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31.10.06

Terça, 31 de outubro de 2006




Meu dia de trabalho foi na secretaria de imprensa da Contraf-CUT.

Preparei propostas de luta para o ano de 2007. Por enquanto é para debate nos fóruns internos. O certo é que teremos que organizar os bancários e os trabalhadores do ramo financeiro, em geral, para avançar muito mais nos próximos 4 anos e termos de fato 1 milhão de representados pela Contraf.


William Mendes


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Post Scriptum:

Abaixo, temos uma foto que publiquei no Facebook em janeiro de 2012 em referência ao 1º Encontro de Comunicação da Contraf-CUT. Eu fui o secretário de imprensa da entidade na gestão entre 2006/09. Estou na mesa com Daniel Reis e Rosane Bertotti.

Com Daniel Reis e Rosane Bertotti, da CUT Nacional.

30.10.06

Segunda, 30 de outubro, pós-reeleição de Lula




Após o embate eleitoral entre o povo e os donos do poder, começamos o trabalho na segunda pela manhã na sede do Sindicato, já pensando na organização dos trabalhadores do ramo financeiro do Estado de São Paulo.

Os bancários têm em sua agenda neste mês o Congresso da Fetec-CUT SP, que debaterá a agenda de luta e objetivos a serem alcançados pelos trabalhadores do Estado pelos próximos 3 anos.


A luta de classes continua.


William Mendes

26.10.06

Eleições 2006 - Por que voto em Lula (e informes da assinatura da CCT)





Já li mensagens emocionantes de pessoas dizendo por que votam em Lula. Também já li algumas escabrosas dizendo por que não votam nele.

Para mim é uma questão bastante clara: voto em Lula porque tenho lado.


Esta eleição, principalmente o 2º turno, trouxe à tona algo que andava meio disfarçado: a sociedade está em disputa. Não existe uma suposta harmonia de classes.


Voto em Lula, pois:


Ao invés do privado, sou o público;

Ao invés do neoliberal, sou o progressista;
Ao invés da elite, sou o povo;
Ao invés do desemprego, sou o emprego formal;
Ao invés de criminalizar os movimentos sociais, sou o diálogo;

Em vez da "competência" em esconder a corrupção (e a midiaelite nem ligar);

Sou mais a competência de enfrentar o desafio da inclusão social, mesmo com a má vontade dos conservadores.

Enfim, chega dessa hipocrisia de se dizer imparcial, isento, neutro, apolítico etc.


Tudo e todos têm lado. O meu lado é o do trabalhador e do povo brasileiro.

William Mendes (bancário do BB, sindicalista, Secretário de Imprensa da Contraf-CUT e estudante de letras)


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Post Scriptum:


Dias antes, em 18 de outubro, era assinado o ACT do BB, aditivo à CCT dos bancários. Eu era dirigente tanto do Seeb SP, quanto da Contraf-CUT. Veja matéria abaixo do site do Seeb SP.



BB assina a Convenção Coletiva e PLR

PLR será paga nesta sexta, dia 20. Dias parados na greve não serão descontados


São Paulo – Os representantes dos bancários assinaram nesta quarta-feira, dia 18, o acordo coletivo e de PLR com a direção do Banco do Brasil. O Banco vai cumprir todas as cláusulas acordadas com a Fenaban, que garantem, entre outros pontos, melhoras no auxílio-creche ou babá, a ajuda de deslocamento noturno, desconto do vale-transporte, gratificação de função, gratificação de compensador de cheques e ausências legais.

Os bancários do BB receberão em até 48 horas, PLR semestral de 95% do salário, parte fixa de R$ 412, mais R$ 1.819,49 (equivalente a 4% do lucro líquido linear dividido por todos os funcionários), além do módulo-bônus que varia de acordo com a referência salarial da função. O valor total do módulo será pago para as agências que atingirem os 400 pontos do ATB e proporcional para as agências que garantirem no mínimo 325,5 pontos.

“A PLR deste ano teve um avanço no Banco do Brasil e pode servir de parâmetro para os trabalhadores de outras instituições. Agora, no BB, temos pela frente mais desafios nas negociações específicas, como o PCS, a Cassi e a questão de isonomia”, disse o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.

Greve – “Os bancários do BB de São Paulo, Osasco e Região, tiveram a garantia de que não haveria desconto dos dias parados nas assembleias realizadas na campanha salarial”, destaca o funcionário do BB e diretor do Sindicato William Mendes.

“Também temos garantido o acordo da Fenaban na compensação dos dias de greve, cujo prazo termina em 31/12/2006. Até que as negociações sobre o tema se encerrem, os funcionários devem aguardar, pois é nossa intenção melhorar o acordo”, acrescentou o diretor.

Para os bancários de outras praças que estenderam a greve além do dia 11, foi necessária a intervenção da Contraf-CUT para evitar que o Banco descontasse os dias parados. Além disso, a entidade garantiu para todos os funcionários um crédito extra-folha no próximo dia 20, para anular o débito dos dias parados de setembro, que será cobrado na folha de pagamento de outubro.

Fonte: Redação do Seeb SP - 18/10/2006

19.10.06

Comentário sobre a carta do "tal" trabalhador ao presidente




Eu já conhecia este texto do tal trabalhador que propõe ficar com 27,5% do salário dele e o governo ficar com os 72,5% restante, que confesso ser interessante, mas queria fazer alguns comentários. Um dos maiores problemas tributários do país tem a ver com o tipo de tributação que predomina em nossa legislação.

Do total da arrecadação tributária brasileira, ou seja, 37,37% do PIB em 2005 (PIB é toda a riqueza produzida pelo país), cerca de 60% correspondem a impostos indiretos, que incidem sobre o comércio de bens e serviços e que, portanto, quem paga a conta é o consumidor, pobre ou rico.


O governo Lula bem que tentou no início do mandato fazer uma reforma tributária, porém, com o congresso que tivemos (e que teremos novamente) é muito difícil, pois nenhum Estado ou grupamento ali representado quer ceder suas receitas e nem ser tributado.


Vale lembrar que quando nós sugerimos para as pessoas votarem em candidatos de esquerda ou partidos de esquerda para os parlamentos federal, estadual e municipal é para que haja correlação de forças nas votações dos projetos que beneficiam o povo versus os projetos que beneficiam os ricos, os empresários etc. Em 2007 teremos novamente uma Câmara e um Senado onde a grande maioria dos eleitos representa a elite.


O governo Lula tentou votar o imposto sobre grandes fortunas (citado na Constituição desde 1988) e não foi possível.


Agora convenhamos: o tal cidadão que ganha acima de R$ 2.512,08 (faixa de tributação da tabela do IR para 27,5% com redutor de R$ 502,58) está fazendo um belo exercício de retórica.


Pergunte se ele topa inverter a tributação brasileira? Pergunte se aceita diminuir a tributação sobre o consumo e aumentar a tributação sobre a renda e os bens de capital? Porque do jeito que está o Brasil hoje, cidadãos que ganham na faixa acima de 10 salários mínimos, normalmente têm plano de saúde pago pela empresa (ou subsidiado por ela), seus filhos estão nas poucas vagas das universidades públicas e ainda conseguem fazer um belo malabarismo na declaração anual do IR onde fazem a mágica de pagar alguns reais mesmo tendo vários imóveis, carros importados, aplicações financeiras etc.


Aqui é importante lembrar que a imensa maioria do povo brasileiro – cerca de 80% - tem renda inferior aos R$ 2.512,08 tributado a 27,5% pelo imposto de renda.


Para finalizar o comentário, penso ser importante lembrar que o aumento da carga tributária brasileira tem o seguinte histórico recente:


2 governos FHC: aumentou de cerca de 23% para 35,5%

1 governo LULA: aumentou de 35,5 para 37,37%

Ou seja: a carga tributária subiu 54,3% no (des)governo do PSDB/PFL, enquanto no governo LULA (PT/PCdoB) aumentou 5,26%.


A grande diferença entre os governos foi com relação ao bom uso da arrecadação pública, pois no governo atual a pobreza caiu em quase 20%, as empresas públicas que sobraram do desmonte do Estado feito pela tucanagem são rentáveis e o lucro é reinvestido no Brasil e mesmo priorizando as políticas sociais, as empresas brasileiras públicas e privadas tiveram os melhores resultados dos últimos 20 anos, ou seja, o governo LULA foi bom tanto para o povo, quanto para a chamada classe média alta (apesar do preconceito desta para com o metalúrgico-presidente).


É isto,


Abraços a todo(a)s,


William Mendes (bancário, aluno de letras da USP, sindicalista)



Post Scriptum:


Quando fiz essa postagem, havia acabado poucos dias antes a greve nacional dos bancários (no dia 11 de outubro), com as assembleias do BB e da Caixa. Vejam abaixo, matéria do Seeb SP.



Bancários do BB e da CEF aceitam propostas e encerram greve


Trabalhadores de instituições privadas já haviam aceitado a proposta da Fenaban


São Paulo – Os bancários dos bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa Federal, decidiram aprovar as propostas apresentadas pelas direções das instituições e, em assembleias específicas nesta quarta-feira, dia 11, encerrar a greve em São Paulo, Osasco e Região. Os trabalhadores de bancos privados aceitaram a proposta da Fenaban na terça-feira.


Cerca de 80% dos 1.485 trabalhadores da CEF que compareceram à Quadra dos Bancários votaram pelo fim da paralisação e pela reapresentação da proposta que havia sido rejeitada na assembleia desta terça-feira. Como o banco não havia retirado a proposta, ela foi levada novamente a plenário e aprovada.

O mesmo aconteceu no Banco do Brasil: 80% dos 1.290 trabalhadores presentes à assembleia que aconteceu no Clube Trasmontano votaram pelo fim da greve e pela reapresentação da proposta que, nesta quarta-feira, foi aprovada.

Na avaliação do presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, os bancários que compareceram à assembleia não tinham tomado conhecimento da proposta em sua totalidade e por isso não estiveram na assembleia da terça-feira. “As propostas têm importantes avanços, que foram reconhecidos pela maioria dos trabalhadores. A minoria que não queria a aprovação saiu descontente, mas a assembleia é democrática e soberana e sua decisão deve ser sempre respeitada”, diz Marcolino.

Greve desta quarta - Em levantamento realizado pelo Sindicato, havia no sétimo dia de greve 243 locais de trabalho parados – 56 do BB e 187 da CEF entre agências, concentrações e departamentos –, e em torno de 10 mil bancários em greve.

Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco há 106 mil bancários – 16 mil em bancos públicos – e cerca de 3 mil locais de trabalho – 218 do BB e 469 da CEF, contando agências, concentrações e departamentos.

As propostas - No BB, além das questões específicas, a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é, semestralmente, de 95% do salário, mais um valor fixo de R$ 412, mais R$ 1.814 a título de distribuição linear de 4% do lucro líquido do banco apurado neste semestre, além do módulo bônus, que varia de acordo com a referência salarial da função e com o desempenho da dependência em que o funcionário trabalha.

Na CEF, além de uma série de alterações em questões específicas, a PLR prevê o pagamento de 80% do salário mais parcela de R$ 3.167.

Os trabalhadores dos bancos federais, CEF e Banco do Brasil também terão reajustes nos salários e demais verbas de 3,5% (aumento real de 0,63%).

Os funcionários de bancos privados e da Nossa Caixa voltaram ao trabalho nesta quarta-feira. Eles aceitaram, em assembleia realizada na noite desta terça, proposta de 3,5% de reajuste para todas as verbas salariais e participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 828 com adicional variável entre R$ 1.000 e R$ 1.500 de acordo com o lucro do banco.

Os trabalhadores de bancos privados e da Nossa Caixa representam 80% dos 106 mil bancários de São Paulo, Osasco e dos 15 municípios da região de Osasco.


Fonte: Seeb SP - Ricardo Negrão - 11/10/2006


5.10.06

Por que um blog para falar da categoria bancária?



Começo aqui a refletir acerca da categoria bancária. Refletir sobre os 16 anos que já vivi nela. Fazer um panorama das mudanças que presenciei tanto como bancário do Unibanco (de 1988 a 1990) como do Banco do Brasil (de 1992 até hoje).



Aqui será possível escrever um pouco mais sobre o que penso e que, não necessariamente, equivale ao resultado final das deliberações dos fóruns aos quais pertenço como um ser social.


Post Scriptum:


(Matéria do Seeb SP, de 5/10/06, onde eu era diretor eleito pelos bancários)




Cerca de 40% participam da greve no primeiro dia



Cerca de 39 mil bancários aderiram. Em assembleia no fim de tarde, os bancários decidiram manter a greve por tempo indeterminado


São Paulo – Os bancários fizeram nesta quinta-feira, dia 5, o primeiro dia de greve por tempo indeterminado. E cerca de 40% dos bancários de São Paulo, Osasco e Região aderiram ao movimento.



No quarto balanço feito pelo Sindicato, às 16h30, foi apurado que mais de 39 mil bancários permaneceram parados em 517 locais de trabalho entre agências e centros administrativos. Foram 91 locais parados no Centro, 45 na região da Paulista, 145 na Zona Leste, 74 na Zona Oeste, 43 na Zona Sul, 50 na Zona Norte e 69 na região de Osasco. 


No final da tarde, os trabalhadores saíram em passeata pelas ruas do Centro. Antes, na avenida São João, os bancários votaram a favor da continuidade da greve. Nesta sexta-feira, dia 6, eles fazem nova assembleia, às 17h, desta vez na Quadra dos Bancários.

A greve foi aprovada por unanimidade por mais de 1.300 trabalhadores que foram à Quadra nesta quarta-feira, dia 4.

Em São Paulo, Osasco e nos 15 municípios da região de Osasco que estão na base territorial do Sindicato, há cerca de 3 mil locais de trabalho e 106 mil bancários. As cenas de violência, que infelizmente já se tornaram tradição durante a greve dos bancários, já começam a acontecer. 

No Centro, em frente ao ABN Real da rua 15 de Novembro e no Unibanco da Praça do Patriarca a Polícia Militar ameaça os manifestantes. O Sindicato já manteve contato com o Comando da PM solicitando que os policiais se limitem a garantir a segurança dos cidadãos.

E de acordo com a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), cerca de 190 mil aderiram à greve em todo o país. A entidade representa 108 sindicatos em 24 Estados e no Distrito Federal e, juntos, representam mais de 95% dos bancários.

Vaias - Em vários locais, os bancários mostraram seu descontentamento, vaiando os banqueiros. O gesto se repetiu no Centro, e nas concentrações do Bradesco, em Alphaville, e do Unibanco, no CAU.

Apoios - Os bancários de todas as instituições também ajudaram no primeiro dia de greve por tempo indeterminado. Trabalhadores da Nossa Caixa, Caixa Federal, Banco do Brasil e bancos privados se deslocaram para outras agências a fim de convencer outros bancários a aderirem ao movimento. Vários exemplos similares foram registrados pela reportagem do Sindicato. A greve também recebeu apoio da CUT-SP.

Proposta - Os trabalhadores rejeitaram a proposta da Fenaban de 2,85% de reajuste salarial (e sobre as demais verbas) e a PLR de 80% do salário, mais R$ 823 de parte fixa, além de um adicional de R$ 750 para os bancários de instituições que tiverem crescimento de 20% do lucro líquido, ou mais, em relação ao ano passado.

"A parcela adicional da PLR é muita baixa e como seu pagamento está condicionado ao crescimento do lucro é discriminatório, pois muitos bancários deixarão de receber", acrescenta Marcolino.

Reunião - O Comando de Greve, composto por todos os diretores do Sindicato, Contraf-CUT, Fetec-CUT/SP (da base de São Paulo, Osasco e região) e delegados sindicais do Banco do Brasil e da Caixa se reuniram nesta quinta, e repetem o encontro nesta sexta-feira, dia 6, na sede do Sindicato.

Fonte: Seeb SP