Opinião
"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)
Blog de William Mendes, ex-dirigente sindical bancário e ex-diretor eleito de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil
Opinião
"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)
Opinião
"Os principais responsáveis pela disseminação de cultura e valores são os grupos dirigentes" (Aldo Fornazieri: Em: "Democracia débil", Carta Capital, nº 1169)
INTRODUÇÃO
Quando comecei o trabalho de diretor de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito para um mandato de quatro anos, meu conhecimento sobre a Cassi era um pouco maior do que o de meus colegas representados, os bancários da ativa e aposentados do BB.
Por ser um dirigente sindical dos bancários eu tinha noções gerais do mundo do trabalho e das lutas de classes. A condição de representação de nossos pares da classe trabalhadora traz oportunidades de conhecimentos que não são disponibilizados pelos meios de comunicação e cultura cujo domínio é hegemonizado pela classe dominante, aquela que impõe suas ideias e valores para a maioria despossuída dos meios de produção.
Antes de eleito para um mandato de diretor de saúde eu era o coordenador das negociações nacionais entre o Banco do Brasil e as representações sindicais dos bancários e essa condição me obrigava a estudar e conhecer toda a pauta de reivindicações dos trabalhadores. Da Cassi e das questões de saúde, portanto, eu conhecia mais do que a ampla maioria de meus colegas bancários porque eu era destacado por eles para essa função social.
Ao começar o nosso trabalho na Cassi em junho de 2014 e fazer o planejamento estratégico do mandato tivemos que definir os objetivos, as estratégias e as táticas para nortear as ações que iríamos desenvolver ao longo de quatro anos de trabalho (ler aqui um artigo a respeito de planejamento estratégico). Foi durante aquelas primeiras semanas como dirigente eleito da Cassi que compreendi o quanto o modelo assistencial era central na existência e manutenção da Caixa de Assistência, do Plano de Associados e dos direitos em saúde dos funcionários.
E por que eu fiz essa introdução acima? Para situar as leitoras e leitores que no início do mandato eletivo não tínhamos uma noção clara a respeito do modelo assistencial e a importância central dele para a Cassi. Como dirigente de uma entidade de saúde de trabalhadores, foi preciso que eu adquirisse consciência política e conhecimentos técnicos para ter capacidade de ser um disseminador da cultura e dos valores do modelo assistencial da Cassi, um sistema de Atenção Integral à Saúde, baseado na Atenção Primária à Saúde (APS) e desenvolvido através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e tudo que envolvia esse sistema na Caixa de Assistência como, por exemplo, as unidades próprias de atenção primária CliniCassi.
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE (APS)
E quais seriam os desafios e as perspectivas para a Atenção Primária à Saúde em um determinado sistema de saúde como, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS), um sistema público, ou para a Cassi, uma autogestão da comunidade de funcionários da empresa estatal Banco do Brasil, um sistema privado?
Várias são as dimensões que poderiam ser abordadas para se falar dos desafios e as perspectivas de se estabelecer, desenvolver, fortalecer e dar sustentabilidade para um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde. Entendo que o mais correto de minha parte é dar minhas opiniões baseadas na experiência real que adquiri ao gerir por quatro anos uma das maiores entidades de saúde suplementar do segmento de autogestões.
As perspectivas de desenvolvimento e fortalecimento de um sistema de saúde baseado em APS estão diretamente relacionadas ao atingimento ou não dos objetivos estabelecidos num planejamento estratégico que aponte os desafios a serem superados.
No próximo texto, vou refletir um pouco sobre um dos desafios para o desenvolvimento e a implantação de um sistema de saúde baseado na Atenção Primária à Saúde em uma entidade fechada e de autogestão como a Cassi dos funcionários do BB.
A questão da disseminação da cultura e dos valores do modelo assistencial é central, posso adiantar a vocês. Percebi isso ao estudar a história da Cassi e ao lidar com essa questão durante os quatro anos de gestão da entidade de saúde.
Abraços,
William Mendes
Ex-diretor de saúde da Cassi (eleito)
Artigo de contribuição aos debates*
O QUE VOCÊ VAI FAZER HOJE?
Quais são os objetivos, as estratégias e as táticas?
1. Pergunto aos leitores e leitoras: vocês têm respostas para essas perguntas? Aí vocês me perguntam: - mas quais são os objetivos, as estratégias e as táticas em relação a que, a quem?
2. Perfeito! Essas questões poderiam e deveriam ser o nosso Norte em relação a quase tudo em nossas existências privadas, pessoais, coletivas, como grupos políticos, como empresas capitalistas, como organizações humanas etc.
3. E junto a essas perguntas viriam outras que fazem parte dos planejamentos estratégicos para definir como alcançar objetivos de forma racional e engajada e com espaços para flexibilizações e correções durante a caminhada.
4. Dentro de um planejamento estratégico são definidos prazos de execução, pontos fortes e pontos fracos do grupo, da instituição ou da pessoa, quais ferramentas e com que material humano se conta, o papel que cada pessoa vai desempenhar e mais questões que possam ser necessárias.
5. Amig@s, é difícil chegar a algum lugar se não sabemos sequer para onde queremos ir. Lembram da Alice falando com o coelho no País das Maravilhas?
6. Durante 16 anos fui dirigente sindical, fui representante da classe trabalhadora, fui sindicalista, fui político, fui liderança sindical, fui militante... A forma de se apresentar pode ser também uma estratégia diante de um cenário ou de um contexto específico. Entendem o que quero dizer?
7. Quais são os objetivos da esquerda? Dos trabalhadores brasileiros? Dos bancários? Da central sindical ou confederação? Da federação ou associação? Do sindicato "a" ou "b"? Da diretoria do sindicato? Do coletivo de determinado banco dentro do sindicato de bancários? Do dirigente com mandato naquele sindicato? Do cidadão que é dirigente?
8. No mundo da luta de classes, das disputas ideológicas, da sobrevivência na sociedade humana, pessoas ou grupos organizados e com objetivos, estratégias e táticas para se alcançar os objetivos têm mais chances de alcançar sucesso do que pessoas e grupos que só vão vivendo de acordo com os acasos ou objetivos surgidos a cada amanhecer.
9. Eu percebi a importância dessas perguntas acima muito mais claramente quando me tornei sindicalista ao ser eleito para um mandato no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2002, aos 33 anos de idade. Eu já tinha experiência de vida como se vê pela idade e já tinha experiência de trabalho bancário porque havia trabalhado 2 anos no Unibanco e já estava há quase 10 anos no Banco do Brasil. (a palavra "sindicalista" é trabalhada de forma pejorativa e negativa pela imprensa do capital. Conforme o contexto, mais conservador ou não, eu me apresentava como "dirigente sindical" ou "representante dos trabalhadores"; avaliava na hora)
10. Tudo muda o tempo todo, o mundo muda diariamente porque a todo instante os seres humanos estão criando e desenvolvendo novas tecnologias ou porque eventos naturais alteram o mundo material. Mudança é uma constante universal. Mudança é uma das poucas certezas que temos quando se fala do universo e das formas de vida. O mundo do trabalho muda o tempo todo. O pior é que a tendência é sempre piorar para a imensa maioria que vive de vender sua força de trabalho, principalmente no modo de produção capitalista.
11. No entanto, sou da opinião que por mais que as coisas mudem o tempo todo, algumas experiências humanas continuam nos dando suporte para enfrentar as mudanças que ocorrem tanto por causas naturais como por interferência humana. E os planejamentos estratégicos feitos com a participação de todas as pessoas envolvidas em algum momento da definição dos objetivos, das estratégias e táticas a balizarem uma organização qualquer podem ser a diferença entre vencer ou perder, alcançar objetivos ou não alcançar nada e ainda ver tudo ser perdido.
12. Se voltarmos ao que já escrevi acima, no item 7, posso afirmar que aquelas perguntas balizaram meus 16 anos de mandatos eletivos de trabalhadores. Após ser eleito dirigente, tive que refletir e mudar comportamentos pessoais que achava inadequados. Tive que estudar muito para saber quais eram os princípios da esquerda. Estudar as concepções e práticas sindicais da CUT, conhecer a história do movimento ao qual eu agora representava formalmente.
13. E mais. Entendi que havia técnica na organização sindical na qual eu me tornava dirigente. Meus companheiros e companheiras de coletivo de banco contribuíram para que soubesse quais eram nossos objetivos, nossas estratégias e táticas e aonde queríamos chegar em determinados momentos. Com a participação de todos, nós definíamos o papel de cada um naquela organização. Havia cobrança e havia solidariedade nas dificuldades enfrentadas por cada dirigente. Conforme o fórum que frequentava, novos conhecimentos, novos objetivos coletivos, novos pertencimentos de classe.
14. Um planejamento estratégico que ajudamos a construir nos permite sentir pertencimento a alguma coisa, e ao olhar para trás é muito claro isso para mim. Durante os 16 anos de mandatos, de militância em organizações da classe trabalhadora, eu acordava todos os dias sabendo o que iria fazer, noções do que estava acontecendo, o que precisava estudar, as pessoas que deveria contatar etc. Eu pertencia a alguma coisa, eu tinha um Norte. Mas quando titubeava, quando estava perdido nas discussões internas, os mais experientes diziam: - vá para a base conversar com os trabalhadores, você vai voltar sabendo o que está fazendo aqui no movimento.
15. Amig@s, foi assim quando fui dirigente que organizava os bancários de todos os bancos na regional Osasco com um roteiro de agências; foi assim quando organizava os bancários do Banco do Brasil em duas regionais do Sindicato - Osasco e Oeste; foi assim quando fui responsável por complexos como o BB da São João. E foi assim em todas as tarefas que desempenhei, fossem elas na Executiva do Sindicato, na Contraf-CUT como secretário de imprensa depois de formação, como coordenador das negociações do BB e foi assim no mandato na diretoria de saúde da Cassi.
16. Os planejamentos estratégicos que participei e ajudei a construir com minhas opiniões ao longo de 16 anos foram a base de meu acordar todas as manhãs para sair para nossas lutas de classes, para alcançar nossos objetivos. Quantos dias eu estive mal, sem forças para levantar-me? Muitos! Mas saber o que eu deveria fazer, que aquilo só dependia de mim, me fez ter energia e gana mesmo dormindo pouco como, por exemplo, por 4 anos na Cassi (tínhamos planejamento estratégico do mandato!), me fez estudar, ir aonde fosse necessário, me fez ser flexível nas táticas, mas nunca nos princípios e objetivos. Me fez humilde, me fez forte. Nunca me esqueci quem representava, de que lado estava nas discussões com a patronal.
17. É isso! Me parece que os desafios e as tormentas foram tantos após o golpe de Estado contra nós que temos muitas frentes de batalha ao mesmo tempo com os ataques a todos os nossos direitos e talvez por isso, até hoje, não tenhamos conseguido organizar nossos planejamentos estratégicos partidários, sindicais, coletivos e até pessoais para nos nortear diariamente e para avaliarmos a cada tempo se avançamos ou se temos que readequar aquilo que não avançamos na luta para retomar nosso país, nossos direitos e nossas vidas da classe trabalhadora. Tod@s estão trabalhando muito! Acredito que é possível derrotarmos essa extrema direita, essa minoria violenta e antidemocrática que ascendeu ao poder após o golpe de 2016 contra o Brasil e o povo brasileiro.
18. E aí, você tem claro quais são as suas tarefas nesse dia de hoje? Quais os objetivos imediatos, de médio e longo prazo nas frentes nas quais você está participando? Qual o objetivo neste semestre de 2021? E para 2022? E até 2025? Há um grupo organizado contigo perseguindo esses objetivos hoje, vocês se reúnem, prestam contas, aferem avanços e avaliam o que deve ser melhorado e corrigido? Sabemos que mesmo durante a pandemia já é possível nos reunirmos pelos aplicativos como fazíamos as reuniões de trabalho presenciais.
19. Nossos inimigos e nossos adversários estão mais organizados hoje do que antes, do que já vi nesses meus 52 anos de vida. Temos que construir planejamentos estratégicos que nos unifiquem, com estratégias e táticas que deem Norte e pertencimento a cada pessoa que se disponha a nos ajudar a mudar essa desgraça toda que destrói nossas vidas e nossos mundos.
Abraços e boas lutas a todas e todos. Desejo que cada militante de nosso movimento de esquerda alcance seus objetivos pessoais e coletivos.
William Mendes
Ex-dirigente sindical bancário e ex-diretor eleito da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil
* publicado originalmente no site Agora é para todos
Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado
Domingo, 8 de agosto, Dia dos Pais
Depois de muitos dias de frio em São Paulo e nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o domingo dos pais foi de calor e sol. Pela janela de casa, vi que o dia convidava para uma caminhada, corrida ou pedalada. Mas não saí de casa. Fiquei sentadinho na frente da tela do computador o dia todo. Assisti à transmissão do encontro anual dos trabalhadores do BB.
Estamos no segundo ano da pandemia mundial de Covid-19. O mundo mudou. Mudou para pior em relação a um período anterior das lutas de classe. Só a pandemia já matou tantos amig@s e pessoas queridas que nossas vidas nunca mais serão as mesmas.
Pelo segundo ano seguido eu não fui visitar os pais nesta data de confraternização e fazer a romaria de 75 Km em Minas Gerais. Naquilo que é possível, seguimos as recomendações de não aglomerar e expor as pessoas ao vírus. Hoje tudo é virtual. Quase tudo. O mundo mudou muito. (a frase-verso é até um murmúrio, uma lamúria)
Ao longo do dia, fiquei pensando a respeito de algumas questões abordadas pelos palestrantes e participantes do encontro dos colegas do BB. Vivi duas décadas naquele espaço social, em boa parte do tempo como um dos responsáveis pelos trabalhos e por encaminhar as resoluções decididas ali naquele espaço de organização política e luta de classes (ou, muitas vezes, de luta interna dentro da classe...).
Após assistir ao encontro dos bancários e bancárias o dia todo, ainda vi uma excelente entrevista da presidenta Dilma Rousseff ao Canal Resistentes, retransmitida pela TV 247. Ouvir a Dilma é sempre algo impactante! Que mulher! Que guerreira! É muito inspirador o exemplo de figuras como Dilma, Lula, Genoino e outras grandes lideranças imprescindíveis das lutas do povo.
Antes de mais nada, quero registrar aquelas formalidades necessárias, e sinceras. Deixo meus cumprimentos aos companheiros e companheiras da organização do 32º CNFBB, encontro organizado pela Contraf-CUT, federações e sindicatos da categoria. Além de parabenizar a realização de mais esse encontro, parabenizo a temática debatida, a escolha dos palestrantes e a condução dos trabalhos. Desejo que a classe trabalhadora resista e mude a tendência do que vem por aí contra nós.
COMO MUDAR A REALIDADE SEM A PARTICIPAÇÃO DO POVO, SÓ COM IDEIAS DE VANGUARDA?
Ao me atualizar a respeito do Banco do Brasil - através das apresentações dos palestrantes - e ao ouvir algumas questões levantadas pelos palestrantes e participantes, vi um filme em minha memória e também refleti sobre as dificuldades que esta geração que está na organização das lutas deve estar enfrentando. Que dureza!
Quando cheguei ao movimento organizado da classe trabalhadora, eu tinha pouca noção de política. Isso faz parte da formação do povo trabalhador brasileiro (a desinformação política). Consigo me colocar um pouco no lugar do outro (trabalhador/a) porque aprendi política com o movimento estudantil e sindical. Mas quantas pessoas tiveram acesso à formação política? Imaginem agora, após o golpe, Temer, Bolsonaro e o enfraquecimento dos sindicatos?
Sem a oportunidade de ser politizado pelo movimento sindical eu poderia ser um bolsonarista, um manipulado dos ideólogos da casa-grande, um branco de origem humilde que acreditasse na "meritocracia" porque passei em concurso público e fiz faculdade pública. As ferramentas do capital são muito foda para manipular o povo com essa ideologia da classe dominante.
E por que falo isso? Porque temos dificuldade para lidar com colegas, familiares e conhecidos que se tornaram bolsonaristas, que se tornaram pessoas odiosas e apoiadoras de tudo quanto é ideia e pensamento de direita. E como vamos mudar essa realidade hoje e no próximo período? Como? Essa é uma das questões centrais de nossa vida! Para mudar o destino do Banco do Brasil temos que mudar a direção do Brasil, o governo! É difícil entender isso? (O pior é que é)
As leituras de cenários, os objetivos, estratégias e táticas para mudarmos a realidade social, do mundo do trabalho, da luta de classes são discussões antigas. Na minha idade, já vi repetidamente por 3 décadas algumas das questões debatidas no movimento sindical bancário - estatizar o sistema financeiro, o BB ser 100% público, ocupar cargos no banco público só por concurso e ou processos seletivos ou eletivos.
Nesse sentido, gostei das argumentações do Sérgio Rosa e do Vidotto nos debates de hoje. Durante minha aprendizagem no movimento sindical, várias questões como aquelas que citei acima me eram passadas de forma que eu não fizesse somente as proposições, muitas delas "radicais" ou de vanguarda, sem a devida estratégia para tal. Para propor algo, eu tinha que propor a forma de chegar até aquele objetivo. Isso não é algo tão simples.
BB 100% público - Vidotto perguntou como se daria isso? De forma geral, temos duas possibilidades: pelo fato de o BB ser uma empresa pública de economia mista, ele tem ações nas mãos de investidores. Para se atingir o objetivo daquela proposta ou se expropria os investidores ou se adquire o total de ações nas mãos de terceiros: é muita grana! E aí? Qual delas é factível de se realizar no atual cenário?
Esse é um exemplo dos dilemas que a classe trabalhadora e as organizações de classe enfrentam sobre como mudar a realidade objetiva. A gente não consegue ter o povo com a gente!
Não vou me alongar não. Aliás, já me alonguei demais.
Conseguiremos unidade no campo da esquerda? Conseguiremos unidade na suposta oposição ao projeto em andamento no Brasil após o golpe de Estado? Análises políticas avaliam risco real de ruptura democrática maior que a do golpe de 2016. Teremos força para evitar ou reverter isso?
A missão de organização e condução das lutas da classe trabalhadora está cada dia mais difícil e complexa. Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado.
William
Olá, prezad@s colegas da comunidade BB e companheir@s das entidades representativas!
A matéria da Contraf-CUT reproduzida abaixo traz alertas e preocupações relevantes em relação ao presente e futuro de nossa autogestão Cassi, principalmente em relação ao Plano de Associados, a verdadeira essência de nossa associação, pois o Plano é uma Caixa de Assistência, é um fundo mútuo, intergeracional e solidário criado há 77 anos pelos funcionários do Banco do Brasil e, sem novas entradas e oxigenação nos perfis dos assistidos, tende a se inviabilizar.
PLANO DE ASSOCIADOS EM RISCO
Desde que passei a conhecer profundamente a nossa Caixa de Assistência, tenho a opinião de que a perenidade da nossa autogestão depende do equilíbrio e sustentabilidade do Plano de Associados - dos trabalhadores da ativa e aposentados e dependentes -, plano que manteve uma média de 400 mil vidas assistidas desde a reforma estatutária de 1996, e que cresceu durante os governos progressistas do PT, chegando a 418.335 vidas em 2014 e que passou a encolher desde o golpe de Estado em 2016, chegando em 2020 a 388.673 associados.
Pior do que os números em si são as perspectivas que se desenham para o futuro do Plano de Associados e, consequentemente, para a existência da autogestão Cassi, que jamais será uma "empresa" de planos de saúde competidora com o mercado privado, jamais! Só para termos uma ideia, o Plano de Associados reduziu mais 6 mil vidas e chegou a 382.723 associados nos primeiros meses de 2021.
Pergunto: percebem o quanto é preocupante qualquer movimento ou decisão administrativa do patrocinador BB ou da direção da Cassi que possa fazer com que não haja novas entradas no Plano de Associados nos próximos anos?
PLANO CASSI FAMÍLIA II EM RISCO
E o Cassi Família II, o plano de saúde com regras de mercado disponibilizado aos familiares até determinados graus de parentesco com os trabalhadores do BB, de acordo com regras determinadas pela ANS? O CF II é o plano ativo que temos na Cassi desde 1999. Uma parte de nós da comunidade BB tem um ou mais familiares no plano CF II. O recém-lançado Plano Essencial e outros que a diretoria promete lançar ameaçam severamente a sustentabilidade do CF II e isso é muito sério!
Está na cara que os planos de saúde da Cassi estão concorrendo um com o outro e não com os planos de empresas concorrentes! Isso também é muito sério! São 234 mil participantes do Cassi Família II em risco porque o Cassi Essencial pode inviabilizar o custeio e a estabilidade do CF II e muitos de nós NÃO queremos migrar e passar a pagar coparticipação e franquia, isso é uma fria! É muito pior pagar essas taxas extras que um pouco mais na mensalidade do CF II. A não ser que a pessoa tenha plano de saúde com intenção de nunca usar, o que não faz sentido.
Ou alguém acha que a autogestão dos trabalhadores do BB, a Cassi, com o seu tamanho no mercado de saúde, vai concorrer com as grandes do setor: Bradesco, Unimed, Amil, Hapvida? Não temos condições de concorrer com players que dominam nichos e segmentos do mercado que têm patrimônio gigante, têm estrutura própria de serviços de saúde de uma ponta a outra, desde consultórios, clínicas de imagem, fornecimento de insumos e hospitais de todo tipo e têm influência nos espaços políticos que criam as condições de seus sistemas avançarem no mercado de saúde privado.
Vejam abaixo um exemplo de um concorrente do Cassi Essencial em diversas regiões, estados e cidades do Brasil: 100 bilhões de patrimônio de Hapvida e Notre Dame Intermédica contra uns 5 ou 6 bilhões da nossa querida Cassi...
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| Carta Capital, nº1165, 14/7/21, p. 43 |
DECISÃO ARRISCADA E EQUIVOCADA DA DIREÇÃO DA CASSI, NA MINHA OPINIÃO
Eu imagino que nossos colegas que estão nos espaços de decisão e gestão da Cassi e do Banco do Brasil querem o melhor para a nossa Caixa de Assistência. Mas eles estão equivocados em relação a algumas decisões recentes como, por exemplo, lançar planos de saúde do tipo Cassi Essencial. Falo isso com todo o respeito. Esse não deveria ser o foco da nossa associação. A Cassi deveria focar naquilo que já demonstrou excelência ao longo de décadas de experimentação e resultados na gestão de saúde de uma população estável no tempo, perene, passível de acompanhamento, cuidados e uso melhor de recursos limitados. Esses são os pontos fortes da Cassi.
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O ESSENCIAL NA CASSI É O PLANO DE ASSOCIADOS E O MODELO ASSISTENCIAL DE ATENÇÃO PRIMÁRIA ESF/CLINICASSI/PROGRAMAS DE SAÚDE
O Plano de Associados pode ser sustentável por décadas se tiver uma população cuidada pelo modelo assistencial Estratégia de Saúde da Família (ESF), através das unidades de saúde CliniCassi, com equipes de família próprias e com programas de saúde específicos de acordo com os diversos graus de complexidade que os perfis dos cadastrados nas equipes de família tenham. Nós mostramos os estudos desse sistema entre 2015 e 2018 e os resultados foram surpreendentes para a Cassi e para a saúde dos cadastrados vinculados ao modelo. A Cassi já poderia ter ampliado em dezenas de milhares os cadastrados na ESF se tivesse focado nisso após a entrada de recursos novos. Os números seguem os mesmos que ampliamos e deixamos entre 2014 e 2018. ESSE É O CAMINHO: AMPLIAR A ESF!
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Estamos à disposição para conversar, trocar experiências e refletir sobre essas questões. Não podemos tomar decisões erradas neste momento da história porque hoje não seria possível criar uma nova Caixa de Assistência - a Cassi. Não seria possível porque as regras e lobbys do mercado privado inviabilizam que se criem sistemas solidários como o Plano de Associados da Cassi.Olá, prezados colegas da comunidade BB e lideranças dos trabalhadores!
No dia 2 de julho, tive a oportunidade de participar da reunião entre a Contraf-CUT e suas representações e a direção da Cassi. Naquele dia, o novo presidente da entidade, Castro Júnior, se apresentou e falou de projetos para a Cassi. Também participaram Ana Cristina, Carlos Flesch e Luiz Satoru, colegas da direção, e alguns funcionários da Cassi, pessoas com as quais trabalhamos na gestão. Foi uma reunião muito respeitosa e prevaleceu a troca de informações e ideias.
O presidente abordou alguns objetivos da atual direção, eixos ou pilares para a Cassi neste momento de sua história. Incluir a Cassi na era digital de forma profunda e acelerada, a redução de custos da "empresa", novas formas de receitas e produtos e a questão do atendimento aos participantes e clientes. As representações dos trabalhadores falaram seus pontos de vista e preocupações, cobrando diversas informações sobre demandas dos bancários e mudanças em andamento, sugerindo estudos e avanços em direitos dos associados -a Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi um dos itens. As outras diretorias também se expressaram.
Repito aqui algumas questões que apresentei para os participantes da reunião, tanto para as representações dos associados quanto para a direção da nossa associação Cassi, uma autogestão em saúde.
Comentei que a utilização de novas tecnologias é algo positivo, ferramentas virtuais podem contribuir para os procedimentos e operações na área na qual a Cassi atua: saúde.
Tenho muitas reservas e senões em relação a "novos produtos" quando falamos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil porque a razão de ser da Cassi são os trabalhadores da ativa e aposentados e seus dependentes. O "essencial" na Cassi é o Plano de Associados e sua perenidade e não as questões laterais, à margem do essencial na autogestão.
Como contribuição, expressei minha preocupação com os projetos de redução de custos administrativos da autogestão. A Cassi já tem o menor índice do mercado (5,5%) e isso é muito ruim porque a Caixa de Assistência está se desfazendo da sua estrutura própria de gestão em saúde.
As mudanças na Unidade Cassi DF são um exemplo dessas "reduções de custo" questionáveis. Nós havíamos ampliado em 50% o cadastramento da ESF na capital aproveitando as duas unidades CliniCassi, uma na Asa Norte e outra na Asa Sul. Apresentei meu receio de que a direção faça isso nas demais unidades regionais da Cassi.
Outro exemplo complicado é o caso de Curitiba, onde a direção optou por terceirizar a base do modelo assistencial - A ESF e CliniCassi com equipes de família próprias. Essa aposta em "parceiros" no mercado é um risco absurdo para a nossa autogestão (Projeto Bem Cassi feito com duas empresas privadas). "Parceiros" vão e vem ao sabor das ondas (ondas ou tsunamis, porque o objetivo desses parceiros-empresários é o lucro, enquanto a relação dos funcionários assalariados da Cassi com os pacientes é outra).
É uma lógica muito diferente investir em estruturas próprias de Atenção Primária e ESF e acompanhamento dos cadastrados com profissionais da própria Cassi. Nós explicamos o quanto é barato investir em CliniCassi e equipes de família. O custo-benefício é exponencialmente melhor ao mantermos crônicos tratados e monitorados e prevenir doenças em populações cadastradas na ESF. Nossos estudos mostravam cadastrados vinculados ao modelo assistencial com despesas 20 a 40% menores em todas as faixas etárias e graus de complexidade.
Por fim, expliquei ao presidente da Cassi, Castro Júnior, o quanto seria importante aproveitar esse momento em que a Cassi tem mais receita operacional devido às novas contribuições permanentes dos associados e as novas receitas por parte do patrocinador para reequipar e ampliar as regionais da Cassi em relação a novos procedimentos e mais equipes de família nas CliniCassi. A ESF não deveria ter sido colocada em segundo plano nesse período pós recursos novos. Os números de cadastrados já poderiam ter sido ampliados e isso não ocorreu nos últimos anos.
AMPLIAÇÃO DA ESF (2014-2018) - Nós pegamos a Cassi com cerca de 160 mil cadastrados, ampliamos para 182 mil e 3 anos após nossa saída e com a entrada de recursos novos, A ESF não foi ampliada (vejam o Relatório Anual 2020).
Enfim, vou ler as matérias das entidades representativas e volto a escrever minhas impressões e opiniões sobre os últimos acontecimentos. Me parece que as representações dos associados estão apontando em suas matérias os mesmos riscos que avisei que ocorreriam em relação aos novos planos de mercado da Cassi - riscos ao Plano de Associados e prejuízos de longo prazo para os bancários da ativa e aposentados.
Também tivemos novidades em relação à CGPAR, aquelas normas absurdas do governo Temer que interferiram de forma muito questionável nos planos de saúde das autogestões dos trabalhadores das estatais, empresas públicas e de economia mista.
Um fraterno abraço a todas e todos.
William
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(Reprodução de matéria de 5/7/21 da Contraf-CUT)
Trabalhadores cobram informações do novo presidente da Cassi
Informações sobre o uso da tecnologia para “aproximação dos associados” e novo plano de mercado Cassi Essencial estiveram em pauta
As entidades de representação dos associados à Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil se reuniram com a diretoria e o novo presidente da entidade, Castro Júnior, na sexta-feira (2). A reunião foi realizada a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
A princípio, a reunião tinha o objetivo de ressaltar a importância e restabelecer a mesa de negociações entre as partes para garantir a manutenção da Cassi e a melhoria de seus serviços. Mas, um comunicado publicado no site da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) na terça-feira (29) mudou o enfoque da reunião.
“Depois do comunicado tivemos que fazer uma série de questionamentos para saber se há interesse em colocar a tecnologia e a redução do custo em detrimento da qualidade do atendimento e da Estratégia Saúde da Família (ESF), explicou a secretária de juventude e representante da Contraf-CUT nas negociações com a Cassi e o Banco do Brasil, Fernanda Lopes.
No comunicado, o novo presidente da Cassi afirma que sua gestão fará uso de meios tecnológicos para estar mais próxima dos associados.
Segundo o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, a primeira e principal mensagem que o texto passa é que será aplicada tecnologia no atendimento. “A Cassi, nestes tempos de pandemia e de gestão de tecnólogos bancários, está maravilhada com esse discurso, que pode iludir alguns bancários. Mas, é preciso ter muito cuidado para não cairmos nesta tentação. Temos que ficar atentos para que a Cassi não se desvirtue e passe a ser como um plano de saúde qualquer, que apenas corre atrás da redução dos custos e abandone o atendimento humanizado e sua função de caixa de assistência aos associados”, alertou.
Cassi Essencial
Além de tratar sobre os pontos referentes a uso da tecnologia mencionados no comunicado, a representação dos trabalhadores solicitou informações sobre o novo plano de mercado disponibilizado, o Cassi Essencial.
A Cassi ficou de responder aos questionamentos da representação dos trabalhadores na próxima reunião, ainda sem data definida.
Fonte: Contraf-CUT