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13.1.26

Memórias da CASSI (13) - A melhor estratégia de uso dos recursos é a ESF



QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA DE USO DOS RECURSOS DA CASSI? A ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF)

Ao estudar a história da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, sendo um dos membros da direção da instituição de assistência social e sem fins lucrativos (CASSI) entre 2014 e 2018, foi possível perceber eventos recorrentes na autogestão em saúde como, por exemplo, desequilíbrios entre receitas e despesas, os déficits.

"Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI. Durante 53 anos, a Caixa fez reformas nos Estatutos, sofreu transformações e ajustes para garantir sua missão." (CASSI através do tempo, Prefácio da cartilha do Estatuto da CASSI, p. 2, 1997)

Desde sua origem em 1944 e até 1995 a CASSI foi se adaptando a determinadas mudanças que vieram ou por demandas de seus grupos de interesse ou por mudanças externas na lei, na política ou no contexto vigente à época.

Relembro nessas Memórias da CASSI que, na minha opinião, falar ou pensar a Caixa de Assistência é falar ou pensar o Plano de Associados, qualquer busca de soluções para problemas da CASSI passa por fortalecer o Plano de Associados, origem e razão de ser da CASSI. 

A cartilha de 1997 informa na p. 4 que a CASSI passou por 8 reformas estatutárias desde sua assembleia de constituição em 27/01/1944. A oitava reforma, após consulta ao Corpo Social em abril/maio de 1996, mudou bastante as características da Caixa de Assistência, que ganhou autonomia e saiu do RH do Banco. 

"Nesse mesmo período, a Caixa dá início ao processo de implantação do novo modelo de atenção integral à saúde. Essa nova forma de administrar saúde pretende dar destaque às ações da rede básica. Pela estratégia da CASSI, o usuário é atendido preferencialmente por profissionais generalistas (clínicos gerais, pediatras, ginecologistas/obstetras e cirurgiões gerais), que indicarão um especialista, quando necessário." (p. 3, ibidem)

Algumas mudanças ocorridas na oitava reforma estatutária deveriam trazer maior sustentabilidade ao Plano de Associados (CASSI), pois a autogestão caminharia para deixar de ser uma mera pagadora de serviços de saúde comprados no mercado e passaria a fazer a gestão da saúde de seus associados e dependentes. 

As mudanças ocorridas na CASSI nos anos noventa foram importantes na história de nossa autogestão. Elas aconteceram de forma democrática, com debates intensos com movimentos de saúde, sindical e associativo. Essa história de participação social é patrimônio da CASSI. 

ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF)

Ao chegar eleito à direção em 2014 e estudar a CASSI para compreendê-la e definir as melhores estratégias de defesa e fortalecimento do modelo assistencial e de custeio solidário que as gerações anteriores estabeleceram na Caixa de Assistência, exerci muito a atividade de "escutatória", ouvir e perguntar muito aos profissionais da própria operadora, ouvir os conselhos de usuários, e também os demais grupos de interesse. 

Internamente, me explicaram a origem do modelo de saúde definido para a CASSI, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), lançado em 2003. Antes, a ESF foi aprovada pela direção em 2001. Antes ainda, a definição do modelo ESF foi o escolhido após anos de estudos e pilotos entre 1996 e 2001 para se definir qual o melhor modelo de Atenção Primária à Saúde (APS). A ESF foi a escolha por diversas características da CASSI e seu público-alvo beneficiário.

O modelo preventivo, operado através de unidades próprias de atendimento, as CliniCASSI, integrado com equipes de família definidas tecnicamente e programas de saúde adequados a cada participante seria a nova estratégia de uso dos recursos da CASSI na rede credenciada, um modelo mais racional e benéfico para os participantes e para a sustentabilidade do plano. 

MODELO ESF, LANÇADO EM 2003, JÁ DEVERIA ESTAR PLENAMENTE INSTALADO

Enfim, ao me inteirar a respeito das escolhas feitas pelas direções da CASSI, direções compartilhadas entre Corpo Social e patrocinador BB, comecei a entender por que os recursos do Plano de Associados eram insuficientes para atender ao conjunto de seus participantes: porque a implantação e cobertura do modelo ESF não chegava em 2014 a 30% do público-alvo definido em 2003: os participantes do Plano de Associados e os crônicos do CASSI Família.

À medida que as pesquisas se aprofundaram, também ficou clara a responsabilidade do Banco do Brasil a partir da reforma estatutária de 1996 nos déficits do Plano de Associados porque o Banco havia alterado substancialmente a entrada de receitas da CASSI - base do custeio -, congelando salários, recolhendo menos do que previa o estatuto para os funcionários pós-1998 e outras questões. 

São memórias diversas da história da autogestão dos funcionários do Banco do Brasil. 

William Mendes 

12.1.26

Memórias da CASSI (12) - O Plano de Associados é a razão de ser da Caixa de Assistência



A CASSI É O PLANO DE ASSOCIADOS

Desde que me integrei à direção da CASSI em junho de 2014 e passei a me inteirar sobre a realidade econômica e financeira da nossa "operadora de saúde", passei a compreender melhor suas dificuldades para ser vista como aquilo que foi pensado por seus criadores: uma Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Tive a clara percepção de que, de certa forma, os "stakeholders" não viam a CASSI como autogestão em saúde, como instituição de assistência social sem fins lucrativos. A CASSI era anunciada como mais uma operadora de mercado. 

Seus participantes eram tratados como clientes, a operadora como um plano de saúde de mercado que tinha foco em vender mais planos, e o patrocinador olhava a CASSI como se ela fosse um departamento do Banco: só os números e resultados econômicos é que interessavam, ficando em segundo plano os resultados em saúde.

Percebi essa visão de operadora de mercado de diversas formas na CASSI. Um exemplo claro dessa visão era o desejo de se criar um monte de planos de mercado para vender para um suposto público-alvo de quase um milhão de pessoas, familiares de associados até determinado grau como define as normas da legislação aplicável para nós (segundo a ANS). 

Falo isso sem juízo de valor, não acho que seja algo deliberado por algum grupo de interesse. É uma espécie de cacoete. Um pouco dessa visão de mercado vem da própria direção do Banco do Brasil que, às vezes, define objetivos estratégicos para o banco público como se ele fosse privado e só tivesse o lucro como meta.

QUAL O MOTIVO DOS DÉFICITS DO PLANO DE ASSOCIADOS?

Tendo me tornado gestor da CASSI em 2014 e sendo um representante do Corpo Social - dos associados -, teria que estudar com profundidade o modelo de custeio do Plano de Associados, o uso dos recursos da operadora, e o modelo assistencial da Caixa de Assistência, de responsabilidade da diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, à qual era diretor indicado pelos associados.

Estudar a CASSI era a coisa básica a se fazer. Fiz isso.

DÉFICITS RECORRENTES

Segundo dados do Relatório Anual 2013, o Plano de Associados vinha apresentando resultados operacionais negativos ano após ano. Quando as contas fechavam era por causa de alguma receita nova e ou extraordinária. 

Qualquer associado ou interessado pode ler os relatórios anuais da CASSI, eles são públicos. Vejamos os dados do Plano de Associados, resultados líquidos sem o BET e sem coparticipações retroativas em 2012 (p. 31):

2011 = (45,9 milhões)

2012 = (265,8 milhões)

2013 = (156 milhões)

Descobrir as causas dos resultados negativos constantes era um dos objetivos de meus estudos sobre a CASSI para pensar soluções e compartilhar o conhecimento com os associados e suas entidades representativas. 

William Mendes 

11.1.26

Memórias da CASSI (11) - Despesas administrativas da operadora demonstram sua eficiência



DESPESAS ADMINISTRATIVAS DA CASSI

Nos estudos que realizei sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil no primeiro semestre de gestão avaliei o histórico de grandes eixos temáticos da operadora de saúde. 

Para defender e fortalecer a CASSI era necessário conhecer seus dados econômicos, financeiros, gerenciais e as informações a respeito de seu modelo assistencial e de custeio. Bem como o setor onde a operadora atuava.

É inevitável que os "stakeholders" - os grupos de interesse e usuários do sistema de saúde CASSI - façam comparações entre a nossa autogestão, operadora de saúde que não visa lucro, e as demais operadoras de saúde do mercado capitalista. 

Isso gera grandes confusões e distorções que prejudicam a compreensão e análise correta do que é a CASSI, como ela opera e o setor no qual ela compra serviços e materiais de saúde. 

A conta de despesas administrativas é um dos exemplos de leituras inadequadas que se faziam a respeito de nossa Caixa de Assistência uma década atrás, quando iniciei meu périplo de reuniões com associados e seus representantes a partir de 2014.

As despesas administrativas da operadora de saúde CASSI são baixas, seu grau de eficiência é alto, seu custo-benefício é muito bom e assim que entendi isso, passei a explicar para os formadores de opinião dos grupos de interesse da CASSI. 

No Relatório Anual da CASSI 2013, página 22, se tem a informação a respeito desse item contábil e gerencial da operadora. Em 2013, a despesa administrativa consolidada foi de 270 milhões. O índice de eficiência foi 9,4% (Desp. Adm./Contraprestações). 

Observação: mesmo se desconsiderarmos as receitas extraordinárias do BET, os índices de eficiência da CASSI seriam 10,2% (2011), 10,1% (2012) e 9,8% (2013), conforme explicado na p. 29. São bem melhores que os dos segmentos correlatos na saúde suplementar. 

Por ser um item de muito diz-que-me-diz, de muito falatório equivocado, incluí o tema logo nas primeiras palestras que passei a fazer em conferências de saúde, conselhos de usuários e para entidades representativas, comparando os dados da CASSI no segmento de saúde suplementar, em relação a outras autogestões, medicinas de grupo e seguradoras, explicando o quanto a CASSI era melhor que as outras operadoras e fazia mais com menos.

Não pretendo nessas Memórias da CASSI falar da atualidade da Caixa de Assistência, mas esses fatores contábeis, proporção e índice de eficiência operacional, seguem até hoje muito bons se comparados aos demais segmentos da saúde suplementar. 

William Mendes 

10.1.26

Memórias da CASSI (10) - A importância dos relatórios anuais da Caixa de Assistência



RELATÓRIOS ANUAIS DA CASSI 

Ao longo do mandato de diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência (jun/2014 a mai/2018) foi necessário desenvolver estratégias de informação e comunicação que ao mesmo tempo desse subsídios e noções a respeito da realidade da autogestão aos associados, principalmente seus representantes e formadores de opinião, e me protegesse em relação ao tipo de informação que dava publicidade, ou seja, nunca dar informações confidenciais ou com algum tipo de classificação de público restrito. 

Uma de minhas tarefas como gestor eleito da Caixa de Assistência era dar muita informação e formação política aos participantes do sistema de saúde da CASSI, apresentando a autogestão a sindicatos, associações, conselhos de usuários e gestores do BB em todo o país para desfazer mal-entendidos, desinformações e encontrar soluções através do diálogo, criando e fortalecendo um espírito de pertencimento aos associados da Caixa de Assistência, uma instituição de assistência social sem fins lucrativos. Os participantes não são clientes, são beneficiários da Caixa. 

Uma das estratégias que adotei foi utilizar os relatórios anuais da CASSI para conversar com as lideranças e representantes da comunidade BB. Passei a fazer leitura atenta dos relatórios e destacar dados públicos do documento para esclarecer questões afetas à Caixa de Assistência, tanto sobre a gestão quanto sobre os dados econômicos e financeiros.

O primeiro relatório que estudei com atenção, exegese mesmo, foi o do exercício de 2013, anterior ao ano no qual entrei na direção a partir de junho de 2014, já ouvindo as brincadeiras de corredor que havia recebido um "presente de grego" porque o déficit ao final daquele ano seria enorme e sem novas receitas extraordinárias como, por exemplo, o BET, para cobrir resultados operacionais deficitários recorrentes. 

A CASSI havia recebido recursos repassados pela PREVI do Benefício Especial Temporário (BET) nos anos de 2011, 2012 e 2013, ou seja, como receita extraordinária de contraprestações, o montante de 380 milhões de reais: 172.447 em 2011, 97.024 em 2012 e 110.980 em 2013. (p. 22 do Rel. Anual CASSI 2013)

Foi assim que iniciei as primeiras semanas e meses de representação dos associados da CASSI: estudando relatórios, balanços e a história da Caixa de Assistência para desenvolver estratégias de defesa dos direitos em saúde dos trabalhadores que passei a representar, direitos políticos e sociais. Defender o poder do Corpo Social na gestão da própria Caixa é defender os direitos políticos dos associados. Durante a gestão enfrentei todas as propostas que pudessem significar redução de poder ou direitos dos associados na direção da CASSI. 

Seriam 4 anos de muito estudo, muitas agendas com os associados (170 agendas pelo país a trabalho) e muita construção de unidade e consensos, principalmente na defesa da solidariedade no Plano de Associados e na manutenção de direitos e do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF), provando sua eficácia em números. 

William Mendes 

5.1.26

Memórias da CASSI (5) - Sem receitas extraordinárias a partir de 2014, o Plano de Associados teria que ser negociado



"Para 2014, os desafios são maiores. Além de aperfeiçoar ainda mais o gerenciamento das despesas, a CASSI deverá buscar alternativas que ajudem a minimizar o impacto pelo fim do recebimento, a partir deste ano, do volume de contribuições sobre o BET - Benefício Especial Temporário." (Mensagem da Diretoria, Relatório Anual 2013 da CASSI)


As Memórias da CASSI registram muita história de nossa Caixa de Assistência ao longo das décadas de sua existência. Há que se ler e ouvir essas histórias e registros.

Para conhecer e compreender a instituição de assistência social - sem fins lucrativos - que a comunidade de funcionários do Banco do Brasil tem desde 1944 é necessário estudar sua história. Foi o que tentei fazer quando cheguei à gestão em junho de 2014.

Uma das brincadeiras mais comuns que faziam comigo nas conversas descontraídas de corredor era dizerem que eu havia ganhado um presente de grego: um déficit recorrente no Plano de Associados que não teria mais receitas extraordinárias para fecharem as contas da autogestão a partir daquele ano no qual me integrei à direção da CASSI.

Como aponta a Mensagem da Direção no Relatório Anual do ano anterior, uma das principais receitas extraordinárias do Plano de Associados de nossa Caixa de Assistência não se repetiria a partir do ano de 2014.

Antes de ser eleito para a direção da CASSI, eu era o coordenador das mesas de negociação de questões do funcionalismo do Banco do Brasil entre o movimento sindical cutista, a Contraf-CUT, e a direção do banco, e por esse motivo conhecia relativamente bem todas as questões de direitos afetas aos funcionários do BB, inclusive as relativas à Caixa de Assistência.

Logo de cara, após os primeiros estudos que fiz nos relatórios anuais da CASSI, percebi que o Plano de Associados recebeu receitas novas e ou extraordinárias desde o exercício de 2007 e não só a partir do BET, conquista do funcionalismo de melhorias nos benefícios da PREVI, nossa Caixa de Previdência, após superávits, se não me falha a memória, melhorias usufruídas pelos beneficiários a partir de 2011, gerando recolhimentos à CASSI. 

Em poucas semanas de gestão e estudos, entendi o tamanho do desafio que teria pela frente, inclusive para construir o ponto de vista de um representante do Corpo Social que defendia os interesses dos associados e para isso teria que me contrapor às posições do patrocinador BB, pois já se ouvia o recado de que o banco não colocaria mais dinheiro na CASSI e que aquela conta deveria ser paga somente pelos associados, o funcionalismo do banco. 

É uma longa história, mas ela tem que ser contada, pois são Memórias da CASSI. 

William Mendes 

6.5.14

Associados da Cassi aprovam Relatório Anual 2013 com 59,42% dos votos


Em consulta encerrada às 18 horas desta segunda-feira, dia 5 de maio, o Relatório Anual 2013 da Cassi foi aprovado por 36.241 associados, o que representa 59,42% dos votos válidos - descontados os votos em branco, conforme prevê o estatuto da entidade.

O documento, que reúne as principais ações e o balanço financeiro da Caixa de Assistência, estava em apreciação desde o dia 28 de abril. Entre os funcionários da ativa, que votaram pelo Sisbb, 27.311 aprovaram o Relatório, e entre os aposentados, que participaram pelos TAA do Banco do Brasil, 8.930 registraram seu voto pela aprovação.

O número de votos pela não aprovação foi de 6.863, ou 11,25% dos válidos, sendo 5.017 funcionários da ativa e 1.846 aposentados do Banco. O total de votos nulos chegou a 17.890 (29,33%).

A versão digital do Relatório está disponível no link Publicações do site da Cassi.

Mais do que números referentes aos gastos e receitas da sua Caixa de Assistência, o Relatório permite que o associado conheça algumas ações realizadas no ano passado, como a economia gerada pela centralização da cotação, compra e autorização de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), a parceria com o Hospital Albert Einstein para tratar de doenças de coluna, a otimização dos processos do Programa de Assistência Farmacêutica (PAF), dentre outros. 

"A aprovação do Relatório Anual 2013 é muito importante para o fortalecimento do trabalho que está sendo feito na Cassi para buscar o melhor atendimento e preservar o seu patrimônio, garantindo assim a sua sustentabilidade", afirma Mirian Fochi, Diretora de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes da Cassi.


Fonte: Contraf-CUT com Cassi