RETROSPECTIVA
O ano de 2007
foi o primeiro ano efetivo do blog sindical que criei em outubro de 2006 e ao
longo dos meses fui desenvolvendo formas de prestar contas dos mandatos que
exercia em nome de nossos colegas bancários, do nosso sindicato de base e da
corrente política Articulação Sindical. A internet e as páginas pessoais eram
uma novidade e as pessoas que queriam se comunicar estavam criando seus blogs.
Eu estava no
segundo mandato sindical no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e
região (2005-08), havia pedido para deixar a função na Executiva do sindicato e
com isso o nosso coletivo político, o Coletivo BB, me designou como representante
paulista na Comissão de Empresa (CEBB) e fui destacado para ser o secretário de
imprensa da nossa confederação criada em 2006, a Contraf-CUT.
Exerci as
funções que me designaram da melhor forma possível e não abri mão de fazer
trabalho de base. Isso fica evidente ao ler minha agenda pública do ano: falei
com trabalhadores em praticamente todos os meses, de janeiro a dezembro.
O movimento
sindical cutista estava numa luta grande para contratar mais trabalhadores nos
bancos públicos e privados. Nossa pressão surtiu efeito nos governos do Partido
dos Trabalhadores e após a década de desmonte dos bancos públicos por parte dos
governos neoliberais tucanos, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal e
os demais bancos públicos federais contrataram novos concursados no lugar de
terceirizados.
As
contradições que o movimento sindical e o mundo do trabalho enfrentam num
governo de esquerda são naturais. Vivenciamos isso. Ao mesmo tempo em que
ampliamos em dezenas de milhares de trabalhadores concursados o saldo do número
de funcionários do BB e empregados da Caixa, enfrentamos reestruturações nesses
bancos para desligar trabalhadores mais antigos, terceirizar setores dos bancos
etc.
As postagens
demonstram que fui à posse dos novos bancários do BB o ano todo, para
apresentar o movimento sindical e sindicalizar o(a) trabalhador(a) já no
primeiro dia no BB. Tive a felicidade de sindicalizar centenas de colegas
novos. Isso foi marcante em minha vida de dirigente. Enquanto fui representante
sindical encontrei bancárias e bancários nos mais diversos locais do país que
me diziam que foram sindicalizados por mim no primeiro dia de trabalho.
O ano de 2007
foi de muita luta e negociação com o patrão Banco do Brasil para resolver
questões da nossa Caixa de Assistência à saúde, a Cassi. Nossa autogestão
sofria constantemente com déficits característicos deste setor de saúde
suplementar e o patrocinador BB era o principal responsável pelos déficits,
além das questões de mercado, porque não cumpria o estatuto da Cassi e porque
alterou as bases das receitas do Plano de Associados, a folha de pagamento dos
funcionários congelada por anos. Ao alterar a perna de receita e não pagar o
que devia, a Cassi passou a ter déficits cada vez maiores. Negociamos entre o
final de 2005 e 2007 a reforma estatutária aprovada no segundo semestre do ano.
Os temas nos
quais me envolvi no primeiro semestre foram Cassi, PLR do Banco do Brasil,
Comissão de Conciliação Voluntário (CCP/CCV), e as reuniões executivas de nosso
sindicato, da Fetec CUT SP e do secretariado da Contraf-CUT. Além, é claro, da
secretaria de imprensa.
No segundo
semestre, participei ativamente da organização da campanha salarial da
categoria, inclusive me envolvi em debates internos durante a confecção da
minuta dos bancários porque tinha divergências em relação às propostas de
contratação da remuneração variável e fiz o debate fraterno dentro da corrente.
Em linhas
gerais, ao reler e sistematizar as 226 postagens do blog, percebo claramente a
intenção de estabelecer uma prestação de contas do que fazia, como atuava em
nome dos trabalhadores e o que defendia como dirigente sindical. A prática foi
melhorando a cada ano e de fato as publicações na internet sobre o exercício da
representação política tiveram uma importância central em minha vida até o
último mandato eletivo no qual representei milhares de pessoas.
Ao longo da
história do blog A Categoria Bancária, utilizei a página até para salvar
matérias de páginas de sindicatos e outras instituições de classe por saber que
aquelas matérias iriam desaparecer assim que os sites das entidades fossem
atualizados ou refeitos. O mais comum no mundo virtual é a mensagem “error” ao
clicar em um link de uma matéria antiga. Nossa história vem sendo
sistematicamente apagada! Uma tragédia isso.
-
“Quem
controla o passado, controla o futuro;
quem
controla o presente, controla o passado.”
(George
Orwell, em “1984”)
-
Nós todos
temos que salvar nossas histórias de lutas, pessoais e coletivas, do mundo do
trabalho e da cultura em geral, de forma impressa e em mídias nossas. As big
techs são nossas inimigas de classe e estão em uma guerra mundial de
disputa de hegemonia. É muito sério o que George Orwell nos alerta no clássico
distópico “1984”, de 1949, que virou realidade no século XXI.
William
Mendes
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