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31.12.25

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2025

 


Retrospectiva 2025

Na primeira postagem do ano, abordo o tema da sindicalização: compartilho com as leitoras e leitores minha história de filiação ao Sindicato e de militante ativo da sindicalização da categoria bancária ao longo de décadas. Avalio naquele momento que poderia ser tratado de forma mais respeitosa pelo nosso Sindicato.

Ainda em janeiro, publiquei dois artigos tratando da questão do não recolhimento e repasse por parte do Banco do Brasil das contribuições patronais e dos associados da Cassi entre os anos de 2010 e 2023 nas reclamatórias trabalhistas. A autogestão em saúde dos funcionários do BB se viu envolvida em um problema com origem nos acordos entre patrão, funcionários e ex-funcionários. A Cassi, de vítima no processo por não receber os valores estatutários devidos à época, passou a sofrer pressão por cobrar o que lhe era devido.

Em fevereiro, o tema tratado pelo blog foi a Previ, a Caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil, nosso fundo de pensão com 120 anos de existência. A Previ teve que lidar com interferências políticas externas por causa de acusações infundadas de “rombo” ou “prejuízo”, coisa sem pé nem cabeça. O TCU determinou auditoria em nossa Caixa de Previdência, que já é fiscalizada e auditada pela Previc e por diversas instâncias previstas na legislação brasileira e nos regulamentos internos do fundo.

No mês de março participei de algumas atividades políticas como, por exemplo, a prestação de contas do mandato de Luna Zarattini (virtual) e o Dia Internacional das Mulheres, na Paulista, e no ato contra anistia para golpistas em 30/03, quando os manifestantes caminharam até a sede do antigo DOI-Codi, centro de torturas da ditadura brasileira. Estive também com o JuntOz na Câmara Municipal de Osasco.

Fiz mais um artigo sobre a Cassi, a respeito do projeto de terceirização das CliniCassi, o “Bem Cassi”. Decidi não mais opinar sobre a nossa Caixa de Assistência na forma de artigos de reflexão. Sobre a Cassi, a partir de agora, só sobre o passado, minha experiência como gestor eleito e a história da autogestão. Não falo mais do presente, nem do futuro.

Publiquei no blog alguns textos de apresentação dos cadernos do blog com a retrospectiva de determinados anos: 2022, 2023, 2020, 2021, 2006 e 2007. Não estão em ordem cronológica porque estou no processo de sistematização do blog inteiro e ainda faltam alguns anos. Nos meses seguintes, terminei os cadernos de outros anos.

Em abril, tivemos mais um capítulo do ataque político que a Previ vinha sofrendo, desta vez, o TCU visitou a direção da Previ, pediu mais de dois mil documentos e no relatório abordou algo que não foi pedido aos gestores... Lembrando que o órgão responsável por fundos de previdência fechada é a Previc.

Fiz um artigo me solidarizando com vítimas de lawfare e cancelamentos: a vítima da vez foi o professor da USP, Alysson Mascaro. Eu enfrentei processo de perseguição com falsas acusações e sei o quanto a vítima sofre com esses linchamentos de sua honra e história. Toda a nossa solidariedade ao professor Mascaro. Ele foi demitido da USP no final de 2025.

No mês dedicado à classe trabalhadora, maio, fiz uma postagem de retrospectiva relembrando os meus “1º de maio” entre 2009 e 2025, período no qual tenho registros nas páginas de meus blogs. Foi bem interessante a viagem na história.

Ainda em maio completei a sistematização de mais dois cadernos do blog, dos anos de 2009 e 2010.

No domingo, 25 de maio, faleceu o nosso querido companheiro Marcos Martins, do Partido dos Trabalhadores e funcionário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Fui ao velório no dia seguinte, prestar minhas homenagens a ele, uma referência de vida na política.

Nos meses de junho e julho, fiz apenas 3 postagens da série “Diário e reflexões”. Nelas, falo um pouco de política e o foco principal é a busca de unidade na esquerda para enfrentar o que vem por aí por parte do capital e da extrema-direita. Destaco em meus textos Lula, Luna Zarattini e o JuntOz, políticos do PT para quem fiz campanha e que são referência para mim no país, em São Paulo e em Osasco.

Em agosto foram 3 postagens com conteúdo denso. Transcrevi para o blog artigo publicado em um livro internacional sobre A autorreforma sindical e a história dos bancários da CUT Brasil (2010-11). Fiz também dois textos interessantes falando sobre o caderno de 2011 do blog e outro sobre minha participação na militância do local onde nasci, o Rio Pequeno, no Butantã.

Setembro: fiz um artigo reflexivo sobre um momento marcante em minha vida, o dia no qual virei bancário do Banco do Brasil. É a reflexão “Identidade”. E postei o texto bem-humorado que circulou pela internet e explicou a crise do subprime, com o exemplo das contas derivativas do boteco do “Seu Biu”.

No mês de outubro, participei de diversas atividades e mobilizações. Estive no ato em defesa da FFLCH-USP, sob ataque dos fascistas da extrema-direita paulista. Depois, estive em um dia de luta dos funcionários do BB. Também estive na reunião mensal da Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, Rio Pequeno, e fui ao ato na Câmara Municipal de Osasco, convocado pelo JuntOz, sobre a luta pelo fim da escala 6x1.

Fiz ainda um texto comentando a mudança na direção em nossa Caixa de Previdência, a Previ. João Fukunaga assumiu outras tarefas, saindo da presidência, e assumiu em seu lugar, indicado pelo BB, Márcio Chiumento. O banco indicou Adriana Chagastelles para a Diretoria de Participações. Ela é a primeira mulher indicada para a direção da Previ.

Em novembro, segui encontrando muitos amigos e companheiros de longas jornadas de lutas. Minha rotina foi alterada desde o mês anterior, quando passei a presentear pessoas queridas com o meu livro “Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT”. Aos poucos, fui encontrando pessoas em cafés, almoços, bate-papos e reuniões políticas e revendo conhecidos dos tempos de militância sindical.

No mês de dezembro, fiz uma série de pequenas postagens comentando a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS, lançado em 2016. À época, eu era gestor eleito da CASSI e me interessei pelas estratégias de verticalização da estrutura assistencial da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul. A releitura me deu a certeza que a CASSEMS acertou em investir em modelo próprio e depender menos do mercado capitalista da saúde.

Participei de mais alguns fóruns coletivos de política para fechar o ano de 2025. Concluí que preciso mudar alguma coisa em relação à contribuição que posso dar à sociedade humana. Não vejo mais sentido em fazer volume em atos e eventos neste momento de minha vida, com a saúde e a energia menores que antes.

Vou avaliar de que forma poderia contribuir ainda com algo que possa ser raro ou novo nas rodas de cultura e conhecimento do movimento de lutas da classe trabalhadora.


Meu livro Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT, uma coletânea de textos escritos no blog durante a pandemia mundial de Covid-19, foi distribuído para umas oitenta pessoas. Fiz uma edição pequena e algumas unidades ainda vieram com a impressão incorreta.

O blog A Categoria Bancária serviu por mais um ano para escrever o que sei e o que penso sobre alguns assuntos. Se considerar que é uma página de textos, forma menos usual na atualidade, poderia considerar os 200 mil acessos ao longo do ano algo que me faz continuar tendo o cuidado de escrever com honestidade e responsabilidade.

Vamos ver o que faço em 2026 com o blog, um instrumento de InFormação e História de nossa categoria bancária e da luta de classes.

William Mendes

Previ supera expectativas em 2025


Comentário do blog:

Amigas e amigos leitores, ao longo do ano de 2025 vimos as dificuldades e desafios que se apresentaram para a nossa Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Tivemos alguns eventos desagradáveis no campo da política, quando a Previ foi vítima de calúnias e ataques externos por parte de setores da direita brasileira. Foram momentos desafiadores.

Fechando o ano, as associadas e associados do maior fundo de pensão da América Latina, nossa Previ, comprovam aquilo que sempre soubemos: que nossa Caixa de Previdência é muito bem gerida e tem um dos estatutos mais avançados do segmento de fundos de pensão.

A Previ tem um diferencial que poucas empresas do mesmo segmento têm no mundo: um modelo de gestão compartilhada entre o patrocinador e os associados, que elegem a metade da direção. 

Felizmente, os maiores e melhores resultados da história da Previ sempre tiveram dirigentes oriundos do movimento sindical à frente, eleitos e ou indicados pelo patrocinador.

Segue abaixo, uma matéria de nossos representantes eleitos pelo corpo social, em sua página na internet.

Desejo que as associadas e associados continuem sendo sábios na hora de votarem naquelas e naqueles que realmente defendem seus direitos sociais como suas caixas de previdência e saúde.

William Mendes

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Comemorando um 2025 vitorioso, eleitos da Previ desejam um Feliz 2026, com novas conquistas para todos os associados e associadas

29 DE DEZEMBRO DE 2025

Chegamos ao final de mais um ano, de muito trabalho e perseverança. Mesmo em uma conjuntura mundial de turbulências políticas e econômicas, as associadas e os associados da Previ têm muitos motivos para comemorar e entrar no Ano Novo com segurança, tranquilidade e otimismo.

O Plano 1 fechou novembro de 2025 com grande rentabilidade (14,75% frente ao atuarial de 8,19%) e um superávit acumulado de quase R$ 10 bilhões. No Previ Futuro, todos os perfis de investimentos apresentaram desempenho superior ao CDI e a todos os planos equivalentes do sistema de previdência complementar.

Em 2025, os associados da Previ tiveram ainda outras conquistas importantes graças à atuação dos diretores e conselheiros eleitos, em parceria com as entidades representativas do funcionalismo do Banco do Brasil.

Uma delas foi a entrada em vigor da nova Tabela PIP, que permitiu o aumento da poupança de mais de 60 mil associados do Previ Futuro, com a contrapartida do Banco do Brasil. Na reforma tributária, conseguimos a isenção dos fundos de pensão da tributação de IBS e CBS.

Foram vitórias que na prática aumentam os benefícios dos associados e associadas e fortalecem tanto a Previ como todo o sistema de previdência complementar.

As perspectivas para 2026 são positivas para a comunidade Previ, apesar da conjuntura mundial continuar desafiadora e de eventuais turbulências em um ano de disputas eleitorais que devem mais uma vez serem acirradas no Brasil. O Plano 1 está bem protegido das volatilidades por uma carteira de renda fixa sólida em títulos públicos. O Previ Futuro está investido em ótimos papéis nas rendas fixa e variável para seguir capturando excelentes ganhos de rentabilidade.

A segurança e o equilíbrio de longo prazo da Previ são o resultado de um modelo de governança em que os associados têm o poder de decisão e fiscalização, e de uma política de investimentos sólida e competente, porque é definida e acompanhada pelos próprios participantes.

Com a certeza de que juntos seremos capazes de manter a Previ no rumo certo, cumprindo a missão de garantir a solidariedade e uma aposentadoria digna aos trabalhadores do Banco do Brasil, os diretores e conselheiros eleitos desejam um Feliz Ano Novo a todos os associados e associadas, os verdadeiros donos da Previ.

Fonte: Associados Previ

29.12.25

Diário e reflexões - Retrospectiva e perspectivas


Numa noite quente... refletindo 


Retrospectiva e perspectivas

Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025.


Estou sistematizando as publicações do ano neste blog sindical e político. Será mais um caderno do blog A Categoria Bancária

Ando refletindo sobre o meu papel neste momento da história, refletindo sobre qual contribuição minha teria alguma utilidade coletiva.

Já concluí faz tempo que meu papel de fazer volume em eventos populares não tem mais sentido para que eu continue exaurindo o restante de minha energia vital como se eu estivesse no início da vida militante. Estou cansado, meu corpo está indo.

Outro dia, perto de 22h, andava pelas ruas desertas do Rio Pequeno, ruas com calçadas e cantos repletos de seres humanos despossuídos de tudo, vítimas da sociedade capitalista, e me peguei pensando se estava correto em estar naquele contexto sendo quem sou neste momento de minha existência. 

Estava no mesmo lugar de 4 décadas antes, andando pelas ruas do bairro onde nasci e exposto aos riscos inerentes da violência urbana, por ter participado de uma roda de conversa com umas poucas pessoas de luta. O ato em si é elogioso, mas será que é o melhor que posso fazer para ser útil às causas da classe trabalhadora?

Acho que não. Essa coisa de fazer volume sem contribuir com algo significativo já deu. Não posso continuar assim em 2026.

O William que fui para o movimento sindical bancário, principalmente do segmento dos trabalhadores do Banco do Brasil, tem alguns conhecimentos adquiridos na vivência das lutas sindicais que não servem pra nada fazendo volume numa atividade de rua ou numa reunião de movimentos setoriais nos quais pouco ou nada agrego, além de somar com os abnegados daquele grupo.

Se o acaso me mata numa condição como aquela que citei acima, aos 56 anos hoje, no mesmo local de décadas atrás, quando me expunha ao risco por ser mais um trabalhador que tinha que se expor sobrevivendo diariamente aos subempregos e à miséria, avalio que meu desaparecimento da vida teria sido algo sem sentido, uma morte fútil, desnecessária. 

Vou fazer outra coisa no próximo ano, se tiver condições para isso.

Talvez a coisa mais correta e útil, enquanto puder, seja escrever e compartilhar conhecimento, sempre de forma gratuita. 

William 

(10h09)


22.12.25

Hospital CASSEMS Campo Grande



"Atentos, ao longo dos anos, interiorizamos o atendimento e investimos cada vez mais em programas de promoção à saúde. Temos hoje 76 unidades de atendimento, 24 centros odontológicos, 8 centros médicos, 4 centros de prevenção, 6 centros de diagnósticos e 9 hospitais: Aquidauana, Paranaíba, Três Lagoas, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã, Coxim e, agora, o Hospital Cassems de Campo Grande..." (Ricardo Ayache, 06/10/16, em seu discurso de inauguração do Hospital, p. 167)


Estive na cerimônia de inauguração do Hospital Cassems de Campo Grande, e pude testemunhar o momento de realização de mais um sonho da direção da CASSEMS e dos servidores de Mato Grosso do Sul. 

Ayache informou em seu discurso que o investimento foi de R$ 84 milhões para construir e equipar o hospital, sendo R$ 45 milhões de recursos próprios e R$ 39 milhões provenientes do FCO/BB. O equipamento foi construído em dois anos. 

Como gestor da CASSI à época, me lembro que nossa autogestão pagava só a uma grande rede credenciada mais de R$ 400 milhões por ano.

Eu vinha estudando a questão da verticalização em sistemas de saúde, sejam eles públicos ou privados, e sendo absolutamente contrário à terceirização, tinha certeza do acerto da CASSEMS em sua decisão de investir em estrutura própria de saúde. 

Finalizei a releitura do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS (2016). Foi uma volta ao tempo no qual estudei muito gestão e modelos de sistemas de saúde. Ano que vem, a autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul completará 25 anos. Estão de parabéns!

Faz alguns meses decidi não falar mais da atualidade da gestão da CASSI. Apesar de conhecer alguma coisa a respeito, por não ter sido demandado a opinar nos últimos anos, vou falar somente do passado e da história de nossa autogestão em saúde, se for para falar alguma coisa.

Tenho certeza no acerto da aposta na solidariedade em caixas de assistência e previdência. Cooperativismo e associativismo são as melhores decisões para o alcance de direitos por parte da classe trabalhadora. 

Desejo sucesso à CASSEMS, à CASSI e às demais autogestões em saúde. 

E, claro, desejo sucesso e ampliação ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS), a maior conquista social do povo brasileiro. Temos que retomar as estruturas terceirizadas do SUS.

William Mendes 

22/12/25


Post Scriptum: estou às voltas com a sistematização e encadernação de meus blogs. Esse processo já gerou um livro de memórias sindicais e agora um de poesia, em produção. Acho ruim a CASSI não ter seu livro de história. Se tiver ânimo, vou escrever a história da CASSI, que conheci durante meus estudos de gestor da autogestão. 


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSEMS: consensos no custeio e programas de saúde



Após definição de novo custeio, a prevenção virou foco na CASSEMS

"A prevenção é o grande caminho da humanidade. O envelhecimento populacional é uma realidade e uma conquista de todos. Cuidar da saúde antes que a doença apareça é prioridade. A prevenção proporciona equilíbrio para o sistema de saúde e melhor qualidade de vida para as pessoas..." (p. 123)


A reflexão acima foi dita pelo novo presidente da CASSEMS, Ricardo Ayache, em 2010. Uma década depois de criada, a autogestão passaria a focar muito mais em prevenção. Decisão muito acertada.

A CASSEMS tem programas de saúde muito interessantes e equipamentos que poderiam ser implantados por autogestões como a CASSI.

Os ônibus da saúde (p. 128), por exemplo, são excelentes alternativas para cobertura de exames e pequenos procedimentos em regiões desassistidas de estruturas de saúde. Algo muito comum nos interiores. É prevenção na veia!!!

A CASSEMS tem atendimento odontológico em seu sistema, algo que deveria ter na CASSI. 

Em 2010, o Banco do Brasil não cumpriu a questão do plano odontológico como havíamos negociado, um direito dentro da CASSI para os associados. Ao implementar o modelo para funcionários da ativa, excluiu o conjunto dos aposentados e pensionistas. 

O programa CASSEMS ITINERANTE é uma estratégia inteligente e lida com a carência de médicos e redes nas regiões assistidas. 

"Preocupada com essa situação, a direção da CASSEMS organizou equipes formadas por médicos especialistas em procedimentos mais complexos, de várias áreas, para atender a população dos municípios mais carentes de recursos médicos, nos fins de semana. As equipes são formadas com base nas demandas de cada município. Em 2014, por meio do programa, somaram-se 5.200 atendimentos nos seis municípios selecionados para receber esse trabalho." (p. 132)

Enfim, ao ver a história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, criada em 2001 tendo como referência a CASSI dos funcionários do Banco do Brasil (criada em 1944), vejo hoje que se poderia estudar muitas experiências exitosas da CASSEMS. 

William Mendes 

22/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

20.12.25

Diário e reflexões - Participação política e cidadania


Tin, Lejeune e Genoino. Roda de conversa.

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E CIDADANIA

O ano de 2025 vai se encerrando e as postagens em meu blog sindical e político também se encaminham para o fechamento do ano.

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AFABB SP

Nesta semana, em 18/12, estive em uma excelente palestra do professor Lejeune Mirhan em nossa associação de aposentados, a AFABB SP. O evento contou com a participação do companheiro José Genoino (PT SP) e a palestra foi mediada pelo nosso querido Tin Urbinatti, diretor de teatro, ator e militante histórico da cultura e aposentado do BB.

O tema da palestra do professor Lejeune, sociólogo e cientista político, foi "Roda de conversa sobre a atual conjuntura e as perspectivas para 2026". O professor Lejeune e Tin estiveram no Irã e partilharam conosco as experiências que vivenciaram lá. O companheiro Genoino também fez uma breve análise de conjuntura e partilhou suas opiniões sobre as questões da política nacional.

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COZINHA POPULAR DONA NEGA

Um dia antes, 17/12, participei de mais uma roda de conversa na Cozinha Popular Dona Nega, na Comunidade do Paredão, no Rio Pequeno, Butantã. O encontro dessa vez foi com o companheiro Lester e o tema de sua palestra foi "Controle social, princípio essencial no SUS: sem autonomia dos conselhos gestores não é possível lutar contra a privatização da saúde".


Lester compartilhou conosco muita história e informação sobre o sistema de saúde brasileiro, a criação do SUS, as estruturas de saúde na cidade de São Paulo e região, o funcionamento das UBS, AMA, UPA, nos explicou sobre o Hospital Universitário da USP e muito mais. Foi um bate-papo muito esclarecedor e educativo.

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REUNIÃO DA MILITÂNCIA DO BB

Na segunda, 15/12, estive com a companheirada da comunidade Banco do Brasil, da Articulação Sindical da CUT, fórum de minha formação política ao longo de décadas de militância sindical.

A militância abordou as lutas da atualidade, as mobilizações que estão em andamento e os cenários das agendas do ano de 2026.

O encontro foi realizado em nossa Confederação e pude rever muitos amig@s e companheir@s de longas jornadas de lutas políticas.

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MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DA UPA RIO PEQUENO

Na semana anterior, em 11/12, participei de uma manifestação importante de nossa Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste (FSL/ZO) em defesa da UPA Rio Pequeno e da saúde pública, de nosso SUS.

A UPA Rio Pequeno e a população que utiliza esse equipamento de saúde precisam de mais contratações e investimentos, pois o número de atendimentos é quase o dobro da capacidade instalada na atualidade. São mais de 20 mil atendimentos por mês e é necessário a contratação de dezenas de profissionais de saúde.

Após a nossa manifestação e a mobilização constante da população local e das lideranças locais, foi anunciada a contratação de 34 pessoas para somar com as equipes que atuam na UPA. Vitória da mobilização popular.

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2025, UM ANO DE LUTAS

Enfim, sempre que possível, tentei participar neste mês e neste ano de atividades convocadas por nossos partidos de esquerda e sindicatos, e por nossas coordenações dos movimentos populares.

Quando não estive em alguma atividade nas ruas foi por algum motivo pessoal como, por exemplo, para acompanhar minha companheira em uma cirurgia no último fim de semana, 13 e 14/12, quando o Brasil foi às ruas contra as pilantragens dos picaretas do Congresso Nacional, votando para livrar a cara dos golpistas como os caras do clã Bolsonaro et caterva.

Tenho que refletir sobre minha vida pessoal e avaliar como será minha participação na vida política do país no ano de 2026. Sinto a necessidade de avanços na defesa do planeta e da sociedade humana, como imagino que muita gente deve estar pensando nisso também.

William Mendes

20/12/25

14.12.25

CASSEMS construindo a rede hospitalar



HISTÓRIA

"Em 2004, a Cassems iniciou a fase de compra, locação ou comodato de hospitais em cidades consideradas estratégicas, uma alternativa importante porque diminui os deslocamentos dos beneficiários para outros centros e aproxima-os da Caixa. A isso se soma, claro, a redução dos custos gerais da empresa. Concretamente, o usuário é atendido em uma estrutura dele, paga mensalmente com sua contribuição descontada em folha de pagamento. Outro fator é a independência técnica e financeira que a empresa ganha, uma vez que suaviza a dependência em relação à rede credenciada que, como qualquer empresa capitalista, se move na busca do lucro máximo." (p. 102)


O capítulo 9 foi central em meus estudos em 2017 sobre verticalização ou não de autogestões em saúde.

Visitei a CASSEMS mais de uma vez, à época, e entendi ser muito acertada a decisão da direção e dos associados, os servidores do Estado, em investir em estruturas próprias de saúde. 

Os problemas que a CASSEMS enfrentava com a rede credenciada capitalista eram os mesmos que a CASSI e seus participantes enfrentavam. 

Segue abaixo a anotação que fiz no capítulo em 2017:

"A construção/aquisição de diversos hospitais foi fundamental para a melhoria do atendimento da população associada à Cassems. Locais com cerca de 8 mil pessoas foram contemplados com hospital próprio. Não deu certo fazer gestão hospitalar com outro sócio (Unimed). Onde monopólio hospitalar prejudicava o associado Cassems, o problema foi resolvido com hospital próprio. É tudo que acontece com a Cassi nos Estados!" (pag. 113)

A CASSI, à época (2017), tinha uma estrutura própria de CliniCassi nos Estados, para Atenção Primária e Estratégia de Saúde da Família (ESF). Os imóveis eram próprios ou alugados. 

Entretanto, mais de 90% de seus recursos iam para a rede credenciada do mercado, todo dinheiro que entrava, saía no uso assistencial terceirizado. É um verdadeiro saco sem fundo, na minha opinião. 

E... mesmo gastando todo recurso na rede privada, a CASSI não tem quem atenda seus associados nos interiores... A CASSEMS resolveu isso!

"O fechamento dessas instituições criou um novo desafio para a direção da Cassems: quem atenderia seus beneficiários? Como forma de resolver essa situação, a Caixa adquiriu alguns hospitais que estavam fechados ou próximos de fechar. Dotar as unidades regionais de pelo menos um hospital da Cassems passou a ser meta da empresa a ser atingida até 2018." (p. 103)

Enfim, a autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul tinha em 2016 hospitais em Dourados, Nova Andradina, Ponta Porã, Aquidauana, Paranaíba, Naviraí, Três Lagoas, Coxim, Corumbá e um excelente centro médico de alta tecnologia em Campo Grande - estive na inauguração.

Na minha opinião, a autogestão dos funcionários do Banco do Brasil e seus associados poderiam refletir e avaliar o exemplo da CASSEMS, criada em 2001 tendo a CASSI como referência.

William Mendes 

14/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

13.12.25

CASSEMS: modelo de estrutura assistencial gerou debates

 


HISTÓRIA

Investir ou não em hospitais e estruturas próprias de assistência à saúde?


"Outro debate, em 2004, objetivava criar uma rede de hospitais própria. Não era consenso, mas o grupo liderado por Davi possuía a hegemonia da proposta. Os que eram favoráveis a ela argumentavam que outros planos de saúde tinham hospitais que possibilitavam baratear os custos de trabalho com saúde; quem era contra alegava que o investimento que as obras demandariam poderia comprometer financeiramente a entidade. Mas a paralisação dos ortopedistas e traumatologistas de Dourados teve um peso importante para que a direção da Cassems aprovasse, nesse mesmo ano, a proposta de compra do hospital Mater Dei, o único que atendia os conveniados à Cassems em Dourados, e estava próximo de fechar suas portas." (p. 76)


Ao estudar a história da CASSEMS em 2017, sendo gestor eleito da CASSI à época, me chamou atenção essa questão da definição do modelo de estrutura assistencial, se seria própria ou toda terceirizada, ou seja, comprando no mercado capitalista os procedimentos e materiais de saúde. 

O livro nos conta, no capítulo 7, a falta de consenso sobre o tema da verticalização na CASSEMS em seus primeiros anos de existência. 

No capítulo seguinte, vimos que a divergência de modelo de gestão de saúde foi um dos motivos por haver duas chapas nas eleições da direção em 2007. Venceu o grupo que defendia investimentos em estruturas próprias de saúde para atender seus beneficiários. 

"Entre 2008 e 2010, a nova diretoria atuou fortemente na consolidação da rede de hospitais e incrementou sua relação com os beneficiários..." (p. 89)


Eu tenho simpatia pela questão da verticalização nos sistemas de saúde da classe trabalhadora - como as autogestões -, e no sistema público, o nosso SUS. 

Óbvio que a questão merece estudos, mas conhecendo o papel do mercado capitalista na área de saúde, sei que a saúde das pessoas não é o objetivo dos médicos capitalistas. A doença dá lucro, leito ocupado e procedimentos dão lucro. 

Prevenção e gente sadia não gera lucro para a "indústria" da saúde, e consequentemente para os donos do "negócio", médicos capitalistas. 

Enfim, a CASSEMS, me parece, segue sendo uma Caixa de Assistência de sucesso em seus quase 25 anos de existência. Entendo que a direção e os servidores têm feito boas escolhas. 

William Mendes 

13/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

12.12.25

CASSEMS enfrenta questão dos custos médicos



HISTÓRIA

Custeio do plano de saúde dos servidores e o custo dos serviços pela Tabela CBHPM


"Na sequência, a palavra foi facultada ao diretor Ricardo Ayache para explicar os impactos da nova tabela dos médicos nas contas da empresa. Ayache informou que a Cassems possuía 1.314 credenciados e vivia um momento de dificuldades em função da ameaça da imposição da CBHPM, que contém preço de todas as atividades médicas do Brasil. Falou que, caso fosse aprovada a tabela, uma cesariana, que custava R$ 179,00, passaria para R$ 384,00." (p. 77)


A leitura do capítulo 7 do livro comemorativo dos 15 anos da CASSEMS é muito esclarecedora para pessoas interessadas nas questões da CASSI, autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil. 

A CASSEMS havia sido criada há 3 anos e em 2004 enfrentava desafios muito comuns ao dia a dia da CASSI: falta de credenciados nos interiores, custeio do plano e preço dos serviços médicos do mercado de saúde privado e capitalista. 

Naquela época, a CASSI havia terminado seus estudos internos, iniciados após a reforma estatutária de 1996, sobre o melhor modelo de Atenção Primária (APS) e havia lançado a Estratégia de Saúde da Família (ESF), em 2003, com objetivo de abranger com cuidados preventivos e monitoramento de crônicos o conjunto dos assistidos do Plano de Associados (mais de 400 mil vidas) e mais os crônicos do Cassi Família. 

A direção da CASSEMS precisou vencer longos debates com sindicatos e servidores para equalizar o novo custeio da Caixa de Assistência e fortaleceu no processo a decisão de adquirir rede própria de hospitais inclusive para enfrentar a questão do mercado médico quase cartelizado no país (opinião minha).

Capítulo excepcional da história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul e das autogestões em saúde lidando com um mercado cuja saúde é negócio para enriquecer uma classe de profissionais de determinada área do conhecimento humano. 

William Mendes 

12/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

11.12.25

CASSEMS e a verticalização de sua estrutura assistencial



HISTÓRIA

Quando era gestor eleito da CASSI, autogestão em saúde dos funcionários do Banco do Brasil, me interessei pela história de sucesso da CASSEMS, criada em 2001 tendo como referência a nossa Caixa de Assistência. 

Um dos temas de meu interesse era a questão da estrutura própria de saúde e administração da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, questão conhecida como verticalização. 

"Como havia críticas pelo fato de a entidade continuar usando alguns imóveis do governo do estado e como a direção da entidade almejava construir sede própria para as unidades regionais, decidiu-se, em 2002, adquirir um imóvel na área central de Campo Grande, no bairro São Francisco, onde passou a funcionar a sua unidade regional. Logo em seguida, adquiriu um amplo terreno próximo ao Parque das Nações Indígenas, onde funciona a sua sede atualmente." (p. 67)


Uma questão chama a atenção: os gestores comentam no livro a importância que o investimento em estruturas próprias teve em relação aos fundos garantidores, exigências frequentes no setor.

"A compra desses imóveis foi possível, inicialmente, porque todas as operadoras de plano de saúde são obrigadas a manter um fundo de reserva, ou seja, um montante em numerário ou imobilizado para garantir, em caso de dificuldade financeira, o andamento e a solidez do negócio. Corretamente, a direção da Cassems percebeu oportunidade na aquisição desses imóveis. Nessa fase, começaram os investimentos, era um indicativo forte de que a entidade estava no caminho certo." (idem)


Na minha opinião, essa experiência da CASSEMS poderia ser estudada por outras autogestões, dentro do modelo de associativismo e cooperativismo, setor que sofre muito pela concorrência desproporcional com o mercado capitalista de saúde. 

William Mendes 

11/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

Desafios iniciais da CASSEMS



HISTÓRIA

IMPASSE COM APOSENTADOS E PENSIONISTAS

"Só que o início da Cassems não foi povoado só de notícias boas. Aposentados e pensionistas foram à justiça para não pagar a contribuição de 3% de seus salários, alegavam que a contribuição era injusta e ilegal porque eles eram isentos dela, no tempo do Previsul..." (p. 61)


A história da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul é uma referência importante quando se estuda modelos de autogestão em saúde, uma forma de associativismo e cooperativismo. 

O capítulo 5 do livro comemorativo da CASSEMS nos conta um pouco das dificuldades que os trabalhadores enfrentaram e venceram ao não optarem por planos de mercado para a questão da saúde suplementar.

Ao mudarem do antigo modelo Previsul (falido) para a autogestão, cerca de 12 mil aposentados e pensionistas discordaram do modelo solidário de todos contribuírem com 3% dos benefícios e o Estado com 3%. 

As lideranças sindicais foram fundamentais no processo de superação dessa questão. As entidades políticas trabalharam muito a questão do pertencimento. 

A CASSEMS É UM INSTRUMENTO DO SERVIDOR 

"(...) os líderes sindicais dos servidores, que haviam desempenhado papel decisivo na criação da Cassems, meses antes, passaram a atuar com muita determinação no trabalho de conscientização dos usuários contra qualquer tipo de anomalia envolvendo a Caixa de Assistência." (p. 62)


Em 2014, quando cheguei eleito com apoio dos sindicatos à direção da CASSI, dos funcionários do Banco do Brasil, precisamos definir estratégias de defesa da Caixa de Assistência e fizemos um trabalho intenso de pertencimento para que os associados não caíssem na lábia da direção do patrocinador (banco) e aceitassem a tese da quebra da solidariedade no modelo de custeio do Plano de Associados. 

Deu certo naquele momento da história da CASSI. Até 2018 o custeio foi mantido como era desde 1996.

Enfim, depois vieram novos desafios aos participantes do plano e às entidades sindicais. A luta de classes continua.

William Mendes 

11/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

10.12.25

Fundação da CASSEMS



HISTÓRIA

A CASSI foi a referência para a criação da CASSEMS em 2001. O PT e os sindicalistas foram importantes na criação da autogestão. 


"Quando as lideranças perceberam que haviam perdido o debate sobre a reforma administrativa, procuraram o governo e propuseram que a previdência e a assistência à saúde ficassem com elas. O governo Zeca se dispôs a fazer o debate, o governador conhecia a experiência da Caixa de Assistência do Banco do Brasil, sabia perfeitamente que os trabalhadores têm competência para gerir suas entidades de defesa mútua e outros organismos." (p. 49)


Duas figuras do PT foram centrais na criação da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul, pelo que leio no livro da CASSEMS: Zeca do PT e Gleisi Hoffmann, que à época era secretária de Estado de Reestruturação e Ajuste (p. 50).

O capítulo é fundamental para compreender as polêmicas e contradições da época: as categorias de servidores de maiores salários não queriam a criação da autogestão por uma questão egoísta (opinião minha), porque achavam cara a contribuição de 3% (a proposta era 3% para o Estado e 3% para o servidor, pág. 51).

Esse grupo da elite preferiu planos de mercado, cerca de 5 mil beneficiários (p. 52).

As grandes categorias de servidores seguiram as lideranças sindicais e criaram a CASSEMS em assembleia no dia 16/02/01 (p. 55)

Por causa dos sindicalistas e da esquerda, temos hoje uma das maiores autogestões em saúde do país, a CASSEMS.

William Mendes 

10/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

9.12.25

CASSEMS: uma assistência à saúde como a CASSI do BB



HISTÓRIA

"(...) houve uma CPI que constatou que o Previsul estava falido e não prestava para atender à saúde nem à previdência. Quis o destino ou a sorte que eu virasse governador do estado, e quando assumi o mandato, encontrei um modelo de gestão falido, por isso resolvemos fazer uma reforma administrativa, neste momento, cumpriu um papel importante a Gleisi Hoffmann (...). Certo dia, ela falou que tínhamos de separar a previdência da assistência à saúde, e propôs para a assistência à saúde um modelo parecido com o da Cassi, do Banco do Brasil, que eu conhecia. Eu achei interessante a ideia, pedi que aprofundasse os estudos, o que culminou com a Cassems..." (p. 32)


Essa história é interessante. Zeca do PT assumiu o governo do estado de Mato Grosso do Sul em 1999 e como funcionário do Banco do Brasil conhecia nossa autogestão em saúde, a CASSI. 

Nós havíamos optado por um modelo de gestão fora do RH do Banco, na reforma estatutária de 1996. 

E a CASSI passaria a fazer a gestão da saúde de seus associados através de um modelo de Atenção Integral à Saúde, focado em prevenção e promoção de saúde e Atenção Primária.

Os servidores públicos de Mato Grosso do Sul optaram, em sua maioria, em seguir esse modelo. Uma parte deles optou por planos de saúde de mercado.

A CASSEMS vai completar 25 anos em 2026 e segue sendo uma das melhores autogestões do país. 

Decisão acertada de nossos colegas petistas no final dos anos noventa. Venceu a solidariedade, o associativismo e o cooperativismo. 

William Mendes 

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSI seguiu existindo após IAPs



HISTÓRIA

"Com base na Lei Eloy Chaves, consagrada em 1923, iniciativa muito comemorada pela classe operária nacional, foi instituído o sistema de Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) o sistema era gerido de forma tripartite: governo, empregados e empresas contribuíam. Os trabalhadores, essencialmente, participavam do Conselho Administrativo dessas Caixas." (p. 21)


A Lei Eloy Chaves permitiu que trabalhadores passassem a ter acesso, também, a assistência médica através de Caixas de Assistência. 

-

"Em meio ao debate político sobre saúde e previdência da década de 1930, surgiu o decreto que criou os Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs). Estivadores, transportadores de cargas, comerciários, bancários, industriários, entre outros, foram beneficiados. Na virada da década de 1930 para 1940, a maioria das CAPs foi absorvida pelos IAPs, embora algumas tenham sobrevivido, como é o caso da Cassi, do Banco do Brasil, criada em 1944 e que até o tempo presente continua em operação." (p. 22)


Conhecer a história é importante para nós da classe trabalhadora para que tenhamos melhor compreensão da realidade objetiva.

A CASSI da comunidade de funcionários do Banco do Brasil não é um plano de saúde, não é! É uma Caixa de Assistência, baseada em princípios solidários como associativismo e cooperativismo. 

É por isso que a razão de ser da CASSI é o Plano de Associados e não seus planos comerciais para grupos de afinidade até determinado grau de parentesco com associados. 

William Mendes 

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

CASSI e CASSEMS: autogestão e solidariedade de classe



HISTÓRIA

"O objetivo dessas associações era proteger o trabalhador associado do desemprego ou da enfermidade. As entidades custeavam despesas de funeral dos sócios, concediam alguma ajuda financeira quando o trabalhador estava desempregado ou enfermo, e, em alguns casos, também custeava as despesas da viúva e dos filhos do sócio." (p. 17)


O livro "CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível" (2017), de Eronildo Barbosa da Silva, nos conta a história de sucesso do associativismo e cooperativismo dos servidores públicos do estado de Mato Grosso do Sul. 

O primeiro capítulo aborda a questão histórica da solidariedade da classe trabalhadora desde séculos passados.

Como os donos do poder sempre atuaram para impedir a união e solidariedade da classe trabalhadora, até os nomes das associações e sindicatos tinham que disfarçar os objetivos reais para que as entidades de classe pudessem existir.

Eram associações "religiosas", com nomes de santos, de amigos, de ajuda mútua etc.

Conheci a CASSEMS quando era gestor eleito de outra autogestão em saúde, a CASSI, dos funcionários do Banco do Brasil. 

O livro comemorativo dos 15 anos de existência da CASSEMS me trouxe, à época, muita informação relevante sobre o tema e este setor de saúde suplementar. 

Ler é sempre uma atividade diferenciada de nossa espécie. Sigamos lendo e estudando. 

William Mendes

09/12/25


Bibliografia:

SILVA, Eronildo Barbosa da. CASSEMS 15 anos: autogestão em saúde: um sonho possível. Campo Grande: CASSEMS, 2017.

7.12.25

Diário e reflexões - Epidemia de violência contra as mulheres



EPIDEMIA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Somei hoje com a militância paulista no ato de luta contra a epidemia de violência contra as mulheres. É desesperador e revoltante o quanto vem aumentando as diversas formas de violência de gênero no Estado de São Paulo e no Brasil. Os atos ocorreram em diversas cidades do país.


Cada manifestação no carro de som denunciou casos recentes de feminicídio, estupros, ameaças à integridade física e psicológica de mulheres e pessoas trans e cobrou soluções das autoridades públicas e investimento em redes de apoio social.


Essa causa é uma causa de homens e mulheres, é de toda a sociedade. Aos homens, não basta apoiar a causa, temos que lutar junto com as companheiras.


Eu não tenho dúvidas do quanto avançou a violência de gênero e as estatísticas à medida que avançaram as agendas e pautas da extrema-direita no país e no mundo.

O avanço do extremismo de direita encontrou terreno fértil no Brasil, um dos países que mais matam pessoas LGBT e mulheres no mundo.


Também opino que é urgente que se regulamente o funcionamento das redes sociais e das big techs no Brasil, pois a internet virou ferramenta de violência e práticas criminosas. 

E a tecnologia poderia ser melhor utilizada em benefício da sociedade humana como um todo e não em benefício de alguns e prejuízo das maiorias.


Durante o ato, encontrei nosso mestre e companheiro de longas jornadas formativas, Carlindo Oliveira, economista, professor e intelectual que dedicou sua vida ao Dieese, o Departamento Intersindical está completando 70 anos nessa semana.

Temos que nos unir por um país e mundo mais justos, igualitários e solidários; temos que salvar a humanidade e o planeta Terra e todas as formas de vida do modo de produção capitalista e dos capitalistas.

Sigamos nas lutas, não vamos desistir da vida e do mundo por causa de uns poucos fdp egoístas que estão destruindo tudo.

#NemUmaAMenos

#MulheresVivas

#FimDaViolênciaDeGênero

William Mendes

07/12/25

30.11.25

Diário e reflexões - Encontros



ENCONTROS

30/11/25

Esta semana que fechou o mês de novembro foi repleta de atividades. 

Na quarta-feira, 26, participei do evento festivo de posse da nova direção da Associação dos Bancários Aposentados do Estado de São Paulo (Abaesp).

Encontrei grandes amigas e amigos do movimento sindical, militância que fez parte de minha formação política e cidadã. 

O evento foi realizado no Espaço Lélia Abramo, da Regional Paulista do Sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e região. 

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Na quinta-feira, 27, participei da sessão de exibição do documentário "Somos Vanguarda - Além da Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários", tendo como equipe técnica Felipe Kfouri, Karla da Costa, Gabriela Mendes, Renata Castanhari e Antonio Carlos S. Carvalho.

O documentário é um resgate da história de nossa organização nacional e assinatura da primeira e única convenção coletiva de trabalho, em 1992, que abrange várias empresas e bases diferentes. 

As entrevistas com os dirigentes que participaram dessa conquista são registros importantes. Vaccari, por exemplo, explica porque éramos contra a CLT naquele contexto. Vale a pena ver!

A sessão de cinema foi realizada na sede do Sindicato, no Edifício Martinelli, pelo CINEB, projeto criado em 2007 para levar cinema e cultura às periferias, sindicatos, escolas e comunidades diversas. O coordenador do projeto é o companheiro Cidálio.

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E no fim de semana encontrei grandes amig@s e companheir@s para um almoço de confraternização. 

Na oportunidade, presenteei meus amig@s com o livro de memórias sindicais, textos escritos durante a pandemia e que resgatam o ciclo formativo que vivenciei durante a convivência com os bancários da CUT. 

É isso, sigamos existindo. 

William 

24.11.25

Sistematização do blog (3)


Atividade sindical na Verbo Divino (BB). 2012.

24/11/25

Após uma boa sequência de trabalho na sistematização das postagens deste blog, relendo e encadernando vários anos de registros sindicais, entrei numa fase improdutiva, de procrastinação para me sentar e trabalhar os textos.

Um dos motivos da interrupção do trabalho de revisão e encadernação foi a chegada em casa de meu livro de memórias sindicais, textos também oriundos deste blog. A entrega de unidades do livro para lideranças políticas com as quais convivi e que estão na representação diária da classe trabalhadora mudou completamente minha rotina.

A sistematização dos milhares de textos de minha vida sindical e o contato esporádico com lideranças do movimento nessas semanas me fez refletir sobre algumas questões que penso faz um bom tempo. Coisa minha.

Eu preciso terminar essa tarefa da revisão e sistematização de meus mais de 6 mil textos dos blogs. Se eu conseguir finalizar isso, vou pensar em algo para fazer de minha vida dali adiante. Algo como virar a página de uma fase importante de minha existência.

Estou lendo as postagens do ano de 2012, o ano em que virei coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). Aquele personagem do movimento sindical bancário foi um militante dedicado, disciplinado e deu o melhor de si naquelas funções políticas que desempenhou por decisões coletivas.

Rever todo aquele período, encadernar e guardar essa história de um dos milhares de militantes de esquerda de nossas lutas de classe é algo que preciso fazer e encerrar. E falta tanta coisa...

Sigamos, sigamos. Que eu encontre ainda um pouquinho da disciplina que tive por décadas de militância política.

William

15.11.25

Diário e reflexões - O melhor de mim



O MELHOR DE MIM

15/11/25

Faz algumas semanas que meu livro de memórias sindicais ganhou o mundo. 

O fato de editar e confeccionar para presente algumas unidades do livro que foi publicado neste blog durante a pandemia mundial fez com que minha rotina fosse alterada. Foram semanas diferentes das semanas dos últimos anos retirado do movimento sindical.

Já presenteei cerca de 50 pessoas com a edição do livro Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT. O livro traz capítulos independentes de momentos de minha vida de dirigente sindical cutista, memórias que foram surgindo à medida que lia e sistematizava os milhares de textos do blog A Categoria Bancária - InFormação e História.

Desde que recebi a pequena edição que fiz, já tive a oportunidade de encontrar diversas pessoas queridas e importantes na história do movimento sindical, tanto do banco no qual trabalhei a maior parte de minha vida - o BB -, quanto das lutas organizadas da classe trabalhadora em geral. Cafés, almoços, bate-papos e até reuniões políticas que não participava há tempos fizeram parte de meu cotidiano nas últimas semanas.

Tenho lido e refletido muito nos últimos anos a respeito da vida e da sociedade humana. Olho para trás e tento dar um sentido no percurso e nas realizações de meu ser, fico avaliando o que fiz e o que não fiz, o que fui e o que não fui, às vezes me lamentando por algo feito ou não realizado, às vezes concluindo que fiz o que tinha que ser feito. 

Contudo, sob qualquer aspecto que avalio meu percurso existencial, concluo que fui um homem de sorte. Até o fato de estar vivo neste momento e ser uma pessoa correta, considero como uma questão do acaso. 

O ensinamento do professor Antonio Candido - que abre meu livro de memórias -, sobre lidar de forma serena com as etapas passadas da vida, me salvou mais que qualquer novena ou quantidade de pais-nossos e ave-marias que tenha rezado enquanto fui religioso.

Talvez meu sonho íntimo, o desejo mais profundo do ser que sou, fosse ter vivido envolvido com literatura e cultura. Como sou todo explosão à flor da pele, arrepio só de ouvir ou pensar literatura e meu corpo reage com emoções sensoriais. Poderia ter sido professor, escritor, algo ligado ao mundo intelectual. Não fui nada disso.

No entanto, se considerar que também fui um dos milhões de adolescentes brasileiros das classes subalternas, uma pessoa que viveu sob a exploração do trabalho insalubre e mal remunerado desde a infância, que foi direcionado pelos donos do poder a ter medo e ódio de tudo e de todos, e ter chegado até aqui, posso concluir que encontrei o meu caminho. 

E hoje, o que mais queria como alguém que chegou até aqui, era ver as pessoas que amo e a juventude encontrando seus caminhos na vida e sendo felizes e realizadas, sem cobranças falsas da sociedade doente hegemonizada pelos fetiches do capitalismo. 

Há um grande sofrimento coletivo e individual e perceber esse sofrimento me causa uma amargura que não mata rápido, mas que dói no corpo todo.

Posso dizer que o melhor de mim foi extraído ao longo de minha jornada de lutas no movimento sindical brasileiro. 

Não foi uma escolha planejada ser sindicalista, nem sonhei em ser nada do que fui, um representante dos meus colegas da categoria bancária e da classe trabalhadora. 

Abracei a tarefa quando me vi nela e simplesmente fiz o que entendi que devia ser feito.

Foi o melhor de mim. Não me arrependo de ter vivido essa vida.

William Mendes