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12.10.11

Artigo: A precarização do trabalho bancário exposta em tempos de renovação de direitos coletivos da categoria

Desenho de Débora Vaz, estudante do Ceará
OS LOTÉRICOS estão se matando de trabalhar para realizar o trabalho bancário transferido indevidamente para eles pelos banqueiros com autorização do Governo Federal via resoluções ilegais do Banco Central. Com a greve dos bancários brasileiros, em luta por aumento real de salários e renovação de direitos coletivos, fica evidente o desvio causado pela terceirização fraudulenta dos banqueiros.

Lotérica é lugar de fazer jogos e apostas; farmácia é lugar de comercializar remédios; mercado é lugar de comercializar produtos para a subsistência e para o lar.

Agência bancária é lutar para fazer operações financeiras, intermediações financeiras, abertura de contas e recebimentos de depósitos e empréstimos etc. Os bancários são os trabalhadores treinados e preparados para esse tipo de atendimento e ajuda aos cidadãos que têm o direito de ter contas, acesso ao crédito adequado a cada caso. É obrigação dos bancos atender a toda a população sem discriminação, com segurança adequada e com a rapidez que o povo merece.

Veja abaixo, matéria falando sobre o excesso de trabalho bancário transferido para os lotéricos que não recebem nenhum dos direitos da categoria bancária como piso nacional de R$ 1250, vale-refeição e alimentação que, na maioria dos casos, é maior que o próprio salário dos lotéricos, jornada de 6 horas, Participação nos Lucros e Resultados, dentre outros direitos que foram fruto de mais de um século de lutas e mobilizações e que, muitas vezes, conquistaram direitos que depois foram repassados para todos os trabalhadores brasileiros.

Os 6 maiores bancos lucraram 27 bilhões no primeiro semestre. Não aumentar o salário e os direitos dos bancários é um escárnio com os trabalhadores e é uma ofensa ao País e à cidadania. Queremos distribuição de renda no Brasil, pois é assim que o País será um lugar justo pra se viver nos próximos anos.

William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT.

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Matéria da Agência Brasil

12/10/2011 - 10h23

Greve dos bancários aumenta procura por casas lotéricas

Stênio Ribeiro
Da Agência Brasil

Brasília – O horário flexível das 10.773 casas lotéricas do país, que atendem até as 18h nas lojas de rua e até as 19h nos shoppings, tem atraído um número crescente de cidadãos para pagamento de contas e saques de pequenos valores para correntistas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil (BB).

Não existe estimativa nacional quanto ao aumento da movimentação, mas o Sindicato dos Lotéricos de São Paulo, que congrega 2.597 casas de apostas (773 na capital), calcula que houve acréscimo de aproximadamente 30% na procura da população durante a greve dos bancários.

Lotérica tem vantagens além da flexibilidade do horário

O aumento da procura decorre de vários motivos, além da flexibilidade do horário.

Primeiro, por causa das longas filas que se formam nos terminais de autoatendimento dos bancos, fora das agências, e depois porque as lotéricas e correspondentes bancários operam os serviços básicos de saques e pagamentos, inclusive aos sábados.

As casas lotéricas recebem boletos de até R$ 2.000, quando as contas são da própria Caixa, e de até R$ 700 quando são de outros bancos.

Para contas de consumo (água, energia, telefone e outras) o limite é R$ 1.000. As lotéricas também aceitam saques de até R$ 1.000 por dia para clientes da Caixa (R$ 500 aos sábados) e de até R$ 500 por dia para correntistas do BB.

Recebem também pagamentos de tributos, prestação da casa própria, obrigações com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de contribuição sindical, além das transações realizadas normalmente, via Cartão do Cidadão, como os benefícios sociais do Bolsa Família, do seguro-desemprego e do Programa de Integração Social (PIS).

A rede lotérica tornou-se, portanto, uma alternativa a mais para a população quitar seus compromissos enquanto durar a paralisação dos bancários. O problema maior reside na falta de recebimento de correspondências com as devidas cobranças, uma vez que os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos também estão de braços cruzados.

Fonte: UOL economia

25.4.11

Artigo: Correspondente pode ou não ser bancário - Gláucia Soares Massoni


Opinião Jurídica:

Correspondente pode ou não ser bancário


*Gláucia Soares Massoni

25/04/2011

Correspondentes bancários, como definido nas resoluções nº 3.110, de 2003, e nº 3.156, de 2003, do Banco Central (Bacen), são empresas, integrantes ou não do sistema financeiro nacional, que prestam serviços a instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, tais como casas lotéricas, agência dos correios, lojas etc. A contratação de empresas para o desempenho das funções de correspondente bancário é autorizada através das mesmas resoluções que especificam as atividades que tais empresas prestadoras de serviços podem realizar. O Poder Judiciário, em alguns casos, vem reconhecendo o empregado do correspondente bancário como bancário propriamente dito, com todos os ônus daí advindos. A questão deve ser analisada com cautela.

Muitos trabalhadores, pelo simples fato de exercerem suas atividades para uma instituição financeira, buscam o reconhecimento do vínculo empregatício como bancário, visando obter os benefícios daquela categoria. Entretanto, não é tão simples quanto parece. O cerne da questão está em saber qual, de fato, é a natureza do trabalho realizado para, a partir de então, verificar se o trabalhador se enquadra na categoria de bancário ou é mero correspondente bancário.

O correspondente bancário é o intermediário entre as instituições financeiras e os clientes. Dentre suas diversas atividades pode receber e encaminhar propostas de abertura de conta corrente, recebimentos e pagamentos de contas, recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos, serviços de cobrança, recepção e encaminhamento de propostas de cartões de crédito. Assim, o simples fato do trabalhador realizar atividades de conferência e preparação de documentos e demais rotinas atinentes a empréstimos financeiros não permite a equiparação ao bancário, desde que as atividades sejam aquelas previstas na Resolução nº 3.110, de 2003.

As atividades do bancário são mais amplas e envolvem o dever de sigilo

Já a instituição financeira tem como atividade principal a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valores de propriedade de terceiros. O bancário pode, dentre suas atribuições, fazer aplicações, resgates, transferência em conta corrente para os clientes, conceder empréstimos com recursos próprios da instituição financeira, acessar os dados da conta corrente do cliente, alterar senhas para os correntistas etc. Como se vê, as atividades do bancário são mais amplas e envolvem o dever de sigilo estabelecido na Constituição, uma diferença importante, já que não há o sigilo nas atividades do correspondente bancário.

Embora muitas decisões judiciais venham reconhecendo o correspondente bancário como bancário propriamente dito, não se pode olvidar da análise das condições de trabalho. O direito do trabalho é regido pela primazia da realidade. Portanto, se um contrato de prestação de serviços estabelecer as atividades previstas na Resolução nº 3.110, mas as atividades efetivamente executadas forem divergentes, mais amplas que as autorizadas pelo Bacen, entrando na seara das atividades exclusivas dos bancários, strictu senso, irá prevalecer a realidade fática.

O que se tem visto em algumas situações é a utilização indevida da resolução do Bacen, aumentando as atribuições do correspondente bancário, repassando atividades que não são autorizadas pelo Banco Central e, em outras situações, também tem sido constatada a existência dos elementos caracterizadores do vínculo de emprego como a pessoalidade e a subordinação jurídica direta à empresa tomadora, existindo assim uma relação jurídica trabalhista. Nesse caso o contrato será tido como nulo, gerando todos os efeitos jurídicos da relação empregatícia, sendo o correspondente bancário enquadrado como bancário, não porque a atividade de correspondente bancário seja considerada como sendo de bancário, mas porque a resolução do Bacen não foi observada nos seus exatos termos ou pelo fato de ter sido utilizada para mascarar uma verdadeira relação de emprego.

Em nossos tribunais, o tema ainda é polêmico. Uma das principais fundamentações das decisões é que as instituições financeiras, visando reduzir seus custos operacionais, estão terceirizando sua atividade-fim e que isso prejudica tanto os bancários - que perdem postos de trabalho - quanto os correspondentes - em decorrência de não terem a mesma proteção social e segurança da categoria dos bancários.

Há decisões que não reconhecem a resolução do Bacen por entender se tratar de norma de caráter infra-legal, de ordem administrativa e que o Bacen não poderia legislar sobre o direito do trabalho e alterar as condições previstas na Consolidação das Leis do Trabalho. Da mesma forma há decisões que reconhecem a plena validade da resolução do Bacen e, comprovada a regularidade do contrato firmado entre a instituição financeira, inclusive o serviço prestado, não enquadram o correspondente bancário como bancário propriamente dito.

Embora sobre a questão paire grande divergência, não podemos deixar de ressaltar que o direito do trabalho se norteia por princípios fundamentais, dentre os quais, os que visam regular relações e coibir abusos. Destacamos o princípio da primazia da realidade, onde deixa de importar a descrição ou nome dado ao cargo do empregado, sendo relevante somente suas reais atribuições. Esta forma de interpretar os fatos traz segurança ao sistema e às partes envolvidas, impedindo que abusos sejam intentados por parte de empregados e empregadores.

*Gláucia Soares Massoni é especialista em direito do trabalho, sócia do Fragata e Antunes Advogados

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

Fonte: jornal Valor Econômico

24.3.11

(In)segurança bancária: crônica diária de mortes anunciadas


Tentativa de roubo em lotérica termina com dois mortos em São Paulo

Duas pessoas - dentre elas um policial militar - foram mortos nesta quarta-feira, dia 23, após serem feridas em uma tentativa de assalto a uma lotérica em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo.


De acordo com a PM, o policial estava dentro do estabelecimento, na avenida João Dias, quando dois suspeitos entraram e anunciaram o assalto.

O policial e uma pessoa que passava por ali ficaram feridos. Os dois foram socorridos à Santa Casa, mas morreram no hospital.

Os suspeitos fugiram e até as 20h a polícia não tinha informação sobre detidos. O caso será registrado no 11º DP (Santo Amaro).

Fonte: Folha.com

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COMENTÁRIO:

É INTERESSANTE A FAÇANHA DOS BANCOS E DA FENABAN EM DESVINCULAR-SE DAS MORTES QUE ANDAM OCORRENDO DIARIAMENTE DE PESSOAS QUE BUSCAM OS "CANAIS ALTERNATIVOS", TERCEIRIZADOS E SEM SEGURANÇA, PARA EFETUAREM SUAS TRANSAÇÕES BANCÁRIAS.

A RESPONSABILIDADE DESSAS MORTES EM LOTÉRICAS E CORRESPONDENTES BANCÁRIOS É DOS BANQUEIROS, NA FIGURA DA FENABAN, E DO BANCO CENTRAL, OU SEJA, DO GOVERNO FEDERAL, QUE TEM PERMITIDO ESSA SAFADEZA DOS BANCOS DE EXPULSAR A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA DO AMBIENTE DAS AGÊNCIAS, QUE PRECISAM TER NO MÍNIMO 2 ITENS DE SEGURANÇA BANCÁRIA COMO DIZ A LEI.

DEBATAM ISSO COM OS NOSSOS BANCÁRIOS E COM OS CLIENTES E USUÁRIOS: LUGAR DE FAZER TRANSAÇÃO BANCÁRIA É EM BANCO

1.3.11

Correspondentes "bancários" - Lotéricas são as mais procuradas


Comentário:

Seria essa a batalha final na existência de uma categoria profissional?

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Brasil, Terça-feira, 01 de março de 2011.

Por: INFOMONEY 28/02/2011 08h23

Os correspondentes bancários mais procurados para pagar contas em geral são as casas lotéricas, conforme aponta a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Fractal.

De acordo com o levantamento, quando se trata de pagar contas em correspondentes bancários, 91,7% das contas de telefone, por exemplo, são pagas em lotéricas, enquanto 5,2% são pagas em correios, 5,1%, em farmácias e 5%, em supermercados. Já 91,4% das contas de água e 91,1% de luz são pagas em lotéricas.

No entanto, a conta mais paga em lotéricas é a de condomínio (93,7%), seguida por IPTU (92,4%), recarga de bilhete único (91,7%), conta de água (91,4%) e conta de luz (91,1%), como pode ser observado na tabela abaixo:

Contas pagas em correspondentes bancários

Despesas......... Casa Lotérica ....Correios ...Supermercados ..Farmácias

Condomínio .....93,7% .................2,1% .............5,3% .............-

IPTU ...............92,4% .................1,7% .............3,4% ............2,1%

Cta telef. fixo ...91,7% .................7,6% .............5,6% ............8,5%

Recarga bilhete único 91,7% ........3,1% .............3,5% ............3,1%

Conta de água  91,4% .................5,5% .............4,9% ............5,2%

Conta de luz ....91,1% .................5,2% .............5% ...............5,1%

Fonte: Instituto de Pesquisas Fractal


Para a realização da pesquisa, foram entrevistadas 8.722 pessoas, com renda individual mensal de R$ 250 a R$ 4 mil, em 35 cidades brasileiras.


Serviço aprovado

O levantamento ainda aponta que 97% dos brasileiros utilizam os correspondentes bancários até quatro vezes por semana. Além disso, o índice de satisfação dos usuários com os serviços dos agentes chega a 87,3%.

Entre os motivos que fazem com que os correspondentes sejam usados, 90,9% citaram à agilidade e velocidade na prestação de serviços. Logo em seguida vem a boa qualidade do atendimento ao usuário, com 83,5% das respostas.

Além disso, 72,3% dos respondentes disseram que usam os agentes devido ao horário de atendimento, que é superior ao dos bancos. Já 52,3% disseram que utilizam os correspondentes por serem mais próximos onde moram.

Segundo o estudo, os correspondentes bancários são uma alternativa de distribuição dos serviços capilarizados que representam uma política de bancarização inclusiva, com custos compatíveis ao risco e ao potencial de rentabilidade desse mercado.

"Os grandes bancos viram nos correspondentes a oportunidade de oferecer serviços de melhor qualidade às populações carentes, com a redução do tempo de espera em filas, facilitando, inicialmente, seus pagamentos e recebimentos", explicou o diretor presidente da Fractal, Calso Grisi.

Fonte: Correio do Estado


COMENTÁRIO:

ESSA QUESTÃO DA "BANCARIZAÇÃO" DA GRANDE MASSA DO POVO BRASILEIRO ÀS CUSTAS DA DESTRUIÇÃO DE UMA CATEGORIA PROFISSIONAL COM MAIS DE UM SÉCULO DE LUTAS E CONQUISTAS DE DIREITOS COLETIVOS EM BENEFÍCIO DE MEIA DÚZIA DE BANQUEIROS É O MAIOR DESAFIO DE NOSSA EXISTÊNCIA ENQUANTO BANCÁRIOS.

ATÉ QUANDO EXISTIREMOS ENQUANTO CATEGORIA??

O PIOR É QUE AO INVÉS DE FOCARMOS ESSA BATALHA, VIVEMOS DAS BATALHINHAS DIÁRIAS DE DISPUTA DE PODER ENTRE NÓS MESMOS DO MOVIMENTO SINDICAL BANCÁRIO...

19.2.11

Correspondente não é banco, diz Febraban em proposta ao BC


Comentário: É o mesmo que dizer que uma associação ou um órgão do Executivo tem poder de eliminar direitos trabalhistas de uma categoria sem o legislativo ser acionado, fácil fácil!

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Regulação: Regra que afeta 150 mil estabelecimentos pode ser votada pelo CMN neste mês

Adriana Cotias - De São Paulo

20/01/2011

Os bancos querem evitar que estabelecimentos comerciais que recebem contas, pagam benefícios e ofertam crédito, os chamados correspondentes bancários, sejam enquadrados como instituições financeiras. Por extensão, querem também evitar que os funcionários desses estabelecimentos tenham os mesmos direitos que os bancários, o que elevaria às alturas os custos de um canal desenhado justamente para ser barato. Essa é uma das principais preocupações refletidas na proposta encaminhada na semana passada ao Banco Central pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), à qual o Valor teve acesso.

O BC pretende coibir a atuação dos chamados "pastinhas", os agentes independentes que ofertam crédito consignado, e assegurar que a venda de serviços financeiros fora do canal bancário seja feita por pessoas treinadas. Esses pontos estão na proposta do novo marco legal do correspondente bancário feita pelo BC, que substituirá as regras de 2003. As associações de bancos, das financeiras e das promotoras de vendas concluíram as suas sugestões à proposta em revisão e a previsão é de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) vote no fim do mês a atualização das norma atual.

No documento da Febraban, estão mudanças consideradas fundamentais para que a malha alternativa de atendimento bancário, formada por cerca de 150 mil estabelecimentos comerciais, entre supermercados, lotéricas e agências do Correios, faça mais do que receber contas e pagar benefícios e avance na oferta de crédito e outros produtos financeiros. O que se percebe no texto é que há grande preocupação em incluir conceitos que previnam que o canal correspondente seja confundido com uma instituição financeira e, mais, que os empregados desses estabelecimentos possam pleitear na Justiça equiparações de remuneração e benefícios específicos a um bancário. Esses são pontos que têm sido sensíveis tanto para os bancos quanto para os comerciantes e prestadores que atuam como correspondentes.

O principal problema enfrentado tem sido justamente o risco trabalhista, com ex-empregados pedindo na Justiça indenizações que façam jus às funções desempenhadas por um funcionário de banco. Em certos casos, os bancos são acionados conjuntamente e algumas decisões de primeira instância têm sido favoráveis ao trabalhador.

Entre os banqueiros, a avaliação é de que, enquanto a rede de correspondentes só recebe contas e paga benefícios, há argumentos mais concretos para a defesa. Primeiro porque qualquer empresa contratada pelas concessionárias de serviços públicos pode prestar serviços de arrecadação. A operação de saque, por sua vez, pode ser realizada em equipamentos de autoatendimento da TecBan, que administra a Rede 24Horas, e não é banco. Serviços de cobrança e cadastro, por fim, também podem ser executados por companhias não integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Só que, quando se evolui para o tema crédito na rede correspondente, a percepção é de que há, ainda, muita insegurança jurídica. Há dúvidas se a nova regulamentação será suficiente para equacionar as pendências trabalhistas, porque os tribunais enxergam o correspondente como terceirização.

O BC, em suas publicações sobre o tema, como o relatório de inclusão financeira, reconhece a importância do correspondente bancário, que tem desempenhado o papel de levar acesso bancário às classes menos favorecidas da população e a localidades em que, muitas vezes, os bancos não veem viabilidade econômica para instalar uma agência. A atividade também convém à fiscalização porque, se na ponta final das transações está um banco, há poder de correção, além do pleno controle dos agregados monetários.

No último documento publicado sobre o assunto, o BC enfatiza que "os correspondentes no país, embora analisados com os demais canais de acesso, são empresas prestadoras de serviços a instituições financeiras, sob contrato, conforme regulamentação vigente. A amplitude de serviços oferecidos não é comparável àquela típica dos demais canais, dado que não possuem autonomia decisória para a abertura de contas e concessão de crédito, por exemplo."

A proposta de regulamentação desenhada pelo BC prevê que o correspondente atue apenas nos pontos onde tenha instalações e que haja formalização de vínculo entre a empresa e os funcionários envolvidos nessas atividades. A intenção é disciplinar a atuação dos "pastinhas", que chegaram a ser alvo de investigação por fraude na oferta de consignado. A nova regra também deve incluir uma certificação específica aos empregados da rede correspondente, que contemple aspectos técnicos dos produtos e serviços, além de noções sobre operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

A Febraban sugere que essa certificação seja restrita para operações de crédito e arrendamento mercantil e que seja feita por uma entidade certificadora reconhecida e não pela instituição contratante. Já a ABBC, que representa os bancos menores, e a Aneps, que reúne as promotoras de vendas, defendem a certificação plena, segundo um interlocutor a par das discussões com o BC.

Na nova norma, até a expressão "bancário" e "não-bancário", ligada ao termo correspondente, deixaria de existir. Isso para que a malha alternativa de atendimento não seja confundida com uma instituição financeira e seja obrigada, por exemplo, a adotar medidas de segurança similares à de uma agência convencional, com portas giratórias, câmeras e vigilância, como alguns projetos de lei municipal e mesmo ações civis públicas têm requerido.

São itens onerosos para os correspondentes e, se esse custo couber aos bancos, não haveria incentivo econômico para se expandir a rede por essa via, já declarou ao Valor o diretor setorial de correspondente bancário da Febraban, Frederico Guilherme Fernandes de Queiroz Filho.

No que toca as operações de crédito, a forma de remuneração dos correspondentes também muda. O desembolso deixa de ser feito de uma única vez, no fechamento do contrato, e passa a ser proporcional aos prazos e valores das prestações, estando vinculado ao efetivo pagamento do cliente. No caso de liquidação antecipada, esse comissionamento será interrompido.

O BC prevê um ano, a contar da data da publicação da resolução, para adequação do estoque de contratos. Para a certificação dos correspondentes, as instituições financeiras terão dois anos.

A Febraban não dispôs de um porta-voz para comentar as mudanças sugeridas à regulamentação. A ABBC e o BC não atenderam ao pedido de entrevista.

Fonte: Valor Econômico

30.11.10

Caixa Federal amplia comunicação entre lotéricas e correspondentes bancários


Caixa amplia serviços de telecomunicação

Decision Report 29/11/2010

A Caixa Econômica Federal firmou contrato com a Vicom, subsidiária da British Telecom (BT) no Brasil para fornecer serviços de telecomunicação e conectar, a rede de casas lotéricas e os correspondentes bancários aos datacenters da Caixa. A British Telecom irá conectar 11.000 lotéricas, a solução que transmite à Brasília os sorteios realizados nos Caminhões da Sorte será modernizada. O novo contrato incorpora inovações tecnológicas em segurança de rede, disponibilidade e eficiência de serviço.

“Os serviços de telecomunicações prestados pela BT para as lotéricas e os correspondentes bancários, além de proporcionar confiabilidade e transparência aos sorteios, contribui para a integração econômica e bancária ”, afirma Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT no Brasil.

O contrato relativo aos correspondentes bancários prevê a conexão de 5.600 pontos em todo país, estendendo o alcance dos serviços da Caixa e contribuindo para integrar a população ao sistema financeiro. Através do terminal Caixa Aqui, clientes podem realizar transações bancárias essenciais e realizar saques de benefícios.

Para a rede das Lotéricas, o novo contrato prevê a ampliação das atuais 10 mil casas lotéricas para 11 mil. As conexões serão implementadas mediante a integração de várias tecnologias de acesso e backbone, em configuração redundante e de alta resiliência. A rede será gerenciada proativamente pela BT através do seu centro de operações localizado em Hortolândia, SP, que coordenará a atuação das equipes de campo.

Serão ao todo mais de 35 mil terminais lotéricos instalados em todo o Brasil, o que exige uma rede de porte único, seja por seu alcance geográfico, pelo número de pontos que interliga, pelas exigências de disponibilidade e de segurança do sistema de apostas, ou por um volume de transações que ultrapassa o de todos os cartões de crédito do país.

No caso da rede dos correspondentes bancários, a BT usará tecnologia satelital com cobertura em todo o território nacional, serviço estável e compatível com o canal de atendimento. Nesse contrato a BT também é responsável pelo suporte preventivo das redes, serviços de help desk para manutenção remota e manutenção presencial.

Fonte: Decision Report
 
 
COMENTÁRIO: É UMA QUESTÃO DE TEMPO, SE NÃO BARRARMOS O CORRESPONDENTE BANCÁRIO, NÃO HAVERÁ NECESSIDADE ALGUMA DOS BANCOS MANTEREM EMPREGADOS "CAROS" E COM VÁRIOS DIREITOS COLETIVOS CONQUISTADOS A CADA ANO COM DURAS LUTAS.

29.11.10

A tal "bancarização" é uma piada. Os próprios dados mostram que a imensa maioria dos casos de uso de correspondentes bancários é na região Sudeste e Nordeste, ou seja, onde não faltam bancos. É a precarização do trabalho bancário e a conivência do governo com os banqueiros nessa fraude!


Conta simplificada da Caixa atinge quase 11 milhões de clientes

Fonte: o Globo online 29/11/10

SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal (CEF) informou nesta segunda-feira que atingiu 10,7 milhões de correntistas em sua conta destinada a simplificar o acesso a serviços bancários: a Caixa Fácil.

Criada em 2003, a modalidade tem hoje 7,3 milhões de contas ativas e movimentou aproximadamente R$ 8 bilhões em 40 milhões de transações neste ano.

Para abrir a conta, o cliente não precisa comprovar renda ou realizar um depósito inicial. A única exigência do banco federal é a apresentação dos documentos de RG e CPF. A ideia é incluir financeiramente a parcela da população com dificuldade de acesso aos produtos e serviços bancários.

Segundo a Caixa, o cartão de débito da Caixa Fácil permite transações e compras em quase 1,5 milhão de estabelecimentos credenciados. Em julho, o limite de movimentação da conta passou de R$ 1 mil para R$ 2 mil.

Clientes sem restrições cadastrais ainda contam com R$ 200 em empréstimo rápido e fácil. O limite desse crédito ainda pode chegar a R$ 1 mil, a depender do comportamento do correntista.

Em nota, o superintendente nacional de renda básica da Caixa, Humberto Magalhães, diz que o produto corresponde ao principal instrumento do programa de bancarização do banco.

Cerca de 70% das aberturas dessas contas são realizadas por correspondentes bancários e casas lotéricas. A maior concentração de clientes está nas regiões Nordeste (39,02%) e Sudeste (31,90%), seguidas por Sul (16,34%), Centro-Oeste (6,75%) e Norte (5,99%).

Fonte: (Eduardo Laguna -Valor)

19.9.10

Se não barrarmos essa indecência do correspondente bancário, os bancários e seus direitos coletivos serão extintos pelos banqueiros


Número de correspondentes bancários cresce 70% no país em quase três anos

Agência Brasil

(Publicação: 19/09/2010 16:41)

Brasília – Os bancos têm visto no crescimento da renda dos brasileiros uma oportunidade de novos negócios. A estratégia pode ser observada na expansão dos correspondentes bancários, como agências lotéricas e dos Correios. Segundo o Banco Central (BC), eles passaram de 95.849, no final de 2007, quando a instituição começou a registrar os dados, para 163.569, em 1° de setembro deste ano. O aumento, nessa comparação é de 70,6%. Segundo o BC, o número de correspondentes no país subiu de 108.074 no final de 2008 para 149.507 ao fim do ano passado.

O estado com maior número de correspondentes é São Paulo, com 42.176, contra 42.176 no final de 2007. Roraima é onde tem o menor número - 218, contra 83 em 2007.

COMENTÁRIO: ESTÁ CLARO AQUI QUE SE TRATA DE PRECARIZAÇÃO E INTERMEDIAÇÃO FRAUDULENTA DE MÃO DE OBRA E NÃO DE BANCARIZAÇÃO, "OBJETIVO INICIAL DO CORRESPONDENTE".

Os correspondentes são autorizados pelo BC a fazer operações como recepção e encaminhamento de propostas de abertura de contas e de pedidos de crédito e recebimentos de pagamentos.

O chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC, Luiz Edson Feltrin, afirma que a instalação de correspondentes bancários é uma forma de oferecer serviços formais em um estabelecimento onde os consumidores já estão acostumados a frequentar, como lotéricas, supermercados, drogarias, Correios, lojas de móveis e outros.

Assim, evita-se o formalismo que a estrutura de uma agência bancária traz e que às vezes “assusta” os clientes. “Muitas vezes, a sofisticação de uma agência afasta as pessoas mais simples. No caso dos correspondentes, é diferente, porque elas estão acostumadas a ir lá”, afirma Feltrin. Os correspondentes, acrescenta, podem ser vistos também como uma estratégia de marketing dos bancos, porque dão visibilidade às marcas onde são instalados.

Outra vantagem da estratégia para os bancos é que os correspondentes ajudam aliviar o fluxo de atendimentos nas agências. Além disso, o custo de instalação de um correspondente se comparado com o de uma agência bancária é menor. “Os custos de se montar uma agência são elevados. Há uma série de normas do Banco Central e da Polícia Federal que devem ser observadas”, destaca o gerente nacional de Canal Parceiro Lotérico da Caixa, Antonio Carlos Barasuol.

“As operações nos correspondentes são compatíveis com o que já existe no estabelecimento. É uma forma simples de levar serviços bancários a lugares que não teriam condições de receber uma agência. Ajuda a movimentar a economia da cidade”, assinala Barasuol.

COMENTÁRIO: ELES MESMOS SE CONTRADIZEM, POIS OS BANCOS CONCENTRARAM OS CORRESPONDENTES NAS REGIÕES METROPOLITANAS COMO FORMA DE ATENDER AOS POBRES E EXPULSÁ-LOS DAS AGÊNCIAS.

Para o gerente geral da Unidade de Gestão de Canais do Banco do Brasil, Hideraldo Dwight, além de ter um custo menor do que de uma agência, o correspondente é instalado em pontos comerciais que já atraem muita gente e movimenta a economia local.

Fonte: Correio Braziliense e Agência Brasil