Páginas

Mostrando postagens com marcador Direitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Direitos. Mostrar todas as postagens

2.10.25

Diário e reflexões - Ato em defesa da FFLCH-USP



A UNIVERSIDADE PÚBLICA É DO POVO - ATO EM DEFESA DA FFLCH-USP

02/10/25

O evento de hoje em nossa querida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo foi emocionante, com falas potentes e solidárias em defesa da educação pública, dos direitos dos povos e também denunciando o genocídio do povo palestino. 

Os motivos principais do ato de hoje no vão livre da História e Geografia da FFLCH e também das manifestações da comunidade acadêmica e do movimento estudantil, além de diversas entidades e lideranças da sociedade civil paulista são os ataques realizados pelos fascistas da extrema-direita nos últimos meses. 


Após ataques de grupos liderados até por parlamentares de extrema-direita da Câmara de Vereadores de São Paulo, a comunidade acadêmica da USP vem se organizando e enfrentando com firmeza essas turbas fascistas. 

Repito: foi um ato emocionante! Saí do ato de alma lavada e com a esperança renovada ao respirar o ar daquela juventude de luta!

Ouvimos falas potentes e experientes de professores como a querida Marilena Chauí, André Singer e demais acadêmicos. 

Vereadora Luna Zarattini (PT-SP)

Ouvimos lideranças de diversos movimentos populares, sindicais e de lutas históricas da juventude. 

Ouvimos parlamentares do campo popular como a querida companheira Luna Zarattini (PT), Luana Alves (Psol), Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bomfim (Psol) e demais políticos que estão sempre do lado certo da história de lutas da classe trabalhadora brasileira. 

Deputada Federal Juliana Cardoso (PT-SP)

Tenho orgulho de ter sido aluno de Letras da FFLCH-USP e de ver o quanto a educação, a cultura e a ciência são importantes para a sociedade humana. 

Sem democracia e sem igualdade de oportunidades não se constrói uma sociedade justa, fraterna e igualitária. 

Fora, fascistas! Defender a educação pública é defender a esperança em um mundo melhor para todos os seres viventes. 

O ato também foi firme na defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza.

William 

---

Post Scriptum: em relação à luta contra o genocídio do povo palestino, uma das reivindicações do ato, o rompimento das relações institucionais da FFLCH-USP e das faculdades da USP com o Estado de Israel, foi concretizada em 23/10/25. Em votação histórica, a Congregação da FFLCH votou e aprovou por 46 a 4 a renúncia do convênio com a Universidade de Haifa (Israel). Orgulho de nossa FFLCH-USP!!!

26.4.25

Diário e reflexões - Minha solidariedade às vítimas de lawfare e cancelamentos



MINHA SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS DE LAWFARE E CANCELAMENTOS

Sábado, 26 de abril de 2025.


Opinião

Ao ver a longa entrevista do professor Alysson Mascaro ao jornalista Leonardo Attuch, do Brasil247, voltaram em minhas lembranças aqueles meses que sobrevivi ao processo de lawfare que inventaram contra mim nos últimos meses de mandato eletivo como diretor de saúde de uma autogestão dos trabalhadores. 

Os processos de lawfare, assassinatos de reputação e cancelamentos de pessoas se tornaram ferramentas implacáveis de guerra política na atualidade. As vítimas, se sobreviverem, nunca mais serão as mesmas. As sequelas marcam a vida para sempre. 

Mascaro comparou essa indústria do lawfare e cancelamentos como os processos de inquisição da idade média. Concordo com ele. 

A vítima, em geral, não tem a menor chance de se defender, pela forma vil na qual os agentes orquestram as acusações e o assassinato moral e ou físico do alvo a ser destruído. 

Não por coincidência, na minha opinião, lideranças da esquerda e da classe trabalhadora, pessoas que combatem a ordem capitalista neoliberal e seus operadores, são as principais vítimas, na maioria das vezes. Os donos do poder têm os meios necessários para massacrarem alvos a serem cancelados e eliminados da vida pública. 

Nunca escrevi publicamente a respeito do processo vil que inventaram contra mim para me destruir e me tirar da linha de frente da defesa de direitos dos trabalhadores. A simples lembrança das injustiças já afeta o estado da vítima. 

Mas uma hora ou outra, eu terei que escrever sobre isso, até porque a vítima segue sendo vítima após o término do processo de lawfare. Mesmo tendo sobrevivido, fui cancelado por algumas pessoas e instituições que deveriam estar do meu lado.

Enfim, expresso minha solidariedade a todas as pessoas que estão sofrendo um processo de lawfare e cancelamento ou que já passaram por isso.

William Mendes 


8.3.25

Diário e reflexões - Dia Internacional das Mulheres



Dia Internacional das Mulheres

São Paulo, 8 de março de 2025. Sábado.


Opinião

Estive hoje na Avenida Paulista para participar dos atos do Dia Internacional das Mulheres, o 8M, ou 8 de Março. Cheguei pontualmente no horário chamado para o início do evento, 14 horas.

O fechamento do vão livre do MASP foi uma sacanagem que deu certo por parte dos poderes da casa-grande. Simplesmente não temos mais como nos concentrarmos em frente ao lugar mais tradicional de São Paulo porque a medida tirou o ambiente de concentração das massas. Não há inocência na política. A medida foi higienista e para nos tirar de lá.

À medida que os grupos de manifestantes foram chegando, e começou a ficar perigoso para as pessoas por risco de atropelamento pelo fluxo constante de carros na avenida, nós fomos obrigados a nos concentrarmos do outro lado do MASP, na praça em frente. As centenas de policiais do governo do Estado não ajudam em nada, na minha opinião.

Felizmente o ato foi encorpando e assim que as mulheres e as organizações se avolumaram, começaram as intervenções das lideranças a partir do caminhão de som principal. Ouvimos falas potentes de diversas mulheres representando os movimentos de lutas.

Tenho procurado observar os movimentos, as pessoas, os gestos, as expressões, e a cada atividade de ocupação das ruas que participo, mais me convenço que nós não deveríamos abandonar as ruas por qualquer que seja o motivo, não deveríamos! A vida real está lá fora, nas ruas.

---


Enquanto eu me deslocava de casa para o local da manifestação do 8 de Março, refletia sobre a questão atual do mundo dominado pelas plataformas das big techs e a inevitável manipulação dos seres humanos nessas redes de arrasto que pescam as multidões humanas como sardinhas para serem enlatadas e devoradas como mercadoria.

Cada dia que passa e que não se altera o poder de manipulação dessa meia dúzia de homens bilionários donos das plataformas que alteram o comportamento de seus usuários em benefício do lucro (desses fdp) e em prejuízo de milhões de pessoas, nós estamos perdendo a humanidade, estamos perdendo a chance de seguir adiante enquanto sociedade humana. Temos que mudar a forma como as big techs capturaram o mundo inteiro.

Faz anos escrevi um artigo no qual defendi que todos os governos e estados nacionais deveriam criar suas plataformas e redes sociais de preferência públicas e com regras claras sobre o funcionamento dos algoritmos e felizmente agora muita gente de nosso campo também defende o conceito e a ideia de nos livrarmos da dependência e captura dessas big techs para salvarmos a soberania e a nossa comunidade.

Fica registrado aqui o meu respeito e a minha esperança em cada mulher e cada homem que esteve hoje na Avenida Paulista. Cada pessoa que escolheu não ficar em casa, não ir para bloquinhos de carnaval, não passear ou descansar, que decidiu ocupar as ruas em um ato político, enalteço e aplaudo! Temos que ocupar as ruas enquanto ainda há espaço público e enquanto ainda não nos proibiram de nos manifestarmos.

William Mendes


13.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (2)

Uberlândia, 13 de dezembro de 2024. Sexta-feira.


Opinião 


PLANOS FAMILIARES DA CASSI

Fortalecer o plano Cassi Família II com fidelização ao modelo assistencial APS/ESF com descontos na mensalidade pode ser a solução de sustentabilidade para os planos familiares da Caixa de Assistência  


INTRODUÇÃO 

Vi nesta semana em um grupo da comunidade do Banco do Brasil uma discussão pertinente sobre o reajuste do principal plano de saúde dos familiares dos colegas da ativa e aposentados do banco. A postagem inicial apontava a dificuldade de um colega para manter os pais no plano Cassi Família II após a direção reajustá-lo em 23,88%. E no ano anterior, o reajuste foi absurdo também, sei disso.

As intervenções dos colegas foram quase todas no mesmo sentido: acham um absurdo tal reajuste, comentam sobre casos pessoais, dizem que o jeito é sair do plano e buscar o atendimento do SUS ou um plano mais barato no mercado. 

Uma liderança da comunidade BB contatou a Direção e a sugestão seria o reclamante tentar colocar os pais num outro plano da Cassi mais barato, com coparticipação e franquia e redes de atendimento menores.

A questão é dramática! Acompanho de perto esse problema porque também tenho meus pais no Cassi Família II, o maior, mais antigo e melhor plano de saúde para familiares da comunidade de funcionários e aposentados do Banco do Brasil. 

Acompanho essa questão há muito tempo e por ter sido gestor eleito pelos associados conheço um pouco essa temática. Dividi reflexões e estudos com os colegas gestores por anos, quando trabalhamos juntos.

---

ENTIDADES REPRESENTATIVAS

Qual a posição de quase duas centenas de entidades sindicais e associativas da ativa e aposentados sobre essa questão de a Cassi aumentar em quase 50% os planos de saúde de seus pais, filhos, netos e demais familiares? 

A questão é encarada como uma questão importante da vida de seus associados, os bancários da ativa e aposentados? É pauta de reivindicação e negociação?

---

UM POUCO DE HISTÓRIA

Tivesse eu aceitado o que já se vinham normalizando pelos corredores da Cassi e de parte das entidades representativas do funcionalismo do Banco do Brasil quando lá cheguei como diretor eleito pelos associados em junho de 2014, o patrocinador Banco do Brasil não teria colocado bilhões de reais devidos ao Plano de Associados entre 2015 e 2019, não teria. 

Havia uma espécie de conformismo em se aceitar que a conta do déficit teria que ser repassada para os associados, se não na totalidade, a maior parte. Ponto. Além disso, havia a questão da direção do Banco colocar em dúvida a eficiência do modelo assistencial APS/ESF com estrutura própria de Clinicassi, que provamos ser um mito, pois a Estratégia de Saúde da Família com unidades CliniCassi próprias se provou eficiente nos estudos que desenvolvemos. 

Felizmente, com muita firmeza de propósito, estudos e com poucos meses de gestão, tomei consciência do histórico dos recorrentes déficits do Plano de Associados e estando claro as responsabilidades do Banco, tive o apoio dos componentes da chapa eleita para convocar nossos parceiros sindicais e de associações ainda em dezembro daquele ano para iniciarmos um movimento nacional de lutas para abrirmos mesas de negociação com o Banco do Brasil. 

Tudo que vou dizer aqui é público e registrado em documentos, textos e jornais.

Como negociador dos bancários até maio daquele ano de 2014, eu já conhecia de cor e salteado as alegações do patrão no que diz respeito a suas "estratégias administrativas" e de gestão. Em mesas de campanha salarial o BB sempre dizia o que todos os bancos dizem: não negocio plano de carreira, não negocio plano de saúde, não negocio plano de previdência, não negocio metas, não negocio segurança, não negocio blá blá blá. 

Óbvias essas negativas, se não tiver estratégia, organização e luta do nosso lado, o patrão simplesmente não vai negociar nada com os empregados e seus sindicatos. Óbvio!

O fato concreto é que em janeiro e fevereiro de 2015 já tivemos encontros nacionais com entidades representativas e lideranças para formarmos uma unidade nacional com alguns consensos construídos para buscarmos negociações com o patrocinador Banco do Brasil. 

Com estratégia e unidade, invertemos a lógica conformista que se plantava por aí de que o Plano de Associados não dava mais para ser bancado em seu custeio como era antes com o Banco arcando com a maior parte do custeio. 

Não vou me alongar na história, não é esse o objetivo do texto. Essa história está contada em mais de seiscentas postagens neste blog A Categoria Bancária.

Hoje, meu objetivo é comentar a respeito dos planos familiares criados e ofertados pela Cassi. 

Após alguns números, vou reafirmar minha posição antiga, de quando era gestor da Caixa de Assistência, de que deveríamos evitar a criação desses diversos planos que a Cassi vem criando e deveríamos fortalecer o melhor plano familiar, o Cassi Família II. 

E vou reafirmar uma tese que defendo de descontos nas mensalidades do CF II dentro de uma estratégia de fortalecer o modelo de Estratégia de Saúde da Família (ESF), o melhor modelo de APS para a Cassi, para participantes desse plano que queiram formalizar adesão ao modelo como uma espécie de "porta de entrada" ou priorização no uso do sistema a partir da ESF.

---

OS PLANOS DA CASSI (DADOS DO VISÃO CASSI)

Visão geral dos planos e visão de cada plano:


DRE CASSI CONSOLIDADA 8M24

Res. Líq. -417 milhões 

Sendo

Res. Oper. (sem resultado financeiro) = -601 milhões 


PLANO DE ASSOCIADOS 8M24

Res. Líq. -486 milhões 

Sendo

Res. Oper. -582 milhões 


CASSI FAMÍLIA II 8M24

Res. Líq. 76 milhões 

Sendo

Res. Oper. -6 milhões 


PLANO CASSI ESSENCIAL 8M24

Res. Líq. 8,4 milhões 

Sendo 

Res. Oper. 3,8 milhões 

Detalhes (sendo um plano novo)

1. O res. líq. foi menor de 2023 para 2024 em -53,6%.

2. Enquanto as Contraprestações Efetivas cresceram 106,5%, os Eventos Líquidos Indenizáveis aumentaram 197,8%.


PLANO CASSI VIDA 8M24

Res. Líq. -16,4 milhões 

Sendo 

Res. Oper. -17 milhões 

Detalhes (Sendo um plano novo)

1. Enquanto as Contraprestações cresceram 135% em 12 meses, os Eventos Líquidos Indenizáveis aumentaram 274,5 %.


BENEFICIÁRIOS CASSI (AGO/23 - AGO/24)

Plano de Associados 2024: 371.227

Plano Cassi Família II (2023 a 2024): 191.321 para 177.307 (-14.014)

Plano Cassi Essencial: 12.316 para 19.124 (+6.808)

Plano Cassi Vida: 12.316 para 9.552 (-2.764)


Planos familiares: saímos de 215.953 em ago/2023 para 205.983 em ago/2024, redução de 9.970 participantes de planos da Cassi.

---

CASSI PODERIA ESTUDAR FORMAS DE FORTALECER O PLANO CASSI FAMÍLIA II ATRAVÉS DA FIDELIZAÇÃO AO MODELO APS/ESF

Os números dos planos familiares da Cassi falam por si para as pessoas de nossa comunidade BB que acompanham e entendem um pouco mais do tema.

Os planos Essencial e Vida não demonstram ser sustentáveis no tempo. São planos novos e deveriam estar com resultados melhores. Eu sempre tive receio dessas teses de que teríamos um público-alvo enorme, de centenas de milhares de pessoas para serem participantes dos planos familiares Cassi. A concorrência local dos planos de mercado é muito forte. 

Outro fator que me incomoda é vender a ideia de que nossos familiares poderiam ter direitos menores que os nossos como associados, não é isso que pensamos quando criamos planos familiares nos anos noventa. Redes credenciadas diferentes e ou menores, pagar franquia e pagar coparticipações nesses planos novos não me parece ser algo interessante sequer para trocar (vampirizar) o melhor e mais antigo plano, o CF II, por esses planos ruins. É só ver os números: isso não está dando certo! Por que insistir no erro?

O Plano Cassi Família II poderia ser fortalecido e com isso fortalecermos o sistema Cassi se recuperarmos os estudos que fizemos entre 2014 e 2018 quando demonstramos que a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que era composta em muitas unidades federativas em grande medida por participantes do CF II com maior necessidade de acompanhamento do modelo ESF (muitos idosos e pessoas com cronicidades), pode agregar vantagem financeira para participantes que são fidelizados nas CliniCassi e com isso seria possível adotar descontos nas mensalidades por essa fidelização, e os resultados são bem melhores no uso dos recursos da rede credenciada (os estudos demonstraram isso).

Ao invés de insistir com esses planos insustentáveis que a Cassi vem criando, sugiro que se estudem formas de manter e ampliar os participantes do CF II fidelizando com descontos aqueles que aderirem ao modelo de ESF, que tem como orientar melhor o uso das redes. As despesas dos grupos fidelizados ao modelo chegavam a ser 50% menores no público ESF em relação a participantes soltos nas redes credenciadas.

Eu sei do esforço dos colegas da direção de nossa Caixa de Assistência, conheço ainda boa parte deles. Passamos muito tempo juntos estudando e pensando soluções para a nossa Cassi, tanto para o Plano de Associados quanto para os planos para atenderem os nossos familiares.

Uma forma de semear sustentabilidade no sistema de saúde Cassi é fortalecer os cuidados ao longo do tempo, nossa população assistida é mais estável que as dos planos de mercado e teremos carteiras cada dia mais maduras. 

Fidelizar através de descontos para participantes cuidados pela ESF e orientação de uso de rede protege a saúde das pessoas mais necessitadas de atendimento na rede consumidora de recursos e protege também as contas e a sustentabilidade da Cassi.

---

A COMUNIDADE BB DEVE SEGUIR INOVANDO E SENDO CRIATIVA EM BENEFÍCIO DE SEUS TRABALHADORES E DOS BRASILEIROS 

É isso. Desejamos o sucesso da gestão de nossa Caixa de Assistência, pois a Cassi é um dos maiores patrimônios que a comunidade BB construiu nesses dois séculos de organização, criatividade e lutas. 

Sou grande defensor do Sistema Único de Saúde, público e sustentável. No entanto, uma autogestão de uma comunidade organizada como a nossa, e funcionando bem, pode aliviar o SUS da demanda de parte de seu público-alvo, o povo brasileiro em sua totalidade. 

Uma autogestão como a Cassi não concorre de forma predatória com o sistema público como os outros planos de mercado, que lucram com a doença e não com a saúde do povo.

É uma contribuição fraterna que faço aos interessados no presente e futuro de nossa Cassi.

William Mendes 

Foi Diretor de Saúde da Cassi (2014-2018) 

15.11.24

Diário e reflexões



Sexta-feira, 15 de novembro de 2024.


Opinião


LUTA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

Hoje foi dia de mobilização nacional em defesa da redução da jornada de trabalho. Uma pauta que pode ou poderia unificar sindicatos, partidos políticos e diversos segmentos e movimentos populares que sofrem as consequências da super exploração do trabalho e o desfazimento dos direitos sociais no atual cenário tecnológico da produção de bens e serviços.

---

JORNADA DE TRABALHO NO BRASIL

Formalmente no Brasil, a jornada de trabalho é regulada pela Constituição Federal de 1988 e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943. 

A CF reduziu em 1988 a jornada máxima de trabalho de 48 para 44 horas semanais, com jornadas diárias máximas de 8 horas, podendo-se fazer até 2 horas-extras. As convenções e acordos coletivos de trabalho definem o funcionamento da jornada nas principais categorias profissionais organizadas. 

O "embate" entre patronado e sindicatos se dá para garantir o descanso nos finais de semana.

Categorias com tradição e organização conseguem definir alguma coisa melhor que a jornada 6x1 como a convenção coletiva dos bancários, com jornada semanal de 30 horas, de segunda a sexta-feira. 

Evidente que a luta de classe entre patrão e trabalhador nunca para e os banqueiros burlam de todas as formas possíveis a jornada bancária. Muitas vezes só se acertam os abusos de jornadas que não cumprem a convenção na justiça do trabalho.

Em geral, a escala 6x1 faz com que os trabalhadores nunca descansem nos finais de semana e, além disso, é comum o adoecimento das pessoas em jornadas como essas. Exemplos não faltam, são praticamente todas as categorias de ramos que atuam todos os dias da semana: lojistas, áreas de saúde, segurança, alimentação etc.

As propostas de mudanças na lei são para reduzir a jornada máxima de trabalho legal no país. As principais propostas no Congresso Nacional são a PEC 221 do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), de 2019, e a proposta de Erika Hilton (PSOL-SP), que acabou de conseguir o número mínimo de assinaturas (171) para entrar na pauta da Câmara dos Deputados.

---

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Além das motivações que estão em evidência na luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil - para que a classe trabalhadora tenha mais tempo com a família e qualidade de vida, e por causa da séria questão do adoecimento -, eu entendo que temos que incluir no debate a questão da distribuição da renda produzida pelo trabalho.

Os trabalhadores produzem a riqueza toda e os caras do 1% ficam com tudo! Não é justo isso! Temos que distribuir a riqueza entre quem produz ela.

Lutar para diminuir a jornada máxima de trabalho para 40 ou 36 horas semanais, em jornadas de 5x2 ou 4x3 é para que se aumente a distribuição da riqueza produzida por nós classe trabalhadora. 

Os poucos donos dos meios de produção pagam migalhas para quem produz o lucro e ficam com a quase totalidade da riqueza produzida por nós. Um capitalista não produz um botão de camisa e fica com o dinheiro do nosso suor do trabalho.

A tecnologia avança o tempo todo e aumenta a produtividade do trabalho e uma das formas de se distribuir a riqueza produzida por nós, através de nossa mais-valia, é trabalhando menos sem reduzir nossos salários e benefícios diretos e indiretos.

Além dos putos dos capitalistas ficarem com toda a riqueza que nós produzimos, os caras não pagam impostos sobre a renda e patrimônio, não pagam impostos na distribuição do pró-labore de suas "empresas", não pagam impostos nas aplicações financeiras, não pagam porra nenhuma porque seus parlamentares aprovam isenções para esses privilegiados o tempo todo. Esses chupins estão escondidos atrás de nomes como "mercado", "faria lima", "rentistas" etc.

Enfim, para um resumo, já me estendi no texto.

A atividade de hoje em São Paulo e outras capitais do país foi muito positiva, mobilizou juventude, comunidades e gente do mundo do trabalho e pautou as redes sociais.

William Mendes

13.10.24

Diário e reflexões



Boulos e Marta podem ser eleitos com militância nas ruas e nas bases

Domingo, 13 de outubro de 2024.


Artigo (15)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Eleições se ganham pedindo votos. Essa é uma das lembranças mais antigas que tenho das lições dos primeiros anos de movimento sindical bancário. Se queremos melhorar a vida das pessoas e representar um projeto político, temos que pedir o voto de confiança aos eleitores.

Conquistamos direitos pedindo o voto das trabalhadoras e trabalhadores quando organizávamos as campanhas salariais da categoria bancária e quando disputávamos com o patrão as eleições em nossas entidades de classe, saúde e aposentadoria, e também quando pedíamos voto dos bancários para nossos projetos cidadãos para os legislativos e executivos das diversas instituições da vida democrática do Brasil.

Daqui a duas semanas, em 27/10/24, o povo da maior cidade da América Latina vai decidir quem será o prefeito de São Paulo: Guilherme Boulos ou Ricardo Nunes. Temos que conseguir 50% + 1 dos votos válidos de um universo de 9.322.444 eleitoras e eleitores (TSE). 

Nosso candidato, Boulos 50 (PSOL), obteve 1.776.127 votos e o adversário 1.801.139 votos. Na região onde militamos, conseguimos vencer nas duas zonas eleitorais, a 346 (Morumbi, antiga Butantã) e a 374 (Rio Pequeno), a 2ª com mais eleitores de São Paulo. 

Além de atuar pela manutenção desses votos, temos que conquistar votos de eleitores que votaram em outros candidatos no 1º turno e na enorme multidão de pessoas que não foi votar e que podem votar em Boulos e nos ajudar a livrar São Paulo das mãos do bolsonarista Nunes.

Apesar da obviedade para as leitoras e leitores do blog, não custa esclarecer que os projetos em disputa em São Paulo são absolutamente antagônicos em todos os sentidos. E que o projeto que pode melhorar a vida do povo e garantir direitos sociais e de cidadania é o projeto representado por Boulos e Marta, número 50 nas urnas.

Boulos e Marta têm propostas efetivas para os problemas do povo paulistano nas áreas de transporte, moradia, educação, saúde, emprego e renda, segurança. Não nos interessa as questões de cunho pessoal de cada cidadão. 

Quando temos militante pedindo votos, temos condições de falar as propostas para as pessoas que estão em dúvida, que estão mal-informadas ou que estão cheias de mentiras na cabeça. Nas calçadas ou nas feiras são várias oportunidades de conquistar votos, várias. Nós fizemos isso nos últimos meses aqui na região onde atuamos, a Zona Oeste de São Paulo.

PRECISAMOS DO APOIO DOS MOVIMENTOS ORGANIZADOS

Eu conheço com relativa experiência os movimentos internos nas estruturas sindicais e partidárias porque participei dessas organizações por quase três décadas. Eu tenho a impressão que a enorme militância sindical e partidária e dos mandatos podem se engajar mais nestas duas semanas até dia 27 de outubro, como fizeram até dia 6 quando também estavam em jogo as candidaturas para as câmaras municipais.

Nossa militância é imbatível, nenhuma máquina baseada só no dinheiro e compra de voto, em fake news e coisas do tipo pode concorrer com nossa militância quando estamos de corpo e alma numa disputa que equivale a mudar a nossa vida como classe trabalhadora.

Então, companheirada, peguem adesivos e panfletos e vamos ganhar essa eleição em São Paulo com Boulos e Marta 50 e vamos tirar o bolsonarismo do poder. 

Só o fato de usar um adesivo no peito todos os dias já dialoga com o eleitor silencioso, que não se manifesta, mas que te considera e respeita. Vamos lá! O povo paulistano precisa de nós. 

Abraços fraternos e de luta!

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui. O texto seguinte pode-se ler aqui.


16.9.24

Diário e reflexões



Vamos eleger candidaturas de esquerda e de interesse da classe trabalhadora!

Segunda-feira, 16 de setembro de 2024


Opinião (10)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Faltam três semanas para as eleições de 6 de outubro. É muito importante que todas as pessoas da classe trabalhadora passem a se interessar e dedicar alguns minutos de suas vidas corridas e desgastantes para escolherem as candidaturas que votarão no dia da eleição.

As leitoras e leitores deste blog são pessoas da classe trabalhadora, assim como o autor do blog. Entre os onze e os dezoito anos de idade fui trabalhador braçal numa sequência de trabalhos duros, alguns degradantes, todos recebendo um pagamento muito abaixo do valor que eu produzia para o cara que comprava minha força de trabalho, as horas preciosas da minha única vida.

Depois dos dezoito anos, entrei para uma grande categoria de trabalhadores, a das bancárias e bancários. Foram dois anos no antigo Unibanco e mais uns 27 anos no Banco do Brasil, onde entrei por concurso público. 

Em geral, acabo dizendo que fui bancário a vida toda, mas fui também entregador de remédios cortando uma grande cidade de bicicleta, fui ajudante de encanador cortando concreto na marreta e mexendo com merda, fui ajudante geral de um monte de serviços pesados.

Como um membro das classes subalternas, das classes exploradas pelos ricos, afirmo a vocês que a nossa vida de trabalhador melhora efetivamente no cotidiano difícil quando temos governos do Partido dos Trabalhadores ou de partidos de esquerda, aliás, coisa rara termos tido no Brasil governos estaduais e municipais de esquerda ou preocupados em melhorar a vida do povo pobre e trabalhador. Raro isso porque o poder do dinheiro define 99% das eleições no Brasil.

A vida do povo foi melhor com o PT no governo das cidades de São Paulo e de Osasco, as cidades paulistas onde passei a maior parte de meus 55 anos de vida, foram cidades muito melhores para a nossa gente, o povo que pega transporte público, que depende de assistência de saúde pública, que em geral estuda ou estudou em escolas públicas de diversos níveis e em fases distintas da vida, que precisa de oportunidades de moradia popular para sair do aluguel, e outros direitos humanos como cultura, segurança etc.

O PT governou São Paulo por 3 vezes, com Luiza Erundina (meu primeiro voto), com Marta Suplicy e com Fernando Haddad. A gestão deles foi melhor para o povo da periferia e para a classe média que vive nos grandes bairros. Votar no PT ou em partidos focados no povo trabalhador, como o PSOL, é a garantia de inclusão do povo trabalhador no orçamento da cidade.

O PT governou Osasco também por 3 vezes, com Emidio de Souza e Jorge Lapas. A cidade deu um salto de qualidade que não havia dado desde sua emancipação, décadas antes. Saiu de um orçamento pequeno e sem oportunidades para o povo para um dos maiores orçamentos do Estado de São Paulo, e Emidio foi o responsável por esse avanço.

Amigas e amigos do mundo do trabalho, leitoras e leitores deste blog, por mais que o poder do dinheiro (plutocracia e não democracia) vá definir o cenário geral da política nas mais de 5,5 mil cidades e na composição dos parlamentos municipais, eu compartilho com vocês minha opinião honesta como alguém que representou trabalhadores de uma das maiores categorias profissionais do país para que vocês votem e peçam voto nas candidaturas do nosso campo popular.

Em São Paulo, vamos trabalhar nestas três semanas para elegermos Guilherme Boulos para o 2º turno e vamos eleger uma bancada de vereadoras e vereadores do mundo do trabalho, de esquerda, para que nossos direitos nas cidades não desapareçam mais ainda. Vamos lutar por uma cidade mais humana, mais sustentável, com mais direitos para nós. Eu apoio e peço voto à jovem mulher Luna Zarattini 13131.

Em Osasco, vamos trabalhar para colocarmos Emidio na prefeitura para nossa cidade voltar a ser planejada e atender às demandas do povo, pois recursos existem e são mal utilizados. Para a Câmara de vereadores, vamos nos esforçar para que o poder violento do dinheiro não faça uma bancada toda de direita e contrária ao povo. Eu apoio e peço voto para o Coletivo JuntOz 13713.

---

Hoje participei da Plenária virtual de nossa companheira Luna Zarattini e sua equipe. Luna tem uma energia e um ritmo de trabalho e dedicação muito contagiante! Conversem com sua família e amigos e vamos eleger Luna.

Abraços de lutas!

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior dessa série pode ser lido aqui. O seguinte, aqui.


24.8.24

Diário e reflexões



Vamos mudar São Paulo elegendo Boulos e Luna Zarattini

Sábado, 24 de agosto de 2024.


Opinião (6)


ELEIÇÕES EM SÃO PAULO 

A esperança é apostar na juventude progressista e humanista e na renovação para recuperar os direitos das pessoas nas cidades brasileiras. 

Como tenho apontado nesta série de textos sobre as eleições municipais, a realização da vida diária das pessoas se dá no cotidiano onde elas vivem, nas cidades. 

Neste sábado, logo pela manhã, um grande evento na região do Campo Limpo contou com a presença do presidente Lula e diversas lideranças populares para conversar com a população paulistana sobre a importância da participação massiva do povo humilde e trabalhador nas eleições de 6 de outubro. 

A campanha para elegermos Guilherme Boulos prefeito de São Paulo segue apresentando propostas para melhorar a vida das pessoas. Boulos tem história de luta, é jovem e experiente na defesa da moradia, um direito básico de todas as pessoas. 

Votar em partidos comprometidos com o povo como o Partido dos Trabalhadores e o PSOL é a certeza de elegermos pessoas e partidos com propostas para melhorar a vida do povo, sempre foi assim em nossa história brasileira. 

São Paulo foi governada pelo PT em três oportunidades, com Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad, e nas três gestões a vida das pessoas melhorou efetivamente com milhares de moradias sendo entregues à classe trabalhadora, a melhora do transporte público, a educação em todos os níveis como a criação de creches e os CEUS e a cidade avançou na economia e na criação de empregos e renda: o povo foi incluído no orçamento da cidade mais rica do país.

Votar em Boulos e Marta Suplicy é a garantia de um governo gerindo a maior cidade do país para humanizar São Paulo e melhorar a vida da classe trabalhadora. 

---

A professora Ione e eu na 
Plenária com Luna Zarattini.

ELEGER VEREADORAS E VEREADORES COMPROMETIDOS COM O POVO, COM LULA E BOULOS

Da mesma forma que vamos mudar São Paulo elegendo Boulos, vamos conversar com todas as pessoas para elegermos mulheres e homens, jovens e experientes na luta por direitos, para termos uma Câmara de Vereadores comprometida com o projeto de Boulos, Marta e Lula.

Luna Zarattini 13131 representa todas essas questões que descrevi sobre a melhoria da vida das pessoas na cidade de São Paulo. Tenho acompanhado esse ano e meio de trabalho dela como a vereadora mais jovem da Câmara e única mulher da bancada do PT. 

Que trabalho de representação combativo e popular o de Luna Zarattini! Aqui no Butantã, Jaguaré, Continental, Rio Pequeno e demais bairros da Zona Oeste, Luna esteve o tempo todo conosco.

A plenária de lançamento da candidatura de Luna Zarattini 13131 aqui no Jaguaré, Butantã, foi cheia de lideranças das comunidades e do povo que precisa de uma São Paulo mais humana e acolhedora, utilizando os recursos da cidade em benefício das pessoas. 

Compartilhem essa esperança de uma São Paulo melhor e vamos juntos até 6 de outubro para elegermos Luna Zarattini 13131 e Boulos 50 prefeito!

Abraços fraternos!

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior, no qual falo sobre o poder do dinheiro e das mentiras nas eleições municipais pode ser lido aqui. O texto seguinte desta série pode ser lido aqui.


19.8.24

Diário e reflexões



Democracia (povo no poder)?

Osasco, 19 de agosto de 2024. Segunda-feira. 


Opinião (5)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

"Os livros servem para nos lembrar quanto somos estúpidos e tolos. São o guarda pretoriano de César, cochichando enquanto o desfile ruge pela avenida: 'Lembre-se, César, tu és mortal'. A maioria de nós não pode sair correndo por aí, falar com todo mundo, conhecer todas as cidades do mundo. Não temos tempo, dinheiro ou tantos amigos assim. As coisas que você está procurando, Montag, estão no mundo, mas a única possibilidade que o sujeito comum terá de ver noventa e nove por cento delas está num livro..." (Fahrenheit 451, 1953, Ray Bradbury, p. 125)


Ou damos um passo atrás com essas plataformas digitais e o poder do dinheiro nas eleições ou já era a sociedade humana e as democracias 

Os entusiastas da internet e do mundo virtual e digital, diriam que os livros físicos de ontem são as "nuvens" de hoje, que "guardam" todo o conhecimento do mundo. Essa é, na minha opinião, a mãe de todas as mentiras, a maior das ilusões inventadas pelos donos do poder. Baboseira! 

As "nuvens" digitais não resistem a uma tempestade solar de maior intensidade que as usuais. Não resistem a uma guerrazinha de destruição de estruturas de um país. Não resistem a falta de energia elétrica.

E o pior é que tem muita gente séria que acredita nisso... uma tragédia para a humanidade! Parte do conhecimento humano criado nas últimas décadas pode desaparecer assim como as nuvens no céu ao sabor dos ventos.

Acompanho há mais de duas décadas como ser político o surgimento da internet e mundo digital como os conhecemos hoje, 2024. 

Eu era dirigente da Executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2004 quando me envolvi num debate sobre terceirizar ou não nossa estrutura de dados e de comunicação. Eu era contrário e felizmente prevaleceu a estrutura própria do Sindicato. 

Poucos anos depois, o mundo descobriria as denúncias de Snoden e Assange e as invasões do governo norte-americano até nos e-mails das presidentas do Brasil e da Alemanha. Até porque os bancos de dados da internet estavam todos lá nos EUA: as "nuvens".

Depois virei secretário de imprensa da nossa confederação dos bancários e lidei com toda a novidade da internet e mundo digital de novo. Surgiam as grandes redes sociais das plataformas que hoje chamamos de big techs

Após tudo o que sabemos nessas duas últimas décadas, só é inocente quem quer em relação a não acreditar que essas corporações controlam nossas vidas como na ficção Matrix (1999). Somos as baterias dessas corporações globais do capital, as mercadorias somos nós, nossos dados.

Ao reler Fahrenheit 451 fiquei pensando na atualidade da ficção distópica, lançada nos anos cinquenta por Ray Bradbury. Também fiquei pensando na temática da "economia da atenção", um conceito criado nos anos 70 por Herbert Simon. Há muito tempo, o capitalismo vem se apropriando desse "recurso limitado e valioso" um bem econômico: a nossa atenção humana. 

No fundo, o mundo hoje é a síntese global da sociedade do espetáculo (Guy Debord) e a tecnologia da informação concentrada cada dia mais na mão de poucos humanos (das big techs). Estamos chegando no momento do xeque-mate no jogo de xadrez da história humana na terra. Ou desfazemos esse poder de poucos humanos no planeta Terra ou já éramos enquanto espécie e sociedade humana. 

-------------------------

Repito: ou desfazemos esse poder de poucos humanos em benefício da maioria ou já éramos enquanto sociedade humana!

-------------------------

ELEIÇÕES EM SÃO PAULO

Vejam um exemplo que beira o absurdo (porém, nada mais é absurdo, tudo é "normalizado"):

Hoje, 19 de agosto, haveria um debate entre candidatos e candidatas à prefeitura de São Paulo e três deles - Boulos, Nunes e Datena - não aceitaram participar por causa do comportamento já sabido e "sendo normalizado" de um outro candidato. Pelo que apurei, participaram com ele as candidatas Tabata e Marina. 

Economia da atenção e uso de dinheiro na campanha - Desde o início da campanha eleitoral, as autoridades constituídas no país não estão fazendo nada de forma rápida e eficaz em relação ao que esse sujeito vem fazendo há dias. Isso é democrático? Estamos falando de democracia? Que poder do povo é esse? 

Qualquer cidadão comum, um bancário ou professor, por exemplo, dificilmente conseguiria amealhar 200 milhões de reais em suas vidas de classe trabalhadora. 200 milhões! É o valor declarado de patrimônio pelo sujeito.

Normalmente, após uns vinte anos de trabalho duro, talvez os trabalhadores tenham em sua declaração de imposto de renda um ou dois imóveis, de um milhão de reais, se tanto, e outros bens materiais como carros, por exemplo. Imaginem a realidade de dezenas de milhões de brasileiras e brasileiros.

O sujeito candidato tem 200 milhões de reais. Se lança candidato a prefeito. Paga milhares de pessoas por produtividade para fazer recortes de suas falas absurdas e consegue dezenas de milhões de visualizações nas redes sociais e na rede mundial (internet), visualizações compradas de uma forma imoral, imagino ilegal por abuso de poder econômico, e desproporcional com aquilo que chamaríamos de "igualdade de condições" e tudo fica por isso mesmo...

Estão normalizando isso... tudo seria normal... é como se não existissem normas legais no país. Uma anomia! Pode tudo!

DEMOCRACIA? PLUTOCRACIA? DITADURA DO DINHEIRO? Entendem o cerne do problema? Isso não é normal! Não condiz com os conceitos básicos de democracia!

É nesse mundo e sobre essa realidade objetiva que reafirmo que ou desfazemos essa lógica destruidora da sociedade humana ou já éramos!

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior sobre essa série eleições, pode ser lido aqui. O texto seguinte, dia de plenárias de lançamento da campanha de Boulos e de nossa vereadora Luna Zarattini, pode ser lido aqui.


Bibliografia:

BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451. Tradução Cid Knipel. São Paulo: Globo, 2009. 


16.8.24

Diário e reflexões



Eleições em São Paulo

Sexta-feira, 16 de agosto de 2024.


Opinião (4)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Começa nesta sexta-feira 16 a campanha para a eleição de prefeitas e prefeitos das cidades brasileiras e para as câmaras legislativas. Vamos dialogar com nossas leitoras e leitores durante esse período de exercício da democracia.

Eu sempre me lembro das conversas que tenho com lideranças da nossa categoria bancária quando penso em política. 

Uma de minhas referências desde que comecei na militância política, um companheiro do Banco do Brasil, costuma dizer algo mais ou menos assim quando compartilho com ele meus receios sobre o futuro: ele diz que as mudanças vão ser feitas pelos jovens e a nós, com mais idade e experiência, cabe apoiar os jovens e dar alguma contribuição na medida do possível.

Essa questão de apostar nos jovens para assumirem as funções políticas que definem a nossa vida em sociedade é algo a se pensar com zelo e sabedoria. A quem vamos confiar nosso presente e futuro na política?

Eu tenho visto o trabalho militante e engajado da jovem vereadora de São Paulo, Luna Zarattini, a única mulher na bancada de vereadores do Partido dos Trabalhadores na atual legislatura. Que mandato combativo! Que trabalho incansável!

Luna trabalha de segunda a segunda, a qualquer hora do dia, desde que assumiu seu mandato na Câmara de Vereadores de São Paulo. Está sempre presente nas reuniões nas comunidades nas regiões mais carentes da cidade. Ela é um exemplo de representação popular!

Quando vejo a energia e a dedicação de Luna Zarattini, me lembro das melhores sindicalistas que conheci ao longo de décadas de luta e representação sindical. Luna está sempre nas bases, em contato com as pessoas.

Quem viu meu trabalho de representação sindical por duas décadas, sabe que estar na base, ouvir as pessoas, organizar as reivindicações e fazer boas campanhas para conseguir direitos sempre foi uma das características de nossos mandatos, desde o início. 

Luna é assim, que mulher trabalhadora e com a sensibilidade de ouvir e encaminhar as demandas das pessoas que mais precisam do apoio das instituições públicas da cidade para melhorar suas vidas.

É por experiência no dia a dia e por acreditar na juventude e na energia de uma mulher que atua incansavelmente pela população paulistana que eu vou apoiar a eleição de Luna Zarattini 13131 para vereadora de São Paulo, para que ela e as bancadas progressistas possam lutar ao lado de Guilherme Boulos e Marta Suplicy para mudar e melhorar a maior cidade das Américas.

Vamos conversando! 

William Mendes

Ex-dirigente da categoria bancária


Post Scriptum: clique aqui para ler o texto anterior sobre essa série: eleições municipais 2024. O texto seguinte sobre o tema eleições pode ser lido aqui.



7.6.22

Memórias (XXVII)


É a luta e a participação social que garantem direitos,
não órgãos de Justiça. Foto: C. Ribas, 25º CNFBB.

Decisão da Justiça não se discute, se cumpre? O c... Aprendi durante minha formação política que não se deve confiar cegamente na Justiça e muito menos substituir a luta e mobilização política por ações na Justiça, que é sempre de natureza conservadora e próxima às burguesias e aos donos do poder político


Pois é, lá vamos nós registrar mais um momento de memórias neste blog de militância política de um cidadão oriundo das lutas da categoria bancária. Vejamos alguns exemplos abaixo:

- Congresso bolsonarista aprova lei que autoriza bancos a tomarem imóvel único das famílias por dívida...

- Procuradores e juízes da operação Lava Jato prenderam pessoas sem condenação, sem o devido processo legal e em desrespeito à Constituição e à presunção de inocência, visando benefícios pessoais e políticos...

- É comum vermos notícias de juízes que mantêm presos mães e pais de família que roubaram algum tipo de comida em algum supermercado...

- A propriedade de seres humanos já foi lei no Brasil...

- A Justiça permitiu em dissídios coletivos que o Banco do Brasil retirasse direitos coletivos durante os governos FHC/PSDB prejudicando dezenas de milhares de trabalhadores e suas famílias...


Entrei na categoria bancária em 1988 como escriturário do Unibanco e lá onde trabalhava, no Centro Administrativo da Raposo Tavares (CAU), conheci o pessoal do movimento sindical. Uma de minhas referências à época era o funcionário político do nosso sindicato, o Marcos Martins, que depois viria a ser um grande político de Osasco - 5 vezes vereador e 3 vezes deputado estadual pelo PT. Passei dois anos na categoria, fiz greve e ajudei a organizar meus colegas no local de trabalho e saí em 1990.

Em 1992, eu era estagiário na agência do Ceagesp do Banco do Brasil, pois havia começado a fazer faculdade de Ciências Contábeis no ano anterior. Quando passei no concurso do BB em 1991 eu não era estagiário ainda, mas o concurso foi cancelado por fraude e na segunda vez que fiz as provas eu já estagiava no banco. Tive que passar duas vezes no concurso para virar bancário do maior banco público do país. Me despedi dos colegas do Ceagesp como estagiário no dia 8/9 e tomei posse na ag. Rua Clélia no BB no dia 9/9/92.

Minha formação política teve muita influência das lideranças do movimento sindical e dos colegas do Banco do Brasil. Ou seja, me formei politicamente no ambiente de trabalho, onde se dão as disputas entre capital e trabalho, entre o patrão e seus capatazes versus nós da base da pirâmide, o "chão de fábrica" ou das agências e dependências do banco. O ambiente de trabalho no BB era muito politizado, de verdade, as pessoas tinham um engajamento impressionante e política era o ar que respirávamos na época.

Entre 1988 e 1990, no Unibanco, já entendia que, em geral, a Justiça do Trabalho e as outras instâncias da Justiça só existiam pra ferrar com a gente, dizer que nossas greves eram ilegais e fazer julgamentos de dissídio coletivo favorecendo os banqueiros. Depois que entrei no Banco do Brasil então, puta merda!, aí é que ficou claro como a Justiça é patronal e só prejudica as categorias profissionais organizadas e que fazem luta de verdade como no caso dos bancários, metalúrgicos, professores e outras categorias. Claro que há exceções na Justiça, existem pessoas progressistas, mas elas são exceção no sistema!

Quando era estagiário do BB em 1992, só ouvia dizer do quanto a Justiça prejudicou os funcionários na greve de 1991, derrotando a categoria e favorecendo o Banco e o governo. Foi nessa época que comecei a ouvir falar de uma confederação pelega que mesmo sem ter base social importante - os maiores sindicatos - e sem organizar as lutas nos bancos era a entidade que era ouvida nos litígios de campanha salarial dos bancos federais... era um horror! Os bancários declaravam greve, iam pra luta e a tal confederação se unia ao patronato e melavam as lutas na justiça.

Aí veio a eleição de FHC (PSDB/DEM) em 1994 e a tragédia começou para nós bancários de bancos públicos. Os tucanos acabaram com a maioria dos bancos públicos estaduais e regionais e os federais passaram por processos terríveis de desmonte com o fim de serem privatizados. Congelamentos salariais, eliminação de direitos coletivos históricos, redução de postos de trabalho e programas de demissão etc. Foram tempos difíceis. Nunca me esquecerei das dezenas de suicídios de colegas bancários. Nunca!

E a Justiça, que papel teve nesse período terrível na história da categoria bancária e dos trabalhadores de empresas públicas? Meu aprendizado foi na prática, vendo a atuação da Justiça nos julgamentos de dissídio coletivo sempre a favor do governo e dos bancos e contra dezenas de milhares de trabalhadores. Até direitos que eram considerados direitos adquiridos foram eliminados nos anos noventa.

---

TRABALHADORES NÃO DEVEM DELEGAR SEUS DESTINOS À JUSTIÇA BURGUESA

Tive dois momentos como trabalhador bancário ao longo da vida laboral: entre 1988 e meados de 2002 fui um bancário sindicalizado da base social do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Depois, na mesma base, tive a oportunidade que mudou a minha vida e minha visão política das coisas: me tornei dirigente sindical, eleito pelos colegas em 2002, e exerci mandatos de representação até maio de 2018. E o que aprendi em relação às lutas de classe? Aprendi que os trabalhadores devem se organizar e construir mobilização para lutar por seus direitos e nunca devem delegar o resultado de suas lutas a instância alguma da Justiça, nunca!

Além de aprender na prática como atua a Justiça contra as grandes categorias organizadas e mobilizadas, estudei a história de nossas lutas no Brasil, e também a criação da CUT e seus objetivos, a questão da CLT e a estrutura sindical brasileira, a estrutura da Justiça do trabalho, o imposto sindical etc. Depois criamos a nossa Confederação, a Contraf-CUT (em 2006), para interromper as sacanagens que a confederação pelega fazia conosco ao longo da história (principalmente após a ditadura militar de 1964 em diante). É uma longa história e seria difícil discorrer um pouco em uma só postagem.

Por que estou abordando a questão da Justiça, confiar ou não na Justiça, jogar todas as fichas em decisões judiciais etc? Por causa do momento político que estamos vivendo no Brasil pós golpe de Estado em 2016. Tudo ficou muito louco, sem sentido e ficamos sem chão, passamos a ver coisas inimagináveis após a ruptura democrática, golpe que nos trouxe ao inferno que vivemos no Brasil atual (golpe "com o Supremo com tudo" como disse um senador à época).

Enfim, acho que vou parar por aqui este texto de memórias, pode ser que eu faça outro texto falando um pouco dos aprendizados e os motivos pelos quais não devemos confiar na Justiça. Ilustrei no início a questão com alguns exemplos recentes de decisões com força de lei contrárias à maioria do povo e em benefício de castas: a Lava Jato e a lei pra bancos tomarem imóveis de famílias são dois exemplos claros. 

Durante os 16 anos de atuação como dirigente sindical, e com a formação que tive no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, sempre tive os dois pés atrás em relação a entrar com ações coletivas ou ações judiciais das mais variadas formas para defender direitos de nossa categoria. Todos que conviviam comigo sabiam disso.

Talvez em um próximo texto de memórias eu cite alguns casos prejudiciais para nós bancários que tiveram decisões judiciais favoráveis aos banqueiros e ao governo de plantão. Na categoria bancária aprendi que o movimento sindical sempre foi contrário à interferência da Justiça do Trabalho nas negociações coletivas, por entendermos que a negociação e contratação de direitos sempre foi a melhor solução para os conflitos entre capital e trabalho.

Tem um ditado popular que diz: "a gente nunca sabe o que vai sair da cabeça de um juiz e do cu de uma galinha".

Essa frase vale para a reflexão. Não se deve delegar nossa capacidade de nos organizarmos, definir objetivos e lutar por eles e ao final dos processos negociais contratar direitos e definir regras comuns de convivência: enfim, coisas da democracia.

Resumindo: decisões da Justiça ou da cabeça de algum juiz podem desagradar a uma das partes ou a ambas. O melhor é negociar e conciliar direitos e deveres em um ambiente democrático. Foi isso que aprendi em três décadas de convívio com uma das categorias mais organizadas do país, os bancários.

Não me lembro na história da luta de classes de nenhum direito - social, civil e político - que tenha vindo de uma canetada de algum sujeito das ditas castas "superiores" nas organizações sociais e aglomerações humanas. Entendo que as leis e os costumes existem em função de determinados contextos sociais no tempo e no espaço e o que define as leis e os direitos são as correlações de força estabelecidas nas disputas de grupos sociais.

É isso por enquanto.

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XXVI), clique aqui.

Clique aqui para ler o texto seguinte, o (XXVIII).


17.4.22

Memórias (XXIV)



Eleições e democracia


Osasco, 17 de abril de 2022. Domingo.

Neste registro de memórias, vou dissertar um pouco sobre eleições e democracia. Eu entendo que as sociedades humanas estão vivendo um momento de transição daquilo que conhecemos como democracia para alguma outra coisa que não sei como será definida mais adiante. 

Além de se retirar eleitos do poder por golpes civil-militares e jurídico-parlamentares e processos de lawfare com os donos do poder por trás dos processos antidemocráticos, temos agora ferramentas tecnológicas que alteram o comportamento humano em massa e interferem no resultado de eleições que vão acontecer ainda.

As novas tecnologias desenvolvidas pelos seres humanos nas últimas décadas acabaram por inviabilizar as formas tradicionais de representação popular nos espaços de poder. Com o advento das redes sociais e os sistemas de algoritmos, associados aos disparos em massa de fake news e desinformação de forma pessoal (só no aparelho do manipulado) e para milhões de pessoas (ao custo de muito dinheiro), não se pode mais definir alguns resultados eleitorais como democráticos.

Avalio que é esse o cenário de fim das democracias que estamos vivendo desde o início da década passada no mundo (o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 é um exemplo) e no Brasil, com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016, impeachment sem crime de responsabilidade e depois a prisão do candidato que venceria as eleições em 2018 - Lula da Silva -, permitindo com isso a chegada ao poder da extrema-direita, de forma irregular e antidemocrática, devido às inúmeras interferências no processo em desfavor de um candidato e em favor do outro.

ELEIÇÕES CORPORATIVAS EM ENTIDADES DE TRABALHADORES

É nesse cenário atual de risco às democracias que estamos vivendo nessas semanas as eleições na Cassi e na Previ, caixas de assistência e previdência dos funcionários do Banco do Brasil. 

No mês passado, tivemos as eleições na Cassi e felizmente a chapa liderada pelo companheiro Fernando Amaral, apoiada pelas entidades sindicais, venceu com ampla margem de diferença em relação à segunda colocada, a chapa considerada como chapa da direita, a chapa dos empresários, a chapa apoiada pelos grupos patronais. Fiquei muito feliz de ter visto a massa de associados trabalhadores e aposentados votarem na chapa composta pelos colegas que tinham o apoio dos legítimos representantes dos interesses do mundo do trabalho.

Nesta segunda-feira 18 começam as eleições na Previ e novamente temos um cenário parecido com o das eleições na Cassi, uma chapa apoiada pelas entidades sindicais, a Chapa 3 liderada pelos companheiros Márcio de Souza e Paula Goto, e outras chapas de grupos de direita, empresariais, cujos interesses não são os da classe trabalhadora, não são mesmo. 

Mais uma vez, espero que a massa dos associados trabalhadores e aposentados vote massivamente na Chapa 3, que representa os interesses do mundo do trabalho e dos trabalhadores bancários. Não podemos nos enganar pela imensidão de fake news e desinformações que circularam pelas redes sociais e e-mails nos últimos dias.

---

Quando olho para trás em relação a crer ou não crer na efetividade da democracia, avalio que o período no qual mais acreditei nas mudanças sociais em favor do povo e da classe trabalhadora através da democracia representativa foi até 2016, até que um bando de homens corruptos efetivou o golpe de Estado que tirou da presidência Dilma Rousseff em 2016. A direita tirou da presidência a candidata que eu e mais 54,5 milhões de eleitores votamos em 2014, e impediram o mandato presidencial sem nenhuma justificativa formal, só porque a casa-grande cansou de tentar voltar ao poder via voto.

De lá para cá, eu fui avaliando a situação da democracia com o avanço das manipulações possíveis aos processos eleitorais através dos sistemas que dominaram o mundo atual, as redes sociais e os algoritmos que alteram o comportamento de milhões de pessoas. Fora os processos antidemocráticos que já conhecíamos como lawfare e golpes tradicionais, mas com alcances menores que esses resultantes das novas tecnologias.

Me lembro de meu primeiro voto em 1988, eu tinha acabado de tirar meu título de eleitor e pude votar pela primeira vez na candidata que efetivamente representava os interesses do mundo do trabalho e da classe trabalhadora, Luiza Erundina, candidata a prefeita de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores. 

Nunca me esqueço de um dos efeitos em minha vida de trabalhador após as mudanças efetuadas por Erundina. Eu era trabalhador braçal, descarregava caminhões com caixas de palmito e depois passava o dia entregando o produto em restaurantes paulistanos. Para chegar ao depósito onde trabalhava, eu nunca conseguia entrar nos ônibus lotados e a solução era ir pendurado nas portas e janelas dos ônibus. Muita gente caía e ou morria por causa disso. Após Erundina virar nossa prefeita, as mudanças nos transportes públicos me permitiram tomar ônibus como gente, entrar, pagar e às vezes até me sentar durante a viagem. Nunca esqueci essa mudança na minha vida de trabalhador.

A partir desse meu primeiro voto, passei a vida toda de eleitor trabalhador votando no Partido dos Trabalhadores. Não era politizado, mas tinha claro que trabalhador votava em trabalhador. E a maioria dos candidatos e dos partidos era de representações das elites e da casa-grande. Esse monte de partidos de direita, conservadores, liberais blá-blá-blá nunca representou os nossos interesses, de trabalhadores braçais, de bancários, de professores, metalúrgicos, motoristas de ônibus, comerciários, empregadas domésticas etc. Trabalhador(a) vota em trabalhador(a). Passei a vida adulta tendo isso claro.

Depois me politizei virando bancário sindicalizado e até dirigente sindical e representante dos colegas de minha categoria profissional. A eleição de Lula em 2002, após perder várias eleições - 1989, 1994 e 1998 - nos permitiu ver as maiores mudanças em favor da classe trabalhadora e do povo brasileiro que o Brasil já experimentara em seus 5 séculos como colônia, império e república, ou melhor, república nada... uma colônia disfarçada do século 19 adiante, pois a casa-grande brasileira odeia o Brasil e o povo brasileiro e nunca considerou o país de forma soberana, a não ser como colônia de exploração. 

Enfim, vou parar por aqui esta memória. Já dissertei um pouco sobre o que penso atualmente a respeito de eleições e democracia no estágio atual do mundo.

De novo, desejo que meus colegas da ativa e aposentados do Banco do Brasil tenham juízo e votem na Chapa 3 nas eleições da Previ, a chapa que representa nossos interesses do mundo do trabalho.

William


Para ler o texto anterior, Memórias (XXIII), clique aqui. O texto seguinte pode ser lido aqui.

---

Post Scriptum:

PREVI

As eleições na Previ terminaram ontem, sexta-feira 29, e a Chapa 3 Previ para os Associados venceu a eleição com larga vantagem em relação às demais chapas de direita e grupos que representam os interesses do capital, do "mercado" (o 1% de rentistas) e dos corruptos de colarinho branco. Fico feliz pela decisão massiva de mais da metade dos associad@s da Previ. Segue abaixo a notícia do resultado, com adaptações na matéria da Previ:

Chapa 3 vence as Eleições Previ 2022

29/04/2022

A votação para definir quem são os dirigentes eleitos nos próximos quatro anos terminou nesta sexta-feira, 29/4, às 18h. A vencedora foi a Chapa 3 – PREVI PARA OS ASSOCIADOS. Foram computados ainda 86.446 abstenções, 3.508 votos em branco e 5.554 nulos. O número total de eleitores votantes foi de 108.221 (cento e oito mil, duzentos e vinte e um votos). Confira o Resultado Final consolidado por estado (tirei o link, veja no site da Previ)

Veja abaixo o total de votos recebidos pelas quatro chapas concorrentes:

Chapa                                                               Votos         %

Chapa 3: Previ para os Associados                 54.423    50,29
Chapa 4: Mais União na Previ                         20.344    18,80
Chapa 1: Previ Plural Apartidária                   17.728    16,38
Chapa 2: Pense – O Futuro é Agora                  6.664      6,16

Entre os dias 18 e 29 de abril os associados puderam votar para definir os representantes para as diretorias de Administração e de Planejamento, além de um membro titular e um suplente para os Conselhos Deliberativo e Fiscal, e dois membros titulares e dois suplentes para os Conselhos Consultivos do Plano 1 e do Previ Futuro. Os mandatos são de quatro anos e vão de 1/6/2022 até 31/5/2026.

O resultado das Eleições Previ 2022 será homologado pela Comissão Eleitoral após a conclusão das verificações que são realizadas pela auditoria externa e pela auditoria da Previ.

Confira os membros da chapa vencedora:

Nome                                      Cargo  

Márcio de Souza                    Diretor de Administração
Paula Regina Goto                 Diretora de Planejamento
Antonio Sergio Riede            Conselheiro Deliberativo Titular
Luciana A. B. Bagno              Conselheira Deliberativa Suplente
Getulio Mendes Maciel          Conselheiro Fiscal Titular
Wagner F. L. Bernardes        Conselheiro Fiscal Suplente
Carlos Guilherme Haeser      Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Eleucipio Vera Barreto          Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
José Carlos Vasconcelos       Conselho Consultivo do P.B. 1 Titular
Francisco dos Santos Filho   Conselho Consultivo do P.B. 1 Suplente
André Luiz Alves                   Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Elisa de Figueiredo Ferreira Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente
Carlos Eduardo B. Marques  Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Titular
Cleiton dos Santos Silva       Conselho Cons. P.B. PREVI Futuro Suplente

---

Post Scriptum II:

CASSI

Aproveito o registro para incluir o resultado final das eleições na Cassi deste ano, ocorridas em março, que também tiveram como chapas vencedoras as chapas construídas e apoiadas pelo movimento sindical. A Cassi estava com uma direção 100% favorável ao patrão antes dessas eleições. Agora teremos ao menos uma minoria para denunciar a destruição em andamento em nossa Caixa de Assistência, que vem sofrendo perdas irreparáveis como o desfazimento do modelo assistencial (ESF), sua estrutura própria de CliniCassi e de seu quadro de profissionais. 

A matéria do site da Cassi é esta abaixo. A Cassi está tão esquisita que fui procurar o resultado das eleições por chapa e o tal hotsite que criaram diz que não está mais disponível o resultado final... acreditem se quiserem! Custei encontrar os votos das outras chapas. Fui encontrar os dados em uma matéria da Contraf-CUT.


Chapas 6 e 77 vencem as Eleições CASSI 2022

Publicado na Cassi em: 28/03/2022

Com 39.923 votos, a Chapa 6 foi a vencedora das Eleições CASSI 2022 para a Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento e os membros dos Conselhos Deliberativo. A Chapa 77 ganhou a eleição para o Conselho Fiscal com 39.090 votos registrados. A apuração foi realizada após as 18h desta segunda-feira, dia 28/3/2022.

Foram registrados 8.149 votos em branco e 12.681 votos nulos na soma das duas votações.

Com o resultado, foram eleitos os seguintes candidatos:


Diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento
Fernando Amaral Baptista Filho


Conselho Deliberativo
Titular: Cristiana Silva Rocha Garbinatto
Suplente: Cláudio Alberto Fernandes do Nascimento
Titular: Alberto Alves Júnior
Suplente: Gilmar José dos Santos

Conselho Fiscal
Titular: Fernanda Lopes de Oliveira
Suplente: Diusa Alves de Almeida

Todos os eleitos tomam posse no dia 1º de junho e têm à frente um mandato de quatro anos de duração.

-

Publicação da Contraf-CUT em 28/3/22:

Chapas 6 e 77 vencem eleição da Cassi

28 de março de 2022 - 18:56

Eleitos assumem cargos em junho e seguem até maio de 2026

As chapas 6 e 77, Unidos por uma Cassi Solidária, que tiveram o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações, sindicatos e da maioria das entidades associativas do país, foram as mais votadas nas eleições da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e vão assumir a diretoria de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento, além dos conselhos Deliberativo e Fiscal a partir de junho de 2022 até maio de 2026.

Do total de votantes, 56,38% votaram na Diretoria e Conselho Deliberativo e 53,24% votaram no Conselho Fiscal.

Veja abaixo os dados da votação:

Diretoria e Conselho Deliberativo:

Unidos por uma CASSI Solidária             39.923 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                20.048 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 16.112 votos
CASSI Independente                                  3.187 votos


Conselho Fiscal:

Unidos por uma CASSI Solidária             30.090 votos (eleita)
Mais União na CASSI                                19.035 votos
CASSI: Entre que a casa é sua                 13.200 votos
CASSI Independente                                  3.200 votos

Obs.: Esses são os dados prévios, assim que sair a totalização oficial, alteramos aqui com a votação exata!

Mais informações em nosso site e redes sociais.