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24.6.16

Estudos: Cassi 1996 - Grandes mudanças





Olá companheir@s, amig@s e colegas do Banco do Brasil,

Estamos relendo os Relatórios Anuais de nossa Caixa de Assistência e estudando a nossa história mais recente, os anos noventa e dois mil.

O ano de 1996 foi tão marcante que prefiro fazer mais de uma postagem. Nesta, vou digitar a apresentação do Relatório Anual com os fatos que marcaram as mudanças pelas quais a Cassi passou após debates entre os patrocinadores BB e Corpo Social e um conjunto de votações que praticamente definiram a Cassi que temos hoje, com algumas mudanças que ocorreram em 2007.

Vamos ao texto que nos mostra questões bem importantes que tenho me esforçado para resgatar como Diretor de Saúde eleito em 2014 e que baliza meu mandato, pois tenho uma estratégia clara de resgatar a Cultura da Saúde, da promoção de Saúde e da Atenção Integral ao levar o tema às bases, ou seja, ao Corpo Social e entidades representativas, bem como ao patrocinador BB e seus gestores, levar informações necessárias para envolver a todos os atores da comunidade Banco do Brasil nesta Caixa de Assistência.

Os sublinhados no texto são meus.

Abraços a tod@s os meus pares da classe trabalhadora!

William Mendes
Diretor de Saúde e Rede de Atendimento (eleito com mandato 2014/18)


"Cassi - Os fatos do ano de 1996

A REFORMA ESTATUTÁRIA

Criada há 52 anos, a Cassi tornou-se uma realidade e passou a fazer parte da vida dos funcionários do Banco do Brasil, especialmente quando há necessidade de cuidados com a saúde. Durante esse período, a Caixa enfrentou conjunturas adversas, felizmente superadas graças à consciência e ao interesse do Corpo Social.

O ano de 1996 foi marcado por profundas transformações, balizadas pelo novo Estatuto, que passou a vigorar em 31 de maio. Desde o mês de janeiro, porém, diretoria, funcionários e associados concentraram todo o esforço e energia para discutir intensamente o processo da reforma estatutária, calcada em três grandes pilares:

- novo modelo de gestão;

- novos planos de saúde; e

- nova forma de contribuição (equilíbrio financeiro)

Um amplo fórum de debates, em nível nacional, com as entidades dos associados e com eles próprios, marcou a reformulação do Estatuto. Nos meses de janeiro e fevereiro, a diretoria saiu a campo, viajando por todos os Estados explicando as novas propostas, para que o Corpo Social pudesse discutir e decidir, de forma consciente, os rumos da Cassi.

Tamanho foi o interesse de todos os envolvidos com a discussão do novo Estatuto, que a votação precisou ser alterada por duas vezes. Inicialmente marcada para o período de 14.02 a 1º.03.96, foi postergada para 25 a 29.03.96 e, por último, realizada entre 26.04 a 03.05.97 (primeiro turno) e 16 a 23.05.97 (segundo turno).

A incerteza que ameaçava a continuidade dos serviços da Cassi chegava ao fim. Foi expressivo o índice de aprovação do Estatuto - 84% dos associados que compareceram às urnas no primeiro turno, votaram SIM às alterações propostas. Ou seja, de um total de 96.216 votantes, 81.132 aderiram à reforma. Mas as alterações nos estatutos da Cassi exigiam a aprovação de pelo menos 2/3 de todo o Corpo Social. Esse quórum não foi atingido porque 30.000 associados deixaram de votar. Daí a necessidade da realização de um segundo turno.

Dessa vez, o resultado superou o quórum de 2/3 de votos SIM. Com a expressiva participação de 91,11% do quadro de associados, 90.692 votantes aderiram à nova Cassi que acabava de nascer. Veja o resultado final:

VOTOS...................QUANTIDADE................PERCENTUAL

Sim............................90.692...........................71,16
Não............................11.585............................9,09
Em branco......................649.............................0,50
Nulos..............................463.............................0,36
Ausentes....................24.063...........................18,89
TOTAL.......................127.452.........................100,00

Esse resultado vitorioso foi consequência da ampliação do debate no segundo turno, com a extensão das discussões sobre a Cassi em todas as instâncias do BB.

Em grandes linhas, o Estatuto possibilitou o aumento do percentual das contribuições dos associados e da participação do Banco (3% sobre os Proventos Gerais para o Corpo Social e 4,5% sobre essa mesma base para o BB). Com isso, equilibraram-se as finanças do Plano de Associados e a Cassi passou a ter autonomia de gestão em relação ao Banco do Brasil, assumindo ainda o ônus de suas despesas administrativas. Um novo modelo foi implantado com a posse da Diretoria Executiva e dos Conselhos Deliberativo e Fiscal. E, finalmente, a Caixa pôde abrir-se para o mercado, por meio de outros planos de saúde para participantes externos.


NOVO MODELO DE GESTÃO

No período de 17 a 22 de julho, o Corpo Social foi novamente chamado para definir, por voto, a chapa para compor a 1ª Assembleia de Representantes e o Conselho Fiscal. Tais instâncias foram consolidadas com o novo Estatuto. A chapa Saúde Cassi: renovar com competência foi a vencedora.

A Assembleia de Representantes - instituída com a missão de nomear os membros da Diretoria Executiva. Foi instalada em 30 de julho.

O Conselho Deliberativo - criado para acompanhar os negócios e as atividades da Cassi e para deliberar sobre assuntos estratégicos, incluindo aí a definição das políticas e programas de saúde e de prevenção de doenças. Foi empossado em 31 de julho, com cinco membros efetivos e respectivos suplentes, sendo dois titulares pelo Banco e três eleitos pelos associados. A presidência coube a um conselheiro eleito.

A Diretoria Executiva - órgão de administração geral, com a função de colocar em prática as diretrizes e as normas definidas pelo Conselho Deliberativo, substituindo a diretoria anterior à aprovação do Estatuto. No novo modelo de gestão, a nomenclatura foi alterada, surgindo o Diretor Superintendente no lugar do Presidente da Cassi. Enquanto isso, os cargos de Diretores de Auxílio, Deliberativo e Administrativo deram lugar aos de Diretores Executivos. O Banco indicou o nome do Diretor Superintendente e um Diretor Executivo, enquanto os associados elegeram dois Diretores Executivos. Seus membros tomaram posse em 31 de julho.

O Conselho Fiscal - órgão responsável pela fiscalização da gestão administrativa e econômico-financeira da Cassi. Formado por três titulares com respectivos suplentes, todos eleitos pelos associados, foi instalado também em 31 de julho.


NOVOS PLANOS DE SAÚDE

No mês de outubro, a Cassi concluiu os estudos para  a viabilização de novos planos de saúde, entre eles planos próprios para participantes externos (Saúde Família) e planos administrados para pessoas jurídicas.

As condições gerais desses planos foram submetidas à apreciação dos associados em plebiscito realizado nos dias 27 e 28 de novembro. Pelo resultado da votação, 90,4% dos votos válidos foram favoráveis à criação de planos próprios para participantes externos e 68,3% aprovaram os planos administrados para pessoas jurídicas.

Mais uma vez prevaleceu a confiança na Cassi e na capacidade de juntos - Corpo Social e Banco do Brasil - superarem obstáculos e conquistarem melhor qualidade de vida para os seus usuários do sistema.

Dezembro foi um mês integralmente dedicado à preparação do Saúde família. O Plano foi planejado com base em pesquisa realizada no mês de julho, que indicou alto interesse dos associados pela inclusão de familiares num plano VIP, com padrão único de atendimento, em todo o território nacional. Esses dados foram repassados a uma empresa especializada em cálculos atuariais, para definição das coberturas e dos valores das mensalidades.

Em linhas gerais, o Saúde Família ficou bastante parecido com o Plano de Associados: cobertura ampla, internação em apartamento privativo e atendimento garantido em todo o País, por meio de rede própria ou de credenciados. Algumas pequenas diferenças: não cobre enfermagem domiciliar, psicoterapia e tratamento especializado para portadores de deficiências. A livre escolha somente é permitida em casos de urgência comprovada ou em locais onde não há profissionais credenciados ou rede própria. Os medicamentos apenas são pagos quando utilizados dentro do hospital.

Ficou definido que o Plano entraria em linha no início de 1997, podendo dele participar todos os familiares dos associados e dos ex-associados da Cassi - consanguíneos ou afins -, independentemente de limite de idade.


NOVA FORMA DE CONTRIBUIÇÃO - EQUILÍBRIO ECONÔMICO

Com suas finanças saneadas pelo aumento da receita, a Cassi buscou desenvolver um modelo de administração das reservas financeiras adequado ás necessidades, de acordo com as recomendações do Conselho Deliberativo. A meta foi maximizar os rendimentos dentro de padrões aceitáveis de risco, mediante formação de portfólio diversificado de investimentos.

A estratégia consistiu em um trabalho conjunto com a BB-DTVM, instituição do conglomerado Banco do Brasil especializada em gestão de recursos de terceiros.

Para o desenvolvimento desse trabalho, a sede da Cassi vem sendo equipada com sistemas de informação específicos.


INFORMATIZAÇÃO DA CASSI

Num ano repleto de novidades, a informática não poderia ficar de lado. Com o pé no futuro, a Cassi buscou meios para enfrentar com profissionalismo, a concorrência, aperfeiçoando seus sistemas de controle.

Para acompanhar melhor as informações sobre saúde e adequar o quadro de recursos humanos, a Caixa iniciou no mês de julho, um processo de substituição do CSC. Buscou superar  algumas de suas restrições, como por exemplo o processamento operacional em relação ao Banco.

Dentro desse processo destacaram-se as seguintes atividades.

- a Sede recebeu uma rede de microcomputadores;

- iniciou-se a instalação da rede nas Unidades Cassi;

- disponibilizou-se às Unidades Cassi uma base de informações gerenciais para consultas, oriunda do CSC, em padrão impresso;

- criou-se o sistema Atend para servir de porta de entrada ao sistema Cassi.

O desenvolvimento do novo sistema de informação permitirá implantar, de forma gradual, rede interligada nacionalmente para processamento dos serviços da Cassi.


NOVO MODELO ASSISTENCIAL

Com o interesse de adicionar qualidade aos serviços prestados e reduzir perdas e desperdício de recursos, a Diretoria da Cassi optou por adotar nova filosofia em relação ao atendimento do usuário. A premissa básica desse modelo assistencial consiste na atenção integral à saúde, com alta resolutividade nos primeiros atendimentos e redução de procedimentos desnecessários.

O novo modelo pressupõe forte mudança de posição da Cassi em relação ao mercado: de mera espectadora, a Caixa passa a atuar cada vez mais como reguladora, participando ativamente da relação associado/fornecedor de serviços. Diversas ações foram executadas ao longo do ano:

- estruturação da Central Telefônica de Atendimento e Orientação, para ser o principal canal de comunicação do usuário com a Cassi, com inauguração prevista para o início de 97;

- instalação de Central de Negociação de Medicamentos na Cassi-DF, visando maior controle na aquisição de medicamentos de uso contínuo e de alto custo;

- instalação de Central de Compra de Órteses e Próteses na Cassi-RJ, visando reduzir custos, eliminar a figura do intermediador, incluídos os hospitais, que chegam a faturar até 40% a mais com a venda desses materiais;

- referenciamento da rede de prestadores de serviços, para qualificar a assistência à saúde e hierarquizar a assistência, classificando-a em rede básica (clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia), rede de suporte (laboratórios, centros de imagem, de alta tecnologia e hospitais) e rede de especialistas. Processo iniciado no Rio de Janeiro.

Para assessorar a Cassi na implantação desse novo paradigma, foram contratados os serviços de consultoria técnica da Unicamp, no mês de janeiro.


CONVÊNIO CASSI-BANCO DO BRASIL

Em 02.09.96, foi instalado Grupo de Trabalho com a finalidade de apresentar proposta de absorção das despesas administrativas da Cassi, bem como de pagamento, pelo Banco, das despesas pelos serviços a ele prestados pela Caixa.

Os trabalhos encerraram-se no final do mês de outubro. Em 30.12.96, foi assinado contrato entre a Cassi e o BB, onde foram definidos os serviços do Banco a serem absorvidos pela Caixa. Entre eles, os exames periódicos de saúde, os exames médico-periciais para concessão ou prorrogação de auxílios-doença, pareceres técnicos, aquisição de medicamentos no exterior; concessão de benefícios do Programa de Assistência Social (PAS), realização de palestras e conferências, assistência médica durante a jornada de trabalho, entre outros.

Essas ações combinadas permitirão a criação de condições efetivas para se administrar melhor Saúde, racionalizando gastos e melhorando a qualidade de vida dos usuários da Cassi.

Integram ainda o presente Relatório Anual 1996 as seguintes matérias, para as quais recomendamos leitura: Balanço Patrimonial Comparado ao Ano Anterior; Demonstrativo de Resultado do Exercício; Balancetes; Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras e Análise Econômico-Financeira."


Fonte: Relatório Anual Cassi 1996

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Post Scriptum:

Trabalho de leitura e digitação feito ao som de "As quatro estações" de Vivaldi e sinfonias nº 9 e nº 5 de Beethoven. 

Foi uma forma de concertar as ondas cerebrais enquanto fazia esse trabalho de compartilhar conhecimento da história da Cassi com vocês.

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