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8.11.21

Memórias (III)



Memórias das lutas dos bancários em 2006 (III)

Ao rever as postagens do blog sindical A Categoria Bancária do mês de dezembro de 2006 fica a recordação do quanto nossa agenda era toda voltada para as lutas da classe trabalhadora. 

Mesmo sendo dezembro um mês no qual as agendas sindicais são menos intensas que os meses de preparação de campanhas nacionais de data-base ou específicas por temas ou bancos, ou mesmo as lutas gerais da classe trabalhadora, tivemos agendas importantes. Ver aqui as postagens de dezembro.

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MARCHA DO SALÁRIO MÍNIMO

Já no início daquele mês organizamos a 3ª Marcha do salário mínimo, luta que começamos em 2004. Essa pauta foi tão, mas tão importante!, que a renda do trabalhador brasileiro aumentou durante os governos do Partido dos Trabalhadores por causa dessa pauta que construímos e conquistamos. Tenho orgulho de ter participado de todas as marchas a Brasília. 

Aliás, foi tão importante!, mesmo sem o reconhecimento devido por parte de trabalhadores aposentados, que os aumentos reais do salário mínimo aumentaram os benefícios dos aposentados durante todos os governos do PT. Antes, durante os governos neoliberais dos fernandos, principalmente o FHC, foram anos de congelamento e os aposentados eram chamados pelo sociólogo de "vagabundos".

Nesta de 2006, saímos de ônibus de São Paulo no dia 5 e eu fiquei na capital federal para participar de negociações com o Banco do Brasil. (ler aqui)

Além da pauta do salário mínimo também lutávamos pela correção da tabela do Imposto de Renda.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DA CONTRAF-CUT

O ano de 2006 foi o ano da criação de nossa confederação do ramo financeiro. A estratégia era tentar reaglutinar sob o guarda-chuva de direitos dos bancários todos os trabalhadores que estavam produzindo para os conglomerados dos bancos. Os banqueiros foram se reestruturando para desorganizar a nossa luta e reduzir os direitos dos bancários. Calculávamos que havia meio milhão de pessoas que estava fora da Convenção Coletiva dos Bancários, mas trabalhando pros caras.

Tive a oportunidade de fazer parte dessa história de organização dos bancários, que se organizaram como departamento dentro da Central Única dos Trabalhadores (DNB/CUT) nos anos oitenta, depois evoluímos como uma confederação em 1992 (CNB/CUT) e finalmente a Contraf-CUT em 2006. Minha primeira missão foi organizar a secretaria de imprensa, incluindo a criação do site e a tarefa de dar conhecimento à marca Contraf-CUT. Foi um desafio muito legal, e contamos com toda a equipe da secretaria e da direção e o apoio dos sindicatos e federações filiados.

O nosso primeiro planejamento ocorreu entre os dias 12 e 15 e foram 4 dias de muita construção coletiva, pactos e alinhamento de objetivos, estratégias e táticas para 3 anos de lutas. Posso dizer que participar de planejamentos estratégicos como participei foi definidor do dirigente sindical que fui por muitos anos. Apliquei o aprendizado até na gestão da diretoria de saúde da Cassi, muitos anos depois.

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PLANEJAMENTO DO COLETIVO BB

Assim como fazíamos planejamento estratégico na Confederação, fazíamos em nosso coletivo de diretores do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, minha principal escola de formação política.

No sábado 16 de dezembro passamos o dia todo organizando nossas lutas para o ano de 2007. Tudo que tinha relação com nosso trabalho sindical era definido coletivamente, o que cada um iria fazer, tarefas, formas de organizar a base, ampliar direitos, fortalecer o movimento, enfrentar os ataques dos banqueiros e governo, formação política dos trabalhadores, sindicalização e fortalecimento do Sindicato etc.

Aprendi muito também com as reuniões e debates políticos semanais no Coletivo BB. Como já disse em textos aqui no blog, definitivamente, por fazer planejamento estratégico, eu sabia o que tinha que fazer todos os dias do ano como representante da classe trabalhadora, eu pertencia a um grupamento político que organizava as lutas sindicais.

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O ano de 2006 foi um bom ano de lutas. Reelegemos o presidente Lula, a classe trabalhadora seguiu tendo como base um salário mínimo que crescia acima da inflação todos os anos. As categorias profissionais conquistavam aumentos reais e novos direitos ano a ano após a eleição de um governo com um olhar para o povo e a classe trabalhadora.

Eu estava completando 5 anos de mandatos como dirigente sindical e estava com diversas tarefas a desempenhar em nome dos trabalhadores e trabalhadoras e dos sindicatos e corrente política que representava, a Articulação Sindical.

É isso. Demos nossa contribuição como sujeitos históricos em lutas de classe que seguem vivas, mesmo nos momentos mais difíceis como esse que o povo brasileiro está vivendo sob um regime do mal, de crime organizado e de desfazimento do país. Nós vamos superar isso, como sujeitos coletivos. (Me referi aqui ao governo Bolsonaro)

William


Para ler o texto seguinte, o Memórias (IV), clique aqui.

Clique aqui para ler o texto anterior, Memórias (II).


7.11.21

Memórias (II)


Em meio a intensa agenda de lutas,
instantes com a família.

Memórias das lutas dos bancários em 2006 (II)

Criei o blog de trabalho em 2006 quando era secretário de imprensa de nossa confederação cutista dos bancários (Contraf-CUT). Um dos objetivos do blog era prestar contas do mandato eletivo, tanto para os trabalhadores da base (mandato de 1º grau), quanto para o Sindicato, a Fetec CUT SP e a corrente política aos quais pertencia e que haviam indicado a mim para a direção de uma entidade de 3º grau, uma confederação. 

Apesar de ter como prioridade o mandato na secretaria de imprensa da confederação (decisão coletiva), nunca deixei de fazer trabalho de base no Sindicato. Havia aprendido isso nos debates do coletivo de banco ao qual pertencia, o Coletivo BB. 

Ao olhar minhas 25 postagens no mês de novembro de 2006 (clicar aqui), fica claro o quanto minha agenda semanal incluía conversar com os trabalhadores na base, mesclando a OLT (Organização no Local de Trabalho) com o dia a dia de reuniões sindicais e políticas nas duas entidades - Sindicato e Confederação - e o planejamento dos trabalhos da secretaria de imprensa. Também produzia textos políticos e fazia parte das negociações com o Banco do Brasil.

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BB E A TERCEIRIZAÇÃO DO SESMT (NR4)

Em 2006 a direção do banco atuou para precarizar o SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), terceirizando o setor. O movimento sindical foi pra cima do banco e com organização e luta revertemos a terceirização. Ler a matéria aqui.

Anos depois, tive a oportunidade de conversar com diversos profissionais da área como diretor de saúde eleito na Cassi. Contei a eles e elas essa história de luta sindical que obrigou o Banco do Brasil a implantar estruturas de SESMT nas diversas regiões do país. Foi uma luta bonita! 

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CASSI: ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF)

No mês de novembro de 2006 a Contraf-CUT e o BB estavam discutindo as questões da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Ver postagem aqui. Essas negociações avançariam para uma reforma estatutária em 2007, com consulta ao corpo social e entrada de novos recursos na Cassi.

Eu era secretário de imprensa e o responsável pela revista O Espelho Nacional em 2006. Também era representante da Fetec CUT SP na Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB ou COE-BB).

Uma década depois, já como diretor eleito da Cassi, repliquei no blog como "post scriptum" uma entrevista de outubro/2006 com Aluísio Gomes sobre ESF, ele já havia atuado na Cassi e estava trabalhando na ANS como secretário geral da agência.

Tenho a consciência de dever cumprido por saber que durante nosso mandato na diretoria de saúde (2014/18) a ESF foi ampliada e fortalecida e chegou ao maior número histórico de cadastrados e acompanhados pelo modelo assistencial: 182 mil vidas. 

Após sairmos da gestão, a direção atual vem destruindo a Estratégia de Saúde da Família, modelo construído na Cassi por mais de 20 anos. Na entrevista, o senhor Aluísio Gomes explica por que é estratégico ter estruturas próprias de ESF como a Cassi vinha construindo desde 1996.

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BB ASSINA ADITIVO À CONVENÇÃO COLETIVA

Nossa geração tem o orgulho de ter encaminhado uma luta histórica da classe trabalhadora, a unidade. Nós organizamos e implementamos a campanha nacional unificada da categoria bancária, foi um processo intenso e de muito debate entre as diversas forças do movimento.

Em 2006 o Banco do Brasil assinou a Convenção Coletiva de Trabalho da Contraf-CUT com a federação dos banqueiros, a Fenaban. As questões específicas a nós, de lutas antigas ou direitos maiores e relativos aos funcionários do BB ficaram num aditivo à Convenção. Ver postagem aqui.

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TEMPOS DE LUTAS E APRENDIZADOS

Reler as 25 postagens do blog do mês de novembro de 2006 foi um momento de rever boas memórias de lutas e de conquistas. Eu vinha aprendendo dia a dia a ser um representante da classe trabalhadora. Acredito que fiz uma representação política honesta, dedicada e transparente. 

A postagem sobre o 7º Congresso da Fetec CUT SP (ler aqui) me lembrou do saudoso companheiro Tião, com quem aprendi muito. Nunca me esqueço de uma das assembleias decisivas do BB na qual Tião estava lá ao nosso lado na mesa para nos dar força e experiência. Eu tive o privilégio de compor mesas e fazer debates com assembleias lotadas de bancárias e bancários do BB desde 2003 até que fui para outra missão política, a direção da Cassi em 2014.

Ao ler o artigo que fiz para os debates sobre estratégia de organização de lutas e campanha salarial dos bancários, me lembrei que sempre fiz um esforço extra para estudar e escrever para o movimento de luta de classes. Ler aqui.

É isso. Boas memórias. Nós fizemos nossa contribuição nessa longa história humana, a luta de classes entre nós os trabalhadores e os donos do poder, os capitalistas.

William


Clique aqui para ler o texto de Memórias (III).

Para ler o 1º texto, clique aqui.


6.11.21

Memórias (I)


Com Daniel Reis e Rosane Bertotti, da CUT nacional.

Memórias das lutas dos bancários em 2006

Criei este blog no dia 5/10/2006. Na época, eu era dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT.

Dia 5 de outubro de 2006 foi também o 1º dia da greve nacional dos bancários, greve aprovada pela categoria em assembleias país afora após diversas rodadas de negociação com os banqueiros e governo federal não lograrem êxito em obter uma proposta digna de apreciação pelos bancários em assembleias.

A postagem no blog traz informações sobre a boa adesão da categoria à greve. Ler a postagem aqui.

(Na atualidade: nov/2021) Mauro Iasi, no canal Café Bolchevique da TV Boitempo, nos fala sobre temporalidade, separando a temporalidade do indivíduo da temporalidade de classe. 

Em linhas gerais, e resumindo a ideia com minhas palavras, sofremos uma certa ansiedade e angústia ao vislumbrarmos que não veremos no tempo de nossa vida as mudanças e os resultados de nossas lutas coletivas (pensando os nossos objetivos históricos, uma sociedade socialista ou cooperativa e solidária). É verdade. Por isso precisamos ter algum tipo de pertencimento às lutas coletivas, para sabermos que pertencemos a algum lugar histórico.

Ao ver os registros que fiz por mais de uma década de nossas lutas de classe, vejo que fiz parte de uma luta coletiva, de um processo histórico e que não terminou quando eu deixei de fazer parte dele como dirigente sindical. Eu fui um tijolinho nesta construção coletiva. Isso é importante tanto para mim quanto para o processo em si. Há um sentimento de pertencimento nessa relação minha e do movimento de lutas da classe trabalhadora.

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Outra postagem do mês de outubro de 2006, traz registros a respeito das eleições no Brasil e tributação, é uma postagem que ainda hoje aponta as questões centrais da péssima carga tributária brasileira. A maior parte da arrecadação tributária do país se dá com impostos indiretos, sobrecarregando o povo, o setor produtivo e o consumo, ao invés de taxar os bens, patrimônio e renda da burguesia, a classe abastada. Antigo o problema, viu! Ler aqui. 

A matéria traz ainda o resultado da campanha nacional dos bancários em 2006 após o encerramento da greve daquele ano. Os bancários tiveram reajuste de 3,5% (aumento real de 0,63%).

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A postagem do dia 26/10/06 fala sobre as eleições gerais, eu me manifesto e explico por que voto em Lula. Ler aqui.

É assinado o Acordo Coletivo de Trabalho do BB e Contraf-CUT. Tivemos mais um ano de avanços nos direitos da categoria e classe trabalhadora brasileira sob o governo do Partido dos Trabalhadores.

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As outras duas postagens do mês de outubro de 2006 trazem o resultado da eleição presidencial, Lula é reeleito (ler aqui), e vemos a minha agenda sindical, eu tinha uma agenda intensa tanto como dirigente do sindicato, quanto como secretário de imprensa da confederação. Ler aqui.

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Boas lembranças! Somos seres coletivos e vivemos inseridos em processos históricos. É bom termos consciência disso para lidarmos com as angústias da temporalidade individual, com a noção clara de nossa finitude. Nossa missão enquanto seres humanos é livrar o mundo do modo de produção e exploração capitalista e a criação de um mundo melhor para todas as pessoas e para as demais espécies viventes no planeta.

William


Clique aqui para ler o texto de Memórias (II).


13.9.21

Incentivar demanda espontânea é Atenção Primária?


Valores e cultura do momento 

- Faça hoje mesmo sua ligação para a telemedicina!

- Use seu app e faça uma consulta pela telemedicina!

- Encontre o credenciado que precisa hoje mesmo, use o nosso app!

- Já comprou algum produto na farmácia hoje? Aproveitem os descontos de nossos convênios com farmácias em todo o Brasil!

- Mais credenciados! Agora você pode indicar o profissional, a clínica e o hospital que quiser, fale com a diretoria!

- Compre nossos planos de saúde agora mesmo! Temos o produto essencial para o tamanho do seu bolso!

- Programa Mais redução de custos! Fechamos uma clínica de atendimento primário! Mais distância para você nos visitar! Agora sim, ampliamos o modelo de atenção primária!

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COMENTÁRIO DO BLOG:

Os valores e premissas acima não condizem com o modelo de saúde pelo qual lutamos tanto tempo em nossa comunidade de trabalhadores.

E pensar que nosso objetivo após a reforma estatutária de 1996 e as reformas seguintes no estatuto de nossa autogestão em saúde era sair do modelo médico-curativo e implantar um modelo de Atenção Integral à Saúde...

Que tristeza ver todo o desmonte de nossa autogestão após comprovarmos a eficiência da Estratégia de Saúde da Família em populações com as mais diversas características e perfis epidemiológicos...

São os valores e a cultura do momento pelo qual passa o Brasil. Perdemos todos com isso.

William


9.9.21

Atenção Primária à Saúde: desafios e perspectivas (II)



Opinião

"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)


DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA APS

Fui convidado pela organização do II Encontro Nacional dos Conselheiros de Usuários da Cassi para falar a respeito dos desafios e perspectivas da Atenção Primária à Saúde (APS). Antes de mais nada, agradeço pelo convite, pela confiança e pela oportunidade de compartilhar a experiência que adquirimos na gestão do modelo assistencial de nossa Caixa de Assistência. 

O evento aconteceria nesta quinta 9/09/21, mas ficou para nova data. Combinei com a coordenação de publicar com antecedência os textos que estou produzindo ao estudar para o evento, assim as pessoas interessadas podem ler e interagir com as informações e argumentos.

Este texto é continuação de um texto anterior. Para lê-lo, clique aqui.

O primeiro desafio é meu, é escolher o que entendo ser o mais relevante na minha apresentação sobre APS em relação à autogestão Cassi, entidade de saúde dos funcionários do BB, que definiram na reforma estatutária de 1996 o desejo de organizar um sistema de saúde baseado na integralidade da atenção visando melhorar a qualidade de vida dos usuários e a estratégia definida para essa missão foi escolher o Modelo de Atenção Integral à Saúde. 

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A apresentação será feita em 15 minutos. Sendo assim, optei por focar a conversa com os participantes do encontro mais na questão política do existir da Cassi e na importância da cultura e dos valores difundidos pelas classes dirigentes e formadoras de opinião.

O modelo assistencial foi central nas formulações da Cassi que temos hoje. Deixar de ser mera "pagadora de serviços para a doença" e ser uma "promotora de saúde para preservar e melhorar a qualidade de vida, através de uma ação integrada (prevenção, assistência e avaliação multidisciplinar sobre o indivíduo e não apenas sobre o sintoma)" foi o objetivo alcançado pela Comissão Negociadora da reforma estatutária de 1996, registra o informativo "O Espelho Nacional " de abril de 1996 (3).
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Por quatro anos estudei diariamente a Cassi e suas relações políticas e sociais com os meios nos quais ela está inserida: sua história, a gestão da associação, seus planos de saúde, documentos internos, percalços vividos, relação com o patrocinador BB, associados e usuários, relação com seu quadro funcional, relação com órgãos externos e prestadores de serviços; por fim, relação da Cassi com a cultura e com os valores da comunidade Banco do Brasil.

Qual a melhor forma de contribuir para os debates dos conselheiros e conselheiras de usuários da Cassi em relação aos desafios e perspectivas da Atenção Primária na autogestão?

Como sei que a outra palestra no II Encontro será de uma pessoa da área da saúde, um profissional de saúde, o que não quer dizer que a fala não será política além de técnica, acho que minha contribuição sobre Atenção Primária seria melhor se eu dedicar os 15 minutos compartilhando minha opinião sob o ponto de vista da política, pois essa seria minha "especialidade" (rsrs), o que não quer dizer que minha fala não seja técnica, e também quero falar sobre a questão da cultura e dos valores em relação ao modelo assistencial da Cassi.

Antes de falar dos desafios da APS/ESF na Cassi, é importante - é essencial - falar do histórico da Cassi, porque a "Caixa de Assistência" é basicamente o Plano de Associados, um plano de custeio mutualista, solidário e intergeracional. 

Outro direito essencial na Cassi sempre foi o direito igualitário ao acolhimento e às coberturas de saúde entre seus associados e familiares, independente da função exercida no banco, de remuneração e status quo. Atendimento igual e isonômico. 

COMENTÁRIO - Seria bom que as pessoas soubessem dos debates da criação do "plano família" na reforma estatutária de 1996 para não se enganarem a respeito de planos de saúde com direitos menores como se isso fosse uma demanda dos associados como diz a direção atual. Não é!

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Histórico (conhecer a história é essencial)

MODELO DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE

Sem querer subverter a chamada do evento que foca APS, gostaria de começar falando do Modelo de Atenção Integral à Saúde, pois ele é o modelo definido pelos patrocinadores do Plano de Associados na reforma estatutária de 1996 para orientar e organizar a Cassi a partir daquele momento da existência da associação - a Caixa de Assistência. Vejamos o que dizem documentos de gestão em 2001/2002:

"O Modelo de Atenção Integral à Saúde é um conceito constituinte do Estatuto da Caixa de Assistência à Saúde - CASSI, que organiza e orienta as atividades da organização desde 1996. Atualmente, contemplado no plano estratégico da Instituição, o novo modelo assistencial da CASSI começa a ganhar forma nas suas gerências regionais: projetos de implantação de serviços próprios, com atendimento primário já foram encaminhados à sede da empresa, e o Comitê de Gerentes da CASSI Sede aprovou a metodologia de análise." (1, p. 6)

Além da citação acima do "Relatório das oficinas de Informação, Educação e Comunicação no contexto de implementação da Estratégia de Saúde da Família da Cassi", outro diagnóstico da época, do "Documento Diretor para Organização de Serviços Próprios" apontava que:

"O modelo de saúde ainda predominante em vários países, no Brasil, e também na CASSI, denominado médico-curativo, centra a atenção na doença, enfatiza a medicina curativa e atua exclusivamente sobre a demanda espontânea. A forma de remuneração aos prestadores - por procedimento realizado - além de ampliar as dificuldades para uma efetiva regulação, é fator de aumento de custos, sem correspondência sobre os indicadores de saúde." (2, p. 4)

Os primeiros sublinhados são do texto original e o sublinhado e itálico é marcação minha: "demanda espontânea". Na minha opinião, as decisões e políticas da atual direção da Cassi fazem exatamente o contrário do que seria recomendado, incentivam a demanda espontânea na Cassi e nas redes de prestadores de serviço de saúde.

Enquanto isso, mesmo com recursos novos nos últimos dois anos e superávit, a ESF e as CliniCassi não foram prioridade e não avançaram, pelo contrário, fecharam CliniCassi em Brasília. Estão desmontando o Modelo de Atenção Integral à Saúde.

POR QUE CRIAR UMA REDE PRÓPRIA DE APS/ESF? 

Ora, a reforma estatutária de 1996, que visava mudar efetivamente a forma como a Cassi atuava, apontava algumas questões centrais que deveriam mudar. 

Uma delas era a Caixa de Assistência parar de enfiar todo o seu orçamento nas mãos dos prestadores de serviços do mercado privado. Era sair da lógica médico-curativa para uma forma racional de uso dos recursos e acompanhamento da saúde integral de seus usuários. Foi para isso que se decidiu implantar uma rede própria de atenção primária e medicina de família em todas as regiões do país, centralizando a coordenação dos cuidados nas unidades regionais!

COMENTÁRIO - Quando chegamos à gestão da Cassi (2014), pouco mais de uma década após o lançamento da ESF (2003), o modelo assistencial de Atenção Integral à Saúde - baseado em APS/ESF/CliniCassi e programas de saúde - estava estagnado e não avançava mais, era questionado pela direção do patrocinador BB e o questionamento dividia os segmentos dirigentes também dos associados e usuários, o modelo estava desacreditado. Era a cultura e os valores daquele momento. Por isso desenvolvemos estudos nunca feitos que comprovaram a eficiência da ESF.

CASSI CONSTITUI REDE PRÓPRIA DE ATENÇÃO PRIMÁRIA E ESF: AS CLINICASSI - Outra necessidade da Cassi para a implantação do novo modelo de Atenção Integral à Saúde era constituir uma estrutura própria de saúde. 

Ainda no início dos anos dois mil, a rede credenciada da Cassi era quase toda de 2º e 3º nível e não primária:

"A rede de serviços da CASSI é composta majoritariamente por prestadores de atenção secundária e terciária e em menor número de atenção primária" (2, p. 14)

Com esse diagnóstico, a Cassi completou sua estrutura de 65 CliniCassi, tendo unidades em todas as capitais e em determinadas regiões nos interiores dos Estados. 

Constituímos mais de uma centena de equipes nucleares e multidisciplinares de família nas unidades, que coordenaram os cuidados de mais de 150 mil participantes. Nossos estudos entre 2014 e 2018 se valeram dessa base de dados para comprovar a eficiência da ESF. 

COMENTÁRIO - Durante o mandato, consegui visitar e conhecer 42 CliniCassi e isso me permitiu discutir profundamente as necessidades das unidades próprias de Atenção Primária com a direção da Cassi e demais intervenientes.

DEIXAR DE SER MERA PAGADORA DE SERVIÇOS E SER UMA CASSI GESTORA DA ATENÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO ASSISTIDA - E a questão de a Cassi ser uma mera pagadora de serviços era algo que não dava mais porque isso é insustentável para uma operadora de saúde, ainda mais uma autogestão, cujos recursos são praticamente fixos ao longo do tempo, pois se baseiam em salário e benefícios dos associados.

EM 2001

"A cobertura assistencial da população beneficiária ainda é prestada, majoritariamente, pela rede credenciada o que pode ser comprovado pela composição das despesas básicas, onde os serviços contratados representam 97% e os serviços próprios apenas 3% do total pago pela empresa" (2, p. 9)

COMENTÁRIO - Agora em 2021, a direção atual se esforça para destruir toda a rede própria constituída por gerações na Cassi, terceirizando tudo. É um verdadeiro absurdo os cortes que a gestão vem fazendo porque as despesas administrativas da Cassi não chegam a 6% com tudo que faz em termos de coordenação e gestão em saúde de centenas de milhares de usuários num país continental. Essa desconstrução não é inteligente! É lesiva ao presente e futuro da Cassi. 

Desafios para avançar a APS/ESF

CULTURA E VALORES DOS GRUPOS DIRIGENTES

O que vemos na Cassi hoje? Quais são os valores transmitidos pela Caixa de Assistência (a "empresa") a seus intervenientes (seus "stakeholders")? Quais são seus objetivos centrais em relação aos seus associados e usuários ("clientes")? Onde se situa o Modelo de Atenção Integral à Saúde nessa "empresa"? Sua estrutura própria de Atenção Primária e Medicina de Família é ainda essencial? O que eram direitos sociais são agora "produtos" para quem puder pagar?

O essencial agora é vender planos (produtos) com menos direitos e mais onerosos como o "Cassi Essencial"?

Por que a questão de custeio foi resolvida com a última reforma estatutária, onerando-se muito mais os associados, e a direção decidiu não ampliar a ESF como deveria? Já poderíamos ter uma estrutura própria com algumas dezenas de milhares de usuários a mais cadastrados na ESF e, no entanto, o foco da direção mudou e a cobertura da ESF ainda é a mesma que deixamos ampliada em 2018 (estava estagnada desde 2013). 

Essa é uma questão de cultura e de valores dos grupos dirigentes, que estamos chamando a atenção na discussão do modelo assistencial da Cassi.

Seguimos em um próximo texto a questão dos desafios e perspectivas da Atenção Primária à Saúde e ESF em nossa Caixa de Assistência.

William Mendes
Ex-diretor de saúde da Cassi


Referências:

1. Informação, Educação e Comunicação no contexto de implementação da Estratégia de Saúde da Família da CASSI - Relatório final, Brasília - DF, 10 de dezembro de 2001 a 22 de fevereiro de 2002. Departamento de Comunicação e Saúde - Centro de Informação Científica e Tecnológica Fundação Oswaldo Cruz. 

2. Documento Diretor para Organização de Serviços Próprios. CASSI - SEDE, DIRETORIA DE SAÚDE. MAIO/2001.

3. "Reforma estatutária avança com a participação do Corpo Social " - O Espelho Nacional de abril de 1996.

5.9.21

Atenção Primária à Saúde: desafios e perspectivas (I)


Opinião

"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)


INTRODUÇÃO

Quando comecei o trabalho de diretor de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito para um mandato de quatro anos, meu conhecimento sobre a Cassi era um pouco maior do que o de meus colegas representados, os bancários da ativa e aposentados do BB.

Por ser um dirigente sindical dos bancários eu tinha noções gerais do mundo do trabalho e das lutas de classes. A condição de representação de nossos pares da classe trabalhadora traz oportunidades de conhecimentos que não são disponibilizados pelos meios de comunicação e cultura cujo domínio é hegemonizado pela classe dominante, aquela que impõe suas ideias e valores para a maioria despossuída dos meios de produção.

Antes de eleito para um mandato de diretor de saúde eu era o coordenador das negociações nacionais entre o Banco do Brasil e as representações sindicais dos bancários e essa condição me obrigava a estudar e conhecer toda a pauta de reivindicações dos trabalhadores. Da Cassi e das questões de saúde, portanto, eu conhecia mais do que a ampla maioria de meus colegas bancários porque eu era destacado por eles para essa função social.

Ao começar o nosso trabalho na Cassi em junho de 2014 e fazer o planejamento estratégico do mandato tivemos que definir os objetivos, as estratégias e as táticas para nortear as ações que iríamos desenvolver ao longo de quatro anos de trabalho (ler aqui um artigo a respeito de planejamento estratégico). Foi durante aquelas primeiras semanas como dirigente eleito da Cassi que compreendi o quanto o modelo assistencial era central na existência e manutenção da Caixa de Assistência, do Plano de Associados e dos direitos em saúde dos funcionários.

E por que eu fiz essa introdução acima? Para situar as leitoras e leitores que no início do mandato eletivo não tínhamos uma noção clara a respeito do modelo assistencial e a importância central dele para a Cassi. Como dirigente de uma entidade de saúde de trabalhadores, foi preciso que eu adquirisse consciência política e conhecimentos técnicos para ter capacidade de ser um disseminador da cultura e dos valores do modelo assistencial da Cassi, um sistema de Atenção Integral à Saúde, baseado na Atenção Primária à Saúde (APS) e desenvolvido através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e tudo que envolvia esse sistema na Caixa de Assistência como, por exemplo, as unidades próprias de atenção primária CliniCassi.

ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS)

E quais seriam os desafios e as perspectivas para a Atenção Primária à Saúde em um determinado sistema de saúde como, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS), um sistema público, ou para a Cassi, uma autogestão da comunidade de funcionários da empresa estatal Banco do Brasil, um sistema privado?

Várias são as dimensões que poderiam ser abordadas para se falar dos desafios e as perspectivas de se estabelecer, desenvolver, fortalecer e dar sustentabilidade para um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde. Entendo que o mais correto de minha parte é dar minhas opiniões baseadas na experiência real que adquiri ao gerir por quatro anos uma das maiores entidades de saúde suplementar do segmento de autogestões.

As perspectivas de desenvolvimento e fortalecimento de um sistema de saúde baseado em APS estão diretamente relacionadas ao atingimento ou não dos objetivos estabelecidos num planejamento estratégico que aponte os desafios a serem superados.

No próximo texto, vou refletir um pouco sobre um dos desafios para o desenvolvimento e a implantação de um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde em uma entidade fechada e de autogestão como a Cassi dos funcionários do BB. 

A questão da disseminação da cultura e dos valores do modelo assistencial é central, posso adiantar a vocês. Percebi isso ao estudar a história da Cassi e ao lidar com essa questão durante os quatro anos de gestão da entidade de saúde.

Abraços,

William Mendes

Ex-diretor de saúde da Cassi (eleito)


25.8.21

Quais são os objetivos, as estratégias e as táticas?



Artigo de contribuição aos debates* 


O QUE VOCÊ VAI FAZER HOJE?

Quais são os objetivos, as estratégias e as táticas?

1. Pergunto aos leitores e leitoras: vocês têm respostas para essas perguntas? Aí vocês me perguntam: - mas quais são os objetivos, as estratégias e as táticas em relação a que, a quem? 

2. Perfeito! Essas questões poderiam e deveriam ser o nosso Norte em relação a quase tudo em nossas existências privadas, pessoais, coletivas, como grupos políticos, como empresas capitalistas, como organizações humanas etc.

3. E junto a essas perguntas viriam outras que fazem parte dos planejamentos estratégicos para definir como alcançar objetivos de forma racional e engajada e com espaços para flexibilizações e correções durante a caminhada.

4. Dentro de um planejamento estratégico são definidos prazos de execução, pontos fortes e pontos fracos do grupo, da instituição ou da pessoa, quais ferramentas e com que material humano se conta, o papel que cada pessoa vai desempenhar e mais questões que possam ser necessárias.

5. Amig@s, é difícil chegar a algum lugar se não sabemos sequer para onde queremos ir. Lembram da Alice falando com o coelho no País das Maravilhas?

6. Durante 16 anos fui dirigente sindical, fui representante da classe trabalhadora, fui sindicalista, fui político, fui liderança sindical, fui militante... A forma de se apresentar pode ser também uma estratégia diante de um cenário ou de um contexto específico. Entendem o que quero dizer?

7. Quais são os objetivos da esquerda? Dos trabalhadores brasileiros? Dos bancários? Da central sindical ou confederação? Da federação ou associação? Do sindicato "a" ou "b"? Da diretoria do sindicato? Do coletivo de determinado banco dentro do sindicato de bancários? Do dirigente com mandato naquele sindicato? Do cidadão que é dirigente?

8. No mundo da luta de classes, das disputas ideológicas, da sobrevivência na sociedade humana, pessoas ou grupos organizados e com objetivos, estratégias e táticas para se alcançar os objetivos têm mais chances de alcançar sucesso do que pessoas e grupos que só vão vivendo de acordo com os acasos ou objetivos surgidos a cada amanhecer.

9. Eu percebi a importância dessas perguntas acima muito mais claramente quando me tornei sindicalista ao ser eleito para um mandato no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002, aos 33 anos de idade. Eu já tinha experiência de vida como se vê pela idade e já tinha experiência de trabalho bancário porque havia trabalhado 2 anos no Unibanco e já estava há quase 10 anos no Banco do Brasil. (a palavra "sindicalista" é trabalhada de forma pejorativa e negativa pela imprensa do capital. Conforme o contexto, mais conservador ou não, eu me apresentava como "dirigente sindical" ou "representante dos trabalhadores"; avaliava na hora)

10. Tudo muda o tempo todo, o mundo muda diariamente porque a todo instante os seres humanos estão criando e desenvolvendo novas tecnologias ou porque eventos naturais alteram o mundo material. Mudança é uma constante universal. Mudança é uma das poucas certezas que temos quando se fala do universo e das formas de vida. O mundo do trabalho muda o tempo todo. O pior é que a tendência é sempre piorar para a imensa maioria que vive de vender sua força de trabalho, principalmente no modo de produção capitalista.

11. No entanto, sou da opinião que por mais que as coisas mudem o tempo todo, algumas experiências humanas continuam nos dando suporte para enfrentar as mudanças que ocorrem tanto por causas naturais como por interferência humana. E os planejamentos estratégicos feitos com a participação de todas as pessoas envolvidas em algum momento da definição dos objetivos, das estratégias e táticas a balizarem uma organização qualquer podem ser a diferença entre vencer ou perder, alcançar objetivos ou não alcançar nada e ainda ver tudo ser perdido.

12. Se voltarmos ao que já escrevi acima, no item 7, posso afirmar que aquelas perguntas balizaram meus 16 anos de mandatos eletivos de trabalhadores. Após ser eleito dirigente, tive que refletir e mudar comportamentos pessoais que achava inadequados. Tive que estudar muito para saber quais eram os princípios da esquerda. Estudar as concepções e práticas sindicais da CUT, conhecer a história do movimento ao qual eu agora representava formalmente.

13. E mais. Entendi que havia técnica na organização sindical na qual eu me tornava dirigente. Meus companheiros e companheiras de coletivo de banco contribuíram para que soubesse quais eram nossos objetivos, nossas estratégias e táticas e aonde queríamos chegar em determinados momentos. Com a participação de todos, nós definíamos o papel de cada um naquela organização. Havia cobrança e havia solidariedade nas dificuldades enfrentadas por cada dirigente. Conforme o fórum que frequentava, novos conhecimentos, novos objetivos coletivos, novos pertencimentos de classe.

14. Um planejamento estratégico que ajudamos a construir nos permite sentir pertencimento a alguma coisa, e ao olhar para trás é muito claro isso para mim. Durante os 16 anos de mandatos, de militância em organizações da classe trabalhadora, eu acordava todos os dias sabendo o que iria fazer, noções do que estava acontecendo, o que precisava estudar, as pessoas que deveria contatar etc. Eu pertencia a alguma coisa, eu tinha um Norte. Mas quando titubeava, quando estava perdido nas discussões internas, os mais experientes diziam: - vá para a base conversar com os trabalhadores, você vai voltar sabendo o que está fazendo aqui no movimento.

15. Amig@s, foi assim quando fui dirigente que organizava os bancários de todos os bancos na regional Osasco com um roteiro de agências; foi assim quando organizava os bancários do Banco do Brasil em duas regionais do Sindicato - Osasco e Oeste; foi assim quando fui responsável por complexos como o BB da São João. E foi assim em todas as tarefas que desempenhei, fossem elas na Executiva do Sindicato, na Contraf-CUT como secretário de imprensa depois de formação, como coordenador das negociações do BB e foi assim no mandato na diretoria de saúde da Cassi.

16. Os planejamentos estratégicos que participei e ajudei a construir com minhas opiniões ao longo de 16 anos foram a base de meu acordar todas as manhãs para sair para nossas lutas de classes, para alcançar nossos objetivos. Quantos dias eu estive mal, sem forças para levantar-me? Muitos! Mas saber o que eu deveria fazer, que aquilo só dependia de mim, me fez ter energia e gana mesmo dormindo pouco como, por exemplo, por 4 anos na Cassi (tínhamos planejamento estratégico do mandato!), me fez estudar, ir aonde fosse necessário, me fez ser flexível nas táticas, mas nunca nos princípios e objetivos. Me fez humilde, me fez forte. Nunca me esqueci quem representava, de que lado estava nas discussões com a patronal.

17. É isso! Me parece que os desafios e as tormentas foram tantos após o golpe de Estado contra nós que temos muitas frentes de batalha ao mesmo tempo com os ataques a todos os nossos direitos e talvez por isso, até hoje, não tenhamos conseguido organizar nossos planejamentos estratégicos partidários, sindicais, coletivos e até pessoais para nos nortear diariamente e para avaliarmos a cada tempo se avançamos ou se temos que readequar aquilo que não avançamos na luta para retomar nosso país, nossos direitos e nossas vidas da classe trabalhadora. Tod@s estão trabalhando muito! Acredito que é possível derrotarmos essa extrema direita, essa minoria violenta e antidemocrática que ascendeu ao poder após o golpe de 2016 contra o Brasil e o povo brasileiro.

18. E aí, você tem claro quais são as suas tarefas nesse dia de hoje? Quais os objetivos imediatos, de médio e longo prazo nas frentes nas quais você está participando? Qual o objetivo neste semestre de 2021? E para 2022? E até 2025? Há um grupo organizado contigo perseguindo esses objetivos hoje, vocês se reúnem, prestam contas, aferem avanços e avaliam o que deve ser melhorado e corrigido? Sabemos que mesmo durante a pandemia já é possível nos reunirmos pelos aplicativos como fazíamos as reuniões de trabalho presenciais.

19. Nossos inimigos e nossos adversários estão mais organizados hoje do que antes, do que já vi nesses meus 52 anos de vida. Temos que construir planejamentos estratégicos que nos unifiquem, com estratégias e táticas que deem Norte e pertencimento a cada pessoa que se disponha a nos ajudar a mudar essa desgraça toda que destrói nossas vidas e nossos mundos.

Abraços e boas lutas a todas e todos. Desejo que cada militante de nosso movimento de esquerda alcance seus objetivos pessoais e coletivos.

William Mendes

Ex-dirigente sindical bancário e ex-diretor eleito da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil

* publicado originalmente no site Agora é para todos


13.8.21

Cassi e seus planos de saúde, segundo a ANS



Dúvidas sobre a Cassi

Olá, prezad@s colegas da comunidade Banco do Brasil, lideranças dos trabalhadores e associad@s e colegas das entidades representativas!

Ao receber uma mensagem de uma colega do Banco do Brasil me perguntando algumas dúvidas que ela tem em relação à nossa Caixa de Assistência - a Cassi -, e o "Cassi Essencial", pensei por alguns instantes qual seria a melhor forma de responder para ela e fui ao site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para balizar minha resposta.

A colega me disse que ficou com dúvidas após participar de um excelente debate promovido pelo sindicato dos bancários da base dela (suponho eu) sobre o Cassi Essencial, "produto" lançado pela direção atual da nossa Caixa de Assistência.

A dúvida da colega seria a respeito de haver ou não vários CGC (CNPJ) em relação aos planos de saúde da Cassi e qual a relação desses planos com os donos da Caixa de Assistência, os associados.

De forma simples, podemos dizer o seguinte. A nossa associação, nossa autogestão Cassi, é uma operadora de planos de saúde com um único CNPJ 33.719.485/0001-27. A Cassi está registrada na ANS sob o número 346659. Então, não há vários CNPJ - esses dados são públicos. Dito isso, vamos adiante.

O que temos em relação à Cassi são alguns registros de planos de saúde em operação ou não ("comercialização", segundo a ANS). Segundo a agência reguladora, a Cassi tem alguns planos "liberados" ou "suspensos pela ANS". O nosso, o dos funcionários da ativa e aposentados, é o plano de saúde com o registro nº 001.

Depois desse registro do "Plano de Associados", temos o do 1º plano de saúde lançado em 1997 para os familiares, o "Cassi Família I", registro nº 100. Após mudanças na legislação dos planos de saúde, a Cassi lançou em 1999 o "Cassi Família II", registrado na ANS sob o nº 467554121 (está como "Cassi Família").

SURPRESAS - Para minha surpresa, além de encontrar o registro do novo plano lançado pela direção atual, o "Cassi Essencial", registrado sob o nº 487460209, consta na ANS mais dois planos locais, com nomes "Cassi BH Apartamento" e "Cassi BH Enfermaria". Pois é! 

SUSPENSO - O susto maior foi ver que o Plano de Associados está suspenso pela ANS. Eu não sabia! Vocês sabiam, prezad@s leitores? Por não estar acompanhando o dia a dia de nossa autogestão, pode ser que eu não tenha visto algo a respeito. O site da ANS informa que as informações são do dia da consulta, ou seja, de 13/8/21.

Aí a colega pergunta se somos proprietários dos outros planos também, dos demais planos ou "produtos" como diz a direção atual. 

A CASSI É DOS ASSOCIADOS E A CASSI TEM PLANOS DE SAÚDE

Entendo que a Cassi é essencialmente o nosso Plano de Associados, a autogestão em saúde existe por causa desse plano dos trabalhadores da empresa pública Banco do Brasil.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, através do Plano de Associados, é hoje um sistema de saúde privado, dos trabalhadores da ativa e aposentados, com custeio mutualista, solidário e intergeracional. 

SISTEMA PRÓPRIO DE MEDICINA DE FAMÍLIA (ESF) - Até o momento e se não for desmontado, a Cassi é um sistema de saúde com uma estrutura própria de atenção primária, através da Estratégia de Saúde da Família, organizada por unidades de atendimento CliniCassi e quadro próprio de equipes de família.

NOSSA CASSI pode até ter outros planos de saúde para familiares, os tais "produtos", mas sem o fortalecimento e manutenção do Plano de Associados e da estrutura própria CliniCassi e Equipes de Família, a Cassi não existe e não existirá mais. 

Não adianta inventar "produtos" se a caixa mutualista solidária e intergeracional de assistência dos funcionários da ativa e aposentados for inviabilizada pelas direções da empresa BB e dela própria. 

Por isso é tão sério colocarem em risco a existência do nosso plano solidário e a estrutura própria, terceirizando tudo e não atuando para inscrever nossos associados ao longo do tempo.

É o que penso.

William Mendes

8.8.21

Encontro de trabalhadores do BB



Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado

Domingo, 8 de agosto, Dia dos Pais

Depois de muitos dias de frio em São Paulo e nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o domingo dos pais foi de calor e sol. Pela janela de casa, vi que o dia convidava para uma caminhada, corrida ou pedalada. Mas não saí de casa. Fiquei sentadinho na frente da tela do computador o dia todo. Assisti à transmissão do encontro anual dos trabalhadores do BB.

Estamos no segundo ano da pandemia mundial de Covid-19. O mundo mudou. Mudou para pior em relação a um período anterior das lutas de classe. Só a pandemia já matou tantos amig@s e pessoas queridas que nossas vidas nunca mais serão as mesmas. 

Pelo segundo ano seguido eu não fui visitar os pais nesta data de confraternização e fazer a romaria de 75 Km em Minas Gerais. Naquilo que é possível, seguimos as recomendações de não aglomerar e expor as pessoas ao vírus. Hoje tudo é virtual. Quase tudo. O mundo mudou muito. (a frase-verso é até um murmúrio, uma lamúria)

Ao longo do dia, fiquei pensando a respeito de algumas questões abordadas pelos palestrantes e participantes do encontro dos colegas do BB. Vivi duas décadas naquele espaço social, em boa parte do tempo como um dos responsáveis pelos trabalhos e por encaminhar as resoluções decididas ali naquele espaço de organização política e luta de classes (ou, muitas vezes, de luta interna dentro da classe...).

Após assistir ao encontro dos bancários e bancárias o dia todo, ainda vi uma excelente entrevista da presidenta Dilma Rousseff ao Canal Resistentes, retransmitida pela TV 247. Ouvir a Dilma é sempre algo impactante! Que mulher! Que guerreira! É muito inspirador o exemplo de figuras como Dilma, Lula, Genoino e outras grandes lideranças imprescindíveis das lutas do povo.

Antes de mais nada, quero registrar aquelas formalidades necessárias, e sinceras. Deixo meus cumprimentos aos companheiros e companheiras da organização do 32º CNFBB, encontro organizado pela Contraf-CUT, federações e sindicatos da categoria. Além de parabenizar a realização de mais esse encontro, parabenizo a temática debatida, a escolha dos palestrantes e a condução dos trabalhos. Desejo que a classe trabalhadora resista e mude a tendência do que vem por aí contra nós.

COMO MUDAR A REALIDADE SEM A PARTICIPAÇÃO DO POVO, SÓ COM IDEIAS DE VANGUARDA?

Ao me atualizar a respeito do Banco do Brasil - através das apresentações dos palestrantes - e ao ouvir algumas questões levantadas pelos palestrantes e participantes, vi um filme em minha memória e também refleti sobre as dificuldades que esta geração que está na organização das lutas deve estar enfrentando. Que dureza! 

Quando cheguei ao movimento organizado da classe trabalhadora, eu tinha pouca noção de política. Isso faz parte da formação do povo trabalhador brasileiro (a desinformação política). Consigo me colocar um pouco no lugar do outro (trabalhador/a) porque aprendi política com o movimento estudantil e sindical. Mas quantas pessoas tiveram acesso à formação política? Imaginem agora, após o golpe, Temer, Bolsonaro e o enfraquecimento dos sindicatos? 

Sem a oportunidade de ser politizado pelo movimento sindical eu poderia ser um bolsonarista, um manipulado dos ideólogos da casa-grande, um branco de origem humilde que acreditasse na "meritocracia" porque passei em concurso público e fiz faculdade pública. As ferramentas do capital são muito foda para manipular o povo com essa ideologia da classe dominante. 

E por que falo isso? Porque temos dificuldade para lidar com colegas, familiares e conhecidos que se tornaram bolsonaristas, que se tornaram pessoas odiosas e apoiadoras de tudo quanto é ideia e pensamento de direita. E como vamos mudar essa realidade hoje e no próximo período? Como? Essa é uma das questões centrais de nossa vida! Para mudar o destino do Banco do Brasil temos que mudar a direção do Brasil, o governo! É difícil entender isso? (O pior é que é)

As leituras de cenários, os objetivos, estratégias e táticas para mudarmos a realidade social, do mundo do trabalho, da luta de classes são discussões antigas. Na minha idade, já vi repetidamente por 3 décadas algumas das questões debatidas no movimento sindical bancário - estatizar o sistema financeiro, o BB ser 100% público, ocupar cargos no banco público só por concurso e ou processos seletivos ou eletivos.

Nesse sentido, gostei das argumentações do Sérgio Rosa e do Vidotto nos debates de hoje. Durante minha aprendizagem no movimento sindical, várias questões como aquelas que citei acima me eram passadas de forma que eu não fizesse somente as proposições, muitas delas "radicais" ou de vanguarda, sem a devida estratégia para tal. Para propor algo, eu tinha que propor a forma de chegar até aquele objetivo. Isso não é algo tão simples.

BB 100% público - Vidotto perguntou como se daria isso? De forma geral, temos duas possibilidades: pelo fato de o BB ser uma empresa pública de economia mista, ele tem ações nas mãos de investidores. Para se atingir o objetivo daquela proposta ou se expropria os investidores ou se adquire o total de ações nas mãos de terceiros: é muita grana! E aí? Qual delas é factível de se realizar no atual cenário?

Esse é um exemplo dos dilemas que a classe trabalhadora e as organizações de classe enfrentam sobre como mudar a realidade objetiva. A gente não consegue ter o povo com a gente!

Não vou me alongar não. Aliás, já me alonguei demais.

Conseguiremos unidade no campo da esquerda? Conseguiremos unidade na suposta oposição ao projeto em andamento no Brasil após o golpe de Estado? Análises políticas avaliam risco real de ruptura democrática maior que a do golpe de 2016. Teremos força para evitar ou reverter isso? 

A missão de organização e condução das lutas da classe trabalhadora está cada dia mais difícil e complexa. Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado.

William

4.8.21

Cassi 2021 - Questões abordadas com bancári@s (MG)



Apresentação:

Tive a oportunidade de conversar com as bancárias e bancários de Minas Gerais no encontro estadual realizado na semana passada, evento preparatório para o 32º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil. Falamos a respeito de questões relativas à nossa Caixa de Assistência (Cassi).

Fiz um breve histórico de nossas conquistas com a criação da associação em 1944, hoje uma autogestão responsável pela saúde de quase 700 mil pessoas.

Após a síntese da apresentação, que contém opiniões minhas em relação à Cassi, deixei algumas questões e as respostas que dei a elas, afinal de contas num encontro com trabalhadores, a voz e a vez deles é o que mais importa.

Espero que as informações aqui possam incentivar os debates e estudos aos que lerem o resumo abaixo.

William Mendes
Ex-diretor de saúde da Cassi (2014/18)

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Apresentação feita para o Encontro estadual dos bancários e bancárias de Minas Gerais 2021

Cassi 2021 – Breve histórico da luta por direitos em saúde e ameaças existenciais para a autogestão

Temas relevantes para reflexões e debates no movimento d@s trabalhador@s, associad@s e entidades representativas


- A Caixa de Assistência é uma autogestão, é basicamente o Plano de Associados e a Cassi só tem sentido se o foco for a manutenção desse plano e ele só se mantém se for um sistema de custeio solidário, intergeracional e mutualista;

- Foi criada em 1944, muito antes do atual sistema público de saúde (SUS) e órgãos regulatórios como a própria ANS;

- Reforma Estatutária de 1996: alterações importantes foram feitas. Passou a ser autônoma e não mais dentro do RH do BB; definiu-se como objetivo do modelo assistencial a Atenção Integral à Saúde; o debate contou com a expertise de sanitaristas; o foco passou a ser a gestão da saúde da população assistida – cerca de 400 mil pessoas do Plano de Associados –; objetivos do modelo: prevenção de doenças e promoção de saúde, recuperação e reabilitação de pessoas adoecidas;

- Novo custeio na Reforma de 1996: o banco (4,5%) e os associados (3%) sobre a folha de ativos e aposentados; e criação de estrutura própria nas regiões do país para organizar o sistema de cuidados naquelas bases de assistidos - unidades administrativas e de atendimento em saúde (CliniCassi);

- O modelo assistencial seria a essência da mudança no uso dos recursos da Cassi (antes era ressarcir e pagar serviços de saúde do mercado). Os recursos da Caixa sempre foram baseados nos salários e benefícios dos associados. Lembrar que a inflação médica é de 10 a 20% ao ano no mercado (maior que reajustes anuais dos associados). OPINIÃO: Investir em usar mais o mercado de prestadores é um equívoco como tem feito a atual direção 2021. É retroceder no que era a Cassi antes da reforma de 1996;

- Atenção Primária em Saúde (APS): foram testados modelos entre 1996 e 2001 e a Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi a escolha definida para a Cassi: equipes de família em unidades de atendimentos CliniCassi + programas de saúde. O uso da rede de prestadores seria mais racional e não por incentivo de buscar prestadores à vontade, de acordo com supostas necessidades e desejos dos usuários do sistema (ideia geral do modelo, temos modelos centralizados e descentralizados);

- 1997: ocorre o lançamento do Cassi Família para parentes dos associados. O modelo de plano de saúde não poderia ter menos direitos do que o dos funcionários (imaginem dentro de uma família, direitos diferentes...). OPINIÃO: hoje a direção 2021 fala que os novos planos (tipo Cassi Essencial) com menos direitos e coberturas e menos redes de atendimento é uma "alegria" pois isso seria uma “inclusão”. Isso é no mínimo um exagero! O plano aberto atualmente, o Cassi Família (II), não tem franquia nem coparticipação, os outros terão;

- 1999: lançado o Cassi Família II, com coberturas e regramentos adaptados às regras da ANS para planos de saúde. Foi necessário fechar o CF I para a entrada de novos participantes e abrir esse novo;

- 2001: aprovação das regras do modelo assistencial no âmbito interno da Cassi;

- 2003: lançamento da Estratégia de Saúde da Família (ESF) com o objetivo de cobrir toda a população do Plano de Associados e pelo menos os crônicos do Cassi Família (as metas constam nos relatórios anuais seguintes). Já era para toda a população do Plano de Associados estar cadastrada na ESF há muitos muitos anos;

SALTO NA HISTÓRIA PARA 2014, PERÍODO DE NOSSA PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO

- 2014: a ESF tinha 155 mil cadastrados (de todos os planos) no meio do ano quando chegamos e a Cassi tinha 65 unidades de atendimento CliniCassi e a ESF não era o foco da direção do banco, que questionava a eficiência e a serventia do modelo e também a utilidade das CliniCassi. Tínhamos cerca de 150 equipes de família trabalhando nas unidades. Durante o mandato, ampliamos os cadastrados na ESF para 182 mil vidas (fora a rotatividade, ou seja, saldo de cadastrados a mais);

- 2014: Nos debates do orçamento para 2015, a parte patronal na direção da Cassi propôs diversas reduções de direitos em saúde dos associados da ativa e dos aposentados: propuseram aumentar para 4,5% a mensalidade (50% a mais), coparticipações maiores e franquia nas internações de 1.500 reais, reduções nos programas de saúde como o PAF etc. Eleitos rejeitam essas propostas: 2x2 e 4x4 na direção e CD (depois a patronal e a consultoria contratada por ela inventaram uma conversa que a gestão na Cassi era “impossível” porque não se decidia nada, ou seja, ao usar as regras de decisão e rejeitar o que a patronal queria fazer era "não decisão");

- 2015 a 2018: a patronal força o contingenciamento orçamentário e por anos não faz proposta viável e justa aos associados de reequilíbrio do Plano de Associados. Isso leva a Cassi e o Plano de Associados a uma situação mais agravada nos balanços contábeis e no caixa da autogestão (em 2016 houve um acordo provisório acordado entre as partes, um memorando de entendimento);

- 2015: a diretoria de saúde desenvolve com os profissionais da Cassi métodos científicos de aferição de eficiência do modelo assistencial ESF/CliniCassi. Os resultados são impressionantes: durante o mandato, em dezenas de apresentações públicas e internas, provamos o quanto a ESF economizava os recursos da autogestão e beneficiava a saúde dos cadastrados e vinculados ao modelo assistencial. Cadastrados e vinculados tinham de 10 a 30% menos despesas em relação aos não cadastrados ao modelo ESF, fora outros índices melhores;

- 2017 e 2018: o governo Temer (após o golpe de 2016) organiza ataques aos planos de saúde e direitos dos empregados de estatais. Reuniões secretas ocorrem na CGPAR. (as resoluções que fariam na CGPAR-23 seriam muito semelhantes às resoluções da CEE de 1996, da era FHC);

- 2018: os grandes questionamentos em relação à Cassi foram superados junto aos intervenientes do sistema: eficiência da ESF; baixo custo das CliniCassi e custo-benefício delas; o PAF havia completado o seu modelo de cobertura medicamentosa dos crônicos com entrega domiciliar: mais de 50 mil associados receberiam em casa em todas as localidades do país suas receitas médicas. E a direção do banco passou a valorizar e “aceitar” a importância da participação social no dia a dia da Cassi: conselhos de usuários, sindicatos e associações diversas;

- 2019: a Reforma Estatutária traz novos recursos para o orçamento da Cassi a partir de dezembro daquele ano;

- 2020: veio a pandemia de Covid-19 a partir de março (no Brasil); um dos efeitos da pandemia naquele ano foi a redução de consultas, exames e procedimentos eletivos. A Cassi também acumulou recursos novos oriundos da Reforma 2019 e cobrando mais dos associados em coparticipações. No entanto, A ESF NÃO AVANÇOU NADA. O PAF teve reduções drásticas, quase o desfazimento do programa em relação ao que era antes para a manutenção da condição de saúde dos crônicos: são milhares de crônicos que não conseguem acessar o direito ou desistiram dele;

- 2020: veio o projeto de TERCEIRIZAÇÃO TOTAL do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF), com unidades de atendimento CliniCassi e equipes de saúde próprias. Base da terceirização: o piloto "Bem Cassi”, em Curitiba;

- 2020: a ferramenta de telemedicina para atender demandas de Covid-19 foi uma opção interessante para o contexto da pandemia. Depois viria a surpresa: a ferramenta seria usada para se somar à terceirização total e desfazer a estrutura de saúde do modelo de Atenção Integral APS/ESF/CliniCassi;

- 2021: a direção atual anuncia o lançamento de diversos planos de mercado para supostos “milhões” de familiares dos associados (público-alvo, segundo defensores dos planos). Reduções drásticas dos assistidos do Plano de Associados (382 mil até maio). OPINIÃO: os concorrentes do mercado de planos de saúde são infinitamente maiores e com mais poder de conquistar clientes nas áreas onde estão estabelecidos e eles têm estrutura própria em toda a cadeia de atendimento, diferente da Cassi (eles controlam os custos). Será muito difícil o sucesso dos planos de mercado da Cassi.


Enfim, esses tópicos apresentados foram apenas para situar o público para as reflexões e debates sobre a Cassi. São pontos de referência que escolhi para rememorar lutas dos associad@s, bancári@s e entidades sindicais em relação aos direitos em saúde na comunidade Banco do Brasil.

William Mendes

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Algumas perguntas e colocações feitas pelos participantes do encontro:

PERTENCIMENTO

É um tema central. Os associad@s são donos da Caixa de Assistência, além de usuários do sistema de saúde. É fundamental que as pessoas saibam o que é a autogestão Cassi para lutarem por ela e para utilizarem o sistema de forma consciente e solidária.

JUDICIALIZAÇÃO E RECLAMAÇÕES NA ANS

São questões muito importantes. Sabemos que existe uma indústria de judicialização na área da saúde, por diversos motivos, e a Cassi também sofre com essa questão (não entro no mérito de qual lado tem razão, cada caso é um caso). Quanto mais os associad@s compreenderem o papel da Caixa e como ela funciona, mais chances temos de evitar reclamações e judicialização. 

Já em relação aos planos de mercado da Cassi, é muito mais difícil evitar isso porque a relação entre os usuários e o sistema Cassi é outra, é praticamente comercial (sem pertencimento). Quando estive na Cassi, me debrucei sobre isso por quatro anos e vi que a judicialização nos planos de mercado é bem maior. O risco com esse monte de planos que pretendem lançar com menos direitos é evidente, na minha opinião.

CASSI FAMÍLIA PODERIA SER MAIS BARATO (CF I e CF II)?

Na minha opinião, seria possível fortalecer o modelo assistencial ESF e as CliniCassi vinculando a adesão ao modelo a descontos por ter a ESF como porta de entrada. REDUZIRÍAMOS o valor das mensalidades sem criar um monte de planos com menos direitos. Como os cadastrados vinculados à ESF têm despesas menores no uso da rede credenciada como os estudos demonstraram, todos ganhariam e o modelo APS/ESF/CliniCassi seria fortalecido. Observação: já poderíamos ter mais procedimentos nas CliniCassi, mais equipes de família e CliniCassi de especialidades como tínhamos proposto na gestão. E sem TERCEIRIZAR!

MIGRAÇÃO ENTRE OS PLANOS DENTRO DA CASSI

O grande risco é de associad@s migrarem para os planos de mercado por algum motivo, até por falta de orientação adequada, achando que em algum momento poderia ser mais vantajoso. Qualquer pessoa que tenha direito ao Plano de Associados não deveria jamais optar pelos outros planos de mercado. Cada pessoa que não exercer seu direito de aderir ao Plano de Associados estará abrindo mão da contribuição da parte patronal no custeio além dos benefícios e direitos maiores do Plano. E com o passar do tempo as pessoas acabam ficando sem plano, porque o valor das mensalidades nos modelos por tabela de idade expulsa os usuários quando mais precisam do plano.

(é uma síntese das questões. Foram abordados muitos temas interessantes, mas ficaria enorme a postagem para comentar todos eles)

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