Páginas

30.1.26

História da PLR no Banco do Brasil



O foco dos sindicatos sempre foi evitar metas individuais na Participação nos Lucros e Resultados


História

Ao sistematizar centenas de textos em meu blog A Categoria Bancária, me deparei com um a respeito das negociações salariais da campanha da categoria do ano de 2012 que contém uma boa síntese da história da conquista do direito a receber Participação nos Lucros e Resultados no Banco do Brasil. Estive envolvido em boa parte dessas lutas, e sempre escrevi muito sobre a PLR do BB e da categoria.

Em resumo de um parágrafo, para apresentar o texto que reproduzo abaixo, só conquistamos a PLR no BB após a estratégia da campanha unificada entre bancos públicos e privados, na greve de 2003 no BB, que exigiu que o governo Lula cumprisse a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT da CUT) da categoria bancária, assinada com a Fenaban. Em 2012, quando fizemos a matéria abaixo, eu era o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, que assessorava o Comando Nacional nas negociações com os bancos.

Para produzir uma matéria como essa, a Comissão de Empresa e os sindicatos precisavam estudar muito a PLR e conversar muito com os trabalhadores e gestores das agências. Eu mesmo fiz dezenas de reuniões e conversas com colegas porque fazer trabalho de base era central para mim na representação política e sindical.

A luta continua sempre e os sindicatos seguem organizando os trabalhadores para manter e conquistar direitos em conjunturas e contextos sempre desafiadores como o atual neste ano de 2026.

Segue um pouco de história da categoria bancária, especialmente dos funcionários do Banco do Brasil.

William Mendes

---

Fonte: Matéria publicada na Contraf-CUT e reproduzida no blog A Categoria Bancária em 23/08/12.


Funcionários do Banco do Brasil aguardam boa proposta de PLR

As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban estão em andamento. Os bancários aguardam propostas sobre todas as reivindicações apresentadas tanto na mesa geral da Fenaban quanto nas mesas específicas dos bancos públicos, inclusive sobre a regra geral de PLR.

Assim como ocorre desde a conquista desse direito pelos funcionários do Banco do Brasil na greve histórica de 2003, haverá provavelmente alguma proposta adicional à regra geral de PLR da categoria. A negociação visa ampliar o direito.

É importante esclarecer que nenhuma proposta na mesa da Fenaban reduz a PLR. Pelo contrário, ela pode aumentá-la. Foi assim quando a porcentagem do salário aumentou de 80% para 90% do paradigma ao ano.

Pelos resultados apresentados pelos maiores bancos do sistema financeiro, a proposta precisa ser boa porque, mesmo com abusivas provisões para devedores duvidosos (PDD), eles lucraram mais de R$ 25 bilhões no primeiro semestre deste ano.

E olha que o BB lucrou R$ 5,7 bilhões e provisionou R$ 6,93 bilhões para PDD. A provisão sofreu um acréscimo de 26,58% e a variação da inadimplência do banco foi de 0,1% (comparação com primeiro semestre de 2011), segundo cálculo do Dieese.

Os resultados estão aí e foram produzidos pelos bancários que merecem receber a sua parte.

PLR no BB: importante conquista da unidade da categoria

Quando se fala em conquistas oriundas da luta unitária de uma categoria profissional sempre é bom apresentar o histórico da distribuição da Participação nos Lucros e Resultados no Banco do Brasil. O banco só passou a ter PLR a partir da greve de 2003.

Histórico na categoria

A PLR foi conquistada pela categoria bancária no ano de 1995. O acordo foi assinado entre a então Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) e a Fenaban e valia para dezenas de bancos do país.

A conquista foi fruto da luta dos bancários e o modelo garantia uma distribuição de uma porcentagem do salário do trabalhador mais um valor fixo distribuído para todos sem vínculo com metas individuais.

Uma das principais características da regra geral da PLR da categoria sempre foi garantir que ninguém seja excluído do direito à participação.

Bancos públicos federais sem PLR até 2002

Antes da campanha unificada nos anos 2000, os bancos públicos federais não assinavam a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários e, com isso, os trabalhadores desses bancos não tinham alguns direitos da categoria como a PLR.

A greve de 2003 no BB e na Caixa foi histórica, pois a reivindicação dos bancários era pelo cumprimento da CCT da categoria e pela isonomia de direitos como reajustes salariais, Vale-Alimentação, Vale-Refeição, Auxílio-Creche/Babá (todos com valores menores que a CCT da época) e PLR assinada com os sindicatos, federações e CNB/CUT.

O BB, antes dessa conquista da campanha unificada, tinha um programa de resultados (PR) entre 1998 e 2002, que discriminava milhares de bancários, pois pagava valores irrisórios para as principais funções nas agências e até 54 vezes mais para os executivos do banco. Pelas regras do Dest - departamento que controla as empresas estatais -, o banco não pode distribuir mais que 6,25% do lucro entre os bancários.

Unidade com a categoria traz PLR ao BB

Com a greve de 2003, o governo federal foi obrigado a implantar a PLR no BB assinada com os sindicatos, federações e CNB/CUT na mesa da Fenaban. A conquista fez o banco passar a distribuir mais que 6,25% do resultado para atender às regras da convenção da categoria, que prevê uma porcentagem do salário mais um valor fixo distribuído a todos.

Os bancários perceberam a conquista já no primeiro pagamento da PLR em 2003, uma vez que, ao invés de receber uns R$ 400 e milhares de bancários não ganharem nada, todos receberam valores muito maiores.

O banco gasta, em geral, entre 10% e 12% na distribuição do lucro justamente para cumprir a regra conquistada na luta, com base no modelo da Fenaban. Os bancários não aceitam que o banco apague essa referência.

Avanços a partir de 2005

A partir de 2005, os funcionários do BB conquistaram na campanha unificada daquele ano um aditivo de 4% linear, além da regra geral da categoria, e as entidades sindicais passaram a negociar um acréscimo de módulo bônus atrelado ao resultado coletivo das dependências (ATB).

É importante deixar claro que os funcionários do BB não abrem mão da referência na regra da categoria na mesa da Fenaban, pois foi da luta da campanha unificada que garantiram o direito. E o modelo da Fenaban mais a distribuição linear de 4% não têm nenhuma vinculação com metas.

O módulo bônus, que foi negociado entre 2005 e 2011, sempre teve como referência o resultado coletivo das unidades e é importante salientar que, em geral, 95% das dependências cumpriam os 400 pontos do ATB.

Antigo Sinergia não impedia adicional de módulo bônus

O programa Sinergia foi criado em outubro de 2005, com a participação dos superintendentes, gerentes regionais, gerentes de mercado, administradores e aprovado pelo Conselho Diretor em dezembro de 2005. Uma das "premissas" era estabelecer objetivos de acordo com o ORC/ATB (Acordo de Trabalho), além de estimular o atingimento de resultados de todas as dependências do banco.

Um dos problemas do programa sempre foi a falta de um acordo efetivo de trabalho que verificasse a realidade de mercado de cada dependência, ou seja, tudo sempre foi imposto sem um acordo real e efetivo.

Foram traçados objetivos no programa, porém alguns deles nunca foram mensurados adequadamente, dentre eles, o de assegurar a adoção das melhores práticas bancárias e o de utilizar racionalmente os recursos disponíveis. Os únicos objetivos que foram perseguidos pela direção do BB foram os de alinhamento estratégico da "força de vendas" e o de melhorar os resultados para o banco. Na verdade, a obsessão do BB era ser o primeiro, manter a liderança e incrementar lucro. Sempre a qualquer custo.

Foram criadas quatro etapas: inicial, bronze, prata e ouro. E o Sinergia era igual ao ATB. A pontuação era dividida em Negócios (400 pontos) e Gestão (50 pontos), além dos bônus e dos indutores com pontuação móvel (no tempo do cumprimento e na quantidade de pontos) ao sabor de interesses pouco claros da diretoria do banco.

O que deveria ser "excepcional" para ajustar, incluir ou excluir indicadores, adequando o programa em função da dinâmica do mercado, possíveis alterações do cenário econômico e/ou outras necessidades detectadas, os diretores da DIRED, DIREV, DIMPE, DIREO e DIRCO, em decisão colegiada, passaram a usar como regra diária.

O aditivo da PLR não foi prejudicado em função do Sinergia porque todos os gestores e funcionários tinham uma noção de por onde caminhar mesmo com as metas impostas e abusivas. Os bônus e os indutores serviam para maquiar o resultado final do programa.

Com a manipulação das metas do ATB ao final de cada semestre, em torno de 95% das dependências recebiam a PLR integral e o restante das dependências poderiam fazer recursos ou recebiam uma proporcionalidade.

Novo Sinergia BB destrói regra de parcela adicional

A Contraf-CUT, fundada em 2006, ocupando o lugar da extinga CNB-CUT, as entidades filiadas e os funcionários do BB foram surpreendidos em 2012 com a mudança na gestão de metas do banco, que eliminou o ATB na rede de agências com a criação do Novo Sinergia BB.

Sob o comando do presidente do BB, Aldemir Bendine, e dos superintendentes nomeados pela diretoria, o programa foi piorado e rebatizado, estabelecendo metas individuais por carteira e enterrando de vez a solidariedade nos locais de trabalho.

As novas "premissas" englobam o foco na gestão das carteiras e nos grupos negociais, cuja importância foi ampliada, considerando atribuição de 70% do peso total para a formação da nota das agências. Além disso, o sistema de avaliação semestral tem intenção de fazer premiações periódicas e individualizadas.

Nada disso foi capaz de melhorar o desempenho porque as metas continuaram abusivas. Conforme sondagem das entidades sindicais, no primeiro semestre de avaliação de 2012 verificou-se que 50% das agências nem saiu da etapa inicial e menos de 20% atingiu a etapa ouro, demonstrando a distorção do modelo, e 90% das superintendências ficaram na etapa prata.

O movimento sindical chegou a alertar o banco em negociação nos primeiros meses do ano de que os funcionários estavam revoltados com o Novo Sinergia BB, que tem como foco metas individuais e ainda dificulta a gestão do resultado da agência pelos administradores.

O programa do banco alterou o parâmetro negociado desde 2005 com as entidades sindicais para a parcela adicional de módulo bônus e os representantes dos bancários tinham informado da dificuldade de qualquer negociação de metas individuais na regra de PLR dos funcionários do BB.

Compete agora ao BB fazer uma proposta que contemple as demandas dos bancários e corrija o problema que ele mesmo criou.


Fonte: Contraf-CUT com sindicatos e federações


27.1.26

Memórias da CASSI (18) - Aniversário da Caixa de Assistência



ANIVERSÁRIO DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA

27/01/26

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil completou 82 anos de existência nesta data. A autogestão em saúde é um dos maiores patrimônios dos trabalhadores do BB. Ela foi criada em assembleia realizada em 27/01/44, como uma instituição de assistência social, sem fins lucrativos.

Pertenço à comunidade Banco do Brasil desde 1992 e ao longo de minha jornada laboral de bancário tive a responsabilidade de representar colegas da ativa e aposentados por quase duas décadas em diversos mandatos eletivos. 

Em minhas memórias existem muitos momentos relacionados com a nossa Caixa de Assistência. Muitos. Posso dizer que o modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF) salvou a minha vida, pois até uns 45 anos de idade eu não me cuidava como aprendi depois com as equipes de família. 

Tendo uma herança genética de doenças crônicas comuns ao povo brasileiro, eu já poderia fazer parte das estatísticas e ter sido mais uma vítima de infarto ou AVC, sendo um hipertenso. Graças à CASSI sou um dos milhares de crônicos monitorados e acompanhados pelas CliniCASSI.

Durante minha primeira década de associado da CASSI, eu tive uma noção muito superficial a respeito da autogestão. Como a maioria dos funcionários, entendia que a CASSI era o plano de saúde do banco, tipo o plano de saúde dos bancários do Bradesco, por exemplo. Depois fui entender que é e não é bem assim. Nós somos os donos da Caixa de Assistência, com direitos e deveres políticos e sociais.

Com poucos anos de associado da CASSI, vivenciei os debates da Reforma Estatutária de 1996. Foram debates intensos, com grupos políticos defendendo posições antagônicas. Por sorte, eu já era sindicalizado e as lideranças do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região foram importantes porque me esclareceram tudo que estava acontecendo. Convenci meus colegas e fomos favoráveis à mudança. 

Em 1999, na sequência das mudanças que vinham acontecendo na CASSI após a Reforma Estatutária e a autonomia administrativa da autogestão em saúde, fui eleito pela primeira vez para representar os colegas do Banco do Brasil. 

O Sindicato sugeriu que eu disponibilizasse meu nome para as eleições dos representantes de base para o primeiro Conselho de Usuários da CASSI em SP. Apesar das dificuldades que todos tivemos naquela primeira experiência - o regulamento do Conselho dominou a pauta -, nascia ali um importante instrumento de participação social na CASSI. 

Em 2002, fiz parte da chapa cutista eleita pelos bancários para a direção do nosso Sindicato. A partir daquele momento, passaria a compreender melhor tanto a CASSI quanto as demais questões relacionadas aos direitos da categoria e dos funcionários do BB. 

Em 2005, na campanha salarial da categoria, incluímos a CASSI nas reivindicações da pauta dos funcionários do BB, eu representava os paulistas na Comissão de Empresa (CEBB) pela Fetec CUT. Nossa autogestão enfrentava outra vez um déficit no Plano de Associados e queríamos avanços nos direitos em saúde. Com a campanha vitoriosa, acordamos com a direção do Banco abrir mesa de negociação sobre a CASSI (Cláusula 56 do ACT).

As negociações entre a confederação cutista (antes CNB/CUT e depois Contraf-CUT) e demais representações duraram dois anos e, em 2007, após 3 consultas ao Corpo Social, a CASSI realizou nova Reforma Estatutária. Como representante dos colegas e negociador, passei a conhecer bem mais a nossa Caixa de Assistência.

Após representar os bancários do Banco do Brasil por mais de uma década como dirigente sindical e negociador de questões diversas de direitos, fui convidado a participar de uma chapa nas eleições da CASSI e, entre 2014 e 2018, fiz parte da direção da Caixa de Assistência. Foi uma experiência única e que me permitiu conhecer muito mais a história exitosa de uma das maiores e mais antigas autogestões em saúde do país.

A CASSI completa 82 anos de existência e a comemoração deve ser feita por todos nós que somos acolhidos e cuidados pela instituição de assistência social fundada em 1944 e que participamos de alguma forma dessa história extraordinária de uma Caixa de Assistência criada por trabalhadores para cuidar da saúde e da vida de gerações de funcionários e familiares de nossa comunidade bicentenária do Banco do Brasil.

Parabéns, CASSI!

William Mendes

22.1.26

Memórias da CASSI (17) - Resistência criativa



RESISTÊNCIA CRIATIVA

Ao conhecer o povo cubano em duas visitas ao país, soube de uma ideia que fortalece o espírito de cada cidadão da ilha caribenha para lidar com as dificuldades materiais oriundas de um bloqueio criminoso promovido pela maior potência bélica do mundo. O povo cubano dribla as dificuldades com uma espécie de resistência criativa. 

Eles têm espírito de pertencimento a suas tradições e a sua história de lutas por liberdade, por sua cultura e pelo direito de construir seu destino.

Olhando para trás e refletindo sobre a teimosia do funcionalismo do Banco do Brasil em criar e manter uma Caixa de Assistência solidária para promover saúde, prevenir doenças e cuidar das pessoas que necessitam de atenção à saúde, concluo que há uma resistência criativa de cada geração que manteve a CASSI cuidando de centenas de milhares de pessoas em um ambiente capitalista que lucra com a doença e que não facilita a sobrevivência de um modelo preventivo e solidário de Atenção Integral à Saúde.

Quando me integrei à direção da CASSI, em 2014, eleito pelos associados, tivemos que desenvolver uma resistência criativa para manter os direitos do Corpo Social, para desfazer mal-entendidos e mentiras sobre a CASSI, tivemos que construir um sistema de dados que provasse a eficiência do modelo assistencial de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e também foi necessário criar um movimento nacional que cobrasse do patrocinador a sua responsabilidade no déficit do Plano de Associados. Teríamos que unificar o nosso lado com consensos e mobilização. Fizemos isso.

Estava em curso um processo de normalização das teses defendidas pelo patrocinador, o patrão dos funcionários do Banco do Brasil. Detalhe: pelas características do sistema, o patrocinador tinha muita capacidade de comunicação centralizada de suas ideias, tinha alcance nacional e milhares de multiplicadores.

Do nosso lado, era o inverso: duas centenas de entidades representativas dos associados, comunicação descentralizada, muita desinformação e desconhecimento sobre sistemas de saúde e autogestões. 

Se dizia que a CASSI tinha um modelo assistencial que não funcionava, que os associados - funcionários da ativa e aposentados e seus dependentes - eram "gastadores" dos recursos da CASSI, que o Banco já tinha colocado recursos demais naquela operadora de saúde e que qualquer solução naquele momento seria com ônus somente para o lado dos Trabalhadores. Era como se o patrão fosse uma vítima e o vilão fosse o funcionalismo do Banco. 

Ou seja, era necessário ter muita resistência criativa para reverter esse cenário que se apresentava em 2014.

PROVAR QUE A ESF É EFICIENTE E EFICAZ 

Desde as primeiras reuniões com as gerências e funcionários técnicos da Diretoria de Saúde, pedimos informações sobre o funcionamento do modelo de Atenção Integral à Saúde, baseado em Atenção Primária (APS) e que na CASSI era executado através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e das unidades próprias de saúde, as CliniCASSI. 

Eu pedi aos profissionais de nossa diretoria que criássemos um sistema que demostrasse que os participantes cadastrados no modelo tinham melhores condições de saúde e melhor uso dos recursos da CASSI na rede credenciada. 

Me explicaram que seria difícil alcançar esses objetivos porque era difícil planilhar despesas de saúde que não ocorreram por gestão do sistema, não realizadas por terem sido evitadas e além disso nossos bancos de dados só continham parte das informações dos mais de 600 mil participantes do sistema. Muitas informações estavam na rede credenciada. 

A ideia de criar um sistema que demonstrasse os resultados em saúde e econômico-financeiros dos participantes cadastrados na ESF era central para nossos objetivos de defesa da CASSI e dos direitos dos funcionários do BB. 

Resistência criativa foi o que fizemos e deu certo, nós desenvolvemos um sistema novo de dados que demonstrou o acerto da ESF e das CliniCASSI. Sou grato aos profissionais da CASSI e a nossas equipes gerenciais. Naquele momento da história da CASSI conseguimos unidade no Corpo Social para as negociações com o patrocinador.  

William Mendes 

18.1.26

Diário e reflexões



O FUTURO

"Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado" (1984, George Orwell)


Se não fizermos nada para libertar os seres humanos das big techs, não haverá futuro para a espécie humana, nem para os demais seres vivos do planeta. 

O mundo como nós o conhecemos foi organizado por um animal que dominou todos os outros e a natureza até aqui, e o cérebro humano foi "O verdadeiro criador de tudo" como nos explica o neurocientista Miguel Nicolelis. 

As big techs e seus donos estão destruindo o cérebro humano e o planeta Terra. Um mundo cheio de armas e dominado por estúpidos, néscios e apoiadores dessa gente tende à destruição sem resistência eficaz. 

Quando me tornei dirigente político da classe trabalhadora no início deste século entendi uma questão central na vida cotidiana, algo que tem relação com o conceito trabalhado por Orwell no romance distópico 1984: o controle.

Compreendi que quem define a pauta, define a agenda, e quem pauta a agenda cotidiana controla o presente de todos nós que vivemos na sociedade controlada pelo definidor da pauta e da agenda.

E a história e o futuro? Dependem absolutamente do presente, por isso a frase de Orwell ser tão perfeita.

Quem controla o presente no presente momento? As big techs. Essas empresas controladas por alguns humanos usam o passado para controlar nosso presente e o nosso futuro (de bilhões de humanos). 

Por que as big techs controlam o presente, o passado e o futuro da gente? Porque os algoritmos se utilizam de dados (passado) para manipular os humanos fisgados e dependentes das máquinas que poucos caras controlam. 

Eles moldam nosso comportamento através da captura de nossa atenção (se fala hoje em "economia da atenção"). Eles definem nossa pauta e nossa agenda... a captura começa até com gatinhos, dancinha, fake news etc... depois de fisgado, o peixe não se liberta.

Se não libertarmos os seres humanos das máquinas desses caras donos das big techs, adeus cérebro humano, adeus ao "O verdadeiro criador de tudo".

Não sei se é pessimismo ou determinismo minha avaliação neste momento: eu, particularmente, não vejo nenhuma ação para mudar essa situação em andamento. 

No entanto, sugiro que a espécie humana aceite a ideia ou reflita sobre essa tecnologia do momento, ela vai exterminar a vida, o futuro. É um suicídio coletivo não fazer nada contra o domínio das big techs e seus donos.

William Mendes

18/01/26


Post Scriptum: a vida é um instante... todos os dias eu namorava a árvore que ilustra o texto. Ela mudava o comportamento em cada estação do ano, folhas verdes, depois vermelhas, depois galhos secos, depois folhas novas... ao passar por ela após o feriado de Ano Novo, o vazio ocupava o espaço daquela vida... cortaram, em um segundo, não havia mais futuro para aquele ser vivo. A vida é assim, um instante.

16.1.26

Memórias da CASSI (16) - Uma história da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil



UMA HISTÓRIA DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL

Ao iniciar o livro Memórias da CASSI, uma produção textual que vai durar bastante tempo, com publicações regulares no blog, e que exigirá de mim muita disciplina e persistência, refleti sobre diversas questões, tanto de ordem pessoal quanto de ordem coletiva e pública. 

A CASSI é a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil e neste mês de janeiro de 2026 completa 82 anos de existência. Segundo seu estatuto, ela é uma instituição de assistência social, sem fins lucrativos, constituída em assembleia em 27/01/44.

Formalmente, neste momento da história, a CASSI é uma operadora de saúde registrada na ANS, na modalidade de autogestão. Se não for a mais antiga do país é, sem dúvida, uma das primeiras nessa área. É um dos maiores patrimônios dos trabalhadores do BB, assim como a nossa Caixa de Previdência, a PREVI.

A história da nossa Caixa de Assistência foi feita através do cotidiano e da história de milhares e milhares de pessoas da comunidade Banco do Brasil, tanto do segmento de funcionários da ativa quanto de colegas do banco que seguiram como associados da Caixa após seu período de vida laboral. E também através dos trabalhadores da própria CASSI, que sempre estiveram ao lado dos associados na gestão e funcionamento da instituição.

Eu tive a oportunidade e o privilégio de ser um dos gestores de nossa Caixa de Assistência, eleito pelos associados para o período de junho de 2014 a maio de 2018. Integrei a gestão juntamente com um grupo de associados eleitos comigo em uma chapa, mais os indicados pelo patrocinador Banco do Brasil, e também com associados e indicados eleitos e indicados dois anos antes e dois anos depois que cheguei, ou indicados a qualquer tempo como é permitido ao patrocinador. Tudo isso é regido pelo estatuto da CASSI. 

Para vocês terem uma ideia a respeito da democracia e alternância de poder em nossa operadora de saúde, durante um mandato na gestão, trabalhei com quatro presidentes e dois diretores financeiros, indicados pelo patrocinador BB, e com dois diretores eleitos pelos associados, um diretor e uma diretora, e diversos conselheiros deliberativos e fiscais. Esse poder político do Corpo Social é fundamental para a CASSI, que é dos associados.

Decidi escrever Uma história da CASSI porque entendo que a história deve ser contada, registrada, interpretada, sistematizada e passada adiante para as demais gerações de pessoas que pertençam a qualquer "comunidade imaginada" como ensina Benedict Anderson. A ideia de pertencimento é uma construção, uma abstração humana. Eu compreendo isso perfeitamente e por esse motivo trabalhei arduamente para criar espírito de pertencimento nos associados e participantes da CASSI ao longo do mandato. Foram 170 agendas nas bases sociais da Caixa de Assistência, aproximando os donos da operadora ao seu dia a dia.

A ideia de escrever Memórias da CASSI é um critério que defini para contar "Uma história da CASSI". É um pacto que faço com as pessoas que vão ler os textos que farei de forma cotidiana, à medida que vá lendo, relendo e relembrando o que sei sobre a CASSI, textos publicados em capítulos em meu blog da mesma forma que mantive um diálogo permanente com o leitor do blog durante os quatro anos nos quais estive na gestão da nossa Caixa de Assistência. 

Fizemos para os associados e seus representantes mais de seiscentos textos e 41 boletins Prestando Contas CASSI. Impossível alegar desinformação sobre o que fizemos pela Caixa de Assistência naqueles quatro anos.

Os textos dessas Memórias já publicados no blog estarão em constante aperfeiçoamento, por ser uma história em construção, com capítulos que vão sendo burilados na medida em que os estudos e leituras de documentos forem se realizando, e muitas informações irão surgir também ao sabor da memória do escritor, que muito estudou sobre o tema em desenvolvimento durante seu período de diretor na autogestão dos funcionários do BB.

Defini alguns critérios de referência para os textos e as memórias que vou contar sobre a CASSI, não são amarras e proibições, mas são a linha mais geral dos textos: as Memórias da CASSI são memórias, então não se tratam do presente, se tratam do passado. Pretendo escrever sobre nossa Caixa de Assistência para terminar as Memórias com os documentos produzidos por nossa gestão apresentando uma prestação de contas do que foi possível realizar na Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento ao final de nossa gestão.

Enfim, as Memórias da CASSI serão escritas respeitando as possibilidades da pessoa que está sistematizando o que sabe e o que tem de informação sobre esse grande patrimônio do funcionalismo do BB

William Mendes 

15.1.26

Memórias da CASSI (15)



MODELO ASSISTENCIAL PREVENTIVO COMO SOLUÇÃO PARA DÉFICITS

Ao estudar a história da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil é fácil identificar algumas características permanentes na existência da instituição de assistência social e sem fins lucrativos, como define seu estatuto. 

A participação política dos associados e de suas entidades representativas é uma constante na história da autogestão em saúde. Não haveria CASSI sem os sindicatos e associações dos funcionários do Banco do Brasil. 

Aliás, sem a participação dos sindicatos dos bancários não haveria sequer direitos coletivos de saúde e previdência na comunidade Banco do Brasil ou de trabalhadores de outro banco público ou privado, qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe disso. 

Narrativas antissindicais visam benefícios pessoais ou patronais, nunca visam os direitos coletivos dos trabalhadores. 

Nos anos noventa havia na comunidade BB o "Movimento Nacional de Saúde e Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil". A informação histórica está em documentos sindicais como, por exemplo, O Espelho, Edição Nacional, Janeiro/1996.

Lendo diversas matérias sindicais e associativas dos anos noventa, percebe-se que a CASSI era identificada mais claramente como uma Caixa de Assistência, uma conquista e patrimônio dos trabalhadores do BB. 

Na matéria que citei aqui, de O Espelho, Joilson Rodrigues Ferreira, Diretor Deliberativo eleito da CASSI e um dos coordenadores do Movimento Nacional de Saúde e Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, aborda as questões da Caixa em 1995 e perspectivas para 1996.

Além de falar sobre o déficit do período, Joilson destaca que a reforma estatutária em debate possibilitaria "um novo modelo de assistência que privilegie a prevenção das doenças, criando um sistema mais saudável e de menor custo, retomando o pioneirismo histórico da CASSI e dos funcionários do BB".

Ou seja, quando cheguei eleito à CASSI em 2014, havia uma história coletiva que apontava o caminho para a sustentabilidade econômico-financeira do Plano de Associados e o modelo assistencial era a base da solução: a Estratégia de Saúde da Família (ESF) havia sido definida tecnicamente pela direção da CASSI como o modelo a ser implantado para o sistema.

Após a Reforma Estatutária de 1996, a direção da CASSI estudou modelos de Atenção Primária à Saúde entre os anos de 1996 e 2001 e a Estratégia de Saúde da Família (ESF) foi o modelo definido como o mais adequado às características da Caixa de Assistência. Ele foi lançado em 2003 e já era para estar totalmente implantado. 

A execução do modelo incluía diversas características como gestão regionalizada, unidades de atendimento locais - CliniCASSI - com equipes de família multidisciplinares e programas de saúde adequados aos perfis dos participantes. 

Quando me integrei à direção da CASSI um de meus objetivos como diretor de saúde era desenvolver estudos que comprovassem a eficácia do modelo ESF não só do ponto de vista dos resultados em saúde, como também do ponto de vista do uso dos recursos da CASSI. Felizmente, com o apoio técnico dos funcionários da operadora, demonstramos a eficiência e eficácia da ESF e das CliniCASSI. 

Ao longo dessas Memórias da CASSI vou aprofundar essa história coletiva do funcionalismo do BB oriunda da mobilização pela pauta da saúde. 

William Mendes 

14.1.26

Memórias da CASSI (14)



BOLETIM PRESTANDO CONTAS CASSI

"Esse é um boletim mensal d@s diretores e conselheiros eleitos pelos associados da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil - CASSI.

A informação qualificada para as entidades do funcionalismo e @s associados sobre o dia a dia na gestão da Caixa de Assistência é fundamental para melhorar a cultura de pertencimento de todos na CASSI, melhorando a participação nos programas que visam Atenção Integral à Saúde e fazendo com que cada participante cuide da Caixa de Assistência" (Boletim Informativo 1º de julho de 2014)


Uma das inovações que criamos em 2014 na comunicação e na relação com os associados da CASSI e suas entidades representativas foi o lançamento do boletim mensal Prestando Contas CASSI, distribuído já a partir do segundo mês de nosso mandato na diretoria de saúde. A transparência era um compromisso nosso desde o início da representação política do funcionalismo do BB.

A outra ferramenta de comunicação utilizada para o conjunto de participantes da Caixa de Assistência e suas entidades representativas, os chamados "stakeholders" ou grupos de interesse, foi a publicação de textos cotidianos no blog A Categoria Bancária, página na internet do diretor de saúde William Mendes, para prestar contas, informar e mobilizar os associados, os conselhos de usuários, sindicatos e associações. 

Reproduzo a seguir uma parte do conteúdo do primeiro boletim para registro nessas Memórias da CASSI.

---

PRESTANDO CONTAS CASSI

Boletim Informativo - 1º de julho de 2014 


APROXIMAR A CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ASSOCIADOS

Os dirigentes eleitos pelos associados da CASSI criam a partir de agora mais uma alternativa de comunicação e informação sobre o dia a dia de nossa Caixa de Assistência.

A CASSI é uma entidade de autogestão em saúde e é um patrimônio dos funcionários do Banco do Brasil que completou 70 anos em 2014.

Os eleitos têm um forte compromisso com os associados em atuar com transparência e com o foco no fortalecimento da Caixa de Assistência como uma entidade de promoção de saúde que precisa ampliar o programa Estratégia Saúde da Família e as formas de Atenção Primária porque esse modelo de assistência está entre as prioridades para a sustentabilidade de qualquer sistema de saúde no mundo.

Pretendemos fortalecer a relação entre eleitos e representações do funcionalismo, tanto da ativa como os sindicatos quanto dos aposentados, e também com os Conselhos de Usuários, CIPAs e RPAs (Responsável pela Prevenção de Acidentes, âmbito unidades sem CIPA), e SESMTs e ECOAs.

---

BOLETIM GANHOU O MUNDO (DE NORTE A SUL E DE LESTE A OESTE AS PESSOAS LIAM O "PRESTANDO CONTAS CASSI")

Comunicação é um tema muito importante na sociedade humana. A questão não é diferente quando se trata de formar e informar corretamente uma comunidade de usuários de um sistema de saúde privado, que abrange todos os Estados do país, como é o caso da população assistida pela CASSI dos funcionários do Banco do Brasil.

Como escrevi em outros capítulos dessas Memórias da CASSI, era um compromisso nosso como representantes do Corpo Social eleitos com amplo apoio das entidades sindicais e representativas dos associados apresentar a Caixa de Assistência a todos os grupos de interesse desfazendo mal-entendidos, desinformações e colocando os interessados no mesmo nível de conhecimento sobre a autogestão, se não a totalidade dos beneficiários da CASSI, a maioria das pessoas beneficiadas pela nossa instituição de assistência social sem fins lucrativos.

Foi muito gratificante chegar a Estados brasileiros diversos, nas dependências do Banco do Brasil, e ver nossos boletins afixados nos murais com informes aos funcionários, ou então ouvir de um associado lá no Acre, Amapá e outras localidades distantes de Brasília, sede da CASSI e do BB, que ele havia lido o nosso boletim e estava informado sobre aquela questão que abordamos.

Enfim, avalio que fizemos algo novo, se considerarmos que esse contato presencial e também virtual e com informativos o tempo todo foi feito uma década atrás, entre os anos de 2014 e 2018, sempre no intuito de envolver associados e entidades representativas no fortalecimento do modelo de saúde da CASSI - a Estratégia de Saúde da Família (ESF) - e incentivando o pertencimento à nossa Caixa de Assistência.

William Mendes

13.1.26

Memórias da CASSI (13)



QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA DE USO DOS RECURSOS DA CASSI?

Ao estudar a história da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, sendo um dos membros da direção da instituição de assistência social e sem fins lucrativos (CASSI) entre 2014 e 2018, foi possível perceber eventos recorrentes na autogestão em saúde como, por exemplo, desequilíbrios entre receitas e despesas, os déficits.

"Levar saúde ao usuário, melhorando sua qualidade de vida, sempre foi o objetivo da CASSI. Durante 53 anos, a Caixa fez reformas nos Estatutos, sofreu transformações e ajustes para garantir sua missão." (CASSI através do tempo, Prefácio da cartilha do Estatuto da CASSI, p. 2, 1996/7)

Desde sua origem em 1944 e até 1995 a CASSI foi se adaptando a determinadas mudanças que vieram ou por demandas de seus grupos de interesse ou por mudanças externas na lei, na política ou no contexto vigente à época.

Relembro nessas Memórias da CASSI que, na minha opinião, falar ou pensar a Caixa de Assistência é falar ou pensar o Plano de Associados, qualquer busca de soluções para problemas da CASSI passa por fortalecer o Plano de Associados, origem e razão de ser da CASSI. 

A cartilha de 1997 informa na p. 4 que a CASSI passou por 8 reformas estatutárias desde sua assembleia de constituição em 27/01/1944. A oitava reforma, após consulta ao Corpo Social em abril/maio de 1996, mudou bastante as características da Caixa de Assistência, que ganhou autonomia e saiu do RH do Banco. 

"Nesse mesmo período, a Caixa dá início ao processo de implantação do novo modelo de atenção integral à saúde. Essa nova forma de administrar saúde pretende dar destaque às ações da rede básica. Pela estratégia da CASSI, o usuário é atendido preferencialmente por profissionais generalistas (clínicos gerais, pediatras, ginecologistas/obstetras e cirurgiões gerais), que indicarão um especialista, quando necessário." (p. 3, ibidem)

Algumas mudanças ocorridas na oitava reforma estatutária deveriam trazer maior sustentabilidade ao Plano de Associados (CASSI), pois a autogestão caminharia para deixar de ser uma mera pagadora de serviços de saúde comprados no mercado e passaria a fazer a gestão da saúde de seus associados e dependentes. 

As mudanças ocorridas na CASSI nos anos noventa foram importantes na história de nossa autogestão. Elas aconteceram de forma democrática, com debates intensos com movimentos de saúde, sindical e associativo. Essa história de participação social é patrimônio da CASSI. 

ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA (ESF)

Ao chegar eleito à direção em 2014 e estudar a CASSI para compreendê-la e definir as melhores estratégias de defesa e fortalecimento do modelo assistencial e de custeio solidário que as gerações anteriores estabeleceram na Caixa de Assistência, exerci muito a atividade de "escutatória", ouvir e perguntar muito aos profissionais da própria operadora, ouvir os conselhos de usuários, e também os demais grupos de interesse. 

Internamente, me explicaram a origem do modelo de saúde definido para a CASSI, a Estratégia de Saúde da Família (ESF), lançado em 2003. Antes, a ESF foi aprovada pela direção em 2001. Antes ainda, a definição do modelo ESF foi o escolhido após anos de estudos e pilotos entre 1996 e 2001 para se definir qual o melhor modelo de Atenção Primária à Saúde (APS). A ESF foi a escolha por diversas características da CASSI e seu público-alvo beneficiário.

O modelo preventivo, operado através de unidades próprias de atendimento, as CliniCASSI, integrado com equipes de família definidas tecnicamente e programas de saúde adequados a cada participante seria a nova estratégia de uso dos recursos da CASSI na rede credenciada, um modelo mais racional e benéfico para os participantes e para a sustentabilidade do plano. 

MODELO ESF, LANÇADO EM 2003, JÁ DEVERIA ESTAR PLENAMENTE INSTALADO

Enfim, ao me inteirar a respeito das escolhas feitas pelas direções da CASSI, direções compartilhadas entre Corpo Social e patrocinador BB, comecei a entender por que os recursos do Plano de Associados eram insuficientes para atender ao conjunto de seus participantes: porque a implantação e cobertura do modelo ESF não chegava em 2014 a 30% do público-alvo definido em 2003: os participantes do Plano de Associados e os crônicos do CASSI Família.

À medida que as pesquisas se aprofundaram, também ficou clara a responsabilidade do Banco do Brasil a partir da reforma estatutária de 1996/7 nos déficits do Plano de Associados porque o Banco havia alterado substancialmente a perna de receitas da CASSI - base do custeio -, congelando salários, recolhendo menos do que previa o estatuto para os funcionários pós-1998 e outras questões. 

São memórias diversas da história da autogestão dos funcionários do Banco do Brasil. 

William Mendes 

12.1.26

Memórias da CASSI (12)



A CASSI É O PLANO DE ASSOCIADOS

Desde que me integrei à direção da CASSI em junho de 2014 e passei a me inteirar sobre a realidade econômica e financeira da nossa "operadora de saúde", passei a compreender melhor suas dificuldades para ser vista como aquilo que foi pensado por seus criadores: uma Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. 

Tive a clara percepção de que, de certa forma, os "stakeholders" não viam a CASSI como autogestão em saúde, como instituição de assistência social sem fins lucrativos. A CASSI era anunciada como mais uma operadora de mercado. 

Seus participantes eram tratados como clientes, a operadora como um plano de saúde de mercado que tinha foco em vender mais planos, e o patrocinador olhava a CASSI como se ela fosse um departamento do Banco: só os números e resultados econômicos é que interessavam, ficando em segundo plano os resultados em saúde.

Percebi essa visão de operadora de mercado de diversas formas na CASSI. Um exemplo claro dessa visão era o desejo de se criar um monte de planos de mercado para vender para um suposto público-alvo de quase um milhão de pessoas, familiares de associados até determinado grau como define as normas da legislação aplicável para nós (segundo a ANS). 

Falo isso sem juízo de valor, não acho que seja algo deliberado por algum grupo de interesse. É uma espécie de cacoete. Um pouco dessa visão de mercado vem da própria direção do Banco do Brasil que, às vezes, define objetivos estratégicos para o banco público como se ele fosse privado e só tivesse o lucro como meta.

QUAL O MOTIVO DOS DÉFICITS DO PLANO DE ASSOCIADOS?

Tendo me tornado gestor da CASSI em 2014 e sendo um representante do Corpo Social - dos associados -, teria que estudar com profundidade o modelo de custeio do Plano de Associados, o uso dos recursos da operadora, e o modelo assistencial da Caixa de Assistência, de responsabilidade da diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, à qual era diretor indicado pelos associados.

Estudar a CASSI era a coisa básica a se fazer. Fiz isso.

DÉFICITS RECORRENTES

Segundo dados do Relatório Anual 2013, o Plano de Associados vinha apresentando resultados operacionais negativos ano após ano. Quando as contas fechavam era por causa de alguma receita nova e ou extraordinária. 

Qualquer associado ou interessado pode ler os relatórios anuais da CASSI, eles são públicos. Vejamos os dados do Plano de Associados, resultados líquidos sem o BET e sem coparticipações retroativas em 2012 (p. 31):

2011 = (45,9 milhões)

2012 = (265,8 milhões)

2013 = (156 milhões)

Descobrir as causas dos resultados negativos constantes era um dos objetivos de meus estudos sobre a CASSI para pensar soluções e compartilhar o conhecimento com os associados e suas entidades representativas. 

William Mendes 


11.1.26

Memórias da CASSI (11)



DESPESAS ADMINISTRATIVAS DA CASSI

Nos estudos que realizei sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil no primeiro semestre de gestão avaliei o histórico de grandes eixos temáticos da operadora de saúde. 

Para defender e fortalecer a CASSI era necessário conhecer seus dados econômicos, financeiros, gerenciais e as informações a respeito de seu modelo assistencial e de custeio. Bem como o setor onde a operadora atuava.

É inevitável que os "stakeholders" - os grupos de interesse e usuários do sistema de saúde CASSI - façam comparações entre a nossa autogestão, operadora de saúde que não visa lucro, e as demais operadoras de saúde do mercado capitalista. 

Isso gera grandes confusões e distorções que prejudicam a compreensão e análise correta do que é a CASSI, como ela opera e o setor no qual ela compra serviços e materiais de saúde. 

A conta de despesas administrativas é um dos exemplos de leituras inadequadas que se faziam a respeito de nossa Caixa de Assistência uma década atrás, quando iniciei meu périplo de reuniões com associados e seus representantes a partir de 2014.

As despesas administrativas da operadora de saúde CASSI são baixas, seu grau de eficiência é alto, seu custo-benefício é muito bom e assim que entendi isso, passei a explicar para os formadores de opinião dos grupos de interesse da CASSI. 

No Relatório Anual da CASSI 2013, página 22, se tem a informação a respeito desse item contábil e gerencial da operadora. Em 2013, a despesa administrativa consolidada foi de 270 milhões. O índice de eficiência foi 9,4% (Desp. Adm./Contraprestações). 

Observação: mesmo se desconsiderarmos as receitas extraordinárias do BET, os índices de eficiência da CASSI seriam 10,2% (2011), 10,1% (2012) e 9,8% (2013), conforme explicado na p. 29. São bem melhores que os dos segmentos correlatos na saúde suplementar. 

Por ser um item de muito diz-que-me-diz, de muito falatório equivocado, incluí o tema logo nas primeiras palestras que passei a fazer em conferências de saúde, conselhos de usuários e para entidades representativas, comparando os dados da CASSI no segmento de saúde suplementar, em relação a outras autogestões, medicinas de grupo e seguradoras, explicando o quanto a CASSI era melhor que as outras operadoras e fazia mais com menos.

Não pretendo nessas Memórias da CASSI falar da atualidade da Caixa de Assistência, mas esses fatores contábeis, proporção e índice de eficiência operacional, seguem até hoje muito bons se comparados aos demais segmentos da saúde suplementar. 

William Mendes