Blog de William Mendes, ex-dirigente sindical bancário e ex-diretor eleito de saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil
13.8.21
Cassi e seus planos de saúde, segundo a ANS
8.8.21
Encontro de trabalhadores do BB
Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado
Domingo, 8 de agosto, Dia dos Pais
Depois de muitos dias de frio em São Paulo e nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, o domingo dos pais foi de calor e sol. Pela janela de casa, vi que o dia convidava para uma caminhada, corrida ou pedalada. Mas não saí de casa. Fiquei sentadinho na frente da tela do computador o dia todo. Assisti à transmissão do encontro anual dos trabalhadores do BB.
Estamos no segundo ano da pandemia mundial de Covid-19. O mundo mudou. Mudou para pior em relação a um período anterior das lutas de classe. Só a pandemia já matou tantos amig@s e pessoas queridas que nossas vidas nunca mais serão as mesmas.
Pelo segundo ano seguido eu não fui visitar os pais nesta data de confraternização e fazer a romaria de 75 Km em Minas Gerais. Naquilo que é possível, seguimos as recomendações de não aglomerar e expor as pessoas ao vírus. Hoje tudo é virtual. Quase tudo. O mundo mudou muito. (a frase-verso é até um murmúrio, uma lamúria)
Ao longo do dia, fiquei pensando a respeito de algumas questões abordadas pelos palestrantes e participantes do encontro dos colegas do BB. Vivi duas décadas naquele espaço social, em boa parte do tempo como um dos responsáveis pelos trabalhos e por encaminhar as resoluções decididas ali naquele espaço de organização política e luta de classes (ou, muitas vezes, de luta interna dentro da classe...).
Após assistir ao encontro dos bancários e bancárias o dia todo, ainda vi uma excelente entrevista da presidenta Dilma Rousseff ao Canal Resistentes, retransmitida pela TV 247. Ouvir a Dilma é sempre algo impactante! Que mulher! Que guerreira! É muito inspirador o exemplo de figuras como Dilma, Lula, Genoino e outras grandes lideranças imprescindíveis das lutas do povo.
Antes de mais nada, quero registrar aquelas formalidades necessárias, e sinceras. Deixo meus cumprimentos aos companheiros e companheiras da organização do 32º CNFBB, encontro organizado pela Contraf-CUT, federações e sindicatos da categoria. Além de parabenizar a realização de mais esse encontro, parabenizo a temática debatida, a escolha dos palestrantes e a condução dos trabalhos. Desejo que a classe trabalhadora resista e mude a tendência do que vem por aí contra nós.
COMO MUDAR A REALIDADE SEM A PARTICIPAÇÃO DO POVO, SÓ COM IDEIAS DE VANGUARDA?
Ao me atualizar a respeito do Banco do Brasil - através das apresentações dos palestrantes - e ao ouvir algumas questões levantadas pelos palestrantes e participantes, vi um filme em minha memória e também refleti sobre as dificuldades que esta geração que está na organização das lutas deve estar enfrentando. Que dureza!
Quando cheguei ao movimento organizado da classe trabalhadora, eu tinha pouca noção de política. Isso faz parte da formação do povo trabalhador brasileiro (a desinformação política). Consigo me colocar um pouco no lugar do outro (trabalhador/a) porque aprendi política com o movimento estudantil e sindical. Mas quantas pessoas tiveram acesso à formação política? Imaginem agora, após o golpe, Temer, Bolsonaro e o enfraquecimento dos sindicatos?
Sem a oportunidade de ser politizado pelo movimento sindical eu poderia ser um bolsonarista, um manipulado dos ideólogos da casa-grande, um branco de origem humilde que acreditasse na "meritocracia" porque passei em concurso público e fiz faculdade pública. As ferramentas do capital são muito foda para manipular o povo com essa ideologia da classe dominante.
E por que falo isso? Porque temos dificuldade para lidar com colegas, familiares e conhecidos que se tornaram bolsonaristas, que se tornaram pessoas odiosas e apoiadoras de tudo quanto é ideia e pensamento de direita. E como vamos mudar essa realidade hoje e no próximo período? Como? Essa é uma das questões centrais de nossa vida! Para mudar o destino do Banco do Brasil temos que mudar a direção do Brasil, o governo! É difícil entender isso? (O pior é que é)
As leituras de cenários, os objetivos, estratégias e táticas para mudarmos a realidade social, do mundo do trabalho, da luta de classes são discussões antigas. Na minha idade, já vi repetidamente por 3 décadas algumas das questões debatidas no movimento sindical bancário - estatizar o sistema financeiro, o BB ser 100% público, ocupar cargos no banco público só por concurso e ou processos seletivos ou eletivos.
Nesse sentido, gostei das argumentações do Sérgio Rosa e do Vidotto nos debates de hoje. Durante minha aprendizagem no movimento sindical, várias questões como aquelas que citei acima me eram passadas de forma que eu não fizesse somente as proposições, muitas delas "radicais" ou de vanguarda, sem a devida estratégia para tal. Para propor algo, eu tinha que propor a forma de chegar até aquele objetivo. Isso não é algo tão simples.
BB 100% público - Vidotto perguntou como se daria isso? De forma geral, temos duas possibilidades: pelo fato de o BB ser uma empresa pública de economia mista, ele tem ações nas mãos de investidores. Para se atingir o objetivo daquela proposta ou se expropria os investidores ou se adquire o total de ações nas mãos de terceiros: é muita grana! E aí? Qual delas é factível de se realizar no atual cenário?
Esse é um exemplo dos dilemas que a classe trabalhadora e as organizações de classe enfrentam sobre como mudar a realidade objetiva. A gente não consegue ter o povo com a gente!
Não vou me alongar não. Aliás, já me alonguei demais.
Conseguiremos unidade no campo da esquerda? Conseguiremos unidade na suposta oposição ao projeto em andamento no Brasil após o golpe de Estado? Análises políticas avaliam risco real de ruptura democrática maior que a do golpe de 2016. Teremos força para evitar ou reverter isso?
A missão de organização e condução das lutas da classe trabalhadora está cada dia mais difícil e complexa. Desejo unidade, paciência e tolerância às lideranças e representações dos bancários e das classes trabalhadoras e populares do nosso Brasil sequestrado.
William
4.8.21
Cassi 2021 - Questões abordadas com bancári@s (MG)
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Apresentação feita para o Encontro estadual dos bancários e bancárias de Minas Gerais 2021
Cassi 2021 – Breve histórico da luta por direitos em saúde e ameaças existenciais para a autogestão
Temas relevantes para reflexões e debates no movimento d@s trabalhador@s, associad@s e entidades representativas
- A Caixa de Assistência é uma autogestão, é basicamente o Plano de Associados e a Cassi só tem sentido se o foco for a manutenção desse plano e ele só se mantém se for um sistema de custeio solidário, intergeracional e mutualista;
- Foi criada em 1944, muito antes do atual sistema público de saúde (SUS) e órgãos regulatórios como a própria ANS;
- Reforma Estatutária de 1996: alterações importantes foram feitas. Passou a ser autônoma e não mais dentro do RH do BB; definiu-se como objetivo do modelo assistencial a Atenção Integral à Saúde; o debate contou com a expertise de sanitaristas; o foco passou a ser a gestão da saúde da população assistida – cerca de 400 mil pessoas do Plano de Associados –; objetivos do modelo: prevenção de doenças e promoção de saúde, recuperação e reabilitação de pessoas adoecidas;
- Novo custeio na Reforma de 1996: o banco (4,5%) e os associados (3%) sobre a folha de ativos e aposentados; e criação de estrutura própria nas regiões do país para organizar o sistema de cuidados naquelas bases de assistidos - unidades administrativas e de atendimento em saúde (CliniCassi);
- O modelo assistencial seria a essência da mudança no uso dos recursos da Cassi (antes era ressarcir e pagar serviços de saúde do mercado). Os recursos da Caixa sempre foram baseados nos salários e benefícios dos associados. Lembrar que a inflação médica é de 10 a 20% ao ano no mercado (maior que reajustes anuais dos associados). OPINIÃO: Investir em usar mais o mercado de prestadores é um equívoco como tem feito a atual direção 2021. É retroceder no que era a Cassi antes da reforma de 1996;
- Atenção Primária em Saúde (APS): foram testados modelos entre 1996 e 2001 e a Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi a escolha definida para a Cassi: equipes de família em unidades de atendimentos CliniCassi + programas de saúde. O uso da rede de prestadores seria mais racional e não por incentivo de buscar prestadores à vontade, de acordo com supostas necessidades e desejos dos usuários do sistema (ideia geral do modelo, temos modelos centralizados e descentralizados);
- 1997: ocorre o lançamento do Cassi Família para parentes dos associados. O modelo de plano de saúde não poderia ter menos direitos do que o dos funcionários (imaginem dentro de uma família, direitos diferentes...). OPINIÃO: hoje a direção 2021 fala que os novos planos (tipo Cassi Essencial) com menos direitos e coberturas e menos redes de atendimento é uma "alegria" pois isso seria uma “inclusão”. Isso é no mínimo um exagero! O plano aberto atualmente, o Cassi Família (II), não tem franquia nem coparticipação, os outros terão;
- 1999: lançado o Cassi Família II, com coberturas e regramentos adaptados às regras da ANS para planos de saúde. Foi necessário fechar o CF I para a entrada de novos participantes e abrir esse novo;
- 2001: aprovação das regras do modelo assistencial no âmbito interno da Cassi;
- 2003: lançamento da Estratégia de Saúde da Família (ESF) com o objetivo de cobrir toda a população do Plano de Associados e pelo menos os crônicos do Cassi Família (as metas constam nos relatórios anuais seguintes). Já era para toda a população do Plano de Associados estar cadastrada na ESF há muitos muitos anos;
SALTO NA HISTÓRIA PARA 2014, PERÍODO DE NOSSA PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO
- 2014: Nos debates do orçamento para 2015, a parte patronal na direção da Cassi propôs diversas reduções de direitos em saúde dos associados da ativa e dos aposentados: propuseram aumentar para 4,5% a mensalidade (50% a mais), coparticipações maiores e franquia nas internações de 1.500 reais, reduções nos programas de saúde como o PAF etc. Eleitos rejeitam essas propostas: 2x2 e 4x4 na direção e CD (depois a patronal e a consultoria contratada por ela inventaram uma conversa que a gestão na Cassi era “impossível” porque não se decidia nada, ou seja, ao usar as regras de decisão e rejeitar o que a patronal queria fazer era "não decisão");
- 2015 a 2018: a patronal força o contingenciamento orçamentário e por anos não faz proposta viável e justa aos associados de reequilíbrio do Plano de Associados. Isso leva a Cassi e o Plano de Associados a uma situação mais agravada nos balanços contábeis e no caixa da autogestão (em 2016 houve um acordo provisório acordado entre as partes, um memorando de entendimento);
- 2015: a diretoria de saúde desenvolve com os profissionais da Cassi métodos científicos de aferição de eficiência do modelo assistencial ESF/CliniCassi. Os resultados são impressionantes: durante o mandato, em dezenas de apresentações públicas e internas, provamos o quanto a ESF economizava os recursos da autogestão e beneficiava a saúde dos cadastrados e vinculados ao modelo assistencial. Cadastrados e vinculados tinham de 10 a 30% menos despesas em relação aos não cadastrados ao modelo ESF, fora outros índices melhores;
- 2017 e 2018: o governo Temer (após o golpe de 2016) organiza ataques aos planos de saúde e direitos dos empregados de estatais. Reuniões secretas ocorrem na CGPAR. (as resoluções que fariam na CGPAR-23 seriam muito semelhantes às resoluções da CEE de 1996, da era FHC);
- 2018: os grandes questionamentos em relação à Cassi foram superados junto aos intervenientes do sistema: eficiência da ESF; baixo custo das CliniCassi e custo-benefício delas; o PAF havia completado o seu modelo de cobertura medicamentosa dos crônicos com entrega domiciliar: mais de 50 mil associados receberiam em casa em todas as localidades do país suas receitas médicas. E a direção do banco passou a valorizar e “aceitar” a importância da participação social no dia a dia da Cassi: conselhos de usuários, sindicatos e associações diversas;
- 2019: a Reforma Estatutária traz novos recursos para o orçamento da Cassi a partir de dezembro daquele ano;
- 2020: veio a pandemia de Covid-19 a partir de março (no Brasil); um dos efeitos da pandemia naquele ano foi a redução de consultas, exames e procedimentos eletivos. A Cassi também acumulou recursos novos oriundos da Reforma 2019 e cobrando mais dos associados em coparticipações. No entanto, A ESF NÃO AVANÇOU NADA. O PAF teve reduções drásticas, quase o desfazimento do programa em relação ao que era antes para a manutenção da condição de saúde dos crônicos: são milhares de crônicos que não conseguem acessar o direito ou desistiram dele;
- 2020: veio o projeto de TERCEIRIZAÇÃO TOTAL do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF), com unidades de atendimento CliniCassi e equipes de saúde próprias. Base da terceirização: o piloto "Bem Cassi”, em Curitiba;
- 2020: a ferramenta de telemedicina para atender demandas de Covid-19 foi uma opção interessante para o contexto da pandemia. Depois viria a surpresa: a ferramenta seria usada para se somar à terceirização total e desfazer a estrutura de saúde do modelo de Atenção Integral APS/ESF/CliniCassi;
- 2021: a direção atual anuncia o lançamento de diversos planos de mercado para supostos “milhões” de familiares dos associados (público-alvo, segundo defensores dos planos). Reduções drásticas dos assistidos do Plano de Associados (382 mil até maio). OPINIÃO: os concorrentes do mercado de planos de saúde são infinitamente maiores e com mais poder de conquistar clientes nas áreas onde estão estabelecidos e eles têm estrutura própria em toda a cadeia de atendimento, diferente da Cassi (eles controlam os custos). Será muito difícil o sucesso dos planos de mercado da Cassi.
Enfim, esses tópicos apresentados foram apenas para situar o público para as reflexões e debates sobre a Cassi. São pontos de referência que escolhi para rememorar lutas dos associad@s, bancári@s e entidades sindicais em relação aos direitos em saúde na comunidade Banco do Brasil.
William Mendes
29.7.21
Estudando a Cassi para conversar com os trabalhadores e associados
(atualizado até às 16h58 de 30/7/21)
"Não temos tempo sequer de comentar ataques pessoais, imorais e vis que estamos sofrendo por defender de forma aguerrida os direitos dos trabalhadores que representamos nos últimos 4 anos. O tempo é de chamar tod@s à luta para nos rebelarmos contra essas porcarias (leis? legislação?) que estão saindo na canetada em executivos ou por uns quatrocentos lesas-pátrias que ainda estão no legislativo nacional. Teremos que enfrentar também algumas pessoas que tomaram os órgãos do judiciário para si (e que espero que sejam a minoria, porque o povo precisa de justiça e segurança, inclusive jurídica)."
22.7.21
Cassi 2021 - Impressões e opiniões (V)
Olá, prezad@s colegas da comunidade BB e companheir@s das entidades representativas!
A matéria da Contraf-CUT reproduzida abaixo traz alertas e preocupações relevantes em relação ao presente e futuro de nossa autogestão Cassi, principalmente em relação ao Plano de Associados, a verdadeira essência de nossa associação, pois o Plano é uma Caixa de Assistência, é um fundo mútuo, intergeracional e solidário criado há 77 anos pelos funcionários do Banco do Brasil e, sem novas entradas e oxigenação nos perfis dos assistidos, tende a se inviabilizar.
PLANO DE ASSOCIADOS EM RISCO
Desde que passei a conhecer profundamente a nossa Caixa de Assistência, tenho a opinião de que a perenidade da nossa autogestão depende do equilíbrio e sustentabilidade do Plano de Associados - dos trabalhadores da ativa e aposentados e dependentes -, plano que manteve uma média de 400 mil vidas assistidas desde a reforma estatutária de 1996, e que cresceu durante os governos progressistas do PT, chegando a 418.335 vidas em 2014 e que passou a encolher desde o golpe de Estado em 2016, chegando em 2020 a 388.673 associados.
Pior do que os números em si são as perspectivas que se desenham para o futuro do Plano de Associados e, consequentemente, para a existência da autogestão Cassi, que jamais será uma "empresa" de planos de saúde competidora com o mercado privado, jamais! Só para termos uma ideia, o Plano de Associados reduziu mais 6 mil vidas e chegou a 382.723 associados nos primeiros meses de 2021.
Pergunto: percebem o quanto é preocupante qualquer movimento ou decisão administrativa do patrocinador BB ou da direção da Cassi que possa fazer com que não haja novas entradas no Plano de Associados nos próximos anos?
PLANO CASSI FAMÍLIA II EM RISCO
E o Cassi Família II, o plano de saúde com regras de mercado disponibilizado aos familiares até determinados graus de parentesco com os trabalhadores do BB, de acordo com regras determinadas pela ANS? O CF II é o plano ativo que temos na Cassi desde 1999. Uma parte de nós da comunidade BB tem um ou mais familiares no plano CF II. O recém-lançado Plano Essencial e outros que a diretoria promete lançar ameaçam severamente a sustentabilidade do CF II e isso é muito sério!
Está na cara que os planos de saúde da Cassi estão concorrendo um com o outro e não com os planos de empresas concorrentes! Isso também é muito sério! São 234 mil participantes do Cassi Família II em risco porque o Cassi Essencial pode inviabilizar o custeio e a estabilidade do CF II e muitos de nós NÃO queremos migrar e passar a pagar coparticipação e franquia, isso é uma fria! É muito pior pagar essas taxas extras que um pouco mais na mensalidade do CF II. A não ser que a pessoa tenha plano de saúde com intenção de nunca usar, o que não faz sentido.
Ou alguém acha que a autogestão dos trabalhadores do BB, a Cassi, com o seu tamanho no mercado de saúde, vai concorrer com as grandes do setor: Bradesco, Unimed, Amil, Hapvida? Não temos condições de concorrer com players que dominam nichos e segmentos do mercado que têm patrimônio gigante, têm estrutura própria de serviços de saúde de uma ponta a outra, desde consultórios, clínicas de imagem, fornecimento de insumos e hospitais de todo tipo e têm influência nos espaços políticos que criam as condições de seus sistemas avançarem no mercado de saúde privado.
Vejam abaixo um exemplo de um concorrente do Cassi Essencial em diversas regiões, estados e cidades do Brasil: 100 bilhões de patrimônio de Hapvida e Notre Dame Intermédica contra uns 5 ou 6 bilhões da nossa querida Cassi...
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| Carta Capital, nº1165, 14/7/21, p. 43 |
DECISÃO ARRISCADA E EQUIVOCADA DA DIREÇÃO DA CASSI, NA MINHA OPINIÃO
Eu imagino que nossos colegas que estão nos espaços de decisão e gestão da Cassi e do Banco do Brasil querem o melhor para a nossa Caixa de Assistência. Mas eles estão equivocados em relação a algumas decisões recentes como, por exemplo, lançar planos de saúde do tipo Cassi Essencial. Falo isso com todo o respeito. Esse não deveria ser o foco da nossa associação. A Cassi deveria focar naquilo que já demonstrou excelência ao longo de décadas de experimentação e resultados na gestão de saúde de uma população estável no tempo, perene, passível de acompanhamento, cuidados e uso melhor de recursos limitados. Esses são os pontos fortes da Cassi.
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O ESSENCIAL NA CASSI É O PLANO DE ASSOCIADOS E O MODELO ASSISTENCIAL DE ATENÇÃO PRIMÁRIA ESF/CLINICASSI/PROGRAMAS DE SAÚDE
O Plano de Associados pode ser sustentável por décadas se tiver uma população cuidada pelo modelo assistencial Estratégia de Saúde da Família (ESF), através das unidades de saúde CliniCassi, com equipes de família próprias e com programas de saúde específicos de acordo com os diversos graus de complexidade que os perfis dos cadastrados nas equipes de família tenham. Nós mostramos os estudos desse sistema entre 2015 e 2018 e os resultados foram surpreendentes para a Cassi e para a saúde dos cadastrados vinculados ao modelo. A Cassi já poderia ter ampliado em dezenas de milhares os cadastrados na ESF se tivesse focado nisso após a entrada de recursos novos. Os números seguem os mesmos que ampliamos e deixamos entre 2014 e 2018. ESSE É O CAMINHO: AMPLIAR A ESF!
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Estamos à disposição para conversar, trocar experiências e refletir sobre essas questões. Não podemos tomar decisões erradas neste momento da história porque hoje não seria possível criar uma nova Caixa de Assistência - a Cassi. Não seria possível porque as regras e lobbys do mercado privado inviabilizam que se criem sistemas solidários como o Plano de Associados da Cassi.(Reprodução de matéria de 9/7/21 da Contraf-CUT)
Adesão de novos funcionários ao Cassi Essencial, como querem os diretores, põe em risco sustentabilidade do maior plano de autogestão do país
Enfraquecimento da Cassi, redução do número de credenciados, falta de transparência e mais atenção aos interesses do banco do que aos interesses dos funcionários do Banco do Brasil. Estes são alguns dos resultados da implantação do novo plano de saúde criado pelos diretores da Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil, chamado de “Cassi Essencial”. O alerta é das entidades sindicais e representativas dos trabalhadores do BB.
O plano foi criado por diretores e conselheiros eleitos e indicados pelo banco na Cassi. Parece que todos se subordinam aos interesses do banco e se esquecem de defender os interesses dos associados.
O Cassi Essencial foi criado sob o argumento de atrair os participantes que cancelaram o Plano Cassi Família e desejam um plano mais barato. Mas não é isso que fica evidente ao analisar o novo produto. O plano foi criado não apenas para atrair ex-funcionários e parentes por consanguinidade e afinidade dos funcionários do Banco do Brasil. Os funcionários do BB e da Cassi, aposentados e pensionistas e funcionários oriundos dos bancos incorporados também poderão aderir ao novo plano.
Os sindicatos e entidades que representam os funcionários do banco denunciam que, por se tratar de um plano de mercado, o trabalhador que aderir ao Cassi Essencial não contará com o patrocínio do banco e com as contribuições patronais. Portanto, se mais funcionários forem atraídos para o novo produto, haverá redução do número de participantes nos planos de Associados e Cassi Família, colocando em risco todo o sistema de solidariedade da Cassi.
Em outras palavras, os diretores da Cassi criaram um produto para ajudar o banco e enfraquecer a Cassi. Uma autofagia explícita. O Cassi Essencial ajudará o banco, que poderá forçar funcionários a migrar para este plano e, assim, poderá fugir do patrocínio e reduzirá suas despesas com a saúde dos funcionários. A migração de participantes do Cassi Família para o novo plano poderá inviabilizar o Cassi Família, encarecendo suas mensalidades – pela relação contratual, a Cassi deve manter os planos ativos enquanto houver participantes.
“A adesão de funcionários [ao Cassi Essencial] desconfigura o Plano Associados, que é um plano solidário, onde os entrantes ajudam a custear os mais velhos e o banco é obrigado a custear parte das despesas. Já o Cassi Essencial, na prática, é um plano de mercado”, explica o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.
Fukunaga destaca que a direção da Cassi contraria o estatuto da entidade, que estabelece:
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“Art. 6º. São associados da CASSI, nos termos e condições previstas neste Estatuto e no Regulamento do Plano de Associados: I. Os funcionários do Banco do Brasil S.A. de qualquer categoria, inscritos no Plano de Associados.
§ 1º – O ingresso no Plano de Associados da CASSI será feito mediante solicitação do funcionário, a qualquer tempo, a partir da data de início do vínculo empregatício com o Banco do Brasil S.A.”
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“O que os diretores da Cassi estão propondo com o plano Cassi Essencial é irregular, desobedece ao estatuto da entidade. Além disso, configura crime de responsabilidade com o futuro da Cassi, uma vez que deixaria de ter novos entrantes”, pondera Fukunaga.
A rede de credenciados do Cassi Essencial, principalmente nos grandes centros, é bem menor que a rede dos demais planos, criando dificuldades para o atendimento aos participantes. O valor pago em coparticipação em exames, consultas e procedimentos neste plano também é maior que nos outros, e pode não compensar a redução das contribuições mensais.
Outra questão levantada pelas entidades sindicais é a falta de transparência, isso porque os diretores da Cassi não divulgaram um comparativo de preços entre os planos Cassi Família e Cassi Essencial, comprometendo a possibilidade de qualquer interessado verificar a relação custo x benefício mais vantajosa para ele.
Redação: Lilian Milena/Contraf-CUT
19.7.21
Cassi 2021 - Impressões e opiniões (IV)
Olá, prezados colegas da comunidade BB e lideranças dos trabalhadores!
No dia 2 de julho, tive a oportunidade de participar da reunião entre a Contraf-CUT e suas representações e a direção da Cassi. Naquele dia, o novo presidente da entidade, Castro Júnior, se apresentou e falou de projetos para a Cassi. Também participaram Ana Cristina, Carlos Flesch e Luiz Satoru, colegas da direção, e alguns funcionários da Cassi, pessoas com as quais trabalhamos na gestão. Foi uma reunião muito respeitosa e prevaleceu a troca de informações e ideias.
O presidente abordou alguns objetivos da atual direção, eixos ou pilares para a Cassi neste momento de sua história. Incluir a Cassi na era digital de forma profunda e acelerada, a redução de custos da "empresa", novas formas de receitas e produtos e a questão do atendimento aos participantes e clientes. As representações dos trabalhadores falaram seus pontos de vista e preocupações, cobrando diversas informações sobre demandas dos bancários e mudanças em andamento, sugerindo estudos e avanços em direitos dos associados -a Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi um dos itens. As outras diretorias também se expressaram.
Repito aqui algumas questões que apresentei para os participantes da reunião, tanto para as representações dos associados quanto para a direção da nossa associação Cassi, uma autogestão em saúde.
Comentei que a utilização de novas tecnologias é algo positivo, ferramentas virtuais podem contribuir para os procedimentos e operações na área na qual a Cassi atua: saúde.
Tenho muitas reservas e senões em relação a "novos produtos" quando falamos da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil porque a razão de ser da Cassi são os trabalhadores da ativa e aposentados e seus dependentes. O "essencial" na Cassi é o Plano de Associados e sua perenidade e não as questões laterais, à margem do essencial na autogestão.
Como contribuição, expressei minha preocupação com os projetos de redução de custos administrativos da autogestão. A Cassi já tem o menor índice do mercado (5,5%) e isso é muito ruim porque a Caixa de Assistência está se desfazendo da sua estrutura própria de gestão em saúde.
As mudanças na Unidade Cassi DF são um exemplo dessas "reduções de custo" questionáveis. Nós havíamos ampliado em 50% o cadastramento da ESF na capital aproveitando as duas unidades CliniCassi, uma na Asa Norte e outra na Asa Sul. Apresentei meu receio de que a direção faça isso nas demais unidades regionais da Cassi.
Outro exemplo complicado é o caso de Curitiba, onde a direção optou por terceirizar a base do modelo assistencial - A ESF e CliniCassi com equipes de família próprias. Essa aposta em "parceiros" no mercado é um risco absurdo para a nossa autogestão (Projeto Bem Cassi feito com duas empresas privadas). "Parceiros" vão e vem ao sabor das ondas (ondas ou tsunamis, porque o objetivo desses parceiros-empresários é o lucro, enquanto a relação dos funcionários assalariados da Cassi com os pacientes é outra).
É uma lógica muito diferente investir em estruturas próprias de Atenção Primária e ESF e acompanhamento dos cadastrados com profissionais da própria Cassi. Nós explicamos o quanto é barato investir em CliniCassi e equipes de família. O custo-benefício é exponencialmente melhor ao mantermos crônicos tratados e monitorados e prevenir doenças em populações cadastradas na ESF. Nossos estudos mostravam cadastrados vinculados ao modelo assistencial com despesas 20 a 40% menores em todas as faixas etárias e graus de complexidade.
Por fim, expliquei ao presidente da Cassi, Castro Júnior, o quanto seria importante aproveitar esse momento em que a Cassi tem mais receita operacional devido às novas contribuições permanentes dos associados e as novas receitas por parte do patrocinador para reequipar e ampliar as regionais da Cassi em relação a novos procedimentos e mais equipes de família nas CliniCassi. A ESF não deveria ter sido colocada em segundo plano nesse período pós recursos novos. Os números de cadastrados já poderiam ter sido ampliados e isso não ocorreu nos últimos anos.
AMPLIAÇÃO DA ESF (2014-2018) - Nós pegamos a Cassi com cerca de 160 mil cadastrados, ampliamos para 182 mil e 3 anos após nossa saída e com a entrada de recursos novos, A ESF não foi ampliada (vejam o Relatório Anual 2020).
Enfim, vou ler as matérias das entidades representativas e volto a escrever minhas impressões e opiniões sobre os últimos acontecimentos. Me parece que as representações dos associados estão apontando em suas matérias os mesmos riscos que avisei que ocorreriam em relação aos novos planos de mercado da Cassi - riscos ao Plano de Associados e prejuízos de longo prazo para os bancários da ativa e aposentados.
Também tivemos novidades em relação à CGPAR, aquelas normas absurdas do governo Temer que interferiram de forma muito questionável nos planos de saúde das autogestões dos trabalhadores das estatais, empresas públicas e de economia mista.
Um fraterno abraço a todas e todos.
William
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(Reprodução de matéria de 5/7/21 da Contraf-CUT)
Trabalhadores cobram informações do novo presidente da Cassi
Informações sobre o uso da tecnologia para “aproximação dos associados” e novo plano de mercado Cassi Essencial estiveram em pauta
As entidades de representação dos associados à Caixa de Assistência dos funcionários do Banco do Brasil se reuniram com a diretoria e o novo presidente da entidade, Castro Júnior, na sexta-feira (2). A reunião foi realizada a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
A princípio, a reunião tinha o objetivo de ressaltar a importância e restabelecer a mesa de negociações entre as partes para garantir a manutenção da Cassi e a melhoria de seus serviços. Mas, um comunicado publicado no site da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) na terça-feira (29) mudou o enfoque da reunião.
“Depois do comunicado tivemos que fazer uma série de questionamentos para saber se há interesse em colocar a tecnologia e a redução do custo em detrimento da qualidade do atendimento e da Estratégia Saúde da Família (ESF), explicou a secretária de juventude e representante da Contraf-CUT nas negociações com a Cassi e o Banco do Brasil, Fernanda Lopes.
No comunicado, o novo presidente da Cassi afirma que sua gestão fará uso de meios tecnológicos para estar mais próxima dos associados.
Segundo o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, a primeira e principal mensagem que o texto passa é que será aplicada tecnologia no atendimento. “A Cassi, nestes tempos de pandemia e de gestão de tecnólogos bancários, está maravilhada com esse discurso, que pode iludir alguns bancários. Mas, é preciso ter muito cuidado para não cairmos nesta tentação. Temos que ficar atentos para que a Cassi não se desvirtue e passe a ser como um plano de saúde qualquer, que apenas corre atrás da redução dos custos e abandone o atendimento humanizado e sua função de caixa de assistência aos associados”, alertou.
Cassi Essencial
Além de tratar sobre os pontos referentes a uso da tecnologia mencionados no comunicado, a representação dos trabalhadores solicitou informações sobre o novo plano de mercado disponibilizado, o Cassi Essencial.
A Cassi ficou de responder aos questionamentos da representação dos trabalhadores na próxima reunião, ainda sem data definida.
Fonte: Contraf-CUT
4.6.21
Cassi - Desmonte começa por Brasília
Opinião
Soube que a nossa Caixa de Assistência está fechando CliniCassi em Brasília (DF). Reduzindo a estrutura do modelo assistencial. E o pior é que divulga a notícia dizendo que está "expandindo" os serviços... curioso! O título da matéria é "CliniCassi Brasília Sul e Norte expandem atenção primária em novo endereço" (matéria de 28/5/21)
Não é de hoje que estamos alertando a comunidade de trabalhadores da ativa e aposentados do Banco do Brasil que a atual direção da nossa Caixa de Assistência adotou uma estratégia de desmonte da nossa autogestão, apostando na terceirização total de nosso modelo assistencial baseado na Estratégia de Saúde da Família (ESF), modelo que se dá na Cassi através das unidades próprias de saúde, as CliniCassi, com equipes multidisciplinares de família, programas de saúde e alguns serviços de saúde locais de acordo com o perfil de cada unidade.
A direção atual de nossa Caixa de Assistência tem se utilizado de estratégias muito semelhantes às utilizadas pelo governo de plantão em nosso país. Poderíamos entender isso como algo natural ao lembrarmos que metade da direção é indicada pelo regime no poder (o patrocinador indica). Acontece que vemos uma sintonia incomum entre as duas partes da gestão, a indicada e a eleita pelos associados. Em situações como essa - pensamento único na direção - fica evidente o risco da autogestão tomar uma direção contrária aos interesses dos associados.
Uma coisa curiosa é a forma como a direção da autogestão está desmontando o modelo assistencial testado e aprovado em relação à eficácia da Estratégia de Saúde da Família (demonstramos por estudos entre 2014/18). A direção repete mil vezes a expressão "Atenção Primária" de forma a virar um mote que tire a atenção para o fato: a ESF e sua estrutura própria de CliniCassi está sendo preterida em favor de contratar empresas terceirizadas para atender aos associados por telefone (!?), ou seja, a tal "telemedicina" virou outra palavra mágica e mote para dizer qualquer coisa na autogestão dos funcionários do BB.
PRIMEIRO ATENDIMENTO NÃO É O MESMO QUE ATENÇÃO PRIMÁRIA - Ao que parece, a estratégia de ficar repetindo a frase "Atenção Primária" tem um efeito inicial de dar algum tipo de atenção aos associados que estão em regiões com pouca rede credenciada, um problema oriundo do próprio mercado privado que vende serviços de saúde. O usuário acha que agora vai melhorar porque alguém lhe atendeu por telefone pela primeira vez. Nesses casos, o "primeiro atendimento" pode ser confundido com "atenção primária".
ATENÇÃO PRIMÁRIA NA CASSI SE DÁ ATRAVÉS DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NAS CLINICASSI - Só que esse primeiro contato terceirizado e por telefone não é o modelo assistencial que a Cassi desenvolveu ao longo de anos de aperfeiçoamento, no qual a ESF foi a forma de fazer Atenção Primária em Saúde (APS), estratégia definida e aprovada através de estudos e pilotos entre 1997 e 2001, após a reforma estatutária de 1996.
A autogestão e as outras operadoras de saúde têm dificuldades de rede por causa de diversos fatores do próprio mercado - o lucro é o objetivo de todas as empresas, consultórios e clínicas e profissionais que vendem serviços. As empresas e operadoras que estão se dando melhor são aquelas que têm estrutura própria de saúde e não o contrário, como está apostando a direção da Cassi: ao invés de investir para melhorar e estrutura própria e ampliá-la, está terceirizando e se desfazendo da estrutura que já tem. Isso não é razoável!
CASSI EM BRASÍLIA (DF) - Entre 2014 e 2018 a ESF cresceu em 52% o cadastramento de participantes e chegou a 14.500 pessoas acolhidas pelo modelo graças ao trabalho conjunto da diretoria de saúde, da Unidade Cassi DF e das CliniCassi Brasília Norte e CliniCassi Brasília Sul. Antes, tínhamos pouco mais de 9,5 mil cadastrados. (ler o balanço da gestão que fizemos em relação à Unidade DF aqui)
ÍNDICE DE (D)EFICIÊNCIA OPERACIONAL DA CASSI - Conheço a estrutura da rede própria da nossa Caixa de Assistência e afirmo que é um total absurdo fechar as CliniCassi onde estão localizadas hoje em Brasília. Fica claro que a direção vai fazer o mesmo no restante do país porque tem uma leitura equivocada da autogestão em saúde e do modelo assistencial: ela fica olhando custo administrativo que é muito pequeno na Cassi em relação ao custo-benefício de fidelizar e monitorar os cadastrados na ESF, tanto os crônicos quanto as pessoas com risco de doenças.
A Cassi vai voltar a ser mera pagadora de compra de serviços de saúde no mercado. É uma aposta suicida, na minha opinião. Nenhuma empresa de saúde do mercado tem apostado nisso. As operadoras de saúde sabem que ter uma estrutura - primária, secundária, alguns hospitais de maior complexidade (próprios ou parceiros) e centros de imagem e diagnose - é importante no controle dos custos totais do início ao fim do processo nesse setor.
TERCEIRIZAÇÃO NA CASSI É ESCOLHA DE ALTO RISCO - Desmontar a estrutura própria de saúde e as equipes multidisciplinares e apostar na terceirização para comprar atenção básica no mercado é um equívoco sem volta porque não será fácil refazer o modelo com a expertise que conquistamos em décadas de aperfeiçoamento. A autogestão vai se autodestruir.
Nós ampliamos cerca de 25 mil vidas na Estratégia de Saúde da Família (ESF) chegando a 182 mil cadastrados em 2018 porque tivemos foco e gana em fazer isso, pedimos o empenho das equipes nas unidades e elas responderam por acreditarem no modelo ESF e CliniCassi. Agora a direção atual está desmontando a estratégia testada e aprovada há mais de duas décadas.
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Fica meu registro de preocupação e oposição a essa estratégia de desmonte da estrutura do modelo assistencial da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Apostar numa terceirização de atendimento por telefone e por empresas de atenção primária no volátil mercado privado é um caminho perigoso e prejudicial para nossa associação que cuida da vida de mais de 600 mil pessoas da comunidade BB. O custo disso será alto e parte dos participantes não vai dar conta de pagar, saindo do sistema Cassi.
Aliás, só pra lembrar a vocês, cada vez que alguém sair do Plano de Associados (que é pra vida toda) é redução de custo para o patrão BB...
William Mendes
19.5.21
Memórias de mandatos eletivos - Cassi (I)
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| Reunião com a direção do Sindicato em Rondônia (21/8/14). Escolhi essa foto em homenagem ao companheiro Pinheiro, que nos deixou em 2021, vítima de Covid-19. |
Um mandato de representação na área da saúde com foco no trabalho de base e na politização dos trabalhadores e suas lideranças da ativa e aposentados
Entre junho de 2014 e maio de 2018 tive a honra de ser um dos representantes eleitos da comunidade de trabalhadores da ativa e aposentados do banco público BB a participar da gestão da Caixa de Assistência dos Funcionários, a Cassi, autogestão em saúde.
Ao olhar para trás, revisitando meus registros da história de um período de muitas lutas coletivas das quais participei ativamente, percebo que fizemos um mandato que buscou realizar na prática aquilo que sempre defendemos enquanto lideranças da classe trabalhadora.
Ao rever a agenda de compromissos que realizamos ao longo dos 4 anos de representação da base social do Banco do Brasil sentimos uma sensação boa de ter feito o melhor que pudemos para defender os direitos dos associados da Caixa de Assistência e defender a própria autogestão e seu modelo assistencial, uma pedra preciosa da comunidade BB.
Hoje, estava revendo fotos das agendas que empreendi nas primeiras semanas de mandato, visitando as bases dos associados da Cassi e as entidades representativas do funcionalismo. Sabíamos que tínhamos uma tarefa trabalhosa, mas essencial: apresentar a Cassi aos diversos públicos com os quais a associação se relacionava, porque a base social não sabia o que era a Caixa de Assistência (e ainda não sabe por uma opção política de certos grupos).
Fomos a campo politizar os trabalhadores e seus representantes. Sem informar e formar os associados e lideranças - "(in)formação em saúde" como dizia o mural do blog A Categoria Bancária - não iríamos a lugar algum no mandato e todos perderiam com isso - os associados, a Cassi e até o patrocinador - porque o mercado privado de serviços de saúde explora os planos de autogestão até com a ajuda de seus participantes assistidos, e isso ocorre pelo fato de os associados estarem mal orientados sobre o modelo assistencial da Cassi.
Estamos em 2021. O Brasil vive um estado de anomia após o golpe de Estado que destruiu o país. Vivemos sob o poder de bandidos, máfias, manipuladores de toda ordem; gente da pior espécie ocupou os espaços de poder e tudo está se desfazendo. A política foi substituída pela violência, pela mentira como prática cotidiana, pela carteirada daqueles que têm dinheiro e poder e o povo está sem um horizonte que indique um futuro melhor e mais feliz para a vida cidadã.
É nesse cenário de 2021 que estou olhando a vivência que experimentei como dirigente com a política funcionando na vida nacional, com os trabalhadores avançando em direitos sociais e com perspectivas de futuro por causa das oportunidades que todos tinham com os governos do Partido dos Trabalhadores. O Brasil era um país ativo e altivo em sua relação com o mundo e um país que olhava para a classe trabalhadora e se importava com o povo mais necessitado do apoio do Estado.
É isso. As memórias sempre valem alguma coisa. As memórias nos mostram que se as pessoas já fizeram o que relembram é porque é possível as pessoas fazerem aquelas ações de novo.
Abaixo, registro algumas agendas realizadas por mim nos primeiros 3 meses de mandato - compromissos presenciais junto às bases sociais da Cassi -, eu era diretor de saúde e rede de atendimento, rede própria: era responsável pela gestão do modelo assistencial de Atenção Integral, Estratégia de Saúde da família, pelas unidades regionais e as unidades de atendimento em saúde, as CliniCassi, e responsável pela relação com os conselhos de usuários.
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ANO DE 2014
DISTRITO FEDERAL
No dia 11 de junho, a diretora Mirian Fochi e eu estivemos na reunião do Conselho de Usuários da Cassi DF. Começava ali a minha participação permanente nos fóruns dos conselhos de usuários da nossa autogestão, um espaço democrático de voluntariado, de fiscalização, de solução de problemas e auxílio aos participantes e de fortalecimento da Caixa de Assistência e seu modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e unidades de atendimento à saúde CliniCassi.
Naquele momento, eu começava a conhecer como diretor de saúde as unidades regionais e as CliniCassi, as estruturas próprias da Cassi. Nos primeiros dias de mandato, já visitava e conhecia as CliniCassi no DF, a CliniCassi Brasília Norte e a CliniCassi Brasília Sul. Também já conhecia a CliniCassi São Paulo Centro (SP) porque participei da reunião do Conselho de Usuários em maio, após a eleição e antes da posse.
PARANÁ
No dia 30 de junho, uma segunda-feira, estive na unidade da Cassi PR para a inauguração de uma Sala de Amamentação na CABB de São José dos Pinhais. Na oportunidade, conheci a CliniCassi Curitiba e também conversei com lideranças do Sindicato dos Bancários, visitando a casa dos trabalhadores.
SÃO PAULO
Entre os dias 25 e 27 de julho, participei da 16ª Conferência Nacional dos Bancários, em Atibaia. Minha participação teve foco nas questões de saúde e nas questões inerentes à Cassi, muitas delas tratadas em mesas de negociação entre entidades sindicais e o patrocinador Banco do Brasil.
PORTO ALEGRE
No dia 30 de julho, uma quarta-feira, lá estava eu em Porto Alegre para participar de uma reunião do Conselho de Usuários da Cassi RS. Na oportunidade, conheci a CliniCassi Porto Alegre Centro Norte.
Também cumpri um compromisso com as lideranças dos trabalhadores, visitando o SindBancários de Porto Alegre e região.
PARANÁ
Em agosto, voltei à Curitiba para dois dias de agenda de fortalecimento da Cassi e de parcerias pelo modelo assistencial. Nos dias 6 e 7 de agosto, uma quarta e quinta-feira, me reuni com a Super BB, com entidades do funcionalismo, com o Conselho de Usuários. Ainda inauguramos a sede nova da Unidade Cassi PR e fizemos reunião com os funcionários da Cassi.
PIAUÍ
No dia 8 de agosto, estive em Teresina para participar da VII Conferência de Saúde da Cassi PI. Me reuni com as lideranças locais, com os membros do Conselho de Usuários e visitei a sede do Sindicato dos Bancários. O diretor de saúde conhecia mais uma CliniCassi, a de Teresina.
RONDÔNIA
No dia 21 de agosto, uma quinta-feira, estive em Porto Velho, para participar da I Conferência de Saúde da Cassi RO, fortalecer o Conselho de Usuários de Rondônia e visitar a sede do Sindicato dos Bancários. Na oportunidade, encontrei na cidade o representante eleito dos trabalhadores no Conselho de Administração do BB, Rafael Matos, que também cumpria agenda na região.
Mais uma unidade própria de atendimento à saúde conhecida, a CliniCassi Porto Velho.
RIO DE JANEIRO
Nos dias 27 e 28 de agosto, quarta e quinta, cumpri compromissos assumidos com as lideranças da comunidade BB do RJ e lá estive por conta própria para fortalecer a Cassi e as parcerias em defesa dos direitos dos associados e do modelo assistencial APS, ESF e CliniCassi (eu estava em férias).
Nos reunimos com a direção da AAFBB, com o Conselho de Usuários da Cassi RJ, estivemos com as lideranças do Sindicato dos Bancários e conhecemos a CliniCassi Centro.
SEDE DA CASSI - BRASÍLIA (DF)
No dia 2 de setembro, a diretora Mirian Fochi e eu recebemos as lideranças da APABB, presidida pela companheira Sandra Miranda. A Cassi sempre teve uma boa parceria com a Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e Comunidade.
MATO GROSSO
No dia 6 de setembro de 2014, um sábado, estivemos em Cuiabá, para participar de uma reunião com os delegados e delegadas sindicais do Sindicato dos Bancários. Cumpri essa agenda em férias ainda. Não foi uma agenda da Cassi.
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É isso, por enquanto. Registro de memórias feito. Nos primeiros 3 meses de mandato na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil eu já conhecia e havia visitado a estrutura de 7 unidades regionais e 8 CliniCassi das 65 que existiam na autogestão.
Já havíamos falado sobre a Cassi para diversas entidades sindicais, associações de aposentados e conselhos de usuários. Era impressionante como as lideranças e entidades representativas tinham conceitos equivocados sobre a Caixa de Assistência, seu funcionamento, direitos e deveres dos associados etc.
Como disse no início, politizar a base social era um de nossos papéis como dirigente eleito e isso nós cumprimos piamente durante os 4 anos de mandato. Foram 170 agendas presenciais.
Abraços aos leitores que por acaso leram essa memória aqui no blog.
William Mendes








