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Memórias da CASSI (1)



"Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI." (Cartilha do Estatuto da CASSI, junho de 1997)


Segue abaixo o Prefácio da cartilha da CASSI. É a própria instituição falando de si para nós, usuários e ou associados, num determinado instante de sua história - ou nossa, seus beneficiários -, aos 53 anos de idade, em 1997. 

As memórias de qualquer pessoa física ou jurídica são assim. Elas vêm de algum lugar, de determinado tempo e espaço, definidas sob as condições da época, e são determinadas sempre por quem as registra.

"Quem fala, fala de algum lugar". Essa foi uma das lições que aprendi com o pessoal da formação do Sindicato, logo nos primeiros anos de convívio como bancário sindicalizado e depois como militante político. 

Vamos começar as memórias da CASSI.

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PREFÁCIO

CASSI ATRAVÉS DO TEMPO 

Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI. Durante 53 anos de existência, a Caixa fez reformas nos estatutos, sofreu transformações e ajustes para garantir sua missão. 

Na década de 40, os serviços de saúde dos bancários, até então realizados pelo Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários (IAPB), concentravam-se nas capitais. Insatisfeitos com a falta de atendimento no interior, um grupo de funcionários do BB funda, em 27 de janeiro de 1944, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Administrada pelos associados da ativa, nos primeiros anos, a principal função da entidade era ressarcir despesas médicas dos associados e seus dependentes. A CASSI tinha, então, 3,5 mil associados de um total de 7,2 mil funcionários do Banco. Em 1962, a Caixa cria regulamento próprio e admite a entrada de aposentados e pensionistas. 

A primeira grande transformação da CASSI ocorre em 1967 com a extinção de todos os Institutos de categorias profissionais pelo governo militar. Com isso, os hospitais e clínicas administrados pelos trabalhadores são transferidos para o sistema público. A mudança deteriora os serviços médico-hospitalares dos bancários, gerando uma corrida à assistência médica da CASSI pelos funcionários do Banco do Brasil. 

O crescimento da demanda de serviços de saúde resulta numa reestruturação da Caixa. Em 1970, a CASSI torna-se uma entidade mantenedora de assistência à saúde, substituindo o sistema de livre-escolha pelo regime de credenciamento/convênio. Os recursos até então destinados à CASSI não são suficientes para fazer face à nova demanda, sendo necessário aporte do Banco do Brasil. 

Três anos depois, a filiação à Caixa passa a ser obrigatória e registrada em contrato de trabalho dos funcionários do BB. A contribuição pessoal do associado é fixada em 1% de seus proventos gerais, enquanto o Banco contribui com o dobro, assumindo também a direção da entidade. 

Em 1990, a CASSI inicia um processo de modernização administrativa. Os associados passam a eleger um diretor executivo e as mulheres conseguem inscrever seus maridos ou companheiros como beneficiários do Plano de Associados. 

Em 1995, os sucessivos descasamentos entre receitas e despesas levam a CASSI a solicitar novamente aporte do BB. Mas dessa vez, tanto o Banco como os associados ajudam no rateio do déficit operacional, por um período de seis meses, até a definição de nova forma de custeio. 

A partir de 1996, tem início o processo de autonomia da CASSI em relação ao Banco do Brasil. A gestão torna-se compartilhada entre os dois patrocinadores - BB e Corpo Social. Instala-se o Conselho Deliberativo, com dois membros indicados pelo Banco e dois eleitos pelos associados, e cria-se a Diretoria Executiva, com dois de seus integrantes indicados pelo Banco e outros dois eleitos pelos associados. 

Para garantir equilíbrio econômico-financeiro da empresa, a contribuição dos associados aumenta de 1% para 3% e a do Banco sobe de 2% para 3%. Além desses 3%, o BB contribui temporariamente com mais 1,5%, para que a CASSI assuma suas despesas administrativas. As receitas geradas para a Caixa, pela prestação de serviços, serão utilizadas para redução desta contribuição adicional do Banco. 

No início de 1997, a Caixa estende a prestação dos serviços de saúde para os familiares dos funcionários e ex-funcionários do Banco, com a criação do Saúde Família. Com apenas dois meses de criação, o Plano já havia conquistado 52 mil participantes. 

Nesse mesmo período, a Caixa dá início ao processo de implantação do novo modelo de atenção integral à saúde. Essa nova forma de administrar saúde pretende dar destaque às ações da rede básica. Pela estratégia da CASSI, o usuário é atendido preferencialmente por profissionais generalistas (clínicos gerais, pediatras, ginecologistas/obstetras e cirurgiões gerais), que indicarão um especialista, quando necessário. 

A primeira ação do novo modelo foi a criação da Central de Atendimento e Orientação - Central CASSI 0800 78 0080 -, no início do ano. Seu objetivo é prestar informações e orientações sobre saúde 24h por dia, pelo telefone, servindo de elo entre os usuários, prestadores de serviços e as unidades estaduais. 

Brasília (DF), junho de 1997.

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CONHECER PARA COMPREENDER 

Ao chegar eleito à direção da CASSI e me sentar à cadeira do diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência, em 02/06/14, senti uma necessidade imensa de entender qual seria o meu papel naquela função e naquele tempo e lugar. 

Comecei pelo começo, por princípio e método, lendo o Estatuto da CASSI, que passaria a ser uma referência de trabalho a partir daquele dia. 

Conhecer com atenção o Estatuto, e a partir dele, começar a estudar a história da CASSI e das lutas por direitos da comunidade de pessoas que criou a CASSI, os funcionários do Banco do Brasil, foi fundamental para exercer como exerci a representação dos associados como diretor de saúde da nossa Caixa de Assistência. 

A partir daquele momento, eu definiria coletivamente o que faríamos nos próximos 4 anos.


Quando terminamos o trabalho, fazendo coletivamente às avaliações e registrando os objetivos alcançados, percebemos que fizemos o que foi possível naquele contexto, tempo e espaço. 

Tem muita memória e registro sobre essa parte da história. Temos que sistematizar isso. 

Conhecer a história possibilita compreender melhor os processos e buscar soluções para impasses existentes nessa nossa caminhada humana. 

William Mendes 

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