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24.11.20

Previdência privada - Artigo alerta sobre riscos


Apresentação do artigo

José Ricardo Sasseron, companheiro de lutas por direitos dos trabalhadores e um dos maiores especialistas da classe trabalhadora no tema de previdência pública e privada nos alerta sobre os riscos ao se optar por contratar uma previdência complementar nos bancos. O artigo foi publicado no portal da Rede Brasil Atual no dia 23/11/20.

William

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José Ricardo Sasseron.

Previdência privada vendida pelos bancos tem muito pouco de previdência


Uma minoria se aposenta com a previdência privada vendida pelos bancos, porque a maioria a usa mais como aplicação e para reduzir o imposto na declaração


São Paulo – Estudo comparativo divulgado recentemente pelo Ministério da Economia mostra que os fundos fechados (EFPC), patrocinados pelas empresas para seus funcionários, pagaram R$ 56 bilhões em benefícios de aposentadoria e pensão para 858 mil participantes em 2019. Já os fundos abertos de previdência privada, vendidos pelos bancos e seguradoras a seus clientes, pagaram no mesmo ano R$ 3 bilhões a somente 64 mil pessoas que conseguiram se aposentar pela previdência privada. Os fundos fechados tinham 3,2 milhões de participantes e os abertos, 13 milhões.

Essa discrepância de valores, número de aposentados e de participantes entre os dois segmentos é ainda mais grave quando comparamos o patrimônio acumulado no final de 2019: R$ 958 bilhões pelos quase 300 fundos fechados contra R$ 1,04 trilhão pela previdência privada aberta, 90% concentrada nos cinco bancos gigantes que dominam o sistema financeiro nacional.

Estes dados mostram que a previdência vendida pelos bancos tem muito pouco de previdência. Uma ínfima minoria se aposenta neste sistema. Grande parte dos clientes usam as contribuições à previdência privada como mecanismo para reduzir o Imposto de Renda devido em sua declaração anual, já que podem deduzir as contribuições previdenciárias da margem tributável, até o limite de 12% dos rendimentos anuais.

Na previdência privada, é muito comum as pessoas contribuírem durante o ano para resgatar pouco tempo depois. Os dados do Ministério da Economia confirmam este procedimento. Em 2019 a previdência privada dos bancos captou R$ 129 bilhões. No mesmo ano, os clientes resgataram R$ 71 bilhões, mostrando que boa parte desta montanha de dinheiro mal chega a esquentar o cofre dos poupadores.

Previdência privada ou aplicação de curto prazo?

Enquanto isso, nos fundos fechados, os participantes resgataram somente R$ 4,3 bilhões no ano. Ou seja, nos fundos fechados de fato se guarda dinheiro para a aposentadoria, enquanto nos bancos os fundos de previdência são quase uma simples aplicação financeira de curto prazo.

Para deixar seu rico dinheirinho na previdência privada, os clientes pagam altas taxas de administração, muitas vezes maiores do que as cobradas pelos fundos de renda fixa, aumentando o escandaloso lucro dos bancos. Mas este é tema de outro artigo.

Se você, que me leu até aqui, pensa em fazer um plano de previdência privada em qualquer banco, reflita melhor. É preferível, antes, contribuir para a previdência pública, o INSS garantido pelo Estado, regulado pela Constituição Federal e pela legislação, e você pode estar certo de que sua aposentadoria será paga em qualquer circunstância. Já a previdência privada sempre corre riscos. Se o banco quebrar, adeus poupança, mas o lucro do banco já foi embolsado anteriormente, sem piedade.


*José Ricardo Sasseron foi presidente da Associação Nacional de Participantes de Fundos de Pensão e de Beneficiários de Planos de Saúde de Autogestão (Anapar), diretor de Seguridade da Previ e diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Fonte: Rede Brasil Atual

5.9.20

Breve história dos bancários (2003-2008)


Eu no Congresso da Contraf-CUT em 2006.

Olá, amig@s e leitores,

Apresento abaixo um pequeno livro que confeccionei no primeiro semestre de 2009, mais precisamente em março de 2009. Estávamos no período final do segundo mandato do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores.

Ao reler o texto agora, no ano de 2020, achei por bem mantê-lo como está. Ele reflete um tempo, tanto do país como daquele que o escreveu. Na época, a minha intenção era fazer um livro que abrangesse a luta dos bancários, principalmente do Banco do Brasil, após os anos dois mil, com o fim dos governos tucanos e entrada dos governos petistas.

Eu já havia lido dois livros que abrangiam a história das lutas bancárias, ambos citados na introdução. Um abrangia o período de 1923 a 1993, e o outro o período de 1992 a 2002. Minha intenção na época era contar um pouco de 2002 adiante. No fim, acabei por escrever uma pequena história e um breve olhar das campanhas salariais entre 2003 e 2008.

Como deixei o texto como estava em 2009, pode ser que alguns leitores achem que alguns apontamentos são indelicados como, por exemplo, quando falo da direção do banco. Eu era assim mesmo. Como representante eleito dos trabalhadores, eu tinha posições muito firmes em relação ao patronato e seus negociadores, independente da origem de alguns deles ser no movimento sindical. Cada um desempenha o seu papel social.

No capítulo 1 falo do cenário em 2009 no Banco do Brasil e digo que havia muito assédio moral na relação interna da empresa. O sistema de cobrança de metas no mundo empresarial é uma máquina de moer gente e os bancos públicos não escaparam dessa lógica nem mesmo nos governos do Partido dos Trabalhadores.

No capítulo 2 falo sobre o passado recente, o período dos governos tucanos e os prejuízos que os trabalhadores de bancos públicos tiveram em suas vidas laborais. Expresso a minha opinião também em relação a temas polêmicos de congressos dos funcionários do BB. Em 2009 eu já exercia um papel de liderança nacional na corrente política a qual militava, a Articulação Sindical.

No capítulo 3 relembro as campanhas salariais de 2003 e 2004, marcos da campanha nacional unificada da categoria bancária. Tivemos avanços importantes nessas duas campanhas e acertos e erros da antiga Executiva Nacional, que depois viria a ser o Comando Nacional; tivemos greves no BB e Caixa em 2003 pelo cumprimento da CCT e longa greve de 30 dias com julgamento no TST ao final (dissídio coletivo); conquistas de direitos nos bancos públicos e as duas campanhas foram balizadoras de quase duas décadas de campanhas bancárias combativas e vitoriosas.

No quarto e último capítulo, faço um breve resumo das campanhas salariais de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. As campanhas unificadas trouxeram aumento real de 11,5% no piso, 7,3% nos salários até R$2.500 e 5,5% para todas as faixas salariais. No BB a campanha unificada foi muito importante porque os comissionados nunca tinham reajuste para os Valores de Referência das funções (VR). Conquistamos a PLR com regras gerais e sem discriminação, direito que só veio após a greve de 2003 no BB e Caixa. Nos privados e estaduais que seguiam a CCT, os bancários a recebiam desde 1995.

Se formos olhar o cenário de 2020, com o país destruído após o golpe de Estado em 2016, o cenário da primeira década deste século foi muito promissor. Felizmente, os bancários acabaram de renovar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT/2020-2022) e os aditivos por bancos e conseguiram manter praticamente a base de direitos que tinham em 2018. O acordo vai vigorar por mais dois anos.

Abraços a tod@s.


William Mendes
(05/9/2020)

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Breve história dos bancários (2003-2008)

Introdução

POIS É, assisti nesta quinta-feira, 12 de março de 2009, a uma comemoração que me emocionou muito.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região fez um evento para homenagear os bancários que participaram de um dos períodos mais gloriosos da história dessa categoria: a vitória da chapa de oposição na eleição do Sindicato em 1979.

O mais marcante, na minha visão, foi relembrar a luta de trabalhadores comuns, pessoas comuns, que enfrentaram na década de setenta a violência da ditadura militar.

É demais! Esses milhares de bancários que antecederam a minha geração deram sangue, suor e lágrimas para melhorar as condições de vida dos bancários, dos brasileiros, e ajudaram a derrubar um regime de exceção iniciado com um golpe militar em 1964.

Regime que calou a democracia e escolheu alguns parceiros civis para enriquecerem e darem cobertura para a ditadura em vigor. Os banqueiros foram alguns dos escolhidos e apadrinhados pelos militares golpistas.

Pertenço a uma categoria que já fez tanto pelo Brasil e pelos trabalhadores em geral que decidi ser mais um na multidão a contar um pouco do período mais recente desta história. Nada nada, eu já percorri quase duas décadas como mais um dos milhares de bancários do país. Sou fragmento. Sou legião.

Se, por vezes, me senti mal por trabalhar em algo tido como inútil para a sociedade, por não produzir nada além de exploração e expropriação dos clientes e usuários, haja vista que banqueiro aqui, e por aí também, quase nunca faz o que os bancos deveriam fazer para o bem de uma economia nacional, por outras vezes, descubro que nós, bancários, já temos uma história de quase um século de organização e luta que trouxe direitos para toda a classe trabalhadora e sempre fomos referência e vanguarda em buscar alternativas para enfrentar o capital e os capitalistas.

São muitos momentos neste século de luta bancária. Muitos momentos esquecidos ou não ditos e não evidenciados por uma história da sociedade brasileira que é geralmente escrita por seus donos do poder. Sempre pelo viés conservador. Muitas vezes pintando e inventando heróis que não existiram ou que não o foram nunca.

Dois materiais importantes registram um pouco desta história dos bancários no Brasil. O livro A História dos Bancários, lutas e conquistas 1923-1993, que conta os 70 anos de lutas dos bancários, produzido pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e região, e realizado sob a direção de Sérgio Rosa e a coordenação de Dainis Karepovs.

O outro livro é Dez anos de lutas, conquistas e sonhos, produzido pela CNB/CUT - Confederação Nacional dos Bancários da CUT, em agosto de 2002, e que traça a história dos bancários desde a criação da Confederação e a assinatura da primeira CCT - Convenção Coletiva dos Bancários -, primeira e única do País, até o ano que encerraria, meses depois do lançamento do livro, o governo neoliberal dos demo/tucanos (FHC) que quebrou o país entre 1995/2002.

De lá para cá, muitas mudanças ocorreram. Muita história passou e continua a ser escrita a cada dia. Vivo dizendo ao movimento sindical bancário que falta um registro mais efetivo deste último período tão rico de nossa categoria.

Só para citar algumas coisas, lembro aqui da retomada do movimento de massas a partir de 2004 com a mais longa greve geral dos bancários na história do país. Antes, em 2003, os bancários do BB e Caixa Econômica Federal entraram em greves fortíssimas exigindo o cumprimento da Convenção Coletiva dos Bancários, nossa querida CCT, única no país.

Depois, seguimos fazendo novos feitos históricos e trazendo conquistas na base da organização, mobilização e greve: voltamos a ter reajustes salariais ao invés de abonos; passamos a ter aumento real desde a greve de 2004; fizemos os bancos públicos federais passarem a cumprir a Convenção da categoria; aumentamos os direitos da categoria como a 13ª cesta-alimentação, conseguimos o reconhecimento formal da Contraf-CUT - nossa Confederação que substituiu a CNB/CUT a partir de 2006 - e o reconhecimento das centrais sindicais, dentre outros feitos.

Não tenho aqui a pretensão de substituir registros que acho que devem ser feitos de maneira mais formal pela Contraf-CUT, revelando em detalhes esta história honrosa dos bancários.

Mas carrego uma vontade de contar um pouco do que vivi, presenciei e ajudei a construir nos últimos anos como cidadão trabalhador e como dirigente sindical eleito desde 2002 pelos meus colegas bancários.

A história da humanidade não é feita por heróis, é feita por pessoas comuns. Eu acredito nisso.

Contarei fragmentos dessa história de forma não-cronológica. Ela virá ao sabor de minhas recordações, virá em digressões a todo instante. Não será em estilo ab ovo, nem in medias res, até porque esta história não tem um começo certo e muito menos um fim determinado, para eu dizer que começo pelo início ou do meio para o fim.

Lembrem-se, estamos construindo a história dos bancários hoje, a cada novo dia.


William Mendes

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Capítulo 1

Cenário atual

Como estamos hoje, março de 2009, em termos de categoria bancária?

Conseguimos avanços importantes para temas antigos e também estamos sofrendo novos ataques do patronato banqueiro nesta década dos anos 2000.

Um sonho antigo dos bancários se realizou: a campanha unificada da categoria e um só acordo geral com todos os direitos valendo para todos os bancos e para todas as regiões do país.

Com a importante greve geral de 2004 conseguimos inverter uma tendência de redução de direitos que vinha da década de 90 e passamos a lutar juntos, bancos públicos e privados, em busca de que todos fossem signatários da Convenção Coletiva de Trabalho - CCT, assinada entre a Contraf-CUT - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e a Fenaban - Federação Nacional dos Bancos.

Desde a Campanha Nacional dos Bancários de 2005, os bancos públicos federais passaram a ser signatários da Convenção Coletiva da categoria - o BB já em 2005 e a Caixa em 2006 - e passaram a assinar acordos aditivos com a cesta de direitos específicos que seus bancários já haviam conquistado ao longo de suas histórias.

Antes esses bancos tinham Acordos Coletivos de Trabalho - ACT, e isso quando conseguiam fechar as negociações entre as partes, pois muitas vezes o governo não negociava e as campanhas salariais acabavam na Justiça do Trabalho, sendo resolvidas através de dissídios coletivos, muitas vezes prejudiciais aos trabalhadores. Os bancários cujas bases sindicais eram de sindicatos filiados à CUT faziam belas campanhas salariais e, no fim, terceiros resolviam a data-base a favor do governo, que contava com uma ajudinha da Contec, a confederação "oficial" à época.

O Banco do Brasil após a eleição de Lula (PT) em 2002

O Banco do Brasil é hoje, entre os bancos públicos federais, aquele que apresenta menos avanços em termos trabalhistas, na minha opinião.

Se, por um lado, conseguimos quase zerar as questões inerentes ao grave problema da isonomia de tratamento e de direitos entre os funcionários admitidos antes e depois de 1998, e se também podemos dizer que houve avanços nas nossas questões de previdência complementar - Previ, por outro lado, temos um quadro extremamente negativo no que diz respeito ao ambiente interno de trabalho com assédio moral e péssimas condições de trabalho, além de ser o único banco público federal onde a diretoria indicada pelo governo Lula não avançou um milímetro em relação ao Plano de Carreira na empresa, o que normalmente chamamos de PCCS - Plano de Carreira, Cargos e Salários.

Entramos o ano de 2009 reivindicando que o BB abra negociações sobre um novo Plano de Carreira e os burocratas da diretoria dizem não haver a menor intenção de se discutir o tema. Boa parte destes burocratas, aliás, vindo do movimento sindical da década anterior e que hoje fazem um papel deplorável enquanto patrões e negociadores da área de recursos humanos.

"Suas ideias não correspondem aos fatos" como diria o poeta Cazuza.

Além de termos que buscar a organização e mobilização das bases bancárias para forçar a abertura de negociações sobre o Plano de Carreira no BB, teremos que focar de maneira muito intensa a mudança das relações internas de trabalho porque o banco hoje detém um quadro funcional adoecido e desmotivado, onde o comum é o assédio moral para o cumprimento de metas irreais de vendas de produtos que nem deveriam ser o foco da empresa, haja vista o momento de crise econômico-financeira internacional em que nos encontramos neste ano de 2009.

Mais que nunca, a crise gerada pelos países desenvolvidos com suas receitas neoliberais e de desregulamentação total dos mercados exige forte atuação dos bancos públicos como apoiadores da atividade econômica através de empréstimos a taxas menores, apoio para novos empreendedores, apoio para a agricultura, crédito para a exportação, além de atuação como balizadores do mercado financeiro em menores spreads, tarifas e juros.

Felizmente, e graças a organização coletiva, em boa parte capitaneada pela CUT - Central Única dos Trabalhadores - e seus sindicatos, o Brasil é um dos poucos países que teve a resistência vitoriosa dos sindicatos e dos bancários de bancos públicos em não permitir que o regime neoliberal dos demo/tucanos FHC e Serra tivesse doado o que sobrou do patrimônio da nação, pois após vaporizarem o sistema de telecomunicação, as mineradoras, os bancos regionais e estaduais e centenas de outras empresas públicas, não tiveram tempo de doar até 2002, a Petrobras (apesar de doarem cerca de 40% das ações para alguns americanos), os bancos públicos federais e o BNDES.

Se é previsível embates duros com a diretoria burocrática e retrógrada do Banco do Brasil, também é belíssima a história recente de luta dos funcionários do banco, unidos aos demais bancários do país que, juntos há mais de 5 anos, reverteram boa parte das mazelas oriundas do governo trágico dos partidos PSDB/DEM/PPS entre 1995-2002.

Irei contanto aos poucos essas campanhas, essas lutas e suas conquistas e as versões que se fizeram e fazem delas por aí.

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Capítulo 2

Panorama histórico antes dos governos do PT

Uma das questões que muitas vezes não nos atentamos é com relação ao perfil atual (ano de 2009) da categoria bancária de um modo geral e também dos bancários do Banco do Brasil.

Pelos últimos dados que temos, mais de 50% dos bancários têm menos de 5 anos de banco. Antigamente esse percentual era mais expressivo nos bancos privados, devido a alta rotatividade motivada por processos de demissão. Nos bancos públicos, a substituição do quadro funcional se dava mais por processos de aposentadoria. Isso começou a mudar na década de 90 com o forte ataque aos bancos públicos promovido pelo processo neoliberal brasileiro do período Collor - FHC.

Este perfil dos bancários significa dizer que muitos deles nem sequer têm ideia do que foi ser bancário durante o período de maior ataque aos nossos direitos na história recente do País, ou seja, o que sofremos enquanto categoria entre 1995-2002, período dos 2 mandatos da coligação neoliberal PSDB/DEM/PPS, na gestão FHC. E não esqueçamos o papel "sem ideologia" do tal PMDB, o maior partido brasileiro e que está sempre com qualquer governo de plantão.

Para fazermos um breve panorama histórico, principalmente no Banco do Brasil, apresentamos alguns fatos que marcaram profundamente a vida laboral dos bancários nesse período:

1- Isolamento trouxe congelamento salarial e retirada de direitos

Forte ataque dos banqueiros e do governo federal em relação às políticas de reajustes salariais. O Plano Real havia sido implantado desde 1994 e para a classe dominante - governo demo-tucano e capitalistas - o culpado pela inflação no país era o salário do trabalhador brasileiro. Com isso, os bancários de bancos privados e estaduais, signatários da Convenção Coletiva de Trabalho - CCT, conseguiram no período fechar campanhas com reajustes de índices abaixo da inflação mais um abono salarial, além de conseguirem fechar um acordo de Participação nos Lucros e Resultados - PLR - desde 1995. A remuneração variável era uma pauta capitalista da época.

Os bancos públicos federais, naquela época, faziam suas campanhas sozinhos e quando conseguiam fechar acordos salariais com o governo federal, assinavam Acordos Coletivos de Trabalho - ACT.


Essas batalhas travadas sozinhas contra o governo de plantão, trouxeram derrotas importantes para os bancários do BB. Como não conseguimos correlação de forças suficiente e ainda ficamos expostos aos ataques plantados na grande mídia contra o funcionalismo público, sofremos dois ajuizamentos de dissídios coletivos, um relativo a 1996 e outro em 1999, onde nos impuseram reajuste zero com pagamento de abono salarial a partir de 1996.

Além disso, nas renovações dos ACT, o Banco do Brasil passou a retirar vários direitos como a alteração unilateral do Plano de Cargos e Salários - PCS de 12 níveis, do E1 ao E12 -, que tínhamos em 1995 e que nos garantia reajustes de 12% de interstícios a cada 3 anos e em cada um dos níveis de antiguidade, sendo os últimos 3 níveis de 16%.

TESES ANTAGÔNICAS NO CONGRESSO DO BB: A ARTBAN ESTAVA CERTA

Um embate ideológico foi travado no seio do movimento sindical, no congresso dos funcionários do BB em 1996.

A Articulação Sindical defendia fazer acordo com o BB, mesmo que fosse sem reajuste e com abono, pois o banco aceitaria não mexer nos direitos do PCS. As outras correntes se uniram no congresso e derrotaram a tese da ArtBan e fomos para a campanha sem aceitar acordo com o banco.

As outras correntes defendiam a tese, que se mostrou errada, de que o PCS era direito adquirido e no final vimos o dissídio do TST, ajuizado pelo BB e pela Contec, não entrar no mérito e julgar abono com reajuste zero. O julgamento dizia que não era possível dar reajuste aos funcionários porque o PCS gerava um crescimento vegetativo prejudicial ao banco. O BB aproveitou e mudou o PCS. A Artban estava correta em sua tese.

Em 1999, o Banco nos retirou o anuênio simplesmente deixando de aplicá-lo para os trabalhadores. A pressão pelo fim do anuênio era dos banqueiros em geral. Tanto que houve um plebiscito na categoria, sobre vender e receber indenização pelo direito ou não. Infelizmente a categoria aceitou trocar o anuênio por um valor indenizado. No BB, não teve discussão alguma, foi retirado.

2- "Saneamento" e enxugamento do BB para a privatização

A reestruturação dos bancos públicos federais e estaduais que passou a ocorrer tinha objetivo claro de "sanear as empresas" para privatizá-las. Sanear significa enxugamento do quadro e demissões em massa, além do congelamento salarial e retirada de direitos.

Durante aquele período, os tucanos conseguiram exterminar a grande maioria dos bancos estaduais e regionais, e já focavam a privatização dos públicos federais.

No Banco do Brasil, o processo de enxugamento através do plano de demissão "voluntária" - PDV - um eufemismo para terrorismo e chantagem aos bancários que não eram os queridinhos das chefias, extinguiu cerca de 50 mil postos de trabalho, deixando um saldo de 3 dezenas de suicídios de colegas.

3- A PLR da categoria não veio e BB criou um programa discriminatório

Enquanto os bancários signatários da Convenção Coletiva da Categoria - CCT - assinada com a Fenaban já recebiam PLR desde 1995, com regramento claro e definido para todos e sem discriminação, os bancários dos bancos públicos federais não tinham direito a ela.

Em 1998, a direção do BB resolveu criar um plano "provisório" de pagamento de participação nos resultados, uma espécie de PR - Programa de Resultados -, esdrúxulo e sem negociação com os bancários da CUT, organizados na CNB - Confederação Nacional dos Bancários, que desde sua criação em 1992, representou cerca de 90% dos bancários do País.

O plano era completamente arbitrário e distribuía o quanto queria e para quem queria. Foram 9 semestres de pagamentos "provisórios" de resultado - entre 1998 e 2002.

Em geral, ficavam sem receber nada cerca de 7 mil bancários a cada semestre. Eram os motivos mais variados como, por exemplo, faltar um dia no semestre, a agência ter sofrido um assalto e bobagens do gênero.

Dentre os que tinham a sorte de receber, os valores variavam 100 vezes, ou seja, aos trabalhadores da base da pirâmide como escriturários e caixas executivos, valores de R$200. Para os executivos do Banco, valores de R$20.000.

Foi só com a greve de 2003 que os bancários do BB conseguiram a primeira PLR nos parâmetros da categoria, pois a greve exigiu o cumprimento dos direitos da categoria bancária, contratados entre a CNB/CUT e a Fenaban.

4- BB muda remuneração e privilegia os escolhidos

Outra grande mudança ocorrida nesse período do final dos anos 90 refere-se à remuneração dos bancários do BB. Até meados da década, a parte mais importante da renda do funcionário se baseava em salário fixo e direto, ou seja, ele recebia um vencimento padrão - VP, que estava inserido no plano de cargos e salários, mais anuênio, mais a comissão de caixa ou adicional de função.

No final da década, o banco criou uma referência para os cargos comissionados chamada de VR - Valor de Referência (seria algo como o valor pago pelo mercado bancário para cada cargo e função).

Durante o governo dos tucanos, os comissionados das chamadas gerências médias sofreram tanto quanto os bancários não-comissionados, pois além de não terem reajuste algum no VR - entre 2000 e 2002 houve um pequeno reajuste somente no VP -o banco extinguiu a jornada de 6 horas e passou a burlar a legislação trabalhista para a categoria bancária.

Entre 2000 e 2001, de forma arbitrária, o Banco aumentou o VR de alguns setores ou de alguns cargos ao seu bel-prazer. Chegou a dar aumento de 152% para alguns escolhidos. E o restante dos trabalhadores seguia sem reajustes.

5- Após pressão sindical, FHC abre concursos com menos direitos

A volta dos concursos de admissão no BB só ocorreram em 1998, após grande mobilização e campanha dos sindicatos e da CNB-CUT, pois com a saída de 50 mil bancários, a situação de atendimento e de condições de trabalho era intolerável. Com forte pressão, os sindicatos conseguiram que o governo voltasse a contratar.

Os sindicatos fizeram grandes campanhas denunciando a falta de funcionários e os milhões de horas extras feitas e não pagas aos trabalhadores.

Porém, para dar sequência ao processo preparatório de privatização em andamento nos bancos públicos, o governo FHC abriu concurso para o BB e para os demais bancos federais, não estendendo para os novos concursados a maior parte dos direitos conquistados em décadas de lutas bancárias.

A partir daquele ano de 1998, os concursados entravam com o salário-base, o direito à Cassi e à Previ (agora opcional e para um plano de contribuição definida - CD) e mais alguns poucos direitos. Os colegas bancários passariam a ser chamados pela diretoria do banco, sarcasticamente, como "genéricos", em referência aos remédios genéricos lançados na época, que "faziam o mesmo efeito mas custavam muito menos".

Esses são alguns dos grandes problemas sofridos pelos bancários dos bancos públicos que não ficaram pelo caminho e que conseguiram vencer aqueles 8 anos de governo da coligação neoliberal PSDB/DEM/PPS, com amplo apoio do curinga chamado PMDB.

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Capítulo 3

Panorama histórico após eleição de Lula/PT

Campanhas salariais de 2003 e 2004, a construção da Unidade da Categoria

Ao dar uma passada pela história mais recente envolvendo os bancários brasileiros, tanto de bancos públicos quanto de privados, alguns avanços foram determinantes para que a categoria seguisse nos dias de hoje sendo uma das mais fortes e com mais direitos coletivos da América Latina.

Na década de 90, a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho - CCT em 1992 -, com abrangência dos bancos privados e bancos regionais, foi o divisor de águas para os trabalhadores, pois o fato marcou o restante da década mantendo os bancários firmes no embate ao neoliberalismo. Mesmo sofrendo uma ou outra perda de direito, os bancários conquistaram o piso nacional, o vale-refeição em 1992, a cesta-alimentação em 1994 e a PLR em 1995.

Os bancos públicos federais tinham Acordos Coletivos - ACT - e, se por um lado, tiveram muitos direitos específicos até 1994, perderam boa parte deles após 1995.

A grande virada na correlação de forças entre bancários e banqueiros/governo se deu na década de 2000 com a campanha unificada e a vinda dos bancos públicos federais para a Convenção. Isso foi o que nos permitiu estabelecer uma política de aumento real de salários por um período contínuo de 6 anos (2004 a 2009), sequência de melhorias nunca registrada na categoria.

Dois acertos no período: povo elege Lula (PT) e os bancários unificam campanha

Os dois fatores influenciaram fortemente o que é o Brasil de hoje, que resiste melhor à maior crise econômico-financeira mundial desde 1929, e o que é a categoria bancária, que está mais forte do que estava na década passada, quando os bancários lutavam isolados, por bancos, e sofriam derrotas dos banqueiros/governos.

Só para enumerar algumas vitórias dos bancários, elencamos alguns fatos do período:

2003 - bancos públicos federais começam a obter vitórias

Bancários dos bancos públicos federais debatem em seus congressos que querem que o governo federal cumpra a CCT da categoria assinada com a Fenaban.

Fechado o acordo da Fenaban, governo faz proposta menor que a da categoria. Funcionários do BB entram em greve e após 3 dias de paralisação de quase 90% do quadro da empresa, governo volta atrás e apresenta proposta com avanços históricos:

-aplicou o índice da categoria de 12,6% na base do PCS, corrigindo os 12 níveis;

-pela primeira vez desde a reformulação da remuneração de pessoal, aplicou o mesmo índice para as demais verbas e referências VR, ou seja, com a regra da Fenaban os comissionados passaram a ter reajuste;

-na questão de isonomia, conquistamos os 5 dias de abono para os funcionários pós-98;

-na questão de organização da base, conquistamos o direito de eleger delegados sindicais com estabilidade;

-a cesta-alimentação do BB era menos da metade do valor da cesta da CCT da categoria. Conseguimos igualar o direito;

-nosso vale-refeição e auxílio-creche eram menores que os da CCT. Conseguimos igualar também.

-E, pela primeira vez, assinamos o acordo de PLR nos moldes da categoria - Acordo de PLR entre CUT/Fenaban, fazendo o BB gastar o dobro do autorizado pelo Dest (órgão regulador de estatais) e deixando de discriminar milhares de funcionários que não recebiam ou recebiam muito pouco comparado aos executivos do Banco.

2004 - Campanha Unificada inicia política salarial do aumento real

Para garantir que o governo federal não fizesse o mesmo que fez em 2003, ao não cumprir a Convenção dos Bancários no BB e na Caixa, o movimento sindical conseguiu a assinatura de pré-acordos com o governo, garantindo a aplicação das conquistas da negociação geral dos bancários.

A Executiva Nacional dos Bancários conseguiu uma proposta final que continha avanços norteados pelos principais pontos debatidos durante a Conferência Nacional dos Bancários daquele ano: aumento real, valorização dos pisos e um direito novo na Convenção - a 13ª cesta-alimentação.

Os bancários queriam inverter uma curva de perda inflacionária nos reajustes da data-base que já durava anos, com índices menores que a inflação, completados, às vezes, com abonos salariais.

A nossa proposta para os baixos salários da categoria era a política de aumento real, ou seja, inflação não se discute e queremos aumento do poder de compra em toda renovação de acordo.

Além do aumento real, os bancários definiram mais duas prioridades naquela negociação: aumento do piso e um direito novo.

A proposta econômica trazia reajuste de 8,5% mais R$ 30 incorporados aos salários até R$ 1.500, ou seja, aumento nos pisos de até 12,77%, frente a uma inflação no período de 6,64% (INPC). Aumento real de 1,74% a 5,75%.

A PLR para bancos públicos e privados proposta era de 80% dos salários mais um fixo de R$ 705,00, sendo 60% na 1ª parcela e 40% na 2ª (exceção do BB, 50% e 50%).

Negociamos incorporar à Convenção a 13ª cesta-alimentação, no valor de R$ 217.

Além dessas premissas gerais atendidas, tínhamos questões específicas propostas para a Caixa e o BB. Neste, propostas como solução para a Parcela Previ e correção do PCS pelo aumento real maior. O Banco do Brasil aceitou aplicar para todos o reajuste de 8,50% + R$ 30 no PCS, o que dava um aumento de 11,77% do E1 ao E12, proposta muito positiva para os funcionários mais antigos que tiveram perdas inflacionárias.

Além disso, estava garantido o aumento real para todas as verbas e comissões (nunca ocorrido) e cumprimento da CCT que trazia a 13ª cesta-alimentação.

Contexto conjuntural da campanha 2004

A campanha salarial dos bancários de 2004 se deu num período de grande confluência de fatores internos e externos ao dia a dia da categoria.

Só para citar alguns:

-eram as primeiras eleições gerais após a eleição de Lula (PT) em 2002. Passado o primeiro ano de governo, a grande mídia buscava movimentos de massa para manipular notícias que jogassem todos contra a administração de Lula;

-alguns bancários integrantes das oposições à CUT, vários deles candidatos a vereança e até a prefeitos por partidos nanicos como o PSTU, PCO etc, usavam o horário eleitoral gratuito na TV para criticar as negociações e fazer falsas acusações à Executiva Nacional dos Bancários, composta por todas as federações e pelos principais sindicatos do país;

-várias eleições sindicais ocorreriam no ano seguinte, como a do Sindicato de São Paulo, Osasco e região, e havia ordens do comando da oposição de fazer o caos nas assembleias dos principais sindicatos de bancários naquele setembro de 2004. Era a velha tese de oposição de quanto pior, melhor.

Greve de 30 dias e julgamento do TST para BB e Caixa

Os bancários rejeitaram a proposta conseguida em mesa de negociação com a Fenaban e iniciamos a mais longa greve geral da categoria.

Foi uma greve histórica e todos aprenderam muito com ela. Tanto o movimento sindical quanto os bancários de base.

Ao final, os banqueiros e o governo conseguiram interromper a greve com o julgamento de dissídio coletivo para os bancos federais, e contaram com o triste apoio da Contec - na época, a única Confederação Oficial de bancários (e que representa menos de 10% da categoria), que sempre foi usada para trair os trabalhadores. E os patrões contaram também com o PSTU e MNOB, hoje Conlutas, que traindo seu discurso de serem "combativos", ajudaram a jogar o destino dos trabalhadores para as mãos da justiça burguesa.

No julgamento, os bancários perderam alguns dos avanços conseguidos na negociação como a 13ª cesta-alimentação para todos; o BB não corrigiu mais o PCS em 11,77% com aumento real de 5%; e os bancários tiveram que compensar a metade do período de 30 dias de greve, criando uma referência para os banqueiros de compensação que dura até hoje.

MAS a greve foi muito positiva para a categoria, pois fez renascer o sentimento de luta de massas e a ideia de que existem limites que precisamos aferir a cada momento de nossa campanha para sair ganhando, como fizemos em todos os anos seguintes, com bancários unidos e trazendo conquistas de 2004 a 2008.

Os bancários também aprenderam que nem sempre os grupos e correntes que disputam espaço no movimento de massas têm como foco a contratação de melhorias para os trabalhadores e sim fazer suas disputas de máquinas sindicais, ficando em segundo plano se os trabalhadores vão ganhar ou perder com a campanha salarial em si.

Enfim, todos nós bancários aprendemos muito em 2004.

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Capítulo 4

Panorama histórico em relação aos bancários do Banco do Brasil após eleição de Lula/PT


Consolidação da Unidade da categoria 2003-2008: avanços e desafios

2003 – Bancos públicos debatem em seus congressos que querem o cumprimento da CCT da categoria, notadamente melhor em vários quesitos como reajustes anuais que repercutem para todos os funcionários, tíquetes e cesta-alimentação melhores, direitos sociais melhores como, por exemplo, ausências legais, desconto de vale-transporte menor e direito a receber PLR (participação nos lucros e resultados) desde 1995, acordado com a CNB-CUT.

Finalizada a campanha da Fenaban e mediante o não cumprimento por parte do BB e da CEF, estes bancos entram em greve e têm seu objetivo alcançado, se não totalmente, ao menos de forma bem satisfatória.

BB aceita pagar o índice de 12,6% para todos, inclusive os comissionados que nunca recebiam reajuste (verbas AFR, VR, DM etc). Também aceita pagar pela 1ª vez uma PLR acordada com a CNB-CUT, distribuindo praticamente o dobro do percentual permitido pelo DEST (órgão de controle de estatais) e não deixando mais ninguém de fora - antes cerca de 7 mil bancários não recebiam nada e os valores eram irrisórios para a base da pirâmide.

Além disso, as reivindicações de ISONOMIA começaram a ser alcançadas, pois, os novos funcionários conseguiram os 5 DIAS DE ABONO anuais.

A Caixa Federal também consegue avanços importantes, apesar do reajuste de 12,6% não ser estendido a todos e da cesta-alimentação não alcançar o valor da Fenaban de uma vez (a proposta foi de atingir o valor da categoria em 3 campanhas salariais 2003, 2004 e 2005).

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2004 – Desde os congressos de bancos e na Conferência Nacional dos Bancários, os delegados e delegadas debateram e aprovaram a estratégia da Campanha Unificada da Categoria, com entrega da minuta geral na Fenaban e documentos com reivindicações específicas entregues nos bancos públicos dizendo que as questões gerais estavam na mesa única.

BB e Caixa Federal assinam pré-acordo se comprometendo a cumprir aquilo que a categoria conseguir na Fenaban. (este compromisso foi fruto de reivindicação da categoria que teve que ir à greve em 2003 pelos bancos públicos não cumprirem as conquistas da CCT).

Ao final das negociações, tínhamos proposta da Fenaban que atingia premissas reivindicatórias como inflação reposta, aumento real, conquista nova (13ª cesta-alimentação), PLR e tínhamos também avanços importantes nas questões específicas nos bancos públicos – por exemplo, redução da Parcela Previ e reajuste de 11,77% na curva do PCS do BB - para serem apresentadas de forma conjunta para aceitação final, ou não, pela categoria em assembleias gerais.

A categoria rejeitou a proposta devido, na minha opinião, a uma grande soma de fatores externos à campanha salarial (eleições gerais, debate da reforma sindical e trabalhista, eleições sindicais etc) e erros de encaminhamento do movimento sindical e após 30 dias de greve, houve julgamento de dissídio coletivo para os bancos públicos no TST, impetrado pela Contec (confederação oficial, única na época, que representa cerca de 10% da categoria).

No entanto, o TST, diferentemente dos julgamentos que fez por mais de 10 anos, ao invés de julgar reajuste zero – como fez em 1999 e 1997 (referente a 96), manteve o formato da proposta que havia sido arrancada em mesa de negociação com a Fenaban, ou seja, manteve o reajuste de 8,5% mais um aumento de R$ 30,00 para quem ganhava até R$ 1500,00.

Porém, os trabalhadores perderam alguns avanços negociados pela Executiva Nacional dos Bancários em mesa negocial como, por exemplo, o reajuste na curva do PCS no BB e a cesta-alimentação extra (todos perderam, pois a Fenaban retirou a proposta). Ao invés de o banco corrigir o PCS, o banco criou uma verba de caráter pessoal VCP para pagar os R$ 30,00. Isso durou alguns anos.

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2005 – Novamente, a categoria decidiu na Conferência Nacional dos Bancários pela campanha unificada, apesar das dúvidas e incertezas deixadas na campanha de 2004, que trouxe ganhos econômicos, foi o primeiro ano de aumento real para todos, mas contou com uma longa e exaustiva greve geral.

Em linhas gerais, em 2005, a CNB-CUT conseguiu levar de forma mais coesa e tranquila a condução da campanha.

Democratizamos a Executiva Nacional criando o Comando Nacional dos Bancários, que passou a ter 21 cadeiras e não 11 como era até 2004 (além das 10 federações e CNB-CUT, os 10 maiores sindicatos do país).

Os bancários conseguiram atingir a política salarial de aumento real e receberam abono como abono mesmo [6% de reajuste (ante uma inflação de 5%) + abono de R$ 1700], ou seja, o abono não foi usado como complemento ao índice, como ocorria nos anos 90.

No caso da proposta inovadora de PLR com distribuição de parte linear do lucro, debatida e aprovada na Conferência Nacional dos Bancários, o banco que topou atender em parte a reivindicação foi o BB, pagando 4% de distribuição linear além do valor fixo + porcentagem do salário.

Depois conseguimos também, no embate banco a banco, melhorar um pouco a PLR como ocorreu no Itaú e demais bancos no mês de dezembro.

O Banco do Brasil assinou pela primeira vez a Convenção Coletiva de Trabalho CCT da CNB/CUT com a Fenaban, uma antiga reivindicação da categoria.

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2006 – A Conferência Nacional dos Bancários define pela manutenção da estratégia que vem sendo vitoriosa da mesa única com a pauta geral da categoria, intercalada com as mesas específicas concomitantes para as questões por bancos.

Ocorreram as mesmas dificuldades e riscos de 2004 por interferência de fatores externos à campanha. Alguns sindicatos menores e/ou de correntes políticas minoritárias nos bancários, que perderam suas proposições nas reuniões do Comando Nacional, passaram a criar calendários próprios de luta, sendo depois seguidos inclusive por alguns sindicatos maiores.

Ao final da campanha conseguimos pelo 3º ano seguido atingir a política salarial de aumento real, além de avanços importantes na PLR (mudar o paradigma na Fenaban, incluindo uma parcela adicional de até R$ 1500 – ainda insuficiente pelo que os bancários produziram). Além disso, tivemos conquistas expressivas na Caixa Federal com relação a questões específicas.

Agora é a Caixa Federal que assina pela primeira vez a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria entre a Contraf-CUT e a Fenaban. A Contraf-CUT é a confederação que substituiu a antiga CNB/CUT.

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2007 - Novamente os bancários mantém a Campanha Unificada e definem as reivindicações gerais da categoria e as propostas específicas dos bancos públicos federais.

Além do reajuste de 6% manter a política de aumento real, os bancários conquistaram a 13ª cesta-alimentação, agora em definitivo, pois quando conquistaram a proposta em mesa de negociação em 2004, os banqueiros a retiraram após a rejeição da proposta final, da greve e do julgamento de dissídio dos bancos públicos federais.

Uma campanha em que a negociação rendeu frutos e, quando não rendeu, os trabalhadores foram à greve. Em 2007, os bancários demonstraram grande maturidade e inverteram a lógica da negociação dos últimos anos.

As famosas rodadas em que os representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) diziam “não para tudo”, foram substituídas por reuniões, com quatro rodadas pré-agendadas, que só terminavam após esgotados os debates sobre cada tema.

Ao todo foram 12 encontros realizados em apenas um mês e meio. Assim, o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban assinaram no dia 11 de outubro a primeira Convenção Coletiva de Trabalho, em quatro anos, fruto somente de negociação, sem greve geral.

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2008 - A campanha nacional de 2008 foi deflagrada em uma conjuntura difícil, bem no meio da explosão da crise financeira iniciada nos Estados Unidos que rapidamente se espraiou pelo mundo todo, fazendo com que os banqueiros endurecessem as negociações alegando que havia muitas incertezas quanto ao futuro.

Além disso, os bancos mais uma vez usaram todo o seu poder econômico e político para enfraquecer o movimento dos bancários: abusaram dos interditos proibitórios, jogaram a polícia contra grevistas em vários Estados e ajuizaram pedido de dissídio de greve no TRT de São Paulo e depois no TST. Mas a greve teve desfecho antes dos julgamentos.

Mesmo assim, os bancários fizeram uma das maiores greves dos últimos anos, com grande mobilização dos trabalhadores de todos os bancos, numa paralisação nacional que durou 15 dias (em algumas bases chegou a 23 dias). Mais de 5.400 agências ficaram paralisadas, além de grande parte dos centros administrativos, atingindo todos os estados brasileiros.

Foi a mobilização da categoria e a força da greve que arrancaram dos banqueiros uma proposta que contemplou diversos pontos da minuta de reivindicações aprovada na Conferência Nacional dos Bancários: aumento real para todos os bancários, valorização dos pisos e menores salários e mudança na regra da PLR.

A proposta da Fenaban trouxe aumento real de 1% a 2,66% e nova PLR, aumentando a distribuição de 80% para 90% do salário mais o valor fixo de R$ 966, com teto de 2,2 salários (era 2 salários).

O reajuste proposto foi de 10% para quem ganha até R$ 2.500 (ordenado e gratificação, sem contar o anuênio/ATS) e de 8,15% para os que ganham mais de R$ 2.500.

Proposta do BB:

O índice de 10% foi aplicado no PCS - VP do E1 e mantido o interstício de 3% no Plano de Cargos e Salários, estendendo o mesmo percentual a todos os níveis.

O percentual de 10% também foi aplicado a todos os VR (Valor de Referência) e NFR (Nível de Função e Representação) para os valores inferiores a R$ 2.500. Para os VR e NFR com valores superiores a R$ 2.500, o índice de reajuste foi de 8,15%.

PLR – O BB manteve o modelo utilizado nos semestres anteriores. Apesar de o pagamento continuar sendo semestral, o acordo a ser assinado passou a ter validade de um ano. Assim, o módulo fixo se manteve em 4% do lucro líquido, distribuídos de forma linear, o que garantiu o valor de R$ 1.916,54, além do valor fixo de R$ 483 (a metade do valor fixo da Fenaban).

Ainda no módulo fixo, foi garantido o valor de 45% do VP do E6 para os escriturários, o que significa R$ 614,93. Para os caixas executivos, 45% do VP do E6 mais comissão de caixa, totalizando R$ 886,61. Para os demais cargos, 45% do VR.

No módulo bônus, para os demais cargos comissionados, foi pago um valor a título de bônus conforme a função, de forma que o montante totalizasse os percentuais divulgados pelo banco, que variaram de 1,70 até 3,0 VR. Esse complemento seguiu condicionado ao cumprimento do ATB (acordo de trabalho) no semestre. Houve pagamento de valores proporcionais em tabela interna do banco para aqueles que não cumpriram integralmente o ATB (exigência nossa nas negociações).

Outras propostas do BB:

Plano Odontológico – O BB concordou em implantar o Plano Odontológico da Cassi até 30 de junho de 2009, sem ônus para os funcionários. O custo da implantação será arcado pelo banco. Para os procedimentos que não forem cobertos pelo plano da Cassi, continuará existindo o financiamento pelo PAS. (esse direito virou uma novela ainda não resolvido em junho de 2010)

PAS – Auxílios e adiantamentos. Os funcionários passaram a ter direito a todos os benefícios previstos, garantindo a isonomia entre antigos e novos.

Ausências – Todos os funcionários passaram a ter direitos iguais, acabando com as discriminações entre pós e pré-98.

Mesas temáticas – O BB concordou com a instalação de mesas temáticas para tratar de assuntos definidos em comum acordo entre as partes, dentre os quais terceirização, assédio moral, PCCS (lateralidade, remuneração etc).

Bônus 200 anos – O banco distribuiu o valor de R$ 120 milhões, divididos de forma linear entre os funcionários, o que deu um valor bruto de R$ 1.300.

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Os ganhos reais de 2004 a 2008

Desde que a unificação começou a ser implementada na prática, em 2004, articulada com as negociações das questões específicas de cada banco, os bancários conquistaram 11,5% de aumento real no piso, 7,3% nos salários até R$ 2.500 e 5,5% de aumento acima da inflação para as demais faixas salariais.

Enfim, esse é um resumo das 6 campanhas salariais dos bancários após a eleição do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República.

William Mendes


Fonte:

O Espelho nov/08
Folha Bancária do Seeb SP (várias)


4.9.20

Campanha dos Bancários 2020 - Acordos assinados



Registro no blog que a Campanha Nacional dos Bancários foi finalizada nesta sexta-feira 4 com a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários e os Acordos Coletivos aditivos por banco e ou por temas.

O cenário em que se deu essa campanha de renovação dos direitos coletivos da categoria foi bastante complexo. Além do país estar vivendo um período de exceção desde o golpe de Estado em 2016, e com isso as instituições do Estado não funcionam mais e a cidadania está largada à sua própria sorte (ou azar), tivemos neste ano por causa da pandemia mundial de Covid-19 a exacerbação da crise política, econômica e social que já vivíamos da era Temer e Bolsonaro .

No início da campanha de renovação da data-base da categoria, expliquei em postagem que havia uma ameaça aos direitos históricos dos trabalhadores do setor financeiro porque sem a ultratividade (manutenção dos direitos da CCT até renovação de novo acordo), perdida com a reforma trabalhista realizada pelo congresso golpista e o governo de exceção, os bancários poderiam perder vários direitos conquistados há décadas.

A campanha começou com os banqueiros e governo propondo a redução de diversos direitos coletivos como a 13ª cesta-alimentação, a redução substancial do valor de PLR a ser distribuído, e reduções de direitos nos acordos dos bancos públicos também. Ao final, os direitos foram praticamente mantidos, havendo uma redução de direito na questão do abono de 5 dias dos bancários do BB, que não poderão mais ser cumulativos nem convertidos em espécie como antes. Não sei os detalhes do acordo dos colegas da Caixa Federal. 

Os banqueiros, gente que não vou nem nominar o que penso a respeito desses sujeitos, não deram sequer a reposição da inflação oficial da data-base dos bancários. Depois de lucrarem quase 30 bilhões no primeiro semestre, enquanto a sociedade brasileira quebrou, eles conseguiram impor sua estratégia de dar abono salarial. Deram 2 mil de abono e reajuste de 1,5% para uma inflação estimada de 2,74% (INPC). Para o ano seguinte, os bancários tiveram garantida a inflação e mais 0,5% de aumento real.

A correlação de forças no embate entre capital e trabalho está favorável aos banqueiros, um dos segmentos que patrocinou o golpe de Estado, e aos representantes da casa-grande e demais lixos da extrema-direita. 

Contudo, avalio que renovar os direitos coletivos por 2 anos é algo importante para a categoria. O cenário do país é de destruição total de tudo. Os trabalhadores e os pobres estão pagando por se deixarem enganar e se aliarem aos seus algozes. Voto e burrice têm consequência e preço, e apoiarem o golpe e todo lixo de direita custou caro para o país e o povão, que precisa do suporte do Estado para o exercício de sua cidadania!

Segue abaixo partes de uma matéria da Contraf-CUT que resume os principais pontos da campanha neste ano, principalmente no que diz respeito ao BB, banco ao qual dediquei a maior parte de minha vida profissional.

William Mendes

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(reprodução de parte de matéria da Contraf-CUT)



Resumo das negociações com o Banco do Brasil

Reajuste: conforme negociado na mesa única da Fenaban


Proposta inicial: reajuste ZERO.

Proposta final: 2020: Reajuste de 1,5% para salários + abono de R$ 2 mil para todos. Garante em 12 meses valores acima do que seria obtido apenas com a aplicação do INPC para salários até R$ 11.202,80, o que representa 79,1% do total de bancários (isso já considerando o pagamento de 13°, férias e FGTS). INPC sobre VR, VA, valores fixos e tetos da PLR.

2021: Reposição da inflação + 0,5% de aumento real para salários e demais verbas, como VA, VR e auxílio-creche.

Todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e do Acordo Coletivo de Trabalho foram mantidos.

PLR


Proposta inicial: Redução da distribuição do lucro líquido (parcela linear) para 2%.


Após negociação: Mantida PLR como está no acordo atual (4% lucro líquido mais 45% do salário, mais módulo variável determinado pelo Banco do Brasil por semestre).

GDP

Proposta inicial: 1 ciclo avaliatório para descomissionamento.


Após negociação: Mantidas as três avaliações negativas para descomissionamento por desempenho (3 GDPs).

Intervalo intrajornada


Proposta inicial: 15 a 30 minutos com registro para todos os funcionários de seis horas.


Após negociação: Até uma hora com registro apenas para quem fizer opção.

Faltas abonadas


Proposta inicial: 2020 e 2021 – cinco faltas não conversíveis e não acumuláveis.

Após negociação: Regra de transição, com conversão em pecúnia do saldo de abonos adquiridos até primeiro de setembro de 2020. Os adquiridos a partir de primeiro de setembro de 2021 terão que ser usufruídos até agosto de 2022, inclusive nas férias, mas sem conversão em pecúnia ou acumulação. Os abonos já adquiridos e acumulados permanecem com as regras anteriores.

Folga Justiça Eleitoral


Proposta inicial: 60 dias para gozar a folga.

Após negociação: 180 dias para gozar a folga.

Prazo para realização de perícia psicológica


Proposta inicial: 12 meses.


Após negociação: Manutenção de 18 meses.

Horário de repouso


Proposta inicial: Apenas para atividades repetitivas.


Após negociação: Manutenção de atendentes de Sala de Autoatendimento.

Outros pontos negociados


Mesa sobre bancos incorporados a ser conduzida e iniciada a partir de outubro, com apresentação de pautas em setembro/2020


Mesa permanente sobre Teletrabalho e Escritórios Digitais

Mesa permanente sobre Saúde e Segurança

Fonte: Contraf-CUT

28.8.20

Campanha Nacional dos Bancários (V)




Estamos no ano de 2020 e a categoria bancária mais uma vez está em luta pela renovação de seus direitos coletivos. Este blog registrou a história dessa categoria ao longo de muitos anos, pois fui dirigente nacional dos bancários, eleito pelos trabalhadores para 4 mandatos no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e 3 mandatos na Contraf-CUT.

A história de luta dos bancários brasileiros é belíssima e uma das mais importantes desta categoria profissional no mundo capitalista porque em nosso país o segmento sempre teve grande quantidade de empregados e conquistou direitos sociais que foram estendidos para outras categoriais profissionais.

O maior banco público do país, o Banco do Brasil, foi criado em 1808 e resistiu aos ataques de diversos governos ao longo da história do Brasil. Tive o privilégio de passar a maior parte de minha vida trabalhando para o povo brasileiro no Banco do Brasil. Na ativa, vivi sob a direção dos governos de Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma e Temer. Hoje, o país vive um de seus piores cenários da história, sob um governo inominável.

Enfim, as negociações entre bancários e banqueiros se dá num cenário bastante complicado, porque além da destruição econômica, política e social que o país já vivia após o golpe de Estado em 2016, sob o governo Temer, que impôs reformas trágicas para a classe trabalhadora, o país viria a ser capturado em 2018, por fraudes diversas nas eleições, por hordas de canalhas e todo tipo de criminoso que se possa imaginar.

Os bancários brasileiros sofrem ameaças sérias de redução de emprego, direitos, privatização dos bancos públicos e, para piorar o cenário, ainda viria a pandemia mundial do novo coronavírus em 2020, com a mudança radical na vida das pessoas mundo afora.

Os banqueiros seguiram na boa. O lucro dos poucos bancos brasileiros é tão grande que nada na economia se compara ao setor. O país está quebrado, mas os donos dos bancos e os próprios bancos estão em outro plano existencial. Em 2019, só os 4 maiores bancos tiveram lucro de mais de 80 bilhões e neste primeiro semestre tiveram lucro de quase 30 bilhões.

E mesmo assim, os caras não querem atender às reivindicações dos bancários, que estão na linha de frente, atendendo a população e os clientes, se expondo ao risco de morte por coronavírus e adoecidos por metas fora da realidade.

Nas primeiras rodadas, os banqueiros propuseram diversas reduções de direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), redução na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e redução em direitos como 13ª cesta-alimentação, folgas e abonos, redução nos salários, já que não querem sequer repor a inflação do período. O que se poderia dizer desses caras donos de bancos?

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As negociações seguem no dia de hoje. Os banqueiros voltaram atrás em algumas cretinices, e neste momento em que escrevo esta postagem, 16h25 desta sexta-feira, os sindicatos informam que os banqueiros propuseram reajuste salarial de 1,5% mais abono de 2 mil reais. Propuseram o índice cheio da inflação estimada (2,74%) para as demais verbas como, por exemplo, cesta-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche. Decidiram manter as regras da PLR de anos anteriores. Ainda estão em negociação as mesas com BB e Caixa Federal.
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Hoje é Dia dos Bancários, 28 de agosto, e afirmo a vocês: essa categoria tem história de lutas, muita história de lutas. Eu mesmo vivi e participei das campanhas salariais da categoria por três décadas. Também é o dia de criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ajudei a construir a história dessa entidade por muito tempo, como dirigente dos bancários brasileiros.

Parabéns aos bancários! Desejo que tudo corra da melhor forma possível nesta campanha salarial em andamento.

William Mendes

20.8.20

História da PLR no BB - Notícias da Contraf (set/2006)


Comentário e apresentação do texto:

Os bancários brasileiros estão em campanha salarial neste ano dramático de pandemia e bolsonarismo. Estamos há 5 anos vivendo sob regime de exceção, desde o golpe de Estado de 2016.

Nas mesas de negociação entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários os principais bancos estão propondo reduções diversas de direitos históricos da categoria. Querem reduzir drasticamente a PLR dos trabalhadores, apesar de ser praticamente um dos únicos setores cujo lucro segue absurdo mesmo em tempos de crise econômica pela pandemia mundial.

Reproduzo abaixo um texto de minha autoria, publicado na Confederação no ano de 2006. Fui dirigente nacional dos bancários entre 2002 e 2015 e tive a oportunidade de conhecer bastante diversas questões de nossa categoria, uma categoria de lutas e conquistas históricas.

William Mendes

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(reprodução de matéria da Contraf-CUT)



ARTIGO: Para entender a PLR do BB

22 de setembro de 2006 - 15:37 - Banco do Brasil


Por William Mendes*

Nestes tempos de negociações entre nós bancários e eles banqueiros, é recorrente os correios eletrônicos dos trabalhadores com dúvidas acerca da PLR conquistada por nós desde 1995 e que, ano a ano, procuramos melhorá-la para aqueles que, efetivamente, geram os lucros recordes seguidos dos bancos: seus funcionários.

A Contraf-CUT publicou um artigo de Vagner Freitas, seu presidente, “Bancos podem e devem pagar PLR maior, mas só greve irá convencê-los”, chamando aos bancários para a mobilização para que todos tenham uma PLR melhor.
Como negociador da Contraf-CUT junto ao Banco do Brasil, sempre tiro dúvidas dos colegas acerca desta conquista recente para os bancários deste banco, pois antes da greve histórica de 2003, não tínhamos PLR.

HISTÓRICO NO BB

Desde o final da década de 90, os funcionários do BB trabalhavam no intuito de serem reconhecidos como bancários e terem os direitos que a CCT (Convenção Coletiva Nacional) proporcionava aos trabalhadores em todo o país. Era o debate da unidade da categoria. Naquele período, os funcionários dos bancos públicos sofriam um ataque violento da política neoliberal dos tucanos.

Foram anos de PDV (plano de demissão voluntária), demissões e perseguições que eliminaram 50 mil postos de trabalho; julgamentos no TST impetrados pela famigerada Contec, que levaram os colegas do BB ao congelamento de salários (os juízes concordavam com a tese neoliberal do “custo vegetativo” das folhas de pagamento dos bancos públicos – diziam pôr em risco o “plano real”). Julgamentos que também levaram à perda do PCS que tínhamos até 1996 e do anuênio em 1999.

Até 2002, o banco havia feito um “monstrengo” de programa de distribuição de lucros unilateral, sem acordo com a CNB/CUT e, por 9 semestres, pagou valores que variavam de alguns reais para o povão e 100 vezes mais para os executivos (de R$ 180 para escriturários a R$ 20.000 para os executivos). É importante lembrar também que milhares de colegas não recebiam nada por diversos motivos: fazer greve, ficar doente e faltar, não cumprir as famigeradas metas na dependência, etc.

GREVE DE 2003: BANCÁRIOS DO BB CONQUISTAM PARÂMETROS DA CCT

A partir da unidade com a categoria, deixamos de sofrer sozinhos os ataques de qualquer governo de plantão.

Em 2003, conquistamos os tíquetes, vale-alimentação e auxílio-creche da categoria (que eram menores no BB). Passamos a ter reajuste sobre todas as verbas como os bancários em geral, ou seja, acabou o congelamento e a correção somente no VP (vencimento-padrão), que levava ao reajuste zero para todos os comissionados. E conquistamos a sonhada PLR nos moldes da Fenaban, que garantia o pagamento a todos os bancários sem discriminar quem faltasse, não cumprisse metas ou qualquer outro motivo.

A PLR NO BB E NOS BANCOS PRIVADOS

Alguns colegas não entenderam porque o presidente da Contraf-CUT diz em seu artigo que, em 2005, o valor de distribuição para os escriturários do BB chegou a 3,5 vezes o salário.

O que ocorre é que muitos colegas não têm clara a diferença que existe na forma de pagamento da PLR para o BB e para os bancos privados.

Vamos a ela:

Nos bancos privados, a primeira parcela é adiantada no fechamento da campanha salarial, ou seja, pegando o exemplo dos valores de 2005 de R$ 800 mais 80% do salário, em meados de outubro os bancários receberam cerca de R$ 400 fixos (metade do valor anual) mais 40% do salário (R$ 400 para quem ganha R$ 1000) totalizando R$ 800 na primeira parcela (adiantada).

Quando chega em meados de fevereiro, os bancos apresentam seus resultados do exercício findo (no exemplo, 2005). Os bancos devem pagar para os bancários a segunda parcela. Nesse momento, após apurar o lucro altíssimo, a Contraf-CUT exige que os bancos utilizem a segunda regra da PLR que diz que eles devem gastar no mínimo 5% do lucro líquido. Então, eles têm que aumentar a distribuição até chegar a 2 salários ou no mínimo de 5% de distribuição, com os tetos em reais que existem.

No Banco do Brasil, exigimos, desde 2003, os parâmetros da Fenaban, ou seja, tem que pagar PLR para todos, sem exceção, sem atrelamento a metas, ou GDC ou faltas, e com regramento: valor fixo mais porcentagem do salário. E NÃO IMPORTA o limite estabelecido pela Dest, que proíbe distribuição acima de 6,25% do lucro líquido (a partir de 2003, o montante passou a cerca de 12%).

Em 2005, avançamos mais ainda, pois o BB foi o primeiro banco que cedeu ao novo formado proposto pela categoria que pede distribuição de uma porcentagem LINEAR DE 5% (no BB conseguimos 4%), além do valor fixo mais a porcentagem do salário.

Desta forma um escriturário E1 (primeiro nível) recebeu em 2005, respectivamente, R$ 1780,25 referente ao primeiro semestre e R$ 1887,07 no segundo, totalizando R$ 3667,32 no ano.

VAMOS À LUTA

A mensagem é bem clara a todos. Os bancários devem lutar para arrancar da Fenaban a reivindicação de uma PLR melhor, pois esses banqueiros deveriam ter vergonha na cara e fazer uma proposta que contemple aos bancários com aumento real e uma distribuição mais justa como estamos propondo. AO CONTRÁRIO de ficar levando juízes para passear e pedindo liminar contra nossos materiais de campanha que denunciam a irresponsabilidade social dos banqueiros.


* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf-CUT e integrante da Comissão de Empresa dos funcionários do BB pela Fetec CUT SP

Fonte: site da Contraf-CUT

14.8.20

História da Cassi - Notícias da Contraf (agosto/2006)



Comentário do blog sobre a reprodução das matérias abaixo, de agosto de 2016:


Estamos em agosto de 2020. O Brasil sofreu um golpe de Estado em 2016 e após o fim da democracia representativa como a conhecíamos, muita coisa mudou para a classe trabalhadora. Mudou para pior, infelizmente. Os bancários estão no período de renovação de direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e na atual conjuntura de crise política, econômica e de saúde (pandemia mundial de Covid-19), e sob um regime de exceção (bolsonarismo, Congresso e Judiciário resultantes do golpe de Estado) as coisas serão difíceis para os trabalhadores. 

Além das perdas reais de direitos sociais, políticos e civis, os trabalhadores estão perdendo a sua história e sem história um povo não é nada, não é um povo, é um bando, um aglomerado de gente sem vínculo algum, algo pior que boa parte dos animais, que nos dão exemplos de convívio em grupos. Os trabalhadores estão absolutamente divididos e isso só favorece a outra classe, a dos capitalistas e seus capatazes.

Enfim, quis guardar no blog algumas matérias sobre as negociações sobre direitos em saúde por parte dos funcionários do Banco do Brasil, já que a Caixa de Assistência e o Plano de Associados nunca foram um reles "plano de saúde". Este blog contém centenas de postagens sobre a história da Cassi, sobretudo durante os anos de 2014 e 2018 porque resgatamos a história durante o período em que estivemos na gestão como diretor de saúde eleito pelos associados.

Guardemos a história das lutas dos trabalhadores. Ela está sendo apagada e perdida e a que surge vem sob um regime de exceção no país, e sem democracia plena a história dos trabalhadores não é a versão deles próprios e sim a daqueles que estão no poder, por força ou por meios diversos.

Nestas matérias abaixo, é possível ver a questão da "ultratividade". Enquanto o sujeito na presidência vetou a manutenção dos direitos da CCT enquanto durar a pandemia, os governos do Partido dos Trabalhadores prorrogavam os efeitos da CCT enquanto as campanhas salariais não renovavam os direitos coletivos. 

Também é importante lembrar o que apontamos durante as crises financeiras da Cassi: o patrocinador deu calote na receita do Plano de Associados por anos. Não cumpria o Estatuto e não pagava 4,5% e isso arrebentou as finanças da entidade. A coparticipação sobre exames, quando implantada, foi de 10% e não o abuso que é hoje, mesmo após uma reforma estatutária pra lá de favorável ao patrão e extremamente onerosa para os associados, com o fim da solidariedade no Plano de Associados. Enfim, a história é para ser conhecida pelos trabalhadores.

William Mendes

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(reprodução de matérias da Contraf-CUT)

Negociações com o BB terminam sem avanços

31 de agosto de 2006 - 20:13 - Banco do Brasil


(São Paulo) Terminaram em impasse as duas rodadas de negociações realizadas com o Banco do Brasil nesta quinta-feira para debater a Cassi e as reivindicações complementares do funcionalismo. Pela manhã, as discussões sobre a Caixa de Assistência continuaram sem avanços, já que o BB insiste em esconder os números que o levaram a apresentar sua proposta.

“A proposta do Banco do Brasil para a Cassi é muito diferente da nossa. Pelos dados que temos e que nos foram repassados pelos diretores eleitos da Caixa, precisamos de no mínimo R$ 850 milhões de receita para sustentar o Plano de Associados. Os números dos eleitos mostram também que a taxa de administração do Plano teria de ser fixada em 12% para um índice inflacionário de 13,75%. Com esses dados, a proposta do BB é insustentável”, afirma Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários.

Segundo o dirigente, o Banco do Brasil tem se recusado a apresentar seus números. “Deixamos claro na reunião que a diretoria do BB precisa abrir os dados sobre a Cassi para que possamos negociar e chegar a um denominador comum. Pelos números dos eleitos, a proposta do Banco não viabiliza financeiramente a Cassi. O BB, por exemplo, considera fundamental a coparticipação dos associados, que nós somos contra. Ao contrário dos diretores eleitos da Cassi que defendem este princípio. Mas não podemos negociar isso, sem os dados do banco”, destaca Marcel.

A Comissão de Empresa também cobrou a implantação do Plano Odontológico. O Banco diz que aceita negociar, mas novamente não apresentou nenhuma proposta durantes as negociações.

Reivindicações específicas

As negociações sobre a minuta complementar dos funcionários do BB, entregue no último dia 17, também não avançaram. Um dos principais anseios dos bancários, a implantação de um novo Plano de Cargos e Salários (PCS), não pôde ser negociado porque, segundo o banco, a Lei Eleitoral proíbe mudanças que possam levar a reajustes salariais às vésperas das eleições. As discussões sobre o PCS ficaram para depois de outubro.

Na questão da isonomia, a direção do BB jogou um balde de água fria no funcionalismo. Segundo os negociadores, o banco já avançou onde pôde e novas mudanças foram praticamente descartadas pela direção. “A licença-prêmio, por exemplo, foi totalmente negada pelo BB. Não conseguimos respostas para nenhuma das cláusulas apresentadas. Precisamos intensificar a pressão para arrancar novas conquistas do banco”, ressaltou Marcel.

Outras pendências, como a regularização do vale-transporte e o pagamento da verba de R$ 31,80, também continuam. O BB levou um técnico para provar que o vale-transporte está sendo pago corretamente. “Já entramos com uma representação no Ministério Público e vamos aguardar a manifestação dos promotores sobre o caso”, lembra Marcel.

A Comissão de Empresa provou para a diretoria do banco que a verba 109, de R$ 31,80, não está sendo paga a todos os funcionários que têm esse direito. O banco ficou de analisar.

Acordo prorrogado

Com o início das negociações complementares, o Banco do Brasil aceitou prorrogar as cláusulas do atual acordo até o dia 30 de setembro. A direção do BB se comprometeu a manter as conquistas trabalhistas dos funcionários na Campanha Nacional do ano passado. Com relação à PLR, o banco diz que pretende seguir o que for acordado com a Fenaban, mas manterá a proporcionalidade em relação ao que foi pago no ano passado.

Fonte: Contraf-CUT

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Negociações sobre a Cassi não avançam

24 de agosto de 2006 - 19:30 - Banco do Brasil

(São Paulo) A negociação desta quinta-feira entre a Comissão de Empresa dos Funcionários e o Banco do Brasil terminou sem avanços. As discussões centradas exclusivamente nas questões da Cassi continuam em impasse e nova rodada de negociações foi agendada para semana que vem, no dia 1º de setembro.

“As negociações estão muito devagar, o banco nos trouxe algumas propostas, mas elas são muito tímidas. Não são suficientes para resolver os problemas estruturais da Cassi, que precisam de soluções urgentes”, comentou Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa.

O Banco do Brasil concordou com as alterações estatutárias propostas pelos bancários, mas quer que as eleições da Cassi sejam realizadas de quatro em quatro anos e não a cada dois anos como é hoje.

O BB também aumentou a proposta de investimento de R$ 120 milhões para R$ 200 milhões que seriam utilizados em serviços próprios. “Este aumento foi positivo, mas o valor ainda está muito aquém do que o banco deve para a Cassi. Precisamos aumentar o investimento”, destacou Milton Rezende, vice-presidente da Contraf-CUT.

A diretoria do banco também propôs a redução da coparticipação de 20% para 15%, mas os bancários não concordam. “Nem queremos discutir esta questão porque não concordamos com o princípio da coparticipação proposto pelo banco. O BB também aceita assumir os dependentes indiretos, mas só daqui para frente. E o passado? E o déficit que temos hoje? O BB não quis discutir isto e a questão dos dependentes indiretos também não avançou”, explicou William Mendes, secretário de Imprensa da Contraf-CUT.

Plano Odontológico

O Banco do Brasil concorda em discutir a implantação do plano odontológico, mas a direção quer negociar na mesa específica. “Este é um assunto relativo à Cassi e queremos discutir sim na mesa da Cassi”, disse Olivan Faustino, do Sindicato da Bahia.

Antes da nova rodada de negociações sobre a Caixa de Assistência, os bancários e o BB agendaram um encontro no dia 31 para discutir as reivindicações específicas. A data ainda precisa ser confirmada, mas a ideia é negociar um dia antes da mesa da Cassi.

Fonte: Contraf-CUT

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Negociação unificada, reafirmada em reunião com o BB

17 de agosto de 2006 - 18:26 - Banco do Brasil

Entre as reivindicações estão isonomia e PCS. Discussão abrangeu ainda contraproposta para a Cassi e denúncia de casos de assédio moral

(Brasília) Na reunião do Comando Nacional e da Comissão de Empresa dos Funcionários com os representantes da direção do Banco do Brasil, foi reafirmada a participação do BB na negociação unificada que ocorrerá com todas as empresas financeiras na Fenaban, ao mesmo tempo da discussão de temas específicos.

Entre esses temas, a minuta entregue ressalta a devolução das horas compensadas em virtude das greves de 2004-2005, a isonomia de direitos entre todos os funcionários e Plano de Cargos e Salários a partir de 01/09/2006, independentemente da data de fechamento da Campanha Nacional do Ramo Financeiro.

Outro ponto discutido foi a contraproposta feita pelos trabalhadores para a Cassi, que inclui aporte de R$ 400 milhões por parte do banco (entre investimento em serviços próprios e recomposição de reservas do Plano de Associados), ressarcimento de déficits anuais e cumprimento do estatuto, com contribuição patronal equivalente a 1,5 vez a do funcionário. A direção do BB comprometeu-se a estudar e dar resposta a esse e outros pontos na próxima negociação.

O Comando voltou a cobrar também o pagamento de todos os meses da verba 109, de R$ 31,80, que o BB vem descumprindo para bancários com salário abaixo de R$ 1.500, como os das centrais CABB de São Paulo e Paraná. O banco disse que está avaliando juridicamente e que, se devido, fará o pagamento.

Denúncia de assédio moral

Na reunião, foram relatados casos de assédio moral por conta do programa Sinergia de Norte a Sul do País. Foi cobrada iniciativa concreta para combater essa prática. “Chegaram, num primeiro momento, a atribuir essa prática a uma ‘cultura autoritária’ da sociedade brasileira, dizendo que é coibida na empresa. Mas o que precisamos é de medidas efetivas de combate ao assédio moral e incentivar a educação dos gestores que utilizam essa prática, denunciados com documentos, para servir de exemplo”, conclui Marcel Juviniano, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários.

Fonte: Contraf-CUT

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Comissão de Empresa recebe estudo e proposta dos eleitos pra Cassi

11 de agosto de 2006 - 18:23 - Banco do Brasil

(São Paulo) A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil recebeu na tarde desta sexta-feira um projeto e estudos de proposta para a Cassi, entregue pelos diretores e conselheiros eleitos da Caixa de Assistência. Após a entrega, a coordenação da Comissão, a Contraf-CUT e os eleitos da Cassi debateram vários pontos importantes para os associados da Cassi.

“O estudo vai ao encontro das resoluções definidas pelos representantes dos funcionários no congresso do BB, realizado durante a Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, no final de julho. Ele quantifica a dívida do Banco do Brasil com a Cassi e exige o cumprimento do estatuto com a contribuição patronal de 4,5% para os funcionários que ingressaram no BB após 98. Também contempla a implantação do Plano Odontológico e traz estudos técnicos e atuariais que dão mais subsídios para a Comissão na hora de negociar com o banco”, explica Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa.

Segundo ele, a contraproposta que os eleitos da Cassi entregaram será analisada na reunião agendada para o próximo dia 16. No dia seguinte está marcada a negociação com o banco para debater os problemas da Caixa de Assistência.

“Vamos apresentar a nossa contraproposta para o banco, com vários pontos que garantem uma Cassi forte e obriga o BB a ter mais responsabilidade com a saúde dos seus funcionários. Na última negociação, o banco apresentou o seu projeto, mas ele foi rejeitado porque, depois de três anos de negociações, o BB quer passar a dívida para os associados. Vamos brigar muito, porque a Cassi é nossa prioridade”, afirma Marcel.

Os dirigentes eleitos da Cassi se colocaram também à disposição da Comissão de Empresa para participar dos debates, colaborarem nos estudos e nas negociações com o banco.

Fonte: Contraf-CUT

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Comissão de Empresa recebe sugestão de contraproposta para a Cassi

10 de agosto de 2006 - 18:58 - Banco do Brasil

(São Paulo) Os dirigentes eleitos da Cassi entregam nesta sexta-feira para a coordenação da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil um projeto de contraproposta para a Caixa de Saúde.

Segundo Marcel Barros, coordenador da Comissão de Empresa, a contraproposta que os eleitos da Cassi vão entregar será analisada na reunião agendada para o próximo dia 16. “Um dia depois vamos negociar com o banco e a Cassi será um dos temas centrais da pauta”, explicou.

Durante a 8ª Conferência Nacional, os representantes dos funcionários do BB realizaram um Encontro específico e reafirmaram a rejeição da proposta de custeio da Cassi apresentada pela direção do banco.

“Os dirigentes sindicais autorizaram a Comissão de Empresa a negociar uma contraproposta que tenha como premissa a quitação do passivo do banco com a Caixa de Assistência, incluindo o pagamento dos 4,5% referentes à contribuição dos funcionários pós-98 e dos dependentes indiretos. Os delegados aprovaram ainda a implantação do Plano Odontológico”, detalhou Marcel Barros.

Fonte: Contraf-CUT