RETROSPECTIVA 2012
Em janeiro
eu estava em férias no movimento sindical. Publiquei um artigo sobre a
proibição de uso de sacolas plásticas no Estado de SP, uma hipocrisia
porque os supermercados pararam de fornecer as sacolas, mas vendiam sacolas
plásticas. A decisão só prejudicava os consumidores e não alterava em nada a
questão ambiental.
A nossa
confederação, a Contraf-CUT, completou 6 anos de existência, e fizemos
uma matéria resgatando o histórico de organização da categoria bancária desde o
Departamento Nacional dos Bancários (DNB-CUT), em 1985, passando pela
Confederação dos Bancários da CUT (CNB-CUT), criada em 1992, até
evoluirmos para a confederação do ramo financeiro.
Fevereiro foi um mês de lutas pessoais deste
dirigente sindical paulista: meu pai sofreu um infarto perto de completar 70
anos de idade. Estive com ele vários dias na UTI da Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Minha mãe também passou mal e foi internada. Para piorar a
situação psicológica, nosso governo do PT privatizou os aeroportos situados
em Guarulhos, Campinas e Brasília. Minha decepção foi enorme. Estando ao
lado de meu pai internado, fiz um poema para expressar minha decepção
com o fato: “O PT privatizou”.
Publiquei
alguns artigos no mês, fazendo o debate político no movimento e na
categoria: um deles, sobre a questão da “Ficha Limpa”, tema que fui
contrário desde 2010 quando a própria esquerda caiu no engodo que serviria só
para excluir e prejudicar candidaturas do campo popular. No outro artigo -
“1984” é agora! – aproveitei o tema do autoritarismo em uma sociedade
distópica e da manipulação de massas que George Orwell tratou em seu romance
clássico para comparar o momento que vivíamos no Brasil em relação ao PIG
(Partido da Imprensa Golpista).
Também escrevi
bastante em fevereiro, pois fizemos planejamento no Sindicato,
preparamos o Congresso da Contraf-CUT e tratei de novos cursos de
formação.
Março foi um mês de muita movimentação
sindical no Banco do Brasil por parte dos sindicatos. Retomamos mesas de
negociação lutando por jornada de 6 horas para os comissionados sem redução
de salários. Outro tema importante na pauta foi nosso enfrentamento à
direção do BB querendo impor metas individuais para recebimento de PLR
como ocorria no Itaú e Santander. Fizemos diversas reuniões com os
trabalhadores para colher informações sobre o Sinergia e avisamos a
direção que o banco teria problema para assinarmos acordo de PLR se ele
insistisse na questão.
Em abril
tivemos processos democráticos importantes para nossa categoria bancária: a
Contraf-CUT realizou seu 3º congresso, Carlão foi reeleito presidente e eu
segui na secretaria de formação. A comunidade do Banco do Brasil elegeu a
Chapa 1 – Cuidando da Cassi, liderada pela companheira Mirian Fochi para
compor a direção da autogestão em saúde até 2016. Finalizado o processo
eleitoral na Cassi, começou a eleição na Previ, nosso fundo de pensão.
Ainda em
abril, fiz uma série de artigos de formação no blog relacionados com o trabalho
de base nas agências e departamentos do Banco do Brasil. A Contraf-CUT em
parceria com o Dieese iniciou a 6ª turma de formação, desta vez para o
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.
O governo do
PT usou voto de minerva na direção da Previ para levar adiante disputas
políticas internas, fato lamentável. Os indicados pelo banco no CD pediram
abertura de inquérito administrativo contra o presidente da Previ, também
indicado pelo governo.
Os destaques
no mês de maio foram as eleições na Previ, que vencemos com a Chapa
6 Unidade na Previ, liderada pelo companheiro Marcel Barros, eleito
Diretor de Seguridade. A eleição foi apertada, vencemos por 655 votos de
diferença em relação à 2ª colocada: 24.935 x 24.280.
Os cursos
de formação também foram destaques, estava em andamento o curso
organizado para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e
realizamos o curso de formação sobre saúde dos trabalhadores, curso da
grade de formação da Contraf-CUT.
Estávamos
preparando o 23º Congresso Nacional dos Funcionários do BB (CNFBB), que seria
realizado no mês seguinte e conjuguei muito trabalho de base com reuniões em
agências e departamentos do BB com os trabalhos internos de coordenador
da comissão de empresa (COE ou CEBB), função que assumi a partir de maio.
O mês de junho
foi o período do calendário sindical de realização do 23º CNFBB,
realizado em Guarulhos, com mais de 300 delegadas e delegados. Após pressão do
movimento sindical, a direção da Cassi aderiu à Resolução 254 da ANS. A
parte indicada pelo patrocinador Banco do Brasil postergou a decisão desde o
ano anterior.
Na área da
formação, finalizamos o 6º curso da grade formativa da Contraf-CUT, PCDA
(Programa de Capacitação de Dirigentes e Assessores) aplicado para diretores e
assessores do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.
Julho foi um mês com agendas em regiões
diversas em relação ao cronograma da categoria bancária e da classe
trabalhadora. Participei do 11º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) e o
companheiro bancário Vagner Freitas foi eleito presidente de nossa
central.
Realizamos em
Curitiba a 14ª Conferência Nacional dos Bancários e depois viajei
para o Uruguai, onde a delegação brasileira participou da 8ª Reunião
Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Internacionais. O encontro se deu na
Associação dos Empregados Bancários do Uruguai (AEBU). O BB à época
tinha atuação na Argentina e no Paraguai e havia comprado o Banco Patagônia.
Agosto foi o mês das mesas de negociação
coletiva com a Fenaban e com os bancos públicos. O Comando Nacional dos
Bancários realizou diversas mesas com os banqueiros e com o governo federal
apresentando as reivindicações da categoria e dos bancos públicos como Banco do
Brasil e Caixa Econômica Federal.
Cortado na
foto - Olhando para o
passado, tanto tempo depois, posso registrar nesta retrospectiva uma questão
que me incomodou muito à época e que nunca soube o motivo. Na Folha Bancária
(FB) e site do Sindicato, as duas fotos da primeira mesa de negociação da Fenaban,
no dia 8 de agosto, na qual estive como coordenador da Comissão de Empresa do
BB (CEBB), foram editadas para que eu não aparecesse, em dois ângulos
diferentes. Qualquer pessoa que entenda de edição de fotos percebe o corte.
Nunca soube quem mandou fazer isso e por qual motivo me cortaram da imagem.
Fica o registro. Foi algo muito desagradável. A política tem dessas coisas
feias.
Setembro foi o mês da greve nacional dos
bancários, após os banqueiros não apresentarem propostas que dialogassem
com as principais reivindicações da categoria.
CAMPANHA
VITORIOSA DA CATEGORIA
- Após 9 dias de greve geral, bancários aprovaram as propostas da
Fenaban, com exceção dos empregados da Caixa, que rejeitaram e seguiram em
greve. O índice de 7,5% significou um aumento real de 2% nas verbas
salariais. O piso e os tíquetes tiveram reajuste de 8,5% (2,95% de aumento
real) e a PLR teve reajuste de 10% sobre o valor fixo.
Com a
campanha vitoriosa dos bancários, os aumentos reais em 9 anos foram de
13,22% nos salários e 35,57% nos pisos, pelo INPC, informou o presidente da
Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.
No Banco
do Brasil, negociações assessoradas pela Comissão de Empresa coordenada por
mim, avançamos na inclusão dos caixas executivos na Carreira de Mérito no
PCR; unificamos os atendentes da CABB, sendo criada uma função com
valor maior, uma luta antiga dos funcionários do setor; melhoramos as regras
de remoção automática entre as dependências do banco, evitando
discriminação e privilégios; aumentamos o piso do bancário escriturário,
passando a ser A2 após 90 dias, um avanço no PCS e não permitimos que o banco
estabelecesse metas individuais na distribuição de PLR. Mantivemos a regra
geral que beneficia o coletivo. Também foi mantida a regra de 3
avaliações consecutivas para se tirar a função comissionada de um
funcionário do BB.
Em outubro,
após a campanha salarial, iniciamos o 7º curso de formação da parceria entre
a Contraf-CUT, Dieese e entidades sindicais afiliadas.
A agenda do
mês teve muita luta contra a prática antissindical e de assédio por
parte da direção do Banco do Brasil, que estava perseguindo os
trabalhadores grevistas. Fomos para cima do banco na defesa de nossos
representados.
Ainda sobre
as práticas absurdas da direção do banco público, o BB suspendeu a posse de
concursados de forma irresponsável e após contatos da Contraf-CUT e outras
entidades sindicais, a estatal voltou atrás e chamou os cidadãos aprovados no
certame.
Novembro foi agitado. A luta contra as práticas
antissindicais no BB por atacar os grevistas nos levou ao MPT e fizemos
dia de luta também. Realizamos curso de formação da grade da Contraf-CUT,
um curso de saúde dos trabalhadores, foi o segundo módulo. Fiz dois
artigos no mês, um sobre as horas de greve, que defendo serem
distribuídas a todas as pessoas que recebem os direitos da convenção coletiva e
outro sobre a merda falada por Felipão, técnico da seleção da CBF, que falou
mal dos funcionários do BB.
Dezembro, o último mês do ano, foi de muito
trabalho e luta, pois o movimento sindical seguiu lutando contra as práticas
antissindicais da direção do Banco do Brasil, que passou a perseguir
grevistas desde o final da greve da categoria, cancelando férias, licenças e
ausências já definidas e programadas.
A Contraf-CUT
concluiu mais dois cursos de formação, o de saúde dos trabalhadores
e o 7º curso “Sindicato, Sociedade e Sistema Financeiro”, ministrado em
parceria com o Dieese.
2012 FOI
UM ANO DE CONQUISTAS
Fechamos o
ano com resultados muito positivos nas lutas dos trabalhadores do ramo
financeiro. Contraf-CUT e a CUT realizaram seus congressos, sendo Carlos
Cordeiro e Vagner Freitas eleitos, respectivamente, presidentes de nossas
entidades sindicais.
A categoria
conseguiu avançar nos direitos em mais uma campanha unificada, após uma greve
vitoriosa. E a secretaria de formação da Contraf-CUT realizou mais cursos
contribuindo para a preparação de dirigentes e assessores qualificados na
organização e representação dos trabalhadores do ramo financeiro.
William
Mendes

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