RETROSPECTIVA 2021
O ano de 2021 foi um ano difícil para o povo brasileiro e para a classe trabalhadora porque foi o terceiro ano de desgoverno daquela figura inominável na Presidência da República, terceiro ano de destruição de direitos e conquistas do povo pobre e trabalhador.
A pandemia mundial de Covid-19 fazia milhares de vítimas diariamente no mundo e no Brasil. A CPI da Pandemia, que encerrou os trabalhos no final daquele ano, recomendou em seu relatório final o indiciamento do presidente da república pela prática de nove infrações.
Perdi muitos amigos e companheiros de longa data na militância política. Presto minha solidariedade a todas as vítimas da pandemia e do descaso do governo bolsonarento, homenageando nosso querido amigo Wanderley Crivellari, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e região. O companheiro faleceu no dia 3 de janeiro de 2021, vítima da Covid-19. Wanderley, presente!
As trinta e oito postagens no blog A Categoria Bancária retratam um pouco dos acontecimentos e sentimentos que marcaram o nosso ano de lutas. Os textos têm o olhar de um ex-dirigente nacional de uma importante categoria profissional, os bancários.
Óbvio que o ponto de vista é atomizado, é de uma pessoa que pertence a uma comunidade específica da classe trabalhadora, a comunidade de trabalhadores da ativa e aposentados do Banco do Brasil, que sofreu sérias ameaças de privatização por parte daquele governo.
Os temas de cada postagem abordam acontecimentos no banco público e nas entidades associativas de sua comunidade, principalmente no que diz respeito à autogestão em saúde dos funcionários do BB, a Cassi. Fui gestor eleito da Caixa de Assistência e os objetivos dos textos e vídeos que fiz em 2021 foi contribuir com os debates que estavam acontecendo, contribuir com os conhecimentos que adquiri sobre gestão em saúde.
No final do ano, passei a escrever memórias de minha vida como militante e dirigente sindical. Estávamos ainda sob as exigências restritivas da pandemia mundial de Covid-19 como, por exemplo, a orientação de isolamento social na medida do possível.
A triste lembrança daquele ano de milhares de mortes diárias de brasileiras e brasileiros ficará na memória das pessoas que têm consciência política e que não pactuam com os crimes de lesa-pátria e lesa-humanidade cometidos pelo governo dos bolsonarentos.
Ao reler os textos para encadernar e preservar a produção em meio físico, avalio que os textos contêm informações históricas relevantes. Sempre estudei muito para ser um bom representante de meus colegas de trabalho. Escrevendo, quis passar adiante o que aprendi nas lutas.
DESTAQUES
Dos 38 textos do ano de 2021, poderia destacar alguns nos quais coloquei minhas preocupações e experiências de mais de duas décadas de liderança na organização e lutas por direitos da comunidade BB.
O artigo do dia 22 de janeiro é um dos destaques (ler aqui). Além das ameaças de privatização do Banco do Brasil, falo dos riscos em relação à nossa Caixa de Assistência: as mudanças no modelo assistencial e a terceirização da atividade-fim da Cassi, a criação de diversos planos ruins para familiares dos funcionários e outras mudanças feitas pela gestão à época.
Fiz no dia 11 de fevereiro fiz um artigo a respeito de organização de base (aqui), pois é um tema que domino bem e que pautou minha vida de representação política. Cito até Mandela e o CNA para animar a militância e os sindicatos a se organizarem nos locais de trabalho (OLT) para enfrentar os ataques violentos do governo bolsonarento.
Sobre risco de desmonte da estrutura própria de Atenção Primária da Cassi, as CliniCassi e as equipes de família (ESF), fiz um artigo no dia 18 de março com minhas preocupações sobre o tal projeto de terceirização da atividade-fim da Cassi (aqui), o “Bem Cassi”, e deixo em anexo ao artigo uma denúncia de mesmo teor das médicas e médicos de família de Curitiba sobre o desmonte por parte da prefeitura local da Atenção Básica do SUS na cidade.
DOENTES CRÔNICOS MEDICADOS OU NÃO
Outra matéria que merece destaque mesmo em 2025, momento em que estou sistematizando meus textos do blog, é a matéria do dia 20 de março de 2021 sobre os medicamentos de uso contínuo para pessoas com doenças crônicas (aqui). Na Cassi nós tínhamos um programa de fornecimento dos medicamentos (PAF) entregues na casa dos pacientes crônicos porque monitorar e estabilizar pessoas crônicas é a base do nosso modelo de Atenção Integral à Saúde (evita-se agravamento das doenças).
Nossa gestão da diretoria de saúde da Cassi deixou em 2018 o programa (PAF) com 100% de atendimento aos crônicos e o programa foi desfeito pelas gestões seguintes. Logo em seguida veio a pandemia mundial de Covid-19 e os medicamentos de uso contínuo sumiram do mercado e os crônicos ficaram desassistidos em grandes bases sociais do país... Repito: todo crônico não tratado tem sua doença agravada e ele pode se tornar um paciente de alto custo na rede contratada do mercado de saúde que visa lucro com a doença das pessoas.
Hoje, só acessam medicamentos para crônicos na Cassi aqueles que conseguem superar todas as dificuldades para se pedir ressarcimento e até as notas fiscais adequadas estão mais difíceis por mudanças na receita federal. Uma coisa é quem vive em capitais e grandes cidades, com várias farmácias na rua, outra é a multidão de crônicos que não tem facilidade de acesso ao seu medicamento. A Cassi tem dezenas de milhares de participantes com uma ou várias cronicidades.
Felizmente, o governo Lula ampliou em 2025 o Farmácia Popular e a lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Estado (SUS), mas insisto que desfazerem o PAF na Cassi foi um prejuízo imenso para a maioria dos crônicos da Caixa de Assistência e para o modelo preventivo, pois a base do programa era a solidariedade no acesso aos medicamentos a um custo-benefício excelente para o sistema Cassi.
Em abril, fiz uma série de artigos sobre a Cassi abordando diversas questões. Como participei de reuniões virtuais com sindicatos, foquei os artigos em temas que as direções sindicais me pediram para abordar. No texto do dia 16 de abril (aqui), abordo pontos de atenção sobre a Caixa de Assistência naquele momento.
Fiz um artigo de opinião em junho, no dia 4, a respeito do fechamento das duas unidades CliniCassi em Brasília, a da Asa Norte e a da Asa Sul, unidades de saúde acreditadas e de excelência no acolhimento aos participantes. Texto pode ser lido aqui.
Durante o nosso trabalho de gestão, nossas equipes haviam ampliado em mais de 50% o número de cadastrados na Estratégia de Saúde da Família (ESF) e os números vinham melhorando nas unidades, até que decidiram fechar as duas para abrir uma só em outro lugar.
Lembro aqui que uma das questões centrais de um sistema de saúde é “acessibilidade”, se não houver bom acesso, as pessoas terão problemas para utilizá-lo adequadamente.
PLANO CASSI ESSENCIAL
Em artigo do dia 22 de julho, comento matéria da confederação dos bancários – a Contraf-CUT - sobre o lançamento do novo plano de saúde da Cassi, o Cassi Essencial, lançado pela direção da autogestão e já marcado desde o início por polêmicas e incertezas para os eventuais “clientes” e ameaças a todo o sistema de saúde da Caixa de Assistência, como o Plano de Associados e o principal plano familiar, o Cassi Família (ler aqui).
As consequências vieram nos anos seguintes, além dos planos lançados não estarem como poderiam estar em termos de equilíbrio por serem planos novos, o Cassi família que tinha 234 mil participantes, o que é importante para o equilíbrio do plano, vem perdendo assistidos e os últimos reajustes foram absurdos, as mensalidades aumentaram muito após aquele ano e o plano está se tornando inviável também. O Cassi Família é o melhor plano porque não tem coparticipação nem franquia na internação.
SUBSÍDIOS SOBRE CASSI EM REUNIÕES COM BANCÁRIOS
Entre o final de julho e o início de agosto, estudei os principais eixos temáticos sobre a Cassi, autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, para participar de reuniões e contribuir com subsídios aos debates dos colegas da ativa e aposentados.
Fiz uma matéria no dia 4 de agosto com um bom resumo sobre os temas mais relevantes sobre a Cassi naquele momento em 2021. Artigo pode ser lido aqui.
Um dos últimos textos do ano sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, antes de começar a série de textos sobre memórias, foi o artigo do dia 9 de setembro (aqui). Eu iria fazer uma apresentação em um encontro nacional de Conselhos de Usuários da Cassi que acabou sendo adiado.
No artigo, fiz uma pesquisa em documentos históricos da Cassi do período da reforma estatutária de 1996 e do momento definidor do modelo de APS escolhido para a Cassi em 2001: a Estratégia de Saúde da Família (ESF). Ao reler o texto em 2025 achei o conteúdo com relevância ainda.
A postagem do dia 13 de setembro é uma espécie de ironia trágica que fiz por causa dos rumos da Cassi naquele momento (ler aqui). A autogestão se comportava como aquela que existia antes da reforma estatutária de 1996. A propaganda da Cassi era um incentivo a demandas espontâneas e foco médico-curativo, modelo absolutamente insustentável.
Era a cultura do momento, tanto da Cassi, quanto do patrocinador e também do país, governado à época por Bolsonaro e Paulo Guedes, aquele que chamava o nosso Banco do Brasil de porra, era dele a famosa frase “vende essa porra!”.
Felizmente, o povo brasileiro em sua maioria optou pela mudança em 2022.
Seguimos nas lutas.
William Mendes
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