os professores Jessé Souza e Alysson Mascaro. A direita tem sido exitosa em estabelecer suas ideias no cotidiano das pessoas em todos os segmentos da sociedade, inclusive entre as classes subalternas e exploradas. Eu entendo que ser proprietária dos meios de produção e de criação de ideias tem peso central na prevalência das ideias de direita no mundo.

No entanto, tendo a concordar com as impressões dos professores Valério Arcary e André Singer em relação ao comportamento prático que as classes sociais têm na hora de se posicionarem em eleições ou na sobrevivência diária. As pessoas se movem à direita, centro ou esquerda de acordo com seus interesses imediatos e não por adesão ou militância a tais conceitos teóricos.

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ELEIÇÕES MUNICIPAIS BRASILEIRAS: baseado no que estou argumentando, fica fácil compreender o resultado das eleições em 2024, com o domínio amplo dos partidos de direita disfarçados sob a alcunha de "Centrão" em milhares de cidades do país. O dinheiro das emendas do orçamento público irrigando as candidaturas contra nós da esquerda mais os preconceitos e mentiras prevalentes nos meios digitais das plataformas somados aos tradicionais meios da imprensa de direita são bases efetivas da vitória da direita nas urnas. Reconheço, também, a incapacidade atual da esquerda de compreender e representar as necessidades e anseios da classe trabalhadora. Estamos distantes das bases. 

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É verdade que o domínio totalitário dos meios de produção por parte da classe dominante tem pesado para que o mundo experimente essa ascensão das ideias de direita, inclusive sobre as classes vítimas da crise do capital. Somos seres movidos pelas paixões e sentimentos: uma abstração divulgada de forma massiva em segundos pelas redes sincroniza milhões de pessoas - sentimentos como o ódio -, por exemplo. E o ódio cega as pessoas e impede o império da razão.

Na guerra de conquista das ideias, os donos dos meios estão vencendo, mas entendo que nós podemos enfrentar o avanço da direita e extrema-direita, que representam os privilegiados do mundo, nos posicionando a favor da mudança e a mudança está em questionar o sistema vigente - o capitalismo - e exigir outra forma de organização da sociedade humana.

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Contestar o capitalismo e a captura dos recursos públicos em prejuízo do povo e em privilégio de poucos é algo básico para uma liderança ou organização de esquerda.

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5. PARTIDOS, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES

Não acredito em mudanças substantivas e perenes na sociedade humana sem organizações sociais por trás dessas mudanças. Movimentos populares episódicos - uma ocupação, uma greve, uma mobilização por questão A ou B -, por mais que sejam bonitos de se ver, não têm acúmulos crescentes com capacidade de alterar a realidade geral. Eu pensava isso em relação aos Fóruns Sociais Mundiais quando não aceitavam partidos, sindicatos e governos.

É minha opinião que nós temos que ter partidos políticos, sindicatos e associações que liderem movimentos de massas para questionar e forçar as mudanças necessárias para disputar os rumos de uma comunidade humana. 

Temos que ter atuação constante e não só em períodos eleitorais. Ampliar nossa força nos parlamentos deve ser consequência de trabalhos realizados na base o ano todo e com coordenação local e nacional. Temos que mudar essa lógica personalista de nomes e mandatos prevalecerem sobre projetos e coletivos locais, temáticos e programáticos de esquerda, lutas de classe.

Para isso, as lideranças populares precisam exigir as mudanças necessárias das velhas burocracias encasteladas em partidos, sindicatos e associações que são estratégicos para a classe trabalhadora, mas que têm deixado insatisfeitas as bases sociais por completa ausência nas bases.

Tenho visto surgirem novas lideranças nos partidos de esquerda e nos movimentos organizados. Temos que fortalecer e apoiar essa juventude que está dando as caras. 

Se permitirmos que as ideias da burocracia partidária e sindical prevaleçam - ideias de conciliações improdutivas com adversários e inimigos na atualidade e parcerias ruins com nossos algozes -, não mudaremos a realidade na qual as ideias de direita e extrema-direita estão prevalecendo nas camadas populares que, repito, não são nem de esquerda nem de direita.

Nossos partidos de esquerda, sindicatos e organizações populares podem fazer a diferença, mas para isso é necessário que mudem e ouçam as bases e as novas lideranças que estão chegando para fazer história. Que Brasil e mundo queremos em 2035 e 2050? Para pensar 2026 temos que pensar o que queremos para o mundo.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série sobre eleições municipais brasileiras, que termina com este texto de avaliação do processo, pode ser lido aqui.


27.10.24

Diário e reflexões



A semana decisiva foi de muita energia e sentimento de mudança nas ruas de São Paulo

Domingo, 27 de outubro de 2024.


Opinião (17)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Esta semana foi de muitas atividades da militância para conversarmos com eleitores indecisos e conquistarmos os votos necessários para elegermos Guilherme Boulos e Marta Suplicy para a prefeitura de São Paulo. E o próprio candidato fez algo inédito: ficou a semana toda nas ruas junto à população paulistana.

Nós da militância da Zona Oeste de São Paulo, fizemos atividades praticamente todos os dias. Num dos dias, a professora Ione, minha companheira, ficou horas conosco e o time da vereadora Luna Zarattini virando votos na Avenida do Rio Pequeno, Butantã. Vejam vocês, até pessoas que não estão acostumadas a abordagem popular, entraram em cena pelo vira voto e muda São Paulo. Muita energia no ar!

Estivemos nas imediações dos metrôs da região, onde panfletamos nos últimos meses. A percepção que eu tive foi muito positiva. Diferente de outras fases da campanha, muita gente nos pedia adesivo, trabalhadores de aplicativos colocaram adesivos em suas motos: é Boulos 50 pra mudar São Paulo. Até motoristas de ônibus se aproximaram e de dentro do veículo me pediram adesivos. Clima de virada no ar!

E, no sábado, para fechar a campanha pela eleição de Guilherme Boulos 50 prefeito de São Paulo, fizemos uma ótima caminhada da vitória, saindo da Avenida Paulista e descendo a Rua Augusta até a Praça Roosevelt. Que energia! 

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CRIME ELEITORAL DO GOVERNADOR DE SP

A certeza de impunidade por parte da casa-grande brasileira não tem limites. Eu acompanho e estudo política e história do Brasil há tempos. Já vi muita coisa e sei de muitos abusos dos poderosos no país explorado há séculos pelos imperialismos e por seus lacaios daqui - a burguesia vira-latas.

Hoje a casa-grande se superou. O governador Tarcísio de Freitas, parceiro do candidato Ricardo Nunes a reeleição em São Paulo, ousou no dia da eleição a praticar um crime absurdo de ir à imprensa declarar que a maior facção criminosa do país, o PCC, havia declarado voto e apoio à candidatura de Guilherme Boulos... (sem apresentar provas, e mesmo se as tivesse não poderia ter feito isso) 

É tão chocante e descabido o que fez o bolsonarista Tarcísio, de uma forma torpe para que sua declaração influencie os eleitores sem chance de desmentido pelo candidato opositor, que se não houver punição rápida e severa a essa interferência de poder político nas eleições, podem decretar o fim dos processos eleitorais! Que se declare que não há democracia no país e chega de farsa!

Vamos ver o que acontece nas próximas horas.

William Mendes

(Domingo, 17:40 horas)


Post Scriptum: a plutocracia prevaleceu, como se espera em processos de consultas como esses baseados em poder do dinheiro e da máquina estatal pela manutenção do status quo. A candidatura de Guilherme Boulos obteve o apoio de 40% dos eleitores que se dispuseram a votar. A luta deve continuar, não há alternativa para nós que pensamos nas pessoas e no planeta Terra.

Post Scriptum (2): para ler o texto anterior desta série sobre eleições, clique aqui. O texto seguinte, de avaliação do processo eleitoral, pode ser lido aqui. Nele, foco minhas reflexões na questão sobre os brasileiros serem ou não de esquerda ou de direita.