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2.1.26

Memórias da CASSI (2)



"A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI), sociedade civil e pessoa jurídica de direito privado, é uma instituição de assistência social, sem fins lucrativos, constituída em Assembleia Geral de 27 de janeiro de 1944, com sede e foro na cidade de Brasília (DF)." (Art. 1° do Estatuto de 1996/97)


Uma instituição de assistência social e sem fins lucrativos. Percebe-se que a CASSI dos funcionários do Banco do Brasil não é um "plano de saúde", como esses que hegemonizam o mercado de saúde brasileiro. 

Aliás, a CASSI não é plano como esses planos de saúde que definem o imaginário da classe trabalhadora brasileira. Ter um "convênio médico" privado seria um diferencial em relação às pessoas que só teriam algum acesso a atendimento de demandas de saúde através de um sistema público ou beneficente. 

O Brasil tem o SUS, Sistema Único de Saúde, algo inexistente na maioria dos países do mundo. Por não termos uma boa educação, as pessoas têm pouca noção geral das coisas. 

Mesmo aquelas pessoas que fazem pouco caso do SUS, são salvas por ele e depois ainda falam mal do sistema. Explico: quando ocorre um acidente de trânsito ou uma explosão residencial e há vítimas, quem salva a vida até dos "conveniados" da CASSI ou de um plano de saúde de mercado é o SAMU e um hospital público, do sistema SUS.

Em 2014, quando cheguei à gestão de nossa Caixa de Assistência, para somar com as demais pessoas que compunham nossa chapa eleita e nos unirmos às pessoas que já estavam na direção - parte indicada pelo patrocinador BB e parte já eleita pelo Corpo Social dois anos antes -, tratei logo de definir um método de trabalho: estudar muito e ouvir as pessoas, pessoas que pertencem a segmentos que poderíamos chamar "grupos de interesse" (stakeholders*).

* Indivíduos, grupos ou organizações que têm interesse, influência ou são afetados pelas ações e decisões de uma empresa ou projeto. (descrição comum na internet)

Logo nos primeiros meses como gestor da CASSI, responsável pela Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, organizamos um planejamento estratégico democrático, no qual ouvimos pessoas de diversas áreas da autogestão em saúde, inclusive de diversos Estados, e, a partir daquele momento, eu passei a fazer tudo que definimos como meu papel de diretor de saúde da CASSI. 

Evidente que um planejamento é um norte, uma direção, mas saber quais eram minhas tarefas e objetivos em 4 anos foi algo essencial para superar todas as dificuldades que se apresentariam naquela caminhada como, por exemplo, o déficit do custeio do Plano de Associados, algo que não era minha responsabilidade específica, mas que alterou toda a dinâmica de funcionamento da autogestão. 

A CASSI teria que ser apresentada aos seus associados - funcionários da ativa e aposentados e suas entidades representativas -, aos gestores do patrocinador BB - não só da direção geral, mas de todos os Estados e DF -, aos conselheiros dos conselhos de usuários - que fortalecemos durante o mandato -, e aos próprios trabalhadores da Caixa de Assistência. Essa seria uma de minhas funções como diretor eleito. 

Dar noções gerais sobre o que era a CASSI, seu modelo assistencial, como operava o mercado privado das redes credenciadas e por que a CASSI tinha desequilíbrios econômicos e financeiros e os principais motivos dos déficits eram, em linhas gerais, as minhas tarefas como gestor eleito da Caixa de Assistência na relação com os representados e os demais grupos de interesse. 

Foi isso que fiz ao longo de 4 anos. Ou tentei fazer. E, óbvio, defender os direitos em saúde dos associados da CASSI e gerir a área de saúde, e nessa questão conquistamos avanços importantes.

William Mendes 

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