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2.10.25

Diário e reflexões - Ato em defesa da FFLCH-USP



A UNIVERSIDADE PÚBLICA É DO POVO - ATO EM DEFESA DA FFLCH-USP

02/10/25

O evento de hoje em nossa querida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo foi emocionante, com falas potentes e solidárias em defesa da educação pública, dos direitos dos povos e também denunciando o genocídio do povo palestino. 

Os motivos principais do ato de hoje no vão livre da História e Geografia da FFLCH e também das manifestações da comunidade acadêmica e do movimento estudantil, além de diversas entidades e lideranças da sociedade civil paulista são os ataques realizados pelos fascistas da extrema-direita nos últimos meses. 


Após ataques de grupos liderados até por parlamentares de extrema-direita da Câmara de Vereadores de São Paulo, a comunidade acadêmica da USP vem se organizando e enfrentando com firmeza essas turbas fascistas. 

Repito: foi um ato emocionante! Saí do ato de alma lavada e com a esperança renovada ao respirar o ar daquela juventude de luta!

Ouvimos falas potentes e experientes de professores como a querida Marilena Chauí, André Singer e demais acadêmicos. 

Vereadora Luna Zarattini (PT-SP)

Ouvimos lideranças de diversos movimentos populares, sindicais e de lutas históricas da juventude. 

Ouvimos parlamentares do campo popular como a querida companheira Luna Zarattini (PT), Luana Alves (Psol), Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bomfim (Psol) e demais políticos que estão sempre do lado certo da história de lutas da classe trabalhadora brasileira. 

Deputada Federal Juliana Cardoso (PT-SP)

Tenho orgulho de ter sido aluno de Letras da FFLCH-USP e de ver o quanto a educação, a cultura e a ciência são importantes para a sociedade humana. 

Sem democracia e sem igualdade de oportunidades não se constrói uma sociedade justa, fraterna e igualitária. 

Fora, fascistas! Defender a educação pública é defender a esperança em um mundo melhor para todos os seres viventes. 

O ato também foi firme na defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza.

William 

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Post Scriptum: em relação à luta contra o genocídio do povo palestino, uma das reivindicações do ato, o rompimento das relações institucionais da FFLCH-USP e das faculdades da USP com o Estado de Israel, foi concretizada em 23/10/25. Em votação histórica, a Congregação da FFLCH votou e aprovou por 46 a 4 a renúncia do convênio com a Universidade de Haifa (Israel). Orgulho de nossa FFLCH-USP!!!

16.6.25

Diário e reflexões - A necessária unidade contra a extrema-direita


Opinião

Sem unidade dos segmentos não extremistas de direita, o mundo que conhecemos chegará ao fim

Osasco, 16 de junho de 2025. Segunda-feira.


A sociedade humana e a Natureza onde a vida se desenvolve enfrentarão momentos decisivos nos próximos anos. Não é força de expressão dizer que podemos caminhar para o fim do mundo, algo ameaçador e distópico. 

Conforme o rumo que a espécie animal homo sapiens tomar, o planeta onde a vida se desenvolve (o "mundo") se tornará inviável à vida, senão a todas as formas de vida, pelo menos à vida humana e de outras espécies comuns nos biomas terrestres.

Ao longo da história do planeta diversas espécies e formas de vida existiram e deixaram de existir. A nossa espécie se destacou nos últimos milênios por sermos animais dotados de cérebros altamente desenvolvidos ao longo de nosso percurso na Terra.

No entanto, o mesmo cérebro que nos trouxe até aqui, neste momento da Natureza, pode ser o responsável por inviabilizar a vida de nossa espécie no planeta. Somos animais altamente influenciáveis por abstrações criadas por nós mesmos. Inventamos deuses, tecnologias para alterar o meio ambiente no qual vivemos e temos poder de destruir o mundo.

Estamos no limiar de diversas guerras simultâneas no planeta, tanto guerras tradicionais, com bombas e mortandade de seres humanos e tudo que era vivo ao redor dos fronts, quanto guerras não convencionais, guerras cognitivas que farão nossa espécie perder a noção da vida como nós a conhecíamos ao longo de milênios.

Nos fizemos humanos através de acertos e erros individuais e coletivos, seres sociais cooperativos que construíram comunidades inteiras baseadas nas soluções dos problemas e carências por meio de nossa criatividade, pelo intercâmbio mútuo e pelo convívio com os diferentes, mesmo tendo feito muita guerra nessa jornada humana.

No momento, segmentos da nossa espécie, que chamamos de extrema-direita ou grupos com ideários fascistas, organizados internacionalmente, avançam em seu projeto de tornar a humanidade uma espécie baseada no ódio, que se move no mundo através do ódio, e disposta a destruir o mundo para estabelecer uma sociedade humana do ódio.

Se os segmentos fragmentados em zilhões de bolhas sociais e grupelhos com ideários opostos, mais coletivos e com mais responsabilidade em relação ao planeta e às mais diversas formas de vida, que poderíamos chamar de progressistas, humanistas e gente do espectro mais à esquerda na política, enfim, se a parte humana que não se identifica com o ideário da extrema-direita fascista não se unir e agir, o mundo que conhecíamos pode caminhar rumo ao fim.

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Temos que registrar a história e divulgar os feitos humanistas que já fomos capazes de construir

Em minhas reflexões diárias, tenho pensado muito na questão da história e das nossas realizações enquanto coletivos humanos que lutam por um mundo mais justo e melhor para todas as pessoas e para as diversas formas de vida no planeta.

Dias atrás, em um filme de Wim Wenders - Asas do desejo (1987) -, me chamou a atenção um personagem sobrevivente da 2ª Guerra Mundial - Homer (Homero), um senhor que sonha com uma "epopeia de paz" - que refletia o tempo todo sobre a necessidade e importância de registrar e contar para as gerações futuras o que foi aquilo e o que aconteceu no mundo durante aquele período da guerra total. 

Entendo que cada um de nós tem a responsabilidade e o dever de registrar e contar a história, a nossa história, a história da sociedade humana e do mundo, a partir do ponto de vista no qual nos encontramos nessa sociedade e nesse mundo.

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Livro de memórias

Meu livro em fase final de edição é um pouco esse registro e essa narrativa de nossas histórias: Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT. 

Contei nos capítulos momentos da vida sindical e política do autor e do país, desde o mundo no qual pertencia enquanto trabalhador, e a linha geral das memórias foi feita com a consciência de que fui mudando como pessoa a partir do meu encontro com o sindicato de minha categoria, os bancários da CUT.

Terminei ontem a seleção de fotos para incluir no livro. Agora é finalizar a edição e imprimir algumas unidades para presentear alguns amigos e pessoas interessadas nessas histórias. Não tenho a pretensão de lançar e vender essas narrativas.

Ainda como registro histórico e narrativas cotidianas de uma categoria importante da classe trabalhadora brasileira, os bancários, sigo trabalhando nos milhares de textos deste blog, encadernando uma história vitoriosa de uma categoria que enfrenta há décadas os donos do poder, os banqueiros.

É meu dever e minha responsabilidade preservar toda a história que registrei no blog em quase duas décadas de luta sindical e política de nossa gente trabalhadora e do campo da esquerda.

As "nuvens" vão se dissipar - Tenho alertado faz tempo as pessoas que me leem que nós viveremos um apagão nunca visto de nossos registros das últimas décadas, tudo que está nas "nuvens" e no mundo digital será perdido pela sociedade humana. Tudo. E em breve, até porque entraremos em novas fases dessa guerra em andamento, guerra cognitiva e apagamento da história e das verdades reais em troca de pós-verdade, de mentiras divulgadas como manipulação das massas humanas.

Salvem o que produziram de cultura humana nas últimas décadas. As nuvens das big techs não são o lugar para se preservar nossa história humana.

William Mendes

16/06/25 (14h28)

31.10.24

Diário e reflexões

 

Atividade no BB em 2012. Foto: Lazarri.


Osasco, 31 de outubro de 2024. Quinta-feira.


Opinião (18)


O povo não é nem de direita nem de esquerda

Há um processo de politização do povo pela direita, mas podemos politizar as pessoas também se lutarmos contra o sistema de dominação atual


1. INTRODUÇÃO

Escrevo esta reflexão no momento seguinte ao resultado das eleições municipais do Brasil. O articulista é pessoa com experiência na política: fui dirigente sindical e representei com mandatos eletivos a classe trabalhadora por quase duas décadas. Já fui também líder estudantil, síndico de condomínio, membro de conselhos e gestor eleito de autogestão em saúde.

Ao longo de minha vida alternei visões de mundo diametralmente opostas. Sendo hoje uma pessoa materialista e sem nenhum tipo de fé em explicações místicas da vida humana, já fui católico praticante, uma pessoa movida pela fé cristã. Também frequentei e estudei o espiritismo e o candomblé. Já fiz curso completo de gnose, uma escola de autoconhecimento. Diria que sou, hoje, humanista e anticapitalista.

Já tive os preconceitos comuns da cultura brasileira, preconceitos que perduram há séculos nesta ex-colônia sul-americana. O principal preconceito que tive pela minha ambientação dos anos oitenta adiante, quando me tornei jovem adulto no Brasil, foi o preconceito relativo às diversas formas de amor, orientação sexual e relacionamentos humanos, ignorância que só superei ao ser politizado e educado pelo movimento sindical brasileiro.

Já senti ódio, muito ódio em minha vida, e desde pequeno. Já enfrentei um lawfare, um processo administrativo inventado pelos meus adversários políticos para destruir minha história e minha vida. Acreditem: muitas pessoas podem sucumbir aos processos de destruição e assédio. Ninguém merece ser acusado injustamente de algo que não fez. O lawfare teve seu uso político pretendido e depois do objetivo alcançado foi arquivado por falta de provas e materialidade. Acho que minha saúde nunca mais foi a mesma.

Fiz essa introdução em minha reflexão para situar as leitoras e leitores do texto que não tenham o hábito de ler meus artigos no blog, que talvez não me conheçam há mais tempo. Minha experiência de vida e militância exigem de mim um esforço para compreender as questões das diversas formas de fé das pessoas, os ritos e vícios da política sindical e partidária e as causas e efeitos das ferramentas ideológicas do preconceito, que incluem as novas ferramentas tecnológicas das big techs.

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2. A IMPORTÂNCIA DA SOLIDARIEDADE DE CLASSE

Antes de escrever alguma coisa a respeito do resultado dos processos eleitorais que se encerraram nesta semana - com a prevalência expressiva das candidaturas de direita nas cidades do país -, quero registrar algum comentário a respeito da absolvição pelo Supremo Tribunal Federal do companheiro José Dirceu: fiquei feliz com a absolvição. Que bom que lutadoras e lutadores de nosso lado da classe receberam nossa solidariedade nos momentos mais difíceis de suas vidas! Nossos inimigos de classe não têm solidariedade alguma conosco.

Eu não teria como enumerar as diversas lideranças de nosso lado da classe trabalhadora que foram vítimas de novos métodos de assédio, tortura e eliminação da vida política e, inclusive, da vida biológica por parte dos detentores do poder econômico e político instalado no Brasil há cinco séculos: a casa-grande, para resumir os opressores do povo brasileiro.

Pelos papéis que tiveram nas lutas de libertação do povo brasileiro nas últimas décadas, cito as seguintes lideranças de esquerda que sofreram perseguição política e uso da máquina estatal contra suas vidas e suas liberdades: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto, com quem militei no Sindicato dos Bancários. Todos foram vítimas de processos de lawfare para destruir suas vidas e de seus familiares e atingir o Partido dos Trabalhadores e, consequentemente, toda a esquerda brasileira.

O presidente Lula foi vítima de mentiras contra si desde os anos setenta, quando se tornou líder sindical. As mentiras foram escalando até que ele fosse preso sem crime e sem provas por 580 dias para que não disputasse as eleições de 2018. A presidenta Dilma Rousseff foi presa e torturada na juventude por lutar contra a ditadura no país. Após ser eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, sofreu um impeachment sem crime e sem provas. Sofri muito durante esses processos que acompanhei como dirigente dos bancários! A dor era de adoecer por ver fazerem o que fizeram com nossas lideranças!

O mesmo sofrimento e impotência contra a injustiça sentimos quando a casa-grande condenou e ou prendeu sem crime e sem provas José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto. Genoino e Dirceu, lutadores da mesma geração de Dilma e Lula. Gushiken e Vaccari, líderes da categoria bancária do Novo Sindicalismo brasileiro. Acusar lideranças da classe trabalhadora, destruir suas histórias e expô-las à execração pública a partir dos anos dois mil passou a ser a nova ferramenta de tortura e eliminação de lideranças das lutas populares.

Até hoje, temos visto serem inocentadas lideranças populares vítimas de processos de lawfare, como nos casos famosos "Operação Lava Jato" e "Ação Penal 470" (conhecida como "Mensalão" para achincalhar as vítimas). Gushiken foi absolvido por falta de provas pouco antes de falecer em 2013 e a notícia saiu nos rodapés dos jornalões e revistas que o execraram por anos. O mesmo se deu com Vaccari, preso por condenações revistas por falta de provas. Me lembro de ter me posicionado em defesa de Vaccari no auge dos massacres midiáticos que sofríamos em 2015 (ler artigo aqui).

Fico feliz e aliviado pela notícia da absolvição do companheiro José Dirceu neste momento da história brasileira. Sempre suspeitamos das práticas criminosas daquela gente da tal "República de Curitiba". O tempo foi o senhor da razão. Lendo o livro de memórias de Dirceu, temos orgulho das pessoas que ao longo da vida estiveram do lado certo da história, do lado do povo.

Essas revisões tardias de processos criminais inventados contra pessoas que representam a resistência ao avanço das políticas liberais, privatistas e contrárias aos interesses da classe trabalhadora reforçam uma questão central entre nós de esquerda: a necessidade da solidariedade entre nós nos momentos em que estamos sob ataques de nossos inimigos de classe.

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3. NEM DE DIREITA NEM DE ESQUERDA

Tive a oportunidade de participar de reuniões políticas em bases comunitárias nos últimos dois anos. Naqueles espaços de reflexões populares me lembrei muito dos tempos de representação sindical nos bancários e também dos ambientes familiares de muita pobreza e simplicidade.

Sempre que começam as reuniões nas comunidades, as pessoas que se atrevem a se inscrever para falar vão logo marcando suas posições dizendo que não gostam de política, nem dessa coisa de partido A ou B. Aí sim falam da questão do ônibus, do posto de saúde, das carências em casa, da falta de vaga na escola, segurança no bairro etc.

A questão de se classificar alguém como sendo de esquerda ou de direita e outras classificações comuns na boca da militância orgânica dos movimentos sociais ou de acadêmicos e intelectuais passa longe do dia a dia da ampla maioria das pessoas. O povo em geral não gosta de gente de esquerda "cagando" regras para ele.

Se voltar ao tempo em que fazia a base do sindicato, visitando locais de trabalho da categoria bancária ou participando de reuniões, plenárias e assembleias, poderia dizer a mesma coisa em relação a classificações de trabalhadores como de direita ou de esquerda.

Buscando na memória lembranças dos ambientes onde nasci e cresci, a parentada toda e os amigos e conhecidos na adolescência e na primeira fase de adulto jovem é a mesma coisa. Ninguém que conheci tinha esses papos de ser de direita ou de esquerda. 

É evidente que identificar fenômenos sociológicos e definir as coisas do mundo humano é importante para nós que nos interessamos em compreender e mudar a realidade social não natural. 

A desigualdade social, a injustiça contra as pessoas, o privilégio de poucos em contraposição à miséria da maioria, tudo isso são fenômenos não naturais. E podemos mudar a realidade porque somos seres históricos e fazemos a história diariamente.

As ciências humanas que se debruçam sobre os fenômenos sociológicos são necessárias, repito. O mestre Paulo Freire diz que só se educa gente. Ou seja, é possível educar e politizar as pessoas.

3.1. ALGUMAS LEITURAS INTERESSANTES

Eu, particularmente, gosto dos estudos e das conclusões do professor e sociólogo Jessé Souza a respeito do comportamento das classes dominantes e das classes subalternas. Concordo que as elites são corruptas e manipuladoras do povo. Entendo os motivos para ele definir um segmento do povo como "o pobre de direita".

Por outro lado, também apreciei as definições que ouvi dias atrás do professor e historiador marxista Valério Arcary, em entrevista ao Mauro Lopes, ao dizer que não concorda em se chamar um segmento do povo como "pobres de direita". 

Ele alegou na entrevista que importantes camadas da população estão em condições tão precárias de subsistência diária que elas não podem se dar ao luxo de recusar uma cesta básica, um telhado novo, alguma ajuda de políticos que lhes pedem o voto em troca de algo essencial.

Aí, penso na análise do professor Alysson Mascaro, jurista e filósofo do direito marxista, que em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, após o primeiro turno das eleições, disse que a direita e a extrema-direita politizaram o povo, que agora teria uma consciência de direita. Já a esquerda fica defendendo o sistema capitalista, a ordem estabelecida e fazendo coraçãozinho. 

Por fim, cito a tese "Os sentidos do lulismo" do professor e cientista político André Singer como um estudo que fez muito sentido para mim. De maneira geral, gostei das reflexões dele sobre as características do povo brasileiro e o comportamento dos diversos estamentos sociais ao longo das eleições para presidente entre 1989 e 2010. Fiz uma leitura do livro com postagens comentadas. (ler aqui)

Entendi que o que menos pesou no voto das pessoas foram questões como "esquerda" ou "direita" em relação aos candidatos Collor e Lula, FHC e Lula, Lula e Serra, Lula e Alckmin, Dilma e Serra. Os eleitores decidiram de forma muito prática seus votos em relação ao que era melhor para eles e da forma como viam o mundo, incluindo crenças, medos, cultura, preconceitos etc.

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4. QUAL A MINHA OPINIÃO SOBRE O CENÁRIO E SOBRE O FUTURO?

Vivemos um momento histórico com ferramentas tecnológicas que não existiam em outras fases da história humana. O ser humano é um animal movido a paixões e sentimentos, uma espécie que organizou o mundo a partir das abstrações criadas pela mente humana. 

O livro "O verdadeiro criador de tudo", do professor neurocientista Miguel Nicolelis, nos explica isso. A comunicação virtual e as redes sociais dominadas por algumas corporações, as big techs, sincronizam milhões de seres humanos em frações de segundos. 

Num mundo plataformizado e baseado na economia da atenção, viramos commodities e não mais seres livres. O professor e sociólogo Sérgio Amadeu, da UFABC, fala bem sobre o tema.

Quando as ideias que nos movem são inoculadas em nossa mente de forma sistêmica e intencional para ditar nosso comportamento como se dá hoje, questiono se ainda temos "livre-arbítrio".

O sistema capitalista está por trás da organização e movimentação da sociedade humana global. Não vou discorrer sobre isso. Seria exaustivo neste artigo que precisa terminar. Conto com o conhecimento que as leitoras e leitores desta reflexão já possuem.

Como identificação de fenômeno social, concordo com os professores Jessé Souza e Alysson Mascaro. A direita tem sido exitosa em estabelecer suas ideias no cotidiano das pessoas em todos os segmentos da sociedade, inclusive entre as classes subalternas e exploradas. Eu entendo que ser proprietária dos meios de produção e de criação de ideias tem peso central na prevalência das ideias de direita no mundo.

No entanto, tendo a concordar com as impressões dos professores Valério Arcary e André Singer em relação ao comportamento prático que as classes sociais têm na hora de se posicionarem em eleições ou na sobrevivência diária. As pessoas se movem à direita, centro ou esquerda de acordo com seus interesses imediatos e não por adesão ou militância a tais conceitos teóricos.

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ELEIÇÕES MUNICIPAIS BRASILEIRAS: baseado no que estou argumentando, fica fácil compreender o resultado das eleições em 2024, com o domínio amplo dos partidos de direita disfarçados sob a alcunha de "Centrão" em milhares de cidades do país. O dinheiro das emendas do orçamento público irrigando as candidaturas contra nós da esquerda mais os preconceitos e mentiras prevalentes nos meios digitais das plataformas somados aos tradicionais meios da imprensa de direita são bases efetivas da vitória da direita nas urnas. Reconheço, também, a incapacidade atual da esquerda de compreender e representar as necessidades e anseios da classe trabalhadora. Estamos distantes das bases. 

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É verdade que o domínio totalitário dos meios de produção por parte da classe dominante tem pesado para que o mundo experimente essa ascensão das ideias de direita, inclusive sobre as classes vítimas da crise do capital. Somos seres movidos pelas paixões e sentimentos: uma abstração divulgada de forma massiva em segundos pelas redes sincroniza milhões de pessoas - sentimentos como o ódio -, por exemplo. E o ódio cega as pessoas e impede o império da razão.

Na guerra de conquista das ideias, os donos dos meios estão vencendo, mas entendo que nós podemos enfrentar o avanço da direita e extrema-direita, que representam os privilegiados do mundo, nos posicionando a favor da mudança e a mudança está em questionar o sistema vigente - o capitalismo - e exigir outra forma de organização da sociedade humana.

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Contestar o capitalismo e a captura dos recursos públicos em prejuízo do povo e em privilégio de poucos é algo básico para uma liderança ou organização de esquerda.

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5. PARTIDOS, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES

Não acredito em mudanças substantivas e perenes na sociedade humana sem organizações sociais por trás dessas mudanças. Movimentos populares episódicos - uma ocupação, uma greve, uma mobilização por questão A ou B -, por mais que sejam bonitos de se ver, não têm acúmulos crescentes com capacidade de alterar a realidade geral. Eu pensava isso em relação aos Fóruns Sociais Mundiais quando não aceitavam partidos, sindicatos e governos.

É minha opinião que nós temos que ter partidos políticos, sindicatos e associações que liderem movimentos de massas para questionar e forçar as mudanças necessárias para disputar os rumos de uma comunidade humana. 

Temos que ter atuação constante e não só em períodos eleitorais. Ampliar nossa força nos parlamentos deve ser consequência de trabalhos realizados na base o ano todo e com coordenação local e nacional. Temos que mudar essa lógica personalista de nomes e mandatos prevalecerem sobre projetos e coletivos locais, temáticos e programáticos de esquerda, lutas de classe.

Para isso, as lideranças populares precisam exigir as mudanças necessárias das velhas burocracias encasteladas em partidos, sindicatos e associações que são estratégicos para a classe trabalhadora, mas que têm deixado insatisfeitas as bases sociais por completa ausência nas bases.

Tenho visto surgirem novas lideranças nos partidos de esquerda e nos movimentos organizados. Temos que fortalecer e apoiar essa juventude que está dando as caras. 

Se permitirmos que as ideias da burocracia partidária e sindical prevaleçam - ideias de conciliações improdutivas com adversários e inimigos na atualidade e parcerias ruins com nossos algozes -, não mudaremos a realidade na qual as ideias de direita e extrema-direita estão prevalecendo nas camadas populares que, repito, não são nem de esquerda nem de direita.

Nossos partidos de esquerda, sindicatos e organizações populares podem fazer a diferença, mas para isso é necessário que mudem e ouçam as bases e as novas lideranças que estão chegando para fazer história. Que Brasil e mundo queremos em 2035 e 2050? Para pensar 2026 temos que pensar o que queremos para o mundo.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série sobre eleições municipais brasileiras, que termina com este texto de avaliação do processo, pode ser lido aqui.


6.3.24

Diário e reflexões



Esquecer o passado ou falar sobre o passado? Até quando a esquerda vai seguir se dividindo e cancelando quem pensa diferente?

Osasco, 6 de março de 2024. Quarta-feira.


INTRODUÇÃO

Durante muitos anos este blog de política sindical foi base de prestação de contas de mandatos eletivos e de apresentação de ideias, reflexões e proposições do mundo do trabalho. Como exerci mandatos nas áreas de comunicação e de formação política, o blog era uma ferramenta de formação, informação e história, como se observa no mural da página inicial.

Durante alguns períodos da vida nacional, da categoria bancária e até da vida pessoal o blog foi uma ferramenta essencial em minha vida. Após as mudanças ocorridas no país com as manifestações de junho de 2013, depois com o golpe de Estado em 2016 e durante os governos de extrema-direita de Temer e Bolsonaro, muitas vezes compartilhei o que pensava em relação à política aqui neste espaço, até 2018 como um representante da classe trabalhadora, e depois como um cidadão politizado.

Mais recentemente, o blog acabou sendo um espaço onde escrevi um livro de memórias das lutas sindicais, foram 39 capítulos escritos em mais ou menos dois anos. Os textos tiveram uma leitura que me impressionou, mais de 80 mil acessos. Fiquei contente ao perceber que ainda temos leitoras e leitores. Às vezes, me preocupa a ideia da diminuição dos leitores na sociedade atual.

No blog Refeitório Cultural, meu blog de cultura, tenho uma categoria de textos que chamo de "Diário e reflexões", é uma categoria antiga, quase da idade do blog. Nela, cabe de tudo, pois é escrita ao sabor do instante do escritor. No entanto, ficaria um pouco deslocado no blog de cultura uma série de textos mais vinculados com este blog do mundo sindical e do trabalho. Por isso, pensei em criar aqui também, uma categoria de "Diário e reflexões". Eu não estou mais no movimento, nem tenho mandato eletivo. Mas não esqueci tudo que aprendi ao longo de uma vida de militância política.

SOLIDARIEDADE E UNIDADE

Aliás, é sobre isso que talvez eu fale na categoria "Diário e reflexões" deste blog A Categoria Bancária. Ao longo de três décadas de vida política e sindical, sempre aprendi princípios basilares no campo da esquerda organizada. A solidariedade era uma das nossas premissas do movimento de lutas da classe trabalhadora. Outra coisa que me lembro muito dos ensinamentos a partir da militância mais experiente era nunca deixar um companheiro/a para trás. Me lembro até dos discursos que fazia nas reuniões de base quando dizia que militante não se acha em qualquer esquina, então é necessário valorizar e respeitar os militantes de esquerda, independente de suas preferências partidárias ou tendências sindicais.

DEVEMOS ACEITAR CALADOS OS CANCELAMENTOS NO CAMPO DA ESQUERDA?

À medida que as coisas foram mudando na política brasileira com a ascensão das forças conservadoras a partir de 2013 e as forças progressistas passaram a ter que dividir os espaços públicos com um grupamento de gente que não estávamos acostumados a ver nas ruas e espaços comuns, me parece que se acelerou o processo de criação de bolhas de grupos de ideias homogêneas inclusive no campo das esquerdas. Como havia risco de perda de espaço e poder, a esquerda embarcou na mesma lógica de exclusão das opiniões divergentes das pessoas que eram do mesmo espectro político. Divergiu de um(a) líder, tchau!

O mundo é complexo, a sociedade humana é complexa, e não se tem explicação simplória para coisas complexas. As forças de direita atuam bastante através da estratégia de reduções rasteiras e simplórias das coisas. É muito mais fácil manipular pessoas com explicações simplórias e falsas em contextos de crise e em momentos de busca de explicações para insatisfações pessoais e coletivas do que buscar as explicações das dificuldades da vida humana na realidade material, na histórica luta de classes, nas causas e consequências da exploração de maiorias por minorias privilegiadas.

Na última década de militância e mandatos de representação, fui vendo rachas e divisões absurdas no seio de nosso campo político e na esquerda de uma forma geral. A começar pelos rachas em diretorias de sindicatos, federações, confederações e até das centrais sindicais. Como nada é simples, os rachas sempre tiveram uma gama de motivações aparentes. Personalismo, ideias divergentes mesmo, ausência de risco de perda do poder para o verdadeiro inimigo, os capitalistas e donos do poder real, e uma motivação horrível em especial: intolerância! Enfim, motivações variadas levaram a esquerda a um período de grandes divisões que só favoreceram o nosso inimigo de classe.

Durante décadas, a classe trabalhadora construiu grandes frentes de lutas em prol de agendas comuns que eram colocadas como prioridade em relação a agendas corporativas em momentos duros da vida nacional e da maioria do povo, aquela maioria que não pertence ao pequeno universo dos abastados e privilegiados.

ATÉ QUANDO AS ESQUERDAS VÃO SE DIVIDIR?

Hoje, estamos no início do segundo ano do terceiro mandato do presidente Lula, às vésperas de um enfrentamento com os campos conservadores, reacionários e de extrema-direita como nunca vimos antes, uma ordem mundial organizada, e o que eu vejo é o nosso lado dividido até mesmo em eleições corporativas como a da Cassi, autogestão dos funcionários do Banco do Brasil. Duas chapas do nosso campo e uma chapa do inimigo. É impressionante! É um verdadeiro absurdo porque se mostra claramente que a esquerda não aprende nada com a história, nada! Qual o sentido em bases com públicos polarizados 50/50 termos duas chapas de esquerda e uma de direita?

Enfim... Devemos falar sobre o passado, entendê-lo, interpretá-lo ou devemos fazer de conta que o passado não existiu?

Deixar o passado para trás, sem tratá-lo como se deveria, é o que vigora no Brasil há séculos. A extrema-direita e os donos do poder estão mais uma vez convencendo o nosso lado a fazer os devidos acordos para se deixar quieto o passado e começar do zero as coisas (falo dos militares golpistas).

No nosso campo, que deveria ser baseado na unidade e na solidariedade de classe, vigoram os cancelamentos e apagamentos de qualquer militância que alguém em algum lugar julgar ter sido contestado ou contrariado em algum momento da história da vida toda. Uma coisa absolutamente improdutiva e desagregadora no parco campo da esquerda, muito menor que o restante da sociedade humana.

Talvez eu tenha paciência para escrever um pouco sobre isso aqui neste blog de política, blog que já me salvou a vida num momento de lawfare por parte das forças conservadoras que montaram contra mim um desses processos mequetrefes de assassinato de histórias de vida e de aniquilamento de lideranças da classe trabalhadora. O blog me salvou pela forma como eu exercia nossos mandatos publicizando tudo que fazíamos.

O que vem por aí é pavoroso em relação à classe trabalhadora mundial. O amanhã não será melhor que o presente, inclusive por causa da emergência climática. Sem unidade no campo da esquerda, seremos pouco combativos em qualquer frente de luta na qual estivermos empenhados.

Vamos continuar nos dividindo até quando? Até quando a esquerda vai repetir os erros do passado que nos levaram ao retrocesso do golpe de 2016 e ao bolsonarismo? Vamos seguir burocratizados e sem um processo estratégico de politizar a classe trabalhadora?

William Mendes


20.12.12

Pizza na CPI foi a gota d’água (diz Eduardo Guimarães)


Comentário do blog:

Eu assino embaixo o desabafo de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania.

Faço das palavras dele as minhas de cidadão e militante de esquerda.

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A CPI do Cachoeira terminou em pizza, segundo os petistas e seus aliados membros da Comissão. E eles estão mais do que certos. PMDB e PSDB fizeram uma negociata que gerou a revoltante impunidade daquele que pode ser considerado o sócio oculto do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o governador de Goiás, Marconi Perillo.

Seria ocioso repisar, detalhadamente, o envolvimento escandaloso de um governador de Estado com um criminoso como Cachoeira. A profusão de fatos que comprovam a sociedade entre o tucano e o bicheiro é por todos conhecida, mas, para não passar em branco, vamos a alguns desses fatos.

- A Polícia Federal captou conversas entre o governador e o bicheiro em que marcavam reuniões e confraternizavam.

- Perillo e Cachoeira transacionaram um imóvel de alto valor com pagamento adicional “por fora”.

-A Polícia Federal captou conversas de membros da quadrilha afirmando que Perillo nomearia pessoas para cargos no governo de Goiás e essas nomeações aconteceram.

-Comprovou-se entrega de altas somas por emissários de Cachoeira no Palácio do governador tucano.

Isso não é tudo, mas deveria ser o suficiente para qualquer cidadão decente se indignar com a união entre PSDB e PMDB na CPI para proteger o quadrilheiro que governa Goiás e o empreiteiro Fernando Cavendish, da cota peemedebista. Contudo, os que trabalham pela impunidade do governador e do empreiteiro perderam qualquer traço de vergonha na cara.

Pode-se dizer, portanto, que o esquema criminoso em Goiás sobreviveu, pois um dos seus dois chefes não só não terá que responder por seus crimes como continua no comando de uma administração pública infestada de corruptos.

Enquanto isso, o Ministério Público não apresenta conclusão alguma sobre o inquérito que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, só abriu contra Perillo porque este pediu (!?), apesar de tudo que foi enumerado acima.

A isso, soma-se o engavetamento, pelo mesmo Gurgel, de investigação da Polícia Federal que terminou com a prisão de Cachoeira e o desmonte parcial de seu esquema criminoso, sem que, até hoje, o procurador-geral tenha dado qualquer explicação para sua omissão em instalar a investigação.

E nem vamos falar da Privataria Tucana, da lista de Furnas, do envolvimento de Policarpo Jr., da Veja, com o esquema Cachoeira e outros escândalos recheados de provas que o Ministério Público e o Legislativo acobertam.

Vai muito mal, o Brasil. Enquanto uns são acobertados e ainda tripudiam sobre as leis e o Direito, outros são condenados à prisão sem provas, com base em suposições. O Judiciário afronta o Legislativo usurpando sua competência, o Ministério Público atua de forma nitidamente partidária, poupando uns e acusando outros.

O governo Dilma, por sua vez, age como se não fosse com ele. Não trabalha pela regulação da comunicação e não exerce o seu direito de protestar contra a impunidade dos adversários políticos e a politização do Ministério Público e do Judiciário, gerando, assim, ao menos um fato político.

Isso sem falar na nomeação de procuradores-gerais e juízes do STF tendenciosos pela presidente da República, o que gera temor de que ela pode continuar nomeando de olhos fechados.

Os resultados políticos desse “pragmatismo” da presidente e do seu partido está sendo a destruição do Estado de Direito e a solidificação da corrupção no Brasil, com a solidificação de uma classe de inimputáveis que pode roubar à vontade com o beneplácito do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.

Enquanto cidadãos como este que escreve se expõem à sanha de pistoleiros das quadrilhas que aprisionaram parte do Estado ao promoverem ações na Justiça, manifestações etc., o governo fica de quatro, com a língua de fora, esperando um chamado da imprensa aliada ao crime organizado para lhe dar gostosas e sorridentes entrevistas.

O Brasil, pois, precisa de um líder político corajoso. Sem reação, a direita midiática retomará o poder e dele não sairá nunca mais, pois, nessa batida, todo aquele que se opõe frontalmente será acusado e condenado sem provas.

Não se esqueça, leitor, de que venho anunciando há anos o golpismo que poucos governistas negam hoje. Diziam que “não havia clima” para golpe. Quando eu dizia que havia outras formas de golpear a democracia, esgrimiam com as pesquisas. Ora, de que adianta pesquisa e voto se o político não puder disputar eleição ou se, eleito, for apeado do cargo?

Era para o PT estar levando sua militância às ruas, a presidente estar discursando contra a impunidade dos adversários e condenação sem provas de seus aliados, mas não. O partido se limita a declarações soltas, alguns comunicados que não geram consequências pela timidez e a presidente nem abre a boca.

O que é que estamos fazendo aqui, então? De que adianta nos expormos dessa forma se o governo e o partido do governo não ecoam a indignação de milhares de pessoas que todos já viram nesta página clamando por reação?

Este blogueiro gasta dinheiro que não tem para manter um blog e um movimento social, fazer intermináveis ligações telefônicas, viagens para participar de seminários, lidera ações concretas, interrompe sua atividade profissional remunerada, expõe-se até a ameaças de violência física… E tudo isso para quê?

O PT e seus aliados entre movimentos sociais, sindicatos etc., bem como o governo, teriam meios de reagir. Com o concurso das principais lideranças petistas, sobretudo Lula e Dilma, poderíamos denunciar que está surgindo no Brasil um grupo político inimputável, que pode roubar descaradamente, à vista de todos, e nada acontece.

O que está acontecendo é a ponta do iceberg. Em 2014, a direita midiática completará 12 anos fora do poder e não aceitará que sejam 16. Que Dilma e Lula não se enganem: serão impedidos de disputar a próxima eleição. E se o PT e o governo não se mexerem a partir de agora, que não contem comigo quando o circo pegar fogo.

http://www.blogdacidadania.com.br/

29.11.12

Artigo: Meu repúdio ao Felipão e à burguesia desinformada



Opinião

"Se não quer pressão é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil, num escritório", disse Felipão.


A Contraf-CUT fez uma nota de repúdio bastante educada ao técnico da seleção de futebol da CBF, Luiz Felipe Scolari.

Essa fala infeliz desse babaca infeliz é fruto do que significa a total ignorância da chamada classe média e/ou da burguesia brasileira.

Eu me esforço para ter paciência com a ignorância dos infelizes que só têm em seu repertório de comentários e observações, as bobagens e desinformações produzidas pela imprensa comercial brasileira, que nós chamamos de PIG - Partido da Imprensa Golpista.

Esses brasileiros desinformados (ou autoenganados) que só leem Folha, Estadão, Globo e revistas da Abril, e se baseiam nas imbecilidades ditas pela pauta dos jornais dessas famílias, não conhecem o mundo real da sociedade brasileira.

Pessoas que herdaram ou acumularam algum patrimônio - inclusive negros como Pelé, artistas, modelos e boleiros como o Felipão -, acabam reproduzindo o preconceito e a construção ideológica da burguesia patrimonialista branca (saibam os mais jovens que o Pelé foi contrário às eleições diretas, ao voto do povo, dizendo que povo não sabe votar).

Esses grupos que estou citando, em geral, se acham "bem-informados" por ler e assistir as desinformações e deturpações daquelas poucas famílias que detêm o poder secular de impressão da opinião "deles", e possuem todas as concessões de rádio e televisão.

Quando é que aparece a visão da classe trabalhadora e das minorias nessas porcarias da grande mídia? É por isso que esses grupos que cito, que se acham "bem-informados", falam e expressam opiniões tão imbecis e deslocadas da realidade: falta de repertório!

Se a burguesia brasileira lesse algo que presta, talvez fosse menos ignorante.

Para finalizar, desejo que o Felipão e essa seleção da CBF (não têm nada a ver com o meu país) se deem muito mal e desejo que algum dia o país faça uma devassa nas contas e nos apaniguados da CBF.

Meu Brasil não é essa merda de seleção da CBF!

William Mendes

7.10.12

Artigo: Eleições, democracia e fascismo - se a direita quiser guerra, eu topo!




ELEIÇÕES


Votei hoje na legenda do PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT). Não tenho dúvida de que é a melhor opção para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora em qualquer cidade do BRASIL (mesmo estando na bronca com algumas políticas liberais do partido).


DEMOCRACIA

Vivemos um momento dramático na vida brasileira em relação às instituições basilares na manutenção da democracia e da Constituição Federal - executivos, legislativos, e judiciário.

Desde a eleição do PT em 2002, a elite tacanha e os Donos do Poder pensam formas de recuperar o poder político na marra, já que as mudanças positivas no Brasil nestes dez anos administrados pelo PT (Lula e Dilma) não lhes permite isso no voto.

A parceria da oposição partidária ao governo do PT com os principais veículos comerciais e privados de imprensa e televisão conseguiu agora fazer a principal instância judiciária do país (STF) rasgar sua história e a principal corte inventa condenações sem provas na Ação Penal 470 ("mensalão" o cacete!), num verdadeiro ato político contra um governo eleito (Lula) e um partido que o sustenta (PT).

Como cidadão politizado e militante que ajudou a construir este novo Brasil nos últimos dez anos, começo a sentir o mesmo ódio da elite e burguesia que me alimentou por toda uma vida.

FASCISMO

Aliás, por falar no sentimento de ódio que volto a sentir da elite e da burguesia, o candidato do PSDB a tudo (José Serra) conseguiu um feito inédito no Brasil nos últimos anos. Ele está criando aqui todas as raízes do fascismo e nazismo que tantos males já causaram ao mundo.

Graças ao incentivo das campanhas deste senhor José Serra, cresce no país o ódio de raça, de classes, religioso e de origens.

Como perderam na política na última década, prega-se o nojo e o fim da política.

Já tenho mais de quarenta anos, mas se a receita da direita é o fim da política e a destruição das instituições que resguardam a democracia como o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, vamos à guerra e VIVA A INTOLERÂNCIA!

Vamos nos eliminar! Não é isso que a elite brasileira quer - o fim da democracia e a guerra civil -, capitaneada pelo PSDB, GLOBO, FOLHA, ESTADÃO, ABRIL?

EU TOPO!

Se quiserem derrubar a classe trabalhadora com golpes no Judiciário, na mídia ou de outra forma, eu topo defender os avanços conquistados para o povo brasileiro e a classe trabalhadora nesta década.

TÔ DE SACO CHEIO DESSA MERDA IMPUNE DO STF, PSDB, PIG!

William Mendes
Cidadão


PS: liguei há pouco para meus pais em Uberlândia (MG) e minha mãe, que está com a coluna fraturada e de cama, se virou e foi votar para exercer seu direito e sua cidadania. Ela e meu pai, mesmo com vários problemas de saúde, foram votar em GILMAR MACHADO PT 13 para prefeito em Uberlândia.

Parabéns mãe e pai! Vocês são referência de vida pra mim!


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Post Scriptum II (30/3/16):


Pois é, o Sr. Jorge Lapas, eleito prefeito de Osasco em 2012 com o meu voto na legenda do Partido dos Trabalhadores, não na pessoa dele, anunciou nesta segunda 28/3/16 a saída do partido que o elegeu prefeito.

Que nojo deste sujeito e do que estão fazendo com a política. Traiu o meu voto de cidadão de Osasco.

Num momento em que o PT sofre um ataque nazifascista, esses ratos abandonam o navio e traem o voto dos eleitores.

"Carta aberta à população de Osasco

Meu caro cidadão,

Nas últimas semanas fui confrontado com a necessidade de uma decisão difícil. Os amigos, as pessoas mais próximas e os que acompanham de perto o meu trabalho sabem o quanto tem me angustiado a questão política em nossa cidade.

Fui eleito prefeito de Osasco pelo Partido dos Trabalhadores, ao qual fui filiado nos últimos 11 anos. Neste período, fiz grandes amigos, aprendi muito e, principalmente, encontrei pessoas dispostas a se doarem integralmente em nome da construção de nossa cidade.

São lideranças comunitárias, partidárias, lideranças religiosas, empresários e milhares de cidadãos que uniram forças ao torno do nosso projeto de cidade para que juntos pudéssemos começar uma revolução do bem em Osasco.

Nesta jornada, todas essas lideranças foram e são consultadas o tempo todo, dentro de um entendimento de que a sabedoria coletiva é muito maior do que opiniões individuais.

No entanto, o interesse coletivo e tudo que estamos construindo até aqui está ameaçado.

Como se não bastasse o momento delicado pelo qual o PT está passando no cenário nacional, no âmbito municipal a legenda vem se deixando levar por visões e interesses individuais, que dividem o partido e promovem um clima de insegurança e instabilidade em nossos aliados.

A desunião e fragilidade resultantes dessa disputa interna transmitem para aqueles que participam conosco dos avanços de Osasco, um clima de incerteza e uma mensagem que contradiz as propostas de transformação que a legenda se propôs realizar em nossa cidade.

Por isso, por ouvir a população, e em respeito ao clamor de diversos segmentos da nossa sociedade, tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida.

Estou seguindo um novo caminho político e me filiando ao Partido Democrático Trabalhista, o PDT. A legenda, histórica na defesa dos princípios da democracia e dos direitos dos trabalhadores brasileiros, me recebeu de braços abertos.

O que torna o momento um pouco menos difícil é o fato de que não decido isso sozinho, mas apoiado pela opinião de tantas e tantas pessoas que também amam a nossa cidade.

Faço a mudança no sentido de deixar claro aos nossos aliados e a toda nossa população, que Osasco é muito maior do que um partido ou grupo político.

Tenho confiança de que nossas lideranças comunitárias, sindicais e religiosas, nossos trabalhadores e empresários e os cidadãos de bem de Osasco não vão permitir que nosso trabalho, que nosso projeto de cidade seja interrompido por um grupo de pessoas movidas apenas por interesses pessoais, pequenos demais e incompatíveis com a grandeza de nossa cidade e o futuro de nossos filhos.

Que todos possam ter a certeza de que os avanços vão continuar.

Um forte abraço,

Jorge Lapas
Prefeito de Osasco"

30.9.12

Artigo: Uma acusação infamante movida pelo preconceito - J. Carlos de Assis



Reproduzo abaixo o excelente artigo do economista J. Carlos de Assis sobre o MASSACRE ILEGAL PRATICADO PELO STF no chamado caso "mensalão", uma construção da direita brasileira mantida como vingança pela eleição por 3 vezes consecutivas do Partido dos Trabalhadores ao maior posto político do país - a presidência da república.

O que o STF está fazendo em inventar novos "crimes" sem provas para condenar por questão política membros da base aliada do governo do PT me envergonham e fazem cair por terra meus argumentos de defesa nas disputas de hegemonia na sociedade via política e não via guerra. O STF está emporcalhando a Justiça do país. (William Mendes)

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ARTIGO

Não sou do PT, nunca fui e não pretendo ser. Mas, longe de ter o talento de Zola, move-me o sentimento de justiça que o levou a escrever “J’acuse”, em relação ao processo injusto contra, principalmente, José Dirceu. É necessário um enorme contorcionismo jurídico deduzir o crime de formação de quadrilha de um encontro formal ou informal com dirigentes de bancos.
Desde a infame condenação do capitão Dreyfus pela Justiça Militar francesa no início do século XX sabe-se que a opinião pública, sensível a preconceitos e desorientada pela imprensa, nem sempre é a melhor conselheira de julgamentos que envolvem aspectos políticos apaixonados. Guardadas as distâncias de época e de tema, estamos diante de nosso caso Dreyfus no julgamento de alguns dos réus do chamado mensalão. Entre os principais deles, José Dirceu e José Genoino.

Refiro-me especificamente à imputação do crime de formação de quadrilha a esses dois dirigentes. No caso de Dirceu, então Chefe da Casa Civil, é necessário um enorme contorcionismo jurídico para deduzir o crime de formação de quadrilha de um ou de outro encontro formal ou informal com dirigentes de bancos, na medida em que receber pessoas, empresários ou não, estava entre suas atribuições funcionais. Sem o crime de quadrilha, porém, não haveria base para o crime de corrupção ativa, a outra imputação dele derivada. Daí o contorcionismo.

Na verdade, há algo de podre no reino desse julgamento. Misturaram-se crimes reais com crimes fictícios, e crimes reais com irregularidades eleitorais que não estão capituladas como crimes (caixa dois de campanha). O que está sendo apresentado como comportamento exemplar da Justiça no fundo não passa de exemplo da tendenciosidade do Judiciário. É importante, pois, reconstituir os fatos passo a passo para tentar obter uma visão imparcial do conjunto.

Tudo começa com a “denúncia espetacular” de Roberto Jefferson, não motivada por sentimentos de justiça mas como vingança por causa da exposição do esquema de corrupção do PTB, sob sua presidência, apanhado em plena tentativa de achaque ao PT. Da denúncia “bombástica”, por si mesma um meio de suscitar paixões na opinião pública acrítica, surgiu o inquérito pela Polícia Federal, que identificou outros beneficiários de esquemas de caixa dois de partidos aliados para cobrir supostas despesas eleitorais. Foi esse inquérito que resultou na denúncia formal de uma “quadrilha” chefiada por José Dirceu por parte do então Procurador Geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Passado algum tempo, o novo Procurador, Roberto Gurgel, vice do anterior, seguiu a mesma linha, repetindo a denúncia infamante de “quadrilha”. Carregar na denúncia é, aliás, quase um vício de ofício de qualquer promotor. Mas o ministro relator do STF, Joaquim Barbosa, não quis parecer frouxo: acolheu no seu voto o mesmo epíteto infamante. Não é preciso ser um especialista em reações de opinião pública para concluir que esses três movimentos se reforçaram na relação com ela. O procurador Antônio quis apresentar uma denúncia espetacular; Gurgel, seu vice anterior, não poderia ficar por menos. Nessa altura, excitada pelos dois procuradores, grande parte da opinião pública queria ver sangue. Barbosa lhe deu!

No fundo, estamos diante de um espetáculo de demagogia por parte de funcionários públicos que, não dependendo de votos, deveriam ser guardiães imparciais da Justiça mas na verdade agem partidariamente. Alguns dizem que Dirceu é arrogante. Nas poucas vezes em que tratei com ele, não percebi nenhuma arrogância. Entretanto, se este for o caso, é preciso, desde logo, capitular arrogância no Código Penal que está sendo reformado tendo em vista a única jurisprudência nova que este julgamento está produzindo, ao lado da formação de quadrilha num conluio invisível “entre quatro paredes”.

Há em tudo isso um preconceito contra a democracia por parte dos que jamais aceitaram o fato de o PT ter ganhado duas vezes pelo voto a Presidência da República. Esclareço que não sou do PT, nunca fui e não pretendo ser. Mas, longe de ter o talento de Zola, move-me aquele sentimento de justiça que o levou a escrever “J’acuse”, em relação ao processo injusto contra, principalmente, José Dirceu. Se ele chefiou uma quadrilha, todos os partidos políticos do Brasil são quadrilhas. Se ele não chefiou, e vier a ser condenado, este Supremo mergulhará em indignidade. E teremos de esperar uma outra composição dele para que, no futuro, como aconteceu com Dreyfus, a Justiça brasileira venha a se desculpar perante Dirceu e Genoino.

(*) Economista e professor da UEPB, presidente do Intersul, autor junto com o matemático Francisco Antonio Doria do recém-lançado “O Universo Neoliberal em Desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna sai às terças também no site Rumos do Brasil e no jornal carioca Monitor Mercantil.

10.6.11

Comissão da Câmara aprova PL que escancara terceirização no Brasil (se trata de um atentado aos direitos humanos!!)


Edvard Munch: poderia estar
reproduzindo o sentimento do
trabalhador sobre a terceirização.

Os direitos dos trabalhadores sofreram um duro golpe na quarta-feira, 8, com a aprovação pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara Federal do Projeto de Lei (PL) nº 4330/04, do deputado Sandro Mabel (PR-GO), que regulamenta a terceirização e abre espaço para a precarização geral das relações de trabalho.

O texto aprovado, de relatoria do deputado Silvio Costa (PTB-PE), autoriza a terceirização de todo serviço, incluindo as atividades-fim, tanto de empresas privadas quanto públicas. Além disso, estabelece a responsabilidade subsidiária para o contratante em relação às obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços.

"O PL escancara a possibilidade de terceirização de qualquer processo e etapa do trabalho, sem distinguir entre atividade fim e meio. Assim, precariza por completo as relações de trabalho no Brasil, frustra as negociações de acordos e convenções coletivas e mantém os terceirizados à margem dos direitos", lamenta Miguel Pereira, secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT e integrante do Grupo de Trabalho sobre Terceirização da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Miguel destaca que, no Brasil, a experiência do movimento sindical mostra que terceirização de serviço tem sido sinônimo de precarização dos direitos dos trabalhadores. Pesquisas do Dieese mostram que trabalhador terceirizado recebe, em média, 1/3 do que ganham os trabalhadores contratados diretamente, sem contar outros direitos que lhe são negados.

"Na prática, esse projeto nefasto propõe a desregulamentação das relações formais de trabalho, negando a CLT e toda a legislação trabalhista", sustenta Miguel. "Ele representa praticamente o fim das categorias formais, reguladas por acordos e convenções coletivas negociadas pelos sindicatos, jogando por terra toda a história de luta dos trabalhadores. É um ataque à própria Constituição Federal, que assegura o valor social do trabalho como base estruturante da sociedade brasileira", diz.

Tramitando na Câmara há sete anos, o projeto de Sandro Mabel enfrenta forte resistência do movimento sindical, que por várias vezes conseguiu barrar seu avanço no Legislativo. "O projeto já era muito ruim para os trabalhadores, mas as emendas incluídas pelo relatório de Silvio Costa o pioraram e muito", ressalta Miguel.

Em entrevista à Agência Câmara, o deputado federal Vicentinho (PT-SP) critica a falta de limites estabelecida pelo PL4330/04 e promete lutar contra ele na Câmara. "Do jeito que está o projeto, tudo pode ser terceirizado. O ideal seria acabar [com a terceirização], mas, como isso não é possível, regulamentar para garantir dignidade e direitos aos trabalhadores. Por isso, a nossa posição é contrária", afirmou Vicentinho.

Vicentinho é autor de outra proposta sobre o tema (PL 1621/07), apoiado pelo movimento sindical, que proíbe a terceirização da atividade-fim da empresa. Segundo o projeto do deputado petista, a atividade-fim só poderá ser desenvolvida por funcionários diretamente contratados, com vínculo de emprego. Além disso, determina a responsabilidade solidária entre a contratante e a prestadora do serviço pelas obrigações trabalhistas, previdenciárias e quaisquer outras decorrentes do contrato de prestação de serviço. Na avaliação de Vicentinho, isso é necessário para garantir os direitos trabalhistas do terceirizado.

A aprovação do PL na CTASP ocorreu no mesmo dia em que, após pressão das centrais sindicais, foi realizada a primeira reunião da Comissão Especial sobre Terceirização no âmbito do Congresso Nacional. "Um tema dessa complexidade precisa de um debate amplo com a sociedade antes de sua aprovação, jamais da forma como ocorreu na Comissão", sustenta Miguel.

A proposta precisa tramitar ainda na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara e, se aprovada, será encaminhado para votação em plenário.

Mobilização

A CUT convoca os sindicatos para participarem de Audiência Pública sobre o tema, a ser realizada na próxima quarta-feira, dia 15, às 14h30, no plenário 13, anexo 2, da Câmara dos Deputados. No mesmo dia, às 10h, ocorre reunião do GT de Terceirização da CUT, no escritório nacional da Central, em Brasília.

Os trabalhadores discutirão o tema também com o Poder Executivo, uma vez que, em dezembro de 2009, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluiu, a pedido do então presidente Lula, uma proposta de regulamentação da terceirização que ia em direção contrária à do PL de Sandro Mabel.

A proposta construída estabelecia, entre outras questões, o princípio da responsabilidade solidária entre contratante e contratada e garantia direitos iguais de benefícios e salários entre todos os trabalhadores. "Ou seja, se as empresas quisessem terceirizar enquanto ato de gestão, poderiam fazê-lo, mas não para reduzir custo de pessoal ou precarizar o trabalho. Vamos procurar o MTE e cobrar um posicionamento do Executivo contra o projeto de Mabel", sustenta.

O dirigente sindical considera fundamental a mobilização de toda a sociedade contra o projeto. "Empobrecer a classe trabalhadora empobrece o país como um todo e concentra renda e riqueza. O Brasil é signatário de uma Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que trata da implementação do Trabalho Decente e este projeto vai contra esse objetivo", conclui.

Fonte: Contraf-CUT


COMENTÁRIO:

ACREDITO QUE TEREMOS QUE ORGANIZAR UMA GREVE GERAL AINDA ESTE ANO PARA REVERTER ESSA DERROTA TERRÍVEL PARA A CLASSE TRABALHADORA!!

NÃO TÔ FALANDO QUE SÓ ESTÁ AVANÇANDO A PAUTA DA DIREITA E DO CAPITAL...

9.6.11

Artigo: A pauta... governo Dilma está seguindo até agora a pauta da direita


Opinião

Eu ajudei a eleger este governo porque entendo que o projeto de continuação do que o presidente Lula da Silva fez em 8 anos é fundamental para seguir desenvolvendo o Brasil com distribuição de renda e mais justiça social.

Já estamos há 6 meses no governo Dilma Rousseff e até agora a classe trabalhadora não teve sua PAUTA atendida e negociada de forma a avançar nas conquistas.

As medidas até agora são muito preocupantes para a classe trabalhadora. A PAUTA que avança é a das elites neoliberais e da direita.

- A TRAGÉDIA DA TAXA SELIC A 12,25% SUGANDO A RENDA PÚBLICA PARA BENEFICIAR OS QUE LUTARAM CONTRA O GOVERNO DO PT E O POVO BRASILEIRO

- A PROPOSTA DE PRIVATIZAÇÃO DOS AEROPORTOS BRASILEIROS

- A APROVAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL QUE PREMIA QUEM DESMATA E INCENTIVA A ACABAR COM A AMAZÔNIA E O CERRADO BRASILEIRO.

- AS RESOLUÇÕES DO BANCO CENTRAL QUE COLOCAM EM RISCO A EXISTÊNCIA DA CATEGORIA BANCÁRIA EM FAVOR DOS BANQUEIROS TERCEIRIZAREM TODO O SERVIÇO BANCÁRIO COM PRECARIZAÇÃO E EXPLORAÇÃO DE MÃO DE OBRA BASEADA EM SALÁRIO MÍNIMO E EXPONDO O POVO À INSEGURANÇA DOS CORRESPONDENTES BANCÁRIOS.


MINHA PAUTA

Eu sigo minha luta e minha militância como sindicalista representante do segmento bancário.

Vou lutar para organizar a maior greve dos últimos 20 anos no Banco do Brasil e demais bancos para combater um dos piores momentos para se trabalhar lá das últimas décadas, pois correm solto o ASSÉDIO MORAL, a TERCEIRIZAÇÃO e o BANCO DO BRASIL ATUA COMO BANCO PRIVADO.

Vou lutar contra a pauta de direita do governo federal.

William Mendes
Secretário de formação da Contraf-CUT

24.1.11

Artigo: Você conhece São Paulo? - Eduardo Guimarães


Apresentação do blog:

São Paulo faz aniversário. Reproduzo artigo de Eduardo Guimarães que assino embaixo. É uma biografia da cidade!


Você conhece São Paulo?


Por: Eduardo Guimarães

Como definir a cidade e o povo de São Paulo? Aliás, como definir o que é a cidade de São Paulo, se a dita “grande São Paulo” interconecta-se com o município que sedia a capital do Estado que leva o mesmo nome que o seu? E por último: existe uma única cidade de São Paulo, do ponto de vista da organização social, política e econômica?

Ao se aproximar o 457º aniversário da capital paulista, é obrigatório escrever sobre essa cidade que concentra amores e ódios de todo o país. Uma cidade que sustenta, como nenhuma outra, os políticos de direita que se tornaram a cabeça de um dos dois polos do grande embate político nacional, mas que também abriga a resistência mais aguerrida a eles.

São Paulo abriga e privilegia a direita demo-tucana de prominência nacional. Foi e continua sendo o “quartel-general” de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra. E como a maioria da população autóctone apoia esses políticos, a cidade atrai uma antipatia política imensa.

Sobre o conceito que o resto do país tem dos paulistanos, apesar do discurso de que São Paulo seria amistosa, abrigaria imigrantes de todas as partes do Brasil e do mundo etc., etc., o fato é que esse povo é considerado frio, inamistoso, arrogante e preconceituoso, apesar de ser o mais mesclado do país, tanto do ponto de vista étnico quanto de origem geográfica.

É injusta a má fama política de São Paulo? É verdadeiro o discurso da grande imprensa e da elite étnico-financeira-empresarial de que é “acolhedora” e “plural? É possível extrair uma única conclusão sobre a cidade e seu povo?

Em primeiro lugar, há que entender que São Paulo é muitas. A cidade é marcada, talvez como nenhuma outra, pela desigualdade, que se torna mais visível devido a não haver a separação entre pobres e ricos que se vê, por exemplo, no Rio de Janeiro, onde rico fica perto da praia e pobre, longe.

Nesse aspecto, apesar de ter bairros miseráveis e abandonados nas franjas da cidade, em um nível de carestia e precariedade que muitas vezes lembra o de países intermediariamente pobres da África – há bairros da capital paulista que lembram os bairros pobres de Luanda, em Angola, por exemplo –, não separa ricos de pobres, ao menos geograficamente.

A convivência entre mansões, condomínios de luxo, shoppings e centros empresariais com favelas em que o esgoto corre a céu aberto ou com famílias entrincheiradas sob viadutos em habitações precárias, é chocante e comum por toda a região metropolitana da capital paulista.

Nesse aspecto, portanto, São Paulo é uma só. E não termina nos limites oficiais do município, pois as cidades limítrofes padecem dos mesmos males, todas oferecendo péssimos serviços públicos e baixas condições de vida para os mais humildes. Tanto é assim que se passa de São Paulo a Osasco, por exemplo, e não se nota diferença alguma.

Também não se pode dizer que São Paulo é amistosa e acolhedora. Você não hospeda uma visita debaixo da escada. Pelo contrário: São Paulo é hostil com os imigrantes. A população mais antiga da cidade tem ódio deles, principalmente quando vêm do Norte e do Nordeste.

Felizmente, porém, a necessidade de atrair mão-de-obra de outras partes do país para fazer os serviços pesados e insalubres que a população mais antiga da cidade não queria e não quer fazer, tornou esses paulistanos “da gema” uma inexpressiva minoria, encastelada nos bairros ditos “nobres”, onde as administrações municipais – com raras exceções –, ao longo da história, sempre gastaram a maioria dos impostos de todos.

Há, porém, uma dissidência de natureza político-sindical-acadêmica, em São Paulo, que faz barulho, que luta com unhas e dentes e que grita, desesperada, para que a maioria prejudicada por falta de instrução formal e política perceba que é usada para manter os privilégios das classes mais abastadas, sendo convencida pela mídia local a votar em seus candidatos.

Paradoxalmente, uma população que, em ampla maioria, não lê, não quer saber de política, nada entende de política, sofre imensa influência da grande imprensa escrita local, que vende suas teses conservadoras a uma elite que a massa empobrecida acha que deve seguir na esperança de que algum dia poderá emular se adotar as suas convicções políticas e ideológicas.

Um dos aspectos mais impressionantes da falta de cultura política e cidadã dos paulistanos reside no discurso que entoam diante das tragédias que as chuvas provocam todos os anos. Do mais rico ao mais pobre, do doutor ao faxineiro, todos acusam “esse povo” de ser o responsável pelas enchentes por “atirar lixo na rua”.

Acredite quem quiser: os nomes dos governadores e prefeitos que, nos últimos anos, permitiram que as enchentes aumentassem tanto, não apareceram na imprensa local ao longo das últimas semanas. Em vez disso, a grande maioria dos paulistanos execra a si mesma e a Lula pelo problema que enfrenta ano após ano.

A vida em São Paulo se tornou insuportável. Sair de automóvel, por exemplo, virou risco de enorme prejuízo material e até à própria vida. Em um fim de semana, quem mora longe das regiões que abrigam shoppings, restaurantes ou casas noturnas, para desfrutar dessa ampla gama de prazeres consumistas tem que se meter em congestionamentos intermináveis.

Com uma imprensa chapa-branca, que trata os governantes locais a pão-de-ló – menos quando são do PT –, o paulistano não sabe de quem cobrar melhora na qualidade de vida. E, mais do que isso, não acha possível que melhoras ocorram, conformando-se com tudo de ruim que a cidade vai colocando em seu caminho de forma progressiva, ano após ano.

São Paulo é a cidade de um povo absolutamente domesticado, em sua imensa maioria. Não sendo capaz de cobrar melhoras dos governos municipal e estadual, não tem muita chance de se tornar uma cidade com melhor qualidade de vida, até porque cobra do governo federal aquilo que ele não tem competência legal para fazer.

E o que é pior: quando o governo federal foi ocupado pelo PSDB, o povo cobrava da oposição petista os problemas municipais e estaduais, o que induz à crença de que mesmo no dia em que os coronéis políticos locais governarem tudo – cidade, Estado e país –, continuará sem saber cobrar quem tem que ser cobrado.

Apesar da pujança econômica, auferida através dessa escravização de corações, mentes e corpos da população, São Paulo é isso: o cemitério da cidadania, o Olimpo da arrogância racial e de classe; uma terra de injustiça, violência, sujeira, egocentrismo, superficialidade, xenofobia e ignorância.

Todavia, por ser filho, neto, bisneto e tetraneto de paulistanos, este blogueiro não saberia viver em outro lugar. Talvez porque, lá no fundo, acalente a esperança de que um dia será possível despertar a sua comunidade desse transe profundo em que foi atirada pela pior imprensa e pelos políticos mais calhordas do país.

Fonte: Blog da Cidadania

20.11.10

Artigo: Nossa guerreira Dilma Rousseff, Presidente do Brasil, diz (sob tortura em 1970) por que combatia a ditadura militar



Apesar de estar enojado com a atitude da imprensa golpista e dos derrotados da direita na eleição brasileira e não concordar com esta exposição nojenta do processo fraudulento da ditadura contra a militante socialista Dilma Rousseff, destaco aqui um pequeno excerto do depoimento - arrancado sob tortura - de nossa presidente eleita Dilma Rousseff explicando porque combatia a ditadura militar brasileira:

"Em depoimento à justiça militar, em 21 de outubro de 1970, Dilma contou ao juiz da 1ª Auditoria da 2ª Circunscrição Judiciária Militar que foi seviciada quando esteve presa no DOPS, em São Paulo. O auditor não perguntou quais tinham sido as sevícias. No interrogatório, Dilma explicou ao juiz por que aderiu à luta armada. O trecho do depoimento é este: ‘que se declara marxista-leninista e, por isto mesmo, em função de uma análise da realidade brasileira, na qual constatou a existência de desequilíbrios regionais de renda, o que provoca a crescente miséria da maioria da população, ao lado da magnitude riqueza de uns poucos que detêm o poder e impedem, através da repressão policial, da qual hoje a interroganda é vítima, todas as lutas de libertação e emancipação do povo brasileiro. Dessa ditadura institucionalizada optou pelo caminho socialista’." (trecho de matéria nojenta no site do jornal O Globo, de 19/11/2010)

Presidente Dilma Rousseff, tenho muito orgulho de ti como brasileira, como mulher, como militante socialista, como representante de um povo que quer um país melhor sob o regime democrático.

Obrigado Dilma Rousseff!

Estarei defendendo o seu governo até com minha vida, se preciso for!

William Mendes, brasileiro, blogueiro progressista