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31.12.24

Blog A Categoria Bancária - Retrospectiva 2024



(Atualizado e finalizado em 24/02/25)


RETROSPECTIVA 2024

O ano que termina foi um ano de muita militância política de minha parte, sendo eu um cidadão brasileiro que não tem mandato de representação como tive durante duas décadas. Minha participação política foi por ideologia e por princípios éticos.

Estive nas ruas o ano todo, sempre que os movimentos populares chamaram a militância para as manifestações em defesa de alguma causa sensível à classe trabalhadora e em defesa de um mundo mais justo e solidário.

Como fiz nos últimos anos, estive à disposição dos movimentos organizados dos trabalhadores para contribuir com a experiência que acumulei nas áreas de luta sindical e gestão de saúde em autogestões. Em março, participei do planejamento de uma importante autogestão em saúde: a Unafisco Saúde.

Mais uma vez, não fui demandado pelo sindicato ao qual sou filiado e para o qual contribuí por mais de três décadas de sua existência, pertencendo ao seu quadro dirigente em um período importante de sua história. Todo o conhecimento que acumulei no tema gestão em saúde, tendo sido diretor eleito da Cassi, não valeu para a direção do sindicato para uma participação sequer nos debates internos.

Ao longo do ano, militei no diretório do Partido dos Trabalhadores da região do Butantã e na Frente de Solidariedade e Luta da Zona Oeste. No segundo semestre me envolvi nas eleições municipais e fiz campanha para a reeleição da vereadora Luna Zarattini, eleita com mais de 100 mil votos. Também conheci os jovens do JuntOz em Osasco - Heber, Gabi e Matheus - e fiz campanha para eles: foi a única candidatura do PT eleita na cidade, com mais de 4 mil votos.

Fiz 34 publicações no blog, todas elas voltadas à contribuição aos leitores e leitoras sobre temas que conheço como, por exemplo, gestão em saúde e a Cassi dos funcionários do Banco do Brasil, história da categoria bancária, eleições e organização política etc.

Me sinto honrado com a grande quantidade de acessos que o blog teve neste ano, mesmo estando fora da representação política com mandatos eletivos. Foram 148 mil acessos aos textos do blog.

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Janeiro

Não fiz textos neste mês.

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Fevereiro

Fiz dois textos temáticos sobre gestão de sistemas de saúde. Os textos fazem parte de uma série que nominei "História dos bancários: um olhar".

No primeiro deles (ler aqui), desenvolvi o tema "A questão da saúde dos trabalhadores e as autogestões em saúde". No segundo (ler aqui), a 2ª parte do texto anterior, trago dados da saúde brasileira e aprofundo a temática enfatizando a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e seus modelos de saúde ao longo do tempo.

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Março

A partir deste mês, decidi criar a categoria de textos "Diário e reflexões" também no blog A Categoria Bancária, gênero que já faço no Refeitório Cultural desde o início do blog de cultura. 

O primeiro texto dessa categoria no mês foi sobre unidade e divisões no campo da esquerda e os cancelamentos de pessoas e instituições que ousam divergir e ter visões diferentes. Gostei de reler o texto. Ler aqui.

Depois fiz um texto sobre autogestões, já estudando para uma palestra que daria em um planejamento da Unafisco Saúde. Ainda no mês, fiz uma reflexão profunda sobre cancelamentos no campo da esquerda (ler aqui) e finalizei o mês com mais um texto de história do movimento, dessa vez sobre nossos cursos de formação na Contraf-CUT (aqui).

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Abril 

Não fiz postagens.

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Maio e junho

Fiz uma postagem reflexiva sobre os dilemas que tenho vivido em minha existência após ter saído do dia a dia do Banco do Brasil e estar militando através das manifestações nas ruas e na região onde vivo (ler aqui).

Depois fiz 3 artigos sobre a nossa Caixa de Assistência - Cassi, após analisar o balanço da autogestão e os atos de gestão dos últimos anos. Falei em especial sobre os planos que a operadora de saúde vem lançando no mercado (ler aqui) e que não estão dando o resultado esperado, na minha opinião. 

Também comentei uma nova estratégia da Cassi de terceirização de serviços, oferecendo serviços de empresa privada de consultas por telemedicina com psicólogos e psiquiatras para o conjunto dos participantes do sistema, quase 600 mil pessoas (ler aqui). Questiono que a conta a ser paga pode ser imensa, já que não é uma demanda orientada pelos profissionais das equipes de família da Cassi.

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Julho

Não fiz postagens.

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Agosto

As campanhas eleitorais para a escolha de prefeitas e prefeitos e vereadores começaram no mês de agosto. Como forma de contribuir com o debate democrático, decidi fazer textos no blog durante o processo eleitoral.

No mês, fiz 7 postagens falando sobre as cidades, os direitos dos munícipes e as candidaturas que representaram os segmentos populares e os trabalhadores. Em São Paulo, fiz campanha para a companheira Luna Zarattini, jovem lutadora do Partido dos Trabalhadores, e para Guilherme Boulos.

Também reproduzi no blog um manifesto dos eleitos de nossa Caixa de Previdência, a Previ, alertando os associados sobre fake news produzidas por parte da imprensa golpista e das forças reacionárias que apoiam nossos inimigos de classe (ler aqui).

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Setembro e outubro

Foram meses intensos de campanha eleitoral. Estive nas ruas, feiras, metrôs e calçadões panfletando e conversando com a população paulistana e de Osasco como não fazia desde que era sindicalista. Foi uma experiência muito legal.

Acredito que os textos que fiz no blog também contribuíram com o processo democrático das eleições. Tivemos milhares de acessos no período eleitoral. Todos os textos sobre eleições tiveram mais de mil acessos cada um entre os meses de agosto e outubro.

Elegemos Luna Zarattini com mais de 100 mil votos em São Paulo e os jovens do JuntOz com mais de 4 mil votos em Osasco: o PT volta à Câmara da cidade após oito anos sem representação. Fiz parte dessas lutas.

Avaliação das eleições - O texto mais significativo desse período eleitoral é o que fiz de avaliação em 31 de outubro. Falo sobre a questão de ser ou não ser de esquerda ou direita. As pessoas são práticas na hora do voto e não é isso que define o voto, na minha opinião: ler aqui.

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Novembro e dezembro

Após as eleições municipais, fiz ainda alguns textos no blog. 

Dos cinco textos do período, o que mais apreciei na releitura foi o artigo político que fiz em novembro (ler aqui) para politizar o debate sobre o trabalho de representação política.

Aproveitei a experiência pessoal de ter sido representante político de milhares de trabalhadores do Brasil inteiro e argumentei sobre uma questão da época levantada por um importante youtuber influenciador criticando políticos por só "trabalharem" 3 dias da semana. Não é por aí.

Fiz um histórico sobre o que e como se dá a representação política numa democracia representativa, explicando que políticos não representam seus eleitores só quando estão no local sede do mandato que exercem.

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COMENTÁRIO FINAL

Enfim, ao rever os 34 textos do ano no blog, posso dizer que eles atingiram seus objetivos centrais de politizar nossos leitores e leitoras, compartilhar conhecimentos e opiniões e contribuir de forma honesta e democrática para a boa política.

Os textos do blog contam um pouco da nossa história no ano que se encerrou. Foi um ano de muita luta, de conquistas e derrotas de nossa classe, mas acumulamos forças para seguir lutando para mudar o mundo.

William Mendes


21.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (3)

Osasco, 21 de dezembro de 2024. Sábado.


Opinião 


LULA, O PT E O NOVO SINDICALISMO QUE CRIOU A CUT

Tirei algum tempo deste sábado, véspera de Natal, para mexer nos papéis velhos de um ex-sindicalista dos bancários da CUT.

Li uma revista no formato HQ muito legal, contando a história de Lula. A revista é anterior à vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

Neste mês, Lula está completando a metade do terceiro mandato presidencial. As avaliações do nosso lado da classe são as mais diversas possíveis. 

O debate franco é proibido no PT e na CUT. Quem tiver avaliação divergente dos chefes e das chefas não é convidado a falar nos espaços oficiais, e se for é sob risco severo de ser desconsiderado e cancelado. 

Eu afirmo a vocês que compreendo essa realidade, compreendo. Lembrando aqui o ensinamento de Eric Hobsbawm, que compreender não é concordar nem aceitar, é entender o processo histórico daquele fato, daquela situação. 

Eu já estava exercendo mandatos de representação da classe trabalhadora a partir de 2002 quando fui estudando nossa história diariamente, pois tinha muita necessidade de entender quem eu era sendo um membro da maior corrente política da CUT, a Articulação Sindical.

Só tomei plena consciência sobre quem éramos, de onde tínhamos vindo, quais eram nossas concepções e práticas sindicais e políticas quando estudei a história do Lula, a origem da CUT e do PT. 

Passei a entender melhor o fato de nunca termos sido revolucionários e sim conciliadores. 

Isso me ajuda a entender até hoje o que acontece na política dentro e fora do governo Lula, do PT e da CUT. 

Não poderia tendo o conhecimento que acumulei em décadas de luta e representação esperar mais do que está na natureza dessas instituições da classe trabalhadora brasileira que citei aqui.

É isso!

William Mendes 


13.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (2)

Uberlândia, 13 de dezembro de 2024. Sexta-feira.


Opinião 


PLANOS FAMILIARES DA CASSI

Fortalecer o plano Cassi Família II com fidelização ao modelo assistencial APS/ESF com descontos na mensalidade pode ser a solução de sustentabilidade para os planos familiares da Caixa de Assistência  


INTRODUÇÃO 

Vi nesta semana em um grupo da comunidade do Banco do Brasil uma discussão pertinente sobre o reajuste do principal plano de saúde dos familiares dos colegas da ativa e aposentados do banco. A postagem inicial apontava a dificuldade de um colega para manter os pais no plano Cassi Família II após a direção reajustá-lo em 23,88%. E no ano anterior, o reajuste foi absurdo também, sei disso.

As intervenções dos colegas foram quase todas no mesmo sentido: acham um absurdo tal reajuste, comentam sobre casos pessoais, dizem que o jeito é sair do plano e buscar o atendimento do SUS ou um plano mais barato no mercado. 

Uma liderança da comunidade BB contatou a Direção e a sugestão seria o reclamante tentar colocar os pais num outro plano da Cassi mais barato, com coparticipação e franquia e redes de atendimento menores.

A questão é dramática! Acompanho de perto esse problema porque também tenho meus pais no Cassi Família II, o maior, mais antigo e melhor plano de saúde para familiares da comunidade de funcionários e aposentados do Banco do Brasil. 

Acompanho essa questão há muito tempo e por ter sido gestor eleito pelos associados conheço um pouco essa temática. Dividi reflexões e estudos com os colegas gestores por anos, quando trabalhamos juntos.

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ENTIDADES REPRESENTATIVAS

Qual a posição de quase duas centenas de entidades sindicais e associativas da ativa e aposentados sobre essa questão de a Cassi aumentar em quase 50% os planos de saúde de seus pais, filhos, netos e demais familiares? 

A questão é encarada como uma questão importante da vida de seus associados, os bancários da ativa e aposentados? É pauta de reivindicação e negociação?

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UM POUCO DE HISTÓRIA

Tivesse eu aceitado o que já se vinham normalizando pelos corredores da Cassi e de parte das entidades representativas do funcionalismo do Banco do Brasil quando lá cheguei como diretor eleito pelos associados em junho de 2014, o patrocinador Banco do Brasil não teria colocado bilhões de reais devidos ao Plano de Associados entre 2015 e 2019, não teria. 

Havia uma espécie de conformismo em se aceitar que a conta do déficit teria que ser repassada para os associados, se não na totalidade, a maior parte. Ponto. Além disso, havia a questão da direção do Banco colocar em dúvida a eficiência do modelo assistencial APS/ESF com estrutura própria de Clinicassi, que provamos ser um mito, pois a Estratégia de Saúde da Família com unidades CliniCassi próprias se provou eficiente nos estudos que desenvolvemos. 

Felizmente, com muita firmeza de propósito, estudos e com poucos meses de gestão, tomei consciência do histórico dos recorrentes déficits do Plano de Associados e estando claro as responsabilidades do Banco, tive o apoio dos componentes da chapa eleita para convocar nossos parceiros sindicais e de associações ainda em dezembro daquele ano para iniciarmos um movimento nacional de lutas para abrirmos mesas de negociação com o Banco do Brasil. 

Tudo que vou dizer aqui é público e registrado em documentos, textos e jornais.

Como negociador dos bancários até maio daquele ano de 2014, eu já conhecia de cor e salteado as alegações do patrão no que diz respeito a suas "estratégias administrativas" e de gestão. Em mesas de campanha salarial o BB sempre dizia o que todos os bancos dizem: não negocio plano de carreira, não negocio plano de saúde, não negocio plano de previdência, não negocio metas, não negocio segurança, não negocio blá blá blá. 

Óbvias essas negativas, se não tiver estratégia, organização e luta do nosso lado, o patrão simplesmente não vai negociar nada com os empregados e seus sindicatos. Óbvio!

O fato concreto é que em janeiro e fevereiro de 2015 já tivemos encontros nacionais com entidades representativas e lideranças para formarmos uma unidade nacional com alguns consensos construídos para buscarmos negociações com o patrocinador Banco do Brasil. 

Com estratégia e unidade, invertemos a lógica conformista que se plantava por aí de que o Plano de Associados não dava mais para ser bancado em seu custeio como era antes com o Banco arcando com a maior parte do custeio. 

Não vou me alongar na história, não é esse o objetivo do texto. Essa história está contada em mais de seiscentas postagens neste blog A Categoria Bancária.

Hoje, meu objetivo é comentar a respeito dos planos familiares criados e ofertados pela Cassi. 

Após alguns números, vou reafirmar minha posição antiga, de quando era gestor da Caixa de Assistência, de que deveríamos evitar a criação desses diversos planos que a Cassi vem criando e deveríamos fortalecer o melhor plano familiar, o Cassi Família II. 

E vou reafirmar uma tese que defendo de descontos nas mensalidades do CF II dentro de uma estratégia de fortalecer o modelo de Estratégia de Saúde da Família (ESF), o melhor modelo de APS para a Cassi, para participantes desse plano que queiram formalizar adesão ao modelo como uma espécie de "porta de entrada" ou priorização no uso do sistema a partir da ESF.

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OS PLANOS DA CASSI (DADOS DO VISÃO CASSI)

Visão geral dos planos e visão de cada plano:


DRE CASSI CONSOLIDADA 8M24

Res. Líq. -417 milhões 

Sendo

Res. Oper. (sem resultado financeiro) = -601 milhões 


PLANO DE ASSOCIADOS 8M24

Res. Líq. -486 milhões 

Sendo

Res. Oper. -582 milhões 


CASSI FAMÍLIA II 8M24

Res. Líq. 76 milhões 

Sendo

Res. Oper. -6 milhões 


PLANO CASSI ESSENCIAL 8M24

Res. Líq. 8,4 milhões 

Sendo 

Res. Oper. 3,8 milhões 

Detalhes (sendo um plano novo)

1. O res. líq. foi menor de 2023 para 2024 em -53,6%.

2. Enquanto as Contraprestações Efetivas cresceram 106,5%, os Eventos Líquidos Indenizáveis aumentaram 197,8%.


PLANO CASSI VIDA 8M24

Res. Líq. -16,4 milhões 

Sendo 

Res. Oper. -17 milhões 

Detalhes (Sendo um plano novo)

1. Enquanto as Contraprestações cresceram 135% em 12 meses, os Eventos Líquidos Indenizáveis aumentaram 274,5 %.


BENEFICIÁRIOS CASSI (AGO/23 - AGO/24)

Plano de Associados 2024: 371.227

Plano Cassi Família II (2023 a 2024): 191.321 para 177.307 (-14.014)

Plano Cassi Essencial: 12.316 para 19.124 (+6.808)

Plano Cassi Vida: 12.316 para 9.552 (-2.764)


Planos familiares: saímos de 215.953 em ago/2023 para 205.983 em ago/2024, redução de 9.970 participantes de planos da Cassi.

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CASSI PODERIA ESTUDAR FORMAS DE FORTALECER O PLANO CASSI FAMÍLIA II ATRAVÉS DA FIDELIZAÇÃO AO MODELO APS/ESF

Os números dos planos familiares da Cassi falam por si para as pessoas de nossa comunidade BB que acompanham e entendem um pouco mais do tema.

Os planos Essencial e Vida não demonstram ser sustentáveis no tempo. São planos novos e deveriam estar com resultados melhores. Eu sempre tive receio dessas teses de que teríamos um público-alvo enorme, de centenas de milhares de pessoas para serem participantes dos planos familiares Cassi. A concorrência local dos planos de mercado é muito forte. 

Outro fator que me incomoda é vender a ideia de que nossos familiares poderiam ter direitos menores que os nossos como associados, não é isso que pensamos quando criamos planos familiares nos anos noventa. Redes credenciadas diferentes e ou menores, pagar franquia e pagar coparticipações nesses planos novos não me parece ser algo interessante sequer para trocar (vampirizar) o melhor e mais antigo plano, o CF II, por esses planos ruins. É só ver os números: isso não está dando certo! Por que insistir no erro?

O Plano Cassi Família II poderia ser fortalecido e com isso fortalecermos o sistema Cassi se recuperarmos os estudos que fizemos entre 2014 e 2018 quando demonstramos que a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que era composta em muitas unidades federativas em grande medida por participantes do CF II com maior necessidade de acompanhamento do modelo ESF (muitos idosos e pessoas com cronicidades), pode agregar vantagem financeira para participantes que são fidelizados nas CliniCassi e com isso seria possível adotar descontos nas mensalidades por essa fidelização, e os resultados são bem melhores no uso dos recursos da rede credenciada (os estudos demonstraram isso).

Ao invés de insistir com esses planos insustentáveis que a Cassi vem criando, sugiro que se estudem formas de manter e ampliar os participantes do CF II fidelizando com descontos aqueles que aderirem ao modelo de ESF, que tem como orientar melhor o uso das redes. As despesas dos grupos fidelizados ao modelo chegavam a ser 50% menores no público ESF em relação a participantes soltos nas redes credenciadas.

Eu sei do esforço dos colegas da direção de nossa Caixa de Assistência, conheço ainda boa parte deles. Passamos muito tempo juntos estudando e pensando soluções para a nossa Cassi, tanto para o Plano de Associados quanto para os planos para atenderem os nossos familiares.

Uma forma de semear sustentabilidade no sistema de saúde Cassi é fortalecer os cuidados ao longo do tempo, nossa população assistida é mais estável que as dos planos de mercado e teremos carteiras cada dia mais maduras. 

Fidelizar através de descontos para participantes cuidados pela ESF e orientação de uso de rede protege a saúde das pessoas mais necessitadas de atendimento na rede consumidora de recursos e protege também as contas e a sustentabilidade da Cassi.

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A COMUNIDADE BB DEVE SEGUIR INOVANDO E SENDO CRIATIVA EM BENEFÍCIO DE SEUS TRABALHADORES E DOS BRASILEIROS 

É isso. Desejamos o sucesso da gestão de nossa Caixa de Assistência, pois a Cassi é um dos maiores patrimônios que a comunidade BB construiu nesses dois séculos de organização, criatividade e lutas. 

Sou grande defensor do Sistema Único de Saúde, público e sustentável. No entanto, uma autogestão de uma comunidade organizada como a nossa, e funcionando bem, pode aliviar o SUS da demanda de parte de seu público-alvo, o povo brasileiro em sua totalidade. 

Uma autogestão como a Cassi não concorre de forma predatória com o sistema público como os outros planos de mercado, que lucram com a doença e não com a saúde do povo.

É uma contribuição fraterna que faço aos interessados no presente e futuro de nossa Cassi.

William Mendes 

Foi Diretor de Saúde da Cassi (2014-2018) 

2.12.24

Diário e reflexões



Diários da história dos bancários (1)

Osasco, 2 de dezembro de 2024. Segunda-feira.


O blog A Categoria Bancária - InFormação e História está no ar há 18 anos e contém mais de 2,6 mil postagens. Ao longo de sua história, o blog teve 1,25 milhão de acessos, sendo ainda lido por algumas pessoas. No último mês foram 20 mil acessos.

Cada vez que me sento para ler um pouco de seu conteúdo, me vem à mente a preocupação de preservar essa história registrada de uma das principais categorias profissionais do país, a única com convenção coletiva nacional.

Antigamente, os sindicatos tinham seus cedocs, centros de documentação, nos quais as mídias físicas com a história do movimento sindical eram guardadas. As páginas das entidades sindicais também preservavam a história de lutas e conquistas.

Conforme a tecnologia avançou, e tudo se tornou digital, e caro, as entidades sindicais passaram a descuidar um pouco de sua história, até por uma questão de custos, priorizando os recursos para o dia a dia e não para a manutenção da história.

Eu não teria hoje como editar em livros toda a história da categoria bancária contida neste blog, e garanto a vocês que aqui tem muita informação e história do que vivemos nas últimas duas décadas de lutas e conquistas, e derrotas também.

Quando fiz uma série de textos de memórias durante a pandemia mundial de Covid-19 não imaginava que os capítulos teriam tantos acessos quanto tiveram. Foi uma boa surpresa. Ao todo, os 39 capítulos tiveram somados quase 100 mil acessos. 

Agora estou editando um livro com os 39 capítulos de memórias. E não imaginava que saísse tão caro produzir um livro. Mas será interessante distribuir 100 unidades para alguns amigos e interessados. O livro se chamará "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT".

Em relação ao blog e seu conteúdo histórico, se eu tiver condições, vou revisar todo ele, desde o início, vou organizá-lo no formato que cheguei a fazer algumas vezes, em cadernos, e depois verei o que fazer com o conteúdo histórico.

Hoje li a metade do conteúdo do primeiro ano do blog, 2006, e como disse no início, é muito conteúdo histórico contido ali. Tem a reeleição do presidente Lula, tem a assinatura do BB à convenção da categoria, e tem algo que me encanta: meu diário de trabalho de base e nas funções que eram de minha responsabilidade. Naquele ano, inovei em prestar contas de mandatos eletivos.

Enfim, não sei que capacidade tenho de levar adiante tal projeto de revisão desse conteúdo histórico, mas se der, vou fazendo. É evidente que a maior parte da história contida no blog tem relação direta com o movimento sindical do Banco do Brasil, a comunidade na qual passei a maior parte de minha vida.

William Mendes


25.11.24

Diário e reflexões

 


Ushuaia (ARG), 25 de novembro de 2024. Segunda-feira.


Opinião


O QUE É UM TRABALHO DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA?

Sempre que vejo críticas ao trabalho de representação política me sinto na obrigação de manifestar o que penso a respeito quando entendo que há distorções no caráter da crítica feita.

Por ter sido um dirigente nacional de uma das principais categorias organizadas do país, a categoria bancária, com o único acordo coletivo de âmbito nacional e para diversas empresas, entendo que seja importante não permitir que se desvalorize a Política como solução pacífica das controvérsias.

Vi ontem um questionamento sobre a jornada de trabalho dos parlamentares no contexto do importante debate acerca da redução da jornada de trabalho legal da classe trabalhadora brasileira, hoje de 44 horas semanais, em até seis dias da semana (6x1) durante a jornada semanal. 

Um dos maiores influenciadores das redes sociais, hoje uma pessoa do campo progressista, questionava em sua postagem a atuação dos parlamentares em Brasília somente por 3 dias da semana, justamente os parlamentares que podem ou não reduzir a absurda jornada de 6x1 do povo brasileiro.

O influenciador pedia em seu post um argumento coerente que justificasse a jornada de 3 dias dos parlamentares nas sessões de votação do Congresso Nacional. 

Eu não vou entrar no mérito da atuação efetiva dos parlamentares. Vou expor meu argumento sobre o que entendo ser o trabalho de representação política em sua visão ampla e democrática.

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VISITA ÀS BASES SOCIAIS É TRABALHO POLÍTICO

A argumentação sobre trabalho de representação política que vou expor aqui é baseada em minha experiência efetiva de mandatos eletivos ao longo de praticamente duas décadas.

Em 2014 passei a exercer um mandato eletivo de diretor de saúde de uma das maiores autogestões em saúde do país. A base social que elegeu nossa chapa com sete pessoas foi uma base nacional, fomos eleitos por associados e associadas de todos os estados brasileiros e Distrito Federal.

Fizeram parte do processo de organização da chapa, construção das propostas e campanha junto aos trabalhadores da ativa e aposentados dezenas de entidades representativas dos eleitores: sindicatos, associações e grupos políticos diversos. Foi uma disputa intensa entre grupos à direita e à esquerda.

Ao iniciar o mandato de 4 anos, sendo a minha função de representação em tempo integral, com reuniões semanais na sede da autogestão em Brasília, me mudei para a cidade por uma questão de logística.

Pela história de representação que tinha, por ser quem eu era no movimento nacional da categoria bancária e pela formação política que tive através dos bancários da CUT, a primeira decisão que tomei foi a de que o nosso mandato não seria burocrático e distante das bases sociais. 

Nosso mandato na direção da autogestão em saúde seria um mandato combativo contra as teses de redução de direitos dos associados, esclarecedor sobre os temas ligados ao sistema de saúde que gerenciávamos e organizador das bases sociais, sobretudo das entidades representativas, para o enfrentamento nas lutas entre patrão e trabalhadores e para que os associados fortalecessem o modelo assistencial ao conhecê-lo melhor.

Já nos primeiros 3 meses de mandato, reunimos todas as equipes sob nossa liderança e realizamos um planejamento estratégico para os 4 anos de trabalho. Ali traçamos os objetivos, as estratégias e táticas e os principais eixos a serem desenvolvidos nos 4 anos de trabalho para defender direitos dos associados e ampliar o modelo assistencial da autogestão.

A mim coube o papel central de fazer o que estivesse ao alcance da representação política daquela direção, pois a metade da direção era indicada pelo patrão e a outra metade era eleita pelos associados no país. Eu seria uma das pontes entre a direção da autogestão e os associados através de um contato permanente com os formadores de opinião: entidades sindicais, associações da ativa e de aposentados e conselhos de usuários. E também os associados em mais de 4 mil locais de trabalho no Brasil.

Assim fizemos obstinadamente por 4 anos. À medida que as dificuldades foram aparecendo, fomos desenvolvendo estratégias para superá-las. O patrão gestor impôs dificuldades mês a mês internamente, tirou recursos para que eu não exercesse meu trabalho estatutário de gestão das unidades de saúde nos Estados, por exemplo. Nós demos um jeito de ir aos Estados com recursos próprios ou das entidades representativas etc.

Durante os 4 anos atuei nos eixos de trabalho sob minha responsabilidade. Lia e estudava pautas gigantes de súmulas e atas, relatórios técnicos e estudos relativos aos sistemas de saúde. Começava a leitura na sexta-feira quando eram liberados e os lia nos finais de semana até definirmos todas as estratégias políticas para as reuniões de diretoria às terças-feiras. Diria que entre sexta e terça, trabalhava umas 40 horas.

Como esse trabalho técnico e político podia ser feito de qualquer lugar, nosso planejamento era perseguido de forma militante. Ao longo do mês, eu sempre estava trabalhando alguns dias nas bases sociais da autogestão: os Estados onde estavam as unidades de atendimento e os associados que representávamos. 

Nos 4 anos, participei de 52 conferências de saúde, sendo palestrante. Me disponibilizei em mais de uma centena de reuniões presenciais em entidades representativas e conselhos de usuários. Se somar esse trabalho ao outro, foram mais de 80 horas semanais de trabalho de representação.

A forma como exercemos o mandato deu resultados positivos. O modelo assistencial da autogestão se consolidou naquele período, virou consenso entre os agentes envolvidos do sistema (stakeholders), viramos referência no setor e fomos premiados na área de saúde. 

Durante nossa gestão, os associados não perderam direito algum, mesmo estando a operadora em uma de suas recorrentes crises de desequilíbrio econômico-financeiro, algo que se repete desde sua criação.

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A EDUCAÇÃO POLÍTICA DA CLASSE TRABALHADORA DEVE COMBATER MITOS E NARRATIVAS DESPOLITIZANTES

Vou finalizar esta reflexão citando mais um exemplo pessoal para depois falar do que entendo ser mais adequado no trabalho de fortalecimento da representação política do povo, ou seja: democracia ou o povo no poder.

Logo no início de nosso trabalho de direção da autogestão em saúde, um mandato eletivo nacional com uma exigência mista de competência técnica e política ao mesmo tempo, começaram os ataques de nossos adversários políticos. No nosso caso, havia um constante ataque da parte patronal e dos grupos derrotados nas eleições, o principal deles do segmento da direita política.

Uma das formas que definiram para atacar nosso mandato era desqualificar o trabalho de representação política. Diziam os adversários na gestão - o patrão e a direita - que a operadora ia mal porque tinha representantes dos trabalhadores, que a política só atrapalha as empresas blá blá blá. Esse tipo de narrativa é muito comum por parte de burocratas e liberais. 

Detalhe: as áreas de administração e de finanças que geravam consecutivos déficits e desperdícios na operadora são todas geridas pelo patrão naquela autogestão. Sem contar que parte dos déficits é estrutural, tem relação com o mercado de saúde, sempre com dificuldades e déficits. O patrão queria que só os trabalhadores pagassem a conta.

Logo nos primeiros meses de mandato, duas ex-gestoras da operadora, derrotadas na eleição, publicaram texto nas redes sociais à época, inventando mentiras a meu respeito, sendo a acusação principal a pecha de que o diretor de saúde não trabalhava, eu seria uma espécie de "vagabundo", pois diziam que eu só trabalhava nas terças-feiras, dia de reunião da diretoria executiva. Percebem como atuam desqualificando o trabalho político de representação da classe trabalhadora?

O fato concreto é que ouso dizer que poucas vezes na história da autogestão uma pessoa leu e estudou tanto a operadora, sua história, sua operação interna e no mercado, seu público usuário; e defendeu os direitos de seus associados como fizemos. No final do mandato, a única forma que encontraram de nos tirar tempo de embate político e nos colocar sob forte ataque foi um processo de lawfare (um processo administrativo baseado em cartinha anônima, arquivado depois por falta de materialidade).

Então, é interessante que politizemos as questões relativas ao povo e ao mundo do trabalho. É papel das lideranças do campo democrático e também das áreas de formação política dos movimentos populares ampliar os conceitos de trabalho e representação política. Uma liderança exercendo um mandato não pode se tornar uma burocrata e se afastar das bases sociais. Qualquer parlamentar ou representante deverá conjugar sua jornada de trabalho na área onde atua como eleito e nas bases de onde saiu o seu mandato.

Para citar algum exemplo de pessoas que conjugam atuações técnicas e políticas tanto nos ambientes para onde foram eleitos como nas bases de onde vieram, eu aponto os mandatos da jovem vereadora Luna Zarattini (PT-SP), do deputado estadual Marcolino (PT-SP), do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e do senador Paulo Paim (PT-RS). Esses representantes congregam um pouco do que expus em minhas reflexões acima.

Eles trabalham de segunda a segunda, de manhã, de tarde, de noite, nos finais de semana, têm competências técnicas e políticas, ao mesmo tempo que fazem duríssimos embates nos parlamentos onde atuam, dão um jeito de prestarem contas e pisar o chão de onde vieram os votos e a esperança das pessoas que confiam neles. Estão sempre sob fogo cerrado e as baterias inimigas dos adversários deles e do povo que eles representam têm munição pesada para depor contra a imagem e o trabalho deles.

É isso. Espero ter contribuído sobre essa questão do que seja um trabalho de representação política e as diversas narrativas criadas em torno dessa ferramenta central da democracia e da participação social nos destinos de todos nós.

William Mendes

Ex-dirigente nacional dos bancários


15.11.24

Diário e reflexões



Sexta-feira, 15 de novembro de 2024.


Opinião


LUTA PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

Hoje foi dia de mobilização nacional em defesa da redução da jornada de trabalho. Uma pauta que pode ou poderia unificar sindicatos, partidos políticos e diversos segmentos e movimentos populares que sofrem as consequências da super exploração do trabalho e o desfazimento dos direitos sociais no atual cenário tecnológico da produção de bens e serviços.

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JORNADA DE TRABALHO NO BRASIL

Formalmente no Brasil, a jornada de trabalho é regulada pela Constituição Federal de 1988 e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943. 

A CF reduziu em 1988 a jornada máxima de trabalho de 48 para 44 horas semanais, com jornadas diárias máximas de 8 horas, podendo-se fazer até 2 horas-extras. As convenções e acordos coletivos de trabalho definem o funcionamento da jornada nas principais categorias profissionais organizadas. 

O "embate" entre patronado e sindicatos se dá para garantir o descanso nos finais de semana.

Categorias com tradição e organização conseguem definir alguma coisa melhor que a jornada 6x1 como a convenção coletiva dos bancários, com jornada semanal de 30 horas, de segunda a sexta-feira. 

Evidente que a luta de classe entre patrão e trabalhador nunca para e os banqueiros burlam de todas as formas possíveis a jornada bancária. Muitas vezes só se acertam os abusos de jornadas que não cumprem a convenção na justiça do trabalho.

Em geral, a escala 6x1 faz com que os trabalhadores nunca descansem nos finais de semana e, além disso, é comum o adoecimento das pessoas em jornadas como essas. Exemplos não faltam, são praticamente todas as categorias de ramos que atuam todos os dias da semana: lojistas, áreas de saúde, segurança, alimentação etc.

As propostas de mudanças na lei são para reduzir a jornada máxima de trabalho legal no país. As principais propostas no Congresso Nacional são a PEC 221 do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), de 2019, e a proposta de Erika Hilton (PSOL-SP), que acabou de conseguir o número mínimo de assinaturas (171) para entrar na pauta da Câmara dos Deputados.

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DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Além das motivações que estão em evidência na luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil - para que a classe trabalhadora tenha mais tempo com a família e qualidade de vida, e por causa da séria questão do adoecimento -, eu entendo que temos que incluir no debate a questão da distribuição da renda produzida pelo trabalho.

Os trabalhadores produzem a riqueza toda e os caras do 1% ficam com tudo! Não é justo isso! Temos que distribuir a riqueza entre quem produz ela.

Lutar para diminuir a jornada máxima de trabalho para 40 ou 36 horas semanais, em jornadas de 5x2 ou 4x3 é para que se aumente a distribuição da riqueza produzida por nós classe trabalhadora. 

Os poucos donos dos meios de produção pagam migalhas para quem produz o lucro e ficam com a quase totalidade da riqueza produzida por nós. Um capitalista não produz um botão de camisa e fica com o dinheiro do nosso suor do trabalho.

A tecnologia avança o tempo todo e aumenta a produtividade do trabalho e uma das formas de se distribuir a riqueza produzida por nós, através de nossa mais-valia, é trabalhando menos sem reduzir nossos salários e benefícios diretos e indiretos.

Além dos putos dos capitalistas ficarem com toda a riqueza que nós produzimos, os caras não pagam impostos sobre a renda e patrimônio, não pagam impostos na distribuição do pró-labore de suas "empresas", não pagam impostos nas aplicações financeiras, não pagam porra nenhuma porque seus parlamentares aprovam isenções para esses privilegiados o tempo todo. Esses chupins estão escondidos atrás de nomes como "mercado", "faria lima", "rentistas" etc.

Enfim, para um resumo, já me estendi no texto.

A atividade de hoje em São Paulo e outras capitais do país foi muito positiva, mobilizou juventude, comunidades e gente do mundo do trabalho e pautou as redes sociais.

William Mendes

31.10.24

Diário e reflexões

 

Atividade no BB em 2012. Foto: Lazarri.


Osasco, 31 de outubro de 2024. Quinta-feira.


Opinião (18)


O povo não é nem de direita nem de esquerda

Há um processo de politização do povo pela direita, mas podemos politizar as pessoas também se lutarmos contra o sistema de dominação atual


1. INTRODUÇÃO

Escrevo esta reflexão no momento seguinte ao resultado das eleições municipais do Brasil. O articulista é pessoa com experiência na política: fui dirigente sindical e representei com mandatos eletivos a classe trabalhadora por quase duas décadas. Já fui também líder estudantil, síndico de condomínio, membro de conselhos e gestor eleito de autogestão em saúde.

Ao longo de minha vida alternei visões de mundo diametralmente opostas. Sendo hoje uma pessoa materialista e sem nenhum tipo de fé em explicações místicas da vida humana, já fui católico praticante, uma pessoa movida pela fé cristã. Também frequentei e estudei o espiritismo e o candomblé. Já fiz curso completo de gnose, uma escola de autoconhecimento. Diria que sou, hoje, humanista e anticapitalista.

Já tive os preconceitos comuns da cultura brasileira, preconceitos que perduram há séculos nesta ex-colônia sul-americana. O principal preconceito que tive pela minha ambientação dos anos oitenta adiante, quando me tornei jovem adulto no Brasil, foi o preconceito relativo às diversas formas de amor, orientação sexual e relacionamentos humanos, ignorância que só superei ao ser politizado e educado pelo movimento sindical brasileiro.

Já senti ódio, muito ódio em minha vida, e desde pequeno. Já enfrentei um lawfare, um processo administrativo inventado pelos meus adversários políticos para destruir minha história e minha vida. Acreditem: muitas pessoas podem sucumbir aos processos de destruição e assédio. Ninguém merece ser acusado injustamente de algo que não fez. O lawfare teve seu uso político pretendido e depois do objetivo alcançado foi arquivado por falta de provas e materialidade. Acho que minha saúde nunca mais foi a mesma.

Fiz essa introdução em minha reflexão para situar as leitoras e leitores do texto que não tenham o hábito de ler meus artigos no blog, que talvez não me conheçam há mais tempo. Minha experiência de vida e militância exigem de mim um esforço para compreender as questões das diversas formas de fé das pessoas, os ritos e vícios da política sindical e partidária e as causas e efeitos das ferramentas ideológicas do preconceito, que incluem as novas ferramentas tecnológicas das big techs.

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2. A IMPORTÂNCIA DA SOLIDARIEDADE DE CLASSE

Antes de escrever alguma coisa a respeito do resultado dos processos eleitorais que se encerraram nesta semana - com a prevalência expressiva das candidaturas de direita nas cidades do país -, quero registrar algum comentário a respeito da absolvição pelo Supremo Tribunal Federal do companheiro José Dirceu: fiquei feliz com a absolvição. Que bom que lutadoras e lutadores de nosso lado da classe receberam nossa solidariedade nos momentos mais difíceis de suas vidas! Nossos inimigos de classe não têm solidariedade alguma conosco.

Eu não teria como enumerar as diversas lideranças de nosso lado da classe trabalhadora que foram vítimas de novos métodos de assédio, tortura e eliminação da vida política e, inclusive, da vida biológica por parte dos detentores do poder econômico e político instalado no Brasil há cinco séculos: a casa-grande, para resumir os opressores do povo brasileiro.

Pelos papéis que tiveram nas lutas de libertação do povo brasileiro nas últimas décadas, cito as seguintes lideranças de esquerda que sofreram perseguição política e uso da máquina estatal contra suas vidas e suas liberdades: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto, com quem militei no Sindicato dos Bancários. Todos foram vítimas de processos de lawfare para destruir suas vidas e de seus familiares e atingir o Partido dos Trabalhadores e, consequentemente, toda a esquerda brasileira.

O presidente Lula foi vítima de mentiras contra si desde os anos setenta, quando se tornou líder sindical. As mentiras foram escalando até que ele fosse preso sem crime e sem provas por 580 dias para que não disputasse as eleições de 2018. A presidenta Dilma Rousseff foi presa e torturada na juventude por lutar contra a ditadura no país. Após ser eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, sofreu um impeachment sem crime e sem provas. Sofri muito durante esses processos que acompanhei como dirigente dos bancários! A dor era de adoecer por ver fazerem o que fizeram com nossas lideranças!

O mesmo sofrimento e impotência contra a injustiça sentimos quando a casa-grande condenou e ou prendeu sem crime e sem provas José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto. Genoino e Dirceu, lutadores da mesma geração de Dilma e Lula. Gushiken e Vaccari, líderes da categoria bancária do Novo Sindicalismo brasileiro. Acusar lideranças da classe trabalhadora, destruir suas histórias e expô-las à execração pública a partir dos anos dois mil passou a ser a nova ferramenta de tortura e eliminação de lideranças das lutas populares.

Até hoje, temos visto serem inocentadas lideranças populares vítimas de processos de lawfare, como nos casos famosos "Operação Lava Jato" e "Ação Penal 470" (conhecida como "Mensalão" para achincalhar as vítimas). Gushiken foi absolvido por falta de provas pouco antes de falecer em 2013 e a notícia saiu nos rodapés dos jornalões e revistas que o execraram por anos. O mesmo se deu com Vaccari, preso por condenações revistas por falta de provas. Me lembro de ter me posicionado em defesa de Vaccari no auge dos massacres midiáticos que sofríamos em 2015 (ler artigo aqui).

Fico feliz e aliviado pela notícia da absolvição do companheiro José Dirceu neste momento da história brasileira. Sempre suspeitamos das práticas criminosas daquela gente da tal "República de Curitiba". O tempo foi o senhor da razão. Lendo o livro de memórias de Dirceu, temos orgulho das pessoas que ao longo da vida estiveram do lado certo da história, do lado do povo.

Essas revisões tardias de processos criminais inventados contra pessoas que representam a resistência ao avanço das políticas liberais, privatistas e contrárias aos interesses da classe trabalhadora reforçam uma questão central entre nós de esquerda: a necessidade da solidariedade entre nós nos momentos em que estamos sob ataques de nossos inimigos de classe.

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3. NEM DE DIREITA NEM DE ESQUERDA

Tive a oportunidade de participar de reuniões políticas em bases comunitárias nos últimos dois anos. Naqueles espaços de reflexões populares me lembrei muito dos tempos de representação sindical nos bancários e também dos ambientes familiares de muita pobreza e simplicidade.

Sempre que começam as reuniões nas comunidades, as pessoas que se atrevem a se inscrever para falar vão logo marcando suas posições dizendo que não gostam de política, nem dessa coisa de partido A ou B. Aí sim falam da questão do ônibus, do posto de saúde, das carências em casa, da falta de vaga na escola, segurança no bairro etc.

A questão de se classificar alguém como sendo de esquerda ou de direita e outras classificações comuns na boca da militância orgânica dos movimentos sociais ou de acadêmicos e intelectuais passa longe do dia a dia da ampla maioria das pessoas. O povo em geral não gosta de gente de esquerda "cagando" regras para ele.

Se voltar ao tempo em que fazia a base do sindicato, visitando locais de trabalho da categoria bancária ou participando de reuniões, plenárias e assembleias, poderia dizer a mesma coisa em relação a classificações de trabalhadores como de direita ou de esquerda.

Buscando na memória lembranças dos ambientes onde nasci e cresci, a parentada toda e os amigos e conhecidos na adolescência e na primeira fase de adulto jovem é a mesma coisa. Ninguém que conheci tinha esses papos de ser de direita ou de esquerda. 

É evidente que identificar fenômenos sociológicos e definir as coisas do mundo humano é importante para nós que nos interessamos em compreender e mudar a realidade social não natural. 

A desigualdade social, a injustiça contra as pessoas, o privilégio de poucos em contraposição à miséria da maioria, tudo isso são fenômenos não naturais. E podemos mudar a realidade porque somos seres históricos e fazemos a história diariamente.

As ciências humanas que se debruçam sobre os fenômenos sociológicos são necessárias, repito. O mestre Paulo Freire diz que só se educa gente. Ou seja, é possível educar e politizar as pessoas.

3.1. ALGUMAS LEITURAS INTERESSANTES

Eu, particularmente, gosto dos estudos e das conclusões do professor e sociólogo Jessé Souza a respeito do comportamento das classes dominantes e das classes subalternas. Concordo que as elites são corruptas e manipuladoras do povo. Entendo os motivos para ele definir um segmento do povo como "o pobre de direita".

Por outro lado, também apreciei as definições que ouvi dias atrás do professor e historiador marxista Valério Arcary, em entrevista ao Mauro Lopes, ao dizer que não concorda em se chamar um segmento do povo como "pobres de direita". 

Ele alegou na entrevista que importantes camadas da população estão em condições tão precárias de subsistência diária que elas não podem se dar ao luxo de recusar uma cesta básica, um telhado novo, alguma ajuda de políticos que lhes pedem o voto em troca de algo essencial.

Aí, penso na análise do professor Alysson Mascaro, jurista e filósofo do direito marxista, que em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, após o primeiro turno das eleições, disse que a direita e a extrema-direita politizaram o povo, que agora teria uma consciência de direita. Já a esquerda fica defendendo o sistema capitalista, a ordem estabelecida e fazendo coraçãozinho. 

Por fim, cito a tese "Os sentidos do lulismo" do professor e cientista político André Singer como um estudo que fez muito sentido para mim. De maneira geral, gostei das reflexões dele sobre as características do povo brasileiro e o comportamento dos diversos estamentos sociais ao longo das eleições para presidente entre 1989 e 2010. Fiz uma leitura do livro com postagens comentadas. (ler aqui)

Entendi que o que menos pesou no voto das pessoas foram questões como "esquerda" ou "direita" em relação aos candidatos Collor e Lula, FHC e Lula, Lula e Serra, Lula e Alckmin, Dilma e Serra. Os eleitores decidiram de forma muito prática seus votos em relação ao que era melhor para eles e da forma como viam o mundo, incluindo crenças, medos, cultura, preconceitos etc.

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4. QUAL A MINHA OPINIÃO SOBRE O CENÁRIO E SOBRE O FUTURO?

Vivemos um momento histórico com ferramentas tecnológicas que não existiam em outras fases da história humana. O ser humano é um animal movido a paixões e sentimentos, uma espécie que organizou o mundo a partir das abstrações criadas pela mente humana. 

O livro "O verdadeiro criador de tudo", do professor neurocientista Miguel Nicolelis, nos explica isso. A comunicação virtual e as redes sociais dominadas por algumas corporações, as big techs, sincronizam milhões de seres humanos em frações de segundos. 

Num mundo plataformizado e baseado na economia da atenção, viramos commodities e não mais seres livres. O professor e sociólogo Sérgio Amadeu, da UFABC, fala bem sobre o tema.

Quando as ideias que nos movem são inoculadas em nossa mente de forma sistêmica e intencional para ditar nosso comportamento como se dá hoje, questiono se ainda temos "livre-arbítrio".

O sistema capitalista está por trás da organização e movimentação da sociedade humana global. Não vou discorrer sobre isso. Seria exaustivo neste artigo que precisa terminar. Conto com o conhecimento que as leitoras e leitores desta reflexão já possuem.

Como identificação de fenômeno social, concordo com os professores Jessé Souza e Alysson Mascaro. A direita tem sido exitosa em estabelecer suas ideias no cotidiano das pessoas em todos os segmentos da sociedade, inclusive entre as classes subalternas e exploradas. Eu entendo que ser proprietária dos meios de produção e de criação de ideias tem peso central na prevalência das ideias de direita no mundo.

No entanto, tendo a concordar com as impressões dos professores Valério Arcary e André Singer em relação ao comportamento prático que as classes sociais têm na hora de se posicionarem em eleições ou na sobrevivência diária. As pessoas se movem à direita, centro ou esquerda de acordo com seus interesses imediatos e não por adesão ou militância a tais conceitos teóricos.

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ELEIÇÕES MUNICIPAIS BRASILEIRAS: baseado no que estou argumentando, fica fácil compreender o resultado das eleições em 2024, com o domínio amplo dos partidos de direita disfarçados sob a alcunha de "Centrão" em milhares de cidades do país. O dinheiro das emendas do orçamento público irrigando as candidaturas contra nós da esquerda mais os preconceitos e mentiras prevalentes nos meios digitais das plataformas somados aos tradicionais meios da imprensa de direita são bases efetivas da vitória da direita nas urnas. Reconheço, também, a incapacidade atual da esquerda de compreender e representar as necessidades e anseios da classe trabalhadora. Estamos distantes das bases. 

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É verdade que o domínio totalitário dos meios de produção por parte da classe dominante tem pesado para que o mundo experimente essa ascensão das ideias de direita, inclusive sobre as classes vítimas da crise do capital. Somos seres movidos pelas paixões e sentimentos: uma abstração divulgada de forma massiva em segundos pelas redes sincroniza milhões de pessoas - sentimentos como o ódio -, por exemplo. E o ódio cega as pessoas e impede o império da razão.

Na guerra de conquista das ideias, os donos dos meios estão vencendo, mas entendo que nós podemos enfrentar o avanço da direita e extrema-direita, que representam os privilegiados do mundo, nos posicionando a favor da mudança e a mudança está em questionar o sistema vigente - o capitalismo - e exigir outra forma de organização da sociedade humana.

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Contestar o capitalismo e a captura dos recursos públicos em prejuízo do povo e em privilégio de poucos é algo básico para uma liderança ou organização de esquerda.

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5. PARTIDOS, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES

Não acredito em mudanças substantivas e perenes na sociedade humana sem organizações sociais por trás dessas mudanças. Movimentos populares episódicos - uma ocupação, uma greve, uma mobilização por questão A ou B -, por mais que sejam bonitos de se ver, não têm acúmulos crescentes com capacidade de alterar a realidade geral. Eu pensava isso em relação aos Fóruns Sociais Mundiais quando não aceitavam partidos, sindicatos e governos.

É minha opinião que nós temos que ter partidos políticos, sindicatos e associações que liderem movimentos de massas para questionar e forçar as mudanças necessárias para disputar os rumos de uma comunidade humana. 

Temos que ter atuação constante e não só em períodos eleitorais. Ampliar nossa força nos parlamentos deve ser consequência de trabalhos realizados na base o ano todo e com coordenação local e nacional. Temos que mudar essa lógica personalista de nomes e mandatos prevalecerem sobre projetos e coletivos locais, temáticos e programáticos de esquerda, lutas de classe.

Para isso, as lideranças populares precisam exigir as mudanças necessárias das velhas burocracias encasteladas em partidos, sindicatos e associações que são estratégicos para a classe trabalhadora, mas que têm deixado insatisfeitas as bases sociais por completa ausência nas bases.

Tenho visto surgirem novas lideranças nos partidos de esquerda e nos movimentos organizados. Temos que fortalecer e apoiar essa juventude que está dando as caras. 

Se permitirmos que as ideias da burocracia partidária e sindical prevaleçam - ideias de conciliações improdutivas com adversários e inimigos na atualidade e parcerias ruins com nossos algozes -, não mudaremos a realidade na qual as ideias de direita e extrema-direita estão prevalecendo nas camadas populares que, repito, não são nem de esquerda nem de direita.

Nossos partidos de esquerda, sindicatos e organizações populares podem fazer a diferença, mas para isso é necessário que mudem e ouçam as bases e as novas lideranças que estão chegando para fazer história. Que Brasil e mundo queremos em 2035 e 2050? Para pensar 2026 temos que pensar o que queremos para o mundo.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série sobre eleições municipais brasileiras, que termina com este texto de avaliação do processo, pode ser lido aqui.


27.10.24

Diário e reflexões



A semana decisiva foi de muita energia e sentimento de mudança nas ruas de São Paulo

Domingo, 27 de outubro de 2024.


Opinião (17)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Esta semana foi de muitas atividades da militância para conversarmos com eleitores indecisos e conquistarmos os votos necessários para elegermos Guilherme Boulos e Marta Suplicy para a prefeitura de São Paulo. E o próprio candidato fez algo inédito: ficou a semana toda nas ruas junto à população paulistana.

Nós da militância da Zona Oeste de São Paulo, fizemos atividades praticamente todos os dias. Num dos dias, a professora Ione, minha companheira, ficou horas conosco e o time da vereadora Luna Zarattini virando votos na Avenida do Rio Pequeno, Butantã. Vejam vocês, até pessoas que não estão acostumadas a abordagem popular, entraram em cena pelo vira voto e muda São Paulo. Muita energia no ar!

Estivemos nas imediações dos metrôs da região, onde panfletamos nos últimos meses. A percepção que eu tive foi muito positiva. Diferente de outras fases da campanha, muita gente nos pedia adesivo, trabalhadores de aplicativos colocaram adesivos em suas motos: é Boulos 50 pra mudar São Paulo. Até motoristas de ônibus se aproximaram e de dentro do veículo me pediram adesivos. Clima de virada no ar!

E, no sábado, para fechar a campanha pela eleição de Guilherme Boulos 50 prefeito de São Paulo, fizemos uma ótima caminhada da vitória, saindo da Avenida Paulista e descendo a Rua Augusta até a Praça Roosevelt. Que energia! 

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CRIME ELEITORAL DO GOVERNADOR DE SP

A certeza de impunidade por parte da casa-grande brasileira não tem limites. Eu acompanho e estudo política e história do Brasil há tempos. Já vi muita coisa e sei de muitos abusos dos poderosos no país explorado há séculos pelos imperialismos e por seus lacaios daqui - a burguesia vira-latas.

Hoje a casa-grande se superou. O governador Tarcísio de Freitas, parceiro do candidato Ricardo Nunes a reeleição em São Paulo, ousou no dia da eleição a praticar um crime absurdo de ir à imprensa declarar que a maior facção criminosa do país, o PCC, havia declarado voto e apoio à candidatura de Guilherme Boulos... (sem apresentar provas, e mesmo se as tivesse não poderia ter feito isso) 

É tão chocante e descabido o que fez o bolsonarista Tarcísio, de uma forma torpe para que sua declaração influencie os eleitores sem chance de desmentido pelo candidato opositor, que se não houver punição rápida e severa a essa interferência de poder político nas eleições, podem decretar o fim dos processos eleitorais! Que se declare que não há democracia no país e chega de farsa!

Vamos ver o que acontece nas próximas horas.

William Mendes

(Domingo, 17:40 horas)


Post Scriptum: a plutocracia prevaleceu, como se espera em processos de consultas como esses baseados em poder do dinheiro e da máquina estatal pela manutenção do status quo. A candidatura de Guilherme Boulos obteve o apoio de 40% dos eleitores que se dispuseram a votar. A luta deve continuar, não há alternativa para nós que pensamos nas pessoas e no planeta Terra.

Post Scriptum (2): para ler o texto anterior desta série sobre eleições, clique aqui. O texto seguinte, de avaliação do processo eleitoral, pode ser lido aqui. Nele, foco minhas reflexões na questão sobre os brasileiros serem ou não de esquerda ou de direita.


20.10.24

Diário e reflexões



Eleição em São Paulo entra na semana decisiva. Boulos e militância estão nas ruas virando votos para mudar a vida das pessoas

Domingo, 20 de outubro de 2024.


Opinião (16)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Estive hoje na Quadra dos Bancários, no centro de São Paulo, para parabenizar e dar um abraço em nossa vereadora eleita Luna Zarattini e a equipe aguerrida dela. A plenária foi também para confraternizar com a militância do mandato de Luna. 

O local evoca grandes recordações e nostalgias em mim. Foi lá que vivi os melhores momentos de minha vida de representação da classe trabalhadora. Naquele centro sindical coordenei grandes assembleias e dialoguei com a categoria em dias decisivos de lutas sindicais, principalmente no segmento de trabalhadores do Banco do Brasil.

Luna Zarattini, do Partido dos Trabalhadores, foi eleita vereadora da cidade de São Paulo com 100.921 votos. Nossa jovem liderança tem realizado um trabalho que nos dá muito orgulho, pois ela tem lado, trabalha muito, estuda e simboliza a renovação em nosso partido.


A militância e lideranças comunitárias do mandato da Luna estavam presentes na Quadra e a plenária foi também para unificar nossa companheirada para a semana decisiva em relação à eleição de Guilherme Boulos e Marta Suplicy para a gestão da maior cidade da América Latina, São Paulo.

O desafio de nossa parte é conquistar 50% + 1 dos votos do eleitorado paulistano, focando em conversar e convencer a imensa maioria de eleitores que votou pela mudança ou que não se interessou em votar no primeiro turno. Estou falando de uns 5 milhões de pessoas. Boulos e Nunes tiveram cerca de 1,8 milhão de votos no primeiro turno.

Nossa militância pode fazer a diferença em eleição tão disputada como a de São Paulo. 

Eu peço a cada leitora e leitor de meus textos e reflexões que nos ajude nesta semana que se inicia e converse com as pessoas que vocês conhecem para tentar tirar as dúvidas delas e desfazer as mentiras e preconceitos que fazem com que pessoas de nossa classe trabalhadora tenham algum tipo de rejeição a Guilherme Boulos.

A eleição de Boulos 50 é fundamental para mudarmos a gestão da cidade de São Paulo e torná-la uma cidade acolhedora e focada nos milhões de pessoas que vivem e trabalham nesta megalópole hoje desgovernada e caótica, uma cidade atual que maltrata a sua população.

É isso. Compartilhem nossas reflexões e se juntem a nós nesse esforço de mudar a cidade de São Paulo. Votem 50 Boulos no dia 27 de outubro.

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Presidente Lula

Nosso grande líder, o presidente humanista Luiz Inácio Lula da Silva, sofreu um acidente doméstico ontem, caiu e teve um pequeno traumatismo craniano, recebendo atendimento médico na capital federal. 

Segundo os boletins médicos, Lula está bem, recebeu pontos na região da nuca e não poderá cumprir sua agenda na Rússia. Mas participará do evento por videoconferência. Estamos na torcida pela pronta recuperação de nosso estadista mundial.

Abraços de luta!

William Mendes

Ex-diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região


Post Scriptum: o texto anterior desta série sobre eleições municipais pode ser lido aqui. O texto seguinte, do dia da eleição, pode ser lido aqui.


13.10.24

Diário e reflexões



Boulos e Marta podem ser eleitos com militância nas ruas e nas bases

Domingo, 13 de outubro de 2024.


Artigo (15)


ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Eleições se ganham pedindo votos. Essa é uma das lembranças mais antigas que tenho das lições dos primeiros anos de movimento sindical bancário. Se queremos melhorar a vida das pessoas e representar um projeto político, temos que pedir o voto de confiança aos eleitores.

Conquistamos direitos pedindo o voto das trabalhadoras e trabalhadores quando organizávamos as campanhas salariais da categoria bancária e quando disputávamos com o patrão as eleições em nossas entidades de classe, saúde e aposentadoria, e também quando pedíamos voto dos bancários para nossos projetos cidadãos para os legislativos e executivos das diversas instituições da vida democrática do Brasil.

Daqui a duas semanas, em 27/10/24, o povo da maior cidade da América Latina vai decidir quem será o prefeito de São Paulo: Guilherme Boulos ou Ricardo Nunes. Temos que conseguir 50% + 1 dos votos válidos de um universo de 9.322.444 eleitoras e eleitores (TSE). 

Nosso candidato, Boulos 50 (PSOL), obteve 1.776.127 votos e o adversário 1.801.139 votos. Na região onde militamos, conseguimos vencer nas duas zonas eleitorais, a 346 (Morumbi, antiga Butantã) e a 374 (Rio Pequeno), a 2ª com mais eleitores de São Paulo. 

Além de atuar pela manutenção desses votos, temos que conquistar votos de eleitores que votaram em outros candidatos no 1º turno e na enorme multidão de pessoas que não foi votar e que podem votar em Boulos e nos ajudar a livrar São Paulo das mãos do bolsonarista Nunes.

Apesar da obviedade para as leitoras e leitores do blog, não custa esclarecer que os projetos em disputa em São Paulo são absolutamente antagônicos em todos os sentidos. E que o projeto que pode melhorar a vida do povo e garantir direitos sociais e de cidadania é o projeto representado por Boulos e Marta, número 50 nas urnas.

Boulos e Marta têm propostas efetivas para os problemas do povo paulistano nas áreas de transporte, moradia, educação, saúde, emprego e renda, segurança. Não nos interessa as questões de cunho pessoal de cada cidadão. 

Quando temos militante pedindo votos, temos condições de falar as propostas para as pessoas que estão em dúvida, que estão mal-informadas ou que estão cheias de mentiras na cabeça. Nas calçadas ou nas feiras são várias oportunidades de conquistar votos, várias. Nós fizemos isso nos últimos meses aqui na região onde atuamos, a Zona Oeste de São Paulo.

PRECISAMOS DO APOIO DOS MOVIMENTOS ORGANIZADOS

Eu conheço com relativa experiência os movimentos internos nas estruturas sindicais e partidárias porque participei dessas organizações por quase três décadas. Eu tenho a impressão que a enorme militância sindical e partidária e dos mandatos podem se engajar mais nestas duas semanas até dia 27 de outubro, como fizeram até dia 6 quando também estavam em jogo as candidaturas para as câmaras municipais.

Nossa militância é imbatível, nenhuma máquina baseada só no dinheiro e compra de voto, em fake news e coisas do tipo pode concorrer com nossa militância quando estamos de corpo e alma numa disputa que equivale a mudar a nossa vida como classe trabalhadora.

Então, companheirada, peguem adesivos e panfletos e vamos ganhar essa eleição em São Paulo com Boulos e Marta 50 e vamos tirar o bolsonarismo do poder. 

Só o fato de usar um adesivo no peito todos os dias já dialoga com o eleitor silencioso, que não se manifesta, mas que te considera e respeita. Vamos lá! O povo paulistano precisa de nós. 

Abraços fraternos e de luta!

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui. O texto seguinte pode-se ler aqui.