RESISTÊNCIA CRIATIVA
Ao conhecer o povo cubano em duas visitas ao país, soube de uma ideia que fortalece o espírito de cada cidadão da ilha caribenha para lidar com as dificuldades materiais oriundas de um bloqueio criminoso promovido pela maior potência bélica do mundo. O povo cubano dribla as dificuldades com uma espécie de resistência criativa.
Eles têm espírito de pertencimento a suas tradições e a sua história de lutas por liberdade, por sua cultura e pelo direito de construir seu destino.
Olhando para trás e refletindo sobre a teimosia do funcionalismo do Banco do Brasil em criar e manter uma Caixa de Assistência solidária para promover saúde, prevenir doenças e cuidar das pessoas que necessitam de atenção à saúde, concluo que há uma resistência criativa de cada geração que manteve a CASSI cuidando de centenas de milhares de pessoas em um ambiente capitalista que lucra com a doença e que não facilita a sobrevivência de um modelo preventivo e solidário de Atenção Integral à Saúde.
Quando me integrei à direção da CASSI, em 2014, eleito pelos associados, tivemos que desenvolver uma resistência criativa para manter os direitos do Corpo Social, para desfazer mal-entendidos e mentiras sobre a CASSI, tivemos que construir um sistema de dados que provasse a eficiência do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e também foi necessário criar um movimento nacional que cobrasse do patrocinador a sua responsabilidade no déficit do Plano de Associados. Teríamos que unificar o nosso lado com consensos e mobilização. Fizemos isso.
Estava em curso um processo de normalização das teses defendidas pelo patrocinador, o patrão dos funcionários do Banco do Brasil. Detalhe: pelas características do sistema, o patrocinador tinha muita capacidade de comunicação centralizada de suas ideias, tinha alcance nacional e milhares de multiplicadores.
Do nosso lado, era o inverso: duas centenas de entidades representativas dos associados, comunicação descentralizada, muita desinformação e desconhecimento sobre sistemas de saúde e autogestões.
Se dizia que a CASSI tinha um modelo assistencial que não funcionava, que os associados - funcionários da ativa e aposentados e seus dependentes - eram "gastadores" dos recursos da CASSI, que o Banco já tinha colocado recursos demais naquela operadora de saúde e que qualquer solução naquele momento seria com ônus somente para o lado dos Trabalhadores. Era como se o patrão fosse uma vítima e o vilão fosse o funcionalismo do Banco.
Ou seja, era necessário ter muita resistência criativa para reverter esse cenário que se apresentava em 2014.
PROVAR QUE A ESF É EFICIENTE E EFICAZ
Desde as primeiras reuniões com as gerências e funcionários técnicos da Diretoria de Saúde, pedimos informações sobre o funcionamento do modelo de Atenção Integral à Saúde, baseado em Atenção Primária (APS) e que na CASSI era executado através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e das unidades próprias de saúde, as CliniCASSI.
Eu pedi aos profissionais de nossa diretoria que criássemos um sistema que demostrasse que os participantes cadastrados no modelo tinham melhores condições de saúde e melhor uso dos recursos da CASSI na rede credenciada.
Me explicaram que seria difícil alcançar esses objetivos porque era difícil planilhar despesas de saúde que não ocorreram por gestão do sistema, não realizadas por terem sido evitadas e além disso nossos bancos de dados só continham parte das informações dos mais de 600 mil participantes do sistema. Muitas informações estavam na rede credenciada.
A ideia de criar um sistema que demonstrasse os resultados em saúde e econômico-financeiros dos participantes cadastrados na ESF era central para nossos objetivos de defesa da CASSI e dos direitos dos funcionários do BB.
Resistência criativa foi o que fizemos e deu certo, nós desenvolvemos um sistema novo de dados que demonstrou o acerto da ESF e das CliniCASSI. Sou grato aos profissionais da CASSI e a nossas equipes gerenciais. Naquele momento da história da CASSI conseguimos unidade no Corpo Social para as negociações com o patrocinador.
William Mendes

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