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25.10.16

Opinião e agenda do Diretor de Saúde da Cassi



Estivemos no Congresso das autogestões em saúde. A melhor perspectiva
para cuidar de pessoas e usar de forma mais racional recursos da saúde
é através da Atenção Primária. A Cassi é baseada nesse modelo e tudo
que queremos é poder ampliar nossa cobertura e cuidar de mais gente.

Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Terça-feira, 25 de outubro, quase meia-noite.

Não gosto de ficar muitos dias sem prestar contas de nosso mandato eletivo como Diretor de Saúde e Rede de Atendimento da Caixa de Assistência dos Funcionários do BB. A nossa jornada de trabalho nos últimos dias tem sido tão intensa que não consegui escrever nossa opinião e o que temos feito na defesa de nossos objetivos em saúde.

Saí da sede da Cassi nesta terça 25 depois das 22h. Foi um dia bastante cansativo, com reuniões estressantes e que nos consomem de verdade.

No dia de ontem, segunda 24, saímos da sede da Cassi depois da meia-noite, ou seja, no início de hoje. Começamos a semana com reunião extraordinária de Diretoria Executiva às 8:30h para analisar e deliberar sobre o Memorando de Entendimento assinado entre o Patrocinador BB e as entidades sindicais e associativas que compuseram mesa de negociação sobre o déficit do plano de saúde dos funcionários do Banco.

Apesar de ter sido um dos responsáveis pela existência da mesa de negociação sobre a Cassi, pois procurei as entidades sindicais lá em dezembro de 2014 para construir calendário de mobilização e luta em defesa da Cassi e para negociar solução sobre o déficit preservando direitos em saúde e a própria Caixa de Assistência (é tudo público o que digo), eu não fui consultado sobre o documento final e só fui lê-lo para debater na reunião da Diretoria Executiva desta segunda-feira 25.

O documento contém as premissas do patrocinador Banco do Brasil, o que é normal. Eu defendo a proposta que traz recursos para a Cassi, no entanto, lamento não conter no documento as premissas construídas por todos nós do lado do Corpo Social e consensadas inclusive com os negociadores do Banco ao longo de 18 meses de processo negocial:

- Manutenção do princípio da solidariedade como premissa fundamental do Plano de Associados em seu custeio mutualista intergeracional;

- Garantia de cobertura para ativos, aposentados, pensionistas e dependentes;

- Investimento no Modelo de Atenção Integral à Saúde e Estratégia Saúde da Família (ESF);

- Co-responsabilidade na gestão entre os patrocinadores Banco do Brasil e Corpo Social;

- Não redução de direitos e programas de saúde.



Eu havia chegado no sábado à noite de uma longa semana de trabalho que fechei participando em Pernambuco do 19º Congresso da Unidas, entidade que congrega as autogestões em saúde. Porém, como gestor da Cassi, estamos 24 horas à disposição e poderíamos ter sido consultados.

Nesta semana, ainda teremos nesta quarta 26 a reunião do Conselho Deliberativo da Cassi. Na quinta 27 é a vez da reunião do Conselho Fiscal.





Vou fechar a semana de trabalho com a parte que mais vale a pena em toda a luta que estamos empreendendo em defesa dos associados e do Modelo de Atenção Integral à Saúde de nossa Caixa de Assistência: estarei em Maceió, Alagoas, para participar da Conferência de Saúde, onde farei palestra sobre a Sustentabilidade da Cassi.

Estarei junto à base social da Cassi, exercendo o principal papel de um gestor da área de saúde e da rede de atendimento própria de nossa autogestão. Estarei junto às lideranças e comunidade Banco do Brasil informando e esclarecendo a tod@s sobre o sistema de serviços de saúde da Cassi, como funciona, quais os direitos e deveres dos associados, as dificuldades da operadora, e as melhores perspectivas de sustentabilidade.

Agradeço enormemente ao Sindicato dos Bancários de Alagoas pelo apoio em patrocinar as passagens de ida e volta e a hospedagem do Diretor de Saúde da Cassi para participar do evento. Temos colocado milhares de reais de nosso próprio salário para fazer o trabalho que analisamos ser essencial para a Caixa de Assistência.

O meu papel é junto à comunidade que represento e que utiliza os serviços de saúde da operadora. Apesar das maledicências plantadas por alguns que só pensam em eleições e disputas de cargos em nossos espaços sociais, enquanto eu for Diretor de Saúde da Cassi, estarei onde devo estar: fortalecendo o pertencimento e agregando pessoas à cultura da Atenção Primária em Saúde (APS). Fora desse modelo contra-hegemônico, o que temos é uma autodestruição de recursos de saúde, sem resolutividade para com a saúde das pessoas.

Ando bastante chateado nesses dias, mas isso nunca impediu que fizesse exatamente o que devo fazer. A causa que defendo - a Cassi e a saúde dos participantes - é uma coisa ímpar, ela ao mesmo tempo consome a nossa saúde e alimenta a nossa utopia em salvar vidas.

Sigamos...

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (mandato 2014/18)

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